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Coberturas em estruturas de madeira   exemplos de cálculo

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atuando na posição mais desfavorável das ripas, caibros, terças e barras das treliças. Em relação 
às ripas adota-se o seguinte critério: para vãos de até 60 cm de comprimento foi considerado 
que os operários não pisem sobre as ripas ao montarem a trama, e que, a partir de 60 cm de 
vão de ripas, os operários não teriam condições de se locomover sobre a trama sem pisai sobre 
as ripas. Por isso a carga concentrada de 1 KN somente foi considerada quando as demais veri-
ficações conduziram a valores superiores a 60 cm para os vãos das ripas. Procedendo-se assim 
não se inviabilizou a utilização da ripa para vãos pequenos, e para vãos maiores a segurança 
dos operários foi observada. 
Seção da Ripa 
(cmaJ 
Classe de Resistência 
da Madeira (MPa) 
Telhas de Peso 
Médio de 50 kgf/m1 
Telhas de Peso 
Médio de 70 kg f/m1 
20 41 45 
J , 5 x 5 
30 50 56 
J , 5 x 5 
40 57 60 
60 60 60 
20 60 60 
^ 5 x 5 
30 60 60 
^ 5 x 5 
40 60 60 
60 60 60 
20 60 60 
5x5 
30 60 60 
5x5 
40 68 69 
60 98 100 
Jobdí11.4. 
Vãw das ripas (<m). 
Em relação à ação de ventos que, em algumas regiões do Brasil, atinge valores apreciá-
veis, observa-se que na maioria dos telhados o vento produz efeitos de sucção, e que se estes 
forem maiores tio que o peso das telhas, então estas serão arrancadas do telhado. Ou seja, 
na maioria dos casos dos telhados com telhas de encaixe, a ação de ventos pode produzir no 
máximo destelha mento sem afetar a estrutura, e em alguns casos o vento pode produzir uma 
pequena sobrepressão, que é transmitida à estrutura principal. 
Túbdã IS. 
Võqí máximos porá 
os caibros. 
1.5.3. Caibro 
Os caibros são peças de seção aproximadamente quadrada que sustentam as ripas 
e são apoiadas sobre as terças. Os caibros são fixados nas terças através de pregos que ne-
las penetram pelo menos metade do seu comprimento, Recomenda-se que sejam pregados 
após furaçâo prévia. Quando necessário, os caibros deverão ser emendados sobre as terças, 
por transpasse ou de topo. O espaçamento entre caibros é dado em função do vão das ripas, 
anteriormente discutido, 0 vão do caibro depende da inclinação do telhado, do tipo de telha, 
da madeira e suas condições, de sua seção transversa! e ainda das condições para a necessária 
modulação de vãos dos caibros. 
Seção caibros 
Icm1) 
Classe de 
resistência {JY1 Pa) 
Telhas de peso médio 
de 50 kg F/m1 
Telhas de peso médio 
de 70 kg f/m1 
20 67 60 
1,5x5 
30 94 87 
1,5x5 
AO 120 110 
60 168 1SS 
20 65 59 
15 x5 
30 85 85 
15 x5 
40 110 W 
60 155 155 
20 65 59 
5x5 
30 85 85 
5x5 
40 108 106 
60 140 141 
Observando que os caibros são solicitados à ftexocompressão e em alguns intervalos á 
flexotração, como, por exemplo, nos beirais, respeitando as prescrições da ABNT NBR 7190:1997 e 
adotando as mesmas condições de carregamentos adotadas para as ripas, elaborou-sea Tabela 
1.5, que fornece os vãos máximos para caibros de seção transversal 5 x 5 . 
Para os beirais, indica-se, como valores dos balanços, metade dos valores dos respec-
tivos vãos indicados na Tabela 1.5. Caso se pretenda, por imposição de arquitetura, construir 
beirais maiores, deve-se aumentar a seção transversal, substituindo os caibros 5 x 5 por vigas 
6 x 12 ou até 6 x 16. 
As tabeiras ou testeiras são peças de madeira pregadas nas extremidades d os beirais, 
Elas compatibilizam as flechas dos caibros nos beirais, evitando que estes apresentem ondu-
lações decorrentes de flechas diferentes entre caibros. Servem ainda como proteção contra a 
penetração de águas pluviais nas extremidades dos caibros, sempre uma região de alta per-
meabilidade, Normalmente, elas são de tábuas ou meias tábuas. 
