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FAM - FACULDADE DE AMERICANA CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS NOÇÕES DAS ETAPAS E PROCEDIMENTOS BÁSICOS DE AUDITORIA JÉSSIKA JULIE CAMARGO AMERICANA - SP 2012 FAM - FACULDADE DE AMERICANA CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS NOÇÕES DAS ETAPAS E PROCEDIMENTOS BÁSICOS DE AUDITORIA JÉSSIKA JULIE CAMARGO Relatório Final do Estágio Supervisionado II em Ciências Contábeis apresentado como exigência parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Americana, sob a orientação do Prof. Anderson Aleandro Paviotti. AMERICANA - SP 2012 "Não são as perdas nem as quedas que nos fazem fracassar no caminho, mas sim a falta de coragem de levantar e seguir adiante." (V.M Samael Aun Weor) A realização deste trabalho só foi possível devido à colaboração de muitas pessoas. Primeiramente agradeço a Deus por estar sempre do meu lado, tanto nas horas difíceis como nos momentos de alegria. Agradeço também aos meus pais pela paciência, colaboração, dedicação e amor durante toda minha vida, mas em especial no período da realização do Trabalho de Conclusão de Curso. Uma pessoa que também teve uma importante participação na elaboração desse trabalho é a minha amiga Grazielle Oliveira. Sem sua companhia, opiniões e broncas eu não teria concluído esse trabalho. Um agradecimento especial ao Professor Anderson Aleandro Paviotti pela colaboração, paciência e por todas as críticas que me levaram a aperfeiçoar esse trabalho. SUMÁRIO Resumo ....................................................................................................................................... 8 CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO 1.1. Área de Conhecimento ............................................................................................ 9 1.2. Tema da Pesquisa .................................................................................................... 9 1.3. Caracterização da Organização e seu Ambiente ...................................................... 9 1.4. Situação Problemática ........................................................................................... 12 1.5. Objetivos ................................................................................................................ 14 1.5.1. Principal .................................................................................................. 14 1.5.2. Intermediários ......................................................................................... 14 1.6. Justificativa ............................................................................................................ 14 1.7. Estrutura do Relatório de Estágio .......................................................................... 15 CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Contabilidade Geral ............................................................................................... 16 2.1.1. Conceito .................................................................................................. 16 2.1.2. Objetivo ................................................................................................... 16 2.1.3. Usuários .................................................................................................. 17 2.1.4. Campo de Aplicação ............................................................................... 17 2.1.5. Divisões da Contabilidade ...................................................................... 18 2.1.5.1. Contabilidade de Custos ........................................................... 18 2.1.5.2. Contabilidade Tributária .......................................................... 18 2.1.5.3. Contabilidade Gerencial ........................................................... 18 2.1.5.4. Contabilidade Pública .............................................................. 19 2.1.5.5. Perícia Contábil ........................................................................ 19 2.1.5.6. Auditoria Contábil .................................................................... 20 2.2. Auditoria ................................................................................................................ 20 2.2.1. Auditoria Interna ..................................................................................... 20 2.2.1.1. Surgimento da Auditoria Interna .............................................. 21 2.2.1.2. Objetivo .................................................................................... 22 2.2.2. Auditoria Externa ou Independente ........................................................ 23 2.2.2.1. Surgimento da Auditoria Externa ............................................. 23 2.2.2.2. Objetivo .................................................................................... 24 2.2.2.3. Objeto ....................................................................................... 25 2.2.2.4. Papel da Auditoria .................................................................... 25 2.2.2.5. Carreira na Auditoria................................................................ 26 2.2.2.6. Normas e Procedimentos de Auditoria Contábil ...................... 30 2.2.2.7. Órgãos Relacionados ................................................................ 31 2.3. Etapas e Procedimentos de Auditoria .................................................................... 33 2.3.1. Planejamento do Trabalho de Auditoria ................................................. 33 2.3.2. Controle Interno ...................................................................................... 34 2.3.3. Execução da Auditoria ............................................................................ 36 2.3.4. Conclusão da Auditoria........................................................................... 51 CAPÍTULO III - METODOLOGIA 3.1. Metodologia Utilizada ........................................................................................... 54 3.2. Coleta dos Dados ................................................................................................... 54 3.3. Cronograma ........................................................................................................... 63 CAPÍTULO IV – ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO 4.1. Análise dos Dados ................................................................................................. 65 4.2. Interpretação dos Dados ........................................................................................ 73 CAPÍTULO V – CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.1. Considerações Finais ............................................................................................. 84 5.2. Conclusões Finais .................................................................................................. 85 5.3. Recomendações e Sugestões .................................................................................. 86 Referências Bibliográficas ........................................................................................................ 88 Lista de Figuras Figura 1 - Organograma Escritório de Campinas ..................................................................... 12 Figura 2 - Representação do Ambiente de Estágio................................................................... 55 Figura 3 - Referências para Cálculoda Materialidade ............................................................. 56 Figura 4 - Composição de Clientes........................................................................................... 57 Figura 5 - Controle do CIAP .................................................................................................... 58 Figura 6 - Livro Fiscal de Saída (adaptado) ............................................................................ 59 Figura 7 - Análise do Benchmark ............................................................................................. 65 Figura 8 - Benchmark ............................................................................................................... 66 Figura 9 - Critérios a considerar para determinação da porcentagem aplicada ao Benchmark ................................................................................................................................ 67 Figura 10 - Valor da Materialidade .......................................................................................... 67 Figura 11 - Justificativa para determinar a Performance Materiality (PM) e Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT) ............................................................................... 68 Figura 12 - Critérios a considerar para determinação da porcentagem aplicada a Materiality ................................................................................................................................ 69 Figura 13 - Cálculo da Performance Materiality (PM) ........................................................... 69 Figura 14 – Cálculo do Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT) ............................... 69 Figura 15 - Recálculo de Provisão de Devedores Duvidosos ................................................... 70 Figura 16 - Análise CIAP ......................................................................................................... 71 Figura 17 - Análise de Reconhecimento de Receitas ............................................................... 73 Lista de Tabelas Tabela 1 - Valores da Materialidade, Performance Materiality e Audit Misstatement Posting Threshold .................................................................................................................................. 74 Tabela 2 - Aplicação da Performance Materiality (PM) ......................................................... 74 Tabela 3 - Aplicação da Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT) ............................... 76 Lista de Gráficos Gráfico 1 – Demonstração do Aging List por Valores ............................................................. 77 Gráfico 2 – Demonstração do Aging List em Porcentagem ..................................................... 78 Gráfico 3 – PDD do Cliente x PDD calculada pela Auditoria ................................................. 78 Gráfico 4 – Comparação do Cálculo do CIAP realiza pelo Cliente x cálculo da Auditoria .... 79 Gráfico 5 – Comparação do Total Compensado pelo Cliente x Cálculo da Auditoria até Junho de 2012 ........................................................................................................................... 80 Gráfico 6 – Reconhecimento de Receitas por Dia .................................................................... 81 Gráfico 7 – Reconhecimento de Receitas por Estado............................................................... 82 Lista de Quadros Quadro 1 – Cronograma 1º Semestre de 2012 ......................................................................... 63 Quadro 2 – Cronograma 2º Semestre de 2012 ......................................................................... 64 Quadro 3 – Pontos Positivos e Negativos ................................................................................. 83 RESUMO O estágio foi realizado na área de Auditoria e desenvolvido na empresa KPMG Auditores Independentes, que tem um de seus escritórios localizado na cidade de Campinas, São Paulo, tem como ramo de atividade a Prestação de Serviços de Auditoria Contábil, Tributária e de Sistemas. O objetivo desse estágio foi criar um manual simplificado contendo as etapas e procedimentos básicos de auditoria. O intuito desse manual é auxiliar os novos profissionais de auditoria a entender e realizar os procedimentos pertinentes às áreas auditadas. Por se tratar de um assunto extenso e complexo, o presente estágio foi baseado nos procedimentos mais utilizados para cada área auditada. A auditoria contábil existe para validar as informações contábeis de forma a trazer credibilidade às demonstrações contábeis elaboradas pelas empresas. Com as mudanças na Lei Societária Brasileira, com o surgimento da Lei nº 11638/2007, as empresas tiveram que mudar a maneira de realizar a contabilidade e, consequentemente, a auditoria teve que se especializar nas normas internacionais para entender e analisar a Contabilidade e suas mudanças. A auditoria se inicia pelo Planejamento, onde são traçadas as estratégias a serem utilizadas na execução do trabalho. Posteriormente, são analisados os controle internos, que visam validar se os controles existentes na empresa são efetivos. Após essa etapa, inicia-se a execução da auditoria, onde são realizados os procedimentos, que tem por objetivo validar as informações contábeis. Ao final dos trabalhos, a auditoria propõe os ajustes e pontos de controle identificados ao longo do trabalho e emite o parecer de acordo com todos os procedimentos realizados. Palavras-chave: Contabilidade Geral, Auditoria, Auditoria Externa, Procedimentos de Auditoria. 9 CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO O presente capítulo abordará a Área de Conhecimento, Tema da Pesquisa, Caracterização da Organização e seu Ambiente, Situação Problemática, Objetivos, Justificativa e Estrutura do Relatório de Estágio. 1.1. ÁREA DE CONHECIMENTO A área de conhecimento escolhida para este trabalho foi Auditoria e Perícia Contábil. 1.2. TEMA DA PESQUISA Dentro da área de conhecimento Auditoria e Perícia Contábil, o tema da pesquisa foi Etapas e Procedimentos de Auditoria. 1.3. CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO E SEU AMBIENTE A razão social da empresa estagiada é KPMG Auditores Independentes. A KPMG foi criada em 1987, após fusão da Peat Marwick International (PMI) e da Klynveld Main Goerdeler (KMG), assim como suas firmas-membro individuais. No decorrer dos últimos três séculos, a história da organização foi marcado por seus principais membros fundadores, cujas iniciais formam o nome “KPMG”, conforme descrito abaixo: K – representa Klynveld. Piet Klynveld fundou a firma de contabilidade Klynveld Kraayenhof & Co. em Amesterdã, em 1917. P – representa Peat. William Barclay Peat fundou a firma de contabilidade William Barclay Peat & Co. em Londres, em 1870. M – representa Marwick. James Marwick fundou a firma de contabilidade Marwick, Mitchell & Co. com Roger Mitchell na Cidade de Nova York, em 1897. G – representa Goerdeler. O Dr. Reinhard Goerdeler foi, por muitos anos, Presidente do Deutsche Treuhand-Gesellschaft e, posteriormente, da KPMG. Ele foi um dos grandes incentivadores da fusão com a KMG. 10 No ano de 1911, ocorreu a fusão da William Barclay Peat & Co. e da Marwick Mitchell & Co., dando início ao que seria conhecido posteriormente como Peat Marwick International (PMI), rede mundial de empresas especializadas em contabilidade e consultoria. Em 1979, a Klynveld aliouce-se a Deutsche Treuhand-Gesellschaft e a McLintock Main Lafrentz, uma firma internacional de serviços profissionais, para formar a Klynveld Main Goerdeler (KMG). Em 1987,ocorreu uma fusão entre a PMI, a KMG e suas firmas-membro. Atualmente, todas as firmas-membro adotaram o nome KPMG, sendo utilizado exclusivamente ou o incluindo à suas razões sociais. As firmas-membro da KPMG podem ser encontradas em 150 (cento e cinquenta) países. Somando todas se verificará que elas possuem mais de 138.000 (cento e trinta e oito mil) pessoas atuando em diversas áreas. A KPMG no Brasil possui aproximadamente 3.800 (três mil e oitocentos) profissionais distribuídos por 12 (doze) estados e Distrito Federal, espalhados pelas cidades de São Paulo (sendo essa a sede), Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Joinville, Londrina, Manaus, Osasco, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, São Carlos, São José dos Campos e Uberlândia. Dentre os 3.800 (três mil e oitocentos) profissionais, o escritório de Campinas possui aproximadamente 150 (cento e cinquenta) funcionários. A KPMG Auditores Independentes possui firma-membro na cidade de Campinas, São Paulo. O escritório está localizado na Avenida Barão de Itapura, número 950 – 6º andar, Bairro Botafogo. A empresa não divulgou sua tributação, porém pelo Faturamento anual pode-se entender que é uma empresa de Lucro Real. A empresa atua prestando serviços nas áreas de Audit, Tax e Advisory, baseando-se em um conjunto consistente de habilidades e competências multidisciplinares, financeiras e contábeis, fundamentadas em um profundo conhecimento do setor. A KPMG é a rede global de firmas de serviços e assessoria profissional, cujo propósito é transformar conhecimento em valor, com isso simplificar a complexidade, apresentando soluções claras para o benefício de seus clientes, de seu pessoal e dos mercados de capitais. 11 Possuem o objetivo de fornecer aos clientes um conjunto globalmente consistente e multidisciplinar de serviços financeiros e de contabilidade, baseados no conhecimento profundo da indústria. Os principais concorrentes são: PricewaterhouseCoopers, Deloitte Touche Tohmatsu e Ernst & Young; A empresa é responsável pelos seguintes serviços: • Audit – A auditoria independente é um serviço destinado a fortalecer a confiabilidade das informações elaboradas pelos clientes para uso dos investidores, dos credores e de outros; • Tax – Assessoria para clientes em diferentes tipos de tributos que incidem sobre várias operações. • Advisory – Auxilio as empresas no gerenciamento dos seus riscos. Alguns dos clientes de Capital Aberto da KPMG Auditores Independetes são: Aliansce Shopping Centers S/A, Banco Bradesco S/A, Banco do Brasil S.A., Bandeirante Energia S/A, BV Leasing – Arrendamento Mercantil S/A, Cia Energia Minas Gerais - Cemig, Companhia de Bebidas das Américas – Ambev, CPFL Energia S.A., Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, Suzano Papel e Celulose S.A. A KPMG no Brasil faturou R$ 662 (seiscentos e sessenta e dois) milhões no ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2011, resultado 23% superior ao registrado no ano anterior. Das receitas apuradas, R$ 24,9 (vinte e quatro milhões e novecentos mil) milhões foram investidos em educação dos profissionais (treinamentos, cursos em geral e cursos superiores) para os profissionais. Fonte: http://www.kpmg.com/br/pt/estudos_analises/artigosepublicacoes/paginas/release- receitas-kpmg-crescem-23-em-2011.aspx A soma da receitas das firmas-membro da KPMG Internacional foi equivalente a US$ 22,7 bilhões no ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2011. Esse valor representa 10,1% de crescimento em relação aos resultados de 2010. Fonte: http://www.kpmg.com/br/pt/estudos_analises/artigosepublicacoes/paginas/release- receitas-kpmg-crescem-23-em-2011.aspx 12 Figura 1 – Organograma Escritório de Campinas 1.4. SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA A Contabilidade, na qualidade de ciência social aplicada, atua como metodologia especialmente feita para captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações financeiras, econômicas e patrimoniais de qualquer ente, seja uma pessoa física, jurídica, entidade sem fins lucrativos, pessoa de direito público etc. A atuação da Contabilidade é muito ampla. Dentro dessa ciência, existem diversas áreas, dentre elas a Auditoria Contábil. A palavra auditoria origina-se do latim audire (ouvir) e foi utilizada inicialmente pelos ingleses (auditing) que significava o conjunto de procedimentos técnicos para a revisão da Contabilidade. O essencial do trabalho da auditoria consiste em ouvir as informações dos fatos ocorridos na empresa. Essa etapa é primordial para que o auditor possa emitir sua opinião sobre a adequação da empresa em determinadas normas. Tendo a área Auditoria Contábil como objetivo deste trabalho, o tema é Etapas e Procedimentos de Auditoria. A primeira etapa é o Planejamento, esta etapa é realizada por um gerente ou encarregado. No Planejamento é definido o cronograma do trabalho e quais os procedimentos a serem efetuados. 