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Início.« IEDDIREITO CONSTITUCIONAL »27 set DIREITO CIVIL II – OBRIGAÇÕES Posted 27/09/2009 by reesser in Direito Civil II - Obrigações. Comentários desativados Obrigações – relação jurídica entre credor e devedor com o objeto específico (dar, fazer ou não fazer). * É obrigação apenas quando há conteúdo patrimonial através de pessoas vivas. + a Obrigação tem caráter transitório, porque essa relação jurídica nasce com a finalidade ínsita de extinguir-se. A obrigação visa um escopo, mais ou menos próximo no tempo, mas que, uma vez alcançado, extingue-a. + Essa relação jurídica, esse vínculo, une duas ou mais pessoas. Credor e devedor são os dois lados da obrigação, do ponto de vista ativo e passivo. + O objeto da obrigação constitui-se numa atividade do devedor, em prol do credor. Essa atividade é a prestação. + O objeto da obrigação resume-se sempre a um valor econômico. + Uma vez satisfeito o credor, quer amigável, quer judicialmente, a obrigação deixa de existir. + O direito obrigacional é um direito pessoal, pois sua ínsita relação jurídica vincula somente duas (ou mais) pessoas. Características: •O direito obrigacional tem em mira relações humanas. Ele é relativo, uma vez que a prestação, que é seu objeto, só pode ser exigida ao devedor. •O direito obrigacional comporta um sujeito ativo, o credor, um sujeito passivo, o devedor, e a prestação, o objeto da relação jurídica. É um direito cooperativo. •Concede direito a uma ou mais prestações efetuadas por uma pessoa. •Tem caráter essencialmente transitório. •As relações obrigacionais são infinitas, as mais variadas possíveis, e as necessidades sociais estão, sempre e sempre, criando novas fórmulas para atendê-las. * Importância – a importância das obrigações revela-se por ser projeção da autonomia privada no Direito. Ao contrário dos direitos reais, as relações obrigacionais são infinitas. São reguladas pelo direito obrigacional tanto a mais comezinha compra e venda, quanto a mais complexa negociação. O Direito das Obrigações dá o suporte econômico da sociedade, porque é por meio dele que circulam os bens e as riquezas e escoa-se a produção. Página 1 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 *Diferença entre Direitos reais e Direitos obrigacionais – Direitos reais está relacionado à situação onde alguém é titular de alguma coisa. Direitos obrigacionais é a relação entre credor e devedor. CARACTERÍSTICAS: 1.1. Assentado na autonomia da vontade Norma criada pelos próprios interessados. As partes escolhem o contrato que lhes seja melhor. Tem os titulares (credor e devedor) o poder de criar suas próprias normas. Os contratantes criam normas que venham a satisfazer seus interesses. O poder de criar as próprias normas é dado pelo ordenamento jurídico e limitado por ele próprio. As normas podem ser: - cogentes: inderrogáveis pela vontade das partes, todos são obrigados a seguir (arts. 412 e 413). - dispositivas/ facultativas: são aplicadas ao caso quando os contratantes não se manifestaram a respeito da obrigação. (art. 233 e 490). São as mais comuns no direito obrigacional. - interpretativas: tem a finalidade de interpretar outras normas (arts. 112 e 113). 1.2. Sofre influências locais Tende a ser universal. Ex.: Convenção de Viena. 1.3. Menos suscetível às mudanças sociais Apesar da revolução da sociedade não há muita evolução. CONCEITO: OBRIGAÇÃO é a relação jurídica de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal, econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio. (Washington de Barros Monteiro). Ou ainda OBRIGAÇÂO é a relação jurídica transitória, de natureza econômica, pela qual o devedor fica vinculado ao credor, devendo cumprir determinada prestação pessoal, positiva ou negativa, cujo inadimplemento enseja a este executar o patrimônio daquele para a satisfação do seu interesse. Página 2 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 - Sentidos da palavra Obrigação *LATO: obrigação de fazer alguma coisa. *STRICTO: sentido técnico – relação jurídica transitória na qual envolve credor e devedor. -Distinção de Obrigação e Dever O dever não é patrimonial, não se esgota com o cumprimento e o dever, na maioria dos casos, decorre de lei. Já as obrigações se esgotam no seu cumprimento, são patrimoniais. - Distinção de Obrigação e Ônus ÔNUS: deve ser realizado e assim traz benefício ao que realiza, se não realizado o prejuízo será da própria pessoa. O ônus não é imposto à pessoa e sim desejado por ela. * Elementos constitutivos da relação obrigacional – PESSOA, OBJETO E VÍNCULO JURÍDICO. PESSOA – Os entes despersonalizados também são sujeitos de direito. Os entes despersonalizados só podem praticar os atos jurídicos que a lei prevê. É apenas necessário saber quem é credor e devedor na hora do pagamento, não sendo necessário que eles estejam absolutamente determinados. Os sujeitos da obrigação devem ser determináveis, embora possam não ser, no nascedouro da obrigação, determinados. Não é necessário que desde a origem da obrigação haja individuação precisa do credor e do devedor. Uma pessoa pode ser substituída numa relação, sento através de contratos ou da sucessão causa mortis. OBJETO – Material ou Objetivo – A relação jurídica sempre tem um objeto imediato (ato) que é sempre a conduta humana do devedor (dar, fazer ou não fazer). Já o objeto mediato é o bem da vida, que se dá o dar, fazer ou não fazer (dar o quê?). é o objeto da conduta. A prestação, ou seja, a atividade culminada pelo devedor, consiste no objeto imediato. O bem material que se insere na prestação constitui-se no objeto mediato. + Não se admite que se contrate o impossível de ser realizado (compra e venda de um bem que não existe mais). Quem realiza uma obrigação deve definir o que é devido. Página 3 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + O objeto deve ser lícito, possível e determinável (art. 166, II). A prestação deve ser física ou juridicamente possível. Quando a prestação for inteiramente impossível, será nula a obrigação. Já se a obrigação for tão só parcialmente impossível, não se invalidará a obrigação, pois o cumprimento da parcela possível poderá ser útil ao credor. Ademais, uma prestação impossível ao nascer, que se torne possível quando do momento do cumprimento, é perfeitamente válida e deve ser cumprida. A prestação deve também apresentar licitude. Deve atender aos ditames da moral, dos bons costumes e da ordem pública, sob pena de nulidade, como em qualquer ato jurídico. Se não for determinada, a prestação deve ser ao menos determinável. VÍNCULO JURÍDICO – a obrigatoriedade do contrato é seu requisito mais importante, pois é ela que dá segurança jurídica. Essa força obrigatória é chamada de vínculo jurídico. Vínculo Jurídico é a força dada pelo Direito à relação sem a qual teríamos somente um fato irrelevante para o Direito. Cria o liame entre o sujeito passivo e o sujeito ativo, por meio do qual o primeiro está obrigado ao cumprimento da prestação, podendo o segundo, no caso do descumprimento, socorrer-se do Poder Judiciário para exigir a prestação e/ou as perdas e danos correspondentes pelas quais responde todo o patrimônio do devedor, com exceção dos bens impenhoráveis. “Debitum” – dever de cumprir com a obrigação; “Obrigatio” – responsabilidade ou garantia, podem recorrer ao judiciário para exigir a prestação e/ou as perdas e danos correspondentes. + O Direito à prestação que possui o credor tem como correspondente, do outro lado da relação obrigacional,o dever de prestar do devedor. Trata-se de dever e não de ônus. É instrumento que serve para satisfazer a um interesse alheio. Caso não atenda ao dever de prestar, o devedor ficará sujeito às sanções atinentes à mora e ao inadimplemento. *Existem 3 tipos de Processo Civil: - Conhecimento: visa transformar o fato em direito. O juiz reconhece a petição. - Execução: necessita-se de títulos executivos. - Cautelar: assegura o cumprimento dos últimos processos de conhecimento e execução. FONTES DAS OBRIGAÇÕES Página 4 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 É o nascedouro, todos os atos que fazem brotar obrigações. Onde nascem as obrigações. É o lugar de onde algo provém. Considera-se a Lei a primeira fonte das obrigações. “Sempre se tem por fonte a lei, sendo que, nalguns casos, embora esta apareça como fonte mediata, outros elementos despontam como causadores imediatos do vínculo. Assim, a vontade humana ou o ato ilícito”. As fontes classificam-se em 3 categorias (segundo fonte imediata): a) as que tem por fonte imediata a vontade humana (contratos): é um acordo de vontade que gera obrigações; é bilateral. Ex: contrato de locação de uma kitnet, gera obrigações para os dois, o locatório (que fornece o imóvel) e o locador (que paga). b) as que tem por fonte imediata o ato ilícito c) as que tem por fonte imediata a lei. * São obrigações que derivam diretamente da vontade tanto os contratos, nos quais existem duas vontades, como as manifestações unilaterais, tal como na promessa de recompensa. + A lei, por si só, não gera qualquer obrigação. + São fontes todos os fatos jurídicos que o Direito considera aptos a gerar obrigações. • Classificação: 1. Contrato – é um acordo de vontade que gera obrigações; é bilateral. Ex: contrato de locação de uma kitnet, gera obrigações para os dois, o locatório (que fornece o imóvel) e o locador (que paga). 2. Declaração unilateral – há alguns casos em que a lei considera suficiente a declaração unilateral. Ex.: concurso de monografias – a melhor não pagará mais a faculdade. Tal obrigação tem cumprimento obrigatório. Exs: promessa de recompensa (art. 854), gestão de negócios alheios (art. 861) e ordem de pagamento (cheque). 3. Atos Ilícitos – quem pratica ato ilícito fica obrigado a indenizar os danos. Ex: vendeu entorpecentes vai para cadeia (Penal). Mas no direito civil o cidadão deve reparar o dano causado colocando a vítima no mesmo lugar que antes do ato. *arts: 875, 884 – CC. +São obrigações que derivam diretamente da vontade tanto os contratos, nos quais existem duas vontades, como as manifestações unilaterais, tal como na promessa de recompensa. Página 5 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 DISTINÇÕES ENTRE DIREITOS REAIS E DIREITOS OBRIGACIONAIS DIREITO REAL – É o direito que afeta a coisa direta e imediatamente sob todos ou certos aspectos e a segue em poder de quem quer que a detenha. (entre uma pessoa e uma coisa – um bem). Art. 1225, CC: são direitos reais: I – a propriedade; II – a superfície; III – as servidões; IV – o usufruto; V – o uso; VI – a habitação; VII – o direito do promitente comprador do imóvel; VIII – o penhor; IX – a hipoteca; X – a anticrese. DISTINÇÕES: 1.1. Quanto ao sujeito: + No Direito Real o sujeito é o titular (atributivo) + No Direito Obrigacional os sujeitos são credor e devedor (cooperativo). 1.2. Quanto à ação: + Nos Direitos reais o titular pode mover a ação contra qualquer pessoa. (erga omnes) + Nos direitos obrigacionais o credor só tem ação contra o devedor (ou devedores); * O Direito Brasileiro adota o sistema alemão no contrato de compra e venda e, no entanto, o simples contrato não torna o contratado proprietário do bem, é preciso registra- Página 6 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 lo no Cartório de Registro. 1.3. Quanto ao objeto: + Direitos reais: bem. Objeto basicamente corpóreo. + Direitos obrigacionais: prestação (dar, fazer, não fazer). Relações humanas. 1.4. Quanto ao limite: + Dtos. Obrigacionais: são ilimitados, pois as partes podem escolher a maneira que lhes convier. As relações obrigacionais são infinitas, as mais variadas possível, e as necessidades sociais estão sempre e sempre, criando novas fórmulas para atende-las. + Dtos. Reais: é apenas o que a lei diz que é (art. 1225). São (numerus clausum - o rol é taxativo). Art. 425 – é ilícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. 1.5. Quanto ao gozar os direitos: + Dtos. Reais: se dá de forma imediata (sem intermediário); concede gozo e fruição de bens. + Dtos. Obrigacionais: só usufrui do direito através de um intermediário. 1.6. Quanto ao abandono: + Dto. Obrigacional: não existe abandono. + Dto. Real: o abandono é uma forma de extinção do direito real. 1.7. Quanto à prescrição: + Dtos. Reais: a prescrição não extingue direitos reais. Eles tendem a ser perpétuos. O usucapião é uma forma de aquisição da propriedade. CATEGORIAS JURÍDICAS HÍBRIDAS São situações de ordem prática que ficam entre os Direitos Reais e s Direitos Obrigacionais. Página 7 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 OBRIGAÇÕES “PROPTER REM” São obrigações que recaem sobre uma pessoa por força de um determinado direito real. Tem como características a vinculação do Direito Real com a obrigação, sendo que esta é transmitida juntamente com o Direito Real. Há situações em que o proprietário é por vezes sujeito de obrigações apenas porque é proprietário e qualquer pessoa que o suceda na posição de proprietário assumirá tal obrigação. Contudo, o proprietário poderá liberar-se da obrigação se se despir da condição de proprietário, abandonando a coisa a que lhe pertence, renunciando à propriedade. As obrigações propter rem são as que estão a cargo de um sujeito, à medida que este é proprietário de uma coisa, ou titular de um direito real de uso e gozo dela. As obrigações propter rem podem decorrer da comunhão ou co-propriedade, do direito de vizinhança, do usufruto, da servidão e da posse. O devedor está ligado ao vínculo não em razão de sua vontade, mas em decorrência de sua particular situação em relação a um bem, do qual é proprietário, bem como o abandono da coisa por parte do devedor libera a dívida, porque nesta hipótese o devedor despe-se da condição de proprietário ou possuidor. O sucessos a título singular assume automaticamente as obrigações do sucedido, ainda que não saiba de sua existência. + Quem adquire um apartamento, por exemplo, ficará responsável pelas despesas de condomínio do antigo proprietário. Não resta dúvida de que caberá ação regressiva do novo adquirente contra o antigo proprietário, mas, perante o condomínio, responderá sempre o atual proprietário. A obrigação, Página 8 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 nesses casos, acompanha a coisa, vinculando o dono, seja ele quem for. Obrigação propter rem: 1. trata-se de relação obrigacional que se caracteriza por sua vinculação à coisa; 2. o nascimento, a transmissão e a extinção da obrigação propter rem seguem o direito real, com uma vinculação de acessoriedade. + o adquirente tem a obrigação de pagar as prestações anteriores à sua aquisição (art. 1245). + pode-se cobrar as prestações vencidas do vendedor (art. 502). OBRIGAÇÕES COM EFICÁCIA REAL A obrigação terá eficácia real quando, sem perder seu caráter de direito a uma prestação,se transmite ou é oponível a terceiro que adquira direito sobre determinado bem. + quando só vincula o devedor os Direitos Obrigacionais são relativos. + já os direitos reais são absolutos (erga omnes). Certas relações oriundas de contratos, por força de disposição legal, alcançam latitude de direito real. Art. 33 – Lei 8.245/91 – o locatário preterido no seu direito de preferência poderá reclamar do alienante as perdas e danos ou, depositando o preço e demais despesas do ato de transferência, haver para si o imóvel locado, se o requerer no prazo de seis meses, a contar do registro do ato no Cartório de Imóveis, desde que o contrato de locação esteja averbado pelo menos trinta dias antes da alienação junto á matrícula do imóvel. PU. A averbação far-se-á à vista de qualquer das vias do contrato de locação, desde que subscrito também por duas testemunhas. Existirá um direito real para o inquilino se tiver registrado devidamente o contrato, o qual lhe permitirá haver o imóvel, ou então, exclusivamente, um direito pessoal estampado em um pedido de perdas e danos. O contrato de locação, com o registro imobiliário, permite que o locatário oponha seu direito de preferência erga omnes, isto é, perante qualquer pessoa que venha a adquirir coisa locada. O contrato, portanto, nas condições descritas na lei, alcança eficácia real. “ Se o imóvel for alienado durante a locação, o adquirente poderá denunciar o contrato, com prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel”. • As obrigações gozam de eficácia real quando, sem perderem o caráter essencial de direitos a uma Página 9 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 prestação, se transmitem, ou são oponíveis a terceiros, que adquiram direito sobre determinada coisa”. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES I) CONSIDERADAS EM SI MESMAS 1.1. Em Relação ao Vínculo: - natural: (judicialmente inexigíveis) existe o crédito e o débito, só que não tem como o credor cobrar na justiça. Ex: dívida de jogo. (art. 814), o ganhador não tem o direito de receber seu dinheiro judicialmente. - civil: possui seu vínculo jurídico perfeito. Possui débito e responsabilidade. (arts. 391 e 591 CC). 1.2. Quanto ao Objeto: Relativa a sua natureza: - dar: obrigação de entrega. Transferir uma coisa para o credor. Pode ser coisa corpórea ou incorpórea. A obrigação de dar indica o dever de transferir ao credor alguma coisa ou alguma quantia, como no caso da compra e venda. Na obrigação de dar, havia a noção de transmitir um direito real. Entretanto, a obrigação de dar, e seu cumprimento, por si só não gerava o direito real, pois havia necessidade da tradição, da entrega da coisa. A obrigação de DAR divide-se em 3: coisa certa: entrega de um bem perfeitamente individualizado (especificado, único); coisa incerta: a coisa é definida ao menos pelo gênero e quantidade. Não sofre influência da extinção; restituir: o credor é proprietário da coisa em um titulo anterior e o devedor só tem a posse do bem. - fazer: está ligada à entrega de uma coisa. O devedor deve praticar um ato em favor do credor. - não fazer: uma abstinência. O cidadão se obriga a não fazer algo que ele poderia fazer. + Muitas vezes, toda obrigação de dar mistura-se e complica-se com uma obrigação de fazer, ou de não fazer. Muitas vezes elas andam juntas. Assim, na compra e venda, o vendedor tem obrigação de entregar a coisa vendida (dar) e de responder pela evicção e vícios redibritórios (fazer). + As obrigações de dar e fazer são denominadas obrigações positivas. As obrigações de não fazer, que implicam abstenção por parte do devedor, são as obrigações negativas. Em atenção a sua liquidez: - Obrigações líquidas: sabe-se quanto é devido. - Obrigações ilíquidas: não tem definição do quanto é devido, é necessário promover sua liquidação. Página 10 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Ex: devedor de indenização propõe-se operação judicial para se estabelecer o montante da dívida (art. 948). 1.3. Quanto ao modo de execução: - simples e cumulativas: não é um único ato de cumprimento, este subdivide-se em mais vezes. O devedor deve cumprir todas. São simples quando aparecem sem qualquer cláusula restritiva. São conjuntivas quando ligadas pela aditiva “e”. - alternativas: tem duas ou mais prestações devidas mas o devedor se libera cumprindo somente uma. São alternativas quando ligadas pela partícula “ou”: pagarei por um boi, ou um cavalo. O devedor cumprirá a obrigação, entregando um ou outro dos objetos. - facultativas: (obrigação com faculdade de substituição); tem-se somente uma prestação devida mas o devedor tem a faculdade de substituí-la por outro. Ex: deve-se um imóvel e paga-se em dinheiro. Faculta-se ao devedor cumprir a obrigação, substituindo o objeto. 1.4. Quando ao tempo de adimplemento: - momentânea: é adimplida com a prática de um único ato. Não há um tempo considerável entre o nascimento e a extinção da obrigação. Exaurem num só ato. - continuada: sua execução se prolonga no tempo. Ex: contrato de trabalho. Só podem ser cumpridas dentro de espaço de tempo mais ou menos longo. 1.Quanto aos elementos acidentais: (arts. 121, ss); são componentes de um negócio jurídico que não necessariamente devem estar presentes. - puras: não possui nenhum elemento acidental. - condicional: evento futuro e incerto. Se não ocorrer certo evento a obrigação não gerará efeito. - termo: subordinada a um evento futuro e certo. - modal: está sujeita ao modo ou encargo. Quem recebe alguma coisa está sujeito a seu encargo, à sua destinação. 1.6. Quanto a pluralidade de sujeitos: - única: um único credor e um único devedor. - múltipla: há mais que um credor ou mais de um devedor numa mesma obrigação. Estas podem ser solidárias: cada credor pode exigir a dívida por inteiro, enquanto cada devedor pode ser obrigado a efetuar o pagamento por inteiro; divisível: divide-se a dívida. Se o objeto permite o parcelamento, a obrigação é divisível. Se o objeto não permite o parcelamento a obrigação é indivisível. Página 11 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 1.7. Quanto ao conteúdo: - meio: estão os devedores obrigados a dar o melhor de si para se obter o resultado, mas não se vinculam a obter o resultado pois este depende de fatores exteriores. Deve ser aferido se o devedor empregou boa diligência no cumprimento da obrigação. O descumprimento deve ser examinado na conduta do devedor, de modo que a culpa não pode ser presumida, incumbindo o ao credor prova-la cabalmente. - resultado: o obrigado se obriga com a realização do resultado. O que importa é a aferição se o resultado colimado foi alcançado. Só assim a obrigação será tida como cumprida. A inexecução implica falta contratual, dizendo-se que existe presunção de culpa. - garantia: o devedor é responsabilizado inclusive em casos fortuitos de força maior (de qualquer jeito deve-se atingir o resultado). A simples assunção do risco pelo devedor da garantia representa, por si só, o adimplemento da prestação. OBRIGAÇÃO CIVIL ou PERFEITA É aquela que, fundada no vínculo jurídico, sujeita o credor à realização de uma prestação interesse do credor estabelecendo um liame entre os dois sujeitos, abrangendo o dever da pessoa obrigada e sua responsabilidade em caso de inadimplemento, permitindo ao credor recorrer à intervenção estatal para obter a prestação, tendo como garantia o patrimônio do devedor. + Em geral as obrigações são civis. Seus efeitos são: vincular o devedore permitir a cobrança judicial. OBRIGAÇÃO NATURAL O devedor deve mas o credor não tem meios de exigir o cumprimento da obrigação. Não há responsabilidade. Se ele não pagar voluntariamente ao haverá meios de o credor exigir o cumprimento da obrigação. Ex: divida de jogo, obrigações prescritíveis. (art. 814 – CC). + Nota promissória oriunda de dívida de jogo pode ser transferida a terceiro de boa-fé que poderá exigir o pagamento. As obrigações naturais são incompletas. Apresentam como características essenciais as particularidades de não serem judicialmente exigíveis, mas, se forem cumpridas espontaneamente, será tido por válido o pagamento, que não poderá ser repetido. A distinção da obrigação natural, em relação à obrigação civil, reside no aspecto de que, embora Página 12 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 desprovida de poder coativo, se o devedor espontaneamente a cumpre, o pagamento considera-se legal e, por essa razão, não se concede ação no caso de se pretender recobrar o que foi pago. EFEITOS das Obrigações Naturais: O devedor natural não pode ser compelido a executar a obrigação, mas, se a realiza espontaneamente, seu ato é irretratável e opera pagamento válido. O pagamento aí não se trata de mera liberalidade, é pagamento verdadeiro e não doação. - inexigibilidade: em dívidas prescritas, ou o juiz define de oficio a prescrição. Mesmo sendo inexigível pode-se entrar com a ação, sendo a ação julgada improcedente. (art. 194). O juiz pode sempre reconhecer a prescrição de oficio. Não existe ação para compelir o devedor a efetuar o cumprimento. - “solutio retentio”: retenção do pagamento. Se pagou a obrigação natural, não poderá pedir o dinheiro de volta. Não se pode recobrar a quantia que voluntariamente se pagou. (art. 815). *art. 882 *art. 883 *arts. 391 – CC; e 591 – CPC. A OBRIGACAO se diz NATURAL quando se funda no mero dever de ordem moral ou social, sujo cumprimento não é judicialmente exigível mas corresponde a um dever de justiça. + Dívida oriunda de aposta realizada em hipódromo regular é juridicamente exigível. OBRIGAÇÃO DE DAR Normalmente há uma retribuição ou pagamento. Espécie de obrigação onde o devedor está adstrito a transferir a posse de algo para o credor. Tem como conteúdo a entrega de uma coisa. Pelo nosso sistema a obrigação de dar não se constitui especificamente na entrega efetiva da coisa, mas num compromisso de entrega da coisa. A obrigação de dar gera apenas um direito à coisa e não exatamente um direito real. O vínculo obrigacional, por si só, não tem o condão de fazer adquirir a propriedade. A obrigação de dar é aquela em que o devedor compromete-se a entregar uma coisa móvel ou imóvel ao credor, quer para constituir novo direito, quer para restituir a mesma coisa a seu titular. Página 13 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 1.1. Obrigação de dar coisa certa O dever do devedor de entregar uma coisa que não se confunde com nenhuma outra por ter características próprias. + não pode o devedor ser obrigado a entregar coisa diversa ainda que menos valiosa ou o credor aceitar coisa diversa ainda que mais valiosa (art. 313 – CC). + Cumpre o devedor com sua obrigação quando transfere a propriedade da coisa. Sistema Francês: o acordo de vontade, por si só, transfere a propriedade. Sistema Alemão: o contrato, por si só, não transfere a propriedade, necessita-se de um ato posterior. Sistema Russo: em se tratando de coisas certas o contrato transfere a propriedade, coisa incerta não. + O direito brasileiro segue o sistema alemão. A tradição é a entrega da coisa com a intenção de transferi-la. É usada na transmissão de veículo. Certa será a coisa determinada, perfeitamente caracterizada e individuada, diferente de todas as demais da mesma espécie. Não pode também o devedor adimplir a obrigação, substituindo a coisa que é seu objeto por dinheiro, pois estaria transformando arbitrária e unilateralmente uma obrigação simples em obrigação alternativa. Da mesma forma, o pagamento parcelado só é possível se expressamente convencionado. + O acordo de vontades não gera propriedade. + A simples vontade das partes não gera obrigação. + Havendo melhoramento o devedor poderá exigir o aumento do preço. PRINCÍPIO DA ACESSORIEDADE O devedor de uma coisa certa deve também entregar os acessórios dela (art. 233). Móveis não se entrega (depende das circunstâncias). Os contratantes podem estabelecer no contrato o que entenderem importante, se nada constar no contrato, seguem os acessórios junto com o principal – facultativo, dispositivo ou supletivo. DA PERDA “Rés Perit Domino” – a coisa perece para seu dono (o devedor). Se a coisa vier a se perder (ainda que sem culpa) o devedor arca com o prejuízo. Art. 234 (resolução): perdeu-se a coisa sem culpa do devedor volta-se ao estado anterior da contratação; não precisa pagar pelo prejuízo. Caso o devedor seja culpado, este responderá pelo Página 14 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 equivalente e mais as perdas e danos. CULPA (lato sensu): abrange a culpa em sentido estrito e dolo. - dolo: o cidadão age intencionalmente, tem intenção de causar o dano. - culpa: não há intenção de causar o dano, é um erro de conduta, um equívoco. CULPA (stricto sensu): negligência, imperícia e imprudência. - negligência: falta de um dever de cuidado (deixar de agir); - imprudência: ato positivo – ação. O cidadão age de forma equivocada que importa conduta culposa. - imperícia: falta de perícia. O cidadão não age de acordo com os conhecimentos elementares em determinada área. Perda sem culpa – resolve-se a obrigação voltando as partes ao estado anterior; quando há culpa há também uma obrigação de indenizar perdas e danos. No Direito Civil há diferença de indenização quando o delito foi praticado com dolo ou culpa? Em regra não, pois no Direito Civil a regra é que não se diferencia, para fins de indenização, dolo e culpa, com duas exceções: 1. Indenização por danos morais – (dano não patrimonial). É uma espécie de indenização arbitrada pois não tem como recompensar previamente o dano moral, depende da intensidade da culpa, por dolo é maior a indenização. 