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Fichamento Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado

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começou a se embater com a Inglaterra que, apesar de pregar uma economia política liberalista, exigia muitos privilégios de seus produtos no mercado brasileiro sem contudo dar contraprestação na mesma medida. Assim, ante a resistência brasileira nesse sistema, e com a necessidade antilhana de superar o Brasil na produção de açúcar, a Inglaterra tentou vedar a importação de escravos africanos, vedação esta que em muito fora frustrada.
Com a estagnação econômica generalizada no cenário mundial, o governo central se enfraquece e cresce a insatisfação por todo o país. Rebeliões armadas no norte e a guerra civil no extremo sul.
Surge o café como fonte d riqueza em 1830. “Graças a essa nova riqueza forma-se um sólido núcleo de estabelecimento na região central mais próxima da capital, o qual passa a constituir verdadeiro centro de resistência contra forças de desagregação”.
Era quase inexistente um aparelho fiscal; o governo central não consegue arrecadar recursos para coibir seus gastos.
Emissões de papel moeda criavam um déficit comercial que afetava principalmente a população urbana, acarretando em seu empobrecimento.
18. Confronto com o desenvolvimento dos EUA
Os EUA, que tiveram uma situação em muito semelhante com a do Brasil – iniciara na qualidade de colônia agrícola – tivera um desenvolvimento industrial notável enquanto o do Brasil era rudimentar ou inexistente. Isso se deve segundo o autor, de início pela diferença na estrutura social – aqui havia grandes latifundiários enquanto lá havia pequenos produtores, além de os fluxos migratórios atuarem de formas diversas. Os EUA foi em certa medida estimulada pela Inglaterra até certo ponto de seu desenvolvimento agro-industrial para suprir as faltas de mercado da Metrópole, enquanto que no caso brasileiro a Metrópole servia de comerciário e intermediário dos produtos doravante produzidos. Além disso, muito precocemente os colonos norte-americanos se voltaram para o mar, sendo que cedo em sua história eles já produziam e se utilizavam de seus próprios navios.
19. Declínio a longo prazo do nível de renda: primeira metade do século XIX
Houve tentativas de fomentar a indústria, seja por investimentos nesse setor (que foram infrutíferos posto que não havia mercado), seja pelo estímulo ao consumo de produtos nacionais, o que também teve dificuldade para se concretizar, ante o quadro de generalizada estagnação.
A industrialização teria sido possível se fossem fortes as exportações. Contudo, o Brasil crescia em um ritmo maior do que exportava, e seus produtos sofriam desvalorizações no mercado internacional gradualmente.
20. Gestão da economia cafeeira
A primeira metade do século XIX fora caracterizada por um crescimento vegetativo lento e estagnação econômica. “Para superar a etapa de estagnação, o Brasil precisava reintegrar-se à economia mundial em crescente expansão”, o que era difícil ante a tendência declinante dos produtos brasileiros. O algodão se torna produto que serve apenas para complementar a economia de subsistência até que a guerra de secessão dos EUA tire a produção norteamericana do mercado.
No meio do mesmo século começa o ciclo do café. O produto, explorado principalmente na região do Rio de Janeiro, atendia às necessidades locais, porque introduzia ao mercado mundial um produto necessariamente agrícola, cultivado por mão de obra e escrava e adaptável ao sistema local. Com o café surge uma nova classe empresária, formada principalmente por homens com experiência comercial.
21. O problema da mão de obra: I. Oferta interna potencial
Inicialmente, a mão de obra se constituía integralmente pelo trabalho escravo – cerca de 1,5 milhão de indivíduos, cuja perspectiva de vegetabilidade e natalidade eram curtas. Com as dificuldades impostas pela Inglaterra no comércio de escravos africanos, começou a haver procura interna, drenando escravos de regiões relativamente estabilizadas para regiões de economia crescente, como o fluxo do Maranhão para o Sul. Enquanto isso, países mais desenvolvidos tinham processos de industrialização que aumentavam a população urbana com mão de obra qualificada excedente. No Brasil, o sistema econômico de subsistência era caracteristicamente disperso e rudimentar, ligado ao sistema pecuário. Também nas zonas urbanas encontrava-se uma massa de população que dificilmente encontrava ocupação permanente e que tinha difícil adaptabilidade à vida rural. Assim, ante a dificuldade em se recrutar mão de obra livre dentro do país e com a escassez de mão de obra escrava, passou-se a cogitar a importação de mão de obra asiática em regime de semi servidão.
22. O problema da mão de obra: II. A imigração européia
Uma alternativa proposta ao problema da escassez de mão de obra foi a imigração européia, ao exemplo dos EUA para onde se dirigiam grandes contingentes populacionais da Europa anualmente, embora a migração na América do norte se desse por razões distintas. “As colônias criadas em distintas partes pelo Brasil pelo governo imperial careciam de fundamento econômico, se baseando mormente na suposta superioridade racial do trabalhador europeu, mesmo sobre os colonizadores originários, e incutiam fortes investimentos e subsídios do governo para muitas vezes definharem. 
Inicialmente, se adotou um modelo de servidão disfarçada, à exemplo do que fizera a Inglaterra com os colonos ingleses que se dirigiam às Antilhas; depois, com a má repercussão desse sistema nos Estados germânicos, com a expansão da economia do café e com a crise da economia do algodão na América do norte – que fez aumentar a demanda no Brasil – a necessidade de mão de obra se tornou urgente de tal modo que se passou a adotar o sistema assalariado ao trabalhador europeu, sendo que o governo imperial arcaria com os custos de transporte. Além disso, era cedido ao imigrante um pedaço de terra onde ele poderia cultivar gêneros primários para a subsistência sua e de sua família. Esse conjunto, assomado à instabilidade política pela qual passava a Itália em decorrência do excedente de população agrícola, deu impulso a um intenso fluxo de imigração européia ao Brasil.
23. O problema da mão de obra: III. Transumância amazônica
Dado que houve um aumento súbito na procura pela borracha, produto oriundo de plantas da região amazônica, o que estimulou a migração da região nordeste para a região da Amazônia, o que foi possível graças ao excedente criado pela imigração européia para a economia cafeeira.
Ante a excelente qualidade de terra das regiões dos estados do Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o cultivo de alimentos por parte dos imigrantes europeus cria um enriquecimento alimentar que faz a região crescer econômica e vegetativamente, fortalecendo a região sul em detrimento das outras e causando admiração entre visitantes estrangeiros.
Na região das minas, por outro lado, a baixa qualidade de terras faz com que as populações empreendam em longos deslocamentos, direcionando boa parte da população para a região de São Paulo e do Mato Grosso.
24. O problema da mão de obra: IV. Eliminação do trabalho escravo
A escravidão envolvia questões econômicas e sociais amplas muito entrelaçadas. Prevalecia a idéia de que um escravo era uma riqueza e que a abolição da escravidão acarretaria em empobrecimento da população. Contudo, afirma o autor que a abolição constitui apenas a redistribuição de propriedade entre a coletividade. 
Libertados, os ex escravos encontraram dificuldades em sobreviver na sociedade brasileira como se apresentava no período; por um lado, havia um excedente urbano já em estado caótico que dificultava sua adaptação; por outro, a economia de subsistência se expandia cada vez mais, se afastando de modo a ficar inacessível. Em grande parte – tanto na economia açucareira quanto na cafeeira – o que se buscou foi seguir regimes que se assemelhassem ao da escravidão, como os que forneciam salários muito baixos aos trabalhadores ex escravos.
Ainda assim, com as inovações técnicas e novos padrões de consumo, a procura por