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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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bens era imutável no Código Civil, com comunhão total. Contudo, isso foi modificado 
com a Lei do Divórcio (1977), a qual estabeleceu o regime da comunhão parcial. No 
Novo Código Civil (NCC), a comunhão parcial continua, mas é admitida a sua 
modificação se houver autorização judicial. 
Houve uma separação entre a lei de regência para o casamento e a do regime de 
bens, o que significou uma inovação da LICC. Isso por que a Introdução de 1917 
causava diversos conflitos quando os cônjuges eram de diferentes nacionalidades: 
somente a lei nacional da pessoa poderia ser aplicada ao regime de bens. Foi então que 
se acrescentou o critério do domicílio conjugal. 
Assim, o regime de bens será sempre regido pela lei do domicilio comum. 
Primeiramente se prioriza o domicílio do casal anterior ao casamento, se forem 
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permanecer no local após o evento; ou no primeiro domicílio depois do casamento, no 
caso de os cônjuges morarem separados antes. 
Na doutrina clássica brasileira, sempre existiu a tendência de submeter o regime 
de bens à lei do domicílio conjugal. Na introdução de 1917, quando ainda era vigente o 
critério de nacionalidade, Beviláqua incluiu o domicílio como critério supletivo, em 
caso de ausência de nacionalidade comum do casal. 
O regime de bens, em caso de haver domicílio comum, não admitia autonomia 
da vontade, ou seja, não admitia a escolha de um domicílio diverso do domicílio comum. 
Só em caso de os parceiros terem domicílios diferentes é que poderiam determinar um 
novo domicílio comum. Hoje em dia, com o Novo Código Civil, a escolha é admitida e 
consensual, como permitiu o STF. 
Já para a segunda hipótese (casal com domicílios separados), o Brasil sempre 
aplicou a lei do primeiro domicílio conjugal. Assim, os Tribunais de Justiça de SP e do 
RJ determinaram que se o primeiro domicílio fosse estrangeiro, se aplicaria a lei do 
respectivo país para o regime de bens. Isso reforça a ideia de que a LICC tem o objetivo 
de que a lei aplicável ao regime de bens seja aquela referente ao primeiro domicílio 
comum depois do casamento. 
Com o Novo Código Civil e o domicílio conjugal estabelecido de comum acordo 
pelos cônjuges, a autonomia da vontade não se harmoniza com a regra de domicílio do 
chefe de família que se estende ao outro cônjuge. O NCC determina a utilização do 
domicílio comum, existente antes do casamento. 
Assim, hoje a autonomia da vontade (estabelecimento de um domicílio conjugal 
por mútuo consenso) deve ser respeitada; tanto para aqueles casais que tinham domicílio 
diverso, quanto para aqueles que tinham domicílio comum, mas que transferiram seu 
domicílio em ocasião do casamento. Por fim, sente-se ausência de modificação da LICC 
com o NCC, o que pode causar polêmicas. 
 
 A imutabilidade do regime de bens: 
A imutabilidade do regime de bens após a celebração do casamento sempre foi 
uma característica do sistema brasileiro, o que também se reflete no DIPr. Quando 
houve a mudança do critério de nacionalidade pelo de domicílio (LICC), o STF decidiu 
manter a imutabilidade da lei aplicável. 
Contudo, havia dúvidas, por exemplo, quando casais estrangeiros se casavam no 
exterior e posteriormente vinham se domiciliar aqui, ficando seus bens regidos pela lei 
estrangeira. Contudo, geralmente não foi reconhecida a alteração do domicílio do 
regime de bens para o Brasil. 
A única exceção à imutabilidade era a da naturalização do estrangeiro, e 
aceitação do cônjuge para mudar o regime para a lei nacional de comunhão parcial. A 
mudança do regime de bens implica mudança da lei aplicável, a qual passa a ser 
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brasileira. Porém, esse movimento fazia mais sentido em 1917, quando ainda era 
vigente o critério de nacionalidade. 
O NCC inova ao permitir a alteração do regime, por via judicial, a pedido 
justificado de ambos os cônjuges e salvo o direito de terceiros. Para o DIPr, isso 
acarreta consequências: possibilita a substituição da lei aplicável ao regime de bens da 
época do casamento pela lei brasileira, mesmo quando a lei estrangeira inicialmente 
aplicável estabelecer a sua imutabilidade, se o requerimento for feito no Brasil. 
Sobre isso, há uma questão importante: quando o país estrangeiro onde se 
realizou o casamento não exige a comprovação do regime de bens aplicável, o Brasil 
também não o exige em caso de transcrição de assento do tal casamento realizado no 
estrangeiro. 
 
