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UNIVERSIDADE DE ITAÚNA Faculdade de Engenharia Mecânica APOSTILA Manutenção Professor – José Adalardo Beluco Manutenção Função Estratégica Sumário I Sumário Capítulo 1 – O Homem e a Manutenção.......................................................................... 2 1.1. Introdução......................................................................................................... 2 1.2. Qualidade na manutenção................................................................................. 2 1.2.1. Qualidade da Mão de Obra.................................................................. 3 1.2.2. Qualidade do Serviço............................................................................ 4 1.2.3. Auditoria da Qualidade ........................................................................ 4 1.2.4. Programa de Ação Corretiva ................................................................ 5 1.3. Mantenabilidade ............................................................................................. 5 Capítulo 2 – Manutenção .................................................................................................. 6 2.1. Introdução ........................................................................................................ 6 2.2. Definição .......................................................................................................... 6 2.3. Conceito de Manutenção ...................................................................................6 2.4. O Homem de Manutenção X O Homem de Produção ......................................6 2.5. Objetivos da Manutenção ................................................................................. 7 2.6. Principais Tipos de Manutenção .......................................................................7 2.6.1. Manutenção Corretiva ............................................................................ 7 2.6.1.1. Manutenção Corretiva Não Planejada ou imediata .................... 8 2.6.1.2. Manutenção Corretiva Planejada ............................................... 8 2.6.2. Manutenção Preventiva Sistemática ...................................................... 9 2.6.2.1. Baseada na Vida Média dos Componentes ................................ 9 2.6.2.2. Inspeção e Reparo ...................................................................... 9 2.6.2.3. Manutenção Produtiva ................................................................9 2.6.3. Manutenção Preditiva .............................................................................10 2.6.4. Manutenção de Rotina ............................................................................12 2.6.5. Manutenção Detectiva ............................................................................12 2.7. Engenharia de Manutenção .............................................................................14 2.8. Manutenção Produtiva Total – TPM .............................................................. 14 2.8.1. Efetividade Operacional Global ............................................................14 2.8.2. Perdas Crônicas X Perdas Esporádicas .................................................16 2.8.3. Os Oito Pilares da TPM ........................................................................16 2.8.4. Etapas da Implantação da TPM ............................................................ 18 2.8.5. Objetivos da TPM ................................................................................ 18 2.9. Conclusão ........................................................................................................19 Manutenção Função Estratégica Sumário II Capítulo 3 – Organização, Planejamento e Estrutura da Manutenção ....................... 21 3.1. A Evolução da Manutenção ................................................................................ 21 3.2. Estrutura da Manutenção .................................................................................... 24 3.2.1. Manutenção Centralizada .......................................................................... 24 3.2.2. Manutenção Descentralizada ou por Área ................................................ 25 3.2.3. Manutenção Mista ou Integrada ................................................................. 25 3.2.4. Estrutura Matricial ..................................................................................... 26 3.2.5. Conclusão ................................................................................................... 27 3.3. Planejamento da Manutenção ............................................................................. 28 3.3.1. Política de Manutenção Preventiva ............................................................ 28 3.3.2. Manutenção Baseada na Condição de Parâmetros ..................................... 28 3.3.3. Cadastramento de Dados ............................................................................ 29 3.3.4. Codificações ............................................................................................... 29 3.3.5. Pontos de Manutenção ............................................................................... 29 3.3.5.1. Estrutura do Cadastro .................................................................... 30 3.3.6. Pontos de Controle ...................................................................................... 30 3.3.6.1. Estrutura do Cadastro ..................................................................... 30 3.3.7. Planos de Manutenção ................................................................................. 31 3.2.7.1. Programação dos Planos de Manutenção ....................................... 31 3.2.7.2. Programação Periódica ................................................................... 32 3.2.7.3. Programação Acumulativa ............................................................. 32 3.2.7.4. Programação por Tendência de Variáveis ...................................... 33 3.2.7.5. Programação por Evento ................................................................ 34 3.2.7.6. Programação por Data Específica .................................................. 34 Capítulo 4 – Técnicas de Controle e Planejamento da Manutenção ........................... 35 4.1. Sistema PERT/COM ........................................................................................... 35 4.1.1. Introdução ......................................................................................... 35 4.1.2. Planejamento ..................................................................................... 35 4.1.3. Representação ................................................................................... 36 4.1.4. Tempo Médio ou Tempo Esperado .................................................. 36 4.1.5. Variância ...........................................................................................37 4.1.6. Desvio Padrão ................................................................................... 37 4.1.7. Fator de Probabilidade ...................................................................... 38 4.2. Prioridade de Atendimento ................................................................................. 46 4.2.1. Introdução ......................................................................................... 46 4.2.2. Convenções de Prioridade ................................................................. 46 4.2.3. Tabela de Prioridades ........................................................................ 47 4.2.4. Sistema GUT ..................................................................................... 49 4.2.5. Teoria das Filas e Backlog ................................................................ 50 4.2.5.1. Causas da Existência de Backlog ......................................... 50 4.2.5.2. Como Obter Um Relatório de Backlog ................................ 50 Manutenção Função Estratégica Sumário III 4.2.5.3. Análise dos Gráficos de Valores de Backlog ........................ 52 4.2.5.4. Como Lidar com Seu Backlog .............................................. 54 4.2.5.5. Sugestões Sobre o Modo de Apresentar o Backlog ............. 55 4.3. Indicadores e Índices de Manutenção ................................................................ 56 4.3.1. Tipos de Indicadores de Performance .............................................. 56 4.3.2. Indicadores de Capacitação e Desempenho ..................................... 57 4.3.3. Indicadores de Capacitação do Pessoal ............................................ 57 Capítulo 5 – Custos em Manutenção .............................................................................. 58 5.1. Introdução .......................................................................................................... .58 5.2. Porcentagem dos Custos em Relação ao Custo Total ......................................... 59 5.3. Índices do Custo de Mão de Obra ....................................................................... 60 5.4. Comparação dos Custos de Manutenção ............................................................. 62 5.5. Disponibilidade Operacional ................................................................................64 5.6. Índices de Custo de Manutenção ......................................................................... 65 5.6.1. Índices de Classe Mundial .................................................................65 5.6.2. Outros Índices de Custo de Manutenção .......................................... 66 Capítulo 6 – Confiabilidade .............................................................................................. 67 6.1. Introdução ............................................................................................................ 67 6.2. Conceitos .............................................................................................................. 67 6.3. Principais Ferramentas do Aumento de Confiabilidade ....................................... 69 6.3.1. Boas Práticas de Manutenção ............................................................. 69 6.4. Processos em Operação ........................................................................................ 69 6.4.1. Revisão de Processos de Manutenção ................................................ 70 6.5. Análise de Falhas – Análise do Modo e Efeito de Falhas (FMEA), Análise das Causas Raízes da Falha (RCFA) e Análise da Arvore de Falhas (FTA) .............. 71 6.5.1. Análise do Modo e Efeito de Falhas (FMEA) ................................... 74 6.5.2. Análise das Causas Raízes de Falha (RCFA) ..................................... 77 6.5.2.1. Curvas de Falha ..................................................................... 79 6.5.3. Análise da Árvore de Falhas (FTA) .................................................... 81 6.5.3.1. Estrutura da Arvore de Falhas ............................................... 81 6.5.3.2. Construção da Arvore de Falhas ........................................... 82 6.5.4. Exemplo de FMEA Aplicado a Produtos (Redutor de Velocidade) ... 84 6.5.5. Síntese de Modelos de Gestão, Ferramentas da Qualidade, Métodos e Seu Enfoque Principal ...................................................................... 85 Manutenção Introdução Conhecer a essência das atividades é uma condição fundamental para um bom desempenho profissional. A manutenção industrial no Brasil está sendo praticada há décadas, mas nos últimos anos, devido a grande competitividade no mercado mundial, ela tem passado por mudanças significativas, trazendo como conseqüências novos conceitos, obrigando nossos manutentores a tomarem atitudes reativas a estas mudanças. A evolução mundial necessita cada dia mais de projetos mais complexos, novas técnicas de manutenção, novas organizações e responsabilidades. O fator humano não pode ser omisso pois é o principal responsável pela perfeita aplicação dos métodos de manutenção. Manutenção Função Estratégica 2 Capítulo l O Homem e a Manutenção 1.1 – Introdução. O homem é o centro do sistema produtivo, é ele que pensa e age para que ocorra a transformação de recursos em riquezas. A capacidade evolutiva do homem é muito grande e para que ele consiga gerar riquezas ele precisa desenvolver esta capacidade através de pesquisas, estudos e dedicação, porque só assim ele conseguirá qualidade. Segundo Victor Mirshawka, em seu livro ”Manutenção Preditiva Caminho para Zero Defeito”, qualidade é a resposta satisfatória que um produto ou serviço dá a expectativa do usuário. Para que um produto tenha qualidade é necessário que ele tenha conformidade com os requisitos, adequação às necessidades do cliente, corresponda às especificações, tenha ausência de falhas e outros requisitos específicos. Só faz qualidade quem tem qualidade. 1.2 – Qualidade na Manutenção A partir de 1990 as grandes empresas optaram pela terceirização no setor de manutenção, desviando seus recursos para o setor produtivo propriamente dito. O que houve a partir daí foi uma grande desqualificação do pessoal de manutenção, pois as empresas que passaram a exercer a manutenção nestas empresas não tinham condições financeiras para investir em treinamento e desenvolvimento. Para termos qualidade na manutenção necessitamos dos seguintes fatores: . Qualidade de mão-de-obra . Qualidade do serviço . Auditoria da qualidade . Programa de ação corretiva -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Anotações Manutenção Função Estratégica 3 1.2.1 – Qualidade de Mão-de-Obra Esta qualidade é seguida quando traçamos, de uma forma correta, um perfil necessário para cada funcionário. O treinamento éum fator indispensável e o funcionário deve estar ciente de suas obrigações e deveres. A seleção deve ser feita de uma forma adequada e as reciclagens devem ser periódicas. O funcionário de Manutenção tem que ter um ótimo senso de organização e planejamento, ter capacidade de aprendizado e assimilação, ser tranqüilo e prudente e deve saber tomar decisões, porque a Manutenção está sempre evoluindo devido a alta tecnologia. Evolução da Renda Per Capta no Japão 1945 1980 2000 US$ 300 US$ 3.600 US$ 18.000 O Japão conseguiu esta grande transformação acreditando que para crescer era necessário : Trabalho, Atitude e Inteligência. Hoje muitos acreditam que o resultado depende desta trilogia e completam, dizendo que a participação é a seguinte: 5% de talento - 5% de conhecimento - 90% de atitude Manutenção Função Estratégica 4 1.2.2 – Qualidade do serviço Existe uma diferença muito grande entre qualidade do produto e a qualidade do serviço. O produto segue o fluxo abaixo. Desenho ⇒ Ordem de ⇒ Almoxarifado ⇒ Recepção ⇒ Uso Projeto produção Expedição Cliente Já o serviço o esquema é apresentado da seguinte forma: Especificação ⇒ produção ⇒ Uso O produto você substitui por outro, o serviço você não substitui, você refaz. No tocante à especificação e particularmente para a manutenção deve-se ter: - Rotina de manutenção correta e complexa. - Documentação de equipamentos correta e adequadas. - Informações de catálogos e dados históricos. Para termos uma boa qualidade do serviço de manutenção devemos ter requisitos básicos como: - Conhecimento do equipamento ( informações colhidas em históricos, catálogos e junto ao pessoal de produção). - Correto planejamento de manutenção. - Documentação adequada ( fichas de controle, O.S. , etc). - Softer adequado. - Organização do almoxarifado. - Corpo técnico aperfeiçoado e atualizado. Todo operador, bem como o manutentor devem ter conhecimento do equipamento. O operador é quem deve primeiramente perceber o mal funcionamento do equipamento e se possível identificar a causa, só então ele deve acionar a manutenção. A manutenção de rotina deve ser de responsabilidade do operador. A qualidade se consegue com pesquisa e busca de conhecimento e é responsabilidade de todos. 1.2.3. Auditoria da qualidade Existe uma necessidade constante de se atingir os custos de manutenção e de reposição ao longo da vida útil de uma maquina, de um equipamento ou de uma construção. Na auditoria da qualidade é necessário: - Participação efetiva na linha de frente da empresa e conhecer os meios de produção. - Ter prevenção como prioridade. - Ter um produto sempre voltado para as necessidades do cliente. - Sempre procurar atingir as metas. - Usar o bom senso antes de julgar. Manutenção Função Estratégica 5 1.2.4. Programa de Ação Corretiva O objetivo deste programa é a remoção das causas de erros de manutenção. Seus pontos principais são: - Preparar procedimentos para solicitação de ação corretiva - Criar grupos que analisem os principais problemas da manutenção e apresentem sugestões. A manutenção corretiva deve ser tomada como um ponto de partida para estabelecermos um diagnostico para o problema. O planejamento de corretivas nos leva a uma menor mobilização de funcionários e a um menor tempo de parada de produção. 1.3. Mantenabilidade Mantenabilidade é a facilidade de um item ser mantido ou recolocado no estado no qual ele pode executar sua função requerida, sob condições de uso especificada, quando a manutenção é executada sob condições determinadas e mediante os procedimentos adequados. Os seguintes requisitos devem ser analisados para que possamos definir a mantenabilidade dos equipamentos: • Requisitos qualificados – são aqueles que orientam os operadores nas execuções das atividades, informando-os sobre métodos, materiais, ferramentas, disponibilidades e procedimentos para execução. • Requisitos quantificados – são números que quantificam tempos de execuções, médias de paradas, índices de manutenção, médias de paradas, tempos de indisponibilidade e quantidade de materiais redundantes e sobressalentes. • Suporte logístico – são as condições necessárias para dar suporte a alojamentos,distribuição, manutenção de meios e ferramentas, produção, viagens. • Capacitação do pessoal – é o desenvolvimento das habilidades profissionais e capacitação do pessoal de manutenção. Anotações Manutenção Função Estratégica 6 Capítulo 2 Manutenção 2.1. Introdução. O objetivo de uma empresa é produzir a custos tais de modo que seus produtos tenham aceitação no mercado e permitam lucros compensadores. Para que isto ocorra é necessário que todo pessoal que participa das operações apresente um bom índice de produtividade e que os equipamentos apresentem um bom rendimento. Para garantir um bom desempenho doe equipamentos é necessário um departamento de manutenção atuante que planeje, execute e gerencie a manutenção. 2.2. Definição A manutenção é definida como sendo o conjunto de ações e atitudes que permitem manter ou estabelecer um bem a um estado especifico ou ainda assegurar um determinado serviço. 2.3. Conceito de Manutenção. A substituição do conceito da “manutenção de conserto/reparo”pela “manutenção planejada exige uma nova postura dos manutentores, condizente com suas responsabilidades, implicando novos métodos de gerenciamento, conhecimentos e treinamentos. A Manutenção planejada será a base sobre a qual se assentará toda a manutenção do futuro e ampliará as atividades de prevenção e inspeção. “As exigências de alta produtividade terá como conseqüência um retorno mais acentuado de informações do usuário para o fabricante, obrigando este a conceber equipamentos isentos de falhas ou onde as eventuais falhas tornem mínimas as conseqüências” ( Victor Mirshawka). 2.4. O Homem de Manutenção X O Homem de Produção. Nos processos onde há um grande índice de automação, a interferência do homem de produção é mínima e limita-se ao preparo e abastecimento da máquina e ao controle de peças acabadas. Como produtividade está diretamente relacionada a eventuais paradas, necessitamos de um homem de produção treinado em princípios e conceitos básicos de mecânica, eletricidade e pneumática, para que possa executar atividades de prevenção de possíveis falhas e conservação preventiva. O homem de manutenção terá uma grande integração com a produção e o planejamento e deverá ter conhecimentos abrangentes. Este profissional deverá ter participação nos projetos, Manutenção Função Estratégica 7 planejamento de manutenção, transferência de atividades e conhecimentos e grande responsabilidade na frente de trabalho. Portanto o homem responsável pela fabricação, tanto poderá ser um elemento da produção com conhecimentos básicos de manutenção como poderá ser um profissional de manutenção. 2.5. Objetivos da Manutenção. - Manter a continuidade operacional do equipamento. - Manter os equipamentos em operação nas condições de máxima eficiência. - Manter os equipamentos em condições satisfatórias de segurança.- Reduzir ao mínimo o custo de manutenção - Manter em alto nível as técnicas necessárias aos trabalhos de manutenção. - Preservar o meio ambiente. 2.6. Principais Tipos de Manutenção A – Corretiva Não Planejada e Corretiva Planejada B – Preventiva C – Preditiva (Condicional ) D – Rotina E – Detectiva 2.6.1. Manutenção Corretiva A manutenção corretiva é uma política de manutenção que corresponde a uma atitude de reações aos eventos mais ou menos aleatórios e que se aplica após a avaria. Apesar disto é possível aplicar uma serie de métodos que permitem diminuir as conseqüências tais como: - Analise de modos de falhas, seus efeitos e sua criticalidade, um método que possibilita destacar as máquinas críticas - Utilização de tecnologia mais confiável - Utilização de métodos de diagnostico das panes mais rápido - Busca de métodos de vigilância melhor adaptados aos pontos críticos Esta intervenção leva em conta fatores técnicos e econômicos É comum a adoção da manutenção corretiva para algumas partes menos críticas dos equipamentos, porem é preciso dispor dos recursos necessários tais como peças de reposição, mão-de-obra e ferramental para agir rapidamente. Este tipo de manutenção pode ser aplicada para equipamentos que não comprometam o sistema produtivo (qualitativo ou quantitativo) o meio ambiente ou a integridade física dos funcionários. Manutenção Função Estratégica 8 2.6.1.1.Manutenção Corretiva Não Planejada ou Imediata É a correção da falha de maneira aleatória. A atuação da manutenção acontece em um fato já ocorrido. Não há preparação do serviço. Ela é realizada para correção imediata, de forma provisória ou definitiva. Quando realizada em caráter provisório é necessário executar posteriormente uma corretiva programada. Em equipamentos periféricos simples e com falhas bem definidas ou em certos equipamentos redundantes se justifica a adoção da política da manutenção corretiva, mas mesmo que ela seja adotada por ser mais vantajosa, não podemos simplesmente nos conformar com a ocorrência de falhas como um evento já esperado e, portanto, natural. Curva de custo de reparo de um parque de máquinas aplicando, apenas a manutenção corretiva. custo tempo A quebra não prevista traduz-se por uma parada brusca e inopinada da produção, geralmente levando a grandes prejuízos e a perda de tempo de produção. 2.6.1.2. Manutenção Corretiva Planejada É a correção do desempenho menor do que o esperado ou da falha, por decisão gerencial, isto é, pela atuação em função de acompanhamento preditivo ou pela decisão de operar até a quebra ou por impossibilidade de se prever a quebra. Mesmo que a decisão gerencial seja de deixar o equipamento funcionar até a quebra, essa é uma decisão conhecida e o planejamento pode ser feito preliminarmente. Produção Manutenção Produção falha tempo Manutenção Função Estratégica 9 A decisão da adoção da política de manutencao corretiva planejada pode advir de fatores como: negociações de paradas de produção, aspectos ligados à segurança dos funcionários, melhor planejamento de serviço, garantia de ferramentais e peças sobressalentes, busca de recursos humanos com tecnologia externa, etc. A manutenção corretiva planejada possibilita o planejamento dos recursos que serão necessários para a intervenção, pois a falha é esperada. Os custos de planejamento e prevenção são maiores que na corretiva imediata 2.6.2. Manutenção Preventiva Sistemática É a atuação realizada de forma a reduzir ou evitar a falha ou queda no desempenho obedecendo a um plano previamente elaborado, baseado em intervalos definidos de tempo. Os planos de manutenção são elaborados, baseados em históricos, condições de uso do equipamento, catálogos de fabricantes com o objetivo de prevenir possíveis falhas nos equipamentos. Esta manutenção pode ser planejada levando em conta a vida média dos equipamentos, as necessidades de inspeções e reparos ou em concomitância com um determinado planejamento de produção. 2.6.2.1. Baseada na vida média dos componentes - O intervalo entre intervenções é definido com base em dados que são proporcionais a deterioração do equipamento. Os intervalos baseiam-se em uma expectativa de vida mínima dos componentes que obteve a partir da experiência ou a do construtor. Estes intervalos são freqüentemente determinados com auxilio da estatística e probabilidade. 2.6.2.2.Inspeção e reparo – O equipamento é desmontado e/ ou inspecionado e o estado do componente é avaliado e a sua substituição é feita se necessário. 