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� � FORMAÇÃO DA POLITICA CIDENTAL
Descrição: Tratar-se-á nesta Unidade da Formação da Política Ocidental e seus desdobramentos nos campos cientificos e jurídico.
Palavras-Chave: Filosofia – Política – Pensamento 
Objetivo da Unidade: Conhecer as diferentes correntes do pensamento político, construídos historicamente na sociedade ocidental.
Temas: Filosofia política - O pensamento clássico grego - O pensamento político na Idade Média - O pensamento político na Idade Moderna.
1. Filosofia política
1.1 Origem e finalidade da vida política
Entre as explicações sobre a origem da vida política, três foram as principais e as mais duradouras:
1. As inspiradas no mito das Idades do Homem ou da Idade de Ouro. Esse mito recebeu inúmeras versões, mas, em suas linhas gerais, narra sempre o mesmo: no princípio, durante a Idade de Ouro, os seres humanos viviam na companhia dos deuses, nasciam diretamente da terra e já adultos, eram imortais e felizes, sua vida transcorria em paz e harmonia, sem necessidade de leis e governo.
Em cada versão, a perda da Idade de Ouro é narrada de modo diverso, porém, em todas, a narrativa relata uma queda dos humanos, que são afastados dos deuses, tornam-se mortais, vivem isoladamente pelas florestas, sem vestuário, moradia, alimentação segura, sempre ameaçados pelas feras e intempéries. Pouco a pouco, descobrem o fogo: passam a cozer os alimentos e a trabalhar os metais, constroem cabanas, tecem o vestuário, fabricam armas para a caça e proteção contra animais ferozes, formam famílias.
A última idade é a Idade do Ferro, em geral descrita como a era dos homens organizados em grupos, fazendo guerra entre si. Para cessar o estado de guerra, os deuses fazem nascer um homem eminente, que redigirá as primeiras leis e criará o governo. Nasce a política com a figura do legislador, enviado pelos deuses.
Com variantes, esse mito será usado na Grécia por Platão e, em Roma, por Cícero, para simbolizar a origem da política através das leis e da figura do legislador. Leis e legislador garantem a origem racional da vida política, a obra da razão sendo a ordem, a harmonia e a concórdia entre os humanos sob a forma da Cidade. A razão funda a política.
2. As inspiradas pela obra do poeta grego Hesíodo, O trabalho e os dias. Agora, a origem da vida política vincula-se à doação do fogo aos homens, feita pelo semideus Prometeu. Graças ao fogo, os humanos podem trabalhar os metais, cozer os alimentos, fabricar utensílios e sobretudo descobrir-se diferentes dos animais. Essa descoberta leva a perceber que viverão melhor se viverem em comunidade, dividindo os trabalhos e as tarefas. Organizados em comunidades, colocam-se sob a proteção dos deuses de quem receberam as leis e as orientações para o governo.
3. Pouco a pouco, porém, descobrem que sua vida possui problemas e exige soluções que somente eles podem enfrentar e encontrar. Mantendo a piedade pelos deuses, entretanto, criam leis e instituições propriamente humanas, dando origem à comunidade política propriamente dita. É a teoria política defendida pelos sofistas. Nessa concepção, o desenvolvimento das técnicas e dos costumes leva a convenções entre os humanos para a vida em comunidade sob leis. A convenção funda a política.
1.2 Os regimes políticos
O Regime Político se caracteriza pela forma com que são investidos os titulares do poder; pela natureza e extensão do respectivo mando e pelas suas relações com os cidadãos e os grupos intermediários. Joseph Folliet classificou os regimes políticos em: autocráticos, oligárquicos e democráticos.
A Autocracia provém do Grego: autós, si mesmo, e cratein, governar. É o regime político em que todas as prerrogativas e todas as responsabilidades estão concentradas nas mãos de uma só pessoa. Por isso, este regime pode também ser chamado de pessoal ou absoluto. Historicamente, se subdivide em duas formas principais: a monarquia absoluta e a ditadura.
A Monarquia absoluta é o regime em que o soberano exerce o poder governamental em toda sua plenitude (executivo, legislativo e judiciário), sem depender de qualquer assembléia. Neste regime o monarca ou rei provém de uma família real. O poder não é atribuído ao soberano em função de sua pessoa, mas sim de sua linhagem, de sua dinastia. A história conheceu numerosas formas de monarquia absoluta, como por exemplo: os faraós do Egito; os grandes reis da Pérsia; os imperadores romanos, depois de Augusto; os imperadores bizantinos; os tzares da Rússia; as monarquias absolutas dos séculos XVI, XVII e XVIII (na Espanha, França, Prússia e Áustria). Uma das últimas grandes monarquias absolutas foi a do Japão (Micado). A monarquia absoluta subsiste ainda em certos Estados Árabes.
O absolutismo monárquico foi sempre mais ou menos temperado: a) pelos costumes, a que o próprio soberano devia se submeter; b) pelos imperativos morais da religião sobre a qual o soberano fundamenta o seu poder; c) pelas liberdades ou franquias tradicionais concedidas aos grandes grupos sociais: aristocracia, parlamento, Igreja, Estados, províncias e corporações de ofícios.
A Ditadura – A palavra ditador provém do latim dictator, aquele que dita a sua vontade. Exemplos próximos, nos tempos modernos: Führer (Alemanha), Duce (Itália), Conducator (Romênia), Caudilho (Espanha), Vodj (Rússia). A ditadura caracteriza-se, como a monarquia absoluta, pela concentração de todos os poderes numa única pessoa, cuja autoridade é total e ilimitada. Ao contrário, porém da monarquia absoluta, o poder é outorgado a uma pessoa em razão mesma da sua pessoa, de suas qualidades, ou porque ela se apoderou do governo pela força, e não pela razão de direitos familiares ou dinásticos. Motivo pelo qual a grande dificuldade da ditadura é a sucessão, com a transmissão e outorga de poderes que ela implica. Por isso, na prática, muitas ditaduras, desde que tendam a estabilizar-se transformam em monarquias hereditárias ou extinguem-se com a morte do governante.
Entre as principais formas históricas de ditadura, podem ser citadas: a tirania das cidades gregas: a ditadura, legal e limitada, admitida pelos costumes romanos para os momentos de graves crises; as ditaduras das comunas italianas na Idade Média e no Renascimento, que se transformaram em monarquias hereditárias (os Medici em Florença e os Sforza em Milão); as ditaduras napoleônicas, na França; as ditaduras sul americanas do século XIX (Rosas, na Argentina; López, no Paraguai; Melgarejo, na Bolívia); as ditaduras totalitárias do século XX: Mussolini e o fascismo na Itália; Hitler e o nazismo na Alemanha; Stalin e o bolchevismo , na Rússia; as ditaduras comunistas de Mao-Tsé Tung, na China e de Fidel Castro, em Cuba. Ao contrário da maioria das ditaduras anteriores, estas últimas são doutrinárias e sistemáticas, isto é, estão baseadas numa filosofia social e política.
Oligarquia (do grego: oligos, pequena quantidade, archein, governar) é o regime político em que o poder é confiado a um número restrito de pessoas. A Oligarquia, governo de um pequeno número, não deve ser confundida com a aristocracia, que é o governo dos melhores, o que implica num juízo de valor. Assim, todo governo aristocrático é oligárquico, mas nem todo governo oligárquico é aristocrático. Ainda sobre o tema escreve Joseph Folliet: 
Geralmente, é pelo nascimento que se designam os representantes das oligarquias. Os governos são recrutados entre determinadas famílias patrícias, por oposição aos plebeus, ou entre os nobres, por oposição aos comuns. Algumas vezes , é a riqueza que constitui o critério da eleição. É o caso dos regimes censitários (da palavra census, imposto), onde somente são eleitores e elegíveis os cidadàos que pagam um montante determinado de contribuições ao Estado. Sob a monarquia, Roma instituiu um regime censitário com a criação dos cavaleiros romanos, recrutados pela sua fortuna. � 
A história registra diversos exemplos de regimes oligárquicos: a) o governo de Esparta, na Grécia; b) o SenadoRomano, no princípio da República (aliás, todas as repúblicas da Antiguidade foram, na prática, oligárquicas, por causa da escravidão, embora se julgassem democráticas); c) os governos feudais da Europa, na Idade Média; da Etiópia (os negus e o rás); o Japão no tempo dos shoguns (daimios, samurais e ronins); d) algumas comunas de Flandres, da Alemanha ou da Itália do Norte (especialmente Veneza); e) as monarquias ou as repúblicas censitárias. São evidentes os defeitos e as falhas dos regimes oligárquicos. A pluralidade dos chefes determina quase sempre, competições pessoais e divisões intestinas, muito prejudiciais à segurança do Estado e ao bem-estar do povo. Além disso as oligarquias tendem, geralmente, a governar o Estado em função do seus próprios interesses em detrimento dos interesses da coletividade. É oportuna a máxima de Lord Acton: “O poder corrompe; o poder absoluto corrompe de modo absoluto”.
