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Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 0 
 
Catarina Rodrigues 
3º. Ano 2º. Semestre 
 Mestrado Integrado em Medicina Dentária 
SEBENTA DE ENDODONTIA I 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 1 
 
 
Índice 
Aula 1 – Conceitos gerais de Endodontia ..................................................................................... 2 
Aula 2 – Anatomia canalar e morfologia dentária ........................................................................ 6 
Aula 3 – Cavidades de acesso para o tratamento endodôntico .................................................... 11 
Aula 4 – Preparação biomecânica dos canais radiculares – parte 1 ............................................ 16 
Aula 5 – Preparação biomecânica dos canais radiculares – parte 2 ............................................ 20 
Aula 6 – Obturação dos canais radiculares ................................................................................. 22 
Aula 7 – Fundamentos e principais erros de obturação ............................................................... 26 
Aula 8 – Soluções irrigantes em Endodontia .............................................................................. 29 
Aula 9 – Isolamento absoluto em Endodontia............................................................................. 33 
Aula 10 – Radiologia em Endodontia – parte 1 .......................................................................... 37 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 2 
 
 
Aula 1 – Conceitos gerais de Endodontia 
 
A Endodontia é um ramo da Medicina Dentária que estuda a morfologia, fisiologia e 
patologia da polpa dentária e tecidos perirradiculares. O seu estudo abrange, também, a 
biologia da polpa normal e a etiologia, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento de 
doenças e lesões da polpa e tecidos perirradiculares associados. 
 
O tratamento endodôntico não cirúrgico (TENC) consiste em remover a polpa dentária 
(que se encontra inflamada irreversivelmente ou necrosada) do interior dos canais 
radiculares dos dentes. 
 
A alteração da polpa dentária tem como principal factor um estímulo externo. O principal 
estímulo externo que afeta a polpa é a presença de bactérias, associadas à cárie dentária, 
mas pode ser também uma queda ou um trauma, que criam problemas radiculares e, 
consequentemente, pulpares. 
 
A polpa é formada por fibras, sendo elas as fibras Aδ e C. Quando há destruição de fibras 
(seja em grande ou pequeno número), as principais funções da polpa – sensibilidade, 
nutrição, proteção – são afetadas e a polpa deixa de ser viável, havendo necessidade de 
tratamento endodôntico. 
 
De um modo geral, as situações que requerem tratamento endodôntico são: 
ƒ Lesão pulpar em fase de transição (sem resposta aos testes térmicos durante o 
“tratamento de espera”); 
ƒ Lesão pulpar irreversível (sintomática e assintomática); 
ƒ Necrose pulpar, com ou sem lesão perirradicular; 
ƒ Indicação protética (dentes pilares); 
ƒ Dentes com tratamentos fracassados (RTENC); 
ƒ Dentes cujo ápice está implicado em cirurgia; 
 
O diagnóstico é fulcral no momento de decidir realizar, ou não, um tratamento 
endodôntico. Este é maioritariamente realizado através de: 
ƒ Radiografias (preferencialmente as periapicais); 
ƒ Percussão; 
ƒ Sensibilidade (aplicar uma fonte de frio ou calor e verificar se o paciente sente 
esse estímulo); 
No entanto, pode-se ter um teste de sensibilidade positivo, por exemplo, e não ser 
necessário realizar o TENC, dado que ainda não houve destruição de fibras pulpares (a 
sensibilidade dolorosa é causada pelo aumento do volume da polpa, que, ao estar 
inflamada, vai estar mais pressionada contra a parede da câmara pulpar e, 
consequentemente, mais próxima do estímulo). Nestes casos, basta remover o factor 
causal (por exemplo, a cárie) e “tapar” os túbulos dentinários para cessar a dor. 
 
 
 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 3 
 
É também necessário, para um bom diagnóstico: 
ƒ Construção da história médica: 
□ Problemas de saúde do paciente (cardíacos, respiratórios, metabólicos, 
imunológicos, entre outros, que possam condicionar a nossa forma de 
atuação); 
□ Antecedentes patológicos (AVC ou EAM, por exemplo); 
ƒ Queixa principal do doente: 
□ Início da queixa; 
□ Se há dor e, se sim, qual a característica da mesma; 
ƒ História dentária: 
□ Extração recente de dentes; 
□ Tratamentos endodônticos; 
□ Tratamentos protéticos ou restauradores; 
ƒ Exame clínico: 
□ Examinação da cavidade oral do paciente; 
ƒ Exame radiográfico: 
□ Inicialmente, realizar OPG; 
□ Em caso de dúvidas em alguma(s) peça(s) dentária(s), realizar raio- X 
periapical; 
ƒ Exames complementares de diagnóstico: 
□ Testes de sensibilidade ao quente e ao frio; 
□ Testes de percussão; 
 
Após ser decidido que é necessário recorrer ao TENC, realiza-se a seguinte sequência 
(bastante resumida): 
ƒ Cavidade de acesso – permite aceder ao sistema de canais radiculares. 
□ A forma da cavidade varia de acordo com o dente em questão (devido às 
diferenças anatómicas internas entre dentes). 
□ O acesso deve ser realizado no ponto de eleição do dente – ponto onde se 
inicia o acesso –, colocando, primeiramente, uma broca esférica, com 
movimentos de entrada/saída, até perfurar o teto da câmara pulpar (há uma 
sensação de queda – deve-se ao facto da dentina e da câmara pulpar terem 
densidades diferentes). 
□ Posteriormente, com uma broca endo-Z, remove-se a totalidade do teto da 
câmara pulpar. Esta broca apenas tem capacidade de corte na sua lateral, 
diminuindo o risco de perfurações na zona de furca, e dando a forma final 
da cavidade de acesso. 
ƒ Pré-exploração do canal – permite saber como é, internamente, a anatomia 
radicular do dente. 
□ Realiza-se uma radiografia inicial, que auxilia na determinação do 
comprimento médio de cada dente e, eventualmente, a forma da raíz do 
dente. 
□ Pode, também, usar-se aparelhos eletrónicos próprios, que calculam o 
comprimento autonomamente. 
ƒ Exploração do canal – realiza-se com limas manuais de pequeno calibre (K10 ou 
K15), para haver a perceção da anatomia e forma do canal radicular. 
ƒ Instrumentação do canal – permite a remoção de todo o tecido interno (dentinário 
e pulpar) contaminado, bem como a remoção parcial de bactérias. 
□ É de extrema importância dar uma correta forma ao sistema de canais, de 
modo a que os desinfetantes consigam penetrar corretamente. 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 4 
 
□ A forma desejada é uma forma cónica (maior na zona coronária e menor 
na zona apical – forma de funil), pois é a forma que permite a chegada de 
maior volume de desinfetante aos canais. 
□ Os “canais de origem” já têm uma forma cónica, mas é necessário alargar 
mais, para a correta irrigação. 
□ São utilizadas as limas K1, em sequências específicas, mediante a fase do 
tratamento, alternadas com os irrigantes desinfetantes (bacterícidas e 
bacterioestáticos).2 
ƒ Obturação do canal – consiste em preencher os canais, de modo a que não haja 
recontaminação bacteriana. 
□ Coloca-se material no canal, que auxilia a manter as condições de 
desinfeção anteriormente adquiridas. 
□ Permite selar as vias de comunicação (coroa, fórame apical, canais 
laterais, túbulos dentinário, etc.) com o interior do dente. 
□ Utilizam-se cones de gutta-percha (principal e secundários), que têm 
várias medidas, de acordo com o comprimento do canal. 
□ Para unir os cones de gutta-percha e preencher os espaços entre eles, usam-
se cimentos. 
ƒ Radiografia final – permite verificar se a instrumentação e obturação foram 
corretamente realizadas. 
□ Verifica-se a forma cónica do canal e o seu selamentotridimensional. 
ƒ Restauração da coroa – aumenta a resistência do dente às forças mastigatórias e 
evita a recontaminação por via coronária. Por melhor que seja o tratamento 
endodôntico, se não houver uma correta restauração, todo o tratamento fracassa. 
□ Pode ser realizada a compósito, amálgama, coroas em cerâmica, entre 
outros. 
 
1Nota – a diferença entre as limas K e as limas H é a secção de corte (forma das espiras 
da lima). Para instrumentar e trabalhar, apenas se utilizam as limas K; Para realizar um 
retratamento (RTENC) – TENC inicial falhado – utilizam-se as limas H, para remover o 
material obturador. 
2Nota – no caso de não ser possível realizar o tratamento numa única sessão, há 
necessidade de administrar medicação intracanalar – normalmente o hidróxido de cálcio 
– que vai atuar por contacto. Esta medicação vai destruir algumas bactérias (bacterícida) 
e impedir que as bactérias remanescentes proliferem (bacterioestático), permitindo a 
continuação do tratamento na sessão seguinte, sem necessidade de realizar novamente os 
passos já efetuados. 
 
Todo o tratamento endodôntico requer anestesia, de modo a diminuir a dor e desconforto 
do paciente – a dor de dentes é considerada, pela OMD, a 2ª dor mais forte que um 
paciente pode sentir. 
Nota – rever anestesiologia de Cirurgia Oral I. 
 
O instrumental utilizado durante o TENC é: 
ƒ Material de isolamento absoluto: 
□ Dique de borracha; 
□ Perfurador de Ainsworth; 
□ Porta-dique; 
□ Grampos e pinça porta-grampos; 
□ Etc; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 5 
 
ƒ Material anestésico: 
□ Anestubos; 
□ Agulhas; 
□ Seringa anestésica; 
ƒ Instrumentos de alta e baixa rotação: 
□ Turbina – alta rotação – cavidades de acesso; 
□ Contra-ângulo – baixa rotação – remoção de tecido cariado; 
ƒ Brocas: 
□ Esféricas – para perfuração do teto da câmara pulpar; 
□ Endo-Z – para cortar lateralmente e alargar o teto da câmara; 
□ Endo-Access – corta lateralmente e em profundidade (mais perigosas, por 
ter grande capacidade de corte); 
ƒ Espelho e sonda: 
□ A sonda endodôntica tem de ser reta e pontiaguda, de forma a verificar a 
localização do canal; 
ƒ Irrigação: 
□ Agulhas: 
ƒ de saída lateral (mais usada e mais segura – previne os chamados 
“acidentes de hipoclorito”, uma vez que o irrigante não sai em 
direção ao fórame apical, mas sim em direção às paredes, fazendo 
refluxo); 
ƒ múltiplas saídas; 
ƒ saída na ponta; 
□ Seringas: 
ƒ mais usadas com hipoclorito de sódio (desinfetante e faz 
dissolução dos tecidos); 
ƒ Limas1: 
□ K: 
ƒ têm várias cores, mediante o seu tamanho (branca, amarela, 
vermelha, azul, verde e preta); 
ƒ No fim da sua ponta ativa, cada lima tem o diâmetro designado no 
cabo – por exemplo, a K15 tem 0,15mm; 
ƒ são quadradas, cortando em 4 pontos; 
ƒ a parte ativa, que possui espiras, tem sempre 16mm; 
ƒ têm, também, sempre 2% de conicidade – a cada mílimetro que 
percorremos em direção ao cabo da lima, esta aumenta 0.02mm de 
diâmetro; 
ƒ podem ser de 25mm ou de 31mm, dependendo do comprimento da 
sua parte inativa (entre o cabo e as espiras); 
□ H: 
ƒ utilizadas em retratamentos, para remover gutta-percha; 
ƒ Régua endodôntica: 
□ Medir as limas; 
□ Calibrar os cones de gutta-percha; 
□ Medir as radiografias; 
ƒ Pontas de papel: 
□ Servem para secar os canais, após a irrigação final; 
ƒ Material de obturação: 
□ Cones de gutta-percha: 
ƒ principais; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 6 
 
ƒ acessórios; 
□ Cimentos de obturação; 
□ Spreader – condensador digital; 
□ Condensador vertical; 
□ Instrumento de bola (a quente) – para cortar a gutta-percha na entrada dos 
canais; 
 
1Nota – sempre que verificarmos alterações nas espiras, devemos descartar a lima, pois o 
risco de esta fraturar é muito grande. 
Aula 2 – Anatomia canalar e morfologia dentária 
 
Para estudar a anatomia canalar e a morfologia dentária, antes de realizar o TENC, 
recorre-se a uma radiografia inicial, que fornece informações sobre o comprimento do 
dente e o seu número de raízes. No entanto, não indica o número de canais radiculares. 
 
