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ANESTESIOLOGIA VETERINÁRIA
ANESTESIA
É a obtenção de um estado reversível de não reconhecimento do estímulo doloroso pelo córtex cerebral. Pode ser generalizada ou localizada. É uma insensibilidade reversível ao paciente. 
Anestesia geral: É a perda da consciência, caracterizada por depressão controlada e reversível do SNC. Os anestésicos gerais deprimem o córtex cerebral, levando o paciente à inconsciência. O Propofol em doses baixas causa uma sedação, com uma dose ideal leva a anestesia e inconsciência. Uma dose superior levará ao coma, e muito maior levará a morte do paciente. 
Anestesia loco-regional: É a produção de insensibilidade de uma área específica do corpo, devido a interrupção da condução nervosa pelos nervos sensitivos dessa região. 
Anestesia dissociativa: É o estado de anestesia em que o animal está dissociado do ambiente. Há uma interrupção da neurotransmissão no nível talâmico, mas a atividade do córtex cerebral é mantida. Causa uma analgesia e “desligamento” do paciente, sem perda dos reflexos protetores. Há uma rigidez muscular dos membros locomotores (catalepsia). Essa anestesia é proporcionada através do uso da Cetamina ou Tiletamina. O uso destes fármacos deverá ser associado a outro fármaco, como no caso da Tiletamina associada ao Diazepam que é um relaxante muscular. Os anestésicos dissociativos não são recomendados para cirurgias de cavidades, pois sentirá dor. Não fornecem analgesia. Para o animal não se lembrar do que ocorreu, é recomendado usar um fármaco hipnótico. É a única anestesia que permite a administração por via intramuscular. 
Analgesia: É a perda da percepção e ausência de resposta ao estímulo doloroso. Não há alteração da consciência. Os fármacos utilizados para esta modalidade são os opioides, como a morfina, por serem potentes. Eles são analgésicos por proporcionarem efeito de analgesia, mas não provocando a perda de consciência. 
Hipnose: É o estado de sono profundo promovido artificialmente, resultando em moderada depressão do SNC em que o paciente pode ser prontamente despertado. Os anestésicos não possuem reversores, que ocupam os receptores do fármaco anestésico, possibilitando um despertar imediato do paciente. 
Tranquilização: Há depressão do hipotálamo e sistema reticular. Possui estado de relaxamento e calma, sem sonolência ou perda da consciência. O animal responde à manipulação. Um exemplo de fármaco tranquilizante é a Acepromazina (Acepram®). 
Sedação: Há depressão do córtex cerebral, acompanhado por discreta sonolência. O animal responde com menor intensidade à dor e manipulação. 
Narcose: Estado de profunda sedação, em que o animal não está em sono artificial, mas completamente desligado do ambiente que o cerca. 
Neuroleptoanalgesia: Estado de narcose a profunda analgesia. É uma potente sedação com uma potente analgesia. É utilizada para a realização de procedimentos como sutura de pele, remoção de nódulos superficiais, realização de radiografias. Pode usar-se a Xilazina/Benzodiazepínico/Acepromazina associado à um opioides (Morfina). 
Anestesia cirúrgica: É a anestesia geral com miorrelaxamento e analgesia suficientes para qualquer intervenção cirúrgica. Também é conhecida como Anestesia Balanceada, devido à associação de fármacos anestésicos/analgésicos, para compensar efeitos adversos. Um exemplo é a anestesia com um anestésico geral associado a um analgésico.
Preparação do paciente
Jejum: 
	ESPECIE
	TEMPO
	Pequenos animais
	Sólidos: 8-12h
Líquidos: 1-2h
	Equinos
	S: 12-18h
L: 2-4h
	Bovinos
	S:24-48h
L:12-24h
	Ovinos e caprinos
	S:24h
L:12h
Evitar jejum em filhotes e espécies de metabolismo elevado. Nunca induzir o animal ao vômito antes da anestesia: nunca se sabe se esvazia o estômago.
Banho/escovação de pelos
Remoção de ferraduras para não lesionar o animal pós recuperação de anestesia
Lavagem da cavidade oral para retirar restos de alimentos
Correção fisiológica, como desidratação, hipotensão, hemorragias, dispneia, anemias, febre e sepse. 
FLUIDOTERAPIA:
É a correção da desidratação aparente nos animais. 
Necessidades diárias:
Cães: 40mL/kg/dia
Gatos: 60mL/kg/dia
Grandes animais: 50-100mL/kg/dia
As perdas já ocorridas significam a porcentagem de desidratação do animal.
Perdas gastrointestinais:
Vômito: 40mL/kg/dia
Diarreia: 50mL/kg/dia
Ambos: 60mL/kg/dia
Período trans-anestésico
	PROCEDIMENTO
	VOL. DE ADM.
	Proced. Não cruentos
	2-5Ml/kg/hora
	Trauma cirúrgico mínimo
	5Ml/KG/HORA
	Trauma cirúrgico moderado
	10 ML/KG/HORA
	Trauma cirúrgico extenso
	15ML/KG/HORA
VOLUME DE ADMINISTRAÇÃO É PROPORCIONAL À PERDA SANGUINEA.
Pré-oxigenação: pacientes com dispneia e gestantes
Preparação específica do paciente:
Avaliação pré-anestésica
Jejum
Estabilização fisiológica
Posicionamento
Monitoração
Custo
Preencher ficha anestésica
**nunca deixar aves em decúbito lateral**
MEDICAÇÃO PRÉ ANESTÉSICA (MPA)
Objetivos:
Auxiliar na contenção do paciente
Promover relaxamento muscular
Reduzir dor e desconforto
Reduzir o estresse
Reduzir secreções (de vias aéreas e salivação)
Prevenir ou suprimir o vomito e a regurgitação
Minimizar efeitos adversos de fármacos administrados conjuntamente
Promover indução e recuperação suaves
Potencializar a ação dos anestésicos
Adjuvantes de anestesia local
Indução anestésica: “estado consciente p/inconsciente” Ex: propofol.
Estadios da anestesia: 
Excitação
Estado cirúrgico
Coma
MPA+ tiopental: +/- 12mg/kg \/ 
Sem MPA: 25mg/kg reduz efeitos deletérios
Escolhas dos fármacos:
Anamnese e exame clínico do paciente: verificar estado geral do animal, doenças intercorrentes e seu temperamento;
Tipo de procedimento;
Variação de doses a partir das condições fisiológicas e associações medicamentosas.
GRUPOS FARMACOLÓGICOS:
ANTICOLINÉRGICOS: atropina, escopolamina, glicopirrolato (aumentam frequência cardíaca).
OPIOIDES: morfina, tramadol, meperidina, fentanil (fazem boa analgesia).
BENZODIAZEPINICOS: Diazepam, midazolam (ansiolíticos, anticonvulsivantes) 
TRANQUILIZANTES: fenotiazínicos, butirofenonas (usados em suínos) 
AGONISTAS ALFA 2 ADRENÉRGICOS: xilazina, romifidina, dexmedetomidina (sedação) (cardiopatas não podem usar, causa arritmia).
Cetamina e acepromazina: fármacos que diminuem limiar de convulsão.
AULA PRÁTICA:
Formula: DOSE FINAL = PESO x DOSE
(PESO: kg, DOSE: mg/kg)
*para administração de comprimidos*
Exemplo: Cão de 10kg. Enrofloxacina: dose: 5mg/kg
10 x 5 = 50mg BID
Se um comprimido tem aprox. 150mg, divide-se o comprimido em 3; 1/3 de comprimido para o cão.
DOSE FINAL EM mL:
DOSE FINAL = PESO x DOSE/CONCENTRAÇÃO
*adm de fármacos na formula líquida*
(Peso: kg; Dose: mg/kg; []: mg/mL)
Ex: Tramadol 100mg/mL para um gato de 2,7kg
2,7x5/100 = 0,135mL
Então,
 1mL – 40 gotas
 0,14mL – x
Isso dá aproximadamente 5,6 gotas.
Ex 2: Diazepam – dose: 0,2 – 1mg/kg -> 0,5mg/kg.
[ ]: 5mg/mL ou 10mg/2mL = 5mg/mL
Gato de 4,8kg
4,8x0,5/5= 0,48 mL.
Ex 3: Atropina. (decorar dose: 0,04 mg/kg)
Gato de 3,45kg 
Dose: 0,04
Concentração: 0,25 ou 0,5 ou 1% (10mg/mL)
3,45x0,04/0,25 = 0,552 mL
3,45 x 0,04/0,5 = 0,276 mL
3,45 x 0,04/10 = 0,0138 mL
GRUPOS FARMACOLOGICOS:
Avaliação pré anestésica
ASA (1,2,3,4,5)
Protocolo pré anestésico
ANTICOLINÉRGICOS:
Mecanismo de ação: ATROPINA: bloqueia Ach em receptor muscarínico (parassimpaticolítico). Efeito sistêmico.
Ach no coração reduz a frequência cardíaca – Atropina previne bradicardia.
TGI: Ach estimula motilidade – Atropina reduz motilidade (não pode ser usada pois previne vomito)
Brônquios: Ach faz bronco constrição – atropina causa broncodilatação em equinos!
Pupila: Ach causa miose – atropina causa midríase.
Produção lacrimal e salivar: Ach aumenta fluxo e atropina reduz fluxo.
Em cardiopatas, tem efeito deletério.
Aplicação clínica:
Prevenção da bradicardia: 
Tratamento da bradicardia (0,04mg/mL)
Redução da salivação e secreções do trato respiratório.
Sistema cardiovascular:Bloqueio do tônus vagal: taquicardia sinusal; ação quase nula sobre a pressão arterial (pois vaso não tem receptor muscarínico – por isso aumenta frequência cardíaca, sem alterar força de contração do miocárdio)
Pode produzir arritmias cardíacas.
Sistema respiratório: 
Broncodilatação: aumento do espaço morto, anatômico e fisiológico
Aumento da viscosidade de secreções (evitar em bovinos, pode causar atonia ruminal, timpanismo...)
Sistema Digestório:
Reduz secreções
Reduz motilidade
Redução do tônus do esfíncter esofágico
Evitar administrar em ruminantes e equinos.
Outros efeitos:
Midríase: relaxamento da musculatura do esfíncter da íris e ciliar da lente
Exceção das aves!!
Relaxamento da musculatura lisa do trato urinário -> retenção urinaria e oligúria.
Farmacocinética:
Período de latência: 3-15min (depende da via de adm.)
Período de ação: 1h
Ampla distribuição: atravessa SNC, placenta (efeito deletério no feto – cuidar gestantes), leite.
Biotransformação: cão: hepática (30-50% sem biotransf.); Leporinos e roedores: esterases hepáticas (max 30min) Atropinaesterase: aceleração do metabolismo e eliminação.
Excreção: URINA
POSOLOGIA:
Atropina: 0,02 – 0,04mg/kg – subcutânea, intravenosa, intramuscular e intratraqueal (p/reanimações)
Escopolamina: buscopan. 0,01 -0,02mg/kg. SC/IM/IV
Glicopirrolato: 0,01mg/kg SC/IM/IV (equinos)
Neostigmina: 0,05kg/IV. Antagonista reversível da enzima colinesterase.
OPIOIDES:
Mecanismo de ação: 
Ligação a receptores do SNC e medula espinhal;
Alteram a nocicepção e a percepção da dor. – efeito analgésico!!!
Mi: analgesia, depressão respiratória, sedação/euforia, dependência física. Morfina é a mais potente.
Kappa: analgesia, sedação/disforia (cunho visual mais fraco) – butorfanol.
Delta: analgesia, depressão respiratória. (Muito potentes!!!)
Exemplos:
Tramadol: inibe a captação de serotonina (0,1 a potencia da morfina – muito fraco).
Butorfanol: ótimo analgésico para equinos e aves (+++kappa) agonista antagonista.
Naloxona: antagonista- usada em superdosagem de morfina, bloqueia todos os receptores opioides (utilizar fármacos que não possuem receptores opioides, como antinflamatórios). Período de ação: 1h.
Aplicação clinica:
Analgesia, sedação, neuroleptoanalgesia (profunda sedação + profunda analgesia)
Reduzem as doses de anestésicos gerais, não há perda da propriocepção ou consciência. 
SNC:
Equinos/felinos/suínos tem efeitos excitatórios, com ativação da neurotransmissão e aumento da liberação de dopamina.
Cães: sedação
Redução do estresse e ansiedade resultantes da dor.
Sistema cardiovascular:
Alterações dependentes da dose e via de administração. Doses clinicas: manutenção da contratilidade cardíaca e tônus vascular.
Inibição do tônus simpático cardíaco (bradicardia ou hipotensão, doses elevadas ou via IV)
Hipotensão e vasodilatação: liberação de histamina pelos mastócitos, broncoespasmo e prurido; adm via IV: morfina. meperidina (não podem ser adm via IV).
