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Texto de divulgação científica – é um gênero discursivo que transpõe um discurso específico de uma esfera do campo científico para a comunidade em geral, ou seja, é por meio do texto de divulgação científica que a sociedade entra em contato com as pesquisas que estão sendo realizadas, ou que estão em andamento, em linguagem acessível. A popularização da ciência tem sido considerada também como um instrumento para tornar disponíveis conhecimentos e tecnologias que possam ajudar a melhorar a vida das pessoas e dar suporte a desenvolvimentos econômicos e sociais sustentáveis. Levando em consideração os conhecimentos de que já dispomos, sabemos que existem textos cujas finalidades discursivas se divergem: uns servem para informar, alguns para entreter, outros para instruir, enfim... distintas são as intenções propostas pelo emissor ao redigir algo. Pois bem, amiguinho(a) usuário(a), sabendo disso, nesse nosso encontro iremos conhecer um pouco mais acerca daqueles textos que auxiliam de forma significativa no aprimoramento daquilo que precisamos saber. Estamos, pois, falando sobre os chamados textos de divulgação científica. Pelo nome você já deve ter uma noção de que se trata de algo com base em estudos mais aprofundados, frutos de pesquisas, experimentos, enfim, de uma dedicação exclusiva por parte de quem se dedica ao ramo da ciência e resolve, sem nenhuma dúvida, contribuir para o avanço dela de uma forma geral, contribuindo, consequentemente, para o bem da população, concebida como um todo. Assim, em termos de características linguísticas, não é de duvidar que essa modalidade de texto trabalha fazendo uso do padrão formal da linguagem, haja vista que o intuito é repassar conhecimentos. Por essa razão, provavelmente não encontraremos traços de pessoalidade, tal como o uso de primeira pessoa (eu) no discurso empregado nesse tipo de texto. Outro aspecto que também se evidencia no gênero em questão é a presença de termos técnicos, típicos da linguagem científica, obviamente. Assim, como se trata de um texto de exposição de ideias, normalmente ele se constitui de uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Dessa forma, nada melhor que nos certificarmos com um exemplo, o que acha? Características de um texto de divulgação científica - texto expositivo; - finalidade: transmitir conhecimentos de natureza científica a um público o mais amplo possível; - estrutura: ideia principal (afirmação, conceito) / desenvolvido por meio de provas (exemplos, comparações, relações de efeito e causa, resultados de experiências, dados estatísticos) / conclusão. Assim, como se trata de um texto de exposição de ideias, normalmente ele se constitui de uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. - linguagem clara, objetiva e geralmente impessoal; - emprega a variedade padrão da língua com a presença de termos e conceitos científicos de uma ou mais áreas do conhecimento, verbos predominantemente no presente do indicativo; Para que o leitor possa se interagir com este avanço, há uma modalidade textual ora representativa dos mais diversos gêneros atuantes – os chamados textos de divulgação científica. Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de conhecimentos acerca do saber científico, assemelhando-se, portanto, com os demais gêneros circundantes no meio educacional como um todo, entre eles, textos didáticos e verbetes de enciclopédias. Mediante tal pressuposto, já temos a ideia do caráter condizente à linguagem, uma vez que esta se perfaz de características marcantes – a objetividade, isentando-se de traços pessoais por parte do emissor, como também por obedecer ao padrão formal da língua. Outro aspecto passível de destaque é o fato de que no texto científico, às vezes, temos a oportunidade de nos deparar com determinadas terminologias e conceitos próprios da área científica a que eles se referem. Veiculados por diversos meios de comunicação, seja em jornais, revistas, livros ou meio eletrônico, compartilham-se com uma gama de interlocutores. Razão esta que incide na forma como se estruturam, não seguindo um padrão rígido, uma vez que este se interliga a vários fatores, tais como: assunto, público-alvo, emissor, momento histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no primeiro e segundo parágrafos, o autor expõe a ideia principal, sendo representada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos que seguem, ocorre o desenvolvimento propriamente dito da ideia, lembrando que tais argumentos são subsidiados em fontes verdadeiramente passíveis de comprovação – comparações, dados estatísticos, relações de causa e efeito, dentre outras. Textos científicos visam comunicar ao público em geral, em linguagem acessível, os fatos e os princípios da ciência. Colocam a sociedade em contato com pesquisas realizadas, experimentos em andamento e recentes descobertas. Costumam citar as forntes científicas e instituições ou pesquisadores notórios em determinado tema. São publicados principalmente em jornais e revistas impressos e eletrônicos. Fonte: COSTA, Cibele Lopresti. Para viver juntos: português, 6º ano: ensino fundamental. 