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volume 10 - número 01 • Jan/Mar 2011www.at lant icaedi tora.com.br
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
ISSN 16778510
ESPORTE
•	 Lesões	em	atletas	de	seleção	amadora	de	futebol
•	 Riscos	e	benefícios	do	treinamento	resistido	para	
adolescentes
•	 Manipulação	da	ordem	dos	exercícios	no	treinamento	resistido
NUTRIÇÃO
•	 Consumo	de	cálcio	por	mulheres
FISIOLOGIA
•	 Cinesioalongamento	e	propriocepção	de	joelho
•	 Diferentes	repetições	no	alongamento	dos	músculos	
isquiotibiais
CARDIOLOGIA
•	 Exercícios	físicos	para	hipertensos
ELETROMIOGRAFIA
•	 Atividade	eletromiográfica	da	musculatura	abdominal
SÍNDROME METABÓLICA
•	 Síndrome metabólica: aspectos clínicos e tratamento
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21-24 
ABRIL 
2011
SANTOS|SP
PRATIQUE
CONTEÚDO
ESTE
90 DOS MAIORES PALESTRANTES DO BRASIL EM 88 CURSOS: MUSCULAÇÃO E PERSONAL TRAINING, TREINAMENTO 
FUNCIONAL, BEM-ESTAR, FITNESS, ESPORTES E MUITO MAIS  12 PALESTRANTES INTERNACIONAIS TRAZEM AS 
NOVIDADES E TENDÊNCIAS MUNDIAIS  WORKOUT FITNESS SHOW: O GRANDE ESPETÁCULO DO FITNESS RESGATA 
A AERÓBICA E OUTRAS MODALIDADES  ATUAÇÃO MULTIDISCIPLINAR COM IDOSOS, FÓRUM INTERNACIONAL DE 
TREINAMENTO FUNCIONAL E BELEZA SAUDÁVEL: CURSOS ESPECIAIS COM A CHANCELA DO INSTITUTO FITNESS BRASIL
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volume 10 - número 02 • Abr/Jun 2011www.at lant icaedi tora.com.br
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DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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ISSN 16778510
ESPORTE
•	 Agilidade	no	futsal
•	 Autonomia	funcional	de	idosos
NUTRIÇÃO
•	 Imagem	corporal	de	atletas
•	 Estado	de	hidratação	de	idosos
•	 Antioxidantes	na	prevenção	da	lesão	muscular
FISIOLOGIA
•	 Movimento	repetitivo	e	fadiga	muscular
•	 Treinamento	aeróbio	em	hemiparéticos
HIPERTENSÃO ARTERIAL
•	 Benefícios	do	treinamento	resistido	e	aeróbio
DIABETES
•	 Exercícios	de	alta	intensidade	para	indivíduos	
com	resistência	à	insulina
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volume 10 - número 03 • Jul/Set 2011www.atlanticaeditora.com.br
ISSN 16778510
ESPORTE
• Percentual de carga máxima dinâmica e treinamento de força
• Flexibilidade no desenvolvimento da força muscular
• Exercício físico e alterações hormonais
• Cortisol e exercício
NUTRIÇÃO
• Nutrição e suplementação no futebol
• Taxa de sudorese e antropometria de nadadoras
FISIOLOGIA
• Centro de pressão corporal após estabilização central
• Maturação esquelética versus idade cronológica no futebol
• Idade cronológica e idade motora de alunos do ensino 
fundamental
CARDIOLOGIA
• Exercício resistido em indivíduos com cardiomiopatia 
chagásica
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Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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volume 10 - número 04 • Out/Dez 2011www.atlanticaeditora.com.br
ISSN 16778510
ESPORTE
• Efeitos do método Pilates nos valores glicêmicos
• Utilização do strap na puxada fechada
• Lesões em atletas de elite da prova de salto em altura
• Treinamento aeróbio em portadores de diabetes tipo 2
• Vibração mecânica e treinamento de força
NUTRIÇÃO
• Atividade física e suplementos dietéticos
• Efeitos da suplementação com carboidrato gel
FISIOLOGIA
• Alterações fisiológicas em praticantes de ciclismo indoor
HIV/AIDS
• Disfunção anatômica em HIV/AIDS
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Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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EDITORIAL
No mundo do conhecimento, Pedro Paulo da Silva Soares ...................................................................................................3
ARTIGOS ORIGINAIS
Recomendação de exercícios físicos para hipertensos por cardiologistas de Londrina/PR, 
Alexandre Antunes Imazu, Marcos Doederlein Polito .............................................................................................................4
Efeitos do cinesioalongamento na propriocepção de joelho: ensaio clínico controlado, 
Marina Bernardi, Alberito Rodrigo de Carvalho .....................................................................................................................8
Consumo de cálcio por mulheres praticantes de atividade física de um parque 
do município de São Paulo, Alessandra Hellbrugge, Andrea Vargas G. Soares, 
Caroline Raele, Cássia R. Rolim Cauchioli, Edinéia Menezes, Giovanna Mauro, Marcia Nacif ............................................15
Levantamento das lesões ocorridas em atletas da seleção amadora de futebol 
de Primavera do Leste/MT em 2010, Joaquim Ribeiro de Souza Junior, Milton Alcover Neto ...........................................19
Atividade eletromiográfi ca da musculatura abdominal associada à expiração forçada, 
Nilton Souza Carvalho Júnior, Gabriel Ribeiro, Mauricio Malthes Ribeiro .........................................................................23
Máxima oxidação de gorduras em bombeiros da polícia militar do Paraná: 
análise da correlação entre o consumo máximo de oxigênio e o quociente 
respiratório não-protéico, Denis Bruno Ranzani, Francisco Navar ro ..................................................................................31
Comparação de diferentes números de repetições no alongamento dos músculos 
isquiotibiais em atletas do sexo feminino, Alisson Guimbala dos Santos Araújo, 
Karina da Costa Casagrande, Kátia da Maia .........................................................................................................................36
REVISÕES
Manipulação da ordem dos exercícios na prescrição do treinamento resistido, 
Ramires Alsamir Tibana, Sandor Balsamo .............................................................................................................................41
Riscos e benefícios do treinamento resistido para adolescentes, 
Ana Carolina de Campos, Luis Fernando da Silva, Jean Flávio Alves, 
Paulo Ferreira de Araújo, Rita de Fátima da Silva..................................................................................................................46
Síndrome metabólica: aspectosclínicos e tratamento, Izulpério Cardoso Olevate, 
Marcus Vinicius de Mello Pinto, Lamara Laguardia Valente Rocha, Mário Antônio Baraúna ...............................................53
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................... 61
EVENTOS ................................................................................................................................................................. 62
Índice
volume 10 número 1 - janeiro/março 2011
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DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 20112
© ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada 
ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri-
ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à 
confiabilidade dos produtos, métodos, instruções ou idéias expostos no material publicado. Apesar de todo o material publicitário 
estar em conformidade com os padrões de ética da saúde, sua inserção na revista não é uma garantia ou endosso da qualidade ou 
do valor do produto ou das asserções de seu fabricante.
Atlântica Editora edita as revistas Fisioterapia Brasil, Enfermagem Brasil, Neurociências e Nutrição Brasil
I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes.
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DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, 
Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício está indexada no SIBRADID 
(Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva)
Editor Chefe
Paulo de Tarso Veras Farinatti
Editor Associado
Pedro Paulo da Silva Soares
Walace Monteiro
Conselho Editorial
Amandio Rihan Geraldes (AL)
Antonio Carlos Gomes (PR)
Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ)
Benedito Sérgio Denadai (SP)
Dartagnan Pinto Guedes (PR)
Douglas S. Brooks (EUA)
Emerson Silami Garcia (MG)
Francisco Martins (PB)
Francisco Navarro (SP)
Luiz Carnevali (SP)
Luiz Fernando Kruel (RS)
Martim Bottaro (DF)
Patrícia Chakour Brum (SP)
Paulo Sérgio Gomes (RJ)
Robert Robergs (EUA)
Rosane Rosendo (SC)
Sebastião Gobbi (SP)
Steven Fleck (EUA)
Yagesh N. Bhambhani (CAN)
Vilmar Baldissera (SP)
Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço de e-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
Administração e vendas
Antonio Carlos Mello
mello@atlanticaeditora.com.br
Atlântica Editora 
e Shalon Representações
Praça Ramos de Azevedo, 206/1910
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Atendimento
(11) 3361 5595 / 3361 9932
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Assinatura
1 ano (4 edições ao ano): R$ 160,00
Editor executivo
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Editor assistente
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Direção de arte
Cristiana Ribas
cristiana@atlanticaeditora.com.br
E-mail: atlantica@atlanticaeditora.com.br
www.atlanticaeditora.com.br
3Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Editorial
No mundo do conhecimento
Pedro Paulo da Silva Soares, Editor Associado
O Corpo Editorial da Revista Brasileira de Fisiologia 
do Exercício (RBFEx) saúda a todos os leitores, autores 
e colaboradores de nossa revista nesse ano de 2011 que, 
para nós, se inicia efetivamente com a publicação de mais 
um número da RBFEx. Sabemos que os manuscritos que 
se encontram neste número são frutos de intenso trabalho 
desenvolvido bem antes do início do ano corrente e traduzem 
um investimento de longo prazo na investigação da fi siologia 
do exercício nas suas diversas vertentes. Identifi camos com 
satisfação que, hoje, a RBFEx tem se tornado a primeira 
opção de diversos autores como o veículo de divulgação 
científi ca de seus trabalhos. 
Observamos uma evolução positiva tanto no número de 
submissões, quanto na qualidade dos manuscritos, no que se 
refere a desenhos experimentais bem elaborados e métodos 
que mostram progressiva sofi sticação. Nossa revista se apresen-
ta como uma atraente opção para a publicação de estudos nas 
áreas básica, experimental e aplicada da fi siologia do exercício, 
uma vez que nosso público alvo é bastante amplo e tem nos 
apresentado, para além do interesse constante, avaliações 
positivas da RBFEx tanto para o formato e apresentação, 
quanto para seu conteúdo. 
Gostaríamos de enfatizar que estamos num momento 
bastante promissor em nosso país, com fi nanciamento para 
pesquisa como nunca antes visto e com a proximidade de 
dois eventos de dimensões globais, a Copa do Mundo de 
Futebol e os Jogos Olímpicos. Esse conjunto de fatores fa-
vorece um ambiente favorável para a produção e divulgação 
científi ca em nossa área, cabendo a nós o dever de atender 
a uma crescente demanda que se apresenta na procura de 
profi ssionais interessados na pós-graduação ou na aplicação 
direta do conhecimento científi co para promoção da saúde e 
desempenho esportivo. 
Nestes últimos anos no Brasil, observamos um crescimento 
extraordinário do número de pesquisadores e de nossa pro-
dução científi ca, o que simboliza nossa inserção no “mundo 
do conhecimento”. De fato, nosso crescimento foi superior 
a diversos países considerados desenvolvidos e grandes pro-
dutores de conhecimento científi co. Entretanto, muito ainda 
precisa ser feito. Embora publicações internacionais tenham 
maior impacto e visibilidade externa, o fortalecimento das 
publicações nacionais também consiste em fator determinante 
do nosso desenvolvimento. Devemos, portanto, valorizar 
nossas revistas em língua portuguesa e acolher trabalhos de 
qualidade comprovada em nossas publicações, abrindo espaço 
para a consolidação de grupos de pesquisa em todo o país e 
oferecendo aos profi ssionais da área uma leitura atualizada e 
de qualidade. Ainda mais, um passo determinante a ser dado 
é o da incorporação efetiva dos achados científi cos com toda 
sua interdisciplinaridade na comunidade dos profi ssionais 
envolvidos com o exercício físico.
A RBFEx está em consonância com esta demanda, o que 
pode ser observado nas suas páginas. Estamos certos de que 
os autores encontrarão na RBFEx um periódico de qualidade 
crescente e leitores críticos e ávidos por material original e 
revisões bem redigidas e atualizadas.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 20114
Artigo original
Recomendação de exercícios físicos para hipertensos 
por cardiologistas de Londrina/PR
Physical exercise recommendation to hypertensive patients suggested 
by cardiologists from Londrina/PR
Alexandre Antunes Imazu*, Marcos Doederlein Polito, D.Sc.**
*Unidade de Medicina Preventiva - Unimed Londrina,** Departamento de Educação Física, Universidade Estadual de Londrina
Resumo
Introdução: O médico cardiologista deve possuir um conhe-
cimento sufi ciente sobre exercício físico para poder realizar reco-
mendações básicas aos pacientes hipertensos. Objetivo: Verifi car 
as recomendações de exercícios físicos para pacientes hipertensos 
realizadas pelos médicos cardiologistasda cidade de Londrina - PR. 
Método: Foi elaborado um questionário contendo seis questões que 
abordaram conceitos e condutas nas recomendações de exercícios. 
O documento foi entregue e recolhido pessoalmente no local de 
atendimento dos médicos. Dos 64 profi ssionais cadastrados no 
Conselho Regional de Medicina do Paraná, 40 foram localizados 
e 25 participaram do estudo. Resultado: O teste do qui-quadrado 
não identifi cou diferenças entre as recomendações dos médicos 
e as recomendação atuais de exercícios físicos para hipertensos. 
Conclusão: Embora no contexto geral os cardiologistas recomen-
dem adequadamente o exercício físico para hipertensos, ainda foi 
identifi cado que uma pequena quantidade de profi ssionais possui 
superfi cialidade em relação ao tema em questão. 
Palavras-chave: pressão arterial, exercício físico, hipertensão 
arterial sistêmica. 
Abstract
Introduction: Th e cardiologist physician should have suffi cient 
knowledge about physical exercise in order to recommend it for 
hypertensive subjects. Aim: To verify which are the recommenda-
tions concerning physical exercise for hypertensive subjects suggested 
by cardiologists from Londrina/PR. Methods: A questionnaire with 
six questions which consisted of concepts and conducts in exercise 
recommendations was elaborated. Th e questionnaire was handed 
and collected in person at the work place the cardiologists provided 
consultation. Sixty-four cardiologists were registered at the Regio-
nal Medical Council of Paraná, but 40 were found and only 25 
participated in this study. Results: Th e chi-square test did not fi nd 
diff erences between cardiologists and current exercise recommenda-
tions to hypertensive subjects. Conclusion: Although cardiologists, 
in general, recommend adequate exercise to hypertensive patients, 
a small group of professionals have still little information about 
exercise and hypertension.
Key-words: blood pressure, exercise, hypertension. 
Recebido em 8 de outubro de 2010; aceito em 8 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Prof. Dr. Marcos Doederlein Polito, Departamento de Educação Física, Universidade Estadual de 
Londrina, Rodovia Celso Garcia Cid km 380, 86051-980 Londrina PR, Tel: (43) 3371-4238, E-mail: marcospolito@uel.br
5Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Introdução
Dentre as diversas estratégias para auxiliar na prevenção 
e no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, o exercício 
físico regular é uma das menos onerosas [1]. Além disso, pos-
sibilita modifi cações fi siológicas nos tecidos cardíaco, vascular 
e musculoesquelético que, independentemente da alteração na 
pressão arterial de repouso, pode representar menor chance 
de morte por doença do coração [2].
Contudo, para que ocorram os benefícios induzidos pelo 
exercício físico, a sua prescrição deve respeitar determinadas 
variáveis, tais como intensidade, duração e frequência se-
manal do esforço [3]. Após os exames clínicos necessários, 
o profi ssional da área da educação física, na maioria dos 
casos, é o responsável pela prescrição e acompanhamento do 
exercício físico tanto no indivíduo hipertenso quanto no não 
hipertenso [4]. Entretanto, devido ao médico estabelecer o 
primeiro contato com o paciente, frequentemente é sugerido 
por este profi ssional algum tipo de atividade física. Porém, a 
formação universitária do médico pode não contemplar todo 
o conhecimento científi co necessário para o entendimento da 
fi siologia do exercício [5], o que poderia se relacionar com 
recomendações não adequadas de exercício para determinado 
grupo de indivíduos.
Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi comparar 
as recomendações de exercício físico para pessoas hipertensas 
realizadas pelos cardiologistas da cidade de Londrina (PR) 
com as recomendações do Colégio Americano de Medicina 
do Esporte - ACSM [6]. 
Material e métodos
Através de consulta à página eletrônica do Conselho 
Regional de Medicina do Paraná em julho de 2009, foram 
identifi cados 64 médicos cardiologistas que atuavam na cidade 
de Londrina/PR. O endereço profi ssional de cada médico 
foi obtido pela página eletrônica da Associação Médica de 
Londrina ou pela listagem impressa de planos de saúde. Do 
total dos 64 médicos, 24 não receberam o questionário para 
participação. Destes, cinco atuavam somente em um hospi-
tal da cidade, o que difi cultou o acesso aos profi ssionais por 
não possuir um responsável pela entrega do documento; 12 
médicos não foram localizados devido aos endereços estarem 
incompletos ou desatualizados; seis não foram encontrados 
por incompatibilidade de horários entre o médico e o pes-
quisador; um médico estava viajando no período da pesquisa.
Deste modo, 40 questionários foram entregues pesso-
almente nos endereços profi ssionais. Para assegurar impar-
cialidade nas respostas, os questionários foram confi ados à 
secretária ou recepcionista no local de atuação após breve 
explanação da pesquisa. Após uma semana, o pesquisador 
recolhia os questionários, os quais se encontravam inseridos 
em envelope lacrado e sem qualquer identifi cação pessoal dos 
médicos. Dos 40 questionários, 12 não foram devolvidos, 
apesar de contato telefônico e duas passagens do pesquisador 
para recolhimento. De forma explícita, dois cardiologistas se 
negaram a participar da pesquisa e um justifi cou a devolução 
do questionário em branco por não atuar clinicamente. Assim, 
foram devolvidos 25 questionários devidamente preenchidos, 
correspondendo a 62,5% do total entregue.
O questionário foi elaborado contendo seis questões 
fechadas com o intuito de se conhecer as recomendações dos 
médicos cardiologistas sobre exercício físico/atividade física 
para a população hipertensa na prevenção e tratamento da 
doença. Por escrito, foi incluída a orientação de respostas das 
questões. O conteúdo das questões e as opções de respostas 
podem ser visualizados na Figura 1.
O modelo de comparação entre as respostas dos médicos e 
as respostas esperadas foi o Posicionamento Ofi cial do Colégio 
Americano de Medicina do Esporte [6], por se tratar de uma 
entidade de pesquisa internacionalmente reconhecida que 
associa o aspecto clínico à prescrição do exercício. Além disso, 
no referido documento, há uma indicação qualitativa sobre 
as evidências científi cas nos temas abordados.
A análise dos dados foi realizada de forma descritiva e, de 
forma inferencial, pelo teste do qui-quadrado e pela correlação 
de Spearman, considerando como nível de signifi cância esta-
tístico o valor de p menor que 0,05. Os dados foram analisados 
no programa Statistica (7.0, Statsoft, Tulsa, OK, EUA).
Figura 1 - Modelo do questionário aplicado aos cardiologistas de 
Londrina/PR.
Em sua opinião, a atividade física regular pode auxiliar no 
tratamento de hipertensão arterial?
( ) concordo totalmente
( ) concordo parcialmente
( ) discordo totalmente
( ) discordo parcialmente
( ) não tenho opinião
Em sua opinião, a atividade física regular pode auxiliar na 
prevenção da hipertensão arterial?
( ) concordo totalmente
( ) concordo parcialmente
( ) discordo totalmente
( ) discordo parcialmente
( ) não tenho opinião
Você recomenda exercício de musculação ou outra atividade 
com pesos para pacientes hipertenso?
( ) sempre
( ) na maioria dos casos, dependendo do paciente
( ) na minoria dos casos, dependendo do paciente
( ) não
Você recomenda exercício aeróbico (caminhada, bicicleta, 
hidroginástica, etc.) para pacientes hipertensos? 
( ) sempre
( ) na maioria dos casos, dependendo do paciente
( ) na minoria dos casos, dependendo do paciente
( ) não
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 20116
Em geral, qual a duração aproximada que você indicaa prá-
tica da atividade física para a maioria dos pacientes hiperten-
sos? 
( ) até 20 min
( ) até 30 min
( ) acima de 30 min
( ) não recomendo duração fixa
( ) não recomendo atividade física
Em geral, qual a intensidade de esforço aproximada que você 
indica a prática da atividade física para a maioria dos pacien-
tes hipertensos:
( ) leve
( ) moderada
( ) forte
( ) não recomendo intensidade fixa
( ) não recomendo atividade física
Resultados
Em relação à primeira questão: “Em sua opinião, a ativi-
dade física regular pode auxiliar no tratamento da hipertensão 
arterial?”, todos os médicos assinalaram a opção “concordo 
totalmente”. Na segunda questão: “Em sua opinião, a ativi-
dade física regular pode auxiliar na prevenção da hipertensão 
arterial?”, 23 médicos (92%) assinalaram a opção “concordo 
totalmente” e os demais assinalaram a opção “concordo 
parcialmente”.
Houve maior divergência de opiniões na terceira questão: 
“Você recomenda exercício de musculação ou outra atividade 
com pesos para pacientes hipertensos”. Nesse caso, a maior parte 
dos médicos (60%) assinalou a opção “na maioria dos casos, 
dependendo do paciente”, enquanto 28% assinalaram a opção 
“na minoria dos casos, dependendo do paciente”. Ainda houve 
médicos (8%) que alegaram nunca recomendar tal atividade, 
enquanto 4% sempre recomendariam. Em relação à quarta 
questão: “Você recomenda exercício aeróbio – caminhada, 
bicicleta, hidorginástica etc. – para pacientes hipertensos?”, 
80% dos médicos sempre recomendam o exercício aeróbio para 
pacientes hipertensos, enquanto 16% assinalaram a opção “na 
maioria dos casos, dependendo do paciente” e 4% marcaram 
“na minoria dos casos, dependendo do paciente”.
Na quinta questão: “Em geral, qual a duração aproximada 
que você indica a prática da atividade física para a maioria dos 
pacientes hipertensos?”, 21 médicos (84%) recomendam du-
ração acima de 30 min, dois (8%) não recomendam duração 
fi xa e outros dois (8%) recomendam duração de até 30 min.
Finalmente, na última questão: “Em geral, qual a inten-
sidade de esforço aproximada que você indica a prática da 
atividade física para a maioria dos pacientes hipertensos?”, 
22 médicos (88%) indicaram a intensidade moderada; um 
(4%) recomendou intensidade leve, um (4%) recomendou 
intensidade forte e um (4%) não recomenda intensidade fi xa.
De acordo com as recomendações do ACSM [6], as respos-
tas esperadas seriam: “concordo totalmente” para as questões 
1 e 2; “na maioria dos casos, dependendo do paciente” para a 
questão 3; “sempre” para a questão 4; “acima de 30 min” para 
a questão 5; “moderada” para a questão 6. Nesse sentido, o 
teste do qui-quadrado não identifi cou diferenças signifi cativas 
entre as respostas dos médicos e as respostas esperadas. A cor-
relação de Spearman não identifi cou médicos que atribuíssem 
as mesmas opções em diferentes respostas.
Discussão
De forma geral, os cardiologistas de Londrina (PR) 
orientam seus pacientes hipertensos de acordo com as atuais 
recomendações de exercício físico [6]. Independentemente 
de possíveis lacunas existem nos currículos das faculdades de 
medicina sobre o conteúdo de medicina do esporte (ou do 
exercício) [5], os eventos periódicos de atualização profi ssional 
tendem a contemplar temas relacionados com o exercício. Isso 
pode contribuir para que as recentes evidências científi cas em 
relação ao exercício e à doença sejam apresentadas e discutidas.
Contudo, a análise minuciosa das respostas possibilita 
verifi car algumas discrepâncias. Por exemplo, na segunda 
questão, 92% concordaram totalmente que o exercício físico 
pode auxiliar na prevenção da hipertensão arterial. Os demais 
concordaram parcialmente. De fato, o ACSM [6] não afi rma 
que o exercício físico previna o aparecimento da hipertensão 
arterial. No entanto, existe a possibilidade de pessoas com 
melhor condicionamento físico possuírem menores valores de 
pressão arterial em repouso [7]. Nessa ótica, como a questão 
sugere uma possibilidade, alguns médicos parecem não estar 
totalmente atualizados em relação ao assunto exposto.
Na terceira questão, sobre o treinamento com pesos 
ou musculação, o ACSM [6] não considera tal atividade 
como signifi cativamente efi ciente para auxiliar na redução 
da pressão arterial de repouso, mas pode ser indicada para 
compor a rotina de treinamento físico por aumentar os 
níveis de força e resistência muscular. No entanto, durante 
o exercício de musculação, a pressão arterial possui grande 
potencial de aumento e em curto tempo [8], o que limita a 
indicação desta modalidade de exercício a algumas pessoas [9]. 
Por outro lado, pessoas com maior força muscular possuem 
menor incremento da pressão arterial durante o exercício, o 
que pode resultar em considerável segurança cardiovascular 
nas atividades diárias que exigirem contração muscular com 
elevado componente estático [10]. Dessa forma, entende-se 
que a musculação é uma atividade que pode ser indicada aos 
hipertensos, dependendo do caso. No presente estudo, 36% 
dos médicos são resistentes a tal atividade física (somando os 
que não recomendam com os que recomendam na minoria 
dos casos) e 4% recomendam sempre. Assim, 40% da amostra 
não segue as recomendações adequadas, o que sugere necessi-
dade de maior investimento sobre o conhecimento dos efeitos 
do exercício de musculação no hipertenso.
Em contrapartida, quanto ao exercício aeróbio, 80% dos 
médicos afi rmaram recomendar sempre tal atividade física, 
7Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
enquanto os demais recomendam com algum tipo de restri-
ção. Segundo o ACSM [6], as evidências científi cas permitem 
concluir que o exercício aeróbio é o mais efi ciente para reduzir 
a presão arterial. Devido ao fácil controle de intensidade e 
duração, são raras as situações em que uma pessoa hipertensa 
seria clinicamente impedida de se exercitar aerobiamente. 
Apenas em casos de a doença estar sem controle ou existir 
problemas associados, como a doença cardíaca, poderia limitar 
o esforço físico [11].
As demais questões abordaram a duração e a intensidade 
do exercício. Sobre a duração do esforço, pode-se concluir 
que todos os médicos a recomendaram de forma adequada, 
não se afastando das sugestões do ACSM [6]. Ou seja, em 
torno de 30 min ou de acordo com as condições físicas do 
praticante. Já em relação à intensidade, a mais indicada seria 
a moderada [7]. Contudo, houve também a indicação de in-
tensidade forte, o que pode representar esforço desnecessário. 
A redução da pressão arterial pelo exercício aeróbio é mais 
efi ciente em níveis de esforço moderado ou baixo; e durante 
o exercício com pesos, a intensidade forte pode representar 
aumentos exagerados na pressão arterial. Embora seja pos-
sível uma pessoa hipertensa realizar um treinamento físico 
em nível de grande intensidade [12], ainda são necessárias 
maiores investigações.
Conclusão
Os resultados do presente estudo permitiram mostrar 
que os médicos da cidade de Londrina (PR) recomendam 
adequadamente exercícios para hipertensos. Não obstante, 
em alguns casos, houve respostas diferentes daquelas que 
seriam esperadas (mesmo que não signifi cativas). Como a 
análise estatística não acusou que o mesmo médico “errasse” 
em diferentes questões, signifi ca que alguns médicos são mais 
atualizados que outros em certos conceitos.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 20118
Artigo original
Efeitos do cinesioalongamento na propriocepção 
de joelho: ensaio clínico controlado
The effects of multiple stretching stimuli (kinesio-stretching) 
in knee proprioception: controlled clinical trial
Marina Bernardi, Ft.*, Alberito Rodrigo de Carvalho**
*Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – Campus Cascavel, **Docente do Curso de Fisioterapia da Universida-
de Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Campus Cascavel, Especialista em Fisioterapia Traumato Ortopédica, Mestrando no 
programa de Ciências do Movimento Humano UFRGS
Os dados deste trabalho foram apresentados no I Congresso Internacional de Fisioterapia da Faculdade de Ciências e 
Tecnologia – UNESP – Presidente Prudente/SP em agosto de 2010 e constam nos anais do evento.
Resumo
Objetivo: Avaliar o efeito do cinesioalongamento para membros 
inferiores em jovens sedentárias, com encurtamento de cadeia 
posterior, sobre a acurácia proprioceptiva do joelho representada 
pelo senso de posição articular (T2) e o limiar de percepção de 
movimentos passivos lentos (T1). Métodos: 17 mulheres divididas 
aleatoriamente em dois grupos: GC (n = 7/20,7 ± 1,7anos) e GCA 
(n = 10/21,2 ± 1,8anos). Mensurou-se a acurácia proprioceptiva 
pelos testes (T1) e (T2). Nos dois testes as participantes sinaliza-
ram ao atingir o ângulo alvo, registrando-se os valores angulares 
realizados efetivamente. O “valor de erro”, que refl etiu a acuidade 
proprioceptiva, foi determinado pela diferença entre o ângulo alvo 
e aquele realizado. As medidas foram feitas antes (ΔINI) e após 
(ΔFIN) a intervenção. O grupo GCA foi submetido a oito padrões 
do cinesioalongamento. Resultados: Nas comparações intragrupos 
o GCA melhorou no T1 (ΔINI = 7,11/ΔFIN = 2,56/p < 0,05) e 
no T2 (ΔINI = 5,01/ΔFIN = 2,75/p < 0,05). Já o GC piorou no 
T2 (ΔINI = 3,34/ΔFIN = 4,38/p < 0,05) e não houve diferença no 
T1. Nas comparações intergrupos, não houve diferença, para ambos 
os testes, na acuidade proprioceptiva no ΔINI; já no ΔFIN o GCA 
apresentou valores de erro signifi cativamente menores (p < 0,05) que 
o GC (ΔFIN: T1/GC = 5,64 GCA = 2,56; T2/GC = 4,38 GCA = 
2,75). Conclusão: O cinesioalongamento foi efi caz para aprimorar 
a acuidade proprioceptiva de joelho.
Palavras-chave: propriocepção, artrometria articular, cinestesia, 
joelho, exercícios de alongamento muscular.
Abstract
Objective: To evaluate the eff ect of multiple stretching stimuli 
for lower limbs in young sedentary, with shortening of the posterior 
chain, on proprioceptive accuracy represented by the knee joint 
position sense (T2) and threshold of perception of passive move-
ments slow (T1). Methods: 17 women were divided randomly into 
two groups: GC (n = 7/20.7±1.7 years) and GCA (n = 10/21.2 ± 
1.8 years). Th e accuracy was measured by tests (T1) and (T2. In 
both trials participants signaled when it reaches the target angle, 
registering the angles be performed eff ectively. Th e “value error”, 
which refl ected the proprioceptive acuity was determined by the 
diff erence between the angle target and that done. Measurements 
were made before (ΔINI) and after (ΔFIN) intervention. Th e GCA 
group underwent eight standards multiple stretching stimuli. Results: 
Th e intra-group comparisons at T1 improved the GCA (ΔINI = 
7.11/ΔFIN = 2.56/p < 0.05) and T2 (ΔINI = 5.01/ ΔFIN = 2.75/p 
< 0.05). But the GC has worsened in T2 (ΔINI = 3.34/ΔFIN = 
4.38/p < 0.05) and no diff erence in T1. Comparisons between 
groups showed no diff erence, for both tests, the proprioceptive 
acuity in ΔINI, already presented in the GCA ΔFIN error values 
signifi cantly lower (p < 0.05) than the GC (ΔFIN: T1/GC = 5.64 
GCA = 2.56; T2/GC=4.38 GCA=2.75). Conclusion: Th e multiple 
stretching stimuli were eff ective to improve proprioceptive acuity 
in knee.
Key-words: proprioception, articular arthrometry, kinesthesis, knee, 
muscle stretching exercises.
Recebido em 12 de janeiro de 2011; aceito em 9 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Prof. Alberito Rodrigo de Carvalho, Clínica Escola de Fisioterapia da UNIOESTE, Rua Universitária, 
1619, Jardim Universitário, 85819-110 Cascavel PR, Tel: (45) 3220-3000, E-mail: rct_ina@yahoo.com.br, alberitorodrigo@gmail.com
9Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Introdução
A maioria dos portadores de distúrbios musculoesquelé-
ticos podem se benefi ciar dos recursos fi sioterapêuticos, pois 
entre os principais objetivos da fi sioterapia encontram-se 
a restauração e/ou manutenção da capacidade funcional 
através de várias técnicas, dentre elas, os exercícios terapêu-
ticos. Muito embora vários desses recursos já tenham sido 
investigados quanto a sua efi cácia [1,2], outras técnicas 
vêm ganhando mercado sem que haja, ainda, evidências 
científi cas a seu favor.
Profissionais do Centro Brasileiro de Fisioterapia 
(CEBRAF) preconizam a utilização de uma modalidade 
terapêutica alternativa para ganho de fl exibilidade denomi-
nada cinesioalongamento [3]. Trata-se de um conjunto de 
movimentos de fl exibilidade que combina três momentos de 
alongamento: alongamento estático ativo, passivo e facilita-
ção neuromuscular proprioceptiva (FNP), respectivamente, 
sendo que este último momento é, por si só, um método de 
fl exibilização que combina alongamento estático, contração 
e relaxamento isométricos, seguidos de outro alongamento 
estático [4]. Desta forma o cinesioalongamento tem o ob-
jetivo de desenvolver a valência física da fl exibilidade por 
meio de mecanismos neurológicos e biomecânicos pautados 
na melhora do recrutamento neuromotor, que pode ser jus-
tifi cado pela potencialização das aferências proprioceptivas, 
alcançada com os movimentos realizados dentro de padrões 
funcionais [3]. 
A argumentação para o uso clínico do cinesioalongamento 
se apoia em conceitos, previamente estabelecidos por outros 
estudos, relacionados à infl uência da força muscular e da fl e-
xibilidade sobre a propriocepção e o equilíbrio. Isto porque 
os mecanorreceptores, fusos musculares e órgãos tendinosos 
de golgi(OTGs) convertem as cargas impostas aos tecidos em 
impulsos aferentes, os quais são integrados na programação 
motora, após terem sido processados pelo sistema nervoso 
central (SNC), que controla o tônus e a ativação/desativação 
da dinâmica agonista/antagonista do controle neuromuscular 
[5-7]. Durante estímulos funcionais, há uma adaptação dos 
refl exos proprioceptivos com consequente alteração do estado 
mecânico dos músculos e tecidos adjacentes [8].
Entretanto, em virtude da recente comercialização do 
método, visto que ainda poucos profi ssionais são habilitados 
a empregá-la, há uma carência de trabalhos científi cos que 
sustentem sua aplicação. Portanto este estudo testa a hipótese 
que há melhora da acuidade proprioceptiva do joelho em 
sujeitos submetidos à intervenção baseada no cinesioalonga-
mento para membros inferiores.
Esta investigação teve por objetivo avaliar o efeito do 
cinesioalongamento para membros inferiores em jovens 
sedentárias, com encurtamento de cadeia posterior, sobre a 
acurácia proprioceptiva do joelho representada pelo senso 
de posição articular e o limiar de percepção de movimentos 
passivos lentos. 
Materiais e métodos
Caracterização do estudo e ética da pesquisa
Este estudo, cujo delineamento classifi cou-se como um 
ensaio clínico controlado, foi aprovado pelo Comitê de Ética 
em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Estadual 
do Oeste do Paraná (UNIOESTE) sob o registro CAAE 
0269.0.276.000-08.
Caracterização da amostra e divisão dos grupos
A amostra foi composta de forma intencional e não 
probabilística. Inicialmente, após convite aberto, 20 mu-
lheres, sedentárias, acadêmicas do curso de Fisioterapia da 
UNIOESTE-Cascavel/PR, com idade entre 18 e 35 anos, 
demonstraram interesse em se voluntariar para a pesquisa.
Os objetivos e procedimentos metodológicos foram expli-
cados logo no primeiro contato, e as participantes assinaram 
o termo de consentimento livre e esclarecido em duas vias. 
Em seguida foram submetidas a uma avaliação clínica de 
triagem para verifi cação de possíveis fatores de não inclusão 
e confi rmação da elegibilidade. 
Como critério de inclusão a voluntária deveria apresentar 
retração da cadeia posterior e ser sedentária. 
Os critérios de não inclusão adotados foram: indivíduos 
diabéticos, hipertensos descompensados, com história de 
cardiopatia ou pneumopatias diagnosticadas; indivíduos com 
história de lesões osteomusculares dos membros inferiores 
nos últimos quatro meses; portadores de disfunções tempo-
romandibulares; portadores de disfunções vestibulares; uso de 
drogas que afetam o sistema nervoso central ou o equilíbrio 
tais como os sedativos ou ansiolíticos; etilistas crônicos ou uso 
de álcool nas 24 horas que antecederam os testes; indivíduos 
com comprometimento importante da acuidade visual (ca-
racterizado pela necessidade de ajuda de outras pessoas ou de 
dispositivos de auxílio para a realização das atividades diárias 
em condições de privação do uso de óculos ou lentes). Foram 
excluídas aquelas que faltaram em mais de 40% da interven-
ção, e que não participaram de qualquer uma das avaliações.
Para aquelas aptas a participar do estudo, avaliou-se a 
retração muscular da cadeia posterior, cujo objetivo foi ape-
nas de confi rmar ou refugar o encurtamento muscular para 
inclusão na pesquisa. Descalças, as voluntárias permaneceram 
em posição ortostática com os pés levemente separados (cerca 
de 10 cm) e os joelhos estendidos; na sequência inclinaram 
a cabeça lentamente para baixo, seguida do tronco; e, pos-
teriormente, levaram as mãos em direção ao chão, como se 
quisessem tocá-lo, porém, sem forçar. Ao menor sinal de dor 
ou tensão incômoda o movimento foi cessado. A cadeia poste-
rior foi considerada encurtada se, no momento de interrupção 
do teste, o avaliador observasse ao menos dois dos seguintes 
itens: a) ângulo tíbio-társico maior que 90º (mensurado por 
goniômetro); b) hiperextensão de joelho evidente; c) ângulo 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201110
coxofemoral maior que 90º (medido por goniômetro); d) 
retifi cações vertebrais, reconhecidas como regiões de aplana-
mento da coluna vertebral; e) posição cervical retraída (cabeça 
fi xa em póstero-fl exão). 
Das 20 voluntárias que demonstraram interesse todas 
foram incluídas, fi zeram as avaliações iniciais (ΔINI), e foram 
distribuídas de maneira aleatória, por sorteio, em dois grupos 
com 10 voluntárias cada. Porém, durante a intervenção houve 
exclusão de três participantes. Assim, as composições fi nais 
dos grupos amostrais foram: grupo controle (GC / n = 7; 20,7 
± 1,7 anos) que não recebeu nenhum tipo de intervenção; e 
grupo experimental que foi submetido ao cinesioalongamento 
(GCA / n = 10; 21,2 ± 1,8 anos). 
Procedimentos de avaliação
A mensuração proprioceptiva foi dada pela avaliação 
do senso de posição articular e do limiar de percepção de 
movimentos passivos lentos. Nos dois testes, os valores ob-
tidos foram registrados em graus e avaliados sempre por um 
único examinador, previamente treinado para tal, conforme 
metodologia descrita nos trabalhos de Carvalho et al. [9], em 
2007, e Carvalho et al. [10]. 
Para a mensuração dos valores angulares, utilizou-se um 
goniômetro cujo eixo permaneceu paralelo ao eixo articular 
do joelho com os dois braços do goniômetro fi xados por talas 
de madeira presas a duas faixas de tecido de algodão inelás-
tico e antialérgico com velcros nas duas extremidades para a 
adaptação às distintas circunferências do membro inferior de 
cada avaliada. Uma extremidade foi fi xada na parte distal da 
coxa e a outra na parte proximal da perna. Denominou-se 
este dispositivo de goniômetro fi xo (GF).
O membro inferior escolhido para os testes foi o domi-
nante. As voluntárias se sentaram confortavelmente sobre 
uma maca com altura de 1,20 cm, com as pernas balançando 
livremente e o GF ajustado à articulação na sua face lateral. O 
centro deste se posicionou paralelamente ao eixo articular do 
joelho, localizado sobre a linha articular do joelho. Os olhos 
das voluntárias foram vendados para remover as informações 
visuais. Para ambos os testes realizaram-se testes piloto, sem 
valor para registro, de forma que o indivíduo se familiarizasse 
com o procedimento e erros relacionados à aprendizagem 
fossem evitados. 
Para a mensuração do limiar de percepção de movimentos 
passivos lentos (T1) foram estabelecidos dois ângulos, de 
forma aleatória e por sorteio em um universo de seis ângulos 
entre 10 a 60° graus com intervalos fi xos de 10º entre eles, 
sendo um ângulo para extensão e o outro para fl exão de joelho. 
Em sequência, partindo de uma angulação de 90° de fl exão, a 
perna da voluntária foi movida passivamente em movimento 
de extensão até chegar à angulação pré-determinada pelo 
sorteio e, nesta, o membro foi mantido durante dez segundos 
e depois levado para a posição neutra. Após cinco segundos, 
a perna foi movida novamente, e por três vezes consecutivas 
com intervalos de cinco segundos entre elas, de forma pas-
siva e lenta em direção ao mesmo ângulo, e a voluntária foi 
previamente instruída a comunicar ao examinador para que 
parasse o movimento quando sentisse que sua perna atingiu 
a posição alvo desejada. A posição alcançada foi observada no 
aparelho e registrada pelo examinador. Posteriormente, o teste 
foi repetido para o ângulo estabelecido na fl exão do joelho.
Figura 1 - Goniômetro fi xo (GF) utilizado para a mensuração 
tanto do senso de posição articular quanto do limiar de percepção 
dos movimentos passivos lentos.
Para realizar o teste de senso de posição articular (T2), o 
posicionamento anterior foi mantido e os olhos da voluntária 
permaneceram vendados. Porém, neste teste, três ângulos 
foram sorteados de forma idêntica ao do T1 e estes foramdistribuídos, também por sorteio, entre os movimentos de 
fl exão, um ângulo, e extensão, dois ângulos, da articulação 
do joelho.
Em seqüência, uma dessas posições angulares foi repro-
duzida em movimento passivo. Ao se alcançar o ângulo pré-
determinado pelo sorteio, o membro foi mantido por dez 
segundos e posteriormente devolvido à posição neutra. Após 
cinco segundos a voluntária foi instruída a realizar ativamente 
o movimento e pará-lo ao atingir a posição alvo desejada por 
três vezes consecutivas com intervalos de cinco segundos entre 
cada repetição. O ângulo alcançado foi observado no aparelho 
e registrado pelo examinador. O teste foi realizado também 
para os dois outros ângulos pré-estabelecidos.