Democracia (do grego, demos, povo, cratein, governar), é o regime que tende a associar o maior número de cidadãos possível todos, no exercício do poder e na direção dos negócios públicos. A definição clássica “governo do povo e pelo povo”, nos vem de Aristóteles. O tema será objeto de ponto específico da matéria, que será oportunamente apreciado.
2. O pensamento clássico grego
2.1. Os sofistas e a política como uma construção circunstancial.
A partir da metade do século V, após as guerras persas até o final do século seguinte, o poder político da antiga aristocracia e da tirania foi substituído, em várias cidades gregas, pela democracia escravocrata, comandada pela oligarquia que, pela primeira vez, assume a vida política de Atenas. Atenas é o centro da vida cultural grega. O desenvolvimento da nova ordenação democrática com comícios, assembleias e tribunais necessários ao exercício democrático tornou possível a participação dos cidadãos comuns na administração da pólis. 
No entanto, essa participação estava limitada àqueles que tinham eloqüência e persuasão, como os antigos representantes aristocráticos, cuja cultura e formação política provinham da tradição familiar. O que não é o caso dos novos detentores do poder. Como eles não tinham essa formação, foi necessário educá-los para poder competir em igualdade de condições e alcançar o objetivo colimado na pólis. Em decorrência dessa necessidade surgiram em Atenas mestres que propugnaram a constituição de técnicas de persuasão. Esses novos mestres se chamavam sofistas.
Sofista significa educador. Não educação popular, mas formação de elites (educação dos nobres), de chefes políticos. Para se ter esta instrução, pagava-se, por vezes, bastante caro. Esses mestres eram itinerantes, circulavam de terra em terra, tinham acesso a várias formas culturais, aos usos e costumes de diferentes povos e lugares. Desse contato tiveram oportunidade de comparar as diversas instituições políticas, éticas e religiosas. Constataram a convenção humana, por acordo e pelo hábito, na cultura, costumes e leis; em conseqüência dessa observação, acabaram difundindo a idéia de que tudo é relativo.
Segundo COTRIM,� os sofistas destacaram-se como mestres do saber político e da retórica. Eles deveriam propiciar aos alunos habilidades da polêmica e da oratória, sem as quais um político estava privado de sua principal virtude. Esta é a capacidade da oratória de cada um que determina o que é justo e não o conhecimento profundo das leis. As técnicas de discurso não procuravam a verdade, mas provar um determinado ponto de vista; em alguns casos, falseavam-na conscientemente. Essa indiferença ao tema de que se tratava e a tese que se defendesse levou ao desprezo às doutrinas, devendo o aluno ser capaz de defender qualquer tese, verdadeira ou falsa, boa ou ruim. Assim, atribuíram relatividade a todas as noções, regras básicas e valores humanos. O aluno deveria conhecer as disciplinas que consideravam a palavra como tal: gramática e retórica. Persuadir era tão importante que Protágoras chegou a afirmar: “Devemos tornar a parte mais fraca em mais forte”. E, segundo Górgias, a palavra é o dom com o qual podemos fazer tudo, envenenar e encantar. O trabalho com a palavra dependia do ensino da gramática, de que eles são os iniciadores, da crítica literária, da prosa artística, com o ritmo próprio e distinto da poesia, que é também criação deles, tudo isso tendo em vista a eloqüência. Não descuravam, porém da Matemática, Aritmética, Geometria, Astronomia e Música. 
Dentre os principais sofistas destacam-se: Protágoras de Abdera, Górgias de Leôncio, Trasímaco de Calcedônia, Pródico de Cléos, Hípias de Hélade, Crítias de Atenas, Cálices, Antifonte, Lécrafonte, Alicidamos, Hipódamos de Mileto. Os sofistas contribuíram para o abandono da filosofia da natureza, não somente pela mudança na circunstância filosófica, mas também pelas necessidades criadas pela prática democrática da sociedade ateniense. O advento da democracia trouxera consigo uma notável mudança na natureza da liderança: já não bastava a linhagem, mas a liderança política passava pela aceitação popular. Numa sociedade em que as decisões são tomadas pela assembléia do povo e onde a máxima aspiração é o triunfo, o poder político, depressa se fez sentir a necessidade de se preparar para ele. Qual era a preparação idônea para o ateniense que pretendia triunfar na política? Um político necessitava, indubitavelmente ser um bom orador para manipular as massas. Necessitava, ainda, possuir algumas idéias acerca da lei, acerca do que é justo e conveniente, acerca da administração e do Estado. Este era, precisamente, o tipo de treino que os ensinamentos dos sofistas proporcionavam.
Como contribuição dos sofistas tem-se o abandono do pensamento mitico-religioso; a aceitação do racionalismo Heracliteano da ordem do universo (uso da razão); a convicção de que as leis e as instituições são resultados do acordo ou decisão humana: convencional. Os sofistas eram relativistas, isto é, não acreditavam na possibilidade de os seres humanos chegarem a um saber objetivo, universal, de modo que, “tudo é relativo”. Esta posição - o relativismo - combinava com a sua forma de ensinar a argumentar: não interessava tanto o conteúdo científico, mas a capacidade de convencer os demais. Os filósofos foram severos adversários dos sofistas, exatamente por não concordarem com o seu relativismo. Outra característica era o convencionalismo das instituições políticas e das idéias morais (tudo resolve-se por convenções).
É fácil compreender a transcendência destas reflexões da Sofística. Com elas, inaugura-se o eterno debate acerca das normas morais, acerca da lei natural (phisis) e da lei positiva (nomos). O debate começa com os sofistas na filosofia grega; mas não termina com eles, como veremos. 
2.2. Platão e a construção idealista da República.
Platão dividia o Estado em três classes: dos lavradores, dos guerreiros e dos magistrados, Embora o pensamento político de Platão contivesse ideias utópicas , ele expressava uma confiança como força fundamental do Estado. 
Sua obra consta basicamente de diálogos, além de treze cartas. Ë com Platão que os diálogos se tornam verdadeiramente gênero literário. Eles se constituem como um drama, em que o local e a época onde se desenvolvem são indicados. A discussão ou dialética é a alma dos diálogos. Platão é o primeiro filósofo do qual possuímos, ainda hoje uma obra substancial o que nos possibilita analisar e estudar seu pensamento como um todo. Entretanto pelo próprio caráter literário de sua filosofia é difícil de resgatar um sistema filosófico de todos os seus diálogos.
Movimentos denominados neoplatônicos (que procuraram ressuscitar a filosofia de Platão) surgem em diversos momentos da história do pensamento, e são essenciais para a compreensão da filosofia medieval e mesmo do Renascimento. A filosofia platônica é muito importante no movimento literário denominado simbolismo, no final do século XIX. Alguns mitos, como o da caverna e do Fedro possuem caráter universal, funcionandocom símbolos coletivos, e são ainda hoje lembrados, em todos os períodos, por toda a “filosofia e literatura mundial”. Realçam basicamente a diferença entre o mundo sensível das aparências e o mundo inteligível das ideias. A leitura dos Diálogos de Platão, mostra-se crítica e reveladora em face dos problemas que enfrentamos , constitui-se numa experiência única e valiosa, não só para o administrador de empresas, mas para qualquer ser humano de nosso tempo.
É com Platão que a racionalidade ocidental se constitui. A construção do conhecimento constitui, assim, no platonismo, uma conjugação de intelecto e emoção, de razão e vontade: a episteme é fruto de inteligência e de amor. 
Na obra República pode estar na contribuição entre ética e política. Seu objetivo é a 'justiça' ou o 'Estado Ideal'? Do ponto de vista de Sócrates e Platão, não há distinção, a não ser por simples conveniência, entre moral e política. As leis do direito são as mesmas para as classes e para os indivíduos. Mas deve-se acrescentar que essas leis são, antes de tudo, leis de moral pessoal: assim se considera que a política está fundada sobre a ética, não a ética sobre a política. O Estado Ideal para Platão é justamente como a ampliação da alma. Esse Estado platônico não é senão a imagem aumentada do homem: formar o verdadeiro Estado significa, para Platão, formar o verdadeiro homem. Isto é política platônica. Para Karl Popper, em sua obra:
A sociedade aberta e seus inimigos, o Estado Platônico seria, em suma, a negação da liberdade. Platão seria o inimigo da sociedade democrática e da democracia. Isto para salientar que a concepção de Estado Platônico, como afirma Popper, é qualificada como conservadora e reacionária, bem como acentuadamente totalitária. Contudo, pode-se dizer que em função das categorias próprias das ideologias políticas modernas atuais. Pois o discurso autêntico político de Platão, é sobretudo, Filosofia, metafísica e até escatologia do Estado. Embora alguns considerem ideologia. De fato, tais equívocos são relevantes no terreno da discussão filosófica, porém, o que Platão pretendeu foi conhecer e formar o Estado perfeito (Ideal) para conhecer e formar o homem perfeito. Na República, Platão leva o Estado às últimas conseqüências: O Estado é a alma ampliada, e entre a alma e o Estado há uma correlação recíproca.
