Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
41 pág.
Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

Pré-visualização | Página 11 de 13

os alimentos tanto no país de sua residência habitual, 
cuidando do reconhecimento e execução posteriormente, quanto ir ao país onde 
reside o devedor e entrar com a ação diretamente. Ambas as alternativas 
apresentam vantagens e desvantagens, pois lidam com questões transnacionais, e 
o objetivo da convenção é facilitar ao máximo a obtenção dos alimentos, 
preocupando-se inclusive com transferência de fundos no plano internacional. 
 A autoridade central é a Procuradoria Geral da República, que é designada para 
atuar como autoridade intermediária e autoridade remetente. As funções estão 
centralizadas no gabinete do Procurador Geral da República, em Brasília, 
utilizando a estrutura do Ministério Público Federal nos estados para os pedidos 
locais. 
 Há dois tipos de procedimento para obrigações alimentares: pedidos oriundos do 
exterior, e os originados no Brasil que precisam ser enviados ao exterior. Para o 
primeiro caso, o Ministério Público Federal dá o encaminhamento devido, após 
seu recebimento, que pode ser o reconhecimento da decisão ou o processamento 
FACAMP – Faculdades de Campinas 3ºB 2012 
31 
 
de cartas rogatórias. Já no segundo caso, o Ministério Público Federal entra em 
contato com a autoridade central no exterior para que seja processado. 
 Um problema comum das ações de alimentos era a dificuldade de obtenção de 
pedidos liminares de fixação de uma verba alimentar provisória. Por isso, essa 
competência passou do STF para o STJ, por meio da Emenda 45/06. Outra 
questão recorrente diz respeito à competência interna para julgar os casos, 
podendo ser de responsabilidade da justiça federal ou estadual. Para esse conflito 
se decidiu que a Justiça Federal é competente quando há intervenção do 
Ministério Público Federal, na qualidade de autoridade central. 
 
18.2.2 – A Convenção Interamericana sobre Obrigações Alimentares 
 Reúne os temas tratados na Convenção de Haia. 
 Ius Cogens: norma material na qual o Estado tem o dever de reconhecer o direito 
aos alimentos. 
 Proporcionalidade de fixação dos alimentos. 
 Limita-se a obrigações alimentares de menores e decorrentes de casamento e 
divórcio. 
 Autoridade competente escolhe a lei aplicável a partir da regra mais favorável ao 
credor. 
 Competência internacional: Juiz ou autoridade do Estado de domicílio o 
residência habitual do credor ou devedor. Ou ainda o Juiz do Estado com o qual 
o devedor mantiver vínculos pessoais. 
 Choque com constituição no artigo 13º (hierarquia constitucional). 
 É pouco utilizada por ser pouco conhecida e a Convenção de Nova York ter 
mais signatários. 
 
18.3 – Jurisprudência brasileira sobre alimentos no plano internacional 
Sobre esse assunto, não há casos em que a questão da lei aplicável tenha sido 
discutida, tendo sido utilizada, em alguns deles, a legislação nacional. 
Todas as demais suposições tratam de cooperação jurídica internacional no 
curso do processo e reconhecimento, problemas de competência internacional e 
execução de decisões estrangeiras. 
Os tribunais geralmente não discutem essas questões e, na maioria dos casos, se 
consideram competentes para solucionar a questão (mesmo que ela não se enquadre no 
artigo 88 do CPC). 
“Certamente faz parte da ideia de proteção aos cidadãos brasileiros e 
estrangeiros aqui domiciliados, que em geral são demandantes e estão em situação 
dramática de necessidade”. 
FACAMP – Faculdades de Campinas 3ºB 2012 
32 
 
Quando há litispendência
4
, a competência é recusada, a não ser que a decisão 
estrangeira já tenha sido homologada no Brasil. 
A maior parte dos casos sobre alimentos no plano internacional cuida dos 
problemas com relação aos aspectos transnacionais do processo, da citação do réu em 
país estrangeiro, das questões relativas às provas e da posterior execução da decisão. 
Por fim, também é comum, quando o pai residente no exterior dificulta a 
obtenção de pensão alimentícia, passar esse dever aos avós. 
 