Durante os testes, as examinadas receberam estímulos 
verbais para se concentrarem na posição da articulação do 
joelho e, assim, evitar que o tempo gasto no movimento 
servisse de estratégia para o reposicionamento. O avaliador 
manteve, subjetivamente, velocidade média de dois segundos 
para cada dez graus.
Para os dois testes, foi realizada uma avaliação fi nal (ΔFIN) 
após o término da intervenção, ou o tempo correspondente 
a este no grupo controle.
11Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Procedimentos de intervenção
Previamente ao início da intervenção, as voluntárias aloca-
das no grupo intervenção foram reunidas e todos os detalhes 
da intervenção foram explicados. Neste mesmo encontro foi 
realizada uma sessão piloto com a demonstração prática das 
técnicas, para facilitar o aprendizado, que não foi contabili-
zada como efetiva.
A intervenção durou cerca de 40 minutos e foi realizada 
na Clínica de Fisioterapia da UNIOESTE. Seis acadêmicas 
voluntárias do curso de Fisioterapia, com formação no método 
e previamente treinadas, aplicaram as intervenções, que foram 
realizadas com frequência de duas vezes por semana, por cinco 
semanas, totalizando dez sessões.
O grupo GCA participou da intervenção com oito padrões 
do cinesioalongamento [3] conforme ilustração na fi gura 2. 
Após a verifi cação da frequência cardíaca de repouso, com o 
frequencímetro da marca Polar®, fez-se um aquecimento na 
esteira de cinco minutos e em seguida realizou-se os padrões 
de cinesioalongamento.
Tratamento estatístico
Para os dois testes proprioceptivos, as diferenças, em va-
lores absolutos, entre o ângulo sorteado e o ângulo realizado 
pela examinada foram defi nidas como valor de erro. Quanto 
mais próximo de zero fosse essa medida, melhor a acuidade 
proprioceptiva.
Para o tratamento estatístico foi utilizado o software Gra-
phPad Prism 3.0. Para o teste de normalidade foi utilizado 
o Kolmogorov-Smirnov. Além da estatística descritiva na 
forma de média, as comparações foram feitas por testes não 
paramétricos de Wilcoxon, nas comparações intragrupos, e 
Mann Whitney, nas comparações intergrupos, já que os dados 
não respeitaram distribuição normal. A signifi cância estatística 
adotada foi  = 0,05.
Figura 2 - Ilustração e descrição dos padrões de cinesioalongamento utilizados.
Dissociação do quadril: movimento passivo, em que se alternou o 
padrão de tríplice flexão (flexão do tornozelo junto coma flexão do 
joelho e flexão do quadril) por tríplice extensão (extensão do torno-
zelo junto com extensão do joelho e extensão do quadril) no plano 
sagital, associado a movimentos circulares do quadril, por 8 vezes.
Cinesioalongamento ísquiotibial: movimento ativo-assistido, com 
estabilização do membro inferior no máximo de amplitude possível 
de extensão de joelho, do posicionamento do quadril (que variou 
com o exercício) e dorsiflexão. A cada exercício foi dado o coman-
do contrai/relaxa (CR) no qual a voluntária fez uma força contra a 
resistência do terapeuta durante 8 segundos, relaxando em seguida 
e, nesse momento, buscou-se uma nova amplitude articular. A) inter-
médio: quadril em flexão e o membro estimulado a 90° em relação à 
linha do solo. Solicitou-se o comando CR. B) lateral: quadril em adu-
ção, com o membro estimulado a 45° em relação à linha do solo. 
Solicitou-se o comando CR. C) medial: quadril em abdução, com o 
membro estimulado a 45° em relação à linha do solo. Solicitou-se o 
comando CR. Cada exercício foi feito 3 vezes, com 8 segundos de 
intervalo entre os exercícios.
Cinesioalongamento lombar: movimento ativo-assistido, em que a 
participante sentou em tríplice flexão, apoiando as zonas reflexas dos 
antepés no terapeuta. Solicitou-se uma inspiração nasal profunda e, 
durante a expiração, o deslocamento do corpo para frente. Ao che-
gar ao seu limite, a voluntária permaneceu nesta postura sustentada 
pela estabilização do terapeuta. Na segunda repetição a participante 
expirou deslocando seu corpo para frente e foi tracionada pelo tera-
peuta. Já na terceira a participante foi tracionada por 8 segundos, e, 
em seguida, ela tracionou o terapeuta que ofereceu resistência por 4 
segundos, A seguir a participante relaxou e o terapeuta buscou uma 
nova amplitude sustentando por mais 4 segundos.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201112
Cinesioalongamento isquiotibial dominante: movimento ativo-
assistido. A participante sentou com extensão do membro inferior a 
ser alongado e o membro contralateral fletido. Solicitou-se que ela 
apoiasse a mão do mesmo lado do membro em extensão sobre o 
joelho estendido, e com o membro superior contralateral alcançasse 
o terapeuta. Foi realizada inspiração nasal profunda e, durante a 
expiração, o deslocamento do corpo para frente. Ao chegar ao seu 
limite, a voluntária permaneceu nesta postura sustentada pela esta-
bilização do terapeuta. Na segunda repetição a participante expirou 
deslocando seu corpo para frente e foi tracionada pelo terapeuta. 
Já na terceira a participante foi tracionada por 8 segundos, e, em 
seguida, ela tracionou o terapeuta que ofereceu resistência por 4 
segundos. A seguir a participante relaxou e o terapeuta buscou uma 
nova amplitude sustentando por mais 4 segundos.
Cinesioalongamento ísquiotibial unidos: movimento ativo-assisti-
do. Segue a mesma postura do cinesioalongamento lombar, com a 
única diferença para a extensão funcional dos membros inferiores.
Discussão 
A melhora da acuidade proprioceptiva observada no teste 
ativo (T2) é mais facilmente explicada do que a melhora no 
teste de movimento passivo (T1), já que, no T2, além das 
aferências provenientes dos mecanoceptores articulares, há 
uma importante participação das aferências provenientes dos 
receptores musculares. 
Embora, no presente estudo, a força muscular não tenha 
sido mensurada, há relatos na literatura que o encurtamento 
muscular induz a certo grau de fraqueza muscular, com con-
sequente instabilidade postural; pois, embora os sujeitos com 
encurtamento possam detectar seu desequilíbrio, muitas vezes 
não são capazes de gerar torques de estabilização adequados 
para corrigi-lo. Assim, para compensar a fraqueza, o estado 
contrátil dos músculos altera-se para manter o equilíbrio e isso 
pode afetar a acuidade proprioceptiva [11,12]. Desta forma, 
sugere-se que o cinesioalongamento foi capaz de reverter o 
encurtamento muscular e, tal efeito aprimorou a capacidade 
proprioceptiva.
A melhora da propriocepção no GCA pode ter sido 
secundária às mudanças ocorridas no comprimento do mús-
culo, capazes de estimular os mecanoceptores articulares e 
promover dessensibilização dos órgãos tendinosos de Golgi 
(OTG). Ao dessensibilizar o OTG, aumenta-se a sensibilidade 
ao estiramento do músculo, o que aumenta as contribuições 
aferentes para o sistema nervoso central no que diz respeito 
ao senso de posição articular [13-15]. 
Resultados
As comparações intergrupos, dos dados obtidos nas ava-
liações iniciais (ΔINI), tanto para o T1 quanto para o T2, 
indicam que os doisgrupos tinham o mesmo nível de acu-
rácia proprioceptiva. Já após a intervenção, na avaliação fi nal 
(ΔFIN), apenas o GCA teve seus níveis de acurácia propriocep-
tiva aprimorados (menores valores de erro). Nas comparações 
intragrupos, observou-se que o GCA foi mais assertivo em 
reproduzir os ângulos alvos, evidenciado por valores de erro 
signifi cativamente menores na ΔFIN, tanto no T1 quanto no 
T2. O mesmo não aconteceu com o GC, sendo que a única 
diferença estatística encontrada indicou uma piora da acuidade 
proprioceptiva (valores de erro maiores) na ΔFIN para o T2. 
A estatística descritiva e inferencial pode ser visualizada 
na Tabela I.
Tabela I - Estatística descritiva e inferencial das comparações in-
tergrupos e intragrupos para os dois testes que mensuram a acurácia 
proprioceptiva nos dois momentos de avaliação.
TESTE GC ∆INI GC ∆FIN GCA ∆INI GCA ∆FIN
T1 5.14 5.64 7.11 2.56 ╫ * / ▲*
T2 3.34 4.38╫ * 5.01 2.75╫ * / ▲*
Teste de movimentos passivos lentos (T1); teste de senso posição 
articular (T2); grupo controle (GC); grupo cinesioalongamento (GCA); 
avaliação inicial (∆INI); avaliação final (∆FIN); diferença em relação à 
∆INI (╫); diferença em relação ao GC no mesmo momento de avalia-
ção (▲); nível de significância encontrado: p < 0,05 (*).
13Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Ainda, a estimulação dos mecanoceptores das estruturas 
articulares aumenta a atividade motora local e isso torna os 
fusos dos músculos, relacionados às articulações envolvidas 
no movimento, mais sensíveis. Esse aumento da sensibilidade 
fusal gera um estado de prontidão muscular capaz de reagir 
mais rapidamente em situações de perturbação articular [16]. 
As adequações protetoras nas forças regulatórias que agem nas 
articulações modifi cam a rigidez muscular que é determinada 
por um complexo sistema de controle neural por feedback. Há 
uma hierarquia nas estratégias de controle neuromuscular que 
se iniciam com a ativação das fi bras musculares e evoluem até 
que mudanças nas propriedades mecânicas de todo o músculo 
sejam alcançadas. Alguns aspectos da fi siologia e biomecânica 
muscular relacionados com a regulação da rigidez muscular 
são: frequência de ativação (somação temporal); recrutamento 
das fi bras (somação espacial); relação tensão-comprimento do 
sarcômero; relação força-velocidade do sarcômero; relação 
tensão-comprimento do sarcômero mantido por estruturas 
passivas; mecanismos de feedback das fi bras intra e extra fusais; 
regulação da força muscular e do torque determinado pela 
arquitetura muscular [17]. 
Os mecanoceptores periféricos enviam informações con-
tínuas para ajuste dinâmico da co-contração dos músculos 
envolvidos no movimento. As informações partem dos recep-
tores e se dirigem para a medula onde farão sinapses com os 
motoneurônios gama. Estes motoneurônios infl uenciam as 
fi bras intrafusais que, por sua vez, enviam aferências para os 
motoneurônios alfa, direcionados para as fi bras extrafusais, 
sobre o estado de tensão do músculo e a rigidez muscular é, 
por fi m, adequada ao movimento [18].
Assim, acredita-se que a melhora na acuidade proprio-
ceptiva observadas no presente estudo possa, também, ser 
secundária a melhora do recrutamento motor, já que o sistema 
nervoso central dispõe de uma quantidade maior de aferências 
por parte dos mecanoceptores articulares e receptores mus-
culares, que foram aprimorados pelo cinesioalongamento, e 
isso possibilitou um controle neuromuscular mais adequado.
Os argumentos acima descritos podem justifi car a me-
lhora no T2, porém não no T1, já que esse, por ser passivo, 
não deveria ter contribuição dos receptores musculares. Al-
guns estudos questionam a validade dos testes passivos para 
avaliação da propriocepção e colocam que os testes ativos 
trazem uma informação clínica mais relevante justamente 
pela contribuição das informações musculares [13,19]. Con-
trapondo, estudos mostram que na presença de lesões liga-
mentares observa-se défi cit proprioceptivo pela diminuição 
das informações provenientes dessas estruturas, especialmente 
as lesões no ligamento cruzado anterior (LCA), já que este 
é responsável pela maior parte da restrição passiva que con-
tribuiu para estabilidade articular funcional porque fornece 
feedback sensorial consequentes as mudanças na tensão do 
ligamento [20]. Porém nem todos os estudos revelam esses 
défi cits nas lesões de LCA e apontam que os proprioceptores 
ligamentares não são os principais responsáveis pela acuidade 
proprioceptiva e sim os receptores musculares, pois frente à 
lesão há uma adaptação negativa na massa muscular que é mais 
importante para o défi cit propriceptivo do que a diminuição 
das informações por parte dos ligamentos [18].
Muito embora os sujeitos que compuseram a amostra 
do presente estudo não apresentassem lesões ligamentares, 
o reconhecimento de que as estruturas passivas, de fato, 
determinam a acuidade proprioceptiva, poderia conduzir a 
discussão para uma possível infl uência do cinesioalongamento 
sobre estas estruturas.
Assim, este estudo não consegue explicar a melhora no T1 
pelo prisma da infl uência do cinesioalongamento diretamente 
sobre os mecanoceptores articulares. Contudo, hipotetiza-se 
que, mesmo no T1, possa ter havido infl uência da contração 
muscular. Como não houve um controle da atividade elétrica 
muscular durante os testes, que pode ser feita por eletromio-
grafi a de superfície, não se pode garantir que durante os pro-
cedimentos do teste passivo os sujeitos tenham mantido uma 
atividade muscular silenciosa e, por consequência, não se pode 
afi rmar ausência total das informações musculares durante o 
referido teste. Sendo esta a limitação do presente estudo, sugere-
se que em estudos futuros, que envolvam testes passivos para 
avaliar a acuidade proprioceptiva, seja controlada a atividade 
muscular para se quantifi car a participação desta nestes testes. 
Conclusão
Conclui-se que as técnicas de cinesioalongamento foram 
efi cazes para aprimorar o senso de posição articular e o limiar 
de percepção de movimentos passivos lentos do joelho na 
amostra estudada. Contudo, o efeito da técnica de cinesioa-
longamento sobre o teste ativo parece ser mais reconhecido 
do que no teste passivo pela maior contribuição dos receptores 
musculares. 
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15Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Artigo original
Consumo de cálcio por mulheres praticantes 
de atividade física de um parque do município 
de São Paulo
Calcium intake of women practitioners of physical 
activity in São Paulo
Alessandra Hellbrugge*, Andrea Vargas G. Soares*, Caroline Raele*, Cássia R. Rolim Cauchioli*, Edinéia Menezes*, 
Giovanna Mauro* , Marcia Nacif, D.Sc.**
*Alunas do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo – São Paulo, **Nutricionista, Professora do Centro Universitário 
São Camilo e da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Resumo
Introdução: A ingestão adequada de cálcio tem sido apontada 
como um importante fator de proteção para o desenvolvimento da 
osteoporose em mulheres. Destaca-se a necessidade de um adequado 
consumo de alimentos fonte de cálcio para garantir a saúde óssea 
dos indivíduos. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, 
realizado com 20 mulheres com idade média de 61,3 ± 10,6 anos, 
participantes de um projeto de promoção da qualidade de vida 
através da atividade física de um parque do município de São Paulo. 
Foram coletadas informações sobre peso, estatura e circunferência 
abdominal. O consumo de cálcio foi avaliado por meio da aplica-
ção de um Recordatório Alimentar Habitual. Resultados: Pôde-se 
observar que 50% (n = 10) das mulheres eram eutrófi cas, porém, 
apresentaram risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 
Observou-se consumo inadequado de cálcio (719,50 mg), devido 
a baixa ingestão de alimentos fontes deste mineral. Conclusão: A 
maioria das participantes apresentou ingestão inadequada de cálcio. 
Tais dados sugerem a necessidade de orientação nutricional voltada 
à melhoria dos hábitos alimentares desta população.
Palavras-chave: atividade física, cálcio, consumo alimentar, 
osteoporose.
Abstract
Introduction: Th e appropriate intake of calcium has been poin-
ted as an important protection factor against the development of 
osteoporosis in women, once the consumption from vital sources 
of calcium could guarantee the individuals’ bony health. Methods: 
Th is was a transversal study with 20 women 61.3 ± 10.6 years old, 
participants of a project in which life quality is encouraged through 
physical activities at a park in São Paulo city. Weight, stature and 
waist circumference were evaluated. Th e consumption of calcium 
was evaluated through the application of a Habitual Food Recall. 
Results: It could be observed that 50% (n = 10) of the women were 
eutrophic, however, some of them were likely to develop cardiovas-
cular diseases due to inadequate and low consumption of calcium 
as a vital source (719.50 mg). Conclusion: Most of the participants 
presented an inadequate ingestion of calcium. Th ese data suggests 
the need of nutritional orientation for the improvement of eating 
habits by the population.
Key-words: physical activity, calcium, food consumption, 
osteoporosis.
Recebido 21 de dezembro de 2010; aceito em 15 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Cássia R. Rolim Cauchioli, Rua Aimberê, 156, Perdizes 05018-010 São Paulo SP, E-mail: cassia.
nutriodonto@gmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201116
Introdução 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) defi ne a popu-
lação idosa como o grupo etário de 60 anos ou mais de idade 
para os países em desenvolvimento e para os países desenvolvi-
dos, aqueles acima de 65 anos de idade. No Brasil, segundo o 
Estatuto do Idoso são considerados idosos os indivíduos com 
faixa etária igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, 
sem distinção de cor, raça e ideologia [1].
O Brasil passa por um envelhecimento rápido e intenso, 
estima-se que houve um crescimento de mais de 7,3 milhões 
de 1780 a 2000, totalizando mais de 14,5 milhões de idosos 
em 2000 e que em 2020 este número será maior que 26 
milhões, 12,9% da população total, com isso o Brasil será o 
sexto país em número de idosos [2].
Paralelamente ao processo de envelhecimento, trans-
formações signifi cativas têm ocorrido nos últimos séculos 
nos padrões dietéticos e nutricionais de populações, e essas 
mudanças vêm sendo analisadas como parte de um processo 
designado de transição nutricional. No Brasil, a desnutrição 
vem diminuindo, e a obesidade e problemas a ela relaciona-
dos vêm aumentando. Isso ocorre por causa de mudanças 
nos padrões nutricionais da população, caracterizados por 
uma dieta rica em gorduras e açúcar refi nado e reduzida em 
carboidratos complexos e fi bras [3].
Dentre as várias defi ciências alimentares encontradas 
destaca-se a defi ciência de cálcio que, em longo prazo, pode 
contribuir para o desenvolvimento da osteoporose, ou para 
o seu agravamento, quando já instalada [4,5].
Aproximadamente 99% total do cálcio encontram-se 
nos ossos e dentes. O 1% restante do cálcio está presente no 
sangue, fl uído extracelular, músculos e outros tecidos, onde 
participa de diversos processos metabólicos como: coagulação 
sanguínea (participa da formação de fi brina) age como um 
estabilizador de membranas celulares excitáveis como múscu-
los e nervos, e em inúmeras células participa como o segundo 
mensageiro ao mediar efeito de sinalização de membranas para 
a liberação de substâncias e hormônios [6].
A osteoporose é a doença osteometabólica [7] caracteri-
zada pela diminuição da densidade mineral óssea (DMO), 
com deterioração da microarquitetura óssea, levando a um 
aumento da fragilidade esquelética e do risco de fraturas e é 
mais frequente no paciente idoso [8]. Acomete a ambos os 
sexos, sendo mais frequente na mulher, já que, no climatério, 
a diminuição dos níveis estrogênicos precipita as perdas de 
massa óssea. Aos 50 anos, a cada cinco fraturas por osteoporose 
na mulher ocorrem duas no homem. Aos 70 anos, essa relação 
cai para três fraturas na mulher a cada duas no homem [4,7].
De acordo com o Consenso Brasileirode Osteoporose 
(CBO) [8], a prevalência de osteoporose e incidência de fraturas 
varia de acordo com o sexo e a raça. As mulheres brancas na pós-
menopausa apresentam maior incidência de fraturas. A partir 
dos 50 anos, 30% das mulheres e 13% dos homens poderão 
sofrer algum tipo de fratura por osteoporose ao longo da vida.
A ingestão adequada de nutrientes tem sido apontada 
como indicador importante do estado de saúde dos indivídu-
os, assim como um fator de proteção no desenvolvimento de 
doenças. Destaca-se consequentemente a importância de um 
adequado consumo de alimentos fonte de cálcio ao longo da 
vida para garantir a saúde óssea em idosos [4,9].
O desenvolvimento do presente trabalho visou, portanto, 
verifi car o consumo de cálcio por mulheres praticantes de 
atividade física de um parque do município de São Paulo.
Material e métodos
Trata-se de um estudo transversal e descritivo que contou 
com a participação de 20 mulheres, com faixa etária entre 39 a 
75 anos, integrantes de um projeto de promoção da qualidade 
de vida através da atividade física de um parque do município 
de São Paulo, realizado no período de outubro a novembro de 
2010. Todas as participantes, no ato da primeira orientação 
nutricional, assinaram um termo de consentimento livre e 
esclarecido e este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em 
Pesquisa do Centro Universitário São Camilo (COEP-047/05).
As medidas antropométricas coletadas foram peso, estatura 
(referida) e circunferência abdominal (CA). 
O peso foi aferido por meio do uso de uma balança ele-
trônica digital portátil de marca Ultralife®, com precisão de 
100 g e capacidade de 150 Kg, com o indivíduo sem sapatos 
e usando roupas leves. 
A circunferência abdominal foi mensurada em centíme-
tros, com a pessoa em pé, ereta, abdômen relaxado, braços 
estendidos ao longo do corpo e os pés separados numa dis-
tância de 25-30 cm. A roupa foi afastada para que o abdômen 
fi casse exposto. Após uma expiração normal, posicionou-se 
uma fi ta métrica inelástica posicionada no plano horizontal 
ao nível da cicatriz umbilical.
O critério de classifi cação para avaliar o risco de doenças car-
diovasculares (DC) foi o proposto pela WHO (World Health 
Organization) (2000) [10]. Segundo esta classifi cação, homens 
com circunferência abdominal acima ou igual a 94 cm apre-
sentam risco alto de desenvolverem DC e com valores aferidos 
acima ou igual a 102 cm o risco é muito alto. Para as mulheres 
valores aferidos acima ou igual a 80 cm são classifi cadas como 
risco alto, e acima ou igual a 88 cm o risco é muito alto.
A partir dos valores de peso e estatura foi calculado o IMC, 
que seguiu o critério de classifi cação da WHO (1995) [11] 
para adultos e SABE/OPAS (2002) [12] para idosos.
As mulheres responderam, durante orientação nutricio-
nal, a uma anamnese que continha questões sobre aspectos 
gerais, como grau de escolaridade, uso de medicamentos e 
ocorrência de doenças.
O instrumento de pesquisa utilizado para avaliação do 
consumo alimentar e ingestão de cálcio foi um Recordató-
rio Alimentar Habitual. A aplicação do respectivo método 
consiste em obter informações escritas ou verbais sobre a 
ingestão habitual do indivíduo, com dados sobre os alimen-
17Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
tos atualmente consumidos e informações sobre quantidade 
das porções. Após a coleta de dados, os valores de Energia 
total (Kcal), carboidratos, lipídeos, proteínas e cálcio foram 
calculados e analisados com o auxílio do programa Avanu-
tri 4.0 (Sistema de avaliação e prescrição nutricional). Os 
macronutrientes foram apresentados em porcentagem (%) 
em relação ao Valor Energético Total (VET), e o cálcio foi 
apresentado em mg/dia. Os resultados de macronutrientes 
foram comparados com as recomendações da WHO [13] que 
preconiza valores de carboidratos entre 55 e 75% do VET, 
15 a 30% de lipídios e 10 a 15% de proteínas. A ingestão de 
cálcio foi comparada a AI Ingestão Adequada (AI) sugerida 
pela Dietary Reference Intakes (DRI) [14] que preconiza a 
ingestão de acordo com a faixa etária: 31 a 50 anos igual a 
1000 mg/dia e de 51 a mais de 70 anos igual a 1200 mg/dia.
Resultados e discussão
Foram avaliadas 20 mulheres com idade média de 61,3 
anos (± 10,6) praticantes de atividade física de um parque da 
Zona Oeste de São Paulo. As características antropométricas 
das participantes do estudo podem ser observadas na Tabela I.
Tabela I - Características antropométricas das mulheres avaliadas. 
São Paulo, 2010.
Variáveis Média DP
Peso (Kg) 70,70 11,10
Estatura (m) 1,57 0,06
IMC (Kg/m²) 28,52 3,68
CA (cm) 92,70 10,00
Segundo os resultados observados na Tabela II, 50% (n =10) 
da população estudada apresentava-se eutrófi ca, porém metade 
destas mulheres encontrava-se com risco alto para desenvol-
vimento de DC. Dado este que se contrapõe ao encontrado 
no estudo de Ferreira [15], que contou com a participação de 
sessenta e quatro mulheres fi sicamente ativas incluídas em um 
programa de incentivo ao incremento de atividade física e verifi -
cou, a partir dos valores do IMC, que todas as mulheres estavam 
com excesso de peso. Nota-se, contudo, que os resultados do 
presente estudo corroboram com os encontrados por Ribeiro 
[9] que ao buscar identifi car aspectos do estado nutricional 
de idosas participantes de um programa de educação física, 
constatou que a maioria das idosas participantes da pesquisa 
possui risco muito alto para doenças cardiovasculares.
Tabela II - Estado nutricional das participantes do estudo de acordo 
com o IMC e a circunferência abdominal. São Paulo, 2010.
CA
IMC
Sem Risco Risco Alto Risco Muito Alto
N % N % N %
Baixo Peso 1 5 - - - -
Eutrofia 1 5 5 25 4 20
Excesso de 
Peso
- - 1 5 8 40
Tabela III - Média do consumo alimentar das mulheres avaliadas. 
São Paulo, 2010.
Nutrientes Consumo Médio DP
Energia (kcal) 1706,42 549,21
Carboidratos (%VET) 53,40 9,36
Lipídios (% VET) 26,76 9,20
Proteínas (%VET) 19,81 5,24
Cálcio (mg) 719,50 411,33
Neste estudo, o consumo médio de energia e de cálcio foi 
de 1.706,42 Kcal e 719,50 mg, respectivamente, demonstran-
do assim estarem abaixo das recomendações (Tabela III). Tal 
inadequação pode ser explicada pelo baixo consumo de leite 
e derivados (em média 1,9 porções). Assim como no presente 
estudo, a literatura tem descrito um consumo inadequado 
de cálcio por mulheres, muito aquém do preconizado pelas 
recomendações da Dietary Reference Intakes (DRI) [14,16]. 
Vale salientar que nenhuma participante do estudo consumia 
suplementos de cálcio. 
Em relação aos macronutrientes, observou-se um consu-
mo abaixo das recomendações em relação aos carboidratos 
(53,4%), acima para proteínas (19,81%) e adequado quanto 
aos lipídios (26,76%).
O consumo médio de energia das participantes de nosso 
estudo foi maior que o encontrado por Moura [17] em idosos, 
praticantes de atividade física e integrantes do projeto “Feliz 
Idade” da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – 
FACIMED. Por meio da aplicação de um questionário de 
frequência alimentar habitual, os pesquisadores encontraram 
valor de 1340,27 calorias.
O estudo de Lopes [18], realizado com habitantes do 
município de Bambuí, Minas Gerais, verifi cou inadequações 
no consumo de minerais e vitaminas, evidenciando assim a 
importância de uma dieta adequada como fator preventivo 
para doenças crônicas não transmissíveis, enfatizando para 
tanto, o consumo de vitaminas antioxidantes (A, C e E) e 
nutrientes como cálcio, zinco e ferro. 
Estudo realizado por Carvalho [19], com idosos matriculados 
em um centro de convivência no Rio de Janeiro, que realizaram 
exame de densitometria óssea, observou que 62,5% dos idosos 
participantes apresentavam osteoporose. Uma das explicações 
para este alto número de pacientescom osteoporose deve-se 
às intensas mudanças fi siológicas no idoso, desde alterações no 
paladar e mastigação, quanto à redução da motilidade gástrica 
e da produção de ácido clorídrico, o que difi culta a alimentação 
adequada e variada principalmente de leites e derivados.
Estudos de avaliação do consumo de cálcio por indivíduos 
do gênero feminino trazem a tona a importância de uma 
adequada ingestão deste mineral, uma vez que esta atitude 
torna-se um fator de prevenção para as doenças crônicas não 
transmissíveis, evidenciando a osteoporose, tão comum nesta 
população [9,16,19]. 
Mesmo conhecendo as fontes alimentares de cálcio, 
alguns idosos preferem ingerir suplementos pela facilidade 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201118
e praticidade que o mesmo apresenta. Porém, é necessário 
informar que os alimentos como leites, derivados e vegetais 
verdes escuros, além de fornecerem cálcio, são fontes essen-
ciais de outros nutrientes indispensáveis à manutenção do 
organismo [5,19].
Diante dos dados apresentados como inadequação no 
consumo de cálcio e risco para doenças cardiovasculares, é 
de extrema importância a conscientização educacional através 
da criação de programas que visem o consumo adequado de 
cálcio por meio da alimentação, sempre em conjunto com 
a prática de atividade física, que favorece o bem estar da 
população idosa e sua saúde como um todo, refl etindo assim 
em uma melhor qualidade de vida. 
Conclusão
Pôde-se observar neste estudo, que mesmo eutrófi cas 
a maioria das mulheres avaliadas neste estudo apresentava 
risco para doenças cardiovasculares. Observou-se consumo 
inadequado de cálcio, devido à baixa ingestão de alimentos 
fonte deste nutriente. Tais dados sugerem a necessidade de 
orientação nutricional voltada a maximizar o consumo de 
alimentos fonte de cálcio e melhoria dos hábitos alimentares 
desta população, visando uma alimentação equilibrada im-
portante para a prevenção de doenças crônicas e redução do 
risco de osteoporose.
Referências 
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19. Carvalho CMRG, Fonseca CCC, Pedrosa JI Educação para a 
saúde em osteoporose com idosos de um programa universitário: 
repercussões Cad Saúde Pública 2004;20(3):719-26.
19Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Artigo original
Levantamento das lesões ocorridas em atletas 
da seleção amadora de futebol de Primavera 
do Leste/MT em 2010
Injury incidence in athletes of the amateur football team 
at Primavera do Leste/MT in 2010
Joaquim Ribeiro de Souza Junior*, Milton Alcover Neto**
*Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade de Cuiabá – UNIC, Unidade de Primavera do Leste, Mato Grosso, 
**Professor do Curso de Educação Física da Universidade de Cuiabá – UNIC, Unidade de Primavera do Leste, Mato Grosso
Resumo
O futebol é hoje o esporte mais popular e mais praticado no 
Brasil e no mundo. Com o aumento desta prática houve o aumento 
das lesões, pelo fato de ser um esporte com muita exigência física. 
O objetivo deste trabalho foi realizar o levantamento das lesões 
ocorridas em atletas da seleção amadora de futebol de Primavera do 
Leste/MT. O presente estudo foi realizado com 18 atletas do sexo 
masculino com idade entre 18 e 31 anos, obtendo os dados a partir 
da aplicação de um questionário onde os atletas respondiam sobre as 
lesões ocorridas no ano de 2010. O resultado constatou um número 
de 09 lesões sendo, o maior número das mesmas no tornozelo e coxa 
esquerda (22%); a lesão que mais se repetiu foi a entorse com 56%, 
e o estiramento com 22%. O mês com maior incidência de lesões 
foi o mês de setembro com 56%, isto ocorreu pelo fato de os atletas 
estarem participando de uma maior quantidade de jogos. Das lesões 
ocorridas, 78% ocorreram sem contato físico entre os jogadores, e 
89% dos atletas acometidos por estas lesões fi caram ao menos um 
dia afastados de suas atividades, sendo que os mais afetados pelas 
lesões foram os goleiros e os meio campistas. Conclui-se que há a 
necessidade de um trabalho com médico ortopedista, fi sioterapeutas 
e profi ssionais de educação física no período pré-competição para 
prevenir que tais lesões ocorram.
Palavras-chave: futebol, lesões, incidência de lesões.
Abstract
Football is nowadays the most popular sport and widely played 
in Brazil and worldwide. Consequently there has been an increase 
in the number of injuries, due to the fact that it is a very physically 
demanding sport. Th e aim of this study was to investigate injuries 
incidence in athletes of Primavera doLeste/MT amateur football 
team. Th is study was conducted with 18 male athletes aged between 
18 and 31 years. A questionnaire was applied with questions related 
to injuries which occurred in 2010 in order to collect data. Th e 
results showed nine types of injuries and the majority was ankle 
injuries and left thigh (22%), the sprain injury was the most repea-
ted injury with 56% and 22% the stretch. Th e highest incidence of 
injuries was in September with 56%, as in this period athletes were 
participating in plenty of games. 78% of injuries occurred without 
physical contact between players; 89% of athletes with lesions spent 
at least a day away from their activities, and the goalkeepers and 
midfi elders players were most aff ected. We conclude that there is 
a need to work with an orthopedic physician, physical therapists 
and physical education teachers during pre-competition period in 
order to prevent injuries.
Key-words: football, injuries, incidence of injuries.
Recebido 20 de dezembro de 2010; aceito em 8 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Joaquim Ribeiro de Souza Junior, Rua Joinville, 146, Novo Horizonte 78850-000 Primavera do Leste 
MT, E-mail: junior_pvadoleste@hotmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201120
Introdução
O futebol é hoje o esporte mais popular do Brasil e do 
mundo, com aproximadamente 200 milhões de praticantes 
em 186 países registrados na International Federation of 
Football Association (FIFA). Desde 1970, a popularidade 
deste esporte tem crescido consideravelmente. O aumento 
da prática de esportes competitivos ocorreu durante o século 
XX, iniciando-se com os Jogos Olímpicos Modernos em 
Atenas, Grécia, no ano de 1896. As populações de diversos 
países foram estimuladas a mostrarem suas performances 
esportivas e, com isto, buscarem a superioridade. Muitos 
esportes foram criados e desenvolvidos, e alguns alcançaram 
fantástica popularidade, destacando-se entre eles o futebol, 
que se encontra entre os mais praticados por ambos os sexos 
em diferentes faixas etárias. 
 Por virtude do crescimento dos esportes coletivos 
essencialmente constituídos por movimentos naturais e pelos 
diferentes gestos específi cos de cada desporto, aumentou-se o 
número de lesões. Sabe-se que as lesões são bastante comuns 
em indivíduos que praticam esportes, e no futebol não é di-
ferente. O grande índice de lesões relacionadas ao esporte se 
torna cada vez maior [1]. Entretanto, lesões não tratadas ou 
mal tratadas pode ser a maior causa de recidivas destas lesões, 
fazendo com que o atleta e a equipe tenham um grande des-
gaste até que este jogador esteja apto ao retorno. Desta forma, 
muitos jogadores vêem suas carreiras se acabando devido à 
grande incidência de lesões que os próprios são acometidos, e 
com isso, são obrigados a pararem de jogar, pois, chega uma 
hora que os atletas têm que optar por andar ou jogar. 
Para conhecer mais sobre os tipos de lesão verifi cados na 
modalidade futebol e sobre suas causas, tanto no período de 
treinamento como durante os jogos, surgiu o interesse em 
verifi car a incidência de lesões em atletas de futebol, além 
de identifi car as causas das lesões durante os treinamentos e/
ou jogos realizados pela equipe, bem como em identifi car os 
principais segmentos corporais atingidos e os principais tipos 
de lesão que ocorrem nesse meio.
Segundo Flegel [2], as lesões são classifi cadas de acordo 
com suas causas e o tempo que levam para ocorrer: 
• Causas: as lesões são resultantes de diversas causas como: 
compressão, tensão ou estiramento e maceração; 
• Tempo: as lesões ou doenças podem ocorrer de modo sú-
bito ou desenvolver-se lentamente com o tempo. Elas são 
divididas em lesões agudas e lesões crônicas:
• Lesões agudas: Lesões agudas ocorrem subitamente e são 
causadas por um mecanismo específi co de lesão. Entre 
as lesões agudas estão: contusões, abrasões, perfurações, 
cortes-incisões, lacerações e avulsões, entorses, distensões, 
lesões na cartilagem, luxações e subluxações e fraturas 
ósseas. 
• Lesões crônicas: as lesões crônicas ocorrem ao longo do 
tempo e frequentemente são causadas por golpes repetidos, 
excessivo estiramento, atrito recorrente ou desgaste. Entre 
elas estão: distensão muscular crônica, bursite, tendinite, 
lesões ósseas crônicas, osteoartrite, fraturas por estresse. 
O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento 
das lesões ocorridas em atletas da seleção amadora de futebol 
de Primavera do Leste em 2010.
Material e métodos
Nesta pesquisa foi realizado um levantamento de lesões 
em atletas de futebol, tendo aprovação do comitê nacional de 
ética em pesquisa – CONEP. A coleta de dados foi realizada 
durante dois dias, no período noturno, quando eram realiza-
dos os treinos. A amostra foi realizada com 18 atletas, todos 
eles da seleção amadora de Primavera do Leste, com faixa 
etária entre 18 e 31anos, do sexo masculino. O instrumento 
utilizado na coleta de dados foi um questionário adaptado 
da Escola Superior de Dança de Lisboa [3], contendo nome, 
profi ssão, tempo de prática de futebol, média de treino por 
semana, duração de cada treino, se realizava aquecimento, 
uma tabela para identifi car segmento corporal onde ocorreu 
lesão, tipo de lesão, mês, treino ou jogo, contato ou sem 
contato, houve afastamento e quanto tempo e a posição em 
que jogava.
Resultados e discussão
A idade dos jogadores variou entre 18 e 31 anos média de 
23,7 anos, com tempo de prática entre 7 a 22 anos e média 
de 13,2 anos, com treinos 04 vezes por semana e com média 
de 40 minutos por dia, incluindo o aquecimento. 
Local da lesão, 02 (22%) atletas sofreram lesões na coxa 
esquerda; 02 (22%) no tornozelo esquerdo; 01 (11%) atleta 
no joelho esquerdo; 01 (11%) na mão esquerda; 01 (11%) 
na perna direita; 01 (11%) no tornozelo direito e 01 (11%) 
na coxa direita. Reafi rma o que outros autores encontraram 
anteriormente, como o estudo de Silva et al. [4], que os prin-
cipais locais de lesões em atletas de futebol são joelho, coxa e 
tornozelo, e também Junge et al. apud Zanuto [5], na copa 
do mundo de 2002, não na mesma ordem neste estudo eles 
também foram os três principais segmentos lesados, isso se 
deve a grande exigência no futebol em membros inferiores, 
conforme Gráfi co 1.
Gráfi co 1 - Local da lesão.
22%
22%
11%
11%
11%
11%
11% tornozelo esquerdo
coxa esquerda
joelho esquerdo
mão esquerda
perna direita
tornozelo direito
coxa direita
21Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Em relação ao tipo de lesões, a lesão por entorse foi a que 
mais teve relato nesta pesquisa com 56%, parecido com o 
resultado obtido por Beirão et al. [6], que constataram 54% 
de entorses e confi rmado por Bertolini e Junge et al. apud 
Beirão [6] que citam que o entorse de tornozelo é a lesão mais 
comum em atletas de futebol, seguida de 22% de estiramento, 
11% fratura e 11% fratura.
Gráfi co 2 - Tipo de lesão.
estudo deles a forma da coleta foi diferente, pois analisaram 
os treinos técnicos-táticos onde o nível de competitividade é 
semelhante ao jogo.
Gráfi co 4 - Lesões ocorridas no treino ou jogo.
56%
22%
11%
11%
Quanto ao mês de lesão 01 (11%) ocorreu no mês de 
janeiro; 01(11%) ocorreu no mês de maio; 01(11%) ocorreu 
no mês de junho; 05 (56%) ocorreram no mês de setembro 
e 01 (11%) ocorreu no mês de outubro conforme fi gura 03. 
Weineck apud Silva [4] citam que o início da temporada é 
marcado pelas altas sobrecargas aeróbicas presentes no treina-
mento, o que leva a um considerável aumento da performance 
aeróbica; já no meio da temporada ou período competitivo, 
as sobrecargas aeróbicas são deixadas de lado, priorizando 
os treinamentos táticos, que somado a grande frequênciade 
jogo neste período, justifi ca um maior índice de lesões nos 
atletas. Apesar deste estudo não ser com amadores, é possível 
observar certa semelhança entre os grupos.
Gráfi co 3 - Mês em que ocorreu a lesão. 
11%
11%
11%
56%
11%
Janeiro
Maio
Junho
Setembro
Outubro
Lesões ocorridas no treino ou jogo, 03 (33%) ocorreram 
no treino e 06 (67%) ocorreram no jogo. Podemos observar 
que houve mais lesões no jogo devido aos jogos serem mais 
exigentes que nos treinos. Na pesquisa de Silva et al. [4] houve 
quase uma igualdade de lesões em jogos ou treinos; 44% das 
lesões foram nos jogos e 43% foram nos treinos, porém no 
67%
33%
Treino
Jogo
entorse
estiramento
fratura
contusão
Lesões decorrentes de contato e sem contato, 02 (22%) 
ocorreram contato e 07 (78%) das lesões ocorreram sem 
contato, dados não muito parecidos com o estudo de Cohen 
et al. [7] que apontaram 40% de lesões com contato e 59,3 
sem contato e também no estudo de Zanuto et al. [5] que as 
lesões com contato tiveram maior incidência (57%). O índice 
de lesões sem contato neste estudo pode estar relacionado 
com o terreno de jogo ou tipo de chuteira não verifi cada 
nesta pesquisa.
Gráfi co 5 - Lesões ocorridas com contato ou sem contato.
22%
78% Contato
Sem contato
Em relação ao tempo de afastamento, 08 (89%) das le-
sões encontradas tiveram pelo menos 01 dia de afastamento, 
tendo uma média de 26,2 dias e um máximo de 80 dias de 
afastamento e 01(11%) não houve afastamento. De acordo 
com o estudo de Ribeiro e Costa [8], em 34% das lesões en-
contradas houve afastamento e em 66% das lesões não houve, 
o que segundo eles pode ser um indicativo de que os atletas 
tiveram tempo insufi ciente de preparação para a demanda do 
torneio e/ou não houve tempo hábil para a recuperação de 
lesões durante a competição.
Gráfi co 6 - Houve afastamento ou não houve afastamento.
89%
11%
Houve afastamento
Não houve afastamento
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201122
Nas lesões por posição houve uma igualdade entre goleiros 
03 (33%) e meio campistas também com 03 (33%) das lesões, 
em seguida por laterais 02 (22%) e atacantes 01 (11%), não 
houve lesão nos zagueiros. O resultado dos goleiros não condiz 
com resultados de outros estudos, como o de Cohen et al. [7] 
em que os goleiros tiveram o menor índice de lesões, enquanto 
os meio campistas estão parecidos com o resultado do estudo 
de Selistre et al. [9] que apontam a dos meio campistas como 
a posição mais acometida por lesão.
