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pela Lei nº 9.279, de 14/5/1996; e o direito de autor, na Lei nº 9.610, de 19/2/1998.
3.11.2 Direitos autorais – Lei n.º 9.610/1998; CF, art. 5º, inc. XXVII
a) Introdução
A primeira lei que tratou do direito de autor surgiu na Inglaterra e se denominava “Statute of Anne”. Esta lei transferiu dos livreiros para os autores o privilégio de fazer cópias dos livros.
Na França, o monopólio de produção e exploração da obra foi conferido ao autor em 1793.
Em 1880, a Alemanha reconhecia o direito à personalidade moral do autor.
No Brasil, a primeira lei foi a de nº 496, de 01/08/1898. Depois, veio o Código Civil de 1916, que regulou a matéria nos artigos 649 a 973. Seguiram-se as leis 4.944, de 06/04/1966, e 5.988, de 14/12/1973, esta que restou revogada, expressamente, pela Lei nº 9.610, de 19/02/1998, em seu artigo 115, vigente hoje.
Há quem conteste a colocação da propriedade intelectual no âmbito do direito das coisas, sob argumento de que, tradicionalmente, a propriedade sempre teve como objeto bens corpóreos. Entendem esses que sua localização estaria mais adequada na parte que trata do direito das pessoas, em especial, no que se refere aos direitos da personalidade. 
Alguns juristas, ante ao caráter social das idéias, chegam até negar a própria natureza jurídica do direito autoral. Entre eles, Manzini, ao afirmar que: “o pensamento manifestado pertence a todos: é propriedade social. A inspiração da alma humana não pode ser objeto de monopólio”. Deboor, no mesmo seguimento, assevera que “as obras do espírito não são propriedade dos autores. Por seu destino, devem pertencer ao povo. Se um ser humano, tocado pela graça, fizesse atos de criador, este ser privilegiado não teria podido jamais realizar sua obra se não tivesse por outro lado conseguido alimentar-se do imenso tesouro representado pela cultura nacional. A obra protegida deveria pertence à humanidade, mas como esta não tem órgão adequado para esta finalidade, o direito corresponderia ao Estado”. (Maria Helena Diniz).
Outros dizem que a obra intelectual é mero produto do meio em que surgiu, no que recebem a crítica de Malaplate, que não entende “como é possível falar em produto do meio, num domínio que tem um caráter tão pessoal?” Justificando, diz que “nunca um ‘Gargântua’ teria sido criado sem um Tabelais, um ‘René’ sem um Chateaubriand, a ‘Nona Sinfonia’ sem um Bethoven, ou o sorriso de ‘Gioconda’ sem um Leonardo da Vinci” (Maria Helena Diniz). 
Ainda, há os que afirmam, como Gerber, Colin e Capitanto, Medeiros e Albuquerque, não ser a instituição um direito, mas um simples privilégio ou monopólio de exploração outorgado aos autores para incrementar as artes, as ciências e as letras.
Contrapondo-se, há os que admitem a natureza jurídica da propriedade literária, científica ou artística, entendendo uns como um direito da personalidade (Bertand, Dahn, Bluntschli, Heymann, Tobias Barreto e Gierke), “pois o direito de autor constitui um elemento de personalidade, cujo objeto é a obra intelectual, tida como parte integrante da esfera da própria personalidade”, outros (Kohler, Escarra e Dabin, Ahrens, Ihering, Dernburg), “como uma modalidade especial de propriedade, ou seja, a propriedade incorpórea, imaterial ou intelectual”.
Para Maria Helena Diniz “..., se a Constituição garante o direito exclusivo do autor de utilizar suas obras e como tal direito sobre a coisa que está no patrimônio de uma pessoa é o direito de propriedade, poder-se-á afirmar que o direito do autor é um direito de propriedade, mesmo porque a Lei n.º 9.610/98, no seu art. 3.º, e o Código Civil, no art. 83, III, afirmam que os direitos autorais reputam –se para os efeitos legais, bens móveis”.
b) Conceito de direito de autor
“É o conjunto de prerrogativas de ordem não-patrimonial e de ordem pecuniária que a lei reconhece a todo criador de obras literárias, artísticas e científicas, de alguma originalidade, no que diz respeito à sua paternidade e ao seu ulterior aproveitamento, por qualquer meio durante toda a sua vida, e aos seus sucessores, ou pelo prazo que ela fixar” (Antônio Chaves).
c) Definição de autor – art. 11
Está no artigo 11: “É a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica.”
