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Introdução à Arquitetura – Proporção, Escala e Princípios Ordenadores APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem serão estudadas questões relacionadas à proporção, escala e os princípios ordenadores do espaço. Você verá as proporções dos elementos construtivos, sistemas de proporcionalidade, escalas e a ordenação das formas e espaços de modo unificado e harmônico. Serão utilizados desenhos, diagramas e imagens de projetos para que se possa visualizar esses elementos e suas condicionantes no nosso dia-a-dia. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Avaliar as questões de proporcionalidade.• Indicar a escala visual e humana.• Identificar os princípios ordenadores das formas e espaços.• DESAFIO Projetado no alto de uma colina, o Hospital Psiquiátrico no Japão, projeto do arquiteto Fujimoto (2004), é um ótimo exemplo da formalidade ordenada de uma estrutura linear. Com plantas baixas moduladas, formas elevadas, módulos de 5,4m x5,4m separados por alcovas triangulares, entradas e áreas de circulação, o arquiteto criou um conjunto com identidade própria e forte. Seguindo uma tendência contemporânea de aplicar o mesmo material de revestimento nas paredes e no telhados, os edifícios são articulados de maneira simples, com o revestimento perfilado em preto. Padrão de resposta esperado No projeto identificamos uma planta modular com os princípios ordenadores de ritmo/repetição, que pode ser percebido nos desenhos e na imagem da fachada. O projeto tem como base uma planta quadrada (5,4mx5,4m) que tem uma dinâmica devido à articulação dos elementos triangulares junto ao conjunto. O edifício tem uma escala visual e humana que pode ser considerada normal, como a de uma edificação residencial. A ambientação do espaço interno e a proporção das esquadrias da fachada nos permitem afirmar que não se trata de um projeto monumental. As esquadrias diferem em tamanho, mas seguem as mesmas proporções no todo e é através delas que conseguimos identificar as variações dos números de pavimentos no decorrer do terreno. Com base nessas características, imagens e plantas, escreva um parágrafo comentando o projeto no que diz respeito às proporções, escalas e os princípios ordenadores. INFOGRÁFICO Veja, no esquema a seguir, os princípios ordenadores do espaço, os quais permitem que as formas e espaços coexistam em uma edificação. CONTEÚDO DO LIVRO Os princípios ordenadores são recursos visuais que comportam formas e espaços de maneira ordenada, unificada e harmônica no todo. Para conhecer mais, acompanhe um trecho da obra Arquitetura: forma, espaço e ordem, de Francis D.K. Ching. O livro está na sua 3ª edição e abordará a seguinte temática: o princípio da ordenação através da transformação. Boa leitura. F R A N C I S D . K . C H I N G arquitetura F O R M A , E S P A Ç O E O R D E M TERCEIR A EDIÇÃO INCLUI CD-ROM Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB 10/2052 C539a Ching, Francis D. K. Arquitetura [recurso eletrônico] : forma, espaço e ordem / Francis D. K. Ching ; tradução: Alexandre Salvaterra. – 3. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2013. Editado também como livro impresso em 2013. ISBN 978-85-8260-100-6 1. Arquitetura. I. Título. CDU 72 FRANCIS D. K. CHING é professor Emérito de Arquitetura na Universidade de Washington. É autor ou coautor de inúmeros livros de arquitetura e projeto, incluindo Arquitetura de Interiores Ilustrada (3.ed.), Técnicas de Construção Ilustradas (4.ed.), Sistemas Estruturais Ilustrados (1.ed.), Representação Gráfica em Arquitetura (5.ed.) e Desenho para Arquitetos (2.ed.), todos publicados pela Bookman Companhia Editora. 402 A TRANSFORMAÇÃO O estudo da arquitetura, assim como de outras disciplinas, deveria envolver a análise de seu passado, suas experiências anteriores, tentativas e sucessos, do qual muita coisa pode ser aprendida e tomada como exemplo. O princípio da transformação aceita essa ideia; este livro e todo os exemplos nele contidos estão baseados nesse princípio. O princípio da transformação permite ao projetista selecionar um protótipo (um modelo) de arquitetura, cuja estrutura formal e ordenamento de elementos possa ser adequado e razoável, e o transformar por meio de uma série de manipulações distintas, a fim de dar uma resposta às condições específicas e ao contexto do projeto que se tem em mãos. O projeto é um processo de geração por meio de análises e sínteses, tentativas e erros, de experimentar possibilidades e aproveitar oportunidades. No processo de exploração de uma ideia e análise de seu potencial, é essencial que o arquiteto entenda a natureza fundamental e a estrutura do conceito. Se o sistema ordenador de um protótipo é percebido e entendido, então o conceito do projeto poderá, por meio de uma série de permutações limitadas, ser esclarecido, reforçado e desenvolvido, em vez de destruído. Esquema do desenvolvimento da cela do norte da Índia A TRANSFORMAÇÃO 403 Salas de leitura principais Espa ço im porta nte Controle Esquema de Três Bibliotecas projetadas por Alvar Aalto Escritórios