Gráfi co 7 - Lesão por posições dos jogadores.
entorses. Em relação ao número de lesões na coxa esquerda e 
tornozelo esquerdo sofrido pelos atletas, a quantidade de 44% 
detectada nesta pesquisa foi bastante relevante, mostrando a 
necessidade de fazer um programa de prevenção voltado ao 
problema, incluindo uma equipe multidisciplinar com médico 
ortopedista, fi sioterapeuta além dos educadores físicos para 
prevenir e reabilitar essas lesões.
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21 durante os jogos regionais de Sertãozinho/SP de 2006. Rev 
Bras Med Esporte 2009;15(5):351-4.
33%
22%
33%
11%
Goleiro
Lateral
Meio campo
Atacante
Conclusão
Este estudo teve como objetivo fazer uma investigação do 
número de lesões ocorridas, no ano de 2010, na Seleção ama-
dora de futebol de Primavera do Leste. A entorse do tornozelo 
é uma das lesões mais comuns no esporte especialmente no 
futebol, e na Seleção Amadora de Primavera do Leste não foi 
diferente. Em sua realização constatou-se a ocorrência de cinco 
23Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Artigo original
Atividade eletromiográfica da musculatura abdominal 
associada à expiração forçada
Electromyographic activity of the abdominis muscles 
associated with forced expiration
Nilton Souza Carvalho Júnior*, Gabriel Ribeiro, M.Sc.**, Mauricio Malthes Ribeiro, D.Sc.***
*Educação Física pelo Centro Universitário Jorge Amado, Pós graduando em Gestão Pública pelo Instituto Mentoring, Fortaleza/CE, 
**Professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), ***Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
Resumo
A atividade eletromiográfi ca produzida durante a realização 
de exercícios abdominais em apneia pode potencializar signifi ca-
tivamente esta musculatura. O objetivo deste estudo foi avaliar a 
atividade eletromiográfi ca do músculo reto do abdômen associado à 
expiração forçada. Foram selecionados 23 voluntários (21,65  1,33 
anos) inativos fi sicamente que realizaram Contração Isométrica Vo-
luntária Máxima (CIVM) em apneia inspiratória e CIVM associada 
à expiração forçada. Foram avaliados os dados eletromiográfi cos do 
músculo reto do abdômen (direito e esquerdo), utilizando o teste 
T. Os valores foram comparados com um nível de signifi cância de 
(0,05). Nessas condições experimentais, os resultados do presente 
estudo mostraram que os valores são estatisticamente maiores na 
tarefa de CIVM em apneia do que na tarefa de CIVM associada 
à expiração forçada. Esses achados sugerem que os exercícios ab-
dominais sejam realizados em apneia voluntária. Conclui-se que a 
CIVM do reto abdominal em apneia, quando comparada a CIVM 
do mesmo músculo em expiração forçada, provoca maiores níveis 
de atividade em relação à segunda tarefa. 
Palavras-chave: eletromiografia, musculatura abdominal, 
exercícios, fitness.
Abstract
Th e activity produced during breath holding (apnea) abdominal 
exercises performance can signifi cantly increases the muscle. Th e 
purpose of this study was to evaluate the electromyographic activity 
of the rectus abdominis muscle associated with forced expiration. We 
selected 23 volunteers (21.65 ± 1.33 years old) physically inactive 
who performed isometric maximal voluntary contraction (MVIC) 
during inspiratory apnea associated with forced expiration. Elec-
tromyographic data of the rectus abdominis muscle (right and left) 
were evaluated, using the t Test. Th e values were compared with a 
signifi cance level of (0.05). In these experimental conditions, the 
results of this study showed that the values are statistically higher 
during breath holding in MVIC task than in MVIC task associated 
with the forced expiration. Th ese fi ndings suggest that abdominal 
exercises should be performed during voluntary apnea. We conclu-
ded that the rectus abdominis MVIC during apnea, comparedto 
the MVIC of the same muscle in forced expiration, causes higher 
levels of activity in relation to the second task.
Key-words: electromyography, abdominal muscle, exercises, 
fitness.
Recebido em 8 de janeiro de 2010; aceito em 8 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Nilton Souza Carvalho Júnior, Rua Raimundo Ribeiro, 4, 43900-000 São Francisco do Conde BA, 
E-mail: niltinhosz@hotmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201124
Introdução
Os músculos abdominais desempenham grande importân-
cia nas funções de sustentação e contenção do conteúdo ab-
dominal, auxiliando no processo respiratório, principalmente 
na expiração forçada, além de possuir papel de destaque na 
postura normal da pelve. Os mesmos são responsáveis indi-
retamente pela curvatura da coluna lombar, sendo de grande 
importância na postura do corpo [1].
Poucas evidências na literatura relacionam a atividade 
eletromiográfica da musculatura abdominal associada à 
expiração forçada, principalmente no âmbito da educação 
física e/ou no fi tness.
Desta forma, tornam-se necessários estudos mais apro-
fundados que comprovem a relação entre uma maior ativi-
dade elétrica gerada pelos músculos abdominais associada à 
expiração forçada e a melhora da resistência e da força destes 
músculos, podendo proporcionar um melhor bem-estar para 
os praticantes de musculação.
A eletromiografi a de superfície consiste em uma técnica 
que utiliza um equipamento eletrônico que revela ao ser 
humano algum dos seus eventos fi siológicos, normais ou 
anormais [2]. Sendo assim, este equipamento é de grande 
importância para evidenciar a atividade muscular. A eletro-
miografi a de superfície em diferentes músculos do corpo 
humano tem elucidado vários diagnósticos de disfunções 
musculoesqueléticas. Este equipamento é corriqueiramente 
utilizado por fi sioterapeutas clínicos e do esporte e também 
por profi ssionais de educação física. 
A musculatura abdominal nos últimos anos tornou-se um 
dos temas mais pesquisados pelas várias áreas da saúde liga-
das a este objeto. Os músculos abdominais têm uma função 
importante no controle postural e na prevenção de lesões na 
coluna lombar. Evidências médicas sugerem que mais de 80% 
dos problemas de dores na coluna são causados por músculos 
fracos no tronco [3].
A parede abdominal anterior consiste de quatro músculos 
divididos em dois grupos: músculos superfi ciais – o reto do 
abdominal e o oblíquo externo do abdômen, e os músculos 
profundos – oblíquo interno e o transverso abdominal. No 
entanto, o músculo iliopsoas também deve ser considerado 
por estar na parede abdominal ântero-inferior e estar envol-
vido na maioria dos exercícios abdominais [3]. Os músculos 
abdominais são de extrema importância para a função de 
expansão e compressão da cavidade abdominal e das vísceras 
ocas, sua ação contribui também na micção, no parto, na 
defecação e no vômito [2].
Trabalhar de maneira efi ciente os músculos abdominais 
é assunto cada vez mais discutido pelos pesquisadores inte-
ressados nesta temática. A mensuração acerca do trabalho da 
unidade motora destes músculos nos últimos anos vem sendo 
realizada por meio de testes eletromiográfi cos. Diversos pes-
quisadores têm recorrido a este método para medir o trabalho 
muscular por ativação elétrica. Grandes avanços teóricos já 
aconteceram no tratamento de disfunções musculoesquelé-
ticas, ajudando a evidenciar com mais coerência as diversas 
atuações da musculatura humana. 
A sistematização deste estudo partiu de uma indagação 
pertinente e atual: a atividade eletromiográfi ca do músculo 
reto do abdômen pode ser modifi cada quando associada à 
expiração forçada? Seguido do seguinte objetivo: avaliar a 
atividade eletromiográfi ca do músculo reto do abdômen 
associada à expiração forçada.
Esta indagação poderá ser evidenciada, visto que os 
músculos do abdômen participam contundentemente na 
realização da expiração forçada. A expiração forçada requer 
a força ativa produzida pelos músculos expiratórios, como, 
por exemplo, a musculatura abdominal [4]. Sendo assim a 
atividade eletromiográfi ca poderá ser modifi cada quando for 
associada à expiração forçada. 
Estudos demonstram que o músculo transverso do abdô-
men, associado com o aumento da co-contração dos músculos 
antagonistas, pode ocasionar uma melhor estabilidade dos 
músculos lombo-pélvicos, contribuindo para uma melhor 
postura do tronco [5]. 
Kera e Maruyama [6], em 2005, analisaram a infl uência 
da postura na atividade expiratória dos músculos abdominais. 
Foram mensuradas a atividade eletromiográfi ca dos músculos 
oblíquo externo do abdômen (OEA), oblíquo interno do 
abdômen (OIA) e o reto abdominal (RA) em diferentes po-
sições: supino; em pé; sentado e sentado com o cotovelo no 
joelho. Foi observado que o volume do pulmão mudou com 
a postura. Entretanto, o padrão de respiração sobre a carga 
respiratória não modifi cou. Durante a ventilação voluntária 
máxima, a atividade expiratória do músculo oblíquo interno 
do abdômen, foi menor na posição sentado com o cotovelo 
no joelho do que em qualquer outra posição. A atividade ins-
piratória do músculo oblíquo externo do abdômen e oblíquo 
interno do abdômen foram maiores na posição em pé do que 
em qualquer outra posição.
Utilizar de maneira efi ciente os músculos abdominais é 
assunto cada vez mais discutido na comunidade científi ca. 
Sendo assim pesquisadores ainda procuram a melhor forma 
para trabalhar com mais efi cácia a musculatura abdominal, e 
assim melhorar o desempenho atlético. 
Evelyn et al. [7] verifi caram a atividade elétrica dos 
músculos oblíquo externo, reto femoral e reto abdominal, 
durante a execução do exercício abdominal sit up em terra 
e água, em velocidade padrão e máxima. Evidenciou-se 
que o exercício na velocidade máxima realizado em terra 
e no meio líquido apresentou uma atividade eletromio-
gráfi ca maior que o exercício padrão, com exceção do reto 
femoral [7]. 
Análise eletromiográfi ca 
A análise eletromiográfi ca trata-se de um método que 
avalia a ativação muscular mediante a captação do estímulo 
25Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
elétrico enviado pelo sistema nervoso, o qual gera contração do 
músculo. Essa técnica é denominada eletromiografi a - super-
fi cial ou profunda (que é mais invasiva) [8]. A eletromiografi a 
de superfície pode ser descrita como uma técnica que utiliza 
um equipamento eletrônico que revela ao ser humano algum 
dos seus eventos fi siológicos [2]. A eletromiografi a é o estudo 
da atividade elétrica do músculo, proporcionando informa-
ções concernentes ao controle dos movimentos voluntários 
e/ou refl exos [9]. 
Os aparelhos de eletromiografi a, construídos especifi -
camente para biofeedback, proporcionam tanto respostas 
auditivas quanto visuais. Com a utilização de eletrodos de 
superfície, a localização do sinal do eletromiograma não é 
exata, aplicando-se apenas a músculos razoavelmente super-
fi ciais [10].
A validade e precisão de qualquer medida eletromiográfi ca 
são dependentes do processo de detecção dos sinais. Este 
processo inclui a distância entre os eletrodos, seu tamanho, 
suas localizações, e preparação da pele para minimizar a im-
pedância. Esses parâmetros devem ser controlados em todos 
que utilizam a eletromiografi a de superfície como técnica de 
mensuração da atividade muscular [11]. O potencial de ação 
muscular é representado em microvolts (mV), de modo que 
o instrumento de eletromiografi a torna-se um amplifi cador 
muito potente. Isso signifi ca que qualquer sinal elétrico 
estranho será também amplifi cado, e tende a interferir com 
a saída [10].
O sinal de EMG é relativamente pequeno, variando de 5 
a 10 mV. Portanto, é imperativo queo sinal seja amplifi cado 
[9]. A eletromiografi a de superfície é muito utilizada para 
avaliar o tratamento de disfunções musculoesqueléticas [12]. 
Eletrodos de superfície são aplicados sobre a pele, por cima de 
um músculo, sendo utilizados principalmente para músculos 
superfi ciais; eles não devem ser utilizados para músculos pro-
fundos [9]. Okano et al. [12] avaliaram a atividade elétrica 
da musculatura abdominal e paravertebral durante exercícios 
utilizados no tratamento de lombalgias crônicas. Foi verifi -
cado que a inclinação pélvica pode ser indicada para ativar 
a musculatura extensora do tronco durante o tratamento da 
lombalgia. Em outro estudo, foi evidenciado que o músculo 
oblíquo externo do abdômen não tem diferença signifi cativa 
no sinal eletromiográfi co em relação aos outros músculos 
abdominais [13]. 
Alguns pesquisadores demonstraram que durante o exer-
cício, com fl exão completa do tronco, nos últimos 40° de 
execução do exercício, não existe participação signifi cativa 
dos músculos abdominais [14]. Este estudo sugere que os 
músculos fl exores do quadril fi cariam ativos no restante do 
movimento, não permitindo que os músculos abdominais 
participassem com vigor. A eletromiografi a superfi cial parece 
ser apropriada como meio de treinamento da habilidade 
motora, já que é possível quantifi car a atividade no músculo 
desejado.
Aspectos respiratórios
A ventilação é o processo mecânico que o ar é inalado 
e exalado pelos pulmões e vias aeríferas [4]. Este processo 
rítmico ocorre em media 12 a 20 vezes por minuto em 
repouso e é essencial para manutenção da vida [4]. A 
respiração é o processo que é auxiliado pelos músculos 
abdominais, aumentando a pressão intra-abdominal, o que 
facilita a liberação do ar de dentro do sistema respiratório 
para a atmosfera, reduzindo o tamanho da cavidade torácica 
[15]. Os músculos que participam do processo respiratório 
incluem o diafragma como o principal músculo da inspi-
ração e os músculos intercostais e escalenos. Este último 
juntamente com o esternocleidomastóideo são conhecidos 
como músculos acessórios, mas, na verdade, têm um papel de 
estabilizadores na respiração corrente [16].
O tipo de respiração mais adequada para realizar o exercí-
cio abdominal é a respiração passiva (inspiração durante a fase 
excêntrica e expiração na fase concêntrica). A utilização desse 
padrão é indicada devido à ação do transverso do abdômen 
e oblíquos externo e interno na fase da expiração forçada, 
sendo responsáveis pelo movimento de depressão das costelas 
[8]. Os padrões de respiração normais ao repouso envolvem 
uma fase inspiratória ativa e uma fase expiratória passiva. O 
movimento do corpo é, predominantemente, marcado por 
uma suave distensão do abdômen durante a inspiração que 
retorna ao repouso na expiração [16].
A expiração forçada, como aquela exigida para tossir ou 
soprar uma vela, requer a força ativa produzida pelos mús-
culos expiratórios, como, por exemplo, os músculos do ab-
dômen [4]. Kera e Maruyama [6] analisaram a infl uência da 
postura na atividade expiratória dos músculos abdominais. 
Foram medidas a atividade eletromiográfi ca dos músculos 
oblíquo externo do abdômen, oblíquo interno do abdômen 
e o reto abdominal em diferentes posições. Foi esclarecido 
que o volume do pulmão teve modifi cações com a postura. 
Portanto, o padrão de respiração sobre a carga respiratória 
não modifi cou. Durante a ventilação voluntária máxima, 
a atividade expiratória do músculo oblíquo interno do 
abdômen foi menor na posição sentado com o cotovelo no 
joelho do que as outras posições. A atividade inspiratória 
do músculo oblíquo externo do abdômen e oblíquo interno 
do abdômen foram maiores na posição em pé do que nas 
outras posições.
Análise da musculatura abdominal
Os músculos abdominais são de extrema importância para 
a função de expansão e compressão da cavidade abdominal e 
das vísceras ocas, sua ação contribui também na micção, no 
parto e na defecção [17]. A contração destes músculos possui 
efeitos signifi cativos sobre a expiração forçada [4]. Todos os 
músculos do tronco agem em conjunto, no controle dos 
movimentos. Este trabalho coletivo também infl uencia no 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201126
controle da postura [18]. Sua habilidade em manter a caixa 
torácica expandida e a coluna vertebral alinhada todo dia 
propicia o espaço interno para movimentos de respiração, 
digestão, e outras funções [18].
O músculo reto do abdômen tem origem na sínfi se e cristas 
púbicas e inserção nas cartilagens costais da quinta, sexta e 
sétima costelas e processo xifóide do esterno. As suas fi bras 
são na direção vertical e o seu ventre muscular é poligástrico. 
A ação do músculo reto do abdômen consiste em fl exionar a 
coluna vertebral. Com a pelve fi xa o tórax se movimenta na 
direção da pelve; com o tórax fi xo, a pelve se movimenta na 
direção do tórax [3]. Além destas ações o músculo abdominal 
ainda fl exiona lateralmente a coluna vertebral e deprime as 
costelas na expiração forçada [3]. Já o músculo transverso 
do abdômen associado com o aumento da co-contração dos 
músculos antagonistas, pode ocasionar uma melhor estabili-
dade dos músculos lombo-pélvicos, contribuindo para uma 
melhor postura do tronco [5]. 
Balbino et al. [1] analisaram a atividade eletromiográfi ca 
comparativa dos músculos reto do abdômen e reto femoral, 
durante a execução do exercício abdominal tradicional e com 
utilização da bola de ginástica. Foi observado que a utilização 
da bola de ginástica no exercício abdominal não parece ativar 
estes músculos com maior intensidade do que o exercício 
tradicional [1]. 
Algumas pesquisas demonstraram a atividade elétrica 
dos músculos oblíquo externo do abdômen, reto femoral e 
reto abdominal, durante a execução do exercício abdominal 
em terra e água, em velocidade padrão e máxima [7]. Foi 
demonstrado que o exercício na velocidade máxima reali-
zado em terra e no meio líquido apresentou uma atividade 
eletromiográfi ca maior que o exercício padrão, com exceção 
do reto femoral [7]. 
Furlani e Bankoff [14] analisaram eletromiografi camente 
quatro formas de exercícios abdominais, dividindo entre fase 
excêntrica e concêntrica. Encontrou-se que o melhor trabalho 
para o músculo reto abdominal ocorreu durante o exercício, 
deitado em decúbito dorsal, com os joelhos fl etidos a 45°, 
pés fi xos ao solo, mãos entrelaçadas na nuca, realizando o 
movimento de subir o tronco em linha reta até a posição 
sentada. Sendo assim estes achados corroboram para melho-
rias na realização dos exercícios abdominais que são pouco 
investigados contemporaneamente, e muito infl uenciados por 
pesquisas anacrônicas. 
Material e métodos
Sujeitos
Foram selecionados 23 sujeitos saudáveis (13 homens e 
10 mulheres), com idade variando entre 18 e 24 anos inativos 
fi sicamente - segundo os critérios estabelecidos pelo questioná-
rio de inclusão e exclusão (Apêndice A). Foram incluídos no 
estudo apenas os indivíduos que não apresentaram qualquer 
defi ciência orgânica, cirúrgica ou dor na região abdominal, e 
também nenhuma patologia respiratória. 
Tabela I - Demonstração dos valores médios das variáveis dos sujeitos 
envolvidos no estudo.
N=23
Média Desvio padrão
Peso (Kg) 67,76 11,39
Altura (m) 1,71 0,10
Idade (anos) 21,65 1,33
IMC 22,90 2,85
Valores obtidos através do questionário de inclusão e exclusão (Apên-
dice A).
Para a participação no experimento os sujeitos preen-
cheram o questionário de inclusão e exclusão (Apêndice A). 
Foram selecionados somente os sujeitos que apresentaram 
os requisitos de inclusão na pesquisa. Os resultados obtidos 
foram usados especifi camente para a realização da pesquisa. Os 
sujeitos assinaram o termo de consentimento livre e esclareci-do nos moldes da comissão de ética do Centro Universitário 
Jorge Amado. 
Instrumentação
Registro dos dados eletromiográfi cos (EMG)
Para a coleta dos dados foram utilizados eletrodos de 
superfície bipolares, com o diâmetro de 12 mm, (fi gura 1) 
que foram limpos com álcool para facilitar sua aderência e a 
condução do sinal elétrico. Os eletrodos de superfície foram 
umedecidos com um gel condutor (fi gura 2) e colocados no 
músculo reto abdominal (RA), fi xando a pele através de uma 
fi ta autoadesiva (fi gura 2). Os eletrodos foram posicionados 
numa distância de 1 cm usando uma fi ta métrica (fi gura 2). 
Para fi xação dos eletrodos no músculo reto abdominal (RA) 
foi seguido o procedimento descrito por Willett e colabora-
dores [19]. 
Em todas as coletas de dados o local foi identifi cado e 
preparado pelo mesmo pesquisador para minimizar erros na 
gravação. O sinal eletromiográfi co captado pelos eletrodos 
foi processado pelo eletromiógrafo portátil de dois canais 
EMG Retrainer (Chatanooga Group, Inc. USA) (fi gura 1). 
Sendo por este amplifi cado, fi ltrado e retifi cado. Por meio 
de um leitor de infravermelho, o sinal foi integrado a um 
computador, pelo programa de computador EMG Retrainer 
IR. Os dados obtidos foram gravados em sessões de arquivo 
e permaneceram disponíveis em formato gráfi co, para poste-
riores consultas. Os dados eletromiográfi cos foram coletados 
por um processador Intel de 333 MHz, executando o MS 
Windows XP; com resolução de SVGA 800/600, uma porta 
COM aberta para a aplicação do leitor de infravermelhos e 
foram expressos em micro volts.
27Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Figura 1 Figura 3
Figura 2
Local da pesquisa
A pesquisa foi realizada no Centro Universitário Jorge 
Amado, no consultório 1 da clínica escola. 
Procedimentos
O indivíduo foi posicionado, na posição de decúbito 
dorsal, sobre uma maca, onde foi solicitado que cada parti-
cipante no momento da execução fi casse de joelhos fl etidos, 
(a aproximadamente 45°) e pés fi xos ao solo (Figura 3). 
Uma faixa (tamanho adulto de aproximadamente 2,90 m de 
comprimento e 4,7 cm de largura) (fi gura 2) foi amarrada 
em volta do sujeito (na altura do peitoral) e a maca, servindo 
como resistência para a realização da contração isométrica 
voluntária máxima (CIVM). 
A partir da posição inicial, com o indivíduo em atividade 
elétrica do reto do abdômen em 0 mV, ao ouvir o comando 
verbal, o sujeito realizou o primeiro protocolo experimental, 
que consistiu na contração isométrica voluntária máxima do 
músculo reto abdominal por 15 segundos em apneia voluntá-
ria (Figura 4). Decorridos 5 minutos da realização do primeiro 
protocolo, o mesmo sujeito realizou (na mesma posição inicial 
supracitada) o segundo protocolo experimental, que consistiu 
na contração isométrica voluntária máxima do músculo reto 
abdominal por 15 segundos, realizando concomitantemente 
a expiração forçada. Os dois protocolos foram analisados nos 
seus respectivos 15 segundos de execução. Os sinais eletromio-
gráfi cos foram integrados na fase concêntrica da isometria.
Figura 4 
Análise dos dados
Os dados coletados foram transcritos para fi cha de anota-
ções dos dados experimentais (Anexo B), foi utilizado o teste 
T de (Student) [20], verifi cando se os mesmos apresentariam 
relevância signifi cativa pertinente ao assunto em estudo. Foi 
considerado como signifi cante, os resultados de P < 0,05.
Resultados
A análise entre os valores médios, correspondentes aos 
testes em apneia e com expiração forçada são apresentados 
nos Gráfi cos 1 e 2. O protocolo descrito mostrou diferenças 
signifi cantes no sinal eletromiográfi co entre os protocolos 
estudados (p < 0,05).
Gráfi co 1 - Valores máximos dos sinais eletromiográfi cos nor-
malizados registrados durante a realização da sessão 1 CIVM do 
reto abdominal em apneia e a sessão 2 CIVM do reto abdominal 
associada à expiração forçada.
 %
10,0
 
20,0
30,0
40,0
50,0
60,0
70,0
80,0
90,0
Sessão 1 Sessão 2
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201128
Gráfi co 2 - Valores médios dos sinais eletromiográfi cos normalizados 
registrados durante a realização da sessão 1 CIVM do reto abdo-
minal em apneia e a sessão 2 CIVM do reto abdominal associada 
à expiração forçada.
Segundo Graig et al. [22] os músculos inspiratórios não 
recebem descargas instantâneas de sinais dos neurônios ins-
piratórios dorsais e ventrais. A taxa de disparo dos neurônios 
aumenta gradualmente no fi nal da fase expiratória. Sendo 
assim, quando está ocorrendo uma apneia inspiratória, com 
o bloqueio da respiração, faz com que a taxa de CO2 (gás 
carbônico) do sangue se eleve a níveis anormais, consequente-
mente irá exaurir todo o CO2 dos pulmões, fazendo com que 
os sinais dos neurônios ventrais e dorsais aumentem gradati-
vamente a atividade dos músculos. Os músculos abdominais 
também podem contribuir com a inspiração contraindo no 
fi nal da expiração. Esse processo retrai a parede torácica para 
fora auxiliando o próximo esforço inspiratório [22]. Esse me-
canismo pode ser constatado também em apneia inspiratória, 
ocasionando maior atividade eletromiográfi ca, principalmente 
dos músculos abdominais. Vários estudos foram realizados a 
fi m de identifi car diferenças entre os músculos abdominais, 
mas os resultados não foram signifi cantes [1,3,5,6,7,14].
Balbino et al. [1] analisaram a atividade eletromiográfi ca 
comparativa dos músculos reto do abdômen e reto femoral, 
durante a execução do exercício abdominal tradicional e com 
utilização da bola de ginástica. A atividade elétrica dos mús-
culos não teve diferenças signifi cantes quando comparados 
em tarefas diferentes.
Segundo McArdle et al. [15] o fechamento da glote após 
uma inspiração plena, enquanto estão sendo ativados ao má-
ximo os músculos expiratórios, produz forças compressivas 
que irão elevar a pressão intratorácica. A pressão dentro da 
cavidade abdominal aumenta em níveis consideráveis durante 
uma expiração máxima com uma glote fechada. Sendo assim, 
provavelmente a atividade elétrica dos músculos abdominais 
irá aumentar signifi cativamente, pois a apneia inspiratória é 
também uma expiração interrompida, que poderá levar ao au-
mento da pressão da cavidade abdominal, consequentemente 
poderá atingir maiores níveis de atividade eletromiográfi ca. 
Portanto esses fatores podem ter infl uenciado nos resul-
tados. Porém novos estudos que possam controlar outras 
variáveis devem ser investigados para justifi car a indicação 
clínica e a aplicabilidade em protocolos de treinamento. 
Segundo Wilmore & Costil [23] na execução de um fecha-
mento da glote – que pode ser considerada uma apneia volun-
tária – ocorre o aumento da pressão intra-abdominal contraindo 
forçadamente o diafragma e os músculos abdominais, e também 
aumenta a contração forçada dos músculos respiratórios. Com 
base nesta afi rmação o presente estudo sugere que os exercícios 
abdominais sejam realizados em apneia voluntária. Esse meca-
nismo poderá potencializar a ação dos músculos abdominais, e 
consequentemente melhorar o desempenho físico dos pratican-
tes, tanto no fi tness quanto na reabilitação em clínicas. 
Conclusão
Nessas condições experimentais, os resultados demonstra-
ram que a Contração Isométrica Voluntária Máxima (CIVM) 
0,0 
 %
10,0
20,0
30,0
40,0
50,0
60,0
Sessão 1 Sessão 2
Quando os valores da ativação elétrica foram comparados, 
para evidenciar diferenças entre as tarefas propostas, foram 
encontradas diferenças estatisticamente signifi cantes (p = 
0,006) entre a atividade elétrica do músculo reto abdominal 
quando comparado em tarefas de CIVM em apneia e CVIM 
realizando concomitantemente a expiração forçada. Osvalores 
são estatisticamente maiores na tarefa de CIVM em apneia 
do que na tarefa de CIVM associada à expiração forçada.
Discussão
O presente estudo mostrou que no tipo de exercício abdo-
minal estudado existem mudanças signifi cantes na atividade 
elétrica do músculo reto abdominal quando comparado em 
tarefas diferentes. Esse resultado é contrário à hipótese do 
estudo. O aumento signifi cativo da atividade Eletromiográfi ca 
(EMG) em apneia pode ser explicado pelo mecanismo de 
execução da tarefa, por ter sido realizada em apneia inspirató-
ria, que contribuiu contundentemente para que os músculos 
auxiliares pudessem permanecer ativos, colaborando para que 
a atividade eletromiográfi ca do reto abdominal fosse signifi -
cativamente maior quando comparada a sessão 2 que obteve 
resultados menores, pois na expiração os músculos auxiliares 
também contribuem, mas não de forma tão signifi cativa 
quanto na apneia inspiratória.
O ritmo básico da respiração é gerado na área inspi-
ratória. A cada poucos segundos essa área fi ca excitada e 
transmite sinais neurais para os músculos inspiratórios, em 
especial para o diafragma. Os sinais começam muito fracos 
mais aumentam progressivamente, fazendo com que os 
músculos inspiratórios contraiam com força crescente [21]. 
No entanto a atividade elétrica do abdômen será maior na 
apneia inspiratória do que na expiração forçada, por conta da 
pressão interna ocorrer durante a expiração. A contração dos 
músculos abdominais aumenta a pressão intra-abdominal, 
forçando o diafragma para cima [21]. Outro ponto a ser 
considerado é a pressão contrária que é gerada durante a 
apneia inspiratória. Esses dois fatores conjugados podem 
ocasionar uma dupla pressão, aumentando desta forma a 
atividade elétrica dos músculos. 
29Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
do reto abdominal em apneia, quando comparada a CIVM 
do mesmo músculo em expiração forçada, provoca alterações 
na atividade eletromiográfi ca dos músculos estudados. Porém 
a atividade elétrica do músculo reto abdominal na tarefa de 
CIVM em apneia promoveu maiores níveis de atividade 
em relação à segunda tarefa, de acordo com a metodologia 
descrita. Estes achados contrariam os resultados de outros 
estudos que buscavam detectar a melhor maneira de realizar 
os exercícios abdominais. Futuros estudos devem ser realiza-
dos a fi m de verifi car se existem modifi cações da atividade 
elétrica em diferentes tarefas, considerando outras variáveis 
imprescindíveis para resultados mais plausíveis.
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Apêndice A - Questionário de inclusão e exclusão 
Nome:_______________________________________________
Idade:________________________________________________
Altura:________________________________________________
Peso:_________________________________________________
Sexo: ( ) M ( ) F
Curso:_________________________________
Semestre:___ Turno:____________
Aspectos gerais:
Apresenta alguma deficiência orgânica? 
( ) sim
( ) não
Se apresentar quais são?
_____________________________________________________
_____________________________________________________
Já realizou alguma cirurgia na região abdominal que venha 
comprometer o estudo? 
( ) sim 
( ) não
Quais?
_____________________________________________________
_____________________________________________________
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201130
Apresenta ou apresentou nos últimos meses alguma dor na 
região abdominal?
( ) sim
( ) não
Qual a causa?
_____________________________________________________
_____________________________________________________
Alguma patologia respiratória?
( ) sim
( ) não
Esta com dificuldade respiratória ou gripe?
( ) sim 
( ) não 
Declaro que estou de acordo com o seguinte questionário, e 
estou ciente das informações supracitadas, sendo assim consin-
to em participar da presente pesquisa.
Anexo B – Ficha de anotações dos dados experimentais
(Chattanooga Group, 2001)
Nome:____________________________ Nota:____________
Data:___/___/___
Clínica:___________________
 Sessão 1 Sessão 2
 Data:___/___/___ Data: ___/___/___
 Músculo:______________ Músculo:_______________
 Tempo da sessão=____:____ Tempo da sessão=____:____Resultado Sessão 1 Sessão 2 % de variância
SEMG Média
SEMG Máximo
SEMG Mínimo
Valor alvo
Trabalho acima do valor alvo
Trabalho no alvo
Trabalho abaixo do alvo
Salvador,___de________________de 2008. 
_________________________________
Assinatura do sujeito da pesquisa
31Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Artigo original
Máxima oxidação de gorduras em bombeiros 
da polícia militar do Paraná: análise da correlação 
entre o consumo máximo de oxigênio 
e o quociente respiratório não-protéico
Maximal fat oxidation in recruits of the fire department military police 
of Parana: analysis of the correlation between the maximal oxygen 
consumption and non-protein respiratory quotient
Denis Bruno Ranzani*, Francisco Navarro**
*Aluno do curso de Pós-Graduação “Lato-Sensu” da Universidade Gama Filho – Fisiologia do Exercício: Prescrição de Exercício (à 
distância) e Sargento do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná, **Coordenador e Professor d os Cursos de Pós-Graduação 
“Lato-Sensu” em Fisiologia do Exercício: Prescrição de Exercício, Obesidade e Emagrecimento e Nutrição Esportiva da Universidade 
Gama Filho
Resumo
Introdução: Com a hipótese de que a intensidade do exercício 
é essencial para a regulação do catabolismo de lipídios, o objetivo 
deste estudo foi estimar a intensidade onde ocorre a máxima oxi-
dação de gorduras, através da análise da correlação entre o VO2máx. 
e o QRnp, via cálculo linear. Material e métodos: Foram avaliados 45 
homens saudáveis, sendo aplicado o teste de 12 minutos (protocolo 
de Cooper), para obtermos o VO2máx.. A oxidação de substrato foi 
estimada por meio de cálculos, com base nos valores de combustão 
das gorduras para o QRnp. Resultados e discussão: A intensidade de 
pico de oxidação de gorduras foi em média 50,6% ± 2,1% do VO-
2máx. (QRnp 0,89 ± 0,005). A zona de máxima oxidação de gorduras 
fi cou entre 33,7% ± 6,2% e 67,0% ± 6,3% do VO2máx.. O coefi -
ciente de correlação foi (r = 1). Confrontando com outros estudos, 
o percentual de diferença das intensidades de pico de oxidação 
de gorduras foi -1,0% (50,6% vs. 50,1%) e das zonas de máxima 
oxidação de gorduras foram -2,1% (33,7% vs. 33,0%) e -3,0% 
(67,0% vs. 65,0%). Conclusão: Os resultados foram consistentes 
quando comparados a outros experimentos, podendo este método 
ser aplicado numa vasta população.
Palavras-chave: oxidação de gorduras, consumo de oxigênio, 
quociente respiratório não-proteico, cálculo linear.
Abstract
Introduction: With the hypothesis that exercise intensity is essen-
tial for the regulation of lipid catabolism, the objective of this study 
was to estimate the intensity where occurs the maximal fat oxidation, 
by analyzing the correlation between VO2max. and the QRnp, by linear 
calculation. Material and methods: We evaluated 45 healthy men, and 
applied the 12-minute test protocol (Cooper) to obtain VO2max.. Th e 
substrate oxidation was estimated by calculation based on values for 
the combustion of fat QRnp. Results and discussion: Th e intensity of 
peak fat oxidation averaged 50.6% ± 2.1% of VO2max. (QRnp 0.89 
± 0.005). Th e zone of maximal oxidation of fat was between 33.7% 
± 6.2% and 67.0% ± 6.3% VO2max.. Th e correlation coeffi cient was 
(r = 1). Comparing with other studies, the percentage diff erence 
of intensities of peak fat oxidation was -1.0% (50.6% vs. 50.1%) 
and areas of maximal fat oxidation were -2.1% (33.7% vs. 33.0%) 
and -3.0% (67.0% vs. 65.0%). Conclusion: Results were consistent 
when compared to other experiments; this method can be applied 
to a large population.
Key-words: fat oxidation, oxygen consumption, respiratory quotient 
non-protein, linear calculation.
Recebido em 16 de novembro de 2010; aceito em 8 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Denis Bruno Ranzani, Rua Conrado Schiffer 350/22 – Bl. 01, Estrela 84050-280 Ponta Grossa PR, 
Tel: (42) 3028-4254, E-mail: profefdenis@yahoo.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201132
Introdução
A obesidade é um grave problema de saúde pública em 
países industrializados [1] e, quando inicia na infância, a 
probabilidade do adulto ser obeso é três vezes maior [2].
Caracterizada pelo excesso de tecido adiposo [3], usual-
mente acima de 25% para os homens e acima de 32% para 
as mulheres [4], a obesidade tem como causa a defi ciência na 
utilização de gorduras como substrato energético [5], princi-
palmente, pela carência de atividade física [6].
Nesse sentido, a prática de exercícios físicos pode ser capaz 
de compensar esta diminuição da capacidade de oxidar gor-
duras [5], pois, o exercício físico está associado à redução na 
gordura corporal total de uma maneira dose-resposta [1]. En-
tretanto, a escolha mais adequada da intensidade do exercício 
físico para indivíduos acima do peso ainda é um desafi o [7].
Com o intuito de avaliar tal intensidade, a utilização da 
calorimetria indireta fornece evidência convincente acerca 
de sua validade em estimar o metabolismo energético [2]. 
Pois, supondo-se que a permuta de oxigênio e dióxido de 
carbono medida nos pulmões refl ete a troca gasosa real do 
catabolismo dos nutrientes na célula, a aplicação do quociente 
respiratório (QR) em condições de exercício físico com ritmo 
estável é razoavelmente válida [2], por fornecer uma estimativa 
aceitável das proporções de carboidratos e lipídios que estão 
sendo oxidados [8].
Julgando que as reações que liberam energia no organis-
mo são dependentes da utilização do oxigênio, nesse caso, 
poderemos estimar indiretamente o metabolismo energético 
ao conhecer o consumo de oxigênio (VO2) durante a prática 
de exercícios físicos em ritmo estável [2].
Contudo, a utilização da calorimetria indireta para a 
mensuração do dispêndio energético pode ser inadequada 
para sua aplicação numa ampla população, como em acade-
mias, devido ao alto custo dos equipamentos, espaço, tempo 
e pessoal especializado para a administração do protocolo.
Portanto, o objetivo deste estudo foi estimar a intensidade 
relativa do exercício onde ocorre a máxima oxidação de gorduras 
em quarenta e cinco recrutas do Corpo de Bombeiros, através 
da análise da correlação entre o consumo máximo de oxigênio e 
o quociente respiratório não-proteico (QRnp), via cálculo linear.
Material e métodos
O presente estudo está em conformidade com a Resolução 
nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, tendo o Comando 
do 2º Grupamento de Bombeiros autorizado a utilização dos 
dados para o referido estudo.
• Sujeitos: Quarenta e cinco recrutas do gênero masculino 
(idade, 24 ± 3 anos), fi sicamente ativos, foram submetidos 
a um teste de aptidão física no curso de formação de sol-
dados bombeiro militar. Nenhum dos participantes tinha 
alguma doença evidente e não estava em tratamento com 
dietas ou medicamentos.
• Biometria: A massa corporal e a estatura foram mensuradas 
com a balança mecânica antropométrica e estadiômetro 
da marca Welmy. Cada indivíduo permaneceu sobre a 
balança com o mínimo de vestimentas, descalços, na po-
sição ortostática, de costas para o avaliador, calcanhares 
unidos e os braços relaxados, executando uma inspiração 
forçada, com a cabeça posicionada de acordo com o plano 
de Frankfurt [9].
• Avaliação da composição corporal: Na composição corporal, 
a densidade corporal (Dc) foi estimada a partir do proto-
colo de sete dobras cutâneas (DC): peitoral, abdômen, 
coxa, tríceps, subescapular, supra-ilíaca e axilar média, 
de Jackson e Pollok [1], através do plicômetro da marca 
Cescorf e modelo científi co, onde:
Dc = 1,112 – 0,00043499 . ( sete DC) + 0,00000055 . 
(sete DC)2 – 0,00028826. (idade)
Enquanto que o percentual de gordura corporal (%GC) 
foi calculado pela equação de Siri [1]:
% GC = (495 . Dc-1) – 450• Avaliação do consumo máximo de oxigênio: O VO2máx. foi 
estimado através de teste de campo, utilizando-se o pro-
tocolo de doze minutos de Cooper [9], onde:
VO2máx. (mL.kg
-1.min-1) = (Distância percorrida em metros – 
504) . 45-1
Em repouso foram aferidas a pressão arterial e a frequên-
cia cardíaca com o aparelho digital da marca fi tness, modelo 
MF-34. Nos cinco minutos precedentes ao teste foi realizado 
aquecimento.
• Elaboração da planilha de cálculo: para desenvolvermos a 
planilha de cálculo, a presente pesquisa partiu do pressuposto 
que a calorimetria indireta, que é uma técnica não invasiva, 
utilizada para estimar a participação dos carboidratos e 
gorduras no metabolismo energético durante o exercício 
físico em estado estável, através do QR [10], poderia ser 
reproduzida pela correlação entre o VO2máx. e o QRnp.
Em razão disso, verifi cou-se que a utilização da molécula 
de gordura no metabolismo energético equivale ao QRnp 
0,70, enquanto que a utilização da molécula de carboidrato 
equivale ao QRnp 1,00 [10].
Entretanto, o metabolismo humano utiliza uma combi-
nação de substratos energéticos [11] e, para determinamos o 
valor de combustão dessa mistura de combustíveis, durante o 
repouso, consideramos que cada decilitro de sangue transpor-
tam aproximadamente 5 mL de oxigênio dos pulmões para 
os tecidos e eliminam aproximadamente 4 mL de dióxido de 
carbono dos tecidos para os pulmões [12].
Ponderando que a estimativa da contribuição dos carboidra-
tos e das gorduras no metabolismo energético durante o exercício 
físico, através do QR, é expresso pela razão entre o dióxido de 
carbono produzido e o oxigênio consumido [10], então:
Se, QR = VCO2 . VO2
-1;
Logo, QR = 4 . 5-1 = 0,80.
33Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Outros estudos também corroboraram que na maioria 
das pessoas em repouso alimentadas com uma dieta mista é 
comum um valor de QR igual a 0,80 [11].
Para a realização dos cálculos ignoramos a contribuição 
da proteína na produção de energia, em virtude da utilização 
dos valores de combustão para o QRnp.
Sabe-se que o VO2repouso equivale aproximadamente 3,5 
mL.kg-1.min-1 [6], então, correlacionamos este com o QRnp 
0,80, enquanto que os demais valores da reserva do consumo 
de oxigênio (VO2R) foram ordenados em sequência linear a 
partir do QRnp 0,81.
Foi verifi cado que o VO2 progride como uma função linear 
em relação à intensidade, até que o VO2máx. seja atingido [10] 
e, que o QR aumenta linearmente a partir do repouso até o 
valor de 1,00 com o aumento do VO2 [13].
Nesse projeto experimental, o coefi ciente linear foi deter-
minado através da razão entre o VO2R pela diferença entre 
o QRnp 1,00 e o QRnp 0,80, multiplicado por 100, onde:
coefi ciente linear = VO2R . 20
-1
• Tratamento estatístico: o grau de correlação (r) entre o 
VO2máx. e o QRnp foi apresentado em estatística analítica, 
pelo coefi ciente de correlação produto-momento, ao passo 
que os dados coletados e os resultados foram descritos de 
forma sumária através da média, mediana, desvio padrão, 
coefi ciente de variação (%) e função máximo.