 
A sede autêntica do verdadeiro Estado e da verdadeira política é justamente a alma. Segundo Platão, o Estado nasce de nossa necessidade. Como as necessidades são múltiplas, cada pessoa necessita de muitos outros homens que atendam a essas necessidades. Tendo em vista a satisfação das necessidades essenciais da vida, tem igualmente necessidade de uma classe de guardiões e guerreiros. 
O Estado deve ter tudo que corresponde a sua formação e segurança. Os guardiões devem ser dotados de mansidão e de ousadia; devem ser fortes e ágeis no físico, irascíveis, valentes e amantes do saber na alma. Para estes é necessária uma educação muito apurada. A cultura (poesia e música) e a ginástica serão os instrumentos mais idôneos para educar o corpo e a alma do guardião. O pensamento platônico reformula a paidéia helênica. A poesia da qual se alimentará a alma dos jovens no Estado perfeito deverá ser purificada de tudo quanto é moralmente indecente e indecoroso, e de tudo quanto é falso, sobretudo no que diz respeito às narrações em torno dos deuses. Tanto na questão da música quanto da ginástica deve, assim, ser em ritmos apropriados e simples para a música e apropriada e simples para a ginástica para não cair em nenhuma forma de excesso. Ela deve acompanhar a educação da alma, que voa pode tornar bom o corpo, mas não vice-versa. Toda educação deve, portanto, servir para produzir no homem acordo e harmonia perfeita. Dentre os guardiões haverá aqueles que deverão "obedecer" e aqueles que deverão "mandar". Estes últimos, são os dirigentes do Estado, pois mais que os outros amam a Cidade, ao longo da vida, realizando com zelo o que é útil e bom (estes são os filósofos verdadeiros, terceira classe...).
 Entretanto, é preciso ter em mente que em Platão a divisão de classe ainda não estava completa. As três classes sociais constituem abertura moderada. No fundamento das classes está a índole humana, cada classe com a índole que melhor corresponde com a sua. À primeira classe, formada por camponeses, artesãos e comerciantes, é concedida a posse de bens e riquezas "moderadas". Aos defensores do Estado não será concedida nenhuma posse de bens e riquezas; terão habitação e mesa comuns, e receberão víveres da parte dos outros cidadãos como compensação pela sua atividade. 
Isto para a felicidade do Estado: entretanto não é só uma classe que deverá ser feliz no Estado perfeito já que, tendo equilibrada felicidade do Estado na sua integralidade, cada classe deve participar da felicidade somente na medida em que a sua natureza permite. Os guardiães devem, como definiu Platão, vigiar quanto ao equilíbrio do Estado, para que na primeira classe não penetre nem demasiada riqueza nem demasiada pobreza, bem como para que o Estado não se torne demasiado grande nem demasiado pequeno. Isto tem em vista o cuidado quanto a índole e a natureza dos indivíduos para que correspondam as funções que exercem e que se proceda adequada à educação dos melhores jovens. Não se devem mudar com isso as leis que as regem, nem o ordenamento do Estado.
 O Estado ideal é delineado, mostrando a natureza e o valor da justiça; para isto, Platão descreve as virtudes cardeais, isto é, além da justiça, a sapiência, a fortaleza e a temperança. O Estado perfeito deve possuir as quatro virtudes fundamentais. O Estado é sábio pela classe dos seus governantes. A fortaleza é a virtude própria sobretudo dos guerreiros e o Estado é forte pela classe dos seus guerreiros. O Estado temperante é aquele no qual os mais fracos estão de acordo com os mais fortes e os inferiores em plena harmonia com os superiores. Quanto a justiça, percebe-se quando cada cidadão e cada classe atende às próprias funções do melhor modo, então a vida do Estado se desenrola de maneira perfeita e temos exatamente o Estado justo. Como foi dito anteriormente, o Estado não é senão a ampliação do homem e da sua alma. Deste modo Platão diz: "- Penso que diremos também, Glauco, que o homem é justo do mesmo modo que a cidade é justa". As três classes sociais do Estado deverão corresponder a três formas ou faculdades na alma: a racional, a irascível e a apetitiva. Caberá à parte racional mandar.
 Assim, Estado feliz é somente aquele que cumpre ordenadamente as suas funções segundo a justiça e as outras virtudes. O princípio de que a classe dos guardiães do Estado deve ter todas as coisas em comum: além da habitação e da mesa, também as mulheres, os filhos, a criação e a educação da prole, era mesmo revolucionário para os padrões do sistema da época. Tanto no que tange ao papel da mulher como do homem, dentro e fora das funções do Estado. Para não dizer que a concepção de leis que regem o Estado platônico eram autoritária nos termos que se definem hoje em dia, penso que ao invés de autoritário como diz Karl Popper, era mais uma forma rigorosa e nova de um novo Estado como queria Platão. No que se refere a família, posta também em comum, os guardiões de nada mais poderão dizer "é meu", porque tudo absolutamente será comum, à exceção do corpo. É nesta definição que pode-se perceber o "comunismo platônico". Assim define Platão: "- Ao contrário, no Estado em que o maior número de cidadãos, a respeito da mesma coisa e segundo o mesmo sentido diz justamente é "meu" e "não é meu", "não haverá legítimo governo? - Sim, ótimo".
 Levando-se em conta estas afirmações, é evidente que o "comunismo" platônico não se aplica ao "coletivismo moderno", seja em razões históricas ou teóricas. Quanto as disposições teóricas, os guardiões da cidade platônica, estão mais na posição de uma burocracia coletivista. O motivo da proibição de toda posse individual, mesmo da posse de uma mulher, combina-secom o princípio da seleção racial no conduzir à teoria da comunidade de mulheres e filhos para os guerreiros. No fundo Platão visava a uma grande família, para unificar a Cidade, cortando pela raiz tudo o que fomenta os egoísmos humanos. Convém, no entanto, admitir que Platão não tinha "bem claro" o conceito de homem como indivíduo singular, único e irrepetível, usando termos atuais. Acima deste conceito, valia para ele mais a raça que o indivíduo, mais a coletividade que o sujeito singular.
O Estado ideal descrito por Platão é uma "aristocracia" no sentido mais forte e significativo do termo, vale dizer um Estado guardado e governado pelos "melhores" por natureza e por educação, fundado sobre a virtude como valor supremo e caracterizado pela primazia, nos seus cidadãos, da parte racional da alma. O Estado ideal e o homem régio ou aristocrata que lhe corresponde são caracterizados pelo domínio inconstante da racionalidade, virtude e liberdade, estes são os chefes do Estado. E igualmente na classe dos guardiões-guerreiros, na medida em que regula a alma irascível nela produzindo a virtude e coragem, e na classe inferior na medida em que regula a alma concupiscível nela produzindo temperança. Esse é o Estado são e, como tal feliz.
 A felicidade superior do homem que vive segundo a política do Estado perfeito, isto é, vive a vida filosófica. A felicidade não pode consistir senão na forma mais alta do prazer, que é o da parte racional da alma. É o prazer mais verdadeiro. A vida política neste Estado garante a felicidade no aquém como no além, na vida depois da morte, para sempre. Para Platão a "verdadeira política" é aquela que não nos salva apenas no tempo, mas no eterno e para o eterno.
 A República platônica exprime fundamentalmente um ideal realizável (mesmo historicamente o Estado perfeito não existe) no interior do homem, vale dizer, na sua alma. Se o Estado perfeito não existe fora de nós, podemos, no entanto, construi-lo em nós mesmos, seguindo a política verdadeira no nosso íntimo. Para Jaeger: "a essência do Estado de Platão não está na estrutura externa - dado que possua uma - mas no seu núcleo metafísico, na idéia de realidade absoluta e de valor sobre o qual é construído. Não é possível realizar a república de Platão imitando a sua organização externa, mas somente cumprindo a lei do bem absoluto que constitui a sua alma". É natural que, no Estado histórico, o cidadão que vive a política da cidade ideal, tone-se estranho e tanto mais estranho quanto mais a sua vida se conforma com a política ideal. É daqui que surge a idéia, em Platão, do cidadão das duas Cidades, a Terrestre e a Divina, portanto um dualismo.
 Sendo a República voltada para o mundo 'ultraterreno', o homem tem uma alma e pode alcançar a bem-aventurança eterna, e é essa bem-aventurança que, acima de tudo, importa conquistar na vida. As instituições sociais e a educação que o põem em condições de conquistá-la são instituições e educação justas; tudo o mais é injusto. O filósofo, por sua vez, é o modelo do Estado ideal. Este é o homem que encontrou o caminho para essa bem-aventurança. Todavia, deve-se ter em mente que o filósofo só pode ser justo consigo se for para com a sociedade.
 A possibilidade do Estado ideal platônico será possível segundo a caracterização específica dos "governantes" ou "regentes" supremos do Estado e sua peculiar paideia ou educação. Além do fundamento teórico, é a concepção da natureza dos governantes que vai tornar possível a realização do Estado platônico. A principal condição para a sua realização é que os filósofos se tornem governantes e os governantes, filósofos. Portanto, o filósofo não somente projeta teoricamente o Estado perfeito, mas é também só o filósofo que pode realizá-lo e fazê-lo entrar na história. Eis o que diz o próprio Platão: 
"[...]os filósofos não sejam reis na sua cidade ou os que ora se dizem reis e soberanos não se entreguem honesta e convenientemente a filosofar, e uma coisa e outra não coincidam na mesma pessoa, ou melhor, o poder político e a filosofia,[...]