O dente tem como constituintes: 
ƒ Coroa clínica – corresponde à parte visível da coroa e vai até à junção 
amelocementária (JAC), englobando,ainda, a entrada da câmara pulpar. É medida 
desde a ponta da cúspide do dente até à entrada da câmara pulpar. 
ƒ Coroa radicular – corresponde à parte da coroa que não é visível e vai até à junção 
amelodentinária (JAD). Nos pacientes com recessão gengival, há exposição da 
coroa radicular. 
ƒ Cavidade pulpar – é constituída pela câmara pulpar e pela polpa radicular (sistema 
de canais radiculares). 
ƒ Câmara pulpar – é delimitada superiormente pelo teto pulpar – que apresenta 
cornos pulpares (zonas mais altas do que o teto, mais frequentes em 
multicanalares) – e pelo solo pulpar1 – que coincide com a zona de furca e com a 
entrada dos canais radiculares. 
ƒ Polpa – divide-se em: 
□ Terço cervical – terço mais próximo da coroa clínica. 
□ Terço médio. 
□ Terço apical – terço mais próximo dos tecidos periapicais. 
ƒ Raíz – divide-se da mesma forma da polpa: 
□ Terço coronal. 
□ Terço médio. 
□ Terço apical – local com maior variabilidade anatómica do dente (o 
incisivo lateral superior e o canino superior são dentes com maior 
inclinação distal típica). 
ƒ Fórame apical2 – é a zona mais apical da raíz, onde os tecidos pulpares contactam 
com os tecidos periapicais, situado entre a cavidade pulpar e os tecidos 
periapicais. 
 
1Nota – nos dentes monocanalares, o solo pulpar não existe, pois corresponde à entrada 
do canal radicular. 
2Nota – o fórame apical raramente coincide com o ápice radiográfico (zona mais apical 
do dente, vísivel na radiografia). Deste modo, apenas se instrumenta o canal até 0.5mm a 
1 mm do ápice radiográfico – constrição apical. Esta distância, em pacientes mais velhos, 
é maior, devido à deposição de cimento radicular. 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 7 
 
 
 
A anatomia dentária pode ser estudada através de: 
ƒ Exames radiográficos – auxiliam na verificação da anatomia, na determinação do 
comprimento de trabalho, entre outros; 
ƒ Diafanização – a dentina é transparentinizada e são visíveis os canais radiculares, 
pois são tingidos com tinta da china; 
ƒ CBCT – é um método tridimensional, usado em consultório médico; 
ƒ Micro-CT – é um método bidimensional; 
 
A anatomia dentária engloba: 
ƒ Canal principal; 
ƒ Canais laterais – podem ser independentes, mas não são instrumentáveis, sendo 
tratadas, apenas, pela irrigação; 
ƒ Canais recorrentes – saída lateral do canal principal que volta a confluir 
novamente com o principal; 
ƒ Canais recorrentes – ligam o canal principal ao canal acessório, sendo paralelo ao 
principal; 
ƒ Delta apical – divisão na zona apical da raíz, muito frequente nos pré-molares, 
que não deve ser destruída; 
 
Existem várias classificações da morfologia do sistema canalar radicular, sendo que a 
classificação de Weine é a mais utilizada. Esta classificação compreende 4 classes e 2 
dimensões: 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 8 
 
ƒ Tipo I: 1 canal, com 1 entrada e 1 saída (constrição apical); 
ƒ Tipo II: 2 canais, com 2 entradas e 1 saída (unem-se próximo ao ápice); 
ƒ Tipo III: 2 canais, com 2 entradas e 2 saídas independentes; 
ƒ Tipo IV: 1 canal, com 1 entrada e 2 saídas independentes (separam-se próximo ao 
ápice); 
 
Anatomia dentária dos dentes maxilares: 
ƒ Incisivo central superior (11/21): 
□ Raíz – única, simples e cónica (não há solo da câmara pulpar); 
□ 1 canal; 
□ Tamanho médio do dente – 22mm a 23mm; 
□ Comprimento médio – 23mm; 
□ Comprimento médio da coroa clínica – 10.5mm (dentecom maior coroa 
clínica); 
□ Comprimento médio da raíz – 12.5mm; 
 
ƒ Incisivo lateral superior (12/22): 
□ Raíz – única, simples e cónica (na zona apical, apresenta uma inclinação 
para distal); 
□ 1 canal; 
□ Tamanho médio do dente – 21mm a 22mm; 
□ Comprimento médio – 22,5mm; 
□ Comprimento médio da coroa clínica – 9mm; 
□ Comprimento médio da raíz – 13.5mm; 
 
ƒ Canino superior (13/23): 
□ Raíz – única, simples, robusta (últimos dentes a serem perdidos por cárie) 
e cónica (na zona apical, apresenta uma inclinação para distal); 
□ 1 canal (em 99,9% dos pacientes); 
□ Tamanho médio do dente – 26.5mm; 
□ Comprimento médio – 27mm; 
□ Comprimento médio da coroa clínica – 10.5mm; 
□ Comprimento médio da raíz – 16.5mm; 
 
ƒ Primeiro pré-molar superior (14/24): 
□ Raíz – 2 raízes (80%), podendo a bifurcação ser a qualquer nível entre o 
terço apical e o 1/3 médio: 
ƒ 1 vestibular; 
ƒ 1 palatina; 
□ Canais – 2 canais (72%), por baixo da cúspide vestibular e da cúspide 
palatina (no caso de ter apenas 1 canal, está por baixo do sulco central): 
ƒ 1 vestibular; 
ƒ 1 palatino; 
□ Tamanho médio do dente – 21mm; 
□ Comprimento médio – 21mm; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
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□ Comprimento médio da coroa clínica – 8.5mm; 
□ Comprimento médio da raíz – 12.5mm; 
 
ƒ Segundo pré-molar superior (15/25): 
□ Raíz – 1 raíz ou raízes fusionadas; 
□ Canais – 1 canal (75%), no centro do dente (se houver desvio para mesial 
ou para distal, pode indicar que existem 2 canais); 
□ Tamanho médio do dente – 21,5mm; 
□ Comprimento médio – 21mm; 
□ Comprimento médio da coroa clínica – 8.5mm; 
□ Comprimento médio da raíz – 12.5mm; 
 
ƒ Primeiro molar superior (16/26): 
□ Raíz – 3 raízes (80%): 
ƒ Palatina; 
ƒ Mesio-vestibular; 
ƒ Disto-vestibular; 
□ Canais – 4 canais (96%): 
ƒ Palatino (na raíz palatina); 
ƒ Mesio-vestibular (na raíz mesio-vestibular); 
ƒ Mesio-palatino (na linha alba, na raíz mesio-vestibular, sendo que, 
em muitos casos, esse canal conflui com o mesio-vestibular); 
ƒ Disto-vestibular (na raíz disto-vestibular); 
□ Tamanho médio do dente – 22mm; 
□ Comprimento médio – 22mm; 
 
ƒ Segundo molar superior (17/27): 
□ Raíz – 3 raízes (muitas vezes fusionadas): 
ƒ Palatina; 
ƒ Mesio-vestibular (com 2 canais); 
ƒ Disto-vestibular; 
□ Canais – 4 canais (57%): 
ƒ Palatino; 
ƒ Mesio-vestibular; 
ƒ Disto-vestibular; 
ƒ Mesio-palatino; 
□ Tamanho médio do dente – 20.7mm; 
□ Comprimento médio: 21mm; 
 
Anatomia dentária dos dentes mandibulares: 
ƒ Incisivo central inferior (31/41): 
□ Características semelhantes aos incisivos superiores, mas com dimensões 
consideravelmente inferiores; 
□ Diâmetro vestibulo-lingual superior ao diâmetro mesio-distal; 
□ Raíz – única, com forma cónica; 
□ Canais: 
ƒ 1 canal e 1 fórame – 70.1%; 
ƒ 2 canais e 1 fórame – 23,5% (bilateralmente); 
ƒ 2 canais e 2 fórames – 6.4% (bilateralmente); 
ƒ Laterais – 5.2%; 
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□ Tamanho médio do dente – 21mm; 
 
ƒ Incisivo lateral inferior (32/42): 
□ Raíz – única, com forma cónica achatada no sentido mesio-distal; 
□ 1 só canal; 
□ Tamanho médio do dente – 22mm; 
□ Raros de desvitalizar; 
 
ƒ Canino inferior (33/43): 
□ Raíz – única (podendo ter 2, vestibular e lingual, mas não é muito comum); 
□ 1 só canal (podendo ter 2, se com 2 raízes, mas não é muito comum): 
ƒ 1 canal, com 1 entrada e 1 saída – 78%; 
ƒ 2 canais, com 2 entradas e 1 saída – 14%; 
ƒ 1 canal, com 1 entrada e 2 saídas – 6%; 
□ Mais pequeno e menos robusto do que o superior; 
□ Tamanho médio do dente – 25mm; 
 
ƒ Primeiro pré-molar inferior (34/44): 
□ Raíz – única; 
□ 1 só canal (achatado no sentido mesio-distal), que pode ter bifurcação em 
sentido apical: 
ƒ 1 canal, com 1 entrada e 1 saída – 70%; 
ƒ 1 canal, com 1 entrada e 2 saídas – 25.5%; 
ƒ 1 canal, com 1 entrada e 3 ou mais saídas – 0.5%; 
ƒ 1 canal, com 2 entradas e 1 saída – 4%; 
ƒ Apresenta muitos canais laterais e acessórios; 
□ Tamanho médio do dente – 22mm; 
 
ƒ Segundo pré-molar inferior (35/45): 
□ Raíz – única; 
□ 1 só canal (85.5%), achatado no sentido mesio-distal: 
ƒ 1 canal, com 1 entrada e 1 saída – 97%; 
□ Tamanho médio do dente – 23mm; 
 
ƒ Primeiro molar inferior (36/46): 
□ Raíz – 2 raízes: 
ƒ Distal (normalmente com 1 canal distal com 2 entradas e 1 saída, 
embora possa apresentar 2 canais – disto-lingual e disto-vestibular 
– 28.9%); 
ƒ Mesial (com 2 canais – mesio-vestibular e mesio-lingual); 
□ Canais – 3 canais (64.4%): 
ƒ Distal; 
ƒ Mesio-vestibular; 
ƒ Mesio-lingual; 
□ Tamanho médio do dente – 21mm; 
 
ƒ Segundo molar inferior (37/47): 
□ Raíz – apresenta 2 raízes (com tendência a raízes fusionadas): 
ƒ Distal (com o canal distal, o mais volumoso); 
ƒ Mesial (com os canais mesio-vestibular e mesio-lingual); 
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□ Canais – normalmente, apresenta 3 canais: 
ƒ Distal; 
ƒ Mesio-vestibular; 
ƒ Mesio-lingual; 
ƒ 2 canais, com 2 entradas e 1 saída – 28%; 
ƒ 2 canais, com 2 entradas e 2 saídas – 55% 
□ Semelhante ao primeiro molar inferior; 
□ Tamanho médio do dente – 20mm; 
 
Há, ainda, outras considerações sobre a morfologia dos canais: 
ƒ Canais em C – há uma câmara pulpar mais longa, com canais normalmente 
ligados, existindo um sulco longitudinal em forma de C. 
ƒ Istmos – é uma área estreita, em forma de “fita”, que liga dois canais radiculares 
que contêm polpa ou tecidos derivados de polpa. Todos os istmos devem ser 
encontrados, preparados e preenchidos durante a cirurgia, pois podem funcionar 
como reservatórios de bactérias. Qualquer raiz com dois ou mais canais pode ter 
um istmo. Deve-se suspeitar da presença de algum istmo sempre que canais 
múltiplos são vistos na superfície da raiz apicectomizada. 
ƒ Taurodontia – existência de um alongamento da câmara pulpar em profundidade 
(até ao 1/3 médio da raíz). 
ƒ Dens in dente – existência de uma calcificação da câmara pulpar, com um calibre 
muito amplo. 
 