2. art. 392 – Contratos Onerosos – (troca, compra e venda), qualquer dos contratantes responde por simples culpa. Contratos Benéficos – (uma pessoa beneficiando outra), contrato de doação: o que cumpre com a prestação só responde por dolo; quem recebe a prestação só responde por culpa. + Em regra geral não há distinção. Segundo o art. 234, se a coisa se perder sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes. Assim, se o devedor se obrigou a entregar um cavalo e este vem a falecer por ter sido atingido por um raio, no pasto, desaparece a obrigação, sem ônus para as partes, devendo ambas voltar ao estado anterior. Se a perda resultar de Página 15 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais as perdas e danos. As perdas e danos devidos ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. A indenização mede-se pela extensão do dano. DA DETERIORAÇÃO A coisa ainda existe porém, em estado pior do que se encontrava. - Sem Culpa – o proprietário (devedor) sofre a perda. É inerente a possibilidade de abatimento do preço (art. 235). Pode resolver o contrato ou aceitar a coisa com abatimento no preço. - Com Culpa – pode-se aceitar a coisa ou resolver o contrato.Podendo o credor exigir o equivalente ou aceitar a coisa com o recebimento das suas perdas e danos (art. 236). Art. 235 – deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação ou aceitar, abatido ao seu preço o valor que perdeu. A deterioração da coisa acarreta sempre uma depreciação. Não sendo o devedor culpado, abrem-se duas alternativas ao credor: resolver a obrigação, recebendo a restituição do preço, se já tiver pago; ou então aceitar a coisa, no estado em que ficou, abatendo-se em seu preço o valor da depreciação. Art. 236 – sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização de perdas e danos. A tradição da coisa faz cessar a responsabilidade do devedor. Se a coisa perece após a entrega, o risco é suportado pelo comprador. É claro que, mesmo após a entrega, se houve fraude ou negligência do devedor, este deve ser responsabilizado. + Havendo perda ou deterioração da coisa, sem culpa do devedor, nas obrigações de entregar ou restituir, é sempre o dono que arca com o prejuízo. TUTELA ESPECÍFICA Se o devedor deliberadamente descumpre com a obrigação deverá pagar multa diária pelo atraso, pois deve cumprir exatamente com o que contratou. Art. 461 – CPC. Só vai converter em perdas e danos quando o credor assim quiser ou quando for impossível o pagamento específico. + A obrigação deve ser cumprida com o próprio bem devido – entrega “in natura”. Página 16 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 MELHORAMENTOS, ACRÉSCIMOS E FRUTOS NA OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA Assim como a coisa pode perder-se, ou seu valor ser diminuído, pode ocorrer que, no tempo compreendido entre a constituição da obrigação e a tradição da coisa, esta venha a receber melhoramentos ou acrescidos. Enquanto não ocorrer a tradição, a efetiva entrega da coisa, esta pertence ao devedor e, por conseqüência, os melhoramentos acrescidos pertencerão a ele. (art. 237). Assim como o devedor perde quando a coisa desaparece ou diminui de valor, deve ganhar quando ocorre o oposto, quando há aumento no valor da coisa. As benfeitorias são necessárias (imprescindíveis) para a conservação de uma coisa; úteis (aumenta a utilidade a que se refere a coisa); voluptuárias (mero aformoseamento). O possuidor de boa-fé tem direito a essas benfeitorias. O possuidor de má-fé só tem direito ao que diz respeito às benfeitorias necessárias. Se houver melhoramentos acrescidos o lucro é do credor, especialmente se não houver qualquer trabalho ou gastos para o devedor. Se, no entanto, o devedor teve gastos ou trabalho, analisa-se de acordo com as benfeitorias feitas de má e de boa-fé. - Possuidor de boa-fé (art. 1201): ignora o vício ou obstáculo que impede a aquisição da coisa. - Possuidor de má-fé: conhece do vício. OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR É a obrigação de devolver ao dono. + A obrigação de restituir refere-se sempre à coisa certa. A obrigação de restituir é aquela que tem por objeto uma devolução da coisa certa, por parte do devedor, coisa esta que encontra-se em poder do devedor, mas que pertence ao credor. - Quanto à perda: - Sem culpa: o dono sofre a perda. Não há obrigação de restituir o equivalente (art. 238) Res Perit Domino. - Com culpa: (art. 239) o devedor responde pelo equivalente e mais perdas e danos. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, Página 17 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, salvos, porém, a ele os seus direitos até o dia da perda. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. + Ex.: o comodatário tem obrigação de restituir a coisa emprestada e responderá pelo dano ocorrido, ainda que derivado de caso fortuito ou coisa maior, se antepuser a salvação de seus próprios bens, abandonando os bens emprestados (art. 533). - Quanto à deterioração: - Sem culpa: recebe a coisa no estado em que ela se encontrar. - Com culpa: responde o devedor pelo equivalente e mais perdas e danos. (art. 236). Tem direito a receber a coisa. No caso de deterioração de coisa restituível, sem culpa do devedor, o credor deverá recebê-la, tal qual se ache, sem direito à indenização (art. 240). Se a deterioração ocorreu por culpa do devedor, a solução é do art. 239. responderá o devedor pelo equivalente, mais perdas e danos: o credor pode exigir o equivalente ou aceitar a devolução da coisa tal como se encontra, com direito a reclamar, em qualquer das duas hipóteses, indenização de perdas e danos. MELHORAMENTOS, ACRÉSCIMOS E FRUTOS NA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. Art. 241. Como a coisa pertence já ao credor, antes mesmo do nascimento da relação obrigacional, aumentando de valor, lucrará o credor, uma vez que para o acréscimo não concorreu o devedor. Se a coisa sofre melhoramento ou aumento em decorrência de trabalho ou dispêndio do devedor, o regime será o das benfeitorias (art. 242). Importa saber se o melhoramento ou acréscimo decorreu de boa ou má-fé do devedor. Estando de boa -fé, tem o devedor direito aos aumentos ou melhoramentos necessários e úteis. De acordo com os princípios que regem as benfeitorias, o devedor de boa-fé tem direito de retenção. O direito de retenção é uma faculdade negativa. O que detém a coisa, legitimamente, pode manter essa retenção até que seja indenizado das despesas e dos acréscimos que fez. O Direito de retenção é meio de defesa que se manifesta antes de qualquer medida judicial, por interesse e iniciativa do devedor. * arts. 242, 1.221, 1.222. Página 18 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 EXECUÇÃO Na obrigação de restituir, o problema não se põe, porque a coisa pertence ao próprio credor e, desaparecendo a razão de permanência dela em poder do devedor, o credor tem meios processuais para reavê-la. A obrigação de restituir é aquela que mais facilmente permite a execução em espécie. A execução específica ou in natura só deve ser banida, substituindo-se por perdas e danos, “quando a execução direta for impossível ou dela resultar constrangimento fível ou dela resultar constrangimento fpxecuçalquer medida judicial, por interesse e iniciativa do devedor.]*credor. o caso, ind TUTELA ESPECÍFICA – art. 561, CPC. DA EXECUÇÃO Na obrigação de restituir, o problema não se põe, porque a coisa pertence ao próprio credor e, desaparecendo a razão de permanência dela em poder do devedor, o credor tem meios processuais para reavê-la. A obrigação de restituir é aquela que mais facilmente permite a execução em espécie. A execução especifica ou in natura so deve ser banida, substituindo-se por perdas e danos, “quando a execução direta for impossível ou dela resultar constrangimento físico à pessoa do devedor”. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA Em se tratando de empréstimo de coisas fungíveis, esta coisa passa a ser propriedade do mutuário. (arts. 586 e 587). A coisa a ser entregue está determinada ao menos pelo gênero ou quantidade. Aí estão as coisas fungíveis (substituíveis, que possuem coisas iguais). É algo que pode ser substituído. A obrigação de dar coisa cera tem por objeto a entrega de uma quantidade de certo gênero e não uma coisa especificada. (art. 243). São obrigações de dar coisa incerta: entregar uma tonelada de trigo, um milhão de reais ou cem grosas de lápis. A coisa é indicada tão somente pelos caracteres gerais, por seu gênero. Página 19 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133A Obrigação de dar coisa incerta consiste na relação obrigacional em que o objeto indicado de forma genérica no inicio da relação vem a ser determinado mediante um ato de escolha por ocasião do adimplemento da obrigação. Trata-se de uma obrigação que tem por objeto a entrega de uma quantidade de determinado gênero. Difere da obrigação de dar coisa certa, vez que nesta o objeto é permanente, individualizado, diferente de todos os demais. Enquanto que na obrigação de dar coisa incerta o objeto devido é inicialmente indeterminado, somente havendo referencia ao gênero e quantidade (art. 243). Quanto à escolha, os contratantes podem estabelecer qualquer coisa, eles tem liberdade de escolher. Porem, se o contrato for omisso, caberá escolha ao devedor. (art. 244). A escolha pode ser estabelecida para ambos, no entanto, sendo omisso o contrato, a escolha será do devedor. Com a escolha se dá a concentração da prestação. A partir da escolha já se tem os bens que deverão ser entregues (art. 245) e não mais apenas gênero e quantidade. A partir da notificação da escolha vigora a obrigação de dar coisa certa. Na obrigação de dar coisa incerta, há um momento precedente à entrega da coisa que é o ato de escolher o que vai ser entregue. Uma vez feita a escolha, de acordo com o contratado, ou conforme estabelece a lei, a obrigação passa a ser regida pelos princípios de dar coisa certa. - CONCENTRAÇAO: com a escolha e sua notificação ocorre a concentração do objeto da obrigação nos bens escolhidos passando a ser regida pelas normas pertinentes às obrigações de dar coisa certa. O que era genérico, com a escolha, se transforma em certo. + Nas obrigações de dar coisa incerta não há resolução. O devedor não se exime de cumprir a obrigação, ainda que ocorra caso fortuito ou coisa maior (art. 246). GENUS NUNQUAM PERIT O gênero nunca perece. Em situações de gênero limitado e demonstrando o devedor que este se extinguiu, resolve-se a obrigação. + Antes da escolha não se alega caso fortuito ou força maior. Página 20 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 - art. 492. Fala-se da aplicabilidade da resolução por caso fortuito ou força maior apenas quando já ocorrida a escolha e o credor, e este não aparecer para adquirir a coisa na data marcada. A coisa não é efetivamente entregue, ou, pelo menos, posta à disposição do credor, impossível a desoneração do devedor, que terá sempre diante de si a parêmia genus nunquam perit. EXECUÇÃO Pode o credor exigir a coisa específica e não seu equivalente em dinheiro, com exceção quando a coisa específica não interessa mais ao credor. Art. 461-A, CPC. Em se tratando de obrigação de dar coisa incerta, o fato de o devedor não fazer a entrega na data determinada, este não perde o direito de escolha. Cabendo a escolha ao credor, este a individualizará na petição inicial. OBRIGAÇÕES DE FAZER E DE NÃO FAZER -OBRIGAÇÃO DE FAZER- Abrange prática de um ato ou uma atividade. Consiste na relação obrigacional em que o devedor está compelido à realização de um ato material ou intelectual, ou mesmo uma atividade em favor e no interesse do credor. É devida determinada atividade, comportamento, uma ação a ser realizada pelo devedor. (arts. 593, 610, 627, 653, 710, 722, 730). A obrigação de fazer, por se estampar numa atividade do devedor, é que traz maiores transtornos ao credor, quando se defronta com inadimplemento. O conteúdo da obrigação de fazer é uma atividade ou conduta do devedor, no sentido mais amplo: tanto pode ser a prestação de uma atividade física ou material, como uma atividade intelectual, artística e cientifica. Ademais, o conteúdo da atividade do devedor, na obrigação de fazer, que denominamos, ainda que impropriamente, atividade do devedor, no sentido o mais amplo possível, pode constituir-se numa atividade que pouco aparece externamente, mas cujo conteúdo é essencialmente jurídico, como a obrigação de locar ou emprestar imóvel, de realizar outro contrato, etc. Obrigação de fazer é qualquer ato ou atividade que não importe simplesmente num dar, mas sim numa obrigação de fazer. Na obrigação de fazer, o credor não é obrigado a aceitar de terceiro a prestação, quando for convencionado que o devedor a faça pessoalmente. Página 21 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 *art. 247: “Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou por ele exequível”. Diferenciação com as Obrigações de Dar Se contrata-se a atividade do cidadão cujo objeto será mera conseqüência da atividade, esta será uma obrigação de fazer. A diferenciação da obrigação de dar e de fazer leva em consideração se o fato de dar é ou não conseqüência da obrigação de fazer. Assim, se o devedor tem de dar algo sem ter, previamente, de faze-lo, a obrigação é de dar; entretanto, se primeiramente tem ele de confeccionar a coisa para depois entrega-la, se tem ele de realizar algum ato do qual será mera conseqüência de dar, tecnicamente a obrigação é de fazer. Porém, podem existir relações obrigacionais onde tal distinção não seja possível, vez que a obrigação de dar possui relevância autônoma. A solução de tais casos será considerada a existência de duas obrigações: uma de dar e outra de fazer. Ex.: empreitada global. A diferenciação está em verificar se o dar ou o entregar é ou não conseqüência do fazer. Assim, se o devedor tem de dar ou de entregar alguma coisa, não tendo, porém, de faze-la previamente, a obrigação é de dar; todavia, se, primeiramente, tem ele de confeccionar a coisa para depois entrega-la, tendo de realizar algum ato, do qual será mero corolário o de dar, tecnicamente a obrigação é de fazer. Na obrigação de dar, a tradição é imprescindível, o que não ocorre na obrigação de fazer. Espécies INFUNGÍVEL – é infungível quando o devedor não pode se fazer substituir por terceiro. O credor pode escolher determinado devedor para prestar a obrigação, não admitindo substituição. A obrigação é contraída tendo em mira exclusivamente a pessoa do devedor, leva-se em conta as qualidades pessoais do obrigado. FUNGÍVEL – é fungível aquela na qual é dado ao devedor substituir-se por terceiro. O contrato diz se é possível o cidadão se substituir por outro ou não. Quando o contrato não for claro nesse sentido analisa-se as qualidades do devedor e as circunstâncias do caso. A pessoa do devedor é facilmente substituível, como é o caso do pintor de paredes ou do pedreiro. * Nada impede que uma obrigação de fazer fungível torne-se infungível por vontade do credor, ou pelas circunstâncias do caso concreto. MATERIAL – resulta num objeto material, corpóreo. IMATERIAL/ INTELECTUAL – não resulta em algo corpóreo, físico. -DESCUMPRIMENTO- Página 22 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Não é possível, tendo em vista a liberdade individual, exigir coercitivamente a prestação de fazer do devedor. O juiz poderá, de oficio ou a requerimento das partes, para obter o resultado específico, determinar a imposição de multa, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, etc. Impossibilidade Essa impossibilidade é física, ou seja, o ato passa a ser não realizável. Quando há culpa há indenização de perdas e danos. Sem culpa resolve-se a obrigação, voltando ao estado anterior. (art. 248). Tal situação será verdadeira sempre que o cumprimento da obrigação de fazer não for mais útil para o credor. * arts. 247 e 249. Recusa Em caso de recusa a primeira possibilidade que se tem é a TUTELA ESPECÍFICA (art. 461 – CPC). Só se falará em perdas e danos com substituição da tutela específica quando o autor assim arequerer ou quando for impossível a tutela. §4º – impõe-se multa diária ao réu. Sempre que houver dúvida acerca da recusa por parte do devedor e ainda que houver possibilidade de a prestação ser útil para o credor, deve ser aplicado o princípio da execução específica. - AÇÃO COMINATÓRIA: é na esfera das obrigações e nas de não fazer que se encontra campo para a multa cominatória diária, de índole