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Aula 15
Direito Constitucional p/ TRE-PE (Analista Judiciário - Área Judiciária)
Professores: Nádia Carolina, Ricardo Vale
Direito Constitucional – TRE-PE 
Profa. Nádia Carolina / Prof. Ricardo Vale 
 
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AULA 15: DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
Sumário: 
Ordem Econômica e Financeira ...................................................................... 1 
1- Introdução: ............................................................................................ 1 
2- Fundamentos e Princípios gerais da Ordem econômica: ......................... 2 
3- Política Urbana: .................................................................................... 19 
4- Política agrícola, fundiária e a reforma agrária: .................................... 23 
5- Sistema Financeiro Nacional: ................................................................ 27 
Questões Comentadas ................................................................................. 28 
Lista de Questões ........................................................................................ 34 
Gabarito ...................................................................................................... 37 
 
Ordem Econômica e Financeira 
1- Introdução: 
A ordem econômica consiste em um conjunto de normas que regulam o 
sistema econômico do País, definindo, dentre outros pontos, a forma de 
intervenção do Estado na economia. 
A disciplina constitucional da ordem econômica forma aquilo que a doutrina 
denomina “Constituição econômica”, que, nas palavras do Prof. Uadi 
Lammêgo Bulos, “consiste em um microssistema normativo, integrado à 
própria carta constitucional positiva, em cujo esteio erigem-se normas e 
diretrizes constitucionais que disciplinam, juridicamente, a macroeconomia”.1 
Há que se destacar, ainda, que a “Constituição econômica” não se esgota no 
texto constitucional: ela também se manifesta por meio de normas 
infraconstitucionais. É a partir disso que se pode fazer a distinção entre 
Constituição econômica material (núcleo essencial de normas que regem o 
sistema econômico, quer constem ou não do texto constitucional) e 
Constituição econômica formal (normas que regem o sistema econômico e 
que estão positivadas no texto constitucional, ainda que não dotadas de 
relevância material).2 
A constitucionalização da ordem econômica foi um movimento que ganhou 
força com a Primeira Guerra Mundial. Em virtude daquele conflito, o 
 
1 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva. São 
Paulo: 2011, pp. 1490. 
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! CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium. 
Salvador: 2012, p. 1276 – 1277. !
Direito Constitucional – TRE-PE 
Profa. Nádia Carolina / Prof. Ricardo Vale 
 
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Estado teve que assumir um papel mais ativo na regulação da economia, o que 
se acentuou ainda mais com a Crise da bolsa de Nova York (1929) e com a 
Segunda Guerra Mundial. 
Constata-se que a inserção da ordem econômica nos textos constitucionais foi 
uma das características da transição do Estado liberal para o Estado 
social. O Estado liberal era eminentemente não intervencionista; o Estado 
social, por sua vez, é marcado pela maior atuação governamental, seja 
intervindo na economia, seja ofertando prestações positivas em favor dos 
indivíduos. Dessa forma, a constitucionalização da ordem econômica é 
resultado do aparecimento da ideia de Estado de bem-estar social. 
No Brasil, a Constituição de 1934 foi a primeira a trazer em seu texto a 
disciplina da ordem econômica, o que se deveu à forte influência da 
Constituição alemã de Weimar (1919). Destaque-se que a Carta de 1934 
também tratou com pioneirismo a disciplina da ordem social, que está 
intimamente relacionada à ordem econômica. 
Na CF/88, a ordem econômica e financeira é dividida da seguinte forma: 
- Princípios Gerais da Ordem econômica (art. 170 – art. 181) 
- Política Urbana (art. 182 – art. 183) 
- Política agrícola e fundiária e a reforma agrária (art. 184 – art. 191) 
- Sistema Financeiro Nacional (art. 192) 
Essas normas, que consubstanciam a chamada “Constituição econômica”, 
podem ser classificadas, segundo a doutrina do Prof. José Afonso da Silva, 
como elementos socioideológicos. São elementos socioideológicos o 
conjunto de normas que refletem a existência do Estado social, 
intervencionista, prestacionista. 
 
2- Fundamentos e Princípios gerais da Ordem econômica: 
2.1- Princípios constitucionais da ordem econômica: 
A doutrina considera que a Constituição Federal de 1988, ao tratar da ordem 
econômica, estabeleceu princípios e soluções um tanto quanto 
contraditórios. Ao mesmo tempo em que consagra a liberdade de iniciativa, a 
CF/88 busca, em diversos momentos regulamentar a atividade econômica. 
Assim, liberalismo e intervencionismo se alternam na formulação dos 
princípios da ordem econômica, o que demonstra o resultado consensual de 
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um debate entre as diversas correntes que participaram da formulação da 
CF/88.3 
Segundo o art. 170, CF/88, a ordem econômica, fundada na valorização do 
trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos 
existência digna, conforme os ditames da justiça social. Por meio desse 
dispositivo, a CF/88 consagra a existência de uma economia de mercado, de 
índole capitalista. Isso fica claro ao estabelecer-se que o fundamento da ordem 
econômica é a livre iniciativa; com efeito, a livre iniciativa é característica 
central do sistema capitalista. 
Ao mesmo tempo, percebe-se que o art. 170, CF/88, estabeleceu que a 
finalidade da ordem econômica é promover a existência digna de todos, 
conforme os ditames da justiça social. Nesse sentido, busca-se compatibilizar 
o desenvolvimento econômico com o princípio da dignidade da pessoa 
humana. 
Os princípios constitucionais da ordem econômica são os seguintes: 
a) Soberania nacional. A soberania é um dos fundamentos da 
República Federativa do Brasil (art. 1º, I). Aqui, ela aparece no sentido 
de “soberania econômica”. Com isso, o legislador constituinte quis deixar 
claro que o Brasil deve buscar o seu desenvolvimento e evitar a situação 
de dependência em relação aos países industrializados. 
b) Propriedade privada. A propriedade privada dos meios de produção 
é a grande característica do sistema econômico capitalista. 
c) Função social da propriedade. O direito à propriedade não é 
absoluto; em outras palavras, a propriedade é garantida, desde que 
cumpra sua função social. Nos termos do art. 5º, XXIII, “a propriedade 
atenderá a sua função social”. 
d) Livre concorrência. A livre concorrência é um princípio que deriva 
do princípio da livre iniciativa. Ao estabelecer a livre concorrência como 
um princípio geral da ordem econômica, a CF/88 reconhece, 
implicitamente, a tese de que mercados competitivos geram maior 
eficiência econômica, possibilitando maior bem-estar e qualidade de vida 
aos cidadãos. 
Destaque-se, entretanto, que, embora o legislador constituinte tenha 
optado pela livre concorrência, esta não é absoluta. O Estado possui 
diversas formas de intervenção na economia. A intervenção estatal 
pode ser direta (como no caso de monopólios em setores estratégicos) 
ou indireta (através da regulação econômica).