Aula 08 Prof Ingo Sarlet 03 04 2017 pre aula
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PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
MÓDULO DIREITOS E GARANTAIS FUNDAMENTAIS 
 
Professor: Ingo Wolfgang Sarlet 
 
1. Material pré-aula 
 
 a. Tema 
 
Dignidade da pessoa humana. 
 
b. Noções Gerais 
 
Segundo o professor Ingo Sarlet, dignidade da pessoa humana é a 
\u201cqualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz 
merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e 
da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e 
deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e 
qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe 
garantir as condições existentes mínimas para uma vida saudável, 
além de propiciar e promover sua participação ativa e corresponsável 
nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os 
demais seres humanos\u201d (1). 
 
Nesta toada, entende o ilustre professor Ingo Sarlet, que os \u201cdireitos 
fundamentais, ao menos de forma geral, podem ser considerados 
concretizações das exigências do princípio da dignidade da pessoa 
humana\u201d (2), sendo que tais direitos são aqueles \u201creconhecidos e 
positivados na esfera do direito constitucional positivo de 
determinado Estado\u201d(3). 
 
No que tange ao direito à vida, os seguintes pontos merecem 
destaques: 
\uf0b7 Dupla acepção: negativa (não intervenção) e positiva 
(existência digna); 
 
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\uf0b7 Vida humana no sentido biológico; 
\uf0b7 Células-tronco embrionárias; 
\uf0b7 Interrupção de gravidez de feto anencefálico; 
\uf0b7 Eutanásia. 
 
(1) SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais na Constituição de 1988. 
9ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012. 
(2 e 3) SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 11ª ed. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2012. 
 
 
c. Legislação 
 
 
Constituição Federal: art.1º, III; art.5º caput (principais artigos). 
 
Súmulas do STF: 
 
\u201cNão viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior 
ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar 
inicial.\u201d (Súmula Vinculante 6.) 
 
 
\u201cSó é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado 
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por 
parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por 
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do 
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual 
a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.\u201d 
(Súmula Vinculante 11) 
 
 
\u201cÉ direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso 
amplo aos elementos de prova que, já documentados em 
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de 
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.\u201d 
(Súmula Vinculante 14) 
 
 
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"O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima 
em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser 
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido." 
(Súmula 683.) 
 
"É constitucional o § 2º do art. 6º da Lei 8.024/1990, resultante da 
conversão da Medida Provisória 168/1990, que fixou o BTN fiscal 
como índice de correção monetária aplicável aos depósitos 
bloqueados pelo Plano Collor I." (Súmula 725.) 
 
 
 
 
d. Julgados/Informativos 
(íntegra dos respectivos acórdãos em: 
http://stf.jus.br/portal/inteiroTeor/pesquisarInteiroTeor.asp - informar apenas o 
número do processo sem ponto ou dígito verificador e serão listadas as classes 
relacionadas ao número) 
 
 
Reparação econômica de anistiado político e disponibilidade 
orçamentária 
Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de 
requisição ou determinação de providências por parte da União, por 
intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos arts. 12, § 
4º, e 18, \u201ccaput\u201d e parágrafo único, da Lei 10.599/2002, caracteriza 
ilegalidade e violação de direito líquido e certo. Havendo rubricas no 
orçamento destinadas ao pagamento das indenizações devidas aos 
anistiados políticos e não demonstrada a ausência de disponibilidade 
de caixa, a União há de promover o pagamento do valor ao anistiado 
no prazo de 60 dias. Na ausência ou na insuficiência de 
disponibilidade orçamentária no exercício em curso, cumpre à União 
promover sua previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente 
seguinte. Com base nessa orientação, o Plenário negou provimento a 
recurso extraordinário em que debatido o pagamento imediato de 
reparação econômica a anistiados políticos, tendo em conta a 
ausência de previsão orçamentária e o regime de precatórios para 
pagamento de valores pelos quais o Estado é condenado. De início, o 
 
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Colegiado lembrou que a declaração de anistiado político é conferida 
em favor daqueles que, no período de 18.9.1946 a 5.10.1988, 
sofreram prejuízos em decorrência de motivação exclusivamente 
política por meio de ato de exceção (ADCT, art. 8º, \u201ccaput\u201d). E, para 
liquidar as reparações econômicas desses anistiados, o orçamento 
anual da União destina valores expressivos, em prestação única ou 
em prestação mensal permanente e continuada. Pontuou que, de 
acordo com o princípio da legalidade da despesa pública, a 
Administração deve atuar de acordo com parâmetros e valores 
determinados pela Lei Orçamentária Anual (LOA). O orçamento, por 
sua vez, deve estar adequado à Lei de Diretrizes Orçamentárias 
(LDO) e ao Plano Plurianual (PPA), em respeito aos princípios da 
hierarquia e da integração normativa. Entretanto, a jurisprudência da 
Corte consolidou a premissa de que a existência de dotação legal é 
suficiente para que haja o cumprimento integral da portaria que 
reconhece a condição de anistiado político. Demonstrada, portanto, a 
existência de dotação orçamentária, decorrente de presumida e 
legítima programação financeira pela União, não se visualiza afronta 
ao princípio da legalidade da despesa pública ou às regras 
constitucionais que impõem limitações às despesas de pessoal e 
concessões de vantagens e benefícios pessoais. Assim, a recusa de 
incluir em orçamento o crédito previsto em portaria concessiva de 
anistia afronta o princípio da dignidade da pessoa humana. 
Afinal, trata-se de cidadão cujos direitos preteridos por atos de 
exceção política foram admitidos com anos de atraso pelo Estado, 
não podendo esse se recusar a cumprir a reparação econômica 
reconhecida como devida e justa por procedimento administrativo 
instaurado com essa finalidade. A opção do legislador, ao garantir os 
direitos a esses anistiados, foi de propiciar restabelecimento mínimo 
dessa dignidade àqueles que a tiveram destroçada por regime 
antidemocrático outrora instalado. Havendo o reconhecimento do 
débito pelo órgão público em favor do anistiado político e a 
destinação da verba em montante expressivo em lei, não há como 
acolher a tese de inviabilidade do pagamento pela ausência de 
previsão orçamentária. O Tribunal salientou, ainda, que admitir a 
limitação da dotação orçamentária para a satisfação dos efeitos 
 
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retroativos da concessão de reparação econômica somente aos 
anistiados que firmaram termo de adesão, nos termos da Lei 
11.354/2006, levaria ao reconhecimento da sujeição compulsória do 
anistiado político ao parcelamento previsto nessa norma. 
Considerando-se que não houve violação do princípio da prévia 
dotação orçamentária, não se admite o argumento de que o 
pagamento dos valores retroativos levará a situação de insolvência. A 
inexistência de recursos deve ser real e