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ATUALIDADES
DADOS HISTÓRICOS, GEOPOLÍTICOS E SOCIOECONÔMICOS DO ESTADO DO RS.
RIO GRANDE DO SUL
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Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades
federativas do Brasil. Localizado na Região Sul, possui como
limites o estado de Santa Catarina ao norte, o oceano
Atlântico ao leste, o Uruguai ao sul e a Argentina a oeste.
Sua capital é o município de Porto Alegre. As cidades mais
populosas são: Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas,
Canoas e Santa Maria. O relevo é constituído por uma
extensa baixada, dominada ao norte por um planalto. Antas,
Uruguai, Taquari, Ijuí, Jacuí, Ibicuí, Pelotas e Camaquã são
os rios principais. O clima é subtropical e a economia do
Estado se baseia na agricultura (soja, trigo, arroz e milho),
na pecuária e na indústria (de couro e calçados, alimentícia,
têxtil, madeireira, metalúrgica e química).
Em 1627, jesuítas espanhóis criaram missões
jesuíticas próximas ao rio Uruguai, mas foram expulsos
pelos portugueses em 1680, quando a Coroa Portuguesa
resolveu assumir seu domínio, fundando a Colônia do
Sacramento. Os jesuítas espanhóis estabeleceram, em
1682, os Sete Povos das Missões. A primeira redução
jesuítica dos Sete Povos foi São Francisco de Borja (atual
cidade de São Borja), fundada em outubro de 1682. Os
portugueses chegaram em 1737 com uma expedição militar
de José da Silva Paes, iniciando com o Forte Jesus Maria e
José a cidade do Rio Grande, primeira cidade do atual
Estado do Rio Grande do Sul, quando tomou posse da lagoa
Mirim, impedindo a partir de então a entrada dos invasores
da Coroa Espanhola. A partir de 1740 há uma organização
para a vinda de colonizadores açorianos (território insular de
Portugal) para o a região. Em 1742, os colonizadores
fundaram a vila de Porto dos Casais, depois chamada Porto
Alegre. A região sob controle da Coroa Portuguesa em 1760,
sob a administração do Rio de Janeiro, na terra recuperada
do domínio espanhol e já ocupada de fato por colonizadores
portugueses. Porém as lutas pela posse das terras, entre
portugueses e espanhóis continuaram, e somente tiveram
fim em 1801, quando os próprios gaúchos dominaram os
Sete Povos, incorporando-os ao seu território.
É criada em 19 de setembro de 1807 a Capitania de
São Pedro do Rio Grande do Sul. A nova capitania, que
tinha estatuto de capitania-geral com capital na cidade do
Rio Grande, abrangia um território de limites pouco precisos,
em terras antes sob domínio espanhol e já ocupada de facto
por gaúchos, militares e, no final do século XVIII, por colonos
portugueses, sobretudo açorianos, que lá receberam glebas
de terra e sesmarias. O primeiro capitão-general da
capitania foi Diogo de Sousa. Em 28 de fevereiro de 1821
torna-se a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul,
que viria a se tornar o atual Estado do Rio Grande do Sul,
após a Proclamação da República do Brasil.
Grupos de imigrantes italianos e alemães
começaram a chegar a partir de 1824. A sociedade
estancieira passou então a coexistir com a pequena
propriedade agrícola, diversificando a produção. Durante o
século XIX, o Rio Grande do Sul foi palco de revoltas
federalistas, como a Guerra dos Farrapos (1835-45), e
participou da luta contra Rosas (1852) e da Guerra do
Paraguai (1864-70). As disputas políticas locais foram
acirradas no início da República e só no governo de Getúlio
Vargas (1928) o Estado foi pacificado.
É o estado mais meridional (ao sul) da federação,
conta com o quarto maior PIB - superado apenas por São
Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o quinto mais
populoso e com o sexto Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) mais elevado do país. O estado possui papel marcante
na história do Brasil, tendo sido palco da Guerra dos
Farrapos, a mais longa guerra civil do país. Sua população é
em grande parte formada por descendentes de portugueses,
alemães, italianos, africanos e indígenas. Em pequena parte
por espanhóis, poloneses e franceses, dentre outros
imigrantes.
Em certos locais do estado, como a Serra Gaúcha e
a região rural da metade sul, ainda é possível ouvir dialetos
da língua italiana (talian) e do alemão (Hunsrückisch,
Plattdeutsch).
Esse estado brasileiro originalmente teve sua
economia baseada na pecuária bovina que se instalou no
Sul do Brasil durante o século XVII com as missões
jesuíticas na América, e posteriormente expandiu-se aos
setores comercial e industrial, especialmente na metade
norte do Estado. O Rio Grande do Sul foi apontado em 2014
pelo The New York Times como o "lugar com mais traços
europeus do Brasil". Embora o estado esteja em situação de
decadência econômica acentuada, é onde há o maior
número de idosos e a segunda maior expectativa de vida e
onde os trabalhadores são mais bem remunerados, tendo
uma das menores taxas de analfabetismo, violência, e
mortalidade infantil do país. Mesmo com bons indicadores
sociais, o Rio Grande do Sul sofre com a disparidade
econômica entre a metade norte (considerada rica e
industrial) e a metade sul (considerada pobre e agrária).
Etimologia
O nome do estado originou-se de uma série de
erros e discordâncias cartográficas, quando se acreditava
que a Lagoa dos Patos fosse a foz do Rio Grande, que já
era demonstrado em mapas neerlandeses, décadas antes
da colonização portuguesa na região. Pelo que se sabe até
agora, o primeiro cartógrafo dos Países Baixos a registrar a
Lagoa dos Patos, ainda considerada o Rio Grande, foi
Frederick de Wit, em seu atlas de 1670. Já o primeiro
registro cartográfico feito por um neerlandês a mostrar o
suposto rio com um formato próximo ao que é conhecido
hoje da referida lagoa foi Nikolaus Visscher, em 1698.
Apesar de ele não ter sido o primeiro a mencionar os índios
Patos que habitavam suas margens e boa parte do litoral do
Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, foi ele quem
associou o nome à lagoa. Por volta de 1720, açorianos
vindos de Laguna vieram à região de São José do Norte
buscar o gado cimarrón vindo das missões, possibilitando a
posterior fundação da cidade de Rio Grande, no ano de
1737. A partir do nome do município, surgiu também o nome
do estado do Rio Grande do Sul.
Os habitantes naturais do Rio Grande do Sul são
denominados gaúchos, rio-grandenses-do-sul ou sul-rio-
grandenses. O gentílico no masculino do singular é gaúcho e
no feminino do singular gaúcha. É uma palavra oriunda do
espanhol gaúcho, um adjetivo que, aplicado a pessoas pode
significar "nobre, valente e generosa" ou "camponês
experimentado em pecuária tradicional", ou ainda "velhaco,
astuto, dissimulado ou ardiloso experiente", mas também
pode ter o sentido de "vagabundo, contrabandista,
desregrado e desprivilegiado”.
História
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Povos indígenas
Um índio charrua retratado por Debret
Na época do Descobrimento do Brasil, a região que
hoje forma o Rio Grande do Sul era habitada pelos índios
minuanos, charruas e caaguaras, que viveram há 12 mil
anos a.C. Eram bons ceramistas e, na caça, usavam as
boleadeiras, até hoje um dos instrumentos do peão gaúcho.
Essas tribos viveram muito tempo sem contato com
os brancos colonizadores. As disputas entre Portugal e
Espanha sobre os limites de suas possessões na América
fizeram com que a região só fosse ocupada no século XVII.
Os padres jesuítas espanhóis foram os primeiros a se
estabelecer no local.
Ocupação
As peculiaridades geográficas do atual estado do
Rio Grande do Sul, dividido em 11 diferentes regiões
fisiográficas, influíram para retardar a ocupação da terra, a
leste, pelo conquistador europeu. Outro fator negativofoi o
Tratado de Tordesilhas, de 1494, que dividiu a soberania
sobre os descobrimentos entre Portugal e Espanha por um
meridiano ideal. No caso do Brasil, o meridiano estendia-se
das proximidades da ilha de Marajó até a baía da Laguna,
em Santa Catarina.
Ante as dúvidas surgidas sobre o ponto exato em
que deveria passar a linha convencionada e achando-se o
rio de São Pedro justamente na zona cuja confrontação se
discutia, nenhuma daquelas duas nações se apressou a
ocupá-lo, pelo temor de novas dificuldades diplomáticas.
Contudo, em princípios do século XVII a Espanha penetrava
na margem esquerda do Rio Uruguai, por intermédio dos
jesuítas que, a partir do Paraguai, estabeleceram suas
reduções em vários pontos, chegando mesmo às cercanias
da futura cidade de Porto Alegre e, de modo geral,
senhoreando-se de todo o oeste rio-grandense.
A seguir, os bandeirantes destruíram a província do
Guairá, desceram à província do Tape, no coração do Rio
Grande, e à província do Uruguai, desbaratando as aldeias e
aprisionando os índios, que levavam como escravos para
suas lavouras. Antônio Raposo Tavares foi um dos maiores
chefes dessas expedições predatórias. As aldeias foram
arrasadas, seus habitantes mortos ou aprisionados, e os
sobreviventes fugiram com os jesuítas, para o sul, onde se
fixaram junto à margem direita do rio Uruguai.
Ao levar a catequese, o aldeamento, as estâncias e
os ervais a uma larga faixa do território, entre 1632 e 1634
os jesuítas estabeleceram reduções no alto Ibicuí (São
Tomé, São Miguel, São José, São Cosme e São Damião).
Ampliaram a área de penetração, alcançaram a bacia do
Jacuí e fixaram outras reduções, inclusive para além da
província do Tape (Santa Teresa, Santa Ana, São Joaquim,
Natividade, Jesus Maria, São Cristóvão).
A vitória alcançada contra os paulistas na batalha
de Mbororé, em 1641, não foi suficiente para permitir a
fixação das reduções. O êxodo das populações indígenas—
já iniciado depois do assalto da bandeira de Raposo
Tavares, em 1637—se intensificou, com a transferência dos
jesuítas e dos índios para a margem direita do rio Uruguai,
na fértil mesopotâmia do Paraná.
Concluiu-se, por força de tais acontecimentos, a
primeira fase da civilização jesuítica no território do atual Rio
Grande do Sul, com o abandono de terras abertas aos que
primeiro chegassem para ocupá-las, aventureiros e
colonizadores. Somente depois de 1680, com a fundação da
Colônia do Sacramento, na margem superior do rio da Prata,
a região passou a ser objeto de disputa política por parte de
portugueses e espanhóis.
Os Sete Povos
As ruínas jesuítas de São Miguel das Missões, na
Região das Missões, no estado do Rio Grande do Sul. São
Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1983.
A pressão dos bandeirantes não pôs fim à presença
dos jesuítas na margem oriental do rio Uruguai. Retornaram
os religiosos cinquenta anos depois do êxodo, atraídos pelas
disponibilidades econômicas da região, sobretudo pelo gado.
Inaugurou-se, na volta ao território perdido, a segunda fase
da penetração jesuítica, que na realidade só terminou com a
fulminante ação militar de 1801—precedida de longas e
indecisas ações diplomáticas --, a qual incorporou
definitivamente a região ao Rio Grande do Sul.
A segunda fase cifra-se na história dos Sete Povos
das Missões, com o marco inicial de 1687 (São Francisco de
Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo,
São Lourenço Mártir, São João Batista, Santo Ângelo
Custódio). O perigo dos paulistas não cessara, embora se
tornasse menos ameaçador, concentrada a ação do poder
dos portugueses na faixa litorânea, de que a Colônia do
Sacramento seria o ponto extremo.
Situados em terras de domínio nominal da
Espanha, sob o comando de Buenos Aires, os Sete Povos
abrangiam, as extremas dos grandes rebanhos de gado, que
se concentravam nas vacarias—as Vacarias do Mar, que
alcançavam o extremo sul do atual Rio Grande do Sul,
penetrando em território uruguaio, e a Vacaria dos Pinhais,
na região da hoje ainda chamada Vacaria, no nordeste do
estado.
Ao fato da coincidência geográfica do território,
acentuado por alguns historiadores para vincular a história
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do Rio Grande do Sul às missões jesuíticas, agregam outros
estudiosos o motivo econômico, sobretudo baseado na
expansão do gado. As duas fases das Missões assinalam
diferenças qualitativas. Na primeira predominou o zelo
evangelizador, integratório dos indígenas na civilização
espanhola; a segunda foi marcada pelo fundamento
econômico da expansão, de índole utilitária e dominada por
preocupações agora marcadamente políticas, de
exclusivismo nacional, embora, em certo momento, arredia e
até hostil à autoridade espanhola.
Arte missioneira: Nossa Senhora da Conceição,
acervo do Museu Júlio de Castilhos. Nota-se os traços
indígenas na face e nos cabelos longos e lisos.
O gado, de início aclimatado na margem do rio
Uruguai, é de origem paulista, introduzido em São Vicente,
onde Martim Afonso estabelecera o principal curral.
Invadindo o Paraguai, depois de proliferar, irradiou-se pelas
pastagens vizinhas, com a distribuição, pelos jesuítas, de 99
cabeças para cada aldeamento, em 1634. A matança foi
proibida nos primeiros anos. Provavelmente, esse núcleo
original se havia ampliado com cabeças vindas do Peru, já a
partir de 1569, acrescidas das manadas que se projetaram
da atual província de Corrientes, na Argentina. A bagualada
já campeava livremente nos pampas, trazida pela expedição
de Pedro de Mendoza, que em 1535 desembarcou no Prata
72 cavalos e éguas.
Os rebanhos, alimentados pelas pastagens naturais
e protegidos pelos acidentes das florestas e rios (os
rincões), proliferaram com abundância, espraiando-se nas
Vacarias do Mar e prolongando-se na Vacaria dos Pinhais,
onde se localizou extenso depósito de gado para o
abastecimento das aldeias. Aos currais das aldeias
somaram-se os das invernadas, os campos de cria,
alimentados com rebanhos nascidos em regiões mais
distantes. Ovelhas e cabras, de procedências várias,
completavam o rico plantel das Missões, que só começou a
ser saqueado por elementos estranhos, portugueses e
espanhóis, depois da fundação da Colônia do Sacramento,
em 1680, e no segundo decênio do século XVIII, com a
gente de São Paulo e Laguna, que o explorou para
satisfazer às necessidades da população de Minas Gerais,
durante o ciclo do ouro.
A civilização jesuítica, um caso de subcultura
regional, mesmo na herança fluida e fantasmagórica que
deixou ao império lusitano, ao ser incorporada
definitivamente em 1801, foi apenas um corpo estranho,
jamais absorvido no processo histórico português e
brasileiro. Tenazmente combatido pelas armas e
interiormente desintegrado, não deixou a permanente junção
da continuidade histórica. A conquista do Rio Grande e seu
povoamento, de caráter luso, legado ao império brasileiro,
serão obra da gente portuguesa, paulista e lagunista de
diversas procedências, gente de toda a colônia. As Missões
Orientais são um episódio malogrado da corrente que
procurou o Atlântico, de Buenos Aires e, depois, do vice-
reinado do Prata.
Tal ponto de vista, acentuando essas razões e
desfazendo equívocos, será confirmado em obra de 1945,
de autoria de Serafim Leite, insuspeito de antipatia à causa
jesuítica. Para esse historiador, as Missões jesuíticas do Rio
Grande do Sul se incluem na história da Espanha e, por via
desta, na do Paraguai. Seriam portanto desligadas da futura
história do extremo-sul, diretamente vinculado ao processo
civilizatóriodo Brasil. O resíduo espiritual das Missões tem
significado irrelevante. Ao serem absorvidas pelo Brasil, já
se haviam desintegrado; o próprio contingente de sua
população praticamente nada representava: cerca de 14.000
pessoas numa área de 170.825km2, em 1801.
A expansão
O litoral do atual território do Rio Grande do Sul só
foi explorado pela expedição de Martim Afonso de Sousa,
cabendo-lhe provavelmente a primazia na descoberta da
barra do rio Grande ou rio de São Pedro. O mapa de Martim
Viegas, de 1534, consigna o local e o nome, aludindo ao
Tratado descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa,
em 1587, as relações comerciais entre os vicentinos e os
indígenas do litoral sulino, referências confirmadas por
documentos posteriores.
O Tratado de Tordesilhas não impediu que a coroa
portuguesa se atribuísse o território que hoje compreende o
Rio Grande do Sul e a República Oriental do Uruguai. Era a
Capitania d'El-Rei ou província d'El Rei e figura num mapa
de 1562 com o nome "d'el Rei Nosso Senhor". Em 1676 o
regente D. Pedro doou ao visconde de Asseca e a João
Correia de Sá duas parcelas de terra, desde Laguna até a
foz do rio da Prata. Ainda em 1676 o bispado do Rio de
Janeiro se estendia até o rio da Prata, provavelmente em
consonância com as reivindicações portuguesas. As
capitanias, não exploradas, reverteram, em 1727, ao
patrimônio real, negando-se D. João V a confirmá-las.
A partir de meados do século XVII, sob o estímulo e
o comando oficial, a expansão portuguesa para o sul tomou
o rumo da costa atlântica ou junto à margem oceânica,
sempre com apoio marítimo. Em 1647 fundou-se Paranaguá,
com a fixação, sete anos depois, de Curitiba, em movimento
que tornaria impossível, no futuro, um avanço capaz de
separar São Paulo e o Rio de Janeiro do extremo-sul. Em
1658 já existia São Francisco, como ponto de apoio,
plantado no território do atual estado de Santa Catarina.
A metrópole deliberou expandir-se para o sul, tendo
por ponto de apoio a ilha do Desterro, em Santa Catarina.
Com uma pequena força, o governador do Rio de Janeiro,
Manuel Lobo, construiu uma fortaleza, a Colônia do
Sacramento, no estuário dos rios Paraná e Uruguai, em
pleno rio da Prata, de onde se iniciaria o processo de
consolidação da presença portuguesa na região. Com base
no Tratado de Tordesilhas, o governador de Buenos Aires,
José de Garro, se opôs à ocupação e deu início a um
conflito que só teria fim 150 anos depois, com a criação
definitiva de um novo país soberano, a República Oriental do
Uruguai.
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Entre o Rio de Janeiro e a Colônia do Sacramento,
com os pontos intermediários de Paranaguá, São Francisco
e a ilha do Desterro, a fundação de Laguna seria decisiva
para fixar as comunicações e estreitar o espaço da
ocupação do solo. Suas bases povoadas, com estrutura
administrativa, seriam criadas em 1688, quando Domingos
de Brito Peixoto, com seus dois filhos, aí estabeleceu casais,
agregados e aderentes, fazendo plantações e promovendo o
convívio com os índios. Laguna passou a vila em 1774, data
em que, ainda por iniciativa oficial, se cogitou do caminho
terrestre para o rio de São Pedro. O hiato de 150 léguas,
bloqueado pela costa carente de acessos naturais, iria
fechar-se no curso do século XVIII.
O General João Borges Fortes, em sua obra "Rio
Grande de São Pedro", observou que ao bandeirante
Francisco de Brito Peixoto deve-se o pioneirismo na
ocupação das terras que ficam entre Laguna e Colônia do
Sacramento, dando início à presença luso-brasileira no Rio
Grande do Sul. A partir daí, colonos procedentes de Laguna
dirigiram-se ao Rio Grande, ocupando as regiões do
Viamão. Em 1732, são concedidas as primeiras sesmarias.
Não há dúvida de que antes da conquista e do
povoamento, aventureiros de procedências várias viveram
das Vacarias do Mar, explorando o comércio e o artesanato
de couros, em precárias vias de trânsito, num roteiro
conhecido desde 1703. Dentre esses aventureiros—
guerreiros e empresários a sua custa—destacou-se
Cristóvão Pereira, que se dedicou à extração, compra e
exportação de couros da Colônia do Sacramento,
penetrando as planuras e alcançando São Paulo por via
terrestre.
A partir dessas duas linhas de penetração (Colônia
do Sacramento e Laguna), fechou-se progressivamente o
intervalo territorial, praticamente terra de ninguém. As
iniciativas pioneiras, ambas da primeira metade do século
XVIII, tiveram índole diversa. De Laguna partiu para o sul,
sob o fascínio de grandes rebanhos de gados e cavalos, a
incursão povoadora de João de Magalhães, que em 1725
fixou invernadas até o rio Grande (rio Guaíba), com a
distribuição, mais tarde, de sesmarias aos colonizadores.
Em 1727 abriu-se o caminho chamado de estrada dos
Conventos, de Araranguá a Lajes, daí alcançando os
campos curitibanos até chegar a Sorocaba, o grande
entreposto, ainda nesse século, dos rebanhos de gado
vacum, cavalar e muar. No seu contingente e nas suas
inspirações, foi essa uma obra dos paulistas.
Em sequência ao impulso do norte, de povoamento
e exploração do gado, que em breve se consolidaria nas
estâncias de criação, a metrópole incumbiu o general
Gomes Freire de Andrade, governador da capitania do Rio
de Janeiro, de ocupar e fortificar o porto de Rio Grande. A
chefia da empresa coube a seu substituto, brigadeiro José
da Silva Pais, que, dentro de um plano que envolvia a
defesa da Colônia do Sacramento e a tomada de
Montevidéu, ocupou, em 19 de fevereiro de 1737, a barra do
rio Grande.
Desde alguns meses, aguardava-o em terra
Cristóvão Pereira, com 160 homens. Construiu o forte Jesus-
Maria-José, onde depois se localizaria a cidade do Rio
Grande. O comandante cuidou de colonizar as redondezas,
com casais trasmontanos e do Rio de Janeiro, fortificando-se
com reforço de homens e munições As concessões de terras
fixaram as populações no esboço da área urbana e nas
regiões vizinhas, onde se iniciou o plantio, o recolhimento e
a criação de gado.] Os dragões de Minas Gerais ali se
estabeleceram, com regimento regular. Em 1743 chegou o
primeiro visitador apostólico (representante do Papa), o
padre Antônio Pestana Coimbra. Em 1747 o aldeamento
fortificado se constituiu em vila.
Em 1750 o Tratado de Madri, entre Portugal e
Espanha, pôs termo ao núcleo de expansão, cedendo a esta
o estabelecimento às margens do rio da Prata, que ficou
desimpedido das incursões e embaraços lusitanos. Ao
domínio português passariam as Missões Orientais do
Uruguai, que se trasladariam, com sua gente e bens, para a
outra margem do rio, continuando a reforçar econômica e
militarmente o território espanhol. Embora o tratado não
respeitasse, quanto às Missões, o princípio do uti possidetis,
depois consagrado como dogma nas disputas territoriais, o
grande ministro de D. João V, Alexandre de Gusmão, artífice
principal das negociações entre as duas coroas, estabeleceu
uma variante: a fixação da fronteira tendo em vista os fatores
naturais. O realismo prevaleceu contra o mito da linha do
Prata, insustentável com os recursos bélicos e humanos
então possíveis.
A demarcação
Na demarcação dos novos limites, Gomes Freire de
Andrade, o conde de Bobadela, governador e capitão-
general da Repartição do Sul, encontrou tenaz resistência
dos jesuítas espanhóis e seus catecúmenos aldeados.
Estes—entre os quais se destacava o índio Sepé Tiaraju,
que o exagero e a inversão da perspectiva histórica
quiseram batizar de primeiro caudilho rio-grandense—
enfrentaram as tropas portuguesas e espanholas no
sangrento Batalha de Caiboaté. No combate pereceu
Nicolau Neenguiru, herói de Mbororé,dias depois da morte
de Sepé Tiaraju, que a lenda popular elevaria à categoria de
santo não canonizado—o são Sepé.
Além de fixar populações, com a concessão de
sesmarias, e de patrulhar o território desde os campos da
Vacaria dos Pinhais a Chuí, a incursão demarcadora de
Gomes Freire de Andrade conquistou e consolidou a base
hidrográfica interior, da barra do rio Grande até o extremo
dos rios interiores. No futuro, essa ocupação tornaria a
região incólume às investidas castelhanas e forneceria as
bases, já independente o país, ao resguardo da autoridade
central. Foi durante a incursão de Gomes Freire de Andrade
que surgiu a tranqueira do rio Pardo, em 1752, invicta nas
lutas posteriores e que serviria de base para o domínio do
território das Missões.
A par da empresa de conquista, a obra de
colonização se acentuou pela introdução dos açorianos. Em
sincronia com o movimento militar que ocuparia as Missões,
encaminharam-se estes para o porto de Dorneles, depois
Guaíba, para se entrosarem com os colonizadores dos
Campos de Viamão. A ocupação açoriana, cujo contingente
não raro tem sido exagerado em sua quantidade, visou,
numa primeira fase, de 1751 a 1759, a finalidade precípua
de substituir-se ao índio nas aldeias missioneiras; o
povoamento metódico, com a distribuição de glebas aos
povoadores, só teria início mais tarde. O curso da
distribuição seguiu o seguinte: Rio Grande; Capela Grande
do Viamão, compreendendo o porto de Viamão, mais tarde
Porto Alegre; Triunfo; Santo Amaro; e Rio Pardo. À margem
da bacia fluvial formou-se o cinturão de lavouras que
abasteciam as tropas responsáveis pela colonização do
território.
Mais tarde, na segunda fase, caracterizada pela
valorização do gado no mercado interno, o trabalho agrícola
foi substituído pela pecuária e a região se transformou em
fonte de abastecimento das minas em prosperidade
galopante, no ciclo de ouro das Gerais.
O traçado inicial da conquista—do Rio de Janeiro
(depois, de Laguna) à Colônia do Sacramento—sofreu, a
partir de 1750, uma retificação, com o eixo Rio Grande-Porto
Alegre-Rio Pardo. A inflexão para o oeste, com a base do
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Rio Pardo dominando a bacia fluvial, configurou a fisionomia
política e econômica do Rio Grande, agora definitivamente.
Em 1761, o Tratado de El Pardo anulou o Tratado
de Madri, devendo a Colônia do Sacramento e as Missões
Orientais voltar aos antigos senhores. A Espanha,
preocupada em combater a influência inglesa, concertou em
1761 o "pacto de família", que permaneceu algum tempo
secreto. Portugal, vinculado à Inglaterra, não aderiu,
contando que, somente com o amparo inglês, poderia
proteger seu domínio ultramarino.
Marcelino de Figueiredo, governador do Rio Grande
Mapa do território em 1780
O primeiro golpe desfechado contra o extremo-sul
do território português foi a tomada, ainda uma vez, da
Colônia do Sacramento, em 1762, pelo governador de
Buenos Aires, Pedro de Ceballos Cortés y Calderón, que,
depois de atravessar a planície uruguaia, ocupou a vila do
Rio Grande, em 1763, lançando uma cabeça-de-ponte em
São José do Norte. O governador do Rio Grande, coronel
Elói Madureira, transferiu a sede do governo para Porto
Alegre, onde permaneceria definitivamente. Em 1763 o
Tratado de Paris pôs termo à beligerância, mas veio a ser
desobedecido pelas autoridades do Prata, que apenas
devolveram a Colônia do Sacramento.
Ao contrário da esperada paz, o novo governador
de Buenos Aires, Juan Ortiz y Salcedo, chegou às portas da
tranqueira do Rio Pardo, em 1773, mas a resistência que
teve de enfrentar, sob o comando do governador do Rio
Grande, coronel Marcelino de Figueiredo, conseguiu deter
as posições-chave -- São José do Norte e Rio Pardo --,
graças a um elemento novo e surpreendente, os
guerrilheiros locais, treinados nas estâncias, comandados
pelo primeiro caudilho rio-grandense, Rafael Pinto Bandeira,
ex-coronel de milícias e grande proprietário rural. Contudo,
somente uma ação de grande envergadura, com a mais
numerosa força militar já concentrada em território brasileiro
(6.800 homens), sob o comando do tenente-coronel João
Henrique Böhm, conseguiu expulsar os espanhóis do Rio
Grande, em 1776, depois de 13 anos de ocupação.
As comandâncias
A expansão militar espanhola obedecia a um plano,
documentado com o ato de criação do vice-reinado do Rio
da Prata, em 8 de agosto de 1776, abrangendo o território
atual da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Rio Grande
do Sul. O Tratado de Santo Ildefonso, de 1º de outubro de
1777, encerrou a atribulada história diplomática do extremo-
sul, que consolidaria em poder da Espanha a Colônia do
Sacramento e as Missões Orientais. O acertado no tratado já
se mostrava patentemente anacrônico, diante do predomínio
social da região em favor dos portugueses.
Na verdade, o território das Missões, encurralado
pela criação de gado e pelos sesmeiros, tornara-se um
satélite do Rio Grande. Em 1801 uma manobra guerreira
nativa, sob o beneplácito dos poderes oficiais, incorporou,
num golpe de audácia, toda a região ao Rio Grande. Na
operação se destacaram os descendentes da escola
guerrilheira de Rafael Pinto Bandeira—o filho de estancieiro
José Borges do Canto e o aventureiro Manuel dos Santos
Pedroso. A antiga civilização jesuítica não passava de uma
sucessão de ruínas, de população escassa, só realmente
povoada e colonizada pela gente de São Paulo, que desceu
de Curitiba e Lajes, ao lado dos soldados aquinhoados,
pelos seus títulos, com ricas sesmarias. Completou-se,
assim, a integração geográfica do extremo-sul.
A estrutura administrativa deu consistência e
coesão à obra de conquista militar e de povoamento.
Fundada a fortaleza Jesus-Maria-José às margens do rio
Grande, Gomes Freire instituiu um órgão de direção e
coordenação, que recebeu o nome de comandância militar,
nos moldes das já existentes em Santos e na Colônia do
Sacramento. Instituiu-se assim a Comandância Militar do Rio
Grande de São Pedro, subordinada à capitania do Rio de
Janeiro, guarnecida inicialmente pelos dragões, de gloriosa
e tumultuada história, no núcleo inicial e no rio Pardo. A
administração do território cabia aos comandantes, como se
fossem governadores-gerais.
O regime das comandâncias estendeu-se de 1737
a 1760, sob a chefia, sucessivamente, do brigadeiro José da
Silva Pais, do mestre-de-campo André Ribeiro Coutinho e do
coronel Pascoal de Azevedo. Desde 1710, a administração
do extremo meridional subordinava-se à capitania de São
Paulo, passando, em 1738, a constituir uma capitania,
juntamente com Santa Catarina, dependente do Rio de
Janeiro, embora dotada de administração própria—simples
capitania subalterna. A sede seria em Santa Catarina,
residência do governador. Somente pela carta-patente de 9
de setembro de 1760 o governo do Rio Grande de São
Pedro se tornou independente, com seus governadores
chefiando a administração, mas, ainda assim, subordinado
ao governo do Rio de Janeiro, e, além disso, numa fase
atribulada e de lutas incessantes contra os invasores
espanhóis.
A autonomia de fato só ocorreu em 19 de setembro
de 1807, quando o regente D. João criou a capitania de São
Pedro, subordinada, como as outras, ao vice-rei e capitão-
general do estado do Brasil. A escolha do primeiro
governador e capitão-general recaiu no conselheiro e
brigadeiro D. Diogo de Sousa Coutinho, depois conde do Rio
Pardo, que assumiu suas funções em 1809. Os corpos de
milícias, criados com o recrutamento local, completaram a
muralha militar que se articulou, no pampa e nas regiões
agrícolas, contra o castelhano.Os chefes dessas forças,
vinculados à estância e nomeados pelo rei, reuniam, pela
lealdade e pela dependência, a peonada, que se compunha
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de índios, brancos e mestiços. Essa foi a origem dos heróis
nativos Pinto Bandeira, Borges de Canto e Santos Pedroso,
que deixariam, no curso da história futura, grande e não raro
turbulenta descendência.
Na base dos organismos militares, uma faixa de
população se formou, à margem do trabalho agrícola e do
pastoreio organizado. Para abastecer as charqueadas,
estabelecidas desde 1780, em busca da courama,
entregaram-se esses aventureiros à preia do gado sem dono
na fronteira retrátil, em expedições chamadas arriadas. Para
a aventura do saque e da guerra, o regime do latifúndio
enviou a legião nômade, os que seriam chamados de
gaudérios, e depois de gaúchos, em sentido depreciativo.
Matéria-prima das arriadas e guerrilhas, sua colaboração
limitava-se às incertezas do gado a arrebanhar, desligando-
se das obrigações militares ao seu arbítrio. Só no século XIX
a expressão gaúcho perdeu o caráter depreciativo para
adquirir índole respeitosa, na medida em que desaparece o
nomadismo e se organizam as estâncias.
A integração
Um fator econômico, de relevância política e social,
encerrou o processo de integração do Rio Grande do Sul
colonial ao território lusitano. As necessidades prementes de
muares e carne no ciclo do ouro exigiram a importação do
extremo-sul, o que incentivou a abertura de estradas.
Cessada a febre do ouro, o abastecimento das populações
escravas e proletárias do café se fez à custa de charque,
estimulada sua produção depois que o Ceará reduziu suas
exportações, assolado pela seca de 1777. Encerrou-se o
período de conquista predatória do território e consolidou-se
a estância como centro produtor, complementada pela
charqueada, servida esta com mão de obra escrava. O
comerciante de gado (muares, cavalos e vacas), o tropeiro,
enriqueceu e adquiriu relevo social.
A natureza econômica da região se definiu na
economia subsidiária, com relação ao país, e na economia
de subsistência, baseada sobretudo no trigo e na
colonização açoriana. A valorização dos muares e da carne
levaria, no entanto, ao abandono a cultura dos cereais. Em
1822, o Rio Grande, antes exportador de trigo para o
mercado interno, passou a importar o cereal dos Estados
Unidos. A paisagem se modificou, com o florescimento da
região de São Francisco de Paula (depois, Pelotas), que
desenvolveu uma próspera rede de charqueadas. O produto
sulino, baseado no trabalho escravo, só alcançaria, todavia,
preços compensadores nos momentos de crise no Prata,
que, além disso, fornecia charque da melhor qualidade.
O caráter subsidiário da economia, cada vez mais
relevante, criou uma unidade diferenciada de produção,
ligada ao mercado nacional, mas isolada dos interesses
exportadores. Os grupos dominantes no país não se
associariam às reivindicações do extremo-sul, antagônicas
aos seus objetivos de alimentação barata para a escravaria.
O grupo exportador de produtos de aceitação europeia,
sempre estimulado pelo centro político, no seu exclusivismo,
infundiria, à sociedade rio-grandense, a consciência de
isolamento econômico, social e político, que os
componentes da formação militar tornariam, em certos
momentos, explosiva.
Em 1807, quando da criação da Capitania de São
Pedro, já se definira a sociedade rio-grandense,
dissolvendo-se a pequena agricultura, gradativamente, na
expansão da grande propriedade estancieira, gerada sobre
as sesmarias prodigamente concedidas. A campanha, com
seus núcleos pastoris, só encontrou, com outro espírito, os
centros urbanos e os evanescentes grupos agrícolas,
pacíficos e situados a leste, em torno de Porto Alegre, mais
tarde, com as pequenas propriedades advindas com a
colonização alemã, que se desenvolveu a partir de 1824.
Emancipação nacional e império
Aquarela de Antônio Parreiras de 1915,
simbolizando a Proclamação da República Rio-Grandense
em 1836 pelo general Antônio de Souza Netto.
Nas lutas em torno do domínio do Uruguai, que
iriam redundar na criação da Província Cisplatina e sua
transformação em país independente em 1828, sofreu o
território rio-grandense forte sangria de homens e recursos.
A região das Missões Orientais, ainda mal povoadas, servira
de teatro às incursões determinadas por José Gervásio
Artigas, que nela se abasteceria de cavalhada e gado. Para
sustento dessa campanha malograda, o Rio Grande
mobilizou todos os seus recursos humanos e materiais.
Ao lado das tropas regulares que a corte enviou ao
sul, os milicianos locais retemperaram nova camada militar,
agora unida estreitamente à estância, com suas reservas do
proletariado rural, o gaúcho. Entre os chefes, surgiram
nomes gloriosos, que iriam influir no futuro: Bento Gonçalves
da Silva, José de Abreu, João de Deus Mena Barreto, José
Antônio Correia da Câmara, Manuel Marques de Sousa.
Nos sucessos da independência, governava a
capitania, como capitão-general, o brigadeiro João Carlos de
Saldanha, depois duque de Saldanha. Em 1821 criadas as
províncias, em caráter provisório, por decreto das cortes de
Lisboa, nas quais deveriam eleger-se juntas governativas
subordinadas a Portugal, Saldanha foi eleito presidente. Os
eleitores paroquiais, todavia, não cumpriram totalmente o
decreto, considerando não escrito o artigo que vinculava o
governo a Lisboa. O vice-presidente, marechal-de-campo
João de Deus Mena Barreto, desconfiado da lealdade
portuguesa de Saldanha, criou as condições para o bloqueio
político do presidente, que em dezembro de 1822 se retirou
para o Rio de Janeiro, sem articular a defesa da união dos
reinos, com a hegemonia portuguesa. Em seguida ao Fico,
as câmaras municipais consolidaram o sentimento nativista,
impossibilitando a reação, já ocupado o governo por Mena
Barreto. Firmaram-se, nessa ação, sobre a rala camada
militar portuguesa, o miliciano local, o estancieiro, a
burguesia urbana e o gaúcho.
O Rio Grande expandira sua população e suas
riquezas. Em 1780, segundo o primeiro recenseamento geral
da capitania, a população era de cerca de 18 000 habitantes,
enquanto, em 1814, já alcançava a casa dos 71 000. O
número de escravos aumentou largamente no interregno
desses 34 anos, de 5 000 para 20 000, concentrando-se
inicialmente nas zonas de produção de trigo, atingidas pela
escassez de braços. Com a decadência do trigo, o escravo
se trasladou, em pequena proporção, para a estância, já
transformada em unidade produtiva e não mais de
apropriação, e, em larga escala, para as charqueadas. A
estância necessitava de pouca mão de obra, embora se
costume exagerar a exiguidade do número de escravos nela
empregados
No curso do século XIX, as charqueadas
assumiram incremento crescente, ao ponto de desarticular a
economia de subsistência, que, pouco antes, tornava a
estância um centro quase autárquico, servido pela chácara.
O pastoreio e o charque tomaram conta da economia e
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imporiam a importação de gêneros alimentícios, se a
colonização alemã não preenchesse, em breve, o hiato.
Prosperaram, então, os núcleos comerciais, com a
ascendência de Porto Alegre, que centralizou as trocas das
populações de leste, de origem açoriana, incentivando focos
redistribuidores até as Missões. Ao lado de Pelotas,
projetou-se a abertura marítima da província, Rio Grande,
único porto da costa, embora de acesso difícil. Continuavam
a ter relevo as viasterrestres, que levavam a produção
pastoril ao norte, por via da feira de Sorocaba, principal
centro distribuidor de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Boa parcela do progresso se deveu ao consumo
dos efetivos militares, sem embargo dos confiscos
arbitrários, não raros em toda a região. Para uma população
de 110 000 habitantes, no início do império, o rebanho
bovino elevava-se a 5 000 000 de cabeças, com 1 000 000
de cavalos. As Missões Orientais povoaram-se com as
sesmarias concedidas, em largas extensões, aos militares
que se deslocaram na guerra e aos aventureiros que
desciam de São Paulo, avolumados pelo êxodo de Santa
Catarina e Paraná, para o pastoreio em glebas férteis.
Arquitetura dos imigrantes alemães em Nova
Petrópolis
Organizado o sistema político do império, ocupou a
presidência do Rio Grande do Sul o desembargador José
Feliciano Fernandes Pinheiro, visconde de São Leopoldo,
futuro senador do império. Inaugurou-se, como para todo o
país, o período das administrações curtas, incapazes de
obra contínua, com 54 presidentes efetivos e 24 interinos,
desde Fernandes Pinheiro a Justo de Azambuja Rangel, em
1889. No século XIX, os índios caingangues que ocupavam
as áreas montanhosas da Região Sul do Brasil foram
desalojados violentamente por ação de matadores de
indígenas chamados de "bugreiros". Estes haviam sido
contratados para abrir espaço para a instalação, por parte do
governo imperial brasileiro, de imigrantes europeus na
região, visando a um "embranquecimento" da população
brasileira, até então majoritariamente negra e mestiça].
Em 1824, em virtude de plano elaborado nos
conselhos da corte, desembarcaram em Porto Alegre os
primeiros imigrantes alemães, destinados à agricultura.
Retomou-se, com essa medida, a experiência da pequena
lavoura açoriana (78 hectares para cada família), que,
seduzida pela criação do gado, se rarefizera e fora atraída
para a grande propriedade. A partir da margem esquerda do
rio dos Sinos, onde depois se situaria a cidade de São
Leopoldo, expandia-se, em levas contínuas, o mais
importante impulso agrícola da época, assegurando a
economia de subsistência, já praticamente em abandono.
Os imigrantes, que prosperavam na lavoura, no
artesanato e na pequena indústria, equilibraram a paisagem
pastoril com sua sociedade pacífica, sem vínculos com o
patriarcado militar e alheia às tensões da economia do gado.
Porto Alegre, o centro administrativo, viu com isso
acentuada a sua posição de coordenadora da autoridade,
subordinada à capital do império. Não obstante o ingresso
de imigrantes agrícolas, até que a sociedade se
transformasse, no longo processo de aculturação,
predominavam as estâncias pastoris, cujos interesses, no
curso do século XIX, já se haviam amalgamado ao patriciado
militar, que se "afazendara", na obtenção de sesmarias e
gado.
O dissídio entre o centro e a província, amortecido
na Guerra Cisplatina, se intensificou nas primeiras três
décadas do século, até a explosão de 1835. Produtores de
charque e derivados do gado e fornecedores de muares, os
rio-grandenses não dispunham de meios para influenciar as
linhas de conduta político-econômica do centro. Incapaz de
concorrer com a produção platina, mais bem aparelhada e
com custos inferiores, via-se a economia rio-grandense
sujeita à instabilidade, em detrimento dos criadores e
charqueadores. A carga tributária sobre a produção gaúcha
tornou-se sufocante. As rendas fiscais, carreadas para o
centro, revertiam em parcela mínima para o sul. De outro
lado, os presidentes da província, agentes do Rio de
Janeiro, não se mostravam solidários com os interesses
locais.
A revolução decorrente desse estado de coisas,
exaltada com o nome de Farrapos ou revolução Farroupilha
e liderada pelo deputado provincial e coronel de milícias
Bento Gonçalves da Silva, duraria dez anos—a década
heroica da história do Rio Grande do Sul: de 19 de setembro
de 1835 até 1º de março de 1845, quando foi assinada a paz
com o governo de D. Pedro II, depois que Luís Alves de
Lima e Silva, então barão de Caxias, assumiu a província e
o comando de suas armas.
Cuidou Caxias, depois de pacificar os ânimos, de
atender algumas das mais urgentes reivindicações
republicanas dos revolucionários, concernentes à instrução
pública e às comunicações terrestres. As campanhas
nacionais que se seguiram, com o Rio Grande por cenário—
a luta contra Rosas, em 1852, e a guerra do Paraguai, de
1864 a 1870—fortaleceram a economia sulina. Enquanto a
revolução Farroupilha esgotou as reservas da principal
riqueza da província, essas guerras, apesar dos sacrifícios
com soldados (33.803 soldados rio-grandenses na guerra do
Paraguai, a quarta parte dos combatentes), exigiram grande
consumo de produtos agrícolas e pecuários, indenizados
pelo justo valor. A agricultura, que a colonização alemã
tornara florescente, contribuiu amplamente para alimentar as
tropas. O Banco da Província, fundado em 1858, e ainda
existente, seria uma das fontes de estímulo da riqueza local.
Não obstante a recuperação econômica,
mantinham-se as causas do desequilíbrio regional, em
desfavor da produção local. Também foi mantida a política
econômica, ditada pelo centro e considerada espoliativa
pelos estancieiros e charqueadores, acentuando o
isolamento do Sul. A exigência de redução dos direitos sobre
os couros, de 15 para 5%, e sobre o sal, de 240 para 50 réis
por alqueire, permaneceu sem resposta. No que se referia
ao charque, a exportação se achava com direitos mais altos
do que o similar platino; o sistema escravocrata das
charqueadas onerava a produção ao impedir a retração da
mão-de-obra e exigir maior capital fixo.
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Surgiu, então, um líder, Gaspar Silveira Martins,
que, em 1861, se propôs, constituindo o Partido Liberal
Histórico, a criar uma base de operações políticas, de baixo
para cima, nas estâncias e nos ranchos, com a pregação de
casa em casa. Queria libertar sua terra da "asfixiante,
vergonhosa tutela do poder central". Depois de 11 anos de
luta, após dominar a assembleia provincial, Silveira Martins
levou à Câmara dos Deputados uma bancada liberal, eleita
sob gabinete conservador. Entre 1868 e 1878 o "Sansão do
império", como era chamado, tornou-se o ídolo dos liberais.
Imigrantes italianos na região de Caxias do Sul, no
fim do século XIX
Em 1874, foi instalado, em Porto Alegre, o Tribunal
da Relação, libertando a província da dependência do Rio de
Janeiro. Ao elenco das iniciativas oficiais se acrescentou o
incremento das correntes migratórias -- entre 1875 e 1889
chegaram ao Rio Grande do Sul mais de sessenta mil
italianos—que, sobre a base agrícola, expandiram sua
atividade no artesanato de produtos de couro e têxteis e na
produção do vinho. O carvão passou a ser explorado a partir
de 1866.
No quadro do progresso, um desajuste interno
perturbou a sociedade. A estância, cada vez mais
estruturada como empresa lucrativa, limitadas suas
necessidades a poucos braços, abandonou o excedente,
sem que este se adaptasse às zonas agrícolas — onde, de
resto, não lhes davam terras. Uma camada nômade, que se
engrossou com os libertos, passou a errar pelos campos,
vivendo das ocupações eventuais e do crime. O Partido
Liberal, como resultado paradoxal de sua política de vínculo
com o centro, perdeu o ímpeto popular. Fundou-se, então, o
Partido Republicano, no qual desde logo se destacou, como
jornalista, Júlio Prates de Castilhos.
A oficialidade que servia no Rio Grande do Sul,
entre a qual se contava Deodoro da Fonseca, ligou-se aos
rebeldes, sendo a união cimentada pelo positivismo, estuáriocomum de civis e militares. Tão veemente seria o vínculo
que, em 21 de março de 1889, os propagandistas traçaram,
como linha de ação, o levante armado, na eventualidade do
terceiro reinado.
República
O ousado plano da rebelião armada frustrou-se por
obra das circunstâncias, diante da surpresa da proclamação
da república por Deodoro, comunicada aos propagandistas e
conjurados pelo telégrafo. Dias antes Silveira Martins
transmitira o governo a Justo de Azambuja Rangel. Este, por
intimação de Deodoro, passou o cargo ao marechal José
Antônio Correia da Câmara, visconde de Pelotas, de
extração liberal.
Gaspar Silveira Martins, então senador, chamado
pelo imperador para organizar o derradeiro gabinete do
império, foi preso e deportado. Com o visconde de Pelotas
tentou-se a conciliação local. Seus secretários, entre eles
Júlio de Castilhos e Ramiro Barcelos, rejeitaram a
conciliação, mantendo a linha partidária. Entre os liberais e
os republicanos não havia meio-termo possível, definidos os
últimos na carta estadual autocrática de 14 de julho de 1891,
promulgada entre ásperas dissensões, que culminariam na
revolução de 1893.
Em pouco mais de três anos, 15 chefes do governo
estadual, com o interregno de uma junta governativa,
definiram a profundidade da instável situação política.
Somente em 25 de janeiro de 1893 Júlio de Castilhos
assumiu a presidência do estado, para, completando o
mandato de cinco anos, transmiti-la a Antônio Augusto
Borges de Medeiros, que, apenas com o hiato de um
quinquênio, governaria o Rio Grande até 1928.
Já então o Rio Grande se dividia entre gasparistas -
- Silveira Martins retornou do exílio em 1892—e
castilhistas—já com Júlio de Castilhos na chefia
incontestável dos republicanos. Ambas as facções se
definiam pelo federalismo, bandeira que, depois de arvorada
pelos farroupilhas, se incorporou ao ideário gaúcho.
Aparício e Gumercindo Saraiva, líderes da
Revolução Federalista, aparecem nesta foto, sentados, no
centro
A ferro e fogo, o Partido Republicano conquistou as
bases eleitorais e o controle político, reforçado, mais tarde,
por uma poderosa milícia estadual, a Brigada Militar. Na
revolução Federalista, que se prolongou por trinta meses,
com dez mil mortos, na mais cruenta das guerras civis
brasileiras, o castilhismo impôs-se ao estado, abatendo a
oposição, sem a aniquilar. Os chefes, formados na tradição
do cavalheirismo, não puderam deter a onda de terror que
invadiu os campos e extravasou, nas colunas
revolucionárias e legalistas, nos outros dois estados do Sul,
Paraná e Santa Catarina.
A insurreição, apesar de mobilizar milhares de
combatentes, limitou-se à guerrilha, incapaz de assegurar
posições estáveis. Tampouco conseguiu sensibilizar os
imigrantes, seus descendentes ou a população do leste,
onde Porto Alegre avultara como centro econômico, político
e administrativo.
A Revolução Federalista de 1893 revelou o
extraordinário talento guerreiro de Gumercindo Saraiva. Sua
coluna, abandonando a orla da fronteira uruguaia, ao longo
de 18 meses de combates, empreendeu uma marcha de
2.500 km até Itararé, onde se deteve, incapaz de penetrar no
estado de São Paulo. No seu encalço, o chefe legalista
Pinheiro Machado combateu-o tenazmente, repelindo a
surpresa do ataque com a surpresa do revide.
Morto o chefe rebelde em 10 de agosto de 1894, a
guerra entrou em rápido declínio, limitada a irrupções
momentâneas e descoordenadas. A paz, assinada em 23
agosto de 1895, depois que os insurretos fracassaram em
Campo Osório, pôs termo ao dissídio, sem que o Partido
Republicano pudesse ditar, sob o controle de Prudente de
Morais, os termos da vitória.
Presença de Vargas
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Manifestações de rua em Porto Alegre em favor da
Revolução de 30.
Já estava quase no fim o longo consulado de
Borges de Medeiros. O castilhismo, de que se fizera
continuador, perdera substância. Uma nova mentalidade
exigia reformas sociais e postulava mudanças de estrutura,
não mais se contentando com o simples jogo das influências
partidárias. Foi nesse ambiente que Getúlio Vargas, então
modesto advogado de São Borja, começou sua carreira
política. Deputado estadual e federal, líder da bancada
gaúcha na Câmara Federal e depois ministro da Fazenda,
acabou por eleger-se presidente do estado em 1928. Sua
primeira preocupação no governo foi pacificar os espíritos,
para o que constituiu a Frente Única, integrada inclusive pelo
Partido Libertador, herdeiro do Partido Federalista e em
cujas fileiras passariam a militar muitos dos revolucionários
de 1923.
A habilidade de Vargas conquistou confiança e
repercutiu de imediato em outros pontos do país,
sensibilizando a opinião e atraindo a simpatia de políticos
como Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente de
Minas Gerais, que se uniu ao da Paraíba para lançar a
Aliança Liberal, em favor da candidatura do presidente
gaúcho à sucessão de Washington Luís. A vitória de Júlio
Prestes, candidato do oficialismo, num ambiente de
opressão e fraude, descontentou a opinião pública, levando-
a a prestigiar a liderança que articulou a revolução de 1930.
Depois que São Paulo, por via revolucionária,
tentara reaver o comando político da nação, em 1932, a vida
do país havia retornado à normalidade constitucional, com
Getúlio Vargas à frente do governo, em 1934, até a
implantação do centralismo de 1937, o qual viria a afetar
substancialmente a autonomia gaúcha, tanto quanto a das
demais unidades da federação. A nova estrutura nacional
impunha assim sua configuração às mudanças internas
ocorridas no estado.
A tendência então era de superar o isolacionismo
econômico e político em que até então se mantivera o Rio
Grande do Sul. A indústria e a agricultura conquistariam
gradativamente relevo no confronto com a estância. A
criação do Banco do Rio Grande do Sul, durante o governo
de Getúlio Vargas, reanimaria as atividades pecuárias e
agrícolas do estado.
Depois de 1930
O estado, embora sem veleidades hegemônicas,
conquistara o poder supremo da república. Por imposição de
forças de caráter nacional -- Exército, povo e indústria --,
modificou-se substancialmente a estrutura federal. Rivais de
velha data, os partidos tradicionais rio-grandenses, o
Republicano e o Federalista, este último depois denominado
Libertador, engajaram-se no movimento político decorrente
da ação revolucionária de São Paulo, ao passo que a massa
popular gaúcha se manteve fiel aos princípios de 1930. O
general Flores da Cunha, interventor federal no Rio Grande,
valeu-se desse choque de correntes para organizar, sob sua
presidência, um partido local—o Partido Republicano Liberal
Rio-Grandense (PRL) --, no qual se reuniram dissidentes
daqueles dois partidos, comandantes dos corpos provisórios
da milícia estadual e prefeitos municipais.
Na Assembleia Constituinte, de cuja atuação
resultaria a Carta de 1934, quase toda a bancada gaúcha
era integrada por elementos do novo partido. Flores da
Cunha, nessa data, eleito indiretamente, passaria a
governador do estado, mas sem dispor de maioria que lhe
permitisse agir inteiramente livre da partilha do poder com o
adversário. Dissensões locais acabaram por atingir o PRL,
quando o agravamento das condições de vida política do
estado chegou ao ponto de levar o governador a desavir-se
com o presidente da república. Com o golpe de 1937, Flores
da Cunha renunciou. O estado, antes das eleições fixadas
pela constituição de 1946, teria sete interventores, inclusive
um interino.
No setor das obras públicas, de 1930 ao início do
Estado Novo, registrou-se sensível desenvolvimentodas
rodovias e estradas de ferro estaduais; quanto ao fluxo do
comércio marítimo, iria incrementar-se por meio da
aquisição, pelo governo, da frota rio-grandense. Uma política
de continuidade e de planejamento, no tocante à rede viária,
só seria adotada a partir da criação, após 1938, do
Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER).
Leonel Brizola
Reaberto o debate partidário em fins de 1945, os
velhos partidos e os velhos políticos não lograram restaurar
as lealdades antigas e a bandeira de suas reivindicações
anteriores a 1930. Somente resistiu, limitadíssimo no
número de partidários, o Partido Libertador (PL),
sobrepujado pelo Partido Social Democrático (PSD), que na
primeira eleição elegeu quase a totalidade dos deputados
federais, e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de
fulminante crescimento.
O primeiro governador eleito seria Walter Jobim, do
PSD, seguido pelo general Ernesto Dorneles, do PTB. Em
sequência, elegeu-se o engenheiro Ildo Meneghetti,
sucedido pelo engenheiro Leonel Brizola, do PTB, que, por
sua vez, com a derrota de seu partido, não evitou o retorno
daquele.
Na verdade, depois de 1945, o estado se dividiu em
dois partidos—o PSD e o PTB—coligados, eventualmente,
aos menores. Somente na década de 1960 prepararam-se
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no estado as bases para a implantação da grande indústria,
além da exploração, em moldes capitalistas e modernizados,
da pecuária e da agricultura, particularmente o arroz, o trigo
e, mais tarde, a soja.
O estado desempenhou importante papel na
evolução da ordem política nacional, sobretudo a partir do
movimento militar de 1964, durante o qual três gaúchos,
escolhidos pelo Exército Brasileiro, assumiram a presidência
da república: Arthur da Costa e Silva. Emílio Garrastazu
Médici e Ernesto Geisel. No governo do estado, o coronel
Válter Peracchi Barcelos, eleito indiretamente em 1967, deu
início à implantação de amplo programa energético. Com a
ajuda do poder central, as administrações de seus
sucessores Euclides Triches, Sinval Sebastião Duarte
Guazzelli e José Amaral de Sousa construíram rodovias
modernas e ampliaram o porto do Rio Grande. Outro fator de
progresso foi o reaparelhamento da Viação Aérea Rio-
Grandense (Varig), que se tornou a mais importante
empresa aérea do país, extinta em 2006 e comprada em
2007 pela Gol Transportes Aéreos.
Em 1983 assumiu o governo Jair de Oliveira
Soares, sucedido por Pedro Jorge Simon e, depois, por
Guazzelli foi substituído em 1991 por Alceu Colares, que
1995 empossou seu sucessor, Antônio Britto.
GEOGRAFIA
Cascata do Caracol, no Parque Estadual do
Caracol, em Canela.
Cânion Fortaleza no Parque Nacional da Serra
Geral
Parque Nacional da Lagoa do Peixe
O estado do Rio Grande do Sul ocupa uma área de
281 730,223 km² (cerca de pouco mais que 3% de todo
território nacional, equivalente ao do Equador) e com fuso
horário -3 horas em relação a hora mundial GMT. Todo o
seu território está abaixo do Trópico de Capricórnio. No
Brasil, o estado faz parte da região Sul, fazendo fronteiras
com o estado de Santa Catarina e dois países: Uruguai e
Argentina. É banhado pelo oceano Atlântico e possui duas
das maiores lagoas do Brasil: a Lagoa Mirim e a Lagoa
Mangueira, além de possuir uma das maiores lagunas do
mundo: a Lagoa dos Patos, que possui água salobra.
Sua população constitui cerca de 6% do número de
habitantes do país.
Geologia e relevo
Serra Geral.
O estado do Rio Grande do Sul apresenta, em sua
maior parte, relevo baixo, com setenta por cento de seu
território a menos de 300m de altitude. A única porção
elevada, com mais de 600m de altitude, no nordeste,
compreende 11% da superfície total. Podem-se descrever
quatro unidades morfológicas no estado: a planície litorânea,
o planalto dissecado de sudeste, a depressão central e o
planalto basáltico.
Planície costeira
Também conhecida como planície litorânea. Toda
a fachada leste do estado é ocupada pela planície litorânea,
que consiste em terrenos arenosos com cerca de 500 km de
extensão no sentido nordeste-sudoeste e largura muito
variável. Os areais se desenvolvem tanto nas margens
orientais quanto nas ocidentais das lagoas dos Patos e
Mirim. Essas lagoas apresentam um desenho característico,
com recorte lobulado, em virtude das pontas de areia que de
uma e outra margem se projetam para dentro delas. Ao
contrário do que acontece no interior das lagoas, a linha da
costa apresenta traçado regular. A planície litorânea é
constituída pela justaposição de cordões litorâneos
(restingas), que às vezes deixam entre si espaços vazios
ocupados por lagoas alongadas ou banhados (antigas
lagoas colmatadas).
Planalto Dissecado de Sudeste
Coxilhas das Serras de Sudeste, no município de
Morro Redondo.
Também denominado impropriamente Serras de
Sudeste, o planalto dissecado de sudeste compreende um
conjunto de ondulações cujo nível mais alto não ultrapassa
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500 m. Trata-se de um planalto antigo, cuja superfície
tabular só foi preservada entre alguns rios. Esses terrenos
pré-cambrianos constituem o chamado escudo rio-
grandense e ocupam toda a porção sudeste do estado,
formando uma área triangular cujos vértices correspondem
aproximadamente às cidades de Porto Alegre, Dom Pedrito
e Jaguarão. O conjunto está dividido, pelo vale do rio
Camaquã, em duas grandes unidades, uma ao norte e outra
ao sul, denominadas serras de Herval e Tapes,
respectivamente. É o domínio típico das campinas, cuja
melhor expressão é encontrada na campanha gaúcha.
Depressão Central
Constituída por terrenos da era paleozoica, a
Depressão Central forma um arco em torno do planalto
dissecado de sudeste, envolvendo-o dos lados norte, oeste
e sul. Forma um amplo corredor com aproximadamente
cinquenta quilômetros de largura média e 770 km de
extensão, dos quais 450 no sentido leste-oeste, 120 no
sentido norte-sul e 200 no sentido oeste-leste. A topografia
suave e a pequena altitude em relação ao nível do mar
(menos de cem metros), permitem classificar a depressão
central como uma planície suavemente ondulada.
Planalto Basáltico
Cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional de
Aparados da Serra.
Representa a porção sul do Planalto Meridional do
Brasil. O norte e parte do oeste do estado são ocupados
pelo Planalto Basáltico, que descreve uma meia-lua em
torno da depressão central. Esse planalto, que tem como
traço marcante a estrutura geológica, é formado pelo
acúmulo ou empilhamento de sucessivos derrames
basálticos (isto é, derrames de lava), intercalados de
camadas de arenito. Alcançam espessura muito variável. No
nordeste do estado registra-se a espessura máxima,
responsável pela maior elevação do planalto nessa área.
A superfície do planalto apresenta uma inclinação
geral de leste para oeste. No nordeste, junto ao litoral,
alcança sua maior elevação, entre 1.000 e 1.100m; em
Vacaria atinge 960m; em Carazinho, 602m. Em Cruz Alta,
469m; no extremo oeste do estado, junto à barranca do rio
Uruguai, não ultrapassa cem metros. A topografia é plana ou
levemente ondulada, mas os rios, que banham a parte mais
elevada, abriram nela profundos sulcos ou vales, isolando
compartimentos tabulares.
Um aspecto saliente do planalto é a forma de
transição para as terras mais baixas com que se articula. A
nordeste, cai diretamente sobre a planícielitorânea, com um
paredão íngreme ou escarpa, de quase mil metros de
desnível: são os chamados "aparados da serra". Os rios
favorecidos pelo forte declive abriram aí profundas
gargantas ou taimbés. Nesse trecho, próximo à divisa com
Santa Catarina, a escarpa à borda do planalto corre paralela
à costa. À altura de Osório, desvia-se bruscamente para
oeste e a partir daí vai diminuindo progressivamente de
altura. Nesse trecho voltado para o sul, os rios que correm
para a depressão central abriram amplos vales. O rebordo
do planalto basáltico recebe no Rio Grande do Sul, como
nos demais estados meridionais, a denominação de Serra
Geral.
Ecologia
Cânion Fortaleza, no Parque Nacional da Serra
Geral.
No Rio Grande do Sul, segundo o Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade existem 40
unidades de conservação, sendo 1 área de proteção
ambiental, 1 área de relevante interesse ecológico, 2
estações ecológicas, 3 florestas nacionais, 3 parques
nacionais, 1 refúgio de vida silvestre e 29 reservas
particulares do patrimônio natural.
As unidades de conservação administradas pelo
governo brasileiro são o Parque Nacional da Serra Geral, o
Parque Nacional dos Aparados da Serra, o Parque Nacional
da Lagoa do Peixe, a Floresta Nacional de Canela, a
Floresta Nacional de São Francisco de Paula, a Floresta
Nacional de Passo Fundo, a Área de Proteção Ambiental do
Ibirapuitã, a Área de Relevante Interesse Ecológico Pontal
dos Latinos e Pontal dos Santiagos a Estação Ecológica de
Aracuri-Esmeralda, a Estação Ecológica do Taim, e o
Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos.
O estado, que foi pioneiro do movimento ecológico
no Brasil, hoje enfrenta uma série de problemas ambientais
graves e uma crônica carência de recursos materiais e
humanos para a área, e ostenta uma longa lista de espécies
ameaçadas. Por outro lado, muitos projetos do governo e
iniciativas privadas estão tentando reverter este quadro
sombrio e difundir a conscientização ecológica entre a
população, e já existe expressiva legislação ambiental.
Clima
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Neve em Caxias do Sul em 1994
Dois tipos climáticos caracterizam o Rio Grande do
Sul: o clima subtropical úmido e o clima oceânico.
O clima subtropical úmido possui chuvas bem
distribuídas durante o ano e verões quentes (Cfa na escala
de Köppen), ocorrendo na maior parte do estado. Registra
temperaturas médias anuais de entre 18 °C e 20 °C. O clima
oceânico (Cfb) também apresenta chuvas bem distribuídas
durante o ano, mas os verões são amenos. Ocorre nas
porções mais elevadas do território sul-rio-grandense, isto é,
na porção mais alta do planalto basáltico, e no Planalto
Dissecado de Sudeste, registrando temperaturas médias
anuais entre 13 °C e 17 °C.
Quanto ao regime pluviométrico, a zona mais
chuvosa do estado é a Serra Gaúcha, com precipitações ao
redor de 1.900 mm, enquanto que a parte onde menos
chove no estado é o extremo sul, com pluviosidade média
anual em torno de 1.100 mm no município de Santa Vitória
do Palmar.
Dos ventos que sopram no estado, dois têm
denominações locais: o pampeiro, vento tépido, procedente
dos pampas argentinos; e o minuano, vento frio e seco,
originário dos contrafortes da cordilheira dos Andes.
A temperatura mínima registrada no estado foi de -
9,8 °C no município de Bom Jesus, em 1º de agosto de
1955, enquanto a temperatura máxima registrada foi de
42,6 °C em Jaguarão, no sul do estado, em 1943. Municípios
como Uruguaiana, Lajeado e Campo Bom destacam-se em
recordes de temperaturas altas no verão, registrando valores
que, por vezes, chegam aos 40 °C. O estado está ainda
sujeito, no outono e no inverno, ao fenômeno do veranico,
que consiste de uma sucessão de dias com temperaturas
anormalmente elevadas para a estação.
Hidrografia
O Rio Uruguai na divisa com Santa Catarina
A rede de drenagem compreende rios que
pertencem à bacia do Uruguai e rios que correm para o
Atlântico. Os rios Jacuí, Taquari, Caí, Gravataí, Lago Guaíba
e dos Sinos, entre outros, são razoavelmente aproveitados
para a navegação. Toda a região ocidental do estado e uma
estreita faixa de terras ao longo da divisa com Santa
Catarina pertencem à bacia do Uruguai. Compreende, além
do rio Uruguai e seu formador, o Pelotas, os afluentes da
margem esquerda: o Passo Fundo, o Ijuí, o Piratini, o Ibicuí,
e o Quaraí.
À vertente atlântica pertence toda a metade oriental
do estado, drenada por rios cujas águas, antes de atingir o
Atlântico, vão ter a uma das lagoas litorâneas. Assim, a
lagoa Mirim recolhe as águas do rio Jaguarão, a lagoa dos
Patos, as dos rios Turuçu, Camaquã e Jacuí, as deste último
por meio do estuário denominado Guaíba. A lagoa dos Patos
se comunica com a lagoa Mirim através do canal de São
Gonçalo, e com o Atlântico por meio da barra do Rio
Grande. Além das duas grandes lagoas, há numerosas
outras, menores, na planície litorânea, entre elas a Itapeva,
dos Quadros, do Peixe e Mangueira.
Vegetação
Araucárias, típica dos gelados Planaltos Rio-
Grandenses.
Dois tipos de cobertura vegetal ocorrem no Rio
Grande do Sul: campos e florestas. Os campos ocupam
cerca de 66% da superfície do estado. De modo geral
recobrem as áreas de topografia regular, plana ou
ligeiramente ondulada, ou seja, a depressão central e a
maior parte do planalto basáltico.
As florestas cobrem 29% do território estadual.
Aparecem na encosta e nas porções mais acidentadas no
planalto basáltico, no planalto dissecado de sudeste e,
ainda, na forma de capões e matas ciliares, dispersas pelos
campos, que recobrem o resto do estado. Nas áreas de
maior altitude, com mais de 400m, domina a chamada mata
de pinheiros, uma floresta mista de latifoliadas e coníferas, a
chamada mata de pinheiros. Nas demais áreas ocorre a
floresta latifoliada.
Nos dois tipos de floresta está presente a erva-
mate, objeto de exploração econômica desde o início do
povoamento do estado. Em cerca de cinco por cento do
território ocorre a vegetação do tipo litorâneo, que se
desenvolve nos areais da costa.
Demografia
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De acordo com o censo 2010 o Rio Grande do Sul
tinha uma população de 10 693 929 habitantes, sendo mais
populoso que Portugal.
Dez anos antes, segundo o censo demográfico de
2000, o Rio Grande do Sul tinha uma população de
10.187.798 hab. Em 1991, o estado contava com 9.127.611
habitantes. Esses números mostram que a taxa de
crescimento demográfico na última década foi de 1,2% ao
ano, abaixo portanto da média do país como um todo (1,33%
anuais). Em 2010, segundo cálculos do IBGE, era 5º estado
mais populoso do país, e efetivamente, o mais populoso da
Região Sul — abrigando cerca de 6% da população
brasileira. Do total da população do estado, 5.488.872
habitantes pertencem ao sexo feminino e 5.205.057
habitantes ao sexo masculino (dados de 2010).
O Rio Grande do Sul é um estado em que a
população urbana supera a rural. Segundo o censo
demográfico de 2000, 80,8% da população moram em
cidades. Nesse mesmo ano a densidade demográfica do
estado chegou a 36,14 habitantes./km², mais de duas vezes
superior à do Brasil como um todo (19,92 habitantes./km²).
A área mais densamente povoada do Rio Grande
do Sul está na Região Metropolitanade Porto Alegre, onde
se registram algumas densidades acima de 2.000 hab./km².
Formada por trinta municípios, sua população é de
aproximadamente 4 milhões de habitantes, a quarta maior
aglomeração urbana do país. Seguem-se o litoral norte e a
encosta do planalto, a leste da serra Geral e o Vale do
Taquari com densidades próximas de 50 hab./km². A zona
do alto Uruguai, a noroeste, e as áreas centralizadas por
Passo Fundo e Iraí, apresentam densidades entre 30 e 40
hab./km². No sul do estado, as densidades raramente
ultrapassam 10 hab./km². Somente em torno de Pelotas a
população aparece mais concentrada, chegando a mais de
20 hab./km². A capital do estado, é a décima cidade
brasileira em população. Situada à margem do rio Guaíba,
Porto Alegre tem um movimentado porto fluvial e é o mais
importante centro industrial, comercial e cultural do Rio
Grande do Sul.
COMPOSIÇÃO ÉTNICA
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Casa de pedra e madeira do fim do século XIX, um
exemplar típico da arquitetura italiana da zona rural de
Caxias do Sul.
O Rio Grande do Sul pode ser dividido em quatro
regiões culturais, nas quais predominaram etnias diferentes
que, a partir da relação sociedade-natureza e por meio de
sistemas simbólicos que se materializaram na paisagem via
códigos culturais, formaram zonas com características
próprias. O estado pode ser decomposto, portanto, nas
seguintes regiões: região cultural 1 (individualizada pela
presença das etnias nativa, portuguesa, espanhola, africana
e açoriana); região cultural 2 (formada pela presença de
alemães); região cultural 3 (marcada pela etnia italiana) e a
região cultural 4 (conformada pela presença de etnias
mistas).
Atualmente, a população autodeclara-se da
seguinte maneira quanto à raça: 82,3% como brancos,
11,4% como pardos, 5,9% como pretos e 0,4% como
amarelos ou indígenas.
Idiomas
Além do idioma oficial, o português, no Rio Grande
do Sul outros idiomas também são falados por parte da
população, como o caingangue ou o mbyá-guaraní, de
povos autóctones, e também o Portunhol Riverense em
regiões fronteiriças.
Considerável parte do povo gaúcho, em geral os
descendentes de imigrantes alemães e italianos, dentre
outros, também falam os seguintes idiomas: Riograndenser
Hunsrückisch (um idioma regional sul-brasileiro falado desde
há quase dois séculos pela maioria dos teuto-brasileiros no
Rio Grande do Sul); o Plattdietch ou plattdüütsch (junção dos
dialetos do baixo-alemão a qual pertence o dialeto
Pomerano falado em várias regiões do sul do Brasil); Talian
(versão sul-brasileira do vêneto); Castelhano (falado nas
regiões fronteiriças do Brasil com a Argentina e Uruguai,
Paraguai etc.); e em menor escala, ainda existem vários
outros núcleos de idiomas e dialetos no Rio Grande do Sul,
como polonês, lituano, árabe e iídiche.
Governo e política
O Palácio Farroupilha é sede da Assembleia
Legislativa do Rio Grande do Sul
O Palácio Piratini é a sede do governo estadual
O estado do Rio Grande do Sul, consoante os
ditames contidos na Carta Constitucional da República
Federativa do Brasil, é governado por três poderes, o
executivo, representado pelo governador, o legislativo,
representado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do
Sul, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do
Estado do Rio Grande do Sul e outros tribunais e juízes.
Além dos três poderes, o estado também permite a
participação popular nas decisões do governo através de
referendos e plebiscitos.
A atual constituição do estado do Rio Grande do
Sul foi promulgada em 1989.
O Poder Executivo gaúcho está centralizado no
governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e
voto direto e secreto pela população para mandatos de até
quatro anos de duração, podendo ser reeleito para mais um
mandato. Sua sede é o Palácio Piratini, que desde 1921 é a
sede do governo gaúcho.
A maior corte do Poder Judiciário estadual é o
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul,
localizada no centro de Porto Alegre. O Poder Legislativo do
Rio Grande do Sul é unicameral, constituído pela
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, localizado no
Palácio Farroupilha. Ela é constituída por 55 deputados, que
são eleitos a cada quatro anos. No Congresso Nacional, a
representação gaúcha é de 3 senadores e 31 deputados
federais.
O Rio Grande do Sul está dividido em 496
municípios. O mais populoso deles é a capital, Porto Alegre,
com 1,4 milhões de habitantes, sendo a cidade mais rica do
estado. Sua região metropolitana possui aproximadamente
4,1 milhões de habitantes.
Subdivisões
Divisões do estado.
O estado do Rio Grande do Sul possui várias
subdivisões, baseadas em aspectos sócio/econômicos, com
fins estatísticos, principalmente. O estado é dividido em sete
mesorregiões, 35 microrregiões e 497 municípios, segundo o
IBGE.
1. Mesorregião do Centro Ocidental
Rio-Grandense
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2. Mesorregião do Centro Oriental
Rio-Grandense
3. Mesorregião Metropolitana de
Porto Alegre
4. Mesorregião do Nordeste Rio-
Grandense
5. Mesorregião do Noroeste Rio-
Grandense
6. Mesorregião do Sudeste Rio-
Grandense
7. Mesorregião do Sudoeste Rio-
Grandense
O estado também é dividido a partir da
regionalização do Conselho Regional de Desenvolvimento,
criado na primeira metade da década de 1990. Existem
atualmente 24 regiões dos COREDE (Conselhos Regionais
de Desenvolvimento).
Economia
Porto Alegre, capital e um dos maiores polos
industriais do estado
Na Campanha Gaúcha pratica-se a criação de
ovinos.
Entre os principais produtos agrícolas gaúchos,
destacam-se o arroz (5,2 milhões de toneladas), a soja (7
milhões de toneladas), o milho (6 milhões de toneladas), a
mandioca (1,3 milhão de toneladas), a cana-de-açúcar (1
milhão de toneladas), a laranja (2 bilhões de frutos) e o alho
(24 mil toneladas). O estado abriga grandes reservas de
carvão mineral e de calcário. A extração de água mineral é
também importante (aproximadamente 92 milhões de litros
anuais).
O Rio Grande do Sul é um dos estados com maior
grau de industrialização no país. O parque industrial gaúcho
dedica-se principalmente aos ramos petroquímico, tabagista,
de calçados, de construção, de alimentos, automobilístico e
indústria naval. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio revela que em 2012 os principais produtos
exportados pelo estado foram o Tabaco em Rama (12,60%),
Soja (11,36%), Carne de Aves (7,34%), Farelo de Soja
(6,64%) e Polímeros de Etileno (4,30%).
Graças às paisagens diversificadas, o Rio Grande
do Sul atrai turistas por diversos propósitos. Há, no extremo
norte, as praias de Torres, vizinhas ao Parque Nacional de
Aparados da Serra, que tem se destacado como importante
destino de ecoturismo. Os turismos gastronômico (na região
de Bento Gonçalves, produtora de vinho) e histórico (na
região das missões jesuíticas de São Borja e São Miguel)
também são dignos de menção. A capital, Porto Alegre,
além de centro cultural de relevância nacional, tem servido
de sede de grandes encontros internacionais, especialmente
para assuntos relacionados ao Mercosul.
O Rio Grande do Sul dispõe de extensa malha
ferroviária, que serve todo o seu território. Além disso,
destaca-se a rede de estradas federais e estaduais, que
soma aproximadamente 152,2 mil quilômetros. Porém,
apenas 10,3 milquilômetros são pavimentados.
Infraestrutura
Energia
Parque eólico de Osório.
Entre as principais usinas elétricas do estado
sobressaem as hidrelétricas de Passo Fundo (220 MW), no
rio Uruguai; Passo Real (125 MW), Leonel Brizola (antiga
Jacuí) (180 MW), Itaúba (500 MW) e Dona Francisca
(125 MW) no rio Jacuí; e as termelétricas Candiota II
(126 MW), em Bagé, Charqueadas (72 MW), em São
Jerônimo, Osvaldo Aranha (66 MW), em Alegrete, e AES
Uruguaiana(639 MW) em Uruguaiana a primeira usina
termelétrica a operar a gás natural no Brasil. Recentemente
foi construído o Parque eólico na cidade de Osório, com
capacidade instalada estimada em 150 MW.
Educação
Em 2008, estavam matriculados 1.598.403 alunos
nas escolas de ensino fundamental do estado, das quais
740.749 eram municipais, 721.811 estaduais, 134.553
particulares e 1.290 federais. Quanto ao corpo docente, era
o mesmo constituído de 97.039 professores. O ensino de
nível médio foi ministrado em 1.410 estabelecimentos, com a
matrícula de 429.349 alunos e corpo docente de 30.673
professores. Dos 429.349 discentes, 5.753 estavam na
escola pública federal, 369.317 na escola pública estadual,
6.993 na escola pública municipal e 47.286 na escola
particular.
Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS)
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Em 2007, quanto ao nível de ensino superior, o
estado administrava através de 100 estabelecimentos, com
21.772 professores e 345.029 discentes. O estado conta
com onze universidades públicas e vinte 24 universidades
particulares, no total de 35 (ver lista de instituições de ensino
superior no Rio Grande do Sul).
Em 2004 a taxa de analfabetismo no estado era de
5,5%, uma das mais baixas do Brasil. Da população, 16,8%
dos gaúchos são analfabetos funcionais. O Rio Grande do
Sul é a quinta melhor educação do Brasil, com um Índice de
Desenvolvimento Humano de 0,921.
As principais universidades do Rio Grande do Sul
são a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul,
Universidade Federal do Rio Grande, o Instituto Federal
Farroupilha, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, o
Instituto Federal Sul-rio-grandense, a Universidade Federal
de Ciências da Saúde de Porto Alegre, a Universidade
Federal de Pelotas, a Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria, a
Universidade Federal do Pampa, a Universidade Federal da
Fronteira do Sul, a Universidade de Passo Fundo,
Universidade de Caxias do Sul, Universidade Feevale,
Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Universidade de
Santa Cruz do Sul e a Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul.
Transportes
Trecho da BR-290 em Osório, próximo à Porto
Alegre
O Rio Grande do Sul apresenta uma importante
malha hidroviária, concentrada nas bacias Litorânea e do
Guaíba. Nessas bacias estão os principais rios de rota rio
Jacuí, rio Taquari e rio dos Sinos, além do Guaíba e da
Laguna dos Patos. Atualmente, a navegação no rio Uruguai
é de pequena importância, assim como de seu principal
afluente, o rio Ibicuí, o único que apresenta condição
navegável. A principal rota hidroviária do estado é Porto
Alegre-Rio Grande, que apresenta calado de 5,2 metros. As
principais cargas no sentido Rio Grande são produtos
petroquímicos, derivados de petróleo, óleo de soja e
celulose. No sentido Porto Alegre destacam-se os
fertilizantes.
Porto de Rio Grande.
O Porto de Rio Grande é de grande importância
para o Mercosul, e também o principal ponto de
multimodalidade do estado, fazendo com que parte do
sistema rodoviário e ferroviário tenham o Porto de Rio
Grande como foco. O Porto de Rio Grande, em 2005,
chegou a 18 milhões de toneladas, consolidado como o
segundo maior porto com movimento de containers do
Brasil, e o terceiro em cargas. Os principais portos são:
Porto de Rio Grande, Porto de Porto Alegre, Porto de Estrela
e Porto de Pelotas.
Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto
Alegre.
O Aeroporto Internacional Salgado Filho localiza-se
em Porto Alegre e é o mais importante do estado, tendo uma
movimentação de 5,6 milhões de passageiros ao ano
(Infraero - 2009), envolvendo o movimento de 79 mil
aeronaves por ano. O Aeroporto Internacional de Pelotas é
operado pelas linhas aéreas NHT e localiza-se no sul do
estado com voos até Erechim , Porto Alegre , Rio Grande e
até mesmo para Montevidéu, no Uruguai. Existe também o
Aeroporto de Caxias do Sul, que é importante para o estado,
e conta com três voos diários para São Paulo (exceto aos
sábados, quando tem apenas um voo). É um aeroporto
operado por uma companhia aérea, a Gol, que opera com
Boeing 737.
O Rio Grande do Sul, hoje, possui uma malha de
3.260 quilômetros de linhas e ramais ferroviários, utilizadas
para cargas. A maior parte apresenta bitola métrica, sendo
que apenas cinco quilômetros apresentam bitola mista, com
objetivo de realizar a integração com as malhas argentinas e
uruguaias. Atualmente, alguns trechos das ferrovias não
estão em operação regular e os terminais ferroviários que
apresentam maior concentração de cargas localizam-se nas
proximidades da Grande Porto Alegre, Passo Fundo, Santa
Maria, Cruz Alta e Uruguaiana.
O sistema rodoviário é responsável pela maior parte
da carga transportada e pela quase totalidade do transporte
de passageiros no Rio Grande do Sul. O estado possui
153.960 km de rodovias, sob jurisdição nacional, estadual ou
municipal. A malha nacional estrutura a rede de transporte
com rodovias longitudinais, diagonais, transversais e de
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ligação. As principais rodovias são: BR-101, BR-116, BR-
153, BR-158, BR-163, BR-285, BR-290, BR-386, BR-392 e
BR-471.
SANEAMENTO BÁSICO
A qualidade de vida depende também de prevenção
de doenças e tratamento confiável de enfermidades. O
estado dispõe de infraestrutura ampla e qualificada, mas
possui grande deficiência sobretudo no saneamento básico.
Segundo pesquisa recentemente realizada pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a organização não-
governamental Trata Brasil em 2007, o estado é o último no
país nesse quesito. Embora o estado disponha de bons
índices em vários setores, o acesso ao esgoto tratado é de
apenas 15% da população.
A Região Metropolitana de Porto Alegre é a
penúltima, entre 10 pesquisadas em 2007, no recolhimento e
tratamento de esgoto. Em Porto Alegre, apenas 27% do
esgoto recebe tratamento. No Rio Grande do Sul, apesar de
não estar nas últimas colocações, apenas 14,77% da
população tem esgoto canalizado e tratado. Isso significa
que os dejetos da grande maioria vão para os arroios e rios,
contaminando as águas.
Porém, deverão acontecer obras de saneamento e,
em cinco anos, a previsão é de que 77% dos porto-
alegrenses terão esgoto tratado.
CULTURA
O natural do Rio Grande do Sul é chamado de
gaúcho. O Rio Grande do Sul apresenta uma rica
diversidade cultural. De uma forma sucinta, pode-se concluir
que a cultura do estado tem duas vertentes: a gaúcha
propriamente dita, com raízes nos antigos gaúchos que
habitavam o pampa; a outra vertente é a cultura trazida pela
imigração europeia, efetuada por colonos portugueses,
espanhóis e imigrantes alemães e italianos.
Dança típica gauchesca.
Aprimeira é marcada pela vida no campo e pela
criação bovina. A cultura gaúcha nasceu na fronteira entre a
Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil. Os gaúchos viviam
em uma sociedade nômade, baseada na pecuária. Mais
tarde, com o estabelecimento das fazendas de gado, eles
acabaram por se estabelecer em grandes estâncias
espalhadas pelos pampas. O gaúcho era mestiço de índio,
português e espanhol, e a sua cultura foi bastante
influenciada pela cultura dos índios guaranis, charruas e
pelos colonos hispânicos.
No século XIX, o Rio Grande do Sul começou a ser
colonizado por imigrantes europeus. Os alemães
começaram a se estabelecer ao longo do rio dos Sinos, a
partir de 1824. Ali estabeleceram uma sociedade baseada
na agricultura e na criação familiar, bem distinta dos grandes
latifundiários gaúchos que habitavam os pampas. Até 1850,
os alemães ganhavam facilmente as terras e se tornavam
pequenos proprietários, porém, após essa data, a
distribuição de terras no Brasil tornou-se mais restrita,
impedindo a colonização de ser efetuada nas proximidades
do Vale dos Sinos. A partir de então, os colonos alemães
passaram a se expandir, buscando novas terras em lugares
mais longes e levando a cultura da Alemanha para diversas
regiões do Rio Grande do Sul.
A colonização alemã se expandiu nas terras baixas,
parando nas encostas das serras. Quem colonizou as serras
do Rio Grande do Sul foram outra etnia: os italianos.
Imigrantes vindos da Itália começaram a se estabelecer nas
Serras Gaúchas a partir de 1875. A oferta de terras era mais
restrita, pois a maior parte já estava ocupada pelos gaúchos
ou por colonos alemães. Os italianos trouxeram seus hábitos
e introduziram na região a vinicultura, ainda hoje a base da
economia de diversos municípios gaúchos.
Acervo arquitetônico
As ruínas jesuíticas de São Miguel das Missões.
Patrimônio da Humanidade desde 1983.
O estado possui rico acervo arquitetônico e dispõe
de inúmeros monumentos tombados pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre os
quais se destacam a igreja de São Sebastião, em Bagé,
construída em 1863 e onde repousam os restos mortais de
Gaspar da Silveira Martins; o forte inacabado de Dom Pedro
II, em Caçapava do Sul; o palácio do governo farroupilha
(hoje Museu Farroupilha), o quartel-general farroupilha e a
casa de Giuseppe Garibaldi, em Piratini; a Catedral de São
Pedro, em Rio Grande; as ruínas do Povo e da igreja de São
Miguel, em Santo Ângelo; os casarões, a Catedral, o Theatro
7 de abril(o mais antigo em funcionamento no Brasil), o
Teatro Guarany, Catedral no Centro, a Igreja do Porto, os
Casarões na praça Coronel Pedro Osório, o Mercado
Central e as Charqueadas em Pelotas; a igreja de Nossa
Senhora da Conceição, em Viamão.
Eventos
Dentre as festas religiosas do estado, destacam-se,
na capital, a procissão fluvial de Nossa Senhora dos
Navegantes padroeira de Porto Alegre, em 2 de fevereiro; a
festa do Divino, celebrada na igreja do Espírito Santo; e a
procissão de Corpus Christi
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19
Presidente Dilma Rousseff e membros da
comunidade ítalo-brasileira durante a Festa da Uva, em
Caxias do Sul.
Ainda na capital, realizam-se exposições anuais de
animais e produtos derivados (agosto), a Semana
Farroupilha (14 a 20 de setembro) e a exposição estadual de
orquídeas (de 1º a 8 de dezembro); em Santana do
Livramento e São Borja realizam-se exposições
agropecuárias (outubro); em Caxias do Sul, a famosa Festa
da Uva (fevereiro); e em Gramado, a Festa das Hortênsias
(bienal) e a Feira Nacional de Artesanato (anual); em todas
as cidades da campanha gaúcha realizam-se rodeios
(reunião de gado para contagem, cura ou venda); em
Pelotas acontece a Festa Nacional do Doce (Fenadoce), a
maior feira do Brasil de doces, o evento acontece entre os
meses de junho e julho no Centro de Eventos Fenadoce; em
Rio Grande acontece a Festa do Mar, voltada aos frutos do
mar, pescados em geral, acontecendo normalmente na
época da Páscoa, bom como a FEARG, voltada ao
artesanato, comércio e etnias locais, e a Festa de Iemanjá,
realizada no dia 2 de fevereiro, recebendo umbandistas, fiéis
e simpatizantes de várias cidades do estado e até de outros
países. Em várias cidades do estado acontecem eventos
literários conhecidos por Feira do Livro, destacando-se as de
Passo Fundo, praia do Cassino e, principalmente, a de Porto
Alegre. Em Santa Rosa, realiza-se a Fenasoja que atrai
muitos visitantes de fora do país. Já em Ijuí - terra das
culturas diversificadas, realiza-se a ExpoIjuí, conhecida festa
que reúne as mais diversas etnias do estado, são 12
atualmente.
A Califórnia da Canção Nativa é um evento musical
considerado como patrimônio cultural do estado, ocorre a
cada ano em diversas cidades, com a final no mês de
dezembro em Uruguaiana. Considerado pelo governo um
modelo de divulgação da música regional rio-grandense,
onde através da triagem de mais de 500 músicas com estilos
regionais, na final é selecionada a melhor composição.
Danças típicas do estado são o bambaquerê (espécie de
quadrilha), e congada (auto popular), a chimarrita
(fandango), a jardineira (dança figurada e cantada, de pares
soltos) e a quebra-mana (dança sapateada e valsada). Nas
zonas de colonização alemã, realizam-se os kerbs, bailes
populares que duram em geral três dias.
O evento "Grito do Nativismo Gaúcho" de Jaguari
tem sua origem no próprio contexto histórico do movimento
dos festivais nativistas do RS. O festival ocorre anualmente
no Clube de Caça e Pesca de Jaguari (Capejar) no mês de
janeiro. O último evento, em 2012, teve 427 canções
inscritas, das quais 12 foram selecionadas. No palco do
Grito, convivem, democraticamente, todas as formas de
manifestações da música sul rio-grandense. O festival aceita
trabalhos que se alinhem em qualquer das tendências que
dominam o movimento nativista do RS levando em conta
somente a qualidade dos mesmos. Sem romper com as
origens rurais, aproximam a realidade de um estado
urbanizado e contemporâneo, valorizando, ainda mais, a
cultura como um todo.
Esporte
Estádio Beira-Rio, uma das sedes da Copa do
Mundo FIFA de 2014
Arena do Grêmio
Como exemplos de ídolos do esporte, o estado
conta com Daiane dos Santos, vencedora das principais
competições na ginástica artística, como a Copa do Mundo
de Ginástica; João Derly, campeão mundial de judô; e
Ronaldinho Gaúcho, eleito o melhor jogador de futebol do
mundo duas vezes, e os três últimos treinadores da Seleção
Brasileira Dunga, Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari.
Também se destacam os atletas da Patinação Artística,
selecionados para representarem o Brasil nos últimos Jogos
Pan-Americanos, Marcel Sturmer (tricampeão Pan-
Americano) e Talitha Haas (3ª colocada na competição). Em
Erechim, no norte do estado, é realizada a única etapa no
Brasil do campeonato sul-americano de rally velocidade pela
CODASUR.
O Rio Grande do Sul possui atualmente oito times
de futebol pertencentes às divisões do Campeonato
Brasileiro de Futebol: Grêmio; Internacional; Caxias;
Juventude; Brasil; Lajeadense de Lajeado e Ypiranga. O
Sport Club Rio Grande, do município de Rio Grande, é o
mais antigo do Brasil e atualmente joga o Campeonato
Gaúcho da Segunda Divisão.
O Rio Grande do Sul também é referência nacional
e mundial na prática do futsal, sendo o Inter/Ulbra de Porto
Alegre, a ACBF de Carlos Barbosa, o Atlântico de Erechim,
o Ulbra de Canoas e o Enxuta de Caxias do Sul. Devido às
conquistas da ACBF, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-
RS)apresentou em 2013 um projeto de lei para declarar o
município de Carlos Barbosa a capital do futsal no Brasil. Tal
projeto foi aprovado pelo Senado Federal em 27 de Maio de
2015.
HISTÓRIA DO BRASIL
A História do Brasil começa com a chegada dos
primeiros humanos no continente americano há mais de
8.000 anos. Em fins do século XV toda a área hoje
conhecida como Brasil era habitada por tribos seminômades
que subsistiam da caça, pesca, coleta e agricultura. No ano
de 1500, Pedro Álvares Cabral, capitão-mor de expedição
portuguesa a caminho das Índias, chegou ao litoral sul
da Bahia, tornando a região colônia do Reino de Portugal.