13 No Controle Interno são testados os controles efetuados na empresa. Por exemplo: O processo de vendas. Nesta etapa há entrevistas com as pessoas responsáveis pelo processo e entendimento do mesmo. São efetuados testes para identificar se há riscos de falha no processo. Por meio de um relatório de recomendações, posteriormente é demonstrado ao cliente os pontos identificados como falhos em seus ciclos de operações. A realização do trabalho ocorre de formas diferentes dependendo do porte e atividade da empresa. As empresas de capital aberto exigem a realização da auditoria trimestral, chamadas de ITR. Para antecipar a etapa final da auditoria, existe o Pré-Balanço. Nesta etapa são realizados testes referentes ao primeiro dia do exercício analisado até a data pretendida. Dentro do trabalho realizado pela auditoria, existem algumas empresas que necessitam da Revisão de Especialistas de Tax e TI. A etapa final da auditoria, geralmente, é realizada com data-base de 31/12, porém a data-base pode variar de acordo com o fechamento da empresa. Após a etapa dos testes de auditoria, ocorre a revisão do IRPJ e CSLL. Esta etapa é realizada pelos especialistas de Tax. Encerrada todas as revisões realizadas pela equipe de trabalho, ocorre a revisão do controle de qualidade. Esta possui o objetivo de fornecer uma avaliação objetiva antes da emissão do relatório, levando em consideração os pontos relevantes levantados pela equipe de trabalho e as conclusões obtidas ao elaborar o relatório. A revisão de qualidade é realizada, principalmente, nas empresas de capital aberto, mas pode ocorrer em qualquer empresa que a Auditoria julgar necessária. A conclusão da auditoria consiste na emissão do relatório final de auditoria. A KPMG possui uma metodologia própria, em linha com as normas internacionais de auditoria, esta deve ser seguida na realização dos trabalhos de auditoria. Porém, para novos profissionais esta metodologia é complexa, pois existe apenas em língua inglesa e para entendê-la é necessário auxílio de profissionais mais experientes. Como complementar o manual de normas e procedimentos de auditoria existente na empresa, em vernáculo, de forma a auxiliar na integração e aprendizado dos novos profissionais? 14 1.5. OBJETIVOS O estágio possui objetivos a serem atingidos, estes estão divididos em objetivos principal e intermediários. 1.5.1. PRINCIPAL O objetivo principal do projeto foi disponibilizar para os novos profissionais da KPMG um resumo básico das etapas e procedimentos de auditoria baseado nas NBC’s (Normas Brasileiras de Contabilidade). 1.5.2. INTERMEDIÁRIOS Para que este projeto seja adotado na empresa, foram necessários os seguintes procedimentos: • Consultar e interpretara metodologia existente, por meio das fontes utilizadas para fazê-la. • Comparar com informações obtidas em referências bibliográficas relacionadas ao assunto. • Extrair os procedimentos básicos de auditoria. • Obter informações complementares sobre o assunto com profissionais mais experientes. • Mostrar para a empresa que o projeto é viável e pode ser incorporado ao treinamento. 1.6. JUSTIFICATIVA O projeto será importante para a empresa, pois os novos profissionais de auditoria iniciarão o trabalho com uma base maior nos procedimentos realizados e possuirão menos dúvidas. Esse projeto é uma oportunidade para que os profissionais estejam atualizados com a metodologia da empresa. Ao mesmo tempo a empresa ganha com os profissionais bem informados e executando o trabalho de forma mais precisa. O momento da implantação é oportuno, pois a empresa contrata muitos profissionais todos os anos, que não possuem experiência em auditoria. O projeto é viável, pois as informações estão acessíveis e disponíveis, havendo restrições na divulgação de informações não publicadas pela empresa. O projeto é importante para a autora, pois possibilitará aplicar a teoria na prática. 15 A oportunidade para a autora é o reconhecimento profissional, dedicação em adquirir novos conhecimentos na área de atuação e realizar um projeto inédito na empresa. 1.7. ESTRUTURA DO RELATÓRIO DE ESTÁGIO O capítulo I aborda a Área de Conhecimento, Tema da Pesquisa, Caracterização da Organização e seu Ambiente, Situação Problemática, Objetivos, Justificativa e Estrutura do Relatório de Estágio. O capítulo II é composto pela Revisão Bibliográfica que contém as bibliografias e suas citações sobre o tema geral e específico da pesquisa. O capítulo III aborda a metodologia utilizada no projeto, a coleta dos dados e o cronograma das atividades realizadas. O capítulo IV apresenta a Análise e Interpretação realizadas a partir dos dados coletados no capítulo anterior. E o capítulo V apresenta as Considerações, Conclusões, Recomendações e Sugestões propostas à empresa. 16 CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este capítulo contém a Revisão Bibliográfica que contém as bibliografias e suas citações sobre o tema geral e específico da pesquisa. 2.1. CONTABILIDADE GERAL O presente capítulo abordará os conceitos, objetivos e usuários da contabilidade. 2.1.1. CONCEITO IUDÍCIBUS (2009, p.29) define: “A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade com relação à entidade objeto de contabilização.”. RIBEIRO (2010, p.10) conceitua Contabilidade como: “A contabilidade é uma ciência que possibilita, por meio de suas técnicas, o controle permanente do Patrimônio das empresas.”. No entendimento de NEVES (2006, p.1): “A Contabilidade é uma ciência que desenvolveu uma metodologia própria com a finalidade de: a) controlar o patrimônio das aziendas; b) apurar o redito (resultado) das atividades das aziendas; c) prestarem informações às pessoas que tenham interesse na avaliação da situação patrimonial e do desempenho dessas entidades.”. A Contabilidade é uma ciência que se destina a gerar informações para seus usuários por meio do registro de fatos que afetam a situação patrimonial, econômica e financeira da pessoa, seja ela física ou jurídica. 2.1.2. OBJETIVO Para PADOVEZE (2010, p.3): “O objetivo da Contabilidade é o controle de um Patrimônio.”. De acordo com MARION (2009, p.28): “O objetivo principal da contabilidade, portanto, conforme a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade, é o de permitir a cada grupo principal de usuários a avaliação da situação econômica e financeira da entidade, num sentido estático, bem como fazer interferências sobre suas tendências futuras.”. O objetivo da Contabilidade é o de fornecer informações aos usuários interessados utilizando- se da apresentação de sua situação patrimonial e financeira em uma determinada data. 17 2.1.3. USUÁRIOS Conforme IUDÍCIBUS (2009, p.29): “Conceitua-se como usuário toda a pessoa física ou jurídica que tenha interesse na avaliação da situação e do progresso de determinada entidade, seja tal entidade empresa, ente de finalidades não lucrativas, ou mesmo patrimônio familiar.”. Em seu trabalho RIBEIRO (2010, p.12) define usuários da Contabilidade como: “Os usuários da Contabilidade, portanto, são todas as entidades econômico- administrativas que utilizam para registrar e controlar a movimentação de seus patrimônios, incluindo proprietários, acionistas, gerentes, administradores, Clientes, Fornecedores, bancos, Governo etc.”. NEVES (2006, p.3) explica: “Os usuários da Contabilidade são as pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse na avaliação da situação patrimonial da entidade. São, por exemplo, os acionistas de uma empresa que querem saber se ela está dando lucro ou prejuízo. São as instituições financeiras que desejam avaliar o patrimônio para saber se lhe concedem ou não um empréstimo. São os administradores da entidade, que desejam saber como se comporta o desenvolvimento das atividades da empresa e qual o resultado que está dividido das mesmas. É o fisco, que também se interessa pelo resultado da pessoa jurídica, para lançar os tributos sobre ele incidentes.”. São usuários da Contabilidade todas as pessoas físicas e jurídicas que possuem qualquer tipo de interesse para com a entidade. Alguns dos usuários mais comuns são: Acionistas, Instituições Financeiras, Fornecedores, Governo, Administradores etc. 2.1.4. CAMPO DE APLICAÇÃO Segundo RIBEIRO (2010, p.11): “O campo de aplicação da Contabilidade abrange todas as entidades econômico-administrativas, até mesmo as pessoas de direito público, como a União, os Estados, os Municípios, as Autarquias etc.”. No entendimento de IUDÍCIBUS (2010, p.1): “A Contabilidade, na qualidade de ciência social aplicada, com metodologia especialmente concebida para captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as atuações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer ente, seja este pessoa física, entidades de finalidade não lucrativas, empresa, seja mesmo pessoa de Direito Público, tais como Estado, Município, União, Autarquia etc., tem um campo de atuação muito amplo.”. A Contabilidade é aplicada a todas as entidades de direito público ou privado, com ou sem fins lucrativos, por esse motivo seu campo de aplicação é bastante amplo. 18 2.1.5. DIVISÕES DA CONTABILIDADE Além da Contabilidade Geral, a Ciência Contábil possui muitas divisões, algumas das mais conhecidas são: Contabilidade de Custos, Contabilidade Tributária, Contabilidade Pública, Perícia Contábil e Auditoria Contábil. 2.1.5.1. CONTABILIDADE DE CUSTOS De acordo RIBEIRO (2009, p.12): “A Contabilidade de Custos ou Contabilidade Industrial é um ramo da Contabilidade Geral ou Financeira que se aplica às empresas industriais.”. Na visão de HORNGREN (2004, p.2): “A Contabilidade de custos fornece informações tanto para a contabilidade gerencial quanto para a financeira. Mede e relata informações financeiras e não-financeiras relacionadas ao custo de aquisição ou à utilização de recursos em uma organização; inclui aquelas partes, tanto da contabilidade gerencial quanto da financeira, em que as informações de custos são coletadas e analisadas.”. A Contabilidade de Custos é destinada a gerar informações sobre os custos dos itens produzidos pelas indústrias. 2.1.5.2. CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA No conceito de FABRETTI (2005, p.29) Contabilidade Tributária é definida como: ...“ramo da contabilidadeque tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas de contabilidade e da legislação tributária, de forma simultânea e adequada.”. Na visão de PÊGAS (2011, p.18): ...“representa o ramo da Contabilidade cujo objetivo é aplicar e adaptar conceitos e princípios contábeis com a legislação tributária, de forma adaptada, simultânea e, principalmente integrada.”. A Contabilidade Tributária tem como objetivo aplicar na prática e de forma integrada os princípios contábeis com as legislações tributárias vigentes. 2.1.5.3. CONTABILIDADE GERENCIAL Para HORNGREN (2004, p.2): “A Contabilidade gerencial mede e relata informações financeiras e não-financeiras que ajudam os administradores a tomar decisões para alcançar os objetivos de uma organização. Os administradores usam essas informações para escolher, comunicar e implementar a estratégia. Utilizam-nas, também, para coordenar o projeto do 19 produto, a produção e as decisões de comercialização. Isso significa que a contabilidade gerencial se baseia em demonstrativos internos.”. LUNKES (2007, p.7) define Contabilidade Gerencial como: ...“processo de identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação, e comunicação de informações financeiras e não financeiras usadas pela gestão para planejar, avaliar e controlar a empresa e assegurar uso apropriado e responsável de seus recursos.”. A Contabilidade Gerencial é utilizada pelas empresas no processo de tomada de decisões. O objetivo é acumular, interpretar e comunicar as informações obtidas. Estas, por sua vez, são utilizadas para garantir que os recursos utilizados estão sendo aproveitados de maneira apropriada. 2.1.5.4. CONTABILIDADE PÚBLICA Em sua obra, ARAÚJO (2009, p.18) afirma: “A Contabilidade Pública é o ramo da Ciência Contábil voltado para o registro, o controle e a demonstração dos fatos mensuráveis em moeda que afetam o patrimônio da União, dos Estados e dos Municípios e suas respectivas autarquias e fundações, ou seja, as entidades de direito público interno.”. ANGÉLICO (1994, p.13) explica: “A Contabilidade Pública constitui o mais complexo ramo da Ciência Contábil. Pelo fato de o seu campo de aplicação restringir-se apenas aos órgãos governamentais, poucos são os profissionais que tem acesso aos seus problemas”... ...“Para compreender essa dificuldade, é indispensável saber que nos três níveis de governo – União, Estados, Municípios e Autarquias correspondentes – a Contabilidade Pública dividi-se, em um primeiro plano, em dois graus: Contabilidade Analítica e Contabilidade Sintética. Em um segundo plano, divide-se em especializações: Contabilidade Orçamentária, Financeira, Patrimonial, de Compensação e Industrial.”. A Contabilidade Pública é destinada a registrar os fatos ocorridos nas entidades de direito público, ou seja, entidades pertencentes ao poder público (União, Estados e Municípios). 2.1.5.5. PERÍCIA CONTÁBIL Segundo SÁ (2011, p.3): “Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando oferecer opinião, mediante questão proposta. Para tal opinião realizam-se exames, vistorias, indagações, investigações, avaliações, arbitramentos, em suma todo e qualquer procedimento necessário à opinião.”. De acordo com a Resolução CFC n°.1243/09: “A Perícia Contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar à 20 justa solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente.”. Perícia Contábil é um conjunto de procedimentos técnicos que se destinam a verificar fatos patrimoniais referentes a discussões judiciais com o objetivo de emitir uma opinião por meio de laudo pericial sobre a solução adequada para o processo. 2.1.5.6. AUDITORIA CONTÁBIL CREPALDI (2011, p.3) define Auditoria Contábil como: ...“levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade.”. No entendimento de ATTIE (2009, p.5): “A Auditoria é uma especialização contábil voltada a testar a eficiência e eficácia do controle patrimonial implantado com o objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado.”. A Auditoria Contábil possui como finalidade o estudo e avaliação das transações realizadas nas empresas. Para realizar a avaliação, a Auditoria efetua testes com o intuito de verificar a eficácia e eficiência dos controles implantados nas empresas. 2.2. AUDITORIA Este capítulo abordará o conceito e objetivo das auditorias interna e externa. 2.2.1. AUDITORIA INTERNA A Resolução CFC n°. 986/03 define Auditoria Interna como: “A Auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.”. Para CREPALDI (2011, p.31): “A Auditoria Interna é uma atividade de avaliação independente dentro da empresa, que se destina a revisar as operações, como um serviço prestado à administração. Constitui um controle gerencial que funciona por meio da análise e avaliação de eficiência de outros controles. É executada por um profissional ligado à empresa, ou por uma seção própria para tal fim, sempre em linha de dependência da direção empresarial. O auditor interno é pessoa de confiança dos dirigentes; está vinculado à 21 empresa por um contrato trabalhista continuado e sua intervenção é permanente. Sua área de atuação envolve todas as atividades da empresa; predominam a verificação constante dos controles internos, a manipulação de valores e a execução de rotinas administrativas.”. CASTRO (2010, p.384) explica Auditoria Interna como: “Em resumo, a Auditoria Interna tem por função básica avaliar a adequação e eficácia do Controle Interno e a qualidade do desempenho do órgão em que atua. Funciona como um controle gerencial para a alta administração, medindo e avaliando os demais controles.”. ATTIE (2009, p.246) conceitua o assunto abordado como: ...“Pode-se definir auditoria interna como uma atividade de avaliação independente, dentro da organização, para a revisão da contabilidade, finanças e outras operações como base para servir à Administração. É um controle administrativo que mede e avalia a eficiência de outros controles.”. A Auditoria Interna é um departamento da empresa. Este realiza a verificação dos controles internos e gerenciamento dos riscos existentes para que a entidade atinja seus objetivos com mais eficiência. 2.2.1.1. SURGIMENTO DA AUDITORIA INTERNA Em seu livro, ALMEIDA (2010, p.5) explica o Surgimento da Auditoria Interna. Com a expansão dos negócios, a Administração das empresas sentiu a necessidade de dar maior ênfase aos procedimentos realizados internamente. A Auditoria Externa emitia sua opinião e também elaborava sugestões para solucionar problemas da empresa identificados durante a realização do trabalho. No entanto, o período de tempo que o auditor externo passava dentro da empresa era muito curto e que seu trabalho estava voltado para análise das demonstrações contábeis. Para atender as necessidades da Administração seria necessária uma auditoria periódica e mais aprofundada nas diversas áreas da empresa e não apenas na contabilidade. (ALMEIDA, 2010, p.5). Com essa necessidade surgiu a auditoria interna,como uma ramificação da auditoria externa. O profissional que executa essa função é funcionário da empresa, porém não deve ser subordinado a profissional cuja área de responsabilidade é examina pela auditoria interna e não deve desenvolver trabalhos que um dia possa vir a examinar. (ALMEIDA, 2010, p.5). No entendimento do presente autor, o Surgimento da Auditoria Interna deu-se (CASTRO, 2010, p.381): 22 No período do Brasil Colônia o juiz colonial era tido como olho do rei. Estes eram enviados pela Coroa Portuguesa para verificar se o recolhimento dos impostos estava sendo feito corretamente. O grande salto da auditoria deu-se após a crise econômica americana de 1929. No início dos anos 30 criou-se o Comitê May que era um grupo de trabalho instituído com a finalidade de estabelecer regras para as empresas que tivessem suas ações cotadas em bolsa, tornando obrigatória a Auditoria Contábil Independente em suas demonstrações financeiras. (CASTRO, 2010, p.382). Os auditores independentes necessitavam ter acesso às informações e documentos para obter o conhecimento mais profundo da empresa. Para essa tarefa foram designados empregados das próprias empresas. Esses profissionais foram, com o tempo, aprendendo as técnicas da auditoria e utilizando-as nos trabalhos solicitados pela própria administração da empresa. (CASTRO, 2010, p.382). Foi criado, nas grandes empresas de transportes ferroviários, um grupo de fiscais chamados “travelling auditors” (auditores viajantes), cuja função era visitar as estações ferroviárias e assegurar que todo produto da venda de passagens e fretes de carga estavam adequadamente arrecadados e contabilizados. Este trabalho é típico dos auditores internos. (CASTRO, 2010, p.382). As empresas logo perceberam que poderiam reduzir gastos com auditoria externa, criando um serviço contínuo de conferência e revisão interna. A melhoria dos controles internos reduziu os riscos do trabalho dos auditores externos, que se beneficiaram com o fato de poderem se dedicar exclusivamente aos exames da situação econômico-financeira das empresas. (CASTRO, 2010, p.382). A Auditoria Interna surgiu da necessidade das empresas de manter funcionários atuando para melhorar os controles realizados na empresa, consequentemente, colaborando com a auditoria externa e reduzindo gastos. 