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ARTIGO bariátrica

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mesmo 
após terem conquistado o peso desejado, continuam enxergando-se obesas e permanecem 
“engessadas” num complexo quase sem fim. Á esse respeito França et al (2012) esclarece 
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que, durante o processo para a realização da cirurgia bariátrica, bem como em seu decorrer e 
no pós-operatório, o paciente é confrontado com suas crenças para a aceitação de sua nova 
compleição física e pela reconstrução de sua memória. Seu objetivo é que a imagem resultante 
da cirurgia não cause mais sentimentos e pensamentos negativos. 
No que diz respeito a autoestima, foi aplicada a Escala de Roserberg (EAR) que 
apresentou dados expressos na Tabela 07. A maioria (73,3%) da amostra apresenta autoestima 
média, seguido por 23,3% com autoestima baixa e apenas 3,3% com autoestima elevada e 
recomendada. A autoestima é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento de 
uma autopercepção corporal positiva, e quando elevada desempenha um papel protetor contra 
as distorções da percepção da imagem corporal (O’DEA, 2012). 
 
Tabela 07 – Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR). 
 Frequência Porcentagem 
Correção da escala 
De menos de 25 pontos (Autoestima baixa) 7 23,3 
De 26 a 29 (Autoestima média) 22 73,3 
De 30 a 40 pontos (Autoestima elevada) 1 3,3 
 
Destaca-se que, ainda não se estabeleceu uma especialidade dentro da Psicologia 
direcionada à Cirurgia Bariátrica, ou seja, uma formação em Psicologia Bariátrica. Logo, não 
há teóricos exclusivos ou um método de avaliação universal para avaliar o candidato a este 
procedimento. Diferentes abordagens teóricas têm integrado os serviços de cirurgias e 
adaptado seus modelos à proposta bariátrica (MARCHESINI, 2012). 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A partir dos resultados apresentados foi possível analisar sobre os aspectos afetivos, 
cognitivos e comportamentais, de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, que: no aspecto 
afetivo, nota-se uma mudança na percepção da autoimagem das mulheres entrevistadas, haja 
vista que, antes do procedimento cirúrgico, comprar roupas e o preconceito eram dificuldades 
apresentadas pelas mesmas e, após a cirurgia, não foram variáveis observadas influenciando 
para a melhoria da sua autoestima; no aspecto cognitivo, nota-se que há uma consciência das 
mesmas acerca da importância da mudança de hábitos comportamentais, assim como a 
aderência às recomendações psicológicas e nutricionais, no entanto, o momento em que elas 
ainda estão vivenciando faz com que deixem se seguir todos esses passos do tratamento; e, no 
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aspecto comportamental destacou-se a maior aderência à prática de atividade física, 
otimizando sua saúde e qualidade de vida. 
Ressaltou-se ainda a importância do acompanhamento psicológico para a preparação e 
aceitação do paciente às mudanças comportamentais após o procedimento cirúrgico, tendo em 
vista que, pacientes sem o acompanhamento psicológico adequado possuem maior 
probabilidade de manter padrões de comportamento opostos às orientações médicas. Pois, o 
estudo mostrou que a maioria não realizou o acompanhamento adequado no período pré-
cirúrgico; não segue as recomendações após o procedimento; e, um número significativo 
passou a ter hábitos fora do que era comum após a cirurgia, tais como ingestão de bebida 
alcóolica, uso de drogas, compulsão por compras e distorção de imagem. Tais hábitos 
necessitam de atenção tendo em vista as consequências desastrosas que podem ocasionar. 
Tendo em vista que, os aspectos afetivos, cognitivos e comportamentais estão 
entrelaçados na perspectiva da terapia cognitivo-comportamental, são necessários estudos 
que, através deste recurso terapêutico, compreendam as variáveis que possam influenciar para 
pensamentos disfuncionais nos pacientes, assim como para seus sentimentos e, 
consequentemente, aos comportamentos apresentados. 
Portanto, este estudo tem relevância social, científica e acadêmica, tendo em vista a 
crescente adesão a este tipo de tratamento e a falta de evidências voltadas a populações da 
região norte, especialmente, do estado do Amapá. São necessários estudos posteriores, 
preferencialmente, longitudinais como forma de corrigir as limitações referidas neste 
trabalho, bem como investigar novas variáveis que possam ter um papel preponderante na 
perda de peso, influenciando assim no sucesso destas intervenções. 
 
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