No que concerne à possibilidade do Estado platônico encarnar-se historicamente, não só no presente, mas também no passado e ao futuro, temos, a opinião do próprio Platão: "- Obrigados pela verdade, dizíamos que nem Estado nem Governo, nem mesmo um homem, poderia tornar-se perfeito antes que a estes poucos filósofos, chamados agora não de maus, mas tidos como inúteis; não aconteça por uma sorte favorável; queiram eles ou não, à necessidade de assim o cuidado do Estado e, à cidade obedecer-lhes; ou então que aos filhos dos poderosos ou reis de agora ou a esses mesmos alguma divina inspiração não infunda o amor da verdadeira filosofia"[24].
Colocar o filósofo como construtor e regente do Estado significa colocar o Divino e o Absoluto como medida suprema e, portanto, fundamento do Estado. Por isso, Platão mostra o conceito de sua filosofia que acabamos de expor dizendo: "- Tenha pois acontecido ou não aos perfeitos filósofos essa necessidade de governar o Estado no tempo infinito que já passou, ou aconteça agora em algum país bárbaro longe daqui e fora do nosso conhecimento, ou venha a acontecer no futuro, ao menos isto estamos prontos a sustentar, a saber, que o Estado que descrevemos foi, é e será tal, todas as vezes que esta Musa filosofia se tornar senhora da cidade. Com efeito, nem é impossível que tal aconteça nem nós dizemos coisas impossíveis; mas que sejam difíceis somos os primeiros a admiti-lo".[25] O filósofo para Platão, depois de ter alcançado o divino, contempla-o e o imita, plasma a si mesmo de acordo com ele e, por conseguinte, posto à frente do Estado, plasma e conforma o Estado segundo a mesma medida. Este entendendo-se com o divino e ordenando, torna-se ele também divino e ordenado à medida que é possível aos homens.
 Platão mostra a suprema Idéia de Bem, dizendo que o bem em si esta como "modelo" supremo ou paradigma do qual o filósofo deve servir-se para regular a própria vida e a vida do Estado. Portanto, o Estado platônico pode ser definido como a entrada do bem na comunidade dos homens por meio daqueles poucos homens (justamente os filósofos) que souberam elevar-se à contemplação do Bem. E a Idéia do Bem é o divino no mais alto grau, o Estado platônico torna-se, assim, a tentativa de organizar vida associada dos homens na base do mais elevado fundamento "teológico". O Divino torna-se, por sua vez, o fundamento da vida dos homens na dimensão política, o eixo da verdadeira polis. Logo, a Cidade Platônica Ideal encontra-se na base do estatuto verdadeiro, na qual os filósofos constróem sua inteligência indagadora para alcançar o conhecimento do Bem divino.
2.3. Aristóteles e o homem como um animal político.
Aristoteles apresenta as relações do senhor com o escravo e do marido com a mulher, comparando-as pela natureza de servidão, pois segundo ele o escravo que não possui conhecimento suficiente é obrigado a servir assim como a mulher. Descreve também a necessidade que os homens possuem de viver em sociedades na busca de uma melhor situação de vida e a formação de cidades auto-suficientes com a união de pequenos burgos (sociedade primitiva formada por muitas famílias) onde o estado pela ordem natural deve ser colocado antes da família e do próprio individuo, sendo a justiça a base dessa sociedade, mostrando assim que o homem e um animal político por natureza. 
Descreve a economia doméstica onde existe a autoridade do senhor, a autoridade material, a procriação de filhos e arte em acumular fortuna, nesta economia a única diferença entre o homem livre e o escravo é aquilo que esta imposto pela lei, sendo que o próprio autor considera essa diferença injusta e violenta, porém explicando depois que o escravo é apenas um instrumento de uso por ser algo possuído e com a mesma utilidade dos animais domésticos. 
A autoridade doméstica e tida como uma monarquia por toda família ser governada pelo homem. Estuda a propriedade em geral e aquisição dos bens, onde é colocadoque a ciência de adquirir é diferente da ciência da economia, já que uma tem por objetivo fornecer os meios e a outra usa-los. Também por a arte de adquirir ser infinita já que sendo a moeda um objeto de troca a riqueza que resulta dela é ilimitada, enquanto a ciência econômica é limitada pois é necessário que esta possua um limite de riqueza.
Aristóteles explica a guerra como uma forma natural de conquista dos homens que destinados pela natureza a obedecer e não o fazem. Aprofundamento na ciência da riqueza, citando as artes dessa ciência que são: o comércio, a usura e o salário. Além da necessidade de monopólio econômico, que os estados muitas vezes são obrigados a realizar para a manutenção de uma estabilidade política.
Aristóteles começou a escrever suas teorias políticas quando foi preceptor de Alexandre, “O Grande”. Para Aristóteles a Política é a ciência mais suprema, a qual as outras ciências estão subordinadas e da qual todas as demais se servem numa cidade. A tarefa da Política é investigar qual a melhor forma de governo e instituições capazes de garantir a felicidade coletiva. Segundo Aristóteles, a pouca experiência da vida torna o estudo da Política supérfluo para os jovens, por regras imprudentes, que só seguem suas paixões. Embora não tenha proposto um modelo de Estado como seu mestre Platão, Aristóteles foi o primeiro grande sistematizador das coisas públicas. 
Diferentemente de Platão, Aristóteles faz uma filosofia prática e não ideal e de especulação como seu mestre. O Estado, para Aristóteles, constitui a expressão mais feliz da comunidade em seu vínculo com a natureza. Segundo Aristóteles, assim como é impossível conceber a mão sem o corpo, é impossível conceber o indivíduo sem o Estado. O homem é um animal social e político por natureza. E, se o homem é um animal político, significa que tem necessidade natural de conviver em sociedade, de promover o bem comum e a felicidade. 
A polis grega encarnada na figura do Estado é uma necessidade humana. O homem que não necessita de viver em sociedade, ou é um Deus ou uma Besta. Para Aristóteles, toda cidade é uma forma de associação e toda associação se estabelece tendo como finalidade algum bem. A comunidade política forma-se de forma natural pela própria tendência que as pessoas têm de se agruparem. E ninguém pode ter garantido seu próprio bem sem a família e sem alguma forma de governo. 
Para Aristóteles os indivíduos não se associam somente para viver, mas para viver bem. Dos agrupamentos das famílias forma-se as aldeias, do agrupamento das aldeias forma a cidade, cuja finalidade é a virtude dos seus cidadãos para o bem comum. A cidade aristotélica deve ser composta por diversas classes, mas quem entrará na categoria de cidadãos livres que podem ser virtuosos são somente três classes superiores: os guerreiros, os magistrados e os sacerdotes. 
Aristóteles aceita a escravidão e considera a mesma desejável para os que são escravos por natureza. Estes são os incapazes de governar a si mesmo, e, portanto, devem serem governados. Segundo Aristóteles, um cidadão é alguém politicamente ativo e participante da coisa pública. Segundo Aristóteles, sem um mínimo de ócio não se pode ser cidadão. Assim, o escravo ou um artesão não se encontra suficientemente livre e com tempo para exercer a cidadania e alcançar a virtude, a qual é incompatível com uma vida mecânica. E os escravos devem trabalhar para o sustento dos cidadãos livres e virtuosos. Aristóteles contesta o comunismo de bens, mulheres e crianças proposto por Platão. Segundo ele, quanto mais comum for uma coisa menos se cuida dela.
3. O pensamento político na Idade Média
3.1. Agostinho e o Direito Divino de Governar
Para Aurélio Agostinho, o Santo Agostinho de Hipona, a atividade política é algo fundamental para que haja na sociedade a tranquilidade e a ordem. Através do exercício correto do poder, os governantes poderão prestar a todos um excelente serviço voltado para o bem comum. Mas, para Santo Agostinho, a política não deveria se prender somente a resolver os problemas de cunho material da sociedade.
Como o ser humano é um todo, a política deve se esforçar para proporcionar aos cidadãos da pátria terrena condições para o exercício do culto ao Deus verdadeiro. Do contrário, segundo o teólogo, não seria possível atingir um acordo social válido. “Onde Deus não está presente a paz duradoura torna-se impossível.” A ética agostiniana se fundamenta no amor de Deus, encontra sua verdadeira razão de ser, na prática do preceito do evangelho “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. 
A principal obra de Santo Agostinho: Cidade de Deus. Não é um tratado especificamente voltado para a função da política, contudo, nela o “Santo de Hipona” fala sobre a origem e a finalidade da política no seio da sociedade humana. Criou a imagem de uma Cidade Ideal. Agostinho se articula com a teologia sobre a qual deposita suas esperanças, pois a política, como função especificada da Cidade Terrestre, é importante enquanto atividade que prepara ou para a Cidade Celeste. 