pecuniária, por dia de atraso no cumprimento da obrigação. A multa deve ser de montante tal que constranja o devedor a cumprir a obrigação. Nada impede que as partes, contratualmente, já estipulem a multa e seu valor, mas caberá sempre ao juiz coloca-la em seus devidos parâmetros. O campo de maior atuação da multa diária é o das obrigações infungíveis. Nas obrigações fungíveis, embora não seja excluída a imposição diária, o credor pode obter seu cumprimento por meio de terceiro (art. 634). - EXECUÇÃO: (por terceiro), art. 249. havendo recusa ou demora no cumprimento da obrigação pode o credor manda-lo executar à custa do devedor. Art. 632 – a execução das obrigações de fazer possui instrumentos processuais efetivos, inclusive com tutelas antecipatórias. * arts. 644 e 655, CPC. • Fato realizado por terceiro e o valor do fato realizado é cobrado as custas do devedor. - AUTOTUTELA: somente em casos de urgência o credor pode mandar executar o fato e receber o ressarcimento depois. Caso de não urgência necessita-se de autorização judicial. * o devedor obrigado a cumprir a obrigação dentro de um processo judicial pode, em razão disso, Página 23 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 cumpri-la deficientemente. Cabe ao juiz, em qualquer caso, decidir se a obrigação deve ser considerada cumprida ou não. (art. 636). - OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER- As obrigações de não fazer são as obrigações negativas. O devedor compromete-se a uma abstenção. A obrigação de não fazer é aquela em que o devedor se compromete a abster-se da prática de determinado ato que poderia livremente praticar caso não tivesse se obrigado. Para que seja válida a obrigação deve ser lícita, não ferindo as normas de ordem pública, os bons costumes e a razoabilidade. Especificamente em relação a esta última a abstenção deve conter limitações espaciais e temporais que justifiquem as finalidades econômicas perseguidas pelo credor, ou seja, caso as limitações excedam manifestamente a finalidade buscada pelo sujeito ativo, será a obrigação de não fazer inválida. A imposição de uma obrigação negativa determina ao devedor uma abstenção que pode ou não ser limitada no tempo. A obrigação de não fazer ora se apresenta como pura e simples abstenção, como no caso do alienante de estabelecimento comercial que se compromete a não se estabelecer num mesmo ramo de negócios, em determinada zona de influência, ora como um dever de abstenção ligado a uma obrigação positiva, como é o caso do artista que se compromete a exibir-se só para determinada empresa. Também a obrigação de não fazer pode surgir como simples dever de tolerância, como o não realizar atos que possam obstar ou perturbar o direito de uma das partes ou de terceiros, como é o caso do locador que se compromete a não obstar o uso pleno da coisa locada. Para cumpri-la o cidadão deve abster-se de determinado ato que ele poderia livremente praticar caso não tivesse se obrigado. É a não realização de uma conduta que, em linha de princípio era válida. Ex.: cláusulas de exclusividade (o cidadão abstêm-se de prestar serviços a terceiros. Toda obrigação deve revestir-se de objeto lícito, por ser negócio jurídico. Será lícita sempre que não envolva restrição sensível à liberdade individual. Assim, é ilícita a obrigação de não casar, ou a de não trabalhar, ou a de não cultuar determinada religião, porque o Estado repugna prestigiar um vínculo obrigatório que tem por escopo alcançar resultado que colide com os fins da sociedade. Daí por serem imorais ou anti-sociais tais tipos de obrigação, o Direito não lhes empresta a forma coercitiva. O objeto da obrigação de não fazer pode ser qualquer comportamento lícito e econômico. O não fazer pode comportar-se em situações complicadas. A licitude assume grande parte das obrigações de não fazer porque obriga o cidadão a abrir mão de parte de sua liberdade. Há uma continuidade ou sucessividade em seu cumprimento. A abstenção pode ser limitada ou ilimitada no tempo, sempre levando-se em conta a licitude, no campo da moral e dos bons costumes. Obrigações de não fazer que ferem as normas de ordem pública, os bons costumes, dá-se em inválidas. Causas como essas precisam de uma justificativa válida, é aí que entra a razoabilidade. Razoabilidade – no tempo e no espaço. Deve-se verificar se a limitação estabelecida é razoável no tempo e no espaço. Página 24 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + Pode ocorrer que o não fazer torne-se impossível. - Sem culpa – não é a conduta do devedor que faz com que a obrigação seja descumprida. Resolve-se a obrigação. (art. 250). Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do fato, que se obrigou a não praticar. As vezes a abstenção do devedor torna-se impossível ou extremamente gravosa. - Com culpa – sendo com culpa haverá indenização por perdas e danos. Se a impossibilidade de se abster ocorreu com culpa do devedor, deve ele indenizar o credor. + No descumprimento voluntário é possível que o agente cumpra com a obrigação, mas por sua própria vontade não cumpre, neste caso aplica-se o art. 251. Pode-se ocorrer destruição, multa diária e indenização, levando em conta o que é mais relevante, tentando evitar a destruição, se possível. Porém, sendo urgente a demolição, ela pode ser feita de ordem judiciária. Quanto à multa diária (art. 461 – CPC) pode ser aplicada sem ressarcimento das perdas e danos que o caso importar. Se o devedor pratica o ato sobre o qual se abstivera, fora da hipótese do art. 250, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer a sua custa, ressarcindo o culpado das perdas e danos. Da mesma forma é possível a antecipação da tutela, bem como a imposição de multa diária quando viável o desfazimento. Quando impossível voltar-se ao estado anterior, a obrigação converter-se-á em perdas e danos. Segundo o art. 642 o juiz assinará o prazo ao devedor para desfazer o ato. E diz o 643: “havendo recusa ou mora do devedor, o credor requererá ao juiz que mande desfazer o ato à sua custa, respondendo o devedor por perdas e danos. PU. Não sendo possível desfazer-se o ato, a obrigação resolve-se em perdas e danos. Em determinadas circunstâncias, porém, o cumprimento forçado da obrigação de não fazer implica violência intolerável à pessoa do devedor, ou um dano ainda maior. Ex.: o devedor descumpre com o não fazer e ergue custosa construção plenamente utilizável. É de toda conveniência, em face da repercussão social, que a obra não seja desfeita, resumindo-se o descumprimento em perdas e danos. - OBRIGAÇÕES QUANTO À LIQUIDEZ DO OBJETO- 1. Obrigações Líquidas – são aquelas que se sabe o quanto devido. É a obrigação certa quanto a sua existência e determinada quanto ao seu objeto. Nesta acham-se especificadas, de modo preciso, qualidade, quantidade e natureza dos objetos devidor. 2. Obrigações Ilíquidas – são aquelas onde se precisa quantificar o débito. É a obrigação que depende de prévia apuração em razão de ser impreciso o montante da prestação, ou seja, a quantidade de objetos devidos encontra-se indeterminada. * art. 618 – CPC. Página 25 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Diferença com as obrigaçõesde dar coisa incerta Obrigação ilíquida diferencia-se da obrigação de dar coisa incerta, já que nesta, apesar de haver alguma incerteza quanto aos bens a serem entregues, é ela determinada pelo gênero e quantidade, enquanto que na obrigação ilíquida há uma indeterminação ainda mais significativa, principalmente em relação à quantidade devida, necessitando, portanto, passar por uma relação jurídica de acertamento. + Nas obrigações de dar coisa certa, se esta se perder por culpa do devedor, este responderá pelo equivalente mais perdas e danos. + A solidariedade não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. + A obrigação de fazer é aquela que vincula o devedor à prestação de um serviço ou à realização de um ato positivo, material ou imaterial, seu ou de terceiro, em benefício do credor ou de terceira pessoa. Trata-se de uma obrigação positiva. + A obrigação de fazer, em sendo fungível, poder-se-á executa-la por terceiro. + Nas obrigações de dar coisa certa, seu objeto é determinado expressamente, sendo distinto dos demais, enquanto que nas obrigações de dar coisa incerta, seu objeto é determinado pelo gênero e quantidade. + Na obrigação de dar coisa incerta o devedor não se desonera alegando perda ou deterioração da coisa, ainda que decorrente de caso fortuito ou coisa maior, já que o gênero nunca perece, ao contrário do que ocorre com as obrigações de dar coisa certa. + Quanto às obrigações de não fazer: – a prestação devida pelo sujeito passivo é de mera abstenção, mas sempre que vem vinculada a uma outra obrigação. – é correto afirmar que há tal modalidade obrigacional quando o não fazer decorre de lei que a observância por todos os cidadãos é obrigatória, como no dever de respeitar a propriedade alheia. – seu descumprimento ocorre com a realização da conduta que o devedor deveria abster-se, gerando ao credor tão somente o direito a indenização das pernas e danos sofridos. + direitos reais e direitos pessoais não se confundem, vez que os primeiros são tidos como absolutos, enquanto que os segundos são tidos como relativos. Isso em razão de que os primeiros são dotados do poder de seqüela, que possibilita o titular buscar a coisa de quem quer que a detenha, características essas ausentes nos segundos. Página 26 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + são requisitos do objeto das obrigações: licitude, possibilidade, determinação e patrimonialidade. AUTONOMIA DA VONTADE – normas concretas e individualizadas. São próprias da vontade das partes. É o poder conferido pelo ordenamento jurídico de as partes criarem normas jurídicas para seu interesse. Questões 1. Alberto da Silva vendeu seu veículo Passat/1986, placa APP-1986 para Bernardo. Antes da entrega, no entanto, ocorrem os seguintes imprevistos possíveis: A – O veículo é roubado por assaltantes armados quando o devedor saía de casa para o trabalho; Resolve-se a obrigação sem direito a perdas e danos. B – Alberto bate o veículo contra uma Scania parada, pois trafegava embriagado, na contra mão, a 180km/h, o que resultou em perda total; Aplica-se art. 234 – parte final. C – Alberto se envolve num acidente pois invadiu a preferencial, ocasionando danos leves na lateral do veículo; Art. 236 D – O veículo é avaliado em razão de um galho que se desprende de uma árvore por conta de um raio, o que resultou em danos de pequena monta; Deterioração sem cumpa (art. 235). Qual a solução correta? 2. João, advogado, realizou contrato de prestação de serviços com a empresa Raios e Trovões Ltda. Neste contrato constou como obrigação do advogado a de não trabalhar para outras empresas e nem exercer a advocacia em todo o território Nacional pelo prazo de 5 anos. É válida tal cláusula? Explique. Analisa-se à vista da razoabilidade. Obrigação é ilícita por não ser razoável, não podendo admitir tamanha restrição de liberdade. 3. A modelo Gisele Bündchen mantém contrato de prestação de serviços com a empresa Victoria Secret. Em tal contrato consta a obrigação da modelo de não casar-se bem como de não engravidar. Supondo que tal contrato é regido pelo Direito Brasileiro, é válida tal cláusula? Explique. Página 27 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Deve-se analisar os bons costumes. 4. Bernardo, proprietário de dois imóveis no Balneário Changrilá, vendeu um deles, que ficava de fronte ao mar, para Carlos. A fim de preservar a vista que Bernardo tinha do mar, de seu outro terreno, ficou estabelecido no contrato que Carlos, por si ou por terceiros, não poderia construir imóvel além do pavimento térreo. Após largo período de ausência de Bernardo, constata ele que Carlos havia edificado no imóvel um prédio de apartamentos com 20 andares. Quais os Direitos de Bernardo neste caso? Nesta circunstância não deve haver destruição da obra e sim indenização pelos danos. OBRIGAÇÕES SIMPLES Apenas um objeto. OBRIGAÇÕES CUMULATIVAS Prestação constitui-se de mais de um objeto. O objeto composto pode ser ligado pela partícula e: devemos um cavalo e um automóvel. Mais de uma prestação é devida conjuntamente, tendo o credor o direito de exigir todas elas do devedor. OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS (arts. 252 e ss) Podem ser ligadas pela partícula ou. Tem duas ou mais obrigações devidas mas o cidadão se libera cumprindo apenas uma. Obrigação alternativa é aquela que possui duas ou mais prestações devidas, sendo que o devedor se libera cumprindo apenas uma delas, ou seja, uma ou outra, mas não as duas. Denomina-se, portanto, obrigação alternativa a que fica cumprida com a execução de qualquer das prestações que formam seu objeto. Enquanto não for efetivada a concentração, o credor não terá qualquer direito sobre os objetos, no sentido de que não poderá exigir a entrega desta ou daquela coisa. Somente quando é feita a escolha, a concentração, é que o credor pode exigir o pagamento. CARACTERÍSTICAS: a) dualidade ou multiplicidade de obrigações (seu objeto é plural ou composto); b) satisfação do cumprimento com a realização de apenas uma delas; c) as prestações são independentes entre si; Página 28 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 d) concedem um direito de opção que pode estar a cargo do devedor, do credor ou de um terceiro, e enquanto este direito não for exercido pesa sobre a obrigação uma incerteza acerca de seu objeto; e) feita a escolha, a obrigação concentra-se na obrigação escolhida. * para ser alternativa, deve apresentar no contrato as duas primeiras características, caso haja apenas uma, será obrigação cumulativa. ESCOLHA A escolha é o ato que vai terminar na concentração. ART. 252. a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não estipulou. + do fato de os objetos serem independentes entre si, resulta que o devedor não pode obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra (art. 252, §1º). Também, se uma das prestações tornar-se inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra (art. 253). Da mesma forma, se a escolha cabe ao credor, este não poderá pedir o pagamento parte de um e parte de outro dos objetos. + Havendo pluralidade de credores ou devedores, há necessidade de que haja um acerto sobre a escolha, devendo prevalecer a vontade da maioria. Se os credores não chegarem a um acordo, devem valer-se de uma decisão judicial. Não havendo acordo unânime entre os interessados, a solução é dada ao juiz, após este ter concedido um prazo para deliberação (art. 252, §3º). + Quando a escolha cabe ao devedor, basta uma simples declaração unilateral de sua vontade, seguindo-se a oferta real, tornando-se definitiva a execução da prestação.Tal escolha deverá realizar- se no prazo estabelecido no pacto e, caso não tenha havido fixação de prazo, o devedor deverá ser notificado, ficando constituído em mora (art. 571 – CPC). + Se a escolha couber ao