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AULA_08_Instr cirurgico_fios e sintese_2013_02

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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ - SC 
ENSINO CLINICO V TEÓRICO-CIRÚRGICO 
ENSINO CLÍNICO V PRÁTICO 
Prof.ª MSc. Erika Boller 
 
AS INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS SÃO REALIZADAS EM QUATRO FASES OU 
TEMPOS FUNDAMENTAIS 
 
 
 
 
 
 
 1 - Diérese - é o rompimento da continuidade dos tecidos, podendo ser mecânica ou física. A 
diérese ou divisão constitui manobra cirúrgica destinada a criar uma via de acesso, através dos tecidos. 
A diérese pode ser mecânica ou física. 
1.1 Diérese mecânica - é feita através do uso de material cortante. Ex: bisturi e tesouras. 
1.2 Diérese Física - utiliza o calor, o resfriamento intenso ou raio laser para romper os tecidos. 
 
 Diérese - tem como princípios fundamentais: 
1 - Seccionar toda a espessura do plano de uma só vez; 
2 - Não afunilar a incisão; 
3 - Seccionar planos subjacentes em maior extensão (para evitar afunilamento); 
4 - Não biselar a incisão; 
5 - Não comprometer grandes vasos e nervos da região; 
6 - Acompanhar preferencialmente as linhas de força da pele; 
7 - Seccionar as aponeuroses na direção de suas fibras para que ocorre boa cicatrização. 
 
 2 - Hemostasia - é o processo pelo qual se impede, detêm ou previne o sangramento. No ato 
cirúrgico, evita-se a perda excessiva de sangue, propiciando melhores condições técnicas e aumentando, assim, 
o rendimento do trabalho. Após a operação, favorece a evolução normal da ferida operatória, evita a infecção e 
afasta a necessidade de reoperaçâo para a drenagem de hematomas e abscessos. Pode ser temporária ou 
definitiva, preventiva ou corretiva. 
 
Tipos de hemostasia: 
2.1 - Hemostasia preventiva: pode ser medicamentosa e cirúrgica, sendo que a primeira é baseada em exames 
laboratoriais e a segunda realizada com a finalidade de interromper a circulação durante o ato cirúrgico, 
temporária ou definitivamente. 
2.2 - Hemostasia de urgência: esta hemostasia é realizada, quase sempre em condições não favoráveis e com 
material improvisado como por exemplo: garrotes, torniquetes, compressão digital. 
2.3 - Hemostasia curativa: é a hemostasia que se realiza no decorrer da intervenção cirúrgica e pode ser 
medicamentosa, mecânica, física ou biológica. 
 
3 - Cirurgia propriamente dita – constitui a realização do procedimento cirúrgico. Possui caráter 
curativo, paliativo, estético/corretivo, diagnóstico. Nessa etapa os tecidos já estão separados, a cavidade aberta, 
o funcionamento do órgão deverá ser alterado e o órgão deverá ser extirpado. Representa o tempo mais 
elaborado da intervenção e exige maiores cuidados da equipe de cirurgia. 
1 - Diérese 
2 - Hemostasia 
3 - Cirurgia propriamente dita 
4 – Síntese 
 2 
4 - Síntese - é a união dos tecidos (suturas): a síntese cirúrgica é uma operação fundamental que 
consiste na aproximação das bordas de tecidos seccionados ou ressecados. Tem como objetivo manter a 
continuidade tecidual e facilitar as fases iniciais do processo de cicatrização. 
 
É a união de tecidos, que será mais perfeita quanto mais anatômica for a separação, para facilitar o 
processo de cicatrização e restabelecer a continuidade tecidual por primeira intenção. Pode ser realizada da 
seguinte forma: 
- Cruenta: a união de tecidos é realizada por meio de instrumentos apropriados com agulhas de sutura e fios 
cirúrgicos permanentes ou removíveis. 
- Incruenta: consiste na aproximação dos tecidos com auxílio de gesso, adesivos (esparadrapos) ou ataduras. 
- Completa: a união ou aproximação dos tecidos, realizada em toda a extensão da incisão cirúrgica. 
- Incompleta: consiste na aproximação incompleta em toda a extensão da ferida em consequência da colocação 
de dreno em determinado local da incisão cirúrgica. 
- Imediata: ocorre imediatamente após a segmentação deles por traumatismos. 
- Mediata: Consiste na união dos tecidos após algum tempo depois do rompimento da continuidade ou 
contiguidade deles. 
 
