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Direito e Psicologia nas Varas de Família

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a legitimar a diversidade de uniões existentes no contexto brasileiro. 
A constituição elimina também a chefia familiar, determinando a igualdade de direitos e deveres para ambos os cônjuges. 
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DA LEI DO DIVÓRCIO À CONSTITUIÇÃO
Na constituição se encontra pela primeira vez no Brasil os direitos da criança (art. 227) a partir do conceito de proteção integral e do entendimento da criança como sujeito de direitos.
No mesmo artigo, ficam proibidas discriminações entre filhos havidos dentro e fora do casamento e na adoção.
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DA CONVENÇÃO INTERNACIONAL AO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Aprovada no Brasil pelo Congresso Nacional e promulgada em 1990, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança é um instrumento jurídico, pois obriga os países que a assinam a adaptar suas legislações às suas normas e apresentar periodicamente um relatório sobre suas aplicações. No mesmo ano, a legislação nacional é alterada pela publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente. 
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DA CONVENÇÃO INTERNACIONAL AO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Os dois instrumentos consideram que a separação do casal não deve conduzir à dissolução dos vínculos entre pais e filhos, contrapondo-se ao entendimento que poderia se ter, a partir da Lei do Divórcio, de que não cabem preocupações com o cotidiano infantil ao genitor que não detém a guarda.
Ainda assim, pesquisas mostram que a guarda atribuída a um dos pais contribui para o afastamento do genitor descontínuo (pais de fim de semana). 
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DA CONVENÇÃO INTERNACIONAL AO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
O direito de a criança manter um relacionamento pessoal com seu pai e sua mãe não resulta da autoridade e sim da responsabilidade parental em preservar o vínculo de filiação. Há, assim, a divisão entre Parentalidade e Conjugalidade. 
Na medida em que os códigos jurídicos passam a priorizar o melhor interesse da criança, tal critério deve se sobrepor ao de falta conjugal em toda decisão judicial a respeito da guarda de filhos de pais separados e divorciados. 
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DA CONVENÇÃO INTERNACIONAL AO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
O interesse da criança, portanto, é um critério usado juridicamente sempre que a situação da mesma requer a intervenção do magistrado, visando a lhe assegurar um desenvolvimento adequado.
Para respaldar suas avaliações, o juiz solicita subsídios da Psicologia, entre outras áreas, cujos estudos correm o risco de estarem atrelados a uma certa noção padrão de normalidade. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
A disputa da guarda num divórcio litigioso está baseada numa lógica adversarial em que um genitor tenta não somente mostrar que é mais apto para cuidar e educar os filhos, como também expor as falhas do outro para tal função. 
No litígio, a prevalência dos interesses de um implica em não atendimento aos interesses do outro. À medida em que os interesses se contrapõem, o juiz tem que decidir qual pretensão das partes está mais amparada na lei. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
Abre-se um leque infindável de acusações de uma parte contra outra, cujas faltas morais teriam sido, como ambos argumentam, responsáveis pelo conflito. O que antes fazia parte do cotidiano do casal são agora práticas “bizarras” de um estranho que, por razões “desconhecidas”, foi outrora objeto de investimento amoroso (se o litígio persevera, é porque há ainda um vínculo entre um e outro). 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
Em face desse panorama, é comum o psicólogo ser requisitado a responder à difícil demanda de apontar o genitor mais qualificado ou analisar o impedimento de visitas de um ou de outro (papel bastante complicado). 
A definição de um guardião pode fazer com que alguns pais, sentindo-se impotentes com o papel de coadjuvantes, esbarrem nas decisões unilaterais de suas ex-esposas a respeito da vida dos filhos, assim como há mães que se sentem sobrecarregadas com o ex-marido que mal visita as crianças. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
O laudo ou parecer psicológico pode acabar servindo de combustível para o fogo da desavença familiar, reacendido a cada decisão judicial. Se o psicólogo auxilia o magistrado a decidir o “melhor” guardião, por um lado, por outro, ele fornece um poderoso instrumento (ao relatar defeitos e virtudes de um e do outro) para as famílias darem prosseguimento aos processos judiciais. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
A perpetuação do embate familiar, via poder judiciário, é um modo de dar continuidade ao trabalho de luto da separação, às vezes até mesmo da perda do objeto amado, ou é simplesmente um meio de manter o vínculo com o ex-companheiro. 
Para agravar a situação, os filhos são usados como instrumento de vingança e constrangimento, não havendo bom-senso que faça apelo ao fim do conflito. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
É certamente impróprio indagar à criança com quem ela deseja ficar, cuja decisão pode acarretar, num outro momento, graves sentimentos de culpa por rejeitar um dos genitores.
Além do mais, é comum a fantasia da criança de que os pais voltarão conviver harmoniosamente. Muitas preferem o casamento infeliz dos pais ao divórcio. Pedir que a criança se posicione em relação ao divórcio, contraria seus interesses. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
Dolto afirma que a criança deve ser ouvida pelo juiz, o que não pressupõe a escolha dos genitores e seguir o que ela sugere. Escutar a criança tem como significado o fato de ela ser membro da família e ter vontade de falar sobre o que se passa com ela, assim como tirar dúvidas sobre tal situação. Ao final, é importante a criança saber que “o divórcio dos pais foi reconhecido como válido pela justiça e que, dali por diante, os pais terão outros direitos, mas que não são liberáveis de seus deveres de parentalidade”.
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
Ainda segundo Dolto, as crianças devem ouvir do juiz algumas palavras a respeito de seus deveres filiais, a saber, a preservação das relações pessoais com as famílias de ambas as linhagens. 
Não é difícil a criança se sentir culpada pelo divórcio, cuja existência é imaginada como um peso para os pais. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
Mesmo que a criança ou o adolescente insista verbalizar com quem deseja ficar, não se pode perder de vista que há uma tendência nas situações de litígio de os filhos fazerem aliança com um dos genitores e perceberem o outro como “vilão” da separação. Essa aliança, normalmente, é feita com quem detém a guarda.
A lógica adversarial favorece o aumento de tensão entre os ex-cônjuges, sem desfazer o entendimento habitual de que ao final do processo há sempre vencidos e vencedores. 
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A CRIANÇA ENVOLVIDA NO CONFLITO E OS MALEFÍCIOS DA PERÍCIA
A sugestão do psicólogo ao juiz deve contar, o máximo possível, com a participação da família, retirando-as do papel passivo a que são frequentemente relegadas no processo de perícia. Para tanto, deve se privilegiar os recursos subjetivos, seja a partir da temática do sujeito, seja a partir do sistema relacional da família, para a orientação e o encaminhamento dos impasses. 
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A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA: A IMPORTÂNCIA DA FALA, O LAÇO CONJUGAL, A QUESTÃO DO DESEJO 
Envolvimento dos valores do julgador na objetividade dos atos e fatos jurídicos:
“O julgador, quando sentencia, coloca ali, para a solução do conflito, não só os elementos da ciência jurídica e da técnica processual, mas também toda uma carga de valores, que é variável de juiz para juiz.” (PEREIRA: 2001:250) 
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A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA: A IMPORTÂNCIA DA FALA,