CONFLITO APARENTE DE NORMAS
6 pág.

CONFLITO APARENTE DE NORMAS


DisciplinaDireito Penal I69.055 materiais1.128.325 seguidores
Pré-visualização3 páginas
CONFLITO APARENTE DE NORMAS
Iniciar a aula perguntando: Sujeito é preso com 1 quilo de cocaína, trazida do exterior, praticou o crime de tráfico de drogas, porte de drogas ou contrabando? Isto é o conflito aparente de leis penais
Ex. atual de contrabando é trazer para o país máquina de caça níqueis.
Conceito: é o conflito que se estabelece entre duas ou mais normas aparentemente aplicáveis ao mesmo fato. Há conflito porque mais de uma norma pretende regular o fato, mas aparente, porque efetivamente somente uma delas acaba sendo aplicada à hipótese.
Ocorre quando dois ou mais artigos de lei são aparentemente aplicáveis a mesma infração penal.
Elementos:
unidade do fato (há somente uma infração penal);
pluralidade de normas (duas ou mais normas pretendendo regula-lo);
aparente aplicação de todas à espécie (a incidência de todas é apenas aparente);
efetiva aplicação de apenas uma delas (somente uma é aplicável).
Solução do conflito aparente de normas: como dissemos há pouco, o conflito que se estabelece entre as normas é apenas aparente porque, na realidade, somente uma delas acaba regulamentando o fato, ficando afastada as demais. A solução se dá ela aplicação de alguns princípios, os quais, ao mesmo tempo em que afastam as normas não incidentes, apontam aquela que realmente regulamenta o caso concreto. Esses princípios são chamados de \u201cprincípios que solucionam o conflito aparente de normas\u201d.
Princípios que solucionam o conflito aparente de normas:
especialidade;
subsidiariedade;
consunção;
alternatividade.
ESPECIALIDADE:
Conceito de norma especial: especial é a norma que possui todos os elementos da geral e mais alguns, denominados especializantes, que trazem um minus ou um plus de severidade.
Está disposto no art. 12 do CPB.
Lei especial afasta lei geral. 
Consequência: a lei especial prevalece sobre a geral. Afasta-se, dessa forma, o bis in idem, pois o comportamento do sujeito só é enquadrado na norma incriminadora especial, embora também estivesse descrito na geral.
Comparação: para se saber qual norma é geral e qual é especial, não é preciso analisar o fato concreto praticado, sendo suficiente que se compare abstratamente as descrições contidas nos tipos penais. Na arguta observação de Damásio \u201c... o princípio da especialidade possui uma característica que o distingue das demais: a prevalência da norma especial sobre a geral se estabelece in abstrato pela comparação das definições abstratas contidas nas normas, enquanto os outros, exigem um confronto em concreto das leis que descrevem o mesmo fato\u201d. Outro dado de relevo é o de que a comparação entre as leis não se faz da mais grave para a menos grave, nem da mais completa para a menos completa. A norma especial pode descrever tanto um crime mais leve, quanto mais grave. Não é uma relação de parte a todo, de conteúdo para continente, de menos para mais amplo. É simplesmente, de geral para especial, como se tivéssemos duas caixas diferenciadas uma da outra apenas por um laço ou enfeite especializaste. A norma especial não é necessariamente mais grave ou mais ampla que a geral, ela é apenas especial.
Exemplo: a norma do art. 123 do CP, que trata do Infanticídio, prevalece sobre a do art. 121, que cuida do homicídio, porque possui, além dos elementos genéricos deste último, os seguintes elementos especializastes: \u201cpróprio filho\u201d, \u201cdurante o parto ou logo após\u201d e \u201csob influência do estado puerperal\u201d. O infanticídio nem é mais completo e nem mais grave, ao contrário, é bem mais brando que o homicídio.
Exemplo 2: na conduta de importar cocaína, aparentemente duas normas se aplicam: a do art. 334 do CP, definindo o delito de contrabando (IMPORTAR MERCADORIA PROIBIDA)e a do art. 12, caput da Lei nº 6368/76 (LAT) (importação de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica). O tipo incriminador previsto na LAT, é especial em relação ao contrabando. Assim, a importação de qualquer mercadoria proibida configura o delito de contrabando, mas, se essa mercadoria for substância psicotrópica, esse elemento especializam-te afastará a incidência do art. 334 do CP.
