Prévia do material em texto
www.esab.edu.br Sociologia das Organizações Sociologia das Organizações Vila Velha (ES) 2013 Diretoria Executiva Charlie Anderson Olsen Larissa Kleis Pereira Margarete Lazzaris Kleis Thiago Kleis Pereira Conteudista Kettle Duarte Paes Coordenação de Projeto Andreza Lopes Patrícia Battisti Supervisão de Design Educacional Barbara da Silveira Vieira Supervisão de Revisão Gramatical Andrea Minsky Supervisão de Design Gráfico Laura Martins Rodrigues Design Educacional Renata Oltramari Revisão Gramatical Elaine Monteiro Seidler Érica da Silva Martins Valduga Hellen Melo Pereira Paulo de Tarso Vieira Design Gráfico Neri Gonçalves Ribeiro Diagramação Fernando Andrade Letícia Felini Equipe Acadêmica da ESAB Coordenadores dos Cursos Docentes dos Cursos Copyright © Todos os direitos desta obra são da Escola Superior Aberta do Brasil. www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840 Coqueiral de Itaparica - Vila Velha, ES CEP 29102-040 Escola Superior Aberta do Brasil Diretor Acadêmico Beatriz Christo Gobbi Coordenadora do Núcleo de Educação a Distância Beatriz Christo Gobbi Coordenadora do Curso de Administração EAD Rosemary Riguetti Coordenador do Curso de Pedagogia EAD Claudio David Cari Coordenador do Curso de Sistemas de Informação EAD David Gomes Barboza Produção do Material Didático-Pedagógico Delinea Tecnologia Educacional / Escola Superior Aberta do Brasil Diretor Geral Nildo Ferreira Apresentação Caro estudante, Seja bem vindo à ESAB. A Escola Superior Aberta do Brasil, funda-se no princípio básico de atuar com educação a distância, utilizando como meio, tão somente, a internet. Em 2004,foi especialmente credenciada para ofertar cursos de pós- graduação a distância, via e-learning, utilizando-se de software próprio denominado Campus Online. Em 2009 foi credenciada com Instituição de Ensino Superior – IES, através da portaria MEC nº 1242/2009, de 30 de dezembro de 2009, ocasião em que também foi autorizada a ofertar o curso de pedagogia – licenciatura, na modalidade presencial, conforme portaria Mec nº 14/2010, de 9 de janeiro de 2010. Em outubro de 2012 recebeu o Prêmio Top Educação 2012, da Editora Segmento, sendo reconhecida como a Melhor Instituição de Ensino EAD para Docentes. Em 2013 é aprovada para a oferta dos cursos de: Administração (Bacharelado); Pedagogia (Licenciatura) e Sistemas de Informação (Bacharelado), todos na modalidade EAD, com avaliação máxima das comissões avaliadoras. Como você já sabe, vivemos em sociedade, mais especificamente na contemporaneidade, em uma sociedade de organizações. Como bem destacou Etzioni (1980), nascemos, estudamos, trabalhamos e finalmente nos divertimos em organizações. Logo, dada a importância dessas instituições na sociedade, a disciplina de Sociologia das Organizações pretende ser um convite a você, estudante de um curso superior, para que inicie contato com uma das mais complexas Ciências Sociais. Para nos auxiliar neste trabalho, apresentaremos nossa discussão baseada nas obras de Bernardes (2003), Castro (2010), Costa (2002), Giddens (2005) e Dias (2008). Mas, para que esse encontro seja proveitoso, é importante que você passe a refletir acerca do ambiente organizacional, sobretudo porque são essas reflexões que levam a compreensão dos aspectos sociais, econômicos e culturais inseridos no seio das organizações. Bom estudo! Equipe Acadêmica da ESAB Objetivo O nosso objetivo é compreender os estudos na área da Sociologia Organizacional que auxiliem a atuação na área de gestão de organizações, promovendo habilidades para analisar as situações grupais e organizacionais de forma crítica e criativa. Com isso, visamos também facilitar seu processo de reflexão e de tomada de decisão, fornecendo-lhe instrumental teórico baseado em conhecimento científico na área de organizações. Competências e habilidades • Compreender a importância de uma reflexão crítica sobre sua realidade social e cultural, assim como sobre os processos históricos, políticos e econômicos que concorreram para a disposição de tal realidade. • Conhecer as correntes teóricas e as aplicações práticas dos conceitos propostos pela Sociologia das Organizações sobre o mundo do trabalho. • Aplicar as ferramentas conceituais proporcionadas pela Sociologia das Organizações na gestão e no desenvolvimento das competências das pessoas que integram a equipe de trabalho de uma organização. • Utilizar os conhecimentos adquiridos para lidar com modelos de gestão flexíveis e inovadores, atuando com iniciativa e criatividade, sendo consciente das implicações éticas do seu trabalho. Ementa Sistema social e sua hierarquia. Divisão do trabalho e industrialização. Estratificação social e distribuição de renda. Tipologia das organizações. Organizações modernas. O modelo burocrático e suas disfunções. Marx, Weber, Durkheim, Merton e Parsons. Antropologia cultural. Cultura, subculturas e contracultura nas organizações. Ritos, rituais, heróis, símbolos, mitos e tabus. Microssociologia organizacional. Sumário 1. Introdução à Sociologia: perspectiva histórica e conceitos gerais sobre o sistema social ...........................................................................................6 2. Contexto de emergência da disciplina e conceitos importantes ....................................10 3. Divisão do trabalho e Revolução Industrial ...................................................................14 4. Aspectos socioeconômicos da Revolução Industrial ......................................................17 5. Tipologia das organizações: objetivos e critérios ...........................................................22 6. Tipologia das organizações: Etzioni, Blau e Scott ..........................................................25 7. Tipologia das organizações: empresa privada e empresa pública ..................................31 8. Tipologia das organizações: poder e autoridade nas organizações ................................35 9. Tipologia das organizações: liderança ...........................................................................39 10. Tipologia das organizações: conflito entre indivíduo e sociedade ..................................43 11. Organizações modernas: as organizações e a vida moderna .........................................47 12. Organizações modernas: questões de gênero – as mulheres na gerência .....................51 13. Organizações modernas: ultrapassando os limites do modelo burocrático ....................56 14. O modelo burocrático e suas disfunções ........................................................................60 15. Karl Marx: as lutas de classe e os conflitos sociais .........................................................64 16. Max Weber: dominação, poder e burocracia .................................................................68 17. Émile Durkheim: especialização e a divisão do trabalho social e as formas de solidariedade humana ...........................................................................73 18. Merton e Parsons ..........................................................................................................77 19. Antropologia cultural e as organizações ........................................................................82 20. Cultura organizacional ..................................................................................................86 21. Subculturas e contracultura nas organizações ...............................................................91 22. Ritos, rituais, heróis, símbolos, mitos, tabus e organizações ..........................................95 23. Microssociologia organizacional: aspectos gerais ..........................................................9824. Microssociologia organizacional: relações intergrupais ...............................................102 Glossário ............................................................................................................................108 Referências ........................................................................................................................119 www.esab.edu.br 6 1 Introdução à Sociologia: perspectiva histórica e conceitos gerais sobre o sistema social Objetivo Conhecer os antecedentes históricos do sistema social e os principais conceitos em Sociologia em geral. Se você pudesse percorrer a história da humanidade até os nossos dias atuais, constataria que o homem, como ser social, preocupa-se com problemas sociais. Em cada época verificamos como os homens buscam resolver tais problemas, seja por meio da religião, da filosofia, da ciência ou do senso comum. Isso ocorre em virtude da constante imposição do homem sobre a natureza. Novos desafios e descobertas dinamizam a história da humanidade em sua busca pela sobrevivência (CASTRO, 2010). Sabemos que o homem é um ser dotado de inteligência. E, ao questionar o que é o mundo e o próprio homem, fez nascer a filosofia – por volta do século VI a.C., quando surgiram os primeiros filósofos gregos. Eles buscaram um tratamento racional da natureza no seu conjunto, e tinham como preocupação voltar-se para o mundo existente e suas transformações. Os filósofos buscavam um princípio capaz de explicar tudo. Os primeiros questionamentos sobre o homem começaram com Sócrates, que considerava a conduta moral dependente do conhecimento. Para esse filósofo, segundo Castro (2010), a ignorância impede o homem de atingir a felicidade, que é o conhecimento do bem. Outro filósofo importante foi Platão, discípulo de Sócrates. Platão considerava a sabedoria como essencial para a felicidade. Para Platão, o mundo real é o mundo das ideias, do qual o mundo sensível é apenas sombra. É com Aristóteles, discípulo de Platão, que encontramos a definição de Filosofia Social. Segundo ele, seja qual for a sociedade, essa www.esab.edu.br 7 se trata de uma organização natural e moralmente necessária para o homem atingir a felicidade. Evoluindo mais adiante na história, Castro (2010) explica que as primeiras investigações filosóficas acerca do mundo e do homem somam- se os acontecimentos oriundos da Revolução Francesa e da Revolução Industrial como substrato sobre o qual emergiram as abordagens sociológicas. Giddens (2005) acrescenta que as origens da sociologia como estudo sistemático da sociedade e do comportamento humano é relativamente recente, datando de fins do século XVIII. E aponta que a emergência da abordagem sociológica se deu a partir dos acontecimentos e das mudanças radicais introduzidas pelas Revoluções Francesa e Industrial da Europa dos séculos XVIII e XIX. Esses eventos mudaram irreversivelmente o modo de vida que os humanos haviam mantido por milhares de anos. E é exatamente esse período do século XIX o marco do surgimento da Sociologia, a partir das teorizações de Augusto Comte sobre as fases da evolução da humanidade. Comte formulou a lei dos três estados: para ele a humanidade passou do estado teológico para o estado metafísico, para só então atingir o estado científico. Castro (2010) elucida que para Comte a história da humanidade baseia-se na ordem, tendo como princípio o amor e como finalidade o progresso. A única fonte legítima da ciência, segundo ele, é a experiência sensível. Saiba que foi Augusto Comte quem atribuiu à sociologia a função de estudar as leis sociais, sendo elas: estática – ordem, coexistência social – ou dinâmica – processo, transformações sociais. Sua visão sobre a sociologia era científica e objetivava observar os fatos sociais e morais, por meio dos quais os grupos humanos se formam e progridem. Castro (2010) ressalta as contribuições de outros estudiosos do tema e disserta sobre as preocupações metodológicas para a nova disciplina oriundas dos trabalhos de Karl Marx e, sobretudo, de Émile www.esab.edu.br 8 Durkheim. Esses dois pensadores merecerão considerações especiais no desenvolvimento da Sociologia em geral e da Sociologia Aplicada às Organizações em particular. A partir deste ponto, você já pode ser capaz de refletir sobre o que é a sociologia por meio das definições apresentadas anteriormente! Para auxiliá-lo, temos a interpretação de Castro (2010), que define a Sociologia como uma ciência social que busca compreender as estruturas sociais, o comportamento social e os diversos tipos de sociedades. Outra definição importante vem de terras brasileiras, trata-se da noção desenvolvida por Florestan Fernandes, citado por Castro (2010), para quem a Sociologia se propõe a explicar a ordem existente por meio dos fenômenos sociais e seus efeitos que operam em um campo a-histórico, isso porque toda sociedade possui certos elementos estruturais e funcionais idênticos, que tendem a combinar-se de modo a produzir efeitos constantes na mesma magnitude. Para Giddens (2005), a Sociologia consiste no estudo da vida social humana, dos grupos e das sociedades, sendo uma ciência fascinante, uma vez que seu objeto de estudo é o nosso próprio comportamento como seres sociais. Note que para esse autor a abrangência do estudo sociológico é ampla, incluindo desde a análise de encontros ocasionais entre indivíduos na rua até a investigação de processos sociais globais. Contudo, há de se operar uma mudança de visão quando olhamos o mundo sob o ponto de vista da Sociologia, uma vez que ela nos ensina que aquilo que encaramos como natural ou verdadeiro nem sempre é o que parece ser, e que nossa vida é fortemente influenciada por forças históricas e sociais. Por isso, o foco da abordagem sociológica é entender os modos complexos e profundos pelos quais nossas vidas individuais refletem os contextos de nossa experiência social (GIDDENS, 2005). Tenha em mente que acontecimentos das duas grandes revoluções mundiais contribuíram para a construção de dois grandes princípios da Sociologia. Giddens (2005) aponta que a Revolução Francesa (1789) marcou o triunfo de valores como liberdade e igualdade sobre a ordem social tradicional. Já a Revolução Industrial ocasionou www.esab.edu.br 9 amplas transformações sociais e econômicas, que culminaram com o desenvolvimento de inovações tecnológicas, como a energia e a máquina a vapor. Sobre a Revolução Industrial, você sabia que o surgimento da indústria levou a uma enorme migração do campo para as áreas de industrialização nascente, causando uma rápida expansão das áreas urbanas e introduzindo novas formas de relações sociais? Então, saiba que essa situação mudou drasticamente o mundo social, isso porque a maioria dos bens de que necessitamos passaram a ser produzidos, desde então, por indústrias. Todas essas grandes mudanças e rupturas com os modos de vida tradicionais desafiaram pensadores a desenvolverem uma nova visão de mundo. Os pioneiros da Sociologia foram apanhados pelos acontecimentos que cercaram essas grandes revoluções e tentaram compreender sua emergência e a sua consequência potenciais. Para sua reflexão Vamos refletir sobre as mesmas questões que esses pensadores buscaram responder em todos os períodos históricos. Com suas visões e conceitos, reflita e responda: o que é a natureza humana? Por que a sociedade é estruturada da forma como é? Como e por que as sociedades mudam? Já parou para pensar sobre essas questões? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 10 2 Contexto de emergência da disciplina e conceitos importantes Objetivo Estudar os aspectos históricosde surgimento da disciplina Sociologia das Organizações e conceitos importantes para o tema. Podemos dizer que a Administração e a Sociologia tiveram um desenvolvimento semelhante. Ambas surgiram das necessidades de organização da sociedade provocada pela Revolução Industrial. As duas disciplinas sofreram, em seu início, influências das Ciências Exatas. Prova disso é que a Sociologia no início era a “Física Social” por Auguste Comte, e a Administração tinha um profundo viés nas Ciências Exatas, notadamente na Engenharia, com Frederick W. Taylor, seu iniciador (DIAS, 2008). 2.1 Aspectos históricos da Sociologia das Organizações A Revolução Industrial levou-nos ao surgimento das fábricas, fato que passou a ter enorme importância na sociedade. Em decorrência dessa importância e da necessidade de tentar solucionar os diversos problemas que foram surgindo com o seu desenvolvimento, emergiu, no fim do século XX, uma nova ciência social, a ciência da Administração, que inicialmente se desenvolveu por causa de conceitos advindos da engenharia, fruto do trabalho dos pioneiros da administração, que em sua maioria tinha sua origem nessa profissão. Nesse sentido, a administração surge com a proposta de unir as pessoas para alcançar objetivos comuns, o que de imediato mostra a necessidade de organização das atividades que deverão ser desenvolvidas para se conseguir alcançar esses objetivos. Com isso, desenvolve-se um processo www.esab.edu.br 11 de organização do trabalho estreitamente ligado à distribuição de funções e ao sequenciamento de tarefas, aumentando assim a produtividade (DIAS, 2008). Ampliando esta nossa análise, é importante destacar que a ação humana possui natureza teológica, por isso faz-se importante uma busca pela conciliação dos objetivos individuais e grupais. Com isso, você pode perceber que os temas que integram a Sociologia das Organizações podem ser analisados tomando a organização (seja ela uma empresa privada, um grupo familiar, uma escola) como um elemento central (CASTRO, 2010). 2.2 Funções e elementos da Sociologia das Organizações O domínio da Sociologia é o social, e o objeto são as relações sociais. Castro (2010) recupera sucintamente as ideias dos grandes nomes da Sociologia para traçar um panorama de emergência da disciplina sociológica e consequentemente a emergência da Sociologia das Organizações. Para melhor entendimento, veja na descrição a seguir os três sociólogos que se destacam: • Durkheim: sociólogo que considera que os tipos de integração social ocorrem de forma objetiva; • Weber: caracteriza o envolvimento, tomando como referência tipos de controle (tradicional, carismático e burocrático) com base em uma perspectiva subjetiva; • Parsons: quem considera que o envolvimento dos participantes numa determinada ação social supõe que a intenção e o sentindo se constituem num sistema simbólico. Em relação à Sociologia das Organizações, Castro (2010) explica que existe uma concordância entre os estudiosos da área em atribuir a origem da disciplina às pesquisas realizadas na Western Eletric Company, por www.esab.edu.br 12 Elton Mayo, no início do século XX. As pesquisas objetivaram o estudo da moral e da fadiga dos trabalhadores e da monotonia do trabalho relacionadas com a produção. Saiba mais Um dos grandes acontecimentos na história da Sociologia das Organizações foi a experiência de Hawthorne. Para entender um pouco mais sobre esse evento, clique aqui. Depois dos trabalhos de Hawthorne, diversos outros fatores foram levados em consideração, cujas conclusões ressaltaram a importância das relações interpessoais e das motivações alicerçadas em variáveis independentes. Com isso, o objeto da Sociologia das Organizações consiste em se analisar as organizações e os papéis profissionais. Assim, Castro (2010) destaca que a Sociologia Aplicada à Administração se preocupa em compreender as organizações e os papéis que as integram, considerando o sistema social em suas manifestações morfológicas e funcionais. De acordo com o autor, nas organizações, os indivíduos assumem papéis socioprofissionais, e compete à Sociologia analisar essa realidade como complexo funcional. Assim, torna-se necessário que se tenha em mente que administrar implica decidir. Para destacar essa temática, Castro (2010) lança mão de alguns autores importantes da área e suas respectivas conceituações do que seria a Administração: • Herbert A. Simon: considera a Administração como uma arte cujo objetivo é conseguir que algo determinado seja realizado, exigindo, por isso, decisão e ação; • Henry Fayol: formulou um conceito que se tornou clássico: administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar; www.esab.edu.br 13 • Frederick Taylor: declara que o principal objetivo da Administração deve ser o de assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, ao empregado. Por fim, temos que a Sociologia interessou-se primeiramente pelos fatos sociais, tais como a religião, o jurídico, a moral e o econômico. Contudo, pela impossibilidade de traçar leis da evolução social, como era a pretensão dos pioneiros, passou a estudar os grupos parciais e as relações interindividuais. Com isso, surgiu então esse campo de estudo da Sociologia aplicada com denominações diversas: Sociologia Industrial, Sociologia do Trabalho, Sociologia da Administração, Sociologia das Organizações, entre outras (CASTRO, 2010). www.esab.edu.br 14 3 Divisão do trabalho e Revolução Industrial Objetivo Apresentar as transformações sociais que serviram de base para a sociedade e as organizações modernas. O trabalhador industrial se especializou em áreas de trabalho cada vez mais limitadas, sofrendo ao mesmo tempo um empobrecimento na sua qualificação em comparação com o artesão que realizava todo o processo produtivo. Isso porque a introdução da máquina durante o século XVIII impulsionou a organização racional das tarefas produtivas. O grande nome da época foi Adam Smith, que em sua obra “A riqueza das nações”, publicada em 1776, apresentou um exemplo de divisão do trabalho em uma fábrica de alfinetes que se tornou clássico. Adam Smith descreve como operários realizam até 18 operações distintas com um fio metálico do qual devem produzir um alfinete, gerando ao final do dia até 4800 unidades. E compara com um operário que isoladamente não conseguiria produzir 20 unidades num mesmo período (DIAS, 2008). Com a transição de formas de trabalho desencadeadas pela Revolução Industrial, o problema técnico organizacional de especialização e divisão do trabalho estava intimamente ligado a outro: o da gestão do fator humano. Os incipientes trabalhadores das indústrias ainda mantinham os hábitos adquiridos nas formas de trabalho agrícola e no ambiente doméstico. Assim, os industriais tiveram de impor regras de comportamento até então desconhecidas por aqueles trabalhadores rurais e domésticos, fato que gerou uma série de conflitos. As transformações desencadeadas pela Revolução Industrial em virtude da produção em série possibilitaram a maior velocidade na geração de produtos, que por sua vez apresentam uma homogeneização maior. Isso faz com que os produtos se tornem cada vez mais baratos, levando a uma redução do custo unitário. Contudo, isso não significou uma diminuição da qualidade, uma vez que a padronização, com a utilização www.esab.edu.br 15 dos instrumentos cada vez mais precisos, permite reduzir as variações em termos de qualidade do produto final. Cabe destacar ainda que com o advento da Revolução Industrial surgiram novos papéis sociais, principalmente os de empresário capitalista e de operário. Para o autor, o empresário é o detentor dos instrumentos de produção (máquinas, equipamentos, local de trabalho),e o operário é portador da força de trabalho, fator essencial para a produção industrial. Essa interdependência recíproca entre o empresário e o operário era fator fundamental de distinção da nova sociedade que se iniciava. Marx, por exemplo, caracteriza esses dois grupos sociais como classes fundamentais na sociedade capitalista (DIAS, 2008). 