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Universidade Federal Fluminense Instituto de Letras Departamento de Ciências da Linguagem Disciplina: Linguística I Professora: Silvia Maria de Sousa Monitora: Aline Billé Santos RESUMO PARA A 1ª AVALIAÇÃO Comunicação Animal e Linguagem Humana Os animais se comunicam entre si, mas esta comunicação carece de caracteres e funções que permitam uma equivalência à linguagem humana. LINGUAGEM HUMANA COMUNICAÇÃO ANIMAL Capacidade de formular e interpretar signos; Transmissão dialógica da mensagem -> respostas; Possibilidade infinita de construção de mensagens independentemente da experiência; Dupla articulação da Linguagem: os enunciados podem ser decompostos e recombinados para compor novas mensagens . Capacidade de formular e interpretar signos; Transmissão unilateral da mensagem -> condutas; Fixidez ou Invariabilidade da mensagem: relativa à experiência e a um único tipo de informação ; Caráter indecomponível do enunciado: os animais não constroem uma mens agem a partir de outra mensagem. Linguagem A linguagem é a capacidade específica da espécie humana de se comunicar por meio de signos. A aptidão para a linguagem é um traço genético. Sua realização, no entanto, passa por um aprendizado, que é do domínio cultural. Funções da linguagem: A linguagem serve para perceber o mundo, para categorizar a realidade, para realizar interações, para informar, para influenciar, para exprimir sentimentos e emoções, para criar e manter laços sociais, para falar da própria linguagem, para ser lugar e fonte de prazer, para estabelecer identidades, para agir no mundo, e também para criar novas realidades. A Ciência Linguística Possui um objeto próprio de estudo: a Língua, segundo Saussure; Diferencia-se das demais ciências da linguagem: Não se confunde com a Gramática Normativa porque é descritiva e não prescritiva, isto é, não se preocupa em determinar como a língua deve ser, mas sim em descrevê-la como ela é e por que é; Não se confunde com a Filologia porque não se prende aos textos escritos nem ao seu caráter histórico; Não se confunde com a Semiologia porque esta é a teoria geral dos signos, enquanto a Linguística se ocupa somente do signo lingüístico (verbal). A Linguística é parte da Semiologia. O simbolismo linguístico (Edward Lopes) Caráter simbólico de um signo = capacidade de representar o real, de estabelecer uma relação de significação entre uma coisa e alguma outra coisa. O poder de traduzir um determinado elemento da experiência histórica. Essa capacidade ou poder não é dado pelo signo em si, mas atribuído a ele pela sociedade sendo, portanto, fruto de uma convenção. O processo de significação que se estabelece graças à convenção social é chamado semiose. Signos Naturais: os índices = signos presentes na natureza, não criados pelo homem. A significação não se estabelece por semiose (não há convenção social), mas por metonímia ou causalidade. Ex1: Fumaça indica que há fogo, porque a fumaça é parte do fogo (metonímia) ou a causa da fumaça é o fogo (causalidade). Ex2: Nuvens negras indicam chuva, porque são parte do ciclo da água pelo qual ocorre a chuva (metonímia) ou a causa da negritude das nuvens é o acúmulo de água que resulta na precipitação de chuva (causalidade). Signos Artificiais = Criados pelos homens para se comunicarem entre si. Precisam ser convencionados socialmente, caso contrário não são capazes de representar coisa alguma. Signos não lingüísticos: os símbolos = objetos materiais que representam uma parte ou uma característica da experiência real (por metonímia). Têm duas características fundamentais: a polissemia, pela qual um mesmo símbolo pode representar várias experiências reais, e a sinonímia, pela qual uma experiência real pode ser representada por vários símbolos. Ex: Placas de banheiro masculino e feminino. OBS: Existem ainda tipos de signos não lingüísticos que não são símbolos, como os sonoros (apitos, buzinas, sinos), as fórmulas matemáticas, etc. Signos lingüísticos = signos verbais que são capazes de traduzir todos os outros signos, inclusive outros signos verbais. São, portanto, meta-signos universais. Ex: As palavras. Sinais não sígnicos: os ícones ou imagens = Formas de representação em que há “certa similitude visual entre o significante e o significado” (p.45), isto é, existe uma relação necessária, motivada, entre a representação e o que está sendo representado. Não há nesse caso uma semiose, pois não há convenção social. Ex: Fotografias, xerox, impressão digital, etc. Resumo estrutural de Edward Lopes (p.46): Imagens SIGNOS (ícones) (convencionais) Linguísticos não Linguísticos (verbais) (materiais) Símbolos Sinais (objetos) (sonoros) Linguagem, Língua, Fala (para Saussure) Linguagem Langue (Língua ) Parole (Fala ) Social; Sistemática; Essencial; Homogênea. Individual; Realização do Sistema; Acessória; Heterogênea.1ª Dicotomia Saussureana: Langue/Parole Signo Conceito Imagem Acústica Psíquico. Psíquico; Sensorial. ≠ Som material Sensorial. Significado Significante2ª Dicotomia Saussureana: Significado/Significante Para Hjelmslev, o significado corresponderia ao Plano do Conteúdo e o significante ao Plano da Expressão. Estas são nomenclaturas menos abstratas que as de Saussure e nos ajudam a entendê-las melhor. Princípios do Signo Linguístico: 1º) Arbitrariedade do signo = O laço que une o significado ao significante é arbitrário, convencional, imotivado. Não há nada no objeto da experiência real que indique necessariamente (motive) a forma verbal que deve representá-la. Ex: Não há nada na árvore que indique que ela tenha que ser necessariamente chamada de “árvore”. 2º) Linearidade do significante = Os signos lingüísticos obedecem ao tempo. Só é possível enunciar um signo de cada vez, sucessivamente, no sentido de uma linha evolutiva reta. Diferenças entre signo linguístico e símbolo Signo linguístico e símbolo não são a mesma coisa, não são sinônimos intercambiáveis. Ao explicar o primeiro princípio do signo linguístico, Saussure faz uma objeção à utilização da palavra símbolo para designar o significante (p.82 do cap. “Natureza do signo linguístico”). Tal objeção decorre do próprio princípio da arbitrariedade, pois o signo é imotivado e convencional, enquanto que “o símbolo tem como característica não ser jamais completamente arbitrário; ele não está vazio, existe um rudimento de vínculo natural entre o significante e o significado” (idem). Embora o símbolo seja convencional assim como o signo, podemos dizer que o símbolo é minimamente motivado, isto é, existe uma motivação para um determinado símbolo representar determinada experiência real: como vimos, por uma relação metonímica, o símbolo contém parte do todo que se quer representar. Outra diferença entre signo linguístico e símbolo, não mencionada por Saussure, reside no princípio da linearidade do significante, pelo qual sabemos não ser possível enunciar mais de um signo ao mesmo tempo. Diferentemente, o símbolo concentra, ao mesmo tempo, várias informações sobre a experiência real que está representando, ou mais de uma experiência real e, inclusive, um símbolo pode ser composto por vários outros símbolos. Ex: a placa de trânsito de “proibido parar e estacionar” (a letra E cortada por duas linhas vermelhas diagonais) concentra num único símbolo a representação de duas experiências: a de não parar e não estacionar.