Além disso, a utilização de forro nos beirais, além da vantagem estética, estabelece 
uma barreira para a ação de ventos que, defletidos pelas respectivas paredes, exercem esforços 
de sustentação sobre os beirais [ascensional). 
Nos casos em que os beirais são mais altos, como, por exemplo, nos oitões, é comum 
em algumas regiões do Brasil a ocorrência de destelhamento, Para esses casos, quando não se 
forrar o beiral, as telhas deverão ser amarradas no ripamento, usando-se arame galvanizado 
[resiste à corrosão). 
Vale mencionar também a possibilidade de se fazer beirais maiores a partir da cria-
ção de balanços nas tesouras, ideia esta bastante explorada e difundida pelo arquiteto norte-
-americano Frank Lloyd Wrigtht* no inicio do século XX, quando as coberturas eram proje-
tadas atém das paredes exteriores das edificações sem qualquer apoio em seus extremos. A 
utilização de grandes beirais consiste numa ótima solução, proporcionando conforto térmico, 
principalmente do ambiente interno, e proteção da edificação, ante o calor tropical presente 
no Brasil. Essa solução também pode ser empregada em construções localizadas em regiões 
com alta frequência de chuvas, sendo que, neste caso, as paredes que poderão receber chuva 
ficam bastante reduzidas. 
1,5.4, Terças 
As terças são vigas de madeira, solicitadas à flexão oblíqua, apoiadas sobre paredes ou 
sobie a estrutura principal da cobertura, com a finalidade de apoiar os caibros quando existirem 
ou, caso contrário, para apoiar as telhas, O espaçamento das terças é igual ao vão dos caibros 
ou igual ao tamanho das telhas, quando estas dispensam ripas e caibros. 
Do ponto de vista da ação de vento sobre as terças, existem dois casos distintos de 
terças. As terças que são apoio direto das telhas, através de ganchos, parafusos ou qualquer 
outro dispositivo de ancoragem, e aquelas que servem de apoio para o caibra mento. 
No caso de apoio direto de telhas, as sucções que usualmente o vento costuma pro-
vocar sobre os telhados serão transmitidas ao terçamento. São os casos das telhas metálicas, 
de fibrocimento e as plásticas. Nestes casos duas situações poderão ocorrer: destelhamento ou 
transmissão de ação ascensional para as terças, que, por sua vez, se estiverem corretamente 
fixadas na estrutura principal, transmitirão essa ação ascensional para a estrutura principal. Caso 
as terças não estejam adequadamente fixadas e sofram a ação ascensional de ventos fortes, em 
certas regiões do Brasil, poderá ocorrer o arrancamento das telhas juntamente com as terças, 
Quando as terças apoiam o caibramento, as telhas estão apoiadas sobre ripas (por 
exemplo, as telhas cerâmicas e as de concreto), e, conforme anteriormente mencionado, apenas 
em alguns casos de telhados, ventos fortes podem provocar pequenas sobrepressões sobre 
as terças, e, na maioria, não transmitir esforços ao terçamento, Do exposto anteriormente fica 
evidente que, os casos em que ação de vento é capaz de provocar a inversão dos esforços, o 
cálculo de terças fica dependente do desenho da disposição das telhas, das condições aerodi-
nâmicas da construção e das características do vento forte, dificultando a elaboração de uma 
tabela para sugerir vãos máximos. Para os casos em que as terças servem de apoio aos caibros, 
pode-se determinar o vão máximo. A Tabela l .â apresenta para os casos de vigas comerciais 
6 x 12 cm e 6 x 16 cm, às diversas classes de resistência de madeira, os valores máximos para 
os seus vãos, dados pela média dos valores obtidos para todos os casos de caibros indicados 
na Tabela 1.5. Ela foi elaborada em consonância com as tabelas anteriores. 
* frank Lloyd Wríght 
é msickrado um das 
mais importantes 
arquitetos do seu 
tempo, eo emprego de 
estruturai em balanço 
poro telhados? mo 
característica manonte 
m ífiíí projetai e 
construções. 
Tabela 16. 
VSos máximos pomos 
terços (cm). 
Classe de Resistência da 
Madeira 
Seção da Terça 
12 
Seção da Terça 
6 x 16 
€20 240 300 
C30 250 3W 
C40 255 320 
Ci60 265 330 
Outro aspecto importante a ser lembrado é a modulação dos vãos das terças. Tam-
bém

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