Penal Especial I
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Penal Especial I


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Direito Penal \u2013 Parte Especial I
Professor Sólon Cicero Linhares
23/07/13
- Parte Geral: Tentativa - Des. Voluntário - Arrependimento Eficaz - Crime Impossível
Inter Criminis = caminho do crime. O primeiro elemento é a cogitação. O direito não pune a cogitação, mas há o direito penal do inimigo. O Brasil adota essencialmente o direito penal do fato.
Ex: pedofilia enquanto doença.
- O direito penal do autor não dá o direito de defesa.
Atos preparatórios \u2013 Execução - Consumação
24/07/13
- Não confundir concurso de pessoas com quadrilha e bando. Não é crime concurso de pessoas.
- Criminalidade de empresa é o crime praticado pelo empresário no âmbito empresarial em concurso de pessoas. 
- Quanto à empresa ilícita pode-se dizer que tem quadrilha e bando. O motivo da reunião é praticar crime.
TENTATIVA \u2013 inicia-se a execução, e o crime não pode se consumar. Não existe tentativa por culpa, exige dolo.
1) Início da Execucão:
- Teoria Objetiva \u2013 Formal \u2013 o início se dá quando você desfere o primeiro tiro, é o verbo do tipo. É a corrente majoritária no Brasil.
- A segunda corrente (Zaffaroni) \u2013 Teoria do Plano Concreto Individual do Sujeito Ativo: leva em conta o aspecto subjetivo, o que se passa na cabeça do agente.
2) Não consumação: 
- Desistência Voluntária é uma conduta negativa, mesmo podendo prosseguir (evita a consumação). Se ele podia prosseguir é desistência voluntária, mas se não podia, será tentativa. O sujeito ativo só responde pelos atos praticados. Ponte de ouro é o momento entre o início da execução, onde evita-se esta, o sujeito não prossegue o ato.
- Toda vez que desiste com o coração, é desistência voluntária. Se desiste porque tem medo de ser preso é tentativa.
- Arrependimento Eficaz: é uma conduta positiva, um fazer, que evita a consumação.
Ex: Tentou matar a freira, levou esta para o hospital, e ela sobreviveu, porém perdeu o globo ocular. Trata-se de lesão corporal grave, por debilidade de função, 50% da visão. Se perdesse os dois olhos seria gravíssima.
3) Dolo
30/07/13
CRIME IMPOSSÍVEL: para existir deve ter: impropriedade absoluta do objeto ou ineficácia absoluta do meio \uf0e0 atípica.
A natureza jurídica do crime impossível é a atipicidade!
Se for um caso de crime impossível, não há crime por falta de tipicidade!
- Primeira circunstância: impropriedade absoluta do objeto
- Segunda circunstância: ineficácia absoluta do meio 
- Adotamos a teoria temperada \u2013 tem que ser absoluto para ser crime impossível.
Próximo caso prova da ordem * crime impossível unanime em todos os graus.
CONCURSO DE CRIMES 
MATERIAL \uf0e0 mais de uma conduta e mais de um crime, as penas são somadas.
Art. 71 \u2013 evita a soma. Ex: empregada doméstica que furtava um faqueiro de prata.
CONTINUADO\uf0e0 (ficção jurídica) \u2013 continuidade eletiva
Mais de uma conduta
Mais de um crime da mesma espécie 
Mesmas condições de tempo (uma conduta a cada 30 dias)
Mesmo lugar (bairros vizinhos, cidades vizinhas)
Modo de execução
Se preencher os cinco, responde por um crime aumentado de 1/6 a 2/3.
- Só será omissão de socorro quando você não for garante. O garante adere ao resultado naturalístico, o que acontecer. Ex: mãe que sabia que o marido estuprava a filha, responde por estupro. 
FORMAL \uf0e0 uma conduta apenas. Se divide em:
- perfeito: tem dolo na primeira conduta + culpa nas demais, ou culpa na primeira + culpa nas demais = 1 aumenta 1/6 à metade; aplica o sistema da exasperação, pega a pena de um e aumenta um tanto.
- imperfeito: dolo + dolo + dolo ... = SOMAR; sistema do cúmulo material.
V ou F: O sistema de aplicação de pena do concurso material é o mesmo do concurso formal imperfeito (verdadeiro). Assim como o sistema de aplicação de pena do concurso formal perfeito é o mesmo do crime continuado. 
31/07/13
HOMICÍDIO \uf0e0 Art. 121. Matar alguém. Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
- BEM JURÍDICO: vida - O bem jurídico é o que o CP protege. O objeto é a coisa sobre a qual recai a conduta humana. No crime de homicídio o objeto é o corpo e o bem jurídico é a vida.
