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Fichamento - Thomas Hobbes de Mamesbury

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Fichamento: Thomas Hobbes de Mamesbury - Leviatã
Nome: Víctor Rodrigues Nascimento Vieira 
I – Sobre o Autor:
Hobbes (1588 – 1697) nasceu de uma família pobre, mas teve seus estudos bancados pela nobreza, o que possibilitou que tivesse contato com grandes pensadores da época como Galileu, Bacon e Descartes. 
Foi contemporâneo da Revolução Puritana na Inglaterra, época de uma crescente tensão política e social que originou uma guerra civil entre monarquistas (que ele defendia) e os parlamentaristas protestantes. Quando começaram as execuções dos monarquistas ele viu-se obrigado a fugir para a França, local onde sob a proteção dos monarquistas exilados, continuou seus escritos, porém em uma situação bem precária.
II – Sobre a Obra: 
Sua obra mais famosa, Leviatã, mostra uma visão do Estado e sua relação com o indivíduo essencialmente moderna em sua concepção da política. O pensamento político do autor fundamenta-se na teoria contratualista. Na Inglaterra, suas obras tinham sido proibidas, pelo teor monarquista que apresentavam e por parecerem ateístas, mas na verdade somente defendiam a secularização do Estado.
Uma das interpretações do livro Leviatã permite-nos dizer que “o homem é o lobo do próprio homem”, em outras palavras, “o homem é mau por natureza” e por isso necessita abdicar de sua liberdade para por em prática o contrato social, que originará o Estado. 
III – Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil:
Os principais pontos da obra Leviatã são O Estado de Natureza do Homem e o Contrato Social que serão abordados em seguida.
Capítulo X – Do poder, valor, dignidade, honra e merecimento
Poder: poder de um homem (universalmente considerado) consiste nos meios que presentemente dispõe para obter qualquer visível bem futuro. Pode ser original ou instrumental.” (pág. 83)
Na diferenciação dos tipos de poder há o poder natural que é a eminencia das faculdades do corpo ou do espírito; e o poder instrumental, que é adquirido mediante os poderes naturais, ou pelo acaso e possibilitam a aquisição de mais poderes.
Hobbes enumera várias características que podem ser consideradas como poder, dentre elas: riqueza aliada a liberalidade; reputação do poder; popularidade; sucesso; afabilidade; nobreza (o poder da nobreza é relativo, pois depende do contexto em que insere-se); eloquência; beleza; sucesso; ciências (consideradas um pequeno poder); a reputação de prudência na conduta de paz ou de guerra; ter servidores e/ou amigos e as artes como utilidade pública, como a fortificação, o fabrico de máquinas e outros instrumentos de guerra;
Para o autor, o maior de todos os poderes humanos é o poder do Estado e qualquer qualidade que torne um homem amado ou temido por muitos é poder também.
Valor: O valor do homem ou das coisas é o seu preço, ou seja, tanto quanto seria dado pelo uso de seu poder. O valor é algo que depende do julgamento de outra pessoa, portanto não é absoluto. O valor varia conforme as condições que são impostas ao homem ou as coisas.
O julgamento do valor do próximo é feito comparando-o ao valor que damos à nós mesmos e mesmo que nos consideremos de alto valor, o nosso valor não será nunca superior ao que nos for atribuído pelos outros.
A manifestação do valor é a honra, portanto a falta de valor é a desonra. O valor de um homem honrado ou desonrado é compreendido em comparação ao valor que cada homem atribui a só próprio.
O valor público de um homem é chamado dignidade e é atribuído pelo Estado, avaliado pelo cargo ou função que ocupa.
Honra: Neste capítulo são listadas algumas formas naturais de honrar-se alguém, que são: elogiar; obedecer; oferecer grandes presentes; ser solícito; ceder o lugar a outrem; louvar; exaltar; felicitar; ser decente, humilde e falar ao outro com consideração; acreditar, confiar e apoiar-se no outro; pedir e solicitar conselho; concordar e imitar. Tudo que for contrário a essas maneiras de honrar, é considerado desonra.
