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INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS 
ARAÇATUBA 
ENGENHARIA CIVIL 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE VISITA À PONTES 
 
 
 
 
 
 
Guilherme de Souza Moreira 
Mayara Miranda Lourenço 
Mateus Antônio Gardino Neto 
Cleiton Morais Gonçalves 
Leandro Komatsu Yamamoto 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE VISITA À PONTES 
 
 
 
Relatório de visita à Pontes apresentado à disciplina 
Pontes e Grandes Estruturas – do curso de 
graduação em Engenharia Civil, sob orientação do 
professor Marcel Reis. 
 
 
 
Introdução 
 
O projeto de uma ponte inicia-se, naturalmente, pelo conhecimento de sua 
finalidade, da qual decorrem os elementos geométricos definidores do estrado, 
como, por exemplo, a seção transversal e o carregamento a partir do qual será 
realizado o dimensionamento da estrutura. Além dessas informações, a 
execução do projeto de uma ponte exige, ainda, levantamentos topográficos, 
hidrológicos e acessórios, tais como processo construtivo, capacidade técnica 
das empresas responsáveis pela execução e aspectos econômicos podem influir 
na escolha do tipo de obra, contudo não serão abordados neste texto. 
O objetivo deste capítulo é apresentar alguns dos elementos indispensáveis para 
a elaboração de um projeto de ponte e que devem estar disponíveis antes do 
início do projeto definitivo da estrutura. 
 
Elementos geométricos 
 
Os elementos geométricos aos quais o projeto de uma ponte deve atender 
derivam das características da via e de seu próprio estrado. Os elementos 
geométricos das vias dependem de condições técnicas especificadas pelos 
órgãos públicos responsáveis pela construção e manutenção dessas vias. No 
caso das rodovias federais, o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem 
(DNER) estabelece as condições técnicas para o projeto geométrico das 
estradas e das pontes enquanto que no estado as rodovias estão sob a 
responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo 
(DERSP). Segundo o DNER, as estradas federais são divididas em: 
 
 Classe I 
 Classe II 
 Classe III 
 
As velocidades diretrizes, utilizadas para a determinação das características do 
projeto de uma estrada, são definidas em função da classe da rodovia e do relevo 
da região. 
 
Quanto as velocidades diretrizes (Km/h) em rodovias federais. 
 
Região Classe I Classe II Classe III 
 
 Plana 
 Ondulada 
 Montanhosa 
 
O desenvolvimento planimétrico e altimétrico de uma ponte é, na maior parte dos 
casos, definido pelo projeto da estrada. Isso é verdade principalmente quando 
os cursos de água a serem transpostos são pequenos. No caso de grandes rios, 
o projeto da estrada deve ser elaborado já levando em consideração a melhor 
localização da ponte. 
Dessa forma, deve-se procurar cruzar o eixo dos cursos de águas segundo um 
ângulo reto com o eixo da rodovia. Além disso, deve-se procurar cruzar na seção 
mais estreita do rio de forma a minimizar o comprimento da ponte. 
Para as rodovias federais, os raios mínimos de curvatura horizontal são fixados 
com a finalidade de limitar a força centrífuga que atuará no veículo viajando com 
a velocidade diretriz. 
 
As rampas máximas admissíveis, até a altitude de 1000 metros acima do nível 
do mar. Esses valores poderão ser acrescidos de 1% para extensões até 900 
metros em regiões planas, 300 metros em regiões onduladas e 150 metros em 
regiões montanhosas, e deverão ser reduzidas de 0,5% para altitudes superiores 
a 1000 metros. No caso corrente de estradas com pista de duas faixas de 
tráfego, as normas do DNER adotam as seguintes larguras de pista: 
 
· Classe I: 7,20 m 
· Classes II e III: 6,00 m a 7,20 m 
 
Nas estradas com pistas duplas independentes com duas faixas de tráfego cada 
uma, a largura da pista utilizada é de 7,00 m. Os acostamentos têm largura 
mínima variável conforme a classe da estrada e a região atravessada. Nas 
estradas de classe I, em geral adotam-se acostamentos de 2,50 m de largura, 
resultando a largura total do terrapleno igual a 2,50 + 7,00 +2,50 = 12 m. 
 
 Rampas máximas (%) em rodovias federais. 
 
Região Classe I Classe II Classe III 
Plana 
Ondulada 
Montanhosa 
 
 
 Largura das pontes rodoviárias 
 
As pontes rodoviárias podem ser divididas quanto à localização em urbanas e 
rurais. As pontes urbanas possuem pistas de rolamento com largura igual à da 
via e passeios com largura igual a das calçadas. As pontes rurais são 
constituídas com finalidade de escoar o tráfego nas rodovias e possuem pistas 
de rolamento e acostamentos. 
Durante muitos anos, as pontes rodoviárias federais de classe I foram 
construídas com pista de 8,20 m e guarda-rodas laterais de 0,90 m de largura, 
perfazendo a largura total de 10 m (Figura 1.1.a). Havia, portanto, um 
estrangulamento da plataforma da estrada que provocava uma obstrução 
psicológica nos motoristas que causava acidentes. Nos últimos anos, o DNER 
passou a adotar para a largura das pontes rurais a largura total da estrada (pista 
+ acostamento) e guarda-rodas mais eficientes. Em regiões com pouco tráfego, 
alguns órgãos públicos ainda recomendam a redução da largura da ponte. 
 
