A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
17 pág.
Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

Pré-visualização | Página 2 de 7

O PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL DELIMITA UM PRAZO PARA A PRÁTICA DO ATO 
(EX.: ARTS. 8º, § 3º; 12, 20, 48, 50, 59, 67, TODOS ADCT), SÓ SE CARACTERIZA A INCONSTITUCIONALIDADE POR 
OMISSÃO QUANDO ESCOADO O PRAZO, SEM A ADOÇÃO DAS MEDIDAS NECESSÁRIAS. ISTO É, NO CURSO DO PRAZO 
DETERMINADO PELA CONSTITUIÇÃO, SE INÉRCIA HOUVER, NÃO PODERÁ SER CARACTERIZADA COMO INCONSTITUCIONAL. 
MAS, BASTOU TER ULTRAPASSADO O PRAZO CONSTITUCIONAL, SEM A ADOÇÃO DAS PROVIDENCIAS EXIGIDAS, QUE A 
INÉRCIA, O SILÊNCIO, A OMISSÃO DO ÓRGÃO COMPETENTE PASSAM A CONFIGURAR INCONSTITUCIONALIDADE. 
 4 
NA SEGUNDA HIPÓTESE, SE O TEXTO CONSTITUCIONAL NÃO DELIMITA UM PRAZO, NO CASO DE OMISSÃO DO 
ÓRGÃO COMPETENTE, HÁ DE SER QUESTIONADO QUAL SERIA O PRAZO RAZOÁVEL PARA A ADOÇÃO DA MEDIDA. PARA 
RECASÉNS SICHES, TEÓRICO DA LÓGICA DO RAZOÁVEL, A RAZOABILIDADE ESTÁ LIMITADA, CONDICIONADA E 
INFLUENCIADA PELA REALIDADE CONCRETA DO MUNDO NO QUAL OPERA O DIREITO; ESTÁ CIRCUNSCRITA, CONDICIONADA 
E INFLUENCIADA PELA REALIDADE DO MUNDO SOCIAL, HISTÓRICO E PARTICULAR, NO QUAL E PARA O QUAL SÃO 
PRODUZIDAS REGRAS JURÍDICAS; ESTÁ, AINDA, IMPREGNADA POR VALORAÇÕES, CRITÉRIOS AXIOLÓGICOS, QUE DEVEM 
LEVAR EM CONTA AS POSSIBILIDADES E TODAS AS LIMITAÇÕES REAIS (NUEVA FILOSOFIA DELA INTERPRETACIÓN DEL 
DERECHO, PORRÚA, 287). 
À LUZ, PORTANTO, DA RAZOABILIDADE E LEVANDO EM CONTA ESSE AMPLO ELENCO DE ELEMENTOS E 
FATORES SOCIAIS, HISTÓRICOS E VALORATIVOS, SE SE CONCLUIR QUE O ATO, AO LONGO DO PRAZO DECORRIDO, NÃO SÓ 
PODIA COMO DEVERIA TER SIDO EDITADO, FICARÁ CARACTERIZADA A INCONSTITUCIONALIDADE. RESTA LEMBRAR QUE, 
NO TOCANTE AOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS, A TOLERÂNCIA HÁ DE SER CONSIDERAVELMENTE REDUZIDA, 
ANTE O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA APLICABILIDADE IMEDIATA DAS NORMAS DEFINIDORAS DOS DIREITOS E 
GARANTIAS FUNDAMENTAIS. 
 