Trinta anos depois, a Coroa Portuguesa implementou
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20
uma política de colonização para a terra recém-descoberta
que se organizou por meio da distribuição de capitanias
hereditárias a membros da nobreza, porém esse sistema
malogrou, uma vez que somente as capitanias
de Pernambuco e São Vicente prosperaram. Em 1548 é
criado o Estado do Brasil, com consequente instalação de
um governo-geral, e no ano seguinte é fundada a primeira
sede colonial, Salvador. A economia da colônia, iniciada com
o extrativismo do pau-brasil e as trocas entre os colonos e
os índios, gradualmente passou a ser dominada pelo cultivo
da cana-de-açúcar para fins de exportação, tendo
em Pernambuco o seu principal centro produtor, região que
chegou a atingir o posto de maior e mais rica área de
produção de açúcar do mundo. No fim do século XVII foram
descobertas, através das bandeiras, importantes jazidas
de ouro no interior do Brasil que foram determinantes para o
seu povoamento e que pontuam o início do chamado Ciclo
do ouro, período que marca a ascensão do atual estado
de Minas Gerais na economia colonial. Em 1763, a sede do
Estado do Brasil foi transferida para o Rio de Janeiro.
Em 1808, com a transferência da corte portuguesa
para o Brasil, fugindo da possível subjugação da França,
consequência da Guerra Peninsular travada entre as tropas
portuguesas e as de Napoleão Bonaparte, o Príncipe-
regente Dom João de Bragança, filho da Rainha Dona Maria
I, abriu os portos da então colônia, permitiu o funcionamento
de fábricas e fundou o Banco do Brasil. Em 1815, o
então Estado do Brasil foi elevado à condição de reino,
unido aos reinos de Portugal e Algarves, com a designação
oficial de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, tendo
Dona Maria I de Portugal acumulado as três coroas. Em 7 de
setembro de 1822, Dom Pedro de Alcântara proclamou
a Independência do Brasil em relação ao Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves, e fundou o Império do Brasil,
sendo coroado imperador como Dom Pedro I. Ele reinou
até 1831, quando abdicou e passou a Coroa brasileira ao
seu filho, Dom Pedro de Alcântara, que tinha apenas cinco
anos. Aos catorze anos, em 1840, Dom Pedro de Alcântara
(filho) teve sua maioridade declarada, sendo coroado
imperador no ano seguinte como Dom Pedro II.
Em 15 de novembro de 1889, ocorreu
a Proclamação da República pelo Marechal Deodoro da
Fonseca e teve início a República Velha, que só veio
terminar em 1930 com a chegada de Getúlio Vargas ao
poder. A partir daí, têm destaque na história brasileira a
industrialização do país; sua participação na Segunda
Guerra Mundial ao lado dos Estados Unidos; e o Golpe
Militar de 1964, quando o general Castelo Branco assumiu
a Presidência. A ditadura militar, a pretexto de combater
a subversão e a corrupção, suprimiu direitos constitucionais,
perseguiu e censurou os meios de comunicação, extinguiu
os partidos políticos e criou o bipartidarismo. Após o fim do
regime militar, os deputados federais e senadores se
reuniram no ano de 1988 em Assembleia Nacional
Constituinte e promulgaram a nova Constituição, que amplia
os direitos individuais. O país se redemocratiza, avança
economicamente e cada vez mais se insere no cenário
internacional.
Evolução da divisão administrativa do Brasil
A periodização tradicional divide a História do Brasil
normalmente em quatro períodos gerais:
Periodização da História do Brasil
Pré-descobrimento Colônia Império República
Colônia
Descobrime
nto
Desca
so
Socieda
de
açucare
ira
Socieda
de
aurífera
Vinda da corte
portuguesa e R
eino unido a
Portugal e
Algarves
Império
Independência
Primeiro
reinado
Regência
Segundo
reinado
República
Proclamaç
ão da
República
Repúbli
ca
Velha
Era
Varg
as
Repúbli
ca
Populist
a
Ditadu
ra
militar
Nova
Repúbli
ca
Período pré-descobrimento (até 1500)
Ataque de índios a uma outra aldeia indígena.
Quando descoberto pelos portugueses em 1500,
estima-se que o atual território do Brasil (a costa oriental
da América do sul), era habitado por 2 milhões de
indígenas, do norte ao sul.
A população ameríndia era repartida em grandes
nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre
os quais se destacam os grandes grupos tupi-
guarani, macro-jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos
em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros
outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do
Sul ao Rio Grande do Norte de hoje. Segundo Luís da
Câmara Cascudo, os tupis foram «a primeira raça indígena
que teve contacto com o colonizador e (…) decorrentemente
a de maior presença, com influência no mameluco,
no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que
se fixava». A influência tupi se deu na alimentação,
no idioma, nos processos agrícolas, de caça e pesca,
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
21
nas superstições, costumes, folclore, como explica Câmara
Cascudo:
“ O tupi era a raça histórica, estudada pelos
missionários, dando a tropa auxiliar, recebendo o
batismo e ajudando o conquistador a expulsar
inimigos de sua terra. (…) Eram os artífices da rede
de dormir, criadores da farinha de
mandioca, farinha de pau, do complexo da goma
de mandioca, das bebidas de frutas e raízes, da
carne e peixe moqueados, elementos que
possibilitaram o avanço branco pelo sertão. ”
Dança tupinambá em ilustração do livro Duas
Viagens ao Brasil de Hans Staden.
Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi
precedida por vários tratados entre Portugal e Espanha,
estabelecendo limites e dividindo o mundo já descoberto do
mundo ainda por descobrir.
Destes acordos assinados à distância da terra
atribuída, o Tratado de Tordesilhas (1494) é o mais
importante, por definir as porções do globo que caberiam a
Portugal no período em que o Brasil foi colônia
portuguesa. Estabeleciam suas cláusulas que as terras a
leste de um meridiano imaginário que passaria a
370 léguas marítimas a oeste das ilhas de Cabo
Verde pertenceriam ao rei de Portugal, enquanto as terras a
oeste seriam posse dos reis de Castela (atualmente
Espanha). No atual território do Brasil, a linha atravessava
de norte a sul, da atual cidade de Belém do Pará à
atual Laguna, em Santa Catarina. Quando soube do tratado,
o rei de França Francisco I teria indagado qual era "a
cláusula do testamento de Adão" que dividia o planeta entre
os reis de Portugal e Espanha e o excluía da partilha.
Períodocolonial (1500-1815)
A chegada dos portugueses
O Tratado de Tordesilhas (1494), firmado
entre Espanha e Portugal para repartir as terras descobertas
e "por descobrir", definiu os rumos da história do "futuro"
Brasil.
O período compreendido entre o Descobrimento do
Brasil em 1500, (chamado pelos portugueses de Achamento
do Brasil), até a Independência do Brasil, é chamado, no
Brasil, de Período Colonial. Os portugueses, porém,
chamam este período de A Construção do Brasil, e o
estendem até 1825 quando Portugal reconheceu a
independência do Brasil.
Há algumas teorias sobre quem foi o primeiro
europeu a chegar nas terras que hoje formam o Brasil. Entre
elas, destacam-se a que defende que foi Duarte Pacheco
Pereira entre novembro e dezembro de 1498, e a que
argumenta que foi o espanholVicente Yáñez Pinzón no
dia 16 de janeiro de 1500, possivelmente no Cabo de Santo
Agostinho, litoral sul de Pernambuco. No entanto,
oficialmente, o Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500
pelo capitão-mor duma expedição portuguesa em busca
das Índias, Pedro Álvares Cabral, que chegou ao litoral sul
da Bahia, na região da atual cidade de Porto Seguro, mais
precisamente no distrito de Coroa Vermelha.
No dia 9 de março de 1500, o português Pedro
Álvares Cabral, saindo de Lisboa, iniciou viagem para
oficialmente descobrir e tomar posse das novas terras para a
Coroa, e depois seguir viagem para a Índia, contornando
a África para chegar a Calecute. Levava duas caravelas e 13
naus, e por volta de 1 500 homens - entre os mais
experientes Nicolau Coelho, que acabava de regressar da
Índia; Bartolomeu Dias, que descobrira o cabo da Boa
Esperança, e seu irmão Diogo Dias, que mais tarde Pero
Vaz de Caminha descreveria dançando na praia em Porto
Seguro com os índios, «ao jeito deles e ao som de uma
gaita». As principais naus se chamavam Anunciada, São
Pedro, Espírito Santo, El-Rei, Santa Cruz, Fror de la
Mar, Victoria e Trindade. O vice-comandante da frota
era Sancho de Tovar e outros capitães eram Simão de
Miranda, Aires Gomes da Silva, Nuno Leitão, Vasco de
Ataíde, Pero Dias, Gaspar de Lemos, Luís Pires, Simão de
Pina, Pedro de Ataíde, de alcunha o inferno, além dos já
citados Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias. Por feitor, a
armada trazia Aires Correia, que havia de ficar na Índia, e
por escrivães Gonçalo Gil Barbosa e Pero Vaz de Caminha.
Entre os pilotos, que eram os verdadeiros navegadores,
vinham Afonso Lopes e Pero Escobar. Diz a Crônica do
Sereníssimo Rei D. Manuel I:
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
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A nau de Pedro Álvares Cabral em ilustração
do Livro das Armadas que de Portugal passaram à Índia….
Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo),
óleo sobre tela, Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo
do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.
“ E, porque el Rei sempre foi mui inclinado
às coisas que tocavam a nossa Santa fé católica,
mandou nesta armada oito frades da ordem de S.
Francisco, homens letrados, de que era Vigário frei
Henrique, que depois foi confessor del Rei e Bispo
de Ceuta, os quais como oito capelães e um
vigário, ordenou que ficassem em Calecut, para
administrarem os sacramentos aos portugueses e
aos da terra se se quisessem converter à fé. ”
Âncoras levantadas em Lisboa, a frota passou
por São Nicolau, no arquipélago de Cabo Verde, em 16 de
março. Tinham-se afastado da costa africana perto
das Canárias, tocados pelos ventos alísios em direção ao
ocidente. Em 21 de abril, da nau capitânia avistaram-se no
mar, boiando, plantas. Mais tarde surgiram pássaros
marítimos, sinais de terra próxima. Ao amanhecer de 22 de
abril ouviu-se um grito de "terra à vista", pois se avistou o
monte que Cabral batizou de Monte Pascoal, no litoral sul da
atual Bahia.
Ali aportaram as naus, discutindo-se até hoje se
teria sido exatamente em Porto Seguro ou em Santa Cruz
Cabrália (mais precisamente no ilhéu de Coroa Vermelha,
no município de Santa Cruz Cabrália), e fizeram contato com
os tupiniquins, indígenas pacíficos. A terra, a que os nativos
chamavam Pindorama ("terra das palmeiras"), foi a princípio
chamada pelos portugueses de Ilha de Vera Cruz e nela foi
erguido um padrão (marco de posse em nome da Coroa
Portuguesa). Mais tarde, a terra seria rebatizada como Terra
de Santa Cruz e posteriormente Brasil. Estava situada
5.000 km ao sul das terras descobertas por Cristóvão
Colombo em 1492 e 1.400 quilômetros aquém da Linha de
Tordesilhas. Sérgio Buarque de Holanda descreve,
em História Geral da Civilização Brasileira:
“ Tendo velejado para o norte, acharam dez
léguas mais adiante um arrecife com porto dentro,
muito seguro. No dia seguinte, sábado, entraram os
navios no porto e ancoraram mais perto da terra. O
lugar, que todos acharam deleitoso, proporcionava
boa ancoragem e podia abrigar mais de 200
embarcações. Alguma gente de bordo foi à terra,
mas não pode entender a algaravia dos habitantes,
diferente de todas as línguas conhecidas. ”
Detalhe da A Primeira Missa no Brasil de Victor
Meirelles (1861).
No dia 26 de abril, um domingo (o de Pascoela), foi
oficiada a primeira missa no solo brasileiro por frei Henrique
Soares (ou frei Henrique de Coimbra), que pregou sobre o
Evangelho do dia. Batizaram a terra como Ilha da Vera
Cruz no dia 1 de maio e numa segunda missa Cabral tomou
posse das terras em nome do rei de Portugal. No mesmo
dia, os navios partiram, deixando na terra pelo menos dois
degredados e dois grumetes que haviam fugido de bordo.
Cabral partiu para a Índia pela via certa que sabia existir a
partir da costa brasileira, isto é, cruzou outra vez o Oceano
Atlântico e costeou a África.
O rei D. Manuel I recebeu a notícia do
descobrimento por cartas escritas por Mestre João, físico e
cirurgião de D. Manuel e Pero Vaz de Caminha, semanas
depois. Transportadas na nau de Gaspar de Lemos, as
cartas descreviam de forma pormenorizada as condições
geográficas e seus habitantes, desde então chamados
de índios. Atento aos objetivos da Coroa na expansão
marítima, Caminha informava ao rei:
“ Nela até agora não podemos saber que
haja ouro nem prata, nem alguma coisa de metal
nem de ferro lho vimos; pero a terra em si é de
muitos bons ares, assi frios e temperados como os
d'antre Doiro e Minho, porque neste tempo de
agora assi os achamos como os de lá; águas são
muitas infindas e em tal maneira é graciosa, que
querendo aproveitar-se dar-se-á nela tudo por bem
das águas que tem; pero o melhor fruto que nela se
pode fazer me parece que será salvar esta gente
(…) boa e de boa simplicidade. ”
Damião de Góis narra o descobrimento em sua
língua renascentista:
“ Navegando a loeste, aos xxiiij dias do mes
Dabril viram terra, do que forão muito alegres,
porque polo rumo em que jazia, vião não ser
nenhuma das que até então eram descubertas.
Padralures Cabral fez rosto para aquela banda &
como forão bem à vista, mandou ao seu mestre que
no esquife fosse a terra, o qual tornou logo com
novas de ser muito fresca & viçosa, dizendo que
vira andar gente baça & nua pela praia, de cabelo
comprido & corredio, com arcos & frechas nas
mãos, pelo que mandou alguns dos capitães que
fossem com os bateis armados ver se isto era assi,
os quaes sem sairem em terra tornaram à capitaina
afirmando ser verdade o que o mestre dixera.
Estando já sobrancora se alevantou de noite hum
temporal, com que correram de longo da costa ate
tomarem hum porto muito bom, onde Pedralures
surgio com as outras naos & por ser tal lhe pos ”APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
23
nome Porto Seguro.
Além das cartas acima mencionadas, outro
importante documento sobre o descobrimento do Brasil é
o Relato do Piloto Anônimo. De início, a descoberta da nova
terra foi mantida em sigilo pelo Rei de Portugal. O resto do
mundo passou a conhecer o Brasil desde pelo menos 1507,
quando a terra apareceu com o nome de América na carta
(mapa) de Martin Waldseemüller, no qual está assinalado na
costa o Porto Seguro.
Expedições exploratórias
Em 1501, uma grande expedição exploratória, a
primeira frota de reconhecimento, com três naus, encontrou
como recurso explorável apenas o pau-brasil, de madeira
avermelhada e valiosa usada na tinturaria europeia, mas fez
um levantamento da costa. Comandada por Gaspar de
Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501 e
findaria com o retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502,
depois de percorrer a costa e dar nome aos principais
acidentes geográficos. Sobre o comandante, podem ter sido
D. Nuno Manuel, André Gonçalves, Fernão de Noronha,
Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos, sendo este último o
nome mais aceito. Em 1501, no dia 1 de novembro, foi
descoberta a Baía de Todos-os-Santos, na atual Bahia, local
que mais tarde seria escolhido por D. João III para abrigar a
sede da administração colonial.
Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo
Coelho, que só teria partido de Lisboa em 1502. O Barão do
Rio Branco, em suas Efemérides, fixa-se em André
Gonçalves, que é a versão mais comumente aceita. Mas
André Gonçalves fazia parte da armada de Cabral, que
retornou a Lisboa quando a expedição de 1501 já partira
para o Brasil e com ela cruzou na altura do arquipélago de
Cabo Verde.
Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas
Miller, 1519), actualmente na Biblioteca Nacional de
França.
Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de
Lemos, que entre junho e julho de 1500 havia chegado a
Portugal com a notícia do descobrimento.
O florentino Américo Vespúcio vinha como piloto na frota (e
por seu nome seria batizado todo o continente, mais tarde).
Depois de 67 dias de viagem, em 16 de agosto, a frota
alcançou o que hoje é o Cabo de São Roque (Paraíba) e,
segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de posse
mais antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos entre
portugueses e os índios potiguaras.
Ao longo das expedições, os portugueses
costumavam batizar os acidentes geográficos segundo o
calendário com os nomes dos santos dos dias, ignorando os
nomes locais dados pelos nativos. Em 1 de novembro (Dia
de Todos os Santos), chegaram à Baía de Todos-os-Santos,
em 21 de dezembro (dia de São Tomé) ao Cabo de São
Tomé, em 1 de janeiro de 1502 à Baía da Guanabara (por
isso batizada de "Rio de Janeiro") e no dia 6 de janeiro (Dia
de Reis) à angra (baía) batizada como Angra dos Reis.
Outros lugares descobertos foram a foz do rio São
Francisco e o Cabo Frio, entre vários. As três naus que
chegaram à Guanabara eram comandadas por Gonçalo
Coelho, e nela vinha Vespúcio. Tomando a estreita entrada
da barra pela foz de um rio, chamaram-na Rio de Janeiro,
nome que se estendeu à cidade de São Sebastião que ali se
ergueria mais tarde.
Em 1503 houve nova expedição, desta vez
comandada (sem controvérsias) por Gonçalo Coelho, sem
ser estabelecido qualquer assentamento ou feitoria. Foi
organizada em função um contrato do rei com um grupo de
comerciantes de Lisboa para extrair o pau-brasil. Trazia
novamente Vespúcio e seis navios. Partiu em maio de
Lisboa, esteve em agosto na ilha de Fernando de Noronha e
ali afundou a nau capitânia, dispersando-se a armada.
Vespúcio pode ter ido para a Bahia, passado seis meses em
Cabo Frio, onde fez entrada de 40 léguas terra adentro. Ali
teria deixado 24 homens com mantimentos para seis meses.
Coelho, ao que parece, esteve recolhido na região onde se
fundaria depois a cidade do Rio de Janeiro, possivelmente
durante dois ou três anos.
Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço de Portugal,
retornou ao maior porto natural da costa brasileira, a Baía de
Todos-os-Santos. Durante as três primeiras décadas, o
litoral baiano, com suas inúmeras enseadas, serviu
fundamentalmente como apoio à rota da Índia,
cujo comércio de produtos de luxo –
seda, tapetes, porcelana e especiarias – era mais vantajoso
que os produtos oferecidos pela nova colônia. Nos pequenos
e grandes portos naturais baianos, em especial no de Todos
os Santos, as frotas se abasteciam de água e de lenha e
aproveitavam para fazer pequenos reparos.
No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no
local que os índios chamavam de Uruçu-Mirim, a atual praia
do Flamengo. Junto à foz do rio Carioca (outrora abundante
fonte de água doce) foram erguidas uma casa de pedra e
um arraial, deixando-se no local degredados e galinhas. A
construção inspirou o nome que os índios deram ao local
(cari-oca, "casa dos brancos"), que passaria a ser
o gentílico da cidade do Rio. O arraial, no entanto, foi logo
destruído. Outras esquadras passariam pela Guanabara: a
de Cristóvão Jacques, em 1516; a de Fernão de
Magalhães (que chamou o local de Baía de Santa Luzia),
em 1519, na primeira circunavegação do mundo; outra vez a
de Jacques, em 1526, e a de Martim Afonso de Sousa,
em 1531.
Outras expedições ao litoral brasileiro podem ter
ocorrido, já que desde 1504 são assinaladas atividades
de corsários. Holanda, em Raízes do Brasil, cita o capitão
francês Paulmier de Gonneville, de Honfleur, que
permaneceu seis meses no litoral de Santa Catarina. A
atividade de navegadores não-portugueses se
inspirava doutrina da liberdade dos mares, expressada
por Hugo Grotius em Mare liberum, base da reação europeia
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
24
contra Espanha e Portugal, gerando pirataria alargada pelos
mares do planeta.
Extração de pau-brasil
Derrubada do pau-brasil em ilustração
da Cosmografia Universal de André Thevet, 1575.
O pau-brasil ou pau-de-pernambuco (que os
índios tupis chamavam de ibirapitanga) era a principal
riqueza de crescente demanda na Europa. Estima-se que
havia, na época do descobrimento, mais de 70 milhões de
árvores do tipo, abundando numa faixa de 18 km do litoral
do Rio Grande do Norte até a Guanabara. Quase todas
foram derrubadas e levadas para aquele continente. A
extração foi tanta que atualmente a espécie é protegida para
não sofrer extinção. Pernambuco, Porto Seguro e Cabo
Frio eram as regiões de maior concentração do produto, e
por isso contavam as três com feitorias portuguesas.
Pernambuco tinha a madeira mais cobiçada no Velho
Mundo, o que explica o fato de a árvore do pau-brasil ter
como principal nome "pernambuco" em idiomas como
o francês e o italiano.
Para explorar a madeira, a Coroa adotou a política
de oferecer a particulares, em geral cristãos-novos,
concessões de exploração do pau-brasil mediante certas
condições: os concessionários deveriam mandar seus
navios descobrirem 300 léguas de terra, instalar fortalezas
nas terras que descobrissem, mantendo-as por três anos; do
que levassem para o Reino, nada pagariam no primeiro ano,
no segundo pagariam um sexto e no terceiro um quinto. Os
navios ancoravam na costa, algumas dezenas de
marinheiros desembarcavam e recrutavam índios para
trabalhar no corte e carregamento das toras, em troca de
pequenas mercadorias como roupas, colares
e espelhos (prática chamada de "escambo"). Cada nau
carregava em média cinco mil toras de 1,5 metro de
comprimento e 30 quilogramas de peso.
Em 1503, toda a terra do Brasil foi arrendada pela
coroaa Fernão de Noronha (ou Loronha), e outros cristãos-
novos, produzindo 20 mil quintais de madeira vermelha.
Segundo Capistrano de Abreu, em Capítulos da História
Colonial, cada quintal era vendido em Lisboa por
21/3 ducados, mas levá-lo até lá custava apenas meio
ducado. Os arrendatários pagavam 4 mil ducados à Coroa.
Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam
embarcações à costa para contrabandearem pau-brasil,
aves de plumagem colorida (papagaios, araras), peles,
raízes medicinais e índios para escravizar. Surgiram, assim,
as primeiras feitorias. O náufrago Diogo Álvares,
o Caramuru, estabeleceu-se desde 1510 na barra da Baía
de Todos-os-Santos, onde negociava com barcos
portugueses e estrangeiros. Outra feitoria foi chamada de
Aldeia Velha de Santa Cruz, próxima ao local da descoberta.
Além dos portugueses, seus rivais europeus,
principalmente franceses, passaram a frequentar a costa
brasileira para contrabandear a madeira e capturar índios.
Os franceses contrabandearam muito pau-brasil no litoral
norte, entre a foz do rio Real e a Baía de Todos-os-Santos,
mas não chegaram a estabelecer feitoria. Outro ponto de
contrabando, sobretudo no século XVII, foi o Morro de São
Paulo (Bahia). Até que Portugal estabelecesse o sistema
de capitanias hereditárias, a presença mais constante na
terra era dos franceses. Estimulados por seu rei, corsários
passam a frequentar a Guanabara à procura de pau-brasil e
outros produtos. Ganharam a simpatia dos índios tamoios,
que a eles se aliaram durante décadas contra os
portugueses.
Portugal, verificando que o litoral era visitado por
corsários e aventureiros estrangeiros, resolveu enviar
expedições militares para defender a terra. Foram
denominadas expedições guarda-costas, sendo mais
marcantes as duas comandadas por Cristóvão Jacques, de
1516-1519 e 1526-1528. Suas expedições tinham caráter
basicamente militar, com missão de aprisionar os navios
franceses que, sem pagar tributos à coroa, retiravam
grandes quantidades do pau-brasil. A iniciativa teve poucos
resultados práticos, considerando a imensa extensão do
litoral e, como solução, Jacques sugeriu à Coroa dar início
ao povoamento.
A expedição enviada em 1530 sob a chefia
de Martim Afonso de Sousa tinha por objetivos explorar
melhor a costa, expulsar os franceses que rondavam o sul e
as cercanias do Rio de Janeiro, e estabelecer núcleos de
colonização ou feitorias, como a estabelecida em Cabo Frio.
Martim Afonso doou as primeiras sesmarias do Brasil. Foram
fundados por esta expedição os núcleos de São
Vicente e São Paulo, onde o português João Ramalho vivia
como náufrago desde 1508 e casara-se com a índia Bartira,
filha do cacique Tibiriçá. Em São Vicente foi feita em 1532 a
primeira eleição no continente americano e instalada a
primeira Câmara Municipal e a primeira vila do Brasil. A
presença de Ramalho, que ajudava no contato com os
nativos e instalara-se na aldeia de Piratininga, foi o que
inspirou Martim Afonso a instalar a vila de São Vicente perto
do núcleo que viria a ser São Paulo.
A mais polêmica expedição seria a de Francisco de
Orellana que, em 1535, penetrando pela foz do rio Orinoco e
subindo-o, descreve que numa única viagem, em meio de
um incrível emaranhado de rios e afluentes amazônicos,
teria encontrado o rio Cachequerique, raríssima e incomum
captura fluvial que une o rio Orinoco aos
rios Negro e Amazonas.
Administração colonial
Capitanias do Mar (1516-1532)
A administração das terras ultramarinas, que a
princípio foi arrendada a Fernão de Noronha, agente da
Casa Fugger (1503-1511), ficou a cargo direto da Coroa,
que não conseguia conter as frequentes incursões de
franceses na nova terra. Por isso, em 1516, D. Manuel I e
seu Conselho criam nos Açores e na Madeira as chamadas
«capitanias do mar», por analogia com as estabelecidas
no Oceano Índico. O objetivo fundamental era garantir o
monopólio da navegação e a política do mare clausum (mar
fechado). De dois em dois anos, o capitão do mar partia com
navios para realizar um cruzeiro de inspeção no litoral,
defendendo-o das incursões francesas ou castelhanas. No
Brasil, teriam visitado quatro armadas.
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
25
As armadas de Jacques assinaram-se com
insistência no rio da Prata. Também em 1516 ocorre a
primeira tentativa de colonização metódica e aproveitamento
da terra com base na plantação da cana (levada de Cabo
Verde) e na fabricação do açúcar. Já devia ter havido
algumas tentativas de capitanias e estabelecimentos em
terra, pois em 15 de julho de 1526 o rei D. Manuel I
autorizou Pedro Capico, "capitão de uma capitania do
Brasil", a regressar a Portugal porque "lhe era acabado o
tempo de sua capitania". A Capico, que era técnico de
administração colonial, tinha sido confiada a Feitoria de
Itamaracá, no atual estado de Pernambuco.
Roberto Simonsen (em História Econômica do
Brasil, pág.120) comenta:
“ Na terra de Santa Cruz, o valor e as
possibilidades de comércio não justificavam (…)
organizações da mesma importância» que as
feitorias de Portugal na África. «Mesmo assim,
foram instaladas, quer pelos concessionários do
comércio do pau-brasil, quer pelo próprio governo
português, várias feitorias, postos de resgate onde
se concentravam, sob o abrigo de fortificações
primitivas, os artigos da terra que as naus vinham
buscar. São por demais deficientes até hoje as
notícias sobre estas feitorias, Igaraçu, Itamaracá,
Bahia, Porto Seguro, Cabro Frio, São Vicente e
outras intermediárias, que desapareciam, ora
esmagadas pelo gentio, ora conquistadas pelos
franceses. Mas o próprio comércio do pau-brasil é
uma demonstração de sua existência, e as notícias
sobre a década anterior, de 1530, salientam a
preocupação do Governo português de defendê-
las.» Eram assim postos de resgate de caráter
temporário, estabelecimentos efêmeros, assolados
por entrelopos e corsários franceses, por
selvagens. Por muitos anos cessará todo o
interesse de Portugal pelo Brasil. O Brasil ficou ao
acaso… Colonizar a nova terra seria dispendioso,
sem lucro imediato. Portugal, no auge de sua
técnica de navegação, de posse de feitorias
fincadas em vastíssimas costas de oceanos, não
tinha recursos humanos, com uma população
estimada em um milhão de habitantes. Impunha-se
uma atitude predominantemente fiscal. Havia o
quê? Havia macacos, papagaios, selvagens nus e
primitivos. Mas havia pau-brasil… ”
João Ribeiro (em História do Brasil) diz que
“ ... depois das primeiras explorações, as
terras do Brasil tornaram-se constante teatro da
pirataria universal. Especuladores franceses,
alemães, judeus e espanhóis aqui aportam,
comerciam com o gentio ou seelvajam-se e com
eles convivem em igual barbaria. Os navegadores
de todos os pontos aqui se aprovisionam ou se
abrigam das tempestades. Aventureiros aqui
desembarcam, e vivem à ventura, na companhia de
degredados e foragidos. O que procura a corte
portuguesa de D. Manuel I são as riquezas do
Oriente, e se alguma expedição aqui toca e se
demora, (....) não é o Brasil que as atrai mas ainda
a fascinação do Oriente. ”
Capitanias hereditárias (1532-1549)
As capitanias hereditárias
A apatia só iria cessar quando D. João III ascendeu
ao trono. Na década de 1530, Portugal começava a perder a
hegemonia do comércio na África Ocidental e no Índico.
Circulavam insistentes notícias da descoberta de ouro e de
prata na América Espanhola. Então, em 1532, o rei decidiu
ocupar as terras pelo regime de capitanias, mas num
sistema hereditário, pelo qual a exploração passaria a ser
direito de família. O capitão e governador, títulos concedidosao donatário, teria amplos poderes, dentre os quais o de
fundar povoamentos (vilas e cidades), conceder sesmarias e
administrar a justiça. O sistema de capitanias
hereditárias implicava na divisão de terras vastíssimas,
doadas a capitães-donatários que seriam responsáveis por
seu controle e desenvolvimento, e por arcar com as
despesas de colonização. Foram doadas aos que
possuíssem condições financeiras para custear a empresa
da colonização, e estes eram principalmente "membros da
burocracia estatal" e "militares e navegadores ligados à
conquista da Índia" (segundo Eduardo Bueno em "História
de Brasil"). De acordo com o mesmo autor, a sugestão teria
sido dada ao rei por Diogo de Gouveia, ilustre humanista
português, e respondia a uma "absoluta falta de interesse da
alta nobreza lusitana" nas terras americanas.
Foram criadas, nesta divisão, quinze faixas
longitudinais de diferentes larguras que iam de acidentes
geográficos no litoral até o Meridiano das Tordesilhas, e
foram oferecidas a doze donatários. Destes, quatro nunca
foram ao Brasil; três faleceram pouco depois; três
retornaram a Portugal; um foi preso por heresia (Tourinho) e
apenas dois se dedicam à colonização (Duarte
Coelho na Capitania de Pernambuco e Martim Afonso de
Sousa na Capitania de São Vicente).
Das quinze capitanias originais, apenas as
capitanias de Pernambuco e de São Vicente prosperaram.
As terras brasileiras ficavam a dois meses de viagem
de Portugal. Além disso, as notícias das novas terras não
eram muito animadoras: na viagem, além do medo de
"monstros" que habitariam o oceano (na superstição
europeia), tempestades eram frequentes; nas novas terras,
florestas gigantescas e impenetráveis, povos antropófagos e
não havia nenhuma riqueza mineral ainda descoberta.
Em 1536, chegou o donatário da capitania da Baía de Todos
os Santos, Francisco Pereira Coutinho, que fundou o Arraial
do Pereira, na futura cidade do Salvador, mas se revelou
mau administrador e foi morto pelos tupinambás. Tampouco
tiveram maior sucesso as capitanias dos Ilhéus e do Espírito
Santo, devastadas por aimorés e tupiniquins.
Governo-Geral (1549-1580)
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Tomé de Sousa
Tomé de Sousa
Após o fracasso do projeto de capitanias, o rei João
III unificou as capitanias sob um Governo-Geral do Brasil e
em 7 de janeiro de 1549 nomeou Tomé de Sousa para
assumir o cargo de governador-geral. A expedição do
primeiro governador chegou ao Brasil em 29 de março do
mesmo ano, com ordens para fundar uma cidade para
abrigar a sede da administração colonial. O local escolhido
foi a Baía de Todos-os-Santos e a cidade foi chamada
de São Salvador da Baía de Todos os Santos. A excelente
posição geográfica entre as capitanias de Pernambuco e
São Vicente e num ponto mais ou menos equidistante das
extremidades do território, as favoráveis condições de
assentamento e defesa, o clima quente e o solo fértil fizeram
com que o rei decidisse reverter a capitania para a Coroa
(expropriando-a do donatário Pereira Coutinho). As tarefas
de Tomé de Sousa eram tornar efetiva a guarda da costa,
auxiliar os donatários, organizar a ordem política e jurídica
na colônia. O governador organizou a vida municipal, e
sobretudo a produção açucareira: distribuiu terras e mandou
abrir estradas, além de fazer construir um estaleiro.
Desse modo, o Governo-Geral centralizou a
administração colonial, subordinando as capitanias a um
só governador-geral que tornasse mais rápido o processo de
colonização. Em 1548, elaborou-se o Regimento do
Governador-Geral, que regulamentava o trabalho do
governador e de seus principais auxiliares - o ouvidor-
mor (Justiça), o provedor-mor (Fazenda) e o capitão-
mor (Defesa). O governador também levou ao Brasil os
primeiros missionários católicos, da ordem dos jesuítas,
como o padre Manuel da Nóbrega. Por ordens suas, ainda,
foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças de gado,
de novilhos levados de Cabo Verde. Ao chegar à Bahia,
Tomé de Sousa encontrou o velho Arraial do Pereira com
seus moradores, e mudaram o nome do local para Vila
Velha. Também moravam nos arredores o náufrago Diogo
Álvares "Caramuru" e sua esposa Paraguaçu (batizada
como Catarina), perto da capela de Nossa Senhora das
Graças (hoje o bairro da Graça, em Salvador). Consta que
Tomé de Sousa teria pessoalmente ajudado a construir as
casas e a carregar pedras e madeiras para construção da
capela de Nossa Senhora da Conceição da Praia, uma das
primeiras igrejas erguidas no Brasil. Tomé de Souza visitou
as capitanias do sul do Brasil, e, em 1553, criou a Vila
de Santo André da Borda do Campo, transferida em 1560
para o Pátio do Colégio dando origem à cidade de São
Paulo.
Duarte da Costa
Esquema do ataque de Mem de Sá aos
franceses na baía de Guanabara, em 1560. Autoria
desconhecida, 1567.
Em 1553, a pedidos, Tomé de Sousa foi exonerado
do cargo e substituído por Duarte da Costa, fidalgo
e senador nas Cortes de Lisboa. Em sua expedição foram
também 260 pessoas, incluindo seu filho, Álvaro da Costa, e
o então noviço José de Anchieta, jesuíta basco que seria o
pioneiro na catequese dos nativos americanos. A
administração de Duarte foi conturbada. Já de início, a
intenção de Álvaro em escravizar os indígenas, incluindo os
catequizados, esbarrou na impertinência de Dom Pero
Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil. O governador
interveio a favor do filho e autorizou a captura de indígenas
para uso em trabalho escravo. Disposto a levar as queixas
pessoalmente ao rei de Portugal, Sardinha partiu para
Lisboa em 1556 mas naufragou na costa de Alagoas e
acabou devorado pelos caetés antropófagos.
Durante o governo de Duarte da Costa, uma
expedição de protestantes franceses se instalou
permanentemente na Guanabara e fundou a colônia
da França Antártica. Ultrajada, a Câmara Municipal da Bahia
apelou à Coroa pela substituição do governador. Em 1556,
Duarte foi exonerado, voltou a Lisboa e em seu lugar foi
enviado Mem de Sá, com a missão de retomar a posse
portuguesa do litoral sul.
Mem de Sá
O terceiro Governador-Geral, Mem de Sá (1558-
1572), deu continuidade à política de concessão
de sesmarias aos colonos e montou ele próprio um engenho,
às margens do rio Sergipe, que mais tarde viria a pertencer
ao conde de Linhares (Engenho de Sergipe do Conde). Para
enfrentar os colonos franceses estabelecidos na França
Antártica, aliados aos tamoios na baía de Guanabara, Mem
de Sá aliou-se aos Temiminós do cacique Arariboia. O seu
sobrinho, Estácio de Sá, comandou a retomada da região e
fundou a cidade do Rio de Janeiro a 20 de Janeiro de 1565,
dia de São Sebastião.
União Ibérica (1580-1640)
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Ilustração de uma bandeira por Almeida
Júnior: Estudo p/ Partida da Monção, 1897. Acervo Artístico-
Cultural dos Palácios do Governo do Estado de S. Paulo.
Com o desaparecimento de D.Sebastião e
posteriormente a morte de D. Henrique I, Portugal ficou
sob união pessoal com a Espanha, e foi governada pelos
três reis Filipes (Filipe II, Filipe III e Filipe IV, dos quais se
subtrai um número quando referentes a Portugal e ao
Brasil). Isso virtualmente acabou com a linha divisória do
meridiano das Tordesilhas e permitiu que o Brasil se
expandisse para o oeste.
Várias expedições exploratórias do interior
(chamado de "os sertões") foram organizadas, fosse sob
ordens diretas da Coroa ("entradas") ou por caçadores de
escravos paulistas ("bandeiras",donde o nome
"bandeirantes"). Estas expedições duravam anos e tinham o
objetivo principalmente de capturar índios como escravos e
encontrar pedras preciosas e metais valiosos, como ouro e
prata. Foram bandeirantes famosos, entre outros, Fernão
Dias Paes Leme, Bartolomeu Bueno da
Silva (Anhanguera), Raposo Tavares, Domingos Jorge
Velho, Borba Gato e Antônio Azevedo.
A União Ibérica também colocou o Brasil em conflito
com potências europeias que eram amigas de Portugal mas
inimigas da Espanha, como a Inglaterra e a Holanda. A
Capitania de Pernambuco, mais rica de todas as possessões
portuguesas, tornou-se então um alvo cobiçado. Já em
1595, durante a Guerra Anglo-Espanhola, o almirante
inglês James Lancaster tomou de assalto o porto do Recife,
onde permaneceu por quase um mês saqueando as
riquezas transportadas do interior, no episódio conhecido
como Captura do Recife, única expedição de corso da
Inglaterra que teve como objetivo principal o Brasil, e que
representou o mais rico butim da história da navegação de
corso do período elisabetano. A Holanda, por sua
vez, atacou e invadiu extensas faixas do litoral nordestino,
fixando-se principalmente em Pernambuco por vinte e quatro
anos.
Estado do Maranhão e Estado do Brasil (1621-
1755)
Das mudanças administrativas durante o domínio
espanhol, a mais importante sucedeu em 1621, com a
divisão da colônia em duas administrações independentes:
o Estado do Brasil, que abrangia de Pernambuco à atual
Santa Catarina, e o Estado do Maranhão, do atual Ceará à
Amazônia. A razão se baseava no destacado papel
assumido pelo Maranhão como ponto de apoio e de partida
para a colonização do norte e nordeste. O Maranhão tinha
por capital São Luís, e o Estado do Brasil sua capital em
Salvador. Nestes dois estados, os súditos eram cidadãos
portugueses (chamados de "portugueses do Brasil") e
sujeitos aos mesmos direitos e deveres, e as mesmas leis as
quais estavam submetidos os residentes em Portugal, entre
elas, as Ordenações manuelinas e as Ordenações filipinas.
Quando o rei Filipe III (IV da Espanha) separou o
Brasil e o Maranhão, passaram a existir três capitanias reais:
Maranhão, Ceará e Grão-Pará, e seis capitanias
hereditárias. Em 1737, com sua sede transferida
para Belém, o Maranhão passou a ser chamado de Grão-
Pará e Maranhão. Tal instalação era efeito do isolamento do
extremo norte do Estado do Brasil, pois o regime de ventos
impedia durante meses as comunicações entre São Luís e a
Bahia. No século XVII, o Estado do Brasil se estendia do
atual Pará até o Rio Grande do Norte e deste até Santa
Catarina, e no século XVIII já estariam incorporados o Rio
Grande de São Pedro, atual Rio Grande do Sul e as regiões
mineiras e parte da Amazônia. O Estado do Maranhão foi
extinto na época de Marquês de Pombal.
Invasão holandesa (1630-1654)
Olinda, então o local mais rico do Brasil Colônia, foi
incendiada, destruída e saqueada pelos holandeses, que
escolheram o Recife como a capital da Nova Holanda. A
gravura neerlandesa mostra o cerco a Olinda em 1630.
Recife foi a mais cosmopolita cidade
da América durante o governo do conde alemão (a serviço
da coroa holandesa) Maurício de Nassau. Na imagem
o Palácio de Friburgo, residência de Nassau demolida no
século XVIII.
A invasão holandesa no Nordeste brasileiro foi um
importante capítulo da Guerra Luso-Holandesa. Em 1630,
a Capitania de Pernambuco foi invadida pela Companhia
das Índias Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica (1580-
1640), a Holanda, antes dominada pela Espanha tendo
depois conseguido sua independência através da força, vê
em Pernambuco a oportunidade para impor um duro golpe
no reino de Filipe IV, ao mesmo tempo em que tiraria o
prejuízo do fracasso na Bahia, uma vez que Pernambuco
era o maior produtor de açúcar do Brasil Colônia.
Em 26 de dezembro de 1629 partia de Cabo Verde
em direção a Pernambuco uma poderosa esquadra com 67
navios e cerca de 7 mil homens, a maior já vista na colônia,
sob o comando do almirante Hendrick Lonck. Os
holandeses, desembarcando na praia de Pau Amarelo,
conquistaram a capitania em fevereiro de 1630 e
estabeleceram a colônia Nova Holanda. A frágil resistência
portuguesa na passagem do Rio Doce foi derrotada, e os
holandeses invadiram sem grandes contratempos Olinda. Os
moradores, em pânico, fugiram levando o que puderam.
Alguns bolsões de contenção foram eliminados, destacando-
se a brava luta do capitão André Temudo em defesa da
Igreja da Misericórdia. Em poucos dias, Olinda e o seu porto,
Recife, foram tomados.
O conde Maurício de Nassau desembarcou
na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado
por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto
começa a construção de Mauritsstad (atual Recife), que foi
dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições
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geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável
pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o Palácio
de Friburgo, sede do poder de Nassau na Nova Holanda,
que tinha um observatório astronômico — o primeiro
do Hemisfério Sul —, e abrigou o primeiro farol e o
primeiro jardim zoobotânico do continente americano. Em 28
de fevereiro de 1643 o Recife (atualmente o bairro do
Recife) foi ligado à Cidade Maurícia com a construção da
primeira ponte de grande porte da América Latina. Durante o
governo de Nassau, Recife foi considerada a mais
cosmopolita cidade da América, e tinha a maior comunidade
judaica de todo o continente, que construiu, à época, a
primeira sinagoga do Novo Mundo, a Kahal Zur Israel, bem
como a segunda, a Maguen Abraham. Na Nova Holanda
foram cunhadas as primeiras moedas em solo brasileiro: os
florins (ouro) e os soldos (prata), que continham a palavra
Brasil.
Por diversos motivos, sendo um dos mais
importantes a exoneração de Maurício de Nassau do
governo da capitania pela Companhia Holandesa das Índias
Ocidentais, o povo de Pernambuco se rebelou contra o
governo, juntando-se à fraca resistência ainda existente,
num movimento denominado Insurreição Pernambucana.
Insurreição Pernambucana (1645-1654)
As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos
na Insurreição Pernambucana, são consideradas a origem
do Exército Brasileiro.
Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de
São João, 18 líderes insurretos pernambucanos assinaram
compromisso para lutar contra o domínio holandês na
capitania. Com o acordo assinado, começa o contra-ataque
à invasão holandesa. A primeira vitória importante dos
insurretos se deu no Monte das Tabocas (hoje localizado no
município de Vitória de Santo Antão), onde 1.200 insurretos
mazombos armados de armas de fogo, foices, paus e
flechas derrotaram numa emboscada 1.900 holandeses bem
armados e bem treinados. O sucesso deu ao líder Antônio
Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os
holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte,
sendo novamente derrotados pela aliança dos
mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram
novamente para as fortificações em Cabo de Santo
Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto
Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados
pelos insurretos.
Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que
ficou conhecida como Nova Holanda, indo do Recife
a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta
de alimentos, o que os levou a atacar plantações
de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e
Tejucupapo. Em 24 de abril de 1646, ocorreu a
famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas
armadas de utensílios agrícolase armas leves expulsaram
os invasores holandeses, humilhando-os definitivamente.
Esse fato histórico consolidou-se como a primeira importante
participação militar da mulher na defesa do território
brasileiro.
Com a chegada gradativa de reforços portugueses,
os holandeses por fim foram expulsos em 1654, na
segunda Batalha dos Guararapes. A data da primeira das
Batalhas dos Guararapes é considerada a origem
do Exército Brasileiro.
Tomada a colônia holandesa, os judeus receberam
um prazo de três meses para partir ou se converter ao
catolicismo. Com medo da fogueira da Inquisição, quase
todos venderam o que tinham e deixaram o Recife em 16
navios. Parte da comunidade judaica expulsa de
Pernambuco fugiu para Amsterdã, e outra parte se
estabeleceu em Nova York. Através deste último grupo
a Ilha de Manhattan, atual centro financeiro dos Estados
Unidos, conheceu grande desenvolvimento econômico; e
descendentes de judeus egressos do Recife tiveram
participação ativa na história estadunidense: Gershom
Mendes Seixas, aliado de George Washington na Guerra de
Independência dos Estados Unidos; seu filho Benjamin
Mendes Seixas, fundador da Bolsa de Valores de Nova
York; Benjamin Cardozo, juiz da Suprema Corte dos Estados
Unidos ligado a Franklin Roosevelt; entre outros.
Devido à Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa,
a República Holandesa não pôde auxiliar os holandeses no
Brasil. Com o fim da guerra contra os ingleses, a Holanda
exige a devolução da colônia em maio de 1654. Sob ameaça
de uma nova invasão do Nordeste brasileiro, Portugal firma
acordo com os holandeses e os indeniza com 4 milhões de
cruzados e duas colônias: o Ceilão (atual Sri Lanka) e
as ilhas Molucas (parte da atual Indonésia). Em 6 de agosto
de 1661, a Holanda cede formalmente a região ao Império
Português através da Paz de Haia.
Economia colonial
O Ciclo da Cana-de-Açúcar
A economia da colônia, iniciada com o puro
extrativismo de pau-brasil e o escambo entre os colonos e
os índios, gradualmente passou à produção local, com o
cultivo da cana-de-açúcar. Pernambuco foi o primeiro núcleo
econômico do Brasil Colonial, uma vez que se destacou na
extração do pau-brasil (a madeira pernambucana regulava o
preço no comércio europeu) e foi a primeira capitania onde a
cultura da cana-de-açúcar desenvolveu-se efetivamente.
O engenho de açúcar constituiu a peça principal
do mercantilismo português, organizado em grandes
propriedades. Estas, como se chamou mais tarde,
eram latifúndios, caracterizados por terras extensas,
abundante mão-de-obra escrava, técnicas complexas e
baixa produtividade.
Navio negreiro ilustrando o livro Voyage pittoresque
dans le Brésil, 1835, de Rugendas.
Para sustentar a produção de cana-de-açúcar, os
portugueses começaram, a partir de meados do século XVI,
a importar africanos como escravos. Eles eram pessoas
capturadas entre tribos das feitorias europeias na África (às
vezes com a conivência de chefes locais de tribos rivais) e
atravessados no Atlântico nos navios negreiros, em
péssimas condições de asseio e saúde. Ao chegarem à
América, essas pessoas eram comercializadas como
mercadoria e obrigadas a trabalhar nas plantações e casas
dos colonizadores. Dentro das fazendas, viviam
aprisionados em galpões rústicos chamados de senzalas, e
seus filhos também eram escravizados, perpetuando a
situação pelas gerações seguintes.
Nas feitorias, os mercadores portugueses vendiam
principalmente armas de fogo, tecidos, utensílios de ferro,
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aguardente e tabaco, adquirindo escravos, pimenta, marfim
e outros produtos.
Até meados do século XVI, os portugueses
possuíam o monopólio do tráfico de escravos. Depois disso,
mercadores franceses, holandeses e ingleses também
entraram no negócio, enfraquecendo a participação
portuguesa.
“ O Brasil nasceu e cresceu econômica e
socialmente com o açúcar, entre os dias venturosos
do pau-de-tinta e antes de as minas e o café o
terem ultrapassado. Efetivamente, o açúcar foi base
na formação da sociedade e na forma de família. A
casa de engenho foi modelo da fazenda de cacau,
da fazenda de café, da estância. Foi base de um
complexo sociocultural de vida. ”
Em 1549, Pernambuco já possuía trinta engenhos-
banguê, a Bahia, dezoito, e São Vicente, dois. A lavoura da
cana-de-açúcar era próspera e, meio século depois, a
distribuição dos engenhos de açúcar perfazia um total de
256. Houve ainda engenhos na capitania do Rio de Janeiro
que cobriam cem léguas e, assim como na capitania de São
Vicente, couberam a Martim Afonso de Sousa. Este
receberia o apoio de João Ramalho e de seu sogro Tibiriçá.
Em São Sebastião do Rio de Janeiro funcionava o engenho
de Rodrigo de Freitas, nas margens da lagoa que hoje leva
seu nome. Ao entrar o século XVII, o açúcar brasileiro era
produto de importação nos portos de
Lisboa, Antuérpia, Amsterdã, Roterdã, Hamburgo. Sua
produção, muito superior à das ilhas portuguesas no
Atlântico, supria quase toda a Europa. Discorrendo sobre o
centro da economia colonial, o padre Fernão Cardim disse
que em «Pernambuco se acha mais vaidade que em
Lisboa», opulência que parecia decorrer, como
sugere Gabriel Soares de Sousa em 1587, do fato de, então,
ser a capitania «tão poderosa (...) que há nela mais de cem
homens que têm de mil até cinco mil cruzados de renda, e
alguns de oito, dez mil cruzados. Desta terra saíram muitos
homens ricos para estes reinos que foram a ela muito
pobres». Soares de Sousa também comentava o luxo
reinante na Bahia e Cardim exaltava suas capelas
magníficas, os objetos de prata, as lautas refeições em louça
da Índia, que servia de lastro nos navios: «Parecem uns
condes e gastam muito», reclamava o padre.
Em meados do século XVII, o açúcar produzido
nas Antilhas Holandesas começou a concorrer fortemente na
Europa com o açúcar do Brasil. Os holandeses tinham
aperfeiçoado a técnica, com a experiência adquirida no
Brasil, e contavam com um desenvolvido esquema de
transporte e distribuição do açúcar em toda a Europa.
Portugal foi obrigado a recorrer à Inglaterra e assinar
diversos tratados que afetariam a economia da colônia.
Em 1642, Portugal concedeu à Inglaterra a posição de
"nação mais favorecida" e os comerciantes ingleses
passaram a ter maior acesso ao comércio colonial.
Em 1654 Portugal aumentou os direitos ingleses,
que poderiam negociar diretamente vários produtos do Brasil
com Portugal e vice-versa, excetuando-se alguns produtos
como bacalhau, vinho, pau-brasil. Em 1661 a Inglaterra se
comprometeu a defender Portugal e suas colônias em troca
de dois milhões de cruzados, obtendo ainda as possessões
de Tânger e Bombaim. Em 1703 Portugal se comprometeu a
admitir no reino os panos dos lanifícios ingleses, e a
Inglaterra, em troca, a comprar vinhos portugueses. Data da
época o famosíssimo Tratado de Methuen, do nome de seu
negociador inglês, ou tratado dos Panos e Vinhos. Na
época, satisfazia os interesses dos grupos dominantes
mas teria como consequência a paralisação da
industrialização em Portugal, canalizando para a
Inglaterra o ouro que acabava de ser descoberto no
Brasil.
Formação do estado brasileiro (em verde escuro) e
dos países sul-americanos desde 1700.
Carlos Julião: Mineração de diamantes, Minas
Gerais, c. 1770.
No nordeste brasileiro se encontrava a pecuária,
tão importante para o domínio do interior, já que eram
proibidos rebanhos de gado nas fazendas litorâneas, cuja
terra de massapê era ideal para o açúcar.
A conquista do sertão, povoado por diversos
grupos indígenas foi lenta ese deveu muito à pecuária (o
gado avançou ao longo dos vales dos rios) e, muito mais
tarde, às expedições dos Bandeirantes que vinham prear
índios para levar para São Paulo.
O Ciclo do Ouro
No final do século XVII foi descoberto,
pelos bandeirantes paulistas, ouro nos ribeiros das terras
que pertenciam à capitania de São Paulo e mais tarde
ficaram conhecidas como Minas Gerais. Descobriram-se
depois, no final da década de 1720, diamante e outras
gemas preciosas. Esgotou-se o ouro abundante nos
ribeirões, que passou a ser mais penosamente buscado em
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veios dentro da terra. Apareceram metais preciosos
em Goiás e no Mato Grosso, no século XVIII. A Coroa
cobrava, como tributo, um quinto de todo o minério extraído,
o que passou a ser conhecido como "o quinto". Os desvios e
o tráfico de ouro, no entanto, eram frequentes. Para coibi-
los, a Coroa instituiu toda uma burocracia e mecanimos de
controle. Quando a soma de impostos pagos não atingia
uma cota mínima estabelecida, os colonos deveriam
entregar jóias e bens pessoais até completar o valor
estipulado — episódios chamados de derramas.
O período que ficou conhecido como Ciclo do
Ouro iria permitir a criação de um mercado interno, já que
havia demanda por todo tipo de produtos para o povoamento
das Minas Gerais. Era preciso levar, Serra da
Mantiqueira acima, escravos e ferramentas, ou, rio São
Francisco abaixo, os rebanhos de gado para alimentar a
verdadeira multidão que para lá acorreu. A população de
Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil,
sendo a única capitania do interior do Brasil com grande
população.
A essa época maioria da população de Minas
Gerais , aproximadamente 78%, era formada por negros e
mestiços. A população branca era formada em grande parte
por cristãos-novos vindos do norte de Portugal e das Ilhas
dos Açores e Madeira. Os cristãos novos foram muito
importantes no comércio colonial e se concentraram
especialmente nos povoados em volta de Ouro Preto e
Mariana. Ao contrário do que se pensava na Capitania do
Ouro a riqueza não era mais bem distribuída do que em
outras partes do Brasil. Hoje se sabe que foram poucos os
beneficiados no solo mais rico da América no século XVIII.
As condições de vida dos escravizados na região
mineira eram particularmente difíceis. Eles trabalhavam o dia
inteiro em pé, com as costas curvadas e com as pernas
mergulhadas na água. Ou então em túneis cavados nos
morros, onde era comum ocorrerem desabamentos e
mortes. Os negros escravizados não realizavam apenas
tarefas ligadas à mineração. Também transportavam
mercadorias e pessoas,
construíam estradas, casas e chafarizes, comerciavam
pelas ruas e lavras. Alguns proprietários alugavam seus
escravos a outras pessoas. Esses trabalhadores eram
chamados de "escravos de aluguel". Outro tipo de escravo
era o "escravo de ganho", por exemplo, as mulheres que
vendiam doces e salgados em tabuleiros pelas ruas. Foi
relativamente comum este tipo de escravo conseguir formar
um pecúlio, que empregava na compra de sua liberdade,
pagando ao senhor por sua alforria.
A Sociedade Mineradora e as Camadas Médias
O Brasil passou por sensíveis transformações em
função da mineração. Um novo pólo econômico cresceu no
Sudeste, relações comerciais inter-regionais se
desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo
surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada
média, composta
por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisq
ueiros, ocupou espaço na sociedade. A população mineira,
salvo nos principais centros Vila
Rica, Mariana, Sabará, Serro e Caeté, era essencialmente
pobre. O custo de vida altíssimo e a falta de gêneros
alimentícios uma constante.
Cidade de Mariana, Minas Gerais.
As minas propiciaram uma diversificação relativa
dos serviços e ofícios, tais como comerciantes,
artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas entre outros.
No entanto foi intensamente escravagista, desenvolvendo a
sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra
escrava. A mineração também provocou o aumento do
controle do comércio de escravos para evitar o
esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os
escravos eram os únicos que trabalhavam. Os escravos
mais hábeis para a mineração eram os "Minas" trazidos da
Costa ocidental africana, onde eram mineradores de ouro, e
saídos do porto de Elmina, em Gana, onde ficavam
no Castelo de São Jorge da Mina. Foi muito comum a fuga
de escravos e a formação de muitos quilombos em Minas
Gerais, sendo o mais importante foi o "Quilombo do
Ambrósio".
Também foi responsável pela tentativa de
escravização dos índios, através das bandeiras, que com
intuito de abastecer a região centro-sul promoveu a
interiorização do Brasil.
Apesar de modificar a estrutura econômica,
manteve a estrutura de trabalho vigente, beneficiando
apenas os ricos e os homens livres que compunham a
camada média. Outro fator negativo foi a falta de
desenvolvimento de tecnologias que permitissem a
exploração de minas em maior profundidade, o que
estenderia o período de exploração (e consequentemente
mais ouro para Portugal).
Assim, o eixo econômico e político se deslocou
para o centro-sul da colônia e o Rio de Janeiro tornou-se
sede administrativa, além de ser o porto por onde as frotas
do rei de Portugal iam recolher os impostos. A cidade foi
descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha das
províncias e o empório das riquezas do mundo", e por
séculos foi a capital do Brasil.
Invasões estrangeiras e conflitos coloniais
Amador Bueno é aclamado "Rei do Brasil" em 1641
O início da colonização portuguesa no território
brasileiro foi a primeira invasão estrangeira da história do
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país, então denominado pelos nativos tupis
como Pindorama, que significa "Terra das Palmeiras". A
resposta imediata foi de longos embates, entre eles a Guerra
dos Bárbaros. Houve ainda disputas com os franceses, que
tentavam se implantar na América pela pirataria e pelo
comércio do Pau-Brasil, chegando a criar uma guerra luso-
francesa. Tudo isso culminou com a expulsão dos franceses
trazidos por Nicolas Durand de Villegagnon, que haviam
construído Forte Coligny no Rio de Janeiro, estabelecendo-
se em definitivo a hegemonia portuguesa.
A época colonial foi marcada por vários conflitos,
tanto entre portugueses e outros europeus, e europeus
contra nativos, como entre os próprios colonos. O maior
deles, sem dúvida, foi a Insurreição Pernambucana, que
marca a expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil.
A insatisfação com a administração colonial
provocou a Revolta de Amador Bueno em São Paulo e, no
Maranhão, a Revolta de Beckman. Os colonos enchiam os
navios que aportavam no Brasil, esvaziando o reino, e foram
apelidados "emboabas" porque andavam calçados contra a
maioria da população, que andava descalça. Contra eles se
levantaram os paulistas, nas refregas do início do século
XVIII que ficariam conhecidas como Guerra dos Emboabas e
paulistas e ensanguentaram o rio que até hoje se chama Rio
das Mortes.
Em Pernambuco, a disputa política e econômica
entre mercadores e canavieiros, após a expulsão dos
holandeses, levou à Guerra dos Mascates. Os escravos
negros que fugiam das fazendas se refugiavam nas serras
do interior nordestino e lá fundavam quilombos, dos quais o
mais importante foi o de Palmares, liderado por Ganga
Zumba e seu sobrinho Zumbi, que foi destruído durante
a Guerra dos Palmares.
No sul,a tentativa de escravizar indígenas levou
a confrontos com os missionários jesuítas, organizados
nas "reduções" (missões) de catequese com os guaranis.
As Guerras Guaraníticas duraram, intermitentemente,
de 1750 a 1757.
Já no Ciclo do Ouro, a Capitania de Minas Gerais
sofreu a Revolta de Filipe dos Santos e a Inconfidência
Mineira, seguida pela Conjuração Baiana na Capitania da
Bahia. Esses movimentos ficaram marcados por terem a
intenção de proclamar a independência.
Nos últimos anos do período colonial ocorre
a Revolução Pernambucana, que chegou a proclamar a
República de Pernambuco. O movimento foi derrotado após
forte repressão organizada por D. João VI.
Inconfidência Mineira
A Inconfidência Mineira foi um movimento que
partiu da elite de Minas Gerais. Com a decadência da
mineração na segunda metade do século XVIII, tornou-se
difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa Portuguesa.
Além do mais, o governo português pretendia promulgar
a derrama, um imposto que exigia que toda a população,
inclusive quem não fosse minerador, contribuísse com a
arrecadação de 20% do valor do ouro retirado. Os colonos
se revoltaram e passaram a conspirar contra Portugal.
Em Vila Rica (atual Ouro Preto), participavam do
grupo, entre outros, os poetas Cláudio Manuel da
Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de
Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o padre
Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio
José de Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim José da Silva
Xavier, apelidado Tiradentes. A conspiração pretendia
eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre. Pela
lei portuguesa a conspiração foi classificada como "crime de
lesa-majestade", definida como "uma traição contra a
pessoa do rei" nas ordenações afonsinas.
A forma de governo escolhida foi o estabelecimento
de uma República, inspirados pelas
ideias iluministas da França e da recente
independência norte-americana. Traídos por Joaquim
Silvério dos Reis, que delatou os inconfidentes para o
governo, os líderes do movimento foram detidos e enviados
para o Rio de Janeiro, onde responderam pelo crime de
inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram
condenados. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes, de mais
baixa condição social, foi o único condenado à morte por
enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila
Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos
de Minas Gerais. Era o cruel exemplo que ficava para
qualquer outra tentativa de questionar o poder de Portugal.
Apesar de considerada cruel hoje o enforcamento e
esquartejamento do corpo, no contexto da época a pena foi
menos cruel que a pena aplicada, naquela mesma época, à
família Távora, no Caso Távora, por igual crime de lesa-
majestade, foi condenação à fogueira.
O crime de lesa-majestade era o mais grave dos
regimes monarquistas absolutistas e era definido
pelas ordenações filipinas, como traição contra o rei. Crime
este comparado à hanseníase pelas Ordenações filipinas, no
livro V, item 6:
“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra
a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e
abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto
estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim
como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais
se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem
a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da
comunicação da gente: assim o erro de traição condena o
que a comete, e empece e infama os que de sua linha
descendem, posto que não tenham culpa.”
O caso específico de crime de lesa-majestade
praticado pelos inconfidentes foi o caso número 5, previsto
nas ordenações filipinas, que diz: Se algum fizesse conselho
e confederação contra o rei e seu estado ou tratasse de se
levantar contra ele, ou para isso desse ajuda, conselho e
favor.
Conjuração Baiana
A Conjuração Baiana foi um movimento que partiu
da camada humilde da sociedade da Bahia, com grande
participação de negros, mulatos e alfaiates, por isso também
é conhecida como Revolta dos Alfaiates. Os revoltosos
pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um
governo igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de
acordo com a capacidade e merecimento individuais), além
da instalação de uma República na Bahia. Em 12 de
Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns
de seus membros, distribuindo os panfletos na porta
das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram
as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal
como na Inconfidência Mineira, interrogados, acabaram
delatando os demais envolvidos. Centenas de pessoas
foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos
e pessoas de todas as classes sociais. Destas, 49 foram
detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua
participação, buscando demonstrar inocência. Mais de 30
foram presos e processados. Quatro participantes foram
condenados à forca e os restos de seus corpos foram
espalhados pela Bahia para assustar a população.
Revolução Pernambucana
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Revolução Pernambucana, único movimento
separatista colonial que ultrapassou a fase conspiratória.
A chamada Revolução Pernambucana, também
conhecida como "Revolução dos Padres", eclodiu em 6 de
março de 1817 na então Capitania de Pernambuco. Dentre
as suas causas, destacam-se a influência das
ideias Iluministas propagadas pelas sociedades maçônicas
(sociedades secretas), a crise econômica regional,
o absolutismo monárquico português e os enormes gastos
da Família Real e seu séquito recém-chegados ao Brasil —
o Governo de Pernambuco era obrigado a enviar para o Rio
de Janeiro grandes somas de dinheiro para custear salários,
comidas, roupas e festas da Corte, o que ocasionava o
atraso no pagamento dos soldados, gerando grande
descontentamento do povo brasileiro.
No começo do século XIX, Olinda e Recife, as duas
maiores cidades pernambucanas, tinham juntas cerca de 40
mil habitantes (o Rio de Janeiro, capital da colônia, possuía
60 mil habitantes). O porto do Recife escoava a produção de
açúcar, das centenas de engenhos da Zona da Mata, e
de algodão. Além de sua importância econômica e política,
os pernambucanos tinham participado de diversas lutas
libertárias. A primeira e mais importante tinha sido
a Insurreição Pernambucana, em 1645. Depois, na Guerra
dos Mascates, foi aventada a possibilidade de proclamar a
independência de Olinda.
O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6
de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José
de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à
voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante
Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros
militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas
ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas
monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda
Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado,
acabou se rendendo. O movimento foi liderado
por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos
de Andrada e Silva e de Frei Caneca.
Tendo conseguido dominar o Governo Provincial,
se apossaram do tesouro da província, instalaram um
governo provisório e proclamaram a República. A
repercussão da Revolução Pernambucana contribuiu para
facilitar o processo de emancipação de Alagoas, que logrou
obter autonomia pelo Decreto de 16 de setembro de 1817. O
desmembramento da Comarca de Alagoas da jurisdição de
Pernambuco foi sancionado por D. João VI.
Principado do Brasil
O Principado do Brasil era um título
nobiliárquicoque existiu em Portugal entre 1645 a 1815, se
referindo ao Estado do Brasil, instituído em 1549.
Tendo sido o Brasil uma colônia do Império
Português, careceu de bandeira própria por mais de
trezentos anos. Não era costume, na
tradição vexilológica lusitana, a criação de bandeiras para
suas colônias, quando muito de um brasão. Hasteava-se no
território a bandeira do reino, ou do representante direto do
monarca, como o governador-geral ou o vice-rei. Ainda que
não seja considerada uma bandeira brasileira, visto que seu
uso era exclusivo aos herdeiros aparentes do trono
português, o pavilhão dos príncipes do Brasil pode ser tido
como a primeira representação flamular do Brasil. Sobre
campo branco – cor relacionada à monarquia – inscreve-se
uma esfera armilar – objeto que viria a ser, por muito tempo,
o símbolo do Brasil. Já no pavilhão pessoal de D. Manuel I,
aparece este que foi um objeto crucial para viabilizar as
explorações marítimas de Portugal.
Mudança da Corte e Abertura dos Portos
Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão
Bonaparte obrigaram a coroa portuguesa a procurar abrigo
no Brasil. Dom João VI (então Príncipe-Regente em nome
de sua mãe, a Rainha Maria I) chegou ao Rio de
Janeiro em 1808, abandonando Portugal após uma aliança
defensiva feita com a Inglaterra, que escoltou os navios
portugueses no caminho.
Decreto da abertura dos portos às nações
amigas. Biblioteca Nacional do Brasil.
Os portos brasileiros foram abertos às nações
amigas - designadamente, a Inglaterra). A abertura dos
portos se deu em 28 de janeiro de 1808 por outra carta
régia de D. João, influenciado por José da Silva Lisboa. Foi
permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros,
fazendas e mercadorias transportadas em navios
estrangeiros das potências que se conservavam em paz e
harmonia com a Real Coroa" ou em navios portugueses. Os
gêneros molhados (vinho, aguardente, azeite) pagariam
48%; outros mercadorias, os secos, 24% ad valorem. Podia
ser levado pelos estrangeiros qualquer produto colonial,
exceto o pau-brasil e outros notoriamente estancados, que
eram produzidos e armazenados na própria colônia.
Era efeito também da expansão do capital; e deve-
se recordar a falência dos recursos coatores portugueses e
a tentativa de diminuir, abrindo os portos, a total
dependência de Portugal da Inglaterra. No Reino,
desanimaram os que se haviam habituado aos generosos
subsídios, às 100 arrobas de ouro anuais, às derramas, às
tentativas de controle completo. Um autor português do
século XIX comenta que foi
"uma revolução no sistema comercial e a ruína da
indústria portuguesa; era necessária, mas cumpria modificá-
la apenas as circunstâncias que a haviam ditado
desaparecessem; ajudando assim o heróico Portugal em seu
esforço generoso, em vez de deixar que estancassem as
fontes da prosperidade!"
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Embarque para o Brasil do Príncipe Regente
de Portugal, D. João VI, e de toda a família real, no Porto
de Belém, às 11 horas da manhã de 27 de
novembro de 1807. Gravura feita por Francisco
Bartolozzi (1725-1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva.
D. João, sua família e comitiva (a Corte),
distribuídos por diversos navios, chegaram ao Rio de
Janeiro em 7 de março de 1808. Foram acompanhados pela
Brigada Real da Marinha, criada em Portugal em 1797, que
deu origem ao Corpo de Fuzileiros Navais brasileiros.
Instalaram-se no Paço da Cidade, construído
em 1743 pelo Conde de Bobadela como residência dos
governadores. Além disso, a Coroa requisitou o Convento do
Carmo e a Cadeia Velha para alojar os serviçais e as
melhores casas particulares. A expropriação era feita pelo
carimbo das iniciais PR, de Príncipe-Regente, nas portas
das casas requisitadas, o que fazia o povo, com ironia,
interpretar a sigla como "Ponha-se na Rua!".
A abertura foi acompanhada por uma série de
melhoramentos introduzidos no Brasil. No dia 1 de abril do
mesmo ano, D. João expediu um decreto que revogava o
alvará de 5 de janeiro de 1785 pelo qual se extinguiam no
Brasil as fábricas e manufaturas
de ouro, prata, seda, algodão, linho e lã. Depois do
comércio, chegava "a liberdade para a indústria". Em 13 de
maio, novas cartas régias (decretos) determinaram a criação
da Imprensa Nacional e de uma Fábrica de Pólvora, que até
então era fabricada na Fábrica da Pólvora de
Barcarena, desde 1540. Em 12 de outubro foi fundado
o Banco do Brasil para financiar as novas iniciativas e
empreitadas. Tais medidas do Príncipe fariam com que se
pudesse contar nesta época os primórdios da independência
do Brasil.
Em represália à França, D. João ordenou ainda a
invasão e anexação da Guiana Francesa, no extremo norte,
e da banda oriental do rio Uruguai, no extremo sul, já que
a Espanha estava então sob o reinado de José Bonaparte,
irmão de Napoleão, e portanto era considerada inimiga. O
primeiro território foi devolvido à soberania francesa
em 1817, mas o Uruguai foi mantido incorporado ao Brasil
sob o nome de Província Cisplatina. Em 9 de
fevereiro de 1810, no Rio de Janeiro, foi assinado um
Tratado de Amizade e comércio pelo Príncipe Regente
com Jorge III, rei da Inglaterra.
Enquanto isso, na Espanha, os liberais, ainda
acostumados com certa liberdade econômica imposta por
Napoleão enquanto ocupara o país, de 1807 a 1810, se
revoltaram contra os restauradores Bourbon, dinastia à qual
pertencia a Carlota Joaquina, esposa de D. João, e
impuseram-lhes a Constituição de Cádiz em 19 de
março de 1812. Em reação, o rei Fernando VII, irmão de
Carlota, dissolveu as cortes em 4 de maio de 1814. A
resposta viria em 1820 com a vitória da Revolução
Liberal (ou constitucional). Por isso, D. João e seus ministros
se ocuparam das questões do Vice-Reinado do Rio da
Prata, tão logo puseram os pés no Rio de Janeiro, surgindo
assim a questão da incorporação da Cisplatina.
É importante lembrar que apesar de ser elevado
a Principado em 1645, tendo sido o Brasil
uma colônia do Império Português, careceu de bandeira
própria por mais de trezentos anos. Não era costume, na
tradição vexilológica lusitana, a criação de bandeiras para
suas colônias, quando muito de um brasão. Visto que seu o
título uso era exclusivo aos herdeiros aparentes do trono
português, o pavilhão dos príncipes do Brasil pode ser tido
como a primeira representação flamular do Brasil. Sobre
campo branco – cor relacionada à monarquia – inscreve-se
uma esfera armilar – objeto que viria a ser, por muito tempo,
o símbolo do Brasil. Já no pavilhão pessoal de D. Manuel I,
aparece este que foi um objeto crucial para viabilizar as
explorações marítimas de Portugal. Contudo,
como Principado, não possui nenhum privilégio
administrativo, militar, econômico ou social, pois ainda era
visto como uma colônia portuguesa.
Reino (1815-1822)
Elevação a Reino Unido
Brasão do Vice Reino do Brasil, de 1815.
No contexto das negociações do Congresso de
Viena, o Brasil foi elevado à condição de Reino dentro do
Estado português, que assumiu a designação oficial
de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 16 de
dezembro de 1815. A carta de lei foi publicada na Gazeta do
Rio de Janeiro de 10 de janeiro de 1816, oficializando o ato.
O Rio de Janeiro, por conseguinte, subia à categoria de
Corte e capital, as antigas capitanias passaram a ser
denominadas províncias (hoje, os estados). No mesmo ano,
a rainha Maria I morreu e D. João foi coroado rei como João
VI. Deu ao Brasil como brasão-de-armas a esfera manuelina
com as quinas, encontradas já no século anterior em
moedas da África portuguesa (1770).
Revolução no Portoe Retorno de D. João VI
D. João VI deixaria o Brasil em 1821. Em agosto de
1820 houvera no Porto uma revolução
constitucionalista (revolução liberal portuguesa de 1820),
movimento com ideias liberais que ganhou adeptos no reino.
Em setembro de 1820, uma Junta Provisória de Governo
obrigou os portugueses a jurarem uma Constituição
provisória, nos moldes da Constituição espanhola de Cádiz,
até redação de uma constituição definitiva. Em janeiro de
1821, em Portugal, aconteceu a solene instalação
das Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação
Portuguesa, encarregadas de elaborar a constituição, mas
sem representantes brasileiros. Em fevereiro, D. João VI
ordenou que deputados do Brasil (bem como dos Açores,
Madeira e Cabo Verde) participassem da assembleia.
Em março, as Cortes em Portugal expediram
decreto com as bases da constituição política da monarquia.
No Rio de Janeiro, outro decreto comunicava o retorno do rei
para Portugal e ordenava que, «sem perda de tempo»,
fossem realizadas eleições dos deputados para
representarem o Brasil nas Cortes Gerais convocadas em
Lisboa. Chegaria em abril a Lisboa um delegado da Junta do
Pará, Maciel Parente, que por exceção conseguiu discursar
e foi o primeiro brasileiro a falar perante aquela
Assembleia. Em abril, na cidade do Rio de Janeiro, realizou-
se a primeira assembleia de eleitores do Brasil, que resultou
em confronto com mortos, pois as tropas portuguesas
dissolveram a manifestação. No dia seguinte, cariocas
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afixaram à porta do Paço um cartaz com a inscrição
"Açougue do Bragança", referindo-se ao Rei como
carniceiro. D. João VI partiu para Portugal cinco dias depois,
em 16 de abril de 1821, deixando seu primogênito Pedro de
Alcântara como Príncipe-Regente do Brasil.
Em 1821, o Brasil elegeu seus representantes em
número de 97 entre deputados e suplentes para
as Constituintes em Lisboa. Em agosto de 1821, as Cortes
apresentariam três projetos para o Brasil que irritaram os
representantes brasileiros com medidas recolonizadoras que
estes se recusavam a aceitar. Depois de Maciel Parente, o
monsenhor Francisco Moniz Tavares, deputado
pernambucano, seria o primeiro brasileiro a discursar
oficialmente, em vivo debate com os deputados
portugueses Borges Carneiro, Ferreira Borges e Moura,
contra a remessa de mais tropas para Pernambuco e a
incômoda presença da numerosa guarnição militar
portuguesa na província.
A separação do Brasil foi informalmente realizada
em janeiro de 1822, quando D. Pedro declarou que iria
permanecer no Brasil ("Dia do Fico"), com as seguintes
palavras: Como é para o bem de todos e felicidade geral da
nação, estou pronto: diga ao povo que fico. Agora só tenho a
recomendar-vos união e tranquilidade. Porém, a separação
do Brasil se é dada no dia 7 de setembro de 1822, com o
"grito do Ipiranga" que foi romantizado, apesar da separação
anteriormente.
Império (1822-1889)
Primeiro reinado
Simplício de Sá: Retrato de Dom Pedro I, c.
1826. Museu Imperial.
Após a declaração da independência, o Brasil foi
governado por Dom Pedro I até o ano de 1831, período
chamado de Primeiro Reinado, quando abdicou em favor de
seu filho, Dom Pedro II, então com cinco anos de idade.
Logo após a independência, e terminadas as lutas
nas províncias contra a resistência portuguesa, foi
necessário iniciar os trabalhos da Assembleia Constituinte.
Esta havia sido convocada antes mesmo da separação, em
julho de 1822; foi instalada, entretanto, somente em maio
de 1823. Logo se tornou claro que a Assembleia iria votar
uma constituição restringindo os poderes imperiais (apesar
da ideia centralizadora encampada por José Bonifácio e seu
irmão Antônio Carlos de Andrada e Silva). Porém, antes que
ela fosse aprovada, as tropas do exército cercaram o prédio
da Assembleia, e por ordens do imperador a mesma foi
dissolvida, devendo a constituição ser elaborada por juristas
da confiança de Dom Pedro I. Foi então outorgada
a constituição de 1824, que trazia uma inovação: o Poder
Moderador. Através dele, o imperador poderia fiscalizar os
outros três poderes.
Surgiram diversas críticas ao autoritarismo imperial,
e uma revolta importante aconteceu no Nordeste:
a Confederação do Equador. Foi debelada, mas Dom Pedro
I saiu muito desgastado do episódio. Outro grande desgaste
do Imperador foi por o Brasil na Guerra da Cisplatina, onde o
país não manteve o controle sobre a então região de
Cisplatina (hoje, Uruguai). Também apareciam os primeiros
focos de descontentamento no Rio Grande do Sul, com
os farroupilhas.
Pedro Américo: O Grito do Ipiranga, 1888. Museu
Paulista.
Em 1831 o imperador decidiu visitar as províncias,
numa última tentativa de estabelecer a paz interna. A viagem
deveria começar por Minas Gerais; mas ali o imperador
encontrou uma recepção fria, pois acabara de ser
assassinado Líbero Badaró, um importante jornalista de
oposição. Ao voltar para o Rio de Janeiro, Dom Pedro
deveria ser homenageado pelos portugueses, que
preparavam-lhe uma festa de apoio; mas os brasileiros,
discordando da festa, entraram em conflito com os
portugueses, no episódio conhecido como Noite das
Garrafadas.
Dom Pedro tentou mais uma medida: nomeou um
gabinete de ministros com suporte popular. Mas
desentendeu-se com os ministros e logo depois demitiu o
gabinete, substituindo-o por outro bastante impopular. Frente
a uma manifestação popular que recebeu o apoio do
exército,não teve muita escolha, assim criou o quinto poder.
Mas não deu certo a ideia, e não restou nada ao imperador a
não ser a renúncia, no dia 7 de abril de 1831.
Confederação do Equador (1824)
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Execução de Frei Caneca, quadro de Murillo La
Greca (1924).
A Confederação do Equador foi um movimento
revolucionário, de caráter emancipacionista (ou autonomista)
e republicano ocorrido em Pernambuco.
Representou a principal reação contra a
tendência absolutista e a política centralizadora do governo
de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de
1824, a primeira Constituição do país.
O conflito possui raízes em movimentos anteriores
na região: a Guerra dos Mascates e a Revolução
Pernambucana, esta última de caráter republicano.
O centro irradiador e a liderança da revolta
couberam à província de Pernambuco, que já se rebelara
em 1817 e enfrentava dificuldades econômicas. Além da
crise, a província se ressentia ao pagar elevadas taxas para
o Império, que as justificava como necessárias para levar
adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas
províncias resistiam à separação de Portugal).
Pernambuco esperava que a primeira Constituição
do Império seria do tipo federalista, e daria autonomia para
as províncias resolverem suas questões.
Como punição a Pernambuco, D. Pedro I
determinou, através de decreto de 07/07/1825, o
desligamento do extenso território da Comarca do Rio São
Francisco (atual Oeste Baiano), passando-o, inicialmente,
para Minas Gerais e, depois, para a Bahia.
Período regencial
Araújo Lima, o Marquês de Olinda.
Durante o período de 1831 a 1840, o Brasil foi
governado por diversos regentes, encarregados de
administrar o país enquanto o herdeiro do trono, D. Pedro II,
ainda era menor. A princípio a regência era trina, ou seja,
três governantes eram responsáveis pela política brasileira,
no entanto com o ato adicional de 1834,que, além de dar
mais autonomia para as províncias, substituiu o caráter
tríplice da regência por um governo mais centralizador.
O primeiro regente foi o Padre Diogo Antônio Feijó ,
que notabilizou-se por ser um governo de inspirações
liberais, porém, devido às pressões políticas e sociais, teve
que renunciar. O governo de caráter liberal caiu para dar
lugar ao do conservador Araújo Lima, que centralizou o
poder em suas mãos, sendo atacado veementemente pelos
liberais, que só tomaram o poder devido ao golpe da
maioridade. Destacam-se neste período a instabilidade
política e a atuação do tutor José Bonifácio, que garantiu o
trono para D. Pedro II.
Teve início neste período a Revolução Farroupilha,
em que os gaúchos revoltaram-se contra a política interna
do Império, e declararam a República Piratini. Também
neste período ocorreram a Cabanada,
de Alagoas e Pernambuco; a Cabanagem, do Pará; a revolta
dos Malês e a Sabinada, na Bahia; e a Balaiada,
no Maranhão.
Segundo reinado
O Segundo Reinado teve início com o Golpe da
Maioridade (1840), que elevou D. Pedro II ao trono, antes
dos 18 anos, com 15 anos. A economia, que teve como base
principal a agricultura – tornando-se o café o principal
produto exportador do Brasil durante o reinado de Pedro II,
em substituição à cana-de-açúcar –, apresentou uma
expansão de 900%. A falta de mão-de-obra, na época
chamada de "falta de braços para a lavoura", em
consequência da libertação dos escravos foi solucionada
com a atração de centenas de milhares de imigrantes, em
sua maioria italianos, portugueses e alemães. O que fez o
país desenvolver uma base industrial e começar a
expandir-se para o interior.
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
36
Dom Pedro II.
Nesse período, foi construída uma ampla rede
ferroviária, sendo o Brasil o segundo país latino-americano a
implantar este tipo de transporte, e, durante a Guerra do
Paraguai, foi possuidor da quarta maior marinha de guerra
do mundo. A mão-de-obra escrava, por pressão interna de
oligarquias paulistas, mineiras e fluminenses, manteve-se
vigente até o ano de 1888, quando caiu na ilegalidade
pela Lei Áurea. Entretanto, havia-se encetado um gradual
processo de decadência em 1850, ano do fim do tráfico
negreiro, por pressão da Inglaterra, além de que o Imperador
era contra a escravidão, pela opção dos produtores de café
paulistas que preferiam a mão de obra assalariada dos
imigrantes europeus, pela malária que dizimou a população
escrava naquela época e pela guerra do Paraguai quando os
negros que dela participaram foram alforriados.
A partir de 1870 assistiu-se ao crescimento dos
movimentos republicanos no Brasil. Em 1889 um golpe
militar tirou o cargo de primeiro-ministro do visconde de Ouro
Preto, e, por incentivo de republicanos como Benjamin
Constant Botelho Magalhães, o Marechal Deodoro da
Fonseca proclamou a República e enviou ao exílio a Família
Imperial. Diversos fatores contribuíram para a queda da
Monarquia, dentre os quais: a insatisfação da elite agrária
com a abolição da escravatura sem que os proprietários
rurais fossem indenizados pelos prejuízos sofridos, o
descontentamento dos cafeicultores do Oeste Paulista que
se tornaram adeptos do Partido Republicano Paulista e da
abolição pois usavam apenas mão de obra europeia dos
imigrantes, e perdendo apoio dos militares, especialmente
do exército que se sentiam desprestigiados entendendo que
o imperador preferia a marinha do Brasil e que almejavam
mais poder, e as interferências do Imperador em assuntos
da Igreja.
Não houve nenhuma participação popular
na proclamação da República do Brasil. O que ocorreu,
tecnicamente foi um golpe militar. O povo brasileiro apoiava
o Imperador. O correspondente do jornal "Diário Popular", de
São Paulo, Aristides Lobo, escreveu na edição de 18 de
novembro daquele jornal, sobre a derrubada do império, a
frase histórica:
“ Por ora, a cor do governo é puramente
militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só
porque a colaboração do elemento civil foi quase
nula. O povo assistiu àquilo tudo bestializado,
atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.
Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma ”
parada!
Para poupar conflitos, não houve violência e a
Família Imperial pôde exilar-se na Europa em segurança.
D. Pedro II assinou sua renúncia com a mesma
assinatura de seu pai ao abdicar em 1831: Pedro de
Alcântara.
O período pode ser divido em três etapas principais:
a chamada fase de consolidação,
que se estende de 1840 a 1850. As lutas internas
são pacificadas, o café inicia a sua expansão, a
tarifa Alves Branco permite a Era Mauá.
o chamado apogeu do Império,
um período marcado por grande estabilidade
política, quando de 1849 até 1889 não aconteceu
no Brasil nenhuma revolução, algo inédito no
mundo: 50 anos de paz interna em um país,
permitida pelo sistema
parlamentarista,(o parlamentarismo às avessas) e
pela política de troca de favores. Em termos
de Relações Internacionais, o período é marcado
pela Questão Christie e pela Guerra do Paraguai.
o chamado declínio do Império,
marcado pela Questão Militar, pela Questão
Religiosa, pelas lutas abolicionistas e pelo
movimento republicano, que conduzem ao fim do
regime monárquico.
Libertação dos escravos
Original da Lei Áurea, assinada pela Regente Dona
Isabel (1888)
Os primeiros movimentos contra a escravidão foram
feitos pelos missionários jesuítas, que combateram a
escravização dos indígenas mas toleraram a dos africanos.
O fim gradual do tráfico negreiro foi decidido, no Congresso
de Viena, em 1815. Desde 1810, a Inglaterra fez uma série
de exigências a Portugal, e passou, a partir de 1845, a
reprimir violentamente o tráfico internacional de escravos,
amparada na lei inglessa chamada Lei Aberdeen. Em 1850,
a Lei Eusébio de Queirós aboliu o tráfico internacional de
escravos no Brasil.
Em 1871 o Parlamento Brasileiro aprovou e
a Princesa Isabel sancionou a Lei 2.040, conhecida como
Lei Rio Branco ou Lei do Ventre Livre, determinando que
todos os filhos de escravos nascidos desde então seriam
livres a partir dos 21 anos.
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Em 28 de setembro de 1885 promulgou-se uma
outra lei, a Lei dos Sexagenários (Lei Saraiva–Cotegipe) que
determinava a "extinção gradual do elemento servil" e criava
fundos para a indenização dos proprietários de escravos e
determinava que escravos a partir de 60 anos poderiam ser
livres. Assim, com estas duas leis (Ventre Livre e
Sexagenários), a abolição dos escravos seria gradativa, com
os escravos sendo libertos ao atingirem a idade de 60 anos.
Em 1880 fora criada a Sociedade Brasileira Contra
a Escravidão que, juntamente com a Associação Central
Abolicionista e outras organizações, passou a ser conhecida
pela Confederação Abolicionista liderada por José do
Patrocínio, filho de uma escrava negra com um padre. Em
1884, os governos do Ceará e do Amazonas aboliram, em
seus territórios, a escravidão, no que foram pioneiros.
As fugas de escravos aumentaram muito, após
1885, quando foi abolida a pena de açoite para os negros
fugidos, o que estimulou as fugas. O exército se negava a
perseguir os negros fugidos. Há que lembrar ainda
os Caifases, liderados por Antônio Bento, que promoviam a
fuga dos negros, perseguiam os capitães-de-mato e
ameaçavam os senhores escravistas. Em São Paulo, a
polícia, em 1888, também não ia mais atrás de negros
fugidos.
A abolição definitivaera necessária. Há
divergências sobre o número de escravos existentes em
1888. Havia, segundo alguns estudiosos, 1.400.000
escravos para população de 14 milhões habitantes: cerca de
11%. Porém, segundo a matrícula de escravos, concluída
em 30 de março de 1887, o número de escravos era apenas
720.000.
Finalmente, o presidente do Conselho de Ministros
do "Gabinete de 10 de março", João Alfredo Correia de
Oliveira, do Partido Conservador, promoveu a votação de
uma lei que determinava a extinção definitiva da escravidão
no Brasil. Em 13 de maio de 1888, a Princesa
Isabel sancionou a Lei Áurea, que já havia sido aprovada
pelo Parlamento, abolindo toda e qualquer forma de
escravidão no Brasil. Logo após a Princesa assinar a Lei
Áurea, ao cumprimentá-la, João Maurício Wanderley, o
barão de Cotejipe, o único senador que votou contra o
projeto da abolição da escravatura, profetizou:
“ "A senhora acabou de redimir uma raça e
perder o trono"! ”
A aristocracia escravista, oligarquia rural arruinada
com a abolição sem indenização, culpou o governo e aderiu
aos vários partidos republicanos existentes, especialmente
ao Partido Republicano Paulista e o PRM, que faziam na
oposição ao regime monárquico, assim, uma das
consequências da abolição seria a queda da monarquia.
Pequenos proprietários que não podiam recorrer a mão de
obra assalariada fornecida pelos imigrantes europeus
também ficaram arruinados. Apenas a economia cafeeira do
oeste paulista, porém, quando comparada à de outras
regiões, não sofreu abalos, pois já se baseava na mão-de-
obra livre, assalariada. Muitos escravos negros
permaneceram no campo, praticando uma economia de
subsistência, em pequenos lotes, outros buscaram as
cidades, onde entraram num processo de marginalização.
Desempregados, passaram a viver em choças e barracos
nos morros e nos subúrbios.
E de acordo com a análise de Everardo Vallim
Pereira de Souza, reportando-se às consideração do
Conselheiro Antônio da Silva Prado, as consequências da
abolição dos escravos, em 13 de maio de 1888, deixando
sem amparo os ex-escravos, foram das mais funestas:
“ Segundo a previsão do Conselheiro
Antônio Prado, decretada de afogadilho a “Lei 13
de maio”, seus efeitos foram os mais desastrosos.
Os ex-escravos, habituados à tutela e curatela de
seus ex-senhores, debandaram em grande parte
das fazendas e foram "tentar a vida" nas cidades;
tentâme aquele que consistia em: aguardente aos
litros, miséria, crimes, enfermidades e morte
prematura. Dois anos depois do decreto da lei,
talvez metade do novo elemento livre havia já
desaparecido! Os fazendeiros dificilmente
encontravam "meieiros" que das lavouras
quisessem cuidar. Todos os serviços
desorganizaram-se; tão grande foi o descalabro
social. A parte única de São Paulo que menos
sofreu foi a que, antecipadamente, havia já
recebido alguma imigração estrangeira; O geral da
Província perdeu quase toda a safra de café por
falta de colhedores! ”
O Brasil foi o último país independente
do continente americano a abolir a escravatura. O último
país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia,
somente em 9 de novembro de 1981, pelo decreto de
número 81.234.
República (1889-presente)
Primeira República (1889-1930)
Henrique Bernardelli: Marechal Deodoro da
Fonseca, c. 1900.
Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro
da Fonseca decretou o fim do período imperial em um golpe
militar de Estado sob a forma de uma quartelada quase sem
força política e nenhum apoio popular, e o início de um
período republicano ditatorial, destituindo o último imperador
brasileiro, D. Pedro II, que teve de partir em exílio para
a Europa. O nome do país mudou de Império do Brasil
para Estados Unidos do Brasil. A
primeira constituição da República do Brasil foi feita dia 15
de novembro de 1890. Após 4 anos de ditadura com um
caos e várias mortes de federalistas, negros lutando por
seus direitos, entre outros, iniciou-se a era civil da República
Velha, com a chamada República Oligárquica.