e áreas de apoio Biblioteca de Mount Angel, Faculdade Beneditina, Mount Angel, Oregon, Estados Unidos, 1965–70 Biblioteca de Seinäjoki, Finlândia, 1963–65 Biblioteca de Rovaniemi, Finlândia, 1963–68 404 A TRANSFORMAÇÃO Casa Ward Willetts, Highland Park, Illinois, Estados Unidos, 1902, Frank Lloyd Wright Transformação de uma Planta Cruciforme, por Frank Lloyd Wright Casa Thomas Hardy, Racine, Wisconsin, Estados Unidos, 1905 Casa George Blossom, Chicago, Illinois, Estados Unidos, 1882 Casa Samuel Freeman, Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, 1924 A TRANSFORMAÇÃO 405 Vila Savoye, Poissy, leste de Paris, França, 1923–31, Le Corbusier Museu de Arte Ocidental, Tóquio, Japão, 1957–59, Le Corbusier Transformação da Planta Livre, a “Rampa em um Quadrado”, por Le Corbusier Edifício da Associação dos Fiandeiros, Ahmedabad, Índia, 1954, Le Corbusier Congresso de Strasbourg, Projeto Não Executado, França, 1964, Le Corbusier Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR No vídeo a seguir serão apresentados conceitos e exemplos de proporção, escala e princípios ordenadores, incluindo suas classificações e usos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Sobre proporções industriais, de materiais e de estrutura podemos afirmar que: A) Muitos elementos arquitetônicos são dimensionados e proporcionados não só de acordo com suas propriedades estruturais e sua função, mas também é levado em conta o processo de fabricação. B) Uma parede de alvenaria muito resistente à compressão, porém, pouco à flexão, será menos espessa que uma parede de concreto armado devido ao diâmetro das armaduras, quando submetida às mesmas cargas. C) O tamanho e a proporção dos elementos estruturais em uma construção estão diretamente relacionados com a função que desempenham, mas isso não é suficiente para indicar o tamanho e a escala no espaço. D) A madeira, sendo um material flexível e razoavelmente elástico, não é indicada para ser utilizada em pilares e vigas lineares. E) Espaços quadrados, como um hall de entrada nas dimensões 6x6m, são dinâmicos e passam uma ideia de movimento. A escala se refere à maneira como percebemos ou julgamos o tamanho de algo em relação a outra coisa. Portanto, ao falamos em escala, sempre estamos comparando 2) Elementos que são produzidos em massa nas fábricas têm tamanhos e proporções padronizados, que são impostos pelo fabricante ou por normas, sendo um importante fator a ser considerado. Uma parede de concreto armado tem mais resistência do que uma parede de alvenaria, permitindo, com isso, ter dimensões menores quando submetida à mesma carga. O dimensionamentoe aproporção da estrutura estão relacionados com as vãos que vencem e cargas que recebem. Estruturas robustas já nos indicam uma monumentalidade e escala do espaço. A madeira pode ser utilizadas em pilares, vigas, tábuas planas e como elemento volumétrico na construção de cabanas. Espaços quadrados têm um caráter estático e seus espaços definem lugares para atividade, e não para o movimento, como os espaços lineares de circulação. algo. Sobre escala podemos afirmar: A) O pé direito não tem tanta relação na escala como o comprimento e a largura. B) O formato, a cor e o padrão das superfícies limitadoras do espaço são elementos que interferem na escala . C) As localização das janelas não influencia na escala. D) A escala somente será compreendida pelos elementos fixos de um espaço, como as portas de entrada e circulação. E) Ao observarmos uma fachada de uma edificação, podemos identificar somente uma escala. 3) Assinale a alternativa que corresponde aos tipos de princípios ordenadores dos espaços e suas características de forma correta: A) Ritmo: uma reta estabelecida por 2 pontos no espaço em relação à qual as formas e os espaços podem ser distribuídos de modo simétrico ou equilibrado. B) Hierarquia: a distribuição e o arranjo equilibrado das formas e espaços equivalentes em ambos os lados de uma linha ou plano paralelo ou em relação a um centro ou eixo. C) Eixo: um movimento unificador caracterizado por um padrão repetitivo ou pela alternação de elementos formais ou motivos no espaço ou em uma forma modificada. D) Simetria: o destaque da importância ou significado de uma forma ou espaço em função de seu tamanho, formato ou posicionamento em relação as demais formas e espaços da organização. A altura é a dimensão que tem o maior efeito na escala de um recinto. A percepção dos espaços internos estão diretamente relacionados com o seu formato, cor e superfícies. São elementos que afetam a nossa percepção da escala. O formato e a disposição das aberturas interferem na escala, inclusive podendo indicar a altura e o número de pavimentos. Todos os elementos distribuídos dentro de um espaço, como mesas, cadeiras e plantas são referências de escala para o espaço. Certas edificações têm duas escalas atuando simultaneamente. Podem ter uma entrada monumental demarcada com grandes pórticos e dimensionada proporcionalmente à forma arquitetônica global, enquanto a porta e as janelas atrás do pórtico estão de acordo com os espaços internos. Um