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UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR PEDRO HENRIQUE ALMEIDA GUERREIRO RESENHA – PODER DE POLÍCIA Salvador 2016.1 UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR PEDRO HENRIQUE ALMEIDA GUERREIRO Resenha sobre o Poder de Polícia, como forma de avaliação parcial da disciplina Direito Administrativo, sob a orientação do docente Marco Valério Viana, do curso de Direito da Universidade Católica do Salvador. Salvador 2016.1 O Estado, as Constituições e as leis infraconstitucionais foram criadas a partir do momento em que o homem passou a se organizar político e economicamente. Desde modo, nascia uma necessidade vital de se criar normas e regulamentos para garantir a qualidade de vida de determinado grupo. Assim, fez-se necessária a criação de vários órgãos, para que a Administração Pública tivesse condições de exercer suas funções, sendo que um dos órgãos responsáveis pela adequação do direito individual ao interesse da coletividade se convencionou chamar de poder de polícia, que é o poder de que dispõe a Administração Pública para condicionar e balizar o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado. Quando se fala em poder de polícia, entende-se que é o poder que encontra respaldo no interesse pelo bem-estar da população. Este poder possibilita a Administração Pública a deter de um mecanismo para conter os abusos do direito individual. A denominação poder de polícia sofreu muitas críticas, pois alguns teóricos acreditam que a palavra Polícia tem conotação agressiva e intimidativa. No texto “O poder de polícia e seus limites”, Caio Tácito, explica que o poder de polícia é o principal instrumento do Estado para disciplinar e manter os interesses individuais. Ele ainda diz que o poder de polícia é, “em suma, um instrumento de defesa social em sentido amplo”. Destarte, o poder de polícia é uma competência da Administração Pública que atua em prol da sociedade para atingir o bem estar geral. Esse poder só pode ser perpetrado por quem detenha a competência para sua realização, sendo essa uma importante limitação ao seu exercício. Assim, subsidiado pelo poder de polícia, o individuo que tiver uma conduta ilegal receberá, por parte do administrador, a sanção adequada, pois há o risco de ferir o interesse público, o qual é o fundamento dessa prerrogativa do poder público. A justificativa para a intervenção do Estado na matéria de direitos individuais frente à finalidade que guia a ação do administrador público é o interesse coletivo. Cabe ao Poder Público o dever de editar leis, e aos órgãos executivos de expedir regulamentos e instruções, fixando as condições e requisitos para o uso da propriedade e o exercício das atividades que devem ser policiadas. Em Direito Administrativo Brasileiro, Hely Lopes Meirelles aborda sobre o objeto do poder de polícia: “O objeto do poder de polícia administrativa é todo bem, direito ou atividade individual que possa afetar a coletividade ou por em risco a segurança nacional, exigindo, por isso mesmo, regulamentação, controle e contenção pelo poder público” (2010, p. 137). O administrador tem, por conseguinte, a faculdade de condicionar o exercício de direitos individuais limitando a execução de algumas atividades, assim como dispões também do poder de condicionar o uso de bens que afetam a sociedade como um todo, ou contrastem a ordem jurídica ou até mesmo se vão na contramão dos objetivos nacionais. Como sabido e já abordado, a finalidade do poder de polícia é a proteção ao interesse público em seu sentido mais amplo. E, essa proteção vai mais além. Ela alcança também os bens materiais, os patrimônios morais e espirituais da sociedade, no entanto é preciso que estes tenham interesse público relevante, para que a administração atue. O princípio da proporcionalidade jamais deve ser afastado da finalidade do poder de polícia, especialmente quando o administrador seleciona o meio que aplicará para a defesa dos interesses públicos, que não poderá ser mais gravoso ao cumprimento do fim ora pretendido. O poder de polícia da Administração é revestido de características que tornam legal os exercícios da Administração sobre o privado, e tais é a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade. A discricionariedade, nem sempre acontece, apesar de estar presente na maior parte das medidas de polícia administrativa, a discricionariedade nem sempre acontece. Segundo Di Pietro (2009), o legislador nem sempre prevê todas as hipóteses possíveis e necessárias para usar do Poder de Polícia, deixando à lei, margem para que o mesmo tenha a liberdade de opinião, de acordo com cada caso concreto. O Poder de Polícia Discricionário prevê que, na maioria das vezes, a administração terá de determinar quanto ao melhor momento para atuar, qual o meio de ação mais apropriado e qual medida repressiva deve aplicar. Por outro lado, quando a lei, mediante alguns requisitos pré-estabelecidos, não oferecer ao administrador possibilidade de escolha, o mesmo terá de decidir conforme estabelece a mesma. O Poder de Polícia pode ser Discricionário, como também Vinculado. Um exemplo de poder vinculado é a licença par construir, que é exigida pelo Estado. Nesses casos, a lei prevê os requisitos que, uma vez satisfeitos, fica a administração pública obrigada a concedê-lo. E, nesse caso, a autorização é ato discricionário. Já a autoexecutoriedade é a autonomia. A partir do modelo de divisão de poderes adotados no Brasil, a Administração Pública dispõe do poder executar seus atos independentemente de qualquer solicitação ao Poder Judiciário. Ou seja, o administrador público pode executar as decisões sem a interferência do Poder Judiciário. E, daí vem a coercibilidade, que de acordo com Di Pietro, é paralela à autoexecutoriedade: “O ato de polícia só é auto executório porque dotado de força coercitiva” (2009, p. 121). Desse modo, a coercibilidade, é, por sua vez, o poder de Império do Estado. Não a ato facultativo para o particular, pois todos eles admitem a coerção estatal para torná-los efetivos, e essa coerção não necessita de expressa autorização. A coerção pode ser usada para que ato de polícia emanado de seus entes seja validado. Para a persecução de seus objetivos pode-se até ser utilizada a força física. No entanto, a força física só tem base justificada quando há oposição do infrator, não regularizando a violência desproporcional e desnecessária para a prática do poder de polícia. É válido ressaltar que o poder de polícia administrativo, responde pela presença da Administração em situações ou relações jurídicas que comumente seriam de direito privado. Assim, a polícia administrativa objetiva a manutenção da ordem pública geral, prevenindo possíveis infrações das leis. Podendo agir preventivamente, como repressivamente. Portanto, entende-se que o poder de polícia é necessário para manter a ordem da sociedade e manter o interesse público, quando este estiver ameaçado por interesse particular. REFERÊNCIAS MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 35. ed. São Paulo: Malheiros Editores Ltda, 2009. PIETRO. Maria Sylvia Zanella Di. Direito administrativo. 22. ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2009.