2.2.1.2. OBJETIVO CREPALDI (2011, p.31) descreve o tópico abordado como: “O objetivo da auditoria interna é auxiliar todos os membros da administração no desempenho efetivo de suas funções e responsabilidades, fornecendo-lhes análises, apreciações recomendações e comentários pertinentes às atividades examinadas.”. 23 De acordo com a Resolução CFC n°. 986/03: “A atividade de Auditoria Interna está estruturada em procedimentos, com enfoque técnico, objetivo sistemático e disciplinado, e tem por finalidade agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios.”. O objetivo desse departamento é avaliar os processos e controles internos existentes na empresa, agregando valores a organização por meio de recomendações para solucionar falhas encontradas. 2.2.2. AUDITORIA EXTERNA OU INDEPENDENTE Conforme ATTIE (2009, p.5): “A Auditoria é uma especialização contábil voltada a testar a eficiência e eficácia do controle patrimonial implantado com o objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado.”. Para CREPALDI (2011, p.38) Auditoria Externa: “Constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do parecer sobre a adequação com que estes representam a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do Patrimônio Líquido a Demonstração dos Fluxos de Caixa e a Demonstração do Valor Adicionado da entidade auditada consoante as normas brasileiras de contabilidade.”. A Auditoria Externa é voltada para a área contábil e nesta são executados procedimentos de auditoria para comprovar a veracidade das demonstrações apresentados pela empresa auditada. Ao final das análises, o auditor expressa sua opinião por meio do parecer sobre a posição financeira e patrimonial da empresa em um determinado período. 2.2.2.1. SURGIMENTO DA AUDITORIA EXTERNA Em sua obra, ALMEIDA (2010, p.1) explica o surgimento da Auditoria Externa como tendo ocorrido da seguinte maneira: Inicialmente as empresas eram familiares. Com a expansão do mercado e o aumento da concorrência, houve a necessidade de expandir as instalações, investir no desenvolvimento tecnológico e aprimorar os controles e procedimentos internos. Para isso seria necessário um grande volume de recursos impossível de ser obtido por meio de lucros da empresa ou pelo patrimônio dos proprietários. Diante disso, houve a necessidade de captação de recursos de terceiros, mediante empréstimos bancários em longo prazo e abertura de capital social para novos acionistas. 24 Os novos investidores precisavam conhecer a situação financeira e patrimonial da empresa, além disso, era importante saber a capacidade de geração de lucros e como estavam sendo efetuada a administração financeira dos recursos na empresa. (ALMEIDA, 2010, p.1). A melhor maneira de obter essas informações é por meio das Demonstrações Contábeis. Com a importância dessas informações, houve a necessidade de tomar medidas de segurança contra manipulação das informações. Para atestar a integridade dessas informações, contratam-se profissionais com capacidade técnica, que examina as demonstrações contábeis da empresa e emite sua opinião sobre estas, estes profissionais são denominados auditores independentes. (ALMEIDA, 2010, p.2). Segundo ATTIE (2009, p.7): “O surgimento da auditoria está ancorado na necessidade de confirmação por parte dos investidores e proprietários quanto à realidade econômico-financeira espelhada no patrimônio das empresas investidas e, principalmente, em virtude do aparecimento de grandes empresas multigeograficamente distribuídas e simultâneo ao desenvolvimento econômico que propiciou participação acionária na formação do capital de muitas empresas.”. O surgimento da Auditoria Externa deu-se pela necessidade, por parte dos investidores, de obter uma opinião de profissionais capacitados e sem ligação alguma com a empresa sobre a situação patrimonial e informações geradas pela contabilidade. 2.2.2.2. OBJETIVO ALMEIDA (2010, p.24) explica: “O objetivo do auditor externo é emitir sua opinião sobre as demonstrações financeiras examinadas, cujas peças básicas são as seguintes: - balanço patrimonial; - demonstração do resultado do exercício; - demonstração de lucros e prejuízos acumulados ou demonstrados das mutações do patrimônio líquido; - demonstração do fluxo de caixa; - demonstrações do valor adicionado; - notas explicativas.”. No entendimento de CREPALDI (2011, p.4): ...”o objetivo principal da auditoria pode ser descrito, em linhas gerais, como o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das demonstrações financeiras preparadas pela companhia auditada. Em seu exame, o auditor, por um lado, utiliza os critérios e procedimentos que lhe traduzem provas que assegurem a efetividade dos valores apostos nas demonstrações financeiras e, por outro lado, cerca-se dos procedimentos que lhe permitem assegurar a inexistência de valores ou fator não constantes das demonstrações financeiras que sejam necessários para seu bom entendimento.”. 25 De acordo com ATTIE (2009, p.11): “O objetivo do exame normal de auditoria das demonstrações contábeis é expressar uma opinião sobre a propriedade das mesmas, e assegurar que elas representam adequadamente a posição patrimoniale financeira, o resultado de suas operações, as mutações do seu patrimônio líquido e as origens e aplicações de recursos correspondentes aos períodos em exame, de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade.”. O objetivo da auditoria é examinar e encontrar possíveis erros nas contas contábeis e demonstrações financeiras. Os erros encontrados devem ser avaliados de acordo com sua relevância e impacto nas demonstrações financeiras. No momento que o auditor emite sua opinião sobre as análises efetuadas, os erros e fraudes encontrados devem estar descritos. 2.2.2.3. OBJETO PEREZ JUNIOR (2010, p.3) descreve: ...“o objeto da auditoria é a descoberta de erros e fraudes, para proteção da empresa contra eles e contra multas fiscais, como também a produção de informes a respeito da confiabilidade das demonstrações contábeis.”. Para CREPALDI (2011, p.4): “O objeto da auditoria é o conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio administrativo, os quais compreendem registros contábeis, papéis, documentos, fichas, arquivos e anotações que comprovem a legitimidade dos atos da administração, bem como sua sinceridade na defesa dos interesses patrimoniais. A auditoria pode ter por objeto, inclusive, fatos não registrados documentalmente, mas relatadas por aqueles que exercem atividades relacionadas com o patrimônio administrativo, cujas informações mereçam confiança desde que possam ser admitidas como seguras pela evidência ou por indícios convincentes.”. O objeto da Auditoria é a descoberta de fraudes e erros por meio das análises efetuadas nos fatos registrados documentalmente ou apenas relatados pela empresa. 2.2.2.4. PAPEL DA AUDITORIA Em seu livro, CREPALDI (2011, p.7) explica a importância da auditoria nas empresas. A auditoria se tornou importante tanto para as empresas quanto para seus investidores, por meio das análises realizadas nas demonstrações financeiras acompanhadas do parecer do auditor independente. Com essas informações os novos investidores podem aplicar seu capital em ações com mais segurança. Este trabalho é realizado com total independência e a responsabilidade atinge a possibilidade do auditor responder com seus bens pessoais, caso seja provado que o mesmo causou prejuízo 26 a terceiros por ter certificado números que não expressam a realidade da empresa auditada. (CREPALDI, 2011, p.8). Para ATTIE (2009, p.15): “O auditor tem a incumbência de verificar se as informações e análises apresentadas nestas demonstrações, inclusive aquelas constantes do Relatório da Administração, refletem com clareza a situação patrimonial e financeira, e comunicar quaisquer circunstâncias em desacordo com as disposições legais e regulamentares e atos que tenham ou possam ter impactos nas operações da empresa auditada. É seu dever também, mesmo que considerado de forma indireta, emitir um relatório circunstanciado que contenha observações a respeito das possíveis deficiências ou ineficácias de controles internos observadas pelo auditor no transcurso de seu trabalho.”. A auditoria tem um importante papel na sociedade atual, pois é com base em sua opinião que as empresas adquirem maior credibilidade perante o mercado. Para emitir essa opinião, é necessário analisar as demonstrações financeiras e verificar se estas refletem a real situação patrimonial e financeira da empresa. 2.2.2.5. CARREIRA NA AUDITORIA As empresas de auditoria possuem a estruturas organizacionais parecidas. As principais categorias que representam a carreira na auditoria são: trainee, assistente, auditor sênior, supervisor, gerente e sócio. A) TRAINEE PEREZ JUNIOR (2010, p.20) explica o profissional trainee como: “Assistente trainee é o estudante universitário que se enquadra no perfil exigido pelas firmas de auditoria, recrutado nas principais universidades do país. Geralmente o perfil do trainee é definido como segue: Estudante do ultimo ou penúltimo ano dos cursos de Ciências Contábeis, Administrativas ou Econômicas. Como a prática da auditoria é prerrogativa dos contadores, os estudantes de Administração ou de Economia deverão obter o grau de contador após a conclusão de seus atuais cursos. Idade máxima de 23 anos, pois, a partir dessa idade, geralmente já estão empregados, percebendo salários superiores ao oferecido ao trainee e também porque pessoas com mais idade teriam maior dificuldade para serem trabalhadas de acordo com os requisitos da profissão e da firma de auditoria. Ser solteiro (a), pois, geralmente, os casados já têm responsabilidades financeiras que não serão compatíveis com o salário oferecido ao trainee e não poderão dedicar- se totalmente à profissão. O domínio da língua inglesa não é exigido, mas favorece quem o possui. Após uma série de entrevistas e testes, é selecionado um grupo de trainees, como características mais ou menos semelhantes, para serem iniciados na carreira de auditor. 27 Inicialmente, o grupo passará por um programa de treinamento intensivo, com duração de um a seis meses, e nesse treinamento receberá orientação sobre: a firma e a atividade de auditoria, a carreira profissional, o comportamento pessoal exigido do auditor, matérias técnicas relacionadas com a profissão. Ao término desse período de treinamento, o trainee passará a integrar equipes de auditoria e a executar trabalhos que serão orientados e supervisionados pelo chefe da equipe. Cada visita ao cliente de auditoria estende-se, em média, por duas semanas, ao término das quais o trainee será formalmente avaliado pelo chefe da equipe.”... ...“Ao término de um prazo preestabelecido, geralmente um ano, as avaliações de cada trabalho serão compiladas e analisadas para determinar se o trainee pode ser promovido à categoria profissional superior.”. Para ATTIE (2007, p.20): “Atividade destinada a iniciantes da área de auditoria e que serve de suporte a tarefas que não necessitam de técnicas ou julgamentos em grande escala.”. Os trainees permanecem neste cargo em média um ano. Após esse período a empresa de auditoria realiza as reuniões de avaliação e decide-se se o profissional tem capacidade suficiente para ser promovido ao cargo acima. Durante este período, o profissional realiza testes de auditoria em áreas menos complexas, que não necessitam de muito julgamento profissional. B) ASSISTENTE CREPALDI (2011, p.76) entende o Assistente como: “Durante um ou dois anos iniciais, na auditoria, o assistente tem de seguir cuidadosamente as instruções de seu superior imediato, que lhe examina o trabalho, fazendo críticas construtivas. Entre as tarefas confiadas ao assistente de auditoria, temos a análise de várias contas, a verificação da documentação suporte, as contagens de caixa e de itens de estoque, a verificação de preços, de prazos e a confirmação de contas a receber. Logo, porém, essas tarefas cedem lugar a outras, de maior responsabilidade, cuja boa execução, aliada a certas características pessoais do profissional, constitui requisitos para se progredir na carreira.”. Na visão do presente autor (PEREZ JUNIOR, 2010, p.21): O cargo de assistente possui três categorias: Assistente C (trainee), Assistente B e Assistente A. O período de assistente é em torno de quatro anos. Conforme são promovidos, os assistentes recebem novos treinamentos e passam a executar áreas mais complexas. Os assistentes possuem treinamento técnico de acordo com o cargo que estão. Estes têm a responsabilidade de auxiliar os trainees e o sênior da equipe. Além disso, realizar testes de auditoria em áreas um pouco mais complexas. 28 C) AUDITOR SÊNIOR Conforme o autor (PEREZ JUNIOR, 2010, p.22): O cargo de sênior possui três categorias: Sênior C (ou semissênior), Sênior B e Sênior A. O período de sênior é em torno de quatroanos. O sênior é responsável pela distribuição, orientação e supervisão do trabalho dos assistentes, reportando-se ao gerente do trabalho. Ao final de cada trabalho, o sênior é avaliado formalmente pelo gerente. No entendimento do autor (CREPALDI, 2011, p.77): Ao receber o título de auditor, o profissional já possui experiência e capacidade para supervisionar o trabalho da equipe. É nesse estágio que o sênior recebe a incumbência por trabalhos maiores, tendo vários assistentes em suas equipes e responsável por designar a eles as tarefas a que devem ser executadas, revisar os trabalhos realizados, elaborar e modificar programas de auditoria, manter contato com o cliente. Nesse estágio da carreira, o profissional possui treinamento e capacidade para determinar quando já reuniu evidências suficientes e necessárias para escrever o rascunho do relatório de auditoria. O profissional com o cargo de Sênior tem como responsabilidade ser o encarregado do trabalho que está desenvolvendo. Este também distribui, supervisiona e orienta a equipe no decorrer do trabalho. O sênior reporta ao gerente os pontos importantes encontrados no decorrer do trabalho realizado. D) SUPERVISOR PEREZ JUNIOR (2010, p.23) explica o Supervisor: “Após o período de quatro anos como sênior, o profissional será promovido à categoria de supervisor, na qual ficará, em média, dois anos, e será treinado para ser gerente. Como supervisor, receberá treinamento específico do cargo e passará a atuar como sênior em grandes clientes, reportando-se ao gerente e como gerente em pequenos clientes, reportando-se ao sócio encarregado.”. De acordo com ATTIE (2007, p.20): “Função determinada a promover o acompanhamento das atividades exercidas pelos auditores de campo. Revisam os papéis de trabalho, assegurando a completa execução segundo o programa proposto e os objetivos traçados.”. O supervisor desenvolve a mesma função do sênior, porém em clientes maiores e passa a ser preparado para se tornar gerente. 29 E) GERENTE Segundo CREPALDI (2011, p.78): “O gerente, em geral, é quem se reúne com o pessoal do cliente, para planejar o exame e, também, é quem emite e discute com eles o relatório final. Revisa os papéis de trabalho e o relatório final, para verificar não somente se o exame foi feito a contento, como também se o relatório foi redigido de acordo com as normas vigentes.”. Em seu trabalho, PEREZ JUNIOR (2010, p.23) explica o Gerente como: “Após, em média, dois anos como supervisor, será promovido a gerente, receberá treinamento adequado e passará a gerenciar o trabalho de auditoria de diversos clientes e a supervisionar diversas equipes de auditoria. O gerente é responsável por: elaborar o planejamento do trabalho, programar a equipe, supervisionar a equipe, discutir assuntos com a gerência e direção da empresa auditada, revisar os papéis de trabalho, elaborar o esboço do relatório.”. No momento em que o profissional se torna gerente, ele possui uma carteira de clientes e uma equipe a coordenar. Algumas das responsabilidades do gerente são: planejar o trabalho, manter contato com a diretoria e gerência do cliente, supervisionar as equipes, revisar o trabalho realizado e elaborar o parecer da auditoria. F) SÓCIO De acordo com CREPALDI (2011, p.78): “Os auditores que assumem responsabilidade total pelo exercício da auditoria independente são os sócios. Eles dedicam boa parte de seu tempo às relações públicas e aos contatos profissionais, pois é mediante esses contratos que se obtêm novos limites. Nas grandes firmas de auditoria independente, alguns sócios pouco ou nenhum contato mantêm com os aspectos de auditoria. Cabe-lhes examinar as versões finais dos relatórios, juntamente com os gerentes, para determinar se cada exame foi feito segundo as diretrizes da firma e se o trabalho atende às exigências do padrão profissional. Antes de assinar o relatório do auditor, emitindo parecer profissional sobre a fidedignidade das demonstrações financeiras, o sócio revisa os papéis de trabalho, discute os procedimentos e descobertas feitas pelos auditores, assim como investiga tudo o que acha necessário, a fim de garantir que o exame seja satisfatório, sob todos os aspectos, que seja boa a redação do relatório e que as demonstrações financeiras de fato retratem com fidedignidade a situação financeira da empresa. O sócio de uma grande firma de auditoria só tem a ganhar, financeiramente e em termos de prestígio profissional, se as operações dessa firma forem bem-sucedidas.”. Conforme PEREZ JUNIOR (2010, p.23): “Após, em média, cinco anos como gerente, poderá ser convidado pelos sócios atuais a fazer parte da sociedade da firma. Para tanto, será necessária a aprovação de todos os sócios que avaliarão, principalmente, as seguintes características: capacidade técnica, relacionamento com clientes, relacionamento com sócios, relacionamento com o quadro de auditores, habilidade de negociação, disposição para participar da administração da firma, disposição para atuar em outros escritórios da firma, em outras cidades ou Estados.”... 30 ...