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direito const felipe grangeiro

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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão 
 
 
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220 
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OS: 0151/11/16-Gil 
CONCURSO: AGEPEN 
 
SUMÁRIO: 
1 Direitos e Garantias Fundamentais................................................................................01 
 Direitos e deveres individuais e coletivos 
2 Administração Pública.....................................................................................................32 
3 Defesa do Estado e das Instituições Democráticas.........................................................38 
4 CF Atualizada até a EC 93...............................................................................................43 
 
1 – Direitos e Garantias Fundamentais 
TEORIA 
1. BREVE EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. 
A história dos direitos fundamentais está diretamente 
ligada ao aparecimento do constitucionalismo no final do 
século XVIII, que, entretanto, herdou da idade média as 
ideias de contenção do poder do Estado em favor do 
cidadão, tendo como ponto ápice a célebre Magna Carta, 
escrita na Inglaterra, em 1215, pela qual o Rei João Sem 
Terra reconhecia alguns direitos dos nobres, limitando o 
poder do monarca. 
Com a Revolução Francesa, em 1789, se acentuaram os 
movimentos e documentos escritos que buscavam garantir 
aos cidadãos os seus direitos elementares em face da 
atuação do poder público. Destaque-se a denominada 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, 
produto daquela revolução ocorrida em território francês. 
Pouco antes disso, porém, outro documento entrava para a 
história, como resultado da revolução Americana, a 
Declaração de Virgínia, elaborada em 1776, estabelecendo 
os direitos fundamentais do povo norte-americano, tais 
como a liberdade, a igualdade, eleição de representantes, 
dentre outros. 
Em 1948, logo após a 2
a
 Guerra Mundial, a Organização das 
Nações Unidas fazia editar a Declaração Universal dos 
Direitos do Homem, estendendo para praticamente todo o 
mundo o respeito e a proteção aos direitos fundamentais 
do ser humano. 
Paulo Bonavides, comentando sobre a importância das 
declarações dos direitos do homem, enaltecendo aquela 
nascida na França, em mais uma lição magistral, ensina 
que: “Constatou-se então com irrecusável veracidade que 
as declarações antecedentes de ingleses e americanos 
podiam talvez ganhar em concretude, mas perdiam em 
espaço de abrangência, porquanto se dirigiam a uma 
camada social privilegiada (os barões feudais), quando 
muito a um povo ou a uma sociedade que se libertava 
politicamente, conforme era o caso das antigas colônias 
americanas, ao passo que a Declaração francesa de 1789 
tinha por destinatário o gênero humano. Por isso mesmo, e 
pelas condições da época, foi a mais abstrata de todas as 
formulações solenes já feitas acerca da liberdade”. 
 
2.0. DISTINÇÃO ENTRE DIREITO E GARANTIA. 
Muitos doutrinadores diferem “Direitos” de “Garantias” 
Fundamentais. Essa distinção, no direito brasileiro, foi feita 
por Rui Barbosa, ao separar as disposições declaratórias, e 
as garantias, disposições assecuratórias. Em outras 
palavras, o direito é o “bem” protegido pela norma e a 
garantia é o mecanismo criado pela norma para defender o 
direito. Em contrapartida, Sampaio Dória, defende a tese 
de que as Garantias também são Direitos. 
Os direitos e garantias fundamentais, consagrados na 
constituição federal, não são ilimitados, absolutos, uma vez 
que encontram seus limites nos demais direitos igualmente 
consagrados pela Carta Magna (Princípio da relatividade ou 
convivência das liberdades públicas). 
Na lição de Canotilho, os direitos fundamentais exercem a 
função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no 
plano jurídico-político, funcionam como normas de 
competência negativa para os Poderes Públicos, proibindo-
os de atentarem contra a esfera individual da pessoa; b) no 
plano jurídico-subjetivo, implicam o poder de exercer 
positivamente os direitos fundamentais (liberdade 
positiva), e de exigir omissões dos poderes públicos. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Os direitos e garantias individuais não têm 
caráter absoluto. Não há, no sistema constitucional 
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter 
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse 
público ou exigências derivadas do princípio de convivência 
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a 
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas 
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde 
que respeitados os termos estabelecidos pela própria 
Constituição. (...). (STF MS 23.452, 12/05/00). 
 
3.0. CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS 
FUNDAMENTAIS. 
A doutrina, baseada na ordem histórica cronológica em que 
passam a ser institucionalmente reconhecidos, classifica os 
direitos fundamentais em dimensões (gerações). Em 
primeira análise, Paulo Bonavides, os classificou em: 
Direitos de primeira dimensão: são os direitos civis e 
políticos, e compreendem as liberdades clássicas 
(liberdade, propriedade, vida, segurança). São direitos do 
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão 
 
 
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 
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OS: 0151/11/16-Gil 
indivíduo perante o Estado, são limites impostos à atuação 
do Estado, resguardando direitos considerados 
indispensáveis a cada pessoa humana. Significa uma 
prestação negativa, um não fazer do Estado, em prol do 
cidadão. 
Direitos de segunda dimensão: correspondem aos direitos 
sociais, que são direitos de conteúdo econômico e cultural 
que visam melhorar as condições de vida e de trabalho da 
população. Significa uma prestação positiva, um fazer do 
Estado em prol dos menos favorecidos pela ordem social e 
econômica. Esses direitos nasceram em razão de lutas de 
uma nova classe social, os trabalhadores. 
Direitos de terceira dimensão: corresponde aos direitos 
difusos e coletivos, são os direitos de solidariedade e 
fraternidade, considerados transindividuais, os direitos de 
pessoas coletivamente consideradas. São direitos coletivos, 
como a proteção ao meio ambiente, à qualidade de vida 
saudável, ao progresso, à paz, à autodeterminação dos 
povos e a defesa do consumidor, da infância e da 
juventude. 
Note-se que há um comparativo desses direitos ao lema da 
Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. 
Em outra oportunidade, o mencionado autor cita ainda os 
direitos de quarta dimensão: “São direitos da quarta 
geração o direito à democracia, o direito à informação e o 
direito ao pluralismo. Deles depende a concretização da 
sociedade aberta ao futuro, em sua dimensão de máxima 
universalidade, para a qual parece o mundo inclinar-se no 
plano de todas as relações de convivência”. 
Embora alguns doutrinadores afirmem que o direito à paz 
esteja inserido entre os direitos de terceira dimensão, 
Paulo Bonavides o desloca para a quinta dimensão, em 
virtude de suas características próprias e independentes, 
pois estaria em um “patamar superior”, merecendo 
visibilidade superior aos demais direitos fundamentais. E 
para tanto, afirma expressamente que “A dignidade jurídica 
da paz deriva do reconhecimento universal que se lhe deve 
enquanto pressuposto qualitativo da convivência humana, 
elemento de conservação da espécie, reino de segurança 
dos direitos”. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Enquanto os direitos de primeira geração