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A ARQUITETURA DOS TEMPLOS CATÓLICOS ERGUIDOS NO SÍTIO 
HISTÓRICO DE TERESINA ENTRE MEADOS E FINAL DO SÉCULO 
XIX 
SILVA, LUANA B. (1); ROCHA, MIRÉIA B. (2); MELO, NEUZA B. A. L. (3) 
1. Instituto Professor Camillo Filho. Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação 
Rua Napoleão Lima, nº 1175 – Jóquei Clube – CEP: 64049-220 – Teresina - Piauí 
E-mail: luana.sp.pi@hotmail.com 
 
2. Instituto Professor Camillo Filho. Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação 
Rua Napoleão Lima, nº 1175 – Jóquei Clube – CEP: 64049-220 – Teresina - Piauí 
E-mail: mireiabezerrarocha@gmail.com 
 
2. Instituto Professor Camillo Filho. Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação 
Rua Napoleão Lima, nº 1175 – Jóquei Clube – CEP: 64049-220 – Teresina - Piauí 
E-mail: neuzabalmelo@globo.com - Orientadora 
 
RESUMO 
Este artigo explora a arquitetura de templos católicos em Teresina-PI, situados no sítio histórico e 
erguidos entre meados e final do século XIX. A análise desses templos revela o progresso da 
sociedade teresinense e evidencia essa Arquitetura produzida como um mecanismo para a 
concepção da história da cidade. A pesquisa interpreta a Arquitetura da Igreja Nossa Senhora do 
Amparo, Igreja Nossa Senhora das Dores e Igreja São Benedito, caracterizadas como as primeiras 
Igrejas de Teresina, que assim como a maioria das capitais nordestinas teve um edifício católico 
como componente determinante de sua formação. A conveniência da junção dos seguintes templos 
para estudo é justificada, visto que, tais edifícios apresentam atributos parecidos, e além disso, 
exercem juntos a função de materialização da memória coletiva. O objetivo geral do estudo é 
investigar a arquitetura desses templos, ressaltando o significado da preservação desses edifícios 
católicos, expressando à sociedade piauiense a relevância de sua referência e identidade como fator 
determinante na prática da cidadania frente ao seu Patrimônio Cultural. Especificamente, torna-se 
relevante estudar os estilos arquitetônicos contidos nessas construções, paralelo a isso, é importante 
efetuar sondagens arquitetônicas por meio de técnicas construtivas e materiais utilizados. Esta 
pesquisa utiliza-se de produções bibliográficas, documentações locais, levantamentos arquitetônicos, 
registros fotográficos e pesquisas de campo com observação direta, além de métodos históricos e 
comparativos, que proporcionam a compreensão das diferenças e semelhanças dos elementos 
arquitetônicos desses templos, alterados ou conservados ao longo dos anos. Quanto às 
transformações arquitetônicas, ocorre nesses patrimônios em estudo, a inclusão da 
contemporaneidade juntamente com sucessivas reformas, que necessita de maior cuidado no 
momento de sua implantação, para evitar certas descaracterizações arquitetônicas e o conseguinte 
desaparecimento da identidade local. Pôde-se observar que a população não possui o conhecimento 
e o consequente interesse por seus patrimônios de modo a contemplar e zelar pelos mesmos, os 
quais são mantidos sob desfavoráveis condições de preservação. Por isso, uma solução viável à 
longo prazo seria, através deste trabalho, proporcionar maior conhecimento, inclusive aos 
profissionais de arquitetura, os quais podem promover intervenções adequadas à essas edificações 
com maior propriedade a partir da correta apropriação dos edifícios, e ainda, incentivar seus usuários 
e contempladores a praticar a preservação destes bens. 
Palavras-chave: Arquitetura; Templos Católicos; História; Teresina. 
 