“Os gerentes convidados a fazer parte da sociedade recebem uma pequena quantidade de quotas que poderá ser aumentada à medida que progredirem na carreira de sócio, pois nessa categoria também há uma hierarquia e os recém- admitidos na sociedade são considerados “trainee de sócio”. Como sócio, passará a ser responsável por: contratos com clientes para discutir e negociar contratos e honorários; revisão e aprovação do planejamento dos trabalhos de auditoria dos clientes sob sua responsabilidade, elaborados pelos gerentes; discussão com o gerente e com a alta administração do cliente sobre os principais pontos observados pela equipe no decurso do trabalho; revisão e aprovação dos papéis de trabalho; elaboração do relatório final; assinatura do relatório final. O sócio é responsável perante os demais sócios por todo o trabalho executado no cliente e pela emissão do relatório. Perante os órgãos técnicos e a coletividade, a responsabilidade sobre o relatório emitido é da firma de auditoria e não do sócio que assinou o relatório. Ao se retirar da sociedade por aposentadoria ou outro motivo qualquer, o sócio é obrigado a vender sua participação aos sócios remanescentes. Conforme pode ser observado, o prazo médio entre o cargo de assistente trainee e a admissão à sociedade é de 15 anos de trabalho e treinamento constante. Assim, cada membro da equipe responsável pela execução do trabalho adquiriu a competência relativa ao cargo que ocupa e foi devidamente treinado para tal.”. Após aproximadamente quinze anos de carreira, o profissional pode ser convidado, pelos outros sócios, a ser sócio do escritório. Para que ocorra essa proposta, o profissional deve possuir bom relacionamento com os clientes, capacidade técnica, disponibilidade para mudar de escritório, habilidade de negociação, entre outras características. Algumas das responsabilidades do sócio são: revisão e aprovação do trabalho realizado, reuniões com os clientes para discutir pontos levantados pela equipe durante a realização do trabalho e elaboração e assinatura do parecer de auditoria. 2.2.2.6. NORMAS E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA CONTÁBIL Neste capítulo serão abordadas as normas, etapas e procedimentos de auditoria. A) NORMAS No entendimento de CREPALDI (2011, p.236) normas de auditoria são: “As normas de auditoria são os procedimentos a serem observados no desempenho do trabalho de auditoria. Elas diferem dos procedimentos de auditoria naquilo em que os procedimentos se relacionam com atos a serem praticados, enquanto as normas tratam das medidas de qualidade na execução desses atos e dos objetivos a serem alcançados com o uso dos procedimentos adotados. Assim, diferenciados dos procedimentosde auditoria, dizem respeito não apenas às qualidades profissionais do auditor, mas também a sua avaliação pessoal do exame efetuado e do parecer emitido.”. 31 Segundo ALMEIDA (2010, p.16): “As normas de auditoria representam as condições necessárias a serem observadas pelos auditores externos no desenvolvimento do serviço de auditoria”... Normas de auditoria são as condições que garantem a qualidade e a certificação de que os objetivos de auditoria sejam alcançados por meio dos procedimentos realizados. B) PROCEDIMENTOS Para ALMEIDA (2010, p.34): “Os procedimentos de auditoria representam um conjunto de técnicas que o auditor utiliza para colher as evidencias sobre as informações das demonstrações financeiras.”. ATTIE (2009, p.300) conceitua procedimentos como: “Os procedimentos de auditoria são as ferramentas que o auditor utiliza para a realização de seus trabalhos. Os procedimentos de auditoria que serão utilizados para o auditor atingir os objetivos previamente delineados são vários, dependendo das circunstâncias, da efetividade de controle interno e da materialidade envolvida.”. Procedimentos são técnicas que o auditor utiliza para realizar os testes de auditoria, avaliar a situação patrimonial e assim emitir sua opinião sobre a empresa auditada. Os procedimentos utilizados variam de acordo com diversas situações. 2.2.2.7. ÓRGÃOS RELACIONADOS Os principais órgãos relacionados com a Auditoria são: CVM, Ibracon, CRC, CFC e CPC. A) CVM No entendimento de ALMEIDA (2010, p.7): “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criada pela Lei n° 6.385/76, é uma entidade autárquica e vinculada ao Ministério da Fazenda. Ela funciona como um órgão fiscalizador do mercado de capitais no Brasil. O auditor externo ou independente, para exercer atividades no mercado de valores mobiliários (companhias abertas e instituições, sociedades ou empresas que integram o sistema de distribuição e intermedição de valores mobiliários), está sujeito a prévio registro na CVM.”. CREPALDI (2011, p.65) explica: “Em seu artigo 26 determina que somente empresas de auditoria contábil ou auditores contábeis independentes registrados na CVM poderão auditar as demonstrações financeiras de companhias abertas e de instituições, sociedades ou 32 empresas que integram o sistema de distribuição e intermediação de valores mobiliários.”. A própria CVM se define como: “A Lei que criou a CVM (6385/76) e a Lei das Sociedades por Ações (6404/76) disciplinaram o funcionamento do mercado de valores mobiliários e a atuação de seus protagonistas, assim classificados, as companhias abertas, os intermediários financeiros e os investidores, além de outros cuja atividade gira em torno desse universo principal. A CVM tem poderes para disciplinar, normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado. Seu poder normatizador abrange todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários.”. A CVM disciplina e fiscaliza o mercado de capitais no Brasil. Os auditores ou empresas de auditoria que pretendem auditar essas empresas devem possuir registro junto a CVM. B) IBRACON ALMEIDA (2010, p.10) explica o Ibracon como sendo: “O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil surgiu com o objetivo de concentrar em um único órgão a representatividade dos profissionais auditores, contadores com atuação em todas as áreas e estudantes de Ciências Contábeis. A seriedade deste trabalho, reconhecida por órgãos reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e Banco Central, garante que a produção técnica do Instituto seja referendada e servida como sustentação para as normas que cada uma destas entidades emite.”. PEREZ JUNIOR (2010, p.12) entende que o Ibracon: ...“definem e sugerem os procedimentos específicos de auditoria a serem seguidos por seus membros.”. O Ibracon é reconhecido por vários órgãos reguladores (CVM, SUSEP, Bacen), este possui como objetivo cuidar dos interesses dos profissionais e das empresas de auditoria, além disso, tem como preocupação também, manter a qualidade técnica nos trabalhos de auditoria realizados. C) CFC e CRC De acordo com ALMEIDA (2010, p.10): “O Conselho Federal de Contabilidade e os Conselhos Regionais de Contabilidade (CFC e CRC) foram criados pelo Decreto-lei 9.295, de 27-5-1946. Esses conselhos representam entidades de classe dos contadores, ou seja, é o local onde o aluno, após concluir o curso de Ciências Contábeis na universidade, registra-se na categoria de contador. A finalidade principal desses conselhos é o registro e a fiscalização do exercício da profissão de contabilistas.”. 33 Conforme HOOG (2008, p.29): “CFC – Conselho Federal de Contabilidade - Órgão criado através do Dec.-lei 9.295, de 27.05.1946, com a finalidade de habilitar e fiscalizar o exercício da profissão contábil. Este decreto definiu as atribuições do Contador e do Técnico em Contabilidade, principiando toda a normatização interna corporis da profissão contábil.”. O CFC e os CRCs possuem como finalidade efetuar o registro dos profissionais da área contábil e também fiscalizar se a profissão está sendo exercida de acordo com as normas e código de ética. D) CPC ALMEIDA (2010, p.11) conceitua CPC como: “Criado pela Resolução CFC n° 1.055/05, o Comitê de Pronunciamentos Técnicos Contábeis (CPC) tem como objetivo “o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais”.”. Para OLIVEIRA (2011, p.36): “Os principais objetivos do CPC são o estudo, o preparo e a emissão de pronunciamentos técnicos sobre os procedimentos de contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, levando em consideração a necessidade de convergência, o mais rápido possível, da contabilidade brasileira aos padrões internacionais.”. O CPC tem a finalidade de emitir os pronunciamentos técnicos contábeis sobre assuntos relacionados à Contabilidade e suas mudanças após as alterações da lei n° 6.404/76. 2.3. ETAPAS E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA Neste tópico serão abordadas as etapas da auditoria e os procedimentos a serem realizados nestas. 2.3.1. PLANEJAMENTO DO TRABALHO DE AUDITORIA Na visão de ALMEIDA (2010, p.126): “Planejar significa estabelecer metas para que o serviço de auditoria seja de excelente qualidade e ao o menor custo possível. Os principais objetivos a serem atingidos são os seguintes: adquirir conhecimento sobre a natureza das operações, dos negócios e forma de organização da empresa; planejar mais volume de horas nas 34 auditorias preliminares; obter maior cooperação do pessoal da empresa; determinar a natureza, amplitude e datas dos testes de auditoria; identificar previamente problemas relacionados com contabilidade, auditoria e impostos.”. ATTIE (2009, p.17) afirme que: “O planejamento do trabalho é parte preponderante para que se determine o momento da realização de cada uma das tarefas de auditoria. Constitui a previsão dos trabalhos a serem executados e o momento da aplicação dessas provas, para atingir-se os objetivos, sendo, na medida do possível, indicados os principais procedimentos de auditoria por área de atuação.”. No conceito de CREPALDI (2011, p.480): “O planejamento da auditoria envolve a definição de estratégia global para o trabalho e o desenvolvimento de plano de auditoria.”. Em seu livro PEREZ JUNIOR (2010, p.45) conceitua: “O planejamento de auditoria deve serdesenvolvido de acordo com uma metodologia definida pela empresa de auditoria levando em consideração as características da empresa auditada e os objetivos do trabalho.”. O planejamento da auditoria é considerado uma das etapas mais importantes, pois é nesta fase que é definida a estratégia de trabalho, o cronograma, as metas, os objetivos a serem atingidos e os procedimentos que deverão realizados. Esta etapa é desenvolvida, geralmente, pelo gerente responsável pelo cliente. 2.3.2. CONTROLE INTERNO A análise dos controles internos da empresa é primordial para a auditoria, pois se os controles forem efetivos, o número de testes a serem realizados na auditoria final é muito menor. A) DEFINIÇÃO ATTIE (2009, p.18) explica o Controle Interno como: ...“podemos considerar que o sistema de controles internos constitui o “sistema nervoso” de uma organização e os sistema de informações contábeis constitui a “memória” da empresa. O “sistema nervoso”, traduzido por um adequado sistema de controles internos, permite o desenvolvimento das atividades da empresa com fluidez e nos tempo devidos. Na “memória”, entendida pelo sistema de informações contábeis, ficam registrados os dados das operações realizadas cumulativamente. Mantido um eficiente “sistema nervoso”, é de se pressupor que haverá boa “memória”.”. PEREZ JUNIOR (2010, p.77) define: “O controle interno compreende o plano de organização e todos os métodos e medidas coordenados, adotados numa empresa para proteger seus ativos, verificar a exatidão operacional e promover a obediência às diretrizes administrativas estabelecidas. 35 Os objetivos do controle interno são: obtenção de informação adequada, estimulação do respeito e da obediência às políticas da administração, proteção dos ativos e promoção da eficiência e eficácia operacional.”. Segundo ALMEIDA (2010, p.41): “O controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração da condução ordenada dos negócios da empresa.”. Controle Interno são procedimentos ou rotinas realizados pela empresa para controlar e proteger seus ativos. A auditoria efetua procedimentos para avaliar os controles internos da empresa. Se o resultado final dessa avaliação comprovar que os controles são efetivos, ou seja, funcionam realmente como devem, os testes das próximas etapas diminuirão, pois a auditoria julgará que a possibilidade de erros nas áreas que possuem controle é menor do que uma empresa ou área que não possuem controles efetivos. B) AVALIAÇÃO DOS CONTROLES INTERNOS No conceito de ALMEIDA (2010, p.42): “O auditor independente executa os passos na avaliação do controle interno: levanta o sistema de controle interno; verifica se o sistema levantado é o que está sendo seguido na prática; avalia a possibilidade do sistema revelar de imediato erros e irregularidades; determinar tipo, data e volume dos procedimentos de auditoria.”. Para CREPALDI (2011, p.397): “A avaliação dos controles internos tem como escopo principal determinar a natureza, a profundidade e a extensão dos exames finais de balanço e, como o escopo secundário, sugerir aprimoramento em relatório específico. A avaliação do sistema de controle interno compreende: determinar os erros ou irregularidades que poderiam acontecer; verificar se o sistema atual de controles detectaria de imediato esses erros ou irregularidades; analisar as fraquezas ou falta de controle, que possibilitam a existência de erros ou irregularidades, a fim de determinar a natureza, data e extensão dos procedimentos de auditoria; emitir relatório-comentário dando sugestões para o aprimoramento do sistema de controle interno da empresa.”. No entendimento de ALMEIDA (2010, p.51): “As informações sobre o sistema de controle interno são obtidas das seguintes formas: leitura dos manuais internos de organização e procedimentos; conversa com funcionários da empresa e inspeção física desde o início da operação (compra, venda pagamentos etc.). As informações obtidas sobre o controle interno são registradas pelo auditor independente de uma ou do conjunto de duas ou três das formas exemplificadas a seguir: memorandos narrativos; questionários padronizados e fluxogramas.”. A avaliação dos controles internos é realizada por meio da indagação ao cliente sobre os controles existentes, determinação de possíveis erros e irregularidades no processo, análise dos itens que não existem controles e os pontos fracos dos controles existentes. 36 2.3.3. EXECUÇÃO DA AUDITORIA A execução da auditoria é divida por áreas. Essas áreas são os grupos de contas do balancete: ativo, passivo e resultado. A) CONTAS DO ATIVO Este tópico apresentará alguns dos procedimentos realizados nas contas do Ativo. A.1) DISPONIBILIDADES PEREZ JUNIOR (2010, p.129) descreve os objetivos de auditoria para disponibilidades como: “Existência: Assegurar que as disponibilidades apresentadas realmente existem e que, por outro lado, não existem outras que não estejam apresentadas. Avaliação: Apresentar que os valores apresentados representem o montante exato dos recursos disponíveis e foram determinados de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação contábil: Assegurar que os itens classificados como disponíveis tenham realmente liquidez imediata e que as receitas financeiras foram devidamente registradas. Controle interno: Assegurar que as transações de pagamentos e recebimentos efetuados durante o exercício relacionam-se a operações normais da empresa e estão suportadas por documentação comprobatória e foram devidamente aprovadas.”. De acordo com ATTIE (2009, p.297) a auditoria das disponibilidades tem como finalidade: ...“determinar: sua existência, que poderá estar na empresa, em bancos ou com terceiros; determinar se são pertencentes à empresa; determinar se foram utilizados os princípios fundamentais de contabilidade; determinar a existência de restrições de uso ou de vinculações em garantia; e determinar se está corretamente classificado no balanço patrimonial e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.”. Na visão de PEREZ JUNIOR (2010, p.130) os principais procedimentos das disponibilidades são: “Contagem de caixa; avaliação do Controle Interno; segregação adequada das funções de caixa e tesouraria; avaliação e teste de reconciliação bancária; circularização de instituições financeiras; teste de aplicações financeiras; teste de reconciliações bancárias; teste de transferências bancárias; teste de liquidação subsequente.”. Em seu livro ATTIE (2009, p.300) relata alguns procedimentos de auditoria: “Contagem de caixa ou fundo fixo; contagem de aplicações financeiras; confirmação de saldos bancários; confirmação das pessoas autorizadas a assinar; confirmação de aplicações financeiras; exame documental dos cheques pagos; exame documental dos avisos bancários; exame documental de aplicações financeiras; exame de atas de assembleia ou de reunião; exame de contratos; soma das circularizações; soma do razão auxiliar de bancos; cálculos de juros pagos ou recebidos; exame de conta de 37 razão de bancos; exame de conta de razão de caixa; exame de conta de aplicações financeiras; exame detalhado da documentação de pagamento ou recebimento; exame detalhado de aplicações financeiras adquiridas ou resgatadas; variação do saldo do disponível; explicação para a documentação examinada; exame do razão analítico de bancos; exame do diário auxiliar de bancos; exame do registro de recebimentos; exame do registro de pagamentos; relacionamento de recebimentos com as contas a receber; relacionamento dos pagamentos com as contas a pagar; relacionamentodos juros pagos com a despesa; classificação adequada das contas; observação dos princípios de contabilidade; manutenção de volume alto de contas não movimentadas.”. O objetivo da auditoria das contas de disponibilidades é assegurar que os valores registrados na contabilidade realmente existem em caixa, nas contas bancárias etc. Para tal verificação, a auditoria utiliza de procedimentos como: contagem física do bem, circularização de instituições financeiras, conferência de extratos bancários, contratos de aplicações financeiras, entre outros. A.2) CONTAS A RECEBER CREPALDI (2011, p.553) descreve os objetivos da auditoria das contas a receber como: “Entre os objetivos visados na auditoria das contas a receber, há a verificação da propriedade; existência real e exatidão dos valores; determinação da rentabilidade da cobrança; descoberta de quaisquer ônus referentes às contas a receber e determinação da melhor forma de apresentação das demonstrações financeiras. Uma vez que as transações que dão origem a contas a receber são as vendas, em geral, vários objetivos da auditoria de vendas podem ser alcançados durante o exame de contas a receber. As transações que reduzem as contas a receber, normalmente envolvem recebimentos de Caixa e Bancos e certos aspectos das auditorias de recebimentos de Caixa, Bancos e contas a receber podem ser feitos em conjunto. Três procedimentos que se prestam muito a esse tipo de verificação conjunta são os testes de transações, o exame de documentos fundamentais e a verificação de dados. Os procedimentos de auditoria usados no exame de contas a receber podem-se classificar da seguinte maneira, para fins de exposição: coleta e exame de evidências externas; exame de evidências internas da firma; procedimentos analíticos referentes a saldos de contas a receber e Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa.”