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COLÉGIO TÉCNICO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 
 
 
 
 
 
 
 
TRABALHO DE BIOQUÍMICA 
GASOMETRIA 
 
 
 
 
 
 
BÁRBARA TEMPONI 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2017 
1 
 
COLÉGIO TÉCNICO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRABALHO DE BIOQUÍMICA 
GASOMETRIA 
 
 
 
 
 
 
 
BÁRBARA TEMPONI 
 
 
 
Trabalho apresentado à disciplina de Bioquímica do 
Ensino Técnico/Médio do Colégio Técnico da 
Universidade Federal de Minas Gerais - Coltec 
UFMG, como requisito parcial para avaliação 
trimestral. Professora: Cláudia Natália 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2017 
2 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1...........INTRODUÇÃO...................................................................................3 
2..........DESENVOLVIMENTO........................................................................3 
 2.1. Amostra utilizada...............................................................................4 
 2.2. Preparação para o exame ................................................................4 
 2.3. Realização do exame .......................................................................5 
 2.3.1. Técnica..........................................................................................5 
 2.3.1.1. Riscos e efeitos colaterais........................................................6 
 2.3.2. Cuidados com a amostra...................................................................7 
 2.3.3. Funcionamento dos Gasômetros...................................................7 
 2.3.4. Fatores de erros.............................................................................9 
 2.3.4.1. Erros na Amostra .....................................................................9 
 
 2.3.4.2. Erros operacionais e instrumentais...........................................9 
 
 2.3.4.3. Interferentes .............................................................................10 
 
 2.4. Parâmetros avaliados........................................................................10 
 2.5. Resultados e distúrbios....................................................................11 
 2.6. Mecanismos compensatórios na acidose e alcalose.....................13 
3...........DISCUSSÃO.......................................................................................14 
4……....REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1.INTRODUÇÃO 
 
 
 O presente trabalho é referente ao tema “Gasometria” da matéria de 
bioquímica do Curso Técnico em Análises Clínicas. 
 Uma gasometria é um teste que possibilita calcular os níveis de oxigênio, 
dióxido de carbono, assim como outras substâncias no sangue. Dependendo 
do tipo de via pela qual se extraia a amostra, podemos encontrar gasometrias 
venosas, nas quais se obtém o sangue de uma veia, ou gasometrias arteriais, 
nas quais se recolhe o sangue de uma artéria, geralmente do pulso radial. 
 A utilidade deste teste é que, graças à informação do sangue coletado, é 
possível detectar alterações que podem comprometer a saúde do paciente, 
como, por exemplo, alterações no metabolismo renal, acidose, hiperventilação 
ou insuficiência respiratória. 
 
 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
 
 
 A gasometria consiste na leitura do pH e das pressões parciais de O2 e CO2 
em uma amostra de sangue. Também podem ser dosados os níveis de sódio, 
potássio, cálcio iônico e cloreto, dependendo do gasômetro utilizado. A leitura é 
obtida pela comparação desses parâmetros na amostra com os padrões 
internos do gasômetro. 
 
 
Exemplos de gasômetros 
 
 
 
 A avaliação do estado ácido-básico do sangue é feita na grande maioria dos 
doentes que são atendidos em UTI. Qualquer que seja a doença de base, essa 
4 
 
avaliação é fundamental, pois, além dos desvios do equilíbrio ácido-base 
propriamente dito, pode fornecer dados sobre a função respiratória e sobre as 
condições de perfusão tecidual. 
 
 
 
2.1. Amostra utilizada 
 
 
 Para avaliação do desempenho pulmonar, deve ser sempre obtido sangue 
arterial, já que esse tipo de amostra informará a respeito da hematose e 
permitirá o cálculo do conteúdo de oxigênio que está sendo oferecido aos 
tecidos. No entanto, se o objetivo for avaliar apenas a parte metabólica, isso 
pode ser feito através de uma gasometria venosa. 
 
