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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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no prazo máximo de dois anos; no entanto, se ela não estiver devidamente 
composta dentro desse prazo o contrato poderá caducar. 
 
4.4. Revogação da doação 
 
São os casos definidos nos artigos 555 ao 564 do Código Civil e merecem ser conferidos! 
 
4.5. Hipóteses de irrevogabilidade por ingratidão 
 
Conforme o artigo 564 da lei civil, as doações que não serão revogadas por ingratidão serão: 
 
a) As puramente remuneratórias; 
b) As oneradas com encargo já cumprido; 
c) As que se fizerem em cumprimento de obrigação natural; 
d) As feitas para determinado casamento. 
 
5. LOCAÇÃO DE COISAS (art. 565 e segs., do CC) 
 
5.1. Conceito 
 
É o contrato em que o locador cede ao locatário determinado bem, objetivando que o mesmo use e goze da 
coisa de forma contínua e temporária, mediante o pagamento de aluguel. 
 
5.2. Natureza jurídica 
 
a) Bilateral ou sinalagmático – as partes possuem vantagens e desvantagens recíprocas. 
b) Oneroso – é essencialmente econômico, isto é, por meio da cobrança de alugueres. 
c) Comutativo – as partes são cientificadas de suas obrigações no ato da celebração do contrato de locação. 
d) Consensual – a vontade das partes é a essência do contrato, 
e) Informal e não solene – inexiste obrigatoriedade de escritura pública como também de contrato escrito. 
f) Execução continuada – as prestações perduram com o passar do tempo. 
g) Típico – caracterizado por possuir regulamentação legal no Código Civil. 
h) Paritário ou de adesão – será paritário quando as partes estiverem em pé de igualdade no ato de estabelecer 
as cláusulas contratuais e de adesão assim que uma das partes estipular as cláusulas e a outra somente puder 
aderi-las para que se possa obter o objeto do contrato. 
 
5.3. Pressupostos 
 
a) Coisa; 
b) Temporariedade; 
c) Aluguel. 
 
5.4. Dos deveres do locador 
 
O locador é obrigado a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso 
a que se destina, assegurando a utilização pacífica da coisa. Devendo o locatário, durante o período contratual, 
manter a coisa no estado em que se encontra, salvo se previsto diversamente em cláusula. 
 
5.5. O direito potestativo da redução proporcional do aluguel ou a resolução do contrato 
 
Conforme preceitua o artigo 567 da lei civil, se durante a locação a coisa alugada for deteriorada, sem culpa do 
locatário, a este caberá pedir redução proporcional do aluguel, ou resolver o contrato, caso já não sirva a coisa 
para o fim a que se destinava. 
 
 
 
 
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5.6. Dos deveres do locatário 
 
Os deveres legais estão elencados no rol do artigo 569 do Código Civil: 
a) Servir-se da coisa alugada para os usos convencionados ou presumidos, consoante a natureza dela e as 
circunstâncias, bem como tratá-la com o mesmo cuidado como se sua fosse; 
b) Pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajusta-dos, e, em falta de ajuste, segundo o costume do lugar; 
c) Levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam fundadas em direito; 
d) Restituir a coisa, finda a locação, no estado em que a recebeu, salvas as deteriorações naturais ao uso 
regular. 
 
5.7. Locação por prazo determinado 
 
De acordo com a regra prevista no artigo 573 do Código Civil, esta modalidade cessa de pleno direito com o 
fim do prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso. 
 
5.8. Aluguel pena 
 
Reza a norma civilista: 
 
Art. 575. Se, notificado o locatário, não restituir a coisa, pagará, enquanto a tiver em seu poder, o aluguel que 
o locador arbitrar, e responderá pelo dano que ela venha a sofrer, embora proveniente de caso fortuito. 
 
Parágrafo único. Se o aluguel arbitrado for manifestamente excessivo, poderá o juiz reduzi-lo, mas tendo 
sempre em conta o seu caráter de penalidade. 
 
5.9. A aquisição do bem por terceiro e a cláusula de vigência 
 
Se o bem – objeto do contrato – for alienado durante a vigência do contrato de locação, o adquirente não ficará 
obrigado a respeitá-lo, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência, no caso de alienação, e não 
constar de registro. 
 