. ATTIE (2009, p.322) descreve os procedimentos como: “Os procedimentos de auditoria a serem utilizados para a obtenção dos objetivos determinados são dependentes da avaliação do controle interno e da materialidade envolvida. Para efeito ilustrativo, seguem alguns procedimentos que poderão ser utilizados durante a execução dos trabalhos de auditoria: contagem das duplicatas a receber; contagem dos títulos a receber; confirmação das duplicatas a receber; confirmação dos títulos a receber; confirmação dos adiantamentos concedidos; confirmação dos adiantamentos a funcionários; exame documental das vendas realizadas; exame documental dos recebimentos das contas a receber; exame de atas de assembleia e de reuniões; exame de contratos; exame alternativo de respostas não obtidas; soma das duplicatas a receber; cálculo dos juros a receber; soma dos adiantamentos concedidos; exame da conta de razão de duplicatas a receber; exame da conta de razão de adiantamentos a empregados; exame da conta razão de títulos a receber; exame da contabilização no período de competência; exame detalhado da documentação de venda; exame detalhado dos contratos de venda; exame detalhado das aprovações de venda; exame detalhado das aprovações de baixas de duplicatas 38 incobráveis; variação do saldo de contas a receber; explicação para as duplicatas incobráveis ou em atraso; exame do razão analítico de contas a receber; exame do diário auxiliar das contas a receber; exame do registro de recebimentos; relacionamento das contas a receber com as vendas; relacionamento dos recebimentos com o disponível; relacionamento das provisões constituídas para devedores duvidosos com o resultado; relacionamento dos juros a receber com o resultado; classificação adequada das contas; observação aos princípios de contabilidade; observação do volume de contas a receber atrasadas.”. CREPALDI (2011, p.5540) explica um dos procedimentos mais importantes para Contas a Receber: “Um dos procedimentos mais importantes de auditoria, no tocante a contas a receber, é a confirmação direta do débito com o devedor. A Norma de Auditoria menciona a confirmação de contas a receber como um dos procedimentos de auditoria geralmente aceitos, alertando o auditor para a necessidade, ou mais, a obrigação de justificar a omissão desses procedimentos no exame que fizer de qualquer demonstração financeira sobre a qual emitir parecer. O auditor pode usar um pedido de confirmação positivo ou negativo: - os positivos pedem ao devedor que responda se a informação constante do pedido é correta ou incorreta. Se for incorreta, ele, o devedor, deverá apontar o erro; - os negativos são para solicitar ao devedor que responda apenas se a informação está errada. Considera-se de melhor qualidade a evidencia obtida por meio dos pedidos de confirmação positivos, porque o auditor não tem meios de determinar se a falta de resposta a um pedido de confirmação negativo significa anuência do devedor com a afirmação feita na carta, se é falta de entrega, ou negligência do devedor.”. No entendimento de ATTIE (2009, p.322) um dos procedimentos mais utilizados nesta conta é o procedimento de confirmação: ...“este procedimento é um doa mais utilizados para a determinação de que o ativo decorrente de contas a receber é real e pertence à companhia. Uma vez determinada a utilização do procedimento de confirmação para as contas a receber, devem-se levar em consideração: data-base da confirmação; amplitude do teste de confirmação; e tipo de confirmação a ser empregado. As considerações referentes à data-base e à amplitude do teste de confirmação são dependentes da avaliação e efetividade dos controles internos. O tipo de confirmação a ser empregada é algo pertinente aos desejos de evidencias do auditor para subsidiar sua conclusão acerca das contas a receber. Usualmente, tem-se determinado que a confirmação positiva traz maiores subsídios, sendo recomendada para os devedores dos quais o auditor deseja obter resposta formal. A confirmação negativa é usualmente utilizada como complemento da amplitude do teste de confirmação e geralmente valores pequenos e antigos.”. No Contas a Receber o objetivo é verificar se o direito pelo recebimento dos títulos é realmente da empresa. Para isto, a maneira mais utilizada é a confirmação dos saldos a receber. A empresa envia uma carta de confirmação de saldo para seus clientes e estes confirmam ou não as duplicatas em aberto e enviam esta carta de volta para a auditoria validar os saldos. 39 A.3) ESTOQUES Segundo PEREZ JUNIOR (2010, p.137) os objetivos da auditoria dos estoques são: “Existência: Assegurar que os estoques realmente existem e que são de propriedade da empresa e estão em boas condições de uso, venda e de segurança. Avaliação: Assegurar que os estoques foram avaliados por seu custo de aquisição ou produção, o qual inclui todos os gastos incorridos pela empresa para tê-los prontos para a venda. Assegurar que o valor do custo é inferior ao valor de mercado ou de realização e que, caso contrário, tenha sido constituído o necessário ajuste de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação Contábil: Assegurar que os estoques classificados no Ativo Circulante referem-se a mercadorias e produtos que serão realizáveis até o final do próximo exercício social ou após esse prazo quando classificados no Realizável a Longo Prazo. Controle Interno: Assegurar que as operações de compra e produção, ocorridas durante o exercício, estejam suportadas por documentação hábil comprobatória, tenham sido devidamente autorizadas e que o sistema de controle do estoque e sua movimentação sejam satisfatórios.”. Na opinião de ATTIE (2009, p.348) alguns dos procedimentos de auditoria para a conta de Estoques são: “Contagem de estoques de matérias-primas, processo, acabados e materiais em consignação ou com terceiros; confirmação de estoques com terceiros; confirmaçãode estoques de terceiros; confirmação de estoques em consignação; exame documental das notas fiscais por compra e pagamentos; exame de contratos de compra e venda; exame documental das apropriações de matérias-primas e mão-de- obra; exame de atas e assembleia; soma das contagens de estoques; cálculo das quantidades pelo preço unitário; cálculos dos impostos; apropriação das despesas gerais de fabricação; exame da conta de razão de produtos acabados; exame da conta de razão de importações em trânsito; exame das ordens de fabricação; follow-up das contagens físicas; exame detalhado da documentação de compra; exame minucioso das ordens de fabricação em aberto; exame minucioso do registro perpétuo; exame do cutt-off de compras e vendas; variação do saldo de estoque; inquérito sobre a existência de produtos morosos ou obsoletos; exame do registro perpétuo de estoques; exame das ordens de produção/fabricação; relacionamento das vendas com a baixa dos estoques; relacionamento das compras com os fornecedores; classificação adequada das contas; observação dos princípios de contabilidade.”. Conforme PEREZ JUNIOR (2010, p.138) os principais procedimentos realizados na conta de Estoques são: “Circularização de estoques em poder de terceiros; inventário físico; testes dos custos de produção; teste de compras; teste de custo ou mercado; teste da provisão para perdas; teste de importações; teste de ajuste ao valor de realização.”. Os procedimentos mais comuns são: inventário físico dos estoques, confirmação de estoques em poder de terceiros e em consignação, teste para validar as compras e vendas efetuadas, teste de custo ou mercado, entre outros. 40 A.4) DESPESAS ANTECIPADAS De acordo com PEREZ JUNIOR (2010, p.138): “A lei das sociedades por ações estabelece que no ativo circulante sejam classificados as disponibilidades, ou direitos realizáveis no curso do exercício seguinte e as aplicações de recursos em despesas de exercício seguinte. Para serem classificadas no ativo circulante, as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte pagas antecipadamente devem corresponder a um gasto que, por sua natureza, constitui despesa ainda não incorrida e, consequentemente, envolve a ideia de adiantamento. Tais gastos referem-se a pagamentos antecipados e configurem-se como um direito de exigir, do beneficiário do pagamento, a prestação do serviço contratado. São exemplos de aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte: Prêmios de seguros a vencer, juros descontados antecipadamente, aluguéis pagos antecipadamente.”. No entendimento de PEREZ JUNIOR (2010, p.139): os principais objetivos da auditoria na conta de despesas antecipadas são: “Existência: Assegurar que as despesas pagas antecipadamente constituem um direito legítimo a ser exigido, o qual, quando cumprido, será considerado como despesa. Avaliação: Assegurar que a avaliação foi efetuada pelo valor do desembolso ocorrido e que a parcela de serviços já recebida tenha sido apropriada como despesa de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação contábil: Assegurar que a classificação contábil no Ativo Circulante ou no Realizável a Longo Prazo tenha sido efetuada de acordo com a expectativa do prazo de realização do direito. Controle interno: Assegurar que haja um adequado controle sobre a adequação do método usado para cálculo e contabilização das apropriações às contas de despesas e averiguar se os métodos de cálculo e contabilização são uniformes em relação aos utilizados no ano anterior.". Para ATTIE (2009, p.383) os procedimentos realizados nesta conta são: “Confirmação com as empresas de seguros quanto à apólices vigentes; exame documental de faturas, notas fiscais e comprovantes relativos às adições; exame das apólices de seguros; cálculo da amortização mensal das despesas antecipadas; exame da conta de razão das despesas antecipadas; exame minucioso da documentação de pagamento; obtenção de explicação para as despesas realizadas e para aquelas julgadas anormais; relacionamento das contas a pagar com as despesas antecipadas; relacionamento das despesas antecipadas com o resultado; classificação adequada das contas; observação dos princípios de contabilidade e observação da obediência aos controles internos.”. Na visão de PEREZ JUNIOR (2010, p.140): os principais procedimentos de auditoria para esta conta são: “Circularização de seguradoras e outros prestadores de serviços; teste de pagamentos, contabilização e controles; análise da adequação dos critérios de apropriação das despesas.”. A conta de despesas antecipadas consiste em valores pagos antecipadamente que serão amortizados no resultado mensalmente. Pode-se citar como exemplo o pagamento de aluguel da empresa. Paga-se um valor referente o ano todo no início do ano, esse valor pago fica 41 alocado no ativo e mensalmente uma parcela é alocada no resultado. Para esta conta os procedimentos são verificação de contratos, apólices, comprovantes de pagamentos, recálculo da amortização etc. A.5) INVESTIMENTOS PEREZ JUNIOR (2010, p.142) afirma que os objetivos da auditoria dos investimentos são: “Existência: Assegurar que existe evidencia física da propriedade dos investimentos em poder da companhia ou em custódia de terceiros. Avaliação: Assegurar que os investimentos tenham sido avaliados de acordo com os princípios contábeis, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, como segue: Investimentos temporários: Custo de aquisição ou valor de mercado, dos dois o menor. Investimentos permanentes: Custo de aquisição corrigido monetariamente; valor da equivalência patrimonial. Classificação contábil: Assegurar que os Investimentos Temporários tenham sido classificados no Ativo Circulante ou no Realizável a Longo prazo em função do prazo esperado de realização e que os Investimentos Permanentes tenham sido classificados no Ativo Não Circulante. Controle Interno: Assegurar que haja um bom controle sobre os documentos e os registros que suportam os investimentos, e que as operações tenham sido devidamente autorizadas e registradas contabilmente.”. ATTIE (2009, p.412) relata os procedimentos utilizados: “Para efeito ilustrativo, seguem alguns procedimentos que poderão ser utilizados durante a execução dos trabalhos de auditoria:contagem física dos investimentos; confirmação dos investimentos; confirmação dos investimentos custodiados com terceiros; exame documental das aquisições realizadas; exame documental das vendas realizadas; exame de atas e assembleias; exame de contratos; cálculo da participação acionária; cálculo da equivalência patrimonial; cálculo da provisão para perdas; exame da conta de razão investimentos; exame da conta de razão de receitas; exame da contabilização no período de competência; exame detalhado da documentação de compra; exame detalhado da documentação de venda; exame detalhado das aprovações e autorizações; explicação quanto às compras ou vendas de investimentos realizadas; inquérito quanto à situação patrimonial das empresas investidas; exame do razão analítico de investimento; exame do registro auxiliar por número de ações; relacionamento das compras de investimentos realizadas com disponível ou passivo; relacionamento da equivalência patrimonial contabilizada como resultado; relacionamento dos investimentos com dividendos recebidos; classificação adequada dos investimentos; observação dos princípios de contabilidade; observação quanto aos controles existentes sobre os investimentos.”. Para PEREZ JUNIOR (2010, p.142) os principais procedimentos realizados são: “Circularização de empresas investidas e portadores de títulos; análiseda adequação da provisão para perdas; teste de adições e baixas; teste dos valores de equivalência patrimonial; contagem dos títulos.”. Alguns dos testes realizados para validação do saldo desse grupo de contas são: testes de adições e baixas, verificação de atas e contratos de investimentos, recálculo de equivalência patrimonial, classificação na conta e competência correta, entre outros. 42 A.6) ATIVO IMOBILIZADO PEREZ JUNIOR (2010, p.144) descreve os objetivos da auditoria do ativo imobilizado são: “Existência: Assegurar que os corpóreos classificados como Imobilizado existem, são propriedade ou estão sob controle da empresa e são geradores de benefícios futuros. Avaliação: Assegurar que os bens corpóreos classificados como Imobilizado estão avaliados pelo custo de aquisição e deduzidos da Depreciação Acumulada calculada de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação contábil: Assegurar que os bens registrados como Ativo Imobilizado têm as seguintes características: são corpóreos, são de propriedade ou estão sob o controle da empresa, não estão à venda, têm vida útil longa, têm valor relevante, são usados nas atividades operacionais, são geradores de benefícios. Controle interno: Assegurar a existência de um bom controle interno sobre os bens e que todas as operações tenham sido devidamente autorizadas e registradas.”. Em resumo, alguns dos procedimentos descritos no livro do presente autor são (ALMEIDA, 2010, p.266): Para iniciar a auditoria de imobilizado é necessário preparar um papel de trabalho contendo saldo inicial do período das contas de custo e depreciação, aquisições, baixas, transferências, depreciações, e saldo final do período das contas de custo e depreciação. Posteriormente conferem-se os saldos iniciais com os papéis de trabalho preparados no ano anterior; verifica- se a existência física do bem; efetuam-se testes de aquisições e baixas; teste das despesas de manutenção e reparos; teste das depreciações; verificação da conta de imobilizado em andamento e da propriedade de ônus sobre imóveis. Segundo PEREZ JUNIOR (2010, p.145) os principais procedimentos de auditoria são: “Inventário físico, teste de adições e baixas, teste da adequação da vida útil e critério de depreciação, calculo global da depreciação, análise de ônus sobre imóveis, teste de recuperabilidade, teste de reparos e conservação e obras de beneficiamento, exame da contabilização de ferramentas e utensílios, verificação de obrigações acessórias, teste das construções ou obras em andamento, teste de existência física, verificação de obsolescência, verificação de seguros.”. Nas contas do Ativo Imobilizado a auditoria pode utilizar diversos procedimentos. Entre eles estão: obter relação dos itens que compõe essa conta juntamente com o critério utilizado para depreciação e tempo de vida útil; efetuar recálculo da depreciação; verificar as compras e vendas realizadas; testar a existência de itens obsoletos; verificar se todos os itens registrados na contabilidade realmente existem. A.7) ATIVO INTANGÍVEL No seu trabalho PEREZ JUNIOR (2010, p.147) descreve os objetivos da auditoria do intangível como: 43 “Existência: Assegurar que os bens classificados como Intangível existem, são propriedade ou estão sob controle da empresa e são geradores de benefícios futuros. Avaliação: Assegurar que os bens incorpóreos classificados como Intangível estão avaliados pelo custo de aquisições e deduzidos da amortização acumulada calculada de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação contábil: Assegurar que os bens registrados como Ativo Intangível têm as seguintes características: são incorpóreos, são de propriedade ou estão sob o controle da empresa, não estão à venda, têm vida útil longa, têm valor relevante, são usados nas atividades operacionais, são geradores de benefícios. Controle interno: Assegurar a existência de um bom controle interno sobre os bens intangíveis e que todas as operações tenham sido devidamente autorizadas e registradas.”. Na visão de ALMEIDA (2010, p.284) os procedimentos do Intangível são: “Obtenha ou prepare um papel de trabalho por natureza dos ativos intangíveis, dando os seguintes detalhes: Custo: saldo no início do período; custos incorridos; baixas; saldo no final do período. Amortização acumulada: saldo no início do período; amortizações do período; baixas; saldo final do período. Verificar se os ativos intangíveis atendem aos critérios de reconhecimento e mensuração de acordo com o pronunciamento técnico CPC 04. Confira os saldos no início do período com os nossos papéis de trabalho do exercício social anterior. Confira os saldos no final do período com o razão geral da contabilidade. Confira os custos incorridos no período co a prova documental, veja autorização ou aprovação para esses gastos e se os mesmos estão de acordo com os negócios da empresa. Debata com a administração a classificação dos ativos em vida útil definida e vida útil indefinida, e verifique a adequacidade dos prazos dos ativos rotulados de vida útil definida e da metodologia de amortização. Confira os valores baixados durante o período com a respectiva documentação comprobatória, veja autorização ou aprovação, e no caso de venda a terceiros, verifique a contabilização da receita na demonstração do resultado do exercício. Confira os cálculos de amortização no período, verifique a consistência em relação ao período anterior e reconcilie o valor amortizado como respectiva conta de despesa na demonstração de resultado e/ou de custo da produção dos estoques. Verifique que os custos dos ativos intangíveis foram testados para sua recuperabilidade, de acordo com o pronunciamento técnico CPC 01.”. No entendimento de PEREZ JUNIOR (2010, p.148) os principais procedimentos de auditoria do ativo intangível são: “Teste de adições e de baixas, teste da adequação da vida útil e critério de amortização, calculo global da amortização e teste de recuperabilidade.”