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Direito Processo Civil

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defeitos e irregularidades capazes de dificultar o 
julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 
dias. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial, em 
conformidade com o art. 295, CPC. 
 
 Estando em termos a petição inicial, o juiz a despachará, ordenando a citação 
do réu, para responder. Do mandado constará que, em não sendo contestada a ação, os 
fatos articulados pelo autor presumir-se-ão aceitos pelo réu. 
 
 O pedido 
 
 Dois são os tipos de pedido: o mediato (material) e o imediato. 
 
 
124 
 
 Pedido imediato é o pedido que vem logo a seguir, aquele que imediatamente 
é percebido. O que o autor deseja, ou seja, a sentença. Diz respeito ao tipo de provimento 
jurisdicional buscado pela parte: condenação, declaração, constituição. 
 
 Pedido mediato é o próprio bem jurídico, é o bem da vida pretendido pelo 
autor. 
 
 O pedido deve ser certo ou determinado. É lícito, porém, formular pedido 
genérico: 
 
I - nas ações universais, se não puder o autor individuar, na petição, os 
bens demandados; 
II - quando não for possível determinar, de modo definitivo, as 
conseqüências do ato ou do fato ilícito; 
III - quando a determinação do valor da condenação depender de ato que 
deva ser praticado pelo réu. 
 
 É permitida a cumulação, num único processo, contra o mesmo réu, de vários 
pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. 
 
 Se o autor pedir a condenação do réu a abster-se da prática de algum ato, a 
tolerar alguma atividade, ou a prestar fato que não possa ser realizado por terceiro, 
constará da petição inicial a cominação da pena pecuniária para o caso de 
descumprimento da sentença (arts. 644 e 645, CPC). 
 
 O valor da causa (arts. 258 ao 261, CPC) 
 
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 A toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo 
econômico imediato. 
 
 O valor da causa constará sempre da petição inicial e será: 
 
a) Na ação de cobrança de dívida, a soma do principal, da pena e dos juros vencidos até a 
propositura da ação; 
b) Havendo cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de 
todos eles; 
c) Sendo alternativos os pedidos, o de maior valor; 
d) Se houver também pedido subsidiário, o valor do pedido principal; 
e) Quando o litígio tiver por objeto a existência, validade, cumprimento, modificação ou 
rescisão de negócio jurídico, o valor do contrato; 
f) Na ação de alimentos, a soma de doze prestações mensais, pedidas pelo autor; 
g) Na ação de divisão, demarcação e de reivindicação, a estimativa oficial para 
lançamento do imposto. 
 
 Quando se pedirem prestações vencidas e vincendas, tomar-se-á em 
consideração o valor de uma e outras. O valor das prestações vincendas será igual a uma 
prestação anual, se a obrigação for por tempo indeterminado, ou por tempo superior a um 
ano; 
 
 Se, por tempo inferior, será igual à soma das prestações. 
 
 O réu poderá impugnar, no prazo da contestação, o valor atribuído à causa 
pelo autor. Não havendo impugnação, presume-se aceito o valor atribuído à causa na 
petição inicial. 
 
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 O indeferimento da petição inicial 
 
 A petição inicial será indeferida: 
 
 I - quando for inepta; 
 
 Considera-se inepta a petição inicial quando lhe faltar pedido ou causa de 
pedir; quando da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; quando o 
pedido for juridicamente impossível; quando contiver pedidos incompatíveis entre si. 
 II - quando a parte for manifestamente ilegítima; 
 III - quando o autor carecer de interesse processual; 
IV - quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição (art. 219, 
§ 5º, CPC); 
V - quando o tipo de procedimento escolhido pelo autor não corresponder à 
natureza da causa, ou ao valor da ação; caso em que só não será indeferida, se 
puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal; 
VI - quando não atendidas as prescrições dos arts. 39, § único, 1º parte, e 
artigo 284, CPC. 
 
 O autor da causa poderá apelar, caso a sua petição inicial for indeferida, sendo 
facultado ao juiz, no prazo de 48 horas, reformar a sua decisão. 
 
 Não sendo reformada a decisão, os autos serão imediatamente encaminhados 
ao tribunal competente. 
 
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19.2 Da antecipação da tutela (art. 273, CPC) 
 
 Denomina-se tutela antecipada o deferimento provisório do pedido inicial 
(antecipação do pedido), no todo ou em parte, com força de execução, se necessário. 
 
 O art. 273, CPC, estabelece que o juiz poderá, a requerimento da parte, 
antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde 
que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e: I - haja 
fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou II - fique caracterizado o 
abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. 
 
 Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de 
irreversibilidade do provimento antecipado. 
 
 A tutela antecipada tem semelhança com a medida cautelar. A diferença é que 
a tutela versa sobre o adiantamento do que foi pedido na inicial, ao passo que a cautelar 
destina-se à solução de aspectos acessórios, com a manutenção de certas situações, até o 
advento da sentença na ação principal. 
 
 A tutela antecipada só pode ser concedida a requerimento da parte. A tutela 
antecipada pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, prosseguindo em todo 
caso o processo até o final do julgamento. 
 
 O requisito do "receio de dano irreparável ou de difícil reparação" é 
dispensado quando o réu abusar do direito de defesa ou agir com manifesto propósito 
protelatório. 
 
 
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 A tutela antecipada pode ser dada a qualquer momento no curso do processo, 
ouvida, ou não, a parte contrária, em decisão interlocutória. Pode até ser dada 
liminarmente, no recebimento da inicial. 
 
 Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as 
razões do seu convencimento. 
 
 Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de 
irreversibilidade do provimento antecipado. 
 
 A execução da tutela antecipada observará, no que couber, o disposto nos 
incisos II e III do art. 588, CPC. 
 
 A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em 
decisão fundamentada. 
 
 Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final 
julgamento. 
 
19.3 Da citação (arts. 213 ao 233, CPC) 
 
 Considerações gerais 
 
 Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de que 
ele tome conhecimento da ação proposta e assim apresente sua defesa. 
 
 
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 A citação do réu é requisito essencial de validade do processo, suprida apenas 
se ele toma conhecimento da ação proposta de forma espontânea. Comparecendo o réu 
apenas para argüir a nulidade e sendo esta decretada, será considerada feita a citação na 
data em que ele ou seu advogado for intimado da decisão. 
 
 A citação será efetuada em qualquer lugar em que se encontre o réu, mas deve 
ser sempre feita na pessoa deste ou de quem detenha poderes específicos para recebê-la, 
p. ex., o militar ativo deve ser citado na unidade em que estiver servindo, se não for 
conhecida a sua residência ou se não for encontrado nela. 
 
 Não se fará, porém, a citação, salvo para evitar o perecimento do direito: 
 
 I - a quem estiver assistindo a qualquer ato de culto religioso; 
 II - ao