2.6.2.3. Produtiva – É uma expressão nipo-americana que estabelece um tipo de manutenção preventiva sistemática organizada a partir de um programa de produção. Custo da aplicação da Esquema representando a parada de manutenção preventiva produção programada tempo custo Produção Produção tempo manutenção Medidas periódicas Manutenção Função Estratégica 10 2.6.3. Manutenção Preditiva Uma manutenção inteligente, ou seja intervir só quando necessário. A Manutenção Preditiva é uma manutenção condicional subordinada a um tipo de acontecimento pré-determinado. A informação é dada por um captor revelador revelador do estado de degradação de um bem. Esta manutenção permite reajustar as previsões das operações de manutenção a efetuar estimando-se tendências evolutivas do funcionamento não adequado detectado no equipamento ou maquina e o tempo durante o qual é possível continuar a utiliza-lo antes da avaria. É uma manutenção realizada com base na modificação de um parâmetro de condição ou desempenho do equipamento, cujo acompanhamento obedece a uma sistemática. Ë caracterizada pela previsibilidade da deterioração do equipamento, prevenindo falhas por meio do monitoramento de parâmetros diversos com o equipamento em operação. Ela tem a finalidade de estabelecer quais são os parâmetros que devem ser escolhidos em cada tipo de máquina ou equipamento, em função das informações sobre o estado de um determinado componente. Quando é necessária a intervenção estaremos realizando uma manutenção corretiva planejada. A Manutenção Preditiva possui 3 fases: - Detecção do defeito que se desenvolve, isto pode ser feito através de aparelhos que registram variações de vibração, pressão, temperatura, etc. - Estabelecimento de um diagnostico. - Análise da tendência. O engenheiro irá julgar o tempo que ele dispõe antes da quebra para poder deixar o equipamento funcionar sob uma vigilância forçada e prever o reparo. Acompanhamento Preditivo - Acompanhamento ou monitoração subjetiva → é exercida pelo pessoal de manutenção utilizando os sentidos, tato, olfato, audição e visão. Esta monitoração não deve ser adotada como base para decisão por ser extremamente subjetiva, mas pode ser um alerta. - Acompanhamento ou monitoração objetiva → é o acompanhamento feito através de equipamentos ou instrumentos. O valor da medição independe do operador do instrumento desde que utilizado o mesmo procedimento. A monitoração objetiva pode ser contínua, em situações onde o tempo de desenvolvimento do defeito é muito curto e/ou em equipamentos de alta responsabilidade.Nos demais equipamentos, ou onde o defeito possa ser acompanhado ou ainda onde a falha não impacta a continuidade operacional, adota- se um plano de medições periódicas. Manutenção Função Estratégica 11 Análise de Defeito – Manutenção Preditiva Nível de funcionamento normal de A a B Anotações Medidas Periódicas Normais Duração entre as medidas diminui, o defeito desenvolve Atenção falha tendência extrapolada Manutenção efetuada O eng. responsável diagnostica o defeito e prevê a manutenção O defeito se desenvolve A B Manutenção Função Estratégica 12 2.6.4. Manutenção de Rotina Fundamentalmente a Manutenção de Rotina de uma unidade é que garante a permanência do complexo em operação e com a mínima interferência da manutenção corretiva e ciclos mais longos da manutenção preventiva e por extensão a vida media da unidade, não somente isto, mas também a qualidade do produto ou serviço com custos infinitamente menores. Responsabilidade e execução da Manutenção de Rotina É desejável que a responsabilidade e a execução da Manutenção de Rotina seja da produção ou operação, com apoio técnico imediato da manutenção. Efeitos sobre a Manutenção Corretiva - Diminuição considerável de intervenções de Manutenção Corretiva devido a melhor e mais constante atenção a unidade. - Aumento da eficiência global tendo em vista o maior envolvimento de operadores e auxiliares. - Redução dos ciclos de Manutenção Preventiva. - Aumento de confiabilidade operacional da unidade. Atributos da Manutenção de Rotina - Limpeza superficial e profunda da unidade. - Substituição de peças e ou materiais de desgaste normal ( facas, laminas, ferramentas de corte, etc.) exigidas no processo produtivo da unidade. - Inspeção geral visando encontrar falhas de limpeza, lubrificação e operação. - Lubrificação geral através de programas pré-estabelecidos. Recursos de Controle da Manutenção de Rotina - Treinamento geral e específico em Manutenção de Rotina. - Instruções com informações importantes em fichas de checagem. - Programação e controle de limpeza, lubrificação e inspeções em forma de planilhas. - Dialogo constante entre todo o pessoal envolvido. - Almoxarifado bem estruturado, com produtos de limpeza, material de desgaste normal, lubrificantes, etc. 2.6.5. Manutenção Detectiva É a manutenção efetuada em sistemas buscando detectar falhas ocultas ou não perceptíveis ao pessoal de operação. A manutenção detectiva caracteriza-se por permitir a detecção e correção das falhas, mantendo o sistema operando. Sua importância cresce a cada dia, em virtude da maior automação das plantas e utilização de tecnologia de ponta. Manutenção Função Estratégica 13 Aplicação Exercício 1 Suponhamos uma bomba centrífuga que alimenta um reservatório que abastece um sistema que necessita de 300 litros/minuto. Qualquer programa de manutenção para essa bomba deverá garantir que seu desempenho não seja menor que 300 litros/min. O programa de manutenção deve assegurar que o reservatório não fique vazio. Se para alimentar o reservatório existe apenas uma bomba, ou seja, não há equipamento reserva, a outra preocupação da manutenção será com o tempo de reparo, ou substituição do equipamento por outro semelhante até que aquele seja reparado. A bomba liga quando o volume de água chega a 45.000 litros e desliga em 90.000 litros Qual o tempo disponível que devemos considerar para efetuarmos: a- manutenção corretiva imediata? b- manutenção corretiva planejada? c- manutenção preventiva? Bomba desligada 90.000 litros Bomba ligada 45.000 litros Saída 300 l/min Capacidade nominal 400 l/min Manutenção Função Estratégica 14 2.7. Engenharia de Manutenção Engenharia de Manutenção é procurar as causas mais básicas, modificar situações permanentes de mau desempenho, deixar de conviver com problemas crônicos, melhorar padrões e sistemáticas, desenvolver a manutenibilidade e dar “feedback “ ao projeto. 2.8. Manutenção Produtiva Total - TPM Metodologia que proclama a interação entre o homem, maquina e empresa, possibilitando garantir a capacidade do processo, produtividade das maquinas, reduzir necessidade de estoque, tornar mais fáceis os fluxos e melhorar a qualidade do produto. TPM objetiva a eficácia da empresa através de maior qualificação das pessoas e melhoramentos introduzidos nos equipamentos. Também prepara e desenvolve pessoas e organizações aptas para conduzir as fábricas do futuro, dotadas de automação. TPM tem como conceito básico a reformulação e a melhoria da estrutura empresarial a partir da reestruturação e melhoria das pessoas e dos equipamentos. A filosofia do TPM é eliminar perdas que diminuem a eficiência, aumentando a Efetividade Operacional Global (EG) Temos 6 tipos de perdas que podem ser reduzidas ou eliminadas. - parada por quebra - mudança de linha / ajustes de ferramentas - operação em vazio - pequenas paradas devido a redução de velocidade - produtos defeituosos / retrabalho - início de produção 2.8.1. Efetividade Operacional Global Um dos principais objetivos do TPM é aumentar a Efetividade Operacional Global. A Efetividade Operacional Global é calculada através do produto da Taxa de disponibilidade operacional (DP) pela Taxa de desempenho operacional (rendimento operacional RO) e pelo Índice de qualidade (IQ) = taxa de produtos aprovados. EG = DP x RO x IQ x 100 DP = tempo de carga – tempo de parada tempo de carga RO = Taxa de operação nominal(TON) x taxa de velocidade operativa (TVO) TON = quantidade produzida x tempo de ciclo real TVO = tempo de ciclo real tempo de carga – tempo de parada tempo de ciclo ideal IQ = quantidade de produtos aceitáveis quantidade total de insumos Manutenção Função Estratégica 15 Aplicação Exercício 2 Qual a Eficiência Operacional Global da seguinte situação? Dados: - jornada de trabalho por dia = 8h = 480min - tempo passivo planejado ( reuniões, descanso, etc ) = 25min - paradas para preparação = 19min - paradas para ajustes = 41min - paradas para manutenção = 26min - Produção diária = 2000 itens - Tempo de ciclo ideal = 7,2seg = 0,12min - Tempo de ciclo real = 10,8seg = 0,18min - Quantidade de produtos aceitáveis = 1960 tens. Manutenção Função Estratégica 16 2.8.2. Perdas Crônicas X Perdas Esporádicas Perdas crônicas ocorrem de forma permanente, normalmente de pequena intensidade e que em alguns casos não podem ser percebidas exceto quando se compara com processos produtivos similares. São perdas provocadas por deficiências no projeto do equipamento ou montagem ou localização e alimentação de matéria prima ou de deficiênciade outros elementos, deficiência de manutenção ou operação. As perdas esporádicas são aquelas que ocorrem eventualmente, normalmente de grande envergadura São fáceis de medir e analisar. As perdas crônicas e esporádicas influem na redução da confiabilidade operacional do equipamento. Efetividade operacional Global Máximo perdas crônicas Normal Perdas esporádicas Esporádica Tempo 2.8.3. Os Oito Pilares do TPM 1 - Manutenção Preventiva Neste pilar se busca estabelecer - Padronização das atividades de manutenção (tipos de manutenção) - Planejamento de manutenção, ou seja, estabelecer procedimentos adequados para todas as intervenções preventivas Estabelecimento de critérios de planejamento da manutenção. - Criação e utilização dos registros de manutenção - Controle de sobressalentes - Controle do orçamento de manutenção e de redução de custos - Controle de lubrificação Manutenção preditiva e técnicas de diagnostico de máquinas 2 - Melhorias Individuais nos Equipamentos - Estabelecer as condições ótimas operativas dos equipamentos. - Melhoria da eficácia, através da redução das perdas e das causas destas perdas. - Evitar análises superficiais. Manutenção Função Estratégica 17 3 – Projetos MP / LCC - Avaliação da conveniência de adquirir máquinas com maior confiabilidade, manutenibilidade operacional, e economia. - No projeto MP se faz uma analise do histórico do equipamento para determinar melhorias que visem a eliminação de problemas futuros e, conseqüentemente redução do custo de vida LCC. LCC = CA + CM + CO CM + CO = CS onde LCC = Custo do Ciclo de Vida CO = Custo de Operação CA = Custo de Aquisição CS = Custo de Sustentação CM = Custo de Manutenção 4 – Educação e Capacitação Planejar a capacitação dos operadores, manutentores e engenheiros de produção e de forma a possibilitar que alcancem as características necessárias ao bom desempenho. 5 – Manutenção da Qualidade - Avaliação da interferência da condição operativa do equipamento na qualidade do produto ou serviço oferecido. - Definição de parâmetros que possam ser indicadores dessa interferência - Acompanhamento dos parâmetros e estabelecimento de metas baseadas na necessidade do processo. 6 – Controle Administrativo. Implementar os “5S”, o “Just in Time” para as áreas de compras , o quadro de “Gestão Visual”dos estoques e técnicas de otimização de reuniões. 7 – Meio Ambiente, Segurança e Higiene. - Tratamento prevencionista do acidente. - Avaliação dos custos dos acidentes - Estabelecimento de ações para obter meta zero de acidentes. - Aplicação do quarto dos “5S” Manutenção Função Estratégica 18 8 – Manutenção Autônoma - Estabelecer o desenvolvimento da consciência “de minha máquina cuido eu” - Mudanças nas características inadequadas do local de trabalho 2.8.4. Etapas da Implantação do TPM Estágio Inicial - Comprometimento da alta gerencia - Campanha de difusão do método - Definição das coordenadorias e nomeação dos coordenadores para gerenciar o programa e formar grupos de trabalho - Política básica e metas - Plano piloto Estágio de Implantação - Início de implementação - “Kobetsu-Kaisen” para a obtenção da eficiência nos equipamentos e instalações. Kobetsu-kasen é o levantamento detalhado das necessidades de melhoria de um equipamento, efetuado por um grupo formado de engenheiros, gerentes de linha, manutentores e operadores. Estágio de Implementação - Estabelecimento da Manutenção Autônoma (Jishu-Hozen) - Eficácia dos equipamentos pela engenharia de produção (operação + manutenção). - Estabelecimento do sistema para obtenção da eficiência global nas áreas administrativas. - Estabelecimento do sistema procurando a promoção de condições ideais de segurança, higiene e ambiente agradável de trabalho. Estágio de Consolidação - Aplicação plena do TPM e incremento dos respectivos níveis. 2.8.5. Objetivo O objetivo do TPM é fazer com que as pessoas mudem suas idéias e comportamento, implicando em uma alteração da cultura geral da empresa. Para conseguir isto é indispensável que todos os empregados participem em todos os níveis e, em especial, nos níveis superiores. Manutenção Função Estratégica 19 2.9. Conclusão Para garantir a disponibilidade dos equipamentos e instalações com confiabilidade é fundamental que a Manutenção atue privilegiando a adoção da Manutenção Preditiva em detrimento da Preventiva, sempre que possível, adotando a Engenharia de Manutenção como uma maneira de analisar e promover as melhorias necessárias nos equipamentos. A utilização de tais medidas baixam os custos e aumentam a disponibilidade dos equipamentos e instalações. No Brasil ainda se trabalha muito com Manutenção Corretiva não planejada e com Manutenção Preventiva em excesso. Segundo a ABRAMAN, entre 1992 e 2003 o nível de atuação nos diversos tipos de manutenção no Brasil ficou em média nos seguintes valores: Corretiva → 28 % Preventiva → 36 % Preditiva → 19 % Eng. de Manutenção → 17 % Anotações Manutenção Função Estratégica 20 Aplicação Exercício 3 Definir o tipo de manutenção mais indicado para os equipamentos de uma aciaria descritos abaixo. ( corretiva, preventiva ou preditiva ). Leve em consideração apenas os dados fornecidos. Definir apenas um tipo de manutenção para cada equipamento. Equipamentos : a – 2 fornos elétricos à arco de 25t b – 1 oxicorte automático c – 1 oxicorte manual d – 1 forno- panela e – 1 lingotamento contínuo f – 2 galgas g – 2 pontes rolantes de 40 t h – 2 pontes rolantes de 10 t e – 2 transformadores de 20 MVA Considerações : O lingotamento é o único equipamento que se parar compromete a produção em 100 %. O oxicorte automático só pode ser reparado com o lingotamento parado, mas ele danificar, o manual poderá substitui-lo sem afetar a produção, prejudicando apenas a qualidade do corte. As pontes rolantes de 10 t trabalham alternadamente se uma parar não afeta em nada a produção. As pontes de 40 t, se uma parar a produção podeser afetada em até 30%. As galgas trabalham somente em época de revestimento dos fornos, misturando massa refratária e apenas uma é suficiente para atender à demanda, ficando a outra de reserva. Os fornos são revestidos com refratários que desgastam com as condições de trabalho e com o tempo. A campanha do revestimento é de 250 corridas. Um forno elétrico atende a 60% da produção se o outro estiver parado. O forno-panela também segue o mesmo esquema dos fornos a arco no que se refere a revestimento, mas com ele parado há uma queda de 10% na produção. O lingotamento contínuo possui 2 veios, cada um responsável por 50% da produção, mas se um veio danificar, a produção pode ser afetada em até 70%. Os transformadores seguem o mesmo esquema dos fornos à arco no que se refere ao comprometimento à produção. É possível utilizar técnica de vigilância e acompanhamento em todos os equipamentos mas isto só é rentável no lingotamento contínuo e nos transformadores. equipamentos, . Ociosidade dos Equipamentos: Fornos elétricos – 0% Forno panela – 0% Ponte rolante de 10 t – 40% Ponte rolante 40t – 10% Transformadores – 0% Oxicorte automático – 30% Lingotamento contínuo – 25% Galgas – 80% Oxicorte manual – 95 % Manutenção Função Estratégica 21 Capítulo 3 Organização, Planejamento e Estrutura da Manutenção 3.1. A Evolução da Manutenção Com a implantação da produção seriada, instituída pela FORD, as fábricas passaram a estabelecer programas mínimos de produção e em conseqüência sentiram a necessidade de criar equipes que pudessem efetuar reparos em maquinas operatrizes no menor tempo possível, surgindo assim um órgão subordinado à operação cujo objetivo era a execução da Manutenção Corretiva. Nas décadas de 30 e 40 em função da Guerra Mundial houve necessidade de além de corrigir falhas evitar que elas ocorressem, desenvolvendo assim um processo de prevenção e formando uma estrutura de manutenção tão importante quanto a de operação. Esta manutenção era baseada em períodos pré-definidos ( tempo, quilômetros rodados, número de operações, etc ). Por volta de 1950 com o desenvolvimento industrial pós guerra que deu grande impulso a industria eletrônica e a aviação comercial, os gerentes de manutenção observaram que, em muitos casos, o tempo gasto para diagnosticar as falhas era maior do que o de execução do reparo. Devido a isto foram criadas equipes de especialistas para compor um órgão de assessoramento que se chamou Engenharia de Manutenção. Gerente de Produção Operação Manutenção Gerente de Produção Operação Manutenção Gerente de Produção Operação Manutenção Execução de Manutenção Engenharia de Manutenção Manutenção Função Estratégica 22 Em meados de 60, com difusão do TQC ( Total Quality Control ), partiu-se da premissa de que o aumento da produtividade das empresas seria obtido através das recomendações de um comitê, formado por representantes de todas as áreas direta ou indiretamente envolvidos com o processo, que deveria ser coordenado pelo Gerente de Manutenção e que, com o apoio de um sistema informatizado e integrado à Manutenção, coordenaria os grupos de trabalho em diversos níveis de supervisão buscando maior eficiência e disponibilidade dos equipamentos. Nos fins dos anos 60, surge a proposta das Investigações Russas, onde é definido o conceito de “Ciclo de Manutenção “. O mérito das Investigações Russas era o questionamento da necessidade de existência do “Ciclo de Manutenção”, ou seja, o porque de ter que estar parando os equipamentos em intervalos de tempos pré-definidos. Deveriam ser estabelecidas periodicamente as inspeções sistemáticas para determinar a evolução das condições operativas e os defeitos e, em função da evolução dessas condições seria marcado o momento da “Revisão Geral”. Esta proposta ficou conhecida como Manutenção Seletiva e foi a percussora da Manutenção Preditiva por Analise de Sintomas e foi o início da chamada era da Manutenção Baseada em Condições. A grande era que as inspeções periódicas seriam feitas, em sua maioria, com o equipamento funcionando, utilizando instrumentos simples de medição e os 5 sentidos humanos. Estas atividades acarretaram o desmembramento da Engenharia de Manutenção que passou a ter duas equipes, a de Estudos de Ocorrências Crônicas e a PCM ( Planejamento e Controle da Manutenção ). Em 1971 os japoneses, sentido a necessidade de ocupar o tempo ocioso do profissional de operação com atividades simples e bem definidas de manutenção criam o TPM ( Total Productive Maintenance ) – Manutenção Produtiva Total, e assim disponibilizam o profissional de manutenção para realizar parte das analises e a Engenharia de Manutenção para re-avaliar os projetos dos equipamentos e instalações. Gerente de Produção Engenharia de Manutenção Execução de Manutenção Manutenção PCM Operação Estudos Manutenção Função Estratégica 23 No TPM se busca, a melhor taxa de utilização dos equipamentos, a avaliação dos custos totais dos equipamentos em função do tempo e da incidência das intervenções no custo de seus ciclos de vida, a extensão a outras áreas ( particularmente a operação ) e a participação de todas as áreas na busca de melhorias de produtividade. No final do século passado, com as exigências de aumento de qualidade dos produtos e serviços pelos consumidores, a manutenção passou a ser um elemento importante. Em conseqüência, o PCM como a Engenharia de Manutenção passaram a desempenhar importantes funções estratégicas dentro da área de produção, através do manejo de informações e da analise de resultados. Desta forma a Engenharia de Manutenção e o PCM passam a ocupar posição de “Staff”a toda área de produção. Anotações Gerente de Produção Engenharia de Manutenção PCM Operação Manutenção Manutenção Função Estratégica 24 3.2. Estrutura da Manutenção Hoje, nas empresas Brasileiras podemos identificar três tipos de Organização da Manutenção : - Centralizada - Descentralizada - Mista - Matricial 3.2.1. Manutenção Centralizada Na Manutenção Centralizada, existe um único órgão de manutenção, com o mesmo nível dos órgãos operativos que presta o atendimento as necessidades de intervenção em todos os itens do processo, ou seja, as equipes de manutenção atendem todos os setores ou unidades de operação. Vantagens : • existência de pessoal com conhecimentos mais amplos, • custo de supervisão relativamente baixo, • melhor prestação de informações, • controle mais eficaz dos custos. Desvantagens: • tempo passivo mais alto (deslocamento de pessoal), • menor integração da manutenção e operação. Produção Operação 2 Operação 1 Operação 3 Execução Manutenção Engenharia PCM Manutenção Função Estratégica 25 3.2.2. Manutenção Descentralizada ou porÁrea. Na Manutenção Descentralizada cada área do processo tem sua equipe própria de manutenção que é responsável tanto pela execução quanto pelo planejamento e controle. O grande inconveniente deste tipo de estrutura esta no risco de que as áreas de manutenção tenham métodos, critérios e procedimentos diferentes e que desta forma fique difícil a comparação entre seus resultados. Vantagens: • maior integração entre manutenção e operação, • maior familiarização com o equipamento, • menor tempo passivo, • melhor coordenação. Desvantagens: • algumas áreas podem ficar sobrecarregadas, • cada supervisor de área procura convergir para o seu setor toda atenção e recursos, • maior dificuldade em controlar custos. 3.2.3. Manutenção Mista ou Integrada. A Manutenção Mista agrupa as vantagens das duas anteriores uma vez que oferece a cada área do processo a autonomia para realização das intervenções corriqueiras através de um grupo próprio com a padronização de métodos e processos de controle oriundos de um único órgão. Alem disso, esse órgão pode auxiliar os órgãos executores através de uma equipe complementar. Produção Operação 4 Operação 3 Operação 2 Operação 1 PCM e execução de manutenção PCM e execução de manutenção PCM e execução de manutenção PCM e execução de manutenção Manutenção Função Estratégica 26 3.2.4. Estrutura Matricial No sistema matricial, o atendimento é realizado por equipes multidisciplinares, com ênfase na integração da Manutenção e Operação. A organização matricial proporciona maior eficiência e especialização, porem requer maiores esforços de concordância a fim de evitar conflitos. Esse tipo de estrutura pode apresentar algumas distorções como: • descentralização dos arquivos de manutenção, • maior inércia na ajuda mutua entre grupos de unidades diferentes, • falta de padronização. Produção Operação 2 Operação 4 Execução de Manutenção Operação 3 Operação 1 Execução de Manutenção Execução de Manutenção Engenharia / PCM Oficina Central Produção Planejamento Unidade Y Unidade Z Elétrica Planejamento Unidade X Planejamento Unidade Y Elétrica Unidade Z Mecânica Unidade Z Mecânica Unidade Y Elétrica Unidade Y Elétrica Unidade X Mecânica Unidade X Mecânica Planejamento Unidade Z Unidade X Manutenção Função Estratégica 27 3.2.5. Conclusão Hoje as empresas buscam por estruturas cada vez mais leves e simplificadas eliminando níveis de supervisão, adotando polivalência, tanto na área de manutenção como na área de operação, contratando serviços de parceiros e fundindo especialidades como por exemplo, eletricidade e instrumentação. A manutencao deve ser organizada e gerenciada de forma coerente, de modo que cada funcionário tenha uma função especifica. De maneira geral, a organização do departamento de manutenção é executada por responsável do setor conforme orientação estabelecida pela direção geral. O esquema abaixo ilustra as atribuições e níveis de decisão dentro de uma organização. Fixação de políticas, objetivos e planos a longo prazo. ALTA DIREÇÃO Execução das políticas estabelecidas GERÊNCIA Administração, execucao, programação e controle DIVISÕES Planejamento, coordenaçao e previsão DEPARTAMENTOS Orientação, avaliaçao e direção da atuação SEÇÕES Fixação e distribuição de serviços, treinamento e EQUIPES instrução do pessoal e apresentação de resultados Execução dos serviços planejados TRABALHADORES Manutenção Função Estratégica 28 3.3. Planejamento da Manutenção. A estratégia da substituição de unidades pode ser considerada como parte integrante da estratégia global. No entanto existe a necessidade de um Plano de Manutenção a curto prazo das unidades, através da adoção de políticas de manutenção. A estratégia citada e o Plano de Manutenção estão inter-relacionados, uma vez que o custo de manutenção influencia a substituição de uma unidade. O Plano de Manutenção deve estabelecer uma base racional para formulação de um Programa de Manutenção Preventiva e, ainda, fornecer diretrizes para a Manutenção Corretiva. O esquema abaixo é uma abordagem sistemática para a formulação de um Plano de Manutenção. Demanda do Produto Decisões sobre a estrutura da fábrica ou da unidade """""""""""""""""""""""""""""""""""" PLANO DE PRODUÇÃO PLANO DE MANUTENÇÃO Programa de Diretrizes de Programa de produção Manutenção Manutenção Preventiva Corretiva Outros fatores de influencia Carga de Carga de (ex. modificações no projeto) trabalho trabalho Organização da Manutenção Planejamento e administração dos recursos p/ adequação a carga de trabalho esperada 3.3.1. Política de Manutenção Preventiva O objetivo é encontrar um intervalo tal que torne mínima a soma dos custos de reposição periódica e de substituição por falha. Deve-se levar em conta a segurança do sistema. Esta política de reposição é geralmente mais adequada para itens de reposição simples e de baixo custo, onde se deve haver verificações periódicas obrigatórias, onde houver impossibilidade de obter medidas confiáveis. 3.3.2. Manutenção Baseada na Condição de Parâmetros A técnica de acompanhamento e sua periodicidade irão depender das características da deterioração do equipamento e dos custos envolvidos. É uma política mais adequada para itens de custo elevado e de reposição complexa. Manutenção Função Estratégica 29 3.3.3. Cadastramento de dados A operação de cadastro consiste em: - Determinar quais entidades serão cadastradas. - Definir os dados necessários. - Elaborar planejamento da atividade cadastrada. - Preparar documentação de registro de dados, manuais de preenchimento e operacionais. - Montar equipe de trabalho. - Codificar - Identificar fisicamente as entidades. - Lançar dados no computador. Principais entidades. - Pontos de aplicação da manutenção – maquinas, equipamentos, estruturas civis, bens patrimoniais, etc. - Planos de Manutenção - procedimentos, parâmetros de controle, recursos necessários. - Materiais – peças de reposição e demais materiais usados na manutenção. - Funcionários - Fornecedores - Clientes 3.3.4. Codificações A utilização de sistemas informatizados requer padronizaçãoquanto ao uso da informação. Esta padronização é obtida quando nos referimos a uma entidade através de uma única forma. Assim os recursos computacionais poderão processa-los logicamente, agrupando, calculando e expressando resultados de forma simplificada ao nosso entendimento. Característica de um processo de codificação - A codificação deverá ser definida segundo critérios de cada empresa. - Divulgar a codificação definida para todos os envolvidos no sistema. - Prever o aumento quantitativo dos dados cadastrados - Possuir o menor tamanho possível - Evitar alterações na estrutura de código definida. - Apresentar código e descrição em documentos e relatórios 3.3.5. Pontos de Aplicação da Manutenção Os pontos de aplicação referem-se à entidade na qual será aplicada a manutenção : maquinas, componentes, bens patrimoniais, instalações físicas, etc. Esta é a principal entidade do sistema. Todas as atividades realizadas, pontos de manutenção, investimentos, custos, informações gerenciais estão vinculados ao ponto de aplicação. Manutenção Função Estratégica 30 3.3.5.1.Estrutura do Cadastro - Código do ponto de aplicação - Descrição - Tipo de aplicação - conjunto de itens com características comuns - Grupo de aplicação – define os agrupamentos de aplicação. Utilizado também para diagramar a hierarquia com componentes e com equipamentos que agregam custo de interferência no processo produtivo. - Modelo - Fabricante - Datas - aquisição, instalação - Centro de custos - Unidade da capacidade produtiva – usado em máquinas produtivas - Tempo médio de operação por dia – usado em máquinas produtivas - Numero do patrimônio - Localização física - Cliente - Garantia - Características gerais – permite cadastrar informações complementares sobre a aplicação. - Relação com pontos de controle – pontos de medição do processo ou determinantes da programação da manutenção. - Relação com produtos do processo produtivo – aplicado no caso de maquinas produtivas - Relação com materiais – peças de reposição, componentes e pecas de referencia para descrição de ocorrências. 3.3.6. Pontos de Controle Identificam os pontos de medição, respectivos parâmetros e entidades determinantes para formação do histórico de medições para cada aplicação. → Pontos de medição: medidores de produção, medidores de qualidade, medidores de variáveis do processo. → Histórico de dados referentes às medições realizadas: ficam relacionadas aos pontos de controle das aplicações. → Parâmetros de controle: referentes às características dos medidores. 3.3.6.1. Estrutura do Cadastro - Código - Descrição - Tipos de programação - Parâmetros de controle relacionados ao processo de medição. - Histórico das medições – data, hora e valor medido. Manutenção Função Estratégica 31 3.3.7. Planos de Manutenção São procedimentos, parâmetros de controle e recursos necessários que especificam a maneira pela qual será realizada a manutenção nos pontos de aplicação. A manutenção poderá ser realizada de forma planejada ou não. A forma planejada permite que seja calculado antecipadamente recursos, procedimentos e custos para realização da manutenção. A forma não planejada especifica ações com meras solicitações de serviço, que normalmente não apresentam o conteúdo necessário para agilizar e racionalizar a execução dos serviços. Normalmente aplica-se uma programação nas manutenções planejadas para determinar as datas nas quais serão realizadas. Os Planos de Manutenção são aplicados aos pontos de aplicação ou agrupamentos destes pontos. Um Plano de Manutenção pode ser aplicado a diversos pontos de aplicação que possuam as mesmas características. Os procedimentos operacionais dos Planos de Manutenção não precisam necessariamente serem impressos juntamente com a ordem de serviço. Os Planos podem ser impressos previamente e arquivados junto aos departamentos executantes. Toda vez que os serviços referentes ao Plano forem solicitados via Ordem de Serviço ( OS ), os executantes poderão realizar as atividades necessárias através de consultas no documento arquivado. Neste caso, pode-se optar em registrar apenas recursos utilizados e descrição de ocorrências encontradas durante a manutenção. Um processo que concilia facilidade de uso e registro máximo de informações será, formar cadastros de procedimentos/recursos específicos vinculados ao Plano de Manutenção. Este cadastro será apresentado na forma de “check-list” , devendo ser preenchido durante a execução das Ordens de Serviços. No processo de digitação dos serviços executados, basta que o digitador informe se o serviço foi ou não executado, juntamente com a digitação de alguns poucos dados complementares referentes a medições realizadas. Os dados cadastrados são diferenciados por empresa. Se existir mais de tipo de programação para um plano, a primeira OS calculada a partir desta, cancela automaticamente outras. 3.2.7.1. Programação dos Planos de Manutenção A programação de um Plano de Manutenção significa calcular as datas nas quais este plano será executado. Normalmente precedido de uma documentação que formaliza o pedido de execução: CRONOGRAMA OU ORDEM DE SERVIÇO. Uma das grandes aplicações dos sistemas informatizados consiste em disponibilizar processos que automatizem e facilitem esta programação, tais como: - Determinação das datas de execução da manutenção. - Calculo de recursos necessários. - Emissão de cronograma de execução. - Emissão das OS. - Simulação de serviços para a adequação de recursos. Cada Plano de Manutenção poderá possuir mais de um tipo de programação. Manutenção Função Estratégica 32 3.2.7.2. Programação Periódica Caracterizada pela determinação de um período em dias ou em horas decorridas, no qual o PM deverá ser executado. Ao completar este período, uma ordem de serviço poderá ser emitida automaticamente pelo computador, apontando todos os parâmetros necessários para a execução do PM. Este processo de programação é simples, eficiente e não requer estrutura de controle para sua realização, uma vez que esta é realizada integralmente pelo computador. Basta que o usuário forneça o período, apenas uma única vez no start-up do plano, indicando a data da ultima ou próxima manutenção. O cálculo das demais datas de execução do plano será realizado automaticamente. Os períodos devem ser estabelecidos de acordo com as instruções do fabricante. Porem sempre haverá a necessidade de se adequar o período com a disponibilidade de recursos humanos. Um processo que facilita a programação periódica é a determinação de períodos múltiplos de 7 dias, possibilitando: - Programação de serviços em dias da semana pré-determinados. - Programação de serviços fora dos finais de semana. - Programação de serviços com períodos diferentes na mesma data, para aplicações diferentes. A programação periódica deve ser versátil, permitindo o usuário modifica-la. A tendência destas mudanças, na maioria dos casos, será para aumentar o período, o que é uma conseqüência natural dos benefícios de uma manutenção bem realizada de forma sistemática. 3.2.7.3. Programação Acumulativa Será controlada através de medições da quantidade acumulada produzida ou utilizada. Exemplo: - Manutenção realizada a cada 250 horas de funcionamento. - Manutenção realizada após uma produção de 20.000 toneladas. - Manutenção realizada a cada 10.000 km rodados. Ao atingir um valor Maximo estabelecido, o computador indicará a necessidade da manutenção através de alarmes ou emissão de OS. Os níveisde alarmes poderão ser estabelecidos pelo usuário, tantos quanto forem necessários. A medição dos dados poderá realizada através de apontamentos manuais ou através de equipamentos destinados a este fim. Os equipamentos de medição e coleta de dados poderão ser portáteis para uso em diversos pontos. Manutenção Função Estratégica 33 Cuidados necessários para aplicação deste processo de programação: - As medições devem ser feitas sistematicamente, o que exigirá maior demanda de recursos e de controle das ações. Pode-se criar planos com programação periódicas para controlar este processo. - No caso de medições automáticas, verificar a confiabilidade da coleta de dados e prever contingências. - Racionalizar a quantidade de pontos de controle do processo. Além de emitir ordens de serviços e alarmes de proximidade nas datas programadas, o sistema deve permitir visualizar as medições e as datas futuras de manutenção. 3.2.7.4. Programação por Tendência de Variáveis Será controlada através de medições de variáveis que apresentam curva de tendência ao longo do tempo, por exemplo: pressão, temperatura, vazão, vibração, nível, ph, rigidez dielétrica, dimensões, etc. Ao atingir um valor Maximo ou mínimo, o computador indicará a necessidade da manutenção através de alarmes ou emissão de OS. Os níveis de alarmes poderão ser estabelecidos pelo usuário, tanto quanto forem necessários. Os equipamentos de coleta de dados poderão estar acoplados diretamente no ponto de aplicação da manutenção ou poderão ser portáteis para uso em diversos pontos. Cuidados necessários para aplicação desse processo de manutenção: - Se as medições não apresentarem tendência, expressa por uma função matemática ao longo do tempo, não se deve usar este processo. Neste caso será recomendado usar a programação periódica ou por eventos. - As medições devem ser feitas sistematicamente, o que exigirá maior demanda de recursos e de controle das ações. Pode se criar planos com programação periódicas para controlar este processo. - No caso de medições automáticas, verificar a confiabilidade da coleta de dados e prever contingências. - Racionalizar a quantidade de pontos de controle do processo. - Criar documentos para a coleta de dados manual. Além de emitir OS e alarmes de proximidade nas datas programadas, o sistema deve permitir visualizar as medições e as datas futuras de manutenção. Manutenção Função Estratégica 34 3.2.7.5. Programação por Eventos Será controlada através de medições de qualquer tipo de evento relacionado ao ponto de controle: - Variáveis físicas ou químicas. - Status de produção ou qualidade. - Ocorrência relacionada a um componente. - Serviço executado. Ao atingir o valor estabelecido, o computador indicará a necessidade da manutenção através de alarmes ou emissão de OS. Os níveis de alarmes poderão ser estabelecidos pelo usuário. A medição de dados poderá ser realizada através de apontamentos manuais ou através de equipamentos destinados a este fim. Os equipamentos de medição e coleta de dados poderão estar acoplados diretamente ao ponto de aplicação da manutenção ou ser portáteis para aplicação em diversos pontos. Cuidados necessários para a aplicação deste processo de programação. - As medições devem ser feitas sistematicamente, o que exigirá maior demanda de recursos e de controle das ações. Pode se criar planos com programação periódica, para controlar este processo. - Os serviços de manutenção poderão ser solicitados a qualquer momento, sempre que ocorrer algum evento, sem permitir visualização das datas futuras, exigindo desta forma, disponibilização e prontidão de recursos. - No caso de medições automáticas, verificar a confiabilidade da coleta de dados e prever contingências. - Se for detectado ciclos periódicos na ocorrência dos eventos, deve-se alterar o processo de programação para periódico. - Racionalizar a quantidade de pontos de controle do processo. - Criar documentos para o processo de coletas de dados manual. 3.2.7.6. Programação por Data Específica Este processo de programação se assemelha com a programação periódica, porém com datas específicas, tais como: - Manutenção realizada todo dia 01 de cada mês. - Manutenção realizada todo dia 25 de dezembro - Manutenção realizada de segunda a sexta-feira de cada semana. O processo de “start-up”das datas de manutenção é mais simples que a Programação Periódica, não havendo necessidade especificar quando foi realizada a ultima manutenção. Manutenção Função Estratégica 35 Capítulo 4 Técnicas de Controle e Planejamento da Manutenção 4.1. Sistema PERT/CPM. PERT – Técnica de Avaliação e Controle de Programas ( Program Evalvation and Review Technique ) CPM – Método do Caminho Crítico ( Critical Path Method ) 4.1.1. – Introdução Os métodos de Análise de Redes são essencialmente uma técnica para auxiliar a administração no planejamento e controle de projetos. Em geral, a análise de redes pode ser aplicada com vantagem em empreendimentos que envolvem tempos específicos de início e término. Os métodos do caminho crítico são particularmente úteis onde um grande número de tarefas inter-relacionadas devam ser executadas, podendo qualquer uma delas ocorrer simultaneamente. Esta técnica é utilizada para controle dinâmico de grandes reparos (CODGRE) sendo muito importante pois um grande reparo geralmente requer a parada por completo da fábrica, portanto, sua previsão e organização são vitais afins de não gerar prejuízos e serem executados com alta confiabilidade e agilidade. 4.1.2. Planejamento. A) Previsão – relação de todas as tarefas a serem executadas. B) Programa – relacionamento das tarefas previstas, com suas interdependências de antecedência e subseqüência, alem dos tempos de duração. C) Execução – realização das tarefas, dando especial atenção as durações das mesmas, com finalidade de verificar se permanecem dentro dos limites estabelecidos. D) Coordenação – recebimento de informações e distribuição de ordens referentes à execução das tarefas, possibilitando medidas convenientes. E) Controle – verificação da execução das tarefas a tempo hábil, modificações necessárias pela introdução de novas tarefas não consideradas anteriormente assim como modificações das mesmas. Manutenção Função Estratégica 36 4.1.3. Representação O programa é representado por uma rede que se compõe de: A - setas ou linha orientadas, que representam as atividades. B - círculos que representam os eventos. C - setas tracejadas, que representam uma atividade fantasma (atividade fantasma é uma atividade que não consome nem tempo nem recurso) A representação seria a seguinte: 4.1.4. Tempo Médio ou Tempo Esperado Suponhamos a análise do tempo de duração de uma atividade intitulada “Fundação de um Prédio”. Esta análise nos fornece três campos de duração: 1 – Tempo Otimista (a) : é o tempo em que imaginamos condições ótimas para a execução da atividade, como: condições ótimas de terreno, tempo seco, etc. 2 – Tempo Pessimista (b) : é o tempo em que imaginamos adversidades para a execução da atividade, como: umidade do terreno, chuvas, etc. 3 - Tempo mais Provável (m) : é o tempo que representa, na opinião da pessoa que estima os tempos de duração, aquele que usual e normalmente a atividade considerada leva para ser executada.4 – Tempo Esperado (Te) : é o tempo que representa estatisticamente um valor que possui 50% de probabilidade de ser alcançado e 50% de não ser alcançado. Te = a + 4m + b 6 Evento inicial Evento final Identificação da atividade Duração da atividade Atividade fantasma Identificação da atividade Duração da atividade Evento final Manutenção Função Estratégica 37 Aplicação Exercício 4 Existe uma probabilidade de 10% de ser péssimo as condições para executar a manutenção em um setor de uma determinada empresa. Nestas condições sua duração será de 30 dias. Existe uma probabilidade, também de 10% de serem ótimas as condições para executar este mesmo serviço. Neste caso o tempo seria de 22 dias. Existe, porém, a probabilidade de 60% de ser regular estas condições, com um tempo de duração de 27 dias. Calcular o tempo esperado para uma probabilidade de execução de 50%. Representar graficamente. 4.1.5. Variância Variância é uma grandeza estatística que fornece o grau de incerteza associado à distribuição. 4.1.6. Desvio-Padrão (σ) Numa distribuição normal, - 68% dos valores, aproximadamente, se localizam dentro de um desvio-padrão de aproximadamente 1 ao redor da média. - 95% dos valores, aproximadamente, se localizam dentro de um desvio-padrão de aproximadamente 2 ao redor da média. - 99,7% dos valores, aproximadamente, se localizam dentro de um desvio-padrão de aproximadamente 3 ao redor da média. σ = b – a 6 b – a 6 22 Manutenção Função Estratégica 38 4.1.7. Fator de Probabilidade (K) Pelo planejamento efetuado determinamos as datas da realização dos eventos das atividades. Podemos determinar a probabilidade da realização destas datas através do Fator de probabilidade K K = T - Te T = Tempo para a realização do evento. √Σσ² Valores de uma função de distribuição normal FATOR DE PROBABILIDADE K PROBABILIDADE P (%) FATOR DE PROBABILIDADE K PROBABILIDADE P (%) menor que -3 0,00 0,0 50,00 -3 0,13 0,1 53,98 -2,9 0,19 0,2 57,93 -2,8 0,20 0,3 61,79 -2,7 0,35 0,4 65,54 -2,6 0,47 0,5 69,15 -2,5 0,62 0,6 72,57 -2,4 0,82 0,7 75,80 -2,3 1,07 0,8 78,81 -2,2 1,39 0,9 81,59 -2,1 1,79 1,0 84,13 -2,0 2,28 1,1 86,43 -1,9 2,87 1,2 88,49 -1,8 3,59 1,3 90,32 -1,7 4,46 1,4 91,92 -1,6 5,48 1,5 93,32 -1,5 6,68 1,6 94,52 -1,4 8,08 1,7 95,54 -1,3 9,68 1,8 96,41 -1,2 11,51 1,9 97,13 -1,1 13,57 2,0 97,72 -1,0 15,87 2,1 98,21 -0,9 18,41 2,2 98,92 -0,8 21,19 2,3 98,93 -0,7 24,20 2,4 99,18 -0,6 27,43 2,5 99,38 -0,5 30,85 2,6 99,53 -0,3 34,46 2,7 99,65 -0,3 38,21 2,8 99,74 -0,2 42,07 2,9 99,81 -0,1 46,02 3,0 maior que 3,0 99,87 100,00 Manutenção Função Estratégica 39 Aplicação Exercício 5 Construir o diagrama de PERT, o cronograma e calcular o tempo para realização do evento com uma certeza de 100% para a instalação de um forno elétrico em uma empresa. Atividades: A – Projeto B – Preparação do terreno C – Bases para estrutura D – Colocação da estrutura E – Instalação do forno F – Instalações hidráulicas e pneumáticas G – Painel elétrico interno H – Cabeamento interno I – Construir sub estação J – Cabeamento externo K – Testes finais Ativid. a b m Te σ ² CC Manutenção Função Estratégica 40 Quadro de Prioridades Atividade Atividade Símbolo Atividade Anterior Atividade sucessora Resumo Atividades Datas Folga Evento Símbolo Duração DCI DTI DCF DTF FL Manutenção Função Estratégica 41 Folha em branco para cálculos e construção dos diagramas Manutenção Função Estratégica 42 Exercício 6 Construir o diagrama de PERT, o cronograma e calcular o tempo para realização do evento com uma certeza de 100% para construção de uma oficina mecânica de manutenção. Atividades: A – Disponibilizar recursos B – Liberação de recursos C – Escolher o local D – Comprar o terreno E – Fazer o projeto F – Contratar construtora G – Recrutar funcionário H – Selecionar funcionário I – Contratar funcionário J – Treinar funcionário K – Construir fundações e estruturas L – Construir instalações diversas M – Comprar maquinário N – Receber maquinário O – Testar maquinário P – Acabamentos diversos Q – Inaugurar oficina Obs.: As atividades B/C e K/L podem ser simultâneas. ATIV. a b m Te σ ² CC A 10 15 13 B 3 7 5 C 7 14 12 D 2 8 5 E 20 30 26 F 15 18 16 G 10 18 14 H 7 10 8 I 10 14 13 J 21 28 23 K 21 30 28 L 15 26 23 M 10 20 14 N 14 21 19 O 5 10 7 P 10 15 14 Q 1 1 1 Manutenção Função Estratégica 43 Quadro de Prioridades Símbolo Atividade Atividade Anterior Atividade Atividade sucessora Manutenção Função Estratégica 44 Resumo Atividades Datas Folga Evento Símbolo Duração DCI DTI DCF DTF FL Manutenção Função Estratégica 45 Folha em branco para cálculos e construção dos diagramas Manutenção Função Estratégica 46 4.2. Prioridade de Atendimento 4.2.1. Introdução No dia a dia da manutenção, alguns serviços devem ser executados antes dos outros. Quando as Ordens de Serviço chegam à manutenção, a situação ideal é que sejam atendidas sempre na data programada. No entanto, sabemos que isto não é possível ou economicamente viável, devido à grande aporte de mão de obra necessária para que nunca houvesse espera.. A gerência de manutenção deverá montar um esquema de atendimento que periodize os casos mais graves atendendo-os antes dos casosmenos graves. Este critério de atendimento É denominado "Critério de Prioridade"e pode ser definido em função da gravidade da avaria ou em função da importância operacional do equipamento ou máquina avariada. 4.2.2. Convenções de Prioridades O sistema de prioridades deve ser adotado observando a importância dos equipamentos que podem ser classificados em função da produção : - Vitais ao Processo e Únicos (equipamentos classe "A") Vitais ao Processo e em Duplicata (equipamentos classe "B") - Não Vitais ao Processo e Únicos (equipamentos classe "C") Não Vital ao Processo e em Duplicata (equipamentos classe "D") - Improdutivos (equipamentos classe "E") - Em função da qualidade : - Os que afetam a qualidade do produto. (classe "A") - Os que não afetam a qualidade. (classe "B"). Em função da segurança : - Os que afetam a segurança. (classe "A") - Os que não afetam a segurança. (classe "B") Manutenção Função Estratégica 47 4.2.3 Tabela de Prioridades Esta tabela deve ser montada de acordo com a importância do equipamento e as conseqüências da falha. O critério adotado deve ser em função de cada empresa. Matriz de prioridades para Manutenção Ação solicitada ou necessária Graduação Ações de Ações de Ações de Ações de Ações de da falha Manutenção Manutenção Manutenção Instalações Limpeza Corretiva Sistemática Preditiva e testes Risco às 9 8 7 6 5 pessoas Risco ao meio 9 7 6 5 4 Ambiente Parada total de 8 6 5 4 3 Produção Perda de 8 5 4 3 2 qualidade Redução de 6 4 3 2 1 Produção Nenhum dos Efeitos acima 5 3 2 1 1 Número da Descrição Código Tabela 9 Emergência EME 7 ou 8 Urgência URG 6 ou 5 Programar e executar em 48 horas P48 4 Programar e executar em 96 horas P96 3, 2 ou 1 Trabalhos de rotina ROT Manutenção Função Estratégica 48 Aplicação Exercício 7 Defina sistemas de priorização para os equipamentos de uma industria abaixo relacionados. a) Em função da produção. b) Em função da qualidade. c) Em função da segurança. b) Fazer um sistema geral de priorização qualidade e segurança. Equipamentos : a – 2 fornos elétricos 25t b – 1 oxicorte automático c – 1 oxicorte manual d – 1 forno- panela e – 1 lingotamento contínuo f – 2 galgas g – 2 pontes rolantes de 40 t h – 2 pontes rolantes de 10 t i – 2 transformadores Considerações : As galgas trabalham somente em época de revestimento dos fornos, misturando massa refratária e apenas uma é suficiente para atender a demanda, ficando a outra de reserva. A falta de manutenção não compromete a segurança e nem altera a qualidade dos produtos. Os fornos são revestidos com refratários que desgastam com as condições de trabalho e com o tempo. A campanha do revestimento é de 250 corridas. Um forno elétrico atende a 60% da produção se o outro estiver parado. Grande risco no que se refere à segurança e pouco altera a qualidade. O forno-panela também segue o mesmo esquema dos fornos à arco no que se refere a revestimento, mas com ele parado há uma queda de 10% na produção. Baixo comprometimento a qualidade e segurança. O lingotamento contínuo possui 2 veios, cada um responsável por 50% da produção, mas se um veio danificar, a produção pode ser afetada em até 70%. O lingotamento é o único equipamento que se parar compromete a produção em 100%. Alto comprometimento à segurança e médio quanto a qualidade O oxi-corte automático só pode ser reparado com o lingotamento parado, mas ele danificar, o manual poderá substitui-lo sem afetar a produção, prejudicando apenas a qualidade do corte. O manejo do oxicorte manual pode trazer riscos leves ao operador. Baixo comprometimento à qualidade e à segurança. As pontes rolantes de 10 t trabalham alternadamente se uma parar não afeta em nada a produção. Nada afeta a qualidade, mas tem interferência relevante quanto a segurança. .As pontes de 40 t, se uma parar a produção pode ser afetada em até 30% Pequena interferência à qualidade e grande na segurança. Os transformadores seguem o mesmo esquema dos fornos à arco no que se refere ao comprometimento à produção. Pequena interferência na qualidade e grande na segurança. Manutenção Função Estratégica 49 4.2.4 – Sistema GUT O sistema GUT é uma maneira de priorizar as tarefas. Baseado nos parâmetros de Gravidade, Urgência e Tendência, arbitra-se valores de 1 a 5 e obtemos um índice de prioridade que pode ser formulado de três maneiras: - Pela soma dos valores. Assim, por exemplo, um equipamento que tem uma gravidade "4" , com uma urgência "3" e com tendência de agravamento "2" terá uma prioridade (4+3+2) = 9 - Pelo produto das notas, (4x3x2) = 24 - Pela média, que pode ser aritmética ou ponderada Alguns autores sugerem que estes valores devem ser elevados ao quadrado antes de serem processados, pois julgam que os valores são próximos (1,2,3,4 e 5), e que ao quadrado ficariam com uma diferença mais percebida (1,4,9,16 e 25) Com os valores do exemplo anterior o índice de prioridade ficaria: - Pela soma dos valores ao quadrado teríamos (4²+3²+2²) = (16+9+4) = 29 - Pelo produto dos valores ao quadrado teríamos (4²x3²x2²) = (16x9x4) = 576 Anotações Manutenção Função Estratégica 50 4.2.5 – Teoria das Filas e Backlog O Backlog determina o tempo que a equipe de manutenção deverá trabalhar para executar os serviços pendentes. É o tempo que a última O.S. leva para ser atendida, na condição especial em que toda força de trabalho é usada para atender as pendências existentes. A unidade mais comum para medir o tempo de atraso é "dias de espera", em alguns casos "semanas" e mais raramente "meses". A equipe de manutenção será a "Estação de Serviços" e a disciplina de atendimento é determinada pela "Prioridade". A primeira O. S. a chegar é atendida antes, quando chegar uma O.S. de prioridade diferente ela será atendida dentro de sua fila. O tempo de espera será o tempo real de atendimento. As O.S. que não dependem só de mão de obra, também enquadram-se neste procedimento, têm o tempo de espera aumentado pelo período de aquisição de material, etc.Mas também fazem parte da média de chegada, saída e da taxa de utilização da mão de obra para o atendimento. 4.2.5.1 – Causas da Existência de backlog As causas mais comuns que impedem ou retardam o atendimento e a execução imediata de um serviço são relacionadas abaixo: - falta de mão de obra - falta de material - falta de ferramentas - falta de equipamento de apoio - falta de condição de trabalho - equipamento não liberado para manutenção - interferência de outras equipes 4.2.5.2 – Como Obter um Relatório de Backlog Se as O.S. estão aguardando execução, sabe-se quanta e qual mão de obra é necessária, qual a seqüência de trabalho, quanto e qual material será necessário, etc. Para o relatório, sugere-se o seguinte procedimento : a – listar as O.S. pela variável de interesse. b – somar o valor Homens Hora Estimados para o Trabalho (HHES) c – dividir HHES total pelo HHDI, Homens Hora Disponíveis para o Trabalho, na unidade de tempo que será usada no relatório. d – o resultado obtido será o tempo em "dias"que o grupo deverá trabalhar para e executar o serviço. e – com o valor calculado, podemos montar uma tabela para comparação e um gráfico para acompanhamento Manutenção Função Estratégica 51 Aplicação Exercício 8 Com uma turma de 48 eletricistas com 52 O.S. num total de 2823 Hh estimados e 96 mecânicos com 76 O.S. e 3522 Hh estimados, qual o Backlog, em dias, por turma e grupo, considerando os dados a seguir: a) quadro de pessoal 48 eletricistas – 96 mecânicos b) em férias 04 eletricistas – 08 mecânicos c) absenteísmo (4,2%) 02 eletricistas – 04 mecânicos d) pessoal de turno 12 eletricistas – 12 mecânicos e) vagas a preencher 06 eletricistas – 10 mecânicos Manutenção Função Estratégica 52 4.2.5.2 – Analise dos Gráficos de Valores de Backlog A análise destes gráficos transmitirá muita informação aos profissionais de manutenção. 4.2.5.2.1 – Backlog Estável 4.2.5.2.2 – Backlog Crescente 0 Dias de Trabalho 15 12 9 6 3 2 4 6 8 10 12 14 semanas do ano Quando se obtém um gráfico deste modo, a situação é estável, o que não quer dizer que é boa. Se o valor for alto, pode contratar não de obra temporária para a execução dos serviços pendentes, até que os valores sejam reduzidos a valores aceitáveis, ou fazer horas extras. Dias de Trabalho 15 12 9 6 3 0 2 4 6 8 10 12 14 semanas do ano Neste caso está havendo um aumento progressivo de O.S. pendentes e isto deve-se normalmente a mão de obra insuficiente, ou de má qualidade, ou supervisão inoperante. Deve-se verificar métodos de trabalho e fornecer treinamentos ao pessoal de manutenção. Alternativamente deve- se aumentar o quadro pessoal. Manutenção Função Estratégica 53 4.2.5.2.3 - Backlog Reduzindo (Decrescente) 4.2.5.2.4 – Backlog com Aumentos Bruscos Dias de Trabalho 15 12 9 6 3 0 2 4 6 8 10 12 14 semanas do ano Detectada uma situação de redução contínua da backlog, deve-se tomar medidas para evitar ociosidade. - rever os critérios de serviços de terceiros. - aproveitar o período para treinar a equipe qdo a situação for transitória - transferir parte do pessoal para outro setor - dispensar funcionários Dias de Trabalho 15 12 9 6 3 0 2 4 6 8 10 12 14 semanas do ano Fatores que contribuem para esta situação. - entrada de pedidos que consomem muita mão de obra como reformas, modificações e grandes reparos. - mudanças de padrões de qualidade do solicitante. - redução do quadro de pessoal. Manutenção Função Estratégica 54 4.2.5.2.5 – Backlog com Reduções Bruscas 4.2.5.2.6 – Backlog com Oscilações Periódicas ou Cíclicas 4.2.5.4 – Como Lidar com seu Backlog Apesar de não existir procedimento que possa ser aplicado em qualquer circunstância, algumas práticas podem ser enumeradas: a - Organize seu arquivo de serviços pendentes. Se houver processamento de dados com auxílio de computador, é fácil, Se não existir, leia todas as O.S. para saber o que está pendente, e separe por ordem de importância. b – Após rearrumar o arquivo, reveja os critérios de prioridade com os emitentes. c – Cancele ou modifique as O.S. que não mais retratam a realidade do pedido. Dias de Trabalho 15 12 9 6 3 0 2 4 6 8 10 12 14 semanas do ano São devidas a : - contratação de mão de obra externa - revisão em arquivos de Backlog com baixa em pedidos não mais necessários. - aumento da força de trabalho. Dias de Trabalho 15 12 9 6 3 0 2 4 6 8 10 12 14 semanas do ano Este tipo de Backlog normalmente são devidos a inspeções periódicas em áreas de produção. Manutenção Função Estratégica 55 d – Inicie o atendimento dentro da nova ordem, usando a mão de obra disponível. e – Faça uma reavaliação do que está pendente, no mínimo duas vezes por ano. f – Destaque nos relatórios de manutenção as O.S. que são itens de investimento e as que consomem muita mão de obra. g – Nos gráficos estão comentários que se aplicam a cada caso, e que complementam os conceitos aqui emitidos. h – Seja hábil para contornar situações novas e inusitadas. 4.2.5.5 – Sugestões Sobre Modo de Apresentar Backlog em Relatório. Um relatório onde for apresentado este indicador deveria sempre conter, os seguintes dadosusando a tabela a seguir. Final de Agosto Final de setembro O.S. Abertura Data Idade HHES HHDI Backlog 1331/06 27/06/05 31/08/05 65 184 320 1335/06 29/06/05 63 320 1382/07 04/07/05 58 140 1399/07 08/07/05 54 110 1451/07 19/07/05 43 250 1493/07 28/07/05 34 200 1525/08 08/08/05 23 15 1532/08 12/09/05 19 120 1583/08 26/08/05 05 35 1589/08 29/08/05 31/08/05 02 123 320 Total 366 1497 320 4,678 O.S. Abertura Data Idade HHES HHDI Backlog 1451/07 19/07/05 30/09/05 73 250 320 1493/07 28/07/05 64 200 1525/08 08/08/05 53 15 1532/08 12/09/05 49 120 1583/08 26/08/05 35 35 1589/08 29/08/05 32 123 1601/09 05/09/05 25 172 1651/09 13/09/05 17 79 1697/09 22/09/05 08 230 1711/09 27/09/05 30/09/05 03 162 320 Total 359 1386 320 Manutenção Função Estratégica 56 4.3 - Indicadores e Índices de Manutenção Para que tenhamos um processo de manutenção sob controle devemos ter domínio sobre o que poderá acontecer, sob o que está acontecendo e ter condições de interferir para corrigir desvios eventuais. Só é possível manter um processo sob controle quando se tem o domínio tecnológico sobre ele. Todos os negócios têm seu ponto de equilíbrio. Ainda que atuemos fortemente dos orçamentos, mantendo os custos baixos, devemos perguntar: o que é que nós da manutenção e nós da empresa perdemos com isso? Perdemos em disponibilidade da instalação e da linha de produção? Perdemos em qualidade de produto? Perdemos em quantidade na produção? Ou, ainda, perdemos na eventual redução da capacidade de produção? Se estes parâmetros não forem medidos dentro da manutenção, como é que poderemos saber realmente se a manutenção está com perda zero? 4.3.1 – Tipos de Indicadores de Performance. Os indicadores, de um modo geral, podem ser divididos de varias maneiras, considerando o que se pretende. Aqui vamos dividir em dois grupos, que não são excludentes, mas os mesmos indicadores, normalmente, podem ser nominados pelos dois modos e contidos nos dois grupos que citamos a seguir. Grupo 1 – Indicadores de Capacitação e Indicadores de Desempenho. Estes indicadores apontam o que a equipe é capaz de fazer e também indicam como a equipe faz o que deve fazer. Grupo 2 – Indicadores de Performance e seus Parâmetros.(Metas Alcançadas) Estes indicadores servem para indicar se as estratégias de manutenção estão sendo bem sucedidas ou se devem ser reorientadas ou mudadas. Manutenção Função Estratégica 57 4.3.2 – Indicadores de Capacitação e Desempenho. 4.3.3. Indicadores de Capacitação do Pessoal Indicadores que tratam da capacitação do conjunto da manutenção e operação. Estes indicadores nos fornecem índices de Capacitação Pessoal, Capacitação Profissional e Certificação. Assim estes indicadores tratarão sobre a aptidão ou competência da equipe de manutenção. Tipos de Indicadores Capacitação Desempenho Qualificação do pessoal Qualidade Conformidade Ciclo de produção Custo do processo Retrabalho Aproveitamento Rastreabilidade Capacidade instalada Grau de modernização Produtividade Manutenção Função Estratégica 58 Capítulo 5 . Custos em Manutenção 5.1. Introdução Antigamente, quando se falava em custos em manutenção a maioria dos gerentes achava que: - não havia meios de controlar os custos de manutenção. - a manutenção, em si, tinha custos altos e imensuráveis. - os custos de manutenção oneravam, e muito, o produto final. Em termos de Brasil, essas afirmações eram muito intuitivas, desde que a mensuração desses custos eram meramente contábil. Por outro lado, alguma verdade se escondia sob essas afirmações, pois a performance global da manutenção deixava a desejar. Isso por dois motivos: a gerência julgava que as atividades de manutenção não eram tão importantes, logo os investimentos nessa área não deveriam ser altos: a manutenção na qual não se investia, não tinha nem representatividade nem competência necessária para mudar a situação. Ainda hoje é possível encontrar esse quadro em um número razoável de empresas brasileiras. No Brasil, o custo da manutenção em relação ao faturamento das empresas vem apresentando uma tendência de queda, situando-se em 2003 em torno de 4,27%. A média mundial gira em torno de 4,12%. A evolução deste custo está representado no quadro abaixo. Manutenção Função Estratégica 59 5.2 - Porcentagem dos Custos em Relação ao Custo Total Para fins de controle, podemos classificar os custos de manutenção em três categorias Custos Diretos – são aqueles necessários para manter os equipamentos em operação. Neles Se incluem manutenção preditiva, sistemática, lubrificação, custo de reparos ou revisões e manutenção corretiva em geral. Os custos de paradas de manutenção, ou grandes serviços de reforma/modernização também são diretos. Custo da manutenção em função do faturamento das empresas. 1991 ..................................................... 6,20 % 1993 ..................................................... 5,00 % 1995 ..................................................... 4,26 % 1997 ..................................................... 4,39 % 2000 ..................................................... 4,02 % 2003 ..................................................... 4,27 % Custo da manutenção em função do patrimônio das empresas. 1991 ...................................................... 4,0 % 1993 ...................................................... 3,8 % 1995 ...................................................... 3,4 % 1997 ...................................................... 3,1 % 2000 ...................................................... 3,2 % 2003 ...................................................... 3,3 % Manutenção Função Estratégica 60 Custos Indiretos – são aqueles relacionados com custos, análises e estudos de melhoria, engenharia de manutenção supervisão, etc. Equipamentos para acompanhamento da manutenção também entram neste grupo. Custos administrativos - são aqueles relacionados com a estrutura gerencial e de apoio administrativo. Os componentes do custo direto são: Custo de mão de obra. Este custo de mão de obrapode ser direto ou indireto, mas todos dois fazem parte do custo de manutenção direto. O custo da mão de obra é direto se gera produto, se não gera é indireto. Custo de materiais sobressalentes. Custo de reposição de material Este custo deve ser corrigido se for retirado do estoque. Custo de materiais de consumo. . São rateados entre todos os equipamentos. Custos de perda de produção. Custos de contratos. Manutenção Função Estratégica 61 A composição dos custos de manutenção 5.3 - Índice do Custo de Mão de Obra ICMO = 1 + MOI ICMO = índice de custo de mão de obra MOD MOI = mão de obra indireta MOD = mão de obra direta Pessoal diretos salários que geram produtos indiretos salários que não geram produtos, encargos sociais e benefícios ( transporte, alimentação, auxílio médico, habitação, lazer, etc ) administrativo rateio de gastos das áreas administrativas Material diretos custo de reposição de material indiretos capital imobilizado, custo de energia elétrica, água, produtos de limpeza, armazenagem, etc. administrativo rateio dos gastos das áreas de compra e administração de material em função do tempo de ocupação do pessoal na manutenção. Terceiros diretos custos de contratos ( permanentes e eventuais ) indiretos serviços utilizados por terceiros e custeados pela empresa administrativo rateio dos gastos das áreas de administração de contratos, contábil e financeira em função do envolvimento com a manutenção. Depreciação diretos custo de reposição indiretos capital imobilizado administrativo rateio dos gastos das áreas de contabilidade, controle de patrimônio e acompanhamento e aquisição de máquinas e ferramentas para a área de manutenção. Perda de diretos perda de produção Faturamento indiretos perda de matéria-prima, perda de qualidade, devoluções, processos administrativo rateio das áreas de controle de qualidade, vendas, marketing em função do envolvimento devido à manutenção. Manutenção Função Estratégica 62 Aplicação Exercício 9 Calculo do custo de mão de obra para um determinado serviço de manutenção em uma empresa foram apontadas as seguintes horas trabalhadas. Sabe-se que : - a ociosidade (tempo passivo) do funcionário na empresa é de 15 % - os encargos representam 25 % da hora trabalhada - o rateio da não de obra administrativa direcionada à manutenção é 3 % - os benefícios oferecidos ao funcionário representam 5 % - absenteísmo representa 2% Tipo de serviço horas Trabalhadas R$ hora trebalhada Montagem 60 horas R$ 4,00 Lubrificação 02 horas R$ 6,00 Ajustagem 15 horas R$ 6,00 Mecânico 50 horas R$ 5,00 Elétrico 20 horas R$ 5,00 Hidráulico 12 horas R$ 5,00 Auxiliar 160 horas R$ 2,50 Manutenção Função Estratégica 63 5.4 – Comparação dos Custos de Manutenção. Uma consideração importante relacionando custo de manutenção é a comparação de custos entre os vários tipos de manutenção. Como mostra o quadro abaixo, o custo da Manutenção Corretiva Não Planejada é, pelo menos, o dobro do custo da Manutenção Preditiva + Corretiva Planejada. Outro aspecto importante, relacionado aos custos, está no modo de executar o programa de Manutenção Preditiva, se com recursos próprios ou contratando os serviços de firmas especializadas. Os quadros abaixo servirão para uma análise mais detalhada das situações. Tipo de Manutenção Custo US$ / HP / Ano Corretiva Não Planejada 17 a 18 Preventiva 11 a 13 Preditiva + Corretiva Planejada 7 a 9 Custo de Equipamentos Equipamento US$ Coletor de dados 4.000 a 25.000 Software de gerenciamento (vibrações) 15.000 a 20.000 Equipamento de alinhamento a laser 5.000 a 8.000 Termovisor (câmera e software) 12.000 a 70.000 Medidores de espessura 1.000 a 10.000 Medidores ultra – som 2.000 a 50.000 Instrumentos para análise de óleo lubrificante 2.000 a 250.000 Instrumentos de ferrografia 70.000 Manutenção Função Estratégica 64 Valores Praticados Na Prestação de Serviços de Manutenção Preditiva Serviço US$ Termografia 180,00 a 500,00 / dia (1 dia = 3 subestações completas) Análise de vibração 4,80 / ponto (até 250 pontos nas três direções) 4,00 / ponto (mais de 250 pontos)6,4 / ponto (para compressores) Ensaio Ferrográfico Completo 80,00 (quantitativo e analítico) Ensaio Físico Químico Para Óleo Isolante 20,00 Ensaio Físico Químico Para Convencional para 20,00 Lubrificantes Cromatografia Gasosa Para Óleo Isolante 15,00 Manutenção Função Estratégica 65 5.5 – Disponibilidade Operacional É fundamental que cada especialidade da manutenção faça um controle de custos, independente da estrutura organizacional adotada pela empresa. É importante saber quanto está sendo gasto na manutenção mecânica, elétrica, instrumentação/ automação e serviços diversos como pintura, limpeza, conservação, etc. Outro aspécto importantíssimo nos custos de manutenção é : MAIS MANUTENÇÃO NÃO SIGNIFICA MELHOR MANUTENÇÃO. O gráfico abaixo representa bem esta afirmação e mostra que existe um compromisso entre o nível de manutenção, a disponibilidade operacional e os custos MTTR = Tempo Médio Entre Reparo Podemos observar no grafico que: a) o custo total mínimo pode ser obtido com alta taxa de disponibilidade - algo em torno de 91 % . b) os custos de manutenção crescem de modo inverso aos custos de parada de produção, desde que se espera que este aumento de custos com a manutenção se traduza em redução de paradas de emergência. No limite máximo – manutenção em excesso -, podemos imaginar uma manutenção que em intervalos muito pequenos de tempo esteja intervindo no equipamento e substituindo componentes desnecessariamente. No outro extremo, a falta de manutenção provocará paradas cada vez mais longas, traduzidas por intervalos cada vez maiores de perda de produção. MTTR Em horas de parada Custo de manutenção Custo de perda De produção Custo total 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 0 Disponibilidade Operacional 1 0,97 0,94 0,91 0,88 0,85 0,82 C u S T o Zona de Organiza- ção eco- nômica Manutenção Função Estratégica 66 Desse modo, pode-se estabelecer um nível ótimo de intervenção que varia para cada tipo de instalação ou equipamento. Esta situação, ao mesmo tempo em que alerta para o aspecto da intervenção, nos alerta para uma modificação entre essas duas opções de intervir menos ou mais. A de intervir justamente na hora necessária. Isso é possível com a adoção da manutenção preditiva e favorece sensivelmente o aumento da disponibilidade da instalação sem aumento dos custos diretos da manutenção. Obs. : a disponibilidade operacional das empresas brasileiras evoluiu de acordo com o quadro abaixo. 5.6 - Índices de Custo de Manutenção 5. 6.1 - Índices de Classe Mundial A – Custo de Manutenção por Faturamento ( CMFT ) Relação entre o Custo Total de Manutenção ( CTMN) e o Faturamento da Empresa no Período Considerado ( FTEP ) CMFT = CTMN x 100 FTEP B – Custo de Manutenção pelo Valor de Reposição ( CMRP ) Relação entre o Custo Total Acumulado na Manutenção de um Equipamento ( CTMN ) e o Valor de Compra desse Equipamento Novo = Valor de Reposição ( VLRP ) CMRP = ∑ CTMN x 100 VLRP Disponibilidade Operacional 1997 ....................................................................... 85,82 % 1999 ....................................................................... 89,30 % 2001 ....................................................................... 91,36 % 2003 ....................................................................... 89,48 % Média dos Melhores Indicadores ( acima de 90 % ) 1997 ....................................................................... 92,70 % 1999 ....................................................................... 93,90 % 2001 ....................................................................... 94,40 % 2003 ....................................................................... 93,30 % Manutenção Função Estratégica 67 5.6.2 - Outros Índices de Custo de Manutenção. Além dos dois indices de custos já apresentados como "classe mundial", destacamos alguns dos indices mais utilizados pelas empresas de processo e serviço. Componente do Custo de Manutenção = Custo Total da Manutenção Custo Total da Produção Custo Relativo com Pessoal Próprio = Custo de Mão de Obra Próprio Custo Total da Manutenção Custo Relativo do Material = Custo do Material Aplicado na Manutenção Custo da Manutenção Custo de Mão de Obra Externa = _Custo de Mão de Obra Contratada_ CMOC + Custo de Mão de obra Própria Custo Manutenção Relativo a Produção = Custo de Manutenção______ Produção Total no Período Custo de Treinamento = Custo de Treinamento de Manutenção Custo de Manutenção Imobilizado em Sobressalentes = Capital Imobilizado em Sobressalentes Capital Investido em Equipamentos Custo de Manutenção por Valor de Venda = Custo Total de Manutenção Valor de Venda Custo Global = Valor de Reposição – ( Valor de Venda + Custo de Manut. ) Manutenção Função Estratégica 68 Capítulo 6 Confiabilidade 6.1 – Introdução Em 1960 a Federal Aviation Administration desenvolveu um programa de confiabilidade para industria aeronáutica. Os procedimentos de manutenção vigentes foram reorientados devido a duas conclusões: - se um item não possui um modo predominante e característico de falha, revisões programadas afetam muito pouco o nível de confiabilidade. - para muitos itens, a manutenção preventiva não é eficaz. Em 1968, a Boeing adota para o jato de passageiros 747 um programa de manutenção centrado em confiabilidade. 6.2 – Conceitos Confiabilidade – é a probabilidade de que um item possa desempenhar sua função requerida, por um intervalo de tempo estabelecido, sob condições definidas de uso. Probabilidade – é a razão entre o número de casos favoráveis sobre o número de casos possíveis. varia de 0 a 1 ou de 0% a 100% Função requerida – é cumprir a missão, atender o desempenho esperado. Condições definidas de uso – condições operacionais que está submetido o equipamento (ambiente onde está instalado, variações e grau de agressividade, solicitações mecânicas, físicas, químicas, etc). Todo equipamento é projetado para atender a uma especificação. Ele é projetado para desempenhar uma função. O desempenho do equipamento pode ser analisado por dois enfoques:- desempenho inerente – é o desempenho que o equipamento é capaz de fornecer. - Desempenho requerido ou desejado – é o desempenho que queremos obter dele. A RCM (Reliability Centered Maintenance), Manutenção Centrada em Confiabilidade considera que a manutenção sozinha não é capaz de modificar a capacidade inerente do equipamento, por isso a definição de RCM é: "RCM é um processo usado para determinar o que precisa ser feito para assegurar que qualquer item físico continue a cumprir as funções desejadas no contesto operacional atual. Quando um item não apresenta desempenho previsto, ele falha e esta falha pode representar: - interrupção da produção. - Operação em regime instável. - Queda da quantidade produzida. - Deterioração do produto. Manutenção Função Estratégica 69 Manter a confiabilidade alta implica custos e existe um limite ótimo para investir, isto é representado no gráfico abaixo. Por outro lado o aumento da confiabilidade significa redução dos custos de produção. Confiabilidade 100 % Custo de manutenção Confiabilidade 100 % Custo de produção Manutenção Função Estratégica 70 6.3 – Principais Ferramentas de Aumento da Confiabilidade 6.3.1 – Boas Práticas de Manutenção Boas práticas de manutenção somente serão alcançadas se houver investimento em pessoal (treinamentos,reciclagens) Deve-se ter uma manutenção de classe mundial que envolve: Os procedimentos devem ser produzidos pelo conjunto de pessoas envolvidas nos trabalhos, por elas mesmas melhorados e adotados por todos. É interessante a criação de grupos com participação de pessoal de outras especialidades da empresa para analisar problemas nos equipamentos ou sistema. 6.4 – Processos em Operação A análise por meio do FMEA e FTA oferece uma visão sistêmica do processo, e pode conduzir a soluções também sistêmicas. Ë necessário interar que para resolver problemas sistêmicos necessitamos de soluções sistêmicas. Quando se aplica uma solução isolada para um problema sistêmico o problema reaparecerá novamente da mesma forma, ou, pior ainda, com outras características, o que poderá nos parecer um novo problema. Ação / Condição Conseqüências • Estrutura Organizacional * Alta produtividade do pessoal próprio e • Organização dos times de manutenção contratado • Integração com área de materiais * Níveis elevados de segurança * Melhoria no nível de disponibilidade e confiabilidade * Ambiente proativo • Processos de trabalho * Confiabilidade dos serviços * Planejamento e controle de processo * Redução de custos dos serviços e contratos * Melhoria contínua dos processos * Aumento do MTBF – tempo médio entre * Integração dos processos tecnológicos falhas com os negócios * Otimização de procedimentos * Utilização de ferramentas gerenciais * Definição de itens de controle e metas de suporte para melhoria • Gerenciamento de materiais e * Materiais e sobressalentes confiáveis Equipamentos * Redução de inventário em estoques – • Histórico de manutenção padronização, política de recuperação • Documentação de projeto atualizada * Base de dados consolidada para consulta e controle. Manutenção Função Estratégica 71 6.4.1 – Revisão de Processos de Manutenção A revisão de projetos e processos é um procedimento gerencial que visa a melhoria dos mesmos por meio da detecção de possíveis falhas e da adoção de contramedidas a elas. Análise de falhas em processos em andamento Sim Não Sim Sim Não O processo está Padronizado? Elaboração de padrões provisórios Existem problemas bem identificados? Foram identificados problemas específicos? Aplicação de FTA a cada problema Revisão ampla dos padrões mediante FMEA Alterações dos padrões nos pontos específicos Elaboração do plano de ação - renovação de sintomas - bloqueio de causas Padronização definitiva Manutenção Função Estratégica 72 6.5 – Análise de Falhas – Analise do Modo e Efeito de Falhas (FMEA), Análise das Causas Raízes da Falha (RCFA) e Análise da Árvore de Falhas (FTA) Este enfoque está ligado a solução dos problemas que vão sendo encontrados. A medida que resultados indesejados dos processos são percebidos, atua-se metodicamente sobre eles para achar a sua causa. 1 Efetivo 7 2 3 4 5 6 8 9 Não Sim Problema – Identificação do problema Objetivo: definir claramente o problema e reconhecer sua importância. Observação – Reconhecimento da característica do problema Objetivo: investigar as características especificas do problema. Análise – Descoberta das causas principais Plano de ação – Contramedidas às causas principais Objetivo: conceber um plano para bloquear as causas fundamentais. Execução – Atuação de acordo com o plano de ação Objetivo: bloquear as causas fundamentais. Verificação – confirmação da efetiva ação Padronização – Eliminação efetiva da causa Conclusão – Revisão das atividades e planejamento para trabalho futuro 1 – 2 – 3 – 4 P – PLAN – PLANEJAMENTO 5 D – DO – AÇÃO 6 – 7 C – CHECK - VERIFICACAO 8 – 9 A – ACT - AVALIAÇÃO Manutenção Função Estratégica 73 ACTION PLAN CHECK DO P - Planejamento (Plan) 1 – Identificar o problema: • isolar o problema, • levantar o histórico do problema, • mostrarperdas atuais e ganhos possíveis, • analisar para priorizar e definir metas, • definir grupo para analise e definir líder 2 – observação • descobrir as características do problema através de pesquisa de dados e observações no local (problemas crônicos), • fazer o cronograma, o orçamento e definir metas 3 – Análise Eduque e treine Execute Exec o trabalho Verifique os efeitos do trabalho executado P D A C Defina as metas Determine os Métodos para Alcançar as metas Atue no processo Em função dos resultados Manutenção Função Estratégica 74 • definir causas que influem no problema. Fazer “brainstorn” e escolher as mais prováveis, • colher dados e estratificar os dados, • verificar se as causas mais prováveis foram confirmadas, • verificar se é possível bloquear. 4 – Plano de Ação • definição de plano de ação com o grupo que analisou o problema, • elaboração do orçamento final. D – Ação (Do) 1 – Ação • divulgar o plano e treinar todo o pessoal, • execução das ações definidas C – Verificação (Check) 1 – Verificação • comparar os resultados, • listar os efeitos secundários positivos e negativos, • o problema continua? Se continua retornar ao item 2 do PDCA, • se sanar, padronizar. A – Avaliação (Act) 1 – Padronização • elaborar novo padrão ou revisar o existente, • comunicação e treinamento pessoal, • acompanhar o novo padrão, 2 – Avaliação do processo • relacionar problemas remanescentes, • planejar programa para problemas remanescentes, • avaliar o processo MASP. Manutenção Função Estratégica 75 6.5.1 – Análise do Modo e Efeito de Falhas (FMEA) O FMEA é um sistema lógico que hierarquiza as falhas potenciais e fornece recomendações para as ações preventivas. É um processo para analisar falhas e soluciona-las. Há três níveis de FMEA : projeto, processo e sistema. FMEA no projeto dedica a eliminar as causas de falhas durante o projeto, levando em consideração todos os aspectos, desde mantenibilidade até aspectos ligados a segurança. No processo focaliza como o equipamento é mantido e operado. No sistema se preocupa com as falhas potenciais e gargalos no processo global, como uma linha de produção. Objetivo : - Identificação das falhas críticas em cada componente, suas causas e conseqüências. - Hierarquizar as falhas. - Análise da confiabilidade do sistema. Procedimento : - Análise das falhas em potencial de todos os elementos do sistema e previsão das conseqüências. - Relação de ações corretivas e preventivas a serem tomadas Características básicas : - Pode ser utilizado na análise de falhas simultâneas ou co-relacionadas. - Todos os componentes do sistema são passivos de análise. Seqüência de Trabalho Na determinação da taxa de risco de falha de um componente particular de um equipamento, o grupo deve adotar a seguinte seqüência: A) Isolar e descrever o modo da falha potencial. B) Descrever o efeito potencial da falha. C) Determinar a ocorrência e gravidade da falha. O índice de ocorrência é uma estimativa das probabilidades de ocorrência de uma causa de falha e dela resultar uma falha no produto/processo O índice de gravidade (severidade) é o índice que deve refletir a gravidade do efeito da falha sobre o cliente, assumindo que o tipo de falha ocorra. A atribuição do índice de gravidade deve ser feita olhando para o efeito da falha e avaliando o quanto ele pode incomodar o cliente. Para indicar a gravidade da falha, adota-se uma escala de 1 a 10, sendo 10 para uma falha mais grave, do mesmo modo faz-se para a freqüência. Manutenção Função Estratégica 76 D) Determinar o índice de detecção É o índice que avalia a probabilidade da falha ser detectada antes que o produto chegue ao cliente. E) Determine o número da prioridade do risco – NPR – que é o resultado do produto da freqüência da falha pela gravidade da falha. F) Desenvolver planos de ação para eliminar ou corrigir o problema potencial. CONCLUSÃO O FMEA localiza falhas potenciais e suas causas. Desse modo, as ações necessárias podem ser tomadas com vista a evitar problemas futuro se prejuízos, antes que elas aconteçam. Exemplo : Suponhamos um conjunto motor elétrico, mancal externo, misturador, instalado em um tanque vertical com produto corrosivo. O FMEA procede à analise partindo da causa para chegar ao efeito. Então, podemos analisar o conjunto mostrado no croqui por partes. Isso está mostrado muito simplificadamente, somente para passar a idéia de como deve ser a seqüência da análise. Isolar e descrever o Modo Potencial de Falha. 1. Componente: • Mancal intermediário 2. Função do componente: • Centrar e suportar lateralmente o eixo do misturador 3. Falhas possíveis NPR = Freqüência da falha X Gravidade da falha X Detecção da falha Manutenção Função Estratégica 77 • Fratura da caixa de mancal • Folga excessiva do mancal 4. Efeitos • Aumento da vibração • Danos ao mancal e ao eixo • Danos à estrutura do tanque (chapa superior) 5. Causas • Mancal sub-dimensionado • Fixação inadequada • Chapa suporte de baixa espessura 6. Controles atuais • Nenhum B) Efeito potencial de falha Ocorre parada parcial de produção na Unidade. A qualidade do produto é afetada pela injeção do produto não homogeneizado contido no tanque. Prejuízos: Refugos C) Grau de gravidade de falha – 5 Freqüência de ocorrência da falha – 2 Índice de detecção da falha – 2 Número de prioridade de risco (Índice de risco) – 20 D) Ação corretiva • Fazer análise de vibração no local para decidir pelo reforço da estrutura de suporte do mancal. • Verificar, em função da carga, se o mancal selecionado é adequado. 6.5.2 – Análise das Causas Raízes de Falha (RCFA) Manutenção Função Estratégica 78 Antigamente, esse tipo de análise era reservado apenas para equipamentos mais importantes ou críticos. Atualmente, pelo potencial de ganho que o método apresenta,recomenda-se seu uso mais generalizado, principalmente em problemas crônicos, que podem consumir até 50% do orçamento da manutenção. Os principais passos para o processo RCFA são: RFCA baseia-se no questionamento: Por que? A técnica recomendada é que se faça tantas vezes a pergunta até que a questão não faça mais sentido. Exemplo: Nesta hipótese, houve uma falha mecânica ocasionada por um superaquecimento. O fato do flushing não estar aberto pode até levar a uma eliminação desta válvula e ou colocação de um dispositivo automático – válvula de controle, por exemplo. Mas a causa raiz foi a falta de treinamento adequada do operador.Comparação entre FTA e FMEA Principais Passos Passo Responsável Análise do Modo e Efeito de Falha – FMEA 1 Operação/Manutenção Preservação da informação da falha 2 Manutenção Análise 4 Organização do grupo de análise 3 Gerência da Manutenção Relato das descobertas 4 Recomendações 4 Acompanhamento dos resultados 4 Grupo de Análise Pergunta Resposta Por que a bomba falhou ? O selo falhou Por que o selo falhou ? Desgaste excessivo das faces de vedação Por que ocorreu o desgaste ? Houve superaquecimento Por que houve superaquecimento ? O flushing não estava alinhado Por que o flushing não estava alinhado? O operador não abriu a válvula Por que ele não abriu a válvula? Ele é novo na área e ainda não tinha operado uma bomba desse tipo Manutenção Função Estratégica 79 . Registro da Análise de RCFA FTA Decomposição de Cima para baixo (top down) Definição do sistema Diagramas funcionais Necessidades do Cliente Dados Técnicos FMEA Análise de baixo Para cima (bottom up) Análise de Falhas FTA FMEA - Identificação das causas - Identificação das falhas críticas principais das falhas. Críticas em cada componentes, . suas causas e conseqüências - Elaboração de uma relação OBJETIVO lógica entre falhas primarias e - Hierarquizar as falhas falha final do produto. - Análise da confiabilidade do - Análise da confiabilidade do sistema sistema - Identificação da falha que é - Análise das falhas em potencial detectada pelo usuário do de todos elementos do sistema, PROCEDIMENTO produto e previsão das conseqüências - Relacionar a falha com falhas - Relação de ações corretivas ou intermediarias e básicas preventivas a serem adotadas - Melhor método para análise - Utilizado em análises de falhas individual de uma falha simultâneas ou co-relacionadas CARACTERISTICAS BÁSICAS - O enfoque é dado à falha final - Todos os componentes do Sistema sistema são passíveis de análise Manutenção Função Estratégica 80 Toda análise de RCFA deve ser documentada para servir de apoio à decisão de implementação de melhorias e modificações e servir de referencia futura. Algumas informações são fundamentais. São elas : • Data de início e conclusão da análise. • Identificação do equipamento, sistema ou planta que está sendo analisado. • Descrição da ocorrência, falha ou incidente. • Dados que caracterizam as conseqüências da falha sobre: ► a produção; ► a qualidade do produto; ► o meio ambiente; ► a segurança; ► os custos. • Identificação das causas raízes. • Recomendações para prevenir nova ocorrência. • Acompanhamento das ações recomendadas. 6.5.2.1 – Curvas de falha A Manutenção Centrada em Confiabilidade (RCM), adota seis tipos de curvas que caracterizam a vida de um equipamento. Abaixo esta representada uma cerva típica de felha. Tempo (idade) O conceito de quanto mais velhos os equipamentos mais falham não é verdadeiro. Em uma pesquisa de 30 anos foram levantadas seis curvas de falhas representadas abaixo. Probabilidade de Falha Vida Útil Zona de Desgaste Manutenção Função Estratégica 81 • O padrão A é a curva da banheira. Por este padrão há uma elevada ocorrência de falhas no início de operação do equipamento – mortalidade infantil ou falhas de início de funcionamento – seguida de uma freqüência de falhas constantes e um aumento devido à degradação ou desgaste do equipamento. • O padrão B apresenta a probabilidade constante de falha seguida de uma zona de desgaste ao final da vida útil. • O padrão C representa um aumento lento e gradual na probabilidade de falha sem que haja uma idade definida ou identificada do desgaste. • O padrão D indica uma baixa probabilidade de falha no equipamento novo, seguida de um rápido aumento para um patamar de probabilidade de falha constante. • O padrão E apresenta probabilidade constante de falha para qualquer idade do equipamento, ou seja, o equipamento apresenta falha aleatória. • O padrão F apresenta alta probabilidade no início, que cai para uma situação de probabilidade constante . 6.5.3 – Análise da Árvore de Falhas (FTA) Padrão de Probabilidade de Falha Variação Segundo a Falha Probabilidade de Falha A Curva da banheira (mortalidade infantil) B Acentuada na zona de desgaste CAumento gradual D Taxa inicialmente baixa e Depois constante E Falha aleatória constante em qualquer idade F Inicialmente segundo a mortalidade infantil, seguida de taxa constante Manutenção Função Estratégica 82 A FTA é um método sistemático e padronizado, capaz de fornecer bases objetivas para funções diversas tais como a análise de modos comuns de falhas em sistemas, justificação de alterações em sistemas, dentre outras. Objetivo: - Identificação das causas primárias das falhas. - Elaboração de uma relação lógica entre falhas primarias e falha final do produto. - Análise da confiabilidade do sistema. Procedimento: - Identificação da falha (evento) que é detectado pelo usuário do produto. - Relacionamento dessa falha com falhas intermediárias e eventos mais básicos. 6.5.3.1 – Estrutura da Árvore de Falhas A estrutura da árvore de falha é apresentada abaixo. Nela pode-se observar que o evento indesejado aparece no topo, ligado a eventos mais básicos. 6.5.3.2. Construção da Arvore de Falhas FALHA DO SISTEMA EVENTO DE TOPO A ÁRVORE DE FALHAS CONSTA DE UMA SEQUÊNCIA DE EVENTOS QUE PODEM CONDUZIR AO EVENTO DE TOPO EVENTOS QUE TÊM UMA CAUSA MAIS BÁSICA SAO COLOCADOS EM RETÂNGULOS CONTENDO DESCRIÇOES DOS MESMOS OS EVENTOS QUE COMPÕEM A SEQUENCIA ESTÃO LIGADOS POR MEIO DE PORTAS LÓGICAS E, OU OU OUTRAS A ELIMINAÇÃO DAS CAUSAS BÁSICAS TEM COMO CONSEQUENCIA A ELIMINAÇAO DO EVENTO DE TOPO A SEQUÊNCIA FINALIZA NAS CAUSAS BÁSICAS INDICADAS EM CÍRCULOS Manutenção Função Estratégica 83 Vamos detalhar a elaboração de uma árvore de falha por meio de um exemplo, para facilitar a compreensão. Escolhemos um forno elétrico e selecionamos como evento de topo: forno não aquece. Símbolos de Eventos SÍMBOLO SIGNIFICADO Retângulo – Eventos que são saída de portas lógicas. Círculo – Eventos associados a falhas básicas. Losango – Eventos não realizados (omitidos). Casa – Parâmetro associado a um evento que deve ser monitorado. Oval – Evento condicional, usado em janelas de inibição. Triângulo – indica a conexão com outro símbolo ou evento. Exemplo de Árvore de Falha Manutenção Função Estratégica 84 EVENTO DE TOPO OU E Defeito A: Resistência partida. Defeito B: Sistema que ativa a resistência reserva não atua. Defeito C: Falha no disjuntor. Defeito D: Curto circuito. Defeito E: Sobre tensão na fonte. 6.5.4 – Exemplo de FMEA Aplicado a Produtos (Redutor de Velocidade) FORNO NÃO AQUECE OPERADOR NÃO LIGOU SEM CORRENTE NO CIRCUITO CIRCUITO ABERTO DISJUNTOR ABERTO DEFEITO A DEFEITO B DISJUNTOR ABERTO DEFEITO C DISJUNTOR DESARMA DEFEITO E DEFEITO D Manutenção Função Estratégica 85 Esquema funcional engrenagem mancal de rolamento Misturadora motor Eixo de saída Eixo de entrada Redutor • Lista de verificação : falhas nas engrenagens (Lista simplificada) Possíveis falhas: - Fratura na conexão com a chaveta - Fratura de dentes - Desgaste de dentes - ‘pitting’ nos dentes - trinca na alma - lubrificação inadequada - ruído excessivo • Falhas/ efeitos Motor Elétrico Acoplamento Eixo de entrada Transmissão Eixo de saída Acoplamento Misturadora Manutenção Função Estratégica 86 1 – Fratura na conexão com a chaveta - transmissão interrompida. 2 – Fratura no anel externo do rolamento do mancal - travamento do eixo - quebra do rolamento ou diminuição da vida útil - Travamento do eixo S = Severidade O = Ocorrência R = S x O x D D = detecção 6.5.5 – Síntese de Modelos de Gestão, Ferramentas da Qualidade, Métodos e Seu Enfoque Principal. FMEA Data da elaboração: Cliente EXEMPLO produto processo Próxima revisão: Produto Item Nome do Função Falhas possíveis Controles índices Componente modo efeito Causas atuais S O D R 01 engrenagens garantir fratura na conexão transmissão Material 10 03 08 240 (1˚ par )a rotação com a chaveta interrompida inadequado dimensionamento a fadiga inadequado 10 06 08 480 Torque excessivo 10 04 06 240 Dimensão B/H 10 06 04 240 Incorreta 02 Mancal de garantir fadiga travamento do vibração excessiva 10 06 09 540 rolamento a rotação eixo e quebra anel externo do rolamento sobrecarga 10 04 03 120 rotação excessiva 10 02 02 40 ciclo térmico muito 10 02 05 100 freqüente fratura quebra do inclusões no material 10 05 02 100 rolamento ou diminuição da vida útil material inadequado 10 02 06 120 travamento inclusões no material 10 05 02 100 do eixo material inadequado 10 02 06 120 Manutenção Função Estratégica 87 6.6. Avaliação de Processos Modelo/Ferramenta/Método Enfoque Iso 9000 Satisfação do cliente através da prevenção de não-conformidade TPM ( Total Productive Maintenance) Maximização na utilização dos equipamentos e Manutenção Produtiva Total controle de perdas RCM (Realiability-Centred Maintenance) Aumentar a confiabilidade de sistemas, processos Manutenção Centrada em Confiabilidade e equipamentos 5S (Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu e Participação de empregados, melhoria do ambiente Shitsuke) de trabalho, organização, ordenamento, limpeza, asseio, disciplina PNQ – Premio Nacional da Qualidade Excelência da gestão QS 9000 Atender exigências para fornecer para Ford , GM e Chrysler ISO 14000 Proteção ao meio ambiente através do controle de aspéctos ambientais e impactos ambientais BS 8800 (Guide to health and safety Segurança e saúde ocupacional Management) CCQ – Circulo de Controle de qualidade Participação de empregados em grupos para soluções de problemas e melhorias SIX SIGMA Reduzir custos através da melhoria da qualidade (eliminação de falhas, defeitos, erros etc.) TQC (Total Quality Control) Gerenciamento total da Qualidade Controle da Qualidade Total Manutenção Função Estratégica 88 As metas de desempenho de um processo são estabelecidas em função dos requisitos de competitividade ou em função das especificações do produto. Essas especificações são denominadas “metas-padrão”. O processo terá que adequar a essas metas. Sendo assim sua avaliação de visar a: • verificação da viabilidade de atender a tais especificações, • determinação dos pontos problemáticos desse processo, para a condução de melhorias. Os limites de controle estabelecem os valores extremos do item de controle alcançados no processo, e não necessariamente onde seria desejável que estivessem. Os “limites de controle” não são os “limites especificados”. Os limites especificados surgem de exigências e/ou especificações do cliente e são definidos pelo “limite superior especificado” (LSE) e o “limite inferior especificado” (LIE). A faixa de variação especificada ou admissível para o cliente, denomina-se “faixa admissível” e é representada pela sua largura (T), onde: T = LSE – LIE Um dos objetivos da avaliação de processos é a comparação da largura (T) da faixa admissível (dispersão admissível) com a largura (L) da faixa característica (dispersão real). Procedendo dessa forma haverá três possibilidades: 1 – Dispersão real (L) < Dispersão admissível (T) Nesse caso o processo atende às exigências do cliente e é denominado Processo Verde. 2 – Dispersão real (L) = Dispersão admissível (T) O processo está no limite, ele atende às exigências do cliente mas é uma situação de risco, e requer muita atenção, pois qualquer alteração nas condições operacionais do processo podem leva-lo a trabalhar fora das especificações. Essa situação é denominada Processo Amarelo. 3 – Dispersão real (L) > Dispersão Admissível (T) O processo não atende ao cliente e é denominado Processo Vermelho Item de VERDE AMARELO controle T L T L T L 6.6.1. Índice de Capacidade Cp Manutenção Função Estratégica 89 O índice Cp estabelece uma relação entre a faixa de variação permitida pelo cliente (T=LSE – LIE) e a faixa de variação real do processo (L = 6 σ), onde σ é o desvio padrão. Cp = LSE – LIE = Faixa de variação permitida = T 6 σ Faixa de variação real L Se houver apenas um limite especificado (LIE ou LSE ) o índice é definido como: Cp = μ – LIE ou Cp = LSE – μ 3 σ 3 σ Onde σ é o valor médio do ponto d e controle. Assim, se um processo tiver um valor de Cp < 1 será incapaz de atender ao cliente, se o valor deCp > 1 o processo atende ao cliente e se Cp = 1 está em uma condição limite. CLASSIFICAÇÃO DE PROCESSOS SEGUNDO O ÍNDICE Cp E PROPORÇÃO DE NÃO CONFORMIDADE NÍVEL DO Cp PROPORÇÃO DE HISTOGRAMA TÍPICO PROCESSO NÃO-CONFORMIDADE LIE LSE VERDE CAPAZ Cp > 1,33 P < 64 ppm LIE LSE AMARELO LIMITE 1 < Cp < 1,33 64 ppm < P < 0,27% LIE LSE VERMELHO INCAPAZ Cp < 1 P > 0,27% 6.6.2 – Índice de Capacidade Cpk Manutenção Função Estratégica 90 Podem ocorrer situações onde o processo é potencialmente capaz de atender ao cliente, mas, no entanto, principalmente sobre a ótica da manutenção, o processo encontra-se operando fora das especificações. Isso ocorre quando o valor médio do item de controle não se posicione no ponto esperado, mas deslocado à direita ou à esquerda do mesmo como apresentado na figura abaixo. T T M μ μ M LIE LSE LIE LSE 6 σ 6 σ Nesse caso as condições do processo não mudaram, o valor do índice Cp continua o mesmo (CP > 1) e, no entanto, o processo encontra-se fora de um padrão eficiente de manutenção. O processo é potencialmente capaz de atender ao cliente, porém, em razão do deslocamento do valor médio, ele não atende à manutenção. Por causa disso o índice Cp é considerado um índice de capacidade potencial. Com o objetivo de considerar esse potencial deslocamento do valor médio, adotaremos um novo índice, o Cpk, denominado índice de capacidade real que pode ser expresso na forma matemática abaixo: Cpk = Cp (1 – K ) Onde K = M - μ T / 2 6.7. Confiabilidade e Probabilidade de Falha Manutenção Função Estratégica 91 A confiabilidade é a probabilidade de um sistema desempenhar sem falhas uma missão de tempo ou duração determinada e a falha é a diminuição parcial ou total de sua capacidade de desempenho. Assim se a confiabilidade de um sistema for 90%, para um período de 12 meses, isso significa que essa é a probabilidade de funcionamento durante o período especificado. A confiabilidade será representada na forma R(t) e seu valor depende do instante t considerado e a probabilidade de falha F(t) é a probabilidade de um sistema falhar ao longo de um período de tempo especificado. Considerando o mesmo período de tempo podemos deduzir que: R(t) + F(t) = 1 6.7.1. Tempo Médio Entre Falhas O tempo médio entre falhas (MTBF) é o tempo médio de trabalho de um dado equipamento reparável, com desempenho acima do mínimo aceitável, ele é determinado pela medição de uma série de N valores do tempo entre falhas (TBF) que é representado pela fórmula: N Σ (TBF) MTTR = Tempo médio de reparo i i MTBF = MTTF = Tempo Médio Até a Falha N Evolução do Desempenho de Um Equipamento ao Longo do Tempo Desempenho ideal Desempenho mínimo Tempo MTBF MTTR MTBF MTTF Manutenção Função Estratégica 92 O Tempo Médio de Reparo (MTTR) inclui, geralmente, uma série de tempos elementares, nem sempre bem definidos ou fáceis de serem computados. Dentre eles, pode se relacionar os seguintes: • Tempo de verificação da falha, • Tempo de acesso do equipamento, • Tempo de desmontagem, • Tempo de espera, • Tempo de substituição de peças ou de manutenção corretiva, • Tempo de testes, • Falta de peças de reposição, • Má definição dos graus de prioridade de atendimento, • Indisponibilidade de mão de obra, etc. 6.8. Critérios para Determinação dos Índices Empregados na FMEA 6.8.1. Índices de Ocorrência Avalia a probabilidade de ocorrer a causa de uma falha e a partir dela resultar este tipo de falha no produto. Índice Probabilidade de Ocorrência Ocorrência 1 Muito remota Excepcional 2 Muito pequena Muito poucas vezes 3 Pequena Poucas vezes 4 – 5 – 6 Moderada Ocasional, algumas vezes 7 – 8 Alta Freqüente 9 – 10 Muito alta Inevitável, certamente ocorrerá Manutenção Função Estratégica 93 Outro enfoque para o Índice de Ocorrência ( o processo deve estar sob controle estatístico) Índice Freqüência Relativa Cpk (médio) 1 Menor que 1 em 500.000 1,67 + 5,0 σ 2 1 em 50.000 – 1 em 500.000 1,50 + 4,5 σ 3 1 em 5.000 – 1 em 50.000 1,33 + 4,0 σ 4 1 em 1.000 – 1 em 5.000 1,17 + 3,5 σ5 1 em 200 – 1 em 1.000 1,00 + 3,0 σ 6 1 em 50 – 1 em 200 0,83 + 2,5 σ 7 1 em 15 – 1 em 50 0,67 + 2,0 σ 8 1 em 5 – 1 em 15 0,50 + 1,5 σ 9 1 em 2 – 1 em 5 0,33 + 1,0 σ 10 Maior ou igual que 1 em 2 0,22 + 0,67 σ 6.8.2. Índice de Gravidade É uma avaliação das conseqüências que o cliente sofre, assumindo-se que a falha aconteceu. Índice Conceito 1 - Falha de Menor importância. - Quase não são percebidos os efeitos sobre o produto ou processo. 