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O que é ética   aulão 2016.02

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vigente é que estava errada, a moral é que era estúpida. A partir da sua reflexão ética a respeito, Rosa pôde deliberada e publicamente desobedecer àquela regra moral.
Entretanto, é comum confundir os termos: ética e moral, como se fossem a mesma coisa. Muitas vezes se confunde ética com espírito de corpo, que tem tudo a ver com moral, mas nada com ética. Um médico seguiria a “ética” da sua profissão se, por exemplo, não “dedurasse” um colega que cometesse um erro grave e assim matasse um paciente. Um soldado seguiria a “ética” da sua profissão se, por exemplo, não “dedurasse” um colega que torturasse o inimigo. Nesses casos, o tal do espírito de corpo tem nada a ver com ética e tudo a ver com cumplicidade no erro ou no crime.
Há que proceder eticamente, como o fez o profeta Maomé: não seguir as regras morais sem pensar, só porque são regras, e sim pensar sobre elas para encontrar a atitude e a palavra mais decente, segundo o seu próprio julgamento. (Referência: http://www.revista.vestibular.uerj.brseq_coluna=68 Coluna de Gustavo Bernardo Ano 4, n. 12, 2011. Acesso 01 de agosto 2014.)
II – Construção do Sujeito Moral
 Liberdade X Obrigação 
Na Tradição filosófica que assentia a referencia de um Absoluto metafísico a liberdade absoluta é um absurdo, pois gera uma massificação, mesmo que se pense tê-la, em última a instancia se relaciona com as condições para que tal estado venha a acontecer, por exemplo: “quero viajar”, dependerá não apenas do querer mas dos “meios” de transporte. O que existe é uma liberdade relativa (não relativista), pois mede as consequências que sua ação em si mesmo, mas principalmente para os demais. 
Leia a seguinte reportagem do dia 26 de março de 2015:
Piloto de avião gritou ao copiloto para que abrisse 'maldita porta', diz jornal
O piloto do avião que caiu nos Alpes franceses pediu aos gritos para que o copiloto, que teria derrubado intencionalmente a aeronave, que abrisse "a maldita porta" enquanto tentava derrubá-la, mostraram as gravações da primeira-caixa preta encontrada.
Quando o copiloto, Andreas Lubitz, já teria acionado o sistema de descida, e os controladores aéreos franceses tinham tentado às 10h32 contatar sem sucesso o avião, a gravação registra o sinal de alarme automática de perda de altura, revelou neste domingo (29) o jornal "Bild".
Imediatamente depois se ouve um forte golpe, como se alguém tentasse abrir com um chute a porta da cabine, e a voz do capitão, Patrick Sondenheimer, gritando: "Pelo amor de deus, abre a porta!".
Ao fundo é possível ouvir os gritos dos passageiros.
Às 10h35, quando o avião ainda estava a sete mil metros de altura, a gravação registrou "ruídos metálicos fortes contra a porta da cabina" como se ela estivesse sendo golpeada.
90 segundos depois, a cinco mil metros de altura, um novo alarme é ativado, e é possível ouvir o piloto gritar: "Abra essa maldita porta!".
Às 10h38, ainda a cerca de quatro mil metros de altura, é possível ouvir a respiração do copiloto, que não diz nada.
Às 10h40, o aparelho toca a montanha com a asa direita e de novo são ouvidos gritos dos passageiros, os últimos sons registrados pela caixa-preta.
A hora e meia de gravação resgatada revelou também como o capitão, às 10h27 e a 11.600 metros de altura pede ao copiloto que comece a preparar a aterrissagem em Düsseldorf e ele responde, entre outras palavras, com um "tomara" e um "vamos a ver".
Em entrevista coletiva na quinta-feira, quando foi comunicado que as gravações permitem concluir que o copiloto derrubou intencionalmente a aeronave, que levava 150 pessoas a bordo, o promotor de Marselha qualificou as respostas do copiloto a seu comandante de "lacônicas".
Após decolar com atraso de Barcelona, o comandante tinha explicado ao copiloto, entre outras coisas, que não tinha tido tempo de ir ao banheiro, e Lubitz ofereceu assumir o comando da aeronave em qualquer momento.