O exercício do poder político em Agostinho desempenha um papel importante na sociedade terrestre como meio que garante o bem comum e a segurança dos cidadãos da sociedade. Estes cidadãos devem trabalhar para viver numa tranquillitas ordinis. Evidentemente que esta tranquilidade da ordem à qual se refere Santo Agostinho só será uma realidade quando o exercício da função política for fundado no verdadeiro amor...
Mas quem exerce a política? Os homens são responsáveis pelo governo e, 
seguindo o pensamento cristão, homens são “marcados pelo pecado”; Portanto, política para ser vivida com autenticidade e justiça, necessitaria da graça de Cristo. 
Santo Agostinho enfatiza que só haverá convivência justa nas organizações sociais quando Cristo for o alicerce e o centro, inspirando e ao mesmo tempo dirigindo as ações humanas. Santo Agostinho em nenhum momento deixa de lembrar a soberania que Deus tem sobre o mundo e o homem. 
De acordo com Santo Agostinho, sem a preocupação com o divino,
é impossível que se concretize o bem comum, por quê? Porque comumente, objetivos particulares dos dirigentes políticos prevaleceriam sobre os interesses da coletividade. E o que isso pode ocasionar? Injustiças sociais, violência, as revoltas populares, etc. 
“Exilada a justiça, que é todo reino, senão grande pirataria? [...] Se esse mal cresce, porque se lhe acrescentam homens perdidos, que se dizem senhores de lugares, estabelecem esconderijos, ocupam cidades, subjugam povos, toma o nome mais autêntico de reino. Esse nome dá-lhe abertamente, não a perdida cobiça, mas a impunidade acrescentada.”
O santo de Hipona reconhece que o exercício do poder só encontrará sua verdadeira realização quando governantes e súditos se deixarem conduzir pela bondade divina. Para ele esse é o caminho para se tornarem participantes e irradiadores da Bondade de Deus, procurando a paz ou felicidade vivendo em comunhão com o bem supremo que é Deus. Somente nestes habitará a verdadeira felicidade. 
A finalidade da Política nas palavras que o Santo bispo de Hipona dirigiu a um governador que resumem tudo quanto Santo Agostinho diz sobre a arte de governar a Cidade Terrestre:
Também serviços prestados à pátria terrena, se fizeres com amor vero e religioso ganharás a pátria celeste [...] deste modo, proverás, de verdade, ao bem de teus compatriotas a fim de fazê-los usufruir não da falsidade dos prazeres temporais, nem da calamitosíssima impunidade da culpa, mas da graça da felicidade eterna. Suprimamse todos os ídolos e todas as loucuras, convertam-se as pessoas ao culto do verdadeiro Deus e então verás a tua pátria florir segundo a verdade professada pelos sábios, quando esta pátria, em que nasceste para a vida mortal, será uma porção daquela pátria para a qual se nasce não com o corpo, mas pela fé, onde [...], após o inverno cheio de sofrimentos desta vida, florescerão na eternidade que não conhece noite [...] pois,o amor mais ordenado e mais útil pelos cidadãos consiste em levá-los ao culto do Sumo Deus e à religião. Este é o amor verdadeiro da pátria terrestre, que te fará merecer a pátria celeste.” 
Destas palavras deriva o pensamento político de Santo Agostinho!!! Conforme dito anteriormente, para ele, a função da política não se restringe apenas em proporcionar um bem-estar de cunho material terreno. Teria também a responsabilidade de guardar valores inerentes à dignidade do ser humano, pois este é transcendente e em meio às preocupações deste mundo na aquisição dos valores relativos não pode abstrair do valor absoluto: Deus único. Só Ele pode responder ao apelo dos cidadãos da Cidade Terrestre que anseiam chegar onde se encontram aqueles que se tornaram cidadãos da pátria celeste.
O exercício da função política em Santo Agostinho abrange a pessoa humana inteira com seu corpo e sua alma. Ele descreve um caminho teológico para aqueles que se sentem “chamados” para exercer cargos de governo. Se a finalidade da política é garantir a ordem, a tranquilidade e o bem comum de todos os cidadãos ela deve estar ancorada em Deus, a fim de que não se descuide de promover aquela paz por excelência que só experimentam aqueles que usufruírem de Deus como indica o salmista: O meu bem é estar unido a Deus (S1 72, 28). Esta é, para Agostinho, a condição essencial para que a função política atinja sua meta, ultrapassando o limite terreno e já experimentando um pouco o refrigério da pátria celeste.
Para Agostinho, o exercício do poder estará ameaçado ou mesmo fadado aor fracasso se não for sustentado por quais princípios? Os princípios divinos!! Os que foram chamados para governar devem fazê-lo com a mente e o coração voltados para a eternidade pois, no dizer de Santo Agostinho, eles foram criados e constituídos por Deus. 
Temos a origem do desvirtuamento da função política, da
arte de governar ocasionando a partir desse ponto a idolatria do poder, a sede de dominar e de massacrar seus semelhantes, o perigo de governar a sociedade não buscando o bem comum dos cidadãos mas o proveito pessoal. 
Quando Santo Agostinho falou sobre o desvirtuamento dos políticos ele tinha diante dos olhos o Império Romano! De acordo com o mesmo, Roma estava em decadência devido ao obscurecimento do coração, a corrupção dos costumes e o culto aos deuses pagãos. 
As organizações políticas só seriam bem sucedidas quando seus membros se conscientizassem que o bem da coletividade deve sempre prevalecer sobre interesses de grupos particulares que monopolizam a função política colocando-a apenas em vistas do bem particular. O governante, dirigente político, deve agir de tal modo que o povo veja e perceba nele alguém que se preocupa e que não mede esforços por construir uma sociedade justa e fraterna. 
Os cidadãos devem se sentir amparados por leis e sistemas de 
governo que garantam uma vida social digna, com melhores condições de crescimento humano e espiritual, visando pleno desenvolvimento de todas as dimensões do ser humano. Para que isso possa acontecer, faz-se necessário que Deus esteja no centro de tudo.
4. O pensamento político na Idade Moderna.
4.1. Maquiavel e o realismo político
Nicolau Maquiavel (em italiano: Niccolò di Bernardo dei Machiavelli; Florença, 3 de maio de 1469 — Florença, 21 de junho de 1527) foi um historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna1 , pelo fato de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente.
Maquiavel não foi um pensador sistemático. Ele utiliza o empirismo para escrever através de um método indutivo e pensa em seus escritos como conselhos práticos, sendo além disso antiutópico e realista. A teoria não se separa da prática em Maquiavel.32 Os conceitos desenvolvidos por ele rompem com a tradição medieval teológica e também com a prática, comum durante o Renascimento, de propor Estados imaginários perfeitos, os quais os príncipes deveriam ter sempre em mente. A partir da observação da política de seu tempo e da comparação desta com a da Antiguidade vai formular o seu pensamento por acreditar na imutabilidade da natureza humana.
Conforme a Ciência Política, assim como nas Relações Internacionais. o realismo, também conhecido como realismo político, abrange diversas teorias que compartilham a ideia de que Estados são primordialmente motivados pelo desejo de poder e segurança, tanto militar quanto econômico, em vez de se preocuparem com ideais ou com a ética.O realismo se contrapõe muito ao idealismo.
Maquiavel despreza o pensamento político da Idade Média, para ele, não há a De Monarquia, de Dante, e proclama que a origem do poder não é divina, mas, sobretudo, se encontra na força. Ora, quem governa o Estado deve seguir os preceitos morais? A política, pois, deve ser pautada segundo preceitos éticos? Maquiavel responde de modo realista, quer dizer, vai buscar na experiência da prática das ações políticas. Assim, para ele, o triunfo do mais forte é o fato essencial da História. Existe, sim, uma relação entre moral e política, mas essa relação deve ser investigada na sua verdade efetiva, ou seja, nas realidades de fato, e não segundo princípios abstratos. Assim, escreve Maquiavel:
“Parece-me mais conveniente perseguir a verdade efetiva dos fatos, em vez da fantasia. Muitos imaginaram repúblicas e principados nunca vistos nem conhecidos na realidade (...) um homem que queira sempre se comportar como bom, entre tantos que bons não são, acaba por arruinar-se. Portanto, é necessário que um príncipe, para se manter como tal, aprenda a não poder ser bom, e usar isso ou não, segundo a necessidade”. (Maquiavel, 2005)
A política deve usar todos os instrumentos que garantam o seu sucesso. A moderação também é necessária, porém a bondade sistemática termina por comprometer a ordem da sociedade, produzindo danos ainda maiores do que o mais realístico uso da violência. Certamente, afirma Maquiavel, o ideal, para o príncipe, seria ser ao mesmo tempo amado e temido, mas, na prática, constitui ambas as coisas fatos inconciliáveis. Quem governa o Estado, portanto, deve decidir a cada vez com base na oportunidade. Em todo caso, o que não deve fazer é submeter às praticas de governo às normas da ética individual, meramente subjetiva. Portanto, nos ensina Maquiavel, em política, a piedade produz mais danos do que vantagens:
“assim, um príncipe, para manter seus súditos unidos e leais, não se deve preocupar com a fama de cruel; porque, com pouquíssimos exemplos, por excesso de clemência, deixam que as desordens prossigam, provocando mortes e roubos; posto que estas costumem atingir a inteira coletividade, quando as condenações do príncipe atingem um individuo em particular. E, entre todos os príncipes, o príncipe novo não pode evitar ser considerado cruel, porque todos os Estados novos são cheios de perigo”. (Maquiavel, 2005)
Visto que o papel da política consiste na ação real na busca das relações de poder, e, por isso, não pode encerrar-se nos preceitos morais e éticos do individuo, logo a ação do príncipe deve, pois, mover-se na busca de sustentação do poder, mesmo que isso, no fundo, suponha o uso da violência, Maquiavel busca pensar em que consiste o papel social do príncipe. Segundo Maquiavel, são quatro as maneiras de se conquistar um principado. Conquista-se pela virtu, pela fortuna; pela perversidade e pelo consentimento dos próprios cidadãos. 