credor, este indicará sua opção na inicial (art. 571, §2º – CPC). + Feita a escolha a obrigação concentra-se na prestação eleita. As conseqüências jurídicas, a partir daí, passam a ser de obrigação simples. A concentração é irrevogável, uma vez operada, sobre um dos objetos, os demais objetos que compunham a prestação possível deixam de estar sujeitos às prestações do credor, o que é conseqüência natural da conversão da obrigação alternativa em obrigação de dar coisa certa. + a opção de escolha pode também ser deferida a terceiro, nesse caso, quando este não quiser ou não puder exercer a escolha, ela será deferida ao juiz. Desse modo, no caso de recusa ou impossibilidade de atuação do terceiro, pelo vigente ordenamento, não haverá nulidade da obrigação. Quando cabe a escolha a terceiro ela é uma condição, tornando-se, portanto, essencial ao ato jurídico que se agrega. + nada impede que as partes optem pelo sorteio para o cumprimento da obrigação alternativa. O optante, ao efetuar a escolha, faz uma declaração unilateral de vontade. Página 29 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + Nada impede que a obrigação alternativa tenha mais do que dois objetos, tornando-se múltipla. Pode ocorrer, também, sem que haja solidariedade, que a obrigação seja subjetivamente alternativa, isto é, que o devedor se libere da obrigação pagando a um ou a outro credor. CONCENTRAÇÃO E CUMPRIMENTO As prestações são múltiplas, mas efetuada a escolha, quer pelo devedor, quer pelo credor, individualiza-se a prestação e as demais ficam liberadas, como se, desde o início, fosse a única objetivada na obrigação. Qualquer que seja a natureza das prestações ajustadas, o devedor não pode desincumbir-se da obrigação dando parte de uma e parte da outra (art. 252, §1º). Da mesma forma, o credor a quem cabe fazer a escolha deve limitar seu pedido a um dos objetos da dívida, ainda que, no caso concreto, tenha havido danos a ambos os objetos, salvando-se parte de um e parte de outro. O credor pede o cumprimento de um dos objetos, com a complementação de uma indenização. Quando a obrigação for em prestações periódicas anuais, haverá direito de o devedor exercer em cada ano sua opção, se do contrário não resultar avença (art. 252, §2º). IMPOSSIBILIDADE CONCOMITANTE – a coisa já não existia mais no ato da assinatura, ficando a obrigação simples. SUPERVENIENTE DE UMA – no ato da assinatura do contrato os bens existiam mas no momento da escolha, um deles já havia se tornado impossível. - com culpa: + se uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, cabendo a ele a escolha, automaticamente estará obrigado com a segunda obrigação. + Se por culpa do devedor não puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor do que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos de que o caso determinar. Se há culpa do devedor, na perda ou impossibilidade de todas as obrigações, sendo ele o encarregado da escolha, a solução é de obriga-lo a pagar a que por último se impossibilitou, mais perdas e danos (art. 255). Tendo perecido a primeira prestação por culpa do devedor, ele, automaticamente, fez a concentração na última que se impossibilitou. Impossibilitada esta, abre-se ao credor a possibilidade de cobra-la, com perdas e danos. Se a escolha couber ao credor e o perecimento for de ambas as prestações, por culpa do devedor, terá o credor o direito de reclamar qualquer das duas, além da indenização pelas perdas e danos. (art. 255, segunda parte). Se uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor, o credor terá o direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra com perdas e danos. (art. 255, 1ª parte). Página 30 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Pode ocorrer que o perecimento das prestações ocorra por culpa do credor, nesse caso, o devedor se libera da obrigação, se uma das duas prestações se torna impossível por culpa do credor, salvo se este preferir exigir a outra prestação e ressarcir o dano. Se ocorre a perda de todas as prestações por culpa do credor, a obrigação desaparece, mas o credor deve indenizar o devedor, já que não tinha o direito de exigir as prestações. Se ocorre primeiramente o desaparecimento de uma das prestações por caso fortuito, perecendo a outra por culpa do credor, ou vice-versa. Com o desaparecimento fortuito da primeira obrigação, a obrigação concentrou-se na remanescente, transformando-se em obrigação simples. Se primeiramente ocorreu o desaparecimento de uma das obrigações por caso fortuito, perecendo a outra ou vice versa, com a perda de uma das obrigações fortuitamente, a obrigação concentra-se na restante, tornando-se simples. Perecendo a outra por culpa do credor, logicamente a obrigação do devedor desaparece, como se a tivesse cumprido. - sem culpa: caso não haja culpa do devedor a solução será a mesma. Caso pereça ou não possa ser executada alguma das prestações, sem que tenha havido culpa do obrigado, o direito do credor fica circunscrito às coisas restantes. E, no caso de restar apenas uma das prestações, o devedor deverá entregá-la, uma vez que a obrigação se converte em pura e simples, não sendo ao devedor permitido descartar-se da dívida oferecendo dinheiro em substituição à coisa que se perdeu ou se tornou impossível entrega ou cumprimento. Art. 253. Se ambas as prestações se perderem sem culpa do devedor e antes de qualquer constituição em mora, extingue-se a obrigação. No caso de perecimento de todas as prestações, sem a ocorrência de culpa, há extinção da obrigação, por falta de objeto. (art. 256). É regra geral de direito que, sempre que não haja culpa, ainda que presumida, não há indenização. + no caso de remanescer apenas uma das prestações, não importando o fator da culpa e cabendo a escolha do devedor, a obrigação resume-se na remanescente, porque é como se tivesse havido uma concentração por parte do devedor. Ex.: o vendedor compromete-se a vender um imóvel ou a pagar quantia em dinheiro; vende o imóvel a terceiro (impossibilidade voluntária) ou o imóvel sofre desapropriação (impossibilidade não voluntária); continuará o devedor obrigado a pagar a quantia em dinheiro à qual se obrigou. ACRÉSCIMOS SOFRIDOS + Se todas as coisas sofreram acréscimo, o credor deve pagar o maior volume daquela que ele ou o devedor escolher; se não se chegar a esta solução, o devedor pode dar como extinta a obrigação. + Se alguma das coisas aumentou de valor e a escolha couber ao devedor, poderá ele cumprir a obrigação, entregando a de menor valor; se a escolha couber ao credor, deverá ele contentar-se com a escolha da que não sofreu melhoramentos, ou, então, se escolher a coisa de maior valor, pagar a diferença. Página 31 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 DIFERENÇA COM AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA Nas obrigações de dar coisa incerta tem-se um todo homogêneo, no qual somente uma parte é devida. Nas obrigações alternativas têm-se prestações heterogêneas. Na obrigação alternativa existe uma escolha entre duas ou mais prestações em si conhecidas e individualizadas, vigendo a relativa indeterminação sobre qual delas será prestada. Ao passo que na obrigação de dar coisa incerta, há indeterminação da prestação, desde o início, pois é ela especificada pelo gênero e quantidade. Ou melhor, a obrigação alternativa tem por objeto uma pluralidade de prestaçõesreciprocamente heterogêneas e acidentalmente reunidas pelo contrato. Enquanto isso, na obrigação genérica a pluralidade é estruturalmente homogênea, embora sinteticamente determinada da qual somente uma parte é devida. OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS É aquela que não tendo por objeto senão que uma única prestação dá ao devedor a faculdade de substituir essa prestação por outra. Obrigação facultativa é aquela que, tendo por objeto apenas uma obrigação principal, confere ao devedor a possibilidade de liberar-se mediante o pagamento de outra prestação prevista na avença, com caráter subsidiário. Ex.: o vendedor compromete-se a entregar 100 sacas de café, mas o contrato admite a possibilidade de liberar-se dessa obrigação entregando a cotação do café em ouro. Nessas obrigações há uma prestação principal, que constitui o verdadeiro objeto da obrigação, e uma acessória ou subsidiária. Essa segunda prestação constitui um meio de liberação que o contrato reconhece ao devedor. DIFERENÇA COM AS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS FACULTATIVA – há uma prestação principal e outra acessória. É a prestação principal que determina a natureza do contrato: a natureza da obrigação facultativa se determina unicamente pela prestação principal que forma seu objeto. Se a obrigação principal é nula, fica sem efeito a obrigação acessória, mas a nulidade da prestação acessória não tem qualquer influência sobre a principal. Existe unidade de objeto ao ser contraída a obrigação. Apenas um objeto é devido, podendo ser substituído por outro in facultate solutionis. O credor só pode exigir a obrigação principal. ALTERNATIVA – as duas ou mais prestações aventadas estão no mesmo nível e o desaparecimento de uma não faz por extinguir a obrigação. Na obrigação alternativa há pluralidade de objeto. Todos os objetos se acham in obligatione. O credor fará pedido alternativo, se a escolha couber ao devedor; se a escolha couber a ele, credor, poderá exigir uma ou outra das prestações. Página 32 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 CARACTERÍSTICAS: a) são obrigações de objeto plural e composto; b) as obrigações tem uma relação de dependência correspondente ao conceito de principal e acessório; c) possuem um direito de opção em benefício do devedor. São FONTES de obrigações facultativas, em primeiro lugar, a vontade das partes ou então a lei. EFEITOS A perda da coisa principal, sem culpa do devedor, extingue a obrigação. Se a perda ou a impossibilidade de cumprir ocorreu depois da constituição em mora, o credor poderá reclamar perdas e danos, mas não o pagamento da prestação subsidiária. Se a perda ou impossibilidade ocorreu por fato imputável ao devedor, o credor pode pedir o preço da coisa que pereceu mais perdas e danos. A nulidade da obrigação principal extingue também a acessória. Já a perda ou deterioração do objeto da prestação acessória, com ou sem culpa do devedor, em nada influencia a obrigação principal, que se mantém incólume. + A obrigação facultativa é uma obrigação comum, que tem por objeto uma só prestação, com uma faculdade atribuída ao devedor. OBRIGAÇÕES QUANTO AO CONTEÚDO OBRIGAÇÕES DE MEIO Obrigação de meio é aquela em que o devedor se obriga tão somente a usar de prudência e diligência normais na realização de um dado serviço, com vistas a atingir um resultado, sem, contudo, vincular- se a obtê-lo. Correspondem somente da obrigação de fazer. Nas relações de meio o resultado não depende só do devedor, existem circunstâncias alheias a sua vontade que podem alterar o resultado. + A cirurgia meramente estética não é de meio mas sim de resultado. Página 33 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Nas obrigações de meio deve ser aferido se o devedor empregou boa diligência no cumprimento da obrigação. Ex.: nem o advogado pode garantir o ganho de causa ao cliente, nem o médico pode assegurar a cura do paciente. Devem esses profissionais empregar toda sua técnica e diligência no sentido de que tais objetivos sejam alcançados. Quando se apura o descumprimento da obrigação, torna-se importante e fundamental verificar se estamos diante de uma obrigação de meio ou de resultado. É essa distinção que dá coerência ao sistema contratual. Nas obrigações de meio estão os devedores obrigados a dar o melhor de si para obter o resultado mas não se vinculam a obtê-lo, pois estes dependem de fatores exteriores. O descumprimento deve ser examinado na conduta do devedor, de modo que a culpa não pode ser presumida, incumbindo ao credor prova-la cabalmente. OBRIGAÇÕES DE RESULTADO Nas obrigações de resultado o cidadão deve agir com toda prudência e diligência, obrigando-se com o resultado. O obrigado se obriga com a realização do resultado. É aquela em que o credor tem o direito de exigir do devedor a produção de um resultado, sem o qual se terá o inadimplemento da obrigação. Caso haja inadimplemento, deve-se indenizar, a não ser que seja por caso fortuito ou força maior, onde resolve-se a obrigação. ART. 393 – CC (caso fortuito ou força maior). Força maior – eventos da natureza. Caso fortuito – acontecimento que não tem como se evitar, não sendo eventos naturais. Nas obrigações de resultado (como no contrato de transporte, no contrato de reparação de defeitos em equipamentos), a inexecução implica falta contratual, dizendo-se que existe presunção de culpa; a culpa é irrelevante na presença do descumprimento contratual. ART. 389 – CC. OBRIGAÇÕES DE GARANTIA Nas obrigações de garantia o devedor se obriga a eliminar um risco. Responde mesmo que por caso fortuito ou força maior. Deve obter o resultado em qualquer circunstância. Um devedor assume um risco que pesa sobre o credor. A impossibilidade mesmo que por caso fortuito ou força maior terá que indenizar. Página 34 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 A simples assunção do risco pelo devedor da garantia representa por si só o adimplemento da prestação. OBRIGAÇÕES QUANTO AOS ELEMENTOS ACIDENTAIS Elementos acidentais são componentes de um negócio jurídico que não necessariamente devem estar presentes. CONDIÇÕES, TERMOS E ENCARGOS. ART. 121, ss. OBRIGAÇÕES PURAS São aquelas que não possuem nenhum elemento acidental. OBRIGAÇÕES CONDICIONAIS Estão sujeitas a uma condição (evento que subordina a eficácia do negócio jurídico a evento futuro e incerto; pode ou não acontecer). Se não o ocorrer cento evento a obrigação não gerará efeito. ART. 509. As condições podem ser: 1. Suspensivas – suspende o início dos efeitos do negócio jurídico; ocorrendo o fato, desencadeiam-se os efeitos. É de mera expectativa. Não existe a obrigação, não podendo o credor exigir seu cumprimento, enquanto não ocorrer o implemento. Frustrada a condição, a obrigação deixa de existir. Não tendo ocorrido o evento e tendo o devedor cumprido com a obrigação, assiste-lhe o direito de repetição, porque se trata de pagamento indevido. ART. 876. Não ocorre prazo prescricional na obrigação pendente de condição suspensiva. ART. 199. Art. 126. Se alguém promete entregar coisa sob condição suspensiva e, pendente ela, enquanto não ocorre o evento, abandona a coisa, sujeitando-a à deterioração, pode o credor, por exemplo, pedir caução ou pleitear para si o depósito da coisa. A morte do credor ou do devedor, antes de ocorrido o evento suspensivo, em nada modifica a situação jurídica criada pelo negócio condicional, a menos que se trate de fato personalíssimo da parte falecida, porque o cumprimento se torna impossível. Sempre que a parte impede que o fato se realize, Página 35 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133a condição se tem por cumprida e se torna exigível a obrigação. Ocorrendo o implemento da condição, imediatamente é exigível a obrigação. ART. 332. Cabe ao credor provar que o devedor teve ciência do evento. 