TIPOS DE PONTES 
 
Em ordem cronológica, de acordo com o autor LEONHARDT (1979), tem- se os 
seguintes tipos de pontes: 
 
 Pontes de madeira 
 
A madeira tem sido empregada desde a antiguidade na construção de pontes, 
inicialmente com arranjos estruturais bastante simples. Destaca-se que com este 
material chegou-se a construir pontes com vãos consideráveis, como o de uma 
ponte construída em 1758, sobre o rio Reno, com 118 metros 
de vão. 
 Pontes de pedra 
 
A pedra, assim como a madeira, era empregada desde a antiguidade, na 
construção de pontes. Os romanos e os chineses já construíam abóbadas em 
pedra antes de Cristo. Os romanos chegaram a construir pontes, em forma de 
arco semicircular com até 30 metros de vão. Foi grande o número de pontes em 
pedra construídas pelos romanos; a maior parte destas desabaram, 
principalmente por problemas de fundação ou então foram demolidas por 
questões bélicas, mas existem algumas que permanecem até os dias de hoje. 
Na idade média as abóbadas ficaram mais abatidas, chegando a atingir vãos da 
ordem de 50 metros. 
 Pontes metálicas 
 
Embora as primeiras pontes metálicas tenham surgido no fim do século XVIII, 
em ferro fundido, foi a partir da metade do século seguinte, com o 
desenvolvimento das ferrovias - que produziam cargas bem mais elevadas que 
as que ocorriam até então, e com o emprego do aço na construção das pontes. 
Cabe destacar que já a partir de 1850 construíam-se pontes em treliça com 124 
metros de vão. 
 
 Pontes de concreto armado 
 
As primeiras pontes em concreto apareceram no início do século 20. Eram 
pontes de concreto simples em arco tri articulado, com o material substituindo a 
pedra. Embora já se empregasse o concreto armado na execução do tabuleiro 
das pontes de concreto simples, foi a partir de 1912 que começaram a ser 
construídas as pontes de viga e de pórtico em concreto armado, com vãos de 
até 30 metros. 
 
 
 Pontes de concreto protendido 
 
Embora as primeiras pontes em concreto protendido tenham sido feitas a partir 
de 1938, foi após a Segunda Guerra Mundial que o concreto protendido começou 
a ser empregado com grande frequência, por causa da necessidade de se 
reconstruir rapidamente um grande número de pontes destruídas durante a 
guerra. A partir de então, o desenvolvimento da construção das pontes se 
concentrou nos processos construtivos. 
 
Elementosnormativos 
 
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é uma entidade oficial 
encarregada de elabora e editar os regulamentos técnicos adotados no Brasil. 
As principais normas que devem ser consultadas quando da elaboração de 
pontes rodoviárias em concreto armado são: 
 
· NBR 7187 - Projeto e execução de pontes de concreto armado e protendido; 
· NBR 7188 - Carga móvel em ponte rodoviária e passarela de pedestre; 
· NBR 6118 - Projeto e execução de obras de concreto armado. 
 
 
OBJETIVO 
 
Nos itens anteriores foram apresentadas as principais informações que o 
projetista deve conhecer antes de iniciar um projeto de ponte. De posse dessas 
informações, ele deve definir o tipo de ponte a ser empregado (ponte em viga 
contínua, ponte em vigas bi apoiadas, ponte em pórtico, ponte estaiada, etc.) e 
fazer um pré-dimensionamento dos principais elementos estruturais, o qual pode 
ser feito baseado em sua própria experiência ou em projetos de pontes 
semelhantes. Não é objetivo deste trabalho abordar critérios de lançamento e 
pré-dimensionamento de estruturas de pontes, mas sim apresentar de forma 
simplificada os elementos que compõem a estrutura da Ponte Chafic José Abdo 
sobre o Rio Tietê, na rodovia Deputado Roberto Rollemberg (SP-461) que 
interligam os municípios de Buritama - SP e Brejo Alegre - SP. 
 