SUBSIDIARIEDADE
-Conceito de norma subsidiária: é a norma que descreve um grau menor de violação de um mesmo bem jurídico, isto é, um fato menos amplo e menos grave, o qual, embora definido como delito autônomo, encontra-se também compreendido em outro tipo como fase normal de execução de crime mais grave. Define, portanto, como delito independente conduta que funciona como parte de um crime maior.
Quando por qualquer motivo, não for possível a aplicação do tipo principal, aplica-se o delito subsidiário como SOLDADO DE RESERVA.
-Dessa forma, se for cometido o fato mais amplo, duas normas aparentemente incidirão: aquela que define esse fato, e a outra que descreve apenas uma parte ou fase dele. A norma que descreve o \u201ctodo\u201d, isto é, o fato mais abrangente, é conhecida como primária e, por força do princípio da subsidiariedade, absorverá a menos ampla, que é a norma subsidiária, justamente porque esta última cabe dentro dela.
Consequência: a norma primária prevalece sobre a subsidiária, que passa a funcionar como um soldado de reserva. Tenta-se aplicar a norma primária e, somente quando isso não se ajustar ao fato concreto, recorre-se a subsidiariedade à norma menos ampla.
Exemplo: o agente efetua disparo de arma de fogo, sem, no entanto, atingir a vítima. Aparentemente três normas são aplicáveis. 1) Disparo de Arma de fogo no estatuto do desarmamento, art. 132 do CP e art. 121 c.c. art. 14 II do CP. O último tipo definidor da tentativa de homicídio descreve um fato mais amplo e mais grave, dentro da qual cabem os dois primeiros. Assim, se ficar comprovada a intenção de matar, aplica-se a norma primária, qual seja, a tentativa branca de homicídio; não demonstrada a vontade de matar, se a conduta foi dirigida contra vítima determinada com a mera intenção de exposição a perigo, incide subsidiariamente a norma do art. 132, pois a exposição da vida a perigo está compreendida dentro da tentativa de homicídio; finalmente, se ficar provado que os disparos foram feitos a esmo, estará tipificado o Estatuto do desarmamento, disparo de arma de fogo. Note-se que é impossível saber qual a norma reguladora do fato sem análise do mesmo. 
EXEMPLO: Você chega em sua casa, e vê um sujeito dentro da sua casa, com a intenção de furtar sua TV , está a dois passos do seu televisor tela plana. Ocorreu a tentativa de furto? Ele já deu início ao verbo núcleo do tipo? Não, portanto não ocorreu a tentativa de furto. Ele vai ficar impune? Neste caso ele vai responder pelo Art. 150. Violação de Domicílio.
Espécie:
Expressa: a própria norma reconhece expressamente seu caráter subsidiário, admitindo incidir somente se não ficar caracterizado fato de maio gravidade. Ex. art. 132 \u201c..se o fato não constitui crime mais grave\u201d;
Tácita: a norma nada diz, mas, diante do caso concreto, verifica-se sua subsidiariedade. P. ex.157 sobre o art. 146.
CONSUNÇÃO: 
Conceito: é o princípio segundo o qual um fato mais amplo e mais grave consome, isto é, absorve outros fatos menos amplos e graves, que funcionam como fase normal de preparação ou execução, ou como mero exaurimento. 
Costuma-se dizer: \u201c o peixão (fato mais abrangente) engole os peixinhos (fato que integra aquela como sua parte)\u201d.
Hipóteses em que se verifica a consunção:
1ª) Crime progressivo: ocorre quando o agente, objetivando, desde o início, produzir o resultado mais grave, pratica, por meio de atos sucessivos, crescentes violações ao bem jurídico. Há uma única vontade, mas compreendida por diversos atos. Ex. o homem revoltado porque sua esposa lhe serviu sopa fria, após um longo e cansativo dia de trabalho, o marido arma-se de um pedaço de pau e, desde logo, decidido a cometer o homicídio (uma única vontade), desfere inúmeros golpes contra a cabeça de sua esposa, até matá-la;
2ª) crime complexo: é o que resulta da fusão de dois ou mais crimes autônomos, que passam a funcionar como elementar ou