movimento unificador caracterizado por um padrão repetitivo ou pela alternação de elementos formais ou motivos no espaço ou em uma forma modificada. O destaque da importância ou significado de uma forma ou espaço em função de seu tamanho, formato ou posicionamento em relação às demais formas e espaços da organização. Uma reta estabelecida por 2 pontos no espaço em relação à qual as formas e os espaços podem ser distribuídos de modo simétrico ou equilibrado. É a distribuição e o arranjo equilibrado das formas e espaços equivalentes em ambos os lados de uma linha ou plano paralelo ou em relação a um centro ou eixo. E) Referência: linha, plano ou volume que, devido à sua continuidade e regularidade, serve para reunir, medir e organizar um padrão de formas e espaços. 4) A forma hierárquica é um dos princípios ordenadores do espaço. Sobre essa ordenação é correto afirmar: A) Na hierarquia pelo tamanho, o elemento compositivo do espaço somente estará em destaque quando as suas dimensões forem maiores do que as do seu entorno. B) Na hierarquia dada pelo formato, a única coisa importante é ter em um dos elementos da composição a diferenciação pela forma. A função deste elemento não tem importância. C) Na hierarquia pela localização, a forma ou espaço ganham destaque se estiverem localizados estrategicamente no meio da sequência linear ou de uma organização axial. D) A hierarquia por texturas e cores é amplamente aplicada nas construções de casas. E) Na hierarquia por localização conseguimos ter essa distinção através do deslocamento para cima, para baixo ou para o primeiro plano de uma composição. 5) Sobre os princípios ordenadores eixo e simetria, podemos afirmar: A) O eixo é uma linha reta estabelecida por 2 pontos no espaço e a distribuição das formas e do espaço se dá sempre de forma regular. B) O eixo é, em essência linear; ele tem comprimento e direção e induz o movimento, o que dificulta ter acesso às vistas ao longo do percurso. C) Embora seja possível uma configuração axial sem a necessidade da simetria, o inverso não é possível; toda a simetria exige a existência de um eixo ou centro em relação ao qual é estruturada. É uma linha, plano ou volume com os quais os demais elementos de uma composição devem se relacionar. Organiza um padrão aleatório de elementos por meio de sua regularidade, continuidade e presença constante. Na hierarquia pelo tamanho temos a diferenciação dada pelo tamanho, independente de suas dimensões. Na hierarquia pelo formato, a diferenciação da forma em um elemento na composição é fundamental, mas a função tem de ser condizente com essa diferenciação. Não faz sentido ter um único volume diferente se a função desse elemento for igual às demais. A hierarquia pela localização estará em destaque se estiver ao término de uma sequência linear ou organização axial. A hierarquia de um espaço não se dá pela mudança de cores de uma edificação ou texturas nela empregada. O deslocamento de um elemento formal funciona como estratégia para chamar a atenção da composição. A maneira de distribuição dos espaços e formas ao longo do eixo pode ser feira de forma regular e irregular. Os eixos lineares propiciam a formação de espaços de contemplação ao longo do seu eixo, além de promover vistas durante o percurso. A simetria exige a distribuição equilibrada em ambos os lados da linha ou plano divisor ou em relação ao centro ou eixo. D) Os tipos básicos de simetria são: simetria unilateral, bilateral e axial. E) Em uma composição arquitetônica não é viável empregarmos a simetria em somente uma parte do prédio. NA PRÁTICA A Ópera de Sydney (1973), também conhecida como Teatro de Sydney, é um dos edifícios de espetáculo mais marcantes em nível mundial e um dos símbolos da cidade de Sydney, na Austrália. Dedicado às artes musicais, plásticas e teatrais, é sede da orquestra sinfônica. Projetado pelo arquiteto dinamarquês Jorn Utzon, cria-se uma megaestrutura com utilização de materiais modernos. Muito influenciado pela obra de Gaudí, o arquiteto criou o impossível ao fundir a poética do espaço à água e à tecnologia. Veja, no esquema a seguir, questões relacionadas à proporção, escala e princípios ordenadores. A unilateralidade não permite que a simetria tenha a distribuição equilibrada em ambos os lados da linha ou plano divisor ou em relação ao centro ou eixo. A simetria pode ocorrer em apenas uma parte do prédio e organizar um padrão de formas e espaços em relação a si própria. A simetria local permite que o prédio responda a condições excepcionais do terreno ou a programa de necessidades. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O uso de escalas em projetos arquitetônicos A necessidade do emprego de uma escala na representação gráfica surgiu da impossibilidade de representamos, em muitos casos, em grandeza verdadeira, certos objetos cujas dimensões não permitem o uso dos tamanhos de papel recomendados pelas Normas Técnicas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Arquitetura: forma, espaço e ordem Leia os capítulos 6 e 7 dessa obra. Introdução à arquitetura Leia o capítulo 9 dessa obra.