 
 
Canal em C Istmo Taurodontia Dens in dente 
 
Aula 3 – Cavidades de acesso para o tratamento endodôntico 
 
A cavidade de acesso, como o próprio nome indica, cria acesso ao sistema de canais 
radiculares. Deste modo, a cavidade de acesso permite o acesso livre e direto ao sistema 
de canais radiculares, bem como à extensão máxima de todos os canais radiculares, ou 
seja, até ao limite da constrição dentino-cementária (CDC) – no terço apical –, a fim de 
se proceder a uma correta sequência de todo o tratamento endodôntico. As limas e as 
agulhas de irrigação devem entrar sem qualquer tipo de obstrução. 
 
Uma má cavidade de acesso dificulta a correta instrumentação, pois pode ocultar 
eventuais canais ou não realizar uma correta limpeza do canal, sendo que um erro nesta 
fase do procedimento faz com que todo o tratamento endodôntico falhe. 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 12 
 
A criação de uma cavidade de acesso tem como objetivos: 
ƒ Permitir uma correta localização do sistema de canais radiculares, bem como o 
acesso a estes; 
ƒ Permitir uma correta conformação – para facilitar a instrumentação e irrigação; 
ƒ Permitir uma correta irrigação – para promover a eliminação bacteriana e tecido 
afetado; 
ƒ Permitir uma correta obturação – para impedir a recontaminação bacteriana 
(obturação tridimnesional); 
ƒ Permitir uma boa restaurabilidade – seja provisória ou definitiva, para garantir o 
selamento coronal eficiente, impedindo a recontaminação e a perda de resistência 
do dente; 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os requisitos de uma cavidade de acesso são: 
1. Permitir a remoção do conteúdo da câmara pulpar; 
2. Permitir a visãodireta do solo da câmara e da entrada do sistema de canais 
radiculares; 
3. Facilitar o correto acesso do instrumental aos canais; 
4. Facilitar o acesso ao 1/3 médio e apical dos canais; 
5. Dar suporte aos materiais de restauração temporários; 
6. Preservar a máxima estrutura sã, sempre que possível; 
 
1. Remoção do conteúdo da câmara pulpar 
A remoção do conteúdo da câmara pulpar facilita todos os passos seguintes, bem como a 
remoção de tecido contaminado. Com este passo pretende-se: 
ƒ Providenciar a correta desinfeção e limpeza do espaço de trabalho; 
ƒ Remover tecido bacteriano, tecido pulpar e dentinário contaminado (assim como 
eventuais calcificações) e restícios de material restaurador, se for o caso; 
 
2. Visão direta do solo da câmara e da entrada do sistema de canais radiculares 
Esta etapa compreende a remoção do teto da câmara pulpar. Tal é realizado com a broca 
endo-Z que, como foi dito anteriormente, tem capacidade de corte lateral e ponta inativa, 
removendo a totalidade do teto e não tendo o risco de danificar o solo da câmara pulpar 
(que, caso ocorra, põe em risco a viabilidade do dente) nem o sulco. 
Removido todo o teto da câmara, é possível ter a certeza do número total de canais 
principais, que podem ser ocultados pelo mesmo.1 
 
1 
2 
3 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 13 
 
A fase em que se remove a totalidade do teto da câmara para ser completamente visível 
o solo do câmara e a entrada do sistema de canais denomina-se desgaste compensatório e 
é realizado com a endo-Z. 
Com este desgaste consegue-se: 
ƒ acesso ao canal, sem obstruções; 
ƒ melhor controlo dos movimentos do instrumental; 
ƒ acesso direto ao 1/3 médio, sem forçar os instrumentos; 
ƒ melhor técnica de preparação e obturação, através da expansão da cavidade de 
acesso; 
 
Nota1 – uma das formas de saber se o teto foi todo removido é inserir uma sonda na 
câmara. Desde o teto até ao solo da câmara são cerca de 8 a 10 mm. Se a sonda não entrar 
esta profundidade, há que desconfiar que o teto não foi removido totalmente. 
 
3. Facilitar o correto acesso do instrumental aos canais 
Se o teto da câmara pulpar não for totalmente removido as limas entram curvadas e 
forçadas nos canais, aumentando o risco de fraturarem e de não realizar corretamente a 
instrumentação. 
 
4. Facilitar o acesso ao 1/3 médio e apical dos canais 
Ao realizar-se o desgaste compensatório, vai desgastar-se, também, o colarinho de 
dentina (maioritariamente de dentina secundária), situado entre a transição da coroa e da 
raíz, facilitando, assim, a entrada das limas até ao final do 1/3 apical do canal. 
Desta forma, as limas conseguem entrar diretas e paralelas ao longo do eixo do dente, e 
não forçadas (se tal ocorrer, a lima não consegue alcançar a medida pretendida). 
 
5. Dar suporte aos materiais de restauração temporários 
Para permitir o suporte dos materiais temporários, recorre-se a uma bolinha de algodão 
esterilizada. Esta bolinha é colocada no interior da câmara a selar os canais, impedindo a 
entrada de material restaurador nos canais. O restante espaço é preenchido por material 
restaurador, aumentando a resistência à fratura. 
 
6. Preservar a máxima estrutura sã, sempre que possível 
Após remover a totalidade de cárie, por vezes, as quatro paredes externas do dente são 
destruídas. É necessário proceder a uma restauração provisória das mesmas, antes de 
realizar a endodontia, a que se denomina restauração de prova. 
O dente, ao ter as 4 paredes circundantes, vai ter apoio para os grampos do isolamento 
absoluto e há garantia de que o hipoclorito de sódio desinfeta corretamente os canais e 
não transborda. 
A restauração de prova é feita, maioritariamente, com compósito ou IVMR, antes da 
colocação do isolamento absoluto. 
 
A sequência clínica para a realização da cavidade de acesso é: 
1. Estudo da posição e inclinação do dente, anatomia coronária, volume da câmara 
pulpar, através da radiografia pré-operatória; 
2. Perfuração do teto da câmara pulpar (com a broca esférica, no ponto de eleição do 
dente), em que, normalmente, há sensação de queda (mais nítida quanto maior o 
tamanho e volume da câmara pulpar); 
3. Remoção completa do teto da câmara e da polpa coronária (com a broca endo-Z); 
4. Pesquisa, com a sonda endodôntica, da entrada de todos os canais radiculares; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 14 
 
5. Realização do desgaste compensatório (com a broca endo-Z), se a sonda não 
estiver paralela ao eixo do dente; 
6. Alisamento das paredes/retoques da forma final da cavidade de acesso; 
 
Ponto de eleição dos incisivos superiores ou inferiores: 
ƒ O ponto de eleição para a cavidade de acesso é sempre na face palatina (dentes 
superiores) ou na face lingual (dentes inferiores), no centro do dente. 
ƒ É perfurado com a broca esférica, com angulação de 45º em relação ao longo do 
eixo do dente e a 1-2mm para incisal do cíngulo. 
ƒ Posteriormente, com a broca endo-Z, inicia-se a remoção do restante teto e faz-se 
a paralelização com o longo do eixo do dente, sem destruir o bordo incisal. 
ƒ O contorno externo tem forma triangular de base para incisal e vértice voltado 
para o cíngulo. 
ƒ Nota – ter atenção à possibilidade de existirem 2 canais nos incisivos inferiores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ponto de eleição dos caninos superiores ou inferiores: 
ƒ O ponto de eleição para a cavidade de acesso é sempre na face palatina (dentes 
superiores) ou na face lingual (dentes inferiores), no centro do dente. 
ƒ É perfurado com a broca esférica, com angulação de 45º em relação ao longo do 
eixo do dente e a 1-2mm para incisal do cíngulo. 
ƒ Posteriormente, com a broca endo-Z, inicia-se a remoção do restante teto, sem 
destruir o bordo incisal e o cíngulo. 
ƒ O contorno externo tem forma ovalada (respeitando, também a forma dos canais). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ponto de eleição dos pré-molares superiores ou inferiores: 
ƒ O ponto de eleição para a cavidade de acesso é sempre na face palatina (dentes 
superiores) ou na face lingual (dentes inferiores), no centro do dente, entre as duas 
cúspides. 
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Catarina Rodrigues 15 
 
ƒ É perfurado com a broca esférica, paralela em relação ao longo do eixo do dente 
e perpendicular à face oclusal (para evitar perfurações). 
ƒ Posteriormente, com a broca endo-Z, inicia-se a remoção do restante teto, sem 
destruir as cúspides. 
ƒ O contorno externo tem forma ovalada (no caso de ter 2 canais, no sentido 
vestibulo-lingual ou vestibulo-palatino) ou forma circular (no caso de haver 
apenas 1 canal). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ponto de eleição dos molares superiores: 
ƒ O ponto de eleição para a cavidade de acesso é na fossa principal da face oclusal, 
sempre mais próxima da face mesial do dente. 
ƒ É perfurado com a broca esférica, paralela em relação ao longo do eixo do dente 
e perpendicular à face oclusal (para evitar perfurações). 
ƒ Posteriormente, com a broca endo-Z, inicia-se a remoção do restante teto, sem 
destruir a ponte de esmalte, sempre que possível. 
ƒ O contorno externo tem forma trapezoidal/quadrangular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ponto de eleição dos molares inferiores: 
ƒ O ponto de eleição para a cavidade de acesso é na fossa principal da face oclusal, 
sempre mais próxima da face mesial do dente (o canal mesio-lingual está mais ao 
centro, no eixo vestibulo-lingual). 
ƒ É perfurado com a broca esférica, paralela em relação ao longo do eixo do dente 
e perpendicular à face oclusal (para evitar perfurações). 
ƒ Posteriormente, com a broca endo-Z, inicia-se a remoção do restante teto. 
ƒ O contorno externo tem forma trapezoidal. 
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CatarinaRodrigues 16 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 4 – Preparação biomecânica dos canais radiculares – parte 1 
 
Para realizar uma endodontia é necessário que a polpa dentária não esteja sã, por qualquer 
razão – necrose, inflamação. Quando tal sucede, é necessário removê-la do interior dos 
canais radiculares. A esta técnica chama-se Tratamento Endodôntico Não Cirúrgico 
(TENC) e o seu grande objetivo é o controlo da infeção instalada, através da eliminação 
da infeção (pela instrumentação e desinfeção) e da prevenção da re-infeção (pela 
obturação e restauração). 
 
A instrumentação dos canais, ou seja, a utilização das limas para alargar e preparar os 
canais tem o nome de preparação biomecânica (bio – desinfetantes e mecânica – limas) 
dos canais. A primeira fase desta técnica é a realização da cavidade de acesso, que não é 
igual para todos os dentes, como já visto anteriormente. 
 
Após a entrada dos canais estar bem visível, segue-se a fase da instrumentação dos canais, 
através da utilização das limas endodônticas K. Estas limas têm várias cores, consoante 
os seus calibres. Existem 2 sequências – 15 à 40 e da 45 à 80 – sendo que a cor é, 
respetivamente: 
ƒ Branca – 015 e 045; 
ƒ Amarela – 020 e 050; 
ƒ Vermelha – 025 e 055; 
ƒ Azul – 030 e 060; 
ƒ Verde – 035 e 070; 
ƒ Preta – 040 e 080; 
Estas limas obedecem a uma sequência própria de uso, de modo a que o preparo fique 
correto – tenha conicidade, em que a parte mais larga é junto à cavidade de acesso e a 
parte mais estreita junto à constrição apical, ou seja, as limas de maior calibre não são 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 17 
 
utilizadas perto da constrição apical –, sempre com o auxílio de um irrigante 
(normalmente o hipoclorito de sódio). 
 
Numa primeira fase, a instrumentação está associada à desinfeção. As limas são utilizadas 
para “abrir” os canais, limpar as suas paredes e permitir que o irrigante alcance todos os 
locais dos canais. Após a correta limpeza e abertura do canal, é necessário preenchê-lo 
tridimensionalmente, com um material próprio – a gutta-percha – e restaurar o dente. 
 