3.1 Revolução Industrial As transformações desencadeadas da Revolução Industrial marcaram profundamente o social, criando novas formas de organização e causando modificações culturais duradouras que perduram até os dias atuais. Dias (2008) destaca que a chamada primeira revolução técnico-científica compreende o período em que um conjunto de invenções e inovações relacionadas permitiu alcançar uma enorme aceleração da produção de bens e assegurar um crescimento que foi se tornando rapidamente independente da agricultura. Esse fenômeno teve início na Inglaterra no século XVIII, num período compreendido entre os anos 1760 a 1820, e foi caracterizada pela produção em larga escala e generalização do uso da máquina para reduzir tempos e custos de produção. Conforme Dias (2008), a Revolução Industrial inglesa emergiu a partir da indústria algodoeira, que multiplicou extraordinariamente a produção de tecidos pela introdução de teares mecânicos. Contudo, foi a siderurgia quem produziu um impacto ainda mais decisivo por meio da grande mudança que provocou no processo produtivo. Isso foi possível em virtude de vários aperfeiçoamentos em fornos e sistemas de fundição, o que permitiu obter ferro de alta qualidade, capaz de substituir vantajosamente outros materiais para melhorar muitas técnicas existentes e construir novas máquinas. www.esab.edu.br 16 Assim, foi graças ao ferro que se deu o desenvolvimento das estradas que vieram a somar-se às importantes transformações para o transporte das mercadorias e matérias-primas. Esse fato contribuiu para o aumento do comércio, uma vez que houve a diminuição do tempo de deslocamento, levando a uma ruptura das relações de dependência entre núcleos urbanos e rurais, próprias da sociedade agrícola anterior (DIAS, 2008). Saiba que a Revolução Industrial possibilitou o crescimento da economia inglesa. As consequências foram: • aumento da necessidade de suas indústrias por matéria-prima, que a Inglaterra não tinha e era obrigada a buscar no mercado externo; • a necessidade de ampliar o mercado consumidor dos seus produtos. Em decorrência desses dois fatores, houve a necessidade de um aumento do controle das colônias, além de um crescimento da disputa com outras potências da época pela obtenção e manutenção dos mercados. Isso porque durante o período de Revolução Industrial a Inglaterra dependia cada vez mais do comércio externo para escoar sua produção. Essa expansão se deu à custa do trabalho escravo e direcionados para os centros produtores de matéria-prima que as indústrias necessitavam. Você pode perceber que nesse período de intensas mudanças a máquina assumiu funções antes desempenhadas pelo homem, multiplicando a capacidade manual e artesanal e executando com vantagem tarefas que antes eram exercidas por muitos indivíduos. As indústrias poderiam trabalhar com um número menor de trabalhadores, mas com capacidade produtiva maior. Fórum Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituição e participe do nosso Fórum de discussão. Lá você poderá interagir com seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar, por meio da interação, a construção do seu conhecimento. Vamos lá? www.esab.edu.br 17 4 Aspectos socioeconômicos da Revolução Industrial Objetivo Conhecer as transformações socioeconômicas que ajudaram a criar o ambiente para a emergência das organizações modernas. Vimos na unidade anterior que o crescimento econômico gerou muitas consequências. Podemos dizer que as desigualdades existentes entre os indivíduos dentro da sociedade passaram a ser fruto de mudanças econômicas e sociais, que Giddens (2005) chama de estratificação social. É comum pensarmos na estratificação em termos de bens ou de propriedade, mas sua ocorrência também pode se dar com base em outros atributos, como gênero, idade, afiliação religiosa ou posto militar. 4.1 Estratificação social A estratificação pode ser mais bem compreendida como uma situação em que os indivíduos possuem um acesso diferencial aos bens de uma sociedade, ou seja, são as desigualdades estruturadas entre diferentes agrupamentos de pessoas. As sociedades podem ser vistas como constituídas de estratos em uma hierarquia, na qual os mais favorecidos encontram-se no topo, e os menos privilegiados estão mais próximos da base. Situação que ainda pode ser percebida nos dias atuais. Com base no que foi dito, podemos perceber que a estratificação social se refere aos estratos ou às camadas sociais que se pressupõem, constituindo certa hierarquia social, na qual estrato significa um conjunto de pessoas que detém o mesmo status ou posição social. Para Dias (2008), de maneira geral, há três tipos principais de estratificação social: o estamento, a casta e a classe. Já Giddens (2005) acrescenta à classificação anterior a escravidão, defendendo então quatro sistemas de estratificação nas sociedades www.esab.edu.br 18 humanas: a casta, a escravidão, o estamento e a classe. Como instituição formal, a escravidão foi gradualmente erradicada, tendo desaparecido quase completamente no mundo atual. A casta associa-se às culturas da Índia. Os hindus acreditam que, se os indivíduos não forem fiéis aos rituais e deveres da sua casta, renascerão em uma posição inferior na próxima encarnação. Saiba que, de acordo com Giddens (2005), os estamentos fizeram parte de muitas civilizações tradicionais. Na Europa, o estamento mais alto era composto pela aristocracia e pela pequena nobreza, o clero formava outro estamento, e os plebeus (servos, mercadores e artesãos) compunham o chamado terceiro estamento. Já os sistemas de classes, apontam Giddens (2005) e Dias (2008), diferem em muitos aspectos da escravidão, das castas e dos estamentos. Pode-se definir uma classe como um agrupamento de pessoas que compartilham recursos econômicos em comum, os quais influenciavam profundamente o tipo e o estilo de vida que podiam levar. A posse de riquezas juntamente com a profissão são as bases principais das diferenças de classe. Conforme Giddens (2005), as classes diferem das antigas formas de estratificação em muitos sentidos. • Ao contrário de outros tipos de estratos, as classes não são estabelecidas por providências legais ou religiosas; a condição de membro não se baseia em uma posição herdada, especificada legalmente ou por costume. Os sistemas de classes são normalmente mais mutáveis do que os outros tipos de estratificação, e as fronteiras entre as classes nunca são claras. Não existe nenhuma restrição formal quanto ao casamento de pessoas de classes diferentes. • A classe do individuo é, pelo menos de alguma forma, conquistada, e não simplesmente determinada no nascimento, como é comum em outros tipos de sistema de estratificação. A mobilidade social é bem mais comum do que nos outros tipos (no sistema de castas, a mobilidade individual de uma casta para outra é impossível). www.esab.edu.br 19 • As classes dependem de diferenças econômicas entre os agrupamentos de indivíduos – desigualdades na posse e no controle de recursos materiais. Nos outros tipos de sistemas de estratificação, os fatores não econômicos (como a influência da religião no sistema indiano de casta) são geralmente os mais importantes. • Nos demais tipos de sistemas de estratificação, as desigualdades são expressas primeiramente nas relações pessoais de dever ou de obrigação – entre o servo e o senhor, o escravo e o amo ouentre os indivíduos de castas mais baixas ou de castas mais altas. Os sistemas de classes, em contraste, funcionam principalmente por meio de conexões de larga escala com caráter impessoal. Por exemplo, o ingrediente principal das diferenças de classe encontra- se nas desigualdades de condições de pagamento e de trabalho, que afetam todas as pessoas em categorias ocupacionais específicas, como resultado de circunstâncias econômicas que prevalecem em toda a economia. 4.2 Distribuição de renda Saiba que a distribuição de renda e desigualdade social associada ao crescimento econômico dos países são temas centrais nas ciências da sociedade, como Economia e Sociologia. Esse fato já foi sinalizado no século XVIII por Adam Smith em sua obra seminal chamada “Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”. Por isso a importância de conhecermos as formas de como se medem os resultados das atividades econômicas de um país. Podemos medir o desempenho econômico de uma nação pela análise de seu Produto Interno Bruto (PIB) e da sua renda per capita. O PIB consiste na soma de todas as riquezas produzidas dentro dos limites de uma determinada região (cidade, estado, país) durante certo período de tempo. O PIB é expresso em valores monetários. No Brasil, expressamo- lo em reais, nos Estados Unidos em dólares, por exemplo. Ele é um importante índice para avaliar a atividade econômica de uma nação e para avaliar o crescimento econômico. www.esab.edu.br 20 Dias (2008) esclarece que para o cálculo do PIB são contabilizados apenas os produtos e bens finais, não sendo considerados os insumos de produção como matérias-primas, mão de obra, impostos e energia. Isso ocorre para que se evite a contagem dobrada de uma mesma riqueza, gerada ao longo da cadeia de produção. Imagine, por exemplo, que a economia do Brasil se resumisse a uma fábrica de pregos que vendeu 50 kg do produto por R$ 400,00. Para produzir, ela precisa adquirir matéria-prima e no preço final estão embutidos os custos de compra dos insumos e a riqueza produzida por essa fábrica de pregos. Se a matéria-prima é adquirida por R$ 150,00, então a riqueza gerada no processamento e na transformação do ferro, do carvão e da água em prego é de R$ 250,00. Esse é o valor contabilizado no PIB. Além do PIB, existe outro índice econômico que nos ajuda a entender a produção e distribuição da renda de um país: a renda per capita. Para sabermos o valor da renda per capita de um país, basta pegarmos o valor do PIB e dividirmos pelo número de habitantes. No entanto, Dias (2008) chama atenção que essa é uma maneira muito imperfeita para avaliar o padrão de vida de uma população. Ora, qual a relação entre PIB, renda per capta, distribuição de renda e desigualdades sociais? Todos esses temas se relacionam para nos dar uma ideia de como está o crescimento econômico de um país e a situação social de seus habitantes. Isso porque, sem relacionar os índices econômicos entre si, poderemos ter uma ideia equivocada da riqueza de um país. É possível que um país seja muito rico e seus habitantes muito pobres ou o país pode não ser tão rico e seus habitantes desfrutarem de um padrão de vida superior. O que determina essa diferença é o perfil da distribuição de renda, ou seja, como a riqueza total que é produzida no país e é distribuída entre os habitantes. Saiba que, para acompanhar como se dá a distribuição de renda das nações, foram criados diversos índices estatísticos, tais como o coeficiente Gini e o IDH. O coeficiente Gini foi desenvolvido pelo matemático italiano Corrado Gini e consiste em um parâmetro internacional usado para medir a desigualdade de distribuição de renda entre os países. O coeficiente varia entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo do zero www.esab.edu.br 21 menor é a desigualdade de renda num país, ou seja, melhor a distribuição de renda. Quanto mais próximo do um, maior a concentração de renda num país. O IDH é um índice que tem sua origem na Sociologia e nos ajuda a compreender como os habitantes de um país se relacionam com a riqueza produzida. Também podemos utilizá-lo para realizarmos comparações entre os países. Aqui o objetivo é de medir o grau de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida oferecida à população. Esse índice é calculado com base em dados econômicos e sociais e vai de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Logo, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o país. Esse índice também é usado para apurar o desenvolvimento de cidades, estados e regiões. Estudo complementar Nesta unidade, vimos uma breve descrição das consequências geradas pela divisão do trabalho e pela Revolução Industrial, substratos das organizações modernas, e da emergência da disciplina que estamos estudando. Diante da realidade surgida a partir desses acontecimentos, torna-se importante um aprofundamento sobre as questões discutidas nesta unidade relacionadas à estratificação social e à distribuição de renda. Para tanto, sugerimos a você fazer a leitura do artigo: “Salário mínimo e distribuição de renda”, que pode ser acessado clicando aqui. www.esab.edu.br 22 5 Tipologia das organizações: objetivos e critérios Objetivo Compreender os critérios e objetivos que permitem classificar as organizações em classes ou tipos. Sendo a união de pessoas em busca de objetivos comuns, as organizações apresentam várias tipologias, dependendo dos objetivos que congregam. O estudo das tipologias organizacionais emerge a partir das pesquisas referente à chamada corrente estruturalista em Administração. O termo estrutura é proveniente de emprego muito antigo, tanto nas ciências físicas quanto nas sociais, e em termos amplos significa a análise dos elementos internos de um sistema, suas inter-relações e sua disposição. A introdução do termo estrutura nas ciências sociais deve-se a Herbert Spencer (1858), que a utilizou associando-a com o conceito de função, em um sentido biológico. Essa mesma utilização é retomada mais tarde por Émile Durkheim, o fundador da sociologia (MOTTA; VASCONCELLOS, 2006). Com isso, Motta e Vasconcelos (2006) apresentam as correntes estruturalistas e seus respectivos representantes no campo dos estudos sociológicos em Administração. • Estruturalismo abstrato: método de estudo que adota uma posição coletiva contra uma posição individualista das outras correntes. Essa corrente se concentra na análise de modelos e tradições culturais que emergem das relações sociais. • Estruturalismo concreto: considera a estrutura a própria definição do objeto. Assim, o conjunto de relações sociais, em dado momento, constituiria uma estrutura a ser analisada e compreendida. www.esab.edu.br 23 • Estruturalismo fenomenológico: para essa corrente, o ato de aprender sobre o mundo consiste em compreender objetivamente a significação das intenções do outro a partir de suas condutas. • Estruturalismo dialético: propõe uma análise do social em que seja relacionado um estudo das partes dos fenômenos como sendo maior do que a soma das partes e propõe uma ida e volta do todo para as partes de maneira dialética e autônoma. Por meio das relações de reciprocidade que se institui entre elas que o todo é, de algum modo, restaurado. Dito isso, retomamos Castro (2010) e as tipologias organizacionais. Para esse autor, as organizações desenvolvem suas tipologias de acordo com os objetivos visados. Para o autor, são quatro critérios que definem a tipologia organizacional. • Necessidades básicas: todos os sistemas sociais deparam-se com quatro necessidades básicas a serem enfrentadas, duas voltadas para problemas internos ao próprio sistema e duas relativas a questões externas. As necessidades voltadas para problemas internos são: integraçãoe latência. Integração: compreende o estabelecimento e a organização de um conjunto de relações entre as unidades participantes do sistema, visando coordená-las e unificá-las numa única entidade. Latência: trata-se da manutenção dos padrões culturais e motivacionais do sistema no curso de tempo. As necessidades voltadas para os problemas externos são: adaptação e consecução de metas. Adaptação: compreende a acomodação do sistema às exigências do ambiente, considerando as mudanças da realidade exterior. Consecução de metas: envolve a definição de objetivos e metas e a alocação de recursos para atingi-los. • Conformidade: considera a conformidade como elemento integrante das relações de poder entre quem dele dispõe e quem a ele se submete. Distingue três formas de exercício do poder: coercitiva, remunerativa e normativa. O poder coercitivo tende a gerar alienação. O remunerativo provoca envolvimento calculista. O normativo liga-se a uma congruência moral. www.esab.edu.br 24 • Organicidade: baseando-se na abordagem sistêmica, leva em conta a inter-relação orgânica entre indivíduo e organização. Qualquer que seja o sistema, sempre se fazem presentes objetivos e metas sob influências do ambiente. • Objetivo de benefício: segundo Peter M. Blau e W. Richard Scott (sociólogos norte-americanos), as organizações são vistas a partir do objeto do benefício, isto é, definindo quem é o beneficiado. Distinguem, então, quatro tipos de organizações: de negócio, de serviço, de benefício mútuo e de natureza comunitária. Para Castro (2010), uma dimensão importante a ser analisada em tipologia organizacional refere-se aos grupos informais. Para o autor, de forma geral, as organizações classificam-se como grupos formais. Esse tipo de grupo mantém-se por uma estrutura organizacional que permite que se exerça o controle sobre seus membros. Já o grupo informal se refere aos indivíduos que realizam suas tarefas em função das interações dos participantes do grupo. Nesse tipo de grupo o controle emerge por acaso e não como uma relação de poder. Um grupo informal pode sofrer transformações, atingindo o tipo formal. No interior das organizações, surgem grupos informais compostos de indivíduos que desempenham papéis semelhantes e que se associam por interesses comuns. Cabe destacar ainda que os grupos informais exercem influências positivas e negativas nas organizações. Eles facilitam a comunicação, traduzindo-a para a informalidade e facilitando a compreensão. Todavia, podem inserir ruídos, deturpando a mensagem. www.esab.edu.br 25 6 Tipologia das organizações: Etzioni, Blau e Scott Objetivo Conhecer a tipologia organizacional desenvolvida por Amitai Etzioni, Peter Blau e Richard Scott. Nesta unidade, vamos conhecer os tipos de organizações, com base em três sociólogos: Etzioni, Blau e Scott. Vamos lá? 6.1 Tipos de organizações Etzioni centralizou seus estudos sobre as bases de poder e o controle nas organizações. Para ele, há uma hierarquia na qual o poder é exercido pelos superiores para controlar os subordinados com vistas a atingir os objetivos organizacionais. Com isso, Etzioni pôde construir uma tipologia de organizações, na qual se combinam um aspecto estrutural, uma vez que se baseia nos tipos e na distribuição de poder, e um aspecto motivacional, visto que se baseia nas diferentes formas de compromisso dos participantes com a organização burocrática (DIAS, 2008). Assim, temos que Etzioni elabora sua tipologia de organizações classificando as organizações com base no uso e no significado da obediência. Para ele, a estrutura de obediência em uma organização é determinada pelos tipos de controles aplicados aos participantes. Assim, a tipologia das organizações, segundo Etzioni, é a que segue: • organizações burocráticas coercitivas são aquelas nas quais a coerção constitui o principal meio de controle dos participantes dos níveis mais baixos. Exemplos típicos são os campos de concentração, os campos de prisioneiros de guerra, a grande maioria das prisões, instituições correcionais e hospitais de custódia de doentes mentais; www.esab.edu.br 26 • as organizações burocráticas utilitárias são aquelas em que a remuneração é o principal meio de controle dos participantes. As empresas industriais e comerciais constituem bons exemplos desse tipo de organização, embora devamos considerar que elas se aproximarão ou se distanciarão mais do tipo à medida que a maior parte dos participantes for composta por funcionários de escritório, funcionários ou operários; • as organizações burocráticas normativas são aquelas nas quais o poder normativo é a principal fonte de controle dos participantes dos níveis mais baixos e a orientação com relação à organização é caracterizada pelo alto nível de envolvimento. Nessas organizações, o envolvimento baseia-se na internalização de diretivas aceitas como legítimas. As organizações religiosas, os hospitais em geral e as universidades são exemplos típicos desse tipo de organização; • as organizações burocráticas híbridas são organizações duais, tais como sindicatos, unidades de combate etc. De acordo com Dias (2008), a tipologia de Etzioni tem um grande apelo em virtude da consideração que faz sobre os sistemas psicossociais das organizações. Entretanto, apresenta como desvantagem o fato de dar pouca importância à estrutura, à tecnologia utilizada e ao ambiente externo. Trata-se, portanto, de uma tipologia simples e unidimensional, baseada exclusivamente nos tipos de controle. 