A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Autorregulação Organísmica em Gestalt terapia

Pré-visualização | Página 1 de 1

Maiara da Rosa
Autorregulação Organísmica em Gestalt-terapia
Psicoterapia da Gestalt
Professora Arlete Salante
Três de Maio/RS
Julho, 2017.
Autorregulação Organísmica em Gestalt-terapia
“Autorregular-se significa respeitar a totalidade funcional do organismo, significa olhar-se e comportar-se como um todo organizado e eficiente, significa privilegiar as necessidades que gritam dentro de nós para ser saciadas ou satisfeitas, significa olhar-se como uma pessoa inteira no mundo, significa amar o corpo como a casa na qual habitamos, significa prestar atenção aos infinitos pedidos de socorro que o corpo emite e pensar que o alimento pode ser encontrado, sempre, dentro da própria pessoa, sem perder seus aspecto relacional no mundo”
Ribeiro (2006, p. 56).
Este trabalho foi proposto pela Professora Arlete Salante e faz parte do componente curricular de Psicoterapia da Gestalt do Curso de Psicologia da Faculdade Três de Maio/SETREM.
A Gestalt-terapia é uma linha da Psicologia e uma nova forma de fazer psicoterapia. Foi criada por Fritz Perls em meados de 1950. É conhecida também, como a Terapia do Contato e trabalha a consciência da pessoa percebendo esta como um todo. É uma forma criativa de realizar a psicoterapia, sendo considerada, uma filosofia existencial. Na literatura consta que para Perls, o ser humano é um ser total, ou seja, não existe separação entre mente e corpo sendo o sujeito diretamente relacionado ao meio em que vive (Marques, 2014). Desta forma é de extrema importância conhecer e entender o meio onde o sujeito está inserido. 
A Gestalt-terapia possui diversos conceitos que ajudam o psicoterapeuta durante a terapia: Figura-fundo, Ajustamento Criativo, Aqui-Agora, Polaridade, Self, Totalidade, Contato, Parte-Todo, Diálogo e a Autorregulação.
A Autorregulação Organísmica foi criada por Goldstein e ele a definia como “uma forma do organismo interagir com o mundo, segundo a qual o organismo pode se atualizar, respeitando a sua natureza do melhor modo possível” (Lima, 2009, s/p). Ainda o dicionário traz como significado para a palavra Autorregulação: “Ação ou efeito de se autorregular, regular a si mesmo sem intervenção externa”. Ou seja, a autorregulação depende inteiramente do sujeito.
Assim, a autorregulação está presente diariamente na vida do sujeito, sendo que a é uma forma criativa, onde o sujeito utiliza como maneira de se ajustar ao meio em que vive diante de situações difíceis. 
“Para que a auto–regulação aconteça, é fundamental que o organismo possa ter respostas novas para as situações pelas quais ele passa na sua permanente interação com o meio ambiente” (Lima, 2009, s/p). Ou seja, a autorregulação é o equilíbrio entre o organismo e o meio.
“O instrumento de manutenção da vida é a autorregulação do organismo no mundo e a partir dele. Por intermédio dos comportamentos moleculares e molares, cada ser se autorregula conforme a necessidade do próprio organismo, aqui e agora. (…) Sem tergiversar, o corpo apresenta aquilo que precisa para um funcionamento adequado e um equilíbrio estável; entretanto, estamos acostumados a ver nossos corpos desrespeitados ou a desrespeitá-los, obrigando-os a funcionar com sobrecarga física, emocional e espiritual” (Ribeiro, 2006, p. 56-57).
A autorregulação é a maneira onde o sujeito consegue equilibrar sua vida saudavelmente, assim, o sujeito deve ter plena consciência e saber a hora que precisa parar de realizar certas atividades ou a hora de iniciar outras ações, levando em consideração seu bem estar físico, psíquico e espiritual.
“Somos biopsicossocioespirituais e autorregular-se é não perder a perspectiva dessa quádrupla dimensão humana. Cada uma dessas dimensões tem necessidades próprias que, embora juntas, formam um sistema auto regulador que distribui os diversos apelos ou necessidades organísmicas, de tal modo que um comportamento vicário, organicamente inteligente, o sistema mais saudável tenta satisfazer um menos saudável, para que o organismo, como um todo, possa funcionar a contento” (Ribeiro, 2006, p. 56-57).
A autorregulação pode se apresentar de duas formas: saudável e não saudável. Assim, o organismo está em equilíbrio ou desiquilíbrio. No entanto, ele sempre trabalha para o equilíbrio, para a saúde do indivíduo. Por vezes o sujeito irá tentar se equilibrar seguindo a linha da autorregulação “não saudável”, como por exemplo: a enfermidade. Porém, é a única maneira que ele irá conseguir a homeostase, o equilíbrio necessário para seguir a diante. “Temos de recordar que, às vezes, a própria doença é uma forma precária de autorregulação e também o caminho que o organismo encontrou para se proteger de um mal maior” (Ribeiro, 2006, p. 56-57).
Os indivíduos tendem a satisfazer primeiramente uma necessidade emergente para então cumprir a próxima. No entanto, quando não conseguem fazer o que fora determinado por outras pessoas, surge a ansiedade (Lima, 2009). Ainda, Ribeiro (1994) citado em Pereira (2016), traz que todo ser humano possuí uma propensão a autorregulação, sendo que este só se dá por completo quando a relação “self-eu-mundo” encontra-se equilibrada, a partir de então o organismo passará a agir naturalmente. 
Por fim, entende-se que o ser humano deve ser visto como um todo; não se deve enxerga-lo apenas como um sintoma ou como uma doença, mas como um todo que faz parte de um meio. Desta forma faz-se necessário que a autorregulação seja um acompanhante diário deste sujeito para que saiba lidar com as adversidades do dia a dia da melhor forma possível procurando o equilibro necessário 
Referências
Dicionário Online de Português. Autorregulação. Retirado de: https://www.dicio.com.br/autorregulacao/
Lima, P. A. (2009). Criatividade na Gestalt-terapia. Estudos e Pesquisa em Psicologia 9 (1). Retirado de: http://www.revispsi.uerj.br/v9n1/artigos/html/v9n1a08.html
Marques, L. C. (2014). O que é Gestalt-Terapia? Retirado de: http://www.psicologiaexplica.com.br/o-que-e-gestalt-terapia/
Pereira, C. F. (2016). Gestalt Terapia: principais conceitos. Retirado de: http://www.falandosobreesquizofrenia.com.br/gestalt-terapia-principais-conceitos/#more-1425
Ribeiro, J. P. (2006). Vade-mécum de Gestalt-terapia – Conceitos Básicos. São Paulo: Editora Summus.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.