Sistema Respiratório:
Depressão dose-dependente;
Causa primaria de mortalidade por overdose em humanos
Diminuição da resposta dos centros respiratoriosà elevação de CO2 sem mecanismo compensatório.
Atividade antitussígena -> ação sobre o reflexo da tosse.
MORFINA:
Alta afinidade ao receptor mi. Farmaco de eleição para tratamento de dor severa. 
SNC: depressão: no homem, macaco e cães. Disforia e excitabilidade: felinos, suínos, equinos, caprinos, ovinos e bovinos.
TGI: náusea e vômitos; constipação intestinal (curto período de ação +/- 4h)
Sistema Urinário: retenção urinária se via epidural.
Cavalos podem usar sim morfina, pois o período de ação é curto e não causa cólicas.
Evitar morfina em cistotomia, devido à retenção urinaria (epidural!) mas pode ser usada por outras vias.
Biotransformação: hepática
Excreção: urina e fezes
DOSE:
VIA SC/IM 0,3-1mg/kg -> analgesia de 4-6h
Via epidural: 0,1mg/kg -> analgesia de 12 a 24h (período de latência de 40min a 1h)
Adm IV: liberação de histamina!!!!
Doses elevadas: bradicardia, hipotensão e depressão respiratória. 
MPA: acepromazina: 0,1mg/kg
 Morfina: 0,5mg/kg 
Tranquilizantes, usado intramuscular.
EPIDURAL: morfina: 0,1mg;/kg usada em pós operatório.
MEPERIDINA:
Agonista mi
25% da potencia da morfina
Adm IV: aumento da liberação de histamina (maior que da morfina)
Cães: 2-5mg/kg IM -> analgesia de 1,5h -2h
Gatos: 2-10mg/kg IM -> analgesia de 1,5h
Equinos: 2-3mg/kg IM -> analgesia de 30min.
É um medicamento pouco usado em veterinária. Usa-se muita dose para ser equipotente à morfina. 
Seu metabolismo ocorre no plasma. Bom para hepatopatas, neonatos e geriatras.
FENTANIL:
Agonista mi
50 a 100x mais potente que a morfina;
Via intravenosa: Não causa liberação de histamina; é um fármaco de eleição para período trans-anestésico; Em adm. Rápida: apneia e bradicardia.
Equinos: produz excitação, então deve ser evitado! 
VIA SC/IM/IV: 1-5microgramas/kg -> analgesia de 20 a 30min (pode fazer gotejamento na fluido terapia)
Pode ser usado em patches (via transdérmica). Latência de 24h e analgesia por 72h.
TRAMADOL:
Análogo sintético da codeína. Tem afinidade por receptores mi e fazem inibição neuronal de noradrenalina e serotonina.
10x menos potente que a morfina
Menor incidência de alterações cardiorrespiratórias, praticamente isento de efeitos colaterais.
Não causa dependência física
Via oral/SC/IM/IV: 1-5mg/kg -> analgesia de 6 a 8h.
Como pode ser adm via oral, pode haver a manutenção da analgesia em casa.
Venda liberada em agropecuárias e farmácias. 
BUTORFANOL:
Agonista antagonista: agonista kappa e antagonista mi
10x mais potente que a morfina – em relação a ligação aos receptores (-potente)
Efeito analgésico menos intenso
Melhor analgesia visceral
Menor depressão respiratória
Grande efeito sedativo
Apresenta efeito teto – analgesia
Cães: 0,05-0,5mg/kg SC/IM/IV -> analgesia de 2h
Gatos: 0,1-0,4 mg/kg IM -> analgesia de 45min
Equinos: 0,02 mg/kg IM/IV: analgesia de 4,5h
NALOXONA:
Antagonista opioide
Liga-se fortemente a todos os receptores opioides com maior afinidade a receptores mi
Aplicação clinica: reversão dos efeitos dos agonistas opioides: sedação, depressão respiratória, e analgesia.
Período de ação: 1h
SC/IM/IV: 0,04-1mg/kg
DOSE BOLUS + INFUSÃO INTRAVENOSA CONTÍNUA.
“Bolus em medicina refere-se à administração de uma medicação, com objetivo de aumentar rapidamente a sua concentração no sangue para um nível eficaz. “