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Trabalho de Conclusão de Curso (1)

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é de responsabilidade desses processos que são executados muitas vezes sem projetos e alvarás de construção. E no caso do DF, não existe uma fiscalização rigorosa e nem um local para uma destinação correta destes resíduos. Logo, com a execução de demolições de casas irregulares como na cidade Vicente Pires, moradores ao redor sofreram com a poluição visual, ambiental e animais transmissores de doenças que habitaram nos restos de construções.
 Figura 6 – Resíduos da construção civil
 Fonte: I&T Informações e Técnicas
Transporte de Resíduos
O transporte fora da obra também influencia na poluição ambiental. Caminhões com excesso de materiais podem provocar perdas do material transportado. Além disso, o peso excessivo do caminhão pode danificar as ruas pavimentadas, forçando a uma manutenção precoce. Além disso, também é necessário se manter uma fiscalização dos cuidados necessários no transporte, como lavar os pneus do caminhão antes de sair da obra, evitando uma poluição do ar e das ruas e cobrir as caçambas com lona, evitando que os resíduos caiam com a força do vento ou por próprios desníveis das vias, reduzir a velocidade em manobras, etc. São coisas simples de se fazer, mas quando não feitas podem causar uma poluição ambiental muito grande, como na cidade Estrutural, onde as ruas são empoeiradas, sujas e causam muito incomodo para a população local. Além da sujeira, a poeira também pode entupir bueiros e atrair animais e insetos indesejáveis.
É importante checar se há informações no município sobre transportadores cadastrados. No DF, o transportador tem que ter a licença ambiental fornecida pelo SLU. Uma vez contratado o serviço, é preciso exigir do caçambeiro o retorno do documento de Controle de Transporte de Resíduo (CTR) devidamente carimbado e assinando pelo destinatário, comprovando que material foi entregue na usina de reciclagem ou ao aterro licenciado para resíduos de construção civil.
 