Os objetivos da instrumentação são: 
ƒ Remover o tecido vital e necrosado remanescente no canal: 
□ de forma a suprir a nutrição bacteriana; 
ƒ Criar espaço suficiente para a irrigação: 
□ alargar com as limas, facilitando o uso dos irrigantes – quanto mais largo 
o canal, maior o volume de solução que consegue penetrar; 
ƒ Preservar a integridade e localização da constrição apical: 
□ a constrição, que se localiza 0.5 a 1mm do fórame apical, não deve ser 
deformada, para evitar que o irrigante atinja os vasos sanguíneos e para 
conseguir um bom selamento; 
ƒ Evitar o dano iatrogénico do sistema de canais radiculares: 
□ pré-curvar as limas, de modo a não perfurar erradamente os canais 
radiculares; 
ƒ Facilitar a obturação: 
□ uma melhor instrumentação leva a uma melhor obturação e ao sucesso do 
TENC; 
ƒ Evitar a irritação e/ou infeção dos tecidos periapicais: 
□ por extravasamento de irrigante ou por presença bacteriana 
periapicalmente; 
ƒ Realizar um preparo conservador: 
□ manter a maior quantidade de estrutura dentária (sã) possível; 
 
Para instrumentar os canais, recorre-se à técnica de Roane, ou técnica das forças 
balanceadas, limpando as paredes do canal. Esta técnica compreende 3 fases: 
1. Fase de penetração – consiste em inserir a lima (pré-curvada) com um movimento 
de penetração (fazendo rotação da lima em cerca de 60º, no sentido horário), até 
ter travamento no canal; 
2. Fase de corte – consiste em rodar a lima no sentido anti-horário, cerca de 120º, 
com pressão apical; 
3. Fase de limpeza – consiste em rodar a lima 720º (2 voltas) em sentido horário e 
removê-la do canal; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 18 
 
As vantagens desta técnica são: 
ƒ Menor deformação dos canais; 
ƒ Maior calibre apical do canal; 
ƒ Menor extrusão de detritos para a região apical; 
ƒ Maior controlo dos movimentos; 
Já as desvantagens passam por: 
ƒ Maior custo; 
ƒ Necessidade de aprendizagem (tem risco de fraturas); 
 
Para realizar a preparação dos sistemas de canais é necessário obedecer a uma dada 
sequência. Essa sequência é: 
1. Exploração/negociação dos 2/3 coronários; 
2. Preparação dos 2/3 coronários; 
3. Exploração/negociação do 1/3 apical; 
4. Determinação do CT (comprimento de trabalho); 
5. Preparação do 1/3 apical; 
6. Calibragem apical e calibragem da conicidade; 
 
1. Exploração/negociação dos 2/3 coronários 
Após realizar a radiografia inicial, procede-se à medição do comprimento total aparente 
(CTA) do dente (desde a ponta da cúspide até ao final da raíz) para, posteriormente, 
determinar o comprimento dos terços dentários. Ao valor do CTA são retirados 2mm, 
relativos à eventual distorção radiográfica. Por fim, divide-se esse valor por 3, de modo 
a saber qual o comprimento equivalente a 2/3. 
Esta etapa auxilia na sensibilidade tátil do canal, uma vez que se coloca uma lima de 
pequeno calibre (K10 ou K15) pré-curvada e com o stop de borracha marcado com o 
comprimento dos 2/3 coronários, para verificar se existem curvaturas, calcificações ou 
outras alterações. Dá também outras informações, como: 
ƒ O diâmetro do canal; 
ƒ A permeabilidade do canal; 
ƒ A confirmação do acesso reto ao 1/3 apical; 
ƒ A direção do canal; 
ƒ A tipologia e grau de curvatura; 
ƒ A direção ou confluência dos canais; 
 
2. Preparação dos 2/3 coronários 
A execução deste passo denomina-se técnica de crown-down e permite dar a conicidade 
desejada ao canal, iniciando-se com a lima de maior calibre (K80) e diminui-se à medida 
que se “desce” no canal. 
A primeira lima do crown-down é a que entra a distância desde o bordo incisal até 2mm 
após a entrada do canal, ou seja, é a medida da coroa mais 2mm (para haver a certeza de 
que está, de facto, dentro do canal). Tal como referido, a K80 é a primeira lima a ser 
testada para iniciar o crown-down, mas nem sempre esta corresponde à primeira lima com 
que se começa esta técnica, pois pode não entrar a medida pretendida. Nestes casos, vão-
se testando as limas sequencialmente menores, até haver uma que entre a medida 
estipulada e tenha travamento. 
Posteriormente, irriga-se o canal e realizam-se os movimentos de Roane, até haver a 
sensação de que a lima está solta. Volta a repetir-se o mesmo procedimento com a lima 
seguinte, com a medida da coroa mais 3mm (por cada lima que se utiliza, aumenta-se 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 19 
 
1mm em direção apical). Ou seja, há repetição destes passos até se atingir o comprimento 
equivalente aos 2/3 coronários. 
Entre cada lima: 
ƒ Irrigar; 
ƒ Diminuir o calibre da lima seguinte; 
ƒ Aumentar 1mm no comprimento da lima; 
 
Exemplo: 
-Dente com 21mm de comprimento (já retirados os 2mm da distorção). 21/3=7mm, ou 
seja, cada terço tem 7mm, logo os 2/3 coronários medem 14mm. A sua coroa mede 10mm. 
-Irrigação do canal e introdução da lima K80, pré-curvada e com o stop de borracha 
marcado com 12mm (10mm+2mm). Dado que não entra a medida desejada, volta a 
repetir-se com a lima K70, também pré-curvada e com o stop marcado com 12mm. 
-Como entrou e teve travamento, a lima K70 corresponde à primeira lima do crown-down. 
-Realização dos movimentos de Roane, até ficar solta. 
-Remove-se a lima K70, irriga-se o canal e introduz-se a lima K60, com o stop marcado 
com 13mm (10mm+2mm+1mm), realizando os movimentos de Roane. 
-Remove-se a lima K60, irriga-se o canal e introduz-se a lima K55, com o stop marcado 
com 14mm (10mm+2mm+2mm), realizando os movimentos de Roane. 
-Como já foram atingidos os 2/3 coronários, dá-se por finalizada esta etapa. 
 
3. Exploração/negociação do 1/3 apical 
É semelhante ao ponto 1do crown-down, sendo que os princípios são os mesmos. 
Esta etapa também auxilia na sensibilidade tátil do canal, uma vez que se coloca uma lima 
de pequeno calibre (K10 ou K15) pré-curvada e com o stop de borracha marcado com o 
CTA-2mm (ou seja, ao comprimento total do dente são subtraídos 2mm referentes à 
distorção radiográfica), realizando pequenos movimentos de rotação, para verificar se 
existem curvaturas, calcificações ou outras alterações. 
Este ponto dá as mesmas informações que a etapa 1. 
 
4. Determinação do comprimento de trabalho 
Esta etapa auxilia na preservação da constrição apical. Para haver certezas de que as 
medidas estão certas e para confirmar o comprimento de trabalho, realiza-se um raio-X 
de odontometria. 
A lima K15 é calibrada com o stop com o CTA-2mm-1mm (2mm da distorção 
radiográfica e 1 milímetro correspondente à distância entre o ápice do dente e a 
constrição), e inserida no canal, sendo posteriormente realizada a radiografia de 
odontometria. Aqui pode ocorrer uma de três situações: 
1. A lima, na radiografia, localiza-se no limite CDC (0.5mm a 1mm do ápice 
radiográfico), podendo-se prosseguir para a próxima fase; 
2. A lima fica aquém do limite CDC, sendo necessário adicionar a medida desde a 
ponta da lima à constrição no stop, e realizar novo raio-X; 
3. A lima fica além do limite CDC, sendo necessário subtrair a medida desde a ponta 
da lima à constrição no stop, e realizar novo raio-X; 
 
 
 
 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 20 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A confirmação do comprimento de trabalho através do método radiográfico denomina-se 
regra de Ingle. Então, sequencialmente, este método entende: 
1. Medição do raio-X inicial; 
2. Subtração dos 2mm, compensatórios da distorção; 
3. Subtração de 1mm, correspondente à distância entre o ápice e o limite CDC; 
4. Inserção da lima, com a medida obtida, no canal; 
5. Execução do raio-X de odontometria; 
6. Verificação do correto comprimento de trabalho; 
 
Embora seja o método mais utilizado, apresenta algumas desvantagens: 
ƒ Necessita de várias radiografias; 
ƒ É dispendioso em tempo e recursos; 
ƒ Pode haver exposição exagerada à radiação; 
ƒ É exigente em termos técnicos de execução; 
ƒ Apresenta distorção; 
ƒ Normalmente há falta de coincidência entre o fórame apical e o ápice anatómico, 
podendo levar a erros; 
 
Há, ainda, um outro método de determinação do CT, o método eletrónico. É mais 
utilizado em dentes multicanalares e é mais fiável (pouco passível de erros). O aparelho 
dá um sinal sonoro quando a lima encontra a constrição. 
 
Aula 5 – Preparação biomecânica dos canais radiculares – parte 2 
 
5. Preparação do 1/3 apical 
A preparação do 1/3 apical denomina-se step-back. Na técnica de step-back, pretende-se 
remover tecido dentário contaminado e microorganismos presentes no canal. Tal é 
realizado através do uso de limas de calibre sucessivamente maior e com comprimentos 
calibrados menores, de apical para coronal, até atingir os 2/3 coronários. 
O objetivo desta técnica é dar novamente conicidade ao canal, pela mesma razão do 
crown-down. 
As limas de calibre igual ou inferior a 30 devem ser sempre pré-curvadas, para que não 
fiquem encravadas nas paredes do canal. 
 
 
Situação 1 Situação 2 Situação 3 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 21 
 
As vantagens do step-back são basicamente as mesmas do crown-down, ou seja: 
ƒ Permite criar conicidade contínua e bem definida na região mais apical, evitando 
a formação de degraus; 
ƒ Evita a colocação de limas de grande calibre nos milímetros apicais; 
ƒ Previne o transporte apical e outros erros de procedimento, que alterem a anatomia 
original; 
ƒ Facilita a chegada de irrigante à zona mais apical do sistema de canais; 
ƒ Facilita a obturação; 
 
Na técnica de step-back, a primeira lima tem de percorrer o comprimento total de trabalho 
(até à constrição apical), e esta lima tem de ser maior ou igual à K25, uma vez que as 
limas de calibre inferior não removem na totalidade os restos pulpares e tecido necrosado 
do canal. Se a K25 não ficar justa, isto é, se não tiver travamento, aumenta-se o calibre 
da lima, até à lima que tenha travamento, e será essa lima a primeira do step-back. 
Posteriormente, irriga-se o canal e realizam-se os movimentos de Roane, até haver a 
sensação de que a lima está solta. Volta a repetir-se o mesmo procedimento com a lima 
de maior calibre seguinte, com a medida do CT-1mm (por cada lima que se utiliza, 
aumenta-se 1mm em direção coronal). Ou seja, há repetição destes passos até se atingir o 
comprimento equivalente aos 2/3 coronários, onde se finalizou o crown-down. 
Se a lima K25 não entrar, é necessário instrumentar o comprimento de trabalho, de forma 
a limpar e alargar o canal, com as limas K08, K10, K15 e K20 e, então, iniciar com a lima 
K25. 
 