HISTÓRICO 
 
A Ponte Chafic José Abdo foi construída na década de 80 para interligar às 
cidades de Brejo Alegre - SP à Buritama - SP e dar acesso à Usina Hidroelétrica 
Nova Avanhandava que está instalada à 600 m da ponte. Localizada nas 
Rodovia Roberto Rollemberg (SP- 461) sobre o rio Tietê, esta ponte é de suma 
importância para escoar a produção agrícola da região e dar acesso à cidades 
importantes do interior de São Paulo como São José do Rio Preto, Votuporanga, 
Fernandópolis, Birigui, Araçatuba etc... 
 A Ponte Chafic José Abdo foi construída na sua totalidade utilizando estrutura 
de concreto armado, com 530 metros de comprimento e 12 metros de largura. 
Porém no ano de 2003 foi necessária uma alteração em sua estrutura devido ao 
aumento do fluxo de navegação de barcaças de transporte de cargas. Com o 
aumento do fluxo de navegação ocorreram diversas colisões nos pilares da 
ponte, que tinha um vão livre de 40 m, devido a esses fatos em fevereiro de 2003 
a ponte foi interditada pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem) para 
que a empresa AES Tietê, controladora da Usina Hidrelétrica de Nova 
Avanhandava, concluísse as obras de ampliação do vão no canal de navegação 
dos atuais 40 metros para 80 metros. Onde foram implodidos 2 pilares, e dois 
tabuleiros de concreto, e para vencer um vão de 80m sem pilares foi utilizado 
um único tabuleiro metálico com 80 metros de extensão e 500 toneladas em 
forma de arco. 
Essa alteração trouxe mais segurança e proteção à estrutura da ponte e seus 
usuários, eliminando o risco de novas colisões de embarcações pesadas. 
 
ELEMENTOS ESTRUTURAIS 
 
A Ponte Chafic José Abdo tem seus 530 m de extensão distribuídos em 9 tramos 
de 40 m em estrutura de concreto armado, 1 tramo de 80m em estrutura 
metálica, 2 balanços de 45m. Os elementos que compõem toda a estrutura da 
ponte são: blocos de fundação com estacas, pilares, longarinas, transversinas, 
tabuleiro ou laje, cortinas, alas, guarda rodas e guarda corpo. 
A foto a seguir traz a imagem da Ponte Chafic José Abdo. 
 
 
Imagem 1 : Integrante do Grupo, ao fundo a Ponte. 
BLOCOS DE FUNDAÇÃO: 
A fundação utilizou-se de 11 blocos de 8,25 m comp. x 6,25 m larg. x 2,05 m 
altura, com 4 estacas tipo tubulão de 1,80m de diâmetro cada como mostrada 
na imagem abaixo. 
 
 
Imagem 2: Fundação 
 
 
PILARES: 
A estrutura conta com o suporte de 11 pilares em concreto armado com 5,10 m 
comp. x 1,63 m larg. x 12 m altura aproximadamente, sendo que no seu topo ele 
conta com uma viga transversal de 1,63 m larg. x 1,00 m altura x 12 m 
comprimento onde se apoiam as longarinas. 
 
Imagem 3: Pilar e Viga Transversal. 
 
LONGARINAS: 
A estrutura longitudinal da ponte conta com 5 longarinas paralelas à uma 
distância aproximada de 2,50m uma da outra. Essas longarinas foram 
construídas com concreto armado em (perfil I) com as dimensões de 0,90m base 
x 0,40m larg. x 2,40m altura para vencer um vão de 40m correspondente à 1 
tramo da ponte. 
 
 
Imagem 4: Longarinas 
 
TRANSVERSINAS: 
 
Cada tramo da ponte foi constituído com 5 transversinas de 0,25m x 2,15m 
ligadas às longarinas para dar rigidez e estabilidade a estrutura, sendo que a 
estrutura completa contém 45 transversinas. 
 
 
Imagem 5: Transversinas e Longarinas 
TABULEIRO: 
 
O tabuleiro da ponte também construído em estrutura de concreto armado tem 
espessura de 0,30m x 12m larg. x 530m comprimento. 
 
CORTINAS: 
 
As duas cabeceiras da ponte são reforçadas com as cortinas com as dimensões 
de 12m comp. x 0,40m larg. x 2,40m altura elas são responsáveis por resistir 
toda carga aplicada pela terra nas cabeceiras da ponte. 
 
 
Imagem 6: Cortinas, Longarinas e Transversinas. 
 
GUARDA RODAS: 
 
Os guarda rodas da ponte tem sua estrutura em concreto armado com 
dimensões de 0,50m larg. x 0,10m espessura. 
 
GUARDA CORPO E FAIXAS DE RODAGEM: 
 
O guarda corpo da ponte também em concreto armado possui uma altura de 
0,80m x 0,10m de espessura 
. 
Imagem 7: Integrante do grupo sobre a ponte 
 
Não obtivemos dados dos elementos "alas", devido ao difícil acesso aos 
mesmos, e por grande parte da estrutura estar embaixo da terra. 
 
A seguir segue mais algumas imagens da ponte. 
 
 
Imagem 8: Integrante do grupo com a ponte ao fundo. 
 
Imagem 9: Arco metálico e pistas de rodagem. 
 
Imagem 10: Arco metálico. 
Imagem 11: Arco metálico. 
 
Imagem 12: Arco metálico: Vigas principais e transversinas.

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