“Mas nos Estados, onde aquele ou aqueles que detêm a suprema autoridade podem instituir os sinais de honra que lhes aprouver, existem outras honras.
Um soberano pode honrar um súdito com qualquer título, ou cargo, ou emprego ou ação...
Portanto, a fonte de toda honra civil reside no Estado e depende da vontade do soberano.” (pág. 86)
Diferente das formas de honra natural, a honra concedida pelo corpo civil é temporária e pode ser expressa na forma da magistratura, dos cargos públicos, dos títulos e até mesmo por meio de uniformes e emblemas.
Ser honrado, amado ou temido é honroso. As formas honrosas mais conhecidas para o corpo civil são: o domínio; a vitória; a boa sorte; a riqueza; magnanimidade; a liberalidade; a esperança; a coragem; a confiança; a decisão ou resolução oportuna do que se precisa fazer; a gravidade; as ações que derivam da equidade e são acompanhadas de perdas; a cobiça das grandes riquezas; ser ilustre; ser conhecido pela riqueza, cargos, grandes ações ou qualquer bem eminente; descender de pais ilustres; os escudos e brasões hereditários quando acompanhados de qualquer privilégio eminente e todas as ações e palavras que derivam, ou parecem derivar de muita experiência, ciência, discrição ou sagacidade.
“Os títulos de honra, como duque, conde, marquês e barão são honrosos porque significam o valor que lhes é atribuído pelo poder do Soberano do Estado.” (pág. 88)
Merecimento de um homem: “é uma coisa muito diferente de seu valor, e também de seu mérito, e consiste num poder ou habilidade especial para aquilo de que se diz que ele é merecedor, habilidade particular que geralmente é chamada adequação ou aptidão. Porque mérito pressupõe um direito, e a coisa mais merecida é devida por promessa.” (pág. 89) 
 
Capítulo XIII – Da Condição Natural da Humanidade Relativamente à sua Felicidade e Miséria
Os homens quando encontram-se na sua condição natural, gozam de igualdade de benefícios quanto a sua força, quanto ao seu espírito e quanto a capacidade havendo desigualdade somente quanto à sabedoria, pois uns julgam-se mais sábios que os outros, porém pelo fato de todos considerarem-se dotados de um saber maior, já estão em concordância de pensamento, o que os torna também, iguais. As diferenças que por ventura possam surgir são desprezíveis e não alteram a igualdade entre os indivíduos.
Quando dois homens tiverem interesse iguais, e não medirem esforços para conseguirem o que querem, como o direito a sobrevivência, esses tornam-se inimigos e consequentemente há um sentimento de medo e desconfiança entre eles. Frente ao sentimento de desconfiança, os indivíduos veem-se obrigados a agir preventivamente para garantir sua sobrevivência. 
“De modo que na natureza do homem encontramos três causas principais de discórdia. Primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro a glória. A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança, a terceira, a reputação.” (pág. 108 e 109)
Como, no estado de natureza os homens são iguais e dispõe de liberdade para fazerem o que querem, há o que chama-se de guerra de todos os homens contra todos os homens. Assim sendo, entende-se por guerra “o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito” (pág. 109).
Neste estado de guerra, o que garante a segurança dos homens é a própria força, e o cenário não é propício, de forma alguma para o desenvolvimento, seja industrial, comercial, técnico ou até mesmo científico. “ E a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta.” (pág. 109)
A ideia de miséria que o homem vive é portanto, estar sujeito a uma morte violenta a qualquer momento e não dispor de uma condição de proprietário de algo, a não ser que o tenha conquistado e que consiga-o manter pela força.
Capítulo XIV : Da Primeira e Segunda Leis, e dos Contratos
Hobbes inicia esse capítulo definindo o Direito de Natureza como “a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua