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DAS_PENAS_RESTRITIVAS_DE_DIREITOS

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o período já cumprido. Ex.: “A” é condenado a oito meses de trabalho voluntário em um hospital. Cumpre sete meses e quinze dias. Como deve ser respeitado o saldo mínimo de trinta dias de reclusão o condenado deve cumprir mais quinze dias somando-se 30 dias ao final.[33: NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. 8ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2012, p.444.]
Ressalte-se que se a pena for de prisão simples pela condenação em contravenção penal não há exigência do período mínimo. O art.44, §4º. do CP fala em reclusão ou detenção, portanto, no cometimento de crime.
a2) Conversão das Penas Restritivas de Direitos Pecuniárias em Privativa de Liberdade 
São três casos: a) prestação pecuniária em favor da vítima; b) prestação inominada; c) perda de bens e valores. Nessas três hipóteses podem ocorrer as seguintes situações: a) MP consegue executar a pena; b) o juiz converte em prisão quando executado frustra a execução da pena de prestação pecuniária ou de perda de bens por malícia (não quer pagar; omite os bens etc.); c) o juiz pode, por analogia ao art. 148 da LEP, mudar a espécie de pena restritiva de direitos aplicada optando pela prestação de serviços à comunidade conforme escreve Nucci. d) Se houver aplicação de prestação pecuniária ou multa na transação penal, havendo o descumprimento deve-se enviar os autos ao MP para o oferecimento da denúncia, segundo o STF.[34: “Art. 148. Em qualquer fase da execução, poderá o Juiz, motivadamente, alterar, a forma de cumprimento das penas de prestação de serviços à comunidade e de limitação de fim de semana, ajustando-as às condições pessoais do condenado e às características do estabelecimento, da entidade ou do programa comunitário ou estatal”.][35: NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. 8ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2012, p.444.][36: (RE 602.072 RG-QO, Rel. Min. CEZAR PELUSO, Plenário, julgado em 19/11/2009, DJe 26/02/2010).]
Cabe registrar que existem autores que entendem não ser possível converter penas restritivas de direitos pecuniárias em privativa de liberdade em razão do caráter pecuniário que possuem. Assim, opinam no sentido de que essas penas devem seguir a situação da pena de multa (art. 49 a 52 do CP) que veda a sua conversão em pena privativa de liberdade. No entanto, a doutrina e a jurisprudência dominante tem respaldado a conversão, segundo Estefam.[37: ESTEFAM, André. Direito penal: parte geral. Vol. 1. 1ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 327.]
Nesses três casos deve-se observar também o art.44, §4º. do CP: 
 “A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão”.
Assim, se o condenado não pagar pena pecuniária no valor total, o juiz deve descontar o percentual já pago pelo condenado na hora de calcular o quanto resta de pena privativa de liberdade a cumprir. Ex.: “A” é condenado a pagar dois salários mínimos à vítima pelo crime de trânsito que cometeu. “A” paga só um salário. Deve cumprir metade da pena privativa de liberdade imposta na sentença que foi convertida em prestação pecuniária.[38: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 448.]
 Art. 44 § 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. 
Exemplo: “A” é condenado à pena de prestação pecuniária pelo crime de furto. Durante o pagamento das parcelas, é condenado em outro processo pelo crime de estelionato à pena de prisão em regime fechado por ser reincidente. Neste caso po cumprir as duas penas simultaneamente: paga as parcelas enquanto fica preso em regime fechado. O juiz não precisa converter a pena restritiva de direitos em prisão. Pode ainda ser compatível a pena restritiva de direitos com o regime aberto e o sursis.[39: Conforme CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 444.]
Juízo Competente para Aplicar a Lei n. 9.714/1998[40: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 446.]
a)após o trânsito em julgado – juízo da execução penal;
b) processo em primeiro grau antes da sentença final – juiz de primeiro grau;
c) processo em grau de recurso – tribunal respectivo.
Penas Alternativas Pecuniárias
Prestação pecuniária: Art. 45, §1º. do CPB: “A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários”. O poder Judiciário não pode receber a prestação pecuniária pois não é entidade, segundo Capez. Além disso, o valor não pode ser superior nem inferior aos marcos previstos, ainda que o crime seja tentado, conforme referido autor. O valor será abatido em caso de ação civil reparatória movida pela vítima ou seus familiares para cobrança de danos referentes ao delito. O valor não pode ser deduzido se a prestação pecuniária foi paga a uma entidade. Neste caso, não coincide quem recebe e quem será cobrado posteriormente. O pagamento pode ser feito em ouro, joias imóveis etc. Veda-se a aplicação de prestação pecuniária ao autor de violência doméstica na forma da Lei Maria da Penha. A execução da pena de prestação pecuniária deve ser feita pelo beneficiário do valor. Transitada em julgado a decisão e descumprida a pena pelo condenado, o beneficiário deve extrair cópia do título executivo e ingressar no juízo cível. “Frustrada a cobrança e inexistindo bem para penhora, cabe ao beneficiário comunicar o ocorrido ao juízo da execução penal para que, cientificado o Ministério Público, se proceda à conversão da prestação pecuniária em pena privativa de liberdade.”[41: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 449.][42: Conforme CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 450.][43: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 453.]
Prestação inominada: Art. 45, §2º. do CPB: “No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza”. Ex.: entregar cestas básicas a entidades públicas ou privadas, plantio de árvores, etc. Veda-se, no caso de violência doméstica, este tipo de pena.[44: ESTEFAM, André. Direito penal: parte geral. Vol. 1. 1ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 327.; LEAL, João José. Direito penal geral. 3ª. ed. rev. e atual. Florianópolis: OAB/SC, 2004, p. 452.]
Perda de bens e valores: Art. 45, §3º. do CPB: “A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior – o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em consequência da prática do crime”. Trata-se, segundo Nucci, de “sanção penal, de caráter confiscatório, levando à apreensão definitiva por parte do Estado de bens ou valores de origem lícita do indivíduo”. O termo confisco, embora negado pela Exposição de Motivos da Lei 9.714/98, é admitido por Nucci e Capez. O art. 45, §3º. difere do art. 91 do CPB. Neste se perdem (ou são confiscados como fala Capez) os instrumentos ou produtos do crime - veículos usados para transportar drogas, imóveis comprados com dinheiro ilícito