 Regime convencional de bens – pactos antenupciais: 
Na lei brasileira, não há distinção pela lei aplicável entre o regime de bens legal e 
o regime de bens convencional, sendo esse firmado por meio de um pacto antenupcial. 
Assim, a lei aplicável é a mesma para os dois regimes, sendo que é necessário 
considerar um domicílio comum e a imutabilidade desse regime. No Brasil, a lei 
brasileira será aplicada se o domicílio comum ou o primeiro domicílio for aqui fixado. 
Assim, um pacto pode ser entendido como “um acordo de vontades de caráter 
obrigacional, que não podem ignorar o disposto na lei local” (p. 479). Sua interpretação 
também será feita com base nas normas imperativas do direito brasileiro sobre o regime 
de bens, sendo que, nas considerações de Caio Mário, o pacto se subordina ao direito de 
família. 
No que tange à forma, as formalidades acabam sendo substituídas pela regra 
lócus regit actum, que se refere à validade da lei do local de celebração do pacto. Sendo 
assim, a forma da lei brasileira é dispensada e necessita-se apenas do registro do pacto 
no Registro de Imóveis. Caso existam imóveis no Brasil, e um pacto abordar esses 
direitos reais, é aplicável a lex rei sitae, ou seja, a lei brasileira. Para isso, é necessário 
expressar a existência de um pacto antenupcial nos registros desses imóveis, ou 
qualquer outro direito real existente. A ausência de registros gera a presunção de que o 
regime válido é o legal, ou seja, o do país de origem. 
Em relação ao conteúdo de um pacto, serão consideradas apenas as cláusulas que 
não violem a ordem pública brasileira, mesmo se a lei estrangeira for a aplicada. Pode 
ocorrer em um pacto validado pela lei local de sua celebração, a anulação de cláusulas 
relacionadas a bens aqui situados, caso ele seja cumprido no Brasil. 
 
 A questão da comunicação dos aquestos: 
Há grandes diferenças no direito internacional em relação à lei aplicável no que 
tange o regime de bens, sendo que a comunhão desses bens pode ser total, parcial, ou de 
separação de bens. Os sistemas jurídicos de origem romana remontam à separação total, 
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ao passo que os sistemas de origem germânica remontam-se à comunhão universal de 
bens. Há casos de países que possuem sistemas mistos de comunhão e separação 
parciais. 
Caso um pacto antenupcial não seja criado, o regime de bens será sempre aquele 
do país de origem, tendo em vista sua imutabilidade. Ao longo da evolução jurídica 
brasileira, essa questão foi sendo modificada, devido a injustiças cometidas na resolução 
de alguns casos. Assim, “os tribunais brasileiros deram uma interpretação mais elástica 
a esse conceito de separação de patrimônio, de forma a privilegiar o esforço comum, 
mesmo quando a lei aplicável fosse a estrangeira e dispusesse de forma diferente” (p. 
482). Esse tema foi consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (súmula 377), assim 
como pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por “presumir-se uma conjugação de 
esforços na formação do patrimônio do casal” (p. 482). 
Com base em voto proferido pelo Ministro Luis Felipe Salomão frente à 
comunicação de aquestos em caso que envolvia

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