5.10. A sucessão na locação 
 
Destaca o artigo 577 da lei civil: 
Art. 577. Morrendo o locador ou o locatário, transfere-se aos seus herdeiros a locação por tempo determinado. 
 
5.11. Indenização por benfeitorias 
 
Exceto disposição em contrário, o locatário goza do direito de retenção, no caso de benfeitorias necessárias, 
ou no de benfeitorias úteis, se estas houverem sido feitas com expresso consentimento do locador, conforme 
prevê o artigo 578 da lei civil. Atenção: Sobre o tema veja V Jornada de Direito Civil, vejamos: “Art. 424. A 
cláusula de renúncia antecipada ao direito de indenização e retenção por benfeitorias necessárias é nula em 
contrato de locação de imóvel urbano feito nos moldes do contrato de adesão” (Enunciado n. 433). 
 
5.12. A locação na Lei n. 8.245/91 
 
Esta lei se aplica somente nas relações locatícias de imóvel urbano, consoante previsto em seu artigo 1º. 
 
5.12.1. Ações inquilinárias ou locatícias 
 
5.12.1.1. Conceito 
 
São quatro as ações previstas na lei de locações: a de despejo, a consignatória de alugueres e encargos 
locatícios, a revisional de aluguel e a renovatória de imóveis não residenciais. 
 
Além dessas, poderão ser propostas também: a ação de execução dos encargos locatícios, conforme disposto 
no artigo. 585, inciso V, do CPC/73 (corresponde ao art. 784, VIII, do CPC/15), e a indenizatória, pelo locatário 
em face do locador, alegando que o imóvel locado apresentava defeitos causadores tanto de danos morais 
quanto de materiais. 
 
 
 
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Portanto, a Lei n. 8.245/91 é uma norma híbrida, pois cuida de aspectos materiais, procedimentais, como 
também processuais. 
 
5.12.1.2. Lei do inquilinato: aspectos gerais 
 
Algumas questões relevantes devem ser analisadas no estudo da Lei 8.245/91. O primeiro ponto a ser 
analisado é o juízo competente para propor as ações de despejo. Aqui se aplica a regra de competência do 
foro da situação da coisa, disposta no artigo 95 do CPC/73 (corresponde ao art. 47, do CPC/15), por trazer 
maior facilidade ao juízo a proximidade com o bem objeto do desalijo. 
 
Como previsto pelo artigo 58 da Lei n. 8.245/91, o valor da causa para a propositura da ação de despejo 
corresponderá a 12 meses de aluguel, ou, na hipótese do inciso II do artigo 47, a três salários vigentes por 
ocasião do ajuizamento. 
 
Segundo recente entendimento do STJ, o despejo para uso próprio poderá ser proposto nos Juizados Especiais 
Cíveis, posto que os incisos do artigo 3º da Lei n. 9.099/95 não são cumulativos e o inciso III do mesmo artigo 
não possui limite de valor tanto para bens imóveis como para os alugueres vencidos ou vincendos, se os 
mesmos existirem. Por último, deve ser esclarecido que o recurso contra sentença proferida, nesses casos, 
será o de apelação e deverá ser recebido somente no efeito devolutivo, permitindo assim o diploma legal, a 
execução provisória do julgado. 
 
5.12.1.3. Espécies 
 
5.12.1.3.1. Ação de despejo (arts. 59 a 66 da Lei n. 8.245/91) 
 
a) É a única ação que o locador pode sugerir para recuperar o imóvel objeto da locação. 
b) Tem natureza de ação de rescisão de dissolução contratual, com natureza eminentemente pessoal e não 
possessória ou real. 
c) Segue o rito ordinário, consoante artigo 59 da Lei n. 8.245/91. 
d) No polo passivo figurará o locatário, sublocatário e/ou quem o tenha legitimamente substituído. 
e) É permitido o deferimento de medidas liminares inaudita altera pars, conforme § 1º do artigo 59 da Lei n. 
8.245/91. 
f) O despejo também poderá ocorrer por denúncia cheia ou vazia. A primeira ação está baseada no artigo 47 
da lei do inquilinato; já a segunda

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