• Interpretação dos dados: o pico de oxidação de gorduras foi 
determinado com a função máximo, que retorna o maior 
valor num intervalo de dados da planilha de cálculo e a zona 
de máxima oxidação de gorduras foi estabelecida através de 
um conjunto de valores, que não tiveram diferença entre 
si, até a primeira casa decimal.
Resultados
A Tabela I apresenta os parâmetros físicos e composição 
corporal de 45 recrutas.
Tabela I - Parâmetros físicos e composição corporal dos recrutas do 
Corpo de Bombeiros, 2010.
Variáveis Média 
(n = 45)
Desv. 
Pad.
Varia-
ção (%)
Idade (anos) 24 ± 3 12,5
Massa Corporal (kg) 74 ± 9,3 12,6
Estatura (cm) 178 ± 5 2,8
IMC (kg.m-²) 23,3 ± 2,3 9,9
Massa Gorda (%) 13,8 ± 5,2 37,7
Massa Gorda (kg) 10,6 ± 4,9 46,2
Massa Livre de Gordura (kg) 63,4 ± 5,7 9
VO2máx. (mL.kg
-1.min-1) 49,9 ± 4 8
VO2máx. (L.min
-1) 3,69 ± 0,5 13,5
Valores expressos em média ± desvio padrão, com o coeficiente de 
variação (%).
A Tabela II apresenta os resultados para a oxidação de 
gorduras através da correlação entre o VO2máx. e o QRnp.
Tabela II - A máxima oxidação de gorduras obtida na correlação 
entre o VO2máx. e o QRnp.
Variáveis Média 
(n = 45)
Desv. Pad. Variação 
(%)
Pico de oxidação de 
gorduras (% VO2máx)
50,6 ± 2,1 4,2
Zona de oxidação 
de gorduras, limite 
inferior (% VO2máx)
33,7 ± 6,2 18,4
Zona de oxidação 
de gorduras, limite 
superior (% VO2máx)
67,0 ± 6,3 9,4
QRnp do pico de oxi-
dação de gorduras
0,89 ± 0,005 0,6
Velocidade de oxi-
dação de gorduras 
(g.min-1)
0,35 ± 0,05 14,3
Fonte: Elaborado pelo autor.
Resultados expressos em valores médios ± desvio padrão e coeficiente 
de variação (%).
Figura 1 - Progressão linear do VO2 absoluto em função do QRnp.
Correlação produto-momento
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
0,8 0,85 0,9 0,95 1
QRnp
VO
2(
L.
m
in
-1
)
A Figura 1 demonstra o coefi ciente de correlação produto-
momento entre o VO2máx. absoluto e o QRnp. Conseguiu-se 
uma correlação perfeita positiva entre as duas variáveis (r = 
1), ou seja, todos os pontos no gráfi co de dispersão caem 
exatamente numa linha reta.
Figura 2 - Velocidade de oxidação de gorduras vs. intensidade do 
exercício (n = 45).
Pico de oxidação de gorduras
0,40
0,35
0,30
0,25
0,20
0,15
0,10
0,05
0,00
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
Intensidade relativa (% VO2 máx.)
O
xi
da
çã
o 
de
 g
or
du
ra
s 
(g
.m
in
-1
)
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201134
A Figura 2 demonstra a relação entre a taxa de oxidação 
de gorduras e a intensidade do exercício, expressa em percen-
tual do VO2máx., em recrutas do Corpo de Bombeiros. Com 
o aumento da intensidade do exercício, a taxa de oxidação 
de gorduras aumentou para 0,35 g.min-1 ± 0,05 em 50,6 ± 
2,1% do VO2máx., onde, acima dessa intensidade ocorreu a 
queda na taxa de oxidação.
A zona de máxima oxidação de gorduras fi cou situada 
entre 33,7 ± 6,2 a 67,0 ± 6,3% do VO2máx. O QRnp foi em 
média 0,89 ± 0,005, no pico de oxidação de gorduras. Na 
intensidade média, onde as taxas de oxidação de gorduras fo-
ram máximas, a contribuição relativa de oxidação de gorduras 
para o dispêndio energético foi de 34,6 ± 1,6%.
Discussão
A seleção de combustível durante o exercício físico é depen-
dente de diversos fatores, entretanto, a intensidade do exercício 
é um fator determinante. Quando a intensidade do exercício 
aumenta, o valor do QR aumenta concomitantemente [14], di-
minuindo a contribuição das gorduras como fonte de energia [10].
Esse aumento do QR ocorre à medida que a produção do 
volume de CO2 aumenta desproporcionalmente em relação 
ao consumo de O2 [11], causando o acúmulo de íons de 
hidrogênio (H+) e, consequentemente, a diminuição do pH 
dos líquidos corporais e assim, podendo alterar a velocidade 
das reações metabólicas controladas por enzimas [10].
A teoria do cruzamento conceitua os efeitos da intensidade 
do exercício sobre o equilíbrio do metabolismo de carboidra-
tos e lipídios durante o exercício prolongado [15].
Quando a intensidade do exercício aumenta além do pon-
to de cruzamento, ocorre um desvio gradativo do catabolismo 
das gorduras para o catabolismo dos carboidratos, devido 
principalmente, ao recrutamento das fi bras rápidas, com o 
respectivo aumento das enzimas glicolíticas e pelo aumento 
do nível sérico de adrenalina [10].
Nossos resultados, no que diz respeito à intensidade do 
exercício e a oxidação do substrato, são consistentes com a 
teoria do cruzamento, já que os lipídios forneceram um pouco 
mais da metade da energia duranteo exercício de baixa in-
tensidade, mas, com o aumento da intensidade do exercício, 
a participação relativa de lipídios diminuiu, enquanto que a 
participação de carboidratos aumentou.
Em comparação com a tendência central da população 
apresentada na tabela III, o percentual de diferença entre as 
intensidades relativas médias do pico de oxidação de gorduras 
foi -1,0% (50,6% vs. 50,1%).
As maiores taxas de oxidação de gorduras geralmente são 
encontradas em exercícios com intensidades baixa a moderada 
(variação de 33,0% a 65,0% do VO2máx.) [16].
Então, confrontando as intensidades da zona de máxima 
oxidação de gorduras com os nossos resultados, obtivemos o 
percentual de diferença -2,1% (33,7% vs. 33,0%) e -3,0% 
(67,0% vs. 65,0%).
Tabela III - Intensidade relativa do exercício onde ocorre a taxa 
máxima de oxidação de gorduras.
Autores População % VO2máx.
Achten et al. 
[16]
Ciclistas moderadamente trei-
nados
64,0
Achten et al. 
[17]
Homens treinados em endurance 62,5
Bogdanis et 
al. [7]
Homens sedentários com sobre-
peso
40,1
Mulheres sedentárias com 
sobrepeso
39,5
Deriaz et al. 
[18]
Homens obesos 42,0
Maffeis et al. 
[5]
Meninos pré-púberes (I tercil: 
SDS IMC 2,25)
44,0
Meninos pré-púberes (II tercil: 
SDS IMC 3,38)
49,0
Meninos pré-púberes (III tercil: 
SDS IMC 4,59)
52,0
Pérez-Martin et 
al. [19]
Homens e mulheres com sobre-
peso
33,3
Homens e mulheres com peso 
normal
50,1
Riddell et al. 
[20]
Meninos (estágio de desenvolvi-
mento: Tanner 1)
56,0
Meninos (estágio de desenvolvi-
mento: Tanner 2/3)
55,0
Meninos (estágio de desenvolvi-
mento: Tanner 4)
45,0
Steffan et al. 
[21]
Mulheres obesas e mulheres 
com peso normal
50,0
Stisen et al. 
[22]
Mulheres treinadas 53,0
Mulheres não treinadas 56,0
Venables et al. 
[23]
Homens saudáveis 45,0
Mulheres saudáveis 52,0
Tendência central das amostras: 50,1
As intensidades relativas das dezoito populações heterogêneas foram 
expressas em médias.
É interessante ressaltar que valores análogos ao do QRnp 
médio do pico de oxidação de gorduras (0,89 ± 0,005) foram 
encontrados em outros dois estudos.
Em uma pesquisa das variações do QR, durante o exercício 
moderado (47,4% VO2máx.), em nove indivíduos saudáveis, 
com base na duração do exercício (30 minutos) e nas respostas 
metabólicas, foi alcançado o QR médio de 0,89 ± 0,02 após 
o nono minuto de exercício [24].
O QR médio de 0,89 ± 0,07 foi encontrado, também, 
durante a investigação da intensidade de pico de oxidação de 
gorduras em 55 indivíduos do sexo masculino treinados em 
endurance [17].
Nossos experimentos demonstraram ainda que o metabo-
lismo de gorduras é um processo limitado em vários fatores 
35Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
e que existe uma intensidade ideal para esta oxidação. Por 
exemplo, se um indivíduo com massa corporal de 65,9 Kg e 
VO2máx. absoluto de 2,94 L.min
-1, permanecesse em repouso 
durante 60 minutos, então, 66,6% do gasto calórico seria de 
gorduras (QRnp 0,80), mas seriam gastos apenas 66 Kcal. No 
entanto, se este indivíduo praticasse exercício físico durante o 
mesmo período de tempo, na intensidade de pico da oxidação 
de gorduras (VO2máx., 49,3%), o percentual de utilização de 
gorduras diminuiria para 35,8% (QRnp 0,89), entretanto, 
o dispêndio energético subiria para 427 Kcal. Nesse caso, a 
velocidade de oxidação de gorduras durante o exercício, au-
mentaria em aproximadamente 3,5 vezes do valor em repouso.
Analisando-se o exemplo acima, verifi camos que o VO2 do 
exercício determinou o dispêndio energético global. Enquanto 
que o QRnp estabeleceu a quantidade de substratos energéticos 
que estavam sendo oxidados.
Foi verifi cado, também, que o VO2 é diretamente propor-
cional à velocidade de oxidação de gorduras, enquanto que o 
QRnp é inversamente proporcional.
Assim, parece existir um ponto ideal na correlação entre 
o VO2 e o QRnp para a velocidade máxima de oxidação de 
gorduras (g.min-1).
Conclusão
Os resultados obtidos mostraram que a máxima utilização 
de gorduras durante o exercício ocorreu entre as intensidades 
de 33,7% e 67,0% do VO2máx., enquanto que o pico de oxida-
ção de gorduras aconteceu em 50,6% do VO2máx. (QRnp 0,89).
As semelhanças dos resultados, quando comparados a 
outros experimentos, demonstraram que a correlação entre 
o VO2máx. e o QRnp, através do cálculo linear, foi um efi ciente 
instrumento para se estimar a intensidade onde ocorre a má-
xima oxidação de gorduras, podendo este método de baixo 
custo ser empregado numa extensa população.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201136
Artigo original
Comparação de diferentes números de repetições 
no alongamento dos músculos isquiotibiais 
em atletas do sexo feminino
Comparison of different numbers of repetitions on the stretching 
of the hamstring muscles in female athletes
Alisson Guimbala dos Santos Araujo, Ft. M.Sc.*, Karina da Costa Casagrande**, Kátia da Maia**
*Especialista em Ortopedia e Traumatologia – FGG, Supervisor do Ambulatório de Disfunções Músculo-Esqueléticas – FGG, 
**Acadêmicas do Curso de Fisioterapia da Faculdade Guilherme Guimbala – FGG
Resumo
O alongamento é um exercício terapêutico que tem por função o 
aumento da extensibilidade musculotendínea, sendo no meio espor-
tivo um dos recursos mais utilizados no aumento da fl exibilidade e 
prevenção de lesões. Portanto, o objetivo do estudo foi verifi car qual 
número de repetições é mais efi caz no alongamento dos músculos 
isquiotibiais em atletas do sexo feminino. A amostra foi composta 
de 36 atletas do sexo feminino, com idade 15-20 anos, distribuídas 
aleatoriamente em três grupos (n = 12) com variação no número 
de repetição em 1, 5 e 10 repetições. Os instrumentos utilizados 
foram cronômetro, banco de Wells e fl exímetro, e os sujeitos foram 
avaliados antes e após a intervenção que durou no total 4 semanas. A 
análise estatística foi descritiva (coefi ciente de variação) e paramétrica 
(ANOVA). Foi observado intragrupos um ganho percentual maior 
de G3 (8,2%) em relação aos outros grupos quando utilizado o 
fl exímetro, o mesmo ocorrendo com a utilização do banco de Wells 
G3 (9,4%), porém pela ANOVA os dados apresentaram resultados 
diferentes entregrupos sendo que G3 apresentou melhor desempe-
nho com o uso do fl eximentro e com o banco. Conclui-se que 10 
repetições é o número ideal para o ganho de fl exibilidade quando 
comparado intragrupos e entregrupos.
Palavras-chave: flexibilidade, alongamento muscular, sistema 
musculoesquelético, atletas.
Abstract
Stretching is a therapeutic exercise which aims at increasing 
musculotendinous extensibility, and in sports it is one of the most 
commonly used resources to increase fl exibility and prevent injuries. 
Th erefore, the purpose of this study was to determine which number 
of stretching repetitions of the hamstring muscle in female athletes 
is the most eff ective. Th e sample consisted of 36 female athletes, 
aged 15-20 years, randomly divided into three groups (n = 12) with 
variation of repetition 1, 5 and 10 repetitions. Chronometer, Wells 
Bench and fl eximeter were used as instrument, and the subjects were 
evaluated before and after the intervention which lasted 4 weeks in 
total. Th e analysis used descriptive statistics (coeffi cient of variation) 
and parametric (ANOVA). It was observed within the groups a 
higher percentual gain of G3 (8.2%) compared to the other groups 
when using a fl eximeter as well as with the Wells bench G3 (9.4%); 
on the other hand, data showed diff erent results by ANOVA among 
groups, the G3 showed better performance with the fl eximeter and 
the bench. We conclude that 10 repetitions is the ideal number to 
gain fl exibility when compared within groups and among groups. 
Key-words: flexibility, stretch muscular, musculoskeletal system, 
athletes.
Recebido em 8 de setembro de 2010; aceito em 1 de dezembro de 2010.
Endereço para correspondência: Alisson Guimbala dos Santos Araujo, Rua São José, 490, 89202-010 Joinville SC, Tel: (47) 3026-
8251, E-mail: alisson.araujo@ace.br
37Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Introdução
Flexibilidade pode ser defi nida como a capacidade do 
músculo estender-se movimentando uma ou mais articulações 
em uma determinada amplitude de movimento (ADM) [1,2], 
sendo essencial para um bom desempenho físico, e impor-
tante componente ao bem-estar e melhora da performance 
esportiva [3]. Já alongamento é uma manobra terapêutica 
aplicada para aumentar a extensibilidade musculotendínea, 
do tecido conjuntivo muscular e periarticular, contribuindo 
para melhorar a fl exibilidade [4,5], onde as modalidades 
mais utilizadas são o método estático, o ativo e a facilitação 
neuromuscular proprioceptiva (FNP) [4-6].
Algumas alterações no músculo como encurtamentos 
ou contraturas podem limitar a ADM, restringindo assim a 
ação muscular e alterando toda a biomecânica articular, tor-
nando as articulações mais suscetíveis a lesões [7]. O grupo 
muscular isquiotibial é um dos mais encurtados devido ao 
sedentarismo, o qual é caracterizado pela redução parcial de 
uma unidade musculotendínea saudável resultando em limi-
tação da mobilidade [8]. Estudos descrevem o alongamento 
estático como o mais efetivo para o aumento de fl exibilidade 
dos isquiotibiais [9,10]. 
Vários autores destacam a importância e os efeitos favo-
ráveis do alongamento, tais como o aumento do rendimento 
do atleta, prevenir e tratar lesões musculoesqueléticas e dis-
túrbios posturais, recuperar funções em pós-operatório ou 
pós-imobilização, relaxamento, aquecimento muscular e pro-
mover saúde [5-7,10]. Em um estudo que objetivou verifi car o 
aumento da fl exibilidade nos isquiotibiais, observou-se como 
resultado a diminuição do número de lesões nos membros 
inferiores de militares e aumento da fl exibilidade, realizando 
um protocolo de alongamento com três sessões diárias durante 
13 semanas [4].
Torna-se notável, em estudos utilizando o alongamento 
estático, a variedade de tempos recomendados para a manu-
tenção da posição fi nal (7 a 60 segundos) e do número de 
repetições (1 a 10) [11-15]. Um estudo comparou os efeitos 
de três diferentes tempos (15, 30 e 60s), utilizando alonga-
mento estático nos isquiotibiais por vários dias, encontrando 
ganho na ADM com o tempo de 30s [11], três estudos sendo 
2 em humanos [16,17] e um em animais [18] que avaliaram 
o efeito do alongamento, observaram que a maior parte do 
relaxamento de estresse ocorria durante os primeiros 12 a 20s, 
entretanto nos animais foi pesquisado o número de repetições 
e observou-se aumento signifi cativo do comprimento em 
relação à repetição anterior durante as 4 primeiras repetições. 
Outro estudo [19] atribuiu também que quanto maior o 
número de repetições e mais tempo de duração melhor será 
o efeito do alongamento.
Porém Grandi [20] apresenta a possibilidade de que quan-
to maior o tempo de duração, maior intensidade dos efeitos 
de cada sessão utilizando 4 repetições e considera o tempo 
de 30s para cada repetição exagerado, pois o relaxamento do 
estresse ocorre em 18s. Já Achour Junior [21] descreve que 
poucas repetições de alongamento estático de curta duração 
(10 a 20s) podem ser realizadas antes de algum exercício que 
utilize força prevenindo assim lesões musculares.
Portanto, para um bom treino de fl exibilidade é necessário 
o uso de parâmetros adequados de alongamento. Estudos de-
monstram técnica adequada, tempo entre as sessões, número 
de repetições, frequência e intensidade de tensão que deve 
ser aplicada no músculo durante o alongamento [1,5-10]. 
Porém ainda existem divergências quanto ao número de 
repetições, sobre qual seria o mais ideal para se utilizar na 
área clínica ou no desporto, pois esses estudos são realizados 
com tempose números de repetições diferentes não sendo 
padronizados mesmo tempo e alternância nas repetições e na 
aplicação do alongamento estático. Na pesquisa se trabalhou 
com a seguinte hipótese: será que existe diferença no ganho 
de fl exibilidade se trabalhando com o mesmo tempo, mas 
alternando as repetições? O objetivo foi verifi car qual número 
de repetições é mais efi caz no alongamento dos músculos 
isquiotibiais em atletas do sexo feminino.
Material e métodos
A amostra foi composta por 36 atletas das modalidades de 
basquete, voleibol e handebol do sexo feminino, com idade 
entre 15 e 20 anos, do Centro de Treinamento Ivo Varela. 
Como critério de inclusão todas as atletas deveriam ser fi si-
camente ativas, sem nenhuma lesão associada que pudesse vir 
a comprometer a pesquisa. 
As atletas receberam uma explicação do procedimento a 
que seriam submetidas, do objetivo do estudo e assinaram 
um termo de consentimento livre e esclarecido. As menores 
de idade foram autorizadas pelos pais ou responsáveis através 
do mesmo termo. O projeto foi submetido e teve a aprovação 
do Comitê de Ética do Hospital Municipal São José (parecer 
10033) conforme as resoluções nacionais 196/96 e 251/97 
relacionadas a pesquisas envolvendo seres humanos.
Como instrumento de pesquisa utilizou-se um cronô-
metro da marca Cassio® para marcar o tempo, o Banco de 
Wells da marca Terra Azul® para avaliação da fl exibilidade da 
musculatura de cadeia posterior e o fl exímetro da marca TM, 
Code Research Institute®, para avaliação da fl exibilidade da 
musculatura dos isquiotibiais. 
Inicialmente foi realizada uma pré-avaliação em que cada 
procedimento foi repetido três vezes e a média das três men-
surações foi o valor considerado no estudo. As atletas foram 
posicionadas em decúbito dorsal com o membro oposto ao 
da medida em zero graus no quadril e joelho, para melhor 
controle do posicionamento da pelve. O membro inferior 
medido foi posicionado a 90 graus de quadril e joelho sendo 
lentamente estendido até a primeira sensação de desconforto, 
enquanto a posição era mantida a avaliação foi realizada com o 
fl exímetro. A medida com o Banco de Wells foi realizada com 
as atletas sentadas de frente para o banco, colocando os pés no 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201138
apoio com os joelhos estendidos, ergue-se o braço e sobrepõe 
uma mão a outra e leva as duas para frente até que toquem 
a régua que está no banco. Os resultados foram obtidos de 
acordo com a pontuação atingida na régua.
Após as avaliações as atletas foram submetidas a séries de 
alongamento que foram realizadas de forma ativo-assistido, 
onde uma atleta manteve-se sentada com membros inferiores 
estendidos e paralelos um ao outro, enquanto a outra auxiliava 
de forma passiva. Cada grupo de atletas realizou números de 
repetições diferentes, sendo grupo G1 uma repetição, grupo 
G2 cinco repetições e grupo G3 dez repetições de 30 segun-
dos cada um, realizando 3 sessões por semana, com total de 
10 minutos cada sessão perfazendo um total de 10 sessões 
de intervenção. 
Ao término das sessões de alongamento as atletas submete-
ram-se a novas avaliações com os mesmos instrumentos e pro-
cedimentos no intuito de verifi car qual número de repetições 
foi mais efi caz. O período total da pesquisa foi de 4 semanas.
A fi m de analisar a relevância de diferença foi aplicada 
a análise paramétrica pelo programa Statistical Package for 
the Social Sciences (SPSS/15), utilizando o teste estatístico 
ANOVA (p < 0,05) para comparação entre grupos G1, G2 
e G3, e análise descritiva (média, desvio padrão e coefi ciente 
de variação).
Resultados
Observa-se nas tabelas apresentadas abaixo alterações 
ocorridas na avaliação do nível de fl exibilidade das atletas 
durante a aplicação do protocolo, cuja participação foi de 
98%, pois 2% da amostra faltou durante a intervenção sendo, 
dessa forma, excluída.
A Tabela I apresenta a avaliação intragrupo do fl exímetro, 
pré e pós-avaliação calculados pela média e desvio padrão, de 
acordo com cada número de repetição onde identifi cou-se 
ganhos de -0,2% (G1), 1,2% (G2) e 8,2% (G3) pelo coefi -
ciente de variação.
Tabela I - Média e desvio padrão dos grupos utilizando o fl exímetro. 
Pré Pós
1 repetição 150,30 (± 11,82) 149,85 (± 10,31)
5 repetições 157,58 (± 9,03) 159,55 (± 11,37)
10 repetições 143,03 (± 11,50) 154,85 (± 12,50)
Calculando-se pelo teste estatístico ANOVA (p < 0,05*), 
os resultados demonstram que G3 apresentou maior ganho 
de fl exibilidade quando comparados entre grupos G1xG2 
(0,836*) e G1xG3 (1,789*). 
A Tabela II apresenta os resultados da média e desvio 
padrão pelos grupos. Os resultados intragrupos do Banco 
de Wells pré e pós-avaliação calculados pelo coefi ciente de 
variação foram de 8,1% (G1), 2,7% (G2) e 9,4% (G3). 
Tabela II - Média e desvio padrão dos grupos utilizando o Banco 
de Wells.
Pré Pós
1 repetição 29,64 (± 6,28) 32,06 (± 5,07)
5 repetições 31,04 (± 5,05) 31,89 (± 5,95)
10 repetições 32,02 (± 6,61) 35,05 (± 5,39)
Os dados relativos ao teste estatístico ANOVA (p < 0,05*) 
evidenciaram também que G3 apresentou diferença signifi ca-
tiva (maior ganho de fl exibilidade) quando comparados entre 
grupos G1xG2 (0,624*) e G1xG3 (3,350*).
Discussão
A presente pesquisa demonstrou que o alongamento es-
tático utilizado com 10 repetições em um grupo de mulheres 
adultas jovens, após 4 semanas de intervenção, tornou-se 
efi ciente para o ganho de fl exibilidade do grupo muscular 
isquiotibial. Outro fator importante foi o tempo de 30s, pois 
estudos comentam ser esse o ideal corroborando com o tempo 
utilizado na pesquisa. Em um estudo que avaliou a duração do 
alongamento estático dos isquiotibiais, verifi cou-se que entre 
30 e 60 s não houve diferença signifi cativa, demonstrando que 
30 segundos é um tempo favorável de alongamento estático 
[11,22] igualando com outro estudo que comenta também 
ser 30 s o tempo ideal [2]. Porém, outro discorda comentando 
que 10 s seriam ideais para o ganho de fl exibilidade [23]. 
Entretanto, em relação ao número ideal de repetições, 
ainda ocorrem várias divergências em relação aos resultados 
dos estudos. O presente estudo relata serem 10 repetições 
o número ideal, o que não corrobora com os estudos em 
questão. Como o estudo que avaliou a frequência ideal de 
alongamento em 93 indivíduos, com idade de 21 a 39 anos, 
divididos em 5 grupos comprovando ser uma repetição de 
30 s a mais efi caz para o ganho de fl exibilidade [22]. Outro 
objetivou comparar duas doses ideais de alongamento realiza-
do em 8 indivíduos com idade entre 22 a 33 anos utilizando 
em um grupo 4 repetições e outro uma repetição. Verifi cou-
se que, após três semanas, realizando os exercícios uma vez 
por semana encontrou-se ganho de ADM nos dois grupos e, 
portanto, não havendo diferença signifi cativa [20].
O mesmo ocorreu em estudo que avaliou a frequência 
de alongamento dos músculos isquiotibiais, utilizando uma 
amostra de 36 mulheres distribuídas em 4 grupos (n = 9), 
com intervenção de alongamento, cinco dias por semana, 
durante duas semanas consecutivas, com variação de uma, 
três e seis manobras por sessão. Verifi cou-se que houve ganho 
de amplitude signifi cativo em relação ao grupo controle, mas 
não entre eles mesmos, concluindo não haver diferença em 
relação ao ganho tardio quando se utilizam uma, três ou seis 
manobras de alongamento [24].
Outro comparou diferentes números de repetições no 
alongamento dos isquiotibiais em uma amostra de 33 indi-
víduos com idade entre 8 e 11 anos, de ambos os sexos, divi-
39Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
didos em três grupos, realizando 1, 5 e 10 intervenções com 
o tempo de 30s. Todos os resultados apresentaram diferença 
significativa entre grupos evidenciando-se que 5 repetições 
seriam ideais [25].
Porém estudos corroboram com a presente pesquisa, 
pois atribuem que quanto maior o número de repetições 
melhor será o efeito do alongamento [19,20], tal como o que 
objetivou avaliar os efeitos de 10 séries de 30s e três séries 
de três minutos de alongamento estático passivo na fl exibi-
lidade dos músculos isquiotibiais, realizado em 25 mulheres 
(17 a 25 anos) dis tribuídas aleatoriamente em três grupos, 
durante 6 semanas. Verifi cou-se que não houve diferença 
estatisticamente signifi cante na ADM de joelho entre 30s e 
três minutos após seis semanas e que 10 séries de 30 segundos 
e três séries de três minutos podem aumentar a fl exibilidade 
dos isquiotibiais [26].
Outra pesquisa realizada para avaliar a melhora da fl exi-
bilidade do ombro com limitação de ADM, após um treino 
de 6 semanas, com 1 repetição de 30s de alongamento pas-
sivo estático, constatou que houve ganho de ADM. Porém 
quanto maior a limitação menor o ganho de amplitude [27]. 
Dessa forma a presente pesquisa evidencia que 10 repetições 
seriam ideais para o ganho de fl exibilidade no grupo muscular 
isquiotibial.
Conclusão 
Este estudo apresenta limitações, pois a amostra se res-
tringiu drasticamente a 12 atletas por grupo não sendo pos-
sível generalizar os dados encontrados. Porém ressalta-se, no 
entanto, que foi possível observar diferenças entre os grupos 
estudados tanto com o uso do fl exímetro quanto do banco 
de Wells, mesmo com a amostra relativamente pequena. Os 
dados apresentados não corroboram com a literatura devido 
aos poucos estudos realizados com número de repetições di-
ferentes e mesmo tempo, pois a literatura estudada emprega 
número de repetições diferentes com tempos diferentes. O 
presente estudo contribuiu para dar suporte à evidência de 
que 10 repetições, quando comparada intragrupos e entre 
grupos, tanto com o fl exímetro quanto com o banco, se 
tornou mais efi caz verifi cando, assim, que a realização de 
alongamento antes da prática esportiva contribuiu para a 
melhora signifi cativa do comprimento do músculo (ganho de 
amplitude de movimento), podendo assim levar a prevenção 
de lesões musculares.
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41Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Revisão
Manipulação da ordem dos exercícios 
na prescrição do treinamento resistido 
Manipulation of the order of exercises 
in the prescription of resistance training
Ramires Alsamir Tibana*, Sandor Balsamo**
*Centro Universitário UNIEURO, Curso de educação física, Brasília/DF, GEPEEFS (Grupo de Estudo e Pesquisa em Exercício 
de Força e Saúde), Brasília/DF, **Centro Universitário UNIEURO, Curso de educação física - Brasília/DF, GEPEEFS (Grupo de 
Estudo e Pesquisa em Exercício de Força e Saúde), Brasília/DF, Programa de Pós-Graduação stricto sensu da Faculdade de Ciências 
Médicas da Universidade de Brasília, Brasília/DF
Resumo
Esta revisão foi realizada a partir da seleção de 11 estudos, 
queforam agrupados por similaridade de tratamento (estudos 
com respostas agudas e crônicas). Os mesmos foram analisados 
qualitativamente com descrições de doses e respostas. Nos estudos 
que avaliaram as respostas agudas, os resultados indicaram que os 
exercícios realizados ao fi nal de cada sequência sempre haverá uma 
diminuição no número de repetições, independente da ordem dos 
exercícios. A maioria dos estudos foram realizados com indivíduos 
jovens e treinados, em idosas limitações de estudos não permitem 
estabelecer conclusões. Os estudos crônicos são escassos, apenas dois 
realizados até o momento, e a resposta da força muscular parece 
responder melhor nos grupamentos musculares treinados no início 
da sessão, independente da ordem. Quanto à hipertrofi a muscular, 
esta parece não ser dependente da ordem dos exercícios. No entanto, 
apenas um estudo foi realizado até o momento.
Palavras-chave: ordem dos exercícios, número de repetições, 
força muscular, espessura muscular.
Abstract
Th is review was carried out based on 11 selected studies, which 
were grouped by treatment similarity (studies of acute and chronic 
responses). Th ey were analyzed qualitatively with dose-response 
descriptions. Studies which evaluated acute responses showed that 
exercises performed at the end of each sequence will always result 
in a decrease in the number of repetitions, independent of the 
exercise order. Th e majority of studies were conducted with young 
and trained individuals; in elderly women limitations of studies do 
not allow conclusions. Chronic studies are restricted (only two) 
and the response of the muscle strength seems to respond better in 
the muscle groups trained at the beginning of the training session 
regardless of the order. As for muscle hypertrophy, it seems not to 
be dependent on the order of the exercises. However, only one study 
was carried out until now.
Key-words: exercise order, repetitions, muscle strength, muscle 
thickness.
Recebido em 1 de setembro de 2010; aceito em 8 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Ramires Alsamir Tibana, Centro Universitário Euro-Americano, Laboratório de Avaliação do 
Desempenho Físico e Saúde, Av. das Nações, Trecho 0, Conjunto 5, Brasília DF, Tel: (61) 9616-8340, E-mail: ramirestibana@hotmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201142
Introdução
O treinamento resistido (TR) é geralmente prescrito para 
promover o aumento na força absoluta, potência, hipertrofi a 
e resistência muscular. Dependendo dos objetivos e das neces-
sidades individuais, diversas variáveis podem ser consideradas 
no delineamento do TR, como o número de exercícios, séries, 
intensidade de esforço, ordem dos exercícios, velocidade de 
execução e intervalo de recuperação entre as séries [1]. 
A sequência tradicional dos exercícios determina que sejam 
realizados os exercícios para grandes grupos musculares ou os 
que envolvem várias articulações antes dos pequenos grupos 
musculares. O raciocínio para essa sequência de exercícios é 
que, ao realizar os exercícios que envolvem várias articulações 
no início de uma sessão de treinamento, um estímulo superior 
é fornecido aos músculos envolvidos, o qual acredita ser de-
corrente de uma maior resposta neural, metabólica, hormonal, 
e circulatória [2-4]. 
Contudo, estudos têm demonstrado que exercícios po-
sicionados ao fi nal de uma sequência de exercícios resultam 
em menores repetições quando comparados com os mesmos 
exercícios realizados no início da sessão de treinamento, inde-
pendente do grupamento muscular [5-8]. Além disso, Dias et 
al. [9], em um primeiro estudo prospectivo de oito semanas 
com 48 homens destreinados (18,7 ± 1,5 anos), compararam 
aleatoriamente três grupos: o primeiro iniciava os exercícios 
para grandes grupamentos e progredia para pequenos gru-
pamentos musculares; o segundo realizava a série oposta; e o 
terceiro serviu como grupo controle. E constataram que os 
exercícios posicionados no início da sessão foram os que ob-
tiveram maiores níveis de força muscular, quando comparado 
aos exercícios posicionados ao fi nal da sessão de treinamento, 
independente do grupamento muscular. Entretanto, diferen-
ças signifi cativas entre os grupos de treinamento ocorreram 
apenas para o grupo que iniciou a sessão de treino do pequeno 
para o grande grupamento muscular, onde os exercícios de 
extensão e fl exão de cotovelo foram signifi cativamente supe-
riores ao grupo que iniciava a sessão dos exercícios multi para 
os monoarticulares.
Com diversos confl itos na literatura acerca da manipulação 
da ordem dos exercícios na prescrição do TR, esta revisão 
teve como objetivo analisar e discutir a relação da ordem dos 
exercícios no desempenho das séries subsequentes, na potência 
e na força e hipertrofi a muscular. 
Métodos
Foi conduzida uma revisão com base nos seguintes critérios 
de inclusão: a) estudos experimentais cujos tratamentos en-
volviam exclusivamente treinamento com pesos e ordem dos 
exercícios; b) amostras compostas por indivíduos saudáveis 
de ambos os sexos. Foram analisados estudos publicados e 
encontrados através de busca eletrônica no Pubmed, Medline, 
Scielo e SportDiscus. Na seleção inicial foram encontrados 15 
estudos, dos quais 11 atenderam aos critérios para inclusão. A 
partir de então, foram analisados separadamente os resultados 
obtidos em estudos agudos e crônicos.
Resultados
Os resultados estão apresentados em respostas agudas do 
treinamento (Tabela I) e respostas crônicas (Tabela II) de 
acordo com as características gerais dos 11 estudos de acordo 
com: amostra, protocolos, coletas e resultados. 
Tabela I - Efeitos agudos de diferentes ordens dos exercícios.
Estudo Amostra Protocolo Coletas Resultados
Sforzo e Touey
[2]
17H –T (18 a 29 
anos)
4 séries, 8RM;
IR: 3 min. entre as séries; 
IR: 5min, entre os exercícios;
SEQ-GP = AG, CE, FP, SH, DS, 
TP SEQ-PG = TP, DS, SH, FP, CE, 
AG
VT (kg) e 
IF 
VT: SEQ GP > PG
VT SEQ GP 1ª série: 5049 kg
VT SEQ PG 1ª série: 3674 kg
VT SEQ GP 4ª série: 1301 kg
VT SEQ PG 4ª série: 1137 kg
IF SEQ GP 1ª para 4ª série: – 44%
IF SEQ PG 1ª para 4ª série: – 31,9%
Simão et al.
[5] 
14H - T
4M - T
(20 anos)
3 séries, 10RM, IR. 2min; 
SEQ-GP = SH, PF, DS, RB, TP. 
SEQ-PG = TP, RB, DS, PF, SH.
Número de 
repetições e
PSE (Borg CR 
10) 
Em ambas as sequências uma queda simi-
lar no número de repetições nos exercícios 
realizados ao final da série;
PSE: SEQ-GP = SEQ-PG
Monteiro et al. 
[6]
12M - T
(22 ± 2 anos)
3 séries, 10RM, IR. 3min; SEQ-
GP = SH, DS, TP; SEQ-PG = TP, 
DS, SH
Número de 
repetições e 
PSE (Borg CR 
10) 
Em ambas as sequências uma queda simi-
lar no número de repetições no exercícios 
realizados ao final da série;
PSE: SEQ-GP = SEQ-PG 
Simão et al. 
[7]
23M - T
(24 ± 4,5 anos)
3 séries, 80% de 1RM, IR. 2min; 
SEQ-GP = SH, DES, TP, LP, CE, 
FP; SEQ-PG = FP, CE, LP, TP, DES, 
SH
Número de 
repetições e
PSE (Borg CR 
10) 
Em ambas as sequências uma queda simi-
lar no número de repetições nos exercícios 
realizados ao final da série para membros 
inferiores e membros superiores;
PSE: SEQ-GP = SEQ-PG 
43Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Novaes et al.
[8] 
13H - T (23 ± 2,5 
anos)
3 séries, 8RM;
IR: 3 min. entre as séries; 
IR: 5min, entre os exercícios;
SEQ-GP = SH, SI, SD, TP, TT;
SEQ-PG = TT, TP, SD, SI, SH
Número de 
repetições
SEQ-GP e SEQ-PG: NS
Bellezza et al. 
[11]
18M – T
11H - T (20,9 ± 
1,9
anos)
2 séries:
1ª série, 80% de 10RM, 2ª série 
10RM; IR. 1min. 
SEQ-GP = SM, LP, RE, CE, DS, 
FP, RB, FPA, TP; SEQ-PG = TP, 
FPA, RB, FP, DS, CE, RE, LP, SM
Média no 
número total 
de repetições, 
lactato san-
guíneo e PSE 
(BorgCR 10)
SEQ-PG média total de repetições > SEQ-
GP (9,9 ± 0,3 vs 9,8 ± 0,1; p = 0,01); 
Lactato: SEQ-GP = SEQ-PG;
PSE:SEQ-GP = SEQ-PG
Farinatti et al.
[10]
10M - T
(22 ± 2 anos)
3 séries, 10RM, IR. 3min; 
SEQ-GP = SH, DS, TP; 
SEQ-PG = TP, DS, SH 
Número de 
repetições
Em ambas as sequências uma queda simi-
lar no número de repetições nos exercícios 
realizados ao final da série 
Silva et al. 
[14]
(a) 12 M jovens - T 
(22 ± 2 anos);
(b) 8 M idosas- T 
(69 ± 7 anos)
3 séries, 10RM, IR. 3min; 
SEQ-GP = SH, DS, TP; 
SEQ-PG = TP, DS, SH 
Média nú-
mero total de 
repetições em 
3 séries e PSE 
(Borg CR 10)
(a) Em ambas as sequências uma queda 
similar no número total de repetições no 
exercício realizado ao final da série; 
Curiosamente no exercício TP quando 
realizado primeiramente (SEQ-PG) ocorreu 
um maior número total de repetições quan-
do comparado ao exercício SH quando 
realizado inicialmente (SEQ-PG);
SEQ-GP = SEQ-PG para o exercícios DP 
(no meio da série);
PSE: SEQ-GP = SEQ-PG
(b) SEQ-GP o número total de repetições 
permaneceu estável ao final da série nos 
exercícios DS e TP; 
SEQ-PG: queda no número total de repe-
tições apenas no exercício SH; (exercício 
executado ao final da série);
PSE: SEQ-PG > SEQ-GP (p < 0,05)
(a,b) PSE: SEQ-GP idosas > jovens
Spreuwenberg 
et al. 
[12]
9H - T
(24 ± 4 Anos)
AG 4 séries a 85% de 1RM; 
demais exercícios 3 séries de 8 a 
10RM, IR. 2 min. menos para a 
última série do AR que foi de 4-5 
min. 
Protocolo A = Apenas AG;
Protocolo B = SH, AV, RE, RB, LT, 
AB, AR e por fim o AG.
Número de 
repetições, 
potência mus-
cular (Fitro 
Dyne) e
PSE (Borg CR 
10)
Protocolo A: maior número de repetições;
Protocolo B: maior potência muscular;
PSE: Protocolo A = Protocolo B
H = Homens; M = Mulheres; D = Destreinados; T = Treinados; VT = Volume de treinamento (carga x número de repetições) SEQ-GP = Seqüência 
grande para pequenos grupamentos musculares; SEQ-PG = Seqüência pequenos para grandes grupamentos musculares; IF = fatiga em percentual da 
1ª para 4ª série; PSE (Borg CR 10) = Percepção subjetiva de esforço pela escala de Borg; Int. = Intervalo; Vel. = Velocidade; CE = Cadeira extensora; 
LP = Leg press; AG = Agachamento; RM = Repetição máxima; IR = Intervalo de recuperação; AG = Agachamento; AR = Arremesso; AB = Abdominal; 
SH = Supino Horizontal; AV = Avanço; RE = Remada; RB = Rosca Bíceps; LT = Levantamento Terra; AB = Abdominal; NS = Sem diferença; 
Respostas agudas em diferentes ordens dos exercícios
Em 2002, o Colégio Americano de Medicina do Esporte 
[3] recomendou que para os ganhos ótimos na força muscular 
os exercícios deveriam ser realizados primeiramente para os 
grandes grupamentos musculares e em seguida os exercícios 
para os pequenos grupamentos musculares. Esta recomendação 
partiu apenas do estudo realizado por Sforzo e Touey [2], que 
analisaram a manipulação da ordem do exercício no volume 
de treino, utilizando-se de duas sessões de treinamento, sendo 
que a primeira sequência consistia dos exercícios: agachamento, 
cadeira extensora, cadeira fl exora, supino, desenvolvimento 
e extensão de cotovelo, e a segunda sequência foi o inverso 
da primeira. Demonstraram que a taxa de fadiga e o volume 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201144
total de treino, para o supino e agachamento sofreram um 
decréscimo substancialmente signifi cativo, quando exercícios 
uniarticulares foram precedidos de exercícios multi-articulares. 
No entanto, os estudos de Simão et al., Monteiro et al., 
Simão et al., Novaes et al. e Farinatti et al. [5-8,10] examinaram 
o número de repetições realizadas com a utilização de diferentes 
ordens dos exercícios, durante uma sessão de treinamento, divi-
dindo os grupos em ordem dos grandes para os pequenos e de 
pequenos para os grandes grupamentos musculares, e demons-
traram que independente da ordem dos exercícios o número de 
repetições foi sempre menor nos exercícios posicionados no fi nal 
da sequência dos exercícios. Entretanto, o estudo realizado por 
Bellezza et al. [11] apresentou resultado contraditório ao anali-
sarem o efeito de diferentes ordens dos exercícios no número de 
repetições, lactato sanguíneo e percepção subjetiva de esforço 
(PSE), em que o número de repetições foi signifi cativamente 
superior quando eram realizados os exercícios de pequenos 
para os grandes grupamentos musculares, já para o lactato e 
a PSE não houve diferenças signifi cativas entre as sequências. 
