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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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silvática, 
devido aos seus vários hospedeiros animais que vão desde animais selvagens, aves e reptéis a 
 
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 Disenteria - infecção do intestino grosso por um protozoário ou por uma bactéria que normalmente provoca dores 
abdominais, tenesmo, ulceração das mucosas e diarreia que pode ser acompanhada de muco e sangue. 
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 Ameboma - Tecido tumoral, composto por tecido inflamatório, que se constitui através de uma inflamação por 
ameba. 
 
 
 
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animais domésticos. Mas recentemente tem-se tornado numa protozoose cosmopolita, em que os 
infantários, as escolas e os hospitais são os principais pontos de aparecimento de endemias. 
 
Giardia lamblia 
A principal fonte de contaminação destes organismos consiste na sua presença em 
reservatórios de água contaminada e alimentos mal lavados e cozinhados. Os quistos conservam a 
sua viabilidade dentro de água durante dois ou mais meses e são resistentes a concentrações 
clorídricas (1 a 2 partes por milhão) usadas em tratamento de águas. A infecção também se pode 
dar pessoa a pessoa por meio fecal-oral ou anal-oral. 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. A infecção 
por G. lamblia (duodenalis) é iniciada pela ingestão 
de quistos. A dose mínima de infecção para 
humanos é de 10 a 25 quistos. O ácido gástrico 
estimula o desenquistamento com a libertação de 
trofozoítos no duodeno e jejuno, onde se começam 
a multiplicar. O período de incubação é de uma a 
quatro semanas, com média de dez dias. Os 
trofozoítos ligam-se às vilosidades intestinais por 
meio de discos de sucção, podendo-se observar um 
aplanamento e inflamação das vilosidades. 
Em metade dos casos, a infecção é 
assintomática. Nas formas sintomáticas pode 
acontecer: 
 Esteatorreia, uma diarreia gordurosa, aquosa e com odor 
fétido, dor epigástrica, enterite, irritação, náuseas e 
vómitos; 
 Síndrome de má-absorção, por obstrução mecânica, de 
vit. B12, A, D, E, K, ferro, ácido fólico, gorduras, e com 
perda de peso. 
 
Prevenção e Diagnóstico 
As infecções por Giardia podem ser evitadas se cada pessoa tiver 
cuidado com a sua higiene pessoal e se efectuar a filtração e/ou a fervura da 
água. O correcto saneamento contribui para a prevenção deste tipo de 
infecções. 
Os G. lamblia (duodenalis) detectam-se 
por exame parasitológico da aspiração do 
conteúdo duodenal e das fezes: em fezes líquidas 
observam-se trofozoítos [imagem em cima, à direita] e em 
fezes sólidas quistos [imagem em baixo, à direita]. Outros 
meios de detecção também podem ser utilizados: ELISA, por 
captura de antigénios específicos de Giardia nas fezes; PCR e 
por imunofluorescência usando anticorpos monoclonais anti-
Giardia [imagem à esquerda]. 
 
 
 
 
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Criptosporidiose 
 Os organismos Cryptosporidium são agentes patogénicos protozoários associados com 
diarreia em humanos. Destes, o Cryptosporidium parvum é a espécie mais comum em 
criptosporidioses, embora espécies como C. meleagridis, C. felis e C. muris têm sido isoladas a 
partir de pacientes imunodeprimidos. 
 Sendo zoonoses, com reservatórios em gado bovino, ovino e caprino, os Cryptosporidium 
têm uma distribuição mundial e uma prevalência de 10%. Para além disso, o oocisto é ubiquitário 
em meios aquáticos e é muito resistente a tratamentos com cloro e ozono; consegue persistir no 
meio ambiente durante meses. 
 A transmissão/contaminação dá-se de três formas, sendo todas comuns: transmissão de 
um reservatório animal para um humano; transmissão pessoa a pessoa por meio fecal-oral e anal-
-oral e contaminação de fontes de águas que abastecem populações e de alimentos. 
 
Cryptosporidium parvum 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais 
detalhes. Oocistos esporulados, 
contendo quatro esporozoítos, 
são excretados pelas fezes de 
hospedeiros infectados (também 
por secreções respiratórias). A 
transmissão deste organismo 
ocorre principalmente por 
contacto com águas contaminadas 
(por ingestão ou por uso em meios 
recreativos como piscinas). 
Após entrada no organismo 
por ingestão (ou possivelmente 
por inalação), acontece o 
desenquistamento. Os trofozoítos 
são libertados e parasitam as 
células epiteliais do tracto 
gastrointestinal (ou respiratório) – 
não infectam profundamente, 
apenas o epitélio. De seguida, os 
parasitas reproduzem-se assexua-
damente (esquizogonia), forman-
do merozoítos que se reproduzem de modo sexuado – produção de microgâmetas 
(masculinos) e de macrogâmetas (femininos). Após a fertilização, os oocistos desenvolvem-
se e podem ser de dois tipos: de parede fina, envolvidos na auto-infecção, e de parede 
grossa, que são excretados, podendo infectar outros organismos. 
Como noutras infecções por parasitas, a exposição aos Cryptosporidium pode 
revelar-se assintomática. Podem causar: 
 Enterocolite com diarreia aquosa, com remissão 
espontânea em 10 a 14 dias (auto-limitada); 
 Morte, em indivíduos imunodeprimidos, por perda 
severa de líquidos (mais de 50 defecações por dia). 
 
 
 
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Prevenção e Diagnóstico 
As infecções por Cryptosporidium podem 
ser evitadas com um saneamento correcto, 
filtração e/ou fervura de água e uma boa higiene 
pessoal. 
Os Cryptosporidium podem ser detecta-
dos em sedimento concentrado de fezes, com 
coloração de Ziehl-Neelsen modificada (são 
ácido-resistentes). Imunofluorescência indirecta 
e ELISA também são usadas para detectar estes 
organismos. 
 
 
Isosporose 
 Os organismos de Isospora são encontrados em todo o mundo. São parasitas intracelulares 
que afectam o epitélio intestino delgado. 
 
Isospora belli 
 Os Isospora belli reproduzem-se sexuadamente e assexuadamente no epitélio intestinal, 
resultando em dano tecidular. O produto final da gametogénese é o oocisto, que pode ser 
diagnosticamente detectado em fezes. 
 A sua transmissão dá-se por meio fecal-oral, por ingestão de água e alimentos 
contaminados ou por via sexual (oral-anal). 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. Oocistos 
imaturos com esporocistos entram no organismo 
por via oral, onde maturam. Os esporozoítos são 
libertados, dividem-se e maturam (esquizogonia) 
nas células da mucosa intestinal. As formas 
sexuadas desenvolvem-se (gametogonia) e 
produzem oocistos fertilizados que são libertados 
pelas fezes. Os oocistos possuem inicialmente 
esporoblastos que se convertem em esporocistos, 
repetindo-se o ciclo. 
As infecções com Isospora belli podem ser 
assintomáticas. Sintomaticamente, estas 
infecções podem causar: 
 Doença gastrointestinal moderada a severa, com diarreia, 
fezes aquosas, febre baixa e dores abdominais; 
 Síndroma de má-absorção; 
 Diarreia crónica com perda de peso e anorexia em 
imunodeprimidos. 
 
Prevenção e Diagnóstico 
As infecções por Isospora belli podem ser evitadas com um saneamento correcto, e 
com uma boa higiene pessoal. 
 
 
 
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Os Isospora belli podem ser detectados com a observação microscópica do 
sedimento concentrado de fezes, com coloração de soluto de lugol ou de Ziehl-Neelsen 
modificada, ou por biopsia do duodeno. 
 
 
Balantidiose 
Balantidium coli 
 O Balantidium coli é um protozoário ciliado com distribuição mundial, 
sendo que os seus principais reservatórios são o porco e o macaco (intestino 
grosso). Este parasita multiplica-se por divisão binária transversal. 
 As infecções são transmitidas via fecal-oral, por ingestão de água e 
alimentos contaminados. 
 
Patogénese e Patologias 
A infecção por Balantidium coli dá-se por ingestão de quistos, seguida de 
desenquistamento e invasão dos trofozoítos da mucosa do intestino grosso. As infecções 
com Balantidium coli podem ser assintomáticas. Sintomaticamente, estas infecções podem 
causar: 
 Doença intestinal, com náuseas,