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AS PRIMEIRAS CIDADES DO MUNDO E AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES

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estágio pré-industrial. O primeiro deles foi a invenção da palavra escrita, que cooperou com a 
contabilidade e manutenção dos gastos, além da fixação de fatos históricos, registros, leis e 
ensino. O segundo elemento eram as escassas fontes de energia, geralmente, a braçal e 
animal, sendo que as sociedades pré-industriais mais avançadas usavam também a eólica para 
navegação e em moinhos e em alguns casos, não muito comuns, a água. 
 
Foi então, que nesse segundo contexto de organização social, econômico e político que se 
desenvolveram as primeiras cidades. Entretanto, somente no Terceiro Nível, que a cidade 
industrial aparece, caracterizada por uma estrutura de educação das massas, um sistema de 
classes fluido e, o mais relevante, um assombroso avanço tecnológico que usa novas fontes 
energéticas. 
 
Além dos elementos supracitados outros dois também foram de suma importância para o 
desenvolvimento das cidades industriais. O primeiro foi a nova organização social que agora 
se via diante de grande excedente agrícola, que podia ser colhido, armazenado e distribuído, 
liberando mão-de-obra do campo em grandes quantidades. 
 
O outro fator está ligado ao transporte e localização da cidade, que quando próxima a regiões 
férteis e geograficamente favoráveis facilitam a distribuição e o transporte dos 
produtos primários, desenvolvendo inclusive as atividades mercantis. 
 
A troca de informação entre essas diversas culturas contribuiu para o surgimento de vilas e 
povoados na região que, em pouco tempo, evoluíram para verdadeiras cidades. 
 
As primeiras cidades eram muito semelhantes entre si. Tinham uma base cultural e técnica 
análogas. O trigo e a cevada eram os principais produtos agrícolas, o bronze o metal, e o arado 
ativado por tração animal, havia alguns veículos utilizando rodas. Artigos de luxo descobertos 
em túmulos e templos, por arqueólogos e historiadores, revelaram a existência de 
habilidosos artesãos, e a introdução de metais finos e pedras preciosas de locais 
distantes denota a existência de uma importante classe mercantil e a ascensão de uma elite já 
consolidada. 
 
AS CIVILIZAÇÕES DO NOVO MUNDO 
 
Saindo do contexto do velho mundo, e levando em conta a região da América pré-colombiana 
temos que mostrar também a importância dos povos ameríndios na formação de cidades. 
Estes, especialmente, os da América Central (maias e astecas) constituíram grandes núcleos 
urbanos, porém a falta de dados sobre tais cidades têm levado muitos estudiosos à pesquisa 
de campo. Até a década de 60, por exemplo, muitos arqueólogos duvidavam que os maias 
teriam construído cidades, justificando que as ruínas encontradas eram grandes templos, 
visitados periodicamente pelas populações durante celebrações. Hoje, no entanto, não há 
dúvida de que se tratam de ruínas de cidades construídas pelos mesmos. “Em Tical, cidade 
maia na Guatemala, aproximadamente 3000 construções foram localizadas em uma área de 
6,2 milhas quadradas; apenas 10% dessas construções são centros cerimoniais e, talvez, 60% 
tenham sido residenciais. Se tomarmos como média familiar a metade da hoje existente na 
região (5,6 pessoas), a população de Tical seria mais de 5000” (SJOBERG, 1967) 
 
Mesmo que apenas poucos exemplos escritos tenham sido encontrados, é plausível a hipótese 
de que seu povo sabia escrever, mesmo porque havia outros povos alfabetizados na América 
Central. De qualquer forma, o avanço dos maias em áreas como a Matemática e Astronomia 
poderiam facilmente colocá-los em uma hierarquia de civilização urbana. Algo que aludi 
uma concentração da elite culta em centros urbanos, haja vista que seria quase impossível o 
desenvolvimento extraordinário de tais áreas do conhecimento se essa elite estivesse 
espalhada por vilarejos no campo, limitando a troca de informações e a evolução das ideias. 
 
Todavia a América Central não era a única região do Novo Mundo, com centros urbanos; 
sendo estes também existentes na região andina. Porém, uma cultura como a dos incas, não 
poderia ser considerada urbana, em decorrência dos meios que dispunham, não possuíam 
símbolos gráficos de representação da palavra escrita ou outros conceitos, apenas alguns 
números. Desta forma, não foram eficazes em difundir, por intermédio de uma elite culta, sua 
herança religiosa e histórica. 
 
A civilização do Novo Mundo, porém, mostra-nos que apesar de alguns fatores serem 
importantes na construção de uma cidade, não são obrigatórios, pois as cidades da América 
Central, por exemplo, desenvolveram-se sem a utilização de animais domésticos, sem a roda e 
sem a presença de grandes rios. Um dos pretextos para isto foi o cultivo do milho, alimento 
que não necessita de muito empenho para sua produção, equilibrando a técnica rústica e a 
ausência de grandes cursos d’água. Já na região andina, fantásticas obras de engenharia e uma 
significativa divisão do trabalho não foram suficientes para compensar a lacuna da linguagem 
escrita, na consagração de uma sociedade genuinamente urbana. 
 
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS PRIMEIRAS POPULAÇÕES 
 
As primeiras cidades detinham características em comum, principalmente na forma 
de organização. A elite morava nas cidades, congregando-se com seus dependentes 
especialmente nos centros, que eram as áreas de maior autoridade, onde se encontravam os 
templos e palácios dos governos. 
 
Tal concentração no centro urbano favorecia duas questões: a comunicação entre os membros 
da elite culta, que dependiam da troca de informações rápida, e como os transportes e meios 
de comunicação eram rudimentares, isso não era possível em grandes distâncias, e pelo fato 
de nesse centro a classe dominante estar mais protegida de ataques externos. 
 
Não muito longe dos centros, havia as lojas de artesãos, pedreiros, carpinteiros, ferreiros, 
joalheiros e ceramistas que compunham uma classe independente que oferecia seus produtos 
principalmente para a elite. 
 
E dos arredores da cidade em direção ao campo instalavam-se as residências dos moradores 
mais pobres ligados à agricultura. Tal característica de hierarquia social com o distanciamento 
do centro urbano era uma característica notável das civilizações pré-industriais, sendo comum 
em quase todas as cidades antes da Revolução Industrial. 
 
A cidade, desde seus primórdios é tida como residência de especialistas e intelectuais, e 
consequentemente, fonte de constante inovação. É inegável que o aparecimento das cidades 
acelerou, e muito, a modificação social e cultural de modo tão importante quanto à 
revolução agrícola que a precedeu e a revolução industrial que a sucedeu. Enfim, as cidades 
funcionavam como um incentivo ao progresso social, político, econômico, ideológico, científico 
e religioso. Como centros de inovação as cidades forneciam um solo fértil para os avanços 
tecnológicos, e este, por sua vez, contribuía para a expansão da cidade.