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42   Circulação

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do corpo.
Por conduzirem o sangue de volta ao coração sob 
pressão mais baixa, as veias não necessitam de paredes es-
pessas. Para determinado diâmetro de vaso sanguíneo, a 
parede da veia tem apenas / da espessura da parede de 
uma artéria. Diferente das artérias, as veias contêm válvu-
las, que mantêm um fluxo unidirecional do sangue apesar 
da pressão sanguínea baixa nesses vasos.
924 REECE, URRY, CAIN, WASSERMAN, MINORSKY & JACKSON
A seguir, examinaremos como o diâmetro dos vasos 
sanguíneos, o número de vasos e a pressão sanguínea in-
fluenciam a velocidade com que o sangue flui em diferen-
tes locais do corpo.
Velocidade do fluxo sanguíneo
Para entender como o diâmetro do vaso sanguíneo in-
fluencia o fluxo de sangue, considere como a água flui por 
uma mangueira grossa conectada a uma torneira. Quan-
do a torneira está aberta, a água flui na mesma velocidade 
ao longo da mangueira. Contudo, se um bico estreito for 
anexado ao final da mangueira, a água sairá com veloci-
dade muito maior. Uma vez que a água não se comprime 
sob pressão, o volume dela que passa pelo bico em deter-
minado tempo deve ser o mesmo que passa pelo resto da 
mangueira. A área da secção transversal do bico é menor 
do que a da mangueira, de modo que a velocidade da água 
aumenta no bico.
Uma situação análoga se observa no sistema circu-
latório, mas o sangue fica lento à medida que passa das 
artérias para as arteríolas e para os capilares muito mais 
estreitos. Por quê? A razão é que o número de capilares é 
enorme (por volta de 7 bilhões no corpo humano). Cada 
artéria transfere sangue para tantos capilares que a área 
total da secção transversal é muito maior nos leitos capi-
lares do que nas artérias ou em qualquer outra parte do 
sistema circulatório (Figura 42.10). O resultado é uma di-
minuição drástica na velocidade das artérias para os capi-
lares: o sangue passa 500 vezes mais devagar nos capilares 
(mais ou menos 0,1 cm/s) do que na aorta (em torno de 48 
cm/s). Após passar pelos capilares, a velocidade do sangue 
aumenta à medida que entra nas vênulas e veias, que têm 
áreas totais da secção transversal menores do que a dos 
capilares.
Pressão sanguínea
O sangue, como todos os líquidos, flui de áreas de pressão 
mais alta para áreas de pressão mais baixa. A contração 
de um ventrículo do coração gera pressão sanguínea, que 
exerce uma força em todas as direções. A parte da força 
dirigida longitudinalmente em uma artéria empurra o san-
gue para longe do coração, o local de pressão mais alta. 
A parte da força exercida lateralmente expande a parede 
da artéria. Seguindo a contração ventricular, a retração das 
paredes celulares elásticas exerce um papel fundamental 
na manutenção da pressão sanguínea e, por conseguinte, 
do fluxo do sangue pelo ciclo cardíaco. Assim que o san-
gue entra nos milhões de diminutas arteríolas e capila-
res, o diâmetro estreito desses vasos gera uma resistência 
substancial ao fluxo. No momento que o sangue entra nas 
veias, essa resistência dissipa muito da pressão gerada pelo 
bombeamento cardíaco.
Mudanças na pressão sanguínea durante o 
ciclo cardíaco
A pressão sanguínea arterial é maior quando o coração se 
contrai durante a sístole ventricular. Nesse momento, a 
pressão é denominada pressão sistólica (ver Figura 42.10). 
Cada pico na pressão sanguínea causado pela contração 
ventricular expande as artérias. Pressionando os dedos no 
lado interno do pulso, você sente a pulsação – a oscilação 
rítmica das paredes arteriais com cada batimento cardíaco. 
A oscilação da pressão é parcialmente devida às estreitas 
aberturas das arteríolas, impedindo a saída de sangue pro-
veniente das artérias. Quando o coração se contrai, o san-
gue entra nas artérias mais rapidamente do que consegue 
sair, e os vasos expandem com a subida da pressão.