Em relação à potência muscular, o único estudo realiza-
do analisando a taxa de potência após diferentes ordens dos 
exercícios (Tabela I) foi desenvolvido por Spreuwenberg et 
al. [12] que demonstraram que a sequência dos exercícios 
também é capaz de facilitar a potência de um exercício apesar 
das reduções do trabalho total e do número de repetições 
realizadas em uma série. Quando o exercício de agachamento 
foi executado em primeiro lugar em uma sessão de exercícios, 
um número maior de repetições pôde ser realizado com 85% 
de 1RM (8,0 ± 1,9). Opostamente, quando o agachamento 
foi feito no fi nal de uma sessão de treinamento, um menor 
número de repetições pôde ser realizado (5,4 ± 2,7) uma 
diferença de 32%, no entanto, não foi signifi cativamente 
diferente. Mas, uma maior potência resultante (p < 0,01) foi 
observada durante as repetições executadas. 
Respostas crônicas em diferentes ordens dos 
exercícios
Recentemente Dias et al. [9] em um primeiro estudo 
prospectivo de oito semanas com 48 homens destreinados 
(18,7 ± 1,5 anos) comparou aleatoriamente três grupos (tabela 
II): o primeiro (G1) começava com exercícios para grandes 
Tabela II - Efeitos crônicos de diferentes ordens dos exercícios.
Estudo Amostra Protocolo Coletas Resultados
Dias et al. [9] G1 = 16H – D 
(18,7 ± 1,5 
anos);
G2 = 17H – D 
(19,4 ± 1,4 
anos);
GC = 15H - D 
(18,8 ± 1,6 
anos)
Estudo controlado randomizado 
e prospectivo de 8 semanas, 3x 
por semana:
3 séries, 8 a 12 RM, IR. 2min 
entre as séries, 48 horas entre 
as sessões de treino;
G1 = SEQ-GP: 
SH, PF, DS, RB e TP; 
G2 = SEQ-PG: 
TP, RB, DS, PF, SH;
 GC = Grupo controle
Pré e após 8 sema-
nas: 1RM 
1RM: G1 e G2 aumentaram a força 
no teste de 1RM após 8 semanas, 
no entanto, apenas o G2 apresentou 
diferença significativa em relação ao 
GC e ao G1 no aumento da força 
muscular no TP e RB
Simão et al. [13] G1 = 9H – D 
(29,9 ± 1,9 
anos); G2 
= 13H – D 
(29,1 ± 2,9 
anos); GC = 
9H – D (25,9 ± 
3,6 anos)
Estudo controlado randomizado 
e prospectivo de 12 semanas 2x 
por semana:
Semana 1-4: 4 séries, 12 a 15 
repetições, IR. 1min;
Semana 5 a 8: 3 séries 8 a 10 
repetições, IR. 2min;
Semana 9 a 12: 2 séries 3 a 5 
repetições, IR. 3min, com pelo 
menos 72h de intervalo entre as 
sessões de treino;
G1 = SEQ-GP: 
SH, PF, TP e RB, TP;
G2 = SEQ-PG: 
RB, TP PF, SH; 
GC = Grupo controle
Pré e após 12 
semanas: 1RM e 
avaliação do volume 
muscular do tríceps 
e bíceps braquial 
(ultrasom)
1RM: G1 e G2 > GC 
(exceto a RB para o grupo G1);
Volume muscular tríceps braquial: G1 
e G2 > GC;
Volume muscular bíceps braquial: G1 
> GC
G = Grupo; GC = Grupo controle; IR = Intervalo de recuperação; SH = Supino horizontal; PF = Puxada pela frente; DS = Desenvolvimento; RB = 
Rosca bíceps; TP = Tríceps; RM = Repetição máxima; SEQ-GP = Sequência do grande para o pequeno grupamento muscular; SEG-PG = Sequência do 
pequeno para o grande grupamento muscular.
45Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
grupamentos e progredia para pequenos grupamentos mus-
culares; o segundo (G2) realizava a série oposta e o terceiro 
(G3) serviu como grupo controle. Foi realizado o teste de 
1RM como parâmetro para avaliar aforça muscular nos 
exercícios descritos na Tabela II. Os resultados mostraram que 
para os grupos G1 e G2 houve melhora signifi cativa da força 
(p < 0,05) em relação do pré para o pós-teste e em relação 
ao GC, porém contrariamente ao que era recomendado pela 
literatura, o G2 foi o que obteve diferenças signifi cativas (p 
< 0,05) entre o grupo controle em todos os exercícios e o G1 
nos exercícios de fl exão e extensão de cotovelo. Outro dado 
interessante do estudo foi que os exercícios posicionados no 
início da sessão tiveram maiores ganhos de força em relação 
aos exercícios posicionados no fi nal. Com estes resultados 
parece que, particularmente, no estágio inicial do treinamento 
de força, homens jovens destreinados podem responder de 
certa forma diferente ao que é realmente recomendando 
atualmente na literatura. 
Posteriormente, Simão et al. [13] analisaram durante 
doze semanas 31 homens destreinados, os quais foram ran-
domizados em 3 grupos: exercícios de grandes para pequenos 
grupos musculares (GP); exercícios de pequenos para grandes 
grupamentos musculares (PG) e grupo controle (GC). A 
sequência dos exercícios realizados para o GP foi supino reto 
(SR), puxada (PD), extensão de cotovelo (EC) e fl exão de 
cotovelo (FC). Já para o grupo PG a sequência foi a inversa 
do grupo GP: FC, EC, PD e SR. Foram avaliadas a força 
(teste de 1RM) em todos os exercícios e espessura muscular 
(ultrassom) do tríceps e bíceps braquial. Após o período de 
treinamento, todos os exercícios para ambos os grupos de 
treinamento apresentaram ganhos signifi cativos no teste de 
1RM quando comparado ao grupo controle, exceto o exercício 
de FC para o grupo GP. Já entre o pré e o pós-treinamento 
todos os exercícios para ambos os grupos de treinamento 
apresentaram ganhos de força com exceção dos exercícios de 
FC para o grupo GP e SR para o grupo PG. Em relação à 
espessura muscular do tríceps braquial, ambos os grupos de 
treinamento apresentaram ganhos signifi cativamente maiores 
que o GC, contudo, para o pré e o pós-treinamento apenas o 
grupo PG apresentou ganhos signifi cativos, já em relação ao 
bíceps braquial a única diferença foi entre o grupo GP e GC.
Os superiores ganhos de força muscular nos exercícios rea-
lizados no início de uma sessão de treinamento parecem estar 
relacionados ao maior volume de treino, quando comparado 
aos exercícios realizados ao fi nal de uma sessão. 
Conclusão
Por meio desta revisão, podemos concluir que em exercí-
cios realizados ao fi nal de cada sequência, sempre haverá uma 
diminuição no número de repetições e força muscular, não 
importando se o exercício é de pequeno ou grande grupamen-
to muscular, no entanto, se o objetivo é potência muscular, 
parece que os exercícios posicionados ao fi nal da sequência 
podem ser benefi ciados. Em relação à espessura muscular 
de pequenos grupamentos (tríceps e bíceps braquial) parece 
não ser dependente da ordem dos exercícios. Portanto, se o 
objetivo do treinamento é força muscular em determinado 
grupamento, este deve ser realizado no início da sessão de 
treinamento, independentemente se é ou não um grande 
grupamento muscular.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201146
Revisão
Riscos e benefícios do treinamento resistido 
para adolescentes
Risks and benefits of resisted training in teenagers
Ana Carolina de Campos*, Luís Fernando da Silva*, Jean Flávio Alves**, Paulo Ferreira de Araújo, D.Sc.***,
Rita de Fátima da Silva, D.Sc.****
*Educação Física, Instituto Adventista de São Paulo (IASP), **Pós-Graduado em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca 
e a Grupos Especiais – UGF, ***Docente da Faculdade de Educação Física – UNICAMP, ****Docente da Faculdade de Educação 
Física, Instituto Adventista de São Paulo - IASP
Resumo
O treinamento resistido se fragmenta em vários aspectos po-
sitivos para os adolescentes que estão na faixa etária entre 12 a 20 
anos de idade. Nessa fase o treinamento resistido não tem como 
objetivo criar músculos volumosos e nem mesmo formar atletas 
juvenis de fi siculturismo, e sim benefi ciar através dos programas 
de treinamento resistido a melhora do condicionamento físico e 
do desempenho no desporto e, também, reduzir a probabilidade 
das lesões que ocorrem durante a prática do treinamento. Assim, o 
presente trabalho busca identifi car, através de uma revisão literária, 
quais são os possíveis riscos e benefícios da prática do treinamento 
resistido efetuado por adolescentes em academias de ginástica ana-
lisando o desenvolvimento físico, mental e o impacto na qualidade 
de vida de seus praticantes.
Palavras-chave: treinamento resistido, adolescentes, riscos e 
benefícios do treinamento resistido.
Abstract
Resisted training is fragmented in several positive aspects to 
the teenagers who are between 12 and 20 years old. In that phase, 
resisted training does not aim to build bulky muscles or even to 
form young bodybuilding athletes; instead, it aims to benefi t the 
improvement of physical conditioning and sports performance 
through the programs of resisted training and also to reduce the 
probability of lesions that occur during the training practice. Th us, 
the present paper tries to identify the possible risks and benefi tsof teenagers practicing resisted training at health clubs, analyzing 
physical and mental development and the impact to the life quality 
of its practitioners through a literary review.
Key-words: resisted training, teenagers, risks and benefits of 
resisted training.
Recebido em 14 de fevereiro de 2011; aceito em 23 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Jean Flávio Alves, Rua Goiás, 21, Jardim Nova Veneza, 13177-062 Sumaré SP, Tel: (19) 3832-1117, 
E-mail: jeanedfis@yahoo.com.br
47Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Introdução
Percebe-se na atual sociedade moderna, uma busca frené-
tica por padrões de beleza e autoimagem que são idealizadas e 
reforçadas pela mídia que em grande parte é responsável pela 
infl uência de seu desenvolvimento [1]. A insatisfação precoce 
com a imagem corporal pode induzir o adolescente à sub-
missão de atividades físicas com altas intensidades e grandes 
volumes de treinamento, levando muitas vezes a sobrepor a 
própria saúde em decorrência da valorização do corpo e da 
imagem a qual idealizam e almejam atingir [2]. 
A adolescência é marcada por um período de desen-
volvimento e mudanças tanto no peso corporal como na 
estatura, que são fundamentadas individualmente por suas 
bases genéticas e diferenciadas principalmente entre os sexos 
[3]. Esse desenvolvimento não acontece de forma contínua, 
os segmentos esqueléticos, por exemplo, possuem diferentes 
épocas de desenvolvimento, sendo no período da puberdade 
a de maior aceleração, como também do aumento dos níveis 
de testosterona, da diferenciação antropométrica, das fi bras 
musculares lentas e rápidas, do volume muscular e da menarca 
(início da função menstrual) [4].
A atividade física se desenvolvida nos princípios biológi-
cos, proporciona aumento no desempenho motor e benefícios 
psicológicos, devendo considerar sempre o nível maturacional 
do adolescente [5]. É de suma importância estimular a prá-
tica de atividade física de forma regular durante toda a vida, 
porém, visando sempre à saúde e o bem estar.
Durante muitos anos, o treinamento de força para ado-
lescentes era tido como algo prejudicial a essa faixa etária, 
descrevendo que poderia atrapalhar o desenvolvimento físico 
e o crescimento, além de proporcionar uma grande proba-
bilidade de lesões. A maioria dos praticantes de treinamento 
de força eram homens maduros que pretendiam esculpir seus 
corpos tanto para a estética como para competições como o 
fi siculturismo [6].
O treinamento resistido tornou-se uma das formas mais 
conhecidas de exercício tanto para o condicionamento de 
atletas como para melhorar a forma física de não atletas, 
sendo o método disponível mais efetivo para se manter e au-
mentar a capacidade de força e de resistência muscular, além 
de promover benefícios substanciais em fatores relacionados 
à saúde [7-9]. 
De acordo com Carnaval [10], o treinamento resistido, 
além de apresentar fi nalidades terapêuticas, profi láticas, psi-
cológicas e específi cas, apresenta ainda características estéticas, 
uma vez que pode modifi car a massa corporal, objetivando 
formas corporais desejáveis a quem pratica. Essa atividade 
quando voltada para o desenvolvimento das funções muscula-
res pode ser imposta através de pesos livres, elásticos, máquinas 
específi cas ou até mesmo com a própria massa corporal através 
da aplicação de sobrecargas [11].
A Academia Americana de Pediatria [12] admite a im-
plantação de programas de treinamento para crianças e ado-
lescentes, porém sugere que é necessário evitar treinamentos 
extenuantes até que se atinja o estado de maturidade nível 
V proposto por Marshall e Tanner [13] que tem a fi nalidade 
de evitar possíveis lesões nas placas epifi sárias antes do ama-
durecimento fi siológico. 
Crescimento e maturação
Crescimento e maturação: a transição entre a criança e 
o adolescente
O crescimento maturacional é dividido em duas fases, 
infância e adolescência podendo essa transição da infância 
para a adolescência ser afetada no início da maturação sexu-
al pela ação biológica (genótipo), como pela ação cultural 
(fenótipo) no fi nal da adolescência, que se propaga e altera 
constantemente através dos veículos de comunicação [3].
Infância
A infância é dividida em dois períodos: período inicial 
entre 2 a 6 anos de idade, e período posterior, entre 6 a 10 
anos. No período da infância, o aumento da altura e do peso 
não é tão acelerado, e se observada entre os sexos, as diferenças 
são mínimas, o desenvolvimento ósseo por sua vez é dinâmico, 
e o sistema esquelético particularmente é vulnerável à má 
nutrição, à fadiga e à doença. 
Nesse período, até o aparecimento do período pré-púbere, 
há pouca diferença no físico e no peso exibidos, portanto, 
ambos (meninos e meninas) devem ser de forma geral capazes 
de participarem de atividades juntos. A educação infantil é 
um período de aptidão em que se promove a transição gradual 
do mundo de brincadeiras para o mundo dos conceitos e da 
lógica dos adultos [3].
Adolescência
Na adolescência ocorrem alterações signifi cativas que 
podem ser infl uenciadas tanto pelo genótipo (potencial de 
crescimento) quanto pelo fenótipo (condições ambientais) 
que podem variar consideravelmente de indivíduo para 
indivíduo [3]. 
Meneses, Ocampos e Toledo [14] descrevem a sequência 
maturacional para o período da adolescência, caracterizando 
o aparecimento de pelos, formação de genitália, produção de 
esperma, de óvulos, agravamento da voz e o aparecimento de 
acne mapeada por Tanner em 1962 [13]. (Tabela I).
Tabela I - Sequência maturacional completa na adolescência.
Idade de início 
aproximada
Masculino Feminino
9 – 10
Primeiro desenvolvi-
mento testicular
Início do surto de 
crescimento
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201148
10 - 11
Intumescimento dos 
mamilos
11 – 12
Início do surto de 
crescimento
Intumescimento das 
mamas
Início do crescimento 
dos pêlos pubianos
12 - 13
Início do crescimento 
dos pêlos pubianos
Crescimento da 
genitália
Auge do surto de 
crescimento
Formação de pelos 
nas axilas Menarca
13 – 14
Auge do surto de 
crescimento do pênis 
e dos testículos
Formação de pelos 
nas axilas
Produção madura de 
óvulos 
(fim da puberdade)
14 – 15
Agravamento da voz
Produção madura de 
esperma 
(fim da puberdade)
Desenvolvimento 
maduro dos pelos 
pubianos e dos seios, 
acne.
15 - 16
Pelos faciais
Peêlos corporais
16 – 17
Desenvolvimento 
maduro dos pêlos 
pubianos
Fim do crescimento do 
esqueleto
18 - 19
Fim do crescimento 
do esqueleto
Fonte:Adaptado de Tanner J.M. Growth at adolescence. 2 ed. Oxford: 
Blackwell Scientific Publications 1962.
A puberdade é a fase que mais apresenta modifi cações, e 
as principais alterações decorrentes é a maturação biológica, 
a infl uência hormonal, o crescimento ósseo e o crescimento 
dos órgãos.
Maturação biológica
Na adolescência, o crescimento e a maturação biológica 
não ocorrem necessariamente em sincronia com a idade cro-
nológica, podendo variar de indivíduo para indivíduo, sendo 
em alguns de forma mais precoce e em outros de forma mais 
lenta. Vários estudos relatam as variações da idade biológica 
ou do nível de maturação biológica dentro de um grupo de 
adolescentes do mesmo sexo e da mesma idade cronológica 
[3,15]. 
A avaliação maturacional é um meio de determinar até 
que ponto o indivíduo progrediu em relação à sua maturação 
física, sendo esta avaliação de fundamental importância para 
se determinar o nível de amadurecimento biológico, o qual 
permitirá uma melhor classifi cação do diagnóstico, da pres-
crição e do prognóstico do indivíduo avaliado. 
A maturação biológica é o processo que leva a um com-
pleto estadode desenvolvimento morfológico, fi siológico e 
psicológico e que, necessariamente, tem controle genético e 
ambiental.
O indicador mais comum usado em estudos de maturação 
somática longitudinais com adolescentes é a idade do pico de 
velocidade da estatura, amplamente difundida como estirão 
de crescimento, ocorrendo, nesta fase, um enfraquecimento 
relativo dos ossos somado ao acelerado crescimento dos mús-
culos, o que geralmente causa desequilíbrio entre os músculos 
fl exores e extensores, o que propicia um importante fator de 
risco para lesões através da ação da contração das unidades 
músculo – tendão [16].
Outra forma utilizada na determinação da maturação 
biológica é através de métodos observacionais propostos por 
Tanner [13], que visam uma análise através do crescimento 
de pelos pubianos (Tabela II).
Tabela II - Protocolo de Marshall e Tanner quanto à análise de 
pelos pubianos.
Pré-Púbere
Estágio I
Não há pelos púbicos verdadeiros. Pode-se 
encontrar uma fina penugem sobre o púbis, 
semelhante a de outras partes do abdômen.
PUBERE
Estágio II
Crescimento esparso de pelos levemente pigmen-
tados, geralmente lisos ou levemente encaracola-
dos; começam, na maioria, ao lado da base do 
pênis.
Estágio III
O pelo espalha-se pela sínfise púbica e é 
consideravelmente mais escuro mais grosso e, 
geralmente, mais encaracolado.
Estágio IV
O pelo já está com características adultas, mas 
cobre uma área consideravelmente menor que 
na maioria dos adultos. O pelo não atinge a face 
medial das coxas.
PÓS-PUBERE
Estágio V
O pelo está distribuído em um triângulo invertido, 
como na mulher. Atinge a face medial das coxas, 
mas não a linha alba ou qualquer outro local 
acima da base do triângulo.
Fonte:Adaptado de Tanner J.M. Growth at adolescence. 2 ed. Oxford: 
Blackwell Scientific Publications 1962.
Nas meninas, o crescimento dos seios assinala o primeiro 
sinal visível da jornada em direção à maturidade sexual. Os 
pelos pubianos são usualmente o segundo sinal de progresso 
em direção à maturidade sexual. As alterações na genitália 
feminina acontecem usualmente na terceira fase no progresso 
em direção à maturidade reprodutiva. Os órgãos sexuais inter-
nos femininos também passam por consideráveis alterações: 
o útero e os ovários aumentam de peso e a menarca ocorre, 
após o pico do surto de crescimento, cerca de dois anos após 
o início do desenvolvimento dos seios, mas não assinala o 
início da maturidade reprodutiva, que de forma geral, em 
aproximadamente um ano e meio, pode passar do primeiro 
49Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
ciclo menstrual a estar fi siologicamente capaz de conceber 
uma criança, período esse conhecido como esterilidade relativa 
da puberdade [3,17]. 
Nos meninos, a puberdade inicia-se com o desenvolvi-
mento dos testículos, glândulas reprodutivas masculinas, 
que produzem o esperma e os hormônios sexuais masculinos. 
Esse aumento no comportamento sexual vincula-se a níveis 
crescentes de testosterona. O crescimento de pelos pubianos 
começa de forma precoce por volta de 10 anos de idade ou 
mais tardiamente, aos 15 anos de idade, podendo também 
haver desenvolvimento testicular sem a presença de pelos 
pubianos. A genitália externa masculina, o pênis e o escroto 
apresentam poucas alterações durante a infância, iniciando 
seu desenvolvimento em aproximadamente um ano após o 
início do crescimento testicular e do surgimento dos pelos 
pubianos, pelos axilares, faciais e o agravamento da voz, 
que estão vinculados ao progresso gradativo da maturidade 
reprodutiva [3,18].
Crescimento na puberdade
Infl uência hormonal
Durante a adolescência, há um aumento na produção de 
testosterona nos garotos que resulta em um aumento marcante 
na massa muscular, ao passo que nas garotas, há um aumento 
na produção do estrogênio, que proporciona aumento no 
depósito de gordura corporal, desenvolvimento dos seios e 
alargamento dos quadris [9].
Crescimento ósseo
O esqueleto é um indicador ideal de maturação, porque 
seu desenvolvimento abrange todo o período de crescimento 
podendo ser monitorado por radiografi as. Cada osso possui 
uma diáfi se (extensão óssea entre as epífi ses) e uma epífi se 
(extremidades do osso), que são separadas pela placa de cres-
cimento que é formada por cartilagem. Todos os ossos sejam 
eles grandes ou pequenos, crescem em seu comprimento 
pela proliferação de células cartilaginosas situadas nessas 
placas [16]. 
A cartilagem de crescimento está localizada em três re-
giões sendo uma na placa epifi sária ou placa de crescimento 
(situadas nas extremidades das articulações); outra na epífi se 
ou superfície articular (uma cartilagem que atua como um 
amortecedor articular) e outra na inserção apofi siária ou 
tendão de inserção (que assegura a conexão sólida do osso 
com o tendão), devido às mudanças hormonais. Estas placas 
se solidifi cam após a puberdade [7]. 
Crescimento de órgãos
O crescimento do coração e dos pulmões é bastante signi-
fi cativo na adolescência, fator básico na capacidade funcional. 
O coração chega a aumentar cerca de 50% em seu tamanho 
quase dobrando o seu peso [15], e os pulmões têm um 
crescimento paralelo ao do coração [3]. Com o aumento do 
tamanho do coração e dos pulmões, fi ca marcado o aumento 
da capacidade cardiorrespiratória na adolescência. 
Fatores psicológicos da puberdade 
As alterações físicas e o aparecimento das características 
sexuais secundárias são causas do aumento do interesse do 
indivíduo por seu próprio corpo e do nível de autopercepção. 
Essas rápidas alterações que estão ocorrendo diante de seus 
olhos, somado as constantes alterações sociais, o tornam 
bastante vulnerável, podendo motivar, inibir ou ainda desen-
cadear comportamentos comprometedores a saúde [3,19-21].
Treinamento resistido
O tema treinamento resistido para adolescentes vem sendo 
discutido desde a década 1950, porém, somente por volta 
da década de 80 é que as publicações científi cas referente 
ao assunto começaram a ganhar força tornando-se uma das 
formas mais efetiva de exercício para se manter e aumentar a 
capacidade de força, resistência muscular e o condicionamento 
físico de atletas e não atletas, além de promover benefícios 
substanciais em fatores relacionados à saúde [7-9,22]. 
O treinamento resistido, além de apresentar fi nalidades 
terapêuticas, profi láticas, psicológicas e específi cas, apresenta 
ainda características estéticas, uma vez que pode modifi car 
a massa corporal, objetivando formas corporais desejáveis a 
quem pratica. Essa atividade quando voltada para o desen-
volvimento das funções musculares pode ser imposta através 
de pesos livres, elásticos, máquinas específi cas ou até mesmo 
com a própria massa corporal através da aplicação de sobre-
cargas [10,11].
O número crescente de academias, de escolas e de universi-
dades com esses recursos vem sendo amplamente popularizado 
entre as pessoas de ambos os sexos, pois esse recurso reproduz 
alguns benefícios, tais como aumento de força, aumento de 
tamanho dos músculos, melhor desempenho esportivo e 
diminuição de gordura corporal [6,7]. 
O treinamento de força, também conhecido como trei-
namento com pesos ou treinamento com cargas, na maioria 
das vezes é desencorajado para o público jovem, devido ao 
seu potencial de risco nas placas epifi sárias que ainda não tem 
ossifi cação sufi ciente, mesmo não havendo relatos em estudos 
de fratura da placa epifi sária. Segundo o estudo de Greco 
[23], a literatura sugere que fraturas na placa epifi sária podem 
ocorrer com mais frequência em púberes e pós-púberes do 
que em pré-púberes, em consequência de, na fase pré-púbere, 
as placas estarem mais resistentes ao estresse de cisalhamento 
e não estarem em forte infl uência da atividadehormonal 
como nas outras fases, e apesar de haver muitos benefícios 
em decorrência do treinamento de força, não há nenhuma 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201150
diretriz estabelecida para treinamento de força no período 
da juventude [7,9].
Benefícios do treinamento resistido na adoles-
cência
Diversos são os benefícios atualmente apontados na lite-
ratura que podem ser obtidos com o treinamento com pesos 
na adolescência. Entidades norte-americanas de alto renome 
e prestígio como Th e American College of Sports Medicine, 
American Academy of Pediatrics, American Orthopaedic Society 
for Sports Medicine e o National Strength and Conditioning 
Research aprovam e prescrevem o exercício resistido para 
adolescentes. 
Um programa bem elaborado, adequadamente supervisio-
nado, com ênfase à boa técnica de execução dos movimentos 
torna a sua realização quase que totalmente isenta de riscos 
[25].
Esse método de treinamento exige uma contração muscu-
lar que promove um aumento da atividade osteoblástica na 
região óssea, próxima aos locais onde os músculos se inserem 
gerando um aumento da mineração óssea. Esse mecanismo 
de carga imposto pelo exercício aumen ta a densidade óssea, 
fortalece os tendões, ligamentos e articulações, gerando um 
aumento na estabilidade articular e resistência às sobrecargas, 
o que contribui para a prevenção e redução dos números e ou 
da gravidade de lesões musculares em atletas jovens indepen-
dentemente do sexo e da idade de quem os pratica [25,26].
Os benefícios do treinamento resistido são evidentes nos 
mais variados órgãos e sistemas: cardiovascular (aumento do 
consumo de oxigênio, manutenção de boa frequência cardíaca 
e volume de ejeção), respiratório (aumento dos parâmetros 
ventilatórios funcionais), muscular (aumento de massa, força 
e resistência), esquelético (aumento do conteúdo de cálcio e 
mineralização óssea), cartilaginoso (aumento da espessura 
da cartilagem, com maior proteção articular) e endócrino 
(aumento da sensibilidade insulínica, melhora do perfi l 
lipídico) [27].
O treinamento resistido praticado em intensidade mode-
rada promove aumento dos níveis circu lantes do hormônio 
de crescimento, somatotrofi na ou GH e do fator de cres-
cimento semelhante à insulina também conhecidos como 
somatomedinas ou IGF-1, por meio do estímulo aferente 
direto do músculo para a adenohipófi se, além do estímulo 
por cate colaminas, lactato, óxido nítrico e mudanças no ba-
lanço ácido-básico. Esse efeito é, portanto, benéfi co para o 
crescimento linear dos indivíduos pré-púberes [28].
De acordo com o estudo de Nascimento, Glaner e Pac-
cini [29], o exercício físico se destaca por ser o único meio 
de intervenção, que pode aumentar potencialmente a força 
muscular e a massa óssea. Torna-se ainda mais efetivo quando 
realizado próximo ao pico máximo da velocidade de cresci-
mento, ou seja, no início da puberdade se associado a esse 
método de treinamento resistido, potencializa principalmente 
o ganho da massa óssea. Segundo a literatura, 90% de seu 
desenvolvimento é maturado até os 20 anos de idade, sendo 
um quarto desse percentual atingido durante os dois anos de 
pico da aceleração do crescimento [27]. 
Riscos do treinamento resistido na adolescência
Especifi camente no que se refere ao trabalho de força com 
adolescentes, há alguns conceitos culturais equivocados de que 
este tende a acarretar uma série de lesões ósteo-mio-articulares, 
que pode favorecer a inibição do crescimento, prejudicando 
a estatura fi nal [30].
Muitas das lesões são provocadas por negligências por 
parte de seus praticantes e orientadores que deixam de ob-
servar, por exemplo, se o calçado é adequado para a atividade 
proposta, se a execução mecânica do exercício está correta, 
se a intensidade ou a carga do exercício não está muito alta 
podendo comprometer a segurança [30], por exemplo, das 
lombalgias, uma das lesões mais comum em adolescentes 
e pré-púberes que realizam treinamento de força, devido à 
execução incorreta do exercício e das cargas elevadas que se 
comprometem a executar [7]. 
Weineck [6] alerta aos praticantes sobre a importância 
do uso correto da técnica para o levantamento de uma carga, 
especialmente durante a fase da juventude, já que pode oca-
sionar possíveis traumas lombares devido à forma incorreta 
da execução dos exercícios. 
Um programa de treinamento resistido para adolescentes 
não deve concentrar cargas máximas durante seu período 
de estirão de crescimento, pois esta é uma fase vulnerável 
e propícia às lesões. Nessa fase, pode ocorrer um acelerado 
aumento na massa muscular proporcionado pela liberação do 
hormônio de crescimento (GH), o qual contribui para uma 
série de alterações morfológicas e funcionais que alteram a 
capacidade dos tecidos como tendões e ligamentos por su-
portar grandes cargas mecânicas [7,23].
Considerações de um programa para adolescentes
O treinamento resistido pode ser desenvolvido em adoles-
centes desde que o programa seja organizado e sistematizado 
para contribuir no desenvolvimento harmonioso dos movi-
mentos e da parte estrutural de cada indivíduo. Deve-se ter 
muito cuidado na execução dos movimentos e na sobrecarga 
utilizada para cada exercício proposto, devendo o adolescente 
ser assistido por profi ssionais capacitados, e o programa básico 
não precisa exceder a 60 minutos de atividade, e ser aplicado 
mais que 3 vezes na semana [23]. 
O treinamento com sobrecarga produz um processo de 
melhor adaptação neuromuscular no adolescente, levando-o 
a um aumento signifi cativo da força muscular e sem grandes 
alterações nas suas medidas antropométricas. 
O treinamento resistido é mais uma opção de atividade 
física para adolescentes, assim como esportes, lutas, jogos, 
51Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
entre outros. O professor, assim como em outras áreas da 
Educação Física, deverá estar preparado para a atividade 
que irá conduzir, planejando o treinamento e respeitando a 
individualidade de cada adolescente (Tabela III).
Tabela III - Sugestões para o treinamento resistido para adolescentes.
Ter bem claro os objetivos de realização de exercícios com peso, tais 
como, desempenho físico, força, hipertrofia e saúde.
Os equipamentos devem ser adequados ao tamanho dos adolescen-
tes biomecanicamente, caso não seja possível a utilização de pesos 
livres (halteres e barras), o próprio peso corporal pode ser uma boa 
opção.
Periodização de microciclos, macrociclos e mesociclos.
Observar o grau de stress no adolescente, evitando overtraining.
As cargas iniciais devem ser sempre leves, permitindo uma boa 
adaptação.
Aumentar a carga sempre de forma progressiva (5 a 10%).
Dependendo das necessidades individuais e objetivas, devem ser 
priorizadas de uma a três séries de 6 a 15 repetições com preferência 
para exercícios multiarticulares.
A frequência deve ser de 2 a 3 vezes por semana com intervalos 
adequados para a recuperação de estímulos causados (traumas) pelo 
treinamento.
Realizar avaliações posturais e maturacionais, para ver que estado se 
encontra no protocolo de Tanner. 
A ingestão de líquido deve ser constante a cada 15 – 20 minutos.
A alimentação adequada é fundamental para melhora da saúde na 
qualidade de vida e performance.
Levar mais em conta a maturação biológica do que a cronológica.
Fonte: Adaptado de American Academy of Pediatrics Council on Sports 
Medicine, (2008) e Fleck e Kraemer (1999).
Conclusão
A participação regular de adolescentes em programas de 
treinamento resulta em diversos benefícios relacionados à 
saúde e ao desempenho, bem como melhora nas habilidades 
motoras e redução nas lesões propiciadas em atividades es-
portivas e recreativas. 
Recentemente, otreinamento resistido voltado ao público 
adolescente tem aumentado, e com isso recebido muita aten-
ção dos profi ssionais da área da saúde. Os treinamentos devem 
ser projetados de acordo com o sexo, faixa etária, composição 
corporal e desempenho muscular de cada indivíduo.
O treinamento resistido para adolescentes visa em 
conjunto com o fortalecimento da musculatura postural 
a prevenção do desequilíbrio dos músculos, favorecendo o 
desenvolvimento geral e harmônico como um todo, além 
de poder propiciar uma melhor desenvoltura da capacidade 
coordenativa e uma melhor inervação intramuscular a um 
número maior de fi bras. 
Atualmente existem muitos estudos que valorizam o 
treinamento de força para esta faixa etária, deixando para 
trás o conceito de que a musculação não proporciona bene-
fícios ao adolescente. Este método de treinamento além de 
proporcionar ao orientador um total controle em relação à 
carga, pausa, amplitude, velocidade de execução, controle de 
execução mecânica, entre outros, também contém estímulos 
para o alongamento e para o encurtamento da musculatura 
que em determinados períodos é de suma importância para 
o adolescente.
Portanto, a musculação entra em cena com segurança e 
efi cácia comprovada nessa população, para que se diminuam 
os índices de sedentarismo e sua forma isolada de atividade 
física ou como parte de um programa de condicionamento 
físico. As cargas máximas só devem ser realizadas pelos adoles-
centes que já tenham atingido o estágio puberal maturacional 
no nível V da escala de Tanner.
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53Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Revisão
Síndrome metabólica: aspectos clínicos e tratamento
Metabolic syndrome: clinical aspects and treatment
Izulpério Cardoso Olevate*, Marcus Vinicius de Mello Pinto, D.Sc.**, Mário Antônio Baraúna, D.Sc.**, Lamara Laguardia 
Valente Rocha, D.Sc.*** 
*Médico, Aluno do Programa de Mestrado Ciências da Reabilitação do Centro Universitário de Caratinga/MG, **Professores e 
Pesquisadores do Núcleo de Tratamento das Desordens Craniofaciais e Reparo Tecidual da Universidade Católica de Petrópolis/RJ, 
***Professora e Pesquisadora do Departamento de Ciências Biológicas – Centro Universitário de Caratinga UNEC, Caratinga/MG
Resumo
A síndrome metabólica (SM) é um transtorno complexo, usu-
almente relacionado à deposição central de gordura e à resistência 
à insulina. No entanto, a alimentação adequada, associada à mo-
difi cação no estilo de vida, tais como prática regular de atividade 
física, contribui para um controle da doença, prevenindo compli-
cações e aumentando a qualidade de vida. Tem sido demonstrado 
que a prática regular de exercício físico apresenta efeitos benéfi cos 
na prevenção e tratamento da hipertensão arterial, resistência à 
insulina, diabetes, dislipidemia e obesidade. Os estudos sobre me-
canismos fi siopatológicos e tratamentos, assim como as tentativas 
de defi nição da síndrome metabólica, são recentes e ainda existem 
muitas dúvidas e indefi nições sobre o assunto. O objetivo desta 
revisão sistemática foi analisar a literatura dos últimos anos acerca 
da prevalência, fi siopatologia, fatores de risco e tratamento referentes 
à síndrome metabólica.
Palavras-chave: síndrome metabólica, fatores de riscos, 
fisiopatologia, tratamento.
Abstract
Metabolic syndrome (MS) is a complex disorder usually 
related to abdominal obesity and insulin resistance. However, 
proper nutrition, associated with a change in lifestyle such as regular 
physical activity helps to control the disease, preventing complica-
tions and improving quality of life. It has been shown that regular 
physical exercise has benefi cial eff ects on prevention and treat-
ment of hypertension, insulin resistance, diabetes, dyslipidemia 
and obesity. Studies on pathophysiology and treatment, as well 
as attempts to defi ne the metabolic syndrome, are recent and 
there are still many doubts and uncertaintiesabout the subject. 
Th e objective of this systematic review was to analyze the recent 
literature on the prevalence, pathophysiology, risk factors and 
treatment related to the metabolic syndrome.
Key-words: metabolic syndrome, risk factors, pathophysiology, 
treatment.
Recebido em 21 de janeiro de 2011; aceito em 11 de fevereiro de 2011.
Endereço para correspondência: Marcus Vinicius de Mello Pinto, Rua Benjamin Constant, 213, 25610-130 Petrópolis RJ, E-mail: 
orofacial_1@hotmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201154
Introdução
A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno represen-
tado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares, 
tais como hipertensão arterial, deposição central de gordura, 
dislipidemia (LDL-colesterol, triglicérides elevados e HDL-
colesterol reduzido) e resistência à insulina. Essa síndrome foi 
identifi cada pela primeira vez em 1922 e tem sido descrita 
por diferentes terminologias como quarteto mortal, síndrome 
X, síndrome plurimetabólica e síndrome de resistência à insulina 
[1].
Os critérios diagnósticos da SM mais utilizados são os 
da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os do National 
Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel III 
(NCEP-ATP III), e algumas diferenças entre eles são obser-
vadas. A defi nição da OMS requer a avaliação da resistência à 
insulina ou do distúrbio do metabolismo da glicose. Por outro 
lado, a defi nição da NCEP-ATP III não exige a mensuração 
de resistência à insulina, facilitando sua utilização em estudos 
epidemiológicos [1-4].
Segundo o NCEP-ATP III, a síndrome metabólica repre-
senta a combinação de três ou mais dos seguintes componen-
tes: deposição central de gordura, triglicérides elevados, baixos 
níveis de HDL colesterol, pressão arterial elevada e glicemia 
em jejum elevada. Pela simplicidade e praticidade é a defi nição 
recomendada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia [1-4].
O rápido crescimento da ocorrência dessa condição nas 
últimas décadas, bem como de diversas doenças crônicas, tem 
sido atribuído principalmente às mudanças da composição de-
mográfi ca, com ênfase para a urbanização e o envelhecimento 
das populações bem como às alterações do estilo de vida com 
hábitos alimentares menos adequados e sedentarismo [5].
Os estudos sobre mecanismos fi siopatológicos e riscos 
cardiovasculares, assim como as tentativas de defi nição da 
SM, são recentes e ainda existem muitas dúvidas e indefi nições 
sobre o assunto. A síndrome metabólica ainda carece de uma 
defi nição bem estabelecida, mas há uma indicação consen-
sual de que o aumento da pressão arterial, os distúrbios do 
metabolismo dos glicídios e lipídios e o excesso de peso estão 
de forma defi nitiva associados ao aumento da morbidade e 
mortalidade cardiovascular, fato observado não só nos países 
desenvolvidos, mas também nos países em desenvolvimento 
como o Brasil. No Brasil há poucos estudos sobre a prevalência 
da síndrome [5]. 
Sendo assim, o objetivo desta revisão sistemática é revisar 
e analisar a literatura dos últimos anos acerca da prevalência, 
fi siopatologia, fatores de risco e tratamento referentes à sín-
drome metabólica.
Síndrome metabólica
A Organização Mundial de Saúde (OMS) descreve a 
síndrome metabólica como um transtorno complexo, repre-
sentado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, 
usualmente, relacionados à deposição central de gordura e à 
resistência à insulina. 
Independentemente do grupo ou entidade que defi ne 
SM, os fatores de risco, ou seja, os componentes adotados 
para sua defi nição são praticamente os mesmos. Estão inclu-
ídos os seguintes componentes: obesidade – especialmente a 
obesidade abdominal –, níveis pressóricos elevados, distúrbios 
no metabolismo da glicose e hipertrigliceridemia e/ou baixos 
níveis de HDL colesterol (HDL-c). De acordo com a OMS, a 
presença de resistência à insulina é necessária para o diagnós-
tico de SM, mais a presença de dois ou mais componentes. 
Já para o National Cholesterol Education Program – Adult 
Treatment Panel III, o diagnóstico SM é fi rmado pela presença 
de três dentre quaisquer dos cinco componentes adotados. Já 
a obesidade abdominal, associada à presença de dois ou mais 
componentes, é obrigatória para fi rmar o diagnóstico de SM 
de acordo com o International Diabetes Federation [1-4].
A Organização Mundial de Saúde (OMS) adaptaram os 
critérios do NCEP-ATP III e propuseram como defi nição de 
síndrome metabólica em populações pediátricas a presença de 
três ou mais dos seguintes critérios: obesidade abdominal > 
percentil 80, glicemia de jejum > 110 mg/dL, Triglicerídeos 
> 100 mg/dL, HDL-colesterol < 40mg/dL e pressão arterial 
> percentil 90 ajustados para idade, sexo e percentil de altura. 
Contudo, não há padronização sobre a medida de circunfe-
rência abdominal em adolescentes [1-4].
Embora os critérios propostos apresentem algumas di-
ferenças em relação à presença dos componentes, todos eles 
incluem medidas de distúrbio da homeostase da glicose, 
hipertensão arterial, dislipidemia e obesidade central. Alguns 
estudos têm sugerido a participação de fatores de risco não 
tradicionais, por exemplo, indicadores de infl amação e indi-
cadores pró-trombóticos, como componentes da síndrome 
metabólica, porém estes indicadores ainda são objeto de 
muitas controvérsias e não foram incluídos em nenhum dos 
critérios diagnósticos da síndrome metabólica [6]
Diversos ensaios clínicos confi rmam a associação entre 
diabetes mellitus tipo 2 e doença cardiovascular. No Paris 
Prospective Study, após 11 anos de seguimento, observou-se 
que os níveis plasmáticos elevados da insulina em jejum au-
mentam o risco de doença cardiovascular. No ensaio clínico 
San Antonio, após sete anos de seguimento, também se notou 
que a maioria dos pacientes com resistência insulínica elevada 
e desordens metabólicas múltiplas (HDL baixo, triglicérides 
elevados e hipertensão arterial sistêmica) evoluiu para diabetes 
mellitus tipo 2 [7].