Entre as limas é conveniente: 
ƒ Irrigar; 
ƒ Recapitular, com a primeira lima do step-back (com o stop de borracha marcado 
com o CT, evitando a formação de degraus e de rolhões); 
ƒ Verificar a permeabilidade apical, com a lima K10 calibrada com o CT+1mm, 
com movimentos de vai-vém, para se garantir que também não há formação de 
rolhões, desentupindo a constrição apical. Esta lima mantém a morfologia da 
constrição apical e previne a perda do CT; 
 
Exemplo: 
-Dente com 21mm de comprimento de trabalho. 
-Irrigação do canal e introdução da lima K25, pré-curvada e com o stop de borracha 
marcado com 21mm. Dado que não entra a medida desejada, volta a repetir-se com a lima 
K30, também pré-curvada e com o stop marcado com 21mm. 
-Como entrou e teve travamento, a lima K30 corresponde à primeira lima do step-back. 
-Realização dos movimentos de Roane, até ficar solta. 
-Remove-se a lima K30, irriga-se o canal e introduz-se a lima K10, com o stop marcado 
com 22mm (CT+1mm), de modo a verificar a permeabilidade apical. 
-Introduz-se a lima K35 com o stop marcado com CT-1mm, ou seja, com 20mm. 
-Realização dos movimentos de Roane, até ficar solta. 
-Recapitulação com a lima K30, marcada com o CT. 
-Verificação da permeabilidade apical com a lima K10. 
-Introduz-se a lima K40 com o stop marcado com CT-2mm, ou seja, com 19mm. 
-Realização dos movimentos de Roane, até ficar solta. 
-Recapitulação com a lima K30, marcada com o CT. 
-Verificação da permeabilidade apical com a lima K10. 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 22 
 
-Repete-se estes passos até alcançar os 2/3 coronários (14mm), e dá-se por finalizada esta 
etapa. 
 
6. Calibragem apical e calibragem da conicidade 
Por vezes, finalizada a técnica de step-back, ao realizar a recapitulação com a lima inicial, 
com ligeira pressão apical, esta não tem travamento. Quando tal acontece, é necessário 
recorrer a lima de maior calibre seguinte, verificar se obtém travamento e, se tal ocorrer, 
refazer a técnica de step-back com esta lima. 
A calibragem apical consiste em verificar se a primeira lima do step-back se mantém justa 
às paredes do canal. 
Se, por outro lado, a lima não atingir a totalidade do CT, significa que houve formação 
de rolhões, ou seja, a técnica não foi realizada corretamente. É necessário recorrer a limas 
de menor calibre – K08, K10, K15, K20, etc, até chegar à lima inicial – e refazer o step-
back. 
A calibragem apical também permite a escolha do correto cone de gutta-percha, para a 
obturação. 
Na calibragem da conicidade verifica-se se as limas obedecem às medidas previamente 
marcadas no stop. 
 
Finalizada a preparação biomecânica dos canais, é necessário que se cumpram os 
seguintes requisitos: 
ƒ De forma do canal: 
□ Conicidade – deve ter a forma cónica através do correto crown-down e 
step-back, de forma a que a parte mais larga esteja na zona coronal e a 
menos larga na zonaapical; 
□ Paredes lisas e contínuas – não deve haver degraus; 
□ Constrição apical – não deve ser alterada e deve dar travamento; 
□ Fórame apical permeável – a lima K10 tem de passar CT+1mm para 
remover os detritos; 
ƒ De limpeza: 
□ Irrigação – quanto maior a conicidade tiver o canal, maior o volume de 
irrigante nos canais e maior a quantidade de bactérias eliminadas – maior 
o sucesso do tratamento; 
 
Assim, após a correta preparação biomecânica, o canal: 
ƒ Está limpo; 
ƒ Está desinfetado; 
ƒ Tem paredes lisas e contínuas; 
ƒ Tem conicidade; 
ƒ Mantém a constrição apical; 
ƒ Deve estar totalmente permeável; 
Aula 6 – Obturação dos canais radiculares 
 
Após a finalização da preparação biomecânica dos canais, é necessário obturar os canais. 
A obturação consiste no preenchimento (o mais tridimensional e hermético possível) dos 
canais radiculares. Esta obturação é realizada com cones de gutta-percha associados a um 
cimento (normalmente o óxido de zinco e eugenol, na pré-clínica). Se o canal não for 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 23 
 
obturado e corretamente restaurado, as bactérias recolonizam o canal, “entrando” através 
da zona desadaptada da restauração. 
 
Para que a obturação possa ser realizada, o canal radicular tem que: 
ƒ Estar limpo – não pode ter detritos (restos dentinários, pulpares e bactérias) no 
canal – boa irrigação; 
ƒ Estar bem conformado – tem de ter uma forma adequada, cónica e com a 
constrição apical conservada – boa instrumentação; 
ƒ Estar seco – de modo a garantir a adesão do cimento obturador – cones de papel; 
 
Os objetivos da obturação são: 
ƒ Preencher, na totalidade e tridimensionalmente, o espaço resultante da preparação 
biomecânica do sistema de canais radiculares: 
□ qualquer espaço sem material obturador pode ser colonizado por bactérias, 
logo é desejável que haja o maior número de cones de gutta-percha 
possível no interior dos canais; 
ƒ Proporcionar um selamento hermético: 
□ a nível apical, coronal e lateral; 
ƒ Impedir a proliferação bacteriana: 
□ um dos mais importantes; 
ƒ Permitir a reparação das lesões periapicais(indiretamente): 
□ se o dente for bem instrumentado, irrigado e obturado, a inflamação 
causada pelas bactérias vai desaparecendo gradualmente; 
 
O material obturador ideal tem de ter algumas das seguintes características: 
ƒ Ser bem tolerado pelos tecidos periapicais 
□ no caso de haver um pequeno extravasamento de material obturador, este 
não pode ser irritante para os tecidos; 
ƒ Ser insolúvel nos tecidos orgânicos 
□ não se deve dissolver, mantendo-se no interior do canal; 
ƒ Ser impermeável aos fluídos orgânicos 
□ os fluídos orgânicos podem conter bactérias; 
ƒ Promover bom selamento apical e lateral 
□ não permitindo a penetração bacteriana; 
ƒ Ser radiopaco 
□ visível no raio-X, de modo a ser possível verificar se a obturação foi 
corretamente realizada – característica essencial; 
ƒ Ser plástico 
□ ser moldável, de modo a conseguir-se adaptar à conformação e às 
irregularidades dos canais; 
ƒ Ser esterilizável 
□ que não esteja contaminado e não promova o transporte bacteriano e, 
consequentemente, a colonização bacteriana; 
ƒ Não sofrer redução de volume, uma vez colocado no canal 
□ não devem contrair, para conseguirem preencher tridimensionalmente o 
canal e não permitirem a penetração de bactérias; 
ƒ Ter propriedades antissépticas e bacterioestáticas 
□ deve libertar substâncias que façam o controlo histo-biológico, não 
deixando haver a proliferação bateriana no interior do canal; 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 24 
 
ƒ Ser facilmente removido do canal 
□ se o dente mantiver sintomatologia após o tratamento, deve ser fácil 
remover o material obturador, de forma a fazer o re-tratamento; 
ƒ Não originar alterações cromáticas da dentina 
□ o dente deve manter a sua cor original – normalmente, as alterações 
cromáticas visíveis nos dentes são causadas por duas razões – 1) por 
necrose pulpar ou por 2) presença de material obturador na câmara pulpar; 
 
Até ao momento, não há nenhum material que tenha todas as características acima 
apresentadas. No entanto, de todos os materiais até agora estudados, o que preenche o 
maior número de requisitos é a gutta-percha. 
 
Tal como dito anteriormente, a gutta-percha não pode ser utilizada sem um material de 
união conjugado. É necessário recorrer a cimentos seladores para unir, entre si, os cones 
de gutta, e unir, também, os cones às paredes do canal. Existe uma variedade enorme de 
cimentos seladores no mercado – à base de óxido de zinco e eugenol, à base de ionómero 
de vidro, de resinas, de hidróxido de cálcio, etc –, sendo que a sua escolha depende de 
cada caso clínico. 
Na clínica, os cimentos mais usados são os à base de resinas, enquanto na pré-clínica são 
os cimentos à base de óxido de zinco e eugenol, por uma questão de custos. 
 
Para realizar a obturação, o material a utilizar é: 
ƒ Lamparina e isqueiro; 
ƒ Cimento selador; 
ƒ Brunidor de bola (para cortar os cones de gutta-percha); 
ƒ Cones de gutta-percha: 
□ Principais – selamento principal, pois vai até à constrição apical; 
□ Secundários/acessórios – ABCD; 
ƒ Condensadores laterais/Spreaders: 
□ A,B,C ou D, mediante a conicidade; 
 
As etapas da obturação são: 
1. Selecionar o cone principal e calibrar o cone principal; 
2. Realizar o raio-X de conometria; 
3. Selecionar o spreader; 
4. Realizar o protocolo final de irrigação e secagem do canal; 
5. Preparar o cimento selador; 
6. Preencher o canal – condensação lateral propriamente dita; 
7. Condensar verticalmente; 
 
1. Seleção e calibragem do cone principal 
Em função da calibragem apical, seleciona-se o cone de gutta principal e procede-se à sua 
calibragem. Este calibre é igual ao calibre apical do canal, no final do step-back – por 
exemplo, se a primeira lima do step-back for a K25 e tiver travamento, o cone principal 
terá de ter calibre 25. O cone necessita de, tal como a lima principal do step-back, entrar 
a totalidade do CT e de ter travamento. 
Para evitar erros de calibragem do cone (uma vez que estes têm uma margem de erro de 
± 0.02), seleciona-se o cone de calibre inferior ao necessário, coloca-se na régua 
endodôntica no orifício correspondente ao calibre necessário e corta-se o excedente. 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 25 
 
Exemplo: 
-A última lima do step-back foi a K30 e teve travamento, aquando da calibragem apical; 
-Seleciona-se o cone 25 e insere-se o cone no orifício da régua correspondente ao calibre 
30; 
-Corta-se o excedente do cone com o bisturi; 
-Marca-se, no cone de gutta-percha, o CT, e introduz-se no canal, até à marca; 
O cone, depois de introduzido no canal, deve ficar com a marca à medida do bordo incisal 
e deve ter travamento, isto é, não deve, se pressionado, ir para além da marca 
anteriormente estipulada. Se não atinge a marca, o cone poderá ter sido mal calibrado, 
mal escolhido ou há resíduos no final do canal. 
Se, por outro lado, o cone não tem travamento, provavelmente o cone selecionado não foi 
o certo. 
 
2. Realização do raio-X de conometria 
Serve para confirmar que o cone está no local certo (0.5 a 1 mm do ápice). 
Não devemos fazer o raio-X se o cone não entrou até à marca, dado que, à partida, o cone 
não atinge o CT. 
 
3. Seleção do spreader 
Existem 4 spreaders – A, B, C e D – com o mesmo comprimento, mas com conicidades 
diferentes. O A é menos cónico e o D o mais cónico, sendo que a cada spreader 
correspondem cones acessórios. A seleção do spreader é feita apenas com o cone principal 
no interior do canal, marcando, no spreader, CT-2mm. O spreader que entrar no canal 
com esta medida e com o cone principal inserido será o spreader a utilizardurante a 
obturação. 
 
4. Protocolo final de irrigação e secagem do canal 
Imediatamente antes da obturação, é necessário realizar uma dada irrigação, em que se 
usa 10 ml de ácido cítrico a 10% ou 10 ml de EDTA a 17%, durante 1 minuto. A seguir, 
utilizam-se 10 ml de NaOCl a 5,25% e, por fim, 2 ml de álcool a 97%, para remover a 
smear layer aderida às paredes do canal e desinfetar o canal. 
No pré-clínico, esta etapa não se realiza. 
 
5. Preparação do cimento selador 
Consiste em espatular o cimento, para depois embeber o cone principal e os cones 
acessórios no mesmo. 
 
6. Preenchimento do canal – condensação lateral propriamente dita 
Insere-se os cones no canal, um de cada vez, realizando a condensação lateral – pressão 
contra a parede do canal com o auxílio do spreader, permitindo, assim, que estes se 
mantenham unidos e que haja o menor espaço livre possível entre eles, permitindo a 
inserção de mais cones acessórios e preenchendo o canal tridimensionalmente. 
A técnica de condensação lateral é feita até o spreader entrar apenas 2 ou 3 mm no canal. 
No final da condensação lateral, com o instrumento de bola bem quente, cortam-se os 
excessos dos cones, de modo a que os cones fiquem na entrada do canal (e não na zona 
da câmara pulpar, para evitar o escurecimento do dente). 
 