OUTROS ASPECTOS RELEVANTES DA ADI POR OMISSÃO 
 
AFETADO POR UMA LACUNA NORMATIVA OU PELA EXISTÊNCIA DE UM ATO NORMATIVO REPUTADO 
INSATISFATÓRIA OU INSUFICIENTE. NÃO SE DESTINA À SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIA ENTRE PARTES DE UM LITÍGIO, 
OPERANDO SEUS EFEITOS APENAS NO PLANO NORMATIVO, ABSTRATO ( AGREG ADI 1.254). 
A FISCALIZAÇÃO POR OMISSÃO ASSUME MAIOR DESTAQUE EM CONSTITUIÇÕES COMPROMISSÁRIAS OU 
DIRIGENTES. É O CASO DE NOSSA CF QUE, MAIS QUE ORGANIZAR E LIMITAR O PODER POLÍTICO, INSTITUI DIREITOS 
CONSUBSTANCIADOS EM PRESTAÇÕES MATERIAIS EXIGÍVEIS E IMPÕE METAS VINCULANTES PARA O PODER CONSTITUÍDO, 
MUITAS VEZES CARENTES DE DENSIFICAÇÃO. 
A CONSTITUIÇÃO NÃO COMINA AO LEGISLADOR APENAS COMPETÊNCIAS PARA REGULAR OU REGULAMENTAR 
DETERMINADAS MATÉRIAS QUE NELA ESTÃO INSERIDAS DE MODO INCOMPLETO OU INSUFICIENTES, CARECEDORAS DE 
COMPLEMENTO. NA CARTA TAMBÉM ESTÃO INSERTAS NORMAS COGENTES, POR MEIO DAS QUAIS SE VEDA OU SE IMPÕE 
A REALIZAÇÃO DE CERTAS CONDUTAS. EM FACE DISSO, IMPERATIVO SE DISTINGUIR O QUE O CONSTITUINTE PROIBIU 
DAQUILO QUE ELE DETERMINOU FOSSE FEITO, POIS VIOLAR UMA PROIBIÇÃO CONSTITUCIONAL NÃO É O MESMO QUE 
DESCUMPRIR O QUE A CONSTITUIÇÃO ORDENOU QUE SE FIZESSE. 
KELSEN DEMONSTROU QUE TODA “PROIBIÇÃO DE UMA DETERMINADA CONDUTA É A IMPOSIÇÃO DA OMISSÃO 
DESSA CONDUTA” E QUE “TODA IMPOSIÇÃO DE UMA DETERMINADA CONDUTA É A PROIBIÇÃO DA OMISSÃO DESSA 
 5 
CONDUTA.”1 AFIRMA AINDA QUE, EMBORA TODA PROIBIÇÃO POSSA SER DESCRITA COMO IMPOSIÇÃO, E VICE-VERSA, 
EXISTEM DIFERENÇAS QUANTO AO TIPO DE OBJETO DA PRESCRIÇÃO NORMATIVA. A CONDUTA PRESCRITA PELA NORMA 
PODE SER UMA AÇÃO OU UMA OMISSÃO DESTA AÇÃO.2 DAÍ, NOVAMENTE COM BASE NAS LIÇÕES DE KELSEN, É NÃO SÓ 
POSSÍVEL COMO TAMBÉM NECESSÁRIO IDENTIFICAR SE A CONDUTA PRESCRITA PELA NORMA QUALIFICA-SE COMO UM 
NÃO-AGIR OU UM FAZER. 
DESSA MANEIRA, TRAÇANDO FRONTEIRA ENTRE A INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO E A 
INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO, UM CONCEITO “PURO” DE OMISSÃO JURIDICAMENTE RELEVANTE HÁ DE SE 
BASEAR NÃO NO DESCUMPRIMENTO DE QUAISQUER NORMAS CONSTITUCIONAIS, MAS SOMENTE DAQUELAS QUE 
IMPONHAM, PREVIAMENTE, OBRIGAÇÃO CERTA E DETERMINADA DE ATUAÇÃO A QUEM TENHA DE IMPLEMENTAR A 
APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS. SEM ESSA PREDETERMINAÇÃO DAQUILO QUE DEVE SER FEITO, NÃO HÁ 
PARÂMETROS PARA CONTROLAR O QUE NÃO SE FEZ. 
NESSE RUMO, SE A FISCALIZAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE OMISSIVA OPERA, COMO VISTO, NO CAMPO DA 
IMPLEMENTAÇÃO DA APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS, ENTÃO JÁ SE PODERIAM EXCLUIR DO PARÂMETRO 
DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS “PURAS” OMISSÕES CONSTITUCIONAIS TODAS AQUELAS NORMAS 
DOTADAS DE AUTO-APLICABILIDADE3 OU, NA DICÇÃO DE AFONSO DA SILVA, DE “APLICABILIDADE DIRETA”.4 
 