6.2 Tipologia de Blau e Scott Peter Blau e Richard Scott são nomes importantes do estruturalismo na Teoria das Organizações. Para esses estudiosos, o conflito ocupa lugar de destaque no desenvolvimento das organizações. Os trabalhos de Blau e Scott mostram como, na prática organizacional, as regras e os procedimentos formais são desobedecidos pelos atores sociais no exercício de seu trabalho diário. www.esab.edu.br 27 Castro (2010) destaca que Blau e Scott, em suas pesquisas empíricas, constaram que funcionários de uma organização sem fins lucrativos desobedeciam a normas e regulamentos nos casos em que pessoas necessitadas solicitavam-lhes ajuda formal. As justificativas a essa desobediência, segundo os pesquisadores, era que os funcionários acreditavam que as pessoas mereciam um tratamento mais “humano” do que o possibilitado pelas regras formais e duras. Após muitos estudos, os sociólogos Blau e Scott constataram que em organizações burocráticas os funcionários, a fim de evitar os aspectos desagradáveis das regras, modificam sua conduta, em busca de atitudes que julguem mais adequadas para a situação alinhada, sobretudo, de seus valores e sua cultura organizacional. Assim, de acordo com Castro (2010), para Blau e Scott as organizações existem para proporcionar benefícios à sociedade. Essa questão remete à ideia de que as organizações se relacionam com outras organizações, funcionários, clientes etc. A partir dessa ideia, Blau e Scott desenvolvem sua tipologia organizacional com base no beneficiário, o que propiciou a questão: quem se beneficia com a organização? Os benefícios, segundo Blau e Scott, são a essência da existência da organização. Aqui cabe destacar a você que Blau e Scott estudaram as organizações do ponto de vista formal e informal. Os autores sofreram influência dos trabalhos de Weber sobre as burocracias para a elaboração de sua obra denominada “Organizações formais”. Para tanto, procuraram analisar os conflitos gerados pela interação dos fatores internos e externos das organizações. Blau e Scott observam que as organizações também se relacionam com pessoas que não fazem parte do seu quadro, e essas pessoas têm influências consideráveis na estrutura e no funcionamento das organizações. Assim, para equacionaresses conflitos e tornar a organização mais eficaz, propuseram uma mudança organizacional a partir da análise dos grupos formais e informais, do sistema de comunicação, de liderança e dos mecanismos de controle organizacionais. www.esab.edu.br 28 Note que a tipologia das organizações elaborada por Blau e Scott mostra quatro tipos de participantes que se beneficiam: • os próprios membros da organização; • os proprietários, dirigentes ou acionistas da organização; • os clientes da organização; • o público em geral. Assim, existem quatro tipos básicos de organizações: • associações de benefícios mútuos, em que os beneficiários principais são os próprios membros da organização, como as associações profissionais, as cooperativas, os sindicatos, os fundos mútuos, os consórcios etc.; • organizações de interesses comerciais, sendo os proprietários ou acionistas os principais beneficiários da organização. Como exemplo as empresas privadas, as sociedades anônimas ou as sociedades de responsabilidade limitada; • organizações de serviços, em que um grupo de clientes é o beneficiário principal; hospitais, universidades, escolas, organizações religiosas, agências sociais e ONGs são exemplos; • organizações de Estado, o beneficiário é o público em geral. Exemplos: organização militar, correios, instituições jurídicas e penais, segurança pública, saneamento básico etc. A tipologia de Blau e Scott destaca a centralidade do beneficiário sobre a organização a ponto de condicionar sua estrutura e seus objetivos. Entretanto, em consonância com a tipologia de Etzioni, a classificação de Blau e Scott também omite as tecnologias e o ambiente técnico das organizações, tratando-se também de uma tipologia simples e unidimensional. www.esab.edu.br 29 Para sua reflexão Vimos nas unidades estudadas algumas dimensões da disciplina de Sociologia das Organizações, tais como antecedentes históricos e a abrangência dos estudos pretendidos. Vimos que a Sociologia em geral se preocupa em estudar as ações sociais e seus efeitos sobre a sociedade, e que a Sociologia das Organizações, em particular, busca compreender as ações dos grupos dentro das organizações e como essas ações impactam as organizações e consequentemente o meio que a cerca – a sociedade. Agora, considere você como membro de uma organização e reflita sobre o espaço organizacional, com suas várias dimensões, a partir de uma ótica da Sociologia das Organizações. Quais problemáticas suscitadas pela disciplina de Sociologia das Organizações você achou mais relevantes? Vamos em frente! As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 30 Resumo Nestas seis unidades, vimos que as transformações sociais e econômicas originadas pela Revolução Industrial e sua consequente divisão técnica do trabalho se constituíram nos antecedentes históricos que serviram de base para a emergência da Sociologia como disciplina científica. Vimos também que a Sociologia nasceu com o objetivo de compreender as ações dos humanos na sociedade e que a busca de conhecimentos mais específicos sobre os grupos organizados foi o que colaborou para o surgimento da disciplina de Sociologia das Organizações. Esta disciplina, em seu âmago, busca analisar as organizações e as interações entre os grupos para o alcance dos objetivos organizacionais. www.esab.edu.br 31 7 Tipologia das organizações: empresa privada e empresa pública Objetivo Compreender as diferenças fundamentais entre os tipos organizacionais empresa privada e empresa pública. Vamos começar esta unidade fazendo uma pergunta: você sabia que já estamos vivendo em uma sociedade de organizações? Isso porque, na vida contemporânea, considerável parte de nosso tempo passamos em organizações das quais somos clientes, contribuintes, espectadores, defensores etc. As organizações têm objetivos bem distintos e para alcançá-los lançam mão da competência das pessoas que, reunidas em grupo, são capazes de atingir os objetivos de uma organização. Pois bem, dito isso, vamos então tentar compreender o que é uma organização para depois poder estabelecer de uma maneira clara qual a diferença entre organizações do tipo empresa privada e uma organização do tipo empresa pública. Para autores como Dias (2008) e Castro (2010), uma organização é uma reunião de pessoas criada intencionalmente para se alcançar determinados objetivos mediante o trabalho humano e a utilização de recursos materiais. Nesse sentido, cabe destacar que as organizações apresentam uma estrutura hierárquica, que apresentam uma série de relações entre seus componentes como: cultura, poder e autoridade, liderança, conflito etc. Essas dimensões serão alvo de nossos estudos nas próximas unidades. Caro aluno, discutir sobre organizações não é nada fácil. Desse modo, para que tenhamos outras referências sobre o tema, vamos nos apropriar dos ensinamentos dos autores Bernardes e Marcondes (2006) sobre www.esab.edu.br 32 organizações e seu papel na sociedade atual. Esses autores mencionam que as organizações são formadas por um conjunto de pessoas e incorporam várias características da sociedade a qual estão inseridas. Além disso, as organizações existem para satisfazer as necessidades dos clientes e atingir objetivos econômicos e sociais. Há de se destacar que as organizações podem ser de vários tipos, por exemplo, empresas privadas, empresas públicas, organizações religiosas e organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs). Nesta unidade, vamos discutir os dois primeiros tipos de organizações: empresas privadas e empresas públicas. Vamos lá? 7.1 Empresas privadas De acordo com Castro (2010), as empresas são grupos organizados que contam com a utilização de recursos materiais e humanos, visando ao alcance de objetivos determinados e definidos, notadamente econômicos, para atender aos interesses dos proprietários. Assim, a empresa privada é aquela que – individual, familiar, companhia limitada ou sociedade anônima – põe em risco o próprio capital, na produção e comercialização de bens e serviços, com objetivo de auferir lucros. Nesse sentido, a empresa é uma entidade autônoma produtora de bens e serviços que, sob o comando de uma pessoa ou de um grupo que se responsabiliza por ela, busca cumprir as atividades que visam garantir seu êxito. A autonomia da empresa se deve ao fato de se tratar de uma pessoa jurídica com patrimônio próprio. Perceba que uma empresa é composta por várias áreas, formando um sistema. Os subsistemas empresariais comportam uma série de funções que variam de acordo com os objetivos propostos. Cabe destacar que, para Castro (2010), de modo geral, as funções administrativas são: propriedade, administração, produção, comercialização. Vamos ver o significado dessas funções: www.esab.edu.br 33 • propriedade: função desempenhada pelos proprietários, isto é, indivíduo, pequena sociedade, família, acionistas; • administração: funções de planejamento, coordenação, avaliação, controle. A administração conta também com funções auxiliares (transporte, por exemplo); • produção: funções de execução compreendendo chefia, encarregado e operariado. A produção conta também com funções auxiliares (transporte, por exemplo); • comercialização: funções de marketing e de vendas, também contando com auxiliares. Por sua vez, essas funções implicam recursos de quatro tipos: • recursos humanos: especialistas de nível universitário, técnicos de nível médio, semiqualificados, não qualificados; • recurso materiais: instalações físicas, maquinaria, instrumental e ferramentas, matéria-prima, semi-industrializada e/ou industrializada;• recursos financeiros: próprios e/ou captados em bancos ou no mercado; • recursos institucionais: leis e decretos, estatuto, regulamentos, ordens de serviço, memorando. 7.2 Empresas públicas Vimos nesta unidade que as organizações são criadas para atender a objetivos definidos que podem ser econômicos, culturais, sociais etc. Agora, chegou o momento de conhecermos a empresa pública. Para Castro (2010), a empresa pública é aquela que utiliza recursos públicos para a produção de bens e serviços, visando ao bem comum. O estatuto legal da empresa pública, de acordo com o Decreto-Lei nº www.esab.edu.br 34 200/67, que Dispõe sobre a organização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá outras providências. Empresa pública consiste em ser uma pessoa jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica em que o Governo seja levado a exercê-la por força de contingência ou de conveniência administrativa, podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União ou com a participação da União. Saiba mais Você pode compreender mais sobre Administração e estilo de gerenciamento no setor público e privado clicando aqui. www.esab.edu.br 35 8 Tipologia das organizações: poder e autoridade nas organizações Objetivo Estudar as tipologias de poder e autoridade dentro do ambiente organizacional. Para que nossa convivência humana em sociedade seja equilibrada, é necessário selar vários acordos tácitos para manter certa estabilidade social. Nesse processo, podemos perceber que os indivíduos possuem a capacidade de modificar o comportamento de outros indivíduos. A essa capacidade chamamos de poder. Saiba que, no âmbito das organizações, o poder pode emanar do cargo ocupado, das características pessoais ou de ambos. Essa assertiva fica clara nas palavras de Castro (2010), para quem os indivíduos que conseguem levar outros a executar certa atividade em função de seu cargo na organização exercem poder de posição, já aqueles que derivam seu poder da legitimação dos seus subordinados têm poder pessoal. Alguns indivíduos têm ambos os poderes. De acordo com Castro (2010), para Amitai Etzioni, o poder depende dos meios empregados para fazer os indivíduos consentirem com o que foi proposto e que esses meios podem ser físicos, materiais ou simbólicos e determinam o tipo de poder, a saber: • poder coercitivo: baseia-se em punições. É exercido por meio de ameaças em troca do comportamento desejado; • poder manipulativo: baseia-se no controle de recursos materiais e recompensas. É exercido por meio da troca de algum tipo de recompensa pelo comportamento esperado; www.esab.edu.br 36 • poder normativo: baseia-se no controle e na manipulação de recompensas simbólicas. Está associado ao controle moral e ético dos integrantes da organização, que são regidos por motivos como convicção, fé, crença ou ideologia. Para pensar o poder, Castro (2010) lança mão do conceito desenvolvido pelo pensador alemão Max Weber, um dos autores clássicos da sociologia que influenciou profundamente o estudo sobre as organizações. Nesse sentido, de acordo com Weber (1974 apud CASTRO, 2010), o poder é a imposição da vontade numa relação social, mesmo contra a resistência dos outros. O poder, a partir da perspectiva weberiana, afirma Castro (2010), é amorfo e pode encontrar um fundamento legítimo, ou não, por parte de quem o exerce. Nesse caso, quando o poder é considerado legítimo, temos associado a ele a noção de autoridade. Esse tipo de poder compreende os três tipos ideais de dominação: dominação legal, tradicional e carismática. Aqui cabe destacar o que significa dominação. A dominação, conforme Weber (1974 apud CASTRO, 2010), consiste na probabilidade de encontrar obediência a uma dada ordem que é obedecida por outros. Assim, para se exercer um poder legítimo, não basta a vontade de dominar o outro; é necessário que haja disposição de obediência por parte do outro. Já toda dominação busca legitimidade e sua validade está baseada na ideia da autoridade. Desse modo, os três tipos puros de dominação são: • dominação legal: é regida por um estatuto, obedece-se a ordens impessoais, objetivas e legalmente instituídas e aos superiores por ela designados, não importando quem ocupa o cargo ou a posição. É uma dominação burocrática, havendo relação hierárquica. Você pode perceber esse tipo de dominação numa relação entre chefia e subordinados de uma empresa; • dominação tradicional: é o tipo mais antigo e puro da dominação patriarcal. É a dominação na qual o senhor comanda seus súditos, e esta é aceita em nome de uma tradição reconhecida como válida. www.esab.edu.br 37 Esse tipo de dominação pode ser observado nos costumes de uma tribo indígena na relação entre o chefe e os membros da tribo; • dominação carismática: ocorre em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais. Baseia-se na crença. O líder carismático, em certo sentido, é sempre revolucionário, na medida em que se coloca em oposição consciente a algum aspecto estabelecido da sociedade em que atua. Para que se estabeleça uma autoridade desse tipo, é necessário que o apelo do líder seja considerado como legítimo por seus seguidores, os quais estabelecem com ele uma lealdade de tipo pessoal. Você pode observar esse tipo de dominação na relação entre um líder espiritual, por exemplo, de qualquer congregação religiosa e seus seguidores. Ainda sobre a questão do poder e autoridade nas organizações, temos conceituações de outros autores, como Castro (2010) e Bernardes e Marcondes (2009). Para esses últimos, o poder é a influência sobre as ações dos outros, seja coagindo-os ou enganando-os, mas sempre com o intuito de atingir os próprios objetivos contra a vontade deles. Já a autoridade, para esses mesmos autores, diz respeito à influência sobre o comportamento de outros para a promoção de objetivos coletivos, com base em alguma forma verificável de consentimento desses outros que são informados da situação. Vejamos, como exemplo de autoridade, o papel do líder perante sua equipe que precisa desenvolver uma campanha de marketing que tem por meta alcançar um público infantil. A organização define a equipe e a equipe escolhe entre seus pares o líder que irá conduzir os esforços de todos no cumprimento dos objetivos da campanha. Nesse caso, para que se configure uma autoridade há a necessidade da aceitação de todos os envolvidos da influência do líder escolhido por sentirem que isso permite mais facilmente obterem o resultado pretendido. Castro (2010) compartilha do conceito de poder e de autoridade desenvolvido por Max Weber e acrescenta que nas empresas o termo autoridade é usado como metáfora ou homonímia, já que o poder, nessas organizações, se fundamenta em normas, regras e estatutos. Assim, a www.esab.edu.br 38 estrutura de uma empresa fundamenta-se em áreas de atuação e em níveis hierárquicos de mando e subordinação com a autoridade racional- legal exercida pelos superiores sobre os subordinados. Nesse caso, vigora o princípio da competência e o poder é exercido por tecnocratas que devem seguir as normas estabelecidas. Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 1 a 8. Para isso, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 39 9 Tipologia das organizações: liderança Objetivo Conhecer os tipos de liderança que podemos encontrar dentro das organizações. Atualmente, com a velocidade das mudanças no ambiente externo das organizações, impõe-seuma nova realidade para as empresas, exigindo delas estruturas mais flexíveis e valorização do capital humano. Diante dessa desafiadora realidade, o papel do líder também passa por mudanças. As transformações ambientais, ocorridas especialmente a partir da década de 1980 (a globalização, a terceirização, o declínio do emprego e a expansão da internet entre outras), levaram a uma efervescência do assunto. Diante desse contexto mutante, para que a organização possa manter uma posição competitiva no mercado, é necessário que os indivíduos que dela fazem parte estejam comprometidos com os objetivos organizacionais. Nesse caso, o papel da liderança é fundamental, uma vez que é responsável pela participação efetiva de todas as pessoas da empresa, motivando-as a trabalharem em conjunto com uma visão e um objetivo comuns. Você mesmo deve ter passado por uma experiência num grupo cuja liderança tenha lhe permitido boas experiências, ou não? As organizações de sucesso sabem como gerenciar o conhecimento gerado pelas pessoas que nelas trabalham e isso é tarefa do líder. Hoje é ponto pacífico que, para alcançar o sucesso, não basta que as organizações possuam recursos tecnológicos e financeiros. O principal ativo de uma empresa são as pessoas e o conhecimento por elas gerado. Por isso, há por toda parte uma grande procura de indivíduos que possuam a capacidade necessária para liderar eficazmente. www.esab.edu.br 40 Para Castro (2010), a liderança é a capacidade de influenciar as atividades de um indivíduo ou de um grupo para a consecução de um objetivo numa dada situação. Dessa definição de liderança, segue-se que o processo de liderança é uma função do líder, do liderado ou subordinado e de variáveis situacionais. Aqui, caro aluno, torna-se importante notar que essa definição não faz menção a qualquer tipo particular de organização, mas diz respeito a toda situação em que alguém procura influenciar o comportamento de outro indivíduo ou grupos. Nesse caso, em um ou outro momento da vida, todos tentam exercer a liderança, seja no âmbito de uma empresa, de uma organização social, de instituição educacional ou no próprio seio familiar. Cabe destacar que durante muito tempo a liderança foi entendida, predominantemente, como traços de personalidade, na suposição de que havia certas características pessoais, tais como a força física ou inteligência emocional, que eram essenciais para uma liderança eficaz. Essa abordagem pregava que o indivíduo já nascia um líder, ou seja, já portava ao nascer as características que favoreciam o exercício da liderança. Como era de se esperar, a abordagem dos traços de personalidade se mostrou insuficiente para dar conta de uma realidade muito mais complexa e emergiu, então, outra corrente intitulada abordagem comportamental. Nesse enfoque, o ambiente ganha relevo, já que agora se entende que a liderança pode ser aprendida. Com essa ênfase no comportamento e no ambiente, há mais estímulo para a possibilidade de treinar as pessoas a adaptar os estilos de comportamento dos líderes às mais diversas situações. Para compreendermos as formas de liderança, faz-se necessário antes entender, conforme Castro (2010), o processo de socialização organizacional. Para esse autor, a socialização visa a interação dos indivíduos do grupo pela transmissão de valores culturais. Assim, www.esab.edu.br 41 a cultura organizacional é o meio pelo qual se confere sentido ao comportamento de cada participante ou grupo. Castro (2010, p. 173) cita o antropólogo Claude Lévi-Strauss para dizer que a “cultura diz respeito à capacidade exclusivamente humana de dar sentido a si mesmo e a tudo o que é diferente de si, ou seja, o outro”. A interação com os outros, no contexto organizacional, leva ao que Castro (2010) vai chamar de grupo social no qual cada integrante conta com um cabedal de experiências e de cultura, e que precisam unir-se para alcançar os objetivos organizacionais. Nesse ponto, podemos observar a necessidade de gerenciamento das mais variadas competências dos indivíduos. Trata-se de valorizar ideias, de usar a criatividade de maneira que possamos conduzir as ações dos grupos para o alcance dos resultados pretendidos. Note que é nesse ponto que se faz crucial o papel da liderança, do atributo de um membro do grupo influenciar os outros. Já vimos que a liderança é exercida em função do poder pessoal, do poder instituído ou de ambos. Assim, esperamos do líder uma visão ampla, conhecimento, maturidade e disposição para enfrentar riscos. Vamos analisar as tipologias de liderança desenvolvidas por três estudiosos – Lewin, Lippitt e White, conforme Castro (2010). Esses estudiosos desenvolveram pesquisas em organizações e chegaram a três tipos de liderança: democrática, autocrática e liberal. Vamos entender cada um deles: • líder democrático: o grupo participa nas decisões; os objetivos e seu meio condutor é decidido por todos. O líder consulta o grupo, estimula-o, iguala-se a qualquer um dos elementos do grupo, é objetivo e orientador; estimula o bem-estar e cria laços entre todos, resultando produtividade; • líder autoritário: esse tipo de líder é que determina as tarefas a executar, orienta o grupo sem a sua participação, dá instruções a cada elemento, não aceita sugestão, inexiste a relação de amizade, www.esab.edu.br 42 cria tensão, desmotivação e consequente frustração. O único objetivo é o lucro e a produção, • líder liberal: esse tipo de líder dá total liberdade aos liderados para tomar decisões. O grupo é que determina as tarefas a executar e que tarefas devem desempenhar. O líder só toma decisões em casos de extrema gravidade. Não há imposição de regras. Saiba mais Um importante assunto quando se discute organizações é a questão da liderança. Isso porque, como já vimos, uma organização é um conjunto de pessoas reunidas para o alcance de objetivos comuns. Nessa busca, a figura do gerente/líder é indispensável. Assim, dada a importância do tema e para saber mais sobre liderança clique aqui. www.esab.edu.br 43 10 Tipologia das organizações: conflito entre indivíduo e sociedade Objetivo Estudar os tipos de conflitos existentes nas organizações. Que tal iniciarmos esta unidade fazendo uma viagem no tempo? Por volta de 10.000 a 8.000 a.C., inicia-se a prática do escambo. Na Mesopotâmia e no Egito, agrupamentos humanos que desenvolviam atividades extrativistas faziam uma transição para atividades de cultivo agrícola e pastoreio. Nesse período, surgiram as primeiras aldeias, marcando a mudança da economia de subsistência para a produção rural e a divisão social do trabalho. Em meio a essas transformações, surgiu a necessidade de habilidades gerenciais como forma de minimizar os conflitos inerentes e essas formas de interação social. Esses conflitos estão ligados aos objetivos almejados que conduzem à competição e à divergência. Bernardes e Marcondes (2006) nos explicam que, havendo convergência, pode haver conflito em função das possibilidades de desacordo em relação aos meios para se alcançar determinados fins. Os mesmos autores (2006) salientam que a administração em seus primórdios via o conflito como uma disfunção que deveria ser evitada. Com o passar dos tempos, o conflito passou a ser considerado até benéfico por ser estimulador de mudanças nas organizações. Contudo, destacam que o conflito tem tanto um lado positivo quanto um lado negativo que precisam ser administrados para refletirem um efeito sempre positivo no âmbito das organizações. Assim, Bernardes e www.esab.edu.br 44 Marcondes (2006) mencionam os efeitos desagregadores e integradores do conflito, como segue: a. efeitos desagregadores do conflito: • aumento do ressentimento pessoal e entre grupos; •destruição dos oponentes com prejuízos recíprocos; • inibição dos canais de cooperação; • desvio das metas de produção para as de retaliação. b. efeitos integradores do conflito: • provocam a solução de questões pendentes; • conduzem à resolução das questões; • aumentam a coesão grupal; • levam a alianças com outros grupos; • mantêm os grupos alertados para os interesses de seus membros. Diante disso, partiremos para uma visão sociológica do conflito trazida pelos autores Bernardes e Marcondes (2006). O conflito, a partir dessa perspectiva, é considerado um fenômeno externo e decorrente das interações entre os indivíduos e grupos na forma de comportamentos. No âmbito das empresas, o conflito pode ser visto como desacordo, que é influenciado por variáveis culturais, tais como: • tecnologia: designa os resultados obtidos (bens ou serviços prestados), os processos utilizados (manuais, mecânicos, automatizados etc.) e os insumos necessários (máquinas, mão de obra, conhecimentos, habilidades, tempo etc.); • preceitos: designa o conjunto de normas de procedimentos, de organização e de relacionamento e posições ocupadas pelos participantes nos vários agrupamentos, crenças e valores partilhados pelos membros dos grupos sociais; • sentimentos: designa a manifestação de emoções decorrentes de execução de atividades (causadoras de satisfação, alienação etc.), obediência a normas de procedimentos e organização (que determina posições hierárquicas e consequentemente medo, inveja e raiva) e relacionamentos sociais (geradores de simpatias, admiração, desprezo etc.). www.esab.edu.br 45 Essa classificação se mostra interessante por servir de base para o gerenciamento dos conflitos organizacionais. Isso porque os conflitos decorrentes da tecnologia podem ter maior facilidade de resolução por meio da discussão racional dos pontos divergentes. Já os provocados pelo componente preceitos exigem até mudanças culturais para a sua solução, pois decorrem do dissenso quanto a crenças e valores interiorizados na família e sociedade e, por isso, obviamente difíceis de acomodação. Finalmente, os induzidos por sentimentos são os mais dificultosos de resolução por serem motivados por fatores inatos e aprendidos na primeira infância (BERNARDES; MARCONDES, 2006). 