Em 2001, o Programa Nacional de Educação para o Co-
lesterol-Terceiro Painel para Tratamento do Adulto (NCEP-
ATPIII) apresentou sua defi nição da SM como parte de um 
programa educacional para prevenção da doença arterial 
coronariana, com o objetivo de facilitar o seu diagnóstico na 
prática clínica. Não incluiu a medida de resistência insulínica 
e nem privilegiou o distúrbio da glicose. Todas as alterações 
teriam igual importância. O NCEP-ATPIII propôs a iden-
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tifi cação da SM através da presença de quaisquer dos três ou 
mais dos seguintes componentes:
• Glicose de jejum > 110 mg/dL; 
• Triglicerídeos > 150 mg/dL; 
• HDL Colesterol < 40 mg/dL para homens e < 50 mg/dL 
para mulheres; 
• Pressão arterial > 130x85 mmHg; 
• Circunferência abdominal > 102 cm para o homem e > 
88 cm para mulheres. 
Observa-se que o indivíduo pode ser caracterizado como 
portador de SM independente do nível de glicose no sangue. 
Em 2004, os valores da normalidade da glicemia de jejum 
diminuíram para > 100 mg/dL, de acordo com a Associação 
Americana de Diabetes e foram adotados pelo NCEP. A As-
sociação Americana de Endocrinologia Clínica (AACE), em 
2002, também se posicionou sobre a síndrome de resistência 
à insulina [1-4,8].
A Sociedade Brasileira de Cardiologia então escolheu a 
proposta NCEP-ATPIII por sua simplicidade e praticidade 
para a I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da 
Síndrome Metabólica (I-DBSM), em 2005 [8].
Uma defi nição única e aceita mundialmente permitiria 
comparações da prevalência da síndrome em populações 
diferentes e seus desenlaces. Com esta fi nalidade, a Federação 
Internacional de Diabetes (IDF), em 2004, reuniu especia-
listas em diabetes, saúde pública, epidemiologia,genética, 
metabolismo, nutrição e cardiologia. Estudiosos dos cinco 
continentes do mundo, inclusive da OMS e do NCEP-
ATPIII, se reuniram para este desafi o, isto é, elaborar uma 
diretriz diagnóstica simples para a síndrome metabólica e de 
ampla utilização [1-4,8].
A nova defi nição, para diagnóstico de SM, inclui a pre-
sença de obesidade central, como condição essencial, e dois 
ou mais dos critérios a seguir:
• Triglicerídeos elevados: > 150 mg/dL; 
• HDL-Colesterol reduzido: < 40 mg/dL em homens e < 50 
mg/dL em mulheres (ou tratamento específi co para estas 
alterações lipídicas);
• Pressão sanguínea elevada: Pressão sistólica > 130 ou 
diastólica > 85 mmHg (ou tratamento para hipertensão 
previamente diagnosticada);
• Glicose plasmática de jejum: > 100 mg/dL (ou diagnóstico 
prévio de DM) [8].
Fatores de risco
O excesso de peso é o principal fator de risco para o 
desenvolvimento da SM. O estudo NHANES III mostrou 
que de acordo com os critérios da ATP III, teriam síndrome 
metabólica:
• 4,6% dos homens com IMC normal;
• 22,4% dos homens com sobrepeso;
• 59,6% dos homens obesos;
• 6,2% das mulheres com IMC normal;
• 28,1% das mulheres com sobrepeso;
• 50,0% das mulheres obesas.
A obesidade contribui para a hipertensão, níveis elevados 
de colesterol total, baixos níveis de HDL-colesterol e hipergli-
cemia, que por si próprios estão associados a um risco elevado 
de doença cardiovascular [9].
Outro fator de risco para a SM é a resistência à insulina, 
que geralmente acompanha a obesidade. Porém, em algumas 
populações, como os sul-asiáticos, por exemplo, existe um 
componente genético que pode levar à resistência à insulina 
mesmo em pessoas com peso normal ou sobrepeso, contri-
buindo para uma alta prevalência de diabetes e de doença 
cardiovascular prematura [9].
Segundo o estudo SESI o gênero masculino é um fator 
de risco não modifi cável para as doenças crônicas não trans-
missíveis, entre elas a hipertensão arterial. No entanto, as 
V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (2006) apresentam 
como prevalência global entre homens (26,6%; IC 95,0% 
26,0-27,2%) e mulheres (26,1%; IC 95,0% 25,5-26,6%), in-
sinuando que gênero não é um fator de risco para hipertensão. 
Com relação às idades relatadas neste estudo, evidenciou-se 
que a maioria dos hipertensos tem acima de quarenta anos 
de idade, semelhante com os estudos de Jardim et al. [10] e 
Barbosa et. al. [11] que demonstraram que a HAS aumentou 
com a idade. Através do estudo Framingham, realizado em 
Massachusetts nos Estados Unidos, que transcorreu durante 
trinta anos, evidenciou-se que a obesidade acarretou hiper-
tensão em 78,0% dos homens e 65,0% das mulheres [12].
Santos et al. [13], em um modelo exploratório visando 
observar a prevalência da síndrome metabólica e verifi car sua 
associação com o excesso de peso e inatividade física, utili-
zaram uma amostra por conveniência de 47 homens (34,6 
anos) funcionários de empresas e estabelecimentos de ensino e 
observaram que todos os portadores de síndrome metabólica 
apresentavam excesso de peso ou obesidade. Esse perfi l corro-
bora o estudo de Meigs et al. [14] que, a partir dos critérios 
do NCEP-ATP III , avaliou o risco de diabetes e doenças car-
diovasculares através da incidência de obesidade, concluindo 
que 63,0% dos obesos apresentam síndrome metabólica. As 
explicações dadas pelos epidemiologistas para o crescimento 
epidêmico da obesidade apontam para a modernização das 
sociedades, que, entre outras coisas, proporciona maior oferta 
de alimentos e desequilíbrio na qualidade da dieta, aliada à 
melhoria dos instrumentos de trabalho, que gera baixo nível 
de atividade física ocupacional e de lazer.
Fisiopatologia da síndrome metabólica
A SM é a combinação de fatores de risco que inclui 
obesidade abdominal, hipertensão arterial, dislipidemia e 
alteração da glicemia e predispõe o indivíduo à morbidade e 
mortalidade por doença cardiovascular (cardíaca e cerebral) e 
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ao desenvolvimento de diabetes (tipo 2), se ainda não estiver 
presente. Como toda síndrome, se caracteriza por um con-
junto de sintomas e sinais físicos bioquímicos para os quais 
não se conhece uma causa direta. Enquanto a patogênese da 
SM e de cada um de seus componentes não for esclarecida, 
duas características parecem despontar como fatores causais 
potenciais: a resistência à insulina e a distribuição anormal da 
gordura (obesidade abdominal). Outros fatores podem estar 
envolvidos como: estado pró-infl amatório, desequilíbrio hor-
monal, perfi l genético, inatividade física e envelhecimento [8]. 
Resistência à insulina
Resume-se a um defeito na ação da insulina sobre tecidos 
alvo, com origem na secreção inadequada e/ou respostas 
teciduais diminuídas à ação desse hormônio, que envolve 
mecanismos fi siológicos importantes para as outras caracte-
rísticas da SM. No músculo esquelético e no tecido adiposo, 
a resistência à insulina pode ser consequência de defeitos na 
translocação, exposição ou ativação das proteínas transpor-
tadoras de glicose (GLUT-4), difi cultando o trânsito deste 
nutriente do meio extra para o intracelular [8,15].
Essas anormalidades podem estar relacionadas ao próprio 
tecido (defeitos na sinalização intracelular) ou a fatores exter-
nos às células, como hiperglicemia, aumento nas concentra-
ções séricas do TNF-a e de ácidos graxos; destes últimos viria 
a maior contribuição para o desenvolvimento da resistência 
à insulina. As anormalidades no armazenamento de ácidos 
graxos e a lipólise em tecidos com sensibilidade à insulina 
proporcionam fl uxo aumentado desses lipídeos para tecidos, 
podendo diminuir a captação de glicose [8,15].
O quadro de resistência à insulina aumenta a lipólise nos 
adipócitos, por estímulo à lipoproteína lipase, produzindo 
ainda mais ácidos graxos; estes estimulam a neoglicogênese 
no fígado e inibem a depuração hepática da insulina, acu-
mulando esses lipídeos no fígado e nos músculos. Por fi m, o 
excesso de gordura nos músculos leva à resistência à insulina 
e no fígado é promovida a dislipidemia aterogênica, tornando 
seus portadores mais sujeitos às alterações nas concentrações 
de lípides séricos [8,14].
Natali et al. [16] verifi caram que a condição de resistência 
à insulina proporciona os estados infl amatório e trombóti-
co, além de causar anormalidades endoteliais por reduzir as 
vasodilatações endotélio-dependentes e não-dependentes em 
pacientes com DM tipo 2. Fernández-Real et al. [17] obtive-
ram, adicionalmente, associação positiva entre resistência à 
insulina e concentração de lípides séricos, fato relacionando 
à qualidade da ingestão destes nutrientes. 
Obesidade
A obesidade, principalmente a abdominal, é considerada 
como um poderoso fator de risco para o desenvolvimento de 
doenças crônicas não transmissíveis como diabetes do tipo 2 
(DM2) e doença cardiovascular (DCV). O achado de hipe-
rinsulinemia e resistência insulínica relacionado à presença de 
excesso da gordura perivisceral, por diversas técnicas inclusive 
Tomografi a Computadorizada, não permite questionamentos. 
Clinicamente, o uso da circunferência abdominal para acessar 
adiposidade visceral é superior ao índice de massa corporal 
(IMC) e os valores de corte para esta medida devem ser espe-
cífi cos para cada população, já que existem diferenças étnicas 
na relação entre adiposidade total, obesidade abdominal e 
acúmulo de gordura [8,15,18].
O excesso de tecido adiposo, particularmente o de con-
centração abdominal, tem sido associado com hipertensão, 
alterações lipídicas plasmáticas, resistência à insulina, estados 
infl amatórios e trombóticos. Características da SM: esses fa-
tores de risco normalmente ocorrem em indivíduos obesos ou 
com sobrepeso, porém a obesidade porsi só não explica estas 
alterações: a provável causa é a predisposição dessa morbidade 
à resistência à insulina [8,15,18].
Órgão endócrino, o tecido adiposo é capaz de secretar 
uma série de substâncias, incluindo hormônios (leptina e 
adiponectina), citocinas (as principais são o Fator de Necrose 
Tumoral - TNF-a e a Interleucina série 6 – IL-6) e outras 
proteínas (como Inibidores do Ativador de Plasminogênio 
série 1 – PAI-1, proteínas do Sistema Renina-Angiotensina 
– RAS, fator de grupo em comparação aos grupos controle 
e pré-obesidade, indicando quadro infl amatório precoce e 
possível prognóstico de obesidade. Dessa forma, pode-se dizer 
que o percentual de gordura corporal aumentado predispõe 
ao aparecimento das características da SM [8,15,18].
Hipertensão arterial
A elevação da pressão arterial em obesos está relacionada à 
natriurese pressórica pouco efi ciente. O aumento da excreção 
renal de sódio é um mecanismo de defesa encontrado pelo 
organismo quando a pressão arterial se eleva, possibilitando 
seu retorno ao normal. Nos obesos, níveis pressóricos mais 
elevados são necessários para que este mecanismo seja de-
sencadeado. Ocorre também a ativação do sistema nervoso 
simpático, mediada pela leptina liberada dos adipócitos, cujo 
mecanismo de ação ainda não foi totalmente esclarecido e 
talvez haja interações importantes com outros neuroquímicos 
hipotalâmicos. A ativação do sistema renina-angiotensina-al-
dosterona, pela produção de angiotensinogênio, no adipócito, 
também é observada. O sistema renina-angiotensina-aldoste-
rona é um poderoso sistema hormonal que regula a pressão 
arterial e o equilíbrio hídrico do organismo. Em indivíduos 
normais quando a pressão arterial ou a concentração de sódio 
plasmática diminuem, o rim aumenta a secreção de renina 
que estimula o angiotensinogênio para formar angiotensina, 
potente vasoconstrictor, levando ao aumento da pressão 
arterial sistêmica [8,15,18].
 Proteínas do sistema RAS, tais como angiotensinogênio, 
angiotensinas I, II e enzima conversora de angiotensina, 
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contribuem para a hipertensão e aterogênese com efeitos va-
soconstritores, estimuladores da secreção de aldosterona pelas 
glândulas suprarrenais e da reabsorção de sódio pelos rins. A 
hiperinsulinemia atua na maior reabsorção renal de sódio, no 
estímulo da atividade do SNS (que aumenta as concentrações 
séricas de norepinefrina, aumentando a resposta à ação da 
angiotensina) e na redução da vasodilatação mediada pelo 
óxido nítrico. Cerca de 50% dos indivíduos que apresentam 
distúrbios insulínicos desenvolvem hipertensão arterial [18].
Dislipidemia
Caracterizada por anormalidades no perfi l lipídico sérico, 
tais como elevação de triglicerídeos, baixo HDL-colesterol e 
LDL-colesterol (Low Density Lipoprotein) sob forma pequena 
e densa, a dislipidemia aterogênica presente em indivíduos 
com SM está associada à resistência à insulina e à obesidade 
abdominal. De forma especial, a resistência à insulina pode 
alterar cada um dos componentes dessa desordem lipídica, 
sendo que anormalidades na secreção de VLDL-colesterol 
(Very Low Density Lipoprotein), apolipoproteína B (Apo-B) e 
triglicerídeos são as principais. Elevados níveis de ácidos graxos 
livres levam a maior produção de partículas contendo Apo-B, 
proteína estrutural componente das lipoproteínas aterogênicas 
(VLDL, IDL - Intermediate Density Lipoprotein - e LDL), 
sendo suas concentrações consequência do número total de 
partículas aterogênicas circulantes. Dessa forma, indivíduos 
com SM podem apresentar maiores concentrações de Apo-B 
se comparados aos não portadores da síndrome [8,15,18,19].
Baixos níveis de HDL em indivíduos com SM são secun-
dários aos altos níveis de triglicerídeos, associados em parte à 
maior transferência destes para o HDL e ao menor metabolis-
mo do VLDL. Por ação da enzima colesteril éster transferase, 
o HDL e o LDL são enriquecidos com triglicerídeos vindos 
do VLDL, tornando-se mais susceptíveis à hidrólise por li-
pases hepáticas ou pela lipoproteína lipase. Tal fato, além de 
diminuir os níveis de HDL, gera partículas pequenas e densas 
de LDL com alto poder aterogênico, capazes de penetrar no 
endotélio e serem captadas e oxidadas pelos macrófagos. A 
partir daí, essas células tornam-se espumosas e dão início ao 
processo aterosclerótico. Dessa forma, associadas ao estresse 
oxidativo, infl amação e adiposidade central levam ao desen-
volvimento da SM e de eventos cardiovasculares [8,15,18,19].
Prevalência da síndrome metabólica no Brasil e 
no mundo
A Síndrome Metabólica (SM) constitui um conjunto de 
componentes que revela alimentação hipercalórica, além de 
um estilo de vida sedentário e, como consequência, o desen-
volvimento de sobrepeso/obesidade. A SM refl ete, metafori-
camente, o aumento da circunferência do mundo. Além disso, 
por corresponder a um conjunto de diferentes condições e 
não apenas uma doença, possibilita a existência de múltiplas 
defi nições concorrentes. Muitos estudos mostraram que a 
SM duplica o risco cardiovascular e aumenta em cinco vezes 
a chance de desenvolver diabetes. Embora, tenha sido perme-
ada de controvérsias, a SM encontrou seu lugar na literatura 
médica e tem hoje mais de 24.000 citações no PubMed. As 
divergências ocorrem porque as defi nições utilizam critérios 
e pontos de corte diferentes para identifi car os portadores da 
mesma síndrome. Há necessidade de adoção de um critério 
único para a SM. Isto permitiria seu rastreio com utilização 
de protocolos para a prática clínica e estabelecimento de 
políticas de saúde [8].
No Brasil vários estudos foram realizados nos últimos anos. 
Em 2007, Salaroli et al. [20] realizaram um estudo transversal 
em Vitória-ES, com 1.663 indivíduos com idades de 25 a 64 
anos e mostraram que a prevalência da SM, de acordo com os 
critérios da NCEP/ATP III, é de quase 30% para a população 
geral, sendo maior com o avançar da idade: 15,5% na faixa 
entre 25 e 34 anos e 48,3% na faixa entre 55 e 64 anos.
Também em 2007, foi publicado um estudo transversal 
de Marquezine et al. [21], com 1.561 indivíduos de uma área 
urbana, que mostrou uma prevalência de SM de 25,4% nesta 
população estudada, sendo cada vez maior com o avançar da 
idade, especialmente em mulheres, e com a piora do nível 
sócio-econômico. 
Nakazone et al. [22], em 2007, realizaram um estudo 
para analisar o perfi l bioquímico e caracterizar SM a partir de 
critérios propostos por NCEP/ATPIII e IDF, com o intuito de 
verifi car a predisposição para doença cardiovascular em 340 
indivíduos (200 pacientes e 140 controles). A prevalência de 
SM no grupo de pacientes foi de 35,5%, segundo os critérios 
na NCEP/ATP III, e de 46%, segundo os critérios da IDF.
Marcondes et al. [23] realizaram um estudo transversal 
com o objetivo de determinar a prevalência, características 
e preditores da síndrome metabólica em 73 mulheres com a 
síndrome dos ovários policísticos. A prevalência da síndrome 
metabólica foi de 38,4%, estando ausente nas mulheres com 
índice de massa corporal normal (n = 18) e presente em 23,8% 
das com sobrepeso (n = 17), 62,9% das obesas (n = 28) e 
85,5% das obesas mórbidas (n = 7). Quando comparadas, as 
mulheres com síndrome metabólica apresentaram uma idade 
mais avançada (27,3 ± 5,3 vs. 24,2 ± 4,6 anos; p = 0,031) 
e um índice de massa corporal maior (36,3 ± 7,7 vs. 26,9 ± 
5,4; p < 0,001) que as mulheres sem a síndrome.
Ford et al. [24] publicaram os resultados de um estudo 
transversal que tinha como objetivo determinar a prevalência 
da SM nos Estados Unidos de acordo com os critérios da 
ATP III. Foram analisados 8814 indivíduos com 20 anos de 
idade ou mais. A prevalência de SM foi de 21,8% (sem ajuste 
para idade) e 23,7% (ajustada para idade), sendomais alta 
em pessoas mais velhas (43,5% em indivíduos com idades 
entre 60 e 69 anos). 
Estudo publicado por Park et al. [25] demonstrou que 
a SM estava presente em mais de 20% da população adulta 
americana e que variava signifi cativamente de acordo com a 
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etnia: 13,9% em homens negros e 27,2% em mulheres de 
origem hispânica.
Marccoli et al. [26] realizaram um estudo transversal com 
2.100 indivíduos na região de Lucca, na Itália, que mostrou 
uma prevalência de SM na população geral de 18% em mulhe-
res e 15% em homens, segundo os critérios da ATP III. Além 
disso, notaram que, em pessoas mais velhas, a prevalência era 
maior (25% em indivíduos com mais de 70 anos).
Hu et al. [27] publicaram um estudo que avaliou 11 co-
ortes européias, totalizando 6156 homens e 5356 mulheres, 
não-diabéticos, com idades entre 30 e 89 anos, com cerca de 
8 anos de seguimento. Segundo os critérios modifi cados da 
OMS utilizados, a prevalência de SM entre os europeus é de 
15% (15,7% em homens e 14,2% em mulheres).
Pesquisas mostram que a prevalência é alta também em 
populações rurais. A prevalência em uma população rural 
mexicana foi de 45,2% e os autores sugerem que o motivo seja 
a incorporação de hábitos de vida urbanos destas populações, 
com maior consumo de alimentos industrializados e menor 
nível de atividade física. No Brasil, essas prevalências variaram 
entre 24,8% e 19% em dois estudos [6].
Tratamento
Independentemente da redução da PA, são vários os efeitos 
benéfi cos da redução do peso, entre eles: melhora da tolerância 
à glicose e do perfi l lipídico; diminuição das doenças dege-
nerativas articulares; melhora dos sintomas depressivos e da 
apneia do sono, aumento da tolerância aos exercícios físicos 
e melhora da autoestima que, em última análise, signifi ca 
melhora da qualidade de vida. Além disso, o tratamento não 
medicamentoso, senso amplo (medidas higieno-dietéticas), 
não causa os efeitos colaterais geralmente associados ao uso 
de drogas anti-hipertensivas [28].
A dieta recomendada para os portadores de SM deve ser 
composta por carboidratos complexos e integrais (representan-
do entre 45 e 65 % do valor calórico total diário), proteínas 
(10-35% do valor calórico diário total) e gorduras (20-35% do 
valor calórico diário total), dando-se preferência às gorduras 
mono e poliinsaturadas. Além disso, deve haver um controle 
da ingestão de sódio, que tem signifi cante impacto no controle 
da pressão arterial [9].
A recomendação tradicional de no mínimo 150 minutos 
semanais (30 minutos, cinco dias por semana) de atividade 
física de intensidade leve a moderada prescrita por um profi s-
sional credenciado, que é baseada primariamente nos efeitos 
da atividade física sobre a doença cardiovascular e outras 
diabetes mellitus, demonstra não ser doenças crônicas como 
o sufi ciente para programas que priorizem a redução de peso. 
Com isso, tem sido recomendado que programas de exercício 
para obesos comecem com o mínimo de 150 minutos sema-
nais em intensidade moderada e progridam gradativamente 
para 200 a 300 minutos semanais na mesma intensidade. 
Entretanto, se por algum motivo o obeso não puder atingir 
essa meta de exercícios, ele deve ser incentivado a realizar pelo 
menos a recomendação mínima de 150 minutos semanais, 
pois mesmo não havendo redução de peso haverá benefícios 
para a saúde, existem evidências de que haja redução do tecido 
adiposo visceral. A atividade aeróbica melhora a homeostase 
da glicose, promovendo o transporte de glicose e a ação da 
insulina na musculatura em exercício. Além disso, melhora 
o perfi l lipídico, aumentando os níveis de HDL-colesterol e 
diminuindo os triglicérides [9,29].
No músculo esquelético, o exercício físico aumenta a 
captação e oxidação de glicose e de ácidos graxos a partir do 
sangue, melhora a sinalização insulínica, aumenta a atividade 
e expressão de transportadores e enzimas reguladoras do me-
tabolismo de glicose e de ácidos graxos, promove biogênese 
mitocondrial e melhora a vasodilatação endotélio-dependente 
[30].
Estudos epidemiológicos e de coorte têm demonstrado 
forte associação entre obesidade e inatividade física, assim 
como tem sido relatada associação inversa entre atividade 
física, índice de massa corpórea (IMC), razão cintura-quadril 
(RCQ) e circunferência da cintura. Esses estudos demons-
tram que os benefícios da atividade física sobre a obesidade 
podem ser alcançados com intensidade baixa, moderada ou 
alta, indicando que a manutenção de um estilo de vida ati-
vo, independente de qual atividade praticada, pode evitar o 
desenvolvimento dessa doença [29].
O treinamento de força (TF), ou treinamento contra resis-
tência, vem sendo reconhecido como importante componente 
do programa de condicionamento físico para adultos devido 
à promoção de diversos benefícios à saúde. Há fortes indícios 
de que altos níveis de força muscular podem estar associados 
à diminuição da prevalência de síndrome metabólica [31].
O Colégio Americano de Medicina do Esporte-ACSM 
preconiza o treinamento de força para adultos jovens a partir 
de uma progressão gradual. A qualidade do programa de trei-
namento de força deve ser otimizada, sequenciando a execução 
de exercícios multiarticulares antes de monoarticulares, de alta 
intensidade antes daqueles de menor intensidade. Para indiví-
duos iniciantes, as cargas de treinamento devem corresponder 
a uma intensidade de 8-12 repetições máximas (RM) [32].
Jurca et al. [33] realizaram um estudo no qual um dos 
objetivos principais era examinar a associação entre a força 
muscular e a prevalência de síndrome metabólica. Partici-
param do estudo 8.570 homens, com idade de 20-75 anos. 
Concluiu-se que a força muscular é independentemente 
associada à prevalência de síndrome metabólica. Os homens 
com maiores níveis de força tiveram uma probabilidade 67% 
menor de ter síndrome metabólica, comparados aos homens 
com menores níveis de força.
Estudos de intervenção demonstram que perfi s desfavorá-
veis de lipídios e lipoproteínas melhoram com o treinamento 
físico. Essas melhoras são independentes do sexo, do peso 
corporal e da adoção de dieta, porém, há possibilidade de ser 
dependentes do grau de tolerância à glicose. A atividade física 
59Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
tem demonstrado ser efi ciente em diminuir o nível de VLDL 
colesterol em indivíduos com diabetes do tipo 2; entretanto, 
com algumas exceções, a maioria dos estudos não tem de-
monstrado signifi cante melhora nos níveis de HDL e LDL 
colesterol nessa população, talvez devido à baixa intensidade 
de exercício utilizada [29].
Uma metanálise de 54 estudos longitudinais randomi-
zados controlados, examinando o efeito do exercício físico 
aeróbio sobre a pressão arterial, demonstrou que essa moda-
lidade de exercício reduz, em média, 3,8 mmHg e 2,6 mmHg 
a pressão sistólica e diastólica, respectivamente. Reduções 
de apenas 2 mmHg na pressão diastólica podem diminuir 
substancialmente o risco de doenças e mortes associadas à hi-
pertensão, o que demonstra que a prática de exercício aeróbio 
representa importante benefício para a saúde de indivíduos 
hipertensos [29].
 Além do tratamento da obesidade, o tratamento 
medicamentoso dos componentes da SM deve ser conside-
rado, quando não há melhora destes apesar das mudanças de 
estilo de vida, para que haja diminuição do risco de doença 
aterosclerótica. Até o momento não existe nenhuma droga 
específi ca recomendada para tratamento da SM. O uso das 
estatinas no tratamento da dislipidemia aterogênica reduz o 
risco de eventos cardiovasculares em pacientes com SM. Os 
fi bratos também melhoram o perfi l lipídico desses pacientes, 
com capacidade de reduzira aterogênese. O mesmo é válido 
para o tratamento da hipertensão arterial e da hiperglicemia 
[9].
Os glicocorticóides (GCs) teriam um papel na fi siopato-
logia da síndrome metabólica ou plurimetabólica. Recente-
mente, demonstrou-se que elevada expressão gênica de GR 
no músculo esquelético está associada a menor sensibilidade 
à insulina. Por sua vez, a 11-beta-hidroxiesteróide desidro-
genase, que converte cortisona (GC inativo) em cortisol 
(GC, biologicamente, ativo), também tem sido implicada 
no desenvolvimento da obesidade, na resistência a insulina e 
no diabete tipo II [30].
A dexametasona (Dex) tem sido bastante utilizada como 
modelo experimental para o estudo da síndrome metabólica 
em razão de um dos seus principais efeitos adversos: a resis-
tência à insulina. Segundo alguns autores, ratos tratados com 
Dex apresentam diminuição na captação de glicose estimulada 
por insulina no músculo esquelético e no tecido adiposo, ao 
passo que no fígado há uma reversão da supressão da glicone-
ogênese. No tecido adiposo, observa-se um efeito permissivo 
à ação de hormônios lipolíticos (adrenalina, noradrenalina 
e hormônio do crescimento), resultando no aumento da 
hidrólise de triglicerídeos, liberação de ácidos graxos para o 
sangue (substâncias indutoras de estresse oxidativo e disfun-
ção endotelial) e de glicerol para gliconeogênese hepática. A 
resistência periférica à insulina e o aumento na gliconeogênese 
mediados por GCs causam hiperglicemia persistente, diabetes, 
dislipidemia e hipertensão arterial decorrente da disfunção 
endotelial [30,34].
No contexto da síndrome metabólica, observa-se que a 
metformina também apresenta efeito regularizador sobre o 
perfi l lipídico e função endotelial. Esse efeito, apesar de esta-
tisticamente signifi cativo, é menos intenso que a normalização 
da glicemia e pode passar despercebido na prática clínica. No 
entanto, deve ser considerado que o mecanismo de ação da 
metformina é distinto de outras drogas usadas no tratamento 
da síndrome metabólica, podendo haver potencialização de 
seu efeito em terapias combinadas [34].
Existem fortes evidências bioquímicas de que a ativação 
da enzima AMPK seja o mecanismo principal pelo qual a 
metformina produz seus efeitos metabólicos benéfi cos. No 
contexto não farmacológico, a ativação da AMPK ocorre 
em resposta ao exercício, uma atividade conhecida por ter 
impacto positivo para pacientes com DM2. Desta forma, 
existe uma procura por agentes seletivos e mais potentes 
ativadores da AMPK, pois poderão tornar-se drogas im-
portantes no tratamento das doenças que compõem a sín-
drome metabólica, como DM2, obesidade, dislipidemias, 
hipertensão e doença cardiovascular. Neste sentido, torna-se 
fundamental o conhecimento dos mediadores envolvidos na 
ativação dessa enzima [34].
Conclusão
A Síndrome Metabólica é uma entidade complexa, sem 
ainda uma causa bem estabelecida. Sua prevalência aumenta 
com o excesso de peso, principalmente com a obesidade ab-
dominal, e está associada a um aumento de risco de doenças 
cardiovasculares e de diabetes do tipo 2. Os profi ssionais 
de saúde têm importância fundamental no cuidado destes 
pacientes, já que a síndrome pode ser reversível, dado que os 
fatores de risco a ela relacionados são controláveis e modifi -
cáveis. Convém também salientar que, independentemente 
do diagnóstico da síndrome, os pacientes com qualquer fator 
de risco cardiovascular devem ser investigados para detectar a 
presença de outros fatores de risco e tratados individualmente 
de acordo com as diretrizes específi cas. É de comum acordo 
que mudanças no estilo de vida, com o objetivo primário de 
perda de peso, sejam introduzidas.
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61Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 2011
Normas de publicação Fisiologia do Exercício
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício é uma publicação com 
periodicidade bimestral e está aberta para a publicação e divulgação de 
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4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words)
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- Objetivos do estudo.
- Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodologia, 
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- Descobertas principais do estudo (dados concretos e estatísticos).
- Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior novidade.
Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave para 
facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar os termos 
utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) da 
Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no endereço Internet 
seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do possível, é melhor usar os 
descritores existentes. 
5. Agradecimentos
Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio financeiro 
e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios 
farmacêuticos devem ser inseridos no fi nal do artigo, antes as referências, 
em uma secção especial.
6. Referências
As referências bibliográfi cas devem seguir o estilo Vancouver defi nido 
nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográfi cas devem ser 
numeradas por numerais arábicos entre parêntesese relacionadas em 
ordem na qual aparecem no texto, seguindo as seguintes normas:
Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais de seu 
nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se diferente 
do capítulo), ponto, título do livro (em grifo - itálico), ponto, local da 
edição, dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano da impressão, ponto, 
páginas inicial e fi nal, ponto.
Exemplo:
1. Phillips SJ, Hypertension and Stroke. In: Laragh JH, editor. 
Hypertension: pathophysiology, diagnosis and management. 2nd ed. New-
York: Raven press; 1995. p.465-78.
 
Artigos – Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es), letras iniciais 
de seus nomes (sem pontos nem espaço), ponto. Título do trabalha, 
ponto. Título da revista ano de publicação seguido de ponto e vírgula, 
número do volume seguido de dois pontos, páginas inicial e fi nal, ponto. 
Não utilizar maiúsculas ou itálicos. Os títulos das revistas são abreviados 
de acordo com o Index Medicus, na publicação List of Journals Indexed 
in Index Medicus ou com a lista das revistas nacionais, disponível no 
site da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br). Devem ser citados 
todos os autores até 6 autores. Quando mais de 6, colocar a abreviação 
latina et al.
Exemplo:
Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expression and localization 
of urokinase-type plasminogen activator receptor in human gliomas. 
Cancer Res 1994;54:5016-20.
Os artigos, cartas e resumos devem ser enviados para:
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 1 - janeiro/março 201162
Calendário de eventos
2011
Abril
7 a 11 de abril
Goiânia Capital Fitness
Goiânia, GO
Informações: www.bsbfitness.com.br
13 a 15 de abril
VI Congreso Internacional Rehabilitación 2011 y III 
Encuentro Internacional de Gestión de la Información e 
Investigación en Rehabilitación
Cuba 
Informações: http://promociondeeventos.sld.cu/
rehabilitacion2011/
13 a 20 de abril
Curso de Prescrição de Treinamento Físico Aeróbio e 
Resistido para populações especiais
São Paulo, SP
Informações: (11) 3091-3183/2714-5656
21 a 24 de abril
21ª Fitness Brasil Internacional
Santos, SP
Informações: fitnessbrasil.com.br
Maio
26 a 29 de maio
VII Congresso Internacional de Educação Física e 
Motricidade Humana
XIII Simpósio Paulista de Educação Física
Rio Claro, SP 
Informações: www.rc.unesp.br/ib/simposio/
Junho
11 de junho
Fórum Internacional de Treinamento de Força e 
Qualidade de Vida
Natal, RN 
Informações: (84) 9119-9400 
23 a 25 de junho
10º Fórum Internacional de Esporte
Florianópolis, SC
Informações: (48) 3335-6050/4104-0816
E-mail: unesporte@unesporte.org.br
Julho
14 a 16 de julho
13ª Rio Sport Show
Rio de Janeiro, RJ
Informações: riosportshow.com.br
28 a 31 de julho
Costão Fitness – Meeting Sport/Business
Costão do Santinho Resort, Florianópolis, SC 
Informações: (48) 3335-6050
E-mail: unesporte@unesporte.org.br
Novembro
9 a 12 de Novembro
VIII Congresso Brasileiro de Atividade Física
Gramado, RS
Informações: www.cbafs.org.br 
EDITORIAL
Editorial, Paulo Farinatti ....................................................................................................................................................67
ARTIGOS ORIGINAIS
Impacto do exercício físico sobre a autonomia de ação de idosas participantes 
de um programa de atividade física, Nádia Souza Lima da Silva, Rafael Ayres Montenegro, 
Lis Bentes dos Santos, Juliana Ramos de Almeida, Paulo de Tarso Veras Farinatti .................................................................68
Efeito do uso de antioxidantes na prevenção da lesão muscular em atividades 
físicas intensas, Fábio Gilberto Valente, Rita de Cássia Dorácio Mendes, 
Wanderlei Onofre Schmitz ..................................................................................................................................................74
Estado de hidratação de idosos praticantes de hidroginástica de uma academia 
da cidade de São Paulo, Deborah Rivelli Pires, Lygia Russo Xavier, Márcia Nacif, 
Mariana Söncksen Garbin ....................................................................................................................................................82
Benefícios do treinamento aeróbio em indivíduos hemiparéticos crônicos, 
Kérima Giamarim Batista, Narla Couto, Maria Imaculada Ferreira Moreira Silva, 
Regiane Luz Carvalho ..........................................................................................................................................................86
Infl uência do treinamento do futsal na agilidade de adolescentes, 
Mauro Lucio Mazini Filho, Rosimar da Silva Salgueiro, Julio Cesar Correa Neto Carias, 
Ricardo Luiz Pace Junior, Felipe José Aidar, Ricardo Luiz Pace, 
Bernardo Minelli Rodrigues, Dihogo Gama de Matos .........................................................................................................90
Imagem corporal de atletas de voleibol de um clube de São Paulo, Adriana Passanha, 
Fernanda Santos Th omaz, Lídia Regina Barbosa Pereira, Gleice Amancio, Julia Alves Stein, Marcia Nacif ...........................96
RELATO DE CASO
Treinamento resistido e aeróbio promovem regularização nos níveis pressóricos 
em um indivíduo sedentário e hipertenso, Alexsandro Fernandes Generoso, Antonio Coppi Navarro .............................100
REVISÕES
Adaptações agudas promovidas por exercícios no aumento da expressão gênica, conteúdo 
e translocação da proteína GLUT-4 no músculo esquelético e melhora na responsividade 
à insulina, Henrique Quintas Teixeira Ribeiro, Rodolfo Gonzalez Camargo, 
Waldecir Paula Lima, Ricardo Zanuto, Luiz Carlos Carnevali Junior ..................................................................................106
Movimento repetitivo e fadiga muscular, Heros Ferreira, Neusa Moro ............................................................................111
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................. 117
EVENTOS ............................................................................................................................................................... 119
Índice
volume 10 número 2 - abril/junho 2011
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201166
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67Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
Editorial
Paulo Farinatti, Editor-Chefe da RBFEx
Chegamos ao segundo número deste décimo volume 
da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx). O 
processo de revisão por pares foi aperfeiçoado ao longo dos 
últimos dois anos e os pesquisadores que contribuem com a 
revista já percebem que um aumento da agilidade no decur-
so da recepção, análise e resposta dos revisores em relação à 
aceitação ou recusa dos artigos. Isso é importante para manter 
a confi ança dos interessados em divulgar seus trabalhos na 
revista. Os artigos submetidos têm abordado assuntos va-
riados, o que apenas demonstra o quanto é rica esta área do 
conhecimento. Esperemos ter condições de permanecer como 
um veículo reconhecido pelos pares como merecedor de sua 
confi ança para publicação dos resultados de seus esforços. 
O presente número da RBFEx traz nove artigos, seis deles 
originais, um relato de caso e duas revisões. Inicialmente, 
grupo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro traz um 
estudo sobre a autonomia de idosos, valendo-se de instrumen-
to de avaliação desenvolvido naquela instituição. O segundo 
estudo, encaminhados por docentes de Mato Grosso do Sul 
e Paraná, aborda o possível efeito de antioxidantes sobre le-
sões musculares. No terceiro e quarto estudos, a temática do 
exercício para populações com necessidades especiais volta à 
pauta, com uma avaliação do estado de hidratação de idosos 
praticantes de hidroginástica em uma academia de São Paulo 
e dos efeitos do treinamento aeróbio em indivíduos hemi-
paréticos. Completando os artigos originais, o treinamento 
aplicado ao desporto de rendimento é contemplado por dois 
estudos com adolescentes praticantes de futsal e atletas de 
volibol. Um interessante relato de caso foi incluído nessa 
edição, sobre efeitos do treinamento resistido e aeróbio em 
hipertenso dependente de fármacos. Os artigos de revisão 
abordam temas bem diversos, desde a expressão gênica de 
proteína do músculo esquelético em resposta ao exercício, 
até aspectos da fadiga muscular em virtude de movimentos 
cíclicos. Bom proveito!
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201168
Artigo original
Impacto do exercício físico sobre a autonomia 
de ação de idosas participantes de um programa 
de atividade física
Impact of exercise on autonomy of action among elderly women 
in a physical activity program
Nádia Souza Lima da Silva*, Rafael Ayres Montenegro**, Lis Bentes dos Santos***, Juliana Ramos de Almeida***, 
Paulo de Tarso Veras Farinatti****
*Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde – LABSAU/IEFD/UERJ, Universidade Federal de Juiz de Fora, **Labo-
ratório de Atividade Física e Promoção da Saúde – LABSAU/IEFD/UERJ, Grupo de Estudo e Pesquisa em Biologia Integrativa 
do Exercício (GEPEBIEX) – DEF/UFRN, Programa de Mestrado em Nutrição da Faculdade de Nutrição. Universidade Federal 
de Alagoas – UFAL, ***Universidade Gama Filho, ****Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde – LABSAU/IEFD/
UERJ, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira 
Resumo
O estudo teve por objetivo analisar o impacto do exercício físico 
sobre o perfi l de autonomia de ação de idosas participantes de um 
programa de atividades físicas regulares. Participaram do estudo 
60 idosas (74,3 ± 6,7 anos) distribuídas em dois grupos: Grupo 
Controle, composto por idosas sedentárias, e Grupo Experimental, 
composto por frequentadoras de projeto de atividades físicas há pelo 
menos seis meses. A autonomia de ação foi aferida pelo Sistema 
Sênior de Avaliação da Autonomia de Ação (SysSen), composto por 
um questionário de atividades físicas para obtenção de um índice 
de autonomia exprimida (IAE) e um teste de caminhada de 800 
m com transporte manual de cargas, para obtenção de um índice 
de autonomia potencial (IAP). Uma ANOVA de dupla entrada foi 
aplicada para comparar IAP, IAE, ISAC e Idade cronológica entre 
GC e GE (p < 0,05). Os resultados revelaram que GE exibiu níveis 
maiores de aptidão física e funcional. Apesar de cronologicamente 
mais velhas, as idosas ativas exibiram autonomia de ação equivalente 
às idosas inativas.
Palavras-chave: envelhecimento, autonomia, qualidade de vida, 
aptidão física, saúde.
Abstract
Th e study aimed to analyze the impact of physical exercise on the 
profi le of autonomy of action defi ned SysSen in elderly participants 
in a program of regular physical activity. Sixty subjects enrolled in 
the study (74.3 ± 6.7 years), being assigned into two groups: control 
group composed by sedentary elderly, and experimental group, 
elderly women who participated in a physical activity program 
for at least six months. Th e functional autonomy was assessed by 
the Senior System for the Evaluation of the Autonomy of Action 
(SysSen) which is composed by a physical activity questionnaire 
providing an Expressed Autonomy Index (IAE) and a 800 m walking 
test carrying weights providing a Potential Autonomy Index (IAP). 
An overall autonomy index (ISAC) was obtained from the IAP/IAE 
ratio. A 2-way ANOVA was applied to within and between group 
comparisons regarding IAP, IAE, ISAC, and chronological age. Th e 
EG exhibited higher levels of physical fi tness and functional auto-
nomy (P < 0.05), although similar profi les of overall autonomy as 
defi ned by the ISAC. Hence, although being signifi cantly older, the 
active women had similar levels of autonomy of action compared 
to the inactive group. 
Key-words: aging, autonomy, quality of life, physical fitness, health.
Recebido em 23 de fevereiro de 2011; aceito em 25 de maio de 2011.
Endereço de correspondência: Nádia Lima da Silva, Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde, Universidade do Estado 
do Rio de Janeiro (LABSAU-UERJ), Rua São Francisco Xavier 524, 80 andar, sala 8133, Bloco F, 20599-900 Rio de Janeiro RJ, E-mail: 
nadialima@globo.com
69Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume10 Número 2 - abril/junho 2011
Introdução
O processo de envelhecimento caracteriza-se pela perda 
progressiva das capacidades fi siológicas [1]. Dentre as prin-
cipais implicações do processo de envelhecimento, a perda 
de força muscular é uma das que invariavelmente repercute 
sobre a aptidão na execução das atividades diárias e, conse-
quentemente, interfere veementemente na qualidade de vida 
dos idosos [2,3].
Níveis elevados de fadiga durante as atividades diárias 
estão altamente relacionados com incapacidade funcional 
futura nos idosos [4-7]. A aptidão aeróbia e a força muscular 
fi guram entre as capacidades físicas essenciais para a realização 
das tarefas do cotidiano [8,9] e estão diretamente relacionadas 
com os aspectos cognitivos [10-13] e com a mortalidade em 
idosos [14,15].