O Visconde de Ouro Preto, presidente do conselho
de ministro deposto em 15 de novembro, entendia que a
proclamação da república fora um erro e que o Segundo
Reinado tinha sido bom, e, assim se expressou em seu livro
"Advento da ditadura militar no Brasil":
“ O Império não foi a ruína. Foi a ”
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
38
conservação e o progresso. Durante meio século
manteve íntegro, tranquilo e unido território
colossal. O império converteu um país atrasado e
pouco populoso em grande e forte nacionalidade,
primeira potência sul-americana, considerada e
respeitada em todo o mundo civilizado. O Império
aboliu de fato a pena de morte, extinguiu a
escravidão, deu ao Brasil glórias imorredouras, paz
interna, ordem, segurança e, mas que tudo,
liberdade individual como não houve jamais em
país algum. Quais as faltas ou crimes de D. Pedro
II, que em quase cinquenta anos de reinado nunca
perseguiu ninguém, nunca se lembrou de uma
ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre
a perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros
praticados que o tornou merecedor da deposição e
exílio quando, velho e enfermo, mais devia contar
com o respeito e a veneração de seus
concidadãos? A República brasileira, como foi
proclamada, é uma obra de iniquidade. A República
se levantou sobre os broqueis da soldadesca
amotinada, vem de uma origem criminosa, realizou-
se por meio de um atentado sem precedentes na
História e terá uma existência efêmera!
Conflitos
O período foi marcado por inúmeros conflitos, de
naturezas distintas. Externamente destacam-se apenas 2:
a Revolução Acreana, que foi o processo político-social que
levou à incorporação do território do atual estado do Acre ao
Brasil; e o envolvimento do país na I Guerra Mundial, na qual
apesar da participação militar do país ter sido insignificante
para o resultado geral do conflito, tendo se restringido
basicamente ao envio de uma esquadra naval para participar
da guerra anti-submarina no noroeste da Àfrica
e mediterrâneo, em 1918; a mesma deu ao Brasil o direito a
participar da conferência de Versalhes em 1919.
Já no plano interno, este 1º período republicano foi
marcado por graves crises econômicas, como a
do encilhamento, que contribuíram para acirrar ainda mais a
instabilidade geral. No âmbito político-social, por exemplo,
entre 1891 e 1927 ocorreram várias revoltas e conflitos no
país, tanto militares como (por exemplo): a 1ª Revolta da
Armada em 1891, a 2ª Revolta da Armada em 1893,
a Revolução Federalista entre 1893-95, Revolta da
Chibata em 1910, a Revolta dos tenentes em 1922,
a Revolta de 1924 que se desdobrou na Coluna Prestes;
quanto civis, como (por exemplo): a Guerra de
Canudos 1893-97, a Revolta da Vacina em 1904, a Guerra
do Contestado entre 1912-16 e os movimentos operários de
1917-19.
Também neste período, ocorreu o auge
do cangaço , tendo sido seu expoente mais famigerado
Virgulino Ferreira da Silva, popularmente conhecido como
"Lampião".
Embora todos esses eventos tenham sido
controlados pelo governo central e a maioria fosse de
caráter localizado, o acúmulo dessas tensões sociais e
econômicas foi pouco a pouco minando o regime, o que
somado aos efeitos causados pelas crises da depressão de
1929 e das eleições federais de 1930, acabaram levando
ao movimento de 1930 que pôs um fim a este primeiro
período da república no Brasil.
República do Café com Leite
Mais informações: Política do café com leite
Entre 1889 e 1930, o governo foi oficialmente uma
democracia constitucional e, a partir de 1894, a Presidência
alternou entre os estados dominantes daépoca, São
Paulo e Minas Gerais. Como os paulistas eram grandes
produtores de café, e os mineiros estavam voltados à
produção leiteira, a situação política do período ficou
conhecida como Política do Café-com-Leite.
Esse equilíbrio de poder entre os estados, foi uma
política criada pelo presidente Campos Sales, chamada
de Política dos Estados ou Política dos governadores. A
República Velha terminou em 1930, com a Revolução de
1930, liderada por Getúlio Vargas, um civil, instituindo-o
"Governo Provisório", até que novas eleições fossem
convocadas.
Sobre sua política, Campos Sales disse:
“ Outros deram à minha política a
denominação de "Política dos Governadores",
Teriam acertado se dissessem "Política dos
Estados". Esta denominação exprimiria melhor o
meu pensamento! ”
E esse seu pensamento foi definido assim por ele:
“ Neste regime, disse eu na minha última
mensagem, a verdadeira força política, que no
apertado unitarismo do Império residia no poder
central, deslocou-se para os Estados. A Política dos
Estados, isto é, a política que fortifica os vínculos
de harmonia entre os Estados e a União é, pois, na
sua essência, a política nacional. É lá, na soma
destas unidades autônomas, que se encontra a
verdadeira soberania da opinião. O que pensam os
Estados pensa a União! ”
Era Vargas (1930-1945)
O período que vai de 1930 a 1945, a partir da
derrubada do presidente Washington Luís em 1930, até a
volta do país à democracia em 1945, é chamado de Era
Vargas, em razão do forte controle na pessoa
do caudilho Getúlio Dorneles Vargas, que assumiu o
controle do país, no período. Neste período está
compreendido o chamado Estado Novo (1937-1945).
A Revolução de 1930 e o Governo Provisório
Em 1 de março de 1930 ocorre a última eleição
presidencial da República Velha. Disputaram essa eleição o
presidente de São Paulo (hoje se diz governador) Júlio
Prestes de Albuquerque apoiado pelo
presidente Washington Luís e por 17 estados contra o
candidato Getúlio Vargas apoiado apenas por 3 estados:
Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Júlio Prestes é
eleito e aclamado presidente, porém os perdedores não
reconheceram sua vitória.
Assim, em 1930, acontece a Revolução de
1930 iniciada a 3 de outubro. Quando as tropas
revolucionárias marcharam para o Rio de Janeiro, então
capital federal, ocorre a 24 de outubro um golpe militar que
depõe e presidente Washington Luís, que fora antes
presidente de São Paulo. Washington Luís foi deposto e
exilado, Júlio Prestes é impedido de tomar posse como
presidente da república e também é exilado. É formada
uma Junta Militar Provisória, que então passa o poder a
Getúlio Dorneles Vargas, em 3 de novembro de 1930,
encerrando a República Velha e iniciando o Governo
Provisório que tem Getúlio Vargas como seu chefe.
Logo após a tomada do poder em novembro
de 1930, Getúlio Vargas nomeou interventores federais para
governar os estados. Para São Paulo, por exemplo, foi
nomeado o tenente João Alberto Lins de Barros, um
pernambucano, sendo que a maioria dos líderes paulistas
foram exilados. Na Bahia, foi nomeado um cearense, Juracy
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Magalhães - e assim por diante. Do exílio em Portugal, Júlio
Prestes escreve, já em 1931, acreditando ele que a situação
da ditadura estava se tornando insustentável:
“ O que não se compreende é que
uma nação, como o Brasil, após mais de
um século de vida constitucional e liberalismo,
retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem
limites como essa que nos degrada e enxovalha
perante o mundo civilizado! ”
Ao se iniciar o ano de 1932, crescem os reclamos
dos políticos paulistas que se uniram na Frente Única
Paulista, em prol do fim da interferência dos tenentes em
São Paulo e pela instalação de uma assembleia nacional
constituinte que poria fim ao Governo Provisório, o qual era
chamado pelos paulistas de ditadura..
Uma previsível reação dos paulistas a um conluio
contra São Paulo e seus interesses já fora percebida, em
1929, pelo senador fluminense Irineu Machado, que afirmou:
“ A reação contra a candidatura do Dr. Júlio
Prestes representa não um gesto contra o
presidente do estado, mas uma reação contra São
Paulo, que se levantará porque isto significa um
gesto de legítima defesa de seus próprios
interesses"! ”
.
Os paulistas, que mantinham um esquema de
domínio político junto com Minas Gerais durante a primeira
república, tentam articular uma revolução em 1932 para
depor Getúlio Vargas. A justificativa encontrada pelas
oligarquias locais para buscar apoio do povo é que o país
precisava de uma Constituição, pois, desde 1930, Getúlio
Vargas dizia que "assumia provisoriamente" a Presidência e
que o mais cedo possível entregaria uma nova Constituição
ao país, com a subsequente realização de eleições para
presidente. Daí o nome de Revolução Constitucionalista de
1932, deflagrada a 9 de julho. Os paulistas foram apoiados
pelo sul estado do Mato Grosso onde foi criado o Estado de
Maracaju, mas as tropas federais, ajudadas pelas tropas
gaúchas e mineiras, garantiram uma vitória de Getúlio
Vargas depois de 3 meses de luta, a qual foi a maior guerra
civil brasileira de todos os tempos. Finalmente, em 3 de
maio de 1933, são feitas eleições para uma Assembleia
Nacional Constituinte que em 1934 elege Getúlio Vargas
presidente da república.
Getúlio Vargas.
O período constitucional de Getúlio Vargas
Em 1934, no entanto, o país ganha
uma Constituição. Getúlio Vargas é eleito presidente. Este
governo constituicional durou três anos até 1937. Foram
anos conturbados, em que ocorre certa polarização na
política nacional. De um lado ganha força a esquerda,
representada principalmente pela Aliança Nacional
Libertadora (ANL) e pelo Partido Comunista
Brasileiro (PCB); de outro a direita, que ganha forma num
movimento de inspiração fascista chamado Integralismo.
Uma articulação revolucionária de esquerda é
tentada em 1935, chamada de Intentona Comunista, por
parte de um setor das forças armadas e de alguns indivíduos
ligados a URSS. Um dos principais líderes desse movimento
foi o ex-tenente do exército Luís Carlos Prestes, que fica
preso e ficou incomunicável por 8 anos. Sua mulher, a
comunista e judia Olga Benário, tem um destino pior:
O Supremo Tribunal Federal a expatriou para a Alemanha
Nazista, seguindo os acordos de extradição vigentes entre
Brasil e Alemanha que mantinham relações diplomáticas
normais. Olga acaba morrendo em um campo de
concentração, concluindo um dos episódios mais vexatórios
da política externa brasileira.
O escritor Graciliano Ramos também é preso
depois da Intentona Comunista, supostamente por praticar
atividades subversivas. Um retrato de seus dias na prisão e
da situação política instável do país está gravado em seu
livro Memórias do Cárcere.
O Estado Novo
Graças ao clima de pânico provocado pela
polarização política (os integralistas tentam um putsch algum
tempo depois, em 1938), Getúlio Vargas articula uma
situação que lhe permite decretar um golpe de estado dois
meses antes da eleição presidencial marcada para janeiro
de 1938. Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas
anuncia o Estado Novo.
A justificativa primária do golpe é a existência de
um plano comunista para a tomada do poder, "apoiado por
Moscou" - é o chamado Plano Cohen. Posteriormente
descobriu-se que o plano foi uma armação dos agentes de
Getúlio Vargas. O apoio militar e o apoio da classe média
garante o sucesso do golpe, pois há algum tempo cresciam
os temores de que o comunismo poderia promover uma
revolução no Brasil.Getúlio Vargas consegue prolongar seus anos na
Presidência até 1945. É emblemático notar que uma das
figuras mais conhecidas de seu governo foi o chefe de
polícia Filinto Muller. A censura oprime a expressão artística
e científica: em 1939 é criado o DIP, Departamento de
Imprensa e Propaganda. Além da censura, o DIP atuava na
propaganda pró-Vargas e contrária à República Velha,
fazendo com que a imagem do presidente fosse exaltada ao
extremo.
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
40
Cartaz do governo do Estado Novo (1935): "(…) O
Brasil está de pé, vigilante e disposto a tudo empenhado na
conquista de seu destino imortal!".
Por essas características é que, iniciada a Segunda
Guerra Mundial, não se sabia se Getúlio Vargas apoiaria
o Eixo (com quem parecia ter mais afinidade) ou os Aliados.
Os EUA tinham planos para invadir o nordeste, caso o
governo Vargas insistisse em manter o Brasil neutro. O clima
de tensão culminara na adesão aos países aliados em 1942,
após ataques alemães em navios mercantes brasileiros que
resultaram na morte de dezenas de pessoas. A barganha
getulista obtivera vantagens econômicas e militares:
instituiu-se um acordo econômico com os Estados
Unidos que possibilitara a implantação da Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN). Além disso, outro acordo
possibilitara o reaparelhamento das forças armadas
brasileiras.
Além da CSN, houve outras importantes conquistas
feitas pelo Estado Novo tais como: o Ministério da
Aeronáutica, a Força Aérea Brasileira, o Conselho Nacional
do Petróleo, o Departamento Administrativo do Serviço
Público, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia
Nacional de Álcalis, a Companhia Vale do Rio Doce,
o Instituto de Resseguros do Brasil, a Companhia
Hidrelétrica do São Francisco, a estrada Rio-Bahia, o Código
Penal, o Código de Processo Penal Brasileiro e
a Consolidação das Leis do Trabalho, a Justiça do Trabalho,
o salário mínimo e a estabilidade no emprego do
trabalhador, após de dez anos no emprego.
A pressão popular pela criação de uma força
expedicionária torna-se concreta, mesmo contra a vontade
de Vargas, que afirmara que o envio de tropas brasileira
ocorreria quando "a cobra fumar". Posteriormente,
percebendo a crescente pressão interna (camadas médias
urbanas) e externa (os Estados Unidos temiam uma possível
desestabilização de poder no Brasil, não desejosa em
tempos de guerra), Vargas cedeu, criando a Força
Expedicionária Brasileira (FEB); cujo lema fora "A Cobra Vai
Fumar". A compensação à ajuda financeira deu-se de forma
logística e material: garantiu-se o suprimento de matérias-
primas aos aliados (2º ciclo da borracha), e permitiu-se a
instalação de uma base militar na região Nordeste (Rio
Grande do Norte), garantido o domínio logístico e militar dos
aliados sobre o atlântico sul.
Ao término da guerra, fazia pouco sentido que
Getúlio Vargas continuasse no poder. O fascismo fora
derrotado, e os brasileiros notaram isso. Getúlio Vargas é
forçado a renunciar em 29 de outubro de 1945 pelas forças
armadas, seguindo para seu estado natal, o Rio Grande do
Sul, e elegendo-se senador da república.
República Nova (1945-1964)
O período conhecido como República
Nova ou República de 46 inicia com a renúncia forçada de
Vargas, em outubro de 1945. O General Eurico Gaspar
Dutra foi o presidente eleito e empossado no ano seguinte.
Em 1946 foi promulgada nova Constituição, mais
democrática que a anterior, restaurando direitos individuais.
A construção de Brasília. Na imagem os prédios
dos ministérios, 1959. Fonte: Arquivo Público do Distrito
Federal.
Em 1950, o Brasil recebe a Copa do Mundo de
Futebol. Apesar de perder a final para o Uruguai, por 2 a
1, coloca o país definitivamente em destaque no cenário
internacional, bate todos os recordes e deixa como legado
o Estádio do Maracanã, o maior do país.
Ainda em 1950, o maior comunicador brasileiro
do século XX, Assis Chateaubriand, inaugurou a TV Tupi
São Paulo, que no início chamava-se PRF-3. Sua cadeia de
rádio, jornais e televisão crescia a olhos vistos.
Nesse ano, Getúlio Vargas foi mais uma vez eleito
presidente, desta vez pelo voto direto. Em seu segundo
governo foi criada a Petrobrás, fruto de tendências
nacionalistas que receberam suporte das camadas
operárias, dos intelectuais e do movimento estudantil.
Porém, os tempos não eram mais os mesmos, e Getúlio não
conseguiu conduzir tão bem o seu governo. Pressionado por
uma série de eventos, em 1954 Getúlio Vargas comete
suicídio dentro do Palácio do Catete. Assume o vice-
presidente, João Fernandes Campos Café Filho.
Em 1955, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente
e tomou posse em janeiro de 1956, ainda que tenha
enfrentado tentativas de golpe. Seu governo caracterizou-se
pelo chamado desenvolvimentismo, doutrina que se detinha
nos avanços técnico-industriais como suposta evidência de
um avanço geral do país. O lema do desenvolvimentismo
sob Juscelino foi 50 anos em 5. Em 1960, Kubitschek
inaugurou Brasília, a nova capital do Brasil.
Já em 1961, Jânio Quadros, eleito em 1960,
assumiu a presidência, mas renunciou em agosto do mesmo
ano. Jânio, um ex-professor sul-matogrossense radicado em
São Paulo pregava a moralização do governo, iniciou sua
carreira política no PDC e se elegeu com o apoio da UDN,
fez um governo contraditório: ao lado de medidas polêmicas
(como a proibição de lança perfume e da briga de galo), o
presidente condecorou o revolucionário argentino Ernesto
Che Guevara, para a supresa da UDN. Com a
condecoração, Jânio tentava uma aproximação com o bloco
socialista para fins estritamente econômicos, mas assim não
foi a interpretação da direita no Brasil, que passou a alardear
o pânico com a "iminência" do comunismo.
O vice-presidente João Goulart, popularmente
conhecido como "Jango", assumiu em 7 de setembro de
1961 a presidência, após uma crise política: os militares não
queriam aceitá-lo na presidência, alegando o "perigo
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41
comunista", ou seja que Jango era simpatizante
do comunismo e mantinha vários comunistas em seu
governo. Além de ex-ministro trabalhista, Goulart
encontrava-se na China quando da renúncia de Jânio
Quadros. Uma solução intermediária é acertada e instala-se
o parlamentarismo no Brasil.
Em 1963, entretanto, João Goulart recuperou a
chefia de governo com o plebiscito que aprovou a volta
do presidencialismo. João Goulart governou até 1 de abril de
1964, quando se refugiou no Uruguai deposto pelo Golpe
Militar de 1964. No seu governo houve constantes
problemas criados pela oposição militar, em parte devido a
seu nacionalismo e posições políticas radicais como a do
Slogan "Na lei ou na marra" e "terra ou morte", em relação
à reforma agrária . O maior protesto dos setores
conservadores da sociedade contra seu governo ocorreu
nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em 19 de
março de 1964, com a chamada Marcha da Família com
Deus pela Liberdade.
Regime Militar (1964-1985)
O governo de João Goulart foi marcado por
alta inflação, estagnação econômica e uma forte oposição
da Igreja Católica e das forças armadas que o acusavam de
permitir a indisciplina nas Forças Armadas e de fazer um
governo de caráter esquerdista.
Em 31 de março de 1964 as Forças Armadas
realizam um Golpe Militar de 1964, destituindo João Goulart
que se exilou no Uruguai. Os líderes civis do golpe, foram os
governadores dos estados do Rio de Janeiro,Carlos
Lacerda, de Minas Gerais, Magalhães Pinto e de São
Paulo, Adhemar de Barros. A maioria dos militares que
participaram do golpe de estado eram ex-tenentes
da Revolução de 1930, entre os quais, Juraci
Magalhães, Humberto de Alencar Castelo Branco, Juarez
Távora, Médici, Geisel e Cordeiro de Farias.
Foram 5 os presidentes da república, todos
generais de exército, durante o regime militar: o General
Humberto de Alencar Castelo Branco, seguido pelo
General Arthur da Costa e Silva (1967-1969), eleitos
pelo Congresso Nacional. O General Emílio Garrastazu
Médici (1968-74) foi escolhido pela Junta Militar que
assumira o poder com a morte de Costa e Silva em 1969 e
eleito por um colégio eleitoral. O General Ernesto
Geisel (1974-79) e o General João Baptista de Oliveira
Figueiredo (1979-84) também foram eleitos por colégios
eleitorais formados pelo Congresso Nacional mais
representantes das assembleias legislativas dos estados.
Entre as características adquiridas pelos governos
decorrentes do golpe militar, também chamado
de "Revolução de 1964" e de "Contra-Revolução de 1964",
destacam-se o combate à subversão praticadas por
guerrilhas de orientação esquerdista, a supressão de alguns
direitos constitucionais dos elementos e instituições ligados
à suposta tentativa de golpe pelos comunistas, e uma
forte censura à imprensa, após a edição do AI-5 de 13 de
dezembro de 1968.
O golpe de estado foi chamado de "Contra-
Revolução de 1964" porque os golpistas estavam tentando
impedir uma provável revolução comunista no Brasil, nos
moldes da recém ocorrida revolução cubana ocorrida anos
antes.
Em 1965, pelo Ato Institucional nº 2, todos
os partidos políticos então existentes são declarados
extintos, e teve início a intensificação da repressão política
aos comunistas. Somente dois partidos eram permitidos,
a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), e o Movimento
Democrático Brasileiro (MDB), que veio a servir de refúgio a
toda a esquerda e extrema esquerda política.
Em pequenos municípios, porém, a divisão entre os
dois partidos, ou as vezes, dentro do mesmo partido político,
pois cada partido podia lançar até 3 candidatos a prefeito (as
sublegendas), não era de ideias ou paradigmas, mas sim
disputas pessoais entre os líderes locais. Em 1970, o MDB
quase foi extinto por ter tido uma votação mínima para o
Congresso Nacional.
Em 1967, o nome do país foi alterado
para República Federativa do Brasil
Em 15 de março de 1967, promulgada a sexta
Constituição Brasileira pelo Congresso, institucionalizando o
movimento e estabelecendo eleições indiretas para
presidente, realizada via colégio eleitoral, este eleito
diretamente. A partir daquele dia ficavam revogados os atos
instituicionais baixados desde 1964. Nesse mesmo dia,
diante do crescimento dos movimentos de contestação ao
regime militar, o General Arthur da Costa e Silva assumiu a
Presidência da República. Porém esta normalidade
institucional dada pela constituição de 1967 durou pouco.
Em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva fechou
o Congresso Nacional e decretou o Ato Institucional nº 5,
o AI-5, que lhe deu o direito de fechar o Parlamento, cessar
direitos políticos e suprimir o direito de habeas corpus. Em
1969, é feita uma ampla reforma da constituição de 1967,
conhecida como emenda constitucional nº 1, que a torna
mais autoritária.
Neste período, intensificou-se a luta armada nas
cidades e no campo em busca da derrubada do governo
militar. Praticamente, tudo teve início com o atentado
no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife,
em 1966, com diversos mortos e feridos, e em diversos
outros pontos do país, principalmente em São Paulo e Rio
de Janeiro. Foi após a configuração desta conjuntura de
terror e justiçamentos da parte dos grupos comunistas que a
censura teve sua implantação consolidada.
Em 1969, Costa e Silva sofreu uma trombose e
ficou incapacitado; uma junta militar formada pelos
comandantes das Forças Armadas assumiu o poder. Em
outubro, o General Médici tomou posse como presidente
eleito pelo Congresso Nacional que ele pediu que fosse
reaberto.
Médici comandou o período de maior repressão aos
grupos esquerdistas que combatiam a ditadura militar, em
especial, a repressão aos grupos de revolucionários e
guerrilheiros marxistas, com suspeitos e colaboradores
sendo presos, ocasionalmente exilados, torturados e/ou
mortos em confrontos com as forças policiais do Estado. Em
1969, os guerrilheiros atacaram o Quartel General do II
Exército, atual Comando Militar do Sudeste, em São Paulo,
quando morreu o soldado Mário Kozel Filho.
No governo Médici teve início o movimento
guerrilheiro no Araguaia e a realização
de sequestros de embaixadores estrangeiros e assaltos a
bancos comerciais por grupos de esquerda. Estes
sequestros eram usados, em sua maioria, como forma de
pressionar o governo militar a libertar presos políticos. Após
a redemocratização do país, contabilizou-se mais de
trezentos mortos, de ambos os lados.
Em 1974, o General Ernesto Geisel assumiu a
presidência, tendo que enfrentar grandes problemas
econômicos, causados pela dívida externa criada pelo
governo Médici, agravados pela crise internacional
do petróleo, e uma alta taxa de inflação.
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42
Manifestação pelas Diretas, em 1984.
Geisel iniciou a abertura democrática "lenta, gradual
e segura", que foi continuada pelo seu sucessor, o General
Figueiredo (1979-85). Figueiredo não só permitiu o retorno
de políticos exilados ou banidos das atividades políticas
durante os anos 1960 e 70. Foram anistiados os militantes
das guerrilhas do tempo de governo Médici. Figueiredo
também autorizou que estes anistiados concorressem
às eleições municipais e estaduais em 1982.
O regime militar termina com as eleições indiretas
para presidente em 1984, com Paulo Maluf concorrendo
pelo PDS e Tancredo Neves pelo PMDB apoiado
pela Frente Liberal, dissidência do PDS liderada por José
Sarney e Marco Maciel. Venceu Tancredo Neves, na eleição
indireta de 15 de janeiro de 1985, para governar por 6 anos,
a partir de 15 de março de 1985, até 1991. Nem todos, na
oposição ao regime militar, concordavam com o lançamento
da candidatura Tancredo Neves. O PT expulsou de seus
quadros os seus deputados que votaram em Tancredo
Neves no colégio eleitoral. Foram expulsos do PT: a
deputada federal Beth Mendes e os deputados
federais Aírton Soares e José Eudes.
Essas eleições, as últimas eleições indiretas da
história brasileira, foram precedidas de uma enorme
campanha popular em favor de eleições diretas, levada a
cabo por partidos de oposição, à frente o PMDB, que
buscava a aprovação pelo Congresso Nacional da Emenda
Constitucional que propunha a realização de eleições
diretas. A campanha foi chamada de "Diretas já", e tinha à
frente o deputado Dante de Oliveira, criador da proposta de
Emenda. Em 25 de abril de 1984, a emenda foi votada e
obteve 298 votos a favor, 65 contra, 3 abstenções e 112
deputados não compareceram ao plenário no dia da
votação. Assim a emenda foi rejeitada por não alcançar o
número mínimo de votos para a aprovação da emenda
constitucional.
As principais realizações dos governos militares
foram: a Ponte Rio-Niterói, os metrôs de São Paulo e Rio de
Janeiro, a usina hidrelétrica de Itaipu, a barragem de
Sobradinho, a Açominas, a Ferrovia do Aço, a rodovia
Transamazônica, o FGTS, o BNH, a reforma administrativa
através de decreto-lei nº 200, o Banco Central do Brasil,
a Polícia Federal e o sistema DDD.
Nova República (1985-presente)O primeiro presidente civil eleito desde o golpe
militar de 1964 foi Tancredo Neves. Ele não chegou a
assumir, sendo operado no dia 14 de março de 1985 e
contraindo infecção hospitalar. No dia da posse, 15 de
março de 1985, assume então José Sarney de modo
interino, e após 21 de abril, data do falecimento de Tancredo
Neves, como presidente em caráter pleno.
A democracia foi re-estabelecida em 1988, quando
a atual Constituição Federal foi promulgada.
Fernando Collor foi eleito em 1989, na primeira
eleição direta para Presidente da República desde
1964. Seu governo perdurou até 1992, quando renunciou
devido a processo de "impugnação" movido contra ele. O
processo de afastamento ocorreu em decorrência de uma
série de denúncias envolvendo o Presidente Collor em
esquemas de corrupção, que seriam comandados pelo seu
ex-tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. O vice-
presidente, Itamar Franco, assume em seu lugar.
No governo de Itamar Franco é criado o Plano Real,
articulado por seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique
Cardoso. O governo Itamar contou com a presença de vários
senadores como ministros. Historiadores chegam a
considerar esse fenômeno como um "parlamentarismo
branco". Cardoso foi eleito em 1994 e reeleito em 1998.
Cumpre dois mandatos e transmite a faixa presidencial ao
seu sucessor em 1º de janeiro de 2003.
Imagem do Porto de Santos. As exportações são o
símbolo do novo crescimento econômico.
O candidato Luis Inácio Lula da Silva, do PT, foi
eleito presidente com aproximadamente 61% dos votos
válidos. Lula repetiria o feito em 2006, sendo reeleito no
segundo turno disputado contra Geraldo Alckmin, do
mesmo PSDB.
Durante a primeira década do Século XXI, o Brasil
foi classificado juntamente com China, Rússia, Índia e África
do Sul pelo grupo financeiro Goldman Sachs num grupo
denominado BRICS, que reuniria os mercados emergentes
mais promissores para o século. De fato, o Brasil teve um
grande crescimento nas exportações a partir 2004, e,
mesmo com um real valorizado e a crise internacional,
atingiu em 2008 exportações de US$ 197,9
bilhões, importações de US$ 173,2 bilhões, ficando entre os
19 maiores exportadores do planeta.
No dia 1º de janeiro de 2011, Dilma
Rousseff assumiu a Presidência da República, tornando-se a
primeira mulher a assumir o posto de chefe de Estado, e
também de governo, em toda a história do Brasil. Seu
governo foi marcado por uma forte desaceleração
econômica e começou a perder popularidade a partir de
2013, em meio às Jornadas de junho, protestos direcionados
a ela mas também a toda a classe política brasileira, tendo
como causa imediata o aumento nas tarifas de transporte
público nas grandes cidades. Ainda assim, nas Eleições
presidenciais brasileiras de 2014, Dilma conseguiu se
reeleger vencendo o candidato Aécio Neves no segundo
turno por uma estreita margem (51,64% a 48,36%). No início
de seu segundo mandato sua rejeição atingiu quase 70%
graças a medidas impopulares, e em meio a protestos
populares após revelações de que políticos de diversos
partidos estavam sendo investigados pela Polícia
Federal por esquemas de propinas envolvendo estatais e
empreiteiras. Em 2 de dezembro de 2015, o presidente
da Câmara dos Deputados acolheu um pedido
de impeachment contra Rousseff com base nas chamadas
"pedaladas fiscais" cometidas pelo governo, que, segundo
os juristas responsáveis, desrespeitaram a Lei de
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43
Responsabilidade Fiscal; e no dia 29 de março de 2016, o
partido do vice-presidente do país e do presidente da
Câmara anunciou o seu rompimento oficial com o governo
Dilma. Em 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados
aprovou o início do processo de impeachment, e no dia 12
de maio, por decisão do Senado, a mandatária foi afastada
do cargo. Dilma Rousseff foi deposta em 31 de agosto de
2016, assumindo, então, o vice-presidente Michel Temer.
Apesar da estabilidade macroeconômica que
reduziu as taxas de inflação e de juros e aumentou a renda
per capita, diferenças remanescem ainda entre a população
urbana e rural, os estados do norte e do sul, os pobres e os
ricos. Alguns dos desafios dos governos incluem a
necessidade de promover melhor infraestrutura, modernizar
o sistema de impostos, as leis de trabalho e reduzir a
desigualdade de renda e diminuir o custo Brasil.
A economia brasileira contém
uma indústria desenvolvida, inclusive com indústria
aeronáutica e uma agricultura desenvolvida e associada à
indústria - o agronegócio, sendo que o setor
de serviços cada vez ganha mais peso na economia. As
recentes administrações expandiram a competição em
portos marítimos, estradas de ferro, em telecomunicações,
em geração de eletricidade, em distribuição do gás natural e
em aeroportos com o alvo de promover o melhoramento da
infraestrutura.
CONHECIMENTOS BRASIL
Brasil
República Federativa do Brasil
Bandeira Brasão de armas
Lema: Ordem e Progresso
Hino nacional: Hino Nacional Brasileiro
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Gentílico: Brasileiros
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44
Localização do Brasil no mundo.
Capital Brasília
15°47'56"S 47°52'00"O
Cidade mais populosa São Paulo
Língua oficial Português
Governo República federativa
presidencialista
- Presidente Michel Temer
- Vice-presidente Cargo vago
- Presidente da Câmara
dos Deputados
Rodrigo Maia
- Presidente do Senado
Federal
Eunício Oliveira
- Presidente do
Supremo Tribunal Federal
Carmen Lúcia
- Número de ministérios 25[1]
Independência do Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves
- Declarada 7 de setembro de 1822
- Reconhecida 29 de agosto de 1825
- Proclamação da
República
15 de novembro de
1889
- Constituição 5 de outubro de 1988
Área
- Total 8 515 767,049[2]
km² (5.º)
- Água (%) 0,65
Fronteira Argentina, Bolívia,
Colômbia, Guiana Francesa
(França), Guiana, Paraguai, Peru,
Suriname, Uruguai e Venezuela
População
- Estimativa para 2016 206 081 432 hab. (5.º)
- Censo 2010 190 755 799 hab.
- Densidade 23.8 hab./km² (182.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2016
- Total US$ 3,101
trilhões*[5] (7.º)
- Per capita US$ 15 153 (63.º)
PIB (nominal) Estimativa de 2016
- Total US$ 1,534
trilhões*[5] (9.º)
- Per capita US$ 11 387 (64.º)
IDH (2015) 0,754 (79.º) – elevado[6]
Gini (2013) 49,8
Moeda Real (BRL)
Fuso horário UTC −5 a UTC −2
(oficial: UTC −3)
- Verão (DST) UTC −5 a UTC −2
Clima Equatorial, semiárido,
subtropical, temperado e tropical
Org. internacionais ONU (OMC), Mercosul,
OEA, CPLP, Aladi, OTCA,
Unasul, CI-A, UL e OIE.
Cód. ISO BRA
Cód. Internet .br
Cód. telef. +55
Website
governamental
www.brasil.gov.br
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45
Brasil oficialmente República Federativa do
Brasil é o maior país da América do Sul e da região da
América Latina, sendo o quinto maior do mundo em área
territorial (equivalente a 47% do território sul-americano) e
população (com maisde 200 milhões de habitantes).
É o único país na América onde se fala
majoritariamente a língua portuguesa e o maior país
lusófono do planeta, além de ser uma das nações mais
multiculturais e etnicamente diversas, em decorrência da
forte imigração oriunda de variados locais do mundo.
Delimitado pelo oceano Atlântico a leste, o Brasil
tem um litoral de 7 491 km. O país faz fronteira com todos os
outros países sul-americanos, exceto Chile e Equador,
sendo limitado a norte pela Venezuela, Guiana, Suriname e
pelo departamento ultramarino francês da Guiana Francesa;
a noroeste pela Colômbia; a oeste pela Bolívia e Peru; a
sudoeste pela Argentina e Paraguai e ao sul pelo Uruguai.
Vários arquipélagos formam parte do território brasileiro,
como o Atol das Rocas, o Arquipélago de São Pedro e São
Paulo, Fernando de Noronha (o único destes habitado) e
Trindade e Martim Vaz. A sua Constituição atual, formulada
em 1988, define o Brasil como uma república federativa
presidencialista, formada pela união do Distrito Federal, dos
26 estados e dos 5 570 municípios.
O território que atualmente forma o Brasil foi
encontrado pelos portugueses em 1500, durante uma
expedição liderada por Pedro Álvares Cabral. A região, que
até então era habitada por indígenas ameríndios divididos
entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes,
torna-se uma colônia do Império Português. O vínculo
colonial foi rompido, de fato, quando em 1808 a capital do
reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de
Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por
Napoleão Bonaparte invadirem o território português. Em
1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com
Portugal. Dom Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a
independência política do país em 1822. Inicialmente
independente como um império, período no qual foi uma
monarquia constitucional parlamentarista, o Brasil tornou-se
uma república em 1889, em razão de um golpe militar
chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro
presidente), embora uma legislatura bicameral, agora
chamada de Congresso Nacional, já existisse desde a
ratificação da primeira Constituição, em 1824. Desde o início
do período republicano, a governança democrática foi
interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até
um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder
em 1985, com o fim do último regime militar.
A economia brasileira é a maior da América Latina
e do Hemisfério Sul, a nona maior do mundo por produto
interno bruto (PIB) nominal e a sétima por paridade do poder
de compra (PPC). Reformas econômicas deram ao país
novo reconhecimento internacional, seja em âmbito regional
ou global. O país é membro fundador da Organização das
Nações Unidas (ONU), G20, BRICS, Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Latina,
Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização
dos Estados Ibero-americanos (OEI), Mercado Comum do
Sul (Mercosul) e da União de Nações Sul-Americanas
(Unasul). O Brasil também é o lar de uma diversidade de
animais selvagens, ecossistemas e de vastos recursos
naturais em uma grande variedade de habitats protegidos.
Etimologia
As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de
difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo
postulou que se trata de uma palavra de procedência celta
(uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre
nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas
do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos
fenícios. Na época colonial, cronistas da importância de
João de Barros, frei Vicente do Salvador e Pero de
Magalhães Gândavo apresentaram explicações
concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo
com eles, o nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil",
designação dada a um tipo de madeira empregada na
tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era
comum aos exploradores guardar cuidadosamente o
segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de
explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar
na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio
do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira
cor de brasa). Antes de ficar com a designação atual,
"Brasil", as novas terras descobertas foram designadas de:
Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras
pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz,
Nova Lusitânia, Cabrália, Império do Brasil e Estados Unidos
do Brasil. Os habitantes naturais do Brasil são denominados
brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir
de 1706 que se referia inicialmente apenas aos que
comercializavam pau-brasil.
GEOGRAFIA DO BRASIL
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46
O território brasileiro é cortado por dois círculos
imaginários: a Linha do Equador, que passa pela
embocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que
corta o município de São Paulo. O país ocupa uma vasta
área ao longo da costa leste da América do Sul e inclui
grande parte do interior do continente, compartilhando
fronteiras terrestres com Uruguai ao sul; Argentina e
Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a
noroeste e Venezuela, Suriname, Guiana e com o
departamento ultramarino francês da Guiana Francesa ao
norte. O país compartilha uma fronteira comum com todos
os países da América do Sul, exceto Equador e Chile. Ele
também engloba uma série de arquipélagos oceânicos,
como Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e
São Paulo e Trindade e Martim Vaz. O seu tamanho, relevo,
clima e recursos naturais fazem do Brasil um país
geograficamente diverso.
O país é o quinto maior do mundo em área
territorial, depois de Rússia, Canadá, China e Estados
Unidos, e o terceiro maior da América, com uma área total
de 8 515 767,049 quilômetros quadrados (km²), incluindo
55 455 km² de água. Seu território abrange quatro fusos
horários, a partir de UTC−5 no Acre e sudoeste do
Amazonas; UTC−4 em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Rondônia, Roraima e maior parte do Amazonas; UTC−3
(horário oficial do Brasil) em Goiás, Distrito Federal, Pará,
Amapá e todos os estados das regiões Nordeste, Sudeste e
Sul e UTC−2 nas ilhas do Atlântico.
A topografia brasileira também é diversificada e
inclui morros, montanhas, planícies, planaltos e cerrados.
Grande parte do terreno se situa entre duzentos e oitocentos
metros de altitude. A área principal de terras altas ocupa
mais da metade sul do país. As partes noroeste do planalto
são compostas por terreno, amplo rolamento quebrado por
baixo e morros arredondados. A seção sudeste é mais
robusta, com uma massa complexa de cordilheiras e serras
atingindo altitudes de até 1 200 metros. Esses intervalos
incluem as serras do Espinhaço, da Mantiqueira e do Mar.
No norte, o planalto das Guianas constitui um fosso de
drenagem principal, separando os rios que correm para o sul
da Bacia Amazônica dos que desaguam no sistema do rio
Orinoco, na Venezuela, ao norte. O ponto mais alto no Brasil
é o Pico da Neblina, na Serra do Imeri (fronteira com a
Venezuela) com 2 994 metros, e o menor é o Oceano
Atlântico.
O Brasil tem um sistema denso e complexo de rios,
um dos mais extensos do mundo, com oito grandes bacias
hidrográficas, que drenam para o Atlântico. Os rios mais
importantes são o Amazonas (o maior rio do mundo tanto
em comprimento – 6 937,08 quilômetros de extensão –
como em termos de volume de água – vazão de 12,5 bilhões
de litros por minuto), o Paraná e seu maiorafluente, o
Iguaçu (que inclui as cataratas do Iguaçu), o Negro, São
Francisco, Xingu, Madeira e Tapajós.
Clima
O clima do Brasil dispõe de uma ampla variedade
de condições de tempo em uma grande área e topografia
variada, mas a maior parte do país é tropical. Segundo o
sistema Köppen, o Brasil acolhe seis principais subtipos
climáticos: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude,
temperado e subtropical. As diferentes condições climáticas
produzem ambientes que variam de florestas equatoriais no
Norte e regiões semiáridas no Nordeste, para florestas
temperadas de coníferas no Sul e savanas tropicais no
Brasil central. Muitas regiões têm microclimas totalmente
diferentes.
O clima equatorial caracteriza grande parte do norte
do Brasil. Não existe uma estação seca real, mas existem
algumas variações no período do ano em que mais chove.
Temperaturas médias de 25 °C, com mais variação de
temperatura significativa entre a noite e o dia do que entre
as estações. As chuvas no Brasil central são mais sazonais,
característico de um clima de savana. Esta região é tão
extensa como a bacia amazônica, mas tem um clima muito
diferente, já que fica mais ao sul, em uma altitude inferior.
No interior do nordeste, a precipitação sazonal é ainda mais
extrema. A região de clima semiárido geralmente recebe
menos de 800 milímetros de chuva, a maioria do que
geralmente cai em um período de três a cinco meses no
ano, e por vezes menos do que isso, resultando em longos
períodos de seca. A "Grande Seca" de 1877–78 no Brasil, a
mais grave já registrada no país, causou cerca de meio
milhão de mortes. Outra em 1915 foi devastadora também.
No sul da Bahia, a distribuição de chuva muda, com
períodos de chuva ao longo de todo o ano. O Sul e parte do
Sudeste possuem condições de clima temperado, com
invernos frescos e temperatura média anual não superior a
18 °C; geadas de inverno são bastante comuns, com
ocasional queda de neve nas áreas mais elevadas.
Meio ambiente e biodiversidade
A grande extensão territorial do Brasil abrange
diferentes ecossistemas, como a Floresta Amazônica,
reconhecida como tendo a maior diversidade biológica do
mundo, a mata Atlântica e o cerrado, que sustentam também
grande biodiversidade, além da caatinga, fazendo do Brasil
um país megadiverso. No sul, a floresta de araucárias
cresce sob condições de clima temperado.
A rica vida selvagem do Brasil reflete a variedade
de habitats naturais. Os cientistas estimam que o número
total de espécies vegetais e animais no Brasil seja de
aproximadamente de quatro milhões. Grandes mamíferos
incluem pumas, onças, jaguatiricas, raros cachorros-vinagre,
raposas, queixadas, antas, tamanduás, preguiças, gambás e
tatus. Veados são abundantes no sul e muitas espécies de
platyrrhini são encontradas nas florestas tropicais do norte. A
preocupação com o meio ambiente tem crescido em
resposta ao interesse mundial nas questões ambientais.
O patrimônio natural do Brasil está seriamente
ameaçado pela pecuária e agricultura, exploração
madeireira, mineração, reassentamento, desmatamento,
extração de petróleo e gás, a sobrepesca, comércio de
espécies selvagens, barragens e infraestrutura,
contaminação da água, fogo, espécies invasoras e pelos
efeitos do aquecimento global. Em muitas áreas do país, o
ambiente natural está ameaçado pelo desenvolvimento. A
construção de estradas em áreas de floresta, tais como a
BR-230 e a BR-163, abriu áreas anteriormente remotas para
a agricultura e para o comércio; barragens inundaram vales
e habitats selvagens; e minas criaram cicatrizes na terra e
poluíram a paisagem.
Demografia
A população do Brasil, conforme censo realizado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em
2010, foi de 190 755 799 habitantes (22,43 habitantes por
quilômetro quadrado), com uma proporção de homens e
mulheres de 0,96:1 e 84,36% da população definida como
urbana. A população está fortemente concentrada nas
regiões Sudeste (80,3 milhões de habitantes), Nordeste
(53,1 milhões) e Sul (27,4 milhões), enquanto as duas
regiões mais extensas, o Centro-Oeste e o Norte, que
formam 64,12% do território brasileiro, contam com um total
de apenas trinta milhões de habitantes.
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47
A população brasileira aumentou significativamente
entre 1940 e 1970, devido a um declínio na taxa de
mortalidade, embora a taxa de natalidade também tenha
passado por um ligeiro declínio no período. Na década de
1940 a taxa de crescimento anual da população foi de 2,4%,
subindo para 3% em 1950 e permanecendo em 2,9% em
1960, com a expectativa de vida subindo de 44 para 54 anos
e para 73,9 anos em 2013. A taxa de aumento populacional
tem vindo a diminuir desde 1960, de 3,04% ao ano entre
1950–1960 para 1,05% em 2008 e deverá cair para um valor
negativo, de -0,29%, em 2050, completando assim a
transição demográfica.
Os maiores aglomerados urbanos do Brasil, de
acordo com a estimativa do IBGE para 2016, são as
conturbações de São Paulo (com 21 166 641 habitantes),
Rio de Janeiro (12 340 927), Belo Horizonte (5 107 020),
Recife (3 995 949) e Brasília (3 908 762). Existem também
grandes concentrações urbanas no interior do país:
Campinas, Baixada Santista, São José dos Campos e
Sorocaba (todas no estado de São Paulo). Quase todas as
capitais são as maiores cidades de seus estados, com
exceção de Vitória, capital do Espírito Santo, e Florianópolis,
a capital de Santa Catarina.
Composição étnica
Grupos étnicos no Brasil (censo de 2010)
Brancos (47.51%)
Pardos (43.42%)
Pretos (7.52%)
Amarelos (1.1%)
Indígenas (0.42%)
Segundo o IBGE, no censo de 2010 47,1% da
população (cerca de 90,6 milhões) se autodeclararam como
brancos, 43,42% (cerca de 82,8 milhões) como pardos
(multirracial), 7,52% (cerca de 14,4 milhões) como negros;
1,1% (cerca de 2,1 milhões) como amarelos e 0,43% (cerca
de 821 mil) como indígenas, enquanto 0,02% (cerca de 36,1
mil) não declararam sua raça.
Em 2007, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI)
relatou a existência de 67 tribos indígenas isoladas em
regiões remotas do Brasil, a maioria delas no interior da
Floresta Amazônica. Acredita-se que o Brasil possua o maior
número de povos isolados do mundo.
A maioria dos brasileiros descendem de povos
indígenas do país, colonos portugueses, imigrantes
europeus e escravos africanos. Desde a chegada dos
portugueses em 1500, um considerável número de uniões
entre estes três grupos foram realizadas. A população parda
é uma categoria ampla que inclui caboclos (descendentes de
brancos e índios), mulatos (descendentes de brancos e
negros) e cafuzos (descendentes de negros e índios).
Os pardos e mulatos formam a maioria da
população nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A
população mulata concentra-se geralmente na costa leste da
região Nordeste, da Bahia à Paraíba e também no norte do
Maranhão, sul de Minas Gerais e no leste do Rio de Janeiro.
No século XIX o Brasil abriu suas fronteiras à
imigração. Cerca de cinco milhões de pessoas de mais de
60 países migraram para o Brasil entre 1808 e 1972, a
maioria delas de Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, Japão
e Oriente Médio.
Religiões
Religiões no Brasil (censo de 2010)
Catolicismo romano (64.6%)
Protestantismo (22.2%)
Sem religião (8%)
Espiritismo (2%)
Outro (3.2%)
A Constituição prevê liberdadede religião, ou seja,
proíbe qualquer tipo de intolerância religiosa e a Igreja e o
Estado estão oficialmente separados, sendo o Brasil um país
secular.