10.1 A gestão dos conflitos organizacionais Vimos nesta unidade que nos primórdios da administração o conflito era visto de forma negativa e como algo que deveria ser evitado. Com o tempo, essa visão mudou e hoje o conflito é visto como algo benéfico e impulsionador de mudanças na organização. Diante dessa nova perspectiva sobre o conflito, surge a necessidade da sua gestão. Os efeitos desagregadores e integradores do conflito podem lhe auxiliar no futuro, por exemplo, no papel de administrador para gerenciar os conflitos com a intenção de manter as divergências nos limites dos efeitos integradores. Bernardes e Marcondes (2006) nos sugerem a observação das medidas preventivas para evitar a ocorrência de conflitos desagregadores e a corretiva para quando o conflito já estiver se instalado. Vamos conhecê-las? a. Medidas preventivas: em princípio, seu objetivo é fazer com que as metas se tornem convergentes. Isso não é fácil devido à cultura reinante em instituições que impõem acima de tudo muita competição interna, visando à acepção na carreira via promoção gerencial e não por especialização. Tal situação só pode ser modificada se o administrador encontrar-se na cúpula e dispuser de poder para esmagar as resistências, principalmente de seus pares. www.esab.edu.br 46 b. Medidas corretivas: o primeiro passo é reconhecer a existência do conflito entre os grupos, por exemplo, entre os operários e a direção durante uma greve; e o segundo é identificar o peso de cada uma das três variáveis culturais, o que dará uma ideia da dificuldade de chegar a uma solução. Essa pode ser alcançada de três formas: • negociação: consiste no processo segundo o qual conflitantes sentam-se à mesa de negociação, objetivando um acordo que beneficie ambas as partes. Isso deveria ser feito na própria organização, mas geralmente já vão para as Juntas de Conciliação e Julgamento na Justiça do Trabalho. É sabidamente uma forma de pouco sucesso; • mediação: falhando a negociação, resta solicitar a um terceiro que intervenha no sentido de restabelecer a comunicação e fornecer alternativas que venham a atender aos interesses dos grupos em litígio. Tal função caberia à Justiça do Trabalho, como terceira parte e isenta de ânimo; • arbitragem: é o passo dado quando os anteriores falham. Consiste em atribuir a um terceiro a decisão, dando ganho de causa a um e a derrota ao outro. Essa forma sempre deixará sequelas, pois o grupo perdedor nunca aceitará a derrota, voltando a entrar em desacordo com o oponente assim que tiver oportunidade. Muito bem, agora que já estudamos sobre o conflito entre indivíduo e sociedade, podemos partir agora para a próxima etapa! Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa. www.esab.edu.br 47 11 Organizações modernas: as organizações e a vida moderna Objetivo Compreender a importância e a centralidade das organizações modernas nas vidas das pessoas. Você já parou para pensar sobre as grandes mudanças que ocorreram nos últimos 100 anos? Você sabia que nos últimos 50 anos o mundo mudou muito mais do que nos últimos 500 anos? Isso mesmo! As mais fantásticas inovações que hoje fazem parte do nosso cotidiano nasceram há menos de 100 anos. Um exemplo disso é o que se chama de nanotecnologia, que é a tecnologia utilizada para manipular estruturas moleculares ou atômicas infinitamente pequenas, tornando possível a criação de produtos até então inconcebíveis com a tecnologia convencional, tais como os microchips. E o que esses acontecimentos têm em comum? O solo comum em que são desenvolvidas essas invenções são as organizações modernas. Figura 1 – Microchip. Fonte: <http://www.cienciaviva.org.br/>. Agora, vamos lembrar um pouco como era a vida antigamente, e nesse recordar, seguiremos Giddens (2005). Provavelmente, você já ouviu falar que houve um tempo em que todos nós nascíamos em nossas casas. As mulheres em trabalho de parto não dispunham de outros recursos www.esab.edu.br 48 que não aqueles que a comunidade pudesse oferecer. E, isso não faz tanto tempo assim, basta dizer que na década de 1950 a maioria das pessoas ainda nascia em suas próprias casas, e a parteira continuava desempenhando um papel importante. Entretanto, isso mudou. Atualmente é mais comum as mulheres darem a luz em um hospital. Um hospital moderno é um bom exemplo de organização. Aqui, vale lembrar que uma organização é um grande agrupamento de pessoas que se reúnem para alcançar objetivos específicos. Logo, no caso do hospital, tais objetivos são a cura de doenças e o oferecimento de outras formas de atenção médica. Atualmente, as organizações desempenham um papel bem mais importante em nosso cotidiano do que jamais se verificou anteriormente (GIDDENS, 2005). Ora, cada vez que utiliza o telefone, abre a torneira ou entra no carro, você está em contato com as organizações. Como Giddens (2005) destaca, faz-se necessário lembrar que, durante a maior parte da história da humanidade, antes do nível de desenvolvimento organizacional assumir as proporções atuais, as pessoas não podiam contar com aspectos da vida que agora fazem parte do cotidiano. Por exemplo, cerca de um século atrás, poucas casas estavam equipadas com o fornecimento regular de água encanada, e a maior parte da água consumida era poluída, sendo responsável por numerosas doenças e epidemias. Mesmo nos dias de hoje, em vastas regiões do mundo em desenvolvimento,não existe água encanada; as pessoas buscam água todos os dias em fontes ou poços, e uma grande quantidade dessa água contém bactérias que transmitem doenças. Diante desse panorama, parece que estamos diante de um paradoxo, não? Ao mesmo tempo em que podemos falar de nanotecnologia, que é o que tem de mais avançado no mundo da ciência, ainda temos de conviver com regiões do mundo que ainda não têm saneamento básico. Bom, mas se “vivemos em uma sociedade de organizações”, quais os novos desafios que essas organizações estão enfrentando atualmente? As organizações modernas, na busca pela sobrevivência num mercado www.esab.edu.br 49 intensamente competitivo, estão aprimorando conhecimentos e experiências para responder ao novo cenário do mundo globalizado. Esse aprimoramento está ligado a fatores como a qualificação, a flexibilidade e a produtividade, introduzindo novas formas de gestão de recursos humanos com o objetivo de promover melhorias contínuas no processo produtivo. Para estarem aptas a enfrentar os novos desafios, as organizações vêm adotando novos padrões de relação de trabalho, na qual buscam maior participação dos trabalhadores na tomada de decisões das empresas. As mudanças mais importantes no contexto organizacional se fizeram sentir na década de 1990 em virtude da onda de internacionalizações pela qual as empresas começaram a passar. Foi a partir desse período que houve maior preocupação com o nível estratégico das organizações. Para Giddens (2005), é possível observar uma transformação em curso na forma de gestão das organizações, na qual os desafios da diversidade cultural demandam novas redefinições estratégicas, reformas produtivas e reestruturações administrativas nas organizações. Assim, na frenética busca por novas ferramentas que auxiliem na administração de recursos humanos, as organizações se deparam com a exigência de conhecimentos práticos e teóricos, além da aquisição de novas habilidades decorrentes da introdução de inovações tecnológicas e organizacionais. Esse cenário reflete o surgimento de novas políticas de gestão voltadas à obtenção de resultados que podem ser traduzidos em termos de inovações, qualidade de serviços ou produtos e produtividade no trabalho. www.esab.edu.br 50 Estudo complementar Nesta unidade, vimos uma breve descrição das mudanças geradas pela emergência das organizações modernas. Assim, diante da realidade surgida, com o avanço tecnológico alcançado e pelo contexto competitivo, o qual as organizações modernas estão inseridas, torna- se importante um aprofundamento sobre as questões relacionadas à gestão estratégica de pessoas. Para tanto, sugerimos a você fazer a leitura do artigo de Adriana Amadeu Garcia, intitulado: “A atuação estratégica da área de gestão de pessoas”, disponível clique aqui. Analise a importância do ser humano para as organizações e note o quanto a estratégia é essencial. www.esab.edu.br 51 12 Organizações modernas: questões de gênero – as mulheres na gerência Objetivo Discutir as questões de gênero e o trabalho da mulher em posições de liderança no contexto organizacional. A mulher, nos últimos anos, vem provocando sensíveis mudanças no mercado de trabalho. Prova disso são as estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que nos mostra por meio do Censo Demográfico do ano 2010 que a participação da mulher no trabalho aumentou consideravelmente nos últimos anos. Esse mesmo levantamento mostrou-nos também que o número de mulheres que são provedoras de seus lares aumentou sensivelmente nas últimas décadas. Entretanto, uma realidade ainda preocupante é a permanência da diferença entre os rendimentos, menores, recebidos pelas mulheres em atividades semelhantes às dos homens. Sobre as questões de gênero, Giddens (2005) chama atenção para o fato de que as relações entre homens e mulheres ainda são predominantemente assimétricas e hierárquicas, e que são desiguais as posições ocupadas pelos indivíduos dos dois sexos, seja na esfera da produção ou nas relações familiares. Isso porque as oportunidades de trabalho decorrem, em grande parte, da consideração sobre o papel da mulher na sociedade e no âmbito familiar e doméstico e de sua capacidade de conjugar o trabalho profissional com o doméstico. Saiba que esse estudo sobre gênero, na área de administração, é recente. Prova disso é que os estudos sobre o tema datam da década de 1980. Até então, os estudos organizacionais não dedicavam muita atenção à questão do gênero. Porém, o aumento da cultura feminista, na década de 1970, levou a uma investigação das relações de gênero em todas as principais www.esab.edu.br 52 instituições da sociedade, incluindo as organizações e a burocracia (GIDDENS, 2005). As sociólogas feministas nos afirmam que o surgimento da organização moderna e da carreira burocrática dependia de uma configuração de gênero que segue uma lógica específica. Segundo Giddens (2005), as burocracias caracterizam-se por uma segregação ocupacional de gênero. A partir do momento em que um volume maior de mulheres começou a ingressar no mercado de trabalho, houve uma tendência a segregá-las em categorias de ocupações de baixa remuneração e que envolvessem atividades rotineiras. Disso, tem-se que historicamente as posições ocupadas pelas mulheres estavam subordinadas àquelas ocupadas pelos homens, sem proporcionar oportunidades de promoção. Assim, as mulheres foram usadas como fonte de trabalho barato e confiável, mas a elas não foram oferecidas as mesmas oportunidades de construírem carreiras como aos homens. 12.1 As mulheres na gerência Contrariando uma realidade que não favorecia as mulheres, percebemos hoje o ingresso de um número cada vez maior de mulheres em ocupações profissionais nas últimas décadas. O debate a respeito do gênero e das organizações toma novos rumos. Os estudiosos sobre o tema observam que a crescente ascensão de algumas mulheres a cargos de chefia configura-se em uma boa oportunidade para se avaliar o impacto das mulheres no gerenciamento das organizações nas quais trabalham (GIDDENS, 2005). Na atualidade, uma questão tem ganhado premência: a de procurar saber o quanto as gerentes mulheres estão “fazendo a diferença” em suas organizações ao introduzir um estilo “feminino” de gerência em contextos que vêm sendo dominados há muito tempo pelos valores masculinos. Giddens (2005) nos elucida que já é possível sentir uma mudança em direção a um estilo gerencial mais “feminino”. As mulheres vêm www.esab.edu.br 53 alcançando uma influência sem precedentes nos níveis do topo do poder, seguindo suas próprias regras, em vez de adotarem técnicas de gerenciamento tipicamente masculinas. Giddens (2005) ainda nos informa que nem todos os pesquisadores do tema concordam que há um estilo gerencial “feminino”. Isso porque, para essa corrente, quando as mulheres conseguem chegar aos postos de alta gerência, elas tendem a “administrar como os homens”. Dito isso, Giddens (2005) pontua que ainda há muito que fazer para conquistar a sonhada igualdade entre os sexos. Embora tenham havido grandes avanços nas duas últimas décadas quanto à igualdade de empregos, às políticas relativas ao assédio sexual e à consciência geral em relação às questões de gênero, vemos ainda o predomínio dos valores masculinos nas organizações. Saiba que esse processo de mudança envolve várias dimensões do contexto organizacional que necessitam ser revistas. Podemos citar as relações de orientação com base na figura de um mentor, que são uma prática comum dentro de organizações. Por tradição, o modelo é o mentor de um homem de mais idade que emprega um jovem protegido no qual ele enxerga traços de si mesmo quando mais jovem. Essa dinâmica maisdificilmente pode ser reproduzida entre chefes de mais idade do sexo masculino e funcionárias mais jovens, além do fato de não haver um número suficiente de mulheres que ocupem posição de nível sênior para servirem de mentoras para mulheres mais jovens. Você pode perceber que, apesar das grandes mudanças tecnológicas e globais que o mundo tem passado, ainda há questões sociais e culturais que passam por processos mais lentos. Podemos considerar a questão do gênero nas organizações como algo em constante evolução. A mulher tem assumido um papel significativo na liderança de pequenas e grandes empresas, incluindo os cargos públicos. www.esab.edu.br 54 Saiba mais Um assunto importante e atual quando se discute organizações é a questão de gênero. Isso porque, como já vimos, as transformações econômicas e sociais ocorridas nas últimas décadas têm levado a mulher a ocupar posições antes só reservadas aos homens. Assim, a fim de refletir mais sobre esse tipo de questão, sugerimos a você a leitura do texto de Aline Poggi: “A mulher gerente”, disponível clique aqui. www.esab.edu.br 55 Resumo Vimos algumas variáveis que envolvem as tipologias das organizações, tais como as formas de poder e autoridade, a gestão dos conflitos, os estilos de liderança e o contexto de emergência das organizações modernas. Estudamos também as questões de gênero e a ascensão da mulher em cargo de chefia. Todos esses aspectos abordados formam o complexo panorama sobre o qual as organizações precisam saber lidar para sobreviverem a um ambiente dinâmico e turbulento. www.esab.edu.br 56 13 Organizações modernas: ultrapassando os limites do modelo burocrático Objetivo Discutir os novos desafios que se impõem às organizações modernas que buscam se manter competitivas e rentáveis no ambiente social turbulento dos novos tempos. Por muito tempo, um tipo específico de organização imperou no desenvolvimento das sociedades ocidentais. Esse modelo organizacional foi a burocracia, que certamente você já ouviu falar diversas vezes. Mas você saberia explicar como ele funciona? A burocracia consiste em um modelo de gestão baseado na previsibilidade, formalização e impessoalidade, com uma hierarquia clara de autoridade centrada no topo da condução dos negócios organizacionais. No entanto, após os anos 1970, diversas crises econômicas parecem ter marcado, se não o fim, os limites desse modelo de gestão (CASTRO, 2010). Vamos ver que acontecimentos foram esses? O século XX foi marcado por grandes mudanças no ambiente econômico e social das organizações. Um exemplo disso foram os conflitos bélicos mundiais. As duas grandes guerras provocaram uma mudança no cenário produtivo mundial, pois, com a devastação do parque fabril de alguns países europeus, coube aos Estados Unidos assumir a liderança econômica por se constituírem no mais importante fornecedor de produtos industrializados do pós-guerra. O grande boom americano foi possível em virtude do sucesso que o modo de produção fordista imprimiu à indústria americana com seu conceito de linha de montagem em série. O idealizador desse modo de produção foi Henry Ford, cuja famosa frase ditou as regras do modo produtivo no início do século XX: “o cliente pode escolher qualquer www.esab.edu.br 57 cor de carro, desde que seja preto”. Nessa época, dominava também o cenário produtivo e o modelo organizacional burocrático. O fordismo consistiu em um regime de produção que teve sua origem nos Estados Unidos. Esse regime produtivo compartilhou algumas premissas do taylorismo, como a separação do trabalho manual e intelectual, por exemplo, além de investir pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, engenharia e na organização racional do trabalho. Para Giddens (2005), o sucesso do fordismo obteve-se devido ao brilhantismo de seu iniciador. Para esse autor, Ford foi um visionário ao reconhecer que a produção de massa significava consumo de massa, um novo sistema de reprodução do trabalho, uma nova política de controle e gerência do trabalho, uma nova estética e uma nova psicologia, em suma, um novo tipo de sociedade democrática, racionalizada, modernista e populista. O início do século XX marca a emergência do fordismo quando Ford estabelece uma a jornada de trabalho de 8 horas para os trabalhadores de sua linha de montagem. Essa nova dinâmica de produção facilitaria o aumento da produtividade, do lazer e, consequentemente, do consumo. Entretanto, no período entre a primeira e segunda guerras mundiais, o fordismo encontrou vários obstáculos que anunciaram sua crise. Entre os fatores que levaram ao declínio do fordismo está a sua rigidez no modelo de gestão produtiva em massa. Prova disso está na famosa frase de Ford, que dizia que poderiam ser produzidos automóveis de qualquer cor, desde que fossem pretos. Lembra? Assim, a partir da década de 1970, o fordismo entra em declínio após os choques do petróleo e a entrada de competidores japoneses no mercado automobilístico. O fordismo e a produção em massa começam a ser gradativamente substituídos pela produção enxuta e flexível, modelo de produção baseado no Sistema Toyota de Produção, ou o toyotismo (GIDDENS, 2005). www.esab.edu.br 58 Figura 2 – Linha de produção fordista. Fonte: <commons.wikimedia.org>. De acordo com Giddens (2005), a crise do modelo fordista abriu espaço para um novo conceito de produção, mais conhecido como acumulação flexível. Você pode estar se perguntando, mas o que isso quer dizer? O processo de produção foi flexibilizado em virtude de uma revolução tecnológica cuja principal meta era reverter o quadro da crise fordista: a queda da produtividade e da lucratividade. Giddens (2005) destaca que a acumulação flexível se apoia na flexibilidade dos processos de trabalho, nos novos mercados de trabalho, nos produtos e padrões, e, sobretudo, nas taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego do chamado “setor de serviços”, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas. Você consegue perceber as consequências dessas mudanças nos dias hoje? Na atualidade, podemos assistir a uma invasão do microprocessador e das interfaces eletrônicas não apenas em novos produtos, mas também no próprio processo de trabalho: a microeletrônica redefine o próprio significado da automação. www.esab.edu.br 59 No bojo dessa nova dinâmica capitalista, a acumulação flexível foi tomando corpo, provocando uma grande rearticulação em todos os níveis sociais e econômicos. As relações de trabalho e a estrutura industrial acompanharam o novo ritmo. Figura 3 – Linha de montagem moderna baseada no conceito do toyotismo. Fonte: <www.123rf.com>. Para sua reflexão Vimos nesta unidade uma evolução