 
7º SEMINÁRIO MESTRES E CONSELHEIROS: AGENTES MULTIPLICADORES DO PATRIMÔNIO 
Belo Horizonte, de 10 a 12 de junho de 2015 
ISSN 2176-2783 
A História e a Arquitetura são duas ciências amplamente ligadas. A primeira 
apresenta como principal função o entendimento do desenvolvimento humano. Já a 
Arquitetura cumpre o papel de materializar os fatos históricos que permanecem até os dias 
atuais. Essa permanência permite a leitura cultural de uma determinada comunidade. Assim 
sendo, a Arquitetura é um mecanismo para a construção da história. 
A implantação das cidades brasileiras é uma amostra da construção da história 
através da Arquitetura. Grande parte das capitais foram fundadas assistidas pela prática 
católica. Nesse contexto, a instauração das primeiras vilas foi consolidada, comumente, por 
meio de templos católicos. É o que reforça Gandara (2011, p.96) “No Brasil, a construção e 
a inauguração de uma capela/Igreja constituíram-se em importante vetor de indução para o 
surgimento/povoamento de um determinado lugar”. Apesar de ser uma capital mais nova, a 
cidade de Teresina também teve um edifício católico como um dos elementos influentes 
para sua formação. 
À vista disso, entende-se, na cidade de Teresina, a relevância da instituição “Igreja 
Católica” em seu desenvolvimento. A Arquitetura dessas instituições católicas que se 
localizam no centro da capital piauiense, exerce uma representação cultural, histórica e 
religiosa. Assim sendo, os três templos católicos da cidade que mais revelam as 
características arquitetônicas do contexto local são: a Igreja Nossa Senhora do Amparo; a 
Catedral Nossa Senhora das Dores; e a Matriz de São Benedito. 
Dessa forma, o objetivo geral do seguinte estudo é analisar a arquitetura dos 
templos católicos erguidos no centro histórico de Teresina para, dessa forma, compreender 
sua importância na formação da cidade e, ainda, ressaltar o significado da preservação 
desses bens, sensibilizando a sociedade piauiense para que esta reconheça a relevância 
dessas construções, as quais constituem o Patrimônio Cultural piauiense. 
Especificamente, a pesquisa tem como finalidade, investigar a história dos edifícios 
católicos, avaliando como os fatos históricos influenciaram na construção da arquitetura 
desses templos; estudar os estilos arquitetônicos presentes nessas edificações; evidenciar 
técnicas construtivas e materiais utilizados; e finalmente, produzir conhecimento para a 
maior apropriação dos edifícios frente às eventuais intervenções que possam ser 
promovidas nesses patrimônios locais. 
Interessa esclarecer as condições de origens e os significados da arquitetura de 
cada templo. Busca-se observar também as características da arquitetura no contexto 
ocidental, nacional e regional, para o estudo dos estilos arquitetônicos dessas edificações. 
E, por fim, propor o seu reconhecimento como um bem patrimonial e sua ocupação de forma 
adequada, visando sua preservação. 
 
 
7º SEMINÁRIO MESTRES E CONSELHEIROS: AGENTES MULTIPLICADORES DO PATRIMÔNIO 
Belo Horizonte, de 10 a 12 de junho de 2015 
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O trabalho busca compilar parte do legado religioso da cidade explorando fontes 
bibliográficas, documentações locais e visitas de campo aos templos. O trabalho faz opção 
ao método histórico e comparativo, pois se permite a tradução da arquitetura através dos 
fenômenos históricos da cidade e a comparação faz compreender as modificações e as 
preservações dos aspectos arquitetônicos desses templos. 
É finalidade desse trabalho, despertar o reconhecimento, a apropriação, bem como 
o uso adequado desses templos pela comunidade, contribuir na produção de conhecimento 
e no estímulo pela preservação do patrimônio cultural local. 
 
Fundamentação teórica 
A proposta se refere à arquitetura de igrejas católicas situadas no centro histórico 
de Teresina. Reconhecendo a “cidade” como o cenário que abriga esses produtos 
arquitetônicos, torna-se relevante o entendimento de tal conceito. “A cidade, como coisa 
humana por excelência, é constituída por sua arquitetura e todas aquelas obras que 
constituem seu modo real de transformação da natureza”. (ROSSI, 2001, p. 57). 
Geralmente, as regiões que melhor representam essas transformações são os centros, 
devido sua formação histórica. 
Portanto, é relevante compreender a definição de sítio histórico. Segundoa Carta 
de Petrópolis “Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos 
do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações [...]”. (CARTA DE 
PETRÓPOLIS, 1987, p. 1). 
Dentre os fatores que constituem o centro histórico, a arquitetura possui um papel 
determinante para a formação deste. Diante disso, o termo “Arquitetura” necessita de 
esclarecimento, por se tratar do objeto geral de estudo. Apesar de ser um conceito amplo, o 
sentido mais conveniente para esta temática é o da arquitetura como pretexto cultural, onde, 
“A arquitetura é uma cena fixa das vicissitudes do homem, carregada de sentimentos de 
gerações, de acontecimentos públicos, de tragédias privadas, de fatos novos e antigos”. 
(ROSSI, 2001, p. 3). Entende-se, assim, na arquitetura, um cunho cultural evidente. 
Os edifícios em estudo estão inseridos na categoria de “templos”, prédios 
dedicados ao serviço religioso e responsáveis pela criação da identidade social. As 
edificações católicas assumem uma representação simbólica, essa função encaixa-se em 
“monumentos históricos”, termo no qual essas edificações religiosas estão diretamente 
ligadas. O monumento histórico apresenta conteúdo definido a partir da redação da Carta de 
Veneza (1964). Nesta, afirma-se que: 
 