2. Resolutivas – desde logo gera efeitos, mas estes se extinguirão ocorrendo fato futuro e incerto. A condição subordina a obrigação a evento futuro e incerto. Não havendo futuridade, tendo já ocorrido o evento, não há condição e a obrigação é exigível desde logo. Ex.: se subordinamos um pagamento a um resultado de uma competição esportiva que ocorreu ontem, da qual apenas não sabemos o resultado, não há futuridade, não há condição, não se trata de obrigação condicional. Tendo o adquirente a posse da coisa objeto da obrigação, tem ele o poder de disposição e o gozo, se diverso não resultar do negócio. Se a coisa perece, o possuidor suporta a perda, nada podendo exigir da outra parte na relação obrigacional. A condição resolutória não proíbe a disposição da coisa para terceiro e, tendo isso ocorrido, e não sendo possível ir buscar a coisa com quem se encontre, só resta a resolução em perdas e danos. O implemento da condição resolutiva invalida o vínculo com terceiros. Com o implemento da condição resolutiva, deve o possuidor entregar a coisa com seus acréscimos naturais. As diminuições ocorridas com a coisa, quando da entrega, deverão ser indenizadas pelo possuidor apenas se agiu com culpa. Na condição resolutiva, quando se frustra o implemento, a condição que já era tratada como pura e simples assim permanecerá. Há um evento futuro e incerto, o evento é falível, o implemento pode não ocorrer, a condição, daí, se frustra. OBRIGAÇÕES A TERMO Não há dúvida que irá ocorrer. Evento futuro e certo. O termo, que depende do tempo, é inexorável. No termo, o direito é futuro, mas deferido, já que não impede a aquisição do direito, cuja eficácia fica apenas em suspenso. Nas obrigações de direito privado trata-se de termo convencional, fixado entre as partes. Nas obrigações de direito público há o termo legal, fixado pela lei. No processo há termo judicial, fixado pelo juiz. O termo, uma vez aposto à obrigação, indica o momento em que sua exigibilidade se inicia ou se extingue. O termo é sempre inexorável. O prazo é que pode ser certo ou incerto, com uma data exata ou Página 36 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 prontamente fixável no calendário. O termo é certo, e somente será incerto quando não soubermos a data em que se cumprirá a obrigação. Na incerteza do termo, sabemos que este ocorrerá, o que não sabemos é apenas quando ocorrerá. Aquele que solveu a dívida antecipadamente não tem direito à repetição. Pois pagou dívida sua e existente. Depois do vencimento a obrigação converte-se em pura e simples, tornando-se exigível judicialmente. Antes do termo, em regra geral, uma obrigação não pode ser exigida, com algumas exceções elencadas no ART. 333. - Termo inicial: ocorrendo um fato futuro e certo, inicia-se os efeitos, o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Pendente o termo, pode o beneficiário usar de todos os meios acautelatórios para a preservação de seus direitos. ART. 131. + ART. 133. - Termo final: extingue-se os efeitos, deve cessar o exercício do direito. - Termo certo: tem dia previsto para ocorrer. Constitui o devedor, de pleno direito, em mora. - Termo incerto: sabe-se que irá ocorrer, mas não se sabe quando. É necessária a interpelação do devedor. ART. 397. OBRIGAÇÕES MODAIS (modo ou encargo). Refere-se a uma especial destinação do objeto da obrigação. ARTS. 136 e 137. é vinculado ao modo de uso, previsto no próprio contrato. O encargo fica restrito aos negócios gratuitos. O modo ou encargo é uma obrigação acessória que se impõe àquele que recebe uma liberalidade. É fato que não se pode admitir o instituto fora dos atos de liberalidade. As obrigações modais são as que se encontram oneradas com um encargo, que impõe ao onerado o dever de empregar todos ou parte dos bens recebidos pela maneira e com a finalidade indicada pelo instituidor, ou de dar, fazer ou não fazer alguma coisa, de tal sorte que, se não existisse essa cláusula acessória, o onerado não estaria vinculado a qualquer prestação, em razão da natureza gratuita do ato. É encargo, por exemplo, a doação de bens, com o ônus de pagamento periódico a uma instituição filantrópica. O modo, agregado a uma obrigação, pode objetivar uma ação ou omissão em favor do próprio disponente, de um terceiro ou do próprio beneficiário. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. ART. 137. Página 37 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 O encargo fisicamente impossível, bem como os de não fazer coisa impossível, têm-se por inexistentes; os encargos juridicamente impossíveis invalidam todo o ato. OBRIGAÇÕES QUANTO À PLURALIDADE DE SUJEITOS 1. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis. Obrigações Divisíveis – admitem fracionamento; são possíveis de cumprimento fracionado. Tem-se obrigação divisível quando é possível o fracionamento ou divisão da prestação devida, sem que cada uma das partes perca as características do todo ou sofra depreciação acentuada. Obrigações Indivisíveis – não admitem fracionamento; só podem cumprir em sua integralidade. Tem- se a obrigação cuja prestação não é possível de cumprimento em partes, ou seja, a obrigação é indivisível quando indivisível for o seu objeto. + a indivisibilidade liga-se ao objeto da prestação, mas sempre que houver uma pluralidade de sujeitos, caso contrário não aflorará juridicamente o problema. + ART. 258. A indivisibilidade resulta: Da impossibilidade de fracionamento – em relação à natureza da coisa. Trata-se de indivisibilidade material. De lei – fracionamento impedido por força de norma legal; indivisibilidade jurídica (um objeto perfeitamente divisível mas que torna-se indivisível por força de lei). Da vontade das partes – no momento em que realizam um contrato as partes podem declarar a indivisibilidade da prestação. Da Ordem econômica – quando a obrigação, se fracionada, sofrer depreciação em seu valor. Da razão determinante do negócio. Só discute-se se a Obrigação é divisível ou indivisível quando há pluralidade de sujeitos. 1.1 – Problematização O que é divisível ou indivisível é a prestação. Havendo mais de um credor ou mais de um devedor, deve-se observar a prestação: se ela for suscetível de cumprimento fracionado, a obrigação é divisível; caso contrário, será indivisível. Algo é divisível quando as partes divididas mantêm as mesmas propriedades do todo. Página 38 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 A divisibilidade ou indivisibilidade da prestação somente ganha relevância em havendo pluralidade de credores ou de devedores, ou de ambos, vez que, mesmo que divisível o objeto, não pode o credor ser obrigado a aceitar a prestação em partes se assim não se ajustou (ART. 314 – CC). Assim, havendo somente um credor e um devedor, a obrigação será, em regra, indivisível. 1.2 – Princípio “Concurso Partes Fiund” Se houver pluralidade dos sujeitos, a obrigação constitui-se divisível se houver divisibilidade do objeto. (ART. 257 – CC). Tal presunção ocorre quando a obrigação for indivisível e solidária. + ARTS. 323, 322 e 324. Presução – parte de um fato sabido para um não sabido, por conta que o segundo é decorrente do primeiro. Pode ser: - absoluta – não admite prova em contrário. - relativa – admite prova em contrário. Pode a parte réprovar que o fato não ocorreu. Por tal princípio, havendo pluralidade de devedores ou de credores, presume-se a obrigação dividida em tantas obrigações iguais e distintas quantos os credores ou devedores. É o que acontece de ordinário. Porém, tal presunção cede espaço em relação às obrigações indivisíveis e solidárias, em que todos os devedores estão obrigados ao pagamento da dívida por inteiro, bem como todos os credores possuem direito de exigir a prestação na sua totalidade. + quanto às obrigações de dar, será divisível quando cada uma das parcelas separadas guardar as características do todo. Porem, se o objeto da prestação é corpo certo e determinado, móvel ou imóvel, não se fala em divisibilidade, ainda que materialmente as coisas permitam fracionamento. + a obrigação de restituir é, como regra geral, indivisível, uma vez que o credor não pode ser obrigado a receber a coisa, em devolução, por partes, a não ser que a avença disponha diferentemente. + a obrigação de fazer pode ser divisível ou indivisível. Um trabalho a ser realizado pode ser cumprido por partes ou não, dependendo de sua natureza ou do que foi acertado entre os interessados. + a obrigação de não fazer é geralmente indivisível. A abstenção, em geral, é una, não sendo possível o parcelamento. 1.3 – Efeitos das obrigações decorrentes da divisibilidade a) presume-se repartido em tantas obrigações iguais e distintas quantos forem os credores e devedores (art. 257). Página 39 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 b) cada um dos credores somente tem direito de exigir a sua parte no crédito e, cada devedor a obrigação de pagar a quota parte correspondente. c) se o devedor pagar a dívida por inteiro a um dos vários credores, não ficará desobrigado em relação aos demais. d) o credor ou devedor que incorrer em falta responderá individualmente por ela, podendo ser constituído em mora o credor que recusar receber a parte que lhe pertence em crédito por pretender pagamento integral. e) a insolvência de um dos devedores não aumentará a quota dos demais. f) a prescrição suspensa, interrompida ou verificada em face de um dos devedores, não atinge os demais. 1.4 – Efeitos decorrentes da indivisibilidade a) cada devedor será obrigado pela dívida toda (art. 259). b) o devedor que paga a dívida toda se sub-roga no direito do credor em relação aos demais co- obrigados (art. 259, PU). c) havendo mais de um credor, cada um deles poderá exigir a dívida por inteiro, desobrigando-se o devedor ou devedores se pagar a todos os credores conjuntamente, ou a um só deles desde que este dê calção de ratificação quanto aos demais (art. 260). Calçã0: garantia (fiança). Calção de ratificação: garantia de que os demais vão anuir pagamento só a ele. d) cada co-credor tem direito de exigir a sua quota parte do credor que receber a totalidade da dívida (art. 261). e) a remissão por parte de um dos credores não atinge a quota parte dos demais. O mesmo se dá na transação, novação, compensação e confusão. (art. 262). Transação: (arts. 840, ss) é o contrato onde as partes, mediante renúncias recíprocas, previnem ou extinguem litígios. Novação: criação de nova obrigação para extinguir anterior. Compensação: as dívidas se extinguem no momento em que se equivalem. Confusão: ocorre quando na mesma pessoa concentra-se credor e devedor. Página 40 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 1.5 – Extinção da indivisibilidade Dá-se quando a obrigação dar-se ao seu equivalente mais perdas e danos (art. 263). Pluralidade de credores e devedores ART. 257: ”havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume- se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores”. Quando existe mais de um credor ou mais de um devedor, a obrigação divide-se em tantas quantos sejam os sujeitos ativos e passivos. Quando há só um devedor e só um credor, a prestação é realizada por completo, a não ser que tenha havido convenção em contrário. Na pluralidade de sujeitos, a obrigação divide-se; haverá obrigações distintas, recebendo cada credor de devedor comum ou pagando cada devedor ao credor comum sua quota na prestação. A dificuldade a ser transposta surge quando, na pluralidade de partes, a prestação for indivisível. ART. 259: Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. PU. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. ART. 260: Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira. Mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I – a todos conjuntamente; II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. O devedor, nesta hipótese, estará obrigado pela dívida toda. Assim, se dois devedores se obrigaram a entregar um cavalo, o semovente poderá ser entregue por qualquer um deles, ficando este com direito de cobrar o que for devido do outro devedor. Assim, o credor pode e deve acionar todos os devedores para o cumprimento de obrigação, mais ainda que coativamente um só dos devedores poderá cumprir a obrigação, ocorrendo a sub-rogação. Os devedores podem ser responsáveis pela prestação em partes iguais ou em proporção fixada no negócio jurídico, que merece um exame em cada caso concreto. Também os credores. Sendo a obrigação indivisível, cada um dos devedores responde pela dívida toda, como ocorre na solidariedade. Na verdade, aqui, pela pluralidade de credores de prestação indivisível, estes devem ser considerados credores solidários, enquanto persistir a indivisibilidade. ART. 261: se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total. Deve sempre ser examinado o negócio jurídico para se verificar qual a parcela de cada um na obrigação. Página 41 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 ART. 262: se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente. O credor que remite a dívida abre mão de seu cumprimento, a perdoa. Em se tratando de prestação indivisível, os demais credores não podem ser prejudicados: a dívida deve ser paga aos credores não remitentes, mas estes, ao exigi-la, devem descontar a quota remitida. Quando uma obrigação se resumir em perdas e danos, perderá o caráter de indivisível. ART. 263. se a culpa que motivou a indenização for de todos os devedores, responderão todos por partes iguais. Se a culpa for de um só, apenas este responderá por perdas e danos, mas pelo valor da prestação responderão todos. Quanto à prescrição, esta aproveita a todos os devedores, mesmo que seja reconhecida a apenas um deles, assim como sua suspensão ou interrupção aproveita ou prejudica a todos. A nulidade da obrigação declarada com relação a um dos devedores estende-se a todos. Um ato defeituoso com relação a uma das partes danifica o ato com relação aos demais partícipes do negócio. A insolvência de um dos devedores não prejudicará o credor, que estará intitulado a exigir o cumprimento da obrigação dos demais, integralmente. Indivisibilidade e solidariedade – diferença na solidariedade o credor pode exigir de qualquer devedor solidário o pagamento integral da prestação, porque qualquer um deles é devedor de toda a dívida. Na indivisibilidade, o credor pode exigir o cumprimento integral de qualquer dos devedores, não porque o demandado seja devedor do total e sim porque a natureza da prestação nãopermite o cumprimento fracionado. Na solidariedade cada devedor paga por inteiro porque deve por inteiro, enquanto na indivisibilidade o devedor paga por inteiro porque outra solução não é possível. A solidariedade é subjetiva, enquanto a indivisibilidade é objetiva, decorre da natureza da prestação. A solidariedade é