dos modos de produção e gestão do fordismo para o toyotismo, fato que representou maior flexibilidade nos processos de trabalho, nos novos mercados, e na inovação tecnológica e organizacional. Você, como gestor de uma empresa, de que forma pode ajudá-la a se manter competitiva no mercado diante dessa realidade dinâmica e acelerada? As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 60 14 O modelo burocrático e suas disfunções Objetivo Conhecer o modelo burocrático de organização e suas disfunções. Na unidade 13, apresentamos rapidamente para você o modelo burocrático, está lembrado? Até aqui, você já sabe que a burocracia, como modelo de gestão, desenvolveu-se no âmbito da Administraçãoem meados do século XX. Agora, vamos apresentar para você alguns dos aspectos que motivaram a ascensão desse modelo. Segundo Dias (2008), os motivos foram: • fragilidade tanto da Teoria Clássica da Administração como da Teoria das Relações Humanas, que não possibilitam uma abordagem global, integrada e envolvente dos problemas organizacionais; • a necessidade de um modelo de organização racional capaz de caracterizar todas as variáveis envolvidas e o comportamento dos membros participantes dele, é aplicável não somente à fábrica, mas a todas as formas de organização humana e principalmente às empresas; • o crescente tamanho e complexidade das empresas passam a exigir modelos organizacionais bem mais definidos. Você sabia que, além de um modelo de gestão, a burocracia também é uma forma de organização humana? Isso mesmo! Ela se baseia na racionalidade na qual há a adequação dos meios aos fins para se atingir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos. As origens da burocracia, como forma de organização humana, são muito antigas, remontando à época quando o ser humano elaborou seus primeiros códigos das relações dos indivíduos e o Estado. www.esab.edu.br 61 Contudo, conforme observa Dias (2008), a burocracia tal como a conhecemos hoje foi fortemente influenciada pelas mudanças religiosas ocorridas após o Renascimento. Assim, em uma leitura inspirada em Max Weber, Dias (2008) salienta que o moderno sistema de produção racional e capitalista não se originou das mudanças tecnológicas nem das relações de propriedade, como pensava Karl Marx, mas de um novo conjunto de normas sociais e morais, às quais denominou “ética protestante”. Que tal conhecer os princípios que regem a burocracia? De maneira geral, podemos citar (DIAS, 2008): • formalização: existem regras definidas e protegidas da alteração arbitrária ao serem formalizadas por escrito; • divisão do trabalho: cada elemento do grupo tem uma função específica, de forma a evitar conflitos na atribuição de competências; • hierarquia: o sistema está organizado em pirâmide, sendo as funções subalternas controladas pelas funções de chefia, de forma a permitir a coesão do funcionamento do sistema; • impessoalidade: as pessoas, como elementos da organização, limitam-se a cumprir as suas tarefas, podendo sempre serem substituídas por outras – o sistema, como está formalizado, funcionará tanto com uma pessoa como com outra; • competência técnica e meritocracia: a escolha dos funcionários e cargos depende exclusivamente do seu mérito e capacidades – havendo necessidade da existência de formas de avaliação objetivas; • separação entre propriedade e administração: aos burocratas, cabe a administração dos meios de produção, não da sua propriedade; • profissionalização dos funcionários: a organização exige eficiência dos funcionários, estando determinado também o tempo que eles estão obrigados a permanecer no local de trabalho cumprindo com os deveres; www.esab.edu.br 62 • completa previsibilidade do funcionamento: todos os funcionários deverão comportar-se de acordo com as normas e os regulamentos da organização a fim de que esta atinja a máxima eficiência possível; • normas: normas e regras gerais regem o desempenho das atividades dos funcionários. A organização burocrática pretende ser bastante eficiente na busca dos objetivos organizacionais, já que seus princípios se baseiam em formalização, impessoalidade e na execução racional das tarefas. Além disso, a burocracia busca a previsibilidade do seu funcionamento no sentido de obter a maior eficiência da organização. No entanto, conforme observa Dias (2008), ao se estudar as consequências previstas da burocracia que a conduzem à eficiência, notaram-se também as consequências imprevistas que a levam à ineficiência. Assim, aos resultados imprevistos, deu-se o nome de disfunções da burocracia. São essas disfunções e anomalias que ganharam sentido pejorativo no senso comum. Ora você, caro estudante, já não ouviu frases desse tipo: o problema é essa burocracia toda que atrapalha o andamento das atividades? Conforme Dias, o autor que se destacou ao estudar os desvios da burocracia foi o sociólogo organizacional Robert Merton. Cada anomalia ou disfunção é o resultado de algum desvio ou exagero em cada uma das características do modelo burocrático explicado pelo modelo weberiano (DIAS, 2008). Para que você entenda melhor as disfunções da burocracia, listamos alguns de seus aspectos, segundo Giddens (2005). • Internalização das regras: os burocratas são treinados para confiar cegamente nas regras e normas escritas, não sendo, portanto, flexíveis. • Excesso de formalismo e papelório: torna os processos mais lentos em virtude da necessidade de documentar e de formalizar todas as práticas organizacionais. www.esab.edu.br 63 • Resistência às mudanças: tudo dentro da burocracia é padronizado e previsto com antecipação, fato que leva a uma resistência à mudança. • Despersonalização do relacionamento: os funcionários se conhecem pelos cargos que ocupam. • Centralidade no processo decisório: a burocracia se assenta em uma rígida hierarquização da autoridade; o que tem um cargo maior toma decisões, independentemente do que conhece sobre o assunto. Com o que estudamos até agora, podemos concluir que as disfunções da burocracia são causadas principalmente pelo fato de que a burocracia não leva em conta que as pessoas são diferentes umas das outras e por isso possuem diferentes maneiras de agir. Essas mesmas pessoas, como nos apontaram os estudos da chamada Experiência de Hawthorne, assunto tratado na unidade 13 da disciplina de Teoria Geral da Administração, criam a chamada organização informal dentro das organizações formais, fato que contribui para que ocorressem variações no desempenho das atividades organizacionais. Assim, em virtude da exigência de controle sobre a atividade organizacional, é que surgem as disfunções da burocracia. Fórum Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituição e participe do nosso Fórum de discussões. Lá você poderá interagir com seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar, por meio da interação, a construção do seu conhecimento. Vamos lá? www.esab.edu.br 64 15 Karl Marx: as lutas de classe e os conflitos sociais Objetivo Conhecer sucintamente a abordagem sociológica de Karl Max e sua importância para a Administração. Você sabe quem foi Karl Marx e qual sua importância para a história das ciências? É sobre algumas ideias desse grande pensador que vamos nos dedicar agora. Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818, na Alemanha. Ele foi economista, cientista social e revolucionário socialista; cursou Filosofia, Direito e História nas Universidades de Bonn e Berlim, na Alemanha. Um currículo bem vasto, não acha? Figura 4 – Karl Marx. Fonte: <commons.wikimedia.org>. De acordo com Costa (2011), Marx escreveu trabalhos de caráter sociológico. Ele tinha por objetivo não apenas contribuir para o desenvolvimento da ciência, mas propor uma ampla transformação política, econômica e social. Sua obra máxima, “O Capital”, destinava- www.esab.edu.br 65 se a todos os homens e não só aos cientistas ou acadêmicos. A obra de Karl Marx possui um amplo alcance na sociedade, já que as contradições próprias à sociedade capitalista e as possibilidades de superação não puderam permanecer ignoradas pela Sociologia. De acordo com Marx, o surgimento do capitalismo está ligado a certas condições históricas tais como: • propriedade privada dos meios de produção; • produção de mercadorias orientadas pelo mercado (dependência do mercado); • existência de uma classe social totalmente expropriada e que não pode existir sem a venda de sua própriaforça de trabalho no mercado. Assim, podemos observar a acumulação de uma grande quantidade de riquezas nas mãos de uns poucos indivíduos interessados sempre em obter lucros. Essa acumulação de riqueza, denominada de acumulação primitiva de capital, financiou a industrialização na Europa e permitiu o desenvolvimento do capitalismo. Outras fontes de acumulação de riqueza também se verificaram nesse período de mercantilizarão comercial, tais como a prática da pirataria, do roubo e do crescente comércio promovido pela expansão das rotas marítimas. A comercialização era uma grande fonte de rendimentos para os Estados Absolutistas e a nascente burguesia. Não é difícil imaginar que ocorreram mudanças importantes quando o trabalhador artesanal foi substituído pelo operário e pela indústria, não é mesmo? Vamos entender o porquê. Na produção artesanal, o trabalhador mantinha em sua casa os instrumentos de produção. Aos poucos, porém, essas ferramentas passaram às mãos de indivíduos enriquecidos, que organizaram oficinas. A Revolução Industrial introduziu inovações técnicas na produção que aceleraram o processo de separação entre trabalhador e instrumentos. Os artesãos isolados não podiam competir com o dinamismo das nascentes indústrias, culminando assim no sistema capitalista tal como o conhecemos (COSTA, 2011). www.esab.edu.br 66 Para Marx, o capitalismo foi responsável por separar o trabalhador dos meios de produção (as ferramentas, as matérias-primas e as máquinas) que se tornaram propriedade privada do capitalista. Nesse sistema, o trabalhador também perdeu o controle do produto de seu trabalho, tornando-se assim, para falar como Marx, alienado perante o capital. É importante que você saiba que, de acordo com esse economista político, as desigualdades sociais são causadas pelas relações de produção capitalistas, as quais dividem os homens em proprietários e não proprietários dos meios de produção, sendo as desigualdades o fundamento da formação das classes sociais. As relações entre homens resultam das relações de oposição, de antagonismo, e da exploração entre as classes sociais. Há uma relação de exploração entre a classe dos proprietários (a burguesia) e a dos trabalhadores (o proletariado), porque a posse dos meios de produção, sob a forma legal de propriedade privada, faz com que os trabalhadores, para assegurar a sobrevivência, tenham de vender sua força de trabalho ao empresário capitalista, o qual se apropria do produto do trabalho de seus operários (COSTA, 2011). Aqui, Costa (2011) observa que o operário, não possuindo os meios de produção, é obrigado a vender sua força de trabalho, que se torna uma mercadoria útil para as relações capitalistas. Surge, assim, um contrato entre o capitalista e o operário. Vamos entender como isso funciona? O patrão compra, por certo tempo, a força de trabalho do operário, em troca, paga uma quantia em dinheiro – o salário. Para Costa (2011), o salário consiste no valor da força de trabalho, considerada como mercadoria, sendo que deve garantir a reprodução das condições de subsistência do trabalhador e sua família (alimento, moradia, saúde etc.). Você pode estar se perguntando: então, para o sistema capitalista, a força do trabalho é apenas mercadoria? Isso mesmo, mas é claro que ela não é uma mercadoria qualquer. Enquanto os produtos a serem usados simplesmente desgastam ou desaparecem, o uso da força de trabalho significa, ao contrário, criação de valor. Essa qualidade da força de trabalho também já foi observada pelos chamados economistas clássicos. Adam Smith já havia proclamado o trabalho como a verdadeira fonte de riqueza das sociedades. Porém, www.esab.edu.br 67 conforme Costa (2011), Marx vai além, dizendo que o trabalho, ao se exercer sobre determinados objetos, ao longo do tempo se transforma em lucro para o capitalista. Assim, por exemplo, um pedaço de couro animal curtido, uma faca e fios de linha são produtos do trabalho humano. Deixados em si mesmos, são coisas mortas; mas quando utilizados para produzir um par de sapatos renascem como meio de produção e se incorporam num novo produto, numa nova mercadoria, num novo valor. Ora, se o trabalho, como apontaram Marx e os economistas clássicos, é fonte de toda a riqueza, então por que o operário não recebe a soma total do valor criado por seu trabalho, tendo que ceder uma parte dele ao capitalista? Porque o capitalista precisa do lucro ou excedente para reinvestir na produção. A esse excedente, Marx deu o nome de mais- valia. Provavelmente, você já ouviu falar sobre esse termo, mas sabe exatamente o que ele significa? Conforme Loyola (2009), a mais valia refere-se ao excedente gerado pela atividade do trabalhador na produção de mercadorias e esse excedente é apropriado pelo capitalista. Loyola (2009) observa que para Max o trabalho socialmente necessário para a produção de mercadorias é medido em unidades de tempo. Com isso, se temos, por exemplo, uma jornada de trabalho de oito horas diárias, todas essas oito horas são incorporadas na forma de valor ao produto final, o qual, por meio da venda, será transformado em dinheiro nas mãos do capitalista. Mas o trabalhador, por meio de um contrato de trabalho, receberá um salário correspondente a apenas uma parte dessas horas, por exemplo, três das suas oito horas diárias, pois, nesse tempo de três horas o trabalhador produz bens o suficiente para o capitalista pagar sua força de trabalho. Assim, o valor produzido nas cinco horas excedentes, chamado de mais- valia, pertence ao capitalista (LOYOLA, 2009). www.esab.edu.br 68 16 Max Weber: dominação, poder e burocracia Objetivo Conhecer sucintamente a abordagem sociológica de Max Weber e sua importância para a Administração. Antes de iniciarmos o estudo desta unidade, vamos apresentar Max Weber para você. Já ouviu falar sobre ele? Max Weber, economista, sociólogo e filósofo alemão, nasceu em 1864, na Alemanha, e morreu em 1920. Filho de um grande industrial têxtil, foi um dos principais nomes da Sociologia moderna. Realizou extensos estudos sobre história comparativa e foi um dos autores mais influentes no estudo do surgimento do capitalismo e da burocracia, bem como da Sociologia da Religião. Weber tinha grande interesse por refutar a ideia de Karl Marx, segundo a qual o capitalismo emergiu, em grande parte, da acumulação de riqueza gerada pelo comércio da burguesia nascente. Para Weber, o capitalismo surgiu a partir de uma mudança comportamental provocada pela reforma protestante do século XVI, em virtude da moral protestante e seu forte senso de vocação para o trabalho. www.esab.edu.br 69 Dica Essa análise de Max Weber sobre o nascimento do capitalismo pode ser encontrada em seu livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Esse livro foi eleito a obra mais importante do século XX pelo jornal A Folha de São Paulo, em 1999. Vale a pena ler! Também indicamos a leitura do artigo de Loyola: Valor e mais-valia: examinando a atualidade do pensamento econômico de Marx, disponível clique aqui. Figura 5 – Max Weber. Fonte: <commons.wikimedia.org>. www.esab.edu.br 70 De acordo com Costa (2011), o pensamento de Weber foi profundamente influenciado pelo idealismo alemão. Para essa corrente da filosofia alemã, o conhecimento é o fruto da relação da razão com os objetos do mundo por meio da maneira como são interiorizados pelos indivíduos. Em Weber, a pesquisa histórica, baseada na coleta de documentos, é essencial para a compreensão das sociedades, uma vez que permite o entendimento das diferenças sociais. Na visão de Weber, o conhecimento histórico entendido como a busca de evidências torna-se um poderoso instrumento para o cientista social. A abordagem weberiana consegue combinar duas perspectivas:a historiográfica, que respeita a particularidade de cada sociedade, e a sociológica, que ressalta os elementos mais gerais da fase do processo histórico. Assim, para conseguir dar sentido aos fenômenos sociais, Weber desenvolve o método compreensivo que busca interpretar o passado para compreender as características particulares das sociedades contemporâneas. Outro ponto importante na abordagem weberiana é que seu objeto de investigação é a ação social, a conduta humana dotada de sentido, e não a atividade coletiva como em Durkheim, assunto que você estudará na próxima unidade. Segundo Weber, as normas sociais só se tornam concretas quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação. Cada sujeito age levado por um motivo que se orienta pela tradição, por interesses racionais ou pela afetividade. Assim, o motivo que transparece na ação social permite desvendar o seu sentido, que é social na medida em que cada indivíduo age levando em conta a reação dos outros indivíduos (CASTRO, 2010). É importante que você saiba que, para compreender os fenômenos sociais, Weber construiu um instrumento de análise que chamou de tipo ideal. Trata-se de uma criação teórica a partir de casos particulares observados. O tipo ideal é construção do pensamento que auxilia o cientista em suas pesquisas. A preocupação de Weber em compreender o sentido das ações humanas o levou ao desenvolvimento de alguns conceitos, dentre os quais a ação social é um dos mais importantes. Para Weber, a ação social consiste www.esab.edu.br 71 na conduta humana dotada de sentido e orientada pela ação de outros. Assim, a Sociologia é uma ciência que procura compreender a ação social e para tanto ele faz a distinção entre quatro tipos de ação. Vamos conhecê-las? De acordo com Costa (2011), os tipos de ação social propostas por Weber são: ação racional com relação a fins: é determinada pela expectativa de alcançar os objetivos racionalmente avaliados e perseguidos. Por exemplo, o gestor que calcula se é mais rentável vender o produto no mercado interno ou externo; ação racional com relação a um valor: é aquela definida pela crença consciente no valor (moral, religioso, estético) de uma determinada conduta. Por exemplo, um médico que salva a vida de um assassino porque esse é seu dever moral; ação afetiva: é aquela ditada por afetos ou estados sentimentais e emocionais. Por exemplo: um pai que reprende seu filho por se comportar mal e a ação tradicional: ditada pelos hábitos, costumes, crenças. Por exemplo: os rituais religiosos. Assim, para Weber, cabe ao cientista estabelecer conexões entre a motivação dos indivíduos e os efeitos de sua ação no meio social. Contudo, o sociólogo observa que a vida social é permeada por disputas pelo poder, advindo daí a ideia de que a ação humana está marcada por algum tipo de dominação. A dominação faz com que o indivíduo obedeça a uma ordem, acreditando que está realizando sua própria vontade (COSTA 2011). Cabe aqui, caro aluno, relembrar os tipos de dominação desenvolvidos por Weber, assunto que vimos na unidade 8. Você lembra quais são? Vamos relembrar juntos então! Os três tipos de dominação observados pelo sociólogo são: a tradicional, a carismática e a racional. É importante destacar que a dominação racional é o fundamento da organização burocrática que se baseia na crença, na legalidade ou racionalidade de uma ordem. A burocracia, como a conhecemos, é uma consequência do processo de racionalização da vida moderna, sendo uma forma de organizar o trabalho em sociedades complexas. www.esab.edu.br 72 Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidade 9 a 16. Para isso, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 73 17 Émile Durkheim: especialização e a divisão do trabalho social e as formas de solidariedade humana Objetivo Conhecer sucintamente a abordagem sociológica de Émile Durkheim e sua importância para a Administração. Você lembra que na unidade anterior mencionamos que Durkheim mantinha um posicionamento diferente de Weber? Enquanto o objetivo de Weber é a ação social e a conduta humana dotada de sentido, Durkheim objetivava a atividade coletiva. Agora, que tal saber um pouco do histórico de Durkheim? Émile Durkheim nasceu no dia 15 de abril de 1858, na região de Lorena, na França, e faleceu em Paris, no dia 15 de novembro de 1917. É considerado o fundador da Sociologia moderna. Viveu no seio de uma família muito religiosa, pois seu pai era um rabino. Porém, não seguiu o caminho da família, optando por uma vida intelectual. Desde jovem, foi opositor da educação religiosa e defendia o método científico como forma de desenvolvimento do conhecimento. Formou-se em Filosofia e foi trabalhar como professor de Pedagogia e Ciência Social. Para Durkheim, os indivíduos são o produto de forças sociais complexas e por esse motivo não podem ser entendidos fora do contexto social em que vivem. Você sabia que foi ele quem formulou o termo consciência coletiva para descrever o caráter de uma sociedade em particular? De acordo com Durkheim, essa consciência coletiva difere totalmente das consciências individuais que a formam. Mas do que se trata exatamente a consciência coletiva? Vejamos! Trata-se das crenças, normas e condutas comuns a quase todos os membros de uma mesma sociedade. A consciência coletiva pode ser entendida como uma moral vigente na sociedade que estabelece regras que delimitam o valor atribuído aos atos www.esab.edu.br 74 individuais. Ela define o que, numa sociedade, é considerado moral ou imoral. Assim, para compreender o social, esse pensador se inspirou no positivismo, analisando a sociedade de forma objetiva, olhando e descrevendo o funcionamento dos fenômenos como se fosse um objeto. Nesse processo de análise, era importante a neutralidade do cientista frente ao objeto pesquisado. Com isso, Durkheim procurou provar que os fatos sociais são independentes do que pensa ou faz cada indivíduo em particular, provando, assim, que eles têm existência própria. Agora, pare e pense um pouco: o que será que o sociólogo quis dizer com isso? Vamos pensar juntos! Ele quis dizer que os fatos sociais são regras e normas que estão no mundo antes de nosso nascimento e, independentemente de nossa consciência sobre eles, sofremos sua influência, e que eles estarão no mundo mesmo depois de nossa morte. Interessante, não? Bom, na sequência, falaremos mais sobre o fato social com uma definição do próprio Durkheim. Figura 6 – Durkheim. Fonte: <commons.wikimedia.org>. www.esab.edu.br 75 Você pode estar se perguntando: mas o que pretendia Durkheim com seus estudos sobre o social? O