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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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no caso desse último, a arbitragem terá de envolver necessariamente todos os 
interessados sob pena de falta de validade da sentença arbitral. 
 
 Medidas cautelares: 
Um árbitro durante um processo de julgamento arbitral não possui poder para 
aplicar medidas cautelares nem mesmo diligências que envolvam de alguma forma a 
coerção (ação involuntária), pois essas questões estão a cargo do judiciário. Dessa forma, 
um juiz pode instituir uma medida cautelar antes do início da arbitragem, por um prazo 
determinado. Contudo, se a arbitragem ocorrer em outro país, há possibilidade de se 
aplicar uma medida cautelar ou diligência determinada por um árbitro internacional em 
algumas situações. Caso essa medida tenha que ser executada no Brasil, ficará a cargo 
da lex fori local, da lei brasileira, ficando a cargo, portanto, da análise do STF. No caso 
de ser arbitrada no Brasil para ser executada fora, a arbitragem deve ou requisitar 
diretamente com o foro estrangeiro tal aplicação da sentença, ou promover uma 
solicitação ao juiz brasileiro de que envie uma carta rogatória para o outro país. O STF 
não costuma conceder a exequatur às cartas rogatórias de caráter executório no Brasil, 
inclusive, às medidas cautelares, pois se entende que atentam contra a Ordem Pública. 
Essas medidas só são aplicadas na maioria das vezes quando estão inseridas em 
Convenções Internacionais específicas sobre o assunto das quais o Brasil faz parte, 
como o Protocolo de Ouro Preto (entre países do MERCOSUL). 
 
 Laudo arbitral e sua motivação (Referente à sentença do processo arbitral): 
No Brasil necessita de certas condições: 
a) Relatório com nome das partes e resumo do litígio. 
b) Fundamentos da decisão. 
c) Dispositivo no qual consta a decisão dos árbitros e prazo para 
cumprimento. 
 
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 É um fenômeno processual caracterizado pela pluralidade de sujeitos, em um ou em ambos os polos de 
um processo judicial. 
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d) Data e local onde foi proferida. 
O não cumprimento de algum desses requisitos ou de motivação da sentença 
resulta na nulidade da sentença de tal arbitragem. 
A que se considerar ainda que quando a arbitragem se dá em país estrangeiro, 
seu laudo ao ser aplicado no Brasil deverá seguir as leis do local de origem, respeitando, 
ademais, suas peculiaridades, no processo de execução da sentença, conquanto estas não 
se oponham ao princípio de Ordem Pública nacional. No Brasil, um laudo arbitral 
possui a mesma relevância de uma sentença, ou seja, sua motivação é garantida, visto 
que se assemelha aos direitos fundamentais defendidos pela Constituição. 
 
 Recursos contra a sentença arbitral: 
Além da possibilidade de uma correção material e de esclarecimento pontual em 
relação à sentença da arbitragem existem duas formas de contestar o laudo arbitral 
doméstico. A primeira forma é a ação anulatória ou rescisória, parcial ou total, da 
sentença proferida, através da contestação da: 
 Validade da instituição do tribunal arbitral. 
 Validade substancial da sentença arbitral. 
 Regularidade substancial do processo. 
A segunda forma pode dar-se através de embargos à execução das sentenças, por 
título judicial. Apesar das possíveis irregularidades no processo arbitral, não cabe 
considerar o processo inválido se ele atingiu seu objetivo. A anulação do laudo arbitral 
por parte do judiciário só ocorre em casos excepcionais, visto que não se deve 
questionar o mérito da arbitragem. Esses casos envolvem, por exemplo: 
1. nulidade do compromisso por incapacidade da parte 
2. incapacidade do árbitro 
3. não contiver os requisitos pressupostos no artigo 26 
4. sentença proferida ultra petita 
5. sentença proferida infra petita 
6. sentença resultante de crime contra a administração pública 
7. sentença proferida contra os princípios do devido processo legal 
Outra possibilidade de revisão da sentença arbitral envolve uma prévia 
existência de um mecanismo de revisão, ou seja, as partes ao acordarem pelo processo 
arbitral determinam um mecanismo ad hoc de revisão do laudo. 
 