artifício jurídico criado para reforçar o vínculo e facilitar a solução da dívida. A solidariedade é de origem técnica jurídica, enquanto a indivisibilidade é de origem material. Quando a obrigação solidária se converter em perdas e danos, os atributos da solidariedade permanecem (ART. 271). Quando a obrigação indivisível se converter em perdas e danos, desaparece a primitiva indivisibilidade ART. 263. OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS A solidariedade na obrigação é um artifício técnico utilizado para reforçar o vínculo, facilitando o cumprimento ou a solução da dívida. A obrigação será solidária quando a totalidade de seu objeto puder ser declamada por qualquer dos Página 42 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 credores ou qualquer dos devedores. Pode ocorrer a solidariedade de credores (ativa) e a solidariedade de devedores (passiva). De fato, a solidariedade não se presume, resultando da lei ou da vontade das partes. Há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado à dívida toda. A solidariedade é modalidade especial da obrigação que possui dois ou mais sujeitos, ativos ou passivos, e, embora possa ser divisível, pode cada credor demandar e cada devedor é obrigado a satisfazer à totalidade, com particularidade de que o pagamento feito por um devedor a um credor extingue a obrigação quanto aos outros coobrigados. Obrigação solidária é, portanto, a obrigação de cada um dos devedores de pagar a totalidade da dívida ou direito de os credores cobrarem a totalidade da dívida de cada um dos credores. ARTS. 932 E 942, PARÁGRAFO ÚNICO – CC. Na solidariedade pode o credor cobrar de um, de alguns ou de todos a obrigação por inteiro. Tem-se obrigação solidária quando numa mesma obrigação concorre pluralidade de credores, cada um com direito ao crédito todo, ou pluralidade de devedores, cada qual obrigado à prestação por inteiro. ART. 264. Características a) Multiplicidade de credores e devedores – se tiver apenas um credor e apenas um único devedor, não há que se falar em obrigações solidárias. b) Unidade de prestação – há uma mesma prestação para todos os credores ou devedores; qualquer que seja o número de credores e devedores o débito é sempre único. c) co-responsabilidade – cada devedor deve por inteiro bem como cada credor tem direito à prestação por inteiro. d) Independência do Vínculo – a unidade da prestação não impede que o vínculo que une credores e devedores seja distinto e independente; em decorrência disso surgem algumas conseqüências: 1. a obrigação pode ser pura e simples para algum dos devedores e pode estar sujeita à condição, ao prazo ou encargo para outros. ART. 266. 2. se uma obrigação é nula porque um dos credores é incapaz, conserva-se sua validade quanto aos demais. 3. um dos devedores pode ser exonerado de sua parte da dívida, permanecendo a obrigação para com os demais. Página 43 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Obrigações In Solidum De acordo com nosso ordenamento a solidariedade é uma só, sem distinção. Porém há situações em que vários agentes aparecem devendo a totalidade, sem serem solidários. Ex.: um motorista particular atropela e fere um pedestre, agindo com culpa. Aí surge dupla responsabilidade: a do condutor do veículo e a de seu proprietário, que responde por culpa indireta. Ambos estarão obrigados pela totalidade da indenização. Portanto, nesse tipo de obrigação, os liames que unem os devedores ao credor são totalmente independentes, embora ligados pelo mesmo fato. Como conseqüência, a prescrição referente aos devedores é independente; a interpelação feita a um dos devedores não constitui em mora os outros; a remissão da dívida feita em favor de um dos credores não beneficia os outros. Enquanto a dívida solidária é suportada por igual por todos os devedores, pode ocorrer que os devedores não sejam responsáveis, todos, pelo mesmo valor. Espécies: a) SOLIDARIEDADE ATIVA Tem-se quando houver dois ou mais credores com unidade de prestação e co-responsabilidade. ARTS. 267 A 274. + quanto à solidariedade ativa, embora sua utilização seja restrita, os credores têm a vantagem de que qualquer um deles pode atuar no recebimento do crédito, demandando o pagamento integral. Há um poder recíproco que facilita o recebimento. A solidariedade ativa é a que contém mais de um credor, todos podendo cobrar a dívida por inteiro. Sua importância prática é escassa, pois não tem outra utilidade a não ser servir como mandato para recebimento de um crédito comum, efeito que se pode obter com o mandato típico. O contrato de cofres de segurança terá a solidariedade ativa desde que se permita sua utilização e abertura, indiferentemente, por qualquer dos titulares. Portanto, entre nós, a origem da solidariedade ativa é a vontade das partes, seja um contrato, seja um testamento. A vantagem dessa modalidade é a de que qualquer credor pode exigir a totalidade de dívida, sem depender da aquiescência dos demais credores. ART. 267. e cada devedor poderá liberar-se da obrigação pagando a prestação a qualquer um dos credores, ART. 269. A solidariedade ativa tem um grande inconveniente que é o fato de que qualquer credor, recebendo a dívida toda, exonera o devedor, tendo então os demais credores que se entenderem com o credor que deu a quitação. Página 44 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 * Relações externas: (entre credores e devedores) cada credor é titular do crédito por inteiro. * Relações internas: (entre credores) cada um é titular de sua quota parte, podendo exigir do credor que recebeu a totalidade, sua parte. * Se o devedor já foi demandado judicialmente por um dos credores, deve a este pagar a dívida e não aos demais. + não se pode cobrar nem pagar duas vezes. + ART. 273 – se existe qualquer problema com o credor 1 (exceção pessoal), não pode o devedor eximir-se de cumprir a obrigação, só não pagando contra o credor 1. se a exceção for impessoal, pode ser alegada contra qualquer um dos credores. ART. 274. Efeitos da solidariedade ativa a) cada credor pode reclamar de qualquer dos devedores a dívida por inteiro. ART. 267, não podendo, assim, o devedor pretender pagar parcialmente, sob a alegação de que há outros credores. b) o pagamento feito a um dos credores, a compensação, a novação e a remissão da dívida feita por um dos credores a qualquer dos devedores extingue também a obrigação. ART. 269. no entanto, o direito livre de pagar dos devedores sofre uma limitação de ordem processual se um dos credores já acionou o devedor, este só poderá pagar àquele em juízo ou em razão dele. Pode o credor remitir, isto é, abrir mão da cobrança da dívida, perdoa-la, mas não poderá, com essa atitude, prejudicar os demais credores, devendo pagar-lhes a parte devida. c) a constituição em mora feita por um dos co-credores favorece a todos os demais. d) a interrupção da prescrição por um dos credores beneficia os demais, ART. 204§1º. Já a suspensão da prescrição em favor de um dos credores solidários só aproveitará aos outros se o objeto da obrigação for Indivisível, ART. 201. A renúncia da prescrição em face de um dos credores aproveitará aos demais. e) qualquer credor poderá propor ação para cobrança de crédito. Outrocredor poderá ingressar na ação na condição de assistente. f) a incapacidade de um dos credores não obsta que a obrigação mantenha seu caráter solidário a respeito dos demais. g) enquanto não for cobrada a dívida por algum credor, o devedor pode pagar a qualquer um dos credores, ART. 268. h) a constituição em mora do credor solidário, pela oferta de pagamento feita pelo devedor comum, prejudicará a todos os demais, que passarão a responder, todos, pelos juros, riscos e deterioração da coisa. Página 45 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 i) ART. 270. se falecer um dos credores solidários, deixando herdeiros, cada um deles só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. Assim, desaparece a solidariedade para os herdeiros. Os demais credores continuarão solidários. j) a conversão da prestação em perdas e danos não faz desaparecer a solidariedade, correndo em proveito de todos os credores os juros de mora. ART. 271. k) a relação interna, a natureza do débito e a quota de cada credor no débito é irrelevante para o devedor e o credor que receber deve prestar contas aos demais, pela parte que lhes caiba. ART. 272. Extinção A solidariedade ativa não termina apenas pelo pagamento a qualquer dos credores. Pode também ocorrer por novação (conversão de uma dívida em outra, extinguindo-se a primeira, art. 360 a 367); compensação (encontro de dívidas, extinção recíproca das obrigações, art. 368 a 380), e remissão (perdão da dívida, art. 385 a 388). O pagamento por consignação (arts. 334 a 345) também libera o devedor, mesmo quando efetuado a apenas um dos credores, também extinguem os débitos a confusão e a transação. b) SOLIDARIEDADE PASSIVA Tem-se quando houver dois ou mais devedores, cada um obrigado à dívida por inteiro. ARTS. 275 A 285. + a finalidade da solidariedade passiva tem em mira assegurar a solvência, reforçar o vínculo. O credor goza de uma situação de maior garantia, pelo fato de poder exigir de qualquer devedor o cumprimento de toda a obrigação. Facilita a cobrança por parte do credor, que no caso de inadimplemento não fica obrigado a mover uma ação contra todos os devedores. + é comumente estabelecida em contratos. ART. 7º, CDC – Os direitos previstos neste Código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade. Parágrafo único – Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. ARTS. 275, 277, 279 E 281. Pode-se cobrar de um, de alguns ou de todos a totalidade da dívida. Página 46 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + o devedor demandado pode alegar exceções pessoais relativas a ele e as comuns relativas a todos (ART. 281). + nas relações externas cada um dos devedores é responsável pela totalidade da dívida sem nenhuma preferência. + Relações internas – cada um dos devedores só está ligado à sua quota parte correspondente. Não há solidariedade. As quotas partes presumem-se iguais, mas nada impede que sejam diferentes. O devedor que paga por inteiro tem direito de cobrar a quota parte dos demais (art. 283). + a quota parte do insolvente será dividida igualmente entre todos os devedores. ART. 284. + não pode um ato do credor interferir nas relações internas dos devedores. ART. 285. + art. 831 – fiador que pagar integralmente a dívida - neste caso, se só um fiador paga havendo dois fiadores, cobra-se só a quota parte. Solidariedade passiva é aquela que obriga a todos os devedores ao pagamento total da dívida. Sua importância é enorme na vida negocial porque se trata de meio muito eficiente de garantia, de reforço do vínculo, facilitando o adimplemento. Para que o credor fique insatisfeito é necessário que todos os devedores fiquem insolventes, uma vez que pode acionar qualquer um deles pela dívida toda. Desde que apresente a solidariedade fica facilitada a conduta do credor. Externamente todos os devedores são coobrigados na solidariedade passiva. Internamente cada devedor poderá ser responsável por valores desiguais na obrigação, ou, até mesmo, ter unicamente a responsabilidade, sem que haja débito, como na fiança e na equiparação solidária. d) SOLIDARIEDADE MISTA Pluralidade de credores e devedores. + as obrigações solidárias tem uma pluralidade de credores ou de devedores e uma co- responsabilidade entre os interessados. O que solve a dívida pode reaver dos demais a quota-parte de cada um na obrigação. O mesmo na solidariedade ativa, o recebimento por parte de um dos credores extingue o direito dos demais, o que recebe deve entregar aos demais credores o que cada um tem direito. Página 47 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Fontes da Solidariedade ART. 265 (“a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”). Portanto, a solidariedade não pode decorrer da sentença. Como não existe presunção, quem a lega a solidariedade deve provar. Provindo a solidariedade da lei não há necessidade de prova. A solidariedade pode ser provada por testemunhas, quando o valor do contrato permitir. Presunções e indícios podem reforçar a prova da solidariedade, mas não a induzem. Distinções com as obrigações indivisíveis a) a causa da solidariedade é o título, e o da indivisibilidade é a natureza do objeto, em regra. b) na solidariedade cada devedor paga por inteiro porque deve por inteiro, enquanto na indivisibilidade solve a totalidade em razão da impossibilidade jurídica de repartir em cotas a coisa devida. c) a solidariedade é uma relação subjetiva enquanto a indivisibilidade é objetiva, em razão de que, enquanto a indivisibilidade assegura a unidade da prestação, a solidariedade visa facilitar a cobrança do crédito e o pagamento do débito. d) a indivisibilidade justifica-se às vezes com a própria natureza da prestação quando o objeto é em si mesmo insuscetível de fracionamento. Já a solidariedade é sempre de origem técnica, resultando da lei ou da vontade das partes, porém nunca de um dado real. e) a solidariedade cessa com a morte dos devedores, mas a indivisibilidade conserva tal arbítrio enquanto a prestação suportar. f) a indivisibilidade termina quando a prestação transforma-se em perdas e danos, enquanto a solidariedade conserva tal qualidade. Importância A solidariedade passiva tem como importância aumentar as garantias ao credor. A importância da solidariedade ativa é permitir que qualquer um dos credores cobre a dívida por inteiro. Pode ser substituída pela representação. Decorrente disso pode acontecer de um dos credores receber a totalidade da dívida e não passar aos demais credores. Página 48 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + a solidariedade ativa é o instituto em plena decadência. Princípios comuns – são aplicáveis à solidariedade ativa, passiva e mista. A) Variabilidade – a prestação pode variar de um devedor para outro ou de um credor para outro. ART. 266. não é comum na prática. B) Não presunção – a solidariedade ou decorre da lei ou da vontade das partes, caso contrário não há solidariedade. ART. 265. + arts. 932, 942 e 756. A solidariedade de origem legal pressupõe a existência de lei, texto concreto, específico para o caso concreto. Principaisefeitos das obrigações solidárias. a) direito individual de persecução. Cada credor (se for mais de um) tem direito de reclamar de qualquer dos devedores a totalidade da dívida. (art. 275). Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns devedores. O pagamento parcial e a remissão podem ser efetuados. (art. 277) b) a morte de um dos devedores solidários não extingue a solidariedade. ART. 276. Os herdeiros respondem pelos débitos do de cujus, desde que não ultrapassem as forças da herança. Cada herdeiro fica responsável por sua quota parte na do falecido, a menos que a obrigação seja indivisível, caso em que se mantém a solidariedade por impossibilidade material. c) ART. 278. ninguém pode ser obrigado a mais do que desejou a não ser que concorde expressamente. Poderão apenas obrigar o devedor que estipulou tais cláusulas, sem aquiescência dos demais. d) culpa. Se a obrigação se extinguir sem culpa dos devedores, se extinguirá a dívida para todos. Porem, pode ocorrer que haja culpa de algum dos devedores. ART. 279. a apenação de perdas e danos só será carreada ao culpado. O mesmo se a impossibilidade da prestação se deu quando o devedor já estava em mora. Este responderá pelos riscos, mesmo que tenha havido caso fortuito ou força maior. ARTS. 399 E 280. e) exceções pessoais e exceções gerais. ART. 281. Embora exista uma única prestação devida há vários vínculos, em decorrência da multiplicidade de devedores. Tudo o que disser respeito à própria obrigação pode ser alegado por qualquer devedor demandado. Situações que ferem diretamente a obrigação (inexistência da obrigação, quitação, ilicitude, etc), fica qualquer devedor intitulado para sua alegação, por esses fenômenos atingirem a obrigação em si, e não os vínculos. São exceções gerais, pois possibilitam a qualquer coobrigado alega-las. Página 49 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Mas podem existir exceções particulares e próprias só a um dos devedores, então só o devedor exclusivamente atingido por tal exceção é que poderá alega-la. Essa exceções não atingem nem contaminam o vínculo dos demais devedores. Não pode o coobrigado que se comprometeu livre e espontaneamente tentar invalidar a obrigação porque outro devedor entrou na solidariedade por erro ou sob coação. Art. 278. As exceções pessoais são meios de defesa que podem ser opostos por um ou vários dos co-devedores; exceções gerais são os meios de defesa que podem ser opostos por tosos os co-devedores da obrigação solidária. + O credor de coobrigados solidários cujas falências sejam decretadas tem o direito de concorrer, em cada uma delas, pela totalidade do seu crédito, até recebe-la por inteiro quanto então comunicará ao juízo. + quando um devedor solidário é acionado, os demais podem intervir no processo como assistentes, na figura de assistente qualificado. Pagamento parcial. ART. 277. Se o credor já recebeu parcialmente a dívida não poderá exigir dos demais co-devedores a totalidade, mas apenas abater o que já recebeu. O credor pode exigir parcialmente a dívida apenas se desejar, porque a obrigação não é essa. No entanto, se já foi paga parcialmente, por iniciativa de um dos devedores e com a concordância do credor, os demais devedores podem pagar o saldo, não sendo mais obrigados pela dívida toda. Com a remissão parcial ocorre o contrário do que acontece na solidariedade ativa. Quando o credor perdoa a dívida em relação a um dos devedores solidários, isso não faz com que a dívida desapareça com relação aos demais devedores, que permanecem vinculados à solução da dívida, com abatimento daquela parte que foi dispensada pelo credor. Se, contudo, a remissão ocorrer totalmente e sem ressalvas, atinge toda a dívida e todos os devedores. Extinção da solidariedade. Na solidariedade ativa os credores poderão abrir mão da solidariedade, da mesma forma que a criaram, convencionalmente. Assim, cada credor só poderá exigir sua quota parte no crédito. O devedor só deverá pagar a quota respectiva a cada credor. Em caso do art 270, a solidariedade só desaparece para os herdeiros do falecido credor, persistindo essa espécie de vínculo para os credores solidários sobrevivos. Em caso de obrigação indivisível, os herdeiros do credor falecido podem exigir a dívida por inteiro. Em caso de solidariedade passiva, se morre um dos devedores solidários, deixando herdeiros, esses Página 50 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 serão responsáveis apenas por sua quota na dívida. Em conjunto, são considerados um único devedor. Enquanto não houver partilha, o crédito pode ser exigido por monte-mor. Após a partilha, o credor só poderá pedir a quota de cada herdeiro na dívida, não podendo os co-herdeiros ser compelidos a saldar a dívida toda. ART. 282. Se houver rateio entre os co-devedores, para reembolso do devedor que solveu a obrigação, todos contribuirão, mesmo aqueles que tiveram a dívida remitida. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS Tem-se como obrigação principal aquela que tem existência por si mesma e que satisfaz os interesses dos contratantes independentemente da existência de outra. Ex.: obrigação decorrente dos contratos de compra e venda. Principal é a coisa que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Acessória, aquela cuja existência supõe a da principal. Salvo disposição em contrário, a coisa acessória segue a principal. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Acessória é a obrigação cuja existência e utilidade pressupõe a existência de uma outra obrigação tida como principal. Ex.: fiança, aval, cláusula compromissória. Há obrigações que nascem e existem por si mesmas, independentes. Há outras que surgem unicamente para se agregar a outras, isto é, são obrigações acessórias. Sua existência está na razão de ser da obrigação principal e em torno dela gravitam. O caráter de acessório e principal pode emanar da vontade das partes ou da lei. Pode a obrigação acessória surgir concomitantemente com a principal ou posteriormente. Podem estar presentes no mesmo instrumento ou em instrumento diverso. Quando fixada convencionalmente pelas partes, os sujeitos ajustam uma obrigação a par da obrigação principal. Por vezes a acessoriedade decorre da própria lei. A principal conseqüência da distinção é que a obrigação acessória segue a sorte da principal. Desaparecendo a principal, desaparece a acessória. Porem a recíproca não é verdadeira. Quando se transfere a obrigação principal, com ela seguem os acessórios. Página 51 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Na cláusula acessória há apenas uma cláusula a mais no contrato, sem a criação de uma obrigação diversa. É o caso da cláusula de irretratabilidade num compromisso de compra e venda. é cláusula do contrato. Diferentemente ocorre quando as partes estipulam uma garantia extra para o cumprimento do contrato. Se prescrita a obrigação principal estará também prescrita a acessória. Desaparece a acessoriedade com o desaparecimento do principal. A nulidade da obrigação principal contamina também a acessória, mas não o contrário. O vício existente na prestação principal contamina (irradia seus efeitos) a obrigação acessória. Assim, se nulo, anulável ou ineficaz um contrato de locação, nulo, anulável ou ineficaz será o contrato de fiança que o garante. Todavia, o inverso não ocorre, se nulo, anulável ou ineficaz a obrigação acessória, permanecerá incólume a obrigação principal. ART. 184 – CC. A lei nº 9.307/96 diz que as partes podem instituir a arbitragem. ART. 8º. A cláusula compromissória é autônoma ao contrato. Sendo nulo o contrato não anula a cláusula compromissória.– Art. 8º A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente, a nulidade da cláusula compromissória. Parágrafo único. Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. CONVERSAO DE ARBITRAGEM – gênero do qual se estabelece uma eventualidade de existir o delito. Acontece antes de surgir o litígio. É prévia. É uma cláusula acessória ao contrato realizado. COMPROMISSO ARBITRAL – é posterior ao litígio. As partes já em conflito de interesses. Detalha o que se refere o litígio e a arbitragem. FATO JURÍDICO LATO SENSU (abrange o stricto sensu). FATO JURÍDICO STRICTO SENSU – Acontecimentos que têm relevância no Direito e que independem da vontade humana. Subdividem-se em Ordinário (comum) e extraordinário (imprevisível). ATO JURÍDICO LATO SENSU – acontecimento que envolve a ação humana e tem relevância para o Direito. Subdivide-se em: Página 52 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Ato jurídico stricto sensu – gera efeitos apenas previstos em lei; Negócio jurídico – o ato da parte pode ter efeitos de acordo com sua vontade. Tem-se autonomia de determinar o conteúdo e efeitos do ato. Pode ser unilateral (promessa) e bilateral (necessita de duas ou mais vontades para constituir-se contrato). NEGÓCIO JURÍDICO Deve ser analisado em três planos: existência, validade e eficácia. EXISTÊNCIA – se o negócio existe. Para que seja ou não seja necessita de elementos específicos, quais sejam agente que haja com vontade, que deve ser manifestada através de uma forma, deve haver também um objeto. VALIDADE – verifica-se se o negócio jurídico é válido ou inválido. Capaz de gerar efeitos. Analisa- se requisitos de validade como agente capaz; vontade livre e consciente do agente, para não ser anulável. A validade deve também ser prescrita e não-defesa, e o objeto lícito, possível e determinável. EFICÁCIA – deve gerar efeitos próprios do negócio, o desejado. Assim, para isso, existem alguns fatores: negócio jurídico subordinado à condição (legal, contratual), os fatores de eficácia são sempre elementos externos que trazem o resultado desejado, ex.: condição, termo e encargo, o adimplemento. Fator de eficácia relativa: registro junto aos cartórios (tem eficácia às partes, mas não a terceiros). Outro fator é a notificação (art. 290). + arts. 286 a 290. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES A cessão de crédito enfoca a substituição, por ato entre vivos, da figura do credor. A transmissão de direitos e obrigações pode verificar-se tanto por causa de morte, quanto por ato entre vivos. A maioria dos contratos são passíveis de transferência. Conceito de Cessão de Créditos Na cessão de créditos o cedente é aquele que aliena o direito; o cessionário, o que adquire. O cedido é o devedor, a quem incumbe cumprir a obrigação. Página 53 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 A cessão de crédito é um negócio jurídico pelo qual o credor transfere a um terceiro seu direito. O negócio jurídico tem feição contratual. O crédito é transferido íntegro, tal como contraído. Há apenas uma modificação do sujeito ativo, um outro credor assume a posição negocial. Por exceção, não podem ser cedidos créditos inalienáveis por natureza, por lei, por convenção com o devedor. O contrato pode proibir a cessão de crédito, mas para que ele possa ser eficaz contra terceiro de boa- fé, deve constar do instrumento da obrigação. ART. 286. Em qualquer situação há que se verificar se o terceiro teve ciência da proibição de cessão. Se não o teve a cessão será válida, sendo a cláusula proibitiva ineficaz. + os acessórios acompanham o crédito na cessão, salvo se as partes convencionarem o contrário. ART. 287. + a cessão pode ocorrer a título gratuito ou oneroso. É imprescindível o consentimento do devedor. Deve ele ter ciência de quem é o credor, para poder efetuar o pagamento; o devedor é estranho ao negócio. + a cessão tem pontos de contrato com a compra e venda, porém, na compra e venda existe apenas um comprador e um devedor, enquanto que na cessão de crédito há o cedente, o cessionário e o cedido. A compra e venda objetiva um bem material e a cessão objetiva direitos (bens imateriais). + difere-se também da novação, pois nela existe uma forma de extinção de obrigações; na cessão o crédito preserva-se, somente sendo transferida a qualidade creditória ao terceiro. + sub-rogação – colocar no lugar ou substituir. Substituição do credor (art. 786). O terceiro assume a posição do credor na mesma relação jurídica; difere-se da cessão de crédito pela intenção, que na sub- rogação não existe e sim na cessão; e difere-se também pelo lucro, que não se pensa na sub-rogaçao já na cessão o lucro é inerente, ou seja, A) na cessão de crédito a intenção das partes é a alienação/aquisição do crédito, enquanto na sub-rogação a intenção do terceiro é pagar dívida pela qual é obrigado no todo ou em parte. B) na sub-rogação não é admissível lucro, vez que o sob-rogado só pode cobrar o valor que despendeu para o pagamento da dívida. Já na cessão de crédito admite-se o lucro de forma que o cessionário poderá cobrar o valor nominal do crédito e seus acessórios independentemente do quantum gasto para sua aquisição. Existe sub-rogação por força de lei, enquanto a cessão é voluntária. + a cessão pode ter sempre caráter especulativo. + transferência de algo imaterial. Tem-se cessão de crédito quando houver a transmissão de crédito decorrente de um outro contrato. É um contrato que tem por finalidade transferir um contrário. + “negócio jurídico bilateral pelo qual o sujeito ativo de uma obrigação transfere a terceiro, estranho ao negócio jurídico original, os direitos de crédito que possui na dita obrigação, inclusive acessórios, independentemente do consentimento do devedor”. Em cessão de crédito o credor é chamado de cedente, o devedor de cedido e o terceiro é o cessionário (que passou a ser novo credor). Página 54 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 Posição do devedor O devedor cedido não é parte no negócio da cessão; mas ele deve tomar conhecimento do ato para efetuar o pagamento. Enquanto não for notificado, pagando ao credor primitivo, estará pagando bem. ART. 290. Essa notificação deve ser por escrito para valer com relação a terceiros. ART. 288. ART. 289. Se o devedor já estiver em mora, a citação supre a notificação. ART. 292 “quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a prioridade da notificação”, devendo verificar-se em que momento a notificação foi efetuada, extinguindo-se a obrigação para o devedor, passando ao âmbito entre cedente e cessionário. ART.291. + para o devedor não se rompem todos os vínculos que mantinha com o credor primitivo. ART. 294. se o devedor podia alegar erro ou dolo contra o cedente, poderá faze-lo contra o cessionário, pois o crédito se transfere com as mesmas características, devendo o devedor, assim que notificado, alertar o cessionário que tem exceções a opor, sob pena de perder o direito. Natureza jurídica É um contrato consensual, algumas vezes necessitando escrito particular ou forma pública. A cessão pode ser gratuita, como uma doação; ou onerosa (comum), como a compra e venda. Requisitos. Objeto. Capacidade e Legitimação. Em primeiro lugar deve vir a possibilidade jurídica para a transmissão. Pode a transmissão ser impossível pela natureza da obrigação (cessão de alimentos), pela lei (direitos previdenciários)ou pela convenção das partes. Art. 286. + em geral os créditos podem ser cedidos. + as obrigações personalíssimas não admitem cessão. + os créditos futuros podem ser cedidos, desde que venham a existir. Mesmo s direitos litigiosos podem ser cedidos, assumindo o cessionário o risco. + em tese, os requisitos são os do art. 104 – agente capaz, objeto lícito, possível e determinado (determinável) e forma prescrita não defesa em lei. Página 55 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133 + o crédito deve ser passível de ser cedido. Página 56 de 56Direito Das Obrigações 26/03/2013http://www.trabalhosfeitos.com/imprimir/Direito-Das-Obriga%C3%A7%C3%B5es/47133