pai da Sociologia Moderna pretendia emancipar a Sociologia das filosofias sociais e constituí-la definitivamente como uma disciplina científica. Por isso, uma das obras fundamentais escritas por esse pensador foi “As regras do método sociológico”, publicada em 1895. Nela, Durkheim formulou com clareza o tipo de fenômenos sobre os quais o sociólogo deveria se debruçar: os fatos sociais. Afinal, o que é o fato social? Para Durkheim, o fato social consiste em três maneiras: de agir, de pensar e de sentir. Elas estão socialmente sancionadas e exercendo poder de coerção sobre o indivíduo, independentemente de sua vontade. E isso não é tudo! Para Durkheim, os fatos sociais constituem o objeto da Sociologia e possuem três características fundamentais (COSTA, 2011): • coercitividade: consiste na força que os fatos exercem sobre os indivíduos, levando-os a conformar-se com as regras da sociedade em que vivem, não importando as suas vontades e escolhas. A força da coerçãodos fatos sociais se torna evidente pelas sanções a que o indivíduo está sujeito quando, contra as regras, tenta se rebelar. As sanções podem ser legais ou espontâneas. Legais são as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de leis, nas quais se identificam a infração e a penalidade subsequente. Espontâneas, as que ocorrem em virtude de uma conduta não considerada correta perante o grupo ao o indivíduo pertence. Nesse processo, a educação desempenha, segundo Durkheim, uma importante tarefa nessa conformação dos indivíduos à sociedade em que vivem, a ponto de, após algum tempo, as regras estarem internalizadas e transformadas em hábitos; • exterioridade: consiste na ideia de que os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos, a sua vontade ou a sua adesão consciente não são levadas em conta, ou seja, eles são exteriores aos indivíduos. As regras sociais, os costumes e as leis já existiam antes do nascimento das pessoas. Nestas, são impostos mecanismos de coerção social, como a educação, por exemplo; e • generalidade: parte da ideia de que é social todo fato que é geral, que se repete em todos os indivíduos, ou pelo menos, na maioria deles, manifestando sua natureza coletiva. Os exemplos são as formas de habitação, de comunicação, os sentimentos e a moral compartilhada pelos grupos sociais. www.esab.edu.br 76 Em sua busca para garantir à Sociologia um método tão eficiente quanto o desenvolvido pelas ciências naturais, Durkheim aconselhava os sociólogos a encarar os fatos sociais como coisas. Mas, afinal, o que queria dizer com isso? Com isso, ele queria dizer que os cientistas sociais deveriam encarar os fatos sociais de maneira objetiva, imparcial e neutra, e que os fatos sociais assim compreendidos poderiam ser medidos, observados e comparados, não considerando o que os indivíduos pensassem ou declarassem a seu respeito (COSTA, 2011). Por fim, podemos concluir que a abordagem sociológica de Durkheim pretendeu demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e não importa aquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Estudo complementar Nas unidades 13 a 16, vimos uma breve descrição do modelo burocrático de organização e suas disfunções que geram algumas consequências indesejadas à organização do trabalho. Para saber mais sobre esse tema tão importante nos estudos sobre as organizações, acesse o artigo “Racionalidade, autoridade e burocracia: as bases da definição de um tipo organizacional pós- burocrático” de Flávio Carvalho de Vasconcelos, disponível aqui. www.esab.edu.br 77 18 Merton e Parsons Objetivo Conhecer sucintamente a abordagem sociológica de Merton e Parsons e sua importância para a Administração. Vamos dar continuidade ao nosso estudo! Nesta unidade conheceremos um pouco sobre Robert Merton e Talcott Parsons. Preparado? 18.1 Robert Merton Robert Merton nasceu em 5 de julho de 1910, na Filadélfia, Estados Unidos, e faleceu em 23 de fevereiro de 2003. O sociólogo Merton é considerado um teórico fundamental da burocracia, da Sociologia da ciência e da comunicação de massa. Assim, alguns de seus estudos são inspirados na abordagem teórica desenvolvida por Max Weber sobre a burocracia como forma de organização de trabalho. Em relação à análise da burocracia, Merton ficou conhecido nos meios acadêmicos da disciplina Ciência da Administração devido a seus estudos e caracterização das disfunções da burocracia (GIDDENS, 2005). Figura 7 – Robert Merton. Fonte: <commons.wikimedia.org>. www.esab.edu.br 78 Merton era um brilhante acadêmico e sua abordagem sociológica tomou a forma do que ele chamou de teoria de médio alcance. Para ele, por meio de uma teoria de médio alcance, é possível compreender fenômenos sociais específicos. Mas o que ele queria dizer com uma “teoria de médio alcance”? Na visão de Merton, uma teoria desse tipo abarca fatos específicos dos fenômenos sociais em vez de tentar abarcar o todo de uma só vez. Um exemplo para tentar entender o que isso significa pode ser visualizado na ideia da árvore e da floresta. Merton estava preocupado em desenvolver ferramentas teóricas para compreender a árvore em vez da floresta toda (GIDDENS, 2005). Assim, as contribuições de Merton para a Sociologia em geral e para a Administração em particular são bem relevantes. Como já vimos na unidade 14, as contribuições de Merton em relação à organização burocrática ficaram conhecidas nos meios acadêmicos da Administração como as “disfunções da burocracia”. Você lembra quais são as principais anomalias da burocracia apontadas por Merton? Vamos relembrá-las rapidamente: • internalização das regras e exagerado apego aos regulamentos; • excesso de formalismo e de papelório; • resistência às mudanças; • despersonalização do relacionamento; • dificuldade no atendimento aos clientes e conflitos com o público. Agora, chegou a hora de conhecer o sociólogo norte-americano Talcott Parsons. Vamos lá? 18.2 Talcott Parsons Talcott Parsons nasceu em 13 de dezembro de 1902 e faleceu em 8 de maio de 1979. É considerado o sociólogo norte-americano mais conhecido em todo o mundo. Em geral, seus críticos o enquadravam como funcionalista, já que, em suas pesquisas, estava preocupado com o bom ordenamento da sociedade e em determinar a função que os indivíduos desempenhavam no sistema social, visando ao bom www.esab.edu.br 79 funcionamento das coisas. Por isso, era considerado um estudioso da reprodução social e não da mudança ou da transformação. Para estudar a sociedade, Parsons fazia analogias com a Biologia e considerava o funcionamento do sistema social semelhante ao de um organismo vivo. Um exemplo disso era sua grande admiração pela organização de um formigueiro, no qual o papel das operárias à rainha-mãe era devidamente predeterminado e ordenado em função da manutenção e do aperfeiçoamento de um sistema maior. Aqui, cabe destacar que, Parsons desenvolveu suas ideias durante um período em que a Teoria Geral dos Sistemas estava em evidência. Assim, refletindo sobre o tema, concluiu que os sistemas relevantes para análise na ciência social são os chamados sistemas abertos que possuem, por isso, comunicação com o ambiente. Com seus estudos sobre os sistemas sociais, o sociólogo Talcott Parsons influenciou a ciência da administração. Assim, Castro (2010) destaca que na visão de Parsons, o sistema social consiste em uma pluralidade de indivíduos que se relacionam por meio de padrões culturalmente compartilhados. A sociedade constitui um sistema social e possui como núcleo a ordem normativa padronizada que supõe valores e normas particularizadas, tomadas como referência para o sistema maior. É importante que você saiba que Parsons definiu quatro componentes estruturais dos sistemas sociais: papéis, coletividade, normas e valores. Vamos conhecê-los? Os papéis são modos de participação do indivíduo nas diversas coletividades. Cada indivíduo representa vários papéis no convívio social, por exemplo, o papel de pai, mãe, professor, médico, pedreiro etc. As coletividades dizem respeito a grupos que se constituem baseados em valores e ideias que se institucionalizam, sendo que as atividades a serem desempenhadas são especificadas pelos indivíduos que fazem parte das coletividades. As normas são elementos que definem os padrões de www.esab.edu.br 80 comportamento dos grupos e os valores têm primazia no funcionamento de manutenção de padrão dos sistemas sociais, pois são eles que regulam a formação de compromissos pelas coletividades (CASTRO, 2010). Cabe ainda destacar que para Parsons nossas ações pautam-se pelas expectativas recíprocas de comportamento e dependem da estabilidade das normas que regem o social. Assim, o sistema social mais amplo compreende quatro subsistemas nosquais nossas ações se desenvolvem: cultural (está ligado aos valores, padrões, comportamentos apreendidos ao longo da nossa socialização), social (tem a ver com as normas de inter- relações com os outros), psíquico (está ligado às motivações psíquicas) e biológico (tem a ver com as nossas necessidades fisiológicas que precisam ser satisfeitas). www.esab.edu.br 81 Resumo Nestas seis últimas unidades, vimos que novos desafios competitivos se impõem às organizações, que necessitam estar preparadas para enfrentar um ambiente econômico e social dinâmico e turbulento. Vimos que os novos tempos exigem das organizações flexibilidade, criatividade e inovação. Isso pôde ser observado quando ocorreu a substituição do fordismo (linha de montagem com a produção de um só tipo de carro) pelo toyotismo (sinônimo de flexibilidade e inovação com a produção de vários tipos de veículos). Vimos também os princípios da organização burocrática e suas disfunções e que os motivos que levam a essas anomalias devem-se ao fato de que as burocracias não levam em conta as organizações informais e as diferenças entre as pessoas. Por fim, vimos uma pequena parte do pensamento de alguns dos grandes pensadores da Sociologia que exerceram uma importante influência no desenvolvimento da ciência da Administração. www.esab.edu.br 82 19 Antropologia cultural e as organizações Objetivo Estudar a abordagem da Antropologia cultural e seus conceitos para se pensar as organizações. Nesta unidade, vamos apresentar para você a Antropologia Cultural como um ramo das ciências sociais que estuda o comportamento dos grupos, bem como seus valores e suas condutas na comunidade em que vivem. Os estudos desenvolvidos pela Antropologia serviram de base para que os teóricos das organizações realizassem pesquisas no âmbito das empresas a fim de conhecerem o comportamento dos indivíduos e dos grupos no processo de trabalho, com o objetivo de aprimorar o desempenho nos negócios organizacionais. Na sequência, veremos como se deu a emergência dessa disciplina tão importante. De acordo com Costa (2011), o século XIX colocou o ser humano como objeto privilegiado da filosofia na procura pela compreensão do que somos. Em busca desse conhecimento, floresciam as ciências humanas como a Psicologia, a Sociologia e a Antropologia. Saiba que o contexto que serviu de emergência para o interesse de explicações científicas para a natureza humana foram os problemas enfrentados pela sociedade oriundos dos fenômenos da industrialização e urbanização. Esse ambiente favoreceu o surgimento de teorias e métodos para se pensar o homem e a sociedade, já que, conforme observa Costa (2011), era necessário garantir as condições de sucesso da economia industrial e sua expansão pelo mundo. Dessa necessidade, brotaram com força, entre as ciências sociais, a Antropologia e a Sociologia, que definiram de forma satisfatória seus objetos de estudo, objetivos e métodos. Assim, coube à Sociologia o estudo da sociedade europeia desenvolvida e à Antropologia www.esab.edu.br 83 o estudo dos povos colonizados na África, Ásia e América. Vamos entender melhor essa divisão? Costa (2011) destaca que a Sociologia cuidou de descobrir as leis gerais que regulavam o comportamento social e a transformação da sociedade, utilizando para isso análises qualitativas e métodos estatísticos que pudessem dar maior cientificidade às suas descobertas. Já a Antropologia cuidou de desenvolver métodos mais qualitativos voltados para as particularidades da sociedade que estudava. Devemos observar, contudo, que Costa (2011) chama a atenção para certo reducionismo das práticas circunscritas a essas ciências. Prova disso é que os sociólogos imaginaram ser possível a criação de um modelo teórico único para explicar a complexidade dos fenômenos sociais, tarefa que com o passar do tempo se mostrou impossível. Então, quando a Antropologia procurou identificar de forma precisa o não europeu, criou- se uma falsa imagem da cultura europeia como homogênea e integrada. Assim, não se davam conta que por trás da aparente uniformidade da vida social europeia existiam insuperáveis diferenças. Para Costa (2011), os antropólogos não conseguiam perceber que haviam muitas diferenças e conflitos, por exemplo, entre o trabalhador industrial e o colono inglês ou entre o trabalhador industrial e o mineiro francês, confundindo até a questão do analfabetismo de certos grupos europeus com a ausência da escrita nas sociedades iletradas. No entanto, essa realidade foi mudando com o passar do tempo à medida que diversos estudos foram se desenvolvendo nessa área. A gênese da Antropologia segue-se aos relatos dos viajantes europeus que buscaram descrever os exóticos costumes dos povos com os quais mantinham contato. Assim, o desenvolvimento das ciências humanas em geral, e da Sociologia e da Antropologia em particular, serviram aos interesses econômicos da Europa e à necessidade expansionista da economia capitalista na busca de integrar outros povos nesse projeto econômico e político. Podemos perceber, nesse contexto, que as teorias evolucionistas da Sociologia e da Antropologia serviram de base para se levar adiante www.esab.edu.br 84 a expansão capitalista. Isso porque essas teorias pregavam que a humanidade seria composta por diversas etapas de desenvolvimento e, assim, cada sociedade poderia estar classificada conforme sua posição em uma escala, que iria de atrasadas e simples (as chamadas sociedades primitivas) às mais adiantadas e complexas (as chamadas sociedades desenvolvidas) (COSTA, 2011). Costa (2011), no entanto, destaca que atualmente não se aceita essa classificação das sociedades humanas, pelo contrário, acredita-se que todas as sociedades fazem parte de um único processo global de evolução. Esse processo levou ao aparecimento do Homo sapiens, fato ocorrido na África e que migrou pelo planeta, diversificando-se em sua aparência e em seus costumes, isso em virtude de sua extraordinária capacidade de adaptação. Interessante, não é mesmo? Contemporaneamente, a Antropologia passou por um processo que denominou de perda de seu objeto de estudo, devido às transformações da globalização econômica e sociais que aproximou muito os povos do mundo inteiro. Agora, perguntamos para você: se em seu nascimento a Antropologia buscava estudar os chamados povos primitivos, o que acontece agora com ela, já que atualmente não há mais povos primitivos a descobrir? Ora, atualmente ela ocupa-se da complexidade das sociedades modernas, analisando por vezes suas construções simbólicas. Vamos entender como isso funciona? As construções simbólicas são a forma com que as sociedades interpretam e entendem seu mundo por meio da linguagem. Nesse sentido, uma construção simbólica muito importante na sociedade moderna é a organização, que, como já vimos, ocupa uma posição privilegiada em nosso tempo, já que quase tudo de que precisamos é produzido pelas organizações. Nesse caso, como os conhecimentos em Antropologia podem ajudar a compreender melhor as organizações, tornando-as mais produtivas? Segundo Costa (2011), o grande antropólogo britânico Bronislaw Malinowski foi um dos mais importantes estudiosos das chamadas culturas primitivas e desenvolveu o método etnográfico para realizar suas pesquisas. Esse método consiste em se inserir na comunidade ou www.esab.edu.br 85 empresa que se pretende estudar por um longo tempo e passar a realizar as atividades que os nativos realizam, observando seu comportamento. Assim, o método etnográfico auxilia na interpretação da cultura de uma sociedade por meio do estudo dos significados culturais sobre os quais um grupo está organizado e de como isso influencia o comportamento grupal. Malinowski, em seu celebre livro “Os Argonautasdo Pacífico Ocidental”, detalha essa metodologia. Essa técnica de pesquisa sugere que o pesquisador passe longos períodos de convivência com os grupos estudados, a fim de acompanhar de perto todas suas atividades e evitar interpretações superficiais sobre o comportamento dos indivíduos. Contudo, é importante que você saiba que esse método de pesquisa ainda é pouco utilizado nos estudos sobre as organizações. Também cabe destacar que os estudos de Hawthorne, conforme já vimos na unidade 2, nos mostram que os grupos constroem seus significados sociais por meio das interações no ambiente social ou organizacional. Lembra? Esse fato contribui para a utilização da abordagem interpretativa como uma maneira de compreender os fenômenos organizacionais, tal como a abordagem da Antropologia por meio dos estudos etnográficos. Saiba mais Você pode compreender mais sobre as relações entre a Administração e a Antropologia acessando o link clicando aqui. www.esab.edu.br 86 20 Cultura organizacional Objetivo Demonstrar como a cultura organizacional impacta na interação pessoas-organização, portanto, nas relações intraorganizacionais. Você já parou para pensar que o modo como nos vestimos, comemos ou dormimos são convenções sociais que chegam até nós pelos ensinamentos de nossa família e são tão antigos quanto a história pode dar conta? E por que isso acontece? Ora, vamos lá. Isso acontece porque estamos imersos em uma cultura. E o que é cultura, então? Conforme Castro (2010), Edward B. Tylor elaborou um conceito de cultura que se tornou clássico: um conjunto de práticas que engloba o saber, a crença, a arte, a moral, o direito, o costume e quaisquer outros hábitos adquiridos em sociedade. Aqui, é importante que você observe outra definição importante de cultura: trata-se do entendimento do antropólogo Claude Lévi-Strauss. Para esse estudioso, a cultura consiste em um processo pelo qual o homem dá sentido a si e a tudo que o rodeia (LÉVI-STRAUSS apud CASTRO, 2010). Assim, a cultura é composta por um conjunto de valores, padrões, hábitos e costumes compartilhados em determinada sociedade. Por exemplo, olhemos para o Brasil: podemos dizer que existe uma cultura brasileira, mas com variações regionais no que se refere a sotaque, vestuário característico etc., não é mesmo? Essas diferenças culturais também podem ser observadas nos ambientes de trabalho onde é fácil verificar diferentes jargões profissionais (CASTRO, 2010). Cabe destacar ainda que a cultura se transmite pela herança cultural, portanto, depende do processo de socialização do indivíduo para se realizar. Nesse sentido, podemos afirmar com Dias (2008) que não há indivíduo desprovido de cultura, pois a criança quando nasce já www.esab.edu.br 87 está imersa em uma cultura que lhe é transmitida pelo processo de socialização, que também é um processo de aquisição de cultura. Agora que você, mesmo que de maneira geral, já sabe o que é cultura, que tal refletir sobre a cultura organizacional? Conforme Dias (2008), uma organização é muito complexa e, à medida que convivemos com ela, passamos a perceber que alguns princípios guiam sua conduta, seus valores e seus objetivos e com isso podemos constatar a presença de certos elementos difíceis de definir, mas que influenciam a conduta de seus membros em todos os momentos. A esse conjunto de elementos Dias dá o nome de cultura da organização. Você pode estar pensando: mas o que o ele quer dizer com isso? Para o autor, o termo cultura sugere a existência de um conjunto de valores, crenças e rituais constituídos e compartilhados por um grupo de pessoas. Esse conceito de cultura auxilia na análise organizacional, na medida em que ajuda na compreensão das atitudes e dos comportamentos dos que participam da vida organizacional. Desse modo, a cultura organizacional é o conjunto de valores, crenças e entendimentos importantes que os integrantes de uma organização têm em comum, oferecendo formas de pensamento e ações que guiam a tomada de decisões e de outras atividades (DIAS, 2008). A cultura organizacional inclui regras duradouras que padronizam o comportamento dos indivíduos. Entre as suas mais importantes funções, Dias (2008) destaca: • a transmissão de um sentimento de identidade aos membros da organização; • tornar mais fácil as pessoas assumirem um compromisso com algo maior do que a si mesmas; • contribuir para fortalecer a estabilidade do sistema social como um todo; • oferecer um conjunto de normas reconhecidas e aceitas por todos que permitem tomadas de decisões. www.esab.edu.br 88 O autor observa ainda que não existe uma fórmula pronta para se desenvolver uma cultura organizacional de sucesso, mas indica alguns procedimentos que podem ser seguidos pelas organizações e que favorecerão o seu desenvolvimento. São elas: • nem rigidez nem flexibilidade ao extremo, procurar adotar um ou outro, de acordo com a dinâmica de mudanças, e levando em consideração as circunstâncias em que deverão ser tomadas as decisões; • dar autonomia e aumentar o poder de decisão de lideranças, com o objetivo de incentivar o aparecimento de lideranças inovadoras na organização; • um forte compromisso com os valores, começando com os níveis superiores da empresa até os níveis mais baixos. Um estreito relacionamento entre os diferentes níveis, harmonizando a identidade do conjunto com os mesmos valores; • uma clara e firme orientação para a ação, cumprimento de metas estabelecidas. Mesmo em momentos de crise, quando se torna necessário um aumento de reflexão, não paralisar a organização, diminuindo sua objetividade; • toda e qualquer empresa tem como objetivo produzir algo, um produto ou serviço, que será consumido por um cliente. Portanto, este é o objetivo fundamental de toda empresa, a satisfação do cliente; • manter uma organização enxuta, simples, somente com o pessoal estritamente necessário, em que cada um compreende a parte do valor que agrega ao produto ou serviço e participa em sua administração; • manter intimidade com o negócio do qual faz parte e os seus pontos fortes e fracos, sabendo relacioná-los com as mudanças de conjuntura e com outros ramos de atividades. De acordo com Bernardes e Marcondes (2009), a cultura organizacional aborda questões amplas e complexas, possibilitando reflexões a respeito