2 a 3 - Provoca redução de performance de produto e surgimento gradual da ineficiência. - Cliente perceberá a falha mas não ficará insatisfeito com ela. 4 a 6 - O produto sofrerá uma degradação progressiva ( início de frustração do operador do processo ou cliente, ineficiência moderada e produtividade reduzida ). - O cliente perceberá a falha e ficará insatisfeito. 7 a 8 - Produção afetada em 50 a 70 % requerendo grande esforço do operador, há baixa eficiência e produtividade. Ocorre alta taxa de refugo. - O cliente ficará insatisfeito; o produto não desempenha sua função. 9 a 10 - “Colapso no processo. Problemas podendo causar danos a bens ou pessoas. - O cliente ficará muito insatisfeito. 6.8.3. Índice de Detecção Manutenção Função Estratégica 94 O índice de detecção mede a probabilidade da falha ser detectada antes que o produto chegue ao cliente. Índice Conceito 1 Altíssima probabilidade de detecção. 2 a 3 Alta probabilidade de detecção. Em processos, ações corretivas são tomadas em pelo menos 90% das vezes em que os seus parâmetros saem fora de controle. 4 a 6 Moderada probabilidade de detecção. Somente em 50% das vezes em que o processo sai de controle são tomadas ações corretivas. 7 a 8 Pequena probabilidade de detecção. Nível de controle muito baixo. Até 90% das peças produzidas podem estar fora de especificação. 9 Baixíssima probabilidade de detecção. Não há nenhum controle ou inspeção. 10 Remota a probabilidade de detecção. A falha não pode ser detectada. 6.9. Noções Sobre Diagrama de Blocos de Confiabilidade. Análise da confiabilidade na Análise da Árvore de Falhas (FTA). A relação entre as falhas de um sistema pode ser expressa graficamente, além da árvore de falhas, mediante diagramas denominados “diagramas de blocos de confiabilidade”. Esse diagrama é utilizado para avaliarmos a relação existente entre a confiabilidade geral do sistema (R) e a confiabilidade parcial de cada um de seus componentes (Ri ), que são dotados de função independente. 6.9.1. Tipos de Ligações Entre os Componentes Os componentes de um sistema, podem estar ligados entre si em SÉRIE ou em PARALELO. 6.9.1.1. Ligação em Série Na ligação em série, para que o sistema funcione, é necessário que os componentes exerçam suas funções de forma simultânea e satisfatória. Portanto o sistema só funciona se o componente A E o componente B funcionam simultaneamente conseqüentemente o sistema falhará se A OU B falharem. Na ligação em serie a confiabilidade do sistema é menor que a confiabilidade de cada componente. Manutenção Função Estratégica 95 As falhas serão representadas da seguinte forma: Diagrama de Blocos Árvore de Falhas A B OU Nas ligações em série a confiabilidade R e a probabilidade de falha F se relacionam da seguinte forma: R + F = 1 R = R1 x R2 x R3 x ................x Rn 6.9.1.2. Ligação em Paralelo Nesse caso há presença de elementos redundantes, portanto a confiabilidade do sistema é maior que a confiabilidade de cada componente. Para que sistema funcione satisfatoriamente basta que o componente A OU o componente B funcionem satisfatoriamente e a falha só ocorrerá se A E B falharem simultaneamente. Diagrama de Blocos Árvore de Falhas A E B Nas ligações em série a confiabilidade R e a probabilidade de falha F se relacionam da seguinte forma: R + F = 1 F = F1 x F2 x F3 x ...................... x Fn Aplicação . . F1 F2 F F1 F2 F1 F2 F F1 F2 Manutenção Função Estratégica 96 Exercício 10 - Exemplo de Cálculo da Confiabilidade na Árvore de Falhas Calcular a Confiabilidade do sistema Árvore de Falhas DEFEITO Falha de Rolamentos Aumento na tempera- tura do rolamento Ausência de lubrificação Sem pressão de lubri- ficacao na entrada Pressão de lubrificação zero na saída Motor não para por controle manual Motor permanece operando Defeito N˚ 1 Defeito N˚ 3 Defeito N˚ 4 Defeito N˚ 2 Defeito N˚ 6 Defeito N˚ 5 Defeito N˚ 7 Defeito N˚ 8 Manutenção Função Estratégica 97 N˚ Descrição ocorrência 1 Ruptura do anel 7% 2 Tubulação frouxa ou rompida 5% 3 Falha do filtro 8% 4 Falha da bomba de lubrificação principal 15% 5 Falha da bomba de lubrificação reserva 15% 6 Falha primária no controle automático 12% 7 Alarme de baixa pressão falha 10% 8 Alarme de alta temperatura do rolamento falha 20%Diagrama de Blocos F F F F F F F F F F Falha do sistema FF F F 97 Capítulo 7 Lubrificação 7.1 Introdução Qualquer coisa que possa ser interposta entre duas superfícies que se friccionam, por mais fina que sejam, pode ser lubrificante, desde que alivie a resistência ao movimento causado pelo atrito. Há anos se tem noticia dos lubrificantes, registros arqueológicos mostram que os antigos egípcios, gregos e romanos já utilizavam os lubrificantes. As leis básicas do atrito, deduzidas por Leonardo da Vinci, foram redescobertas em 1699 por Amontons e suas observações foram confirmadas por Coulomb em 1785, que diferenciou o atrito cinético. Mais tarde Rayleigh e Stokes discutiram a possibilidade de dar tratamento teórico às películas de lubrificante e Reynolds detalhou a teoria da lubrificação e discutiu a importância das condições da camada limite. 7.2 Lubrificação na Manutenção Acredita-se que 60% de todas as falhas mecânicas estão relacionadas com lubrificação deficiente ou imprópria. Isto faz com que seja um bom programa de Manutenção Preditiva esteja fortemente baseado nas praticas de lubrificação. Para que se obtenha resultados satisfatórios é necessário que a manutenção possa assegurar que são utilizadas técnicas de lubrificação e treinamento de pessoal apropriado. 7.2.1 Lubrificação na Manutenção Preventiva As trocas de óleo feitas em intervalos predeterminados sem considerações sobre as condições do lubrificante, em muitos casos, podem onerar o custo de manutenção e não nos dá subsídios para diagnosticarmos e prevenirmos problemas futuros. 7.2.2 Lubrificação na Manutenção Preditiva A Manutenção Preditiva utiliza análises de lubrificante para detectar possíveis degradações dos componentes da máquina e do próprio lubrificante. As empresas mais progressistas utilizam a análise de óleo para planejar as suas trocas e maximizar a vida dos lubrificantes. 7.3 Análise de Lubrificante Falha do mancal, emperramento do anel do pistão e consumo excessivo de óleo soa sintomas clássicos de falhas do motor relacionadas com óleo. Existem várias maneiras de evita-las, porem as três mais importantes são: • Programa de Análise de Desgaste • Manutenção Periódica do Sistema de Lubrificação • Uso de lubrificantes corretos. 98 7.3.1 Função do Óleo no Motor A função do óleo é manter o motor limpo e isento de ferrugem e corrosão. Ele atua como líquido arrefecedor e vedador, alem disso o óleo funciona como película amortecedora que reduz ao mínimo o contato de metal contra metal por meio da redução do atrito. Entretanto essas são funções básicas do óleo. As exigências especificas de uma determinada aplicação e as condições especiais sob as quais um óleo será usado determinam, em grau de partes, as diversas funções adicionais que o óleo deverá desempenhar. Isto faz com que a escolha do óleo correto seja de vital importância. A escolha de um óleo lubrificante adequado deve basear-se nos requisitos de desempenho do motor, na aplicação e na qualidade do combustível disponível. As características do óleo dependem do óleo base e dos aditivos usados. A quantidade ou o tipo de aditivo varia de acordo com as propriedades do óleo base e do meio ambiente no qual atuará. 7.3.2 Programa S O S A Amostragem Programada de Fluídos ou Programa SOS (Schedule Oil Sampling) pode detectar anormalidades e evitar que pequenos problemas se tornem grandes falhas. Existem quatro fatores que afetam o conteúdo de uma amostra de combustível. A) Contaminação Externa – em forma de sujeira, combustível, água ou glicol. Níveis elevados de contaminação resultam em severas avarias. B) Óleo Lubrificante – o óleo usado influencia na sua amostra. Baixa qualidade, viscosidade inadequada, avaliação errônea do grau API e extensão do intervalo de troca afetam o resultado da análise. C) Procedimentos de Manutenção – aplicação da máquina, procedimentos de operação, intervalo da troca de óleo e filtro, manutenção no sistema de arrefecimento, programas de ajustes e inspeções, etc. D) Desgaste – causado por procedimentos diários de operação, produz uma quantidade normal e esperável de partículas de desgaste.Peças impropriamente instaladas ou ajustadas podem provocar desgaste acelerado ou prematuro. 7.3.3 Coleta de Amostra Para uma boa coleta de amostra deve-se usar um Kit disponível nos laboratórios de análises. Geralmente este Kit contem frascos, uma bomba de sucção, mangueira e válvula de engate rápido. Os procedimentos devem ser seguidos corretamente e deve certificar-se de obtermos amostras com óleo quente e homogeneizado. Não lavar o equipamento antes da coleta e sempre que possível posicionar a máquina no plano. Não coletar amostra pelo dreno ou em recipiente para drenagem. A amostra deve ser retirada do meio do Carter. Os frascos devem ser bem fechados e os dados conferidos assim como deve ser observado se o volume de lubrificante está correto. 99 Deve-se anotar todas as informações requisitadas na ficha de identificação do frasco de amostra. As mais importantes são: • leitura do medidor do serviço • horas do óleo desde a ultima troca • quantidade de óleo completada, caso acrescida, desde a ultima troca • se o óleo foi trocado após a coleta • aplicação da máquina em termos de severidade 7.3.4 Testes da Análise 7.3.4.1 Taxa de Desgaste Monitora e detecta as partículas de metais de desgaste, os contaminantes e os elementos do aditivo do óleo. A análise da taxa de desgaste ajuda a manter o desempenho do equipamento e maximizar sua disponibilidade. Por intermédio da monitoração das tendências, quanto ao tipo e a quantidade de partículas, pode haver um alerta sobre os problemas antes que danos mais sérios ocorram. É utilizada em todos os sistemas abastecidos com óleo (motores, sistemas hidráulicos, transmissões e comandos finais). Esta análise detecta partículas de até 10μ e as concentrações são expressas em partes por milhão (ppm). A análise de Espectrometria de Emissão Ótica a Plasma – ICP – tem capacidade de detecção de 70 elementos. As análises mais comuns são de Fé,Cu,Cr, Pb, Mo, Sn, Al, Si, Na, Ag, Ni, Ba, B, Ca, Mg, K, P e Zn. Todos indicam desgaste exceto Silício que indica sujeira e Sódio que indica água ou líquido arrefecedor. A taxa Silício/Alumínio na sujeira, varia de acordo com o local de aplicação do equipamento. 7.3.4.2 – Condição do Óleo Compara o óleo novo com o usada para verificar se este está em condições satisfatórias de uso. Os óleos degradam devido a exposição ao oxigênio, calor e contaminantes. Os óleos de motores são ainda mais susceptíveis à degradação quando em contato com enxofre, nitratos, subprodutos da combustão, altas temperaturas e água produzida durante o processo de combustão ou condensação. Os principais benefícios conseguidos com esta análise são: desempenho máximo do óleo, intervalos ideais de troca de óleo e redução nos custos de reparos. A análise da condição do óleo avalia oscompostos químicos no óleo ao invés das partículas de desgaste e e importante nos sistemas de transmissão, comandos hidráulicos e motores. Esta análise é feita através de um comparativo com o óleo novo, devendo ser enviado ao laboratório uma amostra do óleo novo e uma do óleo em uso. Ela é feita por um instrumento que emite luz infravermelha o qual utiliza o método matemático da Transformada de Fourier para converter os dados. Este método é chamado de FT-IA (Fourier Transform Infrared Analises). Alem de identificar oxidação, fuligem, enxofre e nitração, o teste é utilizado para analisar a contaminação por combustível, água e glicol 100 A análise da contaminação do óleo enfoca: A) Fuligem – a fuligem só é encontrada em óleo de motores. Consiste em um resíduo insolúvel de combustível parcialmente queimado. Ela se mantém em suspensão graças aos aditivos do óleo e é responsável pelo escurecimento do óleo do motor. Ela pode se precipitar causando eventualmente aumento na densidade do óleo. Altas concentrações de fuligem podem tornar o óleo abrasivo causando danos ao motor. B) Oxidação – ocorrem quando moléculas de oxigênio associam-se quimicamente às moléculas do óleo. Pode ocorrer em óleos dos motores, transmissões e sistemas hidráulicos. Esta reação é acelerada por altas temperaturas do óleo, pela contaminação por glicol proveniente do liquido arrefecedor do motor, pela presença de cobre e por intervalos prolongados de troca de óleo. A oxidação provoca espessamento do óleo, formação de ácidos e perda das qualidades lubrificantes. Formam depósitos nos pistões e nas válvulas do motor alem de emperramento dos anéis. Em sistemas hidráulicos e transmissões ele pode provocar desgaste e engripamento de válvulas. C) Produtos da Nitração – ocorre em todos os óleos de motores movidos a gás natural. Os compostos resultantes da combustão engrossam o óleo e reduzem sua capacidade lubrificante, podendo acarretar entupimento do filtro de óleo, sedimentação nos pistões e formação de vernizes nas válvulas e nos pistões. D) Ácidos sulfúricos – o enxofre presente no diesel afeta todos os motores, ele combina com a água e forma ácidos que corroem as peças do motor. É mais crítico no ataque a válvulas e guias de válvulas, camisas e anéis de pistões. 7.3.4.2 – Limpeza do Óleo Determina se contaminantes abrasivos estão causando desgaste acelerado. Através da contagem de partículas minúsculas da amostra de óleo é possível identificar os componentes nocivos que abreviam a vida útil do componente. A contagem pode também indicar com precisão partículas maiores que sinalizam falhas iminentes do equipamento. A análise de óleo detecta essas partículas por meio de uma combinação de testes, incluindo- se entre eles o Teste de Contagem de Partícula. Até as partículas invisíveis a olho nu podem causar danos. Na verdade, o óleo que parece limpo pode conter partículas que causam desgaste abrasivo. A contaminação por partículas pode acelerar o desgaste do componente, reduzir a eficiência do sistema e prejudicar o desempenho do equipamento. A Organização Mundial de Padrões ( ISSO – International Standard Organization) desenvolveu um sistema de códigos para tornar mais conveniente a discussão sobre os níveis de limpeza dos fluidos. O sistema inclui partículas de duas importantes categorias de tamanho (>5 micra e >15 micra). A contagem de partículas trabalha juntamente com a analise da taxa de desgaste para que tenhamos um quadro mais preciso do que está acontecendo com a máquina. A analise da taxa de desgaste pode indicar grande aumento na concentração de um determinado metal de desgaste. Esta concentração pode estabilizar-se apontando desgaste normal, mas a analise da taxa de desgaste só detecta partículas de até 10 micra. A contagem de partículas 101 realizada na mesma amostra pode exibir um forte elevação de partículas acima de 15 micra. As duas tendências juntas podem indicar uma falha progressiva ou contaminação externa. 7.3.4.3 – Testes Adicionais Detectam a presença de água, glicol ou combustível no óleo. Esses elementos presentes no óleo podem indicar diversos problemas desde a regulagem incorreta do motor quanto a combustível até vazamentos no sistema de arrefecimento. Glicol – indica vazamento no sistema de arrefecimento e causa rápida oxidação do óleo. Qualquer quantidade de glicol no óleo é inaceitável. O óleo torna-se pegajoso, formando borra que entupirá o filtro. Água – se a análise de infravermelho indicar presença de água, a quantidade aproximada é calculada por crepitação. Este processo consiste em aquecer uma chapa metálica a temperatura entre 110 e 120°C (230 e 250°F) e colocando uma gota de óleo na chapa. Se houver água o óleo borbulhará e espirrará. Comparando a quantidade de borbulhamento às amostras de controle laboratorial chega-se a uma conclusão. Quantidades acima de 1% são inaceitáveis. A água pode contaminar um sistema por meio de um vazamento externo ou pela condensação no Carter ou compartimento do motor. A presença de água reduz a capacidade lubrificante do óleo, formando borras que entupirão os filtros. A passagem da água por compartimentos muito fechados pode criar “pontos quentes” e a água ficando muito quente causará pequenas explosões que poderão danificar o metal. Combustível – A presença de combustível é determinada no teste “Seta-Flash” onde o óleo é aquecido em um recipiente fechado e é submetido à ação de uma chama. Os vapores do combustível causarão centelhas se a diluição exceder 4%. Pequenas quantidades de combustível presentes no óleo são comuns, mas se exceder a taxa recomendada as propriedades lubrificantes do óleo ficam comprometidas e prejudicam os bicos injetores. Em geral, a diluição de combustível é resultante de operação prolongada do motor em marcha lenta, regulagem incorreta ou problema com os injetores, as bombas ou tubulações de combustível. 7.3.5 Interpretando os Resultados A análise de óleo identifica e mede vários contaminantes, os quais provocam falhas no motor. Uma alta concentração de cromo indica avarias no anel do pistão (com exceção dos anéis revestidos com plasma). A análise dá uma oportunidade de inspecionar as condições destas peças e, se necessário, agir no sentido de evitar futuras avarias. Contaminação. Abaixo estão alguns exemplos de contaminantes típicos e seus efeitos sobre as condições do motor. 102 Causa: silício Efeito: Leituras de silício acima do normal podem indicar um problema grave, pois o óleo saturado de silício pode tornar-se um componente abrasivo capaz de remover metal de qualquer peça durante a operação. Causa: sódio Efeito: Um aumento repentino na concentração de sódio indica vazamento de anticorrosivo do sistema de arrefecimento. O anticorrosivo pode indicar a existência de anticongelante no sistema, o qual pode provocar o espessamento do óleo, permitindo a formação de borra, o empenamento do anel do pistão e a obstrução do filtro. Causa: silício, cromo e ferro Efeito: A combinação destes elementos indica a penetração de sujeira, através do sistema de indução, causando, possivelmente, desgaste da camisa e do anel. Causa: silício, ferro, chumbo, alumínio Efeito: Esta combinação indica sujeira na parte inferior do motor, resultando, possivelmente, em desgaste do mancal e do virabrequim. Causa: alumínio Efeito: Isso pode ser crítico, porque as concentrações de alumínio indicam desgaste do mancal. Aumentos relativamente pequenos exigem atenção imediata, pois uma vez iniciado um desgaste rápido, o virabrequimproduz grandes partículas de metal que ficarão presas nos filtros de óleo. Causa: ferro Efeito: O ferro pode se originar de várias fontes. Ele pode também aparecer como ferrugem, após a armazenagem do motor. Freqüentemente indica desgaste acentuado da camisa. Causa: fuligem Efeito: Um alto teor de fuligem, normalmente, não é causa direta da falha; porém, por ser uma partícula insolúvel, ela pode obstruir os filtros de óleo e neutralizar os aditivos dispersantes. A fuligem indica um purificador de ar sujo, sobrecarga no motor, excesso de combustível ou ajuste incorreto do limitador de fumaça. A fuligem pode também, indicar um combustível de má qualidade. Causa: produtos da oxidação Efeito: A oxidação é uma reação química entre o óleo e o oxigênio (a ferrugem é a reação entre o ferro e o oxigênio). A taxa de oxidação do óleo é controlada pelos aditivos inibidores da oxidação. Porém, sempre que o óleo estiver em contato com o ar ocorrerá oxidação; os agentes oxidantes nos gases de combustão dos motores diesel, a temperatura e determinados contaminantes (tais como, cobre e glicol) aceleram a oxidação. À medida que aumenta a oxidação, diminuem as propriedades dos lubrificantes, resultando em espessamento do óleo, formação de ácidos orgânicos, obstrução dos filtros e, finalmente emperramento do anel, depósitos no pistão e formação de verniz e laça. Causa: produtos da nitração Efeito: A nitração ocorre em todos os motores; porém, só chega a ser um grave problema em motores a gás natural. Os compostos de nitrogênio, resultantes do processo de combustão, provocam espessamento do óleo, perda de capacidade lubrificante e resulta em obstrução do filtro, formação de depósitos, verniz e laça. 103 Causa: água Efeito: A água combinada com o óleo produzirá uma emulsão que obstruirá o filtro. Junto com o óleo podem formar um ácido capaz de corroer o metal. Muitos casos de contaminação por água resultam da condensação no interior do Carter. As contaminações mais graves ocorrem quando um vazamento no sistema de arrefecimento permite a entrada de água no sistema de óleo do motor. Causa: combustível Efeito: Esta contaminação reduz as propriedades de lubrificação. A película de óleo deixa de ter a resistência que evita o atrito, podendo resultar em falha do mancal e emperramento do pistão. Causa: enxofre Efeito: A presença de enxofre prejudica todas as peças do motor. O desgaste corrosivo causado pelo alto teor de enxofre pode resultar em consumo acelerado de óleo. Quanto mais combustível consumido durante um intervalo de troca de óleo, maior a quantidade de óxidos de enxofre disponíveis para formar os ácidos, portanto, um motor que trabalha sob cargas severas, deve ser verificado mais vezes. Alem disso, seu TBN deverá ser verificado mais freqüentemente. O dano causado pelo enxofre pode causar emperramento do anel do pistão e desgaste corrosivo das superfícies metálicas das guias da válvulas, dos anéis dos pistões e das camisas. Nenhuma contaminação é mais rápida no seu efeito prejudicial do que o ácido sulfúrico, que é produzido pelos combustíveis com alto teor enxofre. Conviver com os efeitos do enxofre do combustível não é uma tarefa fácil. Embora os usos de lubrificantes adequados e intervalos corretos reduzam o grau de avaria corrosiva, o desgaste do motor aumentará significativamente quando forem usados combustíveis com alto teor de enxofre. Esses combustíveis não somente produzem ácidos que atacam quimicamente o motor, causando desgaste corrosivo, como também produzem mais fuligem que aumentam as possibilidades de formação de depósitos prejudiciais. Para combater os efeitos do enxofre no combustível devemos seguir a recomendações abaixo. l - Escolher um óleo de motor de classificação CD do "American Petroleum Institute", (API) que contenha o valor correto do "Total Base Number"(TBN). O gráfico ao lado indica como encontrar o TBN correto. Quando a porcentagem de enxofre do combustível for inferior a 0,5%, qualquer óleo de classificação CD terá valores TBN suficientes.Quando o teor de enxofre não for conhecido deve-se usar um óleo com TBN de 20. Quando o teor de enxofre for superior a 1,5% por peso, use um óleo cujo TBN seja 30 e reduza pela metade o intervalo de troca de óleo. 2 - Siga as recomendações e os intervalos padrão de troca de óleo contidos no Guia de Manutenção apropriado. 3 - Mantenha um programa de Análise de Desgaste correto, controle os níveis de ferro e cromo cuidadosamente. Análises de infravermelho são um excelente método para se determinar as condições do óleo, juntamente com a norma ASTM D2896, para medir a reserva de alcalinidade (TBN). 