 
 
 
 
 
2.2. Preparação para o exame 
 
 
 O paciente precisará responder um breve questionário antes da realização da 
gasometria arterial. É preciso que se respondam questões como uso de 
medicamento, problemas respiratórios, problemas cardíacos ou problemas 
renais, se possui apneia do sono e uso de oxigenoterapia, por exemplo. 
 Pessoas com cicatrizes de dissecação arterial em locais como dobras de 
cotovelos ou pulsos devem informar tal condição. Caso sinta frequentemente 
cansaço, falta de ar, tonteira ou apresente cianose o paciente também deve 
informar ao profissional. 
 Antes de entrar na sala específica para a coleta do sangue a pessoa precisa 
repousar no mínimo 15 minutos. Tendo feito algum tipo extra de esforço físico é 
necessário que se aguarde no mínimo 30 minutos antes da punção, para que 
5 
 
os resultados não saiam deturpados. Portanto, indivíduos que irão caminhar 
até o local do exame precisam chegar com certa antecedência, de forma a 
permitir um repouso para o corpo antes do procedimento. 
 
 
 
2.3. Realização do exame 
 
 
 O exame é realizado por meio da coleta de uma amostra de uma artéria ou 
veia. Utilizando uma agulha pequena, a amostra pode ser coletada da artéria 
radial no punho ou da artéria femoral na virilha ou da artéria braquial no braço. 
A leitura é obtida pela comparação desses parâmetros na amostra com os 
padrões internos do gasômetro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.3.1. Técnica 
 
 
 A coleta de sangue arterial para análise pode ser feita por punção direta ou 
colocação de cateter arterial. Em qualquer caso deve-se considerar que a 
invasão da luz arterial pode provocar espasmo, formação de trombo intramural 
6 
 
ou aparecimento de hematoma periarterial. Portanto, recomenda-se avaliar a 
circulação colateral. A prova de Allen se constitui num método simples e 
confiável para comprovar a circulação colateral ao nível da artéria radial. 
 Durante o teste de Allen, o funcionário palpa e aplica pressão sobre as 
artérias radial e cubital no punho, usando três dedos em cada artéria, o que 
obstrui o fluxo de sangue para a mão. Isso fará com que a palma fique pálida. 
Quando as artérias são libertadas, a pele vai ficar vermelha ou rosa. Se a pele 
ficar vermelha durante cinco segundos, isso indica uma diminuição do fluxo de 
sangue para as mãos e a necessidade de ser escolher um local de punção 
diferente. 
 
 
 
 
 
Para a coleta na artéria radial, utiliza-se a seguinte técnica: 
 
1. Palpação e localização do pulso radial junto ao punho e próximo ao processo 
estilóide do radio; 
2. Antisepsia do local; 
3. Introduzir o bisel voltado para cima, num ângulo de 60 a 90° em relação à 
artéria radial, aprofundando a agulha até que haja fluxo fácil de sangue na 
seringa; 
4. Compressão do local por 5 a 10minutos. 
 
 
2.3.1.1 Riscos e efeitos colaterais 
 
 
 Quando a técnica da coleta é seguida rigorosamente, é muito difícil que haja 
complicações decorrentes de tal exame. A coleta do sangue arterial é mais 
dolorosa do que a do sangue venoso e pode ocorrer a formação de hematomas 
e haver um leve sangramento após a punção,principalmente quando a pessoa 
já possui distúrbios de coagulação ou quando a compressão no local não é 
adequada. Caso a artéria femoral seja puncionada mais em cima do ligamento 
inguinal o sangramento é pior e pode acabar se dirigindo para o retroperitônio, 
provocando perdas consideráveis de sangue. 
 Como demonstrado por estudos¹, o estímulo doloroso causado pela coleta de 
gasometria nos recém-nascidos gerou variações de todos os parâmetros 
fisiológicos, como frequência cardíaca, frequência respiratória, pulso e 
saturação de oxigênio. 
7 
 
2.3.2. Cuidados com a amostra 
 
 
 Após a coleta do sangue arterial, ainda há atividade metabólica 
nas células sanguíneas, acarretando no aumento da pressão parcial de gás 
carbônico. Além disso, pode ocorrer a difusão de oxigênio através das paredes 
da seringa o que gera queda da pressão parcial de oxigênio. 
 A escolha da seringa pode influenciar na analise final da gasometria. Estudos 
mostram que os gases tendem a serem menos difusíveis com o uso da seringa 
de vidro. Tais seringas também apresentam vantagens sobre as de plástico, 
pela maior facilidade para a coleta da amostra devido ao enchimento 
espontâneo do seu lúmen após a punção, enquanto seringas de plástico 
normalmente necessitam de sucção para seu enchimento. 
 Na tentativa de diminuir o metabolismo das células sanguíneas, o uso de um 
recipiente com gelo para guardar as amostras antes de serem levadas para 
análise é uma medida a ser adotada. Entretanto se a amostra for levada 
imediatamente para a análise, tal ação pode ser dispensada. 
 
 
 
2.3.3. Funcionamento dos Gasômetros 
 
 
 As dosagens são normalmente realizadas de forma automatizada pelos 
gasômetros, que avaliam os diferentes parâmetros através de eletrodos. Para 
explicar seu funcionamento, será usado como exemplo o analisador de gases 
sanguíneos ABL5 da Radiometer Copenhagen. 
 
 
 
 O ABL5 é de fácil uso, em que basta abrir a entrada da aspiração da amostra 
no analisador. Foi projetado para efetuar dosagens no sangue humano 
medindo os seguintes parâmetros: pH; (pCO2) pressão parcial de dióxido de 
carbono; e (pO2) pressão parcial de oxigênio. Isso é feito através dos seguintes 
eletrodos: 
 
8 
 
Eletrodo de Referência E111: Este eletrodo é utilizado como referência para o 
eletrodo de pH G707. Sua função é basicamente, manter um potencial 
constante relativamente à amostra, independente da concentração desta. A 
solução saturada de KCl que passa através da membrana porosa serve como 
ponte salina, estabelecendo o contato entre o eletrodo de referência e a 
amostra. A junta de membrana entre a solução de KCl e a amostra é um tipo 
de junta estável é fiável. 
 
Eletrodo de pH G707: Quando em contato com uma amostra, a diferença 
potencial é desenvolvida ao longo da membrana de vidro. A magnitude da 
diferença potencial é proporcional á diferença de pH entre as duas soluções. A 
diferença permuta de íons em cada superfície da membrana. A permuta de 
íons é feita entre os íons de hidrogênio da solução em contato com essa 
superfície, a respectiva extensão é determinada pela concentração de H+ ( 
mais precisamente, a atividade) em cada solução. Se a concentração de H+ de 
ambas as soluções for idêntica, a diferença potencial ao longo da membrana 
de vidro será teoricamente igual a 0 volts. 
 
Eletrodo de pCO2 E808: O Eletrodo de pCO2 é basicamente um eletrodo de 
pH ao qual foi adicionado uma membrana de silicone, essa membrana permite 
apenas a passagem das moléculas não carregadas de CO2, O2 e N2. Íons 
carregados, tais como H+ , não passarão, consequentemente o CO2 dissolvido 
da amostra difundir-se-á na camada fina do eletrólito de bicarbonato até se 
atingir um equilíbrio. O pH do eletrólito alterar-se-á a medida que se dissolve 
maior quantidade de gás de CO2 no eletrólito. A medida que o pH no eletrólito 
se altera, a tensão sobre a membrana de vidro sensível ao pH e entre o fio de 
Ag/AgCl e a banda de referência de Ag/AgCl também se altera, devido as 
alterações de potencial ao longo da membrana de vidro. A alteração de 
calibração do pH é convertida numa leitura de pCO2, através da a uma curva 
de calibração linear que relaciona o logarítimo de pCO2 com o pH. Visto as 
moléculas carregadas não poderem atravessar a membrana, a alteração de pH 
dever-se-á exclusivamente ao gás de CO2 que se difunde no eletrólito. 
 