www.esab.edu.br 89 das organizações. Para esses autores, as organizações possuem uma cultura organizacional específica, uma vez que são formadas por grupos humanos com objetivos comuns e que compartilham certos valores. Saiba que, para os autores, as organizações são feitas de pessoas que utilizam ferramentas e práticas produtivas para transformar matérias- primas em bens comercializáveis por meio da divisão do trabalho e colaboração, e que, para sua eficiência, lançam mão de normas e procedimentos imbuídos de sentimentos, valores e rituais específicos de uma dada organização. Assim, no ambiente organizacional, o ser humano é privilegiado como um dos componentes fundamentais, por sua capacidade de elaborar estratégias e por se apresentar como parte integrante de um sistema social no qual estabelece relações complexas. Essas relações, dada sua importância, devem ser estudadas com cautela, a fim de compreender as funções de cada elemento que dela fazem parte e que, em conjunto, compõem um instrumento de poder, representado através de valores, crenças, normas, regras, mitos, linguagens, costumes e outras características estruturais da cultura das organizações (DIAS, 2008). Para Dias (2008), Edgard Schein é um dos mais brilhantes estudiosos do tema que estamos tratando nesta unidade, e é dele que toma emprestado o conceito de cultura organizacional que vamos apresentar para você. Assim, cultura organizacionalconsiste em um conjunto de premissas básicas, tais como conceitos, princípios, regras, formas de comportamento e soluções que foram estabelecidas e descobertas no processo de aprendizagem de solução de problemas de adaptação externa e integração interna e que, por funcionarem suficientemente bem, foram consideradas válidas e ensinadas aos outros membros da organização como a maneira certa de agir em relação a esses problemas (SCHEIN apud DIAS, 2008). Nesse contexto, torna-se importante que você compreenda que os diversos elementos que constituem a cultura influenciam o indivíduo e por ele são influenciadas, já que o indivíduo é capaz de refletir as visões de mundo de determinada cultura da qual faz parte. Disso decorre a constituição de uma identidade organizacional que se diferencia de www.esab.edu.br 90 outras identidades, já que são usadas como ponto de referência na formação de nossa própria identidade. Isso ocorre devido à internalização dos elementos formadores da cultura, como normas e valores compartilhados no processo de socialização. Esses elementos, após serem interiorizados, tornam-se parte integrante da identidade, pertencendo ao cotidiano dos indivíduos e diferenciando-os dos demais (DIAS, 2008). Para sua reflexão Após a leitura desta unidade, como você percebe a cultura organizacional da empresa em que atua ou a cultura do estado em que reside? Antes de seguir para a próxima unidade, pense um pouco sobre o conjunto de valores, padrões, hábitos e costumes que compõem a cultura em seu local de trabalho ou na comunidade onde vive. As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores. www.esab.edu.br 91 21 Subculturas e contracultura nas organizações Objetivo Discutir como a subcultura e a contracultura impactam as relações intraorganizacionais. O tema da cultura organizacional é bastante amplo e envolve muitas variáveis, tais como as subculturas e contraculturas. Para se obter uma compreensão melhor sobre esse tema tão importante para o estudos das organizações, como futuros administradores, precisamos entender a forma como os indivíduos e grupos se relacionam e entendem o mundo, para podermos, a partir deles, obter as mais criativas ideias para se atingir o sucesso organizacional. Assim, para Bernardes e Marcondes (2009), as sociedades e organizações não são homogêneas, já que apresentam uma diversidade de elementos diferentes entre si, como os ramos econômicos em que atuam, a região ou o país etc., o que faz com que existam grupos organizacionais que se comportem de maneira diferente, fato que caracteriza a existência de subculturas. Com isso, para Bernardes e Marcondes (2009), a subcultura consiste em ramificações dentro da cultura mais ampla. Por isso, há a necessidade de os gestores das organizações observarem as diferenças culturais na hora de contratar pessoas para trabalharem na organização ou na hora de fechar um negócio com estrangeiros, por exemplo. Você sabia que os japoneses são mais contidos nos cumprimentos de saudações e apresentações, e que geralmente se resumem a um aceno com a cabeça? Isso mesmo! Já nós, brasileiros, geralmente sentimos a necessidade de abraçar ou pelo menos dar um aperto de mão, não é mesmo? Lembre-se sempre que essas diferenças culturais precisam ser observadas para se evitar constrangimentos. www.esab.edu.br 92 Outro ponto a destacar é que os mesmos elementos da cultura são válidos para as subculturas, variando seu conteúdo no que diz respeito às normas, aos valores e às crenças de um grupo para outro e da cultura geral para as subculturas. Assim, perguntamos para você: como saber o que é cultura e subcultura? Bernardes e Marcondes (2009) nos dão a resposta: depende do interesse do observador. Podemos falar da cultura de um país, por exemplo, da cultura brasileira e as subculturas de suas regiões e estados; ou da cultura do Estado de São Paulo e a subculturas de suas cidades etc. Crença de uma sociedade O trabalho faz parte da vida do homem O trabalho o homem se realiza O trabalho dá poder e prestígio O trabalho é o meio para se obter coisas boas O trabalho serve para não morrer de fome O trabalho é o meio para o homem se desenvolver O trabalho só serve para ganhar dinheiro Crenças das subculturas de duas classes sociais Crenças de quatro “subsubculturas” Figura 8 – Exemplos de ramificação da cultura e das subculturas. Fonte: Adaptado de Bernardes e Marcondes (2009). Agora, cabe a pergunta: e quando temos uma situação em que ocorre a negação dos valores do grande grupo por um pequeno grupo nele inserido? Ora, novamente Bernardes e Marcondes (2009) dão a resposta: isso pode ser entendido como contracultura. www.esab.edu.br 93 Assim, para Castro (2010), a contracultura é o desvio dos padrões válidos para a cultura dominante, tendo por base outros valores, o que pode desembocar em uma cultura alternativa edificada por valores diferentes do que está posto pela cultura dominante. E dentro das organizações você saberia dizer qual a importância de se detectar e compreender as culturas, subculturas e contraculturas? O conhecimento, por parte do gestor, da cultura e subcultura organizacional torna-se fundamental no processo de tomada de decisão, já que saber como pensam os funcionários da organização, como dos departamentos de marketing, vendas, compras, financeiro, recursos humanos, é condição crucial para a elaboração de estratégias organizacionais para o cumprimento dos objetivos e do sucesso almejado. E as contraculturas, como são tratadas nas organizações? Qual o seu impacto? Ora, se a organização é formada por um conjunto de pessoas com objetivos comuns, se pressupõe que compartilhem de valores e crenças comuns, isso é o que sustenta a cultura organizacional. Para tanto, há a necessidade de certo consenso entre os indivíduos que atuam no ambiente organizacional. Nesse caso, quando há comportamentos desviantes e contraculturas, os gestores organizacionais procurarão administrar essas situações para minimizar seus impactos negativos sobre o grupo. É nessa hora que entra o controle organizacional sobre o desvio de comportamento. Sobre isso, Bernardes e Marcondes (2009) salientam que todo o grupo organizado dispõe de ferramentas de controle que visam a manutenção da ordem e a consecução dos objetivos almejados. Assim, o controle social consiste em um conjunto de práticas sociais, tais como crenças, costumes, hábitos, leis e instituições que objetivam a integração social dos indivíduos, o estabelecimento da ordem e a preservação da sociedade (CASTRO, 2010). Saiba que o controle social envolve valor, norma, vontade e ação, realizando-se no seio da sociedade em geral e das organizações em particular, por meio de usos, costumes e leis, com a atuação das instituições. www.esab.edu.br 94 E, nesse contexto, o que são os usos, os costumes, as leis e as instituições? Para Castro (2010), os usos são práticas sociais repetidas e, por isso, consideradas naturais. Os costumes são práticas consideradas indispensáveis pela sociedade e fazem parte das tradições sociais. Já as leis são formas de formalização do controle, são regras deliberadamente formuladas e impostas por autoridade competente, dispondo de força coercitiva. Por fim, as instituições consistem em órgãos de controle social que visam a determinados objetivos, contando com autoridade para sua efetivação. Todos os elementos até aqui citados fazem parte da organização e, portanto, contribuem para constituir a cultura organizacional, subculturas e contraculturas. Dito isso, cabe destacar que, em todos os grupos organizados, faz-se presente o controle, visando a manutençãodo sistema. Instaura-se a expectativa de que o comportamento dos membros do grupo atinja o ideal ou, pelo menos, convirja para ele. Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa. www.esab.edu.br 95 22 Ritos, rituais, heróis, símbolos, mitos, tabus e organizações Objetivo Compreender como os ritos, símbolos e mitos influenciam a cultura organizacional nos tempos modernos. Antes de iniciarmos esta unidade, é importante que você conheça o perfil das pessoas que compõe uma organização. Vamos lá? Para Freitas (1991), as organizações são constituídas por indivíduos muito diferentes entre si. Isso fica evidente em suas maneiras de ser, agir, pensar e sentir. Cada um tem um modo de atuar sobre o mundo e isso repercute na organização. Os indivíduos têm uma maneira padrão de se comportar no local de trabalho, e a organização, em contrapartida, também tem uma maneira própria de atuar na sociedade. A essa forma de atuação coletiva nas organizações se pode chamar de cultura organizacional. Assim, estudar a cultura é estudar os códigos compartilhados pelos indivíduos que dela participam. Com isso, a objetivação da cultura se dá, conforme Freitas (1991), por meio de seus elementos. Essa condição fornece aos membros da organização o direcionamento para os relacionamentos intraorganizacionais. A internalização dos elementos da cultura ocorre de várias formas, contudo, sempre mediadas pela linguagem, que lhe dá um caráter concreto, necessário para o entendimento entre os indivíduos. Nesse sentido, os elementos mais citados da cultura são, de acordo com Freitas (1991), os valores; as crenças; os ritos, os rituais e as cerimônias; os mitos; os tabus; os heróis; as normas; e os processos de comunicação. Vamos saber um pouco mais sobre cada um desses elementos? www.esab.edu.br 96 • Valores: são os elementos que constituem a identidade dos grupos uma vez que orientam comportamentos, sentimentos e outras condutas típicas de determinado grupo. • Crenças: o que é tido como verdade inquestionável na organização e seus problemas são resolvidos a partir dessa visão. • Ritos, rituais e cerimônias: as cerimônias e os rituais dão sentido às práticas de socialização aos indivíduos. Um exemplo disso são os prêmios e as honrarias, jantares, reuniões no âmbito das empresas que costumam exprimir os valores. O rito auxilia na compreensão da cultura das organizações, já que consiste em um conjunto de atividades que combina várias formas de expressão cultural. • Histórias e mitos: o mito é o elemento que auxilia o estabelecimento de comportamento valorizado nas organizações, já que possui como função a organização do sistema de valores, servindo de guia para os membros da organização compreenderem como as tarefas são realizadas no dia a dia da organização. • Tabus: esse elemento tem um importante papel. Os tabus são orientadores das condutas dos membros da organização, estabelecendo os limites do que é aceitável e destacando o aspecto disciplinar da cultura. • Heróis: os heróis organizacionais podem ser vistos como indivíduos que personificam o sistema de valores da organização e reforçam as crenças organizacionais. Além disso, os heróis podem ocupar posições por toda a escala hierárquica, mas frequentemente assumem papéis de gestores, constituindo-se em modelos a serem seguidos pelos demais membros da organização. • Normas: consiste no modo como a organização entende que as coisas devem ser feitas. As normas exercem grande influência sobre os membros da organização ditando-lhes os comportamentos esperados. É importante ressaltar que cada cultura possui sua própria maneira de fazer as coisas, ou seja, sua própria norma. • Processo de comunicação: as organizações são permeadas por diversas formas de comunicação. Isso porque suas culturas são criadas, sustentadas e transmitidas, por meio da socialização na qual www.esab.edu.br 97 as atividades são baseadas na troca de mensagens, orais ou não, e na interpretação que cada membro dá à mensagem recebida. Esse processo não apenas transmite informação, mas também define um significado para essas informações. Estudo complementar Nesta unidade, vimos alguns elementos da cultura que influenciam o comportamento dos indivíduos nas organizações. Para saber mais sobre esses elementos no contexto das empresas, acesse o artigo: “Estórias, mitos, heróis: cultura organizacional e relações de trabalho”, disponível clique aqui. Antes de seguir para a próxima unidade, gostaríamos de lançar uma pergunta: Você já parou para pensar que vivemos em um mundo cheio de regras e convenções e que elas já se encontram na sociedade mesmo antes de nosso nascimento? Mas por que elas são tão importantes? Veremos mais a esse respeito na unidade a seguir. www.esab.edu.br 98 23 Microssociologia organizacional: aspectos gerais Objetivo Estudar as relações interpessoais, os processos sociais e as interações ocorridas no seio de grupos organizados ou em situações não estruturadas. No final da unidade anterior lançamos uma pergunta sobre a importância das regras sociais, lembra? Essas regras sociais estão aí para tornar possível o convívio pacífico entre indivíduos e grupos com interesses distintos, contribuindo, sobretudo, para o processo de socialização. Muitos pensadores importantes – entre eles, Jacques Rousseau – diziam que as regras e as convenções sociais fazem parte do contrato social e que são formas de tentar preservar a liberdade natural do homem e, ao mesmo tempo, de garantir a segurança e o bem-estar da vida em sociedade. Para os gestores, também é importante refletir sobre o processo de socialização dos indivíduos e grupos no ambiente organizacional, já que tal fenômeno influencia a produtividade e contribui para as mudanças organizacionais. Sobre isso, Bernardes e Marcondes (2009) trazem um exemplo interessante: faz parte do imaginário centro-sul brasileiro que os trabalhadores de ascendência europeia (descendentes de italianos e alemães, por exemplo) são mais afeitos ao trabalho; já os descendentes de japoneses são vistos como mais introspectivos e obedientes; e os nordestinos aceitam com mais facilidade realizar trabalhos humildes. Esses exemplos ilustram que o processo de socialização não decorre de características inatas dos indivíduos, mas sim da aprendizagem sofrida desde a infância em seu ambiente cultural. Assim, de acordo com Bernardes e Marcondes (2009), por causa do processo de socialização, a busca da satisfação dos objetivos individuais varia conforme o tipo de influência da família e da sociedade sobre o indivíduo. A esse respeito, o gestor precisa estar atento, pois tem por www.esab.edu.br 99 função obter resultados que satisfaçam aos clientes, bem como dar condições para que os participantes trabalhem satisfeitos dentro do ambiente organizacional. A socialização é um processo no qual os indivíduos internalizam as práticas sociais de seu meio, integrando-as na estrutura de sua personalidade. Assim, de acordo com Bernardes e Marcondes (2009), várias são as conclusões que podem ser tiradas da noção de socialização. Vejamos algumas delas. • As diferenças culturais de um país se observam também entre os indivíduos. Assim, o que os brasileiros buscam satisfazer, trabalhando nas organizações, não é o que objetivam os japoneses, por exemplo. Isso explica, em parte, os muitos fracassos nas tentativas de transferir para o Brasil técnicas visando ao aumento da produtividade, a exemplo da Administração dos americanos e dos japoneses. • A cultura ramifica-se em sucessivas subculturas, o que sugere diferenças na socialização das várias classes sociais e profissionais. Por isso, um gerentede classe média, por exemplo, pode não entender as razões de a mão de obra não especializada desinteressar-se por cursos profissionalizantes com o fim de melhorar o padrão de vida. • Embora a socialização ocorra durante toda a vida, seu núcleo é fixado na infância, após a qual pode, no máximo, mudar nos aspectos mais superficiais. Por isso, o burocrata incompetente e de meia-idade que, por injunções políticas, é fantasiado em diretor ou presidente de empresa estatal, nunca se transformará em empresário. Isso por lhe faltar experiência administrativa e, sobretudo, por não ter motivação para os negócios, pois, caso a possuísse, já teria se destacado como dirigente em algum ramo econômico. O que você achou do pensamento de Bernardes e Marcondes (2009)? Você concorda com eles? www.esab.edu.br 100 23.1 Relações sociais estruturadas e não estruturadas e os grupos sociais De acordo com Castro (2010), as relações sociais estruturadas possuem objetivos definidos, já que caracterizam os grupos sociais formados para isso. Podemos citar como exemplos as relações sociais educacionais, culturais, políticas, religiosas, de trabalho, entre outras. Para o autor, essas relações possuem estabilidade e estrutura, e são orientadas por comportamentos baseados em valores e objetivos específicos controlados por normas e regras também específicas. Já as relações sociais não estruturadas são opostas às organizadas. São originadas por estímulos que atingem aos participantes de maneira individual, e não grupal, e os objetivos também se dão no nível do indivíduo. Como exemplo, Castro (2010) cita um grupo de colegas de serviço que vai ao cinema para se divertir. Para o autor, trata-se de relações sociais efêmeras e dotadas de imprevisibilidade. Podem ser denominadas também de fenômeno de massa: público e multidão. Sejam em grupos organizados ou não, o indivíduo, em cada grupo do qual participa, ocupa uma posição que lhe assegura direitos e lhe cobra deveres, sendo, conforme Castro (2010), o grupo social um conjunto de indivíduos associados por relações interativas. Existe dentro do grupo certo grau de homogeneidade entre seus membros no que se referem a pensamentos, sentimentos e ações. Os grupos podem ser formados espontaneamente ou contratualmente, como no caso dos grupos organizados chamados empresa. Para Castro (2010), a duração de um grupo é variável e depende dos objetivos de formação do grupo. Por exemplo, pode-se formar um grupo de jovens que visa dar auxílio educativo às crianças carentes na comunidade onde moram ou a formação de um grupo de amigos que se reúnam para ir ao cinema ou, no caso das organizações empresariais, a formação de grupos de trabalhos para executar projetos de negócios específicos. Provavelmente, você já fez parte de um grupo e, por algum outro interesse, também passou a fazer parte de um segundo grupo, não é mesmo? www.esab.edu.br 101 De acordo com Castro (2010), para que os grupos sociais e organizacionais aconteçam, é importante haver a coesão social, bem como a coerção social. Mas o que isso quer dizer? A coesão social depende da atração que o grupo exerce em função de duas características básicas: a) objetivos do grupo e b) as necessidades individuais de afiliação, reconhecimento e segurança, que podem ser obtidas por meio do grupo. Assim, quando ocorre o encontro das necessidades individuais dos membros do grupo com o objetivo mais amplo do grupo, encontra- se aí a coesão social. Já a coerção, trata-se de uma força emanada do grupo, das instituições, das autoridades e das organizações como uma fonte de poder capaz de impor um comportamento. A coerção visa o controle das ações do grupo formado para determinado fim. Nas organizações, é muito comum ter sanções para punir comportamentos desviantes, e, nessa hora, a atuação do líder é muito importante para conjugar as diferenças sociais e conduzir o grupo na consecução dos objetivos organizacionais. www.esab.edu.br 102 24 Microssociologia organizacional: relações intergrupais Objetivo Conhecer as interações entre grupos ocorridas dentro das organizações. Para falar de interação social, Bernardes e Marcondes (2009) nos trazem um exemplo bem corriqueiro. Eles propõem que pensemos na seguinte situação imaginária: um indivíduo sai do prédio onde reside e atravessa a cidade a pé dirigindo-se ao trabalho. Tanto os moradores do edifício onde mora quanto as pessoas que cruza com ele pelo caminho possuem objetivos diferentes, mas não mantem interações, embora percebam as presenças umas das outras. Essa situação narrada exemplifica uma agregação de indivíduos, mas não um grupo. Agora, imagine essa mesma pessoa descendo do ônibus e entrando na organização onde trabalha. Nessa nova situação, o indivíduo deixa de ser um desconhecido para tornar-se participante de determinado departamento, em que cada um tem funções a desempenhar. Note que dentro da organização os comportamentos passam a ser coordenados para alcançar resultados preestabelecidos pela cúpula dirigente, constituindo um grupo formal e secundário, por se tratar de uma coletividade estruturada por normas e regras da organização. Por fim, voltando à noite para casa, reúne-se depois do jantar com parentes e amigos para o jogo de cartas semanal, acompanhado de refrigerantes e petiscos. Nesse caso, a familiaridade de todos cria um grupo primário que, além disso, é um grupo informal, pela inexistência de normas escritas e de procedimentos. De acordo com Bernardes e Marcondes (2009), nas organizações é comum a existência dos chamados grupos formais, que são a reunião de um grupo de profissionais especializados para executar em conjunto determinadas tarefas com duração transitória. Por exemplo: um grupo www.esab.edu.br 103 de profissionais de marketing, propaganda e produção formado para o lançamento de um novo produto no mercado. Os grupos formais geralmente apresentam características específicas. Iremos apresentar para você as características no olhar de Bernardes e Marcondes (2009). Vejamos: • são criados pela alta gerência administrativa, tendo a finalidade de produzir resultados que satisfaçam as necessidades de sucesso da organização; • as metas individuais ficam em segundo plano em prol dos resultados alcançados pelo grupo, que concretiza a busca e o alcance dos objetivos pretendidos; • a estrutura do grupo é formalmente estabelecida e o grupo é coordenado por um gestor, em geral nomeado, embora haja casos em que sejam eleitos pelos colegas do grupo. Ainda conforme Bernardes e Marcondes (2009), em outro extremo configura-se o grupo informal, a exemplo das “panelinhas” dentro das organizações ou dos amigos que se associam. Suas características são quase opostas às do formal, observe: • é constituído por pessoas que se reúnem para atingir metas individuais em uma situação cooperativa ou convergente; • as fronteiras são determinadas pelos membros, que têm o sentimento comum ao de quem pertence ao grupo, razão pela qual sua permeabilidade é pequena, ao ponto de se usar a expressão de grupos fechados para aqueles cujas dificuldades impostas para a entrada de adeptos são extremadas, a exemplo de sociedades secretas; • a duração é determinada pelo atingimento das metas ou então pelo aparecimento da competição, motivo pelo qual as panelinhas se desfazem quando os membros se sentem ameaçados ou quando começam a se desentender; • a estrutura é estabelecida ao poucos pela diferenciação em especialidades e em prestígio, criando-se uma rede de comunicações caracterizada por simpatias e antipatias, destacando-se um membro www.esab.edu.br 104 com autoridade legitimada por seus pares na posição de coordenador e aceito como líder; • embora as variáveis de expressões de sentimentos e tecnologiasejam importantes, também têm lugar de destaque variáveis de preceitos, como apoio à garantia da estabilidade e coesão do grupo, definindo comportamentos obrigatórios e aceitáveis, punindo os comportamentos considerados reprováveis; • os principais clientes do grupo informal são seus próprios membros, pois o grupo foi criado exatamente para servi-los. Para Bernardes e Marcondes (2009), as características apresentadas são decorrentes do processo gerador de grupos autônomos capazes de elaborar elas mesmas sua própria estrutura e suas normas. A existência de grupos informais e as maneiras de agir de seus membros foram examinadas pela chamada Escola de Relações Humanas, na experiência de Hawthorne. Esse estudo mostrou que os grupos informais nem sempre eram disfuncionais, suprindo, muitas vezes, falhas do grupo formal. Na figura a seguir, você vai encontrar uma lista das principais diferenças entre grupo formal e grupo informal. www.esab.edu.br 105 Grupo formal da empresa Grupo informal de amigos Variáveis Grupo formal Grupo informal Funções Atender necessidades da organização Atender necessidades dos membros Estrutura Imposta em decorrência dos processos de produção de bens e serviços Autônomia em decorrência das simpatias e antipatias pessoais Fronteira Aberta para a troca de participantes Fechada para pessoas de fora Coesão Baixa pela predominância de metas coorientadas Alta pela predominância de metas cooperativas Figura 9 – Diferença entre grupo formal e grupo informal. Fonte: Adaptado de Bernardes e Marcondes (2009). 