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Aula 04 – Filosofia da Ciência Althusser, Gramsci, Lucáks Ao final desta aula, você será capaz de: 1. Conhecer o pensamento de Althusser, Gramsci, Lucáks em relação à obra de Marx. 2. Compreender os conceitos fundamentais de Althusser, Gramsci e Lucáks em relação à leitura marxista. 3. Constatar a inserção e a leitura de Althusser, Gramsci e Lucáks no campo do Serviço Social. INTRODUÇÃO Como havíamos tentado na aula passada ler Marx, conhecê-lo sem mediadores e comentadores, faremos aqui ao contrário, ao mostrarmos explicitamente as abordagens e leituras feitas por Althusser, Gramsci, Lucáks. O caráter interpretativo nos interessa, e muito, nesta aula, como forma de habilitar ao aluno a entrar nas discussões teóricas travadas pelos teóricos brasileiros importantes no campo do Serviço Social no que tange às abordagens marxistas, tanto na apropriação epistemológica do marxismo, portanto na compreensão marxiana de ciência, quanto em preocupações de ordem ideológica que marcam as discussões sobre a práxis do assistente social. Podemos observar nos teóricos brasileiros do Serviço Social e mesmo nas dissertações de mestrado, a preocupação de mapear as influências de cunho marxistas. Compreender os diferentes níveis de apropriação epistemológica advindas desses três pensadores, como volta ao próprio pensamento marxista, é de alguma forma resgatar toda uma preocupação metodológica para identificar no trabalho investigativo, as influências, inclusive no que tange às discussões visando estabelecer uma reflexão crítica do trabalho profissional. Dica: Um exemplo de artigo mencionado para que possam ler na íntegra é de Ester Vaisman, intitulado: ALTHUSSER: IDEOLOGIA E APARELHOS DE ESTADO – VELHAS E NOVAS QUESTÕES, na qual trata da “utilização do critério epistemológico na determinação do fenômeno ideológico”. ANTONIO GRAMSCI Observa-se que há ao largo de uma interpretação mais restrita marxista, vemos aparecer a figura de Gramsci que, frenquentemente, se torna um interlocutor para sustentar a fundamentação teórica, assim como aconteceu com a proposta curricular da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPSS, de 1996. A militância política aparece como determinante na apropriação ideológica do marxismo pelo movimento de Reconceituação, diferentemente de 1980, no qual a apropriação epistemológica é focada no estudo do paradigma ou de um modelo científico. Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPSS Ao tratarmos de epistemologia não podemos nos furtar a considerar questões de cunho teórico-metodológico e ideo-político que permeiam a compreensão do que seja a profissão e a maneira de exercê-la. O peso teórico-analítico do desvendamento do significado da profissão “O peso teórico-analítico do desvendamento do significado da profissão, inaugurado por Iamamoto, em 1982 – em parceria com Carvalho – que esbanja uma sólida e rigorosa postura metodológica comprometida com a perspectiva ontológica de Marx. Sua análise, mesmo já contabilizando quase trinta anos desde a primeira edição, é referência obrigatória para uma compreensão crítica da natureza do Serviço Social, no bojo da produção e reprodução das relações sociais. E, nesse sentido, vamos recuperar alguns dos seus principais achados, recorrendo à elaboração original de 1982, mas também à crítica teórica que Iamamoto (2008) desenvolve de sua própria elaboração, em: “Serviço Social em tempo de capital fetiche.” (SANTOS, J. S. Apropriações da tradição marxista no Serviço Social. In Cadernos Especiais n. 42, edição: 22 de janeiro a 19 de fevereiro de 2007. Disponível em www.assistentesocial.com.br) É neste sentido de ethos da profissão que encontramos Althusser, como um dos principais pensadores de influência marcante no debate do Serviço Social. ALTHUSSER E LUKÁCS Sofrendo influência também do cientificismo e do formalismo metodológico (estruturalista) presente no "marxismo" althusseriano, a proposta marxista do Serviço Social nos anos 60/70, posteriormente, se ancora, como nos anos de 1980, 1990 e 2000, em outros pensadores da tradição, crítica como