Durante a diástole, as paredes elásticas das artérias 
repentinamente se contraem. Como consequência, há me-
nor pressão sanguínea, mas ainda substancial, quando os 
ventrículos estão relaxados (pressão diastólica). Antes de 
entrar sangue suficiente nas arteríolas para aliviar com-
pletamente a pressão nas artérias, o coração se contrai 
novamente. Como as artérias se mantêm pressurizadas 
ao longo do ciclo cardíaco (ver Figura 42.10), o sangue flui 
continuamente para as arteríolas e capilares.
Regulação da pressão sanguínea
Mecanismos homeostáticos regulam a pressão sanguínea 
arterial mediante alteração do diâmetro das arteríolas. 
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
50
40
30
20
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Pressão 
sistólica
Pressão 
diastólica
� Figura 42.10 Relação entre a área da secção transver-
sal dos vasos sanguíneos, velocidade do fluxo sanguíneo e 
pressão sanguínea. Como consequência de um aumento na área 
total da secção transversal, a velocidade do fluxo sanguíneo de-
cresce acentuadamente nas arteríolas e mais ainda nos capilares. 
A pressão sanguínea, a principal força que impulsiona o sangue do 
coração para os capilares, é mais alta na aorta e outras artérias.
BIOLOGIA DE CAMPBELL 925
As arteríolas se estreitam no processo denominado vaso-
constrição, à medida que os músculos lisos das suas pare-
des se contraem. O estreitamento das arteríolas aumenta 
a pressão sanguínea a montante nas artérias. Quando os 
músculos lisos relaxam, as arteríolas passam por vaso-
dilatação, um aumento do diâmetro que causa queda da 
pressão sanguínea nas artérias.
Os pesquisadores identificaram o gás óxido nítrico 
(NO) como o principal indutor da vasodilatação e a endo-
telina, um peptídeo, como o mais potente indutor da va-
soconstrição. Estímulos dos sistemas nervoso e endócrino 
regulam a produção de NO e endotelina nos vasos sanguí-
neos, onde suas atividades regulam a pressão sanguínea.
A vasoconstrição e a vasodilatação são com frequên-
cia acopladas a alterações no débito cardíaco que afetam 
a pressão sanguínea. Essa coordenação de mecanismos 
reguladores mantém o fluxo sanguíneo adequado, à medi-
da que as demandas do corpo sobre o sistema circulatório 
mudam. Durante um exercício f ísico intenso, por exemplo, 
as arteríolas dos músculos em atividade dilatam, provo-
cando um fluxo maior de sangue rico em oxigênio para os 
músculos. Por si só, esse aumento do fluxo para os mús-
culos causaria uma queda na pressão arterial (e, portanto, 
do fluxo sanguíneo) em todo o corpo. Contudo, o débito 
cardíaco aumenta ao mesmo tempo, mantendo a pressão 
sanguínea e sustentando o aumento necessário do fluxo 
sanguíneo.
Pressão sanguínea e gravidade
Em geral, a pressão sanguínea é 
medida em uma artéria do braço 
posicionada na mesma altura do 
coração (Figura 42.11). Para um 
humano saudável com idade de 20 
anos em repouso, a pressão arterial 
normal no circuito sistêmico é em 
torno de 120 milímetros de mercú-
rio (mmHg) na sístole e 70 mmHg 
na diástole, expressa como 120/70. 
(A pressão no circuito pulmonar é 
seis a dez vezes mais baixa.)
A gravidade tem um efeito 
significativo na pressão sanguí-
nea. Quando você está de pé, por 
exemplo, sua cabeça fica aproxi-
madamente 0,35 m acima do seu 
peito, e a pressão arterial no cére-
bro é cerca de 27 mmHg menor do 
que a no coração. Se a pressão san-
guínea no seu cérebro fosse muito 
baixa para proporcionar um fluxo 
de sangue adequado, você prova-
velmente desmaiaria. Ao cair no 
chão, sua cabeça ficaria na mesma 
altura do coração, aumentando ra-
pidamente o fluxo de sangue para 
o cérebro.
Para animais com pescoços muito longos, a pressão 
sanguínea necessária para superar a gravidade é especial-