7. Condensação vertical 
A condensação vertical é realizada com um instrumento próprio – condensador vertical – 
e consiste em fazer pressão para apical, de modo a “empurrar” a gutta-percha e a adaptá-
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 26 
 
la bem ao canal em si. Esta etapa é importante pois cria homogeneidade e densidade na 
obturação. 
No final, com uma bolinha de algodão, lava-se e limpa-se a cavidade de acesso, retirando 
os excessos de cimento. 
Os principais problemas associados à técnica de condensação vertical são: 
ƒ Dificuldade em obturar canais irregulares; 
ƒ Risco de fratura vertical – leva à necessidade de extração dentária; 
ƒ Técnica lenta e trabalhosa; 
ƒ Demasiado desperdício de gutta-percha; 
 
Por fim, realiza-se o raio-X final, de modo a avaliar a obturação. Se não existirem espaços 
entre a gutta-percha, se esta estiver corretamente cortada e condensada, procede-se à 
restauração coronária. 
 
Há necessidade de realizar um controlo radiográfico ao final de 6 meses e de 1 ano, de 
modo a verificar a evolução positiva ou negativa do dente e, principalmente, dos tecidos 
periapicais. 
 
Os critérios de sucesso da obturação são: 
ƒ Biológicos: 
□ Ausência de bactérias nos canais; 
□ Restabelecimento da estrutura celular periapical; 
□ Ausência de células inflamatórias; 
ƒ Clínicos: 
□ Ausência de sintomatologia dentária; 
□ Ausência de edemas ou fístulas; 
□ Restabelecimento da função mastigatória normal; 
ƒ Radiológicos: 
□ Sistemas de canais totalmente preenchidos; 
□ Ausência de lesão apical ou diminuição da mesma, caso exista; 
□ Restauração coronal corretamente adaptada; 
□ Ausência de perfurações nem reabsorções ósseas; 
 
Aula 7 – Fundamentos e principais erros de obturação 
 
Como tem vindo a ser repetido, o principal intuito do tratamento endodôntico é a 
desinfeção química dos canais, de modo a remover o tecido afetado e as bactérias 
existentes no interior dos mesmos. A instrumentação só é realizada para potenciar o efeito 
desinfetante, dando conicidade ao canal e paredes lisas. A instrumentação também 
remove, se existir, o rolhão de detritos que se acumula maioritariamente na zona apical 
do dente. 
 
Uma vez que a desinfeção não remove 100% das bactérias presentes, a obturação e o 
selamento coronário garantem que a recontaminação pelo exterior é evitada e limitam, 
também, a presença de bactérias no interior dos sistemas de canais. 
 
As bactérias mais envolvidas nas falhas do tratamento endodôntico são as Enterococcus 
faecalis, que têm capacidade de penetração dos túbulos dentinários. No entanto, após a 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 27 
 
instrumentação, o número destas bactérias diminui e, com uma boa desinfeção e 
obturação, evita-se que haja recontaminação, pois estas ficam confinadas a um sistema 
fechado e acabam por “morrer”, dada a privação de substrato. 
 
Para criar, então o sistema hermeticamente fechado, faz-se a obturação dos canais (o mais 
tridimensionalmente possível), corta-se o excesso de gutta-percha pela entrada do canais 
e realiza-se o selamento intracoronário, através do preenchimento da câmara com 
ionómero de vidro. Este selamento tem, então, como objetivos: 
ƒ Manter a cadeia asséptica; 
ƒ Aprisionar em sistema fechado de microorganismos remanescentes; 
ƒ Criar condições de isolamento de bactérias e privação de substrato; 
ƒ Impedir recontaminações; 
 
Para ser possível prosseguir para a obturação, o canal tem de estar: 
ƒ Instrumentado e conformado – boa instrumentação; 
ƒ Limpo e desinfetado – boa irrigação; 
ƒ Seco1 – permite uma melhor adesão do material obturador; 
 
Nota1 – a maior parte dos tratamentos endodônticos são possíveis de serem realizados em 
sessão única, exceto se não der para secar devidamente o canal. Em caso de um abcesso 
estar a drenar para os canais, por exemplo, não se pode avançar para a obturação, pois vai 
haver recontaminação e, consequentemente, a falha do tratamento. 
 
Em suma, os objetivos principais da obturação são: 
ƒ Preencher, tridimensionalmente, a totalidade do espaço resultante da 
instrumentação; 
ƒ Selar as CFU’s (Colony Forming Units) bacterianas remanescentes; 
ƒ Permitir a reparação biológica das lesões periapicais; 
ƒ Manter a assepsia – impedir recontaminação; 
 
Os materiais de obturação, como qualquer outro material, deve ter uma série de 
características ideais, que permitam e apoiem o seu uso, tal como visto na aula 6. 
 
Ao nível dos materais de obturação, existe uma grande quantidade dos mesmos. No 
entanto, nenhum reúne a totalidade das características ideais. Assim, utiliza-se a junção 
de dois materiais que se aproximam e melhores condições reúnem – Gutta-percha (não 
têm adesão entre si, pelo que necessitam de um cimento que realize essa adesão) + 
cimento obturador (atualmente, usam-se cimentos à base de cimento de resina epoxy). 
 
Os erros de obturação mais comuns são: 
ƒ Relacionados com o preenchimento tridimensional: 
□ Sobre-obturação – o material ultrapassa o fórame apical: 
ƒ Não é considerado um verdadeiro erro, quando apenas o cimento 
ultrapassa o ápice – “puff” de cimento; 
ƒ Se sair gutta-percha, já é considerado um erro de extensão; 
ƒ Boa condensação; 
ƒ Comprimento de trabalho correto; 
□ Sub-obturação – o canal está pouco preenchido: 
ƒ Má condensação lateral e/ou vertical; 
ƒ Má compactação do material; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 28 
 
ƒ Falta de cones acessórios; 
ƒ Excesso de cimento – com o tempo, o cimento sobre alguma 
alteração com o tempo, havendo espaços vazios; 
ƒ Sub-instrumentação; 
ƒ Comprimento de trabalho pode estar correto – porque diz apenas 
respeito à quantidade do material obturador; 
ƒ Relacionados com o comprimento de trabalho: 
□ Sobre-extensão – o material obturador (gutta-percha e cimento) fica além 
do comprimento de trabalho – cria reação a corpo estranho e infeção dos 
tecidos periapicais: 
ƒ Má seleção e/ou calibragem do cone; 
ƒ Má calibragem apical; 
ƒ Comprimento de trabalho errado; 
ƒ Sobre-instrumentação – maioritariamente relacionado com a 
destruição da constrição; 
ƒ Destruição da constrição apical – o material não tem “travamento” 
apical; 
□ Sub-extensão – o material obturador fica aquém do comprimento de 
trabalho: 
ƒ Má seleção e/ou calibragem do cone; 
ƒ Canal sub-instrumentado – não é instrumentado até ao CT ou não 
tem conicidade suficiente; 
ƒ Canal não permeável – se houver um rolhão de detritos,o material 
não passa; 
ƒ Má calibragem apical; 
ƒ Erro de cálculo do CT – principalmente quando este é realizado 
pelo método radiográfico; 
ƒ Falta de irrigação e remoção de detritos; 
ƒ Formação de degraus e/ou bloqueios; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nota – o material obturador também te de ser desinfetado, uma vez que não está 
esterilizado, de forma a não recontaminar os canais. Esta desinfeção passa por mergulhar, 
por um período entre 1 a 3 minutos, os cones de gutta-percha num desinfetante, que pode 
ser: 
ƒ Glutaraldeído a 2%; 
Sobre-
extensão 
Sub-extensão Sub-obturação Sobre-
obturação 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 29 
 
ƒ Hipoclorito de sódio a 1%; 
ƒ Álcool etílico a 70%: 
ƒ Álcool iodado de 0,3% e 1%; 
ƒ Clorhexidina a 2%; 
ƒ Peróxido de hidrogénio a 6%; 
ƒ PVP iodada a 10%; 
Aula 8 – Soluções irrigantes em Endodontia 
 
Como tem vindo a ser dito, a principal razão pela qual se faz o tratamento endodôntico é 
para a desinfeção dos canais. 
 
As principais dificuldades na correta desinfeção são: 
ƒ Motivos anatómicos: 
□ Canal de maior diâmetro; 
□ Canais laterais e secundários; 
□ Istmos; 
□ Anastomoses; 
□ Deltas apicais; 
□ Irregularidades diversas; 
ƒ Características microbiológicas dos agentes infecciosos – o principal agente 
infeccioso responsável pelo insucesso dos tratamentos é o Enterococcus faecalis: 
□ Bactéria gram positiva, anaeróbia facultativa (maioritariamente presente 
no 1/3 apical); 
□ Factores de virulência: 
ƒ É capaz de produzir enzimas líticas, citolisina, fermonas e ácido 
lipoteicóico; 
ƒ Aderência e alteração da resposta das células do hospedeiro; 
ƒ Capacidade de exprimir proteínas que lhe permitem competir com 
outras células bacterianas; 
ƒ Capacidade de reprimir a ação dos linfócitos; 
ƒ Capacidade de penetrar e colonizar os túbulos dentinários; 
□ Factores de sobrevivência, que permitem persistir no sistema de canais e 
nos túbulos dentinários: 
ƒ Apresenta polimorfismos genéticos generalizados; 
ƒ Possui serina, proteases e adesina de colagénio, que auxiliam a 
ligação à dentina radicular; 
ƒ Utiliza o soro originário do osso alveolar e do ligamento 
periodontal como fonte de nutrientes; 
ƒ Forma biofilmes resistentes à fagocitose, anticorpos e antibióticos 
(capacidade de resistência 1000 vezes maior do que as bactérias 
que não formam biofilmes); 
ƒ Resiste a pH na ordem do 11,5, o que torna a sua eliminação 
definitiva extremamente difícil; 
ƒ Limitações dos irrigantes; 
 
O irrigante ideal obedece às seguintes características: 
ƒ Capacidade bacterícida de largo espetro; 
ƒ Alta eficácia contra organismos anaeróbios e organismos facultativos; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 30 
 
ƒ Eficaz contra organismos organizados em biofilmes; 
ƒ Capacidade de inactivação de endotoxinas e subprodutos bacterianos; 
ƒ Capacidade de dissolução de matéria orgânica (restos pulpares) e inorgânica; 
ƒ Prevenir formação de Smear Layer e promover a sua remoção, se formada; 
ƒ Baixa tensão superficial e capacidade de penetração nos túbulos dentinários; 
ƒ Capacidade lubrificante e de redução da fricção dos instrumentos; 
ƒ Ser biocompatível e não tóxico para tecidos periapicais; 
ƒ Não enfraquecer estrutura dentária remanescente; 
ƒ Baixo potencial para reacções anafiláticas; 
ƒ Não indução de alterações de coloração da estrutura dentária; 
ƒ Tempo médio de vida apropriado para armazenamento; 
ƒ Baixo custo; 
 
No entanto, ainda não há nenhum irrigante que reúna todos estes requisitos. Há, sim, um 
irrigante que consegue cumprir a maioria das características descritas – o hipoclorito de 
sódio. 
Para aumentar a eficácia da desinfeção, o protocolo que é seguido compreende o uso 
combinado de mais do que um irrigante, de forma a conseguir um espetro de ação maior. 
 
