Apostila de COMPOSIÇÃO DO SOLO
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Apostila de COMPOSIÇÃO DO SOLO


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UNIVERSIDADE DE FEDERAL DE VIÇOSA 
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS 
DEPARTAMENTO DE SOLOS 
SOL 650 \u2013 QUÍMICA DO SOLO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPOSIÇÃO DO SOLO 
 
 
 
 
 
 
 
 Maurício Paulo F. Fontes 
 Professor Titular 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIÇOSA-MG 
2006 
 
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INTRODUÇÃO 
 
O solo é um corpo natural com propriedades químicas, físicas, 
mineralógicas e biológicas distintas do material puramente inconsolidado da 
superfície da crosta terrestre, formado pela atuação de fatores e processos 
pedogenéticos, e que serve como ambiente próprio para o crescimento e 
desenvolvimento de plantas. 
O solo pode ser encarado como um sistema aberto e por isso mesmo 
submetido a perdas e ganhos, translocações e transformações e à atuação 
sistemática do intemperismo. Tudo isso faz com que exista uma grande 
diversidade de solos, principalmente em um país de dimensões continentais como 
o Brasil, onde climas diversos, relevos dos mais diferentes e cobertura vegetal 
diversificada fazem pano de fundo para a formação de diferentes solos. 
Na maior parte do território brasileiro as condições prevalecentes são de 
clima quente e úmido no qual a precipitação excede evapotranspiração. Isso 
condiciona a atuação principal do processo pedogenético de remoção, no qual 
predomina uma intensa lixiviação dos metais alcalinos e alcalino-terrosos e uma 
grande perda de sílica solúvel. O resultado final é a presença de solos altamente 
intemperizados, com a virtual ausência de minerais primários intemperizáveis e 
apresentando sua fração argila constituída basicamente de argilominerais 1:1 e 
óxidos de Fe e Al. Assim se formam os Latossolos que são os solos dominantes 
no território brasileiro. Pelas características de formação, os Latossolos são solos 
bastante pobres, em geral ácidos, mas que apresentam, geralmente, condições 
físicas excelentes associadas à relevos planos ou suavemente ondulados, o que 
os torna bastante atraente sob condições de manejo mais avançado. Balanço 
hídrico não tão favorável à precipitação ou rocha mais rica em minerais que 
contêm nutrientes essenciais, por exemplo, podem induzir à formação de 
Latossolos eutróficos. 
Outra classe de solos que ocupa uma grande área no Brasil é a dos 
Argissolos. Por condições climáticas, material de origem ou relevo mais 
movimentado, eles apresentam uma remoção de metais e sílica solúvel menos 
intensa que os Latossolos e apresentam como característica distintiva a 
translocação de argila dos horizontes A para o horizonte B. Podem apresentar 
minerais primários intemperizáveis em sua constituição mas tem a mineralogia 
dominada basicamente por argilominerais 1:1 e óxidos de Fe. 
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Limitações diversas à atuação dos fatores externos e à atuação dos 
processos pedogenéticos podem induzir à formação de solos menos evoluídos ou 
mais jovens, mas de importância em termos de área ocupada no Brasil, como os 
Cambissolos e os Litossolos. Os Cambissolos são solos que apresentam um 
desenvolvimento não muito pronunciado, tendo como característica a presença de 
um horizonte B incipiente. São solos ricos em minerais primários facilmente 
intemperizáveis, exceto quando formados sobre material de origem muito pobre 
ou pré-intemperizado. Os Litossolos, por sua vez, são solos muito jovens que 
apresentam uma seqüência de horizonte A-C. São Solos muito rasos formados 
diretamente sobre as rochas e, de modo geral, associados a afloramentos 
rochosos. 
Esses são os solos brasileiros mais utilizados na agricultura, pecuária, 
agro-silvicultura, exploração florestal e reflorestamentos; que podem atuar como 
filtro e/ou repositório de lixos e rejeitos diversos, como os aterros sanitários, etc.; 
e também podem ser, nas paisagens urbanas e nas estradas, expostos por cortes 
e dissecados pelas erosões. Além disso, são empregados como materiais de 
construção, para feitura de barragens e diversas outras obras de engenharia civil, 
especialmente, na geotécnica. O conhecimento das suas propriedades químicas e 
mineralógicas, dentre outras, é de importância fundamental para o entendimento 
de como conduzir o manejo, como fazer uma adubação bem feita nos solos e de 
como entender a nutrição das plantas na utilização agro-pecuária-florestal e 
também para o entendimento de que locais serão mais apropriados e que tipos de 
solos não serão problemáticos de se utilizar nas cidades e estradas na busca do 
utópico impacto mínimo ao meio ambiente. O conhecimento dessas propriedades 
visa, em última análise, melhorar a nossa capacidade de predição do 
comportamento do solo com relação aos seus múltiplos e mais variados usos. 
 
