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real de habitação sobre o imóvel em que residia o casal, desde que seja o único dessa natureza que integre o patrimônio comum ou particular do cônjuge falecido.
Recurso não conhecido, com ressalva quanto à terminologia.
(REsp Nº 826.838-RS – 3ª Tura - STJ – Rel. Min. Castro Filho – J. 25/9/2006)
O direito do filho herdeiro não se sobrepõe ao direito de habitação da mãe, viúva sobrevivente. Veja-se:
Direito real de habitação. Ação possessória. Artigos 718, 748, 1.611, § 2°, e 1.572 do Código Civil de 1916.
1. O titular do direito real de habitação tem legitimidade ativa para utilizar a defesa possessória, pouco relevando que dirigida contra quem é compossuidor por força do art. 1.572 do Código Civil de 1916. Fosse diferente, seria inútil a garantia assegurada ao cônjuge sobrevivente de exercer o direito real de habitação.
2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp N° 616.027 – SC. Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito. 3ª Turma – STJ. J. 14/6/2004).
União estável
A Lei nº 9.278, de 10/05/1996, que trata da união estável e regulamentou o § 3º do art. 226 da CF, dispõe:
Art. 7.º Dissolvida a união estável por rescisão, a assistência material prevista nesta Lei será prestada por um dos conviventes ao que dela necessitar, a título de alimentos.
Parágrafo único. Dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes, o sobrevivente terá direito real de habitação, enquanto viver ou não constituir nova união ou casamento, relativamente ao imóvel destinado à residência da família. Vide Caio Mário, p. 59.
“UNIÃO ESTÁVEL. PARTILHA. BENFEITORIAS REALIZADAS NO IMÓVEL DA MULHER. PROVA. DIREITO REAL DE HABITAÇÃO. 1. A parte tem o direito de permanecer morando na casa que servia de morada familiar, quando reconhecida a sua condição de companheiro e sendo inequívoco que coabitava com a de cujus no imóvel. Inteligência do art. 7º, parágrafo único da Lei nº 9.278/96. 2. O direito real de habitação é deferido ao companheiro independentemente de qualquer condição pessoal, social ou econômica, e ainda que possua outros imóveis, mas limita-se esse exercício apenas e tão-somente a “enquanto durar a viuvez”, não ficando comprovada, na hipótese de nova união. Se a lei não impõe quaisquer outras restrições, não é dado ao intérprete fazê-lo. 3. Sendo o direito real de habitação ínsito ao reconhecimento da união estável, mostra-se cabível sua declaração ex officio. 4. As benfeitorias realizadas na constância da união também são passíveis de partilha, não ficando comprovado o investimento exclusivo de terceiro para ampliação do prédio. Recurso desprovido.” (AC Nº 70020257697 – 7ª CC – TJRS – Rel. Des. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves – J. 26/9/2007).
“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. DIREITO REAL DE HABITAÇÃO À COMPANHEIRA SOBREVIVENTE.
O direito real de habitação está calcado nos princípios da solidariedade e da mútua assistência, característicos da união estável.
Apesar de o Código Civil não ter conferido expressamente o direito real de habitação àqueles que viveram em união estável, tal direito subsiste no ordenamento jurídico em razão do parágrafo único do art. 7º da Lei nº 9.278/96. Inexiste incompatibilidade entre as duas legislações. Equiparação entre união estável e casamento levada a efeito pela Constituição Federal.” (AC Nº 70018291468 – 8ª CC – TJRS – Rel. Des. Rui Portanova – J. 01/03/1007).
Vide, ainda: 
AC N° 70013330881 – 8ª CC - TJRS – Rel. Des. José S. Trindade – J. 22/12/2005.
AC N° 70015179294 – 8ª CC – TJRS – Rel. Des. Luiz Ari Azambuja Ramos – J. 14/9/2006.
União estável e companheiro falecido usufrutuário
AÇÃO REIVINDICATÓRIA. IMÓVEL. OBJETO DE USUFRUTO EM FAVOR DO DOADOR. EXTINÇÃO DO USUFRUTO POR MORTE DO USUFRUTUÁRIO. POSSE EXERCIDA PELA COMPANHEIRA. INEXISTÊNCIA DE DIREIO REAL DE HABITAÇÃO. ARTS. 739, i, DO CÓDIGO CIVIL (1916) E 1410 DO ATUAL.