 
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A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada, bem 
como, o sítio urbano ou rural dá testemunho de uma civilização particular, de uma 
evolução significativa ou de um acontecimento histórico. Entende-se não só as 
grandes criações, mas também as obras modestas, que tenham adquirido com o 
tempo, uma significação cultural. (2º CONGRESSO INTERNACIONAL DE 
ARQUITETOS E TÉCNICOS DOS MONUMENTOS HISTÓRICOS, 1964, p.1). 
Essa representação memorável que o monumento histórico admite trata-se, 
sobretudo, de uma propriedade coletiva. Nesse contexto, a ideia de “Patrimônio Cultural” é 
construída, o mesmo inclui os bens materiais e imateriais, produzidos pela sociedade como 
resultado de um processo histórico. 
O desaparecimento dos edifícios antigos em virtude da modernidade constrói um 
mundo sem lembranças. Concorda-se que a arquitetura é o artifício determinante para 
preservar uma união com um passado, passado este relacionado com a identidade. Diante 
disso, a preservação dos bens culturais apresenta-se como uma necessidade, visto que, tais 
bens são registros das referências de um determinado grupo. 
O sistema religioso é um dos principais meios de representações identitárias, daí as 
igrejas serem elementos importantes para a unidade sociológica e a formação da chamada 
“memória coletiva”.A memória caracteriza-se como seguimentos históricos, de eventos 
inolvidáveis, de fatos marcantes, que fortalecem a identidade de um povo. (CRUZ, 1993 
apud CARMO, 2014, p. 8). A memória social possui como maior alicerce o Patrimônio 
Cultural, no momento em que este se define pela construção da identidade coletiva. 
Nesse sentido, o cidadão pertence à sociedade e deve atuar nela, tendo direito à 
participação no patrimônio cultural. A arquitetura é responsável pelo planejamento da 
propriedade urbana. Assim, na construção das cidades, é necessário que seus construtores 
exerçam a responsabilidade social de edificar levando em consideração o comprometimento 
na manutenção dos espaços construídos e cooperação na formação dos mesmos. 
 
Breve história dos templos católicos à luz do desenvolvimento 
teresinense 
A cidade de Teresina, atual capital do Estado do Piauí, foi uma segunda opção de 
sede para a Província do Piauí, no Período Imperial do Brasil. Tal mudança ocorreu, pois a 
então capital, Oeiras, não continha possibilidades de progresso devido sua localização 
desprivilegiada. Situada no sertão piauiense, seu “isolamento geográfico” trazia, falhas para 
a administração da província. Assim, o então vigente governador José Antônio Saraiva 
optou pela mudança do centro da Província para a Vila Nova do Poti, local que sucedeu a 
 
 
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região de povoamento inicial da cidade, denominado primeiramente Vila do Poti, depois Vila 
Velha do Poti. Hoje correspondente ao bairro mais antigo de Teresina, o Poti Velho. 
Encontrando diversos entraves que prejudicavam a consolidação da transferência 
da capital, o presidente Saraiva encontrou como atrativo a construção de uma igreja, na 
condição de Matriz para a nova capital. Nesse momento, a história da fundação da cidade 
de Teresina mescla-se com a edificação da Igreja Nossa Senhora do Amparo, caracterizada 
como primeiro edifício da capital. “A pedra fundamental foi lançada em 25 de dezembro de 
1850 [...]. Dois anos mais tarde, no primeiro natal da capital da província do Piauí, é 
inaugurada uma Capela-mor da Igreja Nossa Senhora do Amparo”. (PREFEITURA 
MUNICIPAL DE TERESINA, 2014, p. 5). 
Apesar da ajuda do Governo da Província, a elevação da Igreja passou por 
dificuldades construtivas, o que explica suas sucessivas reformas durante décadas, até sua 
efetiva conclusão. “Os serviços dessa matriz foram interrompidos pelos constantes 
equívocos de construção bem como pela falta de recursos provinciais”. (SOUZA, 2012, 
p.56). Nesse cenário, encontra-se nos registros que tratam da construção da Igreja Nossa 
Senhora do Amparo, as primeiras ideias sobre a edificação da Igreja Nossa Senhora das 
Dores. 
Por volta de 1860, Teresina já havia se estendido em mais de um quilômetro de 
área, direcionando-se à norte-sul. (CHAVES, 2003). Assim, entende-se o crescimento 
populacional da cidade, e em consequente, a crescente demanda de fieis que frequentavam 
a Igreja do Amparo, direcionando a necessidade de mais um templo para a cidade. Foi 
então que, 
Nos anos de 1860, mais precisamente em 1865, fora lançada a pedra fundamental 
para a construção do segundo templo católico em Teresina. A saber, a Igreja de 
Nossa Senhora das Dores. Esse segundo templo foi erigido na Praça Saraiva, em 
homenagem ao fundador da Nova Capital do Piauí, Conselheiro Saraiva. (SOUZA, 
2012, p.66). 
Assim como a Igreja do Amparo, os problemas construtivos também ocorreram na 
Igreja das Dores.“No dia 7 de janeiro de 1870, parte da Igreja de N. S das Dores desabou e 
no dia 27 de março a outra torre levou consigo o corpo da Igreja”. (SOUZA, 2012, p.76). 
Após tal fato, João do Rego Monteiro, o Barão de Gurguéia, deputado provincial, 
responsabilizou-se pela reconstrução do templo. 
Um ano antes do término da Igreja das Dores, Frei Serafim de Catânia1 chegou a 
Teresina, em maio de 1874, com o objetivo de edificar o terceiro templo da capital 
 