Quais as principais funções das suturas? 
Conjunto de materiais destinado a unir temporariamente as bordas de uma ferida, auxiliando no 
desenvolvimento da síntese definitiva realizada pelo processo biológico de cicatrização, visando a restituição da 
continuidade anatômica e funcional dos tecidos divididos. Desta forma, espera-se que a sutura desempenhe a 
função de manter os tecidos unidos, enquanto o processo de cicatrização se desenvolve sem demora e com o 
mínimo de cicatriz, devendo-se manter sem alterações até a resistência tênsil adequada. 
 
 
INSTRUMENTAL CIRÚRGICO, TÉCNICA DE PREPARO DA MESA DE INSTRUMENTAÇÃO 
 
INTRODUÇÃO 
Sabemos que a palavra cirurgia significa operação manual, pois deriva do grego cheir (mão) e ergon 
(trabalho). É evidente que um ato cirúrgico requer também instrumentos para aumentar a destreza do operador e 
possibilitar a realização de manobras impossíveis de serem executadas apenas com as mãos. Usamos os 
termos instrumento para denominar cada peça, em particular; e instrumental para o conjunto destas peças. O 
número de instrumentos cirúrgicos é incontável; ao longo dos tempos os cirurgiões vêm criando e modificando 
novos elementos, que não são incorporados aos já existentes. Quase sempre levam o nome de seus 
idealizadores, muitas vezes diferindo apenas em detalhes muito pequenos. Estes instrumentos serão objetos de 
comentários, divididos em suas diferentes categorias. 
 
DISTRIBUIÇÃO 
Há muitas formas de se dispor os instrumentos numa mesa, em função do tipo de mesa, tipo de cirurgia 
e até da preferência do instrumentador. Os instrumentais cirúrgicos são agrupados conforme o uso durante o ato 
cirúrgico: há a participação de instrumentais próprios adequados ao tempo da cirurgia que se destinam. 
 
 
TÉCNICA DE PREPARO DA MESA DE INSTRUMENTAÇÃO 
 
 A mesa antes de receber os instrumentos deverá ser adequadamente preparada. Inicialmente, deve ser 
recoberta por um impermeável esterilizado para evitar contaminação de instrumentos de pontas finas como 
agulhas que podem perfurar o campo e fazer contato com a superfície da mesa. 
 O impermeável também isola contra queda de líquidos sobre a mesa, dificultando a contaminação 
através da mesma. Sobre o impermeável esterilizado coloca-se então campo duplo para poder receber os 
instrumentos. 
 
Disposição do instrumental na mesa: a colocação dos instrumentos na mesa de instrumentação deve 
seguir a mesma ordem usada na classificação dos mesmos: 1. diérese; 2. preensão; 3. hemostasia; 4. 
exposição; 5. especial; 6. síntese. 
 
 3 
Fig. 01- Mesa principal de instrumentação - divisão por grupos 
 
ESPECIAIS 
 
 
PREENSÃO 
PINÇAS ANATÔMICAS 
COM DENTE / SEM DENTE 
 
SÍNTESE 
PORTA-AGULHA 
FIO + AGULHA 
 
EXPOSIÇÃO 
AFASTADORES + PINÇAS 
DE CAMPO 
 
HEMOSTASIA 
KOCHER / KELLY / HALSTED 
 
DIÉRESE 
TESOURA + BISTURI 
 
Para tanto, imagina-se dividida a superfície da mesa em seis partes, guardando cada parte uma área 
mais ou menos proporcional ao número e tamanho dos instrumentos (Fig. 01). Todos os instrumentos deverão 
ter suas pontas viradas para o lado da área de instrumentação, exceto os porta-agulhas, porque nessa posição 
serão apanhados pela instrumentadora para passar ao cirurgião e auxiliares. Os instrumentos devem ocupar 
sempre uma posição específica e constante tanto inicialmente como após o uso (Fig. 02). 
 
Área de instrumentação - seqüência de uso 
                  
 
ESPECIAL 
 
PREENSÃO 
 
SÍNTESE 
EXPOSIÇÃO + 
PINÇAS CAMPO 
 
 
HEMOSTASIA 
 
 
DIÉRESE 
 
                 
Fig. 02 - Sentido da disposição dos instrumentos com a mesa de instrumentação situada à direita da 
mesa de cirurgia. 
 
Fig. 03 - Mesa principal de instrumentação com montagem para