Gramsci. Saiba Mais: OBJETO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL SOB O PONTO DE VISTA DE ALTHUSSER E LUCÁKS. O empreendimento que quer atingir os pressupostos teóricos, principalmente no que diz respeito ao objeto de trabalho do Serviço Social, permitindo assim apreender o sentido da questão social, também está vinculado às várias formas de identificá-lo. Embora seja inquestionável como tema maior, que traz consigo o processo histórico de conflito entre capital e trabalho, daí a preocupação com o referencial teórico que enseja os fundamentos de conceituação do objeto investigado. Nossa preocupação pode ser, num primeiro plano, metodológica e há autores que poderiam dizer que a nossa disciplina enveredou por ser uma metodologia e não uma epistemologia, porém tratar-se aqui de prover ao aluno um conhecimento do próprio conhecimento. A epistemologia é tratada por nós como filosofia da ciência e vê-se que no caso do Serviço Social, toda a manobra teórico-conceitual visa a atingir uma delimitação própria ao campo do Serviço Social, mesmo que atrelada às mazelas das Ciências Sociais. O projeto ético-político traçado pela categoria passou necessariamente pela aquisição de conhecimento científico, quando estabeleceu centros de excelência acadêmicos como forma de repensar o exercício da profissão. Há estreita vinculação entre o fazer teórico e o enfrentamento da questão social como forma de apoderar-se de um locus privilegiado de inserção na realidade das manifestações da questão social. Há toda uma tentativa de se desvincular de uma posição conservadora, próxima às classes detentoras de poder, para operar outro tipo de discurso. “Parece que o conceito de conhecimentos não é suficiente para posicionar um indivíduo: há o que ele sabe, há também (e sobretudo) o modo como o sabe e como se pode apoiar no que sabe para evoluir. “ ( Fernandes, Rosa Maria Castilhos Educação permanente: uma dimensão formativa no serviço social / Rosa Maria Castilhos Fernandes. – 2008). Site: http://pct.capes.gov.br/teses/2008/42005019008P5/TES.pdf http://estacio.webaula.com.br/Cursos/gon202/docs/16FC_aula04_doc01.pdf Além de Lukács , que aparece no horizonte teórico do Serviço Social trazendo um novo tipo de ontologia: propõe a perspectiva do ser social atrelado primordialmente à história como categoria fundamental do ser social. A CONTRIBUIÇÃO FUNDAMENTADA PELA TEORIA SOCIAL CRÍTICA A contribuição fundamentada pela teoria social crítica, na época, possibilitou a transição para outro foco na interpretação da prática profissional do Serviço Social. Essa passa a ser considerada como um dos elementos que constituem o processo de trabalho profissional, assim como o objeto, os meios de trabalho, o produto e a própria atividade do sujeito, que é o trabalho, ou, ainda, a prática profissional. Sobre Iamamoto e Netto, quando se ressalta em discussões mais recentes que “inexiste qualquer nova questão social”. Considera que, sem a supressão da própria ordem do capital, é inevitável a emergência de novas expressões da questão social. As transformações societárias, que emergem dessa ordem de forma dinâmica “põe e repõe os corolários da exploração, como a cada estágio de seu desenvolvimento ela instaura expressões sócio-humanas diferenciadas e mais complexas, correspondentes a exploração que é a sua razão de ser.” (NETTO, José Paulo. Cinco Notas a Propósito da “Questão Social”. In: Revista da associação brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Sócia - TEMPORALIS. Ano II. Nº 3. Janeiro a Junho de 2001.p. 48) A PESQUISA TEM COMO REFERENCIAL EPISTEMOLÓGICO O MÉTODO DIALÉTICO DE INVESTIGAÇÃO A pesquisa tem como referencial epistemológico o método dialético de investigação e caracteriza-se como uma pesquisa do tipo qualitativa. Trata-se de um método que permite buscar “a ligação, a unidade e o movimento que engendra os contraditórios, que os opõe,que faz com que se choquem, que os quebra ou que os supera” (LEFEBVRE, Henri. Lógica Formal, Lógica Dialética. Tradução: Carlos Nelson Coutinho. 5.