104 4 - A temperatura da camisa de água deve estar acima de 79,5 °C ( 175°F ), para minimizar o ataque pelo enxofre. O limite desejável é de 79,5°C a 93,3°C ( 175°F a 200°F ). Deve-se escolher um termostato adequado para obter requisitos mínimos para a temperatura de operação. As condições de operação do motor podem representar um importante papel no tipo e no grau de contaminação do óleo. Um meio ambiente seco afetará as leituras de silício. Os motores que ficam sem funcionamento por períodos prolongados, suas camisas enferrujarão muito mais rapidamente; as amostras de óleo revelarão altas leituras de ferro. Elementos Clássicos de Desgaste Combinações de Elementos Clássicos de Desgaste Elemento Primario Elemento Secundario Desgaste Potencial Provável Área do Problema/ Causas Silício (sujeira) Ferro, Cromo, Aluminio Camisas, Anéis, Pistôes Sistema de Indução do Ar/ Contaminação do Filtro por Sujeira Ferro Cromo, Aluminio Camisas, Anéis, Pistôes Temps. Operacionais Anormais, Degradação do Óleo, Contaminação do Combustível e/ou Liquido Arrefecedor, Anéis Emperrados/Quebrados Cromo Molibdênio, Aluminio Anéis, Pistôes Perda de Compressão, Consumo de Óleo, Degradação do Óleo Motores Parte Superior Ferro -- Camisas , Engrenagens, Mecanismo das Válvulas, Virabrequim Temps. Operacionais Anormais, Falta de Lubrificação, Contaminação, Armazenagem (ferrugem) Silício (sujeira) Chumbo, Alumínio Mancals Contaminação Por Sujeira Motores Parte Inferior Chumbo Alumínio Mancals Falta de Lubrificação, Contaminação por Liquido Arrefecedor, Contaminação do Combustível Silício (Sujeira) Molibdênio, Aluminio Cilindros Bielas Contaminação por Sujeira Sistemas Hidraulicos Cobre Ferro Bombas Hidraulicas Degradação do Óleo, Contaminação Aluminio Ferro, Cromo Conversor de Torque Contaminação por Sujeira Transmissõe s Cobre Ferro Disco de Embreagem (Bronze Sinterizado) Degradação do Óleo, Contaminação Silício (Sujeira) Ferro, Aluminio Engrenagens Contaminação por Sujeira, Contaminação por Resíduos de Argila Comandos Finais Ferro Sódio, Cromo Engrenagens, Mancals Inflitração de Água, Perda de Pré-Carga NOTAS: 1. A degradação de óleo pode resultar de qualquer um dos seguintes fatores: → Intervalos de troca de óleo muito grandes, temperaturas de operação anormais; e → Contamiações do combustível com refrigerante ou água 2. A condição do óleo (degradação) é monitorada com instrumentos infravermelhos 3. As comparações de infravermelho e resultados do teste de desgaste de metal ajudam a apurar a maioria das causas prováveis das combinações elevadas de desgaste de metal 4. A contaminação por sujeira no óleo é prontamente detectada quando se realiza o teste de desgaste de metal mais comum, indicando a entrada de sujeira em um sistema. Barro (lama)pode também produzir um aumento de alumínio acompanhado de silício. 105 Degradação As causas de falhas iminentes podem ser provocadas por outros agentes além da contaminação. Essas causas são fontes em potencial da degradação do óleo. Vamos examinar agora, cada causa e seus efeitos sobre o motor. Causa: baixa temperatura da camisa de água. Efeito: Quando a temperatura externa da camisa de água estiver abaixo de 79°C, haverá formação de vapores ácidos, além de ocorrer ataque corrosivo. A baixa temperatura aumenta o teor de água do óleo, que pode reagir com certos aditivos, neutralizando-os e reduzindo a proteção do óleo. Isso pode resultar na formação de depósitos, borra, verniz, laça, carbono, que por sua vez, aumentará a fuga de gases para o Carter, provocando espelhamento da camisa e emperramento do anel. Causa: alto teor de umidade. Efeito: Em locais onde a umidade do ar for superior a 85%, a formação de ácidos gasoso é mais comum, devido ao teor adicional de água no ar. Isso pode resultar em ataques mais corrosivos. Causa: consumo de óleo. Efeito: Mudanças no consumo, graduais ou repentinas, são indícios de desgaste da camisa e do anel ou emperramento do anel. É importante que quantidades suficientes de óleo sejam bombeadas para a área da banda dos anéis para neutralizar os ácidos. Causa: carga incorreta / razão de velocidade Efeito: Motores funcionando sob velocidade nominal e carga elevada estarão operando com eficiência máxima tanto para os sistemas de lubrificação, quanto de arrefecimento. Entretanto, se a carga for reduzida com o motor ainda em funcionamento sob velocidade nominal, os sistemas de lubrificação e arrefecimento continuarão eficientes; porém, o motor pode ficar superaquecido, resultando em condensação. Isso pode afetar as camisas e anéis, além de aumentar a fuga de gases para o cárter. Causa: combustível inadequado Efeito: Os motores são projetados para usar combustíveis adequados. Um combustível n° 2 ASTM975 tem as seguintes propriedades: • menos que 0,5% de enxofre • viscosidade de 1,9 a 4,1 centistokes a 40°C • término de destilação de no mínimo 90% a 282°C ( 540°F ) e no máximo a 338°C(640°F). Combustíveis com pontos finais de destilação mais elevados podem resultar em avarias, pois os materiais mais pesados da destilação não podem ser totalmente queimados em um ciclo diesel de alta velocidade. O motor está sujeito a concentrações mais elevadas de fuligem e outros produtos que não são queimados ou parcialmente queimados os quais aceleram a formação de depósitos. A contaminação pela fuga de gases, através das paredes dos cilindros, para o reservatório, prejudica ainda mais o lubrificante com taxas já acima do normal (overtaxed). Causa: manutenção deficiente. Efeito: Os intervalos prolongados de troca de óleo e do filtro, entre muitas outras práticas de manutenção deficiente, propiciam a formação de depósitos pesados que as trocas subseqüentes normais de óleo são incapazes de remover. 106 7.4 Teoria da Lubrificação 7.4.1 Regimes de Lubrifícacão Quando o filme de lubrificante é o suficiente grosso para impedir o contato entre as superfícies em movimento as condições de lubrificação serão ótimas. O parâmetro do filme (A) determina os regimes de lubrificação. • Lubrificação hidrostática e hidrodinâmica, 5 < A< 100 • Lubrificação elastohidrodinâmica, 3 < A< 10 • Lubrificação mista, 1< A< 5 • Lubrificação de camada limite, A< l hmin = espessura mínima do filme lubrificante Ra = rms da rugosidade da superfície a Rb = rms da rugosidade da superfície b - Lubrificação hidrodinâmica: formação pelo arraste pela superfície móvel sob regime laminar entre superfícies conformantes - Lubrificação hidrostática: por meio de um sistema de lubrificantes sob pressão. - Lubrif icação elastohidrodinâmica: quando se apl ica a forma de contato não conformantes (ponto e linha) entre modos de rolamento e deslizamento 7.4.1.1 Fatores que Afetam os Diferentes Regimes de Lubrificação A lubrificação entre duas superfícies deslizantes pode mudar de um dos três regimes para qualquer outro, dependendo de: • carga • velocidade • viscosidade • geometria de contato • rugosidade das superfícies 107 7.4.1.2 Variação do Atrito em.. Função dos Parâmetros de Lubrificação ZN/P = μω/P Zona l A partir do ponto A, a película de óleo é reduzida a um mínimo, virtualmente a nada, e a carga entre o munhão e o mancal é inteiramente suportada pelos contatos das asperezas. À direita do ponto A, o coeficiente de atrito é praticamente independente da carga, viscosidade e velocidade do eixo. É a Zona de Lubrificação de Camada Limite Zona 2 Entre os pontos A e B, é conhecida como Zona de Lubrificação Mista. A carga do eixo se considera suportada por uma mistura de pressão de óleo e contatos das asperezas, assim a lubrificação é uma mistura de Hidrodinâmica e Camada Limite. As diferentes zonas têm uma importante influencia sobre o desgaste, assim como a película de óleo se torna mais fina da zona 2 para a l, há um aumento de contato severo entre as superfícies e uma maior tendência ao desgaste. Zona 3 Neste intervalo não há contato entre as superfícies e conseqüentemente não há desgaste. O aumento do atrito ocorre pelo atrito interno do lubrificante, devido à viscosidade (cisalhamento). 108 7.1.1.3 Fatores Mecânicos que Controlam a Lubrificação Hidrodinâmica C/EPeAW Desgaste controlado pela separação viscosa Desgaste controlado tanto pela viscosidade como pelo filme limite Z = Viscosidade N = Velocidade P = Pressão Sem filme devido a velocidade ou viscosidade inadequadas 7.4.2 Modos de Lubrificação 109 7.4.2.1 Lubrificação hidrostática Ao invés de criar a pressão necessária para separar as superfícies através da movimentação das superfícies, o mesmo efeito pode ser obtido forçando o lubrificante no mancal sob pressão de aplicação externa, isso permite a formação de um filme de separação pleno alcançado mesmo com viscosidade e velocidade insuficientes para suportar a carga. 7.4.2.2 Lubrificação Hidrodinâmica A lubrificação é o resultado do movimento de um liquido. No caso de mancals deslizantes, a rotação do eixo faz com que o lubrificante se movimente para a zona da carga. Essa zona de carga é o ponto em que o eixo e o mancal estão mais próximos, a entrada nesta zona é em forma de cunha curvada de lubrificante que separa as superfícies. Um exemplo desse tipo d lubrificação ocorre em certos contatos fortemente carregados, tais como nos rolamentos de esfera ou rolos, e muitos tipos de engrenagens. Os efeitos das pressões muito elevadas causam um aumento considerável da viscosidade do lubrificante, o que resulta em um aumento de sua capacidade de carga. Ao mesmo tempo elas causam uma deformação elástica temporária das superfícies carregadas, o que dilui a carga por uma área maior. Assim como o óleo é forcado para a parte mais estreita da cunha, a pressão aumenta, e esta é a chamada "Pressão Hidrodinâmica" que suporta a carga. 7.4.2.3 Lubrificação Elastohidrodinâmica A capacidade de suportar carga é controlada por efeitos elásticos e hidrodinâmicos. O principal caso de lubrificação elastohidrodinâmica ocorre nos rolamentos de esferas e rolos, nos contatos entre elementos rolantese pistas. Podemos explicar este fenômeno analisando as condições do contato de Hertz. 110 Os elementos de rolamento e as pistas se deformam elasticamente para aumentar a área de contato. A espessura do filme de óleo geralmente é menor que l micra. As elevadas pressões locais desenvolvidas na área de contato (até 35.000 kg/cm2) tornam o lubrificante liquido um sólido. A espessura da película é menor na região de saída onde o lubrificante volta a ser liquido. 7.4.2.4 Lubrificação da Camada Limite Cada vez que a película de lubrificante se torna muito fina para fornecer uma película de separação completa das superfícies, as asperezas começam a entrar em contato e o lubrificante necessita de outra propriedades a mais do que somente a viscosidade. Essas propriedades são conseguidas através de aditivos reativos. 7.5 Óleos Básicos e Aditivos Os óleos básicos podem ser mineral ou sintético. O óleo fornece viscosidade para controle do atrito e do desgaste, fornece resistência a corrosão e oxidação e atuam como arrefecedores Os aditivos podem ser orgânicos e inorgânicos. Eles melhoram as propriedades existentes no óleo básico, suprimem propriedades indesejáveis no óleo básico e conferem novas propriedades ao lubrificante. Os óleos podem ser: • parafinicos - a quantidade de carbono presente nas cadeias de parafina é maior que nos anéis naftênicos. • naftênicos - há presença de anéis naftênicos • aromáticos - presença de aromáticos e asfaltenos. • sintéticos - similar aos plásticos, derivados de compostos petroquímicos. 111 7.5.1 Quadro Comparativo das Características dos Óleos Básicos Naftenicos e Parafínicos. Óleos Minerais Básicos Naftenicos e Parafínicos 7.5.2 Tabela Comparativa de Óleos Sintéticos 112 7.5.3 Lubrificantes Sintéticos - Vantagens e Desvantagens Vantagens Prováveis: • Elevado ponto de fulgor (resistem a altas temperaturas) • Baixo ponto de fluidez • Ampla faixa de temperatura de operação • Resistência ao fogo • Lubricidade melhorada • Estabilidade de oxidação • Elevado índice de Viscosidade (IV) • Estabilidade de cisalhamento melhorada • Menor atrito • Detergência natural • Estende o período entre trocas de óleo de 2X a 4X Desvantagens Prováveis • Custo elevado de 4X a 15X • Descarte caro e perigoso • Alta toxidade • Compatibilidade com as vedações • Sensibilidade à contaminações • Instabilidade Hidrolítica • Misturas incompatíveis com outros fluídos 7.5.4 Funções dos Aditivos Melhorar as propriedades existentes dos óleos básicos, nesse grupo encontramos os antioxidantes, inibidores de corrosão, agentes antiespumantes, e agentes demulsificantes. Suprimir propriedades indesejáveis dos óleos básicos, nesse grupo estão os depressores do ponto de fluidez e os melhoradores do índice de Viscosidade. Conferir novas propriedades aos óleos básicos, nesse grupo se encontram os aditivos de Extrema Pressão (EP), detergentes, desativadores de metais e agentes de adesividade. 7.5.5 Viscosidade A viscosidade cinemática (Stokes) relaciona forças da Viscosidade com forças de inércia e a viscosidade absoluta (Poise) ou dinâmica está relacionada com a tensão de cisalhamento. Visc. Absoluta (u) - Visc. Cinemática (v) X Densidade (p) A Viscosidade do fluido é a resistência ao movimento de uma camada de fluido sobre a outra camada adjacente.É a resistência ao fluxo que oferece o próprio fluido. Esta resistência é causada pelo atrito interno do fluido (molecular). 113 7.5.5.1 Viscosidade e Temperatura A viscosidade de um liquido varia de acordo com a temperatura. A taxa de mudança varia com o tipo e qualidade do óleo. O índice de Viscosidade (IV) é a medida da mudança da viscosidade do fluído com a temperatura. Teoricamente, um elevado índice de viscosidade somente é útil se a máquina operar sobre uma ampla faixa de temperaturas. Calculo do índice de ViscosidadeO IV de um óleo é calculado com base nas suas viscosidades em cSt a 40°C e 100°C. Graus de IV • baixo (LVI) até 50 • médio (MVI) 50 até 80 • alto (HVI) 80 até 100 • muito alto (VHVI) 100 até 130 • ultra alto (UHVI) maior que 150 114 A viscosidade e a temperatura para óleos de motor A viscosidade e a temperatura para óleos minerais industriais 7.5.6 Tipos Básicos de Lubrificantes Os lubrificantes geralmente são divididos em quatro tipos básicos: • óleos • graxas • lubrificantes secos • gases 115 7.5.6.1 Lubrificação com Graxa e Óleo A graxa é o lubrificante nos casos em que a máquina opera a velocidades e temperaturas normais. A graxa, como lubrificante, oferece diversas vantagens sobre o óleo, requerendo sistemas de aplicação mais simples e baratos, melhor adesão, e proteção contra umidade e contaminantes do ambiente de operação. Graxa: comparação de vantagens e desvantagens O óleo é o lubrificante onde a velocidade e/ou as condições de operação tornam impossível o uso da graxa, ou quando o calor deverá se removido das zonas de contato. O óleo é ideal para lubrificar selos, engrenagens, mancais planos, rolamentos, etc. Óleo: comparação de vantagens e desvantagens 116 7.6 – Gerenciamento e Manipulação de Lubrificantes O lubrificante é uma parte crítica de vários componentes, e deverá ser manipulado com o mesmo cuidado como qualquer outra peça de engenharia de precisão. O lubrificante pode ser danificado pelo calor, frio, umidade, ataque químico ou contaminantes sólidos. A deterioração de um lubrificante poderá prejudicar mancais, sistemas de transmissão ou qualquer outra parte lubrificada. Os fabricantes de lubrificante fornecem seus produtos acondicionados de modo a se encontrarem limpos e isentos de substancias degradantes e contaminantes, mas estes produtos podem se deteriorar devido a má armazenagem e indevida manipulação antes que ele chegue ao componente a ser lubrificado. 7.6.1 – Embalagem e Fornecimento Os lubrificante são fornecidos em muitos tipos diferentes de embalagens, e o tipo mais adequado depende da quantidade usada na aplicação. As embalagens mais comuns para grandes quantidade de óleo são os tambores de 200 litros. Os tambores possuem dois tampões roscados que podem ser substituídos por grifos ou bombas, de tal forma que poderá ser usado para armazenagem e como unidade de dispêndio. Podem ser comercializados em embalagens de 25, 10, 5, 2, ou 1 litro. Os vasilhames pequenos são usados para fornecimento de produtos para aplicações tais como maquinas de costura, bicicletas, armas etc. As graxas para uso industrial são acondicionadas em tambores que vão desde 3 kg até 180 kg. Para pequenas aplicações encontramos embalagens de 100 a 500 gramas. 7.6.2 – Manipulação Todo lubrificante deve ser manipulado com cuidado para evitar que seja danificado. Isto se aplica especialmente aos tambores grandes por serem de difícil manipulação devido ao peso e tamanho. Os tambores podem ser rolados sobre superfícies planas, mas nunca devem ser deixados cair de desníveis superiores a 5 cm para que sejam preservadas as costuras metálicas do tambor. 7.6.3 – Armazenagem Antes de projetar o sistema de armazenagem dos lubrificantes devemosfazer uma racionalização dos produtos. A segunda consideração é o tamanho dos contêineres. O tamanho do contêiner deverá ser selecionado para representar entre um a três meses de fornecimento. O local de armazenagem deverá ter espaço para pelo menos dois contêineres de cada tipo de óleo ou graxa, salvo nos casos em que sejam usados contêineres de 500 litros ou mais. Geralmente é mais econômico comprar grandes quantidades, mas devemos lembrar que contêineres menores esvaziam mais rápido e conseqüentemente, são menos suscetíveis à contaminação e são mais fáceis de manipular. Os lubrificantes sempre deverão ser armazenados sob coberturas, em locais limpos, secos e ventilados. Não deverão ficar expostos à ação direta de raios solares. 117 Respiração de umidade pelo tambor em pé CHUVA SOL NOITE Espaço água o ar de ar escapa o espaço de se forma uma ar fica reduzido forte sucção água FRIO Óleo limpo QUENTE Óleo e ar no tambor se expandem quando quentes FRIO Entra água quando o óleo e o ar se contraem De uma maneira geral o lubrificante não deve ser armazenado por um período superior a um ano, em alguns casos, no máximo 2 anos. No entanto, uma vez aberto o recipiente, a sua deterioração é mais rápida. Não há um consenso claro sobre a vida máxima ou recomendável de prateleira para um lubrificante, mas é bastante seguro observarmos a seguinte recomendação. Óleos lubrificantes................................................ 12 meses Graxas de lítio........................................................ 12 meses Graxas de complexos de cálcio................................,6 meses Emulsões resistentes ao fogo....................................6 meses Óleos solúveis...........................................................6 meses Óleos solúveis formulação especial......................... 3 meses Emulsões de ceras.....................................................6 meses 7.6.4 – Dispêndio e Aplicação Antes que seja aberto um contêiner de lubrificante, é essencial que as superfícies externas sejam limpas para assegurar a não contaminação do lubrificante por agentes externos. Se o tambor estiver na posição horizontal, então o dispêndio deverá ser feito pelo grifo. Se estiver na posição vertical a transferência será feita com uma bomba manual, pneumática ou elétrica. 118 O lubrificante deve chegar limpo ao ponto de aplicação, para que isto seja assegurado todos os acessórios, recipientes e condutos deverão estar limpos. Os recipientes de transferência deverão ser guardados em lugar limpo e lavados depois de usados. 7.6.5 – Saúde, Segurança e Meio Ambiente na Manipulação e Uso de Lubrificantes Para manipulação de lubrificantes devemos inicialmente colher informações sobre saúde, segurança e meio ambiente junto a comissão da CIPA e autoridades de segurança e higiene do trabalho. O que pretendemos aqui é dar somente uma visão ampla de tipos de risco que podem surgir em conexão com os lubrificantes, e a natureza das praticas de trabalho realizadas. O uso de lubrificantes errados, ou de falhas no fornecimento de lubrificantes, pode contribuir diretamente com falhas prematuras dos sistemas lubrificados tais como engrenagens e rolamentos, e outros. 7.6.5.1 – Risco de Incêndio As temperaturas alcançadas por mancais ou acoplamentos danificados podem chegar a ser muito altas, na ordem de até 1100⁰ C, com o lubrificante atuando como combustível, estas temperaturas elevadas podem causar incêndios muito sérios, especialmente em plantas que manipulam produtos inflamáveis. O óleo é mais propenso a causar sérios incêndios do que a graxa, no entanto o problemas em mancais lubrificados com graxa podem causar sérios incêndios ( incêndio ocorrido no Metrô de Londres) Os meios de extinção utilizados são: • extintores de espuma, dióxido de carbono e pó químico. • em incêndios de menores proporções, na falta dos meios acima, poderá ser utilizada terra ou areia. • água somente em forma de neblina. As medidas especiais em caso de incêndio são: • utilizar equipamentos adequados, incluindo máscaras e cilindros de ar para respiração, que deverão estar disponíveis para casos de incêndio em recintos fechados. • Deve-se tomar todos os cuidados para confinar o incêndio ao menor espaço possível, evitando que o fogo se espalhe. • As embalagens, equipamentos e estruturas adjacentes à área do incêndio deverão ser resfriadas com água. 7.6.5.2 – Natureza Escorregadiça Os lubrificantes são escorregadiços pela própria natureza e podem causar acidentes bastante sérios, por essa razão, devem tomar-se cuidados especiais na sua manipulação 119 para evitar derrames e limpados imediatamente quando ocorrerem. Isso é especialmente importante em locais de armazenagens ou em qualquer local onde são usadas grandes quantidades de lubrificantes. 7.6.5.3 – Aspectos de Salubridade dos Lubrificantes De maneira geral os lubrificantes são bastante estáveis, e inertes, e os problemas de saúde que podem surgir do seu uso tendem a ser de longo prazo. Uma toxidade aguda é mais fácil que ocorra a partir de aditivos mais reativos do que de óleos de base, especialmente onde os aditivos estão presentes em altas concentrações. Alguns problemas em longo prazo incluem câncer e dermatite. Existe uma forte evidência de que isso ocorra somente quando a vitima é descuidada e permite que a sua pele esteja em contato com o óleo ou com roupas encharcadas com óleo durante longos períodos. Mesmo assim, os fabricantes têm feito grandes esforços para identificar e remover os componentes perigosos. Atualmente há esperanças de que o risco de câncer tenha sido completamente eliminado. Os riscos com os lubrificantes podem ser completamente eliminados pelo cuidado em evitar contato com a pele. O óleo das mãos deverá ser limpo imediatamente, e a roupa molhada em óleo trocada Para manusear lubrificantes devemos: • usar luvas e equipamentos adequados • prevenir derrames • evitar contato prolongado e repetitivo com lubrificantes pois eles causam ressecamento da pele (especialmente a altas temperaturas), irritações e dermatites (especialmente em condições de pouca higiene). Riscos Para Saúde 7.6.5.4 – Primeiros Socorros Tipo de Óleo Toxidade Aguda Dermatite Câncer Óleo mineral novo Muito pouco Requer cuidado Desaparecido Óleo mineral usadoAlgum risco Requer cuidado Requer cuidado Hidrocarboneto sintético Muito pouco Requer cuidado Não reporta Di-ester e éster poliol Leve risco Requer cuidado Não reporta Éster fosfato Algum risco Requer cuidado Não reporta Silicone Não tóxico Pouco risco Não reporta Poliglicol Pouco risco Pouco risco Não reporta Difenil clorado Vapor irritante Requer cuidado Não reporta Éster fluorado Vapor tóxico Desconhecido Não reporta Óleo soluvel Requer cuidado Requer cuidado Requer cuidado Graxa Muito pouco Requer cuidado Pouco risco Aditivos Algum risco Pouco risco Pouco risco 120 Contato com a pele: • lavar com água e sabão. Nunca usar querosene, gasolina, óleo diesel ou solvente. Se a irritação persistir, procurar socorro médico.sabão pó areia Contato com os olhos: • Manter os olhos abertos e lavar abundantemente com água limpa. Se a irritação persistir, procurar socorro médico. Inalação: • em caso de náuseas ou tonturas, levar o acidentado para um local arejado e fresco, mantê-lo aquecido e em repouso. • se o efeito persistir, procurar atendimento médico. • se a respiração parar, fazer respiração artificial e se necessário, massagem cardíaca. Ingestão: • não provocar vômito • o perigo durante e após uma ingestão acidental, é a entrada aos pulmões. • dar um copo de leite ou água. • não dar nada pela boca se o acidentado estiver desacordado. Levar o acidentado imediatamente para o hospital. 7.7 – Programas de Lubrificação É importante investir tempo e esforço no estudo e na manutenção de um plano de lubrificação eficiente. Para obter a máxima disponibilidade e produtividade dos equipamentos é necessário lubrificar corretamente, e isso significa: • planejar a lubrificação • programar a lubrificação • controlar a lubrificação • resolver problemas de lubrificação 7.7.1 – Planejamento e Organização O objetivo de um programa de lubrificação é o desenvolvimento, implementação, manutenção e aperfeiçoamento de tudo que relaciona a lubrificação com a confiabilidade dos equipamentos. O que se busca com um programa de lubrificação é assegurar que todo equipamento receba e mantenha o nível requerido de lubrificação, de maneira que nenhum equipamento falhe devido à lubrificação inadequada ou imprópria. 