Os principais irrigantes utilizados em Endodontia são: 
ƒ Hipoclorito de sódio (NaOCl) – Líxivia; 
ƒ Digluconato de clorhexidina (CHX); 
ƒ EDTA; 
ƒ EDTA-T; 
ƒ Ácido cítrico; 
ƒ Peróxido de hidrogénio (H2O2) – Água oxigenada; 
ƒ MTAD; 
ƒ Compostos iodados; 
ƒ Álcool etílico; 
ƒ Solução aquosa de cloreto de sódio (NaCl) – Soro fisiológico; 
 
Existem dois grande grupos de substâncias de desinfeção: 
ƒ Substâncias de desinfeção direta, que são substâncias que têm um grande poder 
de matar as bactérias – como o hipoclorito de sódio e a clorhexidina; 
ƒ Substâncias de desinfeção indireta (auxiliares dos agentes de desinfeção – agentes 
quelantes), que não são usadas pelas suas capacidades antimicrobianas, mas sim 
por aumentarem a ação dos desinfectantes em si, removendo tecido inorgânico 
infetado, por exemplo – como o EDTA e o ácido cítrico; 
 
Hipoclorito de sódio: 
ƒ Usado em concentrações de 0,5% a 5,25% – a concentração a 5,25% é a mais 
indicada. Embora o NaOCl tenha ação antimicrobiana máxima a partir dos 3%, a 
sua capacidade de dissolução de matéria orgânica apenas é ótima aos 5,25%; 
ƒ Tem um largo espetro de ação; 
ƒ Tem uma grande capacidade de dissolver tecido pulpar; 
ƒ É muito tóxico para os tecidos periapicais – característica negativa; 
ƒ Quando dissolve a matéria orgânica, ocorre uma reação de saponificação – 
degradação dos lípidos; 
ƒ Quando tem capacidade antimicrobiológica, ocorre uma reação de oxidação-
cloraminação – desinfeção propriamente dita; 
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Catarina Rodrigues 31 
 
Clorhexidina: 
ƒ Usada em concentrações de 0,2% a 2% – a mais usada é 2%; 
ƒ Apresenta-se sobre a forma de gel ou líquido; 
ƒ Tem um largo espetro de ação antimicrobiano, sendo até igual ou superior ao 
hipoclorito de sódio; 
ƒ Apresenta substantividade – capacidade de ser adsordida por tecidos moles e 
duros e de se ligar a eles – aumentando a durabilidade da sua ação; 
ƒ Não tem capacidade de dissolução de tecido pulpar, sendo que é utilizada em 
retratamentos por essa mesma razão – característica negativa; 
 
EDTA: 
ƒ É usado mais frequentemente em concentrações de 17%; 
ƒ Apresenta-se sobre a forma de gel ou líquido; 
ƒ Tem capacidade de dissolução de matéria inorgânica e remoção da Smear Layer 
– reage com os iões de cálcio dentinário, tornando-os solúveis; 
ƒ Não tem capacidade antibacteriana – característica negativa; 
ƒ Atua como surfactante – permite abrir os túbulos dentinários, aumentando a ação 
do desinfetante direto; 
 
Ácido cítrico: 
ƒ É utilizado em concentrações de 10% a 50% – a mais utilizada é 10%; 
ƒ Tem capacidade de dissolução de matéria inorgânica e remoção da Smear Layer; 
ƒ Não tem capacidade antibacteriana – característica negativa; 
ƒ Cria uma menor reação anti-inflamatória do que o EDTA, sendo, aparentemente, 
mais biocompatível; 
 
Ao nível do protocolo clínico, inicia-se a instrumentação intercalada com a desinfeção 
com hipoclorito de sódio e posteriormente com um agente quelante – seja o EDTA ou o 
ácido cítrico. 
Se o agente quelante for o EDTA, volta-se a utilizar o NaOCl e medicação intracanalar. 
Na última irrigação, utiliza-se novamente um agente quelante (ácido cítrico ou EDTA) e 
um desinfetante direto (NaOCl ou CHX), colmatando com uma lavagem com álcool (para 
diminuir a tensão superficial no interior das paredes do canal e para auxiliar na sua 
limpeza). Por fim, realiza-se a obturação. 
Por outro lado, se o agente quelante for o ácido cítrico, utiliza-se CHX, sem, no entanto, 
se usar medicação intracanalar. O passo seguinte é igual ao do EDTA, ou seja, na última 
irrigação, utiliza-se novamente um agente quelante (ácido cítrico ou EDTA) e um 
desinfetante direto (NaOCl ou CHX), faz-se uma lavagem com álcool e realiza-se a 
obturação. 
 
Nota – não se deve utilizar NaOCl e CHX em simultâneo. Estas duas substâncias reagem 
e formam um precipitado tóxico e cancerígeno – a PCA (paracloroanalina).Este 
precipitado, ao atingir os tecidos periapicais, tem toxicidade eritrócita e pode afetar o 
sistema hematopoiético (levando a anemia hemolítica, hematopoiese extracelular e 
esplenomegalia). 
 
 
 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 32 
 
Em esquema, resume-se da seguinte forma: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O NaOCl e a CHX podem ser utilizados no mesmo tratamento, mas é necessário certificar 
que antes de utilizar um, não há restícios do outro nos canais. Então, antes de se irrigar 
com CHX é necessário: 
ƒ Secar com cones de papel; 
ƒ Irrigar com soro fisiológico, álcool ou EDTA – o mais indicado é irrigar com 
EDTA e álcool, e posteriormente secar com os cones de papel; 
 
Na irrigação manual, a seringa utilizada deve ter capacidade de prender corretamente a 
agulha, a fim de evitar complicações sérias, quer para o paciente, quer para o médico (a 
agulha, ao saltar, pode libertar NaOCl, que tem grande capacidade de dissolver tecido 
orgânico). 
Quanto às agulhas, tal como foi dito na primeira aula, existe uma enorme variedade, sendo 
que as mais aconselhadas e mais seguras são as de saída lateral (previnem os chamados 
“acidentes de hipoclorito”, uma vez que o irrigante não sai em direção ao fórame apical, 
mas sim em direção às paredes, fazendo refluxo). As agulhas de dispersão frontal são 
mais “perigosas”, uma vez que, se não houver conicidade suficiente, saiem em direção ao 
ápice, aumentando a possibilidade de extrusão apical e consequente atingimento dos 
tecidos periapicais. 
Para a irrigação manual, é necessário respeitar algumas regras, que são: 
ƒ Marcar a profundidade de inserção da agulha (CT - 3mm, regra geral) – a fim de 
diminuir o risco de extrusão apical; 
ƒ Fazer movimentos de vai-vem (evitando que a agulha trave e promovendo o 
refluxo); 
ƒ Realizar ligeira pressão no êmbolo da seringa; 
 
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Catarina Rodrigues 33 
 
Aula 9 – Isolamento absoluto em Endodontia 
 
Realizar o isolamento absoluto é uma condição necessária para realizar o tratamento 
endodôntico. 
Em 2014, a OMD dirigiu uma diretiva sobre a obrigatoriedade do isolamento absoluto 
em tratamentos endodônticos. Qualquer médico que não utilize o isolamento absoluto e 
tenha, durante o tratamento, alguma complicação que condicione a saúde do paciente pelo 
não uso, é acusado de crime por negligência médica. 
 
Antes de realizar qualquer tratamento endodôntico é necessário verificar se é possível 
restaurar o dente no final, pois no caso de não ser possível, o tratamento foi realizado 
desnecessariamente. 
Se o paciente não consegue abrir muito a boca ou tem fobia, não se consegue fazer o 
isolamento absoluto. Se não for possível colocar o grampo por não ter coroa, podemos 
realizar uma restauração pré-endodôntica. 
 
A utilização do dique de borracha é absolutamente indispensável, sendo que a sua não 
utilização compromete seriamente o tratamento endodôntico – o uso do mesmo diminui 
a recontaminação até 98%. 
 
As vantagens do uso do isolamento absoluto são: 
ƒ Campo seco e limpo; 
ƒ Torna a execução do TENC mais fácil e rápida havendo um aumento da eficácia; 
ƒ Visibilidade aumentada; 
ƒ Impede o embaciamento do espelho; 
ƒ Prevenção da contaminação do campo operatório com saliva, sangue ou outros 
fluídos tecidulares (pus); 
ƒ No caso de um paciente portador de doenças transmissíveis, evita a contaminação 
do clínico, diminuindo a projeção de aerossóis; 
ƒ Evita a aspiração ou deglutição de detritos, de fragmentos de restaurações e do 
dente, de limas, de brocas e soluções irrigadoras (Hipoclorito sódio 5,25%, EDTA 
17%); 
ƒ Não necessitamos de estar constantemente a colocar rolos de algodão – como 
acontece no isolamento relativo; 
ƒ Diminui a infeção cruzada; 
ƒ Evita a recolonização canais; 
ƒ Melhora o funcionamento dos Localizadores Eletrónicos do Ápice; 
ƒ Eficiência e tempo; 
ƒ Diminui o stress, principalmente do operador; 
 
Já as desvantagens do isolamento absoluto são: 
ƒ Um pouco mais difícil de executar técnicas radiográficas; 
ƒ Se não houver destreza, a sua colocação torna-se morosa; 
ƒ Trauma dos tecidos moles, se a escolha do grampo não for a mais adequada; 
ƒ O paciente não consegue falar (tornando a consulta num monólogo); 
ƒ Pode ser necessário a sua substituição durante o ato clínico; 
ƒ Objeção do paciente; 
 
 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 34 
 
Para realizar o isolamento absoluto, o instrumental necessário é: 
ƒ Grampos para dentes anteriores e posteriores – permitem que o lençol de borracha 
fique junto ao colo do dente; 
ƒ Dique ou lençol de borracha – faz o isolamento do campo operatório (existe em 
várias cores e opções para quem é alérgico ao látex); 
ƒ Porta-dique – mantém esticado o lençol de borracha; 
ƒ Perfurador do dique de borracha (Ainsworth); 
ƒ Pinça porta-grampo – permite que o grampo abra e feche (se apertar, a parte da 
frente abre); 
ƒ Carimbos base – que servem de orientação para furar o lençol de forma correta; 
 
 
 
Grampos: 
ƒ Alguns tipos de grampos: 
□ Grampo 00: muito pequeno, para pré-molares muito pequenos; 
□ Grampo 1: grampo universal para pré-molares; 
□ Grampo 7: grampo universal para molares (nada invasivo, apoios mais retos); 
Grampo W8A: grampo para molares pequenos ou destruídos (mais invasivo, 
pode traumatizar os tecidos moles, apoios muito curvos) – como não tem 
aletas, pode-se colocar o grampo e depois o lençol ou vice-versa; 
□ Aletas (ou asas): estruturas no grampo que permitem levar o grampo em 
simultâneo com o lençol de borracha, aumentando a retração do mesmo (W8A 
e 212 não têm aletas). 
□ Grampo 212: para dentes anteriores, não tem aletas – não se pode colocar o 
lençol depois de colocar o grampo, pois o lençol pode rasgar, por o grampo 
ser muito grande; 
□ Grampo 9: grampo semelhante ao 212, mas tem aletas; 
ƒ O grampo deve ficar ao nível do colo do dente (zona mais retentiva – abaixo do 
maior diâmetro coronal), nunca em tecidos moles sob pena de lhes conferir 
trauma; 
ƒ Os quatro apoios (ou unhas) do grampo devem ficar em contacto com o dente 
isolado; 
ƒ A estabilidade/adaptação dos grampos deverá ser verificada antes da colocação 
do isolamento absoluto; 
ƒ O dique deve estar centrado em relação à face do paciente, para isso utiliza-se o 
carimbo base para auxiliar; 
ƒ As radiografias de Odontometria e Conometria são feitas com isolamento 
absoluto; 
 
 
 
 
 
 
Grampo Dique de 
borracha 
Porta-dique Perfurador 
do dique 
Pinça porta-
grampo 
Carimbo 
base 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 35 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: há diferenças entre grampos para dentes anteriores e para dentes posteriores – os 
dos dentes anteriores são maiores e os grampos de dentes posteriores têm arco, que deve 
sempre ficar colocado para distal. 
 
 
Antes da colocação do grampo, é necessário ter alguns cuidados, nomeadamente: 
ƒ Desinfetação da boca e do dente com Clorhexidina 0,12%; 
ƒ Destartarização e polimento – a fim de remover as bactérias; 
ƒ Verificação dos espaços interproximais e da existência de restaurações 
debordantes que não permitam a entrada do lençol de borracha até ao colo do 
dente – é necessário corrigir estas situações antes de avançar; 
ƒ Seleção do grampo mais adequado para o dente a tratar – após este ponto, colocar 
fio dentário no arco do grampo, de modo a segurá-lo, caso salte do dente; 
ƒ Perfuração do lençol de borracha; 
ƒ Verificação da estabilidade do grampo; 
ƒ Verificação das áreas de possível infiltração; 
ƒ Realização da restauração de prova, se assim for preciso; 
 
Se o dente a tratar estiver cariado, deve-se limpar primeiro a cárie everificar se o dente 
tem condições para ser restaurado. Se tal se verificar, executa-se a restauração de prova, 
para que todas as paredes do dente estejam íntegras (que também vai facilitar a retenção 
do irrigante no dente) e de modo a realizar o isolamento absoluto. 
 