É interessante notar que virtude, para Maquiavel, não significa qualidade moral, mas força, ação. Os que conquistam o poder pelas virtudes próprias e com as próprias armas lutam mais para adquirir um principado, mas quando o conseguem terão mais facilidade em conservá-lo. Fora isto, deve o príncipe amedrontar, intimidar, constranger os vencidos para que eles silenciem, pois, visto o oposto, os vencidostornam-se bem mais violentos e capazes do que o príncipe benevolente. 
O príncipe, então, deve ser forte e estar sempre suficientemente armado. Ora, é fácil persuadir um povo, mas é difícil mantê-lo persuadido. E, por esta razão, tudo deve ser mantido e preparado de tal forma que, quando o povo não mais confiar nem crer no governo, seja obrigado a acreditar pela força. Daí a importância de ser temido, em vez de amado. Para Maquiavel o temor das penas produz mais vínculos políticos do que o amor. Assim:
“Os homens tem menos cuidado em ofender alguém que se ama do que alguém que se faça temer; por que o amor se sustenta em um vinculo de reconhecimento, que os homens, sendo maus, podem romper sempre que lhes convenha; o temor, todavia, sustenta-se no medo de ser punido, que não nos abandona nunca. O príncipe deve se fazer temer de modo tal que, mesmo sem se fazer amar, não se faça odiar; porque se pode ser temido e ao mesmo tempo não odiado; e isso será possível respeitando os bens de seus cidadãos”. (Maquiavel, 2005)
O príncipe, para defender a manutenção do seu principado, deve, pois, ser mais temido do que amado. O ideal seria ser igualmente amado e temido, mas isto não é fácil. Então, é preferido ser temido. Os homens quase sempre são ingratos, inconstantes, dissimulados, pusilânimes diante do perigo e ambiciosos. Oferecem tudo ao príncipe desde que o perigo esteja distante. O príncipe, e sobretudo o príncipe novo, deve entender tudo isso, ser capaz de comandar com força, virtude, energia, ser temido sem, todavia, ser odiado. 
É na construção conceitual da ação política do príncipe que consiste o realismo político de Maquiavel. Libertando a política dos fatos abstratos de uma certa impulsão divina e pautada na ética individual, Maquiavel confere à política um status absolutamente novo dentro da História. A política passa a ser, então, auto-referente, quer dizer, ela é autônoma com suas leis e condutas. Para que isso ocorra, é preciso superar as antigas antinomias da política convencional. 
Maquiavel conseguiu, com seu Príncipe, algo maior. Não só superou as contradições de uma política fundamentada por uma moral, mas fundou uma analise moderna de se pensar a política. A modernidade nasce, pois, segundo uma regra de realismo político que mudaria o curso dos modos como pensamos e exercitamos a política. Maquiavel é um fundador. Um legitimador de uma época e de uma ação política que, embora escrito e teorizado no século XVI, parece hoje tão atual.
Lição de Maquiavel:> Politica e moral são universos distintos
4.2. T. Hobbes e o Estado Soberano
A chave para entendermos Hobbes, é o que ele diz respeito ao estado de natureza. Como sabemos, Hobbes é um contratualista. Ou seja, antes de firmarem um contrato, os homens, viveriam em um estado de guerra. E só depois desse contrato, o homem, poderia viver em paz. Para Hobbes, o homem em sua natureza é propício à guerra por causa da sua desconfiança em relação aos outros e também por se achar superior aos outros. 
Hobbes defende a criação de um Estado ( dotado da espada, armado, para forçar os homens ao respeito ), pois somente ele será capaz de acabar com esse estado de guerra que é natural do ser humano. Nesse Estado ( que deve ser soberano ), cada pessoa, deve atribuir todos os seus direitos de se auto governar para um Príncipe ou uma Assembléia através do voto. Ou seja, o cidadão perde sua total autonomia para o Príncipe ou Assembléia. 
Daí a formação do contrato que se dá do vulgo para o vulgo. Note que o governante não participa desse contrato, pois é a partir deste que ele assume o poder. Segundo esse contrato, somente o vulgo tem obrigações com o governante, já que este não promete nada ao povo. Nesse contrato, o povo não tem direito de reclamar de nada a não ser quando uma decisão do Governante ou da Assembléia põem em risco sua vida, já que o Governo o representa, ou seja, quando o povo reclama do príncipe, reclama de si próprio.
Hobbes define assim a essência do Estado: Uma pessoa de cujos atos numa grande multidão, mediante pactos recíprocos uns com os outros, foi instituída por cada um como autora, de modo a ela poder usar a força e os recursos de todos, da maneira que considerar conveniente, para assegurar a paz e defesa comum. Aquele que é portador dessa pessoa se chama soberano, e dele se diz que possui poder soberano. Todos os restantes são súditos. 
Para Hobbes, um homem livre é aquele que, naquelas coisas que graças a sua força e engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer. 
Hobbes no capítulo XXI de Leviatã reduz a liberdade a uma determinação física, aplicável a qualquer corpo. Com isso, ele praticamente elimina o valor ( a seu ver retórico ) da liberdade como um clamor popular, como um princípio pelo qual homens lutam e morrem.
Soberania para Hobbes é o poder que está acima de tudo e de todos. Assim o Estado Soberano está acima das leis e acima da Constituição, sendo um poder absoluto e indivisível. Mais uma vez, Norberto Bobbio fala com precisão das características do Estado Soberano:
O poder estatal não é verdadeiramente soberano e, portanto, não serve à finalidade para a qual foi instituído se não for irrevogável, absoluto e indivisível. Recapitulando, pacto de união é:
a)um pacto de submissão estipulado entre os indivíduos, e não entre o povo e o soberano;
b)consiste em atribuir a um terceiro, situado acima das partes, o poder que cada um tem em estado de natureza;
c)o terceiro ao qual esse poder é atribuído, com todas as três definições acima o sublinham, é uma única pessoa.
Contudo, apesar do súdito ter que obedecer a tudo que o soberano mandar, existe uma exceção: o súdito pode resistir ao perigo da morte. Esta exceção tem uma explicação muito razoável, pois como poderia o homem não conservar sua própria vida, seu bem inalienável, já que o poder soberano vem da reta razão, por sua vez, advinda do instinto da auto conservação? Isto seria uma incoerência. Logo todos os homens têm o direito de resistir a qualquer ato do Estado que ameace a conservação da sua vida.
O poder soberano pode ser adquirido de duas formas: pela livre vontade dos cidadãos, que é chamado de Estado Político/Estado por Instituição; ou pela imposição aos cidadãos, que são obrigados a acatar sob pena morte, é o Estado por Aquisição.
O Estado por instituição, na política de Hobbes, pode ser governado por três espécies: pela Monarquia, governo de uma pessoa; por uma Democracia, governo popular, de todos; e pela Oligarquia, governo de poucos.
A Monarquia é a melhor forma para de se governar um Estado Soberano. Hobbes defende a autoridade absoluta do rei com única forma de se exercer um poder soberano, já que este é uno e indivisível. A Oligarquia seria possível, mas poderia acarretar a descontinuidade do exercício do poder soberano. A Democracia era inviável, porque fatalmente iria acarretar a dissolução do poder soberano.
A Democracia para Hobbes é diferente da concepção de Democracia da nossa Constituição. A Democracia que se fala na CF/88 é a representativa, já a de Hobbes é a democracia direta, como explica Denis L. Rosenfield, no prefácio de De Cive:
"(...) Com efeito, Hobbes tem em vista uma forma de democracia direta, tal como era exercida na Grécia clássica, e não o que hoje entendemos por democracia indireta ou governo representativo. Assim, a democracia exigiria um alto grau de politização, sendo suscetível das mais diferentes formas de instabilização proveniente da retórica dos demagogos."
4.3. J. Locke, o Estado Liberal e o direito à propriedade
Ira se tratar o liberalismo clássico na sua origem e não o Contemporâneo.