Depois do controle para preparar a aterrissagem o copiloto volta a oferecer ao comandante assumir o comando para que ele possa ir ao banheiro.
Dois minutos mais tarde, Sondenheimer diz: "Pode assumir o comando".
Então é ouvido o barulho de uma cadeira e da porta se fechando.
Exatamente às 10h29 o radar registrou a primeira diminuição de altitude do avião.
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/03/piloto-de-aviao-gritou-ao-copiloto-para-que-abrisse-maldita-porta-diz-jornal.html
É possível comparar com a metáfora platônica do Anel de Giges:
Giges era um pastor que morava na região da Lídia. Após uma tempestade, seguida de um tremor de terra, o chão se abriu e formou uma larga cratera onde ele apascentava seu rebanho.
 Surpreso e curioso, o pastor desceu até a cratera e descobriu, entre outras coisas, um cavalo de bronze, cheio de buracos através dos quais enfiou a cabeça e viu um grande homem nu que parecia estar morto.
 Ao avistar um belo anel de ouro na mão do morto, Giges o tirou e tratou de fugir logo dali. Mais tarde, reunindo-se com os outros pastores para fazer o relatório mensal dos rebanhos ao rei, Giges usou o anel.
 Após tomar seu lugar entre os pastores na Assembleia, ele girou por acaso o engaste do anel para o interior da mão e imediatamente tornou-se invisível para os demais presentes.
 E foi assim, totalmente invisível, que Giges ouviu os colegas o mencionarem como se ele não estivesse ali. Mexeu novamente o engaste do anel para fora da mão e tornou a ficar visível. Admirado com a descoberta desse poder, Giges repetiu a experiência para confirmar a magia. Seguro de si, sem titubear, ele dirigiu-se ao palácio, seduziu a rainha, matou o rei a apoderou-se do trono.
(Adaptado de: Platão - A República: 359b - 360ª)
A obrigação, ou poderíamos dizer a responsabilidade moral, parece estar em desacordo com o nosso agir livre, pois se não houvesse nenhum tipo de punição poderíamos agir livremente. Neste ponto precisamos aprofundar o que entendemos sobre nossas obrigações, e, principalmente sobre liberdade. O senso comum diz agir contra a obrigação para defender seu direito de agir com total liberdade individual. 
Do Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano o verbete:
LIBERDADE (gr. èteu6epía; lat. Libertas; in. Freedom, Liberty; fr. Liberte; ai. Freiheit; it. Liberta). Esse termo tem três significados fundamentais, correspondentes a três concepções que se sobrepuseram ao longo de sua história e que podem ser caracterizadas da seguinte maneira: l1 L. como autodeterminação ou autocausalidade, segundo a qual a L. é ausência de condições e de limites; 2a L. como necessidade, que se baseia no mesmo conceito da precedente, a autodeterminação, mas atribuindo-a à totalidade a que o homem pertence (Mundo, Substância, Estado); 3a L. como possibilidade ou escolha, segundo a qual a L. é limitada e condicionada, isto é, fínita. Não constituem conceitos diferentes as formas que a L. assume nos vários campos, como p. ex. L. metafísica, L. moral, L. política, L. econômica, etc. As disputas metafísicas, morais, políticas, econômicas, etc, em torno da L. são dominadas pelos três conceitos em questão, aos quais, portanto, podem ser remetidas as formas específicas de L. sobre as quais essas disputas versam.
 Para a primeira concepção, de L. absoluta, incondicional e, portanto, sem limitações nem graus, é livre aquilo que é causa de si mesmo. Sua primeira expressão encontra-se em Aristóteles. Embora a análise aristotélica do voluntarismo das ações pareça recorrer ao conceito da L. fínita, a definição de voluntário é a mesma de L. infinita: voluntário é aquilo que é "princípio de si mesmo". Aristóteles começa afirmando que a virtude e o vício dependem de nós; e prossegue: "Nas coisas em que a ação depende de nós a não-ação também depende; e nas coisas em que podemos dizer não também podemos dizer sim. De tal forma que, se realizar uma boa ação depende de nós, também dependerá de nós não realizar má ação" (Et. nic, III, 5, 1113 b 10). Isso já fora dito por Platão . Mas para Aristóteles significa que "o homem é o princípio