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Trabalho de Conclusão de Curso (1)

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no caso da construção civil, por isso, é importante levar em consideração as classificações da Resolução 307 do CONAMA (BRASIL, 2002).
A Resolução 307 do CONAMA (BRASIL 2002), estabelece em seu artigo 2º como resíduos da construção civil:
os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha.
A Resolução denomina da melhor forma o que são os resíduos de construção civil, e os classifica em 4 classes. Os resíduos de classe A, que são responsáveis por 70% dos RCD's, são classificados em: 
de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento e etc.), argamassa e concreto;
de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meio fios e etc.) produzidas nos canteiros de obras;
 	As outras classes são B (resíduos recicláveis para outras destinações), C (resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação) e D (resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde).
	Esta pesquisa, no entanto, será focada aos resíduos de classe A, que são os responsáveis pela maior porcentagem de RCD e são todos recicláveis.
Construção Civil
A construção é uma das atividades mais antigas que se tem conhecimento e desde os primórdios da humanidade foi executada de forma artesanal, gerando como subprodutos grande quantidade de entulho mineral (ABRECON, 2015).
O setor da Construção Civil passou por grandes transformações nos últimos anos, consequência não só das mudanças promovidas na economia na década de 1990, mas, sobretudo, da necessidade do próprio setor de melhorar sua imagem no País (CONSTRUCLUBE, 2013).
Uma das tendências que marcaram o século XX foi a concentração da população em áreas urbanas. No Brasil, segundo o IBGE (2013), no ano de 1950 apenas 36% da população habitava em área urbana, em 1970 eram 56%, e em 1995 já havia 75% de habitantes em área urbana. A falta de oportunidade de trabalho e acesso, na área rural, e a chance de usufruir de serviços públicos com mais facilidade e qualidade, foram os principais fatores para esse crescimento.
A industrialização acelerada e desordenada vivida pelas metrópoles ampliaram os desequilíbrios ambientais. O setor da construção civil é essencial para atender necessidades e anseios da sociedade, ao proporcionar abrigo, conforto e qualidade de vida para indivíduos, famílias e comunidades, estimular o crescimento e produzir riquezas para empresas e governos. E também é responsável pela implantação de infraestrutura de base como geração de energia, saneamento básico, comunicações, transporte e espaços urbanos, além da execução de edifícios públicos e privados, com o objetivo de prover moradia, trabalho, educação, saúde e lazer em nível de cidade, estado e nação (ITAMBÉ, 2009).
Além disso, a economia brasileira tem forte influencia da construção civil, o setor recebe muitos investimentos, gerando milhões de empregos e bilhões de reais. Em 2015, segundo o IBGE, a construção civil teve participação de 5,5% do PIB nacional, e a cadeia produtiva da industria da construção 10,7% do PIB nacional (FIESP, 2015), em outros anos, estes valores eram ainda maiores. O setor também movimenta bilhões de reais e gera milhões de empregos no Brasil, o que eleva ainda mais sua importância para o país, mostrando que a construção civil tem uma enorme função no processo de evolução, com isso, não é um setor que seja possível parar ou diminuir para se corrigir, mas sim, desenvolver novas técnicas para melhorar ao longo dos anos.
Ao mesmo tempo, o setor também é responsável por uma parcela significativa do consumo de recursos naturais, incluindo energia e água, além de ser um dos maiores responsáveis pela geração de resíduos sólidos e pela emissão de gases de efeito estufa (AGOPYAN, 2011).
Segundo a ABRECON (2015), nações tecnologicamente desenvolvidas, como EUA, Holanda, Japão, Bélgica, França e Alemanha, entre outros, já perceberam a necessidade de reciclar as sobras da construção civil e têm pesquisado o assunto intensamente visando atingir um grau de padronização dos procedimentos adotados para a obtenção dos agregados, atendendo desta forma aos limites que permitem atingir um nível mínimo de qualidade. Quanto aos resíduos sólidos de construção e demolição (RSCD), para se ter uma ideia da quantidade gerada em certos países, é apresentada a Tabela 1.
Tabela 1 - Estimativa de geração de RSCD em diversos países.
Fonte: Adaptado de JOHN, 2000.
	PAÍS
	QUANTIDADE GERADA
	
	t/ano (10^6)
	kg/hab/ano
	Suécia
	1,20 - 6,00
	136,00 - 680,00
	Holanda
	12,80 - 20,20
	820,00 - 1.300,00
	EUA
	136,00 - 171,00
	463,00 - 584,00
	Bélgica
	7,50 - 34,70
	735,00 - 3.359,00
	Dinamarca
	2,30 - 40,00
	440,00 - 2.010,00
	Itália
	35,00 - 40,00
	600,00 - 690,00
	Alemanha
	79,00 - 300,00
	963,00 - 3.658,00
	Japão
	99
	785
	Portugal
	3,2
	325
	Brasil
	68
	230,00 - 660,00
 
Para países como o Brasil, a dificuldade é ainda maior, pois vive um processo de urbanização em marcha e tem que enfrentar, ao mesmo tempo, uma herança de desigualdade social. Isso faz com que os locais mais necessitados de implantar este sistema sustentável, seja mais difícil, pois exige uma mudança cultural, de métodos e postura em obras, excluindo o pensamento de "o mais barato é o melhor".
Este desperdício exagerado na construção, gera uma cadeia de outros problemas, como o impacto ambiental devido a retirada de recursos naturais em excesso e disposição de resíduos em locais clandestinos, afetando a natureza. Além disso, o desperdício trás grande prejuízo aos cofres públicos, devido aos gastos pelo transporte e tratamento dos resíduos, e ainda, aumenta os custos da própria construção, que para manter a produção tem que comprar cada vez mais materiais, causando prejuízo financeiro a construtora.
Instrumentos Legais
Com o aumento da população nos centros urbanos e consequentemente o aumento da geração de RCD, as preocupações com os impactos ambientais e como manter a sociedade com uma qualidade de vida agradável, começou a ser um problema especulado pelo Brasil. 
No ano de 2002, foi criada a Resolução nº 307 do CONAMA que tem como objetivo estabelecer diretrizes, critérios e procedimentos para gestão de resíduos da construção civil, buscando uma organização e planejamento no gerenciamento de resíduos (BRASIL, 2002). Logo após foram criadas Normas Técnicas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), buscando padronizar e melhorar ainda mais a eficiência no gerenciamento, tais como a NBR 10.004/2004 que trata da classificação dos resíduos sólidos (ABNT, 2004a), dentre outras que veremos mais adiante.
Após duas décadas de discussões, em 02 de agosto de 2010, foi sancionada a Lei Federal Nº 12.305 (BRASIL, 2010), que institui a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). A Lei dispõe sobre os princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos (incluídos os resíduos da construção civil), as responsabilidades dos geradores e do poder público

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