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ADÉLIA MALHEIROS DE FREITAS GIOVANNA ALVES AVOLIO HISTÓRIA DO PAISAGISMO Teoria e História: Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo Bauru 2016 ADÉLIA MALHEIROS DE FREITAS GIOVANNA ALVES AVOLIO HISTÓRIA DO PAISAGISMO Teoria e História: Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo Trabalho sobre a História do Paisagismo para a matéria de Teoria e História: Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo 1. Conceito A palavra paisagem originou-se do latim pagus (país), com o sentido de lugar, e hoje seu conceito possui uma dimensão morfológica, podendo ser histórica - é produto da ação do homem ao longo do tempo - ou espacial - ocorre em algum lugar da superfície terrestre. Mas além disso, a paisagem é constituída de volumes, formas, cores, movimentos, sons e odores. Uma paisagem natural é aquela que não sofreu esforço humano, apenas o resultado da evolução das condições naturais (vento, ondas, chuva, etc.). Quando ocorre qualquer interferência antrópica a paisagem se torna artificial, sendo inteira, ou parcialmente produzida pelo homem. O paisagismo corresponde a duas interpretações, da arte, que consiste na planificação, na concepção e na conservação de parques e jardins, e simplesmente no que se dedica a representação de paisagem. Mas o paisagismo não corresponde apenas a configuração do homem no entorno aberto, isto é, não apenas a vegetação, mas também no mobiliário, equipamentos urbanos, em relação à água, passeio, entre outros. Os espaços livres são denominados espaços não edificados - praças, largos, parques, ruas, etc - e começaram a tomar significado na grécia atraves das ágoras (espaço público aberto da antiguidade clássica). Há muitos séculos o paisagismo é utilizado nesses espaços livres, fazendo parte de um projeto arquitetônico, mas a profissão de arquiteto paisagista só foi reconhecida recentemente (1899) nos EUA, contudo, aqui no Brasil ainda não foi institucionalizada. Esta disciplina geralmente se tem na graduação de Arquitetura e Urbanismo ou Engenharia Agronômica. Enfim, o paisagismo pode ser entendido “como um processo consciente de manejo e projeto de lugares, considerados como segmentos específicos de uma paisagem total”, MACEDO (1992). O campo de atuação do paisagista estende-se aos espaços livres de urbanização e aos espaços livres de edificação, da escala do território e da região à da cidade e do lote. Paisagem Artificial Paisagem Natural Os Jardins Um jardim é caracterizado como um lugar agradável, com harmonia, beleza, e que transmite satisfação, onde uma pessoa se sinta segura e confortável. A história dos jardins tem sua origem no oriente, com posterior difusão para o ocidente. Fatores sociais, econômicos, religiosos, em cada época influenciam na trajetória dos jardins, como a sua função, que pode ser preservativo, preservar espécies da fauna e flora, atenuante, amenizar os fatores climáticos (calor, ruídos, ventos), decorativo, contribuir para um resultado arquitetônico ou urbanístico, estrutural, no caso de taludes e cercas vivas (arbustos), recreativo, como lazer, e lucrativo, com o objetivo de valorizar uma algo economicamente. Também podem ser públicos, são aqueles cuja manutenção fica a dever da prefeitura e destinado a população, os privados, que pertencem a uma propriedade privada, ou uma comunidade, já os coletivos com o objetivo de atender as necessidades de um grupo social, geralmente institucionais (igrejas, condomínios, cemitérios). ANTIGUIDADE Pré-história Na pré-história, as ocupações primitivas já alteravam a paisagem natural, tendo em vista como algo simbólico. Mas os primeiros jardins aparecem com o surgimento da agricultura (período neolítico). Mesopotâmia Posteriormente, na mesopotâmia, especificamente na Babilônia, os jardins suspensos destacaram-se, sendo caracterizado pela hegemonia dos elementos arquitetônicos sobre os naturais, utilizavam de espécies exóticas e também possuiam um complexo sistema de bombeamento de água e irrigação, os babilônios ainda acreditavam que o sentimento religioso estava presente na arte dos jardins, onde acreditavam que dependiam da vontade dos deuses. Os persas seguiam regras básicas de maximizar os efeitos emocionais e os resultados que podem ser feitos nos jardins, eram cercados por Stonehenge, Inglaterra muros altos de tijolos, estritamente formal, era um lugar de retiro privado. Preocupações estéticas como água, luz e sombra, pavilihões e coretos era baseada sempre nos estilos determinados por eles, público ou privado, ênfase na estética ou na vegetação, entre outros aspectos. Egito As características dos jardins egípcios seguiram os mesmos princípios utilizados na arquitetura deste povo. De um modo geral, o jardim egípcio desenvolvido de acordo com a topografia do Rio Nilo, e inicialmente eram apenas pomares e hortas para sustento das famílias. Uma característica marcante desse povo é a simetria (imagem ao lado) e geometria, ainda que possuíam estilos palacianos, recreativos, religiosos e funerários, que determinavam como deviam agir dependente de sua função. O jardim regular era símbolo da fertilidade, sintetizava as forças da natureza e era a imagem de um sistema racional e arquitetural baseado no monoteísmo. Grécia Antiga