1
 Frei Serafim de Catania foi um missionário capuchinho da ordem dos franciscanos, nasceu na Itália e chegou 
ao Brasil com 63 anos de idade. Fundador da Igreja São Benedito, pregou o Evangelho por todo o Nordeste 
brasileiro. 
 
 
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teresinense. Com a contratação feita pelo presidente da província, Frei Serafim, “[...] 
dilatando-se em larga planície, denominada Alto do Jurubeba, traçou as linhas dos alicerces 
do templo, hoje igreja São Benedito, e a 13 de junho, trinta e três dias depois do seu 
desembarque, lançou em terra, e benzeu, a pedra fundamental” (MARTINS, 2010, p.21). A 
edificação da Igreja São Benedito também passou por empecilhos, porém, as dificuldades 
foram superadas, pois o apoio popular era unânime, estendendo-se desde a classe escrava, 
até a família provincial. Passados doze anos do lançamento da pedra fundamentalda Igreja 
São Benedito, sua sagração foi consolidada em janeiro de 1886. 
Percebe-se a preocupação do Estado para os investimentos nos templos católicos 
do Piauí, já que, nesse recorte de tempo, em que compreende a fundação da cidade de 
Teresina e a consolidação da Igreja São Benedito, a relação entre Igreja e Estado ainda era 
vigente. A quebra dessa união ocorreu com a Proclamação da República, em 1889, onde 
com “[...] a separação da Igreja do Estado, veremos desenhar novos contornos para a Igreja 
Católica no Brasil” (SOUZA, 2012, p.51). A partir de então a Igreja conquistou autonomia 
para a tomada de decisões administrativas, incluindo a restauração e construção de seus 
templos. 
 
Análise arquitetônica 
O Ecletismo, método que utiliza estilos diferentes, que combinados entre si 
proporcionam formas arquitetônicas diversas, é o nome dado a um movimento que surgiu na 
Europa, no final do século XVIII. Essa tendência arquitetônica ocorreu simultaneamente à 
Revolução Industrial. Na arquitetura e engenharia frente a esse cenário ocorre uma 
“expressão de novidades técnicas na construção” (ALBERNAZ; LIMA, 1998, p. 208). 
Resultado do resgate de estilos anteriores, o Ecletismo, caracteriza-se também por 
adotar a arquitetura de diferentes regiões. Além disso, o arquiteto desse período deixava à 
mercê a ideia de absoluto, buscando um ponto de vista mais relativo, ou seja, busca uma 
arquitetura condicionada às variedades formais e estilísticas, exigências do momento 
histórico. Percebe-se assim, “[...] que a atitude poliestilística do ecletismo denota não é 
apenas um fato artístico, mas uma nova organização social e cultural que põe fim a toda e 
qualquer ideia de unidade [...]”. (FABRIS, 1993, p. 134). 
No Brasil, o estilo vigora desde meados do século XIX e início do século XX. 
Ocorreu com a influência europeia e com a entrada de produtos industrializados. 
(ALBERNAZ; LIMA, 1998). Mesmo quando a aplicação de materiais e técnicas construtivas 
avançadas apresentava-se inviável, o Ecletismo ainda era produzido mediante soluções da 
 