1. ed. rev. Sâo Paulo: Edições SM, 2009. Texto adaptado. Antes de enfatizarmos os pressupostos que norteiam o assunto em pauta, retomemos algumas noções relacionadas aos gêneros textuais. Sabe-se que de acordo com a finalidade que o emissor de um dado texto deseja cumprir, este fará parte de um dos distintos gêneros existentes. Assim ocorre com o chamado texto de divulgação científica, o qual se define por expor, transmitir, conteúdos dessa natureza (científica). Exemplos de tal modalidade são os verbetes de enciclopédia. Por se tratar de um texto cujo propósito é a transmissão de saberes, eis algumas marcas linguísticas nele impressas: * A impessoalidade é predominante, haja vista que o autor expressa as descobertas que fez sem deixar se revelar, ou seja, sem revelar suas marcas pessoais; * Em termos estruturais, pode-se afirmar que prevalece o padrão formal da linguagem, por meio do uso dos verbos na terceira pessoa do singular – fato que imprime ao discurso o caráter impessoal antes ressaltado; * Ainda falando acerca dos traços estruturais, apesar de tal modalidade não obedecer a uma norma rígida, o que normalmente se atesta é a predominância de um parágrafo introdutório, revelando a ideia principal a ser abordada, seguido pelo desenvolvimento, sendo esse manifestado por meio de exemplos, comparações, dados estatísticos, relações de causa e efeito, resultado, objetivos de experiências, etc., e culminando nas conclusões acerca do que foi anteriormente abordado. Exemplos Buraco da camada de ozônio se manteve estável nos últimos 10 anos COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS A camada de ozônio, o escudo que protege a vida na Terra dos níveis nocivos de radiação ultravioleta, manteve-se estável na última década, conforme estudo elaborado pela Organização Mundial da Meteorologia (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado nesta quinta-feira. Meias antibióticas podem estimular emissões de gases-estufa Buraco de ozônio retém frio na Antártida, mostra relatório Por esta avaliação científica sobre a camada de ozônio feita neste ano --a primeira atualização em quatro anos sobre o assunto--, a aplicação do Protocolo de Montreal "impediu um esgotamento maior da camada de ozônio", e ao mesmo tempo "apresentou valiosos benefícios secundários ao mitigar a mudança climática". O protocolo, que regula o uso do CFC (clorofluorcarboneto), foi aprovado em 1987 por cerca de 200 países. Os analistas preveem que, exceto nas regiões polares, a camada de ozônio se recupere antes de meados deste século, alcançando os níveis registrados antes de 1980. Na Antártida, porém, onde o buraco na camada de ozônio é grande, a recuperação será mais demorada e deve ocorrer somente no fim do século 21. "Na última década, o ozônio em nível global e nas regiõesdo Ártico e da Antártida não estão mais diminuindo, mas também não estão aumentando", salienta o estudo. (Fonte: Folha de São Paulo, 16/09/2010) TEXTO 5 Por que temos que tomar banho? Saiba que a responsável por essa exigência é a sua pele Chegou a hora de saber por que você, que faz de tudo para se manter limpinho, é obrigado a tomar todos os dias aquela boa chuveirada. A responsável por essa exigência, anote, não é a sua mãe, é a sua pele, a barreira natural à entrada de microrganismos no corpo. Há na pele as células que formam a epiderme (a camada mais externa da pele, essa que tocamos), que é como um tecido mesmo, como o de nossas roupas. Sobre as células da epiderme há uma camada de queratina, uma proteína que não deixa passar água para o lado de dentro. Além disto, ainda temos os poros – os pequeninos orifícios por onde sai o suor – e as glândulas sebáceas, que acompanham os pelos que recobrem toda a superfície do corpo, exceto a palma da mão e a sola dos pés. Todos os dias nossa pele é renovada, mandando embora algumas células mortas misturadas com queratina e formando um tecido novinho em folha. Uma coisa que nem todo mundo sabe é que sobre a nossa pele e mucosas – mucosa é a pele fininha e úmida, como a da boca e a do interior do nariz – existem bactérias chamadas comensais, isto é, bactérias que convivem conosco sem necessariamente causarem doença. Elas têm uma função importante: não permitir que outros micro-organismos mais perigosos à saúde se estabeleçam na pele e mucosas. Se as comensais não estiverem presentes em número adequado, o equilíbrio entre a proteção e agressão é rompido e podemos adoecer. Por: Adriana Bonomo e José Marcos Cunha, Universidade Federal do Rio de Janeiro Ao estabelecermos contato com o termo ora representado pelo adjetivo “científico”, situamo-nos no campo relacionado à ciência. E, como tal, foi tida por muito tempo como algo característico de uma verdade absoluta, isentando-se de possíveis questionamentos. A verdade é que, com o passar do tempo, o dinamismo que envolve a sociedade como um todo parece ter atingido até mesmo esta área de conhecimento, ou seja, a verdade de hoje pode não ser a mesma de amanhã. Tal posicionamento comprova o considerável avanço do qual compartilhamos atualmente.