18.5 – Iniciativas recentes no tema de alimentos: o trabalho da Comissão Especial sobre 
cobrança de alimentos da Conferência de Haia 
A autora começa dizendo que A Conferência de Haia é uma organização 
intergovernamental, que tem o objetivo de funcionar como um centro mundial a serviço 
da cooperação internacional judiciária e administrativa em matéria de DIPr. 
Se tratando das obrigações alimentares a Convenção já havia realizado quatro 
Conferências, sendo duas na década de 1950 e outras duas na década de 1970. Apesar 
disso, discussões sobre essas Conferências começaram a surgir a partir de 1992, pois, 
inspirados nas Convenções das Nações Unidas relativas aos direitos da criança, 
acreditavam que havia a necessidade de criar uma Comissão que garantisse o 
pagamento de alimentos aos menores, quando estes tivessem necessidade, independente 
de sua raça, cor, sexo ou origem. 
Assim, a Comissão Especial foi pensada em 2003 a adotada na Conferência 
Diplomática, em 2007, em que ficou determinado que esse novo documento teria caráter 
universal, possibilitando “a obtenção internacional de alimentos para crianças e outros 
membros da família, com regras mais abrangentes” (Araújo; p. 546), tratando, também 
da cooperação com outros documentos internacionais. 
Segundo a autora, essa Convenção aprovada é um documento moderno que se 
preocupa com o cotidiano da cooperação jurídica internacional, dando às autoridades 
centrais o poder de coordenar o trabalho dessa convenção. 
Além disso, o artigo 14, que cuidava da assistência jurídica, causou muita 
polêmica durante as negociações, ficando acordado que, se os países desejassem era 
possível pedir uma declaração para analisar as condições econômicas das crianças e não 
dos pais, para depois dar o auxílio jurídico. 
No que se diz respeito ao reconhecimento de decisões estrangeiras, o artigo 20, 
traz regras para um procedimento de reconhecimento e execução de decisão estrangeira, 
mas acaba permitindo uma declaração do país para que continue com o seu sistema 
interno. Ainda foi incluída a previsão de aplicação da Convenção às pessoas incapazes 
nos pedidos diretos. 
 
4
 Litispendência: quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, 
quando se ajuíza uma nova ação que repita outra que já fora ajuizada, sendo idênticas as partes, o 
conteúdo e pedido formulado. 
FACAMP – Faculdades de Campinas 3ºB 2012 
33 
 
Essa questão da lei aplicável foi tema de diversas discussões e na última reunião 
da Comissão Especial (2007), decidiu- se por sua separação da Convenção, 
consubstanciado em um Protocolo Opcional, cujo projeto foi elaborado por um grupo 
especial de trabalho. 
O protocolo tem como característica: 
1. Caráter universal do protocolo adicional, o que permite sua aplicação 
para países não signatários; 
2. Prevalecimento como regra geral de conexão e da residência habitual do 
credor, e em caso de mudança deste, a regra da nova residência habitual 
será aplicável; 
3. As regras especiais, com relação À lei aplicável em caso de alimentos 
para crianças com outras pessoas, e de filhos para com seus pais foram 
incorporadas, objeto de grande debate, mas que foram incorporadas ao 
debate; 
4. Em relação à ex-exposa há uma regra especial, não se aplica se houver 
mais contato com o lugar de última residência comum; 
5. O reenvio foi excluído, em regra separada, o que facilita a aceitação do 
Protocolo pelo Brasil, já que a LICC também possui norma similar; 
6. Há uma novidade do Protocolo, existe a possibilidade de autonomia das 
partes em designar uma lei aplicável para os alimentos, dentro de 
estreitos
Página1...78910111213