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Regime diferenciado de contratação (RDC) - Resumo (parte 1)

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Inicialmente, o RDC foi previsto para as contratações relacionadas à Copa do Mundo de
2014 e Olimpíadas de 2016.
Porém, as possibilidades de utilização do RDC foram sofrendo alterações legislativas pos-
teriores e uma recente atualização se deu com a Lei nº 13.190/15, que passou a prever
novas hipóteses de utilização do RDC, como por exemplo: nas obras e serviços destina-
dos à melhoria da mobilidade urbana e nas chamadas locações “built to suit’.
Além disso, a referida lei ainda acrescentou um §3º ao art. 1º da lei, permitindo a utiliza-
ção do RDC nas licitações relacionadas a obras e serviços de engenharia no âmbito dos
sistemas públicos de ensino e de pesquisa, ciência e tecnologia.
RDC X Lei 8666/93
A adoção do RDC permite a aplicação subsidiária da Lei nº 8666?
Não. Com a adoção do RDC, há o afastamento expresso da L8666, não sendo possível a
sua aplicação subsidiaria.
Porém, existem casos especícos em que a lei do RDC determinará a aplicação de regras
da Lei nº 8666, a exemplo do que ocorre nos requisitos de habilitação (Art. 14), dispensa
e inexigibilidade de licitação (Art. 35) e na adoção de critérios de desempates (Art. 25).
Peculiaridades do RDC
Indicação de marca
A Lei 12462/11 incorporou algumas práticas que já eram comuns na administração,
como a indicação de marca para referência a um gênero (Exemplo: canetas do tipo
BIC) ou quando for necessária a padronização do objeto (Exemplo: aquisição de bolas
de futebol que sigam um padrão internacional). Tal indicação, de acordo com a lei, exi-
ge decisão fundamentada (art. 7º).
Além disso, também é possível que se estabeleça, no RDC, a padronização do edital
(art. 4º).
Regime Diferenciado De Contratações
Licitações (Parte 12)
Direito Administrativo II

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Exigência de Amostras
A lei do RDC também traz a possibilidade de exigência de amostras do bem. Tal exigên-
cia pode ser feita no procedimento de pré-qualicação, na fase de julgamento das
propostas ou de lances, mas é necessária a fundamentação.
De acordo com a lei, a Administração também pode solicitar a apresentação pelos in-
teressados de certicação da qualidade do produto ou do processo de fabricação.
Remuneração Variável
A Lei do RDC também estabeleceu a possibilidade de se prever a remuneração variável
do contratado, a depender do seu desempenho. Era um instituto que já aparecia nas
PPPs e que foi incorporado ao RDC.
O principal fundamento desta novidade foi buscar a eciência nas contratações, em
consonância com a ideia de “Administração de Resultados” e com o conceito de
“contratos de performance”.
Inversão da ordem das fases de habilitação e julgamento
Assim como no pregão, no RDC também há a inversão das fases de habilitação e
julgamento das propostas, sendo vericados os documentos de habilitação apenas
do 1º colocado (art. 14).
No entanto, a habilitação anterior ao julgamento das propostas pode ocorrer de forma
excepcional, e desde que haja previsão no instrumento convocatório. A regra é habili-
tar só o 1º colocado (ao contrário do que ocorre na Lei 8666, em que a fase de habili-
tação antecede ao julgamento).
Mais uma semelhança com o pregão é a previsão da unicidade recursal (art. 27).
Além disso, o art. 17 também trouxe a possibilidade de utilização de lances verbais
(art. 17) que poderão seguir o modo de disputa aberto (lances públicos) ou fechado
(propostas sigilosas até a data e hora designados para a sua divulgação).
Sigilo
A lei possibilita que determinadas contratações no âmbito do RDC se desenvolvam
de forma “sigilosa”, sem publicidade ao público em geral, abertas somente para os
órgãos de controle. Há também a previsão do chamado “orçamento sigiloso”, sendo
aquele que não será divulgado aos licitantes antes do encerramento da licitação (essa
é uma regra distinta daquela prevista no art. 40, § 2.º, II, da Lei 8.666/1993, que exige a
apresentação, no anexo do edital de licitação, do orçamento estimado em planilhas de
quantitativos e preços unitários).
Essa previsão é bastante criticada, mas o contra-argumento é o de que o sigilo pode ser
necessário para viabilizar propostas melhores para a administração. Além disso, não se
trata propriamente de um sigilo, pois há controle dos tribunais de contas e eventual-
mente do judiciário. Por m, o caráter sigiloso muitas vezes pode servir para garantir a
competividade e a boa-fé, evitando a formação de cartéis pelos licitantes.