O usufruto trata-se de direito personalíssimo, intuito personae, intransferível por qualquer forma, a teor dos art. 739, I, do Código Civil (1916) e 1410 do atual. Caso em que o de cujus, doador, exercia posse direta com fundamento em direito real sobre coisa alheia, que integrava o patrimônio dos autores, com as quais a ré não mantém nenhuma relação jurídica. E, se intransferível é, o falecido não poderia, por meio de uma simples declaração, repassar o seu direito de usufrutuário. É primário que não se pode contratar infringindo a lei, ainda mais quando pode prejudicar o interesse de terceiros.
AELAÇÃO IMPROVIDA.
(AC N° 70016694168 – 17ª CC – TJRS – Rel. Desa. Elaine Harzheim Macedo – J. 28/9/2006).
Similar: AC N° 70005525548 – 7ª CC – TJRS – Rel. Des. José Carlos Teixeira Giorgis – J. 12/3/2003.
e) Extinção
O direito real de habitação desaparece do mesmo modo que o usufruto e o uso.
4.2 De Aquisição : Direito do promitente comprador do imóvel – CC, arts. 1225, VII, e 1.417-1.418; Decreto-lei n.º 58/37
a) Generalidades
Antes do advento do Decreto-lei n.º 58, de 10 de dezembro de 1.937, o compromisso de compra e venda conferia apenas direitos obrigacionais. Pagas as parcelas, se o vendedor se negasse a outorgar a escritura pública e entregar o imóvel, ao adquirente só restava pedir indenização. Na época, os negócios eram regulados pelo artigo 1.088 do Código Civil de 1916, que permitira o arrependimento de qualquer parte antes da conclusão do contrato.
O Decreto-lei n.º 58/37 atribuiu ao compromissário-comprador direito real sobre o imóvel de loteado. 
Posteriormente, o Decreto n.º 3.079, de 15/09/1.938, que regulamentou o Decreto 58/37, estendeu o caráter real às escrituras públicas de promessa de compra e venda de imóveis não-loteados. 
Por fim, a Lei n.º 649, de 11/03/49, efetivamente, criou o direito real de promessa de venda, alterando o artigo 22 do Decreto-lei n.º 58/37.
“A Lei n. 6.766, de 19 de dezembro de 1979, denominada Lei do Parcelamento do Solo Urbano, veio derrogar o Decreto-Lei n. 58/37, que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. O art. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. Qualquer cláusula de arrependimento, nesses contratos, ter-se-á, pois, por não escrita. Em se tratando, porém de imóvel não loteado, é lícito afigurar-se convencionar o arrependimento, afastando-se, com isso, a constituição do direito real. Inexistindo cláusula nesse sentido, prevalece a irretratabilidade” (Gonçalves, 482). 
O novo Código Civil de 2002 consagrou, em seus artigos 1.225, VII, 1.417 e 1.418, a promessa irretratável de compra e venda, registrada no Registro de Imóveis, como um direito real de aquisição.
Os sujeitos denominam-se promitente ou compromitente-vendedor ou cedente e promissário ou compromissário-comprador ou adquirente ou cessionário.
b) Definição
É “o contrato pelo qual o compromitente-vendedor obriga-se a vender ao compromissário-comprador determinado imóvel, (...) outorgando-lhe a escritura definitiva assim que ocorrer o adimplemento da obrigação; (...)” (Maria Helena Diniz).
c) Natureza jurídica
Sílvio Venosa, citando Darcy Bessone, que afirma ser uma garantia, assevera que, “se a função de garantia com eficácia real não é sua característica principal, é elemento marcante do instituto”.
Sílvio Rodrigues aduz: “Parece-me indiscutível ter a promessa irretratável de venda o caráter de direito real de gozo”. Mais adiante, ainda, situa a matéria após as chamadas servidões pessoais (usufruto, uso e habitação).
Orlando Gomes, com Daibert, considera um direito real sobre coisa alheia sui generis, um pouco direito real de gozo e um pouco direito real de garantia (apud, Maria Helena Diniz). * Na edição de 2004, revistas e atualizada por Luiz Edson Fachin, afirma que “Entre os direitos reais limitados não se incluem os de aquisição,....”.
Maria Helena Diniz diz que, “na verdade o compromisso de compra e venda é um novo direito real”, não sendo nem de gozo nem de garantia, mas um “direito real sobre coisa