 
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arquitetura local e isso evidenciava uma arquitetura própria, porém, baseada no estilo 
eclético. 
Teresina, por sua vez, projetada no século XIX, período do auge do Ecletismo, foi 
bastante influenciada por essa corrente estilística. O centro histórico é a região da cidade 
que apresenta diversas edificações com esse estilo. (CADDAH; DINIZ, 2005). 
As configurações espaciais das igrejas estão diretamente ligadas com as correntes 
estilísticas predominantes ao longo do tempo, haja vista que, a Igreja foi uma das maiores 
patrocinadoras da Arte e experenciou a maioria dessas correntes históricas. 
No caso das primeiras igrejas edificadas no centro histórico de Teresina, plantas 
em cruz latina são comuns para as Igrejas Nossa Senhora das Dores e São Benedito. A 
Igreja do Amparo assumiu na década de 1870 a planta em “T”, que remete à cruz de Santo 
Antônio. Esse arranjo foi herdado do período medieval, mais especificamente, de plantas 
basilicais da Arquitetura Paleocristã. 
A necessidade de promover um simbolismo para a Igreja Católica foi atendida pelo 
estilo Gótico, caracterizado pelas grandes torres, atribuindo ao edifício um volume 
verticalizado, vitrais coloridos e rosáceas, características que os templos históricos de 
Teresina materializaram através do Ecletismo. O uso de duas torres com coroamentos 
piramidais é comum aos três templos, esse é um recurso que atribui imponência ao edifício. 
O uso de vitrais coloridos aparece somente nas vidraças da Igreja São Benedito e Igreja das 
Dores, principalmente nas janelas circulares que assemelham-se aos óculos góticos e nas 
bandeiras envidraçadas. 
A herança renascentista dos templos em estudo está evidente na utilização das 
ordens clássicas e dos arcos plenos. O Barroco proporcionou para a Igreja a multiplicidade 
de altares, além da introdução de capelas laterais, outro fator comum nas Igrejas do 
Amparo, Nossa Senhora das Dores e São Benedito. 
O elemento de maior variedade estilística dentre os templos em estudo são os 
frontões de suas fachadas principais (Figuras 1, 2 e 3). Tais peças revelam precisamente o 
Ecletismo, pois, apesar dos templos terem sido construídos no mesmo século, com 
contextos sociais e econômicos parecidos, as formas arquitetônicas dessas peças 
representam diferentes estilos. O frontão é um elemento estritamente clássico, mas que 
sofreu variações formais durante o tempo, de modo que, chegou até o Ecletismo 
proveniente de diversas manifestações arquitetônicas. 
 
 
 
 
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Técnicas, materiais construtivos e transformações arquitetônicas 
Figura 1 – Igreja Nossa Senhora 
do Amparo com frontão reto. 
 
Fonte: Arquivo pessoal (2015). 
Figura 2 – Igreja São Benedito 
com frontão arqueado 
 
Fonte: Arquivo pessoal (2015). 
Figura 3 – Igreja Nossa Senhora 
das Dores com frontão triangular. 
 
Fonte: Arquivo pessoal (2015). 
 
 
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Para que a preservação do patrimônio edificado seja consolidada é indispensável o 
domínio das características técnicas de um edifício. Além disso, esse conhecimento provoca 
uma aproximação identitária e cultural sobre o passado. 
No recorte temporal que compreende o século XIX, as técnicas construtivas em 
Teresina apresentavam-se pouco elaboradas, já que, devido sua localização, não era 
possível o acesso à cultura construtiva europeia. Além disso, a mão-de-obra e os materiais 
utilizados possuíam baixa qualidade para as construções. Submetida a essas condições, 
Teresina precisava construir edificações imponentes para elevar-se à categoria de uma 
capital e, assim, apesar das limitações construtivas, elas ocorreram. 
Grande parte das primeiras igrejas teve sua implantação em pontos mais elevados 
e destacados, em busca de destaque para a autoridade divina. (SILVA FILHO, 2007). Isso 
ocorreu, por via de regra, com os três templos da pesquisa, onde, suas implantações foram 
efetivadas em lugares em evidência na nova capital. 
 
Igreja Nossa Senhora do Amparo 
A pedra fundamental do primeiro templo de Teresina foi lançada dia 25 de 
dezembro de 1850. Dois anos depois, ano da fundação da cidade, a igreja sintetizava-se 
apenas na capela-mor, a partir de então elevou-se à categoria de Matriz. 
Logo após a implantação do templo, o presidente Saraiva instalou nesse entorno 
algumas repartições públicas necessárias para a administração da nova capital. Inicialmente 
situadas nos arreadores da antiga Praça da Constituição, hoje Praça Marechal Deodoro da 
Fonseca. Atualmente, o entorno da Igreja do Amparo tem como característica a diversidade 
temporal e estilística de edifícios, que passeia desde o estilo neoclássico até o 
contemporâneo, onde, o desenvolvimento da cidade é desenhado através dessas diferenças 
entre as edificações. Portanto, ocorre um entorno divergente e alterado, porém, este 
apresenta-se com características conservadas que revelam o contexto histórico de Teresina. 
(SILVA NETO, 2014, p.11). 
A construção do templo seguiu até 1854, quando foram concluídas a capela-mor, 
as duas sacristias, as duas capelas laterais e as paredes dos corredores, já a nave principal 
continuou em construção nesse período. 
No ano de 1861, foi concluído o altar-mor; o forroda capela-mor e o corpo da igreja. 
Três anos mais tarde as obras do coro foram concluídas juntamente com a contratação do 
forro tipo saia e camisa, caracterizado pela sobreposição de tábuas (SILVEIRA, 2003). 
 
 
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Com a construção em andamento, o exterior da igreja foi concluído em 1871. Já no 
ano de 1881, a frontaria do edifício foi substituída. E, em 1889, o governador ordenou que 
reformassem o telhado, caiado interna e externamente (SILVEIRA, 2003). A cobertura do 
edifício não possui beirais e o uso de platibandas ocultando todo o telhado é uma 
particularidade da Igreja do Amparo em relação às outras duas igrejas. 
Devido à frágil condição estrutural do edifício, uma das torres desabou no início de 
1894. Mesmo com a contratação de um engenheiro, em 1889, para construir as duas torres, 
ainda no início do século XX elas não existiam, e a fachada principal possuía um frontão 
triangular que mais tarde foi demolido (SILVEIRA, 2003). 
 Nos anos de 1930, foram edificadas as naves laterais, passando o templo a ter 
um formato de retângulo completo. Em seguida abriram-se os arcos entre as naves, 
beneficiando a iluminação e a ventilação do corpo da igreja. Além desse recurso, as 
esquadrias também arqueadas com bandeiras em leque, subdivisões em madeira e 
envidraçadas assumem a função de promover conforto ao ambiente. Aproximando-se a 
finalização do templo, a fachada principal foi totalmente modificada no final da década de 
1940, deixando-a como é atualmente, com as torres atuais (SILVEIRA, 2003). 
Além disso, na década de 1990, a igreja passou por mais alterações, com doações 
populares e ajuda da prefeitura. Instalou-se ventiladores no teto, tal recurso de conforto 
ambiental nasce de necessidades e no caso do templo, foi inserido sem grandes 
preocupações com a descaracterização do edifício. Atualmente, a capela-mor encontra-se 
em reforma. Forros, revestimentos de parede e piso estão sendo modificados. 
Apresentando-se como a primeira edificação fundada na capital, que revela os 
primórdios do desenvolvimento teresinense e carrega consigo relevâncias culturais, a Igreja 
Nossa Senhora do Amparo possui uma legislação municipal para sua proteção patrimonial, 
a Lei nº 3563, de 20 de outubro de 2006. (Teresina, 2006). Apesar dessa normativa, a Igreja 
do Amparo sofreu sucessivas descaracterizações, isso se deve ao fato de tal legislação não 
ter uma fiscalização rigorosa, ou mesmo, a recente instauração da lei, após muitos anos de 
alterações no edifício. 
 
Igreja Nossa Senhora das Dores 
A Praça Saraiva e seu entorno também é constituída de antigas edificações 
mescladas às novas construções e elementos de urbanização. Além da Igreja Nossa 
Senhora das Dores, a praça tem como edifícios históricos em suas adjacências, o Colégio 
 
 
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São Francisco Sales, conhecido como Colégio Diocesano (1906), e a Casa do Barão de 
Gurguéia, hoje, Casa da Cultura de Teresina (1890). 
Foi nesse local que se alicerçou a pedra fundamental da Igreja Nossa Senhora das 
Dores no ano de 1865. No ano 1868, a entrega do templo foi prorrogada e o engenheiro 
responsável pela construção comprometeu-se em entregá-lo em 1870. Nesse intervalo de 
tempo, as chuvas provocavam diversos desgastes nos edifícios da capital, e devido às 
infiltrações, o templo precisou ser reconstruído durante a década de 1870 (SOUZA, 2012). 
A capela-mor da igreja foi edificada antes do corpo da mesma, mas a construção e 
o arco de sustentação apresentavam pouca altura para receber as paredes. As duas torres 
já estavam prontas antes da data determinada para entrega do edifício, quando as mesmas 
revelaram sinais de desabamento. Assim, no dia 7 de janeiro de 1870, parte da igreja 
desmoronou. No dia 27 de março a outra torre levou consigo o corpo do edifício e as razões 
do acontecimento “[...] estariam ligadas ao solo em declive, frouxo e rochoso, ao inverno 
rigoroso, à ausência da calçada [...]” (SOUZA, 2012, p 80). 
Devido à Igreja do Amparo ser a única da cidade até então, necessitava-se com 
urgência a reconstrução da Igreja das Dores. Diante disso, a entrada do templo foi 
providenciada. Contudo, a ausência de recursos dificultou a edificação da Igreja e o templo 
não foi concluído no prazo estabelecido (1870). Em 1872 foi decretado um novo prazo de 
dois anos para a conclusão do prédio. Mesmo com tantos empecilhos, a Igreja de Nossa 
Senhora das Dores foi inaugurada definitivamente em 1875. 
A Igreja das Dores também possuía falta de paramentos e ornamentações para as 
celebrações religiosas. No entanto, o edifício apresenta-se hoje, bastante decorado. No 
templo, os ladrilhos hidráulicos foram muito utilizados em seu interior, evidenciando a 
decoração da Igreja e atribuindo características ecléticas. “O emprego dos ladrilhos 
mosaicos hidráulicos é expressivo e característico do período eclético. [...]. Estes ladrilhos 
podem ser lisos, apresentar desenhos geométricos, simples ou de composição mais 
complicadas, até ramagens, sendo, porém, sempre estilizados e repetidos”. (RIBEIRO; 
MELO, 2006, p.83). 
Além disso, foram autorizadas as obras do coro e de dois forros de madeira. O 
entelhamento do edifício dispõe de telhas cerâmicas do tipo meia-cana. Ademais, quanto 
aos ornamentos das vedações, a Igreja das Dores evidencia, além de almofadas, as 
esquadrias do tipo venezianas, principalmente nas janelas. Em sua frontaria o templo 
apresenta vergas retas e em arco pleno, mais uma vez evidenciando seu Ecletismo. 
 
 
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Os problemas que assolaram a construção da Igreja Nossa Senhora das Dores em 
Teresina têm inúmeros motivos, que compreendem desde a situação social de seus fiéis, 
até a situação política da província naquela época: 
Assim, o processo de construção do segundo tempo católico de Teresina, entre as 
décadas de 1860 e 1880, foi acompanhado pela tentativa de ordenamento da 
província, permeado por dificuldades econômicas [...] a construção dos templos 
religiosos funcionava como espaço de organização política, e não apenas espaço de 
pregação religiosa. Uma vez que os templos eram a marca do poder do Estado, que 
não abria mão do poder religioso no processo de construção da nova capital [...] do 
Piauí (SOUZA, 2012, p.105). 
Mais uma vez, a Proclamação da República foi um divisor de águas para a situação 
dos templos católicos, tanto em Teresina, como em todo o Brasil. O laicismo provocou a 
reorganização católica, onde esta permitiu que a Igreja se estruturasse sem dependências 
do Estado, e mais do que isso, sem sofrer consequências de crises políticas e 
administrativas que viessem a ocorrer, baseando-se apenas na conquista de adeptos ao 
catolicismo, ou seja, dependendo de esforços da comunidade para a sua estruturação. 
Até hoje, essa união de fiéis para a configuração da Igreja das Dores é essencial e 
absoluta. Atualmente, a Igreja encontra-se em bom estado de conservação, apresenta 
cuidados em seus acabamentos como pintura, revestimento, pisos, etc., demonstra ainda, 
sinais da contemporaneidade, evidenciados com a instalação de sistema de refrigeração por 
toda a Igreja, tal fato influenciou na aplicação de alguns recursos para a vedação do edifício, 
no caso, foram usadas portas de vidro (Figura 4) junto às portas originais de madeira, o 
mesmo ocorrendo com as janelas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Arquivo pessoal (2015). 
Figura15 – Portas de vidro – Igreja 
N. S. das Dores (2015) 
 
 
 
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A Igreja Nossa Senhora das Dores não possui nenhum tipo de legislação de 
proteção patrimonial. As decisões sobre mudanças da edificação geralmente são tomadas 
pelos vigários que estão à frente da administração, e que, muitas vezes, visam apenas 
necessidades “funcionais”, deixando de lado a preocupação estética e histórica, essencial 
ao edifício. 
 
Igreja São Benedito 
Como se percebe, as igrejas e prédios públicos importantes da capital surgiram 
com as praças mais antigas, e a Igreja São Benedito também se enquadra neste contexto; 
mas esta é ladeada por duas praças, Liberdade e São Benedito. Apresenta em seu entorno 
o edifício que abriga a sede do governo, o Palácio de Karnak, e a Avenida Frei Serafim, 
principal avenida da cidade. Mesmo com edificações mais imponentes e contemporâneas, o 
templo se sobressai na paisagem dessa região. A construção da Igreja São Benedito foi um 
dos marcos para o crescimento urbano de Teresina, influenciando o crescimento da capital 
no sentido leste da cidade. 
Esta igreja levou 12 anos para ser construída. No dia 13 de junho de 1874, lançou-
se a pedra fundamental, começando as obras deste templo concluído dia 13 de junho 1886. 
Foi erguida por escravos e retirantes da seca de 1877, sob a responsabilidade do 
missionário frei Serafim de Catânia. (MARTINS, 2010). 
No período da construção do prédio a seca assolou o Nordeste juntamente ao surto 
de varíola que transformou o quadro da sociedade, paralisando as obras. Contudo, a 
edificação foi sendo retomada aos poucos. Outro problema foi a ausência de material em 
1882, quando o templo estava quase finalizado, faltando apenas as torres (MARTINS, 
2010). 
As portas são de grande importância para história do templo. Esculpidas em 
motivos florais, e feitas de jacarandá e cedro, são tombadas2 pelo IPHAN (Instituto do 
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Ainda no início do século XX não existia as portas 
laterais do templo, sendo acrescentadas outras portas posteriormente, também esculpidas, 
por mãos de outro artista. (SOUSA, 2012). 
No ano de 1886, frei Serafim convidou o bispo de São Luís do Maranhão para fazer 
a consagração do edifício. A igreja foi inaugurada mesmo sem ter a obra concluída. 
 