24.1 Grupos primários e grupos secundários De acordo com Bernardes e Marcondes (2009), a variável cultural expressão de sentimentos caracteriza o grupo primário, enquanto a variável tecnologia voltada para a produção de resultados para alcançar metas caracteriza o grupo secundário. Assim, o grupo primário é o da família, dos amigos ou o da “panelinha” formada na empresa, podendo também ser estendido às equipes esportivas e grupos de trabalho, ocasião em que a variável tecnologia é acrescentada à variável sentimentos. www.esab.edu.br 106 Nesse caso, se o grupo primário satisfaz a necessidade humana de compartilhar experiências, temores e esperanças de cada membro como pessoa, o mesmo não se pode dizer do grupo secundário. Neste último, os relacionamentos se caracterizam por serem impessoais, com menor expressão de sentimentos, motivo pelo qual tendem a ser mais racionais. São exemplos, as negociações entre duas pessoas em um balcão de loja, a convivência em clubes esportivos, associações e organizações onde se trabalha, nas quais as pessoas se mantêm distanciadas uma das outras (BERNARDES; MARCONDES, 2009). Saiba que os estudiosos do tema reconhecem que o grupo secundário é ineficaz para satisfazer muitas necessidades individuais, motivo pelo qual dentro dele surgem com naturalidade os grupos primários. Por isso, as organizações são consideradas grupos secundários formados por grupos primários. Nas organizações, há a alternância desses tipos de grupos para o alcance eficaz e eficiente do cumprimento da missão e dos objetivos organizacionais, que são, afinal de contas, a razão de ser da organização. Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 17 a 24. Para isso, dirija- se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! www.esab.edu.br 107 Resumo Nestas unidades, vimos como a cultura organizacional é, de maneira geral, um conjunto de crenças, normas, hábitos e valores que guiam o comportamento dos indivíduos, e que é de crucial importância que os gestores a conheçam profundamente, a fim de manterem suas organizações competitivas no mercado. Vimos que, além da cultura, há também suas ramificações em subculturas e contraculturas, fato que gera alguns conflitos a serem gerenciados dentro das organizações. Além disso, outro importante tema estudado diz respeito aos grupos sociais e organizacionais, que podem ser formais ou informais, e que seu conhecimento e gestão são importantes, já que são eles que executam as tarefas e as ações dentro das organizações na busca por cumprir os objetivos organizacionais. www.esab.edu.br 108 Glossário Adam Smith Foi um economista e filósofo escocês do século XVIII. Nasceu em 5 de junho de 1723 e faleceu em Edimburgo no dia 17 de julho de 1790. Smith tornou-se um dos principais teóricos do liberalismo econômico. Sua principal teoria baseava-se na ideia de que deveria haver total liberdade econômica para que a iniciativa privada pudesse se desenvolver sem a intervenção do Estado. A livre concorrência entre os empresários regularia o mercado, provocando a queda de preços e as inovações tecnológicas necessárias para melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o ritmo de produção. R Amitai Etzioni Grande pesquisador na área de organizações. Nasceu em 4 de janeiro de 1929, na Alemanha, e tem se destacado como um dos autores mais importantes da Abordagem Estruturalista, mais precisamente da Teoria Estruturalista da Administração. Sociólogo e professor das Universidades de Columbia e de George Washington (EUA) e membro do Instituto de Estudo de Guerra e Paz. R Amorfo Que não tem forma determinada. R Análise qualitativa É uma expressão utilizada nas ciências sociais para descrever técnicas de investigação que fazem uso de entrevistas em profundidade em que o entrevistador desenvolve conversas com seus pesquisados sem recorrer a estruturações prévias. R www.esab.edu.br 109 Analfabetismo É o desconhecimento do alfabeto, ou seja, a incapacidade de ler e escrever. De acordo com a Unesco, o analfabetismo diz respeito à pessoa que não pode participar de todas as atividades nas quais a alfabetização é requerida para seu pleno desenvolvimento no grupo e na comunidade de que participa. R Antagonismo Oposição, ação em sentido contrário, incompatibilidade. R Árvore e a floresta Trata-se de uma forma de visualizar os fenômenos sociais, seja a partir de uma visão macro, envolvendo todos os elementos da floresta, da sociedade etc. ou a partir de uma visão micro, envolvendo apenas uma árvore ou uma instituição da sociedade, como a empresa. Na análise macro, você amplia os objetos de pesquisa e os estuda mais superficialmente, já em uma análise micro, você escolhe um objeto para estudá-lo em profundidade. R Boom americano Foi um grande crescimento econômico assistido pelos Estados Unidos no início do século XX que causou muita euforia entre os empresários. É desse período que surgiu a famosa frase “American Way of Life” (Modo de Vida Americano), difundido mais tarde pelos filmes de Hollywood, causando uma disseminação pelo mundo do estilo de vida dos americanos. R Bronislaw Malinowski Nasceu em 1884, na Polônia, e faleceu em 1942. Foi um importante antropólogo que fundou a Escola Funcionalista. Malinowski desenvolveu um método etnográfico de investigação de campo, no qual se inseria na cultura local por um longo período de tempo para observar seus costumes e comportamentos. R www.esab.edu.br 110 Burguesia O termo tem origem dos mercadores que viviam nos burgos (cidades protegidas por muralhas), no fim da idade média, após o Feudalismo. Segundo Karl Marx, burguesia se refere à classe dominante da sociedade, são os chamados profissionais liberais e todos aqueles cujos interesses ou atividades estão ligados, de uma forma ou de outra, às altas esferas econômicas e às classes dirigentes. (Fonte: <http://www. dicionarioinformal.com.br/burguesia/>). R Cabedal Conjunto de bens que formam o patrimônio de alguém; riqueza, acervo. R Claude Lévi-Strauss (1908-2009) Foi umantropólogo, professor e filósofo francês. Nasceu em Bruxelas, no dia 28 de novembro de 1908, e faleceu na cidade de Paris, em 30 de outubro de 2009. Foi fundador da Antropologia Estruturalista, considerado o intelectual mais importante do século XX. Suas principais obras são a “Antropologia Estrutural”, “Tristes Trópicos” e “As estruturas elementares de parentesco”. R Coercitivo O mesmo que coagidos, forçados, obrigados. R Contracultura Conjunto de ideias, valores e comportamentos que se opõem ou se diferenciam dos comportamentos e dos valores dominantes de uma sociedade. (Fonte: <http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/ contracultura>). R www.esab.edu.br 111 Edgard Schein Nascido em 1928, nos Estados Unidos, teve contribuição significativa em muitos campos do desenvolvimento organizacional. Foi professor de Gestão e durante mais de 40 anos realizou suas pesquisas sobre a cultura empresarial, demonstrando sua relação com a liderança. Edgar Schein investiga cultura organizacional, o processo de pesquisa, dinâmica de carreira, e organização de aprendizagem e de mudança. Em seu livro “Na carreira de sobrevivência: papel estratégico trabalho e planejamento” (Pfeiffer, 1994), apresenta conceitos e atividades para gerentes e funcionários, com base em pesquisas nas quais relatou pela primeira vez em os conceitos de dinâmica de carreira. (Fonte: <http:// www.historiadaadministracao.com.br/jl/index.php?option=com_ content&view=article&id=84:edgar-schein&catid=10:gurus&Item id=10>). R Edward B. Tylor Nasceu em Londres, em 1832, e faleceu em 1917. Tylor foi um importante antropólogo britânico filiado à escola antropológica do evolucionismo social e é considerado o pai do conceito moderno de cultura. Para esse estudioso, a cultura humana é única, pois defende que os diferentes povos sofreram convergência de suas práticas culturais ao longo de seu desenvolvimento, ideia que não é consenso hoje em dia. Sua principal obra é “Cultura Primitiva”, escrito em 1871. R Escambo Troca de mercadorias por trabalho ou por outras mercadorias sem a mediação da moeda. R Estados Absolutistas Os Estados absolutistas existiram na Europa entre os séculos XV e XIX. A principal característica era a alta concentração do poder nas mãos de uma única pessoa, o rei. A decisão tomada pelo rei não podia ser modificada ou anulada por ninguém. R www.esab.edu.br 112 Ética protestante Trata-se de um estudo realizado por Max Weber sobre as origens do capitalismo que teve como foco o estudo sobre o protestantismo. O projeto de Weber foi evidenciar as coincidências existentes entre certas práticas religiosas protestantes e uma certa mentalidade econômica a que chamou de espírito do capitalismo, que valorizava a conduta que prega o trabalho árduo e a busca metódica do lucro, entendida como dever moral. R Expansionismo Consiste na expansão das fronteiras de um país além dos limites do seu território. R Exóticos Diz-se de algo que vem de fora, ou seja, não é originário do mesmo país; ou esquisito, extravagante. R Fábrica Estabelecimento industrial onde se transformam matérias-primas em produtos destinados ao consumo. R Força coercitiva Força que impõe obrigações, força que impõe penalidades. R Funcionalismo O funcionalismo é um ramo da Antropologia que pretende explicar aspectos da sociedade em termo de funções realizadas ou suas consequências para sociedade como um todo. R www.esab.edu.br 113 Henry Ford Nasceu em 30 de julho de 1863 e faleceu em 7 de abril de 1947. Ford foi um importante engenheiro americano que produziu seu primeiro automóvel em 1892. Na juventude, trabalhava na fazenda do pai, onde era o responsável pela manutenção dos motores dos tratores. Foi nessa época que desenvolveu o talento e o grande interesse pela engenharia automobilística. Ford tem grande importância para a Administração, pois é considerado o primeiro a implantar um sistema de produção em série, fato que barateou o custo de produção. Nesse modelo, o automóvel passava por uma esteira de montagem em movimento e os operários colocavam as peças. Logo, cada operário deveria cumprir uma função específica. O modelo de automóvel mais famoso produzido por Ford foi o modelo “T”, também conhecido como “Ford Bigode”. Esse veículo foi o mais vendido no final do século XIX. R Herbert Spencer (1820-1903) foi um filósofo inglês, um dos maiores representantes do positivismo na Inglaterra. É considerado o fundador da teoria do darwinismo social, em que as classes diferenciadas formariam a seleção natural na sociedade. Interessou-se por filosofia e pela evolução natural. Porém, diferente de Darwin, as preocupações do filósofo eram as questões sociais. Em seu livro “Estática social” (1851), abordou questões sobre o bem-estar social e suas condições. R Homo sapiens Homo significa “humano” e sapiens significa “saber”; surgiu há aproximadamente 200 a 150 mil anos, no leste da África. R Homonímia Trata-se de palavras iguais na forma, mas de origem, gênero e significados diferentes. R www.esab.edu.br 114 IDH O Índice de Desenvolvimento Humano tem o objetivo de ser um índice (número) que permite indicar e comparar a qualidade de vida da população de 177 países. Também pode ser calculado para um estado, município ou região. R Jacques Rousseau Nasceu em 1712, na Suíça, e faleceu em Paris, França, em 1778. Foi um dos mais importantes pensadores europeus no século XVIII. O pensamento de Rousseau influenciou as ideias da Revolução Francesa, já que pregava que a liberdade era o valor supremo do homem. Para Rousseau, os homens nasciam bons, a sociedade é que os corrompiam. Criticava a civilização, acusando-a de dissimulada e hipócrita. Sua obra mais importante foi o “Contrato Social”. R Meritocracia É um princípio que propõe que a mobilidade social dos indivíduos ou a ascensão na carreira seja baseada nos talentos e qualificações que eles possuem, e no quão apropriados esses talentos e qualificações são para uma determinada ocupação. Na meritocracia, constitui-se uma sociedade com uma hierarquia em que diferentes ocupações merecem diferentes recompensas, baseadas no reconhecimento desses talentos. R Metafísico A palavra metafísica possui origem grega e significa: meta – depois de, além de – e física – natureza ou físico –, e trata-se de um ramo da filosofia que se ocupa em estudar a essência do mundo. Pode ser definida como o estudo do ser ou da realidade e se destina a buscar respostas para perguntas complexas como: o que é realidade? O que é a vida? O que é natural? O que é sobrenatural? O que nos faz essencialmente humanos? R www.esab.edu.br 115 Métodos estatísticos Trata-se do uso de cálculos matemáticos para analisar uma grande quantidade de dados coletados por meio de aplicação de questionários a uma grande quantidade de pessoas. Um exemplo é a realização do senso demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas a cada 10 anos para saber a realidade socioeconômica do Brasil. R Morfológico Que vem de morfologia, em português trata-se da estrutura e da forma das palavras; em biologia, é a forma de um organismo ou parte dele. R Organizações sem fins lucrativos É uma entidade de direito privado, dotada de personalidade jurídica e caracterizada pelo agrupamento de pessoas para a realização e consecução de objetivos e ideais comuns, sem finalidade lucrativa. R Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs) Forma jurídica definida pela Lei nº 9790/99; são organizações sem fins lucrativos que se destacam pelo interesse público de suas atividades com objetivo social, como a prestação de serviços gratuitos; podem celebrar termos de parceria com o setor público. R Pejorativo O que possui uma carga negativa ouofensiva, que exprime sentido desagradável ou de desaprovação, de ordem psicológica ou social. R Positivismo O positivismo é a doutrina criada no século XIX, na França, por Augusto Comte. O positivismo corresponde a uma forma de entendimento do mundo, do homem e das coisas em geral por meio de leis que a ciência descobre e organiza e que a tecnologia permite aplicar, preferencialmente em benefício do ser humano. As leis existem nas várias categorias de fenômenos, que Augusto Comte resumiu em sete tipos: as matemáticas, as astronômicas, as físicas, as químicas, as biológicas, as sociais e as psicológicas. R www.esab.edu.br 116 Produção fordista É como se chama o modelo de produção automobilística em massa, desenvolvido por Henry Ford. Esse método, também conhecido por linha de montagem, consistiu em aumentar a produção por meio do aumento de eficiência e baixar o preço do produto, resultando no aumento das vendas. R Sancionadas Aprovadas, confirmadas, admitidas. Aceitar algo. R Sociologia da religião É uma disciplina que busca explicar as relações entre a religião e a sociedade. R Sociedades iletradas São comunidades, geralmente tribos, ou os chamados povos primitivos, em que os membros transmitem seus costumes e crenças de forma oral, já que não há um sistema de escrita. É importante ter em mente que uma sociedade iletrada não corresponde a uma sociedade em que há o analfabetismo; trata-se de coisas diferentes. R Subcultura Grupo minoritário com um conjunto de características próprias que formam uma subgrupo dentro de uma cultura maior. (Fonte: <http:// www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/subcultura>). R Tácitos Que não se exprimem formalmente; implícitos, subentendidos, consentimento tácito. R www.esab.edu.br 117 Taylorismo Trata-se de uma forma de produção, baseada em um método científico de organização do trabalho, desenvolvida pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor (1856-1915). Assim, em função dessa concepção, o trabalho industrial foi fragmentado, pois cada trabalhador passou a exercer uma atividade específica no sistema industrial. A organização foi hierarquizada e sistematizada, e o tempo de produção passou a ser cronometrado. R Tecnocrata Alto funcionário, cuja autoridade se baseia em conhecimentos teóricos dos mecanismos econômicos, os quais nem sempre levam em conta os fatores humanos e sociais. R Teológico Diz respeito à Teologia, ao estudo e ao conhecimento das religiões e das coisas divinas. R Teoria Geral dos Sistemas A Teoria Geral dos Sistemas (TGS) busca identificar as propriedades, os princípios e as leis características dos sistemas em geral, independentemente da natureza de seus elementos componentes e das relações entre eles. A TGS é uma teoria holística, ou seja, consiste na concepção de que todos os sistemas se compõem de subsistemas e seus elementos estão inter-relacionados. Isto significa que o todo não é uma simples soma das partes, e que o próprio sistema só pode ser explicado como uma globalidade (VIEIRA et al., 2005). R www.esab.edu.br 118 Toyotismo Trata-se de um sistema de produção criado no Japão após a Segunda Guerra Mundial. O sistema ficou assim conhecido porque foi aplicado na fábrica da Toyota. O toyotismo possui como características principais o uso de mão-de-obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa. Possui também um sistema flexível de mecanização, voltado para a produção somente do necessário, evitando ao máximo o excedente. A produção deve ser ajustada à demanda do mercado. E, possui um rigoroso controle de qualidade dos bens produzidos. R Variáveis situacionais São os diversos elementos do mundo social que contribuem para constituir uma determinada situação, que sempre se modifica em virtude de acontecimentos novos. Por exemplo, em se tratando de liderança, espera-se que o líder saiba atuar de formas diferentes perante as diversas situações que possam surgir no ambiente em que a empresa atua. R www.esab.edu.br 119 Referências BERNARDES, C. Sociologia aplicada à administração. São Paulo: Saraiva, 2003. BERNARDES, C; MARCONDES, R. C. Sociologia aplicada à administração. São Paulo: Saraiva, 2009. BRASIL. Decreto 200/67. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm>. Acesso em: 15 ago. 2012. CASTRO, C. A. P. Sociologia aplicada à administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ______. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2002. COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2011. DIAS, R. Sociologia das organizações. São Paulo: Atlas, 2008. ETZIONI, A. História da Administração. Disponível em: <http://www. historiadaadministracao.com.br/jl/index.php?option=com_content&view=article &id=146:amitai-etzioni&catid=10:gurus&Itemid=10> Acesso em: 10 ago. 2012. ______. Organizações modernas. 7. ed. São Paulo: Pioneira, 1984. FREITAS, M. E. Cultura organizacional: formação, tipologias e impacto. São Paulo: McGraw-Hill, 1991. GIDDENS, A. Sociologia. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. JUSBRASIL. Organizações da sociedade civil de interesse público. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/293287/organizacoes-da-sociedade- civil-de-interesse-publico>. Acesso em: 10 ago. 2012. www.esab.edu.br 120 LOYOLA, P. R. G. Valor e mais-valia: examinando a atualidade do pensamento econômico de Marx. Revista de Filosofia Argumentos, a. 1, nº 2, 2009. MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE - Senso demográfico 2000. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ home/presidencia/noticias/20122002censo.shtm>. Acesso em: 10 ago. 2012. MOTTA, F C. P.; VASCONCELOS, I. F. G. Teoria geral da administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. VIEIRA, E. M. et al. Teoria Geral dos Sistemas: Gestão do conhecimento e educação a distância. Revista de Ciências da Administração, UFSC, v.7, nº14, jul./dez.