Caso: Famílias ocuparam uma área de 50 anos sem ocupação, o judiciário concedeu uma medida de desapropriação. Conflito entre sem terra e proprietários.
As revoluções americana e francesa são as responsáveis por propagar o liberalismo. O homem livre é o grande ganho e crença das 3 revoluções, o liberalismo vai coincidir com esses 2 argumentos.Doispilares da nova doutrina política é a consolidação dos Estados nacionais e Expansão do modo de produção capitalista. 
Surge também a idéia de constitucionalismo, quer-se inserir os idéias liberais em normas positivas superiores e inscrever direitos do homem e limites do Estado em Constituições estritas e rígidas. Com a Constituição vão se positivar as realizações dos liberalistas, ele aparece para consolidar os Direitos recém adquiridos da burguesia. A demanda de igualdade liberdade e fraternidade é a demanda de uma determinada classe que tinha ascendido e precisava ser consolidada com o direito positivo.
O liberalismo delineou-se como uma ideologia baseada em:
Defesa e promoção das liberdades e direitos individuais: O Estado é um ato deliberativo da vontade dos governantes;
Separação de esfera publica e privada;
Contrato como expressão da vontade;
Limitação dos governantes;
Soberania popular: O poder é legitimado pelo povo, quem delega o pdoer é o povo e não a igreja.
Há três grandes pilares do Liberalismo:
Natureza humana: Já vinha sendo discutida há séculos, culminou no iluminismo.
Liberdade: Inegociável ao homem, principio fundamental o Estado só existe para garantir a liberdade ao homem.
Contrato Social: O instrumento do liberalismo, ele não esta pare cercear a liberdade e sim garantir-la.
Para John Locke, o homem é razoavelmente bom, mais com a complexidade dos conflitos que aumenta com o crescimento da sociedades ele precisa fundar o Estado pra nos conflitos ter um agente mediador. O individuo é anterior ao Estado e a sociedade. No Estado de Natureza humana o homem é livre, dotado de razão e igual. Essa igualdade é anterior a qualquer sociedade ou Estado.
Para Locke propriedade os bens não são a principal propriedade e sim a vida. A vida é a primeira propriedade. A vida é uma propriedade da pessoa, a pessoa tem o direito de ser livre. Todo homem tem uma propriedade em sua pessoa (John Locke). Cada homem detem pela lei da razão o poder executivo de afastar qualquer tentativa de subjugação de sua pessoa ou de sua propriedade. 
A força de trabalho é o principal fundamento de propriedade, o que o homem trabalha na natureza vira sua propriedade.
O Estado é limitado com única função à proteção da vida e da propriedade dos indivíduos. O Estado só serve para proteger a liberdade e propriedade dos indivíduos, e igualdade de direitos a todos. Se o Estado não proteger aos indivíduos para garantir liberdade, igualdade e propriedade então ele é tirânico e deve ser combatido. O Estado deve garantir a liberdade.
Locke e Hobbes vão criar 2 versões diferentes do Contratualismo, onde Hobbes dará um modelo absolutista delegando a maior quantidade de poder ao soberano e o de Locke que vai atender a um Estado legal porem uma democracia representativa que é o pólo oposto dos Contratualistas, onde o homem abre mão de determinadas liberdades. Herdamos-nos o liberal democrata de Locke, um quer delegar poder ao povo e o outro ao soberano.
Os dois também têm conceitos diferentes de natureza humana, Hobbes acredita que o humano é mais perversa então pela lógica é necessário mais controle para manter a ordem, já Locke não era tão perverso então não era a favor do absolutismo. Hobbes quebra com o paradigma do tipo de natureza que se esperava do homem, ele diz que o homem quer tirar vantagem, sempre quer mais e sempre procura o maior beneficio, Hobbes acreditou nessa natureza que tendia a desvirtude. 
Locke é pai do Estado moderno. Nesta época o homem acreditou na razão, a razão é o paradigma para acreditar em tudo. Se"em tudo. Se uma teoria é razoável ela é valida.Cada homem detém pela razão o poder executivo de afastar qualquer tentativa de subjugação de sua pessoa ou sua propriedade. Contudo, em certo momento os indivíduos consensuam que seria mais cômodo entregar esse poder executivo a um ente criado unicamente para este fim, nascendo, assim, o Estado. 
O grande protagonista do Estado Moderno é o Burguês, o detentor dos meios de produção que estava conquistando propriedade, adquirindo riqueza então nada melhor um Estado que vinha para garantir a conquista de essa propriedade, precisa-se de um órgão regulador para algo que conquistei. O burguês aceita a criação do Estado porque ele tem um interesse a defender que era a propriedade que ele tinha acabado de conquistar. 
Sai a idéia de Um estado limitado, feito exclusivo para proteger a vida e a propriedade dos indivíduos. Os indivíduos concedem ao Estado um poder executivo para este fim especifico. A concepção de Estado liberal completa é formulada por Locke. Se o Estado desvirtua ou viola os direitos naturais, se ele não estiver garantindo os Direitos Naturais ele deixa de existir, torna-se nulo, Locke aqui assume um caráter revolucionário. Se o Estado desvirtue ou viole os direitos naturais, devera ser dissolvido e o poder retorna aos seus titulares - os indivíduos. Vêm a idéia de que o homem não é possuidor só da propriedade, mais ele tem poder de resistência a opressão.
A fonte do poder político: Não é legitimo nem por tradição nem pela foca e sim pelo consenso, consentimento de todos. É uma concessão da soberania individual em favor de uma comunidade na proteção da vida, da liberdade e das posses individuais. O homem abre mão de parte da liberdade para garantir sua própria liberdade. Acabou a idéia greco-romana de coisa publica, na fundação do Estado Moderno os princípios são individuais. O grande principio do Estado Liberal é a liberdade.
Devem ser observadas 3 dimensões:
Ético-filosofica: Justificar os atributos da natureza moral e racional do ser humano, tais como a liberdade, o individualismo e a tolerância e com isso querer proteger o homem.
Econômica: Defensora da propriedade privada da economia de mercado, do controle estatal mínimo e da livre iniciativa.
Político Jurídico: Contribuir para a formação dos institutos do individualismo político: representação política, divisão de poderes, descentralização administrativa, soberania popular, direitos individuais e supremacia da Constituição o do Estado de Direito. 
Com estas 3 dimensões procura-se defender o individuo procurando-se uma explicação ético filosófica para isso. A idéia é que somos igualmente livres, o Estado não tem que promover liberdade material. Há uma concepção de homem livre então ele tem livre iniciativa para o mercado. O liberalismo é muito importante para o conceito de liberdade. Se temos um Estado precisamos de instituições e as instituições são criadas para atender a demanda dos princípios. A idéia de um direito positivo, supremo e regulador de uma forma escrita e não Consuetudinária aparece.
Teoria da Propriedade:
Hobbes: Inexiste no Estado de natureza, só após o Estado Leviatã. Se o Estado cria, o Estado pode suprimir a propriedade. O Estado cria a propriedade, a propriedade só é possível com a formação do Estado. A natureza humana é invejosa corruptível e não virtuosa.
Locke: A propriedade já existe no Estado de natureza, instituição anterior a sociedade. O homem nasce livre e o Estado precisa garantir esse direito constantemente. O homem é naturalmente livre e proprietário da sua pessoa e de seu trabalho. Direito natural do individuo que não pode ser violado pelo Estado. Como a terra foi dada a todos, o trabalho humano incorporado a matéria bruta define a propriedade privada. Trabalho: Fundamento originário da propriedade. O homem tem um direito legitimo pelo o que ele produziu. O Estado nunca foi pensado como provedor de igualdade material.
Problema: O uso da moeda promove a passagem da propriedade limitada pelo trabalho para a propriedade ilimitada, a acumulação pelo advento do dinheiro e trabalho começa a evocar a diferença de valor em tudo quanto existe. O capitalismo propõe um modo de produção diferente que é a acumulação de capitais. O dinheiro possibilita a concentração muito grande de recursos. A moeda proporciona desigualdade e a acumulação vai prever uma dissociação entre o que trabalha e o que detémo meio de produção. O trabalho não gera mais riqueza pessoal, Locke previu isso. Com o aparecimento da moeda o que o trabalhador produzia não se tornava mais sua riqueza. 
No Brasil adquiriu-se a idéia de propriedade mais não para os Burgueses e sim para os latifundiários, os ideais liberais burgueses e revolucionários não chegaram ao Brasil. Nossa idéia de propriedade era somente para garantir o latifúndio. A propriedade privada é um valor tão absoluto que se for desapropriada ela precisa ser justificada e protegida.
4.4. J. J.Rosseau e o contrato social
As idéias filosóficas e políticas de Jean –Jacques Rousseau podem ser identificadas na sua principal obra “O Contrato Social”, publicado em 1762. Ela está divida em quatro livros:
O primeiro livro, aponta o problema que sempre o preocupou que é o de positivar qual o fundamento legítimo da sociedade política.
O segundo livro fala das condições e dos limites do poder soberano.
O terceiro trata da forma e o aparato governamental. 