O solo da Grécia nunca foi ideal para jardinagem, os jardins gregos, apesar de fortemente influenciados pelos jardins egípcios, apresentaram diferenças notáveis em razão da topografia, que em vez de ser simétrico, possuíam características mais próximas naturais. A introdução de colunas e pórticos fazia uma transição harmoniosa entre o exterior e interior e o jardim era um prolongamento das partes da casa, às quais ele se ligava. A sua principal característica era a simplicidade. Os jardins também ficaram marcados por possuir esculturas humanas e de animais mais próximas da realidade. Eram garden, Irã Jardim do Sennefer Templo de Hephaestus, Atenas Roma Antiga Inicalmente, eram apenas destinados ao cultivo, e a partir do século I d.c é que se assume como jardim propriamente dito, com função de lazer. Foram, em essência, releituras e aperfeiçoamentos dos jardins gregos. Desenvolviam-se em pequenos pátios e terraços com esculturas, fontes centrais, tanques, piscinas, termas, etc. Tecnicas como a topiaria (arte de adornar arbustos, árvores por meio de podas e cortes) fez com que os arbustos se tornassem mais um elemento escultural de grande versatilidade e essencial. Na parte externa, já eram bem maiores, e com terreno irregular na maioria das vezes, compostos por vegetação imponente. Eles eram a complementação da casa romana, com passeios e pórticos dispostos nos caminhos. Os jardins recreativos possui uma harmonia entre a natureza ordenada e a silvestre, faz uso de estátuas, além de usar a vegetação como formas expressivas. China e Japão A arte na jardinagem oriental tem sua origem numa paisagem de rara beleza e flora riquissima. Consiste em concentrar a atenção sobre o essencial, a qual toda a vegetação é valorizada em qualquer estação do ano. IDADE MÉDIA Nesta época, grande mudanças acontecem. Os jardins deixam de ser grandes atrações luxuosas e acabam ficando em áreas confinadas em claustros (parte da arquitectura religiosa de mosteiros, conventos, catedrais e abadias) e destinados ao cultivo (retorno a economia rural).Monacais Ao contrário dos romanos, esses jardins eram essencialmente funcionais, com um local Ruínas de Villa Jovis, Itália Villa Adriana, Itália Mosteiro de Alcobaça, Portugal para o cultivo, para as flores, áreas gramadas e com arbustos, e se localizavam nos claustros dos mosteiros. Mouriscos Esses jardins eram composições livres de regras, orgânicas ou geométricas, chamados “jardins da sensibilidade” que se caracterizavam pela água, cor e perfume, com os objetivos de sedução e encantamento. A água é um elemento essencial deste estilo, e empregavam fontes que contribuíam para o sistema hidráulico (irrigação) e para amenizar o calor, além de ornamentação. Outro elemento desse jardim é o uso de azulejos e cerâmica. Se encontram em grandes palácios e/ou castelos. RENASCIMENTO A medida que os jardins desaparecem da paisagem urbana e passam a ficar entre muros, por sua vez surgem as praças, ganhando seu espaço e se tornando cada vez mais importante. Piazza del Anfiteatro, Itália A partir do século XVI as praças e jardins começam a ter mais importância no espaço urbano, adquirindo valor estético e urbano, principalmente na Itália, França e Inglaterra, onde se transformaram em elementos essenciais de composição da cidade renascentista e barroca. Palácio de Generalife, Espanha Jardim Italiano Com inspiração dos jardins romanos, a água volta a ser um dos elementos principais, trabalha o terreno original com escadarias e terraços acompanhados de corredeiras de água. Eram tidos como centros de retiro intelectual, a paisagem possuía simetria e também havia muito contrastes entre as formas naturais e as criadas pelo homem. A união até a casa era feita através de galerias externas e prolongamentos arquitetônicos, completando-se. Jardim Francês Influência medieval, porém, novas ideias foram incluídas por novos arquitetos italianos que trabalhavam na corte francesa, em termos de canteiros tem semelhança com o jardim italiano, contudo, sem o exagero de estatuas e fonte, no francês a vegetação fica em primeiro plano. Os principais jardins foram construídos pelo famoso arquiteto/paisagista de Luiz XIV, André Le Notrê. Sua obra mais marcante foi o jardim do Palácio de Versalhes. Jardim Inglês O estilo francês entra em decadência devido a busca pela perfeição e simetria. Daí em diante, os jardins começaram a ter uma relação mais forte com a própria vegetação natural. Com essas ideias do jardim chinês tido como “jardins paisagísticos” que suas características como a irregularidade e a falta de simetria nos caminhos, que passam a ser planejados com maior liberdade, o objetivo era a valorização do natural e a minimização dos elementos arquitetônicos. Villa Lante Itália Palácio de Versalhes, França Stourhead, Inglaterra Jardim Holandês O jardim holandês sofreu influências francesas e italianas, mas com o hábito de plantas bulbosas (caule subterrâneo) e o gosto pelas cores, os jardins acabam criando sua própria identidade. Há a presença de fontes, arbustos, porém, as flores têm o papel principal no contexto. http://blog.sc.senac.br/jardins-de-diferentes-estilos-transformam-natureza-em-arte/ http://www.jardimdeflores.com.br/paisagismo/a05daniel.htm http://www.ceap.br/material/MAT13022014153207.pdf