. Para validar o saldo do grupo Ativo Intangível da empresa, a auditoria utiliza alguns procedimentos básicos, são eles: verifica se os itens registrados na contabilidade realmente são de propriedade da empresa, efetua testes nas compras e vendas realizadas, indaga os responsáveis sobre os critérios de classificação e amortização, efetua recálculo da amortização considerando a vida útil do bem. 44 B) CONTAS DO PASSIVO Este tópico apresentará alguns dos procedimentos realizados nas contas do Passivo. B.1) EMPRÉSTIMOS ALMEIDA (2010, p.331): descreve os procedimentos desta conta de maneira resumida como: Os procedimentos realizados para a conta de Empréstimos e Financiamentos são: obter um papel de trabalho detalhado contendo: nome do credor, tipo de moeda, saldo no início do período, empréstimos recebidos e pagos no período, variação cambial ou correção monetária do período, saldo no fim do período, classificação entre curto e longo prazo, movimentação das contas encargos financeiros antecipados e provisão para encargos financeiros no período; conferir a soma dos valores; conferir o saldo inicial com os papéis de trabalho do ano anterior; inspecionar documentação suporte (contratos, avisos bancários etc); conferir os cálculos de variação cambial; verificar se os empréstimos em moeda estrangeira foram atualizados corretamente para a data do encerramento do período; verificar a classificação de curto e longo prazo; investigar se estão sendo liquidados de acordo com as clausulas previstas em contrato; testar as contas encargos financeiros antecipados e provisão para encargos financeiros no período; obter cartas de confirmação dos empréstimos; certificar-se que as taxas de juros, as datas de vencimento dos empréstimos a longo prazo e as garantias ou ônusreais constituídos sobre elementos do ativo foram divulgados nas notas explicativas. No entendimento de PEREZ JUNIOR (2010, p.150) os procedimentos mais comuns para a conta Empréstimos e Financiamentos são: “Circularização de instituições financeiras; análise das garantias; teste do cumprimento das cláusulas contratuais; teste de obtenção e liquidações; cálculo global dos encargos.”. Na análise de empréstimos e financiamentos, a forma mais comum de confirmação de saldo é a circularização. Estas são respondidas pelos bancos na mesma carta que as contas correntes e aplicações financeiras. Efetuam-se também recálculos das contas de juros, variação cambial e encargos financeiros. B.2) FORNECEDORES Para PEREZ JUNIOR (2010, p.150) os principais procedimentos para Fornecedores são: “Circularização de fornecedores; teste de liquidação subsequente.”. 45 No entendimento do presente autor (ALMEIDA, 2010, p.300) os procedimentos para esta conta podem ser resumidos como: Os procedimentos mais utilizados para análise da conta de Fornecedores são: obter relação dos fornecedores a pagar, por fornecedor e nota fiscal ou duplicata, na data-base do encerramento do período auditado; conferir soma e se o total confere com o razão contábil, caso haja divergências, é necessário investigar imediatamente; obter cartas de confirmação de saldos de alguns fornecedores (devem ser circularizados fornecedores nacionais e estrangeiros), a quantidade de itens circularizados deve ser decidida em conjunto com o responsável pela auditoria. Para as cartas não respondidas após o envio da segunda via, deve- se efetuar testes alternativos por meio de documentação suporte da dívida. CREPALDI (2011, p.631) os procedimentos para a conta Fornecedores são: “Circularização de fornecedores; análises de contas; teste de corte (cutoff) de compras; teste de desembolsos subsequentes; revisão das demonstrações financeiras e comparação das divulgações feitas com os requisitos dos princípios fundamentais de contabilidade”. Os procedimentos de fornecedores são, basicamente, enviar carta de circularização aos fornecedores selecionados para verificar se a empresa registra, de fato, todos os valores devidos aos fornecedores; obter a composição de fornecedores contendo o nome do fornecedor, número da nota fiscal ou duplicata, vencimento e valores. Com essa composição realiza-se o aging-list para identificar valores vencidos e antigos. Após essa análise, há um questionamento aos responsáveis para entender o motivo dos títulos vencidos e se há pretensão de efetuar os pagamentos. B.3) IMPOSTOS A RECOLHER De acordo com ALMEIDA (2010, p.295): “Nesse grupo de contas são registrados os impostos que incidem sobre as operações da companhia. De forma geral, os impostos são contabilizados mediante débito nas contas de resultado e a crédito no passivo. São exemplos de impostos: ICMS, IPI, Impostos sobre Serviços – ISS, PIS, Cofins, Taxa de Lixo, Imposto predial, IPVA.”. Segundo PEREZ JUNIOR (2010, p.150) os procedimentos realizados nas contas de Impostos a Recolher são: “Revisão das conciliações dos saldos contábeis com fontes independentes; teste de liquidação subsequente; revisão dos cálculos, inclusive cálculo global, quando aplicável.”. ALMEIDA (2010, p.304) afirma que para analisar as contas de impostos é necessário: 46 Obter análise ou composição do saldo das contas dos impostos, conferir o valor da composição com o respectivo razão contábil, verificar se não existem itens antigos ou anormais na composição e confrontar os valores a pagar com os livros fiscais, quando aplicável. As análises de impostos a recolher consistem em: verificar guias de recolhimento juntamente com o pagamento subsequente, recálculos dos impostos analisados, conferir se a soma das guias em aberto no final do período confere com o valor contido na contabilidade e confrontar valores dos impostos com os livros fiscais. B.4) SALÁRIOS E ENCARGOS A PAGAR Segundo ALMEIDA (2010, p.297): “No grupo de salários a pagar são registrados os rendimentos líquidos a pagar aos empregados (salários, horas extras etc., deduzidos dos descontos). No grupo de descontos a recolher são classificadas as quantias que são deduzidas dos rendimentos brutos dos funcionários. São exemplos de descontos a recolher: INSS (parte do empregado); Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. No grupo de encargos sociais a recolher são contabilizadas as obrigações trabalhistas que incidem sobre os rendimentos dos empregados. INSS (parte da empresa) e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS são exemplos de encargos sociais. Os rendimentos brutos, os descontos e os encargos sociais devem ser registrados no próprio mês em que o empregado trabalhou, conquanto esses valores possam ser pagos no mês seguinte.”. Para PEREZ JUNIOR (2010, p.151) os procedimentos mais comuns para a conta de Salários e encargos a pagar são: “Revisão das conciliações dos saldos contábeis com fontes independentes; teste de liquidação subsequente; teste de folha de pagamento; teste do passivo relativo a férias e 13° salário.”. ALMEIDA (2010, p.304) descreve os procedimentos: Na conta de salários a pagar é necessário obter a análise da composição do saldo das contas de salários a pagar, descontos e encargos sociais a recolher; conferir o valor da análise com o respectivo razão da contabilidade; verificar se existem itens antigos ou anormais na análise e confrontar os valores com a folha de pagamento. CREPALDI (2011, p.628) relata os procedimentos: “Analisar o saldo das contas; conferir a análise dos saldos das contas com o razão geral da contabilidade.”. 47 Neste grupo de contas são registrados os rendimentos brutos e encargos sociais. Os procedimentos são: confrontar o valor da folha de pagamento com o saldo contábil, efetuar recálculo dos encargos e verificar se há lançamentos de outras não pertinentes a essas contas. B.5) OUTRAS OBRIGAÇÕES Para ALMEIDA (2010, p.299): “Neste grupo de contas são registradas outras dívidas, como por exemplo: dividendos a pagar; comissões de vendedores a pagar; impostos de terceiros a recolher; adiantamentos recebidos de clientes; aluguéis a pagar.”. No entendimento de PEREZ JUNIOR (2010, p.151) na conta de Outras obrigações ou demais contas a pagar, os procedimentos são: “Circularização de credores diversos; teste de liquidação subsequente; cálculo da variação monetária.”. ALMEIDA (2010, p.305) entende que os procedimentos que devem ser utilizados são: Para validar o saldo dessa conta é necessário solicitar à análise que compõe o saldo por credor e data de vencimento da dívida; conferir a soma da análise e confrontar o valor total com o saldo da respectiva conta do razão geral da contabilidade; verificar a existência de itens antigos, anormais ou com datas de pagamentos vencidas. CREPALDI (2011, p.628) explica: “Verificar a exatidão dos saldos do razão e confrontar com a analise que deve ser feita nessas contas.”. Para aplicar testes nesse tipo de conta é necessário entender a natureza e os lançamentos que a compõe. Desta forma, faz-se necessário obter a composição dos lançamentos que compõe o saldo da conta e, posteriormente, analisar datas, credores, valores para direcionar os demais procedimentos aplicáveis. B.6) PROVISÕES Segundo ALMEIDA (2010, p.299): “As provisões representam encargos ou riscos que, conforme a Lei das Sociedades por Ações, deverão ser contabilidade até a data do balanço. Elas de diferenciam das demais transações registradas no passivo em função de terem uma ou algumas das características abaixo: - determinação com base em estimativas; - sem data certa de vencimento; - sem nome exato do credor (provisão para garantias, por exemplo).”. Para ATTIE (2009, p.442):“Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos.”. 48 De acordo com CREPALDI (2011, p.628) os objetivos de analisar a conta de provões são: “Verificar se as provisões foram feitas de acordo com a legislação vigente. Verificar se as provisões foram debitadas quando da liquidação da dívida e, por conseguinte, se se deve fechá-las.”. No conceito de ALMEIDA (2010, p.305) os procedimentos para as contas de Provisões são: “Prepare ou obtenha papel de trabalho para cada conta de provisão, dando os seguintes detalhes: saldo no início do período; pagamentos efetuados; provisões constituídas no ano; saldo no fim do período. Confira o saldo no início do período com os papéis de trabalho da auditoria do ano anterior. Inspecione documentação comprobatória para os pagamentos efetuados. Confira os cálculos e analise a natureza das provisões constituídas no ano e, quando aplicável, cruze os respectivos valores com a demonstração do resultado do exercício. Confira o saldo no fim do período com o razão geral da contabilidade para a mesma data.”. Conforme descreve CREPALDI (2011, p.628), os procedimentos efetuados são: “Conferir a natureza destas; cruzar os saldos do razão com a apuração do resultado do exercício; inspecionar a documentação com os pagamentos efetuados.”. As provisões são representam valores que a empresa terá pagar futuramente a alguém. Porém não possuem valor e nem prazo certo. Nessas contas os procedimentos mais utilizados são: confirmação das provisões pelos advogados, entendimento da natureza das provisões; inspeção da documentação suporte das provisões constituídas. C) CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ALMEIDA (2010, p.353) define o Patrimônio Líquido como: “O Patrimônio Líquido representa a parcela dos ativos financiada pelos acionistas. Ele é composto dos seguintes grupos de contas: capital social; reservas de capital; ajustes de avaliação patrimonial; lucros ou prejuízos acumulados; ações em tesouraria. A auditoria das contas do patrimônio líquido consiste em o auditor checar as transações que ocorrem durante o período auditado, observando se foram atendidas, principalmente, as disposições societárias e estatutárias.” Segundo PEREZ JUNIOR (2010, p.152) os objetivos de auditoria para as contas do Patrimônio Líquido são: “Existência: Assegurar que os saldos das contas do Patrimônio Líquido representam adequadamente a situação patrimonial líquida da empresa na data do encerramento das Demonstrações Contábeis. Avaliação: Assegurar que as contas do Patrimônio Líquido estão avaliadas pelos valores históricos de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação contábil: Assegurar que o Patrimônio Líquido esteja composto somente por: Capital social; reservas de capital; ajuste de avaliação patrimonial; reservas de lucros; resultados acumulados. 49 Controle interno: Assegurar que haja um bom controle interno sobre o Patrimônio Líquido e que todas as transações tenham sido devidamente autorizadas e registradas.”. Para PEREZ JUNIOR (2010, p.153) os principais procedimentos de auditoria são: “Inspeção dos registros de ações; inspeção do registro do capital (inclusive Bacen); cálculo das distribuições e destinações do lucro; cálculo do excesso de reservas; revisão do cálculo de dividendos.”. O Patrimônio Líquido é a parcela que corresponde ao capital próprio da empresa, é com esse capital que a empresa adquire seus ativos para iniciar suas atividades. A auditoria aplica alguns procedimentos como: verificar se as transações ocorridas no período foram contabilizadas atendendo os princípios contábeis cabíveis, assegurar-se que o resultado do período corresponde à realidade da empresa, examinar contrato ou estatuto social para validar o valor do capital social, entre outros. D) CONTAS DO RESULTADO Na visão de PEREZ JUNIOR (2010, p.155): “O resultado do exercício representa a diferença entre as receitas realizadas e as despesas incorridas durante o período.”. Conforme ATTIE (2009, p.506) os objetivos de auditoria para as contas do resultado são: “A auditoria do resultado tem como finalidades: a) determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídas ao período estão devidamente comprovados e contabilizados; b) determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que beneficiem exercícios futuros estão corretamente diferidos; c) determinar se os custos e despesas estão corretamente contrapostos às receitas devidas; d) determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizados de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade; e) determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificados nas demonstrações do resultado, e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.”. No entendimento de PEREZ JUNIOR (2010, p.155) os objetivos de auditoria para as contas do resultado são: “Existência: Assegurar que as receitas e despesas referem-se a operações normais da empresa e que todas as receitas e despesas do período estão registradas. Avaliação: Assegurar que as receitas estão avaliadas pelo valor auferido na venda de bens e na prestação de serviços e que as despesas estão avaliadas pelo valor dos gastos incorridos na geração dessas receitas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Classificação contábil: Assegurar que as receitas estão reconhecidas de acordo com o pressuposto contábil do regime de competência e classificadas de acordo com sua natureza. Controle interno: Assegurar que as operações que geraram receitas e despesas foram devidamente autorizadas e registradas e que há um bom sistema de controle interno sobre as operações.”. 50 O resultado da empresa é determinado pela soma de todas as receitas menos todos os custos e despesas incorridas no período. Este valor pode ser positivo, se as receitas forem maiores, ou negativo, se a soma dos custos e despesas for maior. Alguns dos objetivos da auditoria nas contas de resultado são: comprovar se todas as receitas, custos e despesas foram registradas na competência correta, se realmente são pertencentes a empresa, se estão classificadas corretamente nas demonstrações financeiras, entre outros. E) EVENTOS SUBSEQUENTES ATTIE (2009, p.537) entende que os objetivos são: “Os objetivos de auditoria aplicáveis aos eventos subsequentes à data do encerramento das demonstrações consistem em determinar a necessidade de possíveis divulgações quer no parecer do auditor, quer em notas explicativas às demonstrações contábeis por eventos materiais não contabilizados ou por ocorrências que precisam ser reveladas para o bom entendimento das mesmas demonstrações.”. O Pronunciamento Técnico - CPC 24 define Eventos Subsequentes como: “Eventos subsequentes ao período a que se referem as demonstrações contábeis são aqueles eventos, favoráveis ou desfavoráveis, que ocorrem entre a data final do período a que se referem as demonstrações contábeis e a data na qual é autorizada a emissão dessas demonstrações. Dois tipos de eventos podem ser identificados: (a) os que evidenciam condições que já existiam na data final do período a que se referem as demonstrações contábeis (eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações que originam ajustes); (b) os que são indicadores de condições que surgiram subsequentemente ao período contábil a que se referem as demonstrações (eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações que não originam ajustes).”. ATTIE (2009, p.541) descreve os procedimentos que devem ser realizados: “Exame de pagamentos realizados; exame de compras realizadas; revisão dos lançamentos contábeis; exames dos recebimentos realizados; exame das devoluções de vendas e abatimentos concedidos; discussõescom os membros da administração quanto a: vendas e tendências dos negócios da empresa; condições e tendências de mercado; aumentos ou diminuições nos preços de venda; aumentos ou diminuições nos preços de compra de matérias-primas; existência de compromissos materiais assumidos de compras e vendas; perdas de clientes significativos; cancelamento de pedidos de vendas colocados; processos judiciais, legais e fiscais em andamento; descontinuação de produtos fabricados pela empresa. Revisão das atas de reunião de diretoria, conselho de administração e de assembleias; confirmação de advogados sobre processos em andamento; obtenção de carta de representação.”. A análise dos eventos subsequentes tem como finalidade identificar fatos relevantes ou não contabilizados, favoráveis ou não à empresa, ocorridos entre a data do encerramento até a divulgação das Demonstrações Contábeis. 51 2.3.4. CONCLUSÃO DA AUDITORIA A conclusão da auditoria consiste na emissão do Parecer da Auditoria. Nos tópicos a seguir, será abordado o conceito e os tipos de parecer existentes. A) PARECER Em sua obra, FRANCO (2000, p.518): “O relatório é o coroamento do trabalho de auditoria, pois é por meio dele que o auditor informa, às pessoas a quem se dirige, o seguinte: - O trabalho que se realizou; - O alcance abrangido pelo trabalho; - A forma como realizou; - Os fatos relevantes observados; que ele julga devam ser divulgados; - As conclusões que chegou, as quais culminarão com sua opinião ou parecer, sobre as demonstrações contábeis, ou outras peças examinadas.”... ...“A opinião final do auditor, exarada no relatório, deve ser baseada em fatos concretos, devidamente comprováveis através dos papéis de trabalho, e em judicioso julgamento desses fatos, com total imparcialidade e independência.”. Para PEREZ JUNIOR (2010, p.156): “O Parecer dos Auditores Independentes é o documento por meio do qual o auditor expressa sua opinião sobre as Demonstrações Contábeis auditadas. Convém salientar que a opinião do Auditor não representa sua opinião pessoal sobre a adequação ou não das Demonstrações Contábeis, mas sua adequação ou não em relação às normas estabelecidas para sua elaboração.”. O Parecer da auditoria é a conclusão dos trabalhos realizados. É nesse documento que o auditor expressa sua opinião imparcial, com base em fatos concretos, sobre as Demonstrações Contábeis auditadas. A.1) PARECER SEM RESSALVAS No conceito de PEREZ JUNIOR (2010, p.161): “Parecer limpo ou sem resalvas é emitido quando o auditor aplicou todos os procedimentos de auditoria na extensão que julgou necessário e não encontrou qualquer fato que pudesse influenciar a opinião emitida.”