COMPOSIÇÃO DO SOLO 
 
Os solos minerais são, de modo geral, constituídos de quatro 
componentes principais: matéria mineral, matéria orgânica, água e ar. Assim, os 
solos são uma mistura íntima destes componentes na qual se distinguem as fases 
sólida, líquida e gasosa. Os solos minerais com boas características físicas e com 
boas condições de suporte para a vida vegetal deve apresentar aproximadamente 
a composição volumétrica mostrada na figura 1. 
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Figura 1 - Composição volumétrica considerada ideal para um solo de 
superfície com boas condições físicas. 
 
Essa composição volumétrica pode ser entendida como a ideal dentro do 
nosso entendimento que uma porosidade total de 60% deve apresentar 2/3 de 
poros menores ou microporos, que são os principais responsáveis pela retenção 
de água pelo solo e 1/3 de poros maiores ou macroporos que são responsáveis 
pela aeração do solo. Os restantes 40% são ocupados volumetricamente pelas 
partículas sólidas de areia, silte, argila e matéria orgânica. O teor de matéria 
orgânica de 4% é considerada ideal dada a grande importância desse 
componente. 
 
FASE SÓLIDA 
 
A fase sólida é formada pela matéria mineral ou inorgânica em todos os 
horizontes, acrescida da matéria orgânica no horizonte mais superficial do solo. 
Os componentes minerais ou inorgânicos variam bastante em tamanho e exercem 
grande influência nas propriedades dos solos. Os componentes orgânicos que 
são representados por restos de animais e vegetais em estágios diversos de 
decomposição e materiais sintetizados no solo. Apesar de presentes, geralmente, 
em pequena quantidade e apenas na parte superficial dos solos minerais, esses 
componentes exercem uma influência marcante nas características e 
propriedades do solo como meio de crescimento e desenvolvimento de plantas. 
 
 
 
Mat. O rg.
4%
Mat. M in .
36%
Macroporo
s
20%
Microporos
40%
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MATÉRIA MINERAL 
A formação do solo obedece sempre a um ordenamento que pode ser 
simplificado como: 
 
 MATERIAL DESAGREGADO 
ROCHA = = = > OU = = = > SOLO 
 MATERIAL DE ORIGEM 
 
Dentro dessa sistemática as transformações que ocorrem podem ser 
puramente físicas ou mecânicas ou podem ser transformações químicas. No 
primeiro caso, as transformações significam apenas a diminuição de tamanho 
causada pela quebra dos materiais ao passo que no segundo caso existem 
transformações mais intensas nas quais a decomposição química dos minerais 
possibilitam o aparecimento de novas substâncias, remoção de parte delas, 
recristalização de outras, formação de novos minerais, etc. 
Esquematicamente, essas transformações são mostradas na figura 2: 
 
PARTÍCULA GRANDE CASCALHO CONJUNTO DE MINERAIS 
PRIMÁRIOS 
 
 
 
 
TRANSFORMAÇÕES FÍSICAS 
 
 
 
 
PARTÍCULA PEQUENA AREIA + SILTE MINERAIS PRIMÁRIOS 
INDIVIDUAIS 
 
 
 
 
TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS