Resumo  Direito Administrativo II
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Resumo Direito Administrativo II

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Resumo da Matéria 
\uf0b7 Bens Públicos 
Conceito Legal: O art. 98 do Código Civil afirma que \u201csão bens públicos os bens do 
domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os 
outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem\u201d. Todavia, para 
entender esse conceito por completo é necessário conjugá-lo com o art. 41 do mesmo 
diploma legal, \u201cSão pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, 
o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias, inclusive as 
associações públicas; V - as demais entidades de caráter público, criadas por lei...\u201d. 
Há na doutrina quem defenda a ampliação do conceito de Bens Públicos além do previsto 
legalmente, com base no princípio da indisponibilidade do interesse público. 
Conceito Doutrinário: adotando um ponto de vista intermediário, Celso Antônio Bandeira 
de Mello entende que são bens públicos todos os que pertencem a pessoas jurídicas de 
direito público, bem como os que estejam afetados à prestação de um serviço público. 
Essa conceituação é, segundo nosso juízo, a mais coerente à luz do direito positivo 
nacional por incluir no conceito de bens públicos, reconhecendo-lhes um especial 
tratamento normativo, os bens pertencentes a pessoa jurídica de direito privado, estatal 
ou não, indispensáveis para a continuidade da prestação de serviços públicos, como 
ocorre com parcela do patrimônio de empresas públicas, sociedades de economia mista, 
concessionárias e permissionárias de serviços públicos. Os bens afetados à prestação de 
serviços públicos, mesmo que não pertencentes a pessoas jurídicas de direito público, 
possuem alguns atributos exclusivos dos bens públicos, como a impenhorabilidade, 
circunstância que reforça o entendimento de que os bens afetados constituem 
verdadeiros bens públicos. 
O que difere o bem público do privado é que o bem público só se disponibiliza se a 
legalidade assim o permitir. Não há autonomia privada da vontade. 
Os bens pertencentes da Pessoa Jurídica de Direito Privado usados pela atividade da 
adm. Pública também serão bens públicos, segundo entendimento doutrinário. Ex.: 
Sociedade de economia mista. A Pessoa Jurídica de Direito Privado pertencente a Adm. 
Pública (Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista) para consecução de atividade 
ou serviço público, quando deixa de existir, os seus bens irão para o ente que 
descentralizou a atividade. 
Mas e os particulares que colaboram com a administração pública? Ex: Concessionária 
de ônibus. Eles não estão \u201cdentro\u201d da Adm. Pública, está \u201cfora\u201d, colaborando via contrato 
(licitação), como fica o bem? Maffine diz: Eles não serão públicos, mas enquanto 
estiverem afetados para a consecução de atividade pública, serão dados a eles as 
características de \u201cRegime Jurídico Diferenciado\u201d, apesar de eles não serem públicos. Um 
dos exemplos é a \u201cimpenhorabilidade em execução forçada\u201d. O bem não deixa de ser 
particular, mas recebe características diferenciadas. 
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Classificação quanto à destinação: O Código Civil trata expressamente dos bens 
públicos quanto à sua forma de utilização no art. 99, em seus incisos¸ dividindo-os em: 
\uf0b7 I \u2013 os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
Exemplos de bens públicos de uso comum do povo: as ruas, as praças, os 
logradouros públicos, as estradas, os mares, as praias, os rios navegáveis, 
etc. Em regra são colocados à disposição da população gratuitamente, porém 
nada impede que venha a ser exigida uma contraprestação, bem como uma 
remuneração, por parte da Administração Pública, como por exemplo, ao ser 
cobrado a tarifa de pedágio nas estradas rodoviárias. 
\uf0b7 II \u2013 os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, 
inclusive os de suas autarquias. Exemplos de bens públicos de uso especial: 
todos os edifícios públicos onde se situam repartições públicas (os prédios do 
Executivo, do Legislativo e Judiciário); as escolas; as universidades; as 
bibliotecas; os hospitais; os quartéis; os cemitérios públicos; os aeroportos; os 
museus; os mercados públicos; as terras reservadas aos indígenas; os veículos 
oficiais; o material de consumo da administração; os terrenos aplicados aos 
serviços públicos; 
\uf0b7 III \u2013 os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de 
direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas 
entidades. Meramente patrimonial, sem função comum ou especial. Exemplos 
de bens dominicais: as terras devolutas e todas as terras que não possuem 
uma destinação pública específica; os terrenos de marinha; os prédios públicos 
desativados; os móveis inservíveis; a dívida ativa, etc. 
Definição da inalienabilidade dos bens de uso comum e de uso especial: art. 100 do 
Código Civil: \u201cOs bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são 
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar\u201d. A 
citada norma permite concluir que os bens de uso comum do povo e os de uso especial 
não podem ser alienados, exceto se houver uma alteração de sua qualificação na forma 
que a lei determinar. Isso porque os bens de uso comum e os de uso especial, em 
princípio, são passíveis de conversão em bens dominicais, por meio da desafetação, e, 
uma vez desafetados, é permitida sua alienação, nos termos definidos pela legislação. 
Todavia, há um endurecimento muito forte para a desafetação do bem público, pois o 
torna um patrimônio disponível (dominical). 
Admissão da alienabilidade dos bens dominicais: art. 101 do Código Civil: \u201cos bens 
públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei\u201d. 
Imprescritibilidade dos bens públicos: art. 102 do Código Civil: \u201cOs bens públicos não 
estão sujeitos a usucapião\u201d. O Código Civil reafirma, na esteira dos arts. 183, §3º (§ 3º Os 
imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião) e 191, p.ú. (Parágrafo único. Os 
imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião), da Constituição Federal, que os 
bens públicos são imprescritíveis, isto é, são insuscetíveis a usucapião. Além desses 
preceitos legais, há a súmula 340 do STF para reiterar a base interpretativa da 
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imprescritibilidade dos bens públicos (Desde a vigência do Código Civil, os bens 
dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião). 
Características dos bens públicos voltadas à destinação do bem: Como já se 
afirmou, quando da definição de bens públicos, a principal razão de se conceituar os bens 
públicos consiste justamente em se saber quais são os bens que, enquadrando-se em tal 
conceituação, merecem tratamento peculiar. Tal regime jurídico especial (diferenciado) 
dos bens públicos se vê concretizado pelas principais características que se lhes podem 
atribuir: 
\uf0b7 Inalienabilidade: (já visto, retromencionado); 
\uf0b7 Imprescritibilidade: consiste na impossibilidade de bens públicos serem 
adquiridos através de usucapião. Tal vedação é prevista em dois dispositivos da 
Constituição Federal (art. 183, §3º e art. 191, parágrafo único), bem como no art. 
102 do CC. Esta característica da imprescritibilidade ordinária dos bens públicos, 
alcançando mesmo os dominicais ou disponíveis, consoante já assentou a Súmula 
340 do STF, pela qual \u201cdesde a vigência do Código Civil [1916], os bens 
dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por 
usucapião\u201d. 
\uf0b7 Impenhorabilidade: consiste na impossibilidade de os bens públicos serem objeto 
de penhora. Tal característica decorre do próprio sistema de execução de créditos 
contra a Fazenda Pública, o qual