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. p.238). Destacam-se, entre as categorias do método, a totalidade, a particularidade, a contradição e a historicidade que enrijecem o fio condutor dessa investigação, contribuindo para apreensão da interlocução entre a educação e o trabalho. Tais categorias são dotadas de significados, pois são construções históricas em movimento que atravessam o desenvolvimento do conhecimento e, portanto, permitem penetrar no objeto de pesquisa e na realidade social. Então, se o real está em movimento, “que nosso pensamento também se ponha em movimento e seja pensamento desse movimento. Se o real é contraditório, então que o pensamento seja pensamento consciente da contradição” (LEFEBVRE, Henri. Lógica Formal, Lógica Dialética. Tradução: Carlos Nelson Coutinho. 5.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. p.174). DOIS FATORES PARA QUE A TEORIA MARXIANA CONSEGUISSE “UM LUGAR AO SOL” NO INTERIOR DAS CIÊNCIAS SOCIAIS POR JOSÉ CARLOS NETO Neto, que indica dois fatores para que a teoria marxiana conseguisse “um lugar ao sol”, no interior das ciências sociais nas universidades: “De uma parte, a efetiva influência da tradição marxista nos movimentos de libertação nacional e social que se encorpam nos anos 50, assim como sobre os movimentos de massas nos países capitalistas avançados; de outra, a crise das chamadas ciências sociais acadêmicas, que também se põe de manifesto nos centros capitalistas a partir da década de 50”. Neto mostra que “a resultante desse jogo polifacético foi uma aproximação muito peculiar de setores do serviço social à tradição marxista. Eu diria que ela se singularizou por três traços interligados: Em primeiro lugar, tratou-se de uma aproximação que se realizou sob exigências teóricas muito reduzidas – as requisições que a comandavam foram de natureza sobretudo ideo-política, donde um cariz fortemente instrumental nessa interlocução. Em segundo lugar, e decorrentemente, a referência à tradição marxista era muito seletiva e vinha determinada menos pela relevância da sua contribuição crítico-analitíca do que pela sua vinculação a determinadas perspectivas prático-políticas e organizacional-partidárias. Enfim, a aproximação não se deu às fontes marxianas e/ou aos ‘clássicos’ da tradição marxista, mas especialmente a divulgadores e pela via de manuais de qualidade e níveis discutíveis. “A formação profissional do assistente Social supõe um suporte teórico metodológico necessário à reconstrução da prática e ao estabelecimento de estratégias de ação. (IAMAMOTO, Marilda Vilela. Renovação e conservadorismo no serviço social: ensaios críticos. 4. Ed. São Paulo: Cortez, 1997). Por que tal suporte teórico metodológico é importante? Minha resposta: O Serviço social não surgiu a partir de uma mera ideia. Um conjunto de doutrinas foi pesquisada, estudada comparada com os fatos acontecidos no dia a dia e a partir foi sendo construído uma teoria, uma metodologia que serve como base das intervenções do cotidiano profissional. Resposta do Professor: Para que o Assistente Social detenha “um conjunto de saberes que extrapole a realidade imediata e lhe proporcione apreender a dinâmica conjuntural e a correlação de forças manifesta ou oculta” (GUERRA, Y. A instrumentalidade do serviço social. São Paulo: Cortez, 1995,p. 200). SAIBA MAIS Para saber mais sobre os tópicos estudados nesta aula, pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto. Se ainda tiver alguma dúvida, fale com seu professor on line, utilizando os recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem. SANTOS, J. S. Apropriações da tradição marxista no Serviço Social. In Cadernos Especiais n. 42, edição: 22 de janeiro a 19 de fevereiro de 2007. Disponível em www.assistentesocial.com.br LUKÁCS, G.Ontologia do ser social. Os princípios ontológicos fundamentais de Marx. São Paulo, Ciências Humanas, 1979.218. Gramsci. Um estudo sobre seu pensamento político.Rio de Janeiro, Campus, 1989. http://www.uff.br/iacr/ArtigosPDF/14T.pdf http://www.pucsp.br/projetohistoria/downloads/volume33/artigo_12.pdf http://download.tales.com.br/marxismo/Marxismo/Gyorgy%20Luk%C3%A1cs%20-%20Proleg%C3%B4menos%20para%20a%20Ontologia%20do%20ser%20social.pdf