 
Grampos para pré-molares 
 
 
Grampos para molares 
 
 
 
Grampos para dentes 
anteriores 
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Catarina Rodrigues 36 
 
A restauração de prova é realizada com IVMR (ionómero de vidro modificado por resina) 
ou com RC (resinas compostas). 
 
Condicionantes do dente Opções de abordagem 
Restaurações defeituosas 
Cáries 
Estrutura coronária perdida 
Gengivectomia 
Aumento da coroa clínica 
Extrusão ortodôntica 
Aros de cobre 
Bandas ortodônticas 
Restauração de prova 
 
Mesmo com isolamento absoluto, o aspirador deve estar bem próximo ao dente, aquando 
da irrigação, de modo a minimizar a extrusão do irrigante, no caso de haver uma 
microperfuração do lençol de borracha. 
Também se deve fazer o teste da água, que consiste em colocar água no lençol e perguntar 
ao paciente se está a sentir água, se estiver, é porque há alguma infiltração no lençol de 
borracha. Para resolver estas possíveis áreas de infiltração (se forem pequenas), pode-se 
colocar cimentos, que servem para reparar infiltrações. 
 
Existem alguns tipos de isolamento absoluto: 
ƒ Isolamento de um só dente – quando o dente está bem posicionado, não tem a 
coroa muito destruída ou se está íntegro; 
ƒ Isolamento do dente a tratar e dos seus adjacentes (múltiplos dentes) – quando o 
dente está mal posicionado, se te uma restauração muito extensa, se se vai realizar 
mais do que uma desvitalização e se é necessária um campo visual mais amplo; 
ƒ Isolamento de todo o quadrante no qual o dente está incluído; 
 
Tipos de execução do isolamento absoluto: 
ƒ Colocar primeiro o grampo e depois o lençol de borracha (técnica de Ingraham) – 
nunca em dentes anteriores, apenas nos dentes posteriores, com grampos com ou 
sem aletas (sendo preferíveis estes últimos). Permite a visibilidade máxima e 
reduz o risco de danificar a gengiva, mas é um procedimento difícil. Ter cuidado, 
pois o lençol pode rasgar ao passar nas aletas. O grampo mais utilizado nesta 
técnica é o W8A; 
ƒ Colocar primeiro o lençol e depois o grampo – em todas as situações, com 
grampos com ou sem aletas. Mais fácil de realizar em dentes anteriores, para 
segurar firmemente, mas há risco de danificar a gengiva, dada a visibilidade 
limitada; 
ƒ Colocar simultaneamente o grampo e o lençol – só com grampos com aletas – há 
menor risco de engolir o grampo, mas tem visibilidade limitada; 
 
O grampo 9 (com aletas), utilizado em dentes anteriores, é colocado simultaneamente 
com o lençol, mas pode também ser colocado primeiro o lençol e prosteriormente o 
grampo. Também o grampo 212 (sem aletas) utiliza esta última técnica – primeiro o lençol 
e depois o grampo. 
Já com os grampos 1 e 7 (com aletas) é ideal colocar simultaneamente, mas podem ser 
colocados primeiro que o lençol ou depois deste. 
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Catarina Rodrigues 37 
 
 
Os factores que dificultam ou impossibilitam o uso do isolamento absoluto são: 
ƒ Erupção insuficiente ou dentes mal posicionados; 
ƒ Dentes fraturados ou destruídos por cárie; 
ƒ Dentes com anomalias de forma; 
ƒ Ortodontia; 
ƒ Pacientes asmáticos ou com outras doenças respitatórias, ou com fobias 
(claustrofobia); 
ƒ Pacientes com alergia ao latex; 
ƒ Pacientes com limitação na abertura da boca; 
ƒ Esgotamento do stock de isolamento absoluto; 
 
Aula 10 – Radiologia em Endodontia – parte 1 
 
Ao longo do tratamento endodôntico, são realizadas 4 radiografias – radiografia inicial, 
radiografia de odontometria, radiografia de conometria e radiografia final. 
 
O tratamento endodôntico exige sensibilidade tátil, a perceção que se tem do tato, 
enquanto extensão da visão, aliada à habilidade de conhecimentos que se completa 
quando se adquire a capacidade de retirar das imagens radiográficas, que são limitadas 
pela sua bidimensionalidade. No entanto, estas imagens complementam a elaboração do 
diagnóstico e do plano de tratamento. 
 
Há informações ilimitadas que se conseguem retirar do exame clínico e da história do 
paciente, no entanto não é tudo visível e esta informação não é suficiente em Endodontia. 
Dentro das especialidades da Medicina Dentária, a Endodontia é a que mais utiliza a 
radiologia, quer na fase inicial, quer na fase de tratamento, quer no follow-up. 
 
Para fazer uma boa interpretação da radiografia, é necessário que esta tenha boa 
qualidade. Todas as radiografias, ao longo do tratamento, têm de seguir os mesmos 
parâmetros, para poderem ser comparadas e darem informações relevantes para o sucesso 
do tratamento. 
 
A importância da da radiografia é importante: 
ƒ Na fase de diagnóstico: 
□ Para compreender qual o tipo de tratamento a realizar e se há fatores que 
condicionam o mesmo (profundidade da cárie) – raio-x inicial; 
ƒ Durante o tratamento: 
□ Para saber o tamanho do dente, até onde instrumentar, até onde colocar a 
gutta-percha etc – raio-x de odontometria e conometria; 
ƒ No final do tratamento: 
□ Verificar se a obturação ficou bem feita – raio-x final; 
ƒ Na fase de follow-up: 
□ Controlo do dente e seu comportamento; 
 
A radiografia bite-wing (interproximal) é a melhor para detetar as cáries ou cristas ósseas. 
É de extrema importância para: 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 38 
 
ƒ Avaliar a restaurabilidade do dente, ou não (a restauração de prova não conta 
como um restauro “verdadeiro”, dado que não foi realizado consoante os 
parâmetros da Dentística); 
ƒ Avaliar a restaurabilidade e se o paciente possui posses financeiras para suportar 
um tratamento mais dispendioso; 
ƒ Analisar a distância entre a cárie e a crista óssea; 
ƒ Avaliar restaurações, nomeadamente restaurações com recidiva de cárie, que 
possam compormeter a polpa; 
ƒ Avaliar o que está sob coroas fixas, podendo haver comprometimento das raízes; 
 
Já a radiografia periapical é importante para se a cárie tem proporções a nível apical 
(inflamação ou reabsorção apical) e a morfologia radicular: 
ƒ Verificar inclinações radiculares – as inclinações das raízes que são visíveis na 
radiografia são apicais e em sentido mesio-distal (MD), ou seja, se a raíz parecer 
reta, pode estar inclinada para palatino/lingual ou vestibular (confirmar com 
TAC); 
ƒ Avaliar cálculos pulpares – visualizando as calcificações que existem a nível da 
câmara e canais radiculares. Se tiver cálculos, dificulta o tratamento (grau de risco 
elevado), mas podem ser removidos com ultra-sons. Estes cálculos, no raio-X, são 
visíveis como “manchinhas” brancas, ao invés de radiolúcidas. 
 
Espigões de falso coto fundido: 
ƒ Para remover espigões, deve-se usar ultrassom, de forma a tirar as ligações do 
cimento que une o espigão à dentina; 
ƒ Há reabsorção óssea; 
ƒ O raio-X ajuda a verificar se o tratamento é fácil de realizar e para avaliar a 
extensão e adesão; 
ƒ É uma lesão grande, não existindo maneira de diminuir com o retratamento 
endodôntico; 
ƒ A primeira abordagem é o retratamento. Se não houver remissão, realiza-se 
raspagem. Nunca se realiza a parte cirúrgica em primeiro lugar! 
 
Reabsorção radicular externa: 
ƒ Acontecem por processos infecciosos persistentes, traumas e grandes forças 
oclusais aplicadas nos dentes – reação tardia pós-traumatismo dentário, como 
consequência do movimento ortodôntico, cirurgia ortognática, tratamento 
periodontal; 
ƒ É uma condição de ocorrência bastante comum; 
ƒ São casos bastante difíceis pois podemos ter uma reabsorção sem qualquer 
sintomatologia associada, ou o dente apresentarligeira mobilidade ou 
sensibilidade à percussão; 
ƒ O diagnóstico é geralmente detetado através de radiografias, verificando-se uma 
área radiolúcida de bordos irregulares, em diferentes alturas da raíz; 
ƒ Se o factor agressor não cessar, é necessário realizar endodontia; 
 
Reabsorção radicular interna: 
ƒ Também denominada como reabsorção intracanalr, odontoblastoma, edodontoma 
ou granuloma interno; 
ƒ É relativamente rara; 
Sebenta de Endodontia I – 2015/5016 
 
Catarina Rodrigues 39 
 
ƒ O principal agente etiológico é o trauma, mas pode também relacionar-se com 
pulpites, cáries e restaurações profundas; 
ƒ Normalmente é assintomática, e pode ocorrer em qualquer área do canal radicular; 
ƒ Pode ser diagnosticada a partir da ocorrência de uma fratura ou durante exames 
radiográficos; 
ƒ Na radiografia, é visível uma expansão relativamente simétrica dos limites 
pulpares, com contornos regulares e arredondados; 
ƒ O tratamento passa por uma pulpectomia; 
 
Fistulografia: 
ƒ Uma fístula é uma pequena abertura que existe ao nível do vestibulo; 
ƒ Há um processo infeccioso não tratado, havendo formação de pus; 
ƒ O organismo criou um “escape”, realizando um trajecto fistuloso, que vai desde o 
ápice da raíz até ao vestibulo, a fim de drenar o pus. A este processo chama-se 
abcesso crónico; 
ƒ Não é doloroso para o paciente, uma vez que à medida que se forma pus, este vai 
sendo drenado; 
ƒ Por vezes, a fístula encontra-se entre 2 dentes, não sendo possível verificar 
(mesmo através de meios radiográficos) qual o dente responsável pela lesão 
crónica. É necessário realizar, então, a fistulografia; 
ƒ A fistulografia consiste em introduzir um cone de gutta-percha nº. 40 na fístula, 
seguindo o trajeto fistuloso que existe ao nível do vestibulo. Posteriormente 
realiza-se uma radiografia e verifica-se qual o dente responsável pela lesão – 
utiliza-se a gutta-percha por ser radiopaca; 
 
A radiografia de odontometria é realizada com o isolamento absoluto. É um raio-X difícil, 
uma vez que se tem de colocar muito bem a película atrás do grampo e, com o lençol de 
borracha, ser possível verificar os ângulos verticais, para que o raio-X fique o mais 
perfeito possível, retirando, daí, as medidas do dente a tratar. 
 
A radiografia de conometria é também realizada com isolamento absoluto, avaliando-se 
a adaptação do cone e se este respeita, ou não, o limite CDC. 
 
A radiografia final pode ser realizada com ou sem isolamento absoluto. Em caso de se 
fazer sem isolamento absoluto, é necessário o isolamento coronário prévio – colocar 
compósito ou ionómero de vidro, para selar a entrada dos canais. 
 
A radiografia de controlo serve para avaliar a redução de lesões e acompanhar a evolução 
do tratamento. Pode ser feita de 3 em 3 meses ou de 6 em 6, até 4 anos, dependendo da 
gravidade. 
 
Quando a lima fratura, é preciso fazer uma radiografia, a fim de verificar se o instrumento, 
de facto, partiu, e em que local ficou o fragmento. É, também, necessário parar o 
tratamento para remover o instrumento. 
Se o instrumento tiver partido em cima, é possível removê-lo com ultrassons. Se, pelo 
contrário, o instrumento tiver partido em baixo, nem sempre é possível removê-lo, 
condicionando o tratamento. Se não for possível retirar o fragmento, é preciso fazer 
bypass, para passar ao lado do mesmo. 
Se a fratura ocorreu no final do tratamento, em que o canal já foi muito bem desinfetado 
e se se fizer uma obturação termoplástica envolvendo o fragmento com material 
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obturador, pode não acometer problemas. Por outro lado, se a fratura se deu numa fase 
inicial, as hipóteses de sucesso são menores.