1 Teoria geral das normas. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 1986, p. 121. 
2 KELSEN: “A função específica de uma norma é a imposição de uma conduta fixada. ‘Imposição’ 
é sinônimo de ‘prescrição’. Descrição é o sentido de um ato de conhecimento; prescrição, 
imposição, o sentido de um ato de vontade. Descreve-se algo, como ele é, prescreve-se algo – 
especialmente uma certa conduta –, ao exprimir-se como a conduta deve ser. Mas isto não são 
duas diferentes funções, mas uma e a mesma função com referência à conduta diferente: uma 
ação e uma omissão desta ação. Toda proibição pode ser descrita como uma imposição. (...) O 
conceito de conduta compreende o fazer ou a ação, e a omissão passiva de um fazer ou de 
ação. Tendo-se em vista só o fazer ativo, precisa-se distinguir entre imposição de um fazer fixado 
e a proibição desse fazer, e tendo-se em vista só a omissão passiva, precisa-se distinguir a 
imposição de uma omissão e a proibição dessa omissão, e obtém-se assim a impressão de duas 
diferentes funções normativas. Mas o objeto de uma norma: a conduta não pode ser apenas um 
fazer fixado. Qualificando-se corretamente a ‘conduta’ como objeto da norma, então cabe a 
necessidade de distinguir entre a imposição e a proibição.”, idem, p. 120-121.) 
3 Exatamente por entender que o dispositivo constitucional tido por violado era auto-aplicável, o 
STF não conheceu da ADIMC 297/DF, Rel. OCTÁVIO GALLOTTI, DJU de 25/04/96, p. 43.199. 
Cf. também a ADI 480/DF, Rel. Min. PAULO BROSSARD, DJU de 25/11/94, p. 32.298. 
4 Por aí se vê que o problema da definição dos parâmetros de controle das omissões 
inconstitucionais desperta grande interesse pela tipologia a respeito da aplicabilidade e eficácia 
das normas constitucionais. Entretanto, o presente trabalho não se propõe a tratar dessa 
intrincada matéria, daí por que utilizará conceitos trabalhados anteriormente pela doutrina, sem 
querer problematizá-los a fundo. Sobre o assunto, cf., v.g., SILVA, José Afonso da. 
Aplicabilidade..., cit; DINIZ, Maria Helena. Norma constitucional e seus efeitos. São Paulo: Saraiva, 
 6 
POIS BEM. NA LINHA DE CANOTILHO, CABE SUSTENTAR QUE, INCLUSIVE NO BRASIL, A MORA QUANTO À 
IMPLEMENTAÇÃO DE “NORMAS-FIM OU NORMAS-TAREFA”5 ABSTRATAMENTE IMPOSITIVAS NÃO DÁ ENSEJO AO 
SURGIMENTO DE OMISSÃO JURÍDICO-CONSTITUCIONAL6. É DIFERENTE DIZER QUE HÁ OMISSÃO INCONSTITUCIONAL 
QUANDO O LEGISLADOR NÃO ADOTA MEDIDAS LEGISLATIVAS NECESSÁRIAS PARA EXECUTAR PRECEITOS 
CONSTITUCIONAIS QUE ESTABELECEM OBRIGAÇÕES PERMANENTES E CONCRETAS (COMO ATUALIZAR O SALÁRIO MÍNIMO, 
ORGANIZAR SERVIÇOS DE SEGURANÇA SOCIAL, GARANTIR ENSINO BÁSICO UNIVERSAL, OBRIGATÓRIO E GRATUITO), DO 
QUE QUANDO A LEI NÃO CUMPRE “NORMAS-FIM E NORMAS-TAREFA QUE, DE FORMA PERMANENTE MAS ABSTRATA, 
IMPÕEM A PROSSECUÇÃO DE CERTOS OBJETIVOS.”7 O NÃO-ATENDIMENTO DOS FINS E OBJETIVOS DA CONSTITUIÇÃO, 
EMBORA POSSA IGUALMENTE SER CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL, NÃO É JURIDICAMENTE CONTROLÁVEL. A 
CONCRETIZAÇÃO DESSAS “NORMAS-FIM” OU “NORMAS-TAREFA”, COMO BEM EXPÕE CANOTILHO, “DEPENDE 
ESSENCIALMENTE DA LUTA POLÍTICA E DOS INSTRUMENTOS DEMOCRÁTICOS”8. 
CLÈVE APONTA, MAIS, A NECESSIDADE DE OUTRA RESTRIÇÃO PARAMÉTRICA: COMO A OMISSÃO DEVE SER

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.