Em outubro de 2009 foi aprovado pelo Senado e
decretado pelo Presidente da República em fevereiro de
2010, um acordo com o Vaticano, em que é reconhecido o
Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil. O acordo
confirmou normas que já eram normalmente cumpridas
sobre ensino religioso nas escolas públicas de ensino
fundamental (que assegura também o ensino de outras
crenças), casamento e assistência espiritual em presídios e
hospitais. O projeto sofreu críticas de parlamentares que
entendiam como o fim do Estado laico com a aprovação do
acordo.
Em 2000, a religião católica representava 73,6% do
total no país. Em 2010, era 64,6%, sendo observada pela
primeira vez a redução em números absolutos (de
124 980 132 para 123 280 172). Ainda assim, o perfil
religioso brasileiro continua tendo uma maioria
predominantemente católica (42,4% a mais que a segunda
maior religião do país, o protestantismo). De acordo com o
censo de 2010, entre os estados, o Rio de Janeiro apresenta
a menor proporção de católicos, 45,8%; e o Piauí, a maior,
85,1%. Já a proporção de evangélicos era maior em
Rondônia (33,8%) e menor no Piauí (9,7%).
Idiomas
A língua oficial do Brasil é o português, que é falado
por quase toda a população e é praticamente o único idioma
usado nos meios de comunicação, nos negócios e para fins
administrativos. O país é o único lusófono da América e o
idioma tornou-se uma parte importante da identidade
nacional brasileira.
O português brasileiro teve o seu próprio
desenvolvimento, influenciado por línguas ameríndias,
africanas e por outros idiomas europeus. Como resultado,
essa variante é um pouco diferente, principalmente na
fonologia, do português lusitano. Essas diferenças são
comparáveis àquelas entre o inglês americano e o inglês
britânico.
Em 2008, a Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP), que inclui representantes de todos os
países cujo português é o idioma oficial, chegou a um
acordo sobre a padronização ortográfica da língua, com o
objetivo de reduzir as diferenças entre as duas variantes. A
todos os países da CPLP foi dado o prazo de 2009 até 2016
para se adaptarem às mudanças necessárias.
Idiomas minoritários são falados em todo o país. O
censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no Brasil,
que falam 274 línguas diferentes. Dos indígenas com cinco
ou mais anos, 37,4% falavam uma língua indígena e 76,9%
falavam português. Há também comunidades significativas
de falantes do alemão (na maior parte o Hunsrückisch, um
alto dialeto alemão) e italiano (principalmente o talian, de
origem veneta) no sul do país, os quais são influenciados
pelo idioma português.
Diversos municípios brasileiros cooficializaram
outras línguas, como São Gabriel da Cachoeira, no estado
do Amazonas, onde ao nheengatu, tukano e baniwa, que
são línguas ameríndias, foi concedido o estatuto cooficial
com o português. Outros municípios, como Santa Maria de
Jetibá (no Espírito Santo) e Pomerode (em Santa Catarina)
também cooficializaram outras línguas alóctones, como o
alemão e o pomerano. Os estados de Santa Catarina e Rio
Grande do Sul também possuem o talian como patrimônio
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linguístico oficial, enquanto o Espírito Santo, em agosto de
2011, incluiu em sua constituição o pomerano, junto com o
alemão, como seus patrimônios culturais.
Governo e política
A Federação Brasileira é formada pela união
indissolúvel de três entidades políticas distintas: os estados,
os municípios e o Distrito Federal. A União, os estados, o
Distrito Federal e os municípios são as esferas "do governo".
A Federação está definida em cinco princípios fundamentais:
soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, os
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo
político. Os ramos clássicos tripartite de governo (executivo,
legislativo e judiciário no âmbito do sistema de controle e
equilíbrios) são oficialmente criados pela Constituição. O
executivo e o legislativo estão organizados de forma
independente em todas as três esferas de governo,
enquanto o Judiciário é organizado apenas a nível federal e
nas esferas estadual/Distrito Federal.
Todos os membros do executivo e do legislativo
são eleitos diretamente. Juízes e outros funcionários
judiciais são nomeados após aprovação em exames de
entrada. O voto é obrigatório para os alfabetizados entre 18
e 70 anos e facultativo para analfabetos e aqueles com
idade entre 16 e 18 anos ou superior a 70 anos. Quase
todas as funções governamentais e administrativas são
exercidas por autoridades e agências filiadas ao Executivo.
A forma de governo é a de uma república
democrática, com um sistema presidencial. O presidente é o
chefe de Estado e de governo da União e é eleito para um
mandato de quatro anos, com a possibilidade de reeleição
para um segundo mandato consecutivo. Ele é o responsável
pela nomeação dos ministros de Estado, que auxiliam no
governo. O atual Presidente do Brasil, Michel Temer, tomou
posse em 31 de agosto de 2016, após a deposição de Dilma
Rousseff, que estava em seu segundo mandato na
presidência do país e tinha Temer como vice em sua chapa.
As casas legislativas de cada entidade política são
a principal fonte de direito no Brasil. O Congresso Nacional é
a legislatura bicameral da Federação, composto pela
Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Autoridades
do Judiciário exercem funções jurisdicionais, quase
exclusivamente. Quase todos os partidos políticos estão
representados no Congresso. É comum que os políticos
mudem de partido e, assim, a proporção de assentos
parlamentares detidos por partidos muda regularmente. Os
maiores partidos, de acordo com o número de filiados, são o
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB),
Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Progressista (PP),
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido
Democrático Trabalhista (PDT), Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB), Democratas (DEM), Partido da República
(PR), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido Popular
Socialista (PPS).
Lei
A lei brasileira é baseada na tradição do código
civil, parte do sistema romano-germânico. Assim, os
conceitos de direito civil prevalecem sobre práticas de direito
comum. A maior parte da legislação brasileira é codificada,
apesar de os estatutos não codificados serem uma parte
substancial do sistema, desempenhando um papel
complementar. Decisões do Tribunal e orientações
explicativas, no entanto, não são vinculativas sobre outros
casos específicos, exceto em algumas situações.
Obras de doutrina e as obras de juristas
acadêmicos têm forte influência na criação de direito e em
casos de direito. O sistema jurídico baseia-se na
Constituição Federal, que foi promulgada em 5 de outubro
de 1988 e é a lei fundamental do Brasil. Todos as outras
legislações e as decisões das cortes de justiça devem
corresponder a seus princípios. Os estados têm suas
próprias constituições, que não devem entrar em contradição
com a constituição federal. Os municípios e o Distrito
Federal não têm constituições próprias; em vez disso, eles
têm leis orgânicas. Entidades legislativas são a principal
fonte dos estatutos, embora, em determinadas questões,
organismos dos poderes judiciário e executivo possam
promulgar normas jurídicas.
A jurisdição é administradapelas entidades do
poder judiciário brasileiro, embora em situações raras a
Constituição Federal permita que o Senado Federal interfira
nas decisões judiciais. Existem jurisdições especializadas
como a Justiça Militar, a Justiça do Trabalho e a Justiça
Eleitoral. O tribunal mais alto é o Supremo Tribunal Federal.
Este sistema tem sido criticado nas últimas décadas devido
à lentidão com que as decisões finais são emitidas. Ações
judiciais de recurso podem levar vários anos para serem
resolvidas e, em alguns casos, mais de uma década para
expirar antes de as decisões definitivas serem tomadas.
Crime e aplicação da lei
No Brasil, a constituição estabelece cinco
instituições policiais diferentes para a execução da lei:
Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia
Ferroviária Federal, a Polícia Militar e Polícia Civil. Destas,
as três primeiras são filiadas às autoridades federais e as
duas últimas subordinadas aos governos estaduais. Todas
as instituições policiais são de responsabilidade do poder
executivo de qualquer um dos governos federal ou estadual.
A Força Nacional de Segurança Pública também pode atuar
em situações de distúrbio público, originadas em qualquer
ponto do território nacional.
O país tem níveis acima da média de crimes
violentos e níveis particularmente altos de violência armada
e de homicídio. Em 2012, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) estimou o número de 32 mortes para cada 100 mil
habitantes, uma das mais altas taxas de homicídios
intencionais do mundo. O índice considerado suportável pela
OMS é de dez homicídios por 100 mil habitantes. No
entanto, existem diferenças entre os índices de criminalidade
dentro do país; enquanto em São Paulo a taxa de homicídios
registrada em 2013 foi de 10,8 mortes por 100 mil
habitantes, em Alagoas foi de 64,7 homicídios para cada 100
mil pessoas.
O Brasil também tem altos níveis de
encarceramento e a quarta maior população carcerária do
mundo (atrás de Estados Unidos, China e Rússia), com um
total estimado em mais 600 mil presos (300 para cada 100
mil habitantes) em todo o país (junho de 2015), um aumento
de cerca de 161% em relação ao índice registrado em 2000.
O alto número de presos acabou por sobrecarregar o
sistema prisional brasileiro, levando a um déficit de mais de
200 mil vagas dentro das prisões do país.
Política externa
Embora alguns problemas sociais e econômicos
impeçam o Brasil de exercer poder global efetivo, o país é
hoje um líder político e econômico na América Latina. Esta
alegação, porém, é parcialmente contestada por outros
países, como a Argentina e o México, que se opõem ao
objetivo brasileiro de obter um lugar permanente como
representante da região no Conselho de Segurança das
Nações Unidas.
Entre a Segunda Guerra Mundial e a década de
1990, os governos democráticos e militares procuraram
expandir a influência do Brasil no mundo, prosseguindo com
uma política externa e industrial independente. Atualmente o
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país tem como objetivo reforçar laços com outros países da
América do Sul e exercer a diplomacia multilateral, através
das Nações Unidas e da Organização dos Estados
Americanos.
A atual política externa do Brasil é baseada na
posição do país como uma potência regional na América
Latina, um líder entre os países em desenvolvimento (como
os BRICS) e uma superpotência mundial emergente. A
política externa brasileira em geral tem refletido
multilateralismo, resolução de litígios de forma pacífica e não
intervenção nos assuntos de outros países. A Constituição
brasileira determina também que o país deve buscar uma
integração econômica, política, social e cultural com as
nações da América Latina, através de organizações como
UNASUL, Mercosul e CELAC.
Forças armadas
As Forças Armadas do Brasil compreendem o
Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e a Força Aérea
Brasileira, e são a maior força militar da América Latina, a
segunda maior de toda a América e também uma das dez
forças armadas mais bem preparadas do mundo.
As polícias militares estaduais e os corpos de
bombeiros militares são descritas como forças auxiliares e
reservas do Exército pela Constituição, mas sob o controle
de cada estado e de seus respectivos governadores.
O Exército Brasileiro é responsável pelas
operações militares por terra, possui o maior efetivo da
América Latina, contando com uma força de cerca de
290 000 soldados. Também possui a maior quantidade de
veículos blindados da América do Sul, somados os veículos
blindados para transporte de tropas e carros de combate
principais.
A Força Aérea Brasileira é o ramo de guerra aérea
das Forças Armadas Brasileiras, sendo a maior força aérea
da América Latina, com cerca de 700 aviões tripulados em
serviço e efetivo de cerca de 67 mil militares.
A Marinha do Brasil é responsável pelas operações
navais e pela guarda das águas territoriais brasileiras. É a
mais antiga das Forças Armadas brasileiras, possui o maior
efetivo de fuzileiros navais da América Latina, estimado em
15 000 homens, tendo o Batalhão de Operações Especiais
de Fuzileiros Navais como sua principal unidade. A Marinha
também possui um grupo de elite especializado em retomar
navios e instalações navais, o Grupamento de
Mergulhadores de Combate, unidade especialmente treinada
para proteger as plataformas petrolíferas brasileiras ao longo
de sua costa. É a única Marinha da América Latina que
opera um porta-aviões, o NAe São Paulo, e uma das dez
marinhas do mundo a operar tal tipo de navio.
Economia
O Brasil é a maior economia da América Latina, a
segunda da América (atrás apenas dos Estados Unidos) e a
sétima maior do mundo, tanto nominalmente quanto em
paridade do poder de compra, de acordo com o Fundo
Monetário Internacional e o Banco Mundial. O país tem uma
economia mista com vastos recursos naturais. Estima-se
que a economia brasileira irá se tornar uma das cinco
maiores do mundo nas próximas décadas. O PIB (PPC) per
capita atual é de 15 153 dólares (2014). Ativo em setores
como mineração, manufatura, agricultura e serviços, o Brasil
tem uma força de trabalho de mais de 107 milhões de
pessoas (6ª maior do mundo) e desemprego de 6,2% (64º
no mundo).
O país vem ampliando sua presença nos mercados
financeiros e de commodities internacionais e é um BRICs.
O Brasil tem sido o maior produtor mundial de café dos
últimos 150 anos e tornou-se o quarto maior mercado de
automóveis do mundo. Entre os principais produtos de
exportação estão aeronaves, equipamentos elétricos,
automóveis, etanol, têxteis, calçados, minério de ferro, aço,
café, suco de laranja, soja e carne enlatada. O país participa
de diversos blocos econômicos como o Mercado Comum do
Sul (Mercosul), o G20 e o Grupo de Cairns, e sua economia
corresponde a três quintos da produção industrial da
economia sul-americana. O Brasil comercializa regularmente
com mais de uma centena de países, sendo que 74% dos
bens exportados são manufaturas ou semimanufaturas. Os
maiores parceiros são: União Europeia, Mercosul, América
Latina, Ásia e Estados Unidos.
De acordo com a Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA) o setor do agronegócio responde
por 23% do PIB brasileiro (2013). O Brasil está entre os
países com maior produtividade no campo, apesar das
barreiras comerciais e das políticas de subsídios adotadas
pelos países desenvolvidos. Em relatório divulgado em 2010
pela OMS, o país é o terceiro maior exportador de produtos
agrícolas do mundo, atrás apenas de Estados Unidos eUnião Europeia.
A indústria de automóveis, aço, petroquímica,
computadores, aeronaves e bens de consumo duradouros
contabilizam 30,8% do produto interno bruto brasileiro. A
atividade industrial está concentrada geograficamente nas
regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro,
Curitiba, Campinas, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus,
Salvador, Recife e Fortaleza. Entre as empresas mais
conhecidas do Brasil estão: Brasil Foods, Perdigão, Sadia e
JBS (setor alimentício); Embraer (setor aéreo); Havaianas e
Calçados Azaleia (calçados); Petrobras (setor petrolífero);
Companhia Vale do Rio Doce (mineração); Marcopolo e
Busscar (carroceiras); Gerdau (siderúrgicas); Organizações
Globo (comunicação).
A corrupção, no entanto, custa ao Brasil quase 41
bilhões de dólares por ano e 69,9% das empresas do país
identificam esse problema como um dos principais entraves
para conseguirem penetrar com sucesso no mercado global.
No Índice de Percepção da Corrupção de 2014, criado pela
Transparência Internacional, o Brasil é classificado na 69ª
posição entre os 175 países avaliados. O poder de compra
brasileiro também é corroído pelo conjunto de problemas
nacionais chamado "custo Brasil". Além disso, o país
apresenta uma das menores taxas de participação do
comércio exterior no PIB, sendo classificado como uma das
economias mais fechadas do mundo. No Índice de
Liberdade Econômica de 2015, por exemplo, o país foi
classificado no 118º lugar entre 178 nações avaliadas.
Apesar de também ser um problema crônico, desde 2001 os
níveis de desigualdade social e econômica vêm caindo,
chegando em 2011 aos níveis de 1960, embora o país ainda
esteja entre os 12 mais desiguais do planeta.
Saúde
O sistema de saúde pública brasileiro, o Sistema
Único de Saúde (SUS), é gerenciado e fornecido por todos
os níveis do governo, sendo o maior sistema do tipo do
mundo. Já os sistemas de saúde privada atendem um papel
complementar. Os serviços de saúde públicos são universais
e oferecidos a todos os cidadãos do país de forma gratuita.
No entanto, a construção e a manutenção de centros de
saúde e hospitais são financiadas por impostos, sendo que o
país gasta cerca de 9% do seu PIB em despesas na área.
Em 2009, o território brasileiro tinha 1,72 médicos e 2,4
leitos hospitalares para cada 1000 habitantes.
Apesar de todos os progressos realizados desde a
criação do sistema universal de cuidados de saúde em 1988,
ainda existem vários problemas de saúde pública no Brasil.
Em 2006, os principais pontos a serem resolvidos eram as
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altas taxas de mortalidade infantil (2,51%) e materna (73,1
mortes por 1000 nascimentos). O número de mortes por
doenças não transmissíveis, como doenças
cardiovasculares (151,7 mortes por 100 000 habitantes) e
câncer (72,7 mortes por 100 000 habitantes), também tem
um impacto considerável sobre a saúde da população
brasileira. Finalmente, fatores externos, mas evitáveis, como
acidentes de carro, violência e suicídio causaram 14,9% de
todas as mortes no país. O sistema de saúde brasileiro foi
classificado na 125ª posição entre os 191 países avaliados
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2000.
Energia
O Brasil é o décimo maior consumidor da energia
do planeta e o terceiro maior do hemisfério ocidental, atrás
dos Estados Unidos e Canadá. A matriz energética brasileira
é baseada em fontes renováveis, sobretudo a energia
hidrelétrica e o etanol, além de fontes não renováveis como
o petróleo e o gás natural. Em 2015, a Usina Hidrelétrica de
Itaipu, no Paraná, era a maior usina hidrelétrica do planeta
por produção de energia.
Ao longo das últimas três décadas o Brasil tem
trabalhado para criar uma alternativa viável à gasolina. Com
o seu combustível à base de cana-de-açúcar, a nação pode
se tornar energicamente independente neste momento. O
Proálcool, que teve origem na década de 1970, em resposta
às incertezas do mercado do petróleo, aproveitou sucesso
intermitente. Ainda assim, grande parte dos brasileiros
utilizam os chamados "veículos flex", que funcionam com
etanol ou gasolina, permitindo que o consumidor possa
abastecer com a opção mais barata no momento, muitas
vezes o etanol. Os países com grande consumo de
combustível, como a Índia e a China, estão seguindo o
progresso do Brasil nessa área. Além disso, países como o
Japão e Suécia estão importando etanol brasileiro para
ajudar a cumprir as suas obrigações ambientais estipuladas
no Protocolo de Quioto.
O Brasil possui a segunda maior reserva de
petróleo bruto na América do Sul e é um dos produtores de
petróleo que mais aumentaram sua produção nos últimos
anos. O país é um dos mais importantes do mundo na
produção de energia hidrelétrica. Da sua capacidade total de
geração de eletricidade, que corresponde a 90 mil
megawatts (MW), a energia hídrica é responsável por
66 000 MW (74%). A energia nuclear representa cerca de
3% da matriz energética brasileira. O Brasil pode se tornar
uma potência mundial na produção de petróleo, com
grandes descobertas desse recurso nos últimos tempos na
Bacia de Santos.
Transportes
Com uma rede rodoviária de cerca de 1,5 milhão de
quilômetros, sendo 212 798 km de rodovias pavimentadas
(2010), as estradas são as principais transportadoras de
carga e de passageiros no tráfego brasileiro.
Os primeiros investimentos na infraestrutura
rodoviária deram-se na década de 1920, no governo de
Washington Luís, sendo prosseguidos nos governos de
Vargas e Gaspar Dutra. O presidente Juscelino Kubitschek
(1956–61), que concebeu e construiu a capital Brasília, foi
outro incentivador de rodovias. Kubitschek foi responsável
pela instalação de grandes fabricantes de automóveis no
país (Volkswagen, Ford e General Motors chegaram ao
Brasil durante seu governo) e um dos pontos utilizados para
atraí-los era, evidentemente, o apoio à construção de
rodovias. Com a implantação da Fiat em 1976 terminando
um ciclo de mercado automobilístico fechado, a partir do
final da década de 1990 o país vem recebendo grandes
investimentos diretos estrangeiros instalando em seu
território outros grandes fabricantes de automóveis e
utilitários, como Iveco, Renault, Peugeot, Citroën, Honda,
Mitsubishi, Mercedes-Benz, BMW, Hyundai, Toyota entre
outras. O Brasil é o sétimo mais importante país da indústria
automobilística.
Existem cerca de quatro mil aeroportos e
aeródromos no Brasil, sendo 721 com pistas pavimentadas,
incluindo as áreas de desembarque. O país tem o segundo
maior número de aeroportos em todo o mundo, atrás apenas
dos Estados Unidos. O Aeroporto Internacional de
Guarulhos, localizado na Região Metropolitana de São
Paulo, é o maior e mais movimentado aeroporto do país.
Grande parte dessa movimentação deve-se ao tráfego
comercial e popular do país e ao fato de que o aeroporto liga
São Paulo a praticamente todas as grandes cidades de todo
o mundo. O Brasil tem 34 aeroportos internacionais e 2 464
aeroportos regionais.
O país possui uma extensa rede ferroviária de
28 538 km de extensão, a décima maior do mundo.
Atualmente, o governo brasileiro, diferentemente do
passado, procura incentivar esse meio de transporte; um
exemplo desse incentivo é o projeto do Trem de Alta
Velocidade Rio-São Paulo, um trem-bala que vai ligar as
duas principais metrópoles do país para o transporte de
passageiros. Há 37 grandes portos no Brasil, dentre os quais
o maior é o Porto de Santos. O país também possui50 000 km de hidrovias.
Ciência e tecnologia
A pesquisa tecnológica no Brasil é em grande parte
realizada em universidades públicas e institutos de pesquisa.
Alguns dos mais notáveis polos tecnológicos do Brasil são
os institutos Oswaldo Cruz e Butantã, o Comando-Geral de
Tecnologia Aeroespacial, a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA) e o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE). Dono de relativa sofisticação
tecnológica, o país desenvolve de submarinos a aeronaves,
além de estar presente na pesquisa aeroespacial, possuindo
um Centro de Lançamento de Veículos Leves e sendo o
único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe de
construção da Estação Espacial Internacional (ISS).
O Brasil tem o mais avançado programa espacial
da América Latina, com recursos significativos para veículos
de lançamento, e fabricação de satélites. Em 14 de outubro
de 1997, a Agência Espacial Brasileira assinou um acordo
com a NASA para fornecer peças para a ISS. Este acordo
possibilitou ao Brasil treinar seu primeiro astronauta. Em 30
de março de 2006 o Cel. Marcos Pontes a bordo do veículo
Soyuz se transformou no primeiro astronauta brasileiro e o
terceiro latino-americano a orbitar nosso planeta.
O país também é pioneiro na pesquisa de petróleo
em águas profundas, de onde extrai 73% de suas reservas.
O urânio enriquecido na Fábrica de Combustível Nuclear
(FCN), de Resende, no estado do Rio de Janeiro, atende a
demanda energética do país. Existem planos para a
construção do primeiro submarino nuclear do país. O Brasil
também é um dos três países da América Latina com um
laboratório Síncrotron em operação, um mecanismo de
pesquisa da física, da química, das ciências dos materiais e
da biologia. Segundo o Relatório Global de Tecnologia da
Informação 2009–2010 do Fórum Econômico Mundial, o
Brasil é o 61º maior desenvolvedor mundial de tecnologia da
informação.
O Brasil também tem um grande número de
notáveis personalidades científicas. Entre os inventores
brasileiros mais reconhecidos estão os padres Bartolomeu
de Gusmão, Roberto Landell de Moura e Francisco João de
Azevedo, além de Alberto Santos Dumont, Evaristo Conrado
Engelberg, Manuel Dias de Abreu, Andreas Pavel e Nélio
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José Nicolai. A ciência brasileira é representada por nomes
como César Lattes (físico brasileiro codescobridor do méson
pi), Mário Schenberg (considerado o maior físico teórico do
Brasil), José Leite Lopes (único físico brasileiro detentor do
UNESCO Science Prize), Artur Ávila (o primeiro latino-
americano ganhador da Medalha Fields) e Fritz Müller
(pioneiro no apoio factual à teoria da evolução apresentada
por Charles Darwin).
Cultura
O núcleo de cultura é derivado da cultura
portuguesa, por causa de seus fortes laços com o império
colonial português. Entre outras influências portuguesas
encontram-se o idioma português, o catolicismo romano e
estilos arquitetônicos coloniais. A cultura, contudo, foi
também fortemente influenciada por tradições e culturas
africanas, indígenas e europeias não-portuguesas.
Alguns aspectos da cultura brasileira foram
influenciadas pelas contribuições dos italianos, alemães e
outros imigrantes europeus que chegaram em grande
número nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Os ameríndios
influenciaram a língua e a culinária do país e os africanos
influenciaram a língua, a culinária, a música, a dança e a
religião.
A arte brasileira tem sido desenvolvida, desde o
século XVI, em diferentes estilos que variam do barroco (o
estilo dominante no Brasil até o início do século XIX) para o
romantismo, modernismo, expressionismo, cubismo,
surrealismo e abstracionismo.
O cinema brasileiro remonta ao nascimento da
mídia no final do século XIX e ganhou um novo patamar de
reconhecimento internacional nos últimos anos.
Música
A música do Brasil se formou, principalmente, a
partir da fusão de elementos europeus e africanos, trazidos
respectivamente por colonizadores portugueses e escravos.
Até o século XIX Portugal foi a porta de entrada para a maior
parte das influências que construíram a música brasileira,
clássica e popular, introduzindo a maioria do instrumental, o
sistema harmônico, a literatura musical e boa parcela das
formas musicais cultivadas no país ao longo dos séculos,
ainda que diversos destes elementos não fosse de origem
portuguesa, mas genericamente europeia.
O primeiro grande compositor brasileiro foi José
Maurício Nunes Garcia, autor de peças sacras com notável
influência do classicismo vienense. A maior contribuição do
elemento africano foi a diversidade rítmica e algumas
danças e instrumentos, que tiveram um papel maior no
desenvolvimento da música popular e folclórica, florescendo
especialmente a partir do século XX. O indígena
praticamente não deixou traços seus na corrente principal,
salvo em alguns gêneros do folclore, sendo em sua maioria
um participante passivo nas imposições da cultura
colonizadora.
Com grande participação negra, a música popular
desde fins do século XVIII começou a dar sinais de formação
de uma sonoridade caracteristicamente brasileira.
Na música clássica, contudo, aquela diversidade de
elementos se apresentou até tardiamente numa feição
bastante indiferenciada, acompanhando de perto – dentro
das possibilidades técnicas locais, bastante modestas se
comparadas com os grandes centros europeus ou como os
do México e do Peru – o que acontecia na Europa e em grau
menor na América espanhola em cada período, e um caráter
especificamente brasileiro na produção nacional só se
tornaria nítido após a grande síntese realizada por Villa
Lobos, já em meados do século XX.
A música brasileira engloba vários estilos regionais
influenciados por formas africanas, europeias e ameríndias.
Ela se desenvolveu em estilos e gêneros musicais
diferentes, tais como música popular brasileira, música
nativista, música sertaneja, vanerão, samba, choro, axé,
brega, forró, frevo, baião, lambada, maracatu, tropicalismo,
bossa nova e rock brasileiro, entre outros.
Literatura
A literatura brasileira surgiu a partir da atividade
literária incentivada pelos jesuítas durante o século XVI. No
séculos posteriores, o barroco desenvolveu-se no nordeste
do país nos séculos XVI e XVII e o arcadismo se expandiu
no século XVIII na região das Minas Gerais.
No século XIX, o romantismo brasileiro afetou a
literatura nacional, tendo como seu maior nome José de
Alencar. Após esse período, o realismo brasileiro expandiu-
se pelo país, principalmente pelas obras de Machado de
Assis, poeta e romancista, cujo trabalho se estende por
quase todos os gêneros literários e que é amplamente
considerado como o maior escritor brasileiro.
Bastante ligada, de princípio, à literatura
metropolitana, ela foi ganhando independência com o tempo,
iniciando o processo durante o século XIX com os
movimentos romântico e realista, atingindo o ápice com a
Semana de Arte Moderna em 1922, caracterizando-se pelo
rompimento definitivo com as literaturas de outros países,
formando-se, portanto, a partir do Modernismo e suas
gerações as primeiras escolas de escritores
verdadeiramente independentes. São dessa época grandes
nomes como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de
Andrade, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Cecília
Meireles.
Esportes
O futebol é o esporte mais popular no Brasil. A
Seleção Brasileira de Futebol foi a única no mundo a
participar de todas as ediçõesda Copa do Mundo FIFA,
sendo vitoriosa cinco vezes: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Voleibol, futsal, basquetebol, skate, automobilismo e as artes
marciais também têm grande popularidade no país.
Embora não sejam tão praticados e acompanhados
como os esportes citados anteriormente, tênis, handebol,
natação e ginástica têm encontrado muitos seguidores
brasileiros ao longo das últimas décadas. Algumas variações
de esportes têm suas origens no Brasil. Futebol de praia,
futsal (versão oficial do futebol indoor), futetênis, futebol de
saco e futevôlei emergiram de variações do futebol. Outros
esportes também criados no país são a peteca, o acquaride,
o frescobol, o sandboard e o biribol.
Nas artes marciais, os brasileiros têm desenvolvido
a capoeira, vale-tudo, e o jiu-jitsu brasileiro, entre outras
artes marciais brasileiras.
No automobilismo, pilotos brasileiros ganharam o
campeonato mundial de Fórmula 1 oito vezes: Emerson
Fittipaldi, em 1972 e 1974; Nelson Piquet, em 1981, 1983 e
1987; e Ayrton Senna, em 1988, 1990 e 1991. O circuito
localizado em São Paulo, Autódromo José Carlos Pace,
organiza anualmente o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula
1.
O Brasil já organizou eventos esportivos de grande
escala: sediou as Copas do Mundo de 1950, na qual foi o
vice-campeão, e 2014, quando ficou em quarto lugar. Em
1963, São Paulo foi sede dos Jogos Pan-Americanos e
Porto Alegre da Universíada de Verão. A cidade do Rio de
Janeiro sediou os Jogos Pan-Americanos de 2007 e também
os Jogos Olímpicos de Verão de 2016, que contou com a
participação de 207 delegações e mais de doze mil atletas.
Brasília, originalmente escolhida para sediar a Universíada
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de Verão de 2019, declinou da escolha, em 21 de janeiro de
2015, alegando que a cidade não teria condições financeiras
de sediar o evento. A FISU reabriu o processo de
candidatura para uma nova sede para os Jogos.
ATUALIDADES BRASILEIRAS E MUNDIAIS
Processo de Impeachment de Dilma Rousseff
O impeachment de Dilma Rousseff consistiu em
uma questão processual aberta com vistas ao impedimento
da continuidade do mandato de Dilma Rousseff como
presidente da República Federativa do Brasil. O processo
iniciou-se com a aceitação, em 2 de dezembro de 2015, pelo
Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de
denúncia por crime de responsabilidade oferecida pelo
procurador de justiça aposentado Hélio Bicudo e pelos
advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal, e se
encerrou no dia 31 de agosto de 2016, resultando na
destituição de Dilma do cargo. Assim, Dilma Rousseff
tornou-se o segundo Presidente da República a sofrer
impeachment no Brasil, sendo Fernando Collor o primeiro
em 1992.
As acusações versaram sobre desrespeito à lei
orçamentária e à lei de improbidade administrativa por parte
da presidente, além de lançarem suspeitas de envolvimento
da mesma em atos de corrupção na Petrobras, que eram
objeto de investigação pela Polícia Federal, no âmbito da
Operação Lava Jato. Havia, no entanto, juristas que
contestavam a denúncia dos três advogados, afirmando que
as chamadas "pedaladas fiscais" não caracterizaram
improbidade administrativa e que não existia qualquer prova
de envolvimento da presidente em crime doloso que
pudesse justificar o impeachment.
A partir da aceitação do pedido, formou-se uma
comissão especial na Câmara dos Deputados, a fim de
decidir sobre a sua admissibilidade. O roteiro começou com
os depoimentos dos autores do pedido e teve seguimento
com a apresentação da defesa de Dilma. Enquanto isso,
manifestações de rua contra e a favor do impedimento
ocorriam periodicamente em todo o país.
O relatório da comissão foi favorável ao
impedimento da presidente Dilma: 38 deputados aprovaram
o relatório e 27 se manifestaram contrários. Em 17 de abril, o
plenário da Câmara dos Deputados aprovou o relatório com
367 votos favoráveis e 137 contrários. O parecer da Câmara
foi imediatamente enviado ao Senado, que também formou a
sua comissão especial de admissibilidade, cujo relatório foi
aprovado por 15 votos favoráveis e 5 contrários. Em 12 de
maio o Senado aprovou, por 55 votos a 22, a abertura do
processo, afastando Dilma da presidência até que o
processo fosse concluído. Em 31 de agosto de 2016, Dilma
Rousseff perdeu o cargo de Presidente da República, após
três meses de tramitação do processo iniciado no Senado,
que culminou com uma votação em plenário, resultando em
61 votos a favor e 20 contra o impedimento.
Pedaladas fiscais e corrupção na Petrobras
As pedaladas fiscais são um termo usado pela
mídia para descrever uma manobra contábil do governo
federal, que serviu para passar a impressão de que ele
arrecadava mais do que gastava, enquanto a realidade era
exatamente o contrário. O governo não estava pagando os
bancos públicos e privados que financiavam programas
sociais como o Bolsa Família. Então, para que os
beneficiários não deixassem de receber, os bancos arcavam
com as despesas sozinhos, sem receberem a compensação
governamental. Entretanto, o Tribunal de Contas da União,
em decisão unânime, considerou essa operação um
empréstimo dos bancos, não pago pelo governo, e que feria
a Lei de Responsabilidade Fiscal. Embora o TCU seja um
órgão auxiliar do Legislativo e não tenha poderes para
condenar o chefe do Executivo, ele oferece um parecer
prévio, que pode ou não ser acatado pelo Congresso
Nacional, abrindo até mesmo a possibilidade de um
processo de impedimento da Presidente da República.
Havia também o esquema de corrupção na
Petrobras. Era uma operação ilegal, com desvio de dinheiro
da estatal para empresas e políticos, funcionando como um
esquema de propinas e também como um provável
abastecimento de campanhas da presidente Dilma. No total,
foram acusados cinquenta políticos de seis partidos e dez
empresas, das quais a mais importante foi a Odebrecht. O
juiz federal da 13ª Vara Federal de Curitiba — onde a
operação teve início — Sérgio Moro, especialista em crimes
financeiros, ficou responsável pelos processos que não
envolveram políticos, pois estes possuem foro especial por
prerrogativa de função e devem ser investigados no
Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação ficou
conhecida como Operação Lava Jato e contou com várias
delações premiadas para chegar a nomes como Eduardo
Cunha. Contudo, a presidente Dilma Rousseff não era alvo
de acusações formais nessa operação.
Processo na Câmara dos Deputados
Aceitação do pedido
Eduardo Cunha declara que aceitou a abertura do
processo, em 2 de dezembro de 2015.
Até setembro de 2015, houve 37 pedidos de
impeachment protocolados na Câmara dos Deputados
contra Dilma Rousseff, mas o presidente da Casa acolheu
apenas o pedido redigido por Hélio Bicudo e pelos
advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Conceição
Paschoal. Os movimentos sociais pró-impeachment
decidiram aderir ao requerimento de Bicudo, que contou
também com o apoio de parlamentares e da sociedade civil,
a qual organizou um abaixo-assinado em apoio ao
impeachment da Presidente da República.
Os advogados tentaram, no documento
apresentado à Câmara, associar Dilma à Operação Lava
Jato, à omissão em casos de corrupção, à investigação de
tráfico de influência contra o ex-presidente Luís Inácio Lula
da Silva e às pedaladas fiscais. Além disso, contribuíram
para sustentar o pedido os seis decretos assinados pela
presidenteno exercício financeiro de 2015, em desacordo
com a lei de diretrizes orçamentárias, e que foram
publicados sem a autorização do Congresso Nacional.
Para justificar a sua decisão, Cunha declarou que
proferiu a mesma com o acolhimento da denúncia dos
juristas e que o pedido de impedimento assim aberto
acusava a edição de decretos editados em descumprimento
com a lei. Consequentemente, mesmo a votação do PLN 5
não supriria essa irregularidade. Em resposta à abertura do
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processo, Dilma afirmou que os argumentos apresentados
pelos juristas eram inconsistentes e improcedentes e que ela
não havia praticado nenhum ato ilícito.
Julgamento
Em 10 de agosto, a acusação apresentou o
chamado libelo acusatório, que continha as acusações finais
contra a presidente Dilma. Embora houvesse o prazo de 48
horas para apresentar esse documento, os juristas
responsáveis pelo pedido de impedimento se anteciparam
para acelerar o julgamento. Além disso, Miguel Reale Júnior
informou que a acusação iria abrir mão de três das seis
testemunhas a que teria direito no processo e sinalizou que,
no dia do julgamento final, poderia até dispensar outras. A
defesa também escalou as suas testemunhas, as mesmas
que já haviam sido ouvidas pela comissão especial. Após a
entrega das peças acusatória e defensiva, Lewandowski
marcou para o dia 25 de agosto de 2016 o julgamento final
do processo de impeachment. Em 12 de agosto, Cardozo
entregou a defesa de Dilma, como uma resposta ao libelo, e
foi definido o cronograma do julgamento, que se estenderia
do dia 25 ao dia 30, podendo contar com o comparecimento
da presidente.
Em 25 de agosto, a etapa final teve início com uma
tumultuada sessão que se estendeu da manhã da quinta-
feira até o começo da madrugada do dia seguinte,
consistindo apenas de inquirição de testemunhas. Em 27 de
agosto, Nelson Barbosa usou mais uma vez o argumento de
que os decretos de crédito suplementar foram emitidos de
acordo com a lei e que a mudança de entendimento do
Tribunal de Contas da União não poderia ser usada de
forma retroativa para condenar a presidente afastada. Ele
também contestou a caracterização das pedaladas como
operações de crédito, citando documentos do próprio TCU e
de outros órgãos oficiais. Portanto, do seu ponto de vista,
não se poderia falar em crime de responsabilidade.
Dilma Rousseff defendendo-se no julgamento de
seu processo de impeachment, em 30 de agosto de 2016.
Em 29 de agosto, Dilma compareceu ao Senado
para se defender pessoalmente. Ela afirmou que não
cometeu crimes de responsabilidade e que era vítima de um
golpe de Estado. Disse também que só o povo pode afastar
um presidente pelo que ela chamou de "conjunto da obra",
visto que o presidencialismo não prevê a destituição do
presidente quando este perde a maioria no Congresso. O
discurso se estendeu das 9h53min às 10h39min. Seu
conteúdo incluiu: referências à tortura sofrida durante a
ditadura militar; sua convicção na democracia; a suposta
ilegitimidade de Temer, a quem chamou de "usurpador"; a
condição de "golpe" do processo de impedimento; e o medo
de uma ruptura democrática no país. Dilma asseverou que
não estava em jogo o seu mandato, mas sim as conquistas
sociais dos últimos treze anos e atribuiu a Cunha a autoria
do assim considerado golpe. Ela finalizou pedindo aos
senadores que votassem pela democracia, esquecendo
seus sentimentos pessoais.
A sessão continuou com respostas da presidente às
perguntas dos 48 senadores inscritos. Sobre os decretos,
ela respondeu que eles não descumpriam a legislação, pois
a necessária autorização do Congresso já estava contida na
lei orçamentária. Segundo Dilma, o entendimento de que a
prática seria um tipo ilegal de operação de crédito só foi
fixado pelo TCU no final de 2015 e os atrasos aos bancos já
ocorriam em governos anteriores. Ela também afirmou que o
Plano Safra do Banco do Brasil não era administrado
diretamente por ela, o que excluiria a possibilidade de ser
condenada pelas "pedaladas fiscais". Ao ser confrontada por
senadores com o argumento de que o seu governo agravou
a crise econômica, Dilma mencionou os impactos da crise
internacional no país e disse ter feito "o impossível" para que
os efeitos negativos não fossem sentidos no Brasil. A
respeito da Petrobras, ela rebateu as críticas de que o seu
governo teria destruído a empresa e afirmou que os
investimentos em pesquisa e produção no pré-sal, na
verdade, resgataram a estatal.
No dia 30 de agosto, houve debates dos advogados
de defesa e acusação, além de discursos dos senadores; 43
fizeram discursos favoráveis ao impeachment e dezessete
fizeram discursos contrários a ele. Em 31 de agosto, quarta-
feira, o plenário do Senado condenou Dilma Rousseff à
perda de seu cargo por 61 votos a 20, sob a acusação de ter
cometido crime de responsabilidade fiscal. Houve uma
segunda votação para decidir se Dilma deveria perder seus
direitos políticos, com placar de 42 votos favoráveis e 36
desfavoráveis. Como houve três abstenções e seriam
necessários 54 votos a favor, consequentemente ela não
perdeu os direitos e ainda poderia se candidatar a cargos
públicos. A condenação ocorreu após seis dias de
julgamento no Senado, contando-se no total sete votações,
desde 11 de abril de 2016, quando a Câmara aprovou o
parecer da comissão especial.
O chamado "fatiamento" da condenação, que
consistiu em aplicar a pena de perda do cargo, mas afastar a
pena de inabilitação para o exercício de função pública,
gerou enorme controvérsia no meio político e jurídico, o que
levou ao questionamento perante o Supremo Tribunal
Federal da decisão do Ministro Ricardo Lewandowski de
admitir o requerimento de destaque para votação em
separado da segunda parte da pena. Os Secretários-Gerais
do Senado Federal, Luiz Fernando Bandeira de Mello,
escrivão do processo, e do Supremo Tribunal Federal,
Fabiane Duarte, responsáveis por assessorar o Ministro na
Presidência das sessões no Senado, deram entrevistas e
publicaram artigos buscando defender o posicionamento do
Presidente do STF.
Manifestações favoráveis de pessoas e
entidades
Manifestação em São Paulo contra a corrupção e o
governo Dilma, em 13 de março de 2016.
Durante o processo de impedimento, houve
manifestações populares. Em 13 de dezembro de 2015,
ocorreu um ato em Brasília, que durou três horas e reuniu
seis mil pessoas. A convocação foi feita pelas redes sociais
e pedia não só o impedimento de Dilma como também a
cassação do mandato de Eduardo Cunha. Atos semelhantes
ocorreram em outras cem cidades, incluindo todas as
capitais. Entretanto, esse evento foi menor que os anteriores
(como o de maio), embora igualmente distribuído pelo país.
Havia pessoas de variadas inclinações políticas, mas o
objetivo comum era protestar contra o governo e a
corrupção.
Todavia, em março de 2016, vários fatos agitaram a
opinião pública a favor do impeachment e contra o governo
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do Partido dos Trabalhadores: a prisão, pela Operação Lava
Jato, do publicitário João Santana, marqueteiro das duas
campanhas que elegeram Dilma; o vazamento da delação
premiada do senador Delcídio do Amaral, a qual continha
graves acusações de que a presidente tinha conhecimento
do esquema de corrupção na Petrobras e de que teria
tentado obstruir as investigações da Justiça; e o pedido de
prisão do Ministério Público de São Paulo contra o ex-
presidente Lula, que se tornou o alvo principal da Operação
Aletheia e foi acusado dos crimes de falsidade ideológica,
corrupçãopassiva e lavagem de dinheiro. Além disso, Lula
estaria sendo cotado para assumir um ministério, com o
objetivo declarado de evitar o impeachment, além da
vantagem, cogitada pela imprensa e oposição, de obter o
foro privilegiado.
Diante desse quadro, no dia 13 de março, os
movimentos a favor do impeachment realizaram protestos
em todo o país, tendo como principais objetivos protestar
contra o governo Dilma, a favor da Operação Lava Jato e em
apoio à destituição da mandatária, além de apoiar o juiz
federal Sérgio Moro. O protesto foi considerado o maior ato
político da história do país, superando as Diretas já de 1984.
Segundo os organizadores, eram 6,9 milhões de pessoas
nas ruas, em 460 municípios de todos os estados do país e
no Distrito Federal. Já de acordo com as polícias militares,
esse número foi de 3,6 milhões.
Protesto contra a nomeação do ex-presidente Lula
como Ministro da Casa Civil, em 16 de março de 2016.
Após a divulgação de gravações entre Lula e a
presidente Dilma, o conteúdo de uma das conversas gerou
dúvidas sobre a real intenção de Dilma, e sugeriu-se que a
presidente estava tentando obstruir a justiça com a
nomeação. A confirmação da posse de Lula como Ministro
da Casa Civil causou grande indignação pública, com
protestos em muitas cidades do país. Os eventos da quebra
do sigilo e da posse de Lula agravaram a crise política e,
consequentemente, os riscos de o pedido de impeachment
ser levado até o fim, com a perda do cargo de Dilma.
Além disso, houve manifestações de especialistas.
Gustavo Franco, que foi Presidente do Banco Central no
governo de Fernando Henrique Cardoso, declarou que a
recessão pela qual o país passava podia ser a pior desde
1900, quando os números passaram a ser confiáveis. Ele
teorizou que o erro do governo foi começar a gastar demais
depois da descoberta do pré-sal, como se o Brasil fosse uma
nova Venezuela, rico em petróleo, e como se não houvesse
mais limites para os gastos públicos. Ainda nas suas
palavras, a solução econômica moderna para os países era
conter gastos e a dívida interna do país estava fora da
capacidade de pagamento do governo. Ele também citou a
corrupção e disse que as "pedaladas fiscais", que eram uma
manobra para pagar programas sociais, foram uma
confissão de crime.
As entidades e organizações da sociedade também
se pronunciaram. A Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo (FIESP), após uma pesquisa segundo a qual os
empresários de São Paulo eram majoritariamente a favor do
impedimento, aderiu ao movimento favorável ao processo,
no que foi apoiada pelo Centro das Indústrias do Estado de
São Paulo (CIESP) e pelas principais entidades
empresariais paulistas. A decisão foi tomada em conselho,
por unanimidade. Outra entidade, a Federação das
Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), decidiu,
em dezembro de 2015, posicionar-se favoravelmente ao
pedido de impeachment da presidente Dilma.
BRASIL NOS JOGOS OLÍMPICOS DE VERÃO DE
2016
O Brasil competiu como anfitrião nos Jogos
Olímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro, de 5 a 21 de
agosto de 2016. Esta foi a vigésima segunda participação do
país nos Jogos Olímpicos, que não participou apenas dos
Jogos Olímpicos de Verão de 1928 em Amsterdam. O Brasil
foi o primeiro país a sediar os Jogos Olímpicos de Verão na
América do Sul e o segundo na América Latina, após a
edição da Cidade do México 1968.
A primeira medalha do Brasil foi conquistada logo
no primeiro dia de competições. Felipe Wu obteve a
medalha de prata no tiro esportivo. Já a primeira medalha de
ouro do Brasil foi conquistada no terceiro dia de
competições, pela judoca Rafaela Silva.
No dia 7 de agosto, a futebolista brasileira Cristiane
tornou-se a maior artilheira do futebol na história das
Olimpíadas (incluindo homens e mulheres), com 14 gols.
Sophus Nielsen, da Dinamarca, era o antigo detentor do
recorde: ele havia marcado 13 gols em duas participações
nos Jogos Olímpicos (Londres 1908 e Estocolmo 1912).
No início de 2016, Marcus Vinícius Freire – então
diretor executivo de Esportes do Comitê Olímpico Brasileiro,
informou que a meta do COB para os Jogos Rio 2016 era
colocar o Brasil no top 10 do quadro total de medalhas. E
para atingir este objetivo, contou com o maior investimento
financeiro já feito em um ciclo olímpico. Ao final do evento, o
Brasil bateu tanto o seu recorde de ouros em uma edição
das Olimpíadas (cinco ouros em Atenas 2004) quanto o seu
recorde de medalhas obtidas em uma edição dos Jogos (17
medalhas em Londres 2012). Duas modalidades ganharam
pela primeira vez o ouro para o Brasil: o boxe, com Robson
Conceição, e o futebol, com a seleção olímpica masculina.
Também pela primeira vez o Brasil teve um atleta com três
pódios na mesma edição dos Jogos: Isaquias Queiroz, na
canoagem. Além disso, no total, os atletas brasileiros
apareceram 71 vezes no top 8 de suas modalidades. A
melhor marca até então havia sido em Londres 2012, com
41. Apesar disso, a meta estabelecida pelo COB não foi
alcançada: o Brasil ficou no 12º lugar em número de
medalhas. De todo modo, a 13ª posição alcançada no
quadro tradicional (que considera a qualidade das medalhas)
supera o 15º lugar atingido nos Jogos de 1920, na
Antuérpia, que era a melhor posição alcançada pelo Brasil
até então.
MEIO AMBIENTE. SUSTENTABILIDADE.
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
55
Nunca antes se debateu tanto sobre o meio
ambiente e sustentabilidade. As graves alterações
climáticas, as crises no fornecimento de água devido a falta
de chuva e da destruição dos mananciais e a constatação
clara e cristalina de que, se não fizermos nada para mudar,
o planeta será alterado de tal forma que a vida como a
conhecemos deixará de existir.
Cientistas, pesquisadores amadores e membros de
organizações não governamentais se unem, ao redor do
planeta, para discutir e levantar sugestões que possam
trazer a solução definitiva ou, pelo menos, encontrar um
ponto de equilíbrio que desacelere a destruição que
experimentamos nos dias atuais. A conclusão, praticamente
unânime, é de que políticas que visem a conservação do
meio ambiente e a sustentabilidade de projetos
econômicos de qualquer natureza deve sempre ser a ideia
principal e a meta a ser alcançada para qualquer
governante.
Em paralelo as ações governamentais, todos os
cidadãos devem ser constantemente instruídos e chamados
à razão para os perigos ocultos nas intervenções mais
inocentes que realizam no meio ambiente a sua volta; e para
a adoção de práticas que garantam a sustentabilidade de
todos os seus atos e ações. Destinar corretamente os
resíduos domésticos; a proteção dos mananciais que se
encontrem em áreas urbanas e a prática de medidas simples
que estabeleçam a cultura da sustentabilidade em cada
família.
Assim, reduzindo-se os desperdícios, os despejos
de esgoto doméstico nos rios e as demais práticas
ambientais irresponsáveis; os danos causados ao meio
ambiente serão drasticamente minimizados e a
sustentabilidade dos assentamentos humanos e atividades
econômicas de qualquer natureza estará assegurada.
Estimular o plantio de árvores, a reciclagem de lixo,
a coleta seletiva, o aproveitamento de partes normalmente
descartadas dos alimentos como cascas, folhas e talos;
assim como o desenvolvimento de cursos, palestras e
estudos que informem e orientem todos os cidadãos para a
importância da participação e do engajamento nesses
projetos e nessas soluções simples para fomentar a
sustentabilidade e a conservação do meio ambiente.
Uma medida bem interessante é ensinar cada
família a calcular sua influência negativasobre o meio
ambiente (suas emissões) e orientá-las a proceder de forma
a neutralizá-las; garantindo a sustentabilidade da família e
contribuindo enormemente para a conservação do meio
ambiente em que vivem. Mas, como se faz par calcular
essas emissões? Na verdade é uma conta bem simples;
basta calcular a energia elétrica consumida pela família; o
número de carros e outros veículos que ela utilize e a forma
como o faz e os resíduos que ela produza. A partir daí; cada
família poderá dar a sua contribuição para promover práticas
e procedimentos que garantam a devolução à natureza de
tudo o que usaram e, com essa ação, gerar novas
oportunidades de redá e de bem estar social para sua
própria comunidade.
O mais importante de tudo é educar e fazer com
que o cidadão comum entenda que tudo o que ele faz ou
fará; gerará um impacto no meio ambiente que o cerca. E
que só com práticas e ações que visem a sustentabilidade
dessas práticas; estará garantindo uma vida melhor e mais
satisfatória, para ela mesma, e para as gerações futuras.
Na vigésima nona conferência da F.A.O (órgão das
Nações Unidas para a agricultura e alimentação), levantou-
se a importância do fato de que o desenvolvimento
tecnológico e de práticas de plantio e criação animal para as
zonas rurais ao redor do mundo; devem, antes de tudo,
terem a preocupação primordial com a sustentabilidade do
meio ambiente. Estabelecer parâmetros, normas e
procedimentos para que os agricultores e qualquer outra
empresa que se dedique a esse tipo de atividade tenha a
consciência de que o uso sustentável dos recursos
naturais disponíveis no ambiente em que atuam, tem de ser
encarado como a única forma de progresso possível. E por
razões muito simples. Os problemas advindos da exploração
indiscriminada dos recursos naturais e das práticas
predatórias em determinadas culturas; pode em muito pouco
tempo, inviabilizar o uso de terras e a extração desses
recursos naturais.
As consequências disso para o planeta seriam
previsíveis e dramáticas: Fome, guerras, devastações e o
genocídio de populações inteiras. A sustentabilidade do
meio ambiente deve sempre ser a meta buscada por
qualquer indivíduo ou grupo que necessite de recursos
naturais para sobreviver. E isso é um fato que não admite
contestação.
Incorporar a premissa de respeito à natureza e do
uso sustentável dos recursos naturais, deve ser um
trabalho constante e doutrinário frente às populações que
habitam ou que trabalham nos campos e áreas rurais.
Trabalhar para manter a biodiversidade local e evitar a
erosão que destrói as áreas cultiváveis, além de ser
economicamente viável, representa manter, por muito mais
tempo, a terra em condições de gerar riquezas e de prover o
sustento das populações que dela dependem. Reciclar os
dejetos oriundos das criações animais e dos refugos das
plantações, deve ser encarado não como custo ou gasto “a
mais”; mas sim como uma excelente oportunidade de gerar
toda ou parte da energia necessária para executar as
atividades econômicas a que se propõem e também como
fonte de fertilizantes baratos e totalmente gratuitos o que
sem dúvida alguma, representará um salto na lucratividade
de qualquer propriedade rural.
Garantir a sustentabilidade do meio ambiente é
garantir, antes de qualquer coisa, que a fome, a pobreza e a
miséria estarão afastadas definitivamente e, com isso,
terminará a dura realidade que força as pessoas a praticar a
exploração predatória dos recursos disponíveis em
determinadas áreas. Pois só com uma situação de vida
regular, os habitantes de uma determinada região poderão
tornar-se permeáveis as “novas ideias”.
Levantar a bandeira da sustentabilidade do meio
ambiente e promover nas comunidades rurais o pensamento
de que essa é a única forma viável de manter suas
atividades econômicas em condições de gerar riquezas por
muito mais tempo e de forma continuada. São os desafios
mais pungentes dos governos e das organizações
ambientais dos tempos atuais. O aquecimento global e o
desequilíbrio que provocam a aparição de pragas e de
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
56
catástrofes climáticas passam com toda certeza pelo
desrespeito e por más práticas em relação ao meio ambiente
e aos processos adotados em nossas lavouras e criações.
Cidadania: Lei Maria da Penha completa 10 anos
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340), sancionada em
7 de agosto de 2006, completa dez anos de vigência. Ela foi
criada para combater a violência doméstica e familiar,
garante punição com maior rigor dos agressores e cria
mecanismos para prevenir a violência e proteger a mulher
agredida.
De acordo com a legislação, configura violência
doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou
omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão,
sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou
patrimonial.
Hoje essa lei é a principal ferramenta legislativa na
questão da violência doméstica e familiar contra as mulheres
no Brasil. Ela também é considerada pela Organização das
Nações Unidas (ONU) como uma das três mais avançadas
do mundo nessa questão.
Com a Lei Maria da Penha, a violência contra a
mulher torna-se visível e deixa de ser interpretada como um
problema individual da mulher e passa a ser reconhecida
como problema social e do Estado, que deve prever
assistência, prevenção e punição para esses casos.
“Em briga de marido e mulher não se mete a
colher”. Esse ditado popular revela muito sobre como o país
tratou a violência doméstica e contra a mulher. Isso porque
durante séculos, esse tipo de agressão nem sempre foi
considerada uma violência pela sociedade brasileira. Essa
frase naturaliza um ato abusivo, como algo sem importância
e de interesse particular, uma situação que não precisa de
ajuda ou “não é problema meu”.
A cada ano, mais de um milhão de mulheres são
vítimas de violência doméstica no país, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outros
dados mostram a gravidade da questão: a cada cinco
minutos uma mulher é agredida no Brasil e uma em cada
cinco mulheres já sofreu algum tipo de violência de um
homem (conhecido ou não) e o parceiro é responsável por
80% dos casos reportados. Os dados são de uma pesquisa
de 2010 da Fundação Perseu Abramo.
Apesar da gravidade do problema, a previsão de
uma lei específica no Brasil que trata da violência contra as
mulheres, em especial nas relações domésticas familiares e
afetivas, é algo recente e só ocorreu com a Lei Maria da
Penha (Lei 11.340), sancionada em 7 de agosto de 2006, e
que completa dez anos de vigência.
A lei recebeu o nome em homenagem à
farmacêutica Maria da Penha Fernandes. Em 1982, ela
sofreu duas tentativas de assassinato por parte do então
marido. Na primeira, depois de um tiro nas costas, ficou
paralítica. Ela enfrentou luta judicial de quase 20 anos para
vê-lo punido. Em 1998, em razão da morosidade no
julgamento do ex-marido, Maria da Penha denunciou seu
caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos
denunciando a tolerância do Estado brasileiro com a
violência doméstica, com fundamento na Convenção Belém
do Pará e outros documentos de direitos humanos no
sistema de proteção da Organização dos Estados
Americanos. Graças à sua iniciativa, o Brasil foi condenado
pela Corte, que recomendou ao país a criação de lei para
prevenir e punir a violência doméstica.
Em 2006, o Congresso Nacional aprovou a Lei
Maria da Penha (Lei 11.340), que foi o ponto de partida
jurídico para enfrentar a violência doméstica e familiar contra
as mulheres no Brasil e hoje é considerada como o principal
dispositivo legal nessa questão. Ela também é considerada
pela ONU como uma das três mais avançadas domundo no
tema, atrás apenas das leis da Espanha e do Chile.
Além de inovadora, a lei teve grande repercussão
social e hoje é considerada como uma das leis mais
conhecidas pelos brasileiros. Segundo a pesquisa Violência
e Assassinatos de Mulheres (Data Popular/Instituto Patrícia
Galvão, 2013) 98% da população conhece a legislação. Para
86% dos entrevistados, as mulheres passaram a denunciar
mais os casos de violência.
O que diz a lei
Desde 1988 a Constituição brasileira já trazia o
princípio da igualdade entre homens e mulheres, em todos
os campos da vida social. O artigo 226 diz que “o Estado
assegurará a assistência à família na pessoa de cada um
dos que a integram, criando mecanismos para coibir a
violência no âmbito de suas relações”.
A inserção desse artigo atribui ao Estado a
obrigação de intervir nas relações familiares para coibir a
violência, bem como de prestar assistência às pessoas
envolvidas. No entanto, os casos de violência contra a
mulher eram considerados de menor potencial ofensivo e a
punição dependia muito da interpretação do juiz.
Até 2006, havia um massivo arquivamento de
processos de violência doméstica. Eram comuns casos em
que agressões físicas foram punidas apenas com o
pagamento de cestas básicas. Ou ainda, situações fatais,
em que o agressor mata a mulher e tem sua
responsabilidade diminuída: a mulher cometeu adultério e o
marido acaba sendo absolvido na Justiça por estar
defendendo a sua honra ou o assassino que cometeu “um
homicídio passional” por ciúmes.
Nesse contexto, muitas brasileiras não
denunciavam as agressões porque sabiam que seriam
ignoradas pelas autoridades e os companheiros não seriam
punidos. Outros fatores também contribuem para que a
mulher não consiga sair da relação com o agressor: ela é
ameaçada e tem medo de apanhar de novo ou morrer se
terminar a relação, ela depende financeiramente do
companheiro, tem vergonha do que a família e amigos vão
achar, acredita que o agressor vai mudar e que não voltará a
agredir ou pensa que a violência faz parte de qualquer
relacionamento.
A Lei Maria da Penha foi amparada no artigo 226 e
em acordos internacionais, altera o Código Penal e aumenta
o rigor nas punições para agressões de pessoas próximas. A
lei tirou da invisibilidade e inovou ao tratar a violência
doméstica e de gênero como uma violação de direitos
humanos.
A Lei 11.340 configura violência doméstica e
familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada
no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico,
sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
57
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida
como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou
sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente
agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a
comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por
afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o
agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida,
independentemente de coabitação.
Entre as inovações, está a velocidade no
atendimento aos casos. Depois que a mulher apresenta
queixa na delegacia de polícia ou à Justiça, o juiz tem o
prazo de até 48 horas para analisar a concessão de
proteção. Além disso, a Lei Maria da Penha ampara a
mulher dentro e fora de casa. Também considera a agressão
psicológica e patrimonial como violência doméstica e familiar
contra a mulher, ou seja, abrange abusos que não deixam
marcas no corpo.
A aplicação da lei Maria da Penha contempla ainda
agressões de quaisquer outras formas, do irmão contra a
irmã (família); genro e sogra (família, por afinidade); a
violência entre irmãs ou filhas (os) e contra a mãe (família).
Além disso, garante o mesmo atendimento para mulheres
que estejam em relacionamento com outras mulheres.
Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo garantiu
a aplicação da lei para transexuais que se identificam como
mulheres em sua identidade de gênero.
Medidas protetivas
A Lei Maria da Penha criou dois tipos de medidas
protetivas: à ofendida (mulher em situação de violência) e
medidas obrigatórias ao agressor (autor da violência), de
acordo com o risco que a mulher corre.
As medidas protetivas buscam oferecer um
atendimento integral e qualificado às mulheres, a partir do
contexto da violência, como encaminhar a ofendida e seus
dependentes a um programa de proteção ou de
atendimento, determinar o afastamento da ofendida do lar e
a separação de corpos.
Em relação ao autor da violência, a lei prevê que
ele não pode cumprir penas alternativas ou ser punido com
multas, e pode ser enquadrado na suspensão da posse ou
restrição do porte de armas, na prisão preventiva do
suspeito, no afastamento do lar ou local de convivência com
a ofendida, na proibição de contato com a ofendida e no
pagamento de pensão alimentícia à família.
Serviços públicos de apoio
Com a vigência da lei, o governo teve que investir
na criação de serviços públicos de apoio à mulher e o
problema passou a existir “oficialmente” na esfera pública.
Foram fortalecidas as Delegacias de Atendimento à Mulher,
criados novos juizados especializados de violência
doméstica e familiar contra a mulher, além de amparar
serviços de assistência, como a Casa da Mulher Brasileira e
a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180.
A violência contra a mulher torna-se visível e deixa
de ser interpretada como um problema individual da
agredida e passa a ser reconhecida como problema social e
do Estado, que deve prever assistência, prevenção e
punição para esses casos.
Apesar de significar um marco na questão da
violência doméstica, ainda falta muito para que a violência
contra a mulher terminar. A Lei Maria da Penha precisa ser
implementada nos Estados de forma eficiente. Além disso, é
preciso mudar a cultura de violência e o machismo da
sociedade brasileira. Uma questão que demanda educação,
trabalho e tempo.
A Lei do Feminicídio
A Lei Maria da Penha também está salvando vidas.
Em 2015, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA) divulgou um estudo que estimou o impacto da lei nas
taxas de homicídios de mulheres. Segundo a pesquisa, a lei
contribuiu para reduzir, em 10%, o número de feminicídios
no Brasil. O termo “feminicídio” é usado para designar o
assassinato de uma mulher pelo simples fato de esta ser
mulher.
A Lei Maria da Penha também abriu caminho para
que fosse criada a Lei do Feminicídio (Lei 13.104).
Sancionada em 2015, a lei classifica o homicídio qualificado
como crime hediondo, o que aumenta a pena para o autor.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil
ocupa o 5º lugar no ranking global de homicídios de
mulheres.
ZIKA VÍRUS
No início de fevereiro, dois cientistas americanos,
chamados Arthur Caplan e Lee Igel, disponibilizaram um
artigo na coluna da revista Forbes pedindo o cancelamento
dos jogos por conta da proliferação da epidemia. Os dois
cientistas fazem parte da Universidade de Nova York e
consideram uma irresponsabilidade dar andamento ao
evento.
No dia 20 de fevereiro a OMS, Organização
Mundial da Saúde, afirmou que o vírus da Zika não vai
atrapalhar a realização dos Jogos Olímpicos. A certeza se
deve ao fato de que no período da Olimpíada, o hemisfério
Sul passa pelo inverno – estação de pouca reprodução do
agente transmissor Aedes Aegypti.
O diretor médico do Comitê Olímpico Internacional,
Richard Budgett, afirmou que não há riscos de adiantamento
ou cancelamento dos eventos por conta da doença.
OMS DIZ QUEBRASIL AINDA TERÁ NOVOS 1
MIL CASOS DE MICROCEFALIA.
Organização determinou o fim da emergência
Sanitária Internacional; Brasil mantém alerta nacional.
A Organização Mundial da Saúde anunciou que o
Brasil ainda poderá ter 1 mil novos casos de microcefalia
confirmados e ligados ao vírus da zika nos próximos meses.
A informação foi divulgada pelo especialista Anthony
Costello e pelo diretor-executivo do Programa de
Emergências de Saúde, Pete Salama, nesta terça-feira (22),
em Genebra, na Suíça.
Na última sexta-feira (18), a OMS determinou o
fim da emergência sanitária internacional devido ao vírus.
Salama voltou a falar sobre o assunto e disse que, quando a
emergência foi declarada em fevereiro de 2016, não havia
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
58
uma confirmação para a ligação entre a microcefalia e o
zika.
Segundo ele, agora a ligação é confirmada e por
isso deve haver uma criação de um plano a longo prazo.
Uma nova equipe deverá criar esse programa a ser instalado
pela organização. Neste ano, a epidemia afetou mais de 75
países e, no Brasil, gerou mais 200 mil casos reportados de
infecção pelo zika ao Ministério da Saúde.
"Não estamos diminuindo a importância do zika ao
colocar isso como um programa de trabalho mais longo,
estamos enviando a mensagem de que o zika está aqui para
ficar", disse Salama.
Emergência no Brasil
Até hoje, mais de 2 mil casos de bebês foram
registrados com a malformação no Brasil. Mesmo com a
mudança no status internacional, o Ministério da Saúde
anunciou que o vírus da zika ainda é uma emergência
nacional em saúde pública. Na manhã a última sexta, o
ministro Ricardo Barros estabeleceu novos critérios para o
diagnóstico da doença, assim como para a confirmação de
microcefalia nos bebês.
A partir de agora, os profissionais deverão levar em
consideração não apenas o perímetro da cabeça das
crianças. Fatores como perda de visão, audição,
comprometimento e deficiência de membros também serão
levados em conta na avaliação dos médicos.
Todas essas novas regras serão divulgadas para
profissionais de saúde, cuidadores e familiares de pacientes.
Além das mudanças das normas sobre o vírus da zika, as
novas diretrizes vêm com passos para que qualquer
profissional da Atenção Básica também possa tratar crianças
com alterações no desenvolvimento.
VÍRUS ZIKA E O GRANDE SURTO DE
MICROCEFALIA
O vírus Zika e o grande surto de microcefalia
apresentam relação direta, sendo fundamental, portanto, o
controle do mosquito que transmite o vírus.
Por Vanessa Sardinha dos Santos
Uma doença recém-chegada no Brasil está
deixando todos em alerta, em especial as grávidas: a Febre
por vírus Zika. Essa doença, causada pelo vírus Zika, apesar
de, até então, não estar relacionada com danos graves à
saúde, foi relacionada recentemente com um grave surto de
microcefalia no Brasil.
O vírus Zika é um arbovírus da família Flaviviridae,
que assim como a dengue e a chikungunya, é transmitido
pelos mosquitos do gênero Aedes, como o Aedes aegypti.
Além dessa forma de contaminação, estudos indicam que a
transmissão pode ocorrer de forma perinatal, sexual e até
mesmo transfusional.
O vírus foi descoberto em 1947 em um macaco que
vivia na Floresta de Zika, em Uganda (daí a origem do
nome). No Brasil, o vírus foi introduzido em 2014, e as
hipóteses mais aceitas é que ele tenha chegado ao território
brasileiro durante a Copa do Mundo desse mesmo ano.
Após a introdução, o vírus espalhou-se rapidamente
por grande parte do Brasil, e a transmissão autóctone foi
confirmada em abril de 2015. Segundo o Boletim
Epidemiológico nº36 de 2015, até a semana epidemiológica
45, autóctone Unidades da Federação já haviam confirmado
a doença com transmissão autóctone.
Ao se contaminar com o vírus Zika, o paciente pode
apresentar febre, vômitos, tosse, dores no corpo, de cabeça,
musculares e nas articulações, mal-estar, irritação nos olhos
e manchas no corpo. A doença normalmente tem duração
de três a sete dias e pode ser assintomática em alguns
casos.
De uma maneira geral, considera-se que a febre
por vírus Zika não causa grandes complicações, mas,
recentemente, observou-se o comprometimento do sistema
nervoso central em alguns casos. Além disso, a infecção
pelo vírus Zika foi associada ao desenvolvimento de
microcefalia, uma malformação em que recém-nascidos
possuem perímetro cefálico menor que o normal (menor que
33 cm). Essa malformação está relacionada com retardo
mental em 90% dos casos, além de desencadear
comprometimento da fala, audição e visão, baixo peso e
episódios de convulsão.
Apesar de a microcefalia também ser causada por
infecções, problemas genéticos, contato com produtos
radioativos e utilização de substâncias químicas, observou-
se uma relação direta entre o vírus Zika e o grande surto em
2015. A suspeita foi levantada após mães de bebês com
microcefalia relatarem que, durante a gestação,
apresentaram sintomas da contaminação por vírus Zika. Em
razão do grande número de casos, a Organização Mundial
da Saúde (OMS) emitiu um alerta em 1º de dezembro de
2015 para que todos os países ficassem atentos aos casos
de febre por vírus Zika em seu território.
Assim como a dengue, a febre por vírus Zika não
possui tratamento específico, sendo recomendado apenas o
tratamento de sintomas. O uso de paracetamol ou dipirona
pode ajudar o paciente a diminuir a dor e, em casos de
coceiras, pode ser recomendado o uso de anti-histamínicos.
Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico, uma vez
que aumenta os riscos de hemorragias.
Por não ter tratamento nem vacina, a melhor
maneira de evitar complicações é protegendo-se do
mosquito que transmite o vírus. As medidas de prevenção
da febre por vírus Zika são as mesmas utilizadas na
prevenção contra a dengue e a chikungunya, isto é, voltam-
se para a eliminação de criadouros do mosquito. Além do
combate ao mosquito, as pessoas podem desenvolver
algumas proteções individuais, como usar roupas de manga
comprida, telas nas janelas e portas e mosquiteiros. O uso
de repelente também é indicado, mas grávidas podem
utilizar apenas repelentes com DEET na concentração de
10% a 30%.
→ Como esse tema pode ser cobrado em
vestibulares e Enem?
Em razão do grande surto de microcefalia em 2015,
muitas provas de vestibular e o Enem devem abordar esse
assunto. Esse ponto é bastante importante, pois mostra
como a falta de conhecimento a respeito de uma
determinada doença pode causar danos consideráveis em
uma geração.
Diante da importância do tema abordado, é
fundamental que o aluno que esteja se preparando para a
prova tenha noções básicas sobre esse grave problema de
saúde pública. É fundamental conhecer as formas de
transmissão, compreender a relação entre o Aedes e a
microcefalia, bem como as formas de prevenção.
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Compreender os assuntos em destaque em saúde pública
pode ajudar bastante no momento da prova, uma vez que a
cada dia as questões apresentam-se mais contextualizadas.
A ELEIÇÃO DE DONALD TRUMP
Donald Trump, candidato do Partido Republicano,
foi eleito Presidente dos Estados Unidos nas eleições
realizadas no dia 09/11/2016. Ele derrotou Hillary Clinton,
candidata do Partido Democrata.
Quem elege o Presidente nos Estados Unidos é um
Colégio Eleitoral, composto por 538 delegados,
representantes dos estados norte-americanos. Para um
presidente ser eleito, precisa do voto de pelo menos 270 –
delegados, ou seja, maioria absoluta. Cada estado possui
certo número de delegados no Colégio Eleitoral. Essa
quantidade é proporcionalà população dos estados.
Nas eleições presidenciais, os eleitores votam no
candidato a presidente. O candidato mais votado em cada
estado levará todos os delegados do estado para o Colégio
Eleitoral. É a regra conhecida como “winner takes all” (o
vencedor leva tudo). Porém, há duas exceções: Maine e
Nebraska, em que os votos do Colégio são distribuídos
proporcionalmente à votação dos candidatos.
O mapa eleitoral dos Estados Unidos é bem
dividido entre o Partido Democrata e o Partido Republicano.
Os estados do nordeste do país e da costa oeste costumam
votar nos democratas. Nos estados do interior, os
republicanos predominam.
Porém, há um grupo de estados em que o voto do
eleitor oscila, ora vence um candidato democrata, ora vence
um candidato republicano. São os chamados swing states,
os estados decisivos. Sair-se melhor neles é fundamental
para vencer a eleição norte-americana. Nas eleições de
2016, 13 estados estavam nesta situação. No xadrez
estratégico dos estados, o Republicano saiu-se melhor que a
Democrata nos swing states.
O resultado final das urnas mostra que Donald
Trump terá 290 votos e Hillary Clinton 228 votos no Colégio
Eleitoral. No voto popular, Hillary venceu, teve 60.274.974
votos, contra 59.937.338 votos de Trump. Isso pode ocorrer.
É a quarta vez que um candidato com maior votação popular
teve menos votos no Colégio Eleitoral.
A campanha eleitoral foi radicalizada com muitas
denúncias, ataques e ofensas pessoais entre os candidatos.
Trump e o presidente Barack Obama, que apoiava Hillary,
também trocaram acusações e ácidas críticas. Questões
como essa, aparecem em eleições, não são novidades. Para
os analistas, a novidade foi o nível de exacerbação do tom
dos discursos e das acusações entre os candidatos.
Eu sei que você quer que eu explique como um
candidato que foi taxado pelos seus críticos de xenófobo,
machista, racista, nativista, nacionalista, isolacionista e
antiglobalização venceu a eleição.
Trump não representa o político tradicional. Dizer
que ele não fez política na sua vida, não é verdadeiro. Mas,
não é uma pessoa que dedicou sua vida à política. É um
empresário e bilionário, voltado ao mundo dos negócios.
Para ser candidato a presidente, disputou as
eleições internas no Partido Republicano e superou todos os
seus concorrentes. Não foi o candidato da direção e das
lideranças partidárias. Pelo contrário, se opuseram
internamente a sua candidatura.
A grande mídia norte-americana foi contrária a
Trump, seja como pré-candidato do Partido Republicano,
seja como candidato a presidente.
Um fator decisivo para a eleição de Trump foi que
ele encarnou o discurso anti-establishment. Ou seja, uma
crítica à ordem política, econômica e social dominante nos
Estados Unidos. Uma crítica aos políticos tradicionais, a
grande mídia e ao poder econômico da finança de Wall
Street.
Já Hillary Clinton fez política a vida toda. A grande
mídia lhe apoiou direta ou indiretamente. Nas eleições
internas do Partido Democrata, quem encarnou o discurso
crítico ao establishment foi o socialista Bernie Sanders, que
deu muito trabalho a Hillary Clinton. Foi um adversário difícil
de ser derrotado.
Aqui temos a força do discurso crítico ao sistema e
a repulsa de parcela dos norte-americanos a este estado
das coisas.
Para Demétrio Magnoli, Hillary Clinton foi a
candidata preferida dos vencedores da globalização,
simbolizados no capital financeiro de Wall Street e nas
empresas de alta tecnologia do Vale do Silício. Trump foi o
preferido dos prejudicados pela globalização: os
trabalhadores que perderam o emprego e/ou viram a sua
qualidade vida diminuir nos últimos anos.
Trump venceu a eleição no velho cinturão industrial
norte-americano que sofre com a globalização, onde
empresas faliram ou transferiram a sua produção para o
exterior e trabalhadores perderam os empregos. Nas
eleições internas do Partido Democrata, Bernie Sanders
venceu Hillary nestas regiões. Mas, nas eleições
presidenciais, esses eleitores preferiram Trump e não
Hillary.
A globalização atual propõe o livre-comércio, a
flexibilização das barreiras, dos impostos e das tarifas de
importação entre os países. Para Trump, os Estados Unidos
fizeram acordos comerciais que prejudicaram a economia
norte-americana, levaram empresas à falência e
trabalhadores a ficarem desempregados. Como solução,
propõe rever acordos comerciais, entre eles o Nafta e elevar
impostos de importação de produtos, como os dos chineses.
Assim, produtos ficariam mais caros no mercado
estadunidense e propiciariam uma retomada da produção
nacional. Propõe também rever a Parceria Transpacífica
(TTP).
Trump foi o mais votado entre os eleitores brancos
de menor renda e menor escolaridade, que são a maioria
dos norte-americanos. Para analistas, é um indicativo de que
em primeiro lugar o eleitor está preocupado com emprego,
salário, vida digna, com saúde, educação e segurança para
si e as suas famílias.
Há que considerar também que muitos apoiam e
concordam com as polêmicas propostas de Trump e por isso
votaram nele. Sim, concordam com a construção do muro na
longa fronteira com o México, com a deportação dos
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imigrantes ilegais, com a revisão do casamento civil entre
pessoas do mesmo sexo, etc.
Uma das famosas e polêmicas frases de Trump foi:
“Quando o México envia suas pessoas para os EUA, ele não
envia as melhores. Ele envia pessoas com muitos
problemas. E elas trazem esses problemas para cá. Elas
trazem drogas, trazem crime. São estupradores”.
Como disse, para barrar a entrada ilegal de
mexicanos, prometeu construir um muro na fronteira, que
será pago pelo México. Prometeu suspender a entrada de
muçulmanos no país. Se o que defendeu na campanha for
colocado em prática, os Estados Unidos serão um país mais
fechado à imigração estrangeira. Serão também um país
mais protecionista no comércio internacional.
Como grande potência política, econômica e militar,
os EUA são determinantes para os rumos da ordem mundial.
Novamente, considerando o que propôs, os EUA se
envolverão menos nos conflitos regionais e serão menos
intervencionistas militarmente. Segundo ele, as tensões no
leste da Ásia é um problema a ser resolvido regionalmente,
com menos interferência norte-americana. As tensões no
leste europeu entre Rússia e União Europeia é
principalmente um problema russo e do bloco europeu e
menos dos Estados Unidos.
Há ainda o receio de que retire a ratificação dos
EUA ao acordo do clima de Paris. Trump é um cético quanto
à tese do aquecimento global gerado pela ação humana.
E como isso tudo pode aparecer na prova
discursiva? Vou responder com base no perfil do Cespe, que
está com vários concursos em que o tema da discursiva virá
de Atualidades.
Um primeiro ponto a ficar atento é a questão da
globalização. Pode a globalização retroceder? Para muitos é
uma hipótese impensável. Conforme Demétrio Magnoli, a
vitória de Trump derruba um dos pilares da globalização,
que é o livre-comércio. Isso, porque o presidente eleito diz
que vai rever tratados de livre-comércio. Demétrio também
chama a atenção para o fato de o “Brexit”, que decidiu pela
saída do Reino Unido da União Europeia, ter derrubado
outro pilar da globalização: que a União Europeia é um bloco
econômico que só avança.
Cabe lembrar que em vários países da União
Europeia há movimentos reivindicando referendos para
deliberar sobre a permanência ou não dos seus países no
bloco europeu, como a Holanda, Itália e França. Neste
último país, a Frente Nacional, de Marine Le Pen, defende a
saída dos francesesda União Europeia. Em 2017, teremos
eleições presidenciais e os nacionalistas da Frente Nacional
estão entre os favoritos.
A crítica à globalização não é desprovida de
sentido. Estudos demonstram que a desigualdade entre os
países cresceu com a globalização. A concentração de
riqueza também: 1% da população mundial detém 50% de
toda a riqueza do planeta. Ou seja, a globalização não
beneficiou a todos.
A questão da imigração é outro tema. A xenofobia,
ou seja, a aversão ao estrangeiro. Seriam os imigrantes
ilegais e legais, um dos responsáveis pelas crises
econômicas e sociais de países desenvolvidos? Como a
xenofobia se manifesta no mundo atual? Como superar a
xenofobia?
A crítica à política tradicional e ao atual sistema
político. A necessidade de mudar e reformar o sistema
político. É uma crítica que ocorre em vários países do
mundo, inclusive no Brasil.
Os nacionalismos, o crescimento do nacionalismo
no mundo.
Por fim, os temas relacionados à livre orientação
sexual, à legalização das drogas, ao casamento civil entre
pessoas do mesmo sexo, ao aborto, etc. Uma abordagem
correta para o Cespe é a que trata dos temas sob o viés dos
direitos humanos.
MEC DIZ QUE OCUPAÇÃO EM 181 ESCOLAS
COMPROMETE ENEM PARA 95 MIL ALUNOS
Mendonça Filho diz que prazo para desocupação é
até 31 de outubro. Alunos protestam contra reforma do
ensino médio e PEC do teto dos gastos públicos.
O ministro da Educação, Mendonça Filho, disse
nesta quarta-feira (19) que ocupações em 181 escolas do
país podem comprometer a realização da prova do Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 para 95 mil
alunos participantes. As ocupações ocorrem em 82 cidades
de 11 estados, segundo relatório do Ministério da Educação
(MEC) com dados atualizados nesta tarde.
Em nota divulgada no fim da tarde desta quarta, o
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep) afirmou que, "dos 181 locais de prova
afetados, 145 são do Paraná, 12 do Rio Grande do Norte,
seis de Minas Gerais e cinco do Rio Grande do Sul. O
Distrito Federal e o Rio de Janeiro têm três pontos de
aplicação ocupados e Alagoas e Bahia, dois. Pernambuco,
Pará e Tocantins têm um ponto afetado".
Situação das ocupações pelo país
Segundo o ministro, o MEC está fazendo o
monitoramento presencial da situação das escolas: no
Paraná, dos 682 locais de prova do Enem, 145 estavam
ocupados nesta tarde. Na sequência, o maior número
aparece no Rio Grande do Norte, que tinha 12 ocupações
das 409 previstas para receber a prova. Na lista, Minas
Gerais tinha seis ocupações monitoradas pelo MEC entre os
mais de 1,7 mil locais de prova previstos no estado.
"Se por ventura, não estiverem desocupadas,
podemos comprometer a segurança das provas naquela
localidade específica. Até o dia 31, vamos aguardar e
avaliar, a partir dos relatórios do Inep. Espero que o bom-
senso prevaleça e as pessoas tenham a sensibilidade"
Durante a coletiva de imprensa, a assessoria do
ministro da Educação, Mendonça Filho, publicou fala dele a
respeito das ocupações de estudantes secundaristas contra
a reforma do ensino médio e a PEC 241.
Durante a coletiva de imprensa, a assessoria do
ministro da Educação, Mendonça Filho, publicou fala dele a
respeito das ocupações de estudantes secundaristas contra
a reforma do ensino médio e a PEC 241 Ameaça judicial
O MEC diz que, caso as provas precisem se
reaplicadas posteriormente, os custos da aplicação da prova
(cerca de R$ 90 por aluno) serão cobrado judicialmente de
alunos e entidades que sejam identificados como
responsáveis pelas ocupações. Segundo o ministro, a
Advocacia Geral da União (AGU) será acionada para avaliar
como cobrar os responsáveis pelas ocupações.
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
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Considerando o cenário desta quarta, o custo para
aplicar a prova em uma nova data para os afetados pelas
ocupações seria R$ 8 milhões.
"A informação que eu posso transmitir, nesse
instante, é de que respeitamos o direito ao protesto. Todos
podem protestar democraticamente, isso é base de um
estado democrático de direito. (...) O bom-senso deve
prevalecer, para não criamos uma situação onde atrapalha a
vontade, o sonho de milhares de brasileiros que querem se
submeter ao Enem", disse Mendonça.
Avisos e erro em consultas
Os chamados "cartões de confirmação" liberados
nesta quarta-feira eram esperados pelos participantes do
Enem para que eles possam programar o deslocamento nos
dias de prova.
Nos próximos dias, o Inep deve enviar aos
estudantes uma mensagem SMS e um e-mail informando da
disponibilidade dos cartões dos candidatos e da
necessidade de verificação dos dados. Os lembretes serão
reforçados a cada três dias pelos mesmos canais, segundo
o órgão.
Em alguns cartões disponíveis para alunos de
diferentes localidades, os participantes poderão encontrar a
informação “Aguarde a confirmação do seu local de prova.
Efetue nova consulta nos próximos dias”. Segundo o Inep,
isso significa que o estabelecimento previsto foi
comprometido por reformas ou circunstâncias naturais.
Nestes casos, a organização do Enem afirma que o
dado será atualizado nos próximos dias, com a realocação
dos alunos. A presidente do Inep, Maria Inês Fini, informou
que duas escolas em Alagoas, por exemplo, já tinham sido
descartadas até esta quarta em razão das chuvas.
TECNOLOGIA: MOEDA VIRTUAL É O DINHEIRO
DO FUTURO?
No século 21, novas tecnologias prometem acabar
com o dinheiro físico. A tendência é que, nos próximos anos,
a sociedade caminhe para um mundo em que não haverá
circulação de dinheiro físico e que sejam usadas cada vez
mais transações eletrônicas e moedas virtuais.
O Bitcoin é uma moeda virtual que ganha cada vez
mais popularidade. Em vez de existir uma instituição
financeira responsável pelas transações, todas as trocas
monetárias ficam no livro de registro virtual Blockchain.
Por representar riscos ao controle de fluxos
financeiros, países estão tentando criar barreiras para a
circulação desse tipo de moeda.
O dinheiro é um símbolo e meio de troca. E também
resultado de uma longa evolução. Ao longo da história, a
humanidade já usou todo tipo de objetos como moeda:
búzios na Arábia, sementes nas Ilhas Salomão, conchas na
Suméria.
Na Roma Antiga, o pagamento dos soldados era
feito com uma porção de sal. Daí surge a palavra “salário”.
No Ocidente, antes de aparecer a cédula impressa, as
moedas usadas eram geralmente o ouro, a prata e o cobre.
No início do século 20, os governos nacionalizaram
a própria moeda, e o Banco Central de cada país tomaria o
papel de criar, implantar e assegurar o suprimento e o
destino do dinheiro. Depois que as cédulas são impressas, o
dinheiro é repassado pelo governo aos bancos, que o
distribui para pessoas e empresas.
Com o surgimento da computação foram
inventadas as moedas virtuais, uma forma de dinheiro que
não existe fisicamente, ou seja, não é impressa em papel.
Cartões de crédito e meios de pagamento online como
PayPal e aplicativos para celular são considerados dinheiro
virtual, mas que utilizam moedas tradicionais para realizar as
transações de pagamento (como o real, euro, libra ou dólar).
No século 21, novas tecnologias e modelos
prometem acabar com o dinheiro da forma como você
conhece. A tendência é que, nos próximos anos, a
sociedade caminhe para um mundo em que não haverá
circulação de dinheiro físico.
Em 2015 o dinheiro vivo foi o principal meio de
pagamento no mundo. Países da Europa já começam a se
preparar para uma nova fase, com menos dinheiro em
espécie. Na Suécia, já existem lojas que não aceitam
dinheiro.
Este ano,por exemplo, apenas um quinto de todos
os pagamentos de consumidores na Suécia foi feito em
dinheiro. Já a Dinamarca anunciou que quer se tornar o
primeiro país do mundo a eliminar oficialmente a circulação
de dinheiro físico.
Os dois países argumentam que é mais fácil
fiscalizar o dinheiro eletrônico e assim evitar problemas
como a lavagem de dinheiro, a sonegação de impostos
gerados pela economia informal e o caixa dois de empresas.
A escalada do Bitcoin
A mudança mais significativa na tecnologia
financeira é atribuída às moedas virtuais criptografadas. O
maior destaque é o Bitcoin, que pode ser usado para
comprar produtos e serviços na internet e em
estabelecimentos físicos conectados à rede.
Atualmente é possível comprar quase tudo com
bitcoins: eletroeletrônicos, roupas, livros, alimentos. Nos
Estados Unidos, até apartamentos e casas já foram
vendidos dessa forma. Em Berlim, na Alemanha, existe um
bairro conhecido como bitcoinkiez ("bairro do bitcoin", em
alemão), em que todo o comércio local (restaurantes, bares
e lojas) está disposto a receber na moeda virtual.
O Bitcoin surgiu em 2008 e sua criação é atribuída
a um programador conhecido sob o pseudônimo de Satoshi
Nakamoto. A moeda entrou para a história e revolucionou o
setor por ser o primeiro sistema de pagamentos global
totalmente descentralizado.
Imagine fazer transferências na internet com a
mesma facilidade com que se envia um e-mail. O modelo
Bitcoin permite realizar transações financeiras de forma
direta, sem a necessidade de um intermediário. Um sistema
que pode acabar de vez com o banco físico.
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Para o usuário, a maior vantagem da
descentralização seria a compra e venda com taxas mais
baratas do que a de um banco tradicional ou uma empresa
de cartão de crédito. Existem ainda usuários que não
querem depender das políticas monetárias do governo ou de
bancos, e aqueles que buscam fazer uma reserva de valor,
sem ficar expostos a riscos como o confisco do dinheiro pelo
Estado durante crises financeiras.
O sistema de bitcoins não é controlado por nenhum
Banco Central ou instituição bancária, mas por criptografia.
É por isso que essa invenção também pode ser chamada de
“criptomoeda”. Desde então, outras moedas similares
surgiram no mercado.
O controle descentralizado está relacionado ao uso
do Blockchain, uma tecnologia de banco de dados que é
semelhante a um livro de registros virtual. Não existe um
“dono” do sistema, que é aberto a qualquer um.
A Blockchain grava todas as transações realizadas
com Bitcoins e garante que uma unidade da moeda não seja
utilizada duas vezes. Isso faz com que a moeda virtual não
seja falsificada. Cada moeda digital está numerada e todas
as transações são públicas e podem ser visualizadas pela
comunidade. Na prática, a Blockchain funciona como um
livro público, que regula o envio e o recebimento da moeda.
Quem quiser usar o Bitcoin precisa se cadastrar em
algum dos sites que trocam dinheiro real por bitcoins, como
se fossem uma agência de câmbio. Depois, basta criar uma
conta com um código pessoal criptografado e comprar o
Bitcoin. O dinheiro fica guardado no computador de cada
um, como se fosse um arquivo ou um software.
O modelo é similar ao das redes P2P, usadas para
compartilhamento de arquivos na internet. Por isso, controlar
a moeda virtual, como fazem os bancos centrais com a
moeda real, é muito difícil.
No início, o Bitcoin valia apenas alguns poucos
centavos e seu uso estava restrito a um grupo de
entusiastas da tecnologia. Mas logo sua popularidade
cresceu e a moeda foi se valorizando, atraindo também
grandes investidores. Hoje, o Bitcoin tem um grande valor de
mercado. Para se ter uma ideia, até a data de fechamento
deste texto, o valor de compra de 1 Bitcoin equivale a quase
R$ 2 mil.
Quem “fabrica” esse dinheiro? Quem coloca o
Bitcoin no mercado são usuários chamados de
“mineradores”, que cedem voluntariamente a capacidade de
seus computadores via internet para verificar as transações
no Blockchain e manter o sistema e funcionando. Em troca,
são premiados com bitcoins.
Mas como manter o valor da moeda estável? É
preciso que uma moeda seja escassa para que tenha valor e
não gere inflação. O Bitcoin foi projetado de modo a ser
finito. Isso porque é baseado em fórmulas matemáticas,
diferente da moeda tradicional, que é lastreada em ouro e
prata. Uma pessoa não pode gerar a moeda infinitamente.
Tanto que o sistema do Bitcoin prevê que o máximo de
moeda circulando será de 21 milhões de unidades, o que
deve acontecer por volta de 2140.
Críticas e riscos ao modelo do Bitcoin
O Bitcoin é baseado em um software de código
aberto que permite o anonimato dessas pessoas. Em alguns
aplicativos de "carteira virtual" é preciso ter uma conta de e-
mail para fazer o registro, já outros (a maioria) não é
necessário nenhum tipo de identificação.
Devido a essa dificuldade de rastrear os usuários e
oferecer anonimato, a moeda virtual pode estimular o
comércio de produtos ilegais. Tanto que o Bitcoin tornou-se
a principal moeda dos sites de comércio ilícito na internet
profunda (a deep web), com a venda de drogas e armas e
atividades de lavagem de dinheiro. Mas a polícia pode
identificar o usuário se encontrar o IP dela ou se ela fez
qualquer transação de bitcoins em casas de câmbio.
Em 2013, por exemplo, o FBI prendeu o criador do
Silk Road, site que funcionava como um grande portal de
venda de drogas na internet. As transações eram todas
feitas em bitcoins. O site foi fechado e mais de 150 mil
bitcoins foram apreendidos pela polícia - o equivalente a 100
milhões de dólares na cotação de março de 2013.
Existe ainda o risco de uma conta ser hackeada.
Em 2014, a Mt. Gox, considerada na época como a principal
“bolsa de valores” do Bitcoin, entrou em colapso e perdeu
500 milhões de dólares. O motivo? Um ataque hacker ao
seu sistema. Em 2016, A Bitfinex, empresa de Hong Kong
especialista em gestão de moedas virtuais, reconheceu que
uma falha de segurança em suas plataformas permitiu o
roubo de 119.756 bitcoins, avaliados em 65,8 milhões de
dólares.
O fato de não estar atrelada a governos e bancos
faz com que o Bitcoin esteja fora do controle de fiscalização
e flutuações cambiais. Por esses motivos, representantes
dos bancos centrais afirmaram que a adoção de
criptomoedas é um grande desafio para a habilidade dos
bancos em influenciar o preço do crédito (juros) para a
economia. Ou seja, a adoção em massa dessas moedas
poderia enfraquecer o papel do Banco Central como
regulador do mercado.
Por representar riscos ao controle de fluxos
financeiros, países como a China, Rússia e a Índia estão
tentando criar barreiras para a circulação desse tipo de
moeda. E como são um fenômeno recente, as moedas
virtuais possuem poucas leis que as regulamentam. A
legislação mundial sobre o assunto ainda está em
construção e deve se consolidar nos próximos anos.
Recentemente, uma juíza federal dos Estados
Unidos decidiu que o Bitcoin se qualifica como dinheiro, em
ação penal que versava prática de atividade financeira por
pessoa não autorizada. No Japão, o governo estabeleceu
que os lucros e processos de compra relacionados ao
Bitcoin devem estar sujeitos à cobrança de impostos e
monitoramento do Estado.
COLETA E RECICLAGEM DO LIXO
Reciclagem
Reciclagem de lixo, plástico, reciclagem de
alumínio, reciclagem de papel, respeito ao meio-ambiente,
coleta seletiva de lixo, reciclagem de plástico.
Reciclar significa transformar objetos materiais
usados em novos produtos para o consumo. Esta
necessidade foi despertadapelos seres humanos, a partir do
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momento em que se verificou os benefícios que este
procedimento traz para o planeta Terra.
Importância e vantagens da reciclagem
A partir da década de 1980, a produção de
embalagens e produtos descartáveis aumentou
significativamente, assim como a produção de lixo,
principalmente nos países desenvolvidos. Muitos governos
e ONGs estão cobrando de empresas posturas
responsáveis: o crescimento econômico deve estar aliado à
preservação do meio ambiente. Atividades como campanhas
de coleta seletiva de lixo e reciclagem de alumínio e papel,
já são comuns em várias partes do mundo.
No processo de reciclagem, que além de preservar
o meio ambiente também gera riquezas, os materiais mais
reciclados são o vidro, o alumínio, o papel e o plástico. Esta
reciclagem contribui para a diminuição significativa da
poluição do solo, da água e do ar. Muitas indústrias estão
reciclando materiais como uma forma de reduzir os custos
de produção.
Um outro benefício da reciclagem é a quantidade
de empregos que ela tem gerado nas grandes cidades.
Muitos desempregados estão buscando trabalho neste setor
e conseguindo renda para manterem suas famílias.
Cooperativas de catadores de papel e alumínio já são uma
boa realidade nos centros urbanos do Brasil.
Muitos materiais como, por exemplo, o alumínio
pode ser reciclado com um nível de reaproveitamento de
quase 100%. Derretido, ele retorna para as linhas de
produção das indústrias de embalagens, reduzindo os
custos para as empresas.
Muitas campanhas educativas têm despertado a
atenção para o problema do lixo nas grandes cidades. Cada
vez mais, os centros urbanos, com grande crescimento
populacional, tem encontrado dificuldades em conseguir
locais para instalarem depósitos de lixo. Portanto, a
reciclagem apresenta-se como uma solução viável
economicamente, além de ser ambientalmente correta. Nas
escolas, muitos alunos são orientados pelos professores a
separarem o lixo em suas residências. Outro dado
interessante é que já é comum nos grandes condomínios a
reciclagem do lixo.
Símbolos da reciclagem por material
Assim como nas cidades, na zona rural a
reciclagem também acontece. O lixo orgânico é utilizado na
fabricação de adubo orgânico para ser utilizado na
agricultura.
Como podemos observar, se o homem souber
utilizar os recursos da natureza, poderemos ter, muito em
breve, um mundo mais limpo e mais desenvolvido. Desta
forma, poderemos conquistar o tão
sonhado desenvolvimento sustentável do planeta.
Sacolas feitas com papel reciclável
Exemplos de Produtos Recicláveis
- Vidro: potes de alimentos (azeitonas, milho,
requeijão, etc.), garrafas, frascos de medicamentos, cacos
de vidro.
- Papel: jornais, revistas, folhetos, caixas de
papelão, embalagens de papel.
- Metal: latas de alumínio, latas de aço, pregos,
tampas, tubos de pasta, cobre, alumínio.
- Plástico: potes de plástico, garrafas PET, sacos
plásticos, embalagens e sacolas de supermercado.
- Embalagens longa vida: de leite, de tomate, de
sucos, etc.
Você sabia?
- 5 de junho é o Dia da Reciclagem.
SANEAMENTO BÁSICO
Saneamento básico é a atividade relacionada ao
abastecimento de água potável, o manejo de água pluvial, a
coleta e tratamento de esgoto, a limpeza urbana, o manejo
de resíduos sólidos e o controle de pragas e qualquer tipo de
agente patogênico, visando à saúde das comunidades. É o
conjunto de procedimentos adotados numa determinada
região visando a proporcionar uma situação higiênica
saudável para os habitantes. Trata-se de uma especialidade
estudada nos cursos superiores de engenharia sanitária, de
engenharia ambiental, de saúde coletiva, de saúde
ambiental, de tecnólogo em saneamento ambiental, de
ciências biológicas, de tecnólogo em gestão ambiental e
ciências ambientais.
Trata-se de serviços que podem ser prestados por
empresas públicas ou, em regime de concessão, por
empresas privadas, sendo esses serviços considerados
essenciais, tendo em vista a necessidade imperiosa destes
por parte da população, além da sua importância para a
saúde de toda a sociedade e para o meio ambiente.
Entre os procedimentos do saneamento básico,
podemos citar: tratamento de água, canalização e
tratamento de esgotos, limpeza pública de ruas e avenidas,
coleta e tratamento de resíduos orgânicos (em aterros
sanitários regularizados) e materiais (através da reciclagem).
Com estas medidas de saneamento básico, é possível se
garantir melhores condições de saúde para as pessoas,
evitando a contaminação e proliferação de doenças. Ao
mesmo tempo, garante-se a preservação do meio ambiente.
Importância
Saúde pública
A falta de saneamento básico, aliada a fatores
socioeconômicos e culturais, é determinante para o
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surgimento de infecções por parasitas, sendo as crianças o
grupo que apresenta maior susceptibilidade às doenças
infectocontagiosas. Nos países mais pobres ou em regiões
mais carentes, as doenças decorrentes da falta de
saneamento básico (viróticas, bacterianas e outras
parasitoses) tendem a ocorrer de forma endêmica. No Brasil,
figuram entre os principais problemas de saúde pública e
ambiental.
Fornecimento e gestão
Caráter monopolista
O saneamento básico é, geralmente, uma atividade
econômica monopolista em todos os países do mundo, já
que seu monopólio é um poder típico do Estado, sendo que
este pode delegar, a empresas, o direito de explorar estes
serviços através das chamadas concessões de serviços
públicos. Tendo em vista a dificuldade física e prática em se
assentar duas ou três redes de água e/ou esgotos de
empresas diferentes no equipamento urbano, geralmente
apenas uma empresa, pública ou privada, realiza e explora
economicamente esse serviço.
Fiscalização de empresas concessionárias
privadas
O setor de saneamento básico também se
caracteriza por necessidade de um elevado investimento em
obras e constantes melhoramentos, sendo que os resultados
destes investimentos, na forma de receitas e lucros, são de
longa maturação. Por este motivo e outros, a concessão dos
serviços de saneamento a empresas privadas deve ser
muito bem fiscalizada pelo Estado, uma vez que o objetivo
de uma companhia privada é sempre o lucro máximo, o que
pode inviabilizar um bom serviço em certos casos, como o
de comunidades carentes.
Saneamento básico no Brasil
Houve um grande avanço no Brasil, nos últimos 30
anos, no tocante ao saneamento básico. Porém, muitas
cidades do interior do país, principalmente nas regiões norte
e nordeste, ainda apresentam deficiências nesta área.
Você sabia?
- Somente 57,8% das residências (domicílios
particulares permanentes) no Brasil são atendidas por rede
coletora de esgoto (fonte: Pnad 2014 - IBGE).
- Em 11 de junho comemoramos o Dia do Educador
Sanitário.
ISO´s
A expressão ISO 9000 designa um grupo de
normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão da
qualidade para organizações em geral, qualquer que seja o
seu tipo ou dimensão.
ISO é uma organização não-governamental
fundada em 1947, em Genebra, e hoje presente em cerca de
189 países. A sua função é a de promover a normatização
de produtos e serviços, para que a qualidade dos mesmos
seja permanentemente melhorada.
A denominação "International Organization for
Standardization" permite diferentes acrônimos em diferentes
idiomas (IOS em inglês, OIN em francês, OIP em português)
e, por isso, seus fundadores decidiramusar a abreviatura
ISO, que significa "igual". Qualquer que seja o país ou a
linguagem, a abreviatura é sempre ISO, que vem do grego
"isos" que significa igual, igualdade, pois o sistema prevê
que os produtos detenham o mesmo processo produtivo
para todas as peças.
Esta família de normas estabelece requisitos que
auxiliam a melhoria dos processos internos, a maior
capacitação dos colaboradores, o monitoramento do
ambiente de trabalho, a verificação da satisfação dos
clientes, colaboradores e fornecedores, num processo
contínuo de melhoria do sistema de gestão da qualidade.
Aplicam-se a campos tão distintos quanto materiais,
produtos, processos e serviços.
A adoção das normas ISO é vantajosa para as
organizações uma vez que lhes confere maior organização,
produtividade e credibilidade - elementos facilmente
identificáveis pelos clientes -, aumentando a sua
competitividade nos mercados nacional e internacional. Os
processos organizacionais necessitam ser verificados
através de auditorias externas independentes.
O Brasil está no grupo dos países que mais
crescem em número de certificações em 2010, com aumento
de 4.009 certificações, logo atrás da Itália (8.826), Rússia
(9.113) e China (39.961) que lidera o grupo. Fonte: Pesquisa
ISO9001 (2010)
Em setembro de 2015, foi publicada a NBR ISO
9001:2015.
Antecedentes
Desde os seus primórdios, a industrialização
levantou questões relativas à padronização, ao
gerenciamento de processos e à qualidade dos produtos. No
início do século XX, destacaram-se os estudos de Frederick
Taylor visando racionalizar as etapas de produção,
aproveitados com sucesso por Henry Ford, que implantou a
linha de montagem.
A padronização internacional começou pela área
eletrotécnica, com a constituição, em 1922, da International
Electrotechnical Commission (IEC).
O seu exemplo foi seguido em 1926, com o
estabelecimento da International Federation of the National
Standardizing Associations (ISA), com ênfase na engenharia
mecânica. As atividades da ISA cessaram em 1942, durante
a Segunda Guerra Mundial.
Com o final do conflito, em 1946 representantes de
25 países reuniram-se em Londres e decidiram criar uma
nova organização internacional, com o objetivo de "facilitar a
coordenação internacional e unificação dos padrões
industriais". A nova organização, a Organização
Internacional para Padronização, iniciou oficialmente as suas
operações em 23 de fevereiro de 1947 com sede em
Genebra, na Suíça.
Com a acentuação da globalização na década de
1980, aumentou a necessidade de normas internacionais,
nomeadamente a partir da criação da União Europeia.
Segundo Seddon, "Em 1987, o governo britânico
persuadiu a Organização Internacional para Padronização
(ISO) a adotar a BS 5750 como uma norma padrão
internacional. A BS 5750 tornou-se a ISO 9000."
Adoção Mundial
O número de empresas que adotam a certificação
ISO
9001 tem crescido mundialmente, conforme mostra
as pesquisas do número de empresas certificadas a partir de
2003 em: 2003, 2007, 2008, 2009 and 2010.
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
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Recentemente nos últimos anos tem havido um grande crescimento na China, que hoje totaliza aproximadamente
um quarto das certificações mundiais
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ISO 9000:1987
Essa primeira norma tinha estrutura idêntica à
norma britânica BS 5750, mas era também influenciada por
outras normas existentes nos Estados Unidos e por normas
de defesa militar (as "Military Specifications" - "MIL SPECS").
Subdividia-se em três modelos de gerenciamento da
qualidade, conforme a natureza das atividades da
organização:
ISO 9001:1987 Modelo de
garantia da qualidade para design,
desenvolvimento, produção, montagem e
prestadores de serviço - aplicava-se a organizações
cujas atividades eram voltadas à criação de novos
produtos.
ISO 9002:1987 Modelo de
garantia da qualidade para produção, montagem e
prestação de serviço - compreendia essencialmente
o mesmo material da anterior, mas sem abranger a
criação de novos produtos.
ISO 9003:1987 Modelo de
garantia da qualidade para inspeção final e teste -
abrangia apenas a inspeção final do produto e não
se preocupava como o produto era feito.
ISO 9000:1994
Essa norma contém os termos e definições relativos
à norma ISO 9001:1994. Não é uma norma certificadora, dos
termos e definições da garantia da qualidade.
ISO 9001:1994
Essa norma tinha a garantia da qualidade como
base da certificação. A norma tinha os seguintes requisitos:
4.1 Responsabilidade da Direção (Trata do papel da alta
direção na implementação do sistema da Qualidade);
4.2 Sistema da qualidade (Descreve a documentação que
compõe o sistema da qualidade);
4.3 Análise do contrato (Trata da relação comercial entre a
empresa e os seus clientes);
4.4 Controle da concepção e projeto (Trata da concepção e
desenvolvimento de novos produtos para atender aos
clientes);
4.5 Controle dos documentos e dados (Trata da forma de
controlar os documentos do sistema da qualidade);
4.6 Compras (Trata da qualificação dos fornecedores de
materiais / serviços e do processo de compras);
4.7 Produto fornecido pelo Cliente (Trata da metodologia
para assegurar a conformidade dos produtos fornecidos pelo
Cliente para incorporar ao produto final);
4.8 Rastreabilidade (Trata da história desde o início do
fabrico do produto ou da prestação do serviço);
4.9 Controle do processo (Trata do processo de produção
dos produtos da empresa);
4.10 Inspeção e ensaios (Trata do controle da qualidade que
é realizado no produto ou serviço);
4.11 Controle de equipamentos de inspeção, medição e
ensaio (Trata do controle necessário para a calibração /
verificação dos instrumentos que inspecionam, meçam ou
ensaiem a conformidade do produto);
4.12 Situação da inspeção e ensaios (Trata da identificação
da situação da inspeção do produto ou serviço em todas as
etapas da sua produção)
4.13 Controle do produto não conforme (Trata da
metodologia de controle para os produtos fora de
especificação);
4.14 Ação corretiva e preventiva (Trata das ações
necessárias para as não conformidades identificadas de
forma a evitar que aconteça e a sua repetição);
4.15 Manuseamento, armazenamento, embalagem,
preservação e expedição (Trata dos cuidados com o produto
acabado até a sua expedição para o cliente);
4.16 Controle dos registos da qualidade (Trata da
metodologia do controle dos registos da qualidade para
facilitar a sua identificação, recuperação);
4.17 Auditorias internas da qualidade (Trata da programação
das auditorias internas da qualidade);
4.18 Formação (Trata do levantamento de necessidades de
formação e da programação das respectivas formações);
4.19 Serviços após - venda (Trata dos serviços prestados
após venda);
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
67
4.20 Técnicas estatísticas (Trata da utilização de técnicas
estatísticas na empresa);
Esta versão exige muito "papel" em vez da
implementação das práticas como exigido pela ISO
9001:2008.
ISO 9001:2000
Para solucionar as dificuldades da anterior, esta
norma combinava as 9001, 9002 e 9003 em uma única,
doravante denominada simplesmente 9001:2000.
Os processos de projeto e desenvolvimento eram
requeridos apenas para empresas que, de fato, investiam na
criação de novos produtos, inovando ao estabelecer o
conceito de "controle de processo" antes e durante o
processo. Esta nova versão exigia ainda o envolvimentoda
gestão para promover a integração da qualidade
internamente na própria organização, definindo um
responsável pelas ações da qualidade. Adicionalmente,
pretendia-se melhorar o gerenciamento de processos por
meio de aferições de desempenho e pela implementação de
indicadores para medir a efetividade das ações e atividades
desenvolvidas.
Mas a principal mudança na norma foi a introdução
da visão de foco no cliente. Anteriormente, o cliente era visto
como externo à organização, e doravante passava a ser
percebido como integrante do sistema da organização. A
qualidade, desse modo, passava a ser considerada como
uma variável de múltiplas dimensões, definida pelo cliente,
por suas necessidades e desejos. Além disso, não eram
considerados como clientes apenas os consumidores finais
do produto, mas todos os envolvidos na cadeia de produção.
ISO 9000:2005
Foi a única norma lançada nesse ano, descrevendo
os fundamentos de sistemas de gestão da qualidade que, no
Brasil, constituem o objeto da família ABNT NBR ISO 9000,
e definindo os termos a ela relacionados. É aplicável a
organizações que buscam vantagens através da
implementação de um sistema de gestão da qualidade; as
organizações que buscam a confiança nos seus
fornecedores de que os requisitos de seus produtos serão
atendidos; a usuários dos produtos; aqueles que têm
interesse no entendimento mútuo da terminologia utilizada
na gestão da qualidade (por exemplo: fornecedores, clientes,
órgãos reguladores); aqueles, internos ou externos à
organização, que avaliam o sistema de gestão da qualidade
ou o auditam, para verificarem a conformidade com os
requisitos da ABNT NBR ISO 9001 (por exemplo: auditores,
órgãos regulamentadores e organismos de certificação);
aqueles, internos ou externos à organização, que prestam
assessoria ou treinamento sobre o sistema de gestão da
qualidade adequado à organização; e a grupos de pessoas
que elaboram normas correlatas.
ISO 9001:2008
Esta, aprovada no fim do ano de 2008, foi
elaborada para apresentar maior compatibilidade com a
família da ISO 14000, e as alterações realizadas trouxeram
maior compatibilidade para as suas traduções e
consequentemente um melhor entendimento e interpretação
de seu texto.
Outra importante alteração nesta versão foi a sub-
cláusula 1.2 que introduz o conceito de exclusões. Esta
cláusula permite que requisitos da norma que não sejam
aplicáveis devido a características da organização ou de
seus produtos sejam excluídos, desde que devidamente
justificados. Desta forma, garante-se o caráter genérico da
norma e sua aplicabilidade para qualquer organização,
independente do seu tipo, tamanho e categoria de produto.
ISO 9001:2015
A versão 2015 da ISO 9001 tem uma abordagem
modernizada, incluindo:
- Maior ênfase na geração de valor, para a
organização e para seus clientes. A nova versão é voltada a
geração de resultados e a melhoria dos mesmos.
- Maior ênfase na avaliação dos riscos, em sua
versão anterior a mentalidade de riscos era implícita nas
ações preventivas, a abordagem da nova versão trás
explicitamente a mentalidade de riscos logo na introdução
item 0.3.3 - Mentalidade de riscos.
- Solicita que as organizações levem em
consideração o feedback de todas as partes interessadas e
de todos os processos envolvidos (não apenas os feedbacks
dos seus clientes).
- Maior envolvimento da alta direção.
- Exclusão do RD (representante da direção), as
responsabilidades das áreas aumentam, assim como seu
engajamento.
- Maior facilidade na aplicação dos requisitos às
empresas de "serviços". a nova versão não trata mais todas
as saídas como produto esta edição utiliza "produtos e
serviços";
- Maior flexibilidade nas exigências sobre
procedimentos documentados (por exemplo, a adoção de
um "manual de qualidade" não é mais obrigatória).
o que o torna flexível e amigável, as seções desta
norma não servem mais de modelo para o manual é apenas
a apresentação coerente dos requisitos que podem ser
documentados livremente.
Critérios para a normatização
As normas foram elaboradas por meio de um
consenso internacional acerca das práticas que uma
empresa deve tomar a fim de atender plenamente os
requisitos de qualidade total. A ISO 9000 não fixa metas a
serem atingidas pelas organizações a serem certificadas; as
próprias organizações são quem estabelecem essas metas.
Uma organização deve seguir alguns passos e
atender a alguns requisitos para serem certificadas. Dentre
esses podem-se citar:
Padronização de todos os
processos-chave da organização, processos que
afetam o produto e consequentemente o cliente;
Monitoramento e medição dos
processos de fabricação para assegurar a
qualidade do produto/serviço, através de
indicadores de performance e desvios;
Implementar e manter os registros
adequados e necessários para garantir a
rastreabilidade do processo;
Inspeção de qualidade e meios
apropriados de ações corretivas quando
necessário; e
Revisão sistemática dos
processos e do sistema da qualidade para garantir
sua eficácia.
Um "produto", no vocabulário da ISO, pode
significar um objeto físico, ou serviço, ou software.
A International Organization for Standardization
publicou em 2004 um artigo que dizia: "Atualmente as
organizações de serviço representam um número grande de
empresas certificadas pela ISO 9001:2000,
aproximadamente 31% do total".
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
68
Os elementos da ISO 9000
A cópia das normas é vedada. A "ISO 9001:2000
Sistema de gestão da qualidade novo — Requisitos" é um
documento de aproximadamente 30 páginas, disponível nos
órgãos representantes em cada país, descrito em itens como
abaixo:
Página 1: Prefácio'
Página 1 a 3: Introdução
Página 3: Objetivo e campo de
aplicação
Página 3: Referência normativa
Página 3: Termos e definições
Página 4 a 12: Requisitos
o Seção 4: Sistema de
Gestão da Qualidade
o Seção 5:
Responsabilidade da Direção
o Seção 6: Gestão de
Recursos
o Seção 7: Realização do
Produto
o Seção 8: Medição,
análise e melhoria
Páginas 13 a 20: Tabelas de
correspondência entre a ISO 9001 e outras normas
Páginas 21: Bibliografia
Os seis procedimentos documentados obrigatórios
da norma são:
Controle de Documentos (4.2.3)
Controle de Registros (4.2.4)
Auditorias Internas (8.2.2)
Controle de Produto/ Serviço não-
conformes (8.3)
Ação corretiva (8.5.2)
Ação preventiva (8.5.3)
Em acréscimo aos requisitos da ISO 9001:2000 é
necessário definir e implementar uma "Política da
Qualidade" e um "Manual da Qualidade" embora isso não
queira dizer que eles sejam os únicos documentos
necessários. Cada organização deve avalizar o seu
processo por inteiro e estabelecer as necessidades de
documentação de acordo com as características das suas
atividades.
Terminologia
Ação corretiva - ação para
eliminar a causa de uma não-conformidade
identificada ou de outra situação indesejável
Ação preventiva - ação para
eliminar a causa de uma potencial não-
conformidade
Cliente - organização ou pessoa
que recebe um produto
Conformidade - satisfação com
um requisito
Eficácia - medida em que as
atividades planejadas foram realizadas e obtidos os
resultados planejados
Eficiência - relação entre os
resultados obtidos e os recursos utilizados
Fornecedor - organização ou
pessoa que fornece um produto
Política da Qualidade - conjunto
de intenções e de orientações de uma organização,
relacionadas com a qualidade, como formalmente
expressas pela gestão superior
Procedimento - modo
especificado derealizar uma atividade ou um
processo
Processo - conjunto de atividades
interrelacionadas e interatuantes que transformam
entradas em saídas
Produto - resultado de um
processo
Qualidade - medida de
atendimento a expectativas, dada por um conjunto
de características intrínsecas
Requisito - necessidade ou
expectativa expressa, geralmente implícita ou
obrigatória
Satisfação de clientes -
percepção dos clientes quanto ao grau de
atendimento aos seus requisitos
Sistema de Gestão da
Qualidade - parte do sistema de gestão da
organização orientada para atingir os resultados em
relação com os objetivos da qualidade. Fornece
diretrizes para implantar e implementar o sistema
da qualidade: fatores técnicos, administrativos e
humanos que afetem a qualidade de produtos ou
serviços; aprimoramento da qualidade; -referência
para o desenvolvimento e implementação de um
sistema da qualidade e para a determinação da
extensão em que cada elemento desse sistema
pode ser aplicado.
Certificação
A ISO não certifica organizações diretamente.
Numerosas entidades de certificação existem para auditar
organizações e, sob sucesso, emitir o Certificado de
Conformidade ISO 9001.
Resumo em linguagem informal
Os elementos descritos abaixo são alguns dos
aspectos a serem abordados pela organização no momento
da implementação da ISO 9001:2008, lembrando sempre
que alguns desses requisitos variam de acordo com o
tamanho e ramo de atividade da empresa.
Deve ser feita a análise de todo o processo e
garantir a padronização, monitoramento e documentação de
todo o processo que tem influência no produto.
Responsabilidade da direção:
requer que a política de qualidade seja definida,
documentada, comunicada, implementada e
mantida. Além disto, requer que se designe um
representante da administração para coordenar e
controlar o sistema da qualidade.
Sistema da qualidade: deve ser
documentado na forma de um manual e
implementado também.
Análise crítica de contratos: os
requisitos contratuais devem estar completos e bem
definidos. A empresa deve assegurar que tenha
todos os recursos necessários para atender às
exigências contratuais.
Controle de projeto: todas as
atividades referentes à projetos (planejamento,
métodos para revisão, mudanças, verificações, etc.)
devem ser documentadas.
Controle de documentos: requer
procedimentos para controlar a geração,
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
69
distribuição, mudança e revisão em todos os
documentos codificados na empresa.
Aquisição: deve-se garantir que
as matérias-primas atendam às exigências
especificadas. Deve haver procedimentos para a
avaliação de fornecedores.
Produtos fornecidos pelo
cliente: deve-se assegurar que estes produtos
sejam adequados ao uso.
Identificação e rastreabilidade
do produto: requer a identificação do produto por
item, série ou lote durante todos os estágios da
produção, entrega e instalação.
Controle de processos: requer
que todas as fases de processamento de um
produto sejam controladas (por procedimentos,
normas, etc.) e documentadas.
Inspeção e ensaios: requer que
a matéria-prima seja inspecionada (por
procedimentos documentados) antes de sua
utilização.
Equipamentos de inspeção,
medição e ensaios: requer procedimentos para a
calibração/aferição, o controle e a manutenção
destes equipamentos.
Situação da inspeção e
ensaios: deve haver, no produto, algum indicador
que demonstre por quais inspeções e ensaios ele
passou e se foi aprovado ou não.
Controle de produto não-
conformes: requer procedimentos para assegurar
que o produto não conforme aos requisitos
especificados é impedido de ser utilizado
inadvertidamente.
Ação corretiva: exige a
investigação e análise das causas de produtos não-
conformes e adoção de medidas para prevenir a
reincidência destas não-conformidades.
Manuseio, armazenamento,
embalagem e expedição: requer a existência de
procedimentos para o manuseio, o
armazenamento, a embalagem e a expedição dos
produtos.
Registros da qualidade: devem
ser mantidos registros da qualidade ao longo de
todo o processo de produção. Estes devem ser
devidamente arquivados e protegidos contra danos
e extravios.
Auditorias internas da
qualidade: deve-se implantar um sistema de
avaliação do programa da qualidade.
Treinamento: devem ser
estabelecidos programas de treinamento para
manter, atualizar e ampliar os conhecimentos e as
habilidades dos funcionários.
Assistência técnica: requer
procedimentos para garantir a assistência à
clientes.
Técnicas estatísticas: devem ser
utilizadas técnicas estatísticas adequadas para
verificar a aceitabilidade da capacidade do
processo e as características do produto.
No Brasil
ISO 9001.
A família de normas NBR ISO 9000:1994 (9001,
9002 e 9003) foi cancelada e substituída pela série de
normas ABNT NBR ISO 9000:2000, que é composta de três
normas:
ABNT NBR ISO 9000:2005:
Descreve os fundamentos de sistemas de gestão
da qualidade e estabelece a terminologia para
estes sistemas.
ABNT NBR ISO 9001:2015:
Especifica requisitos para um Sistema de Gestão
da Qualidade, onde uma organização precisa
demonstrar sua capacidade para fornecer produtos
que atendam aos requisitos do cliente e aos
requisitos regulamentares aplicáveis, e objetiva
aumentar a satisfação do cliente.
ABNT NBR ISO 9004:2010:
Fornece diretrizes que consideram tanto a eficácia
como a eficiência do sistema de gestão da
qualidade. O objetivo desta norma é melhorar o
desempenho da organização e a satisfação dos
clientes e das outras partes interessadas.
Não existe certificação para as normas ABNT NBR
ISO 9000:2000 e ABNT NBR ISO 9004:2010.
Em Portugal
NP EN ISO 9004:2000 (Ed. 1):
Sistemas de gestão da qualidade. Linhas de
orientação para melhoria de desempenho (ISO
9004:2000).
NP EN ISO 9000:2005 (Ed. 2):
Sistemas de gestão da qualidade. Fundamentos e
vocabulário (ISO 9000:2005) – descreve os
fundamentos dos sistemas de gestão da qualidade
que são objeto das normas da família ISO 9000 e
define termos relacionados.
NP EN ISO 9001:2008 (Ed. 3):
Sistemas de gestão da qualidade. Requisitos (ISO
9001:2008).
PBQP-H
O Programa Brasileiro de Qualidade e
Produtividade - Habitação foi criado em 1991 com a
finalidade de difundir os novos conceitos de qualidade,
gestão e organização da produção de habitações,
indispensável à modernização e competitividade das
organizações brasileiras de construção civil.
O programa foi reformulado a partir de 1996, para
ganhar mais agilidade e abrangência setorial. Desde então
vem procurando descentralizar as suas ações e ampliar o
número de parcerias, sobretudo com o setor privado. Para
fortalecer essa nova diretriz no âmbito do setor público, e
envolver também os Ministérios setoriais nessa cruzada, o
Governo brasileiro delegou a Presidência do Programa ao
Ministério das Cidades.
Gerenciamento de Processos
Ciclo PDCA
Controle de qualidade
Gestão da qualidade total
Sete ferramentas do controle de
qualidade
POLÍTICA E CIDADANIA NO ESTADO DO RS
Participação política e cidadania
Conforme o contexto histórico, social e político, a
expressão "participação política" se presta a inúmeras
interpretações. Se considerarmos apenas as sociedades
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
70
ocidentais que consolidaram regimes democráticos, por si
só, o conceito pode ser extremamente abrangente.
A participação política designa uma grande variedade de
atividades, como votar, se candidatara algum cargo eletivo,
apoiar um candidato ou agremiação política, contribuir
financeiramente para um partido político, participar de
reuniões, manifestações ou comícios públicos, proceder à
discussão de assuntos políticos etc.
Níveis de participação política
O conceito de participação política tem seu
significado fortemente vinculado à conquista dos direitos de
cidadania. Em particular, à extensão dos direitos políticos
aos cidadãos adultos. Sob essa perspectiva os estudos de
Giacomo Sani (citado em Bobbio - "Dicionário de Política")
definem três níveis básicos de participação política.
O primeiro nível de participação pode ser denominado de
presença. Trata-se da forma menos intensa de participação,
pois engloba comportamentos tipicamente passivos, como,
por exemplo, a participação em reuniões, ou meramente
receptivos, como a exposição a mensagens e propagandas
políticas.
O segundo nível de participação pode ser designado de
ativação. Está relacionada com atividades voluntárias que os
indivíduos desenvolvem dentro ou fora de uma organização
política, podendo abranger participação em campanhas
eleitorais, propaganda e militância partidária, além de
participação em manifestações públicas.
O terceiro nível de participação política será representado
pelo termo decisão. Trata-se da situação em que o indivíduo
contribui direta ou indiretamente para uma decisão política,
elegendo um representante político (delegação de poderes)
ou se candidatando a um cargo governamental (legislativo
ou executivo).
Ideal democrático
Tomando por base sociedades contemporâneas
que consolidaram regimes democráticos representativos
(países da Europa Ocidental, América do Norte e Japão), o
ideal democrático que emergiu nessas sociedades supõe
cidadãos tendentes a uma participação política cada vez
maior. Contudo, numerosas pesquisas sociológicas na área
apontam que não há correlação entre os três níveis de
participação política considerados acima. Ademais, a
participação política envolve apenas uma parcela mínima
dos cidadãos.
A forma mais comum e abrangente de participação política
está relacionada à participação eleitoral. É um engano, no
entanto, supor que haja, com o passar dos anos, um
crescimento ou elevação dos índices desse tipo de
participação.
Mesmo em países de longa tradição democrática, o ato de
abstenção (isto é, quando o cidadão deixa de votar) às
vezes atinge índices elevados (os Estados Unidos são um
bom exemplo). Em outros casos, porém, quando a
participação nos processos eleitorais chega a alcançar altos
índices de participação, isso não se traduz em aumento de
outras formas de participação política (o caso da Itália é um
bom exemplo).
Estruturas políticas
A participação política tal como foi conceituada é
estritamente dependente da existência de estruturas
políticas que sirvam para fornecer oportunidades e
incentivos aos cidadãos. Em sistemas democráticos, as
estruturas de participação política consideradas mais
importantes estão relacionadas com o sufrágio universal
(direito de voto) e os processos eleitorais competitivos em
que forças políticas organizadas, sobretudo partidos
políticos, disputam cargos eletivos.
Também é preciso salientar a importância das associações
voluntárias, provenientes de uma sociedade civil de tipo
pluralista. Essas entidades atuam como agentes de
socialização política, servindo, portanto, de elo de conexão e
recrutamento entre os cidadãos e as forças políticas
organizadas.
Regimes autoritários e participação política
A inexistência de um regime democrático e,
portanto, de estruturas de participação política não significa
a completa anulação das formas de participação. O caso do
Brasil do período da ditadura militar é, neste sentido,
bastante paradoxal.
A ditadura militar brasileira recorreu à violência repressiva,
impôs severo controle sobre a sociedade civil e aboliu todas
as formas de oposição política livre. A ausência de
democracia fez, porém, com que surgissem novos canais de
participação política. Neste aspecto, o movimento estudantil
pode ser considerado o exemplo mais notável. A juventude
universitária brasileira transformou o movimento estudantil
no principal canal de participação política.
Dessa forma, grupos, partidos e organizações políticas
clandestinas (na sua maioria adeptos das ideologias de
esquerda) atuaram no âmbito do movimento estudantil
universitário de modo a exercer um importante papel na
resistência à ditadura militar e defesa das liberdades
democráticas.
ENTENDA A CRISE FINANCEIRA DO RIO
GRANDE DO SUL
Sem dinheiro, estado atrasa salários de
servidores e pedala dívidas.
Governo gaúcho gasta mais do que arrecada há cerca
de 40 anos.
O atraso no pagamento dos funcionários públicos e
o calote na dívida com a União escancaram a atual crise
financeira do Rio Grande do Sul. E também levaram muita
gente a se perguntar como um estado rico, que tem o quarto
maior PIB do país, virou a “Grécia brasileira”?
Segundo economistas consultados pela
reportagem, a resposta é simples: nas últimas quatro
décadas, o governo gaúcho gastou mais do que arrecadou
em praticamente todos os anos. O saldo negativo foi
aumentando, os juros viraram uma bola de neve e não há
mais de onde tirar dinheiro para pagar as contas.
O déficit histórico nas contas públicas, porém, não é
o único responsável pela crise. Segundo especialistas, o
Estado só conseguirá sair dela se resolver questões como a
renegociação da dívida com a União, o elevado custo da
folha de pagamento e o rombo da Previdência.
Qual é a atual situação financeira do Rio Grande
do Sul?
A crise financeira do Rio Grande do Sul é considerada sem
precedentes pelo governo gaúcho. Sem dinheiro no caixa, o
estado já não consegue mais pagar os salários do
funcionalismo em dia e é obrigado a pedalar contas para os
meses seguintes, como a dívida com a União.
Segundo estimativa da Secretaria Estadual da Fazenda, o
Rio Grande do Sul deve fechar o ano de 2015 com um
rombo de R$ 5,4 bilhões nas contas. Ou seja, esse é o
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
71
montante que falta para cobrir a diferença entre o que o
estado gasta e o que ele arrecada.
Mensalmente, as despesas são 22,5% maiores do
que o que as receitas. Isso significa que, a cada mês, faltam
cerca de R$ 400 milhões nos cofres do governo. Sem ter
mais a quem recorrer para tapar esse buraco, o estado teve
que atrasar o pagamento do salário dos servidores em julho,
dividindo o pagamento em três parcelas. Faltaram cerca de
R$ 360 milhões para completar a folha líquida mensal de R$
950 milhões.
Além do desequilíbrio nas finanças, o estado
também está atolado em dívidas. Em junho, a dívida pública
total chegou a R$ 61 bilhões, segundo o economista Liderau
Marques Junior, da Fundação de Economia e Estatística
(FEE). O valor é mais do que o dobro da receita líquida
anual. Só a dívida com o governo federal é de mais de R$
50 bilhões e consome 13% do orçamento todos os meses. O
restante inclui precatórios (cerca de R$ 8 bilhões) e
empréstimos.
Como o Rio Grande do Sul chegou a essa situação?
A crise financeira atual começou há cerca de 40 anos,
segundo especialistas. O governo do Rio Grande do Sul
gastou mais do que arrecadou em 37 dos últimos 44 anos,
entre 1971 e 2014. O saldo negativo foi se acumulando, e o
valor da dívida também. Só entre 1970 e 1998, quando foi
renegociada, a dívida gaúcha cresceu 27 vezes.
A folha de pagamento do estado também aumentou
consideravelmente nos últimos anos. Conforme a Secretaria
da Fazenda, o valor gasto com o funcionalismo saltou de R$
8,5 bilhões em 2005 para R$ 24,7 bilhões previstos em
2015, entresalários e encargos. Hoje, o estado gasta 75,5%
da receita com a folha, incluindo servidores ativos,
aposentados e pensionistas.
O aumento do endividamento e da folha, porém,
não foi acompanhando pelo aumento das receitas. O
orçamento para 2015 previa crescimento de 16,7% de
arrecadação em relação ao ano passado, mas no primeiro
semestre do ano houve queda de 2,5%.
De acordo com economistas, o fraco desempenho
da economia no país, com previsão de queda de 1,8% no
PIB, também afetou as finanças gaúchas e tornou a crise
ainda mais grave: se as empresas vão mal, o estado recolhe
menos Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), uma de suas principais fontes de receita.
E por que o Rio Grande do Sul não faliu até
agora?
Para fechar as contas ao longo dessas quatro décadas, os
governadores gaúchos recorreram a empréstimos,
privatizações, venda de patrimônio, saques do caixa único e
saques dos depósitos judiciais, que são os pagamentos
feitos em juízo até a conclusão de uma disputa na Justiça.
Nos últimos anos, mais de R$ 8,5 bilhões foram
retirados das contas do Judiciário, atingindo o limite 85% de
uso desses recursos previsto em lei. Os cofres do estado
também secaram. Os quatro últimos governos retiraram R$
11,8 bilhões do caixa único. Em seis meses, o governo atual
já sacou mais de R$ 1 bilhão para pagar contas.
Na prática, era como se o estado viesse
financiando o saldo negativo com o limite do cheque
especial e do cartão de crédito. O problema é que essas e
outras alternativas de financiamento se esgotaram e agora o
estado não tem de onde tirar dinheiro para pagar as
despesas. O Rio Grande do Sul também não tem mais
margem de financiamento e não pode contrair empréstimos.
“Sempre teve uma saída, mas agora não tem mais.
Acabaram todos os recursos extras e o déficit aumentou”,
resume o economista Darcy Carvalho dos Santos, professor
da UFRGS aposentado e um dos principais especialistas em
finanças públicas do estado (veja a entrevista no vídeo).
Por que o estado deu “calote” na dívida com a
União?
Sem dinheiro no caixa para pagar os salários dos servidores,
o governo do Rio Grande do Sul vinha atrasando o
pagamento da parcela da dívida com o governo federal
desde abril. Com isso, o
estado conseguia mais prazo para pagar as contas do mês.
A quitação do débito, no entanto, nunca passava do 10º dia
útil do mês, a data limite prevista no contrato.
Na terça-feira (11), o governo optou por antecipar o
pagamento integral do salário do funcionalismo do mês de
julho – que havia sido parcelado em três vezes –, em vez de
pagar a dívida com o governo federal. O governo tomou a
decisão para amenizar o descontentamento dos servidores,
que ameaçavam parar os serviços públicos, mesmo
sabendo das possíveis consequências.
No mesmo dia, a Secretaria do Tesouro Nacional
bloqueou a conta do Rio Grande do Sul e sequestrou cerca
de R$ 60 milhões que estavam nela. A medida está prevista
no contrato da dívida em caso de não pagamento, assim
como a suspensão de repasses federais, entre eles o Fundo
de Participação dos Estados (FPE).
Com isso, o estado perdeu a capacidade de
administrar suas contas até que a dívida seja liquidada. O
bloqueio da conta vai vigorar até que o governo federal
obtenha cerca de R$ 265 milhões, que corresponde ao valor
da parcela da dívida em julho. Até a sexta-feira (14), R$ 231
milhões já haviam sido retomados pela União.
O que o atual governo tem feito para combater a
crise?
Até agora, o governo tem se concentrado no corte de
gastos. As medidas incluem suspensão do pagamento a
fornecedores e de nomeação de novos funcionários
públicos, redução de 20% das despesas em todas as
secretarias e o corte de 35% nos cargos em comissão
(CCs).
Na semana passada, o governo enviou um pacote
de projetos à Assembleia Legislativa, na chamada terceira
fase do ajuste fiscal, no qual propõe a criação de previdência
complementar para futuros servidores públicos, além de
extinção de três fundações estaduais, entre outras medidas.
O governo estuda ainda fazer concessões à
iniciativa privada e aumentar impostos. Nos próximos dias,
deve ser enviado à Assembleia Legislativa um projeto de lei
que prevê aumento da alíquota básica do ICMS de 17% para
18% e aumento de 25% para 30% do tributo sobre gasolina,
álcool, telecomunicações e energia elétrica.
Como a crise financeira afeta a população?
Os servidores públicos estaduais, que receberam o salário
de julho de forma parcelada, até agora foram os mais
afetados pela crise. Segundo o governo, a perspectiva para
os próximos meses não é diferente e novos atrasos na folha
de pagamento são prováveis.
Mas a crise financeira também afeta a população
em geral. Policiais civis e militares, professores e demais
funcionários públicos reagiram com paralisações e
operações-padrão ao parcelamento de salários,
prejudicando a prestação de serviços públicos. Além disso,
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕE & CONCURSOS
72
atrasos em repasses de verbas, principalmente para
hospitais, prejudicam a saúde nos municípios.
Caso seja aprovado pelos deputados estaduais, o
projeto de aumento de impostos também vai tornar produtos
e serviços mais caros e ter impacto no bolso do consumidor.
Quem hoje gasta R$ 100 com a conta de luz, com aumento
do ICMS, vai passar a gastar R$ 107,14, por exemplo.
Quais as possíveis soluções para a crise?
O governo não estabelece prazo para sair da crise, mas diz
que o processo para reequilibrar as finanças do estado
serão longo. Para os economistas, são poucas as
alternativas a curto prazo. “A solução a curto prazo, com
menos desgaste para o governo e para a sociedade, seria
um socorro do governo federal. E retomar a trajetória de
superávit primário o dinheiro que “sobra” nas contas do
governo depois de pagar as despesas, exceto juros da
dívida pública]”, diz Liderau Junior.
O professor titular da Faculdade de Ciências
Econômicas da UFRGS, Fernando Ferrari Filho, diz que o
estado precisa reduzir o custo da máquina pública e o gasto
com servidores inativos, além de tentar renegociar a dívida
com o governo federal. “Não só o Rio Grande do Sul, mas
todos os estados têm dificuldade com o fechamento de
caixa. Eles poderiam se articular para propor a renegociação
do custo da dívida. E torcer para que a economia volte a
crescer", opina.
Já Darcy Francisco dos Santos acredita que um dos
principais problemas do estado é o rombo da Previdência,
que chega a R$ 7 bilhões anuais. Hoje, para cada 100
servidores da ativa, o estado tem 120 aposentados e
pensionistas. “Nós gastamos R$ 10 bilhões com a
Previdência. Isso equivale a 30% da receita corrente líquida.
Se tivéssemos a metade do que se gasta com previdência
em investimento, o estado estaria muito bem”, conclui.
Ronda da Cidadania
A Ronda da Cidadania se caracteriza pela
prestação gratuita de serviços à comunidade carente.
Iniciativa da Corregedoria-Geral da Justiça, em parceria com
diversas instituições, está agora sob a coordenação da
Juíza-Corregedora Maria José Schmitt Sant’Anna.
Em apenas seis meses de atuação, a Ronda da
Cidadania atendeu mais de 250 mil pessoas nas 248
edições realizadas no ano passado. O Projeto foi lançado
em Santa Maria no mês de junho e esteve sob a
coordenação-geral da Juíza-Corregedora Osnilda Pisa.
Segundo a magistrada, “o Programa foi desenvolvido com o
objetivo de aproximar o Poder Judiciário do cidadão,
garantindo a inclusão social e o amparo integral da Justiça à
parcela da população carente, por intermédio de
informações e serviços gratuitos”.
Além das 27 entidades parceiras, que firmaram o
termo de adesão ao Projeto, também