TEORIA CLÁSSICA DA CRIMINOLOGIA SLIDE

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ESCOLA CLÁSSICA DA CRIMINOLOGIA
Profa: Juliana Zavierucha
Disciplina: Criminologia
     O INÍCIO DA ERA CLÁSSICA
Em 1764, O Marquês de Beccaria teve a ousadia de enfrentar os costumes penais da época, publicando uma obra clássica e de leitura obrigatória para todos que se interessam pelas ciências criminais. "Dos delitos e das penas", que consagrou princípios existentes até hoje, apresentando as primeiras ideias de um direito penal que valorizasse e respeitasse a pessoa humana. Este livro veio num momento de grande revolta estatal à inquisição e a revolta das pessoas de serem punidas (mortas) publicamente.
   O autor traz em sua obra alguns princípios de uma grande importância: a proporcionalidade das penas (segundo o mesmo, as penas deveriam ser proporcionais ao delito); a necessidade de que as leis fossem elaboradas pelo poder legislativo e que houvesse outro poder para aplicação das leis (o judiciário), o juiz deveria aplicar a pena  ao caso concreto, sem fazer nenhuma interpretação (nos dias de hoje sabemos que isso não é aplicado); fim das penas de morte.

    O HOMEM E A SOCIEDADE
O homem é um ser que vive em sociedade e não pode viver sem ser em grupo; e onde houver um grupo humano existe uma série de normas que, de maneira formalizada ou não, organizam as relações entre os seus componentes. Deste modo, a existência do crime como infração de normas, a preocupação em combater o crime com regras, limites foi perdendo a eficácia. A reflexão sistemática do crime é recente: a doutrina contemporânea tem suas bases teóricas na teoria clássica e na teoria positivista.
                  Breve história
A criminologia originou-se no século XVIII com caráter pré-científico, método dedutivo,sendo Cesare Beccaria (1983) o maior mentor. Para teoria clássica, o criminoso era um indivíduo normal, que tinha o seu livre arbítrio para conviver em sociedade, mas, ao praticar o delito, quebrava o contrato social autorizado pela comunidade que na época, devendo, portanto, tal indivíduo, ser expurgado  no meio em que vivia. A visão da Teoria Clássica, portanto, é focar o crime (em especial os crimes contra o patrimônio) e não o criminoso.
  A punição como forma de castigo
A punição  para teoria clássica traz a aplicação da pena ao criminoso como forma de castigo. Com o advento do que se convencionou denominar “Escola Clássica” da criminologia, através da obra de Cesare Beccaria  e de outros filósofos, que defendiam a tese de que a origem do crime estava na sociedade e em seus valores e desvios e não no indivíduo infrator.

     A PENA NA VISÃO CLÁSSICA
A pena é o meio de se evitar o caos social, servindo de exemplo à sociedade, de forma que outros não busquem este caminho. Beccaria, precursor da Teoria Clássica, apresenta em seu livro: Do Delito e das Penas, algumas ideias básicas sobre o contexto do crime, das leis penais, da punição, entre outros apontamentos, sendo tais ideias o berço da Criminologia.

As características da pena na escola clássica
A pena deve ter caráter retributivo (baseia-se na compensação da culpabilidade do autor mediante a imposição de outro mal (desejado e buscado pelo agente). 
Atua como castigo ao delinquente, atendo-se apenas a expectativa do Estado, desprezando qualquer consideração em relação às expectativas do infrator, vítima ou comunidade.
O criminoso (ou acusado) deve conhecer exatamente os limites do crime e da pena que praticou. Porque o delinquente era visto como uma pessoa normal, que sabia o que era certo e errado e tinha e o livre arbítrio de escolha.

Deve existir proporcionalidade entre a pena aplicada e o crime cometido.

O processo e punição do criminoso devem ocorrer em tempo ágil, tornando mais eficaz a punição.

O crime tentado deve ter sua pena abrandada em relação ao crime consumado
O delator deve ser punido com banimento e não ficar isento de pena (como ocorria na época).

A tortura não é método eficaz para se obter a confissão, pois aquele que for mais fraco sempre tenderá a se tornar o culpado, e o mais forte, ainda que culpado, por suportar mais a tortura, pode sair sem ser punido.
A pena de morte não é meio eficaz de punição, pois, além de ser quase uma redenção ao criminoso, é valor não acatado pelo senso geral da sociedade. A prisão perpétua acaba sendo mais eficaz, servindo o criminoso, por longa data, de exemplo para a sociedade.

Deve existir igualdade civil entre as penas aplicadas aos indivíduos, ou seja, a elite e o miserável devem receber a mesma punição para o mesmo delito praticado.

Por fim, ainda que a obra de Beccaria tenha trazido grandes avanços para a formação da Criminologia enquanto ciência, o autor não estava livre de suas próprias origens, como Marquês, ou seja, fazia parte da elite e que tinha como preocupação salvaguardar o patrimônio.
 

As ideias da Escola Clássica tiveram e têm uma forte influência no pensamento criminal  e insiste no  fato do criminoso ser um indivíduo racional, capaz de fazer suas escolhas, sabedor do que é ‘’certo e errado’’. Defende uma metodologia lógico-dedutiva sem dados empíricos que a sustentem e, apesar de tudo destaca o papel das penas e da Polícia no controlo e prevenção do crime. 
FRASES E PENSAMENTOS DE BECCARIA
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Quanto mais a pena for rápida e próxima do delito, tanto mais justa e útil ela será.
                                          Cesare Beccaria

Não é a intensidade da pena que produz o maior efeito sobre o espírito humano, mas a extensão dela.
                                           Cesare Beccaria


Cada cidadão deve ter a convicção de poder fazer tudo o que não contraria as leis, sem temer outro inconveniente além daquele que pode resultar da ação da mesma.
                                         Cesare Beccaria