121 Processo do Programa de Lubrificação Manutenção Fabricante do Fornecedor do Compras Equipamento Lubrificante FASE 1 FASE 2 FASE 3 FASE 4 DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA DE LUBRIFICAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE LUBRIFICAÇÃO GERENCIAMENTO D DO PROGRAMA APERFEIÇOAMENTO DO PROGRAMA Desenvolvimento do Programa de Lubrificação Manutenção Fabricante do Fornecedor do Compras Equipamento Equipamento CRIAÇÃO DO “ MANUAL DE LUBRIFICAÇÀO” COMPRA DO EQUIPAMENTO DE LUBRIFICAÇÃO ESTABELECER AS TAREFAS E FREQUÊNCIA DA MANUTENÇÃO PREVENTIVA CONSOLIDAR LUBRIFICANTES SELEÇAO DE LUBRIFICANTES LEVANTAMENTO DA LUBRIFICAÇÃO LISTA DE EQUIPAMENTOS 122 Implementação do Programa de Lubrificação SIM SIM Todo o Os equipamento códigos de MP Manutenção está no MP estão no PDC ? PDCA ? NÃO NÃO Suporte do PCM Registrar tarefas e freqüência de MP Criar relatórios dos serviços programados Revisar consistência dos relatórios Estabelecer geração automática de relatórios Registrar códigos de MP no PCM Registrar equipamentos No PDCA Gerenciamento do Programa de Lubrificação Manutenção Recebe OS Planeja e programa as tarefas Realiza as tarefas Documenta os trabalhos Fecha OS Aperfeiçoamento do Programa de Lubrificação SIM Os SIM O MTBF é custos são Manutenção Aceitável ? aceitáveis ? NÃO NÃO Implementar soluções Fazer análise das raízes das causas OK Analisar histórico do PCM 123 7.7.1.1 – Dados Disponíveis na Planta • Quanto lubrificante é usado (quilos por ano), listado por tipo,fornecedor, tipo de armazenamento, forma de dispêndio e local de aplicação. • Para óleos e fluidos lubrificantes, o volume instalado em litros, com identificação da aplicação. • Lista completa de: - Tipo de maquina, quantidade e localização - Pontos a serem lubrificados - Lubrificantes requeridos - Métodos de lubrificação - Capacidade da maquina - Freqüência recomendada para cada ponto de lubrificação - Histórico das paradas imprevistas com detalhes de tempo total de parada, paradas imprevistas devidas diretamente à lubrificação deficiente • Classificar os métodos de aplicação da lubrificação em grupos estabelecendo as cargas de mão-de-obra por grupo • Normas para projetos de lubrificação e praticas quando Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Grupo E Pinos de óleo Banhos de óleo Frascos de óleoLubrificadores Lubrificadores Copos de óleo (Carter) mecânicos automáticos Pinos de graxa Lubrif. de nevoa Copos de graxa Reservatórios - Na aquisição de equipamentos, obtendo do fabricante da máquina recomendações de lubrificantes em função dos fornecedores de lubrificantes. - Lubrificação de componentes na planta, tais como mancais de rolamento e motores elétricos • Planos de trabalho. Um planejamento bem projetado deverá levar em consideração - Trabalhos que podem ser realizados sem interferência com a produção - Trabalhos que necessitem de máquina parada - Trabalhos que podem ser integrados com manutenção mecânica ou elétrica de rotina - Tempo produtivo Maximo pelos operadores que fazem lubrificação (integrada ou TPM) 124 Organização da lubrificação Fornecedor de Lubrificante Ordem de Compra Departamento de compra Controle de Estoques Preparação Almoxarifado Tipo de Lubrificante Decisão de Lubrificar Recepção e Aceitação Dispensa Quantidade Feedback Máquina parada Tempo Aplicação Localização Capacidade Requisição 7.8 – Lubrificação de Classe Mundial Um programa de Lubrificação de Classe Mundial deve ser definido e executado com excelência. Para alcança-la devemos: - ter interesse pela mudança. (ter a coragem de sair dos confortáveis programas de lubrificação da velha escola. Isto requer coragem, imaginação, tempo e comprometimento. - lembrar que sempre há um lubrificante que é perfeitamente adequado para uma determinada máquina. (não imaginar que qualquer óleo é óleo, usando aquele que está à mão) - não pretender economizar comprando os lubrificantes pelo menor preço. (Qualidade e preço baixo raramente andam juntos) 125 - lembrar que a remuneração deve ser função da responsabilidade e da qualificação, aspectos primordiais na lubrificação. O lubrificador deve ser um profissional qualificado. - desenvolver procedimentos e orientações, por escrito, de como lubrificar cada máquina. Para que haja referência deve haver padronização. - investir em um efetivo programa de análise de lubrificante - investir na educação, formação e atualização dos técnicos de lubrificação e manutenção. 7.8.1 – Os Passos para a Excelência em Lubrificação • sentir a necessidade compulsiva de mudanças • fazer uma auditoria e projetar um programa de lubrificação (Definição) • Treinamento, desenvolvimento e atualização do pessoal envolvido (Educação) • Elaborar um manual de boas práticas e de lubrificação (Aplicação) • Estabelecer o conceito de melhoramento continuado O caminho das Mudanças Melhoria Continuada Necessidade Aplicação Educação Definição de Mudanças Definição - Filtragem e controle - Métodos de amostragem de contaminação - Seleção de testes de analise - Padrões de lubrificantes de óleo e critérios de alarme Lubrificação Auditoria e Projeto do Analise de Óleo Programa - Gerenciamento e manipulação - Seleção do laboratório de lubrificantes - Confiabilidade Educação - Falha do óleo de base - Limpeza do óleo - Falha dos aditivos - Umidade do óleo Manutenção Preditiva Treinamento e Manutenção Proativa Atualização - Falha de filtros - Armazenamento - Falhas normais das máquinas - Transferência 126 Aplicação Aplicação das Boas Práticas Manual Corporativo de - Disponibilidade Lubrificação (impresso) Implementação Manuais de Boas Práticas Documentação e Lubrificação - Falhas das Maquinas - Métodos - Consumo de óleo - Orientações - Paradas planejadas x imprevistas - Procedimentos - Instruções 7.8.2 – Auditoria de Lubrificação A definição das Boas Práticas de lubrificação e manutenção significa a definição do significado de qualidade no contexto da confiabilidade das máquinas. O primeiro passo é fazer a análise da situação. É importante determinar a situação atual para definir o curso de ação para a evolução, isso é obtido através de auditorias. 7.8.2.1 – Objetivos da Auditoria de Lubrificação • Identificar as práticas atuais e sugerir boas práticas alternativas. • Identificar oportunidades de melhorias e redução de custos. • Identificar meios para melhorar a efetividade das analises de óleo. • Revisão e propostas de melhoria do controle de contaminação e manutenção proativa. • Identificar oportunidades e necessidades de consolidação dos lubrificantes e padrões de compra. • Examinar a maneira pela qual a análise de óleo está integrada às outras tecnologias de manutenção. • Sugerir as necessidades de treinamento e documentação de procedimentos. 7.8.2.2 – Conversão das Mudanças Recomendadas em Planos Específicos de Ação. Com as recomendações sugeridas pela auditoria, devemos converter as mudanças recomendadas em planos específicos de ação completos com os detalhes necessários e as responsabilidades. O projeto do plano deverá incluir as mudanças no equipamento, assim como as atividades de procedimento e monitoração. O treinamento é um elemento crítico em qualquer processo de mudança. 7.8.2.3 – Execução das Boas Práticas. • Treinamento. • Hardware de amostragem • Análise de óleo de campo • Serviços de laboratório de qualidade 127 • Freqüência da colheita de dados • Software de gerenciamento de dados • Documentação das Boas Práticas • Manutenção proativa • Integração de tecnologias 7.8.2.4 – Manual de Lubrificação O que se refere à lubrificação e análise de óleo estão em continuada evolução, portanto é necessário um imediato acesso às informações e a documentação das boas práticas. Estas informações podem estar impresso ou disponível na rede de computadores para acesso por todos funcionários da empresa. O Manual de Lubrificação deve conter:• Recebimento e armazenamento. • Manipulação e transferência. • Gerenciamento dos reservatórios. • Métodos de lubrificação. • Procedimentos de amostragem de óleo. • Procedimentos de testes de análise de óleo. • Orientação para interpretação de dados. • Guia para localização, diagnostico e reparo para dados de não conformidade. • Controle de vazamentos e vedações. • Treinamento, capacitação e testes de competência. • Standard de lubrificantes e consolidação de produtos • Biblioteca de referencia. Identificação, medição e qualificação das condições: • Número de alarmes relativos à não conformidade de contaminação. • Porcentagem de amostras com condições de não conformidade. • Tempo para responder e corrigir condições de não conformidade. • Tempo de cada máquina fora de conformidade. • Medição dos períodos de amostragem e resposta do laboratório. • Medição dos períodos de troca de filtros e de óleo. 128 Capitulo 8 Vibração 8.1 – Introdução Toda máquina em funcionamento vibra e este nível de vibração, ou distribuição da energia vibratória, modifica em função da deterioração do equipamento, traduzindo em um aumento do nível de vibração e esta evolução do nível de vibração nos fornece informações úteis sobre o estado em que se encontra o equipamento. A vibração é uma resposta a uma excitação pelos esforços dinâmicos e os sinais vibratórios têm freqüência idêntica àquela dos esforços que os tenham provocado. A medida global tomada em um ponto é a soma das respostas vibratórias da estrutura aos diferentes esforços vibratórios. Podemos deste modo comparar a identidade vibratória de uma máquina em bom estado com uma situação indesejável e assim observarmos a evolução de seu estado tendo subsídios para identificar o aparecimento de anomalias causadas pelo aparecimento de novos esforços dinâmicos. 8.2 – Causas das Vibrações As fontes de vibração mais comuns são: • Desequilíbrio de massas girantes (desbalanceamento) • Desalinhamentos • Folgas generalizadas • Dentes de engrenagens • Rolamentos • Corrente elétrica • Campo magnético desequilibrado (motores elétricos) • Escoamento fluido • Fenômenos da natureza (terremotos, maremotos, ondas, etc) • Reações químicas. 8.3 – Efeitos das Vibrações Os principais efeitos das vibrações são: • Altos riscos de acidentes • Baixa qualidade dos produtos • Fadiga estrutural • Desgaste prematuro de componentes com conseqüente aumento nos custos de manutenção • Perdas de energia • Instabilidade geométrica (desconexões de partes) 129 8.4 – Controle dos Fenômenos Vibratórios Podemos conseguir o controle dos fenômenos vibratórios de três formas: • Eliminação das fontes – balanceamentos, alinhamentos, troca de peças defeituosas, apertos de bases soltas, etc. • Isolamento das partes – colocação de amortecedores de modo a reduzir a transmissão da vibração a níveis toleráveis. • Atenuação da resposta – alteração da estrutura ( reforços, massas auxiliares, mudanças de freqüência natural, etc.) 8.5 – Medida de uma Vibração A medida de uma vibração transmitida por uma estrutura sob o efeito de esforços dinâmicos será função de múltiplos parâmetros que se pode separar em 3 grupos. 1˚ Grupo • Massa rigidez e coeficiente de amortecimento da estrutura que veicula as vibrações. • Características de fixação da máquina sobre o solo que opõe roeacoes às vibrações e modifica a intensidade. • Posicionamento da tomada da medida. Estes elementos são denominados “Função de Transferência”, caracterizam a transferência. 2˚ Grupo • Posição e fixação do sensor (sensor) sobre a máquina. • Característica do sensor. • Pré-amplificação e transmissão do sinal. • Desempenho dos aparelhos analisados. Estes parâmetros são características da “cadeia de medidas”. 3˚ Grupo • velocidade de rotação e potencia absorvida. • Estado das ligações da cadeia cinemática (alinhamento, desbalanceamento, engrenagens, rolamentos etc.) Estes elementos estão diretamente ligados à intensidade dos esforços dinâmicos que fazem nascer a vibração. É conveniente lembrar que as técnicas de analise das vibrações não dão a intensidade intrínseca de uma força reveladora de um defeito, mas permitem seguir sua evolução. É por isso que é mais fácil efetuar um diagnóstico olhando a evolução, ao longo do tempo, das medidas obtidas, do que se prender a um estudo de uma medida isolada e muito difícil de ser interpretada. 130 8.6 – Natureza das Vibrações As vibrações mecânicas são movimentos oscilatórios em torno de uma posição média. Estes movimentos oscilantes, característicos do esforço que os geram, podem ser periódicos e aperiódicos (transitórios ou aleatórios). As vibrações periódicas podem corresponder a um movimento senoidal ou a um movimento periódico complexo que pode ser decomposto em movimentos senoidais elementares que podem ser mais fáceis de se analisar. Esses movimentos senoidais elementares são os “componentes harmônicos” cujas freqüências são múltiplos inteiros da freqüência do movimento estudado, que é denominado “freqüência fundamental”ou freqüência da harmônica de primeira ordem. Primeiro harmônico ou X (t) Freqüência fundamental A2 Componentes harmônicos A1 X1(t) X2(t) As vibrações transitórias são geradas por forças descontínuas como por exemplo: choques. Elas podem apresentar ou não um aspecto oscilatório, indo para uma posição de equilíbrio após o amortecimento. Uma estrutura vibra desse modo quando recebe um choque para o qual o coeficiente de amortecimento é fraco. X (t) 131 Diferentes tipos de vibrações e as formas de representação Natureza da Forma Temporal Forma espectral Exemplo de fenômenos Vibração geradores Senoidal x(t) amplitude Desbalanceamento A freqüência f = Ω onde Ω = velocidade de rotação t f Senoidal x(t)Composição de esforços Complexo amplitude senoidais de origem diversas e Freqüência qualquer. Esforços dinâmicos de engrenamento f = n Ω , onde n é o número de t f dentes do pinhão e Ω a rotação. Transitório x(t) amplitude Explosões Martelo – pilão Laminadores t f Transitório x(t) amplitude Prensas automáticas Periódico cames t f Aleatório x(t) densidade espectral Oscilações de pressão da potência exercidas sobre uma G(f) estrutura imersa em líquido em escoamento t f 132 8.7 – Medições e Conversões 8.7.1 – Medições de Amplitude • Pk = 0 a A (Pico) • P – P = 2,0 A (ou A até A) (Pico a Pico) • RMS = 0,707 x Pk (“Root Mean Square”ou Média quadrática) • Avg = 0,637 x Pk (Média} Período é o tempo “T” e 360º é uma revolução Obs.: os dados acima só são verdadeiros para senoidais A Amplitude Avg RMS Pico Pico a pico 0 tempo A 8.7.2 – Parâmetros Para Medir Vibrações • Amplitude (Magnitude) = Deslocamento • Freqüência (Período} = Hz, COM • Ângulo de fase = Graus, radianos 8.7.3 – Unidade de Amplitude • Deslocamento = mils (Pk-Pk) ou microns • Velocidade = in/s (Pk) ou mm/s • Aceleração = g’s (in/s²) • 8.8 – Tipos de Processamento de Sinais O processamento de sinais transforma a saída para um formato de mais fácil entendimento. Os resultados típicos de processamento de sinais em análise de vibrações incluem: • Domínio do tempo (forma de onda no tempo = “Time waveform”) • Critério de Nível Global • Análise de Bandas de Freqüência Selecionadas • Domínio de Freqüência (Análise Espectral = “Spectral Analysis”) 133 8.8.1 – Análise Espectral Em nosso estudo faremos referencia apenas a Análise Espectral que é feita utilizando o sinal no domínio do tempo convertido para o domínio da freqüência através da Transformada Rápida de Fourir (FFT = “Fast Fourier Transform”). Ω ω Componentes não sincrônicos ω = N Ω onde N é um número não inteiro. Componentes super-sincrônicos ω = N Ω onde N é um número inteiro. Componentes sub-sincrônicos ω < Ω 8.8.2 – Causas de Componentes Sub-sincrônicos no Espectro Freqüência de vibração abaixo da velocidade de rotação. 1 – Instabilidade hidráulica 2 – Atrito 3 – Freqüência da carcaça de rolamentos lubrificados (antifricção) 8.8.3 – Causas de Componentes Super-sincrônicos no Espectro Freqüência de vibração igual a múltiplos inteiros da velocidade de rotação. 1 – Múltiplos baixos (N = 1 a 8) a) desbalanceamento b) desalinhamento c) eixo empenado d) folga e) movimento alternativo 2 – Múltiplos altos (N > 8) a) engrenagens b) passo da lâmina (compressores e turbinas) 8.8.4 – Causas de Componentes não Sincrônicos no Espectro Freqüência acima (porém não inteiros) da velocidade de rotação. 1 – rolamentos lubrificados 2 – ressonância s do sistema 3 – causas elétricas 4 – múltiplos da freqüência de correias 5 – outras causas como: detonação, superfícies deslizantes, etc. 134 8.8.5 – Aquisição de Dados Deve-se coletar dados repetíveis nos planos e posições corretos para um programa de manutenção preditivo efetivo. Algumas falhas mostram a maior amplitude na direção radial e outras mostram na direção axial. As vezes uma leitura apenas radial (vertical ou horizontal) pode ser suficiente para diagnosticar problemas, entretanto, sempre que possível, deve-se coletar uma leitura axial e duas radiais ( vertical e horizontal) em cada ponto de medição, conforme mostrado na figura abaixo. Radial Vertical Axial Horizontal Deve-se fazer as medições na parte da carcaça que tenha uma boa transmissibilidade da fonte de vibração. Evite posicionar o sensor na junção entre duas partes de rolamento. Não posicione o sensor na proteção do mancal ou do motor, proteções não são rígidas e, portanto, não produzem uma boa transmissão. Se forem marcados pontos para coletar os dados em cada parte do equipamento, deve-se coletar os dados sempre nos mesmos pontos todas as vezes, dessa forma se evita dados imprecisos que possam afetar a análise. Pode-se usar um puncionador para marcar os pontos de medição. Se usar um sensor de fixação magnética, mantenha a superfície de fixação suave e sempre limpa.Anotações 135 8.9 – Análise de Falhas Amplitude Desbalanceamento Estático - Fases iguais nos mancais - Vibração principalmente radial Desbalanceamento Dinâmico x 2x freqüência - Defasagem de 180˚ entre os mancais. - Vibração principalmente radial Desbalanceamento de Rotor em Balanço - Vibração radial e axial - Geralmente ocorre o desbalanceamento estático e dinâmico conjugados. Desalinhamento Paralelo - Vibração Radial aproximadamente 180˚ de defasagem - Maior pico geralmente em 2x x 2x 3x 136 Desalinhamento Angular 1x 2x 3x - Vibração axial, picos em 1x, 2x, ou 3x Empenamento - Vibração Axial e Radial - 180˚ de defasagem na Vibração Axial - 0˚ de defasagem na Vibração Radial 1x 2x Excentricidade O centro de rotação difere do centro geométrico. As fases vertical e horizontal ou são iguais ou diferem em 180˚ Atrito - mesmos sintomas de folgas mecânicas - sub-harmonicas 0,5x 1x 1,5x 2,0x 137 8.10 – Exemplo da Utilização da Análise Vibratória Fazer a análise vibratória do seguinte sistema de bombeamento: B B C Bomba mot Motor D C B A Motor elétrico TVW Bomba XPY Assíncrono Rotor com 2 impulsores 110 KW – 380 V Pressão de aspiração 0,35 bar Bipolar Pressão de compressão 20 bar Rotação por minuto 3600 Mancal A Mancal apoiado C - Rolamento MSK 1 - Rolamento MSKT 7 Mancal B Mancal D - Rolamento MSK 2 - Rolamento MSKR Acoplamento Tipo MCF Chassis de aço, chumbado em bloco de concreto 138 Diagnóstico: registrou-se um aumento do nível global de vibração. Os gráficos do nível de vibração em função da freqüência, registrados no mancal B do motor, tanto na posição vertical (V) bem como na direção axial (A), estão nos espectros abaixo. Motor TVW / Bomba XPY Motor TVW / Bomba XPY Mancal B – Vertical Mancal B - axial A A 0 25 50 75 100 125 Hz 0 25 50 75 100 125 Reconhecimento das Principais Anomalias Vibração Causa Freqüência Direção Observações Turbilhão de óleo de 0,42 a 0,48 x FR Radial Unicamente sobre mancais lisos hidrodinâmicos com FR = freqüência de rotação grande velocidade. D Desbalanceamento 1 x FR Radial Intensidade proporcional à velocidade de rotação. Defeito de fixação 1, 2, 3, 4 x FR Radial Defeito de alinhamento 2 x FR Radial e Vibração axial em geral mais Axial importante se o defeito de alinhamento contém um desvio angular. Excitação elétrica 1, 2, 3, 4 x 60 Hz Radial e Desaparece ao interromper a Axial energia elétrica. Velocidade crítica de freqüência crítica do rotor Radial Aparece em regime transitório rotação e desaparece em seguida. Correia em mau estado 1, 2, 3, 4 x FR Radial Engrenagens defeituosas freqüência de engrenamento F Radial e Banda lateral em torno daF = n˚ de dentes x FR Axial freqüência de engrenamento. Pinhão (“falsa volta”) FR + FR do pinhão Radial e Bandas laterais em torno da Axial freqüência de engrenamento devido às “falsas voltas”. Excitação hidrodinâmica freqüência de passagem das pás Radial e Axial Deterioração do rolamento Altas freqüências Radial e Ondas de choque causadas por Axial escamações. 139 8.11 – Balanceamento de Rotores Rígidos Um rotor é considerado rígido quando ele não se deforma na velocidade de operação. A figura abaixo mostra um rotor rígido desequilibrado. Num rotor desequilibrado, o eixo de rotação não coincide ω com um dos eixos de inércia (Centro de Gravidade CG) e com isso aparecerá uma força centrífuga de valor: F = M ω² R Raio CG massa Essa força provoca vibrações nos mancais devido à reações alternadas nos apoios. O processo de controle dessas forças centrifugas é o balanceamento. 8.11.1 – Balanceamento Estático Se o rotor da figura acima for apoiado sobre mancais sem atrito agirá sobre a massa M desequilibrante um momento estático Mr, que fará com que o rotor gire até que esta venha para a vertical, como na figura abaixo. Para balancearmos esse rotor, basta que façamos com que o Centro de Gravidade CG volte a coincidir com o eixo de rotação. Para que isso ocorra devemos colocar uma massa corretiva M’ a uma distância d’ do centro e a 180˚ do desbalanceamento original, ou na linha deste a 0˚, uma massa negativa (furo) tal que M’d’ = M d d CG M 8.11.2 – Balanceamento Dinâmico O rotor da figura abaixo está dinamicamente desbalanceado, apesar de estaticamente não. As massas iguais M1 e M2 colocadas a 180˚ num mesmo raio, garantem o balanceamento estático. O rotor está dinamicamente desbalanceado porque se for colocado em rotação aparecerão duas forças centrífugas F1 e F2. F1 = M1 x ω² x R F2 = M2 x ω² x R Essas forças formarão um binário desequilibrante, responsável por reações de apoio alternadas, ou vibrações. Reação de apoio 1 F1 F2 Reação de apoio 2 O desequilíbrio dinâmico existe porque o rotor tem mais de um plano de desequilíbrio. O balanceamento dinâmico é conseguido com a colocação de massas apropriadas em dois ou mais planos de correção. 140 Referencias Bibliográficas 1 – Análise de Falha - Aplicação dos métodos FMEA e FTA, Horácio Helman e Paulo Roberto Andery, Ed. QFCO; 2 – Manutenção Preditiva, Victor Mishawe, Ed. MC Graw Hill; 3 – Manutenção Função Estratégica, Julio Nacif/Alan Kardec, Ed. Quality; 4 – Administração Moderna da Manutenção, Lourival Tavares, Ed. Novo Pólo; 5 – Manual De Manutenção Mecânica Básica, Eng. Janusz Drapinski, MC GRAW HILL 6 – Lubrificantes E Lubrificação,Eng. Carlos Moura e Ronald Carreteiro, PUBLICAÇÃO DA ESSO; 7 – Curso Gerência De Manutenção – Manutenção Na Empresa, Waldir S. Nazareth INSTITUTO BRASILEIRO PETRÓLEO; 8 – Maintenance Engineering Handbook, R. Golberg e G. Pekelis,MIR PUBLISHER – MOSCOW; 9 – Função Manutenção, François Monchy, ED. DURBAN; 10 - Standart Handbook Of Lubrification Engineering, O’Connor Body, MC GRAW HILL N.Y.; 11 - Controle De Manutenção Por ComputadorL. A. Tavares,J.R. EDITORA TÉCNICA LTDA. REVISTAS 1 – Nova Manutenção / Qualidade PUBLICAÇÕES / IMPRESSOS 1 – Tecnologia de Rolamentos SKF, PUC-MG; 2 – Lubrificação Industrial, Vallourec & Mannesmann Tubos; 3 – O Óleo e seu Motor, Cartepillar. Capa.pdf SumárioI.pdf APOSTILA MANUTENCAO 1.pdf Capítulo l O Homem e a Manutenção Desenho ( Ordem de ( Almoxarifado ( Recepção ( Uso Projeto produção Expedição Cliente Especificação ( produção ( Uso Capítulo 2 A – Corretiva Não Planejada e Corretiva Planejada Custo da aplicação da Esquema representando a parada de Análise de Defeito – Manutenção Preditiva Exercício 1 As galgas trabalham somente em época de revestimento dos fornos, misturando massa refratária e apenas uma é suficiente para atender à demanda, ficando a outra de reserva. Técnicas de Controle e Planejamento da Manutenção 4.1. Sistema PERT/CPM. PROBABILIDADE PROBABILIDADE E – Fazer o projeto F – Contratar construtora G – Recrutar funcionário Quadro de Prioridades Atividade Resumo Folha em branco para cálculos e construção dos diagramas Capítulo 5 Custos em Manutenção 5.3 - Índice do Custo de Mão de Obra MOD MOI = mão de obra indireta Aplicação Custo Total da Manutenção Custo Relativo do Material = Custo do Material Aplicado na Manutenção CMOC + Custo de Mão de obra Própria Exercício 10 - Exemplo de Cálculo da Confiabilidade na Árvore de Falhas APOSTILA MANUT VIBRAC.pdf Para uma boa coleta de amostra deve-se usar um Kit disponível nos laboratórios de análises. Geralmente este Kit contem frascos, uma bomba de sucção, mangueira e válvula de engate rápido. Efeito: Em locais onde a umidade do ar for superior a 85%, a formação de ácidos gasoso é mais Todo lubrificante deve ser manipulado com cuidado para evitar que seja danificado. Isto se aplica especialmente aos tambores grandes por serem de difícil manipulação devido ao peso e tamanho. Os tambores podem ser rolados sobre superfícies planas, mas nunca devem ser deixados cair de desníveis superiores a 5 cm para que sejam preservadas as costuras metálicas do tambor. Respiração de umidade pelo tambor em pé CHUVA SOL NOITE De uma maneira geral o lubrificante não deve ser armazenado por um período superior a um ano, em alguns casos, no máximo 2 anos. No entanto, uma vez aberto o recipiente, a sua deterioração é mais rápida. Não há um consenso claro sobre a vida máxima ou recomendável de prateleira para um lubrificante, mas é bastante seguro observarmos a seguinte recomendação. Óleos lubrificantes................................................ 12 meses Os lubrificantes são escorregadiçospela própria natureza e podem causar acidentes bastante sérios, por essa razão, devem tomar-se cuidados especiais na sua manipulação para evitar derrames e limpados imediatamente quando ocorrerem. Isso é especialmente importante em locais de armazenagens ou em qualquer local onde são usadas grandes quantidades de lubrificantes. Processo do Programa de Lubrificação Gerenciamento do Programa de Lubrificação Organização da lubrificação 7.8 – Lubrificação de Classe Mundial Aplicação Desbalanceamento Estático Desbalanceamento de Rotor em Balanço Empenamento Excentricidade Atrito D C B A