Eletrodo de pO2 E909: O oxigênio da amostra difunde-se, através da 
membrana, na solução de eletrólito e é reduzido no catodo, produzindo assim 
uma corrente entre o anodo e o catodo, que é proporcional á tensão do 
oxigênio. O circuito é completado no ânodo, onde a prata é oxidada. 
 
 
 
 Na presença de Pt negra, que cobre a parte interior da membrana de 
propileno, o peróxido de hidrogênio decompõe-se imediatamente: 
2H2O2 → 2H2 + O2 
 Isso resulta num eletrólito mais rápido e mais estável. O diâmetro 
extremamente pequeno do catodo de platina limita o consumo de oxigênio 
9 
 
durante a medição. Consequentemente, é gerada apenas uma pequena 
corrente medica em picoamperes. A corrente depende da reação no catodo. A 
redução de O2 é limitada pela difusão através da membrana que cobre o 
catodo. 
 
 
2.3.4. Fatores de erros na determinação dos gases sanguíneos 
 
 
 Como qualquer técnica de laboratório, a gasometria também é susceptível a 
erros, seja por alterações ou mau funcionamento do equipamento como por 
falhas humanas na coleta e manuseamento do equipamento. A liberação de 
resultados errôneos, além de gerar um prognóstico incorreto, também 
atrapalha a detecção e acompanhamento de patologias, o que evidencia a 
necessidade de atenção do operador durante a prática, de modo a minimizar a 
ocorrência de possíveis erros. 
 
 
 
2.3.4.1. Erros na Amostra 
 
 
1. Sangue proveniente de paciente errado (identificação incorreta) ; 
2. Sangue proveniente de pacientes durante trocas na terapia de ventilação ou 
durante o período de hiperventilação induzida pelo estresse do paciente; 
3. Transporte: falha em colocar a amostra em banho de gelo ( tempo > 30 min); 
4. Atraso na leitura da amostra (máximo 60 min); 
5. Bolhas de ar na seringa ou seringa sem vedação da agulha ( ≥ 10% do 
volume da amostra pode aumentar o valor do pO 2 em cerca de 11mmHg); 
6. Quantidade excessiva de heparina (pode reduzir o valor da pCO 2 em cerca 
de 40% e pode alterar o pH); 
7. Volume insuficiente de sangue ou sangue coagulado; 
8. Mistura insuficiente após a introdução no analisador. 
 
 
 
2.3.4.2. Erros operacionais e instrumentais 
 
 
1. Uso de tampões contaminados ou vencidos; 
2. Contaminação bacteriana da câmara do eletrodo; 
3. Bolha de ara sobre a membrana do eletrodo; 
4. Proteínas sobre a membrana; 
5. Calibração incorreta devido a baixa pressão no tanque, buraco no tubo 
transportador dos gases de calibração do analisador, conexão incorreta do 
tanque do gás de calibração, calibração incorreta do tampão, perda de 
saturação da solução de KCl (sua dissolução completa pode introduzir 
pequenas mudanças que baixam lentamente os resultados do pH), dentre 
outros. 
10 
 
A maioria dos erros é resolvida com manutenção adequada ou detectável pelo 
controle de qualidade. 
 
 
2.3.4.3. Interferentes 
 
 
1. Níveis elevados de COHb e MetHb aumentam o resultado de Saturação da 
pO 2; 
2. Valores de Bilirrubinas acima de 10mg/dL interferem no resultados de 
Saturação da Po2; 
3. Soluções lipídicas acima de 50 mg/dL interferem no resultados de Saturação 
da pO 2; 
4. Amostras hemolisadas interferem no resultados de Saturação da pO2; 
5. Amostras diluídas interferem no resultados de Saturação da pCO2. 
 