É “a pessoa física criadora de obra protegível, podendo a proteção autoral aplicar-se às pessoas jurídicas nas hipóteses abrangidas pela lei” (Carlos Alberto Bittar).
d) Co-autor- art. 15
É aquele que tem participação essencial na realização da obra.
“É a obra criada por várias pessoas, ou atribuída àqueles em cujo nome, pseudônimo ou sinal convencional for utilizada” (Rizzardo).
e) Direitos morais do autor – arts. 24-27 
Direitos morais “são aqueles que objetivam garantias à propriedade da obra, de sorte a manter intocável a paternidade na criação intelectual, que reflete a própria personalidade do autor” (Rizzardo).
Protegem a personalidade do criador. Correspondem ao aspecto intelectual e espiritual. Diz respeito à paternidade da obra, à autoria, que ninguém pode modificar, pois se torna perpétua, inalienável e imprescritível. É uma extensão da personalidade do autor, e não tem a ver com o aspecto econômico.. ´”E a idéia, a concepção, a criação do espírito” (Jeferson Daibert, apud Rizzado).
Estão discriminados no artigo 24. Ler.
f) Direitos patrimoniais do autor – arts.28-45
São os direitos que o autor, por ser o criador da obra, tem de auferir os proventos econômicos de seu trabalho. “Dizem respeito aos resultados econômicos da obra, assegurados ao autor” (Rizzardo).
São os direitos advindos da materialização da idéia, que se verifica com a publicação, difusão, tradução, reprodução da obra, traduzindo-se em proveitos econômicos. 
Podem ser transferidos como objeto de propriedade, porque obra feita é um bem corpóreo.
Estão regulamentados extensamente no artigos 28 a 45.
g) Objeto do direito autoral - art. 7º e 8º
O objeto do direito autoral são as obras protegidas, que estão relacionadas no artigo 7º.
O artigo 8º refere-se ao que não é objeto de proteção do direito autoral.
h) Registro da obra – art. 18
O registro da criação intelectual não é obrigatório, porque, como dispõe o artigo 18, a proteção independe de registro. Contudo é recomendável o registro, porque facilita o exercício do direito e se mostra um instrumento mais eficaz na sua defesa, em especial, contra o plágio e a contrafação.
A obra intelectual pode ser registrada no órgão correspondente, conforme a sua natureza. São a Biblioteca Nacional, Escola de Música, Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Cinema, Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. A previsão está no artigo 19, que faz remissão ao artigo 17 e aos seu § 1º, da Lei nº 5.988/73.
i) Contrato de edição – art. 53
“É o contrato pelo qual o autor de obra literária, artística, ou científica concede a alguém o direito exclusivo de reproduzi-la e divulgá-la, mediante certa remuneração” (Rizzardo). Está no artigo 53.
Na edição, a obra é aprontada e apresentada ao editor.
A obra pode ser encomendada pelo editor. Neste caso, o editor contrata o autor para realizá-la. Art. 54.
Não havendo disposição diversa, presume-se que o contrato é para apenas uma edição. Art. 56.
Da mesma forma, no silêncio, a tiragem de cada edição é de três mil exemplares. Art. 56. § único.
j) Direitos e deveres do editor
 Estão inseridos em diversos artigos, tais como: Artigos 30, § 2º; 60; 61; 62; ; 63; 63, §§ 1º e 2º ; 66.
l) Direitos e deveres do autor
São os direitos morais e patrimoniais.
m) Prazos do contrato – art. 62
Não havendo convenção, a obra deve ser editada no prazo de 2 (dois) anos, contados da celebração do contrato.
n) Retribuição – ART. 57
Decorre do direito de propriedade. Se o autor é o proprietário da obra, por esta razão, tem direito de ser retribuído pela