Todas essas repercussões afetam drasticamente a auto-
nomia dos idosos [16,17]. Neste contexto, vários métodos 
de avaliação tentaram quantifi car a autonomia de idosos, 
relacionando a autonomia às condições do ambiente físico 
do indivíduo ou às suas características físicas individuais. 
Porém, de acordo com Farinatti et al. [18] estes métodos 
voltam-se eminentemente aos interesses do observador e 
não aos do indivíduo observado. Ao contrário, o Sistema de 
Avaliação da Autonomia de Ação de Idosos (SysSen) constitui 
um sistema de avaliação física e funcional que se vale de uma 
abordagem positiva, perante a avaliação da autonomia pelos 
próprios idosos [16].
Apesar dos estudos prévios terem demonstrado que o 
SysSen reveste-se de boa validade e reprodutibilidade [18-
20], é importante testá-lo em diferentes contextos para 
ratifi cação desses resultados. Uma questão que se apresenta, 
por exemplo, é a capacidade do sistema discriminar aspectos 
da autonomia de ação entre idosos ativos e sedentários, bem 
como os efeitos da prática regular de atividades físicas sobre 
a autonomia assim defi nida. Desse modo, o presente estudo 
teve por objetivo analisar o impacto do exercício físico sobre 
o perfi l de autonomia de ação defi nida pelo SysSen, em idosas 
participantes de um programa de atividades físicas regulares, 
o Projeto Idosos em Movimento: Mantendo a Autonomia 
(IMMA) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Materiais e métodos
Sujeitos
Participaram do estudo 60 idosas (74,3 ± 6,7 anos), 
distribuídas igualmente em dois grupos: (I) Grupo Controle 
(GC), não praticantes de exercício físico regular e (II) Grupo 
Experimental (GE), idosas que participavam do projeto de 
extensão universitário intitulado “Idosos em Movimento: 
Mantendo a Autonomia (IMMA)”, desenvolvido na Uni-
versidade do Estado do Rio de Janeiro, há pelo menos seis 
meses. Para a seleção da amostra foram adotados os seguintes 
critérios de exclusão: a) restrições médicas para a prática de 
exercício físico; b) defi ciência motora ou cognitiva impeditiva 
da aplicação das atividades previstas (questionário e teste de 
campo); c) problemas ósteomioarticulares que comprome-
tessem a realização dos testes.
Todas as voluntárias foram devidamente esclarecidas a 
respeito de todos os procedimentos experimentais e possíveis 
riscos envolvidos no estudo e, então, assinaram um termo 
de consentimento livre e esclarecido, conforme determina a 
Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.
Avaliação antropométrica
Para determinação do Índice de Massa Corporal (IMC), 
expresso em kg/m2, foram aferidas a massa corporal e a esta-
tura, de acordo com as padronizações descritas por Gordon 
et al. [21] e Martin et al. [22], respectivamente. O IMC foi 
calculado pelo quociente entre peso (kg) e o quadrado da 
estatura (m2). As medidas foram coletadas em uma balança 
digital da marca Filizola® devidamente calibrada.
Avaliação da autonomia de ação
Para a avaliação da autonomia de ação das idosas foi uti-
lizado o Sistema Sênior de Avaliação da Autonomia de Ação 
(SysSen) [18]. O SysSen é composto por dois instrumentos 
independentes e complementares: o QSAP (Questionário 
Sênior das Atividades Físicas) e o Teste Sênior de Caminhar 
e Transportar (TSMP).
O QSAP tem por fi nalidade observar a autonomia do 
idoso através de questões sobre atividades de seu cotidiano. O 
questionário é composto por quatro partes: (1ª parte) abrange 
as atividades que o entrevistado faz em seu domicílio, em seu 
trabalho e no tempo livre; (2ª parte) abrange as atividades que 
o entrevistado deve fazer como, por exemplo, quantos lances 
de escada o indivíduo deve, obrigatoriamente, subir por dia, 
ou quanto tempo o indivíduo leva caminhando de sua casa até 
o ponto de ônibus ou outro transporte público mais próximo; 
(3ª parte) as atividades que o entrevistado deseja fazer - é 
apresentada uma lista de atividades ao entrevistado, o qual 
deve dizer se suas condições físicas e de saúde representam 
impedimento durante a execução das atividades listadas, bem 
como é atribuída uma pontuação aos sentimentos suscitados 
pelo fato de não realizar atividades que desejaria fazer; a últi-
ma parte (4ª parte) é constituída de itens para obter o ponto 
de vista do entrevistador quanto à realidade do entrevistado, 
buscando minimizar possíveis erros de avaliação.
Cada atividade possui uma pontuação pré-determinada e no 
fi nal de todas as respostas às partes do questionário, os pontos 
são somados, dando resultado aos chamados “TOT 1, TOT2, 
TOT3 e TOT4”. A soma do “TOT 1”, “TOT 2”, “TOT 3” 
e “TOT 4”, dividida por quatro, nos leva ao “ITOT”, que 
consiste nos índices totais do QSAP. Com base nesses índices 
calcula-se o IAE (Índice de Autonomia Exprimida), que re-
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201170
presenta o resultado geral do questionário, através da seguinte 
fórmula: IAE = 6,99 x IAEbruto + 69,88, onde IAEbruto = 7,496x1 
+ 7,899x2 - 3,423, onde x1 = ITOT (PA), x2 = ITOT (FO)
O segundo instrumento do SysSen, o TSMP, foi pensado de 
forma a permitir, em um teste físico, a interação da força mus-
cular de membros superiores e da capacidade cardiorrespiratória 
em um contexto funcional [19-20]. Trata-se de uma caminhada 
de 800 metros transportando-se cargas de 6,5 kg em cada mão 
para as mulheres e 8,0 kg para os homens. Os idosos devem 
caminhar o mais rápido que puderem, porém, têm liberdade 
para fazer pausas durante o percurso. Nesse teste, as variáveis 
observadas são: IMC (Índice de Massa Corporal), tempo total 
de percurso em segundos (T-800), S-PAUSA (correspondente 
ao número de pausas que o indivíduo fez) e percentual da 
frequência cardíaca máxima (%FC máx), determinado pela 
fórmula: “%FCmáx = (FCtest x 100) / FCmáx”, sendo a FCtest 
a máxima frequência obtida no teste e a FCmáx a frequência 
máxima estipulada pela fórmula “220 - idade”.
O TSMP é composto por 3 fases: a) fase de pré-fadiga, 
imóvel e de pé, o indivíduo sustenta pesos predeterminados 
para seu sexo em cada uma das mãos durante 3 minutos, ao 
fi m dos quais é autorizado a começar a caminhada; b) fase 
de trabalho, o indivíduo é convidado a percorrer, sem correr, 
800 m (o mais rapidamente possível sem colocar em risco a 
saúde), portando os pesos específi cos ao seu sexo. Por razões 
operacionais, o teste é feito em uma distância de 50 ou 100 
m, percorrida 16 ou 8 vezes; e c) fase de recuperação, ao 
fi m dos 800 m, o sujeito coloca os pesos no chão e sua FC 
(e, preferencialmente, a pressão arterial) é aferida imediata-
mente e após 3 minutos. Esse período de recuperação pode 
ser aumentado, se essas variáveis mostram-se anormalmente 
elevadas. A partir das quatro variáveis observadas durante o 
teste foi determinado o IAP (Índice de Autonomia Potencial). 
O resultado fi nal do SysSen é a razão entre os valores cor-
rigidos de IAP e o IAE, que resulta no ISAC (Índice Sênior 
de Autonomia de Ação) (Quadro 1). Foram classifi cados 
como autônomos os idosos cujo ISAC era maiorou igual a 
um [18,19].
Protocolo experimental
Todas as idosas que compuseram o GE faziam parte do 
IMMA há, no mínimo, seis meses. Portanto, todas foram 
classifi cadas como fi sicamente ativas e bem adaptadas aos 
exercícios propostos pelo programa. A metodologia de traba-
lho no IMMA é pautada no desenvolvimento de atividades 
corporais como ginástica, dança e jogos recreativos, realizadas 
duas vezes por semana em sessões com duração aproximada 
de 60 minutos. O esquema de aula engloba estímulos vol-
tados para o desenvolvimento dos seguintes componentes 
da aptidão física: força muscular, fl exibilidade, equilíbrio, 
coordenação e resistência aeróbia, além de valências como 
a memória e funcionalidade, por meio de exercícios diários 
funcionais específi cos.
Quadro 1 - Fórmulas para Cálculo dos Índices Parciais (IAE e 
IAP) e Total do SysSen (ISAC).
Índice Senior de Autonomia Exprimida (IAE)
6,99 x IAEbruto + 69,88
IAEbruto = 7,496 x ITOT (PA) + 7,899 x ITOT (FO) - 3,423
ITOT (PA) = somatório dos índices parciais das partes do 
QSAP para FO
Índice Senior de Autonomia Potencial (IAP)
IAP = 69,02 - 4,49 x IAPbruto
IAPbruto (homens) = 0,005x1 + 0,053x2 + 0,514x3 - 0,013x4 
- 3,28
IAPmulheres = 68,51 - 6,84 x IAPbruto
IAPbruto (mulheres) = 0,006x1 + 0,080x2 + 0,233x3 + 
0,029x4 - 8,32
x1 = T-800 (seg); x2 - BMI (kg;m
2); x - S-PAUSW (s/dim); x4 = 
%FCmax (%)
Índice Senior de Autonomia de Ação (ISAC)
ISAC = IAPcorr/IAEcorr
IAPcorr (mulheres) = 1,48 x IAPmulheres - 52,43
IAEcorr (mulheres) = 2,04 x IAE - 91,65
IAPcorr (homens) = 2,23 x IAPhomens - 102,86
IAEcorr (homens) = 1,37 x IAE - 46,10
Fonte: Farinatti et. al., 2000.
O SysSen foi aplicado durante o período de 28 dias. Toda 
a avaliação era realizada em um único dia, portanto, avaliou-
se cerca de duas idosas/dia. Após explanação dos objetivos e 
metodologia do estudo, os participantes assinavam o TCLE 
e, em seguida, eram realizadas as medidas antropométricas. 
Feito isso, dava-se início a aplicação do QSAP. A duração 
média da aplicação do QSAP era de 15 minutos por idosa. 
Após todas as idosas responderem o questionário iniciava-se 
a fase de aplicação do TSMP. 
A aferição da frequência cardíaca e da pressão arterial de re-
pouso era realizada antes da caminhada. Caso o sujeito exibisse 
FC maior que 120 bpm, PA sistólica acima de 150 mmHg ou 
PA diastólica acima de 100 mmHg, o teste não era realizado, 
sendo remarcado o dia de aplicação do teste. A avaliação era 
realizada sempre individualizada, somente com o avaliador 
responsável. A FC foi monitorada continuamente, da fase 
pré-fadiga até o fi nal da recuperação. Na fase de recuperação 
eram aferidas a FC e a PA imediatamente após o término do 
TSMP e três minutos após. A frequência cardíaca (FC) foi 
aferida pelo Polar ® Accurex (Tampere, Finlândia) e a pressão 
arterial (PA) aferida pelo esfi gmomanômetro aneróide BIC®.
Análise estatística
Os resultados foram apresentados sob a forma de média e 
desvio-padrão. Após a comprovação de normalidade e heteros-
cedasticidade, foi utilizado, para comparação dos valores médios 
dos índices fornecidos pelo QSAP e TSMP, o teste t-Student 
para amostras independentes. Uma ANOVA de dois fatores, 
seguida de verifi cação post-hoc de Tukey, foi aplicada conside-
71Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
rando IAP, IAE e Idade cronológica para os grupos controle e 
experimental. Foi adotado um nível de signifi cância de p ≤ 0,05.
Resultados
A Tabela I apresenta as características da amostra (n = 60). 
Os grupos controle e experimental revelaram-se homogêneos. 
E de acordo com a NSI (1992), ambos os grupos se apresen-
tam na faixa de normalidade para o índice de massa corporal.
Tabela I - Caracterização da amostra.
Sujeitos N Idade Altura Massa IMC
Ativos 30 77,4 ± 
4,7* 
1,56 ± 
0,1
60,8 
±11,4 
25,1 
±4,5
Inativos 30 71,2 
±8,7
1,58 
±0,1
61,3 
±10,3
24,6 
±3,8
Na Tabela II apresentam-se os resultados da comparação 
entre as médias dos resultados obtidos no QSAP e TSMP para 
GE e GC. Observa-se que, para o escore do “TOT1 PA”, que 
compreende questões referentes às necessidades relacionadas 
à potência aeróbia impostas pelas atividades que os avaliados 
fazem no seu cotidiano, o GE apresentou valores signifi cativa-
mente maiores que o GC. Em contrapartida, para os escores do 
“TOT1 FO”, que compreendem atividades que exigem força 
muscular de membros superiores, não foi encontrada diferença 
signifi cativa entre os grupos estudados. Para os escores “TOT3 
PA” e “TOT3 FO” os resultados foram signifi cativamente 
superiores para GC que para GE. Já em relação ao IAE e IAP, 
não foram encontradas diferenças signifi cativas entre os grupos.
Tabela 2 - Valores médios dos resultados do QSAP E TSMP.
GE GC
TOT1 PA 0,16 ±0,1* 0,11 ±0,06
TOT1 FO 0,12 ±0,05 0,10 ±0,06
TOT2 PA 0,29 ±0,12 0,28 ±0,17
TOT2 FO 0,25 ±0,10 0,25 ±,16
TOT3 PA 0,07 ±,006* 0,21 ± 0,20
TOT3 FO 0,08 ±0,08* 0,22 ±0,21
TOT4 PA 0,31 ±0,14 0,31 ±0,7
TOT4 FO 0,31 ±0,14 0,29 ±0,15
ITOT PA 0,21 ±0,06 ,023 ±0,12
ITOT FO 0,19 ±0,05 0,21 ±0,11
IAE BRUTO -0,36 ±0,9 0,04 ±1,7
IAP BRUTO 1,47 ±1,42 1,68 ±2,24
IAE 67,36 ±6,26 69,63 ±12,09
IAP 58,5 ±9,7 57,02 ±15,35
*Diferença significativa entre os grupos experimental e controle.
A Figura 1 apresenta os resultados da ANOVA para a 
comparação entre IAE, IAP e idade cronológica em GC e 
GE. Nota-se que os valores de IAE foram superiores em GC, 
embora o “TOT 1 PA” tenha sido maior no GE, conforme 
mostrado na Tabela II. Em relação ao IAP, que traduz o re-
sultado do teste de caminhar e transportar pesos, o resultado 
tendeu a ser menor para o GC do que para o GE. Mesmo não 
havendo diferenças estatísticas entre os grupos estudados, vale 
ressaltar os valores absolutos dos IAPs entre os grupos. No 
GC, somente sete das 30 idosas conseguiram transportar os 
pesos por todo o percurso de 800 m, enquanto que no GE, 21 
das 30 idosas completaram com êxito o transporte dos pesos.
Figura 1 - Resultados para os índices gerais do SysSen e idade 
cronológica. 
U
ni
da
de
 N
or
m
al
iz
ad
a 
(a
no
s)
85
80
75
70
65
60
55
50
45
Idade
IAPIdade
IAP
IAE
IAP
IAE
IAP
Idade
IAE
Idade
IAP
IAE Idade IAP
Ativas Inativas
IAE: Índice de autonomia exprimida; IAP: índice de autonomia potencial. 
* Diferença significativa entre GE e GC (P = 0,013). As indicações in-
ternas indicam diferença significativa em relação ao índice mencionado 
( P < 0,01). As barras representam os intervalos de confiança a 95%.
A Figura 2 exibe o Índice Sênior de Autonomia de Ação 
(ISAC), resultante do cruzamento entre IAP e IAE. Percebe-se 
que, em média, ambos os grupos analisados não atingiram os 
escores mínimos estabelecidos para que fossem considerados 
autônomos (ISAC ≥ 1). Observa-se também, que os ISACs 
dos grupos não diferiram signifi cativamente (p = 0,88).
Figura 2 - Resultados para o Índice Sênior de Autonomia de Ação.
IS
AC
 (a
di
m
en
si
on
al
)
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
Ativas Inativas
(ISAC) entre os grupos GE e GC. NS: Diferença não-significativa (P = 
0,88). As barras representam os intervalos de confiança a 95%.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201172
Discussão
O objetivo do presente estudo foi analisar o impacto do 
exercício físico praticado regularmente por idosas participan-
tes do Projeto Idosos em Movimento: Mantendo a Autono-
mia (IMMA) sobre o perfi l de autonomia de ação defi nida 
pelo SysSen, em comparação com um grupo não vinculado a 
quaisquer programas de atividades físicas. 
Apesar de o SysSen ter reduzido poder de discriminação 
quando aplicado a idosos cujo grau de comprometimento 
da autonomiaseja elevado [18], tal limitação não chegou a 
comprometer os resultados obtidos. Mesmo o grupo inativo 
era composto de idosas hígidas e vivendo em comunidade, 
com funcionalidade compatível com as atividades propostas 
pelo TSMP. 
A comparação entre as médias obtidas no QSAP entre os 
grupos mostrou que, no tocante ao “TOT1 PA” (total das 
necessidades associadas à potência aeróbia na Parte I do ques-
tionário), o GE apresentou valores signifi cativamente maiores 
que o GC (p < 0,05). Em contrapartida, para os escores do 
“TOT1 FO”, que compreendem atividades que exigem 
força muscular de membros superiores, não foi encontrada 
diferença signifi cativa entre os grupos estudados. 
Pode-se suspeitar, portanto, que as exigências físicas de 
características aeróbias possam produzir maiores infl uências 
sobre o desempenho nas atividades diárias cotidianas das 
idosas inativas, do que as exigências físicas relativas à força 
muscular de membros superiores. Corroborando esse achado, 
Skelton et al. [23] e Miszko et al. [24] analisaram o efeito do 
treinamento da força e da potência muscular sobre as funções 
físicas e capacidades funcionais de idosos, concluindo que, 
se o treinamento resistido gera ganhos de força muscular 
signifi cativos, isso não se refl etiria na mesma proporção no 
desempenho das tarefas funcionais diárias.
Em adição, Vreede et al. [25] compararam o efeito do 
treinamento de força muscular e de exercícios para tarefas 
funcionais em idosas utilizando um questionário que objeti-
vava avaliar o desempenho nas atividades funcionais diárias 
de idosos (ADAP). O treinamento da força produziu efeitos 
inferiores aos produzidos pelos exercícios funcionais especí-
fi cos, porém conseguiu melhorar o desempenho de idosos 
em comparação com grupo controle. Este estudo ratifi ca 
a importância da prática de exercícios que visam trabalhar 
musculaturas específi cas recrutadas em tarefas diárias dos ido-
sos, o que se aproxima bastante das atividades ofertadas pelo 
IMMA. Além disso, Arnett et al. [8] avaliaram o desempenho 
funcional e a reserva aeróbia de idosos durante uma série de 
atividades diárias funcionais, utilizando como instrumento 
de avaliação o CS-PFP, que se constitui num protocolo que 
inclui 16 tarefas de vida diárias, quantifi cadas pelo tempo e 
distância percorrida, considerando o peso dos avaliados. Este 
instrumento tem sua validade e reprodutibilidade testadas 
[26,27]. Concluiu-se que tarefas domésticas, como o ato de 
carregar mantimentos, requerem de 40 a 50% do VO2 de pico 
dos idosos. Isso ilustra o quão necessária é a aptidão aeróbia 
para um bom desempenho nas atividades de vida diárias à 
medida que se envelhece.
Para os escores “TOT3 PA” e “TOT3 FO”, houve dife-
rença estatística entre os grupos GE e GC, as idosas inativas 
revelando maior necessidade de força nas atividades relatadas 
como desejadas, apesar de não realizadas (p < 0,05). Pode-se 
pensar que as idosas do GE, por pertencerem ao IMMA e 
realizarem atividades físicas variadas e lúdicas, executariam 
cotidianamente um maior leque de atividades do que as idosas 
do GC, daí um nível menor de desejo por atividades novas 
do que o exibido pelas idosas inativas. 
Já para o IAP, não houve diferenças signifi cativas entre os 
grupos. Porém, deve-se levar em consideração que a quanti-
dade absoluta de idosas que completaram o teste em GC foi 
nitidamente menor que em GE (7 em 30 vs 21 em 30). Além 
disso, como apresentado na Tabela I, a média de idade do GE 
foi superior à do GC (p = 0, 001). Portanto, em função da 
maior idade, era de se esperar que o GE apresentasse um pior 
resultado, uma vez que idades mais avançadas implicariam em 
maiores difi culdades na manutenção da autonomia funcional 
[28]. Em vez disso, as idosas pertencentes ao IMMA tenderam 
a possuir melhor desempenho no teste proposto.
Em relação ao índice Sênior de Autonomia de Ação 
(ISAC), nenhum dos grupos atingiu os escores mínimos 
estabelecidos como ponto de corte para a autonomia (ISAC 
≥ 1), sem diferença estatística entre eles (p = 0,88). Todavia, 
deve-se levar em consideração as características do método de 
avaliação. Por se tratar de um índice que nasce da comparação 
entre os resultados do QSAP e TSMP (leia-se, IAE e IAP), é 
possível que um mesmo ISAC seja obtido para sujeitos com 
marcada diferença no desempenho físico obtido no TSMP. 
Basta que as necessidades do IAE sejam igualmente elevadas 
no sujeito fi sicamente mais apto. Nesse sentido, indivíduos 
sedentários e felizes de o serem, sem desejos de novas ati-
vidades (Parte III do QSAP), podem ser considerados tão 
autônomos quanto outros, fi sicamente ativos, mas que, por 
conta disso, realizam muito mais atividades em seu cotidiano 
(Partes I e II do QSAP). 
Assim, a infl uência de partes específi cas do QSAP pode 
levar a uma igualdade entre os grupos, igualdade essa que 
nasce de uma desigualdade proporcional que equilibra as 
necessidades em termos de atividades tidas pelo próprio idoso 
como importantes para uma vida autônoma e a capacidade 
físico-funcional de responder e fazer frente a elas.
Conclusão
Considerando os resultados obtidos, pode-se concluir 
que idosas que participam regularmente do Projeto IMMA 
tendem a exibir níveis maiores de aptidão física e funcional, 
ainda que perfi s similares de autonomia de ação conforme 
defi nida pelo SysSen. Apesar de cronologicamente mais velhas, 
as idosas ativas exibiram autonomia de ação, necessidades em 
73Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
termos de atividades físicas e desempenho físico-funcional 
equivalente às idosas inativas. Em ambos os grupos, as neces-
sidades para uma vida autônoma pareceram se relacionar mais 
proximamente com a aptidão aeróbia do que com a força de 
membros superiores. Enfi m, os resultados obtidos pelo SysSen 
pareceram revestir-se de consistência interna e lógica externa, 
reforçando com isso sua validade de potencial de aplicação a 
diferentes populações de idosos. 
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201174
Artigo original
Efeito do uso de antioxidantes na prevenção da lesão 
muscular em atividades físicas intensas
Effect of antioxidant in the prevention of muscular lesion 
in intense physical activities
Fabio Gilberto Valente*, Rita de Cassia Doracio Mendes, M.Sc.**, Wanderlei Onofre Schmitz, M.Sc.***
*Biomédico graduado pelo Centro Universitário da Grande Dourados, **Professora do curso de Nutrição do Centro Universitário da 
Grande Dourados, ***Professor do curso de Farmácia do Centro Universitário da Grande Dourados
Resumo
O exercício intenso tem sido reconhecido como principal 
causa evitável de lesão muscular. Isso ocorre devido à produção dos 
radicais livres durante o exercício. Por isso seria importante o uso 
de substâncias antioxidantes para minimizar as lesões durante os 
exercícios. Este estudo avaliou o uso de antioxidante (vitamina C) 
na prevenção da lesão muscular em atletas. A pesquisa foi realizada 
com um grupo de 9 fi siculturistas. Cada atleta realizou uma série de 
exercícios e posteriormente foram tomadas as medidas antropomé-
tricas e, para avaliar o grau de lesão muscular, foi dosada a atividade 
enzimática (CPK, CK-MB, ALT, AST) no soro dos atletas. O IMC 
dos atletas foi adequado (23,1 ± 0,4 kg/m2), e a porcentagem de 
gordura corporal (14,2 ± 1,5%), próximo da média recomendada 
para os homens. Os níveis séricos de CPK decaíram de maneira 
signifi cativa, atividade sérica da CK-MB apresentou uma diminuição 
de 8% na sua atividade, já a AST apresentou uma queda de 15% da 
sua atividade e a Enzima ALT não teve alterações signifi cativas, após 
o tratamento com vitamina C. Os resultados do estudo sugerem 
que o consumo regular da vitamina C melhora os mecanismos de 
defesa antioxidante e reduz as manifestações de danos musculares 
induzidos pelo esforço, possivelmente por meio da neutralização da 
ação dos radicais livres.
Palavras-chave: radicais livres, lesão muscular, antioxidantes, 
vitamina C.
Abstract
Th e intense exercise has been recognized as the main avoidable 
cause of muscular lesion, which happens because of the production 
of free radicals during the exercise. Th erefore, it would be impor-
tant to use antioxidant substances to minimize the lesions during 
exercises. Th is study evaluated the use of antioxidant (vitamin C) 
in the prevention of muscular lesion in athletes. Th e study was 
performed with a group of 9 body-builders who carried out several 
series of exercises. In order to evaluate the level of muscular lesion, 
the enzymatic activity in the serum of the athletes was dosed (CPK, 
CK-MB, ALT, AST). Th e BMI of the athletes was adequate (23.1 ± 
0.4 kg/m2) and the percentage of body fat (14.2 ± 1.5%) was close 
to the average recommended for men. Th e serum levels of CPK 
decreased signifi cantly. Th e serum activity of CK-MB presented a 
decrease of 8% in its activity while the AST presented a decrease of 
15% in its activity and the enzyme ALT have not had any signifi cant 
alterations after the treatment with vitamin C. Th e results suggest 
that a regular consumption of vitamin C improves the antioxidant 
defense mechanisms and reduce the manifestations of muscle tissue 
damage induced by eff ort, possibly by means of neutralization of 
the damaging action of free radicals.
Key-words: free radicals, muscular lesion, antioxidants, vitamin C.
Recebido em 28 de fevereiro de 2011; aceito em 15 de maio de 2011.
Endereço para correspondência: Wanderlei Onofre Schmitz, Rua Ranulfo Saldivar, 458, Parque Alvorada, 79823-420 Dourados MS, 
Tel: (67) 3426-7442, E-mail: wandererita@ig.com.br
75Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
Introdução
O exercício exaustivo e extenuante tem sido reconhecido 
como causa comum e evitável de lesão muscular, principalmen-
te em homens não condicionados, pois, durante a atividade fí-
sica, ocorrem diversas adaptações fi siológicas, sendo necessários 
ajustes cardiovasculares e respiratórios para compensar e manter 
o esforço realizado. O aumento do consumo de oxigênio, 
assim como a ativação de vias metabólicas específi cas, resulta 
na formação de radicais livres (RL) durante o exercício [1]. 
Segundo Clarkson e Th ompson [2], essas espécies reativas são 
moléculas que apresentam um elétron desemparelhado na sua 
camada de valência, podendo contribuir para danos celulares 
e também prejudicando o desempenho do atleta. 
O treinamento resistido consiste em um tipo de trei-
namento de força, que é predominantemente um processo 
anaeróbico, ou seja, com suprimento de O2 reduzido, nestes 
casos o músculo converte o ATP em ADP e o ADP em AMP. 
O AMP acumulado no músculo é degradado a inosina mono-
fosfato(IMP) e a IMP formada é degradada à inosina, e esta, 
à hipoxantina. A hipoxantina sofre ação da xantina oxidase 
que durante o processo de oxidação da hipoxantina a xantina, 
gera diretamente moléculas de radicais livres (superóxido, 
peróxido de hidrogênio e radical hidroxila) [3].
Os RL podem atacar todas as principais classes de biomo-
léculas do organismo, sendo os lipídeos os mais suscetíveis. Os 
ácidos graxos poliinsaturados (PUFA) das membranas celula-
res sofrendo lipoperoxidação, que é uma destruição oxidativa 
que se autopropaga na membrana. Uma grande produção de 
RL pode conduzir ao estresse oxidativo, que causa danos à 
estrutura do DNA, lipídios, carboidratos e proteínas, além 
de outros componentes celulares. Estes danos ocorridos nas 
células ampliam o tempo necessário para a reparação celular e 
isso obriga os atletas a manter um determinado tempo para a 
recuperação da musculatura, que foi exigida durante o treino, 
sob o risco de sobrecarga à musculatura produzindo fadiga e 
perda de massa muscular [4]. 
Uma das maneiras de avaliar as lesões causadas por RL é 
dosar os metabólitos formados durante o estresse oxidativo, 
estes metabólitos são: a produção de malondialdeido (MDA) 
e dienos conjugados [2]. Ramel et al. [5] avaliaram o perfi l 
antioxidante, a lipoperoxidação, a produção de MDA e dienos 
conjugados em atletas que realizavam exercícios resistivos e em 
atletas que não realizavam exercícios resistivos e encontrou um 
aumento da produção de RL nestes dois tipos de atletas não 
havendo diferença entre o tipo de treino na produção dos RL.
Estas lesões causadas às células musculares durante o 
treino podem ser prevenidas ou reduzidas por meio da ação 
dos antioxidantes encontrados nos alimentos, os quais podem 
ocorrer naturalmente na dieta do atleta ou ser introduzidos 
especifi camente durante o processo de treinamento para 
melhorar o rendimento do mesmo [6].
Zoppi et al. [7] tentaram explicar a etiologia da lesão 
muscular, em um estudo sobre alterações em biomarcadores 
de estresse oxidativo em atletas, eles observaram que, durante 
o exercício físico, o consumo de oxigênio aumenta em até 20 
vezes. Considerando-se que 2 a 5% do oxigênio consumido 
dão origem a RL, consequentemente ocorre aumento da pro-
dução de tais agentes nocivos. Assim, ocorre uma associação 
direta entre a produção de RL durante o exercício físico, o 
processo de fadiga muscular e a lesão celular. Segundo Gar-
cía [8], o exercício forçado se caracteriza por um aumento 
no consumo de oxigênio levando a um desequilíbrio entre 
os mecanismos pró-oxidantes da homeostase celular e os 
mecanismos de defesa antioxidantes, causando a produção 
excessiva de RL que pode induzir destruição celular. O nível 
da lesão é determinado pela duração e intensidade do exer-
cício. Desta forma, atividades de resistência ou de explosão 
produzem vários níveis de resposta celular e de lesão muscular. 
O maior risco de lesão muscular ocorre durante a contração 
excêntrica, pois, neste tipo de ação, realiza-se trabalho de força 
e de alongamento ao mesmo tempo, aumentando o estresse 
sobre os tecidos [9].
Marcadores de lesão muscular
As lesões causadas no músculo esquelético pelo exercício 
podem variar dependendo da fi bra muscular e do tipo de 
trauma ocorrido. O exercício normalmente eleva os valores 
das enzimas musculares de 12 a 48 horas após o mesmo. O 
aumento das proteínas presentes no citosol celular na circu-
lação plasmática refl ete diretamente na lesão da membrana 
da célula muscular [10]. 
Para o diagnóstico dos danos musculares esqueléticos é 
utilizada a dosagem da atividade enzimática da creatinafos-
foquinase (CPK), já para avaliar a lesão muscular cardíaca 
utiliza-se a creatinafosfoquinase fração MB (CK-MB). Dentre 
essas enzimas, a CPK é frequentemente descrita como me-
lhor marcador de dano ao tecido muscular, sobretudo após 
o exercício de força [11].
A CPK é um indicador altamente sensível e específi co de 
lesão muscular em humanos. A CPK pode apresentar um 
aumento de suas taxas no soro em casos de lesão muscular 
reversível ou na necrose muscular. Assim, altas taxas de 
CPK sérica indicam doença muscular ativa ou de ocorrência 
recente, enquanto valores persistentemente altos refl etem a 
continuidade da lesão. Já a CK-MB é uma isoenzima da CPK 
que corresponde à principal enzima liberada pelo músculo 
estriado cardíaco. Esta enzima eleva-se quando ocorre isque-
mia em uma determinada região do músculo cardíaco e sua 
determinação é altamente específi ca para o diagnóstico da 
lesão celular aguda do miocárdio. O aumento da CK-MB 
atinge seu pico entre 12 e 24 horas, para depois regressar ao 
normal dentro de 48 a 72 horas [12].
Também é possível diagnosticar a lesão muscular através 
da dosagem da atividade enzimática da aspartato aminotrans-
ferase (AST) e da alanina aminotransferase (ALT), já que essas 
enzimas são enzimas intracelulares e, devido à lesão celular, são 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201176
liberadas no plasma onde se tornam elevadas. Esse aumento 
ocorre poucas horas após a lesão e atinge valores máximos em 
12 horas, voltando ao normal 24 a 48 horas depois de cessar 
a alteração de permeabilidade muscular. A AST é encontrada 
principalmente no fígado, nos eritrócitos e no músculo es-
triado esquelético e cardíaco. Normalmente é utilizada para 
avaliar lesão muscular juntamente com a ALT. A utilização da 
enzima AST oferece informações mais precisas sobre o grau da 
lesão, pois é encontrada em maior concentração no interior 
da mitocôndria e seu aumento sugere lesão mitocondrial [10]. 
O uso de antioxidantes
Os antioxidantes são capazes de sequestrar os RL gerados 
pelo metabolismo celular ou por fontes exógenas, impedindo 
o ataque destes sobre os lipídeos, os aminoácidos das prote-
ínas, a dupla ligação dos ácidos graxos poliinsaturados e as 
bases púricas e pirimídicas do DNA, evitando assim a for-
mação de lesões e perda da integridade da membrana celular. 
O controle do estresse oxidativo pela ação dos antioxidantes 
nas células é extremamente importante para a sobrevivência 
do ser humano no ambiente aeróbico [13].
Atua nesse sentido a vitamina C, que proporciona proteção 
contra a oxidação descontrolada no meio aquoso da célula, 
pois apresenta a habilidade de atuar como agente redutor 
(doador de elétrons). A recomendação diária (RDA) de 
vitamina C para mulheres adultas foi estipulada em 75 mg/
dia e, para homens, em 90 mg/dia. Já os fumantes, que têm 
maior estresse oxidativo, devem aumentar a sua ingestão em 
35 mg/dia. O limite máximo tolerável para um indivíduo 
com idade de dezenove (19) a cinquenta (50) anos é de 2000 
mg/dia de vitamina C, essa dosagem foi baseada no efeito 
adverso da indução de diarréia osmótica causada pela alta 
ingestão de vitamina C. A vitamina C da dieta é absorvida 
de forma rápida e efi ciente por um processo dependente de 
energia, o seu consumo em doses altas leva ao aumento da sua 
concentração em praticamente todos os tecidos do organismo 
e diretamente no plasma sanguíneo [14].
A defi ciência de vitamina C no organismo pode resultar 
em câimbras musculares, promover sensações de fraqueza, 
baixo desempenho físico e difi culdade na resistência aeróbica. 
Estes sintomas prejudicam o desempenho dos atletas durante 
os treinamentos físicos, podendo favorecer a lesão muscular e a 
dor. Assim o uso de antioxidantes pode atuar na prevenção de 
danos no tecido muscular e tornar o treinamento mais efi caz 
melhorando os resultados nas competições [8,15].
Goldfarb et al. [16] ministraram doses de 500 ou 1.000mg 
de vitamina C/dia a voluntários durante duas semanas e no 
fi nal do tratamento, os pacientes foram submetidos a uma 
corrida de 30 minutos. Após o exercício, o grupo que recebeu 
a vitamina C apresentouuma menor oxidação das suas prote-
ínas em relação ao grupo controle não tratado, demonstrando 
a ação da vitamina C. A suplementação com vitamina C por 
um tempo mais prolongado e em menores doses pode trazer 
benefícios em relação à dor e à lesão musculares, que os atle-
tas enfrentam após uma competição. Th ompson et al. [17] 
avaliaram o efeito de duas semanas de suplementação com 
vitamina C sobre a recuperação dos atletas após um protocolo 
de exercício intenso e prolongado, a concentração de CPK e 
de mioglobina não foram alteradas pela suplementação, mas 
a suplementação atenuou a concentração de MDA e da dor 
muscular, benefi ciando a recuperação da função do músculo.
Tendo em vista os dados apresentados, este trabalho tem 
como objetivo avaliar a ação da vitamina C como agente antioxi-
dante e mioprotetor, amenizando as lesões musculares ocorridas 
durante o treinamento físico em atletas e com isso possibilitando 
uma melhor recuperação muscular destes indivíduos.
Material e métodos
Caracterização e recrutamento da amostra
A pesquisa foi realizada com nove atletas fi siculturistas, 
na cidade de Dourados/MS, que praticavam musculação, no 
mínimo por um ano, sendo todos do sexo masculino, com 
idade de 18 a 25 anos e com peso entre 65 a 100 kg. O estudo 
foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres 
Humanos do Centro Universitário da Grande Dourados - 
Unigran (CEP - Unigran), mediante o processo n.º 246/07, 
de que resultou o ofício de aprovação em 30 de outubro de 
2008, todos os participantes da pesquisa assinaram o termo 
de consentimento livre e esclarecido (TCLE).
Coleta da amostra 
A coleta sanguínea foi realizada no laboratório de Análises 
Clínicas do Centro Universitário da Grande Dourados – Uni-
gran, onde foi coletado 6 mL de sangue por punção venosa 
da fossa cubital e o sangue coletado em tubo da marca BD 
Vacuntainer® sem anticoagulante. O tubo sem anticoagulante 
foi deixado por 30 minutos em banho-maria à 37º C e centri-
fugado por 10 minutos a 3000 rpm para a obtenção do soro.
Delineamento experimental
A primeira coleta de sangue dos atletas foi realizada após 
uma semana de descanso e antes dos testes físicos. No dia 
seguinte após a coleta, iniciou-se a primeira série de exercícios 
físicos, com carga máxima de 80% da capacidade física de cada 
atleta e até ocorrer exaustão muscular. No protocolo adotado 
cada atleta foi avaliado para determinar a sua carga máxima 
e foi selecionado o peso correspondente a 80% desta carga 
máxima para cada atleta, em seguida os atletas realizaram uma 
série de repetições até a fadiga [18].
Cada atleta realizou uma série de exercícios: crucifi xo 
inclinado (peito), puxador articulado (ombro), ramada cavalo 
(costas), rosca concentrada scott (braço), tríceps testa (braço), 
agachamento guiado (perna), levantamento terra (perna), pan-
77Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
turrilha sentado (perna). Sendo que 12 horas após os exercícios, 
foi realizada a segunda coleta de sangue. Uma semana depois 
dos exercícios, tempo este necessário para a recuperação das 
células musculares dos atletas. Cada um dos atletas fez ingestão 
de 20 mg/kg de vitamina C e 2 horas após a ingestão, tempo 
necessário para o início da absorção da vitamina C, foi realizada 
a mesma série de exercícios para cada um dos indivíduos. A 
terceira coleta foi realizada 12 horas após o término da segunda 
série de exercícios. As medidas antropométricas foram obtidas 
no Núcleo de Nutrição da Unigran sendo compostas da ava-
liação da estatura utilizando o estadiômetro que se encontra 
acoplado a balança e a avaliação do peso em balança mecânica 
da marca Welmy. Os dados foram usados para o cálculo do 
Índice de Massa Corpórea (IMC= P/A2) e avaliação de gordura 
corporal e da água corporal foi feita através do equipamento 
de bioimpedância da marca TBW [19,20].
Dosagem das enzimas CPK, CK-MB, AST e ALT
A dosagem das enzimas séricas dos atletas foi realizada utili-
zando kits comerciais da marca Gold Analisa Diagnóstico LTDA, 
os quais apresentavam método cinético-colorimétrico, sendo a 
leitura das absorbâncias feitas em espectrofotômetro semiauto-
matizado a 340 nm (UV) da marca Bioplus, modelo BIO 200.
Análise estatística 
As análises foram apresentadas como média e o erro pa-
drão da média (SE). Empregando-se o programa de análise 
estatística computadorizada Statistica 6.0 (STAT SOFT), a 
comparação entre os atletas foi realizada pela análise de variân-
cia (ANOVA) e Teste de Tukey. Todas as conclusões estatísticas 
foram efetuadas em nível de 5% de signifi cância (p < 0,05).
Resultados e discussão
Os dados dos atletas que participaram da pesquisa, referen-
tes à massa magra, massa gorda e o índice de massa corpórea 
dos participantes da pesquisa são apresentados na Tabela I. 
Analisando os resultados obtidos os atletas estão com o peso 
adequado (23,1 ± 0,4 kg/m2), fi cando entre 18,5 e 25 que é 
o esperado para a população e com a porcentagem de gordura 
corporal (14,2 ± 1,5%), próximo da média recomendada para 
os homens que é de 15% [21].
Os valores encontrados neste experimento se mostram 
muito próximos dos valores encontrados em um estudo rea-
lizado por Maestá et al. [22], sendo que a Massa Gorda (MG) 
dos atletas aqui testados estava apenas 3% acima dos valores 
encontrados no estudo acima citado, mas em compensação 
o IMC dos nossos atletas está menor que o encontrado no 
estudo de Maestá et al. [22], que também avaliou parâmetros 
antropométricos em atletas fi siculturistas, isso pode indicar 
que nossos atletas apresentavam menor massa muscular.
Tabela I - Avaliação nutricional dos atletas quanto a sua massa 
corporal.
Atle-
tas
MM MG IMC
kg % kg % kg/m2
1 59,2 80,5 14,3 19,5 23,7
2 57,8 85,6 9,7 14,4 22,6
3 56,6 84,1 10,7 15,9 23,2
4 50,6 85,5 8,6 14,5 22,8
5 57,1 83,3 11,4 16,6 22,9
6 70,5 79,3 18,4 20,7 26,0
7 60,4 90,0 6,7 10,0 21,1
8 65,9 91,7 6,0 8,3 23,5
9 62,5 86,5 5,3 7,9 22,1
Total 60,1 ± 
1,9
85,2 ± 
1,3
10,1 ± 
1,4
14,2 ± 
1,5
23,1 ± 
0,4
MM: Massa Magra; MG: Massa Gorda; IMC: Índice de Massa Corpó-
rea. Média ± desvio padrão.