. ALMEIDA (2010, p.419) explica Parecer Limpo ou sem Ressalvas como: “O auditor emite um parecer sem ressalvas, limpo ou padrão, nas seguintes circunstâncias: - exame efetuado de acordo com as normas brasileiras de auditoria; - demonstrações financeiras elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil; - demonstrações financeiras contêm todas as exposições informativas necessárias.”. 52 O parecer limpo ou sem ressalvas é emitido quando o auditor aplica todos os procedimentos cabíveis e não encontrou erros ou distorções que pudessem influenciar em sua opinião. A.2) PARECER COM RESSALVAS ALMEIDA (2010, p.419) explica o Parecer com Ressalva como: “No caso da emissão de um parecer com ressalvas, o parágrafo-padrão da opinião deve ser alterado de forma a deixar clara a natureza da ressalva e seu efeito sobre a situação patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do patrimônio líquido, os fluxos de caixa e os valores adicionados (se aplicável), se esse efeito puder ser razoavelmente determinado.”. De acordo com a Resolução CFC n° 1232/09: “O auditor deve expressar uma opinião com ressalva quando: (a) ele, tendo obtido evidência de auditoria apropriada e suficiente, conclui que as distorções, individualmente ou em conjunto, são relevantes, mas não generalizadas nas demonstrações contábeis; ou (b) ele não consegue obter evidência apropriada e suficiente de auditoria para suportar sua opinião, mas ele conclui que os possíveis efeitos de distorções não detectadas, se houver, sobre as demonstrações contábeis poderiam ser relevantes, mas não generalizados.”. O parecer com ressalvas é emitido quando o auditor obteve todas as informações necessárias para concluir a auditoria, porém identifica distorções relevantes, mas que não são generalizadas a todas as demonstrações contábeis. Nesse caso, são colocadas apenas ressalvas no parecer sobre os erros encontrados. A.3) PARECER ADVERSO Conforme a Resolução CFC n° 1232/09: “O auditor deve expressar uma opinião adversa quando, tendo obtido evidência de auditoria apropriada e suficiente, conclui que as distorções, individualmente ou em conjunto, são relevantes e generalizadas para as demonstrações contábeis.”. ALMEIDA (2010, p.420) explica Parecer Adverso como: “O parecer adverso é emitido quando o auditor possui informações suficientes para formar a opinião de que as demonstrações financeiras não representam adequadamente a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do patrimônio líquido e as origens e aplicações de recursos, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Esse fato ocorre quando o auditor constata que a transação é tão importante que não justifica a simples emissão de um parecer com ressalvas.”. O parecer adverso é emitido quando o auditor possui informações suficientes para opinar sobre as demonstrações financeiras da entidade, porém em suas análises, o auditor identifica 53 distorções relevantes e importantes que não podem apenas ser destacadas em um parecer com ressalvas. A.4) NEGATIVA DE PARECER Segundo a Resolução CFC n° 1232/09: “O auditor deve abster-se de expressar uma opinião quando não consegue obter evidência de auditoria apropriada e suficiente para suportar sua opinião e ele conclui que os possíveis efeitos de distorções não detectadas, se houver, sobre as demonstrações contábeis poderiam ser relevantes e generalizadas. O auditor deve abster-se de expressar uma opinião quando, em circunstâncias extremamente raras envolvendo diversas incertezas, o auditor conclui que, independentemente de ter obtido evidência de auditoria apropriada e suficiente sobre cada uma das incertezas, não é possível expressar uma opinião sobre as demonstrações contábeis devido à possível interação das incertezas e seu possível efeito cumulativo sobre essas demonstrações contábeis.”. Na definição de ALMEIDA (2010, p.420): “O auditor deve dar negativa de parecer quando ele não obtém elementos comprobatórios suficientes para formatar sua opinião sobre as demonstrações financeiras tomadas em conjunto. Esse fato ocorre, normalmente, em função de limite no escopo do exame ou incertezas que possam ter efeito bastante relevante sobre a situação patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do patrimônio líquido, ou os fluxos de caixa, ou os valores adicionados na operação (quando aplicável).”. A abstenção de parecer ou negativa de parecer é emitida quando a auditoria não obteve evidências suficientes sobre as demonstrações contábeis para emitir outro tipo de parecer. 54 CAPÍTULO III – METODOLOGIA Este capítulo aborda a metodologia utilizada no estágio, a coleta dos dados e o cronograma das atividades realizadas. 3.1. METODOLOGIA UTILIZADA O estágio realizado foi uma Avaliação de Programas, onde foi analisada uma metodologia existente e utilizada na empresa. Ao mesmo tempo, foi uma Proposta para Replanificação e Melhorias, pois foi proposto melhorias nametodologia existente, traduzindo os tópicos mais importantes da língua inglesa para a língua portuguesa, facilitando o entendimento desta pelos novos profissionais. A metodologia descreve onde e como foram coletados os dados em um determinado período de tempo e sua análise e interpretação. A coleta de dados foi utilizado consultas a livros referente Auditoria, metodologias internas e profissionais especializados no assunto, durante o período de fevereiro a junho de 2012. Na análise dos dados foi efetuada por meio de quadros comparativos e tabelas. A interpretação dos dados foi demonstrada por meio de tabelas e gráficos. 3.2. COLETA DOS DADOS O local estagiado é composto por duas salas localizadas no 5º andar, sendo uma sala para as áreas de Tax, Advisory e IT e outra para auditoria. Possui também uma sala localizada no 6º andar, onde se encontra a maior parte do staff de auditoria, gerentes, diretores e sócios. Esta é a maior sala do escritório e onde o estágio foi realizado na maior parte do tempo. O local estagiado é composto por duas salas onde ficam os sócios, duas salas de diretores, sete mesas para gerentes composta por: cinco gerentes de auditoria, um gerente de IT e um gerente de Advisory. Para o staff técnico possui vinte e cinco baias distribuídas pelo escritório. Essas baias não são específicas de cada funcionário, conforme os mesmos chegam podem sentar-se nas baias disponíveis. 55 Neste espaço existem também duas salas de reunião, recepção, cozinha, área de café e água, impressoras, armários, arquivo e banheiros. Para o melhor entendimento do espaço físico do local estagiado, a seguir pode visualizar um desenho da sala de Auditoria. Figura 2 – Representação do Ambiente de Estágio Os sistemas utilizados pela empresa são: Idea – MUS (utilizado para realizar seleções de composições disponibilizadas pelos clientes), CaseWare e eAudIT (organizadores de papéis de trabalho de auditoria). Para esta etapa foram seleciononadas quatro áreas para demonstrar um procedimento de auditoria geralmente utilizado. As áreas escolhidas são: Cálculo da Materialidade, PDD – Provisão para Devedores Duvidosos, ICMS sobre Imobilizado e Receitas. Os dados coletados são referentes análises efetuadas pela auditoria em clientes da empresa. Por se tratar de dados confidenciais, os nomes dos clientes não serão divulgados e os valores e 56 porcentagens apresentadas neste trabalho foram todos convertidos em UMI (Unidade de Medida Interna) conhecida apenas pela autora. Por se tratar de assunto extenso, a autora selecionou quatro áreas mais simples para demonstrar os procedimentos geralmente realizados pela auditoria nos clientes. A) CÁLCULO DA MATERIALIDADE A etapa inicial da auditoria é o Planejamento. Nesta etapa a auditoria efetua o cálculo da Materialidade, da Performance Materiality e do AMPT. Para realizar os cálculos, a auditoria solicita de início um balancete do período a ser auditado. Para o cálculo da materialidade pode-se utilizar cinco Benchmarks (referências): Total dos Ativos, Totas do Patrimônio Líquido, Total das Despesas, Total das Receitas ou pelo Lucro Antes dos Impostos. Na figura a seguir, pode-se verificar os grupos de contas utilizados para o cálculo da materialidade, no cliente Cia B – Indústria e Comércio S.A., referente o período de 30 de junho de 2012. Figura 3 – Referências para Cálculo da Materialidade B) RECÁLCULO DA PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS O objetivo desse procedimento é verificar se o cliente está provisionando corretamente o valor que a empresa espera não receber. Para efetuar o recálculo da Provisão para Devedores Duvidosos é necessário solicitar ao cliente a composição de todas as duplicatas que copõe a conta de Duplicatas a Receber e o 57 tempo médio de recebimento desses títulos. Essa composição deve conter nome e/ou código do cliente, número do título, data de emissão, data de vencimento e valor do título. A seguir, os dados foram obtidos em procedimento realizado no cliente Cia B – Indústria e Comércio S.A., no período de 30 de junho de 2012. Figura 4 – Composição de Clientes 58 C) ICMS SOBRE IMOBILIZADO (CIAP) O objetivo desta análise é validar se a compensação do ICMS sobre Imobilizado está sendo realizada de forma correta. Para esta análise a auditoria solicita a planilha que a empresa utiliza para o controle do CIAP. Os dados a seguir foram obtidos junto ao cliente Cia B – Indústria e Comércio S.A. , referente o período de 30 de junho de 2012. Figura 5 – Controle do CIAP 59 D) RECONHECIMENTO DE RECEITAS Para auditar as receitas, um dos procedimentos realizados é a Análise de Reconhecimento de Receitas. Na coleta de dados, a auditoria solicita o livro de saídas do último mês do período auditado e verifica com o cliente o tempo de entrega das mercadorias para cada estado. No exemplo a seguir o teste é referente o cliente Cia B – Indústria e Comércio S.A., no período de 30 de junho de 2012. Figura 6 – Livro Fiscal de Saída (adaptado) 60 61 62 63 3.3. CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES Quadro 1 – Cronograma 1ª Semestre de 2012 Cronograma 1° Semestre de 2012 Etapa do Trabalho 13 /0 2 a 19 /0 2 20 /0 2 a 26 /0 2 27 /0 2 a 04 /0 3 05 /0 3 a 11 /0 3 12 /0 3 a 18 /0 3 19 /0 3 a 25 /0 3 26 /0 3 a 01 /0 4 02 /0 4 a 08 /0 4 09 /0 4 a 15 /0 4 16 /0 4 a 22 /0 4 23 /0 4 a 29 /0 4 30 /0 4 a 06 /0 5 07 /0 5 a 13 /0 5 14 /0 5 a 20 /0 5 21 /0 5 a 27 /0 5 28 /0 5 a 03 /0 6 04 /0 6 a 10 /0 6 Escolha da empresa para Estagiar � � Escolha do Tema da Pesquisa � � Entrega da Documentação de Estágio � � � � Informações Necessárias da Empresa � � � � � � Entrega da Versão Preliminar do Projeto de Estágio � � � � � Entrega da Versão Final do Projeto de Estágio � � � � � Entrega da Versão Preliminar da Revisão Bibliográfica � � � Entrega da Versão Final da Revisão Bibliográfica � � � � � Legenda: �Executado 64 Quadro 2 – Cronograma 2ª Semestre de 2012 Cronograma 2° Semestre de 2012 Etapa do Trabalho 03 /0 8 a 09 /0 8 10 /0 8 a 16 /0 8 17 /0 8 a 23 /0 8 24 /0 3 a 30 /0 8 31 /0 8 a 06 /0 9 07 /0 9 a 13 /0 9 14 /0 9 a 20 /0 9 21 /0 9 a 27 /0 9 28 /0 9 a 04 /1 0 05 /1 0 a 11 /1 0 12 /1 0 a 18 /1 0 19 /1 0 a 25 /1 0 26 /1 0 a 01 /1 1 02 /1 1 a 08 /1 1 09 /1 1 a 15 /1 1 Entrega da Coleta, Análise e Interpretação dos Dados � � � � Considerações, Conclusões, Recomendações e Sugestões � � � � � Entrega da Versão Preliminar do Relatório Final � � � � Entrega da Versão Final do Relatório Final � � � � � Legenda: �Executado 65 CAPÍTULO IV – ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO Este capítulo apresenta a Análise e Interpretação realizadas a partir dos dados coletados no capítulo anterior. 4.1. ANÁLISE DOS DADOS Este capítulo demonstrará alguns procedimentos de auditoriarealizados a partir dos dados coletados com o cliente. A) CÁLCULO DA MATERIALIDADE A determinação de materialidade pelo auditor é uma questão de julgamento profissional e é afetada pela percepção do auditor das necessidades de informações financeiras dos usuários das demonstrações contábeis. O conceito de materialidade é aplicado pelo auditor no planejamento e na execução da auditoria, e na avaliação do efeito de distorções identificadas na auditoria e de distorções não corrigidas, se houver, sobre as demonstrações contábeis e na formação da opinião no relatório do auditor independente. Como foi descrito na coleta de dados, a materialidade pode ser calculada sobre os seguintes Benchmark: Total dos Ativos, Totas do Patrimônio Líquido, Total das Despesas, Total das Receitas ou pelo Lucro Antes dos Impostos. O cálculo da Materialidade a seguir foi realizado no cliente Cia B – Indústria e Comércio S.A., no período de 30 de junho de 2012. A definição da materialidade inicia-se pela escolha do benchmark. Figura 7 – Análise do Benchmark 66 Figura 8 - Benchmarks As porcentagens mínimas e máximas são definidas pela metodologia da empresa. A seguir, há algumas aplicações dos benchmarks: Em casos de empresas industriais e comerciais todos benchmarks podem ser utilizados. Quando a atividade da empresa é prestação de serviços, entende-se que a mesma não possui muitos ativos imobilizados e que seu patrimônio líquido não é grande, por isso os benchmarks de total das receitas, lucro antes dos impostos e total das despesas são mais indicados. Para as empresas que ainda não iniciaram as atividades o benchmark mais indicado é o total das despesas, pois ainda não possui receitas e muitas vezes não possui muitos ativos. As aplicações dos benchmarks descritos anteriormente são os exemplos mais utilizados na prática da auditoria, porém o benchmark utilizado no cálculo da materialidade é definido pelo profissional e varia de acordo com o julgamento profissional de cada um. 67 Figura 9 - Critérios a considerar para determinação da porcentagem aplicada ao Benchmark Figura 10 – Valor da Materialidade Materialidade: para execução da auditoria significa o valor fixado pelo auditor, inferior ao considerado relevante para as demonstrações contábeis como um todo, para adequadamente reduzir a um nível baixo a probabilidade de que as distorções não corrigidas e não detectadas em conjunto, excedam a materialidade para as demonstrações contábeis como um todo. Após o cálculo da materialidade, calcula-se também a Performance Materiality (PM) e a Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT). 68 Figura 11 – Justificativa para determinar a Performance Materiality (PM) e Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT) Performance Materiality: esse valor é utilizado para definir quais contas do balancete serão analisadas. Todas as contas com valor acima deste valor devem, obrigatoriamente, ser analisadas. Essas contas são chamadas de contas materiais. Algumas contas não são materiais, mas são consideradas significativas, de acordo com sua natureza e o risco que representam para a empresa. Um exemplo de conta significativa e as vezes não material são as provisões (contingências). A Performance Materiality é utilizada também como diferença aceitável para análises globais. Por exemplo: Recálculo de Férias, a auditoria efetua o recálculo de férias e encargos dos funcionários da empresa. O total do recálculo é comparado com o valor provisionado na conta Provisão de Férias. Se a diferença apurada for maior que a PM, esta deve ser ajustada pela contabilidade. Quando a diferença apurada é menor que a PM, a auditoria entende que por se tratar de um recálculo global a diferença é aceitável e não propõe ajuste sobre ela. Audit Misstatement Posting Threshold: o valor encontrado no cálculo da AMPT é utilizado como diferença aceitável para testes de detalhe. Por exemplo: Aging List de Clientes. A auditoria solicita uma composição de clientes, efetua o aging list e apura os títulos que devem ser provisionado na conta de Provisão de Devedores Duvidosos. O valor apurado é comparado com o saldo contábil e se a diferença apurada for abaixo da AMPT a auditoria considera como diferença aceitável. Caso a diferença exceda o valor da AMPT, a auditoria propõe ajuste no valor da dierença. Quando o ajuste é proposto para a empresa, para que ele seja colocado no parecer como ressalva precisa ser maior que a Materialidade. Se a soma de todos os ajustes for maior que a Materialidade, o cliente pode ajustar algum ou alguns itens para que fique abaixo, caso não queira ajustar nada, os ajustes são colocados como ressalva no parecer, descritos um a um. 69 Figura 12 – Critérios a considerar para determinação da porcentagem aplicada a Materiality Figura 13 – Cálculo da Performance Materiality (PM) Figura 14 – Cálculo do Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT) B) RECÁLCULO DA PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS No recálculo de Provisão de Devedores Duvidosos a auditoria utiliza a composição de clientes como base para efetuar a análise. Com essa composição calcula-se um aging list, onde pode ser verificado o período de vencimento de cada título. 70 Na análise apresentada a seguir o tempo médio de recebimento de clientes é de 90 (noventa) dias. Todos os título com vencimento superior a esse prazo devem ser provisionados na conta Provisão para Devedores Duvidosos. Figura 15 – Recálculo de Provisão de Devedores Duvidosos 71 C) ICMS SOBRE IMOBILIZADO (CIAP) Para a análise do CIAP, é necessário preparar uma planilha com o recálculo do ICMS a ser recuperado em cada mês do período analisado. Essa verificação inclui as seguintes verificações: se a empresa dividiu o valor do ICMS a recuperar em 48 (quarenta e oito) avos e se o cálculo a compensar do mês corresponde a porcentagem de receitas tributáveis do mês. No modelo utilizado o período auditado foi Janeiro a Junho de 2012. Figura 16 – Análise CIAP 72 D) RECONHECIMENTO DE RECEITAS Para a análise de Reconhecimento de Receitas, a auditoria prepara uma tabela com todos os estados e dias que a empresa realizou movimentação no mês de Junho de 2012. O intuito desse teste é verificar, por meio dos prazos informados pela empresa, se as receitas foram reconhecidas na competência correta. Deve-se verificar também se a modalidade do frete é CIF ou FOB. Se o frete for CIF a empresa que está vendendo arca com a responsabilidade da entrega da mercadoria até o destinatário. Nestes casos a receita só pode ser reconhecida no momento que a mercadoria chega ao destino e, assim, transfere a responsabilidade pelo bem. Se o frete for FOB a empresa que está vendendo só tem a responsabilidade de embarcar a mercadoria (em navio, caminhão, avião etc) e a partir desse momento a responsabilidade é do destinatário. Para esta modalidade de frete a receita pode ser reconhecida no momento que a mercadoria for embarcada, pois é neste momento que há a transfência da responsabilidade sobre o bem. 73 Figura 17 – Análise de Reconhecimento de Receitas 4.2. INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Neste capítulo, serão interpretados por meio de tabelas e gráficos. Nessa etapa será realizada a interpretação dos dados analisados no capítulo anterior, por meio de gráficos demonstrativos e comparativos entre os cálculos realizados pela auditoria e os apresentados pelo cliente. A) CÁLCULO DA MATERIALIDADE O cálculo da materialidade é realizado no planejamento e os valores encontrados são: 74 Tabela 1 – Valores da Materialidade, PerformanceMateriality e Audit Misstatement Posting Threshold Materialidade 842.519 Performance Materiality – PM 631.889 Audit Misstatement Posting Threshold – AMPT 25.276 Tabela 2 – Aplicação da Performance Materiality (PM) Conta Contábil Saldo Contábil Análise da Auditoria Caixa 7.044 Não é necessário realizar procedimentos, pois o valor é menor que a PM. Bancos 706.543 É necessário efetuar procedimento, pois o valor encontra- se acima da PM. Um dos procedimento realizados é a Circularização de todos os Bancos. Ao receber a circularização dos Bancos, o saldo da carta deve ser corroborada com o saldo contábil. Clientes 28.018.496 É necessário efetuar procedimento, pois o valor encontra- se acima da PM. Alguns dos procedimentos são: Circularização de Clientes e Cálculo do Aging List. A circularização de clientes é realizada com base em amostra (definida pela auditoria). O aging list consiste em apurar o prazo que as duplicatas estão vencidas. Esta análise serve como base para análise de PDD. Empréstimo 12.316.030 É necessário efetuar procedimento, pois o valor encontra- se acima da PM. Alguns dos procedimentos são: Recálculo dos Empréstimos e Circularização. Fornecedores 4.620.094 É necessário efetuar procedimento, pois o valor encontra- se acima da PM. Um dos procedimento realizados é a Circularização de Fornecedores. 