 
 
2.4. Parâmetros avaliados 
 
 
1. Pressão parcial de oxigênio (PaO2): mede a pressão de oxigênio dissolvido 
no sangue e como o oxigênio é capaz de se mover a partir do espaçoaéreo 
dos pulmões para o sangue. A PaO2 exprime a eficácia das trocas de oxigênio 
entre os alvéolos e os capilares pulmonares, e depende diretamente da 
pressão parcial de oxigênio no alvéolo, da capacidade de difusão pulmonar 
desse gás, da existência de Shunt anatômicos e da reação ventilação / 
perfusão pulmonar. Alterações desses fatores constituem causas de variações 
de PaO2. 
 
2. Pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2): mede a quantidade de 
dióxido de carbono que é dissolvido no sangue, e como o dióxido de carbono é 
capaz de se mover para fora do corpo. A pressão parcial de CO2 do sangue 
arterial exprime a eficácia da ventilação alveolar, sendo praticamente a mesma 
do CO2 alveolar, dada a grande difusibilidade deste gás. Seus valores normais 
oscilam entre 35 a 45 mmHg. Se a PaCO2 estiver menor que 35 mmHg, o 
paciente está hiperventilando, e se o pH estiver maior que 7,45, ele está em 
Alcalose Respiratória. Se a PCO2 estiver maior que 45 mmHg, o paciente está 
hipoventilando, e se o pH estiver menor que 7,35, ele está em Acidose 
Respiratória. 
 
3. pH: mede íons de hidrogênio (H +) no sangue. O pH do sangue fica 
geralmente entre 7,35 e 7,45. Um pH inferior a 7,0 é chamado ácido e um pH 
maior do que 7,0 é chamada básico (alcalino). Sendo assim, o sangue deve ter 
um pH ligeiramente básico. 
 A alimentação e a atividade física produzem desvios do pH que são 
prontamente compensados, quando as funções respiratória e renal são 
adequadas. Em determinados estados patológicos ou em certas alterações 
pulmonares ou renais, a produção de ácidos ou a retenção de bases no 
11 
 
organismo, podem ser tão intensos que os mecanismos de compensação se 
tornam incapazes de manter o equilíbrio adequado. 
 
 
 
 
 
4. Bicarbonato (HCO3): bicarbonato é um produto químico que impede o pH do 
sangue de se tornar muito ácido ou básico. As alterações na concentração de 
bicarbonato no plasma podem desencadear desequilíbrios ácido-básicos por 
distúrbios metabólicos. Se o HCO3- estiver maior que 28 mEq/L com desvio do 
pH > 7,45, o paciente está em Alcalose Metabólica. Se o HCO3- estiver menor 
que 2 mEq/L com desvio do pH < 7,35, o paciente está em Acidose Metabólica. 
 
5. Valores de conteúdo de oxigênio (O2CT) e saturação de oxigênio (O2Sat): o 
primeiro mede a quantidade de oxigênio no sangue daquela amostra, já o 
segundo mede quantas hemoglobinas (células dos glóbulos vermelhos) estão 
transportando oxigênio (O2). 
 
 
 
2.5. Resultados e distúrbios 
 
 
 Resultados anormais da gasometria podem indicar que o paciente não está 
recebendo oxigênio suficiente, que não está eliminando dióxido de carbono em 
quantidade adequada, que há um problema na função renal ou que há um 
problema metabólico. Resultados normais da PO2 indicam que a pessoa está 
recebendo oxigênio suficiente. Alterações também podem ocorrer em certos 
processos, como em intubações orotraqueal no atendimento pré-hospitalar². 
 
 
12 
 
 
 
 
Os diferentes distúrbios: 
 
 Acidose metabólica: esta é, provavelmente, a mais séria desordem acido-
básica. Podem ser causadas por um excesso de ácidos, como no acumulo de 
lactato, que se relaciona com estados de distribuição inadequada de oxigênio 
nos tecidos, e no acumulo de cetoácidos, que ocorre na cetoacidose diabética, 
pela perda de bicarbonato pelo intestino delgado ou rins, pela ingestão de 
venenos ou drogas, dentre outros. 
 
 Acidose respiratória: o problema primário é o aumento da PaCO2 como 
resultado da hipoventilação alveolar, em razão do inadequado volume-minuto 
(como num paciente fraco ou cansado), ou do aumento do espaço morto (como 
na doença pulmonar obstrutiva crônica grave). Frequentemente, estas causas 
ocorrem em combinação. Devido ao mecanismo de compensação, que será 
explicado no tópico seguinte deste trabalho, o nível de bicarbonato no plasma 
pode ser útil na diferenciação aguda da acidose respiratória crônica. No estado 
agudo, o bicarbonato está normal, enquanto no estado crônico está 
aumentado.. 
 
 Alcalose metabólica: pode ser causada pelo excesso de bicarbonato 
(sempre iatrogênico) ou pela perda de ácido (do estomago ou dos rins). No 
estomago, perde-se ácido em casos de obstrução do trato gastrointestinal 
superior ou íleo; litros de líquidos podem ser perdidos diariamente. Já nos rins, 
a causa mais comum de perda de ácidos é a hipocalemia (baixa quantidade de 
potássio na corrente sanguínea). 
 
 Alcalose respiratória: aqui o problema primário é uma paCO2 baixa, que é 
sempre resultado da hiperventilação. Isso pode ocorrer numa pessoa 
respirando espontaneamente, que está ansiosa, com dor ou que tem distúrbio 
respiratório (as causas incluem asma, pneumonia, embolo pulmonar, e 
síndrome do desconforto respiratório no adulto). A alcalose respiratória pode 
também ser vista em paciente ventilado mecanicamente, que recebe um 
grande volume-minuto ou que esta taquipneico. 
 
 
 
 
 
13 
 
2.6. Mecanismos compensatórios na acidose e alcalose 
 
 
 Na acidose respiratória, a persistente elevação da pressão parcial de CO2 
repercute a nível renal e, após um período de 12 a 48 horas, já se consegue 
detectar uma diminuição da eliminação renal de HCO3-, com maior eliminação 
de H+ na urina. O aumento da reabsorção renal de HCO3- constitui o principal 
mecanismo de compensação renal à acidose hipercápnica. O HCO3-, 
elevando-se no sangue, tenderá a normalizar o pH. A acidose respiratória 
compensada apresentará pH normal ou próximo do normal, PCO2 elevada e 
HCO3-. Numa insuficiência pulmonar, devido a hipoxia ou ao aumento de 
trabalho muscular respiratório, a produção de ácido láctico pode estar 
aumentada, e este é tamponado no plasma pelo bicarbonato, com consequente 
diminuição dos seus níveis, diminuindo ainda mais o pH e levando a uma 
Acidose Mista. 
 Na hipocapnia (diminuição de dióxido de carbono no sangue) de longa 
duração, a eliminação renal de bicarbonato está aumentada, levando a 
correção do pH do sangue. A alcalose respiratória compensada apresentará 
um pH normal ou próximo do normal com níveis de bicarbonato baixos. A 
associação de alcalose respiratória e alcalose metabólica, Alcalose Mista, é 
frequente em pacientes com insuficiência respiratória quando hiperventilados 
mecanicamente, e ocorrem perdas de suco gástrico ou uso de diuréticos. 
 Na acidose metabólica, a compensação ocorrerá pela hiperventilação 
alveolar secundária ao aumento de H+ no plasma e no líquor, levando a uma 
diminuição da PCO2. Essa hiperventilação tenderá a corrigir o pH do sangue. 
 Na alcalose metabólica, o mecanismo de compensação não é tão eficiente. 
Embora o aumento de HCO3-no líquor deprima a respiração, sua passagem 
pela barreira liquórica é muito lenta. Daí o fato de que a depressão respiratória 
não ser observada com frequência na clínica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 
3. DISCUSSÃO 
 
 
 Além de ser amplamente disponível e de baixo custo, a gasometria fornece, 
como supracitado, informações que auxiliam o diagnóstico e tratamento de 
várias patologias, tanto humanas como de outros animais. Além disso, é uma 
técnica amplamente usada em pesquisas, como para avaliar Parâmetros 
clínicos e hemogasométricos de equinos durante prova de vaquejada4, para 
monitoramento da saúde de potros nascidos de éguas com placentite, para 
estudo da gasometría arterial em adultos clinicamente saudáveis a 3350 
metros de altitude5, para avaliar a influência do local de inserção do dreno 
pleural, de PVC atóxico, na função pulmonar6 e para determinar a utilidade do 
índice de oxigenação arterial como ponto para avaliar o estado de oxigenação 
arterial em pacientes com sépsis respiratória que foram ventilados7.15 
 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
1. Andréa Lopes Barbosa, Maria Vera Lúcia Moreira Leitão Cardoso. 
Alterações nos parâmetros fisiológicos dos recém-nascidos sob oxigenoterapia 
na coleta de gasometria. Acta paul. enferm. vol.27 no.4 São Paulo Aug. 2014 
 
2. Ricardo Alessandro Teixeira Gonsaga; Jorge Luis dos Santos Valiatti; 
Izabela Dias Brugugnolli; João Paulo Gilioli; Mariana Farina Valiatti; Nathalie 
Neves; Natalia Dias Sertorio; Gustavo Pereira Fraga,TCBC-SP. Avaliação dos 
parâmetros gasométricos dos traumatizados durante o atendimento pré-
hospitalar móvel. Rev. Col. Bras. Cir. vol.40 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2013 
 
3. Silvana S.B. Arruda, Lucio N. Huaixan, André R.C. Barreto-Vianna, Roberta 
F. Godoy, Eduardo M.M. Lima; Clinical and blood gasometric parameters during 
Vaquejada competition. Pesq. Vet. Bras. vol.35 no.11 Rio de Janeiro Nov. 2015 
 
4. R.S. dos Santos, M.N. Corrêa, L. O. de Araújo, F.M. Pazinato, L.S. Feijó, 
B.R. Curcio, R.C. Ferreira, C.E.W. Nogueira. Avaliação hematológica e 
hemogasométrica de potros nascidos de éguas com placentite ascendente. 
Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.69 no.1 Belo Horizonte Jan./Feb. 2017 
 
5. César Johan Pereira-Victorio1,2,a,b, John Huamanquispe-Quintana3,4,5,a, Luis 
Eduardo Castelo-Tamayo5,6,a,c .Réplica: gasometría arterial en adultos 
clínicamente sanos a 3350 metros de altitud. Rev Peru Med Exp Salud 
Publica vol.32 n.1 Lima Jan./Mar. 2015 
 
6. Irinea Beatriz Carvalho Ozelami Vieira; Fabiano F. Vieira; João Abrão; Ada 
Clarice Gastaldi. Influência da posição do dreno pleural na função pulmonar de 
pacientes submetidos à revascularização do miocárdio. Rev. Bras. 
Anestesiol. vol.62 no.5 Campinas Sept./Oct. 2012 
 
7. MsC. Oscar Rodríguez Reyes; MsC. Oscar Bernardo Rodríguez 
Carballosa; y Dra. Judith Malberty Giro. Índice de oxigenación arterial en 
pacientes con sepsis respiratoria ventilados. MEDISAN v.14 n.2 Santiago de 
Cuba 10/feb-21/mar. 2010 
 
https://www.saudedicas.com.br/doencas/exames/gasometria-o-que-e-e-como-
funciona-1549275 
 
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABks8AD/gasometria 
 
http://enfermagembydiogo.blogspot.com.br/2012/03/puncao-para-gasometria-
arterial.html 
 
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAplsAF/gasometria 
 
PRESTO, B. L. V.; PRESTO, L. D. N.. Fisioterapia Respiratória: Uma nova 
visão. Ed.Bruno Presto – Rio de Janeiro 2003. 
 
16 
 
SILVEIRA, I. C.; O Pulmão na prática médica. 3º ed – Rio de Janeiro. Ed. de 
Publicações Médicas, 1992. 
 
CARLOS ALBERTO A. VIEGAS. Gasometria arterial. Jornal Brasileiro de 
Pneumologia.

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