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Resumo correntes geográficas

Resumo sobre correntes do pensamento geográfico: aborda a Nova Geografia (Geografia Quantitativa), Geografia Humanística, Idealista e Radical/Crítica, suas bases filosóficas, métodos e enfoque na organização espacial e nas relações sociedade-natureza.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ - CAMPUS DE CAMPO MOURÃO 
RESUMO SOBRE AS CORRENTES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO -
A CONSTRUÇÃO DA GEOGRAFIA COMO CIÊNCIA DO AUTOR MARCIO MENDES ROCHA
Resumo sobre as correntes do pensamento geográfico 
As ideias da Nova Geografia começaram a ganhar enfoque durante a década de cinquenta, inicialmente proposta por Manley. A nova abordagem está relacionada às consequências e transformações ocasionadas pela Segunda Guerra Mundial em diversos campos (científico, tecnológico, social e econômico). A Nova Geografia procurou posicionar a Geografia num contexto cientifico global, trazendo maior rigor na aplicação da metodologia científica, contribuindo então na nova perspectiva da produção do espaço geográfico.
O trabalho geográfico deve então contribuir de modo satisfatório na organização espacial de forma que atenda as necessidades humanas. É necessário que esteja relacionado aos procedimentos de verificação propostos pela metodologia científica. Dessa forma, os geógrafos passaram a se interessar pela filosofia e ciência a fim de conhecer mais elementos relacionados à metodologia. A Nova Geografia procurou trabalhar o desenvolvimento de teorias relacionadas a distribuição e arranjo espacial dos fenômenos, ou seja, como os fenômenos são distribuídos no espaço geográfico. O espaço geográfico seria então categoria de analise geográfica e a superfície terrestre, objeto de estudo.
Outra característica dessa corrente do pensamento geográfico é o uso de técnicas estatísticas e matemáticas, denominando então de Geografia Quantitativa. As técnicas são ferramentas para o geógrafo em sua análise, porém só utiliza-las e não conhecer realmente o problema, ou não ter apoio teórico, não caracteriza um trabalho como geográfico. Deste modo, é necessário o uso de teorias, que auxiliam no estudo do problema, o geógrafo necessita de um modelo como instrumento de trabalho na análise da organização espacial, não se prendendo ao uso de modelos por si mesmo, mas como um auxílio para compreender o verdadeiro problema.
Em relação à Geografia Humanística, esta utiliza como filosofia a fenomenologia, que se preocupa em analisar aspectos dos objetos da consciência do sujeito, de como o indivíduo conhece a natureza dos objetos. A experiência vivida pela individuo então é essencial nessa corrente. O espaço é então um contexto nessa corrente da Geografia, pois ela valoriza a experiência do indivíduo e sua maneira de sentir os diversos lugares, ou seja, cada indivíduo possui uma visão diferenciada do mundo, enfocando atitudes, valores e sentimentos na organização do espaço. Dessa forma, estudar o espaço significa então analisar sentimentos e ideias que o individuo faz dele. Yi-Fu Tuan (1974) aborda que na perspectiva humanística o espaço e o lugar assumem características distintas. Há a valorização no contexto ambiental, onde o grupo e o lugar estão entrelaçados. 
A Geografia Idealista valoriza a compreensão das ações envolvidas nos fenômenos, ou seja, o pensamento subjacente a essas ações. De acordo com Guelke (1975), o geógrafo idealista procura interpretar os padrões da paisagem através dos princípios e pensamentos dos indivíduos que de certa forma criaram esses padrões. Outra característica muito importante dessa corrente é que o geógrafo idealista se interessa pela forma com que a ação se desenvolve. Nessa concepção só é possível entender o desenvolvimento da paisagem ao ser revelado o pensamento por trás dessa, ou seja, fornecer um relato verdadeiro e sua explicação.
A Geografia Radical ou Crítica se fundamenta no materialismo histórico dialético e visa espacializar os processos sociais, analisando de forma crítica a relação entre natureza e sociedade. Pesquisadores como David Harvey, David Smith, Yves Lacoste, Richard Peet, Milton Santos e outros deram suas contribuições para firmar essa nova corrente. Um dos objetivos da Geografia crítica é ultrapassar a Nova Geografia, pois considera esta como alienada, focada somente em estudar os padrões espaciais e não os problemas existentes na sociedade.
Uma das características da Geografia crítica é avaliar primeiramente os processos sociais integrando também os espaciais no estudo da realidade. Seu foco está em analisar os modos de produção e as formações socioeconômicas como parte do espaço geográfico. Percebe-se a filosofia marxista como base nessa corrente. 
De modo geral, a Geografia crítica propõe uma transformação radical na sociedade capitalista, tratando dos diversos problemas que a atual sociedade está impregnada. É dada ênfase ás lutas de classes, pobreza, desigualdades e injustiças sociais, problemas ambientais e urbanos ambiental, entre outros. Outro ponto que merece ser destacado é que a Geografia Radical surgiu nas sociedades capitalistas, já que já que os problemas socioespaciais são característicos dessas sociedades. Mesmo se diferenciado quase totalmente da Nova Geografia, em um aspecto elas são parecidas, as duas são elementos para um objetivo político predeterminado.
REFERÊNCIAS
ROCHA, M. M.. A construção da Geografia como ciência. In: Angela Maria Endlich; Marcio Mendes Rocha; Maria Eugênia Costa Ferreira. (Org.). Apontamentos geográficos I. 1 ed. Maringá: PGE Editora, 2011, v. 1, p. 9-38.
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