Os dados dos participantes da pesquisa, referentes à altura, 
peso, água intracelular e água extracelular são apresentados na 
Tabela II. A quantidade de água intracelular apresentou-se 
ligeiramente acima dos valores de referência que variam de 50 a 
60%, uma possível explicação para este fato é que as frequentes 
lesões celulares dos atletas levam a um quadro de tumefação 
turva, que é o aumento da concentração de água dentro das 
células, causando uma retenção maior de líquido intracelular. A 
tumefação turva é a primeira alteração a ser observada durante 
a agressão a uma célula, mas esta lesão é totalmente reversível, 
com a retirada do agente agressor. Já a água corporal total (ACT) 
apresentou-se dentro dos parâmetros normais. Comparando 
esses resultados com os obtidos de outros estudos em atletas de 
elite, pode-se concluir que os resultados estão coerentes com 
os encontrados na literatura [23].
Tabela II - Avaliação nutricional dos atletas quanto ao índice de 
água corporal.
Atle-
tas
Altura 
(m)
Peso 
(kg)
AIC AEC
kg % kg %
1 1,76 73,5 24,8 59 17,2 41,0
2 1,73 67,8 25,7 62,1 15,7 37,9
3 1,70 67,3 26,0 64,4 14,4 35,6
4 1,61 59,2 23,6 65,7 12,3 34,3
5 1,73 68,5 24,4 60,0 16,3 40,0
6 1,85 88,9 29,5 57,8 21,5 42,2
7 1,78 67,1 26,8 61,3 16,9 38,7
8 1,75 71,9 31,4 64,1 17,6 35,9
9 1,77 76,4 29,5 61,4 17,0 32,0
Total 1,74 ± 
0,02
71,2 ± 
2,74
26,9 ± 
0,9
61,8 ± 
0,9
16,5 ± 
0,8
37,5 ± 
1,1
AIC: Água Intracelular; AEC: Água Extracelular; Média ± desvio padrão.
Os exercícios físicos realizados pelos atletas são apresen-
tados na Tabela III. A maioria dos experimentos realizados 
com atletas utilizapoucos grupos musculares, com maior 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201178
número de repetições do mesmo exercício, ocorrendo assim 
uma extensa lesão do mesmo músculo, semelhante ao estudo 
proposto por Mayhew, Th yfault, Koch [24] no qual foram 
desenvolvidos dois tipos de treinamento de força para indi-
víduos. Os dois foram realizados no leg-press, com 10 séries 
de 10 repetições a 65 % de (RM). Um grupo realizou os 
exercícios com intervalo entre as séries de 1 minuto e o outro 
grupo o intervalo foi de 3 minutos. No grupo com intervalo 
de 1 minuto, a concentração sérica de CPK aumentou 24 
horas após o término da sessão de treinamento. Já o grupo que 
treinou com intervalo de 3 minutos não apresentou diferença 
signifi cativa na CPK, sugerindo que o dano muscular pode ser 
infl uenciado pelo tempo de intervalo entre as séries e exercí-
cios. Em um estudo visando observar marcadores de estresse 
oxidativo em jogadores de futebol, Zoppi et al. [7] também 
avaliaram a concentração de CPK no plasma e encontraram 
níveis bem acima da média de valores de sujeitos não-atletas, 
confi rmando a alteração muscular nesses atletas.
Estes quadros não são tão fi éis ao que acontece no dia-a-dia 
dos atletas, pois na maioria das vezes os atletas treinam vários 
grupos musculares com várias repetições. Tendo em vista estes 
experimentos e com a orientação de um professor de educação 
física, foi montado um quadro de treinamento onde os atletas 
exercitaram vários grupos musculares, para que, assim, fosse 
possível conseguir um grau de lesão em vários músculos, 
mas evitando-se a fadiga muscular ou a fratura muscular. Os 
exercícios físicos realizados pelos atletas (Tabela III) foram 
crucifi xo inclinado (17,8 ± 0,4 kg e frequência de 29,3 ± 1,0 
vezes), puxador articulado (45 ± 0 kg e frequência de 23,8 
± 0,9 vezes), remada a cavalo (61,5 ± 0,8 kg e frequência 
de 44,2 ± 0,6 vezes), rosca concentrada scott (14 ± 0 kg e 
frequência de 23,8 ± 1,7 vezes), tríceps testa (12,3 ± 0,4 kg e 
frequência de 13,1 ± 0,6 vezes), agachamento guiado (22 ± 0 
kg e frequência de 27,2 ± 0,6 vezes), levantamento terra (40 
± 0 kg e frequência de 6,6 ± 0,5 vezes) e panturrilha sentado 
(50 ± 0 kg e frequência de 25 ± 0,0 vezes).
Tabela III Treinamento físico com carga máxima realizado pelos 
atletas até ocorrer exaustão muscular.
Tipo de exercícios 
realizados
Peso utiliza-
do no exer-
cício (kg)
Frequência 
(número de 
repetições)
Crucifixo Inclinado 17,8 ± 0,4 29,3 ± 1,0
Puxador Articulado 45,0 ± 0,0 23,8 ± 0,9
Remada Cavalo 61,5 ± 0,8 44,2 ± 0,6
Rosca Concentrada Scott 14,0 ± 0,0 23,8 ± 1,7
Triceps Testa 12,3 ± 0,4 13,1 ± 0,6
Agachamento Guiado 22,0 ± 0,0 27,2 ± 0,6
Levantamento Terra 40,0 ± 0,0 06,6 ± 0,5
Panturrilha Sentado 50,0 ± 0,0 25,0 ± 0,0
Média ± desvio padrão.
A atividade sérica da CPK (Figura 1 A) na primeira coleta 
(condição controle) apresentou níveis considerados normais 
para indivíduos normais ou atletas em repouso (109,8 ± 17,2 
UI/L). Após 12 horas do exercício intenso os níveis de CPK 
tiveram um signifi cativo aumento (325,3 ± 57,8 UI/L), che-
gando até a ultrapassar os valores de referência para indivíduos 
normais do sexo masculino (até 174 UI/L). Nas comparações 
dos resultados individuais de cada atleta, foi encontrado em 
um determinado atleta um aumento de 6,8 vezes nos valores 
de CPK, em relação ao valor basal deste mesmo atleta. Com a 
ingestão da vitamina C devidamente calculada para cada atleta, 
os níveis séricos de CPK decaíram de maneira signifi cativa, vol-
tando para próximo dos limites dos valores de referência (181,3 
± 10,6 UI/L), indicando uma proteção da vitamina C contra os 
radicais livres gerados durante o exercício físico e minimizando 
o grau de lesão muscular. O mesmo atleta que apresentou o 
maior aumento dos valores de CPK, após o uso da vitamina 
C apresentou uma redução de 2,8 vezes seus valores de CPK, 
isso indica que quanto maior a lesão causada pelos RL maior a 
efi ciência do uso de antioxidantes para bloquear estas agressões.
Torres, Carvalho e Duarte [25] também realizaram um es-
tudo com objetivo de determinar o estiramento do músculo e 
saber as manifestações clínicas e bioquímicas de lesão muscular 
esquelética após exercício em jovens sedentários. A avaliação 
bioquímica neste estudo compreendeu a quantifi cação da 
atividade plasmática da CPK e da AST, neste estudo também 
foram encontrados valores acima dos valores de referência nos 
indivíduos submetidos a contrações excêntricas, confi rmando 
assim o dano muscular. Outro estudo citado por Foschini 
[11] também observou lesões musculares induzidas pelas 
ações concêntricas e excêntricas à atividade física de 3 séries 
de 12 repetições a 80 % de uma repetição máxima (RM). 
Observou-se que em 48 horas após a execução do exercício, 
a concentração sérica de CPK teve um aumento signifi cante, 
mostrando que o exercício de força também é capaz de pro-
vocar dano muscular. Foi ainda descrito que a lesão muscular 
não depende só do tipo de ação, mas também do tempo 
de intervalo entre as séries, pois quanto maior o tempo de 
descanso entre as séries, menor é o grau de lesão muscular.
Figura 1 - Avaliação da atividade da creatinafosfoquinase (CPK) 
(A) e da atividade da creatinafosfoquinase fração MB (CK-MB) 
(B) no soro de atletas submetidos ao exercício físico intenso. Médias 
seguidas por letras distintas diferem signifi cativamente entre si em 
nível de p < 0,05 (teste de Tukey); * p < 0,05 entre grupo exercício 
e exercício + Vit. C. 
Controle Exercício
Avaliações
Exercício 
+ Vit. C
0
100
200
300
400
500
b
b
C
PK
 (U
I/
L) a*
A
79Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
Maxwell et al. [26] observaram que os atletas que fi zeram 
ingestão de 400 mg de vitamina C por dia, durante 3 sema-
nas apresentaram um aumento da atividade antioxidante no 
plasma e com isso apresentaram menores lesões oxidativas 
decorrentes da ação dos RL. Th ompson et al. [27] também 
suplementaram atletas que posteriormente foram submetidos 
a uma corrida de 90 minutos. A suplementação consistiu de 
uma dose de 200 mg de vitamina C, sendo que este autor 
também obteve um aumento da ação antioxidante no plasma, 
mas esta dose de vitamina C foi incapaz de inibir o aumento 
das enzimas musculares no soro destes atletas, sendo que a 
enzima CPK e a proteína mioglobina foram os marcadores 
de lesão que mais aumentaram nestes atletas.
De acordo com a Figura 1 B podemos constatar que 
os níveis séricos de CK-MB tiveram um aumento de 12% 
durante o exercício (de 13,6 ± 1,4 para 16,6 ± 1,5 UI/L). 
Apesar de não ser signifi cativo e não ultrapassar os valores 
de referência para esta enzima (até 24 UI/L), este aumento 
indica um desgaste maior do músculo cardíaco. Podemos 
observar também que a ação antioxidante da vitamina C 
levou a diminuição de 8% na atividade sérica da CK-MB 
no plasma dos atletas, mas, apesar de esta diminuição não 
ter sido signifi cativa, demonstrou uma tendência para este 
marcador. Vale à pena lembrar que os miócitos cardíacos são 
células permanentes, pois não se dividem mais e que qualquer 
lesão nessas células leva a perda irreparável destes miócitos. 
Por isso, lesões crônicas do músculo cardíaco podem levar a 
presença de fi brose no tecido cardíaco, com perda da atividade 
contrátil do coração e possivelmente a hipertrofi a das células 
restantes, alterações estas comuns de serem encontradas em 
atletas, pois o exercício físico é um estímulo bem identifi ca-
do para o desenvolvimento, principalmente, de hipertrofi a 
ventricular esquerda, sendo que estas alterações estruturais 
são resultantes do tipo de treinamento físico, da natureza do 
exercício, duração e intensidade do exercício [28,12].
França etal. [29] realizaram um estudo analisando os 
valores das enzimas (CPK, CK-MB e LDH), em 20 atletas 
masculinos, sadios, com idade de 25 a 40 anos, participantes 
de uma maratona, para avaliar o desgaste muscular e o grau 
do dano muscular sofrido por estes atletas. Foram realizadas 
várias coletas de sangue venoso (48 horas antes da maratona, 
logo após o término da corrida e na manhã seguinte, 20 horas 
após a realização da prova). Os níveis de CPK, CK-MB e LDH 
estavam signifi cativamente mais elevados ao fi nal da corrida e 
mais ainda na recuperação (exceto a CK-MB), caracterizando 
um grande desgaste muscular.
Após vários estudos e comparações Brown et al. [30] 
também observaram que após exercícios físicos os níveis de 
CK-MB não se elevam muito, mas se o exercício for com 
grande intensidade pode ocorrer uma elevação sufi ciente para 
diagnosticar uma lesão no miócito cardíaco. Perseguindo ob-
jetivos similares, Croisier et al. [31] utilizaram um protocolo 
composto de contrações excêntricas/concêntricas máximas 
para os grupos musculares fl exores e extensores do joelho. 
Todas as sessões de treinamento foram executadas num dina-
mômetro isocinético. Os sujeitos desta pesquisa apresentaram 
níveis elevados de CPK e CK-MB, 24-48 horas após a carga 
de exercício. A elevação da concentração destas enzimas no 
sangue foi observada, concomitantemente, com a presença de 
dor muscular severa no quadríceps femoral e, especialmente, 
no grupo muscular dos posteriores da coxa. Os níveis eleva-
dos de CPK e CK-MB no sangue foram interpretados como 
indicativos de danos na estrutura celular do músculo estriado 
esquelético e cardíaco.
A atividade sérica da enzima AST (Figura 2 A), durante 
a atividade física sem vitamina C, apresentou valores mais 
elevados no soro (24,2 ± 2,0 UI/L), quando comparado com 
os valores do controle (18,3 ± 1,8UI/L), mas, após o uso de 
vitamina C, durante os exercícios físicos, os níveis séricos 
da AST apresentaram uma queda de aproximadamente 
15% da sua atividade, confi rmando que a vitamina C é um 
excelente antioxidante capaz de minimizar a lesão muscular 
causada pela produção de radicais livres durante o exercício. 
É importante lembrar que a geração de radicais livres ocorre 
preferencialmente no interior das mitocôndrias, sendo que a 
AST é encontrada justamente neste local e a diminuição da 
concentração da AST no soro dos atletas é um importante 
indicativo que a vitamina C age como um antioxidante in-
tracelular, minimizando a ação dos RL nas mitocôndrias e 
isso é fundamental para a integridade da célula, pois lesões na 
mitocôndria são o passo sem retorno entre a lesão reversível 
e a lesão irreversível nas células.
Após uma comparação deste experimento com o expe-
rimento que Torres et al. [25] realizaram, pode-se observar 
que se houver lesão muscular com alto gasto de energia, pode 
ocorrer lesão na membrana da mitocôndria, e esta lesão pode 
alterar a atividade enzimática da AST na corrente sanguínea. 
Já Th ompson et al. [19], ao estudar a ação da vitamina C em 
atletas estimulados a correr por 90 minutos e que fi zeram a 
ingestão de 1 g de vitamina C 2 horas antes de começarem o 
exercício, observou que os valores de CPK e AST não foram 
estatisticamente diferentes dos valores encontrados no grupo 
que fez o exercício e tomou apenas placebo. A conclusão deste 
estudo indica que são necessários valores maiores de vitamina 
C para que ocorra uma alteração no perfi l sorológico do atleta 
quanto aos marcadores de lesão muscular, pois 1 g de vitamina 
C não conseguiu atingir o interior das células em concentra-
ção sufi ciente para bloquear a ação dos RL na membrana da 
Controle Exercício
Avaliações
Exercício 
+ Vit. C
0
4
8
12
16
20
aa
C
K-
M
B 
(U
I/
L) a
B
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201180
mitocôndria. Por outro lado, a dose de 2 g de vitamina C se 
mostrou mais efi caz em atuar nas mitocôndrias, apresentando 
uma diminuição dos valores da AST nos atletas.
Figura 2 - Avaliação da atividade da aspartato aminotransferase 
(AST) (A) e da atividade da alanina aminotransferase (ALT) (B) 
no soro de atletas submetidos ao exercício físico intenso. Médias 
seguidas por letras distintas diferem signifi cativamente entre si em 
nível de p < 0,05 (teste de Tukey).
ALT, pois o exercício físico intenso provoca um aumento no 
gasto de energia, levando a uma maior produção de radicais 
livres que agem primordialmente na membrana da mitocôn-
dria e não no citoplasma das células. Conforme o resultado 
apresentado comprovou-se uma ação protetora antioxidante 
para as células estriadas musculares e com isso um importante 
efeito na prevenção de lesões musculares provocadas pela 
formação de radicais livres durante os exercícios.
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Controle Exercício
Avaliações
Exercício 
+ Vit. C
Controle Exercício
Avaliações
Exercício 
+ Vit. C
 
 
0
5
10
15
20
25
30
a
a
AS
T 
(U
I/L
) a
A
5
10
15
20
25
30
aa
AL
T 
(U
I/L
) a
B
A atividade sérica da ALT (Figura 2B) não apresentou mo-
difi cações signifi cativas em nenhum momento da avaliação, 
tanto no controle (21,8 ± 1,7 UI/L), como após exercício 
físico com a ingestão da vitamina C (21,8 ± 1,8UI/L) ou 
não (23,3 ± 2,0 UI/L). A enzima ALT é encontrada no cito-
plasma das células enquanto que a enzima AST é encontrada 
na mitocôndria. Como os radicais livres são produzidos na 
mitocôndria, durante a fosforilação oxidativa, e devido a um 
gasto de energia muito grande durante os exercícios, há maior 
concentração de radicais livres na mitocôndria e, portanto, 
maior lesão na membrana mitocondrial e com isso uma au-
mento mais signifi cativo da AST em comparação com a ALT.
Segundo Ribeiro et al. [32] que realizaram um experimen-
to com 12 atletas de judô do sexo masculino, os atletas foram 
divididos em duplas onde realizaram três lutas com tempos 
diferentes (90s, 180s e 300s), a enzima ALT foi quantifi cada 
durante as lutas e foi observado um aumento signifi cativo em 
todas as lutas. Este aumento pode ser justifi cado devido ao 
tipo de atividade física que é de contato e causa maior lesão 
celular muscular, diferente da musculação que leva a uma 
lesão por desgaste metabólico.
Conclusão
De acordo com os dados obtidos na pesquisa, conclui-se 
que a alteração das enzimas CPK, CK-MB e AST ocorreu 
devido à lesão no músculo estriado esquelético e no músculo 
cardíaco, provocado pela prática do exercício físico intenso. 
Suspeita-se que não ocorreu uma alteração signifi cativa da 
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201182
Artigo original
Estado de hidratação de idosos praticantes 
de hidroginástica de uma academia 
da cidade de São Paulo
Hydration status of elderly people who practice hydrogymnastics 
in an academy of São Paulo
Deborah Rivelli Pires*, Lygia Russo Xavier*, Márcia Nacif, D.Sc.**, Mariana Söncksen Garbin***
*Graduandas do Curso de Nutrição pelo Centro Universitário São Camilo, **Nutricionista, especialista em Nutrição Hospitalar 
(HC-FMUSP), professora do curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, 
***Nutricionista, pós-graduanda em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho
Resumo
Objetivo: Avaliar a perda hídrica em idosos praticantes de hidro-
ginástica. Material & métodos: A amostra foi composta por 15 idosos 
(72,47 ± 7,92 anos), de ambos os gêneros. Os seguintes dados foram 
coletados, antes e depois da aula: temperatura ambiente (°C), umi-
dade relativa do ar (%), duração da aula (min), consumo médio de 
líquidos (mL), massa corporal (kg) e coloração urinária. Resultados: 
Verifi cou-se uma porcentagem de perda de peso de 0,25 ± 0,17 % e 
taxa de sudorese de 4,88 ± 3,26 mL/min. Nenhum dos participantes 
consumiu qualquer tipo de bebida durante a aula. Observou-se que 
33,3% (n = 5) dos idosos tiveram uma perda de peso menor que 
1%, enquanto 53,3% (n = 8) dos participantes ganharam peso após 
a atividade física. Segundo o índice de coloração urinária todos os 
participantes apresentaram algum grau de desidratação, sendo que 
antes e após a aula 85,7% (n = 6) estavam levemente e 14,3% (n = 1) 
moderadamente desidratados. Conclusão: Não foi identifi cada uma 
elevada perda hídrica nos participantes, entretanto essa população 
é um grupo de risco para desidratação e o clima do local da aula 
propicia uma elevada perda hídrica e, portanto, deve-se enfatizar a 
hidratação destes indivíduos. 
Palavras-chave: idosos, hidratação, sudorese, atividade motora.
Abstract
Objective: To evaluate the water loss of elderly people who 
practice hydrogymnastics Methods: Th e sample was composed of 
15 elderly people (72.47 ± 7.92 years old), of both genders. Th e 
following data were collected, before and after the class: room tem-
perature (ºC), relative humidity (%), the time of the class (min), 
liquids intake (mL), body mass (kg) and urinary color. Results: Th e 
loss weight’s percentage was 0.25 ± 0.17% and the sweating rate 
was 4.88 ± 3.26 mL/min. None of the participants had any kind 
of drinking intake. Th ere was weight loss lower than 1% in 33.3% 
(n = 5) of the people, and a weight gain in 53.3% (n = 8) after the 
physical activity. According to the urinary color index, all of the 
participants presented some dehydration degree, before and after 
the class 85.7% (n = 6) was slightly and 14.3% (n = 1) moderately 
dehydrated. Conclusion: A high water loss has not been identifi ed 
in the participants, however this population is a risk group for 
dehydration and the weather conditions for the location of the 
class provides a high water loss, therefore the hydration of these 
individuals must be emphasized. 
Key-word: elderly, fluid therapy, sweating, motor activity.
Recebido em 18 de abril de 2011; aceito em 31 de maio de 2011.
Endereço para correspondência: Déborah RivelliPires, Rua Fábia, 800/192A, 05051-030 São Paulo SP, E-mail: rivelli_de@hotmail.
com
83Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
Introdução
O crescimento da população de idosos, em números 
absolutos e relativos, é um fenômeno mundial. Em 1988 o 
número de idosos no mundo alcançava 579 milhões de pessoas 
e, segundo o IBGE, as projeções para 2050 para a população 
idosa será de 1,9 bilhões de pessoas – o que equivale a um 
quinto da população mundial. O Brasil é um país que está 
envelhecendo em considerável progressão, fato que se deve, 
fundamentalmente, ao aumento da expectativa de vida que 
abrange desde investimentos nos serviços de saúde de alta 
complexidade até as ações primárias de saúde [1,2].
Atualmente, vários idosos têm praticado atividades físicas. 
Dentre as atividades físicas mais indicadas por médicos e 
educadores físicos, especialmente para os idosos, encontra-se 
a hidroginástica, considerada uma atividade segura, prazerosa 
e efi ciente devido aos efeitos terapêuticos proporcionados pela 
água. Além de ser uma atividade que causa um baixo impacto 
nas articulações e melhora o nível cardiorrespiratório, atua de 
forma importante na tonifi cação muscular [3].
No entanto, a prática de atividade física expõe o indivíduo 
a uma elevação da temperatura corporal. A liberação desse 
calor produzido se dá, primeiramente, através da evaporação 
do suor sobre a pele. Em esportes aquáticos a produção de 
suor é um pouco mais limitada que em outras modalidades 
esportivas, sendo a perda de calor obtida principalmente 
através da condução e convecção [4].
O suor contém água e eletrólitos que, se não forem apro-
priadamente repostos, podem favorecer o desenvolvimento 
de quadros de desidratação e hiponatremia, refl etindo em 
prejuízos ao rendimento e às respostas fi siológicas, além de 
produzir riscos à saúde [5].
Os efeitos podem ocorrer mesmo que a desidratação seja 
leve ou moderada, com até 2% de perda, agravando-se à 
medida que ela se acentua. Em torno de 3%, há uma redução 
importante do desempenho; com 4 a 6% pode ocorrer fadiga 
térmica; a partir de 6% existe risco de choque térmico, coma e 
morte. A desidratação afeta o desempenho aeróbio, diminui o 
volume de ejeção ventricular e aumenta a frequência cardíaca. 
O reconhecimento dos sinais e sintomas da desidratação é 
fundamental. Quando leve a moderada, ela se manifesta com 
fadiga, perda de apetite, sede, pele vermelha, intolerância ao 
calor, tontura, oligúria e aumento da concentração urinária. 
Quando grave, ocorre difi culdade para engolir, perda de 
equilíbrio, a pele se apresenta seca e murcha, olhos afunda-
dos e visão fosca, disúria, pele dormente, delírio e espasmos 
musculares [6].
A desidratação decorrente do exercício pode ocorrer não 
apenas devido à sudorese intensa, mas, também, devido à 
ingestão insufi ciente e/ou defi ciente absorção de líquidos. 
Com o envelhecimento há diminuição da taxa de sudorese, da 
percepção da sede e saciedade e da efi ciência dos mecanismos 
renais e pulmonares, comprometendo a ingestão sufi ciente de 
líquidos e, assim, expondo os indivíduos idosos com mais fa-
cilidade à desidratação. Portanto, deve-se aumentar a ingestão 
de líquidos antes, durante e depois de atividades físicas [6,7].
Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem 
hidratado, recomenda-se que ele beba entre 250 a 500 mL 
de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício 
recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos 
e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. O volume a 
ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, na faixa de 
500 a 2.000 mL/hora. Após o exercício, deve-se continuar 
ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de 
água pela urina e sudorese [6].
Desta forma, este estudo teve como principal objetivo 
avaliar a perda hídrica em idosos praticantes de hidroginástica 
de uma academia na cidade de São Paulo/SP.
Materiais e métodos
A amostra foi composta por 15 idosos com idade entre 
63 e 90 anos, de ambos os gêneros, praticantes de uma aula 
de hidroginástica com uma duração de 45 min, voluntários 
e residentes no município de São Paulo - SP. Nenhum dos 
participantes consumia substâncias ergogênicas ou qualquer 
outro tipo de droga que pudesse alterar o resultado do estudo. 
Todos foram informados e orientados com antecedência sobre 
a realização do estudo e assinaram um termo de consenti-
mento livre e esclarecido, o qual garantiu a privacidade de 
informações pessoais. O presente trabalho também atendeu 
às normas para a realização de pesquisa em seres humanos, 
resolução 196 do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/96, 
e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro 
Universitário São Camilo, sob número 097/06.
No dia da coleta, tanto antes como depois da aula, os 
seguintes dados foram coletados: temperatura ambiente 
(em graus centígrados, °C), umidade relativa do ar (em per-
centual, %), duração da aula (em minutos, min), consumo 
médio de líquidos (em mililitros, mL), massa corporal (em 
quilograma, kg) e coloração urinária. Os dois últimos foram 
utilizados como marcadores simples para avaliação do estado 
de hidratação. Os alunos podiam ingerir água ou bebidas 
esportivas ad libitum.
A massa corporal foi registrada antes (pré) e após (pós) a 
aula, utilizando-se para tal uma balança digital antropométrica 
da marca Plenna, modelo Lumini, com capacidade de 150 kg e 
precisão de 100 g. No momento da medida os indivíduos estavam 
em pé, de frente para o avaliador, na posição ereta, pés afastados 
à largura do quadril, descalços e usando roupas de banho.
A coloração da urina foi avaliada antes (pré) e imedia-
tamente após a aula por meio da escala de Armstrong et al. 
[8]. Os resultados obtidos da massa corporal e coloração 
urinária foram classifi cados perante a tabela proposta por 
Casa et al. [9].
Foram calculados a porcentagem de perda de peso (% pp) 
e a taxa de sudorese. O cálculo da porcentagem de perda de 
peso foi obtido subtraindo-se o peso fi nal pelo peso inicial em 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201184
quilos e dividindo esse resultado pelo peso inicial em quilos. 
O resultado fi nal foi obtido em porcentagem.
A taxa de sudorese foi calculada dividindo-se o peso perdi-
do em mL pelo tempo de exercício em minutos. O resultado 
fi nal foi obtido em mL/min.
Resultados 
Foram convidados a participar do estudo, todos os idosos 
que estavam presentes na aula de hidroginástica no dia da 
coleta de dados. Destes, 15 aceitaram fazer parte da pesquisa, 
sendo 66,7% (n = 10) do sexo feminino e 33,3% (n = 5) do 
masculino, com idade média de 72,47 + 7,92 anos. As condi-
ções ambientais, a duração da aula, bem como o consumo de 
água e bebida esportiva estão descritos na Tabela I. Durante 
a aula, a temperatura era de 28,5ºC. Pôde-se observar que 
nenhum participante do estudo consumiu qualquer tipo de 
bebida durante a aula de hidroginástica.
Tabela I - Caracterização do controle amostral.
Temperatura (ºC) 28,5 
Duração da aula (min) 45
Consumo médio de água ± desvio 
padrão (mL)
-
Consumo médio de bebida esportiva 
± desvio padrão (mL)
-
O peso inicial e fi nal de cada indivíduo avaliado, a porcenta-
gem de perda de peso, a taxa de sudorese, assim como seus valores 
médios e de desvio padrão (DP) estão descritos na Tabela II. 
Tabela II - Variações de peso (kg), porcentagem de perda de peso 
(%) e taxa de sudorese (mL/min).
Indivíduo Peso ini-
cial (kg)
Peso final
(kg)
perda de 
peso (%)
Sudorese 
(mL/min)
1 70,1 70,1 - -
2 67,6 67,9 * *
3 73,7 74,2 * *
4 77,5 77,6 * *
5 71,6 71,9 * *
6 68,8 69,1 * *
7 61,3 61,2 0,16 2,22
8 86,7 86,7 - -
9 80,0 82,2 * *
10 81,5 81,3 0,25 4,44
11 60,1 60,7 * *
12 48,0 47,8 0,42 4,4413 96,3 95,8 0,52 11,1
14 62,1 62,4 * *
15 82,0 81,9 0,12 2,22
Média 72,49 72,72 0,25 4,88
DP 11,7 11,69 0,17 3,26
*ganho de peso
A média do peso inicial e fi nal dos indivíduos partici-
pantes do estudo foi de 74,49 ± 11,7 kg e 72,72 ± 11,69 
kg, respectivamente, sendo que a média da porcentagem de 
perda de peso foi de 0,25 ± 0,17 % e da taxa de sudorese de 
4,88 ± 3,26 mL/min. 
Ao serem analisados os dados de porcentagem de perda 
de peso, pôde-se perceber que após a aula todos os indivíduos 
apresentaram um estado de euidratação. Apesar deste resulta-
do, 33,3% (n = 5) sofreram uma perda de peso, porém esta não 
foi elevada, já que não representou uma perda maior que 1%. 
Também houve ganho de peso em 53,3% (n = 8) dos idosos. 
Dos 15 idosos participantes do estudo, apenas 7 realizaram 
a coleta da urina de forma correta. As médias e respectivos 
desvios padrão de massa corporal e índice de coloração uriná-
ria antes (pré) e após (pós) a aula estão descritos na Tabela III.
Tabela III - Valores absolutos da massa corporal e índice de coloração 
urinária antes (pré) e depois (pós) da aula, expressos como média 
± desvio padrão.
Massa Corporal (kg) Índice de Colora-
ção Urinária
Pré 72,49 ± 11,7 3 ± 0,93
Pós 72,72 ± 11,69 3 ± 0,84
Segundo o índice de coloração urinária todos os idosos 
participantes apresentaram algum grau de desidratação, sendo 
que antes e após a aula 85,7% (n = 6) estavam levemente e 
14,3% (n = 1) moderadamente desidratados. 
Discussão
A participação em atividades esportivas expõe o indivíduo 
a uma variedade de fatores que infl uenciam a quantidade de 
água eliminada pelo suor. Estes fatores incluem a duração e a 
intensidade do exercício, as condições ambientais e o tipo de 
roupas/equipamentos utilizados. Características individuais, 
como a idade, o peso corporal, a predisposição genética, o estado 
de aclimatização e a efi ciência metabólica também podem ter 
infl uência nas taxas de suor de determinada atividade [10]. Em 
esportes aquáticos a produção de suor é um pouco mais limitada 
que em outras modalidades esportivas, sendo a perda de calor 
obtida principalmente através da condução e convecção [4].
Existem diferentes métodos de avaliação do estado de 
hidratação dos indivíduos. As mudanças no peso corporal 
podem refl etir as perdas pela sudorese durante o exercício e 
podem ser usadas para calcular as necessidades individuais de 
reposição hídrica para atividades físicas específi cas e condições 
ambientais [10]. No presente estudo, verifi cou-se uma média 
de porcentagem de perda de peso de 0,25 ± 0,17 % e taxa de 
sudorese de 4,88 ± 3,26 mL/min. Estes dados corroboram 
os estudos que demonstram uma perda reduzida de suor em 
atividades aquáticas [4].
Observou-se ganho de peso em 53,3% (n = 8) dos idosos, 
o que provavelmente deve-se ao fato de não terem molhado 
85Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
suas vestimentas corretamente no momento da aferição do 
peso inicial e/ou terem ingerido líquido (água da piscina) in-
voluntariamente, pois estes idosos não consumiram o líquido 
fornecido pelas pesquisadoras.
 Ademais, embora a pele tenha baixa permeabilidade à 
água, um pouco de líquido pode ter sido absorvido pela pele 
durante a imersão [4], o que também contribuiria para o au-
mento de peso dos participantes do estudo. Vale mencionar 
que a umidade relativa do ar no dia da coleta estava muito 
alta, fato que prejudica a perda de suor pelos indivíduos.
O estudo de Cunha e Viebig [3] realizado com 14 adultos 
e idosos, praticantes de hidroginástica, de ambos os gêneros, 
verifi cou uma porcentagem de perda hídrica de 1,3 + 0,4% 
e taxa de sudorese de 1,98 + 0,4 mL/min. O consumo de 
água ou líquidos era ad libitum, e notou-se que nenhum 
dos participantes ingeriu qualquer tipo de líquido durante a 
aula, assim como ocorreu no presente estudo, o que reforça 
a diminuição da sensação de sede em idosos.
A desidratação é o distúrbio hidroeletrolítico mais comum 
evidenciado em idosos. O menor consumo de água associado 
ao uso de medicamentos diuréticos e ao exercício físico pode 
levar a desidratação. É necessária uma preocupação ainda 
maior quando as aulas são realizadas em piscinas muito 
aquecidas (>28ºC), pois a troca de calor entre a temperatura 
corporal do indivíduo e a do meio ambiente é muito maior 
na água. Assim, a temperatura do corpo iguala-se à da água 
de forma bem mais rápida, aumentando a possibilidade de 
desidratação [6].
Em relação à coloração da urina, todos os idosos par-
ticipantes apresentaram algum grau de desidratação. Esta 
ocorrência deve-se ao fato dos indivíduos não se hidratarem 
adequadamente, levando a um estado de desidratação cumu-
lativa e progressiva. A desidratação pode ser decorrente tanto 
da sudorese intensa durante a prática do exercício quanto de 
uma defi ciência na absorção de líquidos e/ou ingestão insu-
fi ciente. Esta por sua vez, deve-se a uma redução na sensação 
de sede que acomete principalmente idosos, sendo, portanto 
um indicador defi ciente das necessidades corporais de líquidos 
para esta população [11].
Conclusão
O presente estudo não identifi cou uma elevada perda 
hídrica em idosos praticantes de hidroginástica. Entretanto, 
esta população é um grupo de risco para desidratação e o clima 
do local onde é praticada a hidroginástica (quente e úmido) 
propicia uma elevada perda hídrica e, portanto, deve-se enfa-
tizar a hidratação destes indivíduos na orientação nutricional, 
conscientizando os praticantes desta atividade física. Sugere-se 
que sejam realizados mais estudos envolvendo a hidratação e 
a perda hídrica de idosos praticantes de hidroginástica.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 201186
Artigo original
Benefícios do treinamento aeróbio em indivíduos 
hemiparéticos crônicos 
Benefits of aerobictraining in patients with chronic hemiparesis
Kérima Giamarim Batista, Ft.*, Narla Couto, Ft.**, Maria Imaculada Ferreira Moreira Silva, M.Sc.***, 
Regiane Luz Carvalho, D.Sc.****
*Especialista em Fisioterapia em Neurologia Infantil/UNICAMP, **PUC/MG - Campus Poços de Caldas,***Especialista em Fisio-
logia do Exercício – UNIFESP, Professora do curso de Fisioterapia da PUC-Minas Campus Poços de Caldas, ****Pós-doutoranda em 
bioengenharia-USP/RP, Professora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário de São João da Boa Vista-FAE, São João da Boa 
Vista/SP 
Resumo
O acidente vascular encefálico (AVE) ocasiona défi cits sensitivos 
e motores que predispõem ao sedentarismo e agravam o risco de 
complicações cardiorrespiratórias. Este estudo propôs investigar 
o efeito do treinamento aeróbico na capacidade funcional, força 
muscular respiratória, espasticidade e equilíbrio de indivíduos com 
AVE. Participaram sete indivíduos do sexo masculino (idade média 
59,7 ± 10,8 anos) com AVE crônico (média 4,05 anos). Todos foram 
avaliados por teste ergométrico (TE), teste de caminhada de seis 
minutos (TC6), manovacuometria, escala de Asworth e de equilíbrio 
antes e após 16 sessões de treinamento em bicicleta ergométrica por 
30 minutos com carga entre 60 a 70% da FC atingida no TE. Houve 
melhora signifi cativa na FC, PA diastólica, escore de percepção de 
esforço na isocarga do TE, distância percorrida no TC6, pressão 
inspiratória máxima na manovacuometria e no equilíbrio, sendo que 
o grau de espasticidade não foi alterado. O treinamento aeróbico 
trouxe benefícios cardiorrespiratórios e funcionais aos indivíduos 
hemiparéticos estudados. 
Palavras-chave: acidente cerebral vascular, treinamento aeróbico, 
atividade física, hemiparesia.
Abstract
Th e sensitive and motor disabilities observed on individuals with 
stroke result in deconditioning, increasing the risk of cardiorespi-
ratory injury. Th e objective of this study was to assess the eff ects 
of exercise intervention on functional capacity, respiratory muscles 
strength, balance and spasticity in patients after stroke. Seven men 
(mean age 59.7 ± 10.8 years old) with chronic stroke (mean 4.05 
years) participated in this study. All subjects were assessed by cyclo-
ergometric test, six-minute walk test (SWT), maximal inspiratory 
and expiratory pressure, Asworth and Balance Scales before and 
after sixteen cycling training sessions at an intensity determined by 
60-70% of heart rate reserve (HR). Signifi cant improvements were 
observed in HR, Borg scale, diastolic pressure, maximal inspiratory 
pressure, distance running on SWT and balance. No diff erence was 
observed on spasticity. Th ere is good evidence that aerobic exercise 
was benefi cial for improving aerobic and functional capacity to the 
hemiparetic individuals in our study.
Key-words: stroke, aerobic training, physical activity, hemiparetic.
Recebido em 29 de abril de 2011; aceito em 31 de maio de 2011.
Endereço para correspondência: Regiane Luz Carvalho, Centro Universitário de São João da Boa Vista-FAE, Curso de Fisioterapia, 
Paulo de Almeida Sandeville, 15, 13870-377 São João da Boa Vista SP, Tel: (19) 3623-3022, E-mail: regianeluzcarvalho@gmail.com, 
narlanet@yahoo.com.br, imaculada@pucpcaldas.br 
87Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 2 - abril/junho 2011
Introdução
O acidente vascular encefálico (AVE) merece grande aten-
ção dos profi ssionais da saúde por ser um problema de saúde 
pública não só no Brasil, mas também no mundo. 
As sequelas deixadas pelo AVE são variáveis incluindo alte-
rações sensitivas, cognitivas e motoras. As disfunções motoras 
restringem a mobilidade e a realização de atividades funcionais 
e contribuem para o isolamento social e sedentarismo. Este 
quadro aumenta os fatores de risco cardiovasculares e a recor-
rência do AVE formando um circulo vicioso [1]. A função 
respiratória também fi ca normalmente comprometida devido 
ao estilo de vida, alta incidência de tabagismo, diminuição dos 
volumes pulmonares, alteração na ventilação, difusão e perfu-
são, restrição da mobilidade torácica e fraqueza muscular [2]. 
O que é oferecido a esta população como opção de ativida-
de se resume a prática de exercícios de manutenção no âmbito 
da fi sioterapia. Na maioria das vezes a rotina de reabilitação 
enfatiza o ganho de força, melhora da coordenação motora 
e da execução de atividades de vida diária [3]. Apesar das 
evidências do descondicionamento físico em hemiparéticos 
crônicos [4], o treinamento aeróbico é pouco utilizado dentro 
da reabilitação, possivelmente devido ao desconhecimento de 
seus efeitos [5]. 
Tem sido mostrado que o treinamento aeróbico entre os 
sobreviventes do AVE tem um impacto positivo na redução 
de vários fatores de risco de doenças cardiovasculares [6] e 
na melhora da qualidade de vida [7]. Resultados positivos 
também têm sido descritos na mobilidade e execução de 
funções cognitivas relacionadas ao aprendizado motor [8] e 
na capacidade de caminhar. 
Tendo em vista a importância da atividade física e sua 
pouca utilização nos protocolos de reabilitação, este estudo 
tem por objetivo avaliar os benefícios do condicionamento 
aeróbico sobre a capacidade funcional e força muscular 
respiratória, assim como sua infl uência no tônus muscular 
e equilíbrio de indivíduos hemiparéticos após AVE crônico.
Material e métodos 
Participaram deste estudo sete indivíduos do sexo mascu-
lino, idade média de 59,7 ± 10,8 anos, com diagnóstico de 
AVE crônico (tempo médio de evolução pós AVE de 4 anos) 
hemiparéticos espásticos, com marcha independente (57% 
dos participantes utilizavam dispositivo de auxílio de marcha e 
43% não) conforme características descritas na Tabela I. Todos 
foram informados a respeito dos procedimentos e assinaram 
um termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelo 
Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 0055.0.213.000-07).
Inicialmente os indivíduos foram submetidos a uma 
avaliação clínica com coleta da história, medicações de uso 
rotineiro e estilo de vida, seguida pelo teste ergométrico (TE) 
em bicicleta, protocolo em degrau contínuo com aumento 
de carga de 0,5 KPM a cada 2 minutos. Em cada nível de 
esforço, assim como no repouso e no 1º, 3º e 6º minutos de 
recuperação, foram avaliados: o eletrocardiograma (derivação 
MC5), pressão arterial (PA), frequência cardíaca (FC), e a 
percepção de esforço através da escala de Borg [7]. 
A força muscular respiratória foi avaliada através do ma-
nuvacuômetro, equipado com adaptador de bocais, orifício 
de 2 milímetros de diâmetro, servindo com uma válvula de 
alívio dos músculos da parede bucal. As manobras foram 
mensuradas na posição sentada utilizando clipe nasal.
O teste de caminhada de seis minutos (TC6) foi realizado 
em um percurso de 18 metros demarcado a cada 3 metros, 
com terapeuta monitorando PA inicial e fi nal, FC, grau de 
dispneia e fadiga de membros inferiores a cada 2 minutos e 
no 1º, 3º e 6º minuto de recuperação. Os pacientes foram 
encorajados verbalmente com frases padronizadas de incentivo 
a cada minuto do teste. O TC6 foi realizado duas vezes para 
minimizar o efeito aprendizagem. 
O equilíbrio foi avaliado na posição sentada, em pé e du-
rante as transferências pela escala funcional de equilíbrio [10].
O grau de espasticidade dos fl exores plantares e dos ex-
tensores de joelho foi avaliado através da escala de Ashworth 
modifi cada [11].
O treinamento ocorreu durante oito semanas, sendo duas 
sessões por semana em dias alternados, com duração aproxi-
mada de uma hora, sendo 15 minutos de aquecimento, 30 
minutos de bicicleta ergométrica com carga entre 60 a 70% 
da FC atingida no TE, e 15 minutos de desaquecimento.
A efi cácia do treinamento na FC, PAS e PAD foi avaliada 
pelo teste -t pareado de Student. Para as comparações das

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