2
 “Instrumento normativo destinado à preservação de bens imóveis e móveis considerados patrimônio histórico, 
artístico e cultural, utilizado por órgãos governamentais de preservação federal, estadual ou municipal” 
(ALBERNAZ; LIMA, 1998, p.625). 
 
 
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Posteriormente, a conclusão do templo foi efetivada, com a conclusão do patamar e 
calçamento em torno da igreja. 
Na estrutura de cobertura da Igreja São Benedito, constituída de madeira serrada, 
ocorre a tesoura clássica, e o entelhamento apresenta-se em telhas cerâmicas do tipo meia-
cana. O templo apresenta como peculiaridade o forro amadeirado em gamela, segundo 
antigos fiéis, existiu antes um forro pintado. 
Quanto ao revestimento, internamente a Igreja São Benedito conta com lajotas 
cerâmicas internamente e na parte externa, piso paralelepípedo. 
No ano de 1978, a igreja passou por intervenções. Essa intervenção deu fruto a 
muitas características que o templo assume até hoje, como por exemplo, o “[...] forro 
artesoado, em tábua corrida envernizada de 12 cm, encaixe macho-e-fêmea. Ao que tudo 
indica era abobadado. O piso lajota cerâmica vermelha foi colocado nas obras de 
restauração”. (SILVA FILHO, 2008). Ademais, nos últimos anos, a Igreja São Benedito vem 
recebendo reparações externas com a realização de pintura. 
Apesar de ser o terceiro templo católico de Teresina e ter uma grande 
representação histórica para a cidade, apenas suas portas são tombadas pelo IPHAN, ainda 
que, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN (Serviço do Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional), o tombamento da Igreja São Benedito inclui todo o seu 
acervo.Mesmo nessas condições, ao longo do tempo, o edifício vem sofrendo inúmeras 
alterações, principalmente no que se refere à instalação de seus equipamentos. Mostrando, 
assim, o descaso quanto à conservação do edifício, pois, na maioria das vezes, a prioridade 
é apenas a função utilitária do edifício, e a função simbólica do mesmo são deixadas de 
lado. 
 
Considerações finais 
Esta pesquisa procurou analisar a arquitetura dos três primeiros templos católicos 
em Teresina, demonstrando sua importância para a história da cidade e sua representação 
memorável para a sociedade teresinense. 
Nesse sentido, foi possível observar as principais características, os aspectos 
arquitetônicos e as condições de cada templo, além da inter-relação entre os edifícios. 
Pôde-se constatar a importância de um trabalho sociocultural, em que os estudos sobre a 
produção arquitetônica passam por fatores não só técnicos, mas também de ordem 
subjetiva/social. 
 
 
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A partir da análise dos templos verificaram-se alguns problemas. Dentre eles, os 
meios de climatização implantados, que geram a saciedade de necessidades ambientais do 
edifício, mas proporcionam obstáculos nessas edificações, sendo um dilema implantar 
novos equipamentos sem afetar a estética arquitetônica. Todavia, percebeu-se, por 
exemplo, que a Igreja das Dores já utiliza aparelhos de ar-condicionado, os quais procurou 
adaptar às antigas construções, sem trazer prejuízos à arquitetura. 
A contemporaneidade em que muitos edifícios históricos estão submetidos 
atualmente necessita de um maior cuidado no momento de implantação, o mesmo ocorre no 
caso de sucessivas reformas dessas construções ao longo dos anos, sem preocupações de 
descaracterizações arquitetônicas. A carência de estudos para o casamento dessas 
adaptações contemporâneas, que correspondem basicamente aos equipamentos modernos 
junto aos edifícios, com o patrimônio histórico edificado talvez seja um dos fatores que 
justifiquem essas errôneas adequações do “velho” com o “novo”. 
Além disso, como solução à longo prazo, a produção de conhecimento sobre a 
importância do Patrimônio Cultural local torna-se viável. Com o comprometimento dos 
profissionais de arquitetura e dos usuários desses edifícios históricos frente a esse 
conhecimento, é possível desenvolver, com maior domínio, intervenções adequadas a essas 
edificações e, assim, ter um correto usufruto dos templos, visando a preservação destes 
bens. 
Dessa forma, o presente trabalho não pretende ser conclusivo. Sua principal 
contribuição é justamente incitar a temática e colaborar com a promoção da educação 
patrimonial e o resgate da memória da cidade, importante para o valor social, cultural e 
identitário de uma sociedade. 
 
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