Não é só quando se tira a vida de alguém que se responde por homicídio.
Induzir é dar a ideia, instigar é reforçar uma ideia que já existe.
Crimes dolosos contra a vida que vão a júri: homicídio, participação em suicídio (123), infanticídio (123), aborto (124). Apenas esses vão a júri. 
OBS: O latrocínio (art. 127) não vai a júri, mesmo que se tire a vida de alguém, pois é um crime contra o patrimônio e não contra a vida, pois a vida foi tirada para levar o bem material. Será julgado por um juiz singular da vara criminal. Súmula 608 do STF.
Lesão corporal seguida de morte também não vai a júri. 
- SUJEITO ATIVO: É quem pratica o crime. Qualquer pessoa pode ser, pois é um crime comum, não precisa um requisito especial. 
- SUJEITO PASSIVO: É o detentor do bem jurídico. Qualquer pessoa.
- A pessoa jurídica no Brasil só pode ser de crim e ambiental, conforme a Lei 9605/98. 
- O homicídio é um crime plurisubsistente, consigo dividir o inter criminis, admite tentativa.
INÍCIO DA VIDA
Intra-uterina: interesse do aborto*. A vida intra-uterina se inicia com a união do gameta masculino com o gameta feminino, portanto, já existe proteção do direito penal. Portanto, com a fecundação (depois de 72 horas) já existe a proteção do direito penal. A pílula do dia seguinte é autorizada, pois deve ser tomada no máximo até 72 horas, não há fecundação, não há vida.
Extra-uterina: interesse do homicídio. Para o CP, a partir de 1989 e segundo o STF, o início da vida se dá com as primeiras contrações, se não tiver, é com a passagem do feto pelo canal vaginal, se não foi feito parto normal, com o rompimento do saco amniótico. Exemplo: se alguém matar a criança dentro do útero, após o rompimento, já se considera homicídio. Se matar sem o rompimento é aborto. Se a mãe matar após o rompimento, sob o estado puerperal, é infanticídio. O estado puerperal são perturbações de ordem psicológica, biológica.
	
FIM DA VIDA - Não interessa mais ao homicídio, pois não existe mais vida. Para o direito penal, o fim da vida se dá com a ausência de impulso elétrico no encéfalo. 
- VEDAÇÃO RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA = se o agente não sabia, não imputa.
GÊMEOS XIFÓPAGOS - São os gêmeos que tem um tronco e duas cabeças, são duas vidas. Caso alguém mate um deles, com certeza o outro gêmeo também morrerá. Quem pratica o crime responderá por dolo direto de primeiro grau contra o gêmeo que teve a intenção de matar e por dolo direto de segundo grau contra o gêmeo que morreu em conseqüência do outro.
DOLO DIRETO DE PRIMEIRO GRAU: é o dolo que se tem em face de determinada pessoa, e apenas desta. É a pessoa que você visa matar.
DOLO DIRETO DE SEGUNDO GRAU: é um dolo no qual o resultado acaba acontecendo em prol do primeiro, mas atingindo também o(s) segundo(s). Você sabe que vai acontecer. Ex: matar a sogra, obrigatoriamente mata o piloto do helicóptero.
Caso em que atingiu o cidadão que passava pela rua e sofreu lesão corporal pelos estilhaços de um carro que foi explodido: dolo eventual.
TIPO OBJETIVO: é o verbo matar.
TIPO SUBJETIVO: É o dolo, que pode ser direto ou indireto (eventual). O homicídio admite modalidade culposa, conforme o art. 18. O homicídio é o ÚNICO crime contra a vida que admite a modalidade culposa. Portanto, não existe o aborto culposo, portanto, tal conduta é atípica.
TIPO NORMATIVO: culpa.
- Não existe elemento subjetivo distinto do dolo.
HOMICÍDIO SIMPLES \uf0e0 6 a 20 anos. É simples quando não é qualificado nem privilegiado, portanto, utiliza-se o critério da exclusão. O homicídio simples existe quando o corpo de júri exclui o qualificado. Exemplo: não consideram fútil o motivo do homicídio, tornando-o simples em vez de qualificado.
*Critério da exclusão para o homicídio simples.
Bem jurídico \u2013 proteção da vida.
Latrocínio não vai a júri. 
Sujeito Ativo: quem pratica, pessoa jurídica só pode ser sujeito ativo em crime ambiental. Em um crime de homicídio qualquer pessoa pode praticar,