Figuras 7 e 8 – Transporte de resíduos sem a lona na cidade Estrutural / 
Transporte de resíduos de forma correta na Asa Norte
Fonte: Arquivo dos autores. 
Gerenciamento de Resíduos de Classe A
Diante do cenário atual da construção civil, observa-se que muitas práticas precisam de mudanças. Gerenciar, de forma racional e ambientalmente adequada, os resíduos sólidos, especialmente aqueles nos grandes centros urbanos, tem sido uma constante e acentuada preocupação dos gestores públicos. 
Países desenvolvidos trabalham muito forte neste processo de construção sustentável, porém, ainda não existe um padrão mundial 100%, embora existam muitas medidas que podem ser adotadas no sentido de minimizar bastante os impactos ambientais que causam esses resíduos. O Brasil, por ser um país subdesenvolvido, ainda tem muito o que crescer, e é importante crescer pensando no futuro do que ter que solucionar problemas graves depois.
Uma das medidas a serem adotadas é a escolha correta dos materiais. É importante se ter mais informativos sobre como escolher materiais que causam menos impactos, escolha de empresas com selos ambientais que garantam a qualidade e durabilidade excelente do material, etc. Neste sentido, faz-se necessário que órgãos ambientais e governamentais estabeleçam padrões sustentáveis para estas industrias que produzem os materiais e as fiscalizem com mais rigor. Além disso, implantar essa política pública não só em industrias e construtoras, como também na sociedade como um todo, alertando o bem que a pessoa pode fazer ao meio ambiente e também que materiais de boa qualidade e durabilidade demoram muito mais para necessitar de manutenções, reformas e em casos piores, a demolição.
Citamos como é complicado o problema de perdas em canteiro de obra. Muitas vezes os trabalhadores não são conscientizados que evitando cada vez mais essas perdas, não influenciarão somente na parte econômica da construção, como ainda, na qualidade de vida da sociedade de hoje e de futuras gerações. Alguns pontos que podem evitar essas perdas são:
Projetos bem detalhados para evitar dúvidas na execução;
Logística no canteiro de obra, locais de estocagem com facilidade de acesso para evitar quebras durante o transporte do material;
Qualificar a mão de obra, com treinamentos e política de conscientização (reuniões semanais);
Estocagem correta em locais arejados e que não fiquem expostos ao sol e à chuva, tomar cuidado na hora de estocar, manter organizado, estocar de preferência em cima de paletes e local de fácil acesso aos trabalhadores;
Ações preventivas, evitando que o mesmo ocorra durante todo o processo da obra.
Essas são algumas medidas que minimizam as perdas e a geração de resíduos em obras. Contudo, segundo a PNRS, obras de pequeno porte devem seguir o Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos que deve orientar e detalhar como deve ser feita a gestão na obra reduzindo o impacto ambiental e beneficiando a sociedade. Para obras de grande porte, a PNRS estabelece que seja feito antes de começar, um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, onde especificam e detalham todos processos que devem ser seguidos na obra, é importante que em obras de médio a grande porte exista um profissional que cuide desta área ambiental e que esteja sempre orientando e organizando o canteiro (BRASIL / MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2012). Hoje no DF, a fiscalização do seguimento destes planos é muito pouca, e com isso, quase nenhuma construção segue à risca. 
Redução, Reutilização e Reciclagem
O Resíduo da Construção Civil (RCC) ou Resíduo de Construção e Demolição (RCD), é todo resíduo gerado no processo construtivo, de reforma, demolição e escavação (ABRECON, 2016). 
No processo construtivo e de reformas é possível fazer a redução com pequenas atitudes citadas anteriormente. No gerenciamento dos resíduos de classe A tem por intuito assegurar a correta gestão dos resíduos durante as atividades cotidianas de execução das obras e dos serviços de engenharia. O gerenciamento se fundamenta essencialmente nas estratégias de não geração, redução, reutilização, reciclagem e descarte adequado de resíduos sólidos (NAGALLI, 2014), primando pelas estratégias de redução da geração de resíduos, como ilustra a Figura 9. É muito importante ter projetos em construções, pois estes auxiliam no que deve ser executado e quando bem elaborados, diminuem expressivamente a porcentagem de erros nas construções (COLOMBO & BAZZO, 2000). 
Figura 9 - Hierarquia do sistema de gerenciamento de resíduos.
Fonte: Adaptado Nagalli, 2014.
A redução ajuda tanto na questão ambiental quanto na econômica, e é isso que a sociedade tem que entender: quando se adota essas políticas públicas sustentáveis para a construção particular, ajudamos o meio ambiente, a qualidade de vida, as gerações futuras e também a reduzir o orçamento da obra, pois quanto menor o desperdício gerado, menos se irá gastar com material na obra. 
A reutilização é o processo que faz o reuso de materiais que seriam desperdiçados e enviados para aterros. Com isso eles recebem outra função na obra, evitando a compra de mais materiais e enviando menos resíduos para os aterros. Esta é uma prática pouco adotada em canteiros do DF, mas que faz uma grande diferença ao final da obra.
Além da redução e reutilização, a reciclagem também é uma alternativa para reduzir o impacto ambiental. A prática é muito vantajosa em vários aspectos para o gerador, sociedade e meio ambiente. Para o gerador, representa custos mais acessíveis e possibilita o reaproveitamento do próprio material como agregado reciclado. Segundo o urbanista Tarcísio de Paula Pinto, inspira uma visão na qual a demolição, por exemplo, passa de geradora de entulho a grande fonte de matéria-prima secundária (SILVA, 2015). A vantagem da prática para a sociedade e meio ambiente é a diminuição de destinação de resíduos em locais clandestinos ou em aterros de inertes legalizados, porém sobrecarregados, como no caso do DF, podemos citar o Lixão do Jóquei.
Mesmo diante das vantagens, a prática da reciclagem

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