 Tratados internacionais sobre arbitragem e o Brasil: 
No que diz respeito aos tratados internacionais de arbitragem e não apenas a 
uma arbitragem doméstica ficou definido que, no Brasil, não há mais a necessidade de 
que haja a dupla homologação dessas sentenças. Desse modo, o laudo de uma 
arbitragem passou a ser considerado uma “sentença estrangeira”, precisando apenas 
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passar pelo processo de homologação no Brasil (STJ) para ser reconhecida e executada, 
e não mais no país estrangeiro E no Brasil. 
Para garantir essa homologação em território nacional, além dos pressupostos 
gerais já discutidos, são necessárias, de acordo com o artigo 37 da Constituição: 
a) O original da sentença ou cópia certificada; autenticação da sentença 
homologada realizada pelo Consulado brasileiro e sua tradução oficial, 
feita no brasil. 
b) O original da convenção de arbitragem ou cópia certificada e sua 
tradução oficial, feita no Brasil. 
A homologação da sentença ainda pode ser negada, contudo, nos casos em que 
não estiver de acordo com todos os requisitos necessários. 
Ademais, a resposta positiva em relação à homologação de uma sentença 
estrangeira no Brasil, é condicionada ao mérito definido pelo STJ para definir se este 
laudo fere de alguma maneira a Ordem Pública, os bons costumes ou a soberania do 
país. 
Sobre a o processo de regulamentação da via arbitral em âmbito nacional 
destaca-se a lei 9.207/96, a qual aborda a questão da citação do réu, ou seja, o aviso ao 
réu da existência de um processo jurídico no qual está envolvido. Assim, no Brasil, 
define-se que uma sentença arbitral estrangeira não ofende a Ordem Pública do país e é, 
portanto, reconhecida, se a citação do réu ocorrer de acordo com os pressupostos de seu 
processo arbitral ou com as leis do país de origem dessa arbitragem. 
No que diz respeito às Convenções Bilaterais das quais o Brasil faz parte, é 
possível destacar a Convenção Interamericana sobre Arbitragem Internacional (Panamá, 
1975) o Protocolo do Mercosul sobre a Cooperação e a Assistência Jurisdicional em 
Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa (Las Leñas, 1992), a e a 
ratificação pelo Brasil da Convenção da ONU sobre o Reconhecimento e Execução de 
Sentenças Arbitrais Estrangeiras (Nova Iorque, 1958). 
 
 O Brasil e a Convenção de Nova Iorque: 
A Convenção de Nova Iorque sobre o reconhecimento e execução de laudos 
arbitrais estrangeiros só foi internalizada no Brasil no início do séc XXI. A razão para a 
demora foi a grande resistência doutrinária ligada ao Protocolo de Genebra, de 1923, em 
aceitar a possibilidade de o laudo arbitral ser igualado a uma sentença estrangeira. 
Clóvis Bevilaqua em 1923, sobre as condições necessárias para que o laudo 
arbitral se tornasse definitivo no direito brasileiro, aludiu à necessidade da homologação 
de tais laudos no plano interno, pois isso era necessário para a sua execução. Ademais, 
para as sentenças arbitrais estrangeiras, aduziu à necessidade de que o Poder Judiciário 
lhes imprimisse o caráter de atos de autoridade pública no exterior. Assim, poderia 
passar pelo processo de homologação no Brasil. Essa doutrina também foi seguida por 
outros juristas, como Haroldo Valladão. Assim, era voz corrente nos primeiros sessenta 
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anos do século XX, o valor de mero contrato do laudo arbitral. Foi somente com a 
evolução da teoria do direito, uma maior autonomia da vontade das partes, aliada às

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