O quarto livro apresenta um estudo de vários sufrágios, assembléias e outros órgãos governamentais.
Primeiramente, Rousseau investiga porque a sociedade se instituiu. Uma frase que resume bem esse espírito é: "o homem nasce livre, mas se encontra a ferros por toda a parte". Ela mostra o contraste entre a condição natural do homem e a condição social que abafa a liberdade. Trata-se da passagem natural para a passagem convencional, sendo que a condição do homem natural se refere ao homem que ainda não vive em sociedade, por não lhe ser ela necessária, bastando-lhe somente a natureza para a satisfação das necessidades essenciais.
No tocante ao estado de natureza, Rousseau explica que não há propriedade, tudo é de todos, podendo um homem usufruir uma terra apenas para plantar o necessário para subsistência. Refere-se a uma época primitiva em que o homem vivia feliz. Foi a sociedade que o tornou escravo e mau. A época do estado de natureza terminou devido o progresso da civilização, a divisão do trabalho, a propriedade privada, criando diferenças irremediáveis entre os ricos e pobres, poderosos e fracos. Portanto, para manter a ordem e evitar maiores desigualdades, os homens criaram a sociedade política, a autoridade e o Estado mediante um contrato. Esse contrato cede ao Estado parte de seus direitos naturais, nos quais podem ser exemplificados como: o direito à vida, à expressão do pensamento, à locomoção, etc, que são direitos essenciais, criando uma organização política com vontade própria, que é a vontade geral.
Entende-se que a vontade geral é a manifestação da soberania e a minoria, muitas vezes, engana-se quando discorda da maioria, pois esta representa vontade geral. Rousseau recomenda a criação de pequenos estados e a democracia direta. Explica que os eleitos do povo para governar, não são representantes, mas apenas instrumentos para executar a vontade geral. Desta forma, as leis são obrigatórias depois de aprovadas e consentidas pelo povo e justamente por isso a população deve ser reduzida, pequena, para que possam se reunir com freqüência.
É importante ressaltar que para Rousseau, o homem se corrompe após a instituição da propriedade privada, pois esta estimula e perverte os instintos mais egoístas. Ele mostra que esta sociedade pode significar o embrião de uma sociedade política diferente do estado de natureza, representada na forma corrupta do domínio dos fortes sobre os fracos, dos ricos sobre os pobres, dos espertos sobre os ingênuos, numa forma de sociedade política onde o homem deve sair para instituir a república fundada sobre o contrato social. O homem deve sair do estado de natureza.
A soberania para Rousseau é inalienável e indivisível. Segundo a doutrina da soberania alienável, predominante no fim da Idade Média até a Revolução Francesa, ela reside na multidão, no conjunto de todos os indivíduos, porque estes sendo iguais não existem razões para que pertença a um ou alguns.14 Porém o povo não pode exercê-la de maneira direta, não se pode governar a si mesmo e, portanto, tem o direito ou dever de transferir, de alienar a soberania em favor de uma pessoa, de um grupo de pessoas ou de uma família para que governem a sociedade.
Observa-se que essa teoria da soberania alienável foi uma tentativa daqueles que queriam conciliar a monarquia com as doutrinas democráticas para salvar alguns tronos. Além disso, a influência de Rousseau teve guarida em quase todas as Constituições modernas sendo a base do pensamento político contemporâneo. Também foi enorme sua contribuição para o Direito Constitucional contemporâneo, pois os partidários de todos os regimes se baseavam no Contrato Social.
Por conseguinte, admitir que a soberania pertence ao povo causa grande discussão na época. Isto porque a soberania representa a vontade geral, dado que o poder se transmite, mas não a vontade. Considera que “a soberania ou é única ou não existe”15. Para Rousseau a vontade geral nunca erra, salvo em caso de perversão. Assim, a soberania individual é cedida para o estado em ordem que esses objetivos possam ser atingidos. Por isso a vontade geral dota o Estado de força para que ele atue em favor das teses fundamentais mesmo quando isto significa ir contra a vontade da maioria em alguma questão particular.
Assim, a lei é como o ato da “vontade geral” e a expressão da soberania. Ela é fundamental, porque determina todo o destino do Estado. Os legisladores têm o papel importante no contrato social, sendo investidos de qualidades divinas. “Os legisladores devem assemelhar-se aos deuses, mas perseguindo sempre o objetivo de servir às necessidades essenciais da natureza humana.”
Neste contexto, Rousseau aponta algumas considerações sobre o governo, que tenta tomar, por força, o lugar do soberano. O soberano é a pessoa pública. Só as assembléias periódicas podem garantir que não se usurpe o poder. Assim, ele defende três formas de governo: monarquia para os estados grandes, aristocracia para os estados médios e a democracia aos estados pequenos. Além disso, existem diversas formas mistas que podem ser criadas a partir dos três tipos básicos, dependendo das características de cada Estado.
Para ele, o governo é considerado como funcionário do legislativo e este é comparado à vontade ou coração do corpo político, o governo constitui a força (cérebro). Sua função é executar as decisões do soberano. Quando o soberano está reunido, o executivo deixa de ter função. Enquanto o legislativo se preocupa com as questões gerais, o executivo trabalha com o particular, executando o que a lei determina.
A idéia de democracia em Rousseau situa-se numa ação efetiva que conduza à sua concretização, onde os interesses arbitrários do indivíduo devem dar lugar à construção coletiva daquilo que permite que todos possam ser iguais. Com a participação direta do povo no poder seria possível construir a vontade geral, que é o fundamento do corpo político rousseauniano. A República é vista como garantia da liberdade, valor colocado como condição à humanidade. Como a liberdade só existe quando há igualdade, chegamos ao centro das preocupações de Rousseau diante da sociedade de sua época: a desigualdade. E, para construir uma sociedade de liberdade e igualdade, é imprescindível a democracia direta.
Para Rousseau as relações entre natureza e sociedade, eram fundamentadas na liberdade. O Contrato social seria a única base legítima para uma comunidade que deseja viver de acordo com os pressupostos da liberdade. Rousseau tem dois pilares da sua engenharia política: a busca pela igualdade e a liberdade.18 Ele é contrário a todo tipo de individualismo, pois este supõe uma oposição entre cada um e a coletividade. Como já se sabe, os princípios de liberdade e igualdade política formulados por ele, constituíram as coordenadas teóricas dos setores mais radicais da Revolução Francesa, quando foram destruídos os restos da monarquia e foi instalado o regime republicano.
Contudo, em um outro momento, Rousseau propõe a introdução de uma espécie de religiãocivil ou profissão de fé cívica, a ser obedecida pelos cidadãos. A profissão cívica proposta por ele, reduz-se a poucos dogmas simples que todo ser racional e moral deveria aceitar a crença num supremo, a vida futura, a felicidade dos justos e a punição dos culpados. Também inclui a rejeição a todas as formas de intolerância.
O Estado não deveria estabelecer uma religião, mas deveria usar a lei para eliminar qualquer religião que seja socialmente prejudicial, isso deriva do princípio de supremacia da vontade geral (que existe antes da fundação do Estado) à vontade da maioria (que se manifesta depois de constituído o Estado), ou seja, se todos querem o bem estar social, e se uma maioria deseja uma religião que vai contra essa primeira vontade, essa maioria terá que ser reprimida pelo governo.Para que fosse legal, uma religião teria que se limitar a ensinar.
Conclui-se, com base no autor Fábio Konder Comparato20, que o pensamento de Jean-Jacques Rousseau é revolucionário em dois sentidos, na restauração das antigas liberdades e na reconstrução completa da ordem tradicional. Ele sustentou a necessidade de uma restauração da pureza original dos costumes, sendo esta corrompida pela sociedade moderna. Porém essa restauração é antes a refundação da sociedade civil sobre novas bases, de acordo com o espírito das instituições que vigoraram em Esparta e em Roma, tidas como absolutas.
SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS:
ARANHA, M.L.A.; MARTINS, M.H.P. Filosofando. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2003.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2000.
_____. Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2002.
_____. Filosofia. Série Novo Ensino Médio. São Paulo: Ática, 2009.
ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofando: introdução à filosofia. 4ª ed. rev. – São Paulo: Moderna, 2009.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006.
HOEBEL, E. Adamson. Antropologia cultural e social. São Paulo:Cultrix, 2006.
Paulo Ghiraldelli Junior. Disponível em: http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/aula1ghiraldelli.html. Acesso em 02 mar. 2013.
Depto. História da USP.	Disponível em: 	 http://www.fflch.usp.br/dh/heros/traductiones/hesiodo/teogonia/deusesprimordiais.htm. Traduzido do original grego por Jaa Torrano: Hesíodo, Teogonia, 3a edição, São Paulo, Iluminuras, 1995, p. 131-133. Acesso em 02 mar. 2013.
� FOLLIET, Joseph. Iniciacion Cívica. Buenos Aires, 1957. pg.75
� COTRIM, Gilberto. História e Consciência do Mundo. São Paulo: Saraiva. 1995.
�			Prof. Aroldo Bueno de Oliveira

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