75 Impostos a Recolher 2.328.701 É necessário efetuar procedimento, pois o valor encontra- se acima da PM. Um dos procedimento realizados é confrontar as guias de recolhimento do período com o saldo contábil. Despesas com Pessoal 237.830 Não é necessário realizar procedimentos, pois o valor total do grupo de Despesas com Pessoal é menor que a PM. Despesas Gerais e Administrativas 12.762.058 É necessário realizar algum procedimento, pois o valor total do grupo é maior que a PM. O procedimento mais utilizado é o Valcher de Despesas. Esse procedimento consiste em selecionar algumas notas fiscais lançadas nesse grupo de contas de despesas e solicitar a Nota Fiscal e Comprovante de Pagamento. Despesas Financeiras 1.461.410 É necessário realizar algum procedimento, pois o valor total do grupo é maior que a PM. Um dos procedimentos realizados é confrontar os juros pagos de esmpréstimos com a análise dos Empréstimos (passivo). Receitas de Vendas de Produtos 82.277.246 É necessário realizar algum procedimento, pois o valor é maior que a PM. Para analisar essa conta a auditoria efetua o teste de Livro x Receitas. Este consiste em confrontar os livros fiscais de saídas do período auditado (apenas CFOPs que geram receita para a empresa) com o saldo contábil. Impostos sobre Vendas 25.052.174 É necessário realizar algum procedimento, pois o valor é maior que a PM. Para analisar as contas de Impostos sobre Vendas, a auditoria efetua um recálculo. Este é realizado da seguinte maneira: utiliza como base do recálculo as receitas de serviços e produtos menos as devoluções. Verifica as alíquotas utilizadas de cada imposto e realiza o recálculo com base nestas alíquotas. Os valores encontrados devem ser corroborados com o saldo contábil. 76 Tabela 3 – Aplicação da Audit Misstatement Posting Threshold (AMPT) PM: 631.889 AMPT: 25.276 Conta Contábil Diferença Apurada pela Auditoria Procedimento Clientes 10.475 A diferença apurada é menor que a AMPT. Portanto a auditoria entende que a diferença é aceitável e não propõe ajuste. Fornecedores 21.937 A diferença apurada é menor que a AMPT. Portanto a auditoria entende que a diferença é aceitável e não propõe ajuste. Provisão de 13º 30.475 A diferença apurada é maior que a AMPT. Diante disso, a auditoria entende que a diferença encontrada deve ser ajustada pela empresa. Receitas de Vendas de Produtos 672.448 A diferença apurada nesta conta é maior que a AMPT e que a PM. Por esse motivo, a auditoria entende que a diferença encontrada é muito grande e deve ser colocada uma ressalva no parecer. B) RECÁLCULO DA PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS Pode-se verificar, a seguir, a representação gráfica dos valores calculados no Aging List de Clientes apresentado na Análise dos dados. 77 Gráfico 1 – Demonstração do Aging List por Valores A seguir pode-se verificar a representação gráfica em procentagem do Aging List de Clientes. Os valores mais representativos são os títulos a Vencer com 36% (trinta e seis porcento) e os titulos vencidos até 30 (trinta) dias com 27% (vinte e sete porcento). Mas, como a análise se trata de PDD, as porcentagens que precisam ser melhor analisadas pela empresa são: Vencidos de 91 (noventa e um) a 180 (cento e oitenta) dias com 13% (treze porcento), Vencidos de 181 (cento e oitenta e um) a 360 (trezentos e sessenta) dias com 9% (nove porcento) e Vencidos a mais de 360 (trezentos e sessenta) dias com 2% (dois porcento). Juntas as porcentagens somam 24% (vinte e quatro porcento) com valor total de R$ 92.503 (noventa e dois mil quinhentos e três reais). 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 100.000 110.000 120.000 130.000 140.000 150.000 144.490 105.521 35.847 18.231 51.747 34.397 6.359 Aging List em Valores Clientes 78 Gráfico 2 – Demonstração do Aging List em Porcentagem Conforme informado pelo cliente, os títulos com vencimento a mais de 90 (noventa) dias são de difícil recebimento, porém a empresa não efetua a provisão sobre estes títulos. Para melhor visualização foi realizado um gráfico de comparação do total calculado pela auditoria e o valor provisionado pelo cliente. Gráfico 3 – PDD do Cliente x PDD calculada pela Auditoria 36% 27% 9% 5% 13% 9% 2% Aging List em % A Vencer Vencidos de 1 e 30 dias Vencidos de 31 a 60 dias Vencidos de 61 a 90 dias Vencidos de 91 a 180 dias Vencidos de 181 a 360 dias Vencidos a mais de 360 dias 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 100.000 PDD Cliente PDD Auditoria 0 92.503 PDD Cliente x Auditoria PDD 79 O valor da PDD apurado pela auditoria é de 92.503 (noventa e dois mil quinhentos e três). O correto seria a empresa reconhecer PDD em sua contabilidade. Como isso não ocorre, a auditoria propôs ajuste no valor de 92.503 (noventa e dois mil quinhentos e três) e sugeriu levantou um ponto de controle sugerindo que a empresa comece a reconhecer PDD de acordo com o vencimento dos títulos. C) ICMS SOBRE IMOBILIZADO (CIAP) O gráfico a seguir representa a comparação dos valores de ICMS sobre Imobilizado que a empresa compensou no período de Janeiro a Junho de 2012 e os valores que a auditoria julga ser corretos. Gráfico 4 – Comparação do Cálculo do CIAP realiza pelo Cliente x cálculo da Auditoria 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho 3.143 3.143 3.143 3.143 3.143 3.143 2.546 2.672 2.483 2.420 2.515 2.577 Cálculo Cliente x Cálculo da Auditoria Cliente Auditoria 80 O gráfico a seguir demonstra a comparação entre o total de ICMS sobre Imobilizado compensado até Junho de 2012 pelo cliente e o valor que a auditoria julga correto. Porém como o período analisado pela auditoria neste caso é de Janeiro a Junho de 2012, o recálculo foi realizado apenas sobre esse período. Gráfico 5 – Comparação do Total Compensado pelo Cliente x Cálculo da Auditoria até Junho de 2012. A diferença apurada é de 3.646 (três mil seiscentos e quarenta e seis), este valor é menor que a AMPT que é 25.276 (vinte e cincomil duzentos e setenta e seis). Por ser um valor abaixo da AMPT a auditoria não propõe ajuste. Porém o correto é que o cliente recupere o ICMS sobre Imobilizado mensalmente apenas da referente a parcela de receita tributável e não do total de 1/48 avos. D) RECONHECIMENTO DE RECEITAS Neste gráfico pode-se verificar a comparação entre o Reconhecimento de Receitas pelo Cliente e o indicado pela auditoria com base nos dias que tiveram movimentação do mês de Junho de 2012. 20.000 21.000 22.000 23.000 24.000 25.000 26.000 27.000 Cliente Auditoria 26.587 22.941 Total Compensado Cliente x Cálculo Auditoria Total Compensado 81 No geral o gráfico está com os valores iguais ou próximos, com excessão do dia 30 (trinta). A empresa reconheceu o valor de R$ 1.774.511 (um milhão setecentos e setenta e quatro mil quinhentos e onze reais) quando na verdade não deveria ter reconhecido nada. Essa diferença ocorre pois a empresa vende suas mercadorias com frete CIF. Nesta modalidade de frete a empresa que está vendendo arca com a responsabilidade de entregar a mercadoria no destino, por esse motivo a receita só pode ser reconhecida no momento da entrega, neste caso a receita deveria ser reconhecida apenas no dia 01 (um) de Julho. Gráfico 6 – Reconhecimento de Receitas por Dia 0 200.000 400.000 600.000 800.000 1.000.000 1.200.000 1.400.000 1.600.000 1.800.000 2.000.000 2.200.000 2.400.000 2.600.000 2.800.000 3.000.000 1 4 7 10 14 19 23 26 28 29 30 13 7. 29 8 11 7. 52 3 2. 90 2. 93 3 60 7. 84 3 32 3. 59 0 22 9. 45 0 67 4. 08 3 2. 06 5. 91 8 39 5. 39 8 74 5. 71 2 1. 77 4. 51 1 13 7. 29 8 11 7. 52 3 2. 90 2. 93 3 60 7. 84 3 32 3. 59 0 22 9. 45 0 67 4. 08 3 2. 02 8. 49 2 39 4. 52 0 72 9. 85 1 0 Receitas por Dia Livro Fiscal Auditoria 82 No gráfico a seguir pode-se verificar a comparação entre o Reconhecimento de Receitas pelo Cliente e o indicado pela auditoria em todos os estados com movimentação do mês de Junho de 2012. Neste gráfico a diferença entre as receitas por estado apresentada pelo cliente e as receitas recalculadas pela auditoria estão presentes em quase todos os estados. As diferenças ocorrem pois a empresa reconheceu a receita no momento da venda e não quando houve de fato a tranferência da responsabilidade da mercadoria. Gráfico 7 – Reconhecimento de Receitas por Estado 0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 700.000 800.000 900.000 1.000.000 1.100.000 1.200.000 1.300.000 1.400.000 1.500.000 1.600.000 1.700.000 1.800.000 1.900.000 2.000.000 2.100.000 2.200.000 2.300.000 2.400.000 2.500.000 2.600.000 2.700.000 2.800.000 2.900.000 3.000.000 AC AM CE ES MG MS MT PA PB PE PR RJ RN RO RS SC SE SP Receitas por Estado Livro Fiscal Auditoria 83 A diferença total entre as receitas reconhecidas pelo cliente e o recálculo da auditoria é de 1.828.676 (um milhão oitocentos e vinte e oito mil seiscentos e setenta e seis). Por se tratar de uma diferença acima da AMPT, a auditoria propôs um ajuste neste valor. Até a data da auditoria, o cliente reconhece a receita na data da emissão da nota fiscal. O correto é reconhecer a receita, quando o frete for CIF, apenas no momento que a mercadoria for entregue no destino. E) PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO ESTÁGIO REALIZADO A realização deste estágio resultou tantos pontos positivos, quanto em negativos. São eles: Quadro 3 – Pontos Positivos e Negativos Pontos Positivos Pontos Negativos - Facilitar o aprendizado dos novos profissionais de auditoria. - Otimizar o tempo tanto para quem aprende, quanto para quem ensina. - Eficiência na realização dos procedimentos básicos de auditoria. - O assunto tema do trabalho é extenso, por esse motivo não foi possível abordar todos os procedimentos de auditoria existentes. 84 CAPÍTULO V – CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente capítulo apresentará as Considerações, Conclusões, Recomendações e Sugestões propostas à empresa. 5.1. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho será importante para a empresa no sentido de auxiliar os profissionais ingressantes a entenderem as etapas da auditoria e os procedimentos mais utilizados em cada área. Pelo fato da empresa possuir um manual apenas em língua inglesa, este trabalho poderá ser utilizado como complemento e facilitador no entendimento e aprendizado da auditoria. A realização deste projeto foi essencial para o crescimento profissional e pessoal da autora, pois além da experiência adquirida com o assunto abordado, ainda houve a experiência de vida no que diz respeito a ultrapassar barreiras, enfrentar desafios, manter a calma e aprender com os erros. Pelo fato da empresa restringir muito suas informações e não permitir divulgação de dados importantes, as informações para realização do Projeto de Pesquisa foram, basicamente, obtidas na página da internet da empresa e outras páginas com acesso livre a todos. Como a autora trabalha na empresa há algum tempo, as informações mais relevantes já são de conhecimento da mesma. Em contraste com o Projeto de Pesquisa, a Revisão Bibliográfica foi extensa e com muitos assuntos a serem abordados. Realizou-se uma boa pesquisa sobre as bibliografias a serem utilizadas, ordenando as etapas de auditoria geralmente realizadas nos clientes e comparando a opinião dos autores escolhidos sobre os tópicos tratados. A Coleta, Análise e Interpretação dos Dados foi composta por quatro procedimentos de auditoria: Cálculo da Materialidade, Análise de PDD, ICMS sobre Imobilizado e Análise de Reconhecimento de Receitas. Por se tratar de um assunto extremamente amplo, a autora optou por desenvolver apenas alguns procedimentos, que serão utilizados como base para os outros testes. Esses procedimentos são realizados na maior parte das empresas auditadas. Na coleta dos dados foram apresentadas as documentações obtidas de clientes para realizar os testes descritos acima, porém com os valores e taxas convertidas para UMI (Unidade de Medida Interna) pois tratam-se de informações confidenciais. Na análise, foram utilizados como base os documentos da coleta e foi realizado um procedimento de auditoria para validar o saldo 85 contábil. Já na interpretação, a autora explicou os resultados dos testes efetuados, apontou as divergências e realizou comparações por meio de gráficos e tabelas. De modo geral, a maior dificuldade encontrada foi a preocupação em não divulgar os dados da empresa e dos clientes. Todas as informações, com exceção das que foram colocadas no projeto de pesquisa, tiveram que ser alteradas, por meio de conversão dos valores, taxas e alterações dos nomes das empresas, pois se tratam de dados obtidos em clientes e por esse motivo são sigilosos. 5.2. CONCLUSÕES FINAIS A empresa possui um manual sobre as etapas e procedimentos de auditoria que devem ser realizados nas empresas. Esse manual foi baseado nas IAS (International Accounting Standards) e encontra-se, atualmente, apenas em língua inglesa. Pelo fato dos profissionais ingressantes na empresa com a função de trainee não possuírem experiência em auditoria e, em muitos casos, não serem formado em Ciências Contábeis e não possuírem um bom nível de inglês a ponto de compreenderem o manual, a autora elaborou esse trabalho com o intuito de auxiliar estes profissionais no início de suas carreiras na auditoria, de modo que entendam os procedimentos utilizados e tenham modelos para se basearem. A funçãodeste trabalho foi complementar o manual e não substituí-lo; portanto foi essencial estudá-lo paralelamente. Como pontos positivos na implantação dessse projeto, pode-se ressaltar: maior eficiência no aprendizado por parte dos novos profissionais e otimização do tempo tanto de quem aprende, quanto de quem ensina. Com esse estudo básico, o profissional terá tempo e base teórica suficiente para colocar os procedimentos em prática. Os pontos negativos são: como trata-se de um assunto extenso, esse trabalho não abordou todos os procedimentos, por esse motivo o profissional deve utilizá-lo como base inicial para desempenhar seu trabalho e posteriormente, utilizar o manual da empresa para se aprofundar mais nos assuntos necessários. Para incorporar este projeto, a empresa pode ter que realizar algumas alterações para adaptá- lo às suas necessidades. No entendimento da autora, esse trabalho trará muitos benefícios para os profissionais menos experientes que, consequentemente, estarão melhor preparados para desenvolver os testes de auditoria. O objetivo principal do estágio foi disponibilizar para os novos profissionais da KPMG um resumo básico das etapas e procedimentos de auditoria baseado nas NBC’s (Normas 86 Brasileiras de Contabilidade). Para atingir esse objetivo foi realizado: consultas e interpretações sobre a metodologia existente, por meio das fontes utilizadas como base; comparações com informações obtidas em referências bibliográficas relacionadas ao assunto; extrações dos procedimentos básicos de auditoria e obtenção de informações complementares sobre o assunto com profissionais mais experientes. Está ocorrendo uma boa aceitação do projeto pelos profissionais do staff técnico e estes concordam que o manual facilitará o aprendizado dos trainees e, por esse motivo, a implantação ocorrerá aos poucos, de acordo com suas necessidades. Este projeto foi de extrema importância para a autora, pois no momento que ingressou na empresa deparou-se com a falta de experiência na área e a escassez de materiais em linguagem facilitada. Por esse motivo surgiu a ideia deste manual. A autora aprimorou seus conhecimentos em Auditoria e Contabilidade e esses estão auxiliando-a no desempenho de suas funções na empresa. 5.3. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES No momento que a empresa aderir ao projeto, essa pode adaptá-lo de acordo com seus padrões e necessidades. Por se tratar de um assunto muito amplo, a autora optou por utilizar apenas alguns dos procedimentos realizados pela auditoria em seus clientes. Porém a empresa, para auxiliar ainda mais seus profissionais, pode acrescentar outros assuntos e análises que julgar pertinentes à categoria dos profissionais. A empresa possui um bom plano de carreira, onde todos os profissionais possuem oportunidades de se desenvolverem. Um ponto de melhoria que pode ser apontado é a falta de pessoal na época dos fechamentos das auditorias, que ocorrem entre dezembro e abril. Nessa época os profissionais da empresa ficam sobrecarregados com o excesso de trabalho. Como sugestão, a autora recomenda que a empresa tenha mais encarregados para dar suporte aos demais funcionários (assistentes e trainees). Quando os profissionais partcipam de treinamentos e realizam trabalhos em clientes onde é necessário dormir na cidade, a empresa paga o jantar e o perdien. O perdien é um valor pago aos funcionários por cada noite passada fora de casa por motivos de trabalho, a empresa entende que o fato de ter que viajar e dormir fora é uma situação de desconforto para o funcionário. Ao retornar, o funcionário realiza o expense, que consiste na prestação de contas para a empresa. Os valores são lançados em um sistema online e enviados juntamente com os 87 comprovantes de pagamento para aprovação do gerente responsável pelo trabalho realizado pelo profissional. Aproximadamente duas semanas após o envio do expense para aprovação, chega um e-mail de confirmação para o funcionário que realizou o expense. Após um mês, aproximadamente, o valor é depositado na conta do funcionário. Como sugestão de melhoria, a autora propõe que o pagamento do expense seja realizado com mais agilidade, de forma que os funcionários não tenham que desembolsar dinheiro para financiar as atividades de trabalho. 88 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ANGÉLICO, João. Contabilidade Pública. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1994. ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos, ARRUDA, Daniel Gomes